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entre produtores distintos para o mesmo produto, surgindo a marca como diferencial de mercado e garantia de qualidade. Quanto à relação com o consumo ele apresenta três momentos: a ideologia do consumo, mascada pela tendência integradora do consumo (anos 60 e 70); a cultura do consumo, definida pela complexidade, pelas hiper-ofertas e o excesso, e, ao mesmo tempo pela mudança no ato de consumir ( anos 80 e 90), o que foi chamado por ele de ecologia do consumo. Numa outra perspectiva, Naomi Klein (2003), ao buscar “denunciar” a “invasão das marcas” nas diversas esferas da vida humana, a política, a pública e a privada, também reconhece que os anos de 80 e 90 são marcados por uma transformação nas estratégias de comunicação e de mercado. As empresas passam a buscar seus objetivos e metas mercadológicas por meio da gestão de imagens corporativas como forma de domínio e diferencial competitivo nos mercados, onde as campanhas e formas de comunicação e “relacionamento” são determinantes ao sucesso e ganhos financeiros. Assim as empresas buscam sempre diversas e novas maneiras de comunicar e de se relacionar com seus clientes e a sociedade de uma forma geral. Esse era o segredo, aparentemente, de todas as histórias de sucesso do final dos anos 80 e início de 90. A lição da Sexta-feira de Malboro foi que nunca houve de fato uma crise das marcas – apenas marcas que tiveram crises de confiança. As marcas ficariam bem, concluiu Wall Street, assim que acreditasse fervorosamente nos princípios do branding e nunca, jamais piscassem. Da noite para o dia, “Marcas, não produtos!” tornou-se o grito de guerra de um renascimento do marking liderado por uma nova estirpe de empresas que se viam como “agentes de significado” em vez de fabricantes de produtos. O que mudava era a idéia de o que – na publicidade e na gestão de marcas – estava sendo vendido. Segundo o velho paradigma, tudo que o marketing vendia era um produto. De acordo com o novo modelo, contudo, o produto sempre é secundário ao verdadeiro produto, a marca, e a venda de uma marca adquire um componente adicional que só pode ser descrito como espiritual. A publicidade trata de apregoar o produto. O branding, em suas encarnações mais autênticas e avançadas, trata de transcendência corporativa. (KLEIN, 2003,p. 36)

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  
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A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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