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Acrescenta, ainda, que essa valoração é relativa já que é atribuída não por nossa “verdadeira” “natureza”, mas sim, por uma “natureza” “aparente”. Por fim: E, uma vez que no estado civilizado devemos aos demais e à sociedade tudo aquilo que num sentido ou em outro é nosso, e já que precisamos dos outros em todas as nossas atividades – e os outros, para se relacionarem conosco, precisam confiar em nós -, a opinião deles sobre nós tem um valor que embora indireto, é o mais alto: bonne renommé vaut mieux que ceinture dorée [uma boa reputação vale mais do que a riqueza -um cinto dourado]. (SCHOPENHAUER, [1833], p.10)

Esse trecho transcrito, guardada as devidas proporções, ilustra e resume perfeitamente o conceito de imagem corporativa contemporânea, entendida como a reputação que uma corporação ou indivíduo constrói durante sua existência e que é determinante à sua relação com os diversos agentes sociais e/ou vice-versa. Assim como as empresas, as estratégias políticas e de políticos são cada vez mais objetivadas à criação ou destruição de “imagens” quer sejam pessoais ou de partidos, através da divulgação dos “feitos” (realizações) e ações significativas reais, favoráveis ou não. Ou seja, a “comunicação” passa a ser determinante também para a “política”56 assim como para o “mercado”. Depois do marketing comercial, o marketing político; não se trata mais de convencer ideologicamente os cidadãos, mas de vender um “produto” na melhor embalagem possível (....) A política mudou de registro, foi em grande parte anexada pela sedução: tudo é feito para dar de nossos dirigentes uma imagem de marca simpática, calorosa, competente. (LIPOVETSKY, 1989, p.198)

Ou, ainda: O que faz com que a vida política possa ser descrita na lógica da oferta e da procura é a desigual distribuição dos instrumentos de produção de uma representação de um mundo social explicitamente formulada: o campo político é o lugar em que se geram, na concorrência entre os agentes que nele se acham envolvidos, produtos políticos, problemas, programas, análises, comentários, conceitos, acontecimentos, entre os quais, os cidadãos comuns, reduzidos ao estatuto de “consumidores”, devem escolher, com probabilidades de mal-entendido tanto maiores quanto mais afastados estão do lugar de produção. (BOURDIEU, 1989, p.164)

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A revista Propaganda e Marketing publica, no dia 02.05.2007, reportagem intitulada “Lula aumenta verba de publicidade”. Segundo a revista, o conjunto integrado por empresas estatais, ministérios e a Presidência da República é o maior anunciante do País, somando R$ 1,015 bilhão no ano de 2006, representando um crescimento de 5,48% sobre 2005.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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