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Ano da Fé : 2012 - 2013

Palavra do Arcebispo

Estimados irmãos e irmãs, a todos vós uma saudação afetuosa no Senhor nosso, Jesus Cristo.

nossa Arquidiocese, nas nossas casas e no meio das nossas famílias. Isso possibilitará que cada pessoa sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé que recebemos. No último dia 11 de outubro, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, presidiu a solene Neste Ano da Fé, buscaremos formas de Missa de abertura do ANO DA FÉ, na Praça de São fazer publicamente nossa profissão de Fé com Pedro em Roma que se estenderá até a festa de renovada convicção, confiança e esperança. Cristo Rei do Universo em novembro do próximo Será também um ano especial e próprio ano. para intensificarmos a celebração da fé na Este é um grande acontecimento para “liturgia, particularmente na Eucaristia, que é «a toda a Igreja, pois recorda os 50 anos do início meta para a qual se encaminha a ação da Igreja do Concílio Vaticano II e os 20 anos da e a fonte de onde promana toda a sua publicação do Catecismo da Igreja Católica. força» (Porta fidei, 9)”. Em sua Carta Apostólica em forma de No mundo de hoje, não podemos nos Motu Proprio, intitulada Porta fidei, o Santo Padre esconder ou esconder o que cremos. Nossa fé, diz, na primeira linha, que “A PORTA DA FÉ (cf. por ser um ato da nossa liberdade, exige assumir At 14,27), que introduz na vida de comunhão a responsabilidade social daquilo que se com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está acredita. Nossa profissão de fé é um ato pessoal sempre aberta para nós. É possível cruzar este e ao mesmo tempo comunitário. limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e O Ano da Fé será uma ótima ocasião o coração se deixa plasmar pela graça que para darmos também nosso testemunho cristão transforma” (cf. Porta fidei, 1). através da caridade. O Apóstolo São Paulo nos O Ano da Fé será para todos nós um lembra que “Agora permanecem estas três convite para uma autêntica e renovada coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a conversão ao Senhor (Porta fidei, 6), cujo maior de todas é a caridade” (1 Cor 13, 13). ... A caminho já iniciamos com o Batismo. Nele, fomos fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem sepultados com Cristo na morte para, como Ele a fé seria um sentimento constantemente à ressuscitou e renovou a vida, caminhemos nessa mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se vida nova (Rm 6,4). mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. (Porta fidei, 14). A fé que recebemos no Batismo, acontece em nossas vidas através do amor Encerro estas linhas com as palavras que (Gl 5,6) e torna-se um novo critério de o Santo Padre utilizou: “...Que «a Palavra do entendimento e de ação para a vida de todos. Senhor avance e seja glorificada» (2 Ts 3, 1)! Este amor, que é o amor de Cristo em nossos Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme corações, nos impele a evangelizar. Nestes a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele tempos, como Igreja de Cristo, faz-se necessário temos a certeza para olhar o futuro e a garantia maior empenho e convicção que efetive uma dum amor autêntico e duradouro” (cf. Porta fidei, nova evangelização para descobrirmos de novo a 15). alegria de crer e o entusiasmo para comunicar a Que a Mãe de Deus, proclamada feliz fé. porque acreditou (cf. Lc 1,45), venerada em Respondendo ao chamado do Santo nosso Brasil com o título de Nossa Senhora da Padre, em nossa Arquidiocese, com suas Conceição Aparecida, nos inspire e nos ajude Paróquias, Comunidades, Famílias Religiosas, para sermos fiéis discípulos missionários. Movimentos, Associações e todas as suas forças vivas, queremos celebrar este Ano da Fé de Campinas, 12 de outubro de 2012, forma digna e fecunda. na Solenidade de Nossa Senhora Aparecida. Vamos intensificar nossa reflexão sobre a Dom Airton José dos Santos fé, para ajudar todos os que creem no Cristo a Arcebispo Metropolitano de Campinas tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo neste tempo de profundas mudanças. Durante este Ano da Fé, teremos muitas oportunidades de confessar a fé no Senhor Ressuscitado na nossa catedral e nas igrejas de

