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da pre-sença, mesmo abstraindo da questão se e como a pre-sença é um ente “no tempo”. A determinação de historicidade se oferece antes daquilo a que se chama de história (acontecimento pertencente à história universal). Historicidade indica a condição ontológica do “acontecer” próprio da pre-sença como tal. É com base na historicidade que a “história universal”, e tudo que pertence historicamente à história do mundo, se torna possível. (HEIDEGGER, [1927], p47)

E, mais adiante, A história fatual (Histoire) ou, mais precisamente, a fatualidade historiográfica (Historizität) só é possível como modo de ser da pre-sença que questiona porque, no fundamento do seu ser, a presença se determina e constitui pela historicidade. Se a historicidade fica escondida para a pre-sença e enquanto ela assim permanecer, também se lhe nega possibilidade de questionar e descobrir fatualmente a história. (HEIDEGGER, 2000 [1927],p48)

Após pensarmos que todo ser é historicidade (o que nos permitiria pensarmos nas coisas do mundo incluindo o patrimônio) e, como tal, uma possibilidade de história, pensar na expressão “patrimônio histórico”, como fator diferencial, constituído e cristalizado, talvez mereça uma revisão. Se toda a existência tem como condição a possibilidade de ser e fazer história, a valoração dos monumentos considerados “históricos” não caberia. Seguindo a lógica porposta, a valoração dos bens está calcada em outros valores como: antiguidade, artístico, culto e outros. Assim, não é a historicidadeque que garante a existência de um bem cultural já que todas as coisas do e no mundo são historicidade e constituem, assim, uma possibilidade aberta de fazer história. Ademais, a própria idéia e o campo de ação da história modificam-se no tempo. Reconhecemos a capacidade dos historiadores na fabricação histórica, assim como o relativismo e o devir dessa ciência. O que obriga a história a se redefinir é, de imediato, a tomada de consciência pelos historiadores do relativismo de sua ciência. A história não é o absoluto dos historiadores do passado, providencialistas ou positivistas, mas o produto de uma situação, de uma história. Esse caráter singular de uma ciência que possui um único termo para seu objeto e para si própria, que oscila entre história vivida e história construída, sofrida e fabricada, obriga os historiadores já conscientes dessa relação original, a se interrogarem novamente sobre os fundamentos epistemológicos de sua disciplina. (LE GOFF; NORA, 1995, p.12)

Ou, ainda, reconhecendo que a história resulta e insere-se no devir do mundo: 110

Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  
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A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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