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ameaçados sua dimensão simbólica e de culto. Ou seja, o interesse de divulgação e propaganda é intrínseco às estratégias de comunicação e à lógica do mercado, com isso há o risco da “reprodutibilidade técnica” exacerbada com o possível esvaziamento de sentido e perda da áurea desses bens, como apontado por Walter Benjamim. Por exemplo, como já apontou Macluan, as fotografias permitem uma vivência antecipada de um fato – ou seja, o bem em si passa a segundo plano na medida em que a sua vivência e experimentação ocorre antecipadamente por outros meios. Hoje, a maior dificuldade em criar uma política patrimonial que incorpore essas novas dinâmicas de maneira favorável e à longo prazo, garantindo e constituindo-se numa real preservação do patrimônio e comprometimento verdadeiro com esses bens, implica um questionamento dessas atuações, intervenções e suas conseqüências. Ou seja, o maior desafio dos gestores do patrimônio é, primeiramente, ter consciência do valor simbólico dos bens e, ainda, entender que o simples fato de haver o investimento não representa necessaria e naturalmente a preservação do bem. Para a manutenção e preservação dos bens culturais e artísticos, à longo prazo, é decisivo a posse de sentido e áurea, ou seja, que sejam vistos e geridos como bens coletivos e de significado importante à própria sociedade, caso contrário corre-se o risco de submetê-lo ao seu consumo imediato, com perda de valor e conseqüente inexistência. A dificuldade nesse sentido é grande, inclusive porque, as ações sobre o patrimônio cultural e artístico, também implicam em reconhecer a sua participação e inserção em outros setores estratégicos da economia, como a indústria de turismo, cultural e de informação, fundamentais às políticas de desenvolvimento urbano. Além disso, repensar as políticas patrimoniais, dotando de autonomia as instâncias legais e o corpo técnico e, assim, garantindo a autenticidade dos bens, é dificultado pelo fato de que o próprio Estado adota os mesmos interesses e estratégias de comunicação. Na medida em que a instância pública do Estado, 161

Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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