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relações daí resultantes – o significado do objeto idealizado na sua multiplicidade de usos, sendo parte do processo de produção em larga escala combinado à universalidade da moda. As denotações objetivas e conotativas de um objeto (investimento, comercialização, “personalização”, uso e participação em um sistema cultural) são indissociáveis e constituem a produção e o consumo do objeto industrial. Dessa forma, o valor de um objeto não se dá mediante a sua apropriação mundana (tradicional) e do cotidiano, mas passa e ser construída por intermédio dos discursos comerciais. Hoje em dia o valor não é mais de apropriação nem de intimidade, mas de informação, invenção, controle, disponibilidade contínua para com as mensagens objetivas e encontra-se no cálculo sintagmático que funda convenientemente o discurso do habitante moderno. (BAUDRILLARD, 2000 [1968], p.31)

Assim, ao analisar a sociedade de consumo, ele afirma: Toda essa substância cultural é “consumida” na medida em que seu conteúdo não alimenta a prática autônoma, mas a retórica da mobilidade social, procura esta que visa outro objeto diferente da cultura, ou melhor, só visa esta como mero elemento codificado de estatuto social [...] Afirmamos então que é consumido, da mesma maneira que a máquina de lavar é objeto de consumo, a partir do momento em que cessa de ser utensílio e se torna elemento de conforto ou de prestígio. (BAUDRILLARD,2005,p.113)

Apesar de se debruçarem sobre objetos distintos e dimensões sócioculturais diferentes, Baudrillard50 - ao falar sobre o significado relativo e relacional dos objetos industriais - e Bourdieu - ao desdobrar o simbolismo dos objetos de arte e a construção da crença baseada no carisma do artista - não apresentam pensamentos e corpos teóricos divergentes, muito pelo contrário. É possível perceber pontos fundamentais e convergentes em suas obras: o entendimento do objeto na sua dimensão simbólica, o valor simbólico como valorização econômica; a construção ideológica de valores mediante jogos e reflexos de

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No livro Para uma critica da economia política do signo, Baudrillard propõe também o valor-signo – relacionada ao sistema da moda e do consumo. É valido esclarecermos que signo é tudo que está presente designando ou representando outra coisa ausente ou abstrata, enquanto símbolo é um signo que tem uma relação de convenção coletiva com seu referente - os símbolos são os signos cujo sentido é acordado coletivamente mesmo que o seu significado se modifique no tempo. Dessa maneira acreditamos que ao se tratar de patrimônio cultural e artístico, por serem bens reconhecidos e valorados coletivamente, não cabe falarmos de valor-signo.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  
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A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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