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4 A VENDA PELO INVENDÁVEL54

Consumimos em espetáculo aquilo que a vida nos recusa(...) (LIPOVETSKY, 1987)

4.1 A VENDA DE SONHOS: ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO CONTEMPORÂNEAS

Joan Costa (2003), ao apresentar o tema de seu livro – o entendimento das imagens corporativas no século XXI – busca entender e, poderíamos dizer, defender que a gestão de imagens é a matriz fundamental ao sucesso em longo prazo para a empresas atuais. O autor faz um vôo sobre as transformações das estratégias empresariais e das empresas nos últimos anos, analisando de forma breve os enlaces entre as formas produtivas e os meios de comunicação. Ele defende que a comunicação, na contemporaneidade, é uma ferramenta estratégica determinante ao sucesso empresarial e a imagem insere-se nessa lógica. Segundo ele, a sociedade pré-industrial carecia de mercado e assim a comunicação estava dissociada do comércio. No período pós-industrial, quando ocorrem os excedentes do produto, a publicidade assume papel relevante na construção do consumo, na moda, na substituição, na reprodução do capital. Um terceiro momento é caracterizado quando os produtos se apresentam cada vez mais iguais e similares, ou seja, quando há concorrência

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Quando usamos a palavra invendável não significa que as obras de arte e o patrimônio não estão inseridos no mercado, mas que as dinâmicas mercadológicas desses bens, como apontado por Bourdieu, possuem estratégias e lógicas diferenciadas das demais mercadorias - a crença na denegação do mercado é basilar aos jogos que se operam no campo do simbólico e das obras de artes.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...