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teoria é que ela consegue conciliar o valor histórico e o artístico sem que haja contradições, evitando, assim, qualquer hierarquização de valores. Além disso, é um avanço reconhecer a limitação do restaurador na medida em que concebe a sua atuação apenas na e em função da matéria – com isso, evita a idealização ou a pretensão de restauro de concepções ou recriações e reconhece a autoria da obra. Por último, segundo a lógica da cultura de massa, primordial ao entendimento da contemporaneidade, torna-se indispensável falarmos sobre o valor de culto e o valor de exposição. Em 1937, Walter Benjamin escreveu o ensaio A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica que suscitou inúmeras discussões relacionadas às novas artes da época (cinema e fotografia), assim como o impacto da difusão de obras numa lógica industrial. Uma das questões apontadas nesse texto refere-se à perda ou não da aura de uma obra de arte, segundo Benjamin: Retirar o objeto do seu invólucro, destruir sua aura, é característica de uma forma de percepção cuja capacidade de captar “o semelhante no mundo” tão aguda, que graças à reprodução ela consegue captá-lo até no fenômeno único.” (BENJAMIN, 1996, p.170)

Prossegue desenvolvendo a idéia desses dois valores: o de culto e o de exposição. À medida que as obras de arte se emancipam do seu uso ritual, aumentam as ocasiões para que elas sejam expostas (BENJAMIN, 1996, p.173). O valor de culto está relacionado à dimensão sagrada de um bem, fazendo com que esse objeto seja concebido e significado como um objeto único, dotado de poderes mágicos que posteriormente pôde ser considerado obra de arte. Por outro lado, na medida em que esse objeto é destituído da sua dimensão sacra e mágica, pode ser livremente e maciçamente exposto. Ou seja, a possibilidade que um objeto tem ou permite ser exposto, reproduzido, copiado, etc., constitui o seu valor de exposição.

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Para ele: “Tal peculiaridade não depende das premissas filosóficas de que se parte, mas quaisquer que sejam, deve ser de pronto evidenciado, apenas que se aceite a arte como um produto da espiritualidade humana.”

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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