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dos seus criadores. Por exemplo, um objeto funcional48 é visto ou apropriado ou desejado por “povos subdesenvolvidos” como símbolo de progresso e, da mesma forma, objetos artesanais ou primitivos são apropriados e significados por populações “civilizadas” como símbolo de origem ou “nascimento” – de um lado, o mito do progresso e, do outro, o mito de origem – são objetos considerados “à parte”, “à margem” da cotidianidade e das coisas do mundo. Dito isto, o fetichismo é o mesmo: em caso extremo, todo objeto antigo é belo simplesmente porque sobreviveu e devido a isso torna-se o signo de uma vida anterior. (BAUDRILLARD, 2000 [1968], p.91)

Para ele, o interesse nos objetos antigos, o interesse em possuir o passado é reflexo do rompimento da tradição e do valor hereditário, ou seja, “o sangue”, os títulos e o nascimento perderam o valor e o significado ideológico e os objetos, enquanto signos materiais, vêm constituir as diferenças entre os indivíduos. As diferenças, a hierarquia e as ideologias são representadas ou adquiridas pela posse: Assim o passado inteiro como repertório de formas de consumo junta-se ao repertório das formas atuais a fim de constituir como que uma esfera transcendente da moda (BAUDRILLARD, [1968], p.82). Um ano após, escreve Para uma crítica da economia política do signo, quando propõe mais um “papel” ou sentido para o “antigo”: E será também um fenômeno de setores marginais – intelectuais e artistas – onde o gosto do antigo traduzirá mais a recusa (ou filiação envergonhada) do estatuto econômico e da dimensão social, uma vontade de se situar fora das classes, alimentando-se, tal intento, na reserva dos signos emblemáticos do passado anterior à produção industrial. (BAUDRILLARD, 1972, p.27)

Nesse caso, os objetos antigos são vistos como “desviantes” na medida em que são insólitos e quebram o “usual”, o previsível, significando uma tentativa de “contestação” das sociedades industriais.

pelas novidades; e outra, à baixeza e à maldade, além do gosto pela novidade. 48 Os objetos funcionais são entendido como objetos multifuncionais, industrializados e criados dentro de uma lógica da cultura e sociedade de massa.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  
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A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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