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4.5 GESTÃO DE MONOPÓLIO COMO SAÍDA AO ESVAZIAMENTO DE SENTIDO DOS BENS CULTURAIS.

A rapidez e a forma como o mercado se reproduz no mundo globalizado, influencia de duas formas as dinâmicas patrimoniais nas cidades contemporâneas: de um lado, por suas estratégias contemporâneas que invadem quase todas as esferas da vivencia humana , inclusive o campo dos bens culturais ; de outro, pela da competitividade e legitimação do sempre “novo” e urgente. Ou seja, a crença na novidade fundamental para reprodução do mercado, fazendo com que tudo seja entendido e gerido obrigatoriamente como um produto de consumo imediato e substituível, adota paradoxalmente o patrimônio cultural e artístico, mesmo entendido na forma de representação simbólica de tradição, como ferramenta e armamento estratégico a essa lógica. Assim, o patrimônio cultural e artístico é apropriado ou “cooptado” para legitimar os discursos empresariais, governamentais ou políticos de partidos ou pessoais e para agregar valor, inserindo-se à lógica de reprodução econômica e às estratégias de reprodução capitalistas contemporâneas. Considerar esse paradoxo não significa negar a importância desses investimentos na manutenção física e real desses bens, mas sim, como já foi dito, alertar sobre aos riscos e enfatizar a relevância na manutenção da aura e autenticidade desses bens, garantindo a sua própria existência, ou, usando o pensamento brandiano, evitando a criação de “falsos históricos”. Dessa forma, não podemos deixar de analisar criticamente as implicações da reapropriação e exposição maciça desses bens sob a lógica desses imperativos. Por um lado, se essas estratégias favorecem à divulgação do patrimônio cultural e artístico de uma localidade, dinamizando a viada cultural, por outro, sua exposição demasiada

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...