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3.5 A “COPTAÇÃO” DO VALOR SIMBÓLICO?

Ao considerarmos que um bem cultural e artístico é determinante ou fundamental a um grupo social, e dessa forma, sua existência, manutenção e reprodução é conseqüência dessa valoração no presente, como fica o patrimônio cultural e artístico quando ele passa a ser responsabilidade e interesse do Estado – quando passa a ser Patrimônio Legalizado? Se tomarmos o universo que nos propomos enfrentar nesse trabalho: patrimônio cultural e artístico e estratégias de comunicação (empresariais e ou governamentais) fundadas na ritualização de transformação da percepção dos bens patrimoniais percebe-se que os valores artísticos e, inclusive, o “histórico”, que sempre nortearam as teorias e práticas correlatas à restauração, passaram a ser fundamentais como valores discursivo. O valor de exposição é, sob essa ótica de grande importância, mas não é fundamental uma vez que essas ações e estratégias fazem uso de diversas formas de divulgação e mídias distintas. Assim, o valor simbólico se reafirma como decisivo às novas lógicas de mercado que exploram o campo da comunicação de massa, sendo material rico à elaboração discursiva na construção de imagens corporativas competitivas. Quando pensamos nos bens culturais, temos também que entender que alguns são considerados como bens culturais legalmente reconhecidos e “selecionados” como tais por uma instância legal53 - nesse trabalho chamamos esses bens de Patrimônio Legalizado. Cabe a essas instâncias do campo político e do direito zelar, garantir e proteger esses bens. Em outras palavras, a existência de um determinado bem deixa de ser fruto da sua relevância “real” para um grupo, passando a ser responsabilidade de uma instituição legalmente representada pelo Estado e sua estrutura funcional. Esse reconhecimento legal do patrimônio distintamente

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Inegavelmente, essa instância legal e “legitimadora” oficial insere-se à uma ordem e dinâmica de forças sociais e de poder.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  
Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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