3 ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

APRESENTAÇÃO


4 ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

INTRODUÇÃO

Catecismo da Igreja Católica Fichas de Estudo e Reflexão FICHAS DE ESTUDO Este material foi organizado para servir de auxílio aos fieis da Arquidiocese de Campinas congregados nas paróquias e comunidades, pastorais e organismos, movimentos e novas comunidades, e todos os que se interessam em aprofundar a fé abraçada no batismo. O subsídio consiste em breves reflexões, em forma de fichas, sobre um tema especifico que poderá ser aprofundado, pessoalmente ou em grupo, através das orientações contidas nos respectivos textos. Estas fichas de estudo e reflexão serão igualmente divulgadas semanalmente (toda segunda-feira, a partir de 15 de outubro de 2012) através do Boletim Linha Direta (campanha de emails) e publicadas no site da arquidiocese (www.arquidiocesecampinas.com), possibilitando a impressão e, consequentemente, a discussão presencial nas comunidades, ou através dos canais interativos digitais. ORIENTAÇÕES PARA OS ENCONTROS Sugestões para os encontros em grupo: Ambientação: preparar o ambiente da reunião para que seja acolhedor e favoreça a participação de todos. Oração: iniciar e terminar cada encontro com uma oração, respeitando as especificidades da espiritualidade e carisma dos vários grupos. Leitura: de maneira espontânea e que favoreça a participação de todos, fazer a leitura do tema dividindo-o entre os presentes. Partilha: ao final da leitura proporcionar um momento de conversa e reflexão sobre o tema. Propósito de Vida: o último item de cada tema é uma provação e sugestão para alguns gestos e ações concretas. INDULGÊNCIA PLENÁRIA Sua Santidade o Papa Bento XVI concedeu o dom da Indulgência Plenária aos fiéis por ocasião do Ano da Fé, sempre de acordo com normas estabelecidas pela Penitenciaria Apostólica. As disposições estabelecidas para se obter as Indugências Plenárias são válidas a partir de 11 de outubro de 2012 e vão até 24 de novembro de 2013.

Poderão obtê-la, todos os fiéis verdadeiramente arrependidos, que tenham expiado os próprios pecados com a penitência sacramental e elevado orações segundo as intenções do Sumo Pontífice: - toda vez que participarem de pelo menos três momentos de pregações durante as Santas Missões, ou de pelo menos três lições sobre as Atas do Concílio Vaticano II e sobre os Artigos do Catecismo da Igreja Católica, em qualquer igreja ou local idôneo; - toda vez que visitarem em forma de peregrinação uma Basílica Papal, uma catacumba cristã, uma Igreja Catedral, um local sagrado designado pelo Ordinário do lugar para o Ano da Fé, e ali participarem de alguma função sagrada ou se detiverem para um tempo de recolhimento, concluindo com a oração do PaiNosso, o Credo, as invocações a Nossa Senhora e, de acordo com o caso, aos Santos Apóstolos ou Padroeiros; - toda vez que, nos dias determinados pelo Ordinário do lugar para o Ano da Fé, em algum local sagrado participarem de uma solene celebração eucarística ou da Liturgia das Horas, acrescentando a Profissão de Fé em qualquer forma legítima; - um dia livremente escolhido, durante o Ano da Fé, para a visita do batistério ou de outro lugar no qual receberam o sacramento do Batismo, se renovarem as promessas batismais em qualquer fórmula legítima. Aos idosos, doentes e a todos os que por motivos legítimos não puderem sair de casa, concede-se de igual modo a Indulgência plenária nas condições de costume se, unidos com o espírito e com o pensamento aos fiéis presentes, especialmente nos momentos em que as palavras do Pontífice ou dos Bispos Diocesanos forem transmitidas pela televisão ou pelo rádio, recitarem na própria casa ou onde estiverem o Pai-Nosso, o Credo e outras orações conformes às finalidades do Ano da Fé, oferecendo seus sofrimentos ou as dificuldades da própria vida. Distribuição Interna e Gratuita Organizado e publicado por Setor Imprensa ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS Rua Lumen Christi, 02, Jardim das Paineiras 13092-320, Campinas, SP, Brasil Tel. +55 (19) 3794.4650 asscom@arquidiocesecampinas.com www.arquidiocesecampinas.com


