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Não possuímos conhecimento do devir histórico, não mais do que do mundo físico; os circuitos dos acontecimentos não nos são de imediato conhecidos senão de uma maneira parcial e confusa. Os termos história não factual, história em profundidade, história comparada, generalizante, tipológica ou ainda sociologia histórica, e mesmo tópica histórica, são maneiras semelhantes para designar esse trabalho de conceitualização do “tudo confuso” que, antes de mais nada, é o espetáculo do devir. (VEYNE, 1995, p.64)

Se o próprio conceito de história muda no tempo e os limites da sua atuação são entendidos como construções “temporárias” de extrema importância – isso é inegável -, na realidade, quando falamos de valor histórico, estamos reconhecendo, como a teoria brandiana esclarece, o valor da ação do tempo, o valor histórico, enquanto valor da existência, da representação da imaterialidade do tempo, ou seja, o valor de antiguidade proposto por Riegl em 1903 e posteriormente por Baudrillard. Nesse ponto, talvez valesse a pena diferenciarmos entre o valor histórico – enquanto historicidade do mundo e assim associado ao universo do patrimônio e o valor temporal ou de existência – enquanto registro da representação da passagem do tempo nos bens, uma dimensão do singular. Os bens patrimoniais são fundamentais às construções históricas e ao devir do mundo, mas, isso não sustenta uma valoração de patrimônio fundada exclusivamente no valor histórico, enquanto diferencial entre os bens - a história está sempre sendo escrita e reescrita, revista, revisitada, etc.; o movimento do mundo e do tempo não pode ser fixado ou parado assim vivemos num devir de possibilidades históricas, no universo patrimonial. Tomando a perspectiva do continuo movimento de criação da “condição humana” é que negamos o valor histórico como diferencial entre bens patrimoniais, apesar de reconhecermos a importância do valor da passagem do tempo – assim, sugerimos o valor temporal ou da existência, como o valor do registro da ação e passagem do tempo sobre a materialidade das coisas. Assim, cabe pensarmos no valor simbólico dos bens culturais, como valor capaz de abrigar todos os demais valores e, ao mesmo tempo, o processo histórico de valoração dos bens patrimoniais. 111

Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  
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A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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