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As leis federais de incentivo (Lei Rouanet e do Audiovisual) estimulam as empresas a participarem de forma mais ativa dessas possibilidades, desenvolvendo a área cultural, gerando renda e criando mais empregos diretos e indiretos. Isso reforça a compreensão de que o investimento privado e público em cultura não é gasto, mas ganho em qualidade de vida da população e avanço em termos de desenvolvimento. Trata-se, em realidade, de uma outra face do desenvolvimento, a sua face humana, tornada possível pela afirmação da identidade daqueles que compartilham a mesma cultura. (Ministério da Cultura – Site oficial, agosto 2007).

O interesse em demonstrar o retorno financeiro às empresas que investem em cultura é rearfimado. Outro ponto relevante nos dados disponíveis refere-se à ênfase em demonstrar a participação indireta do Estado nessas ações - isso fica claro nas estatísticas e gráficos relativos ao crescimento do investimento no setor cultural a partir das leis de incentivo à cultura. 62 As empresas privadas, por seu lado, apresentaram crescimento oscilante dos gastos com cultura até 1993, variando entre R$ 8 milhões e R$ 19 milhões, inferior aos gastos efetuados pelas empresas públicas nesse período. Em 1994, no entanto, as empresas privadas apresentaram taxa recorde de crescimento anual de 280%. A partir dessa data, os gastos anuais dessas empresas variaram entre R$ 53 milhões e R$ 68 milhões, ficando acima dos investimentos culturais apresentados pelas empresas públicas no mesmo período. (Site official do Ministério da Cultura – agosto 2007).

A grandeza desses investimentos fica demonstrada num quadro disponível no site do Ministério da cultura, por segmento cultural. Os investimentos em patrimônio cultural no ano de 2006 somam 14.965.100,00 reais. As ações e investimentos em patrimônio cultural e artístico se por um lado representam ganhos reais e imediatos, por outro lado, respondem as necessidades e dinâmicas mercadológicas atuais de gestão de imagens corporativas, como falando anteriormente - por serem bens culturais e artísticos e por se tratar, no caso desse trabalho de bens arquitetônicos, dotados de valor e sentido simbólico são estratégicos à gestão de imagens, além de constituem meios de comunicação alternativos e complementares as mídias tradicionais.

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Ao analisarmos alguns anúncios de eventos ou ações sob esse incentivo, podemos sugerir que, possivelmente ao leigo e no plano do senso comum, o investimento estatal não é percebido - na medida em que nessas ações de

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  
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A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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