Pedindo a Graça da Fé Papa Paulo VI

ORAÇÃO Senhor, eu creio; eu quero crer em Ti. Eu Te louvo pelo dom da fé e reconheço que estou ainda longe de ter a mesma fé de Abraão e Sara, de Tobit, de tantos profetas e reis; e o quanto sonho em experimentar também a mesma fé da Virgem Maria. Renova em mim o dom da fé recebido no Batismo, confirmado na Crisma e reanimado em cada Eucaristia. Que eu viva alicerçado na Tua Palavra e que por ela me sinta exortado à fidelidade.

Senhor, faze que minha fé seja humilde, que não se fundamente em meu pensamento, e nem em meu sentimento; mas que me submeta sempre ao Espírito Santo, à tradição e à autoridade do magistério da Igreja. Obrigado Senhor, creio que estás me renovando e já me sinto fortalecido no corpo, no espírito e na alma, porque, como a Virgem Maria, professo "que tudo é possível para aquele que crê." Amém. PROFISSÃO DE FÉ

Diante de tua presença, professo que creio, mas aumenta a minha fé.

Símbolo Niceno-Constantinopolitano

Senhor, faze que minha fé seja total, sem reservas; que ela penetre no meu pensamento e na minha maneira de julgar as coisas divinas e as coisas humanas

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

Senhor, faze que minha fé seja livre, quero aceitar livremente Tua vontade com todas as renúncias e deveres que ela comporta. Senhor, Tu dissestes que felizes são os que crêem sem ter visto. Dá-me a graça de crer, mesmo nos momentos em que não vejo caminho ou solução, reconhecendo que Tu és o caminho e solução, sempre! Senhor, faze que minha fé seja forte. Que eu possa caminhar sobre ás águas revoltas e em Teu Nome eu possa remover montanhas; dá-me a fé que não vacila, que é garantia de vida eterna e que proclama Teu poder, agindo, curando e libertando. Que eu não tema a oposição daqueles que contestam a fé, a atacam, a recusam e a negam; mas que minha fé se fortifique na experiência íntima da verdade, que ela resista ao desgaste da crítica, que ela ultrapasse as dificuldades cotidianas. Dá-me a cada dia a graça de pronunciar Teu Nome com a fé que não só alimenta a minha esperança, mas que já vê acontecer; que é poder. Que eu permaneça com os olhos fixos no Teu coração traspassado, para que, Te vendo, eu receba a salvação e a anuncie a todos. Senhor, faze que minha fé seja alegre, que ela dê paz e alegria à minha alma, que ela me torne disponível para rezar a Deus e para conversar com os irmãos. Senhor, fazer que minha fé seja atuante e que seja também contínua busca de Ti, um contínuo testemunho, um contínuo alimento de esperança.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e se encarnou pelo Espírito Santo no seio da virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras e subiu aos céus,onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.

5 ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

ORAÇÃO


6 ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

TEMA 01

O Fim do Homem Nesta Terra:

Dar Glória a Deus, Conhecê-lo e Amá-lo INTRODUÇÃO: Ao nascer formamos parte de uma família que nos dá o nome e sobrenome; nesta família nascemos, crescemos e desenvolvemos nossas capacidades naturais. O Batismo produz em nós um segundo nascimento - esta vez para a vida sobrenatural da graça -, que nos faz cristãos e nos introduz na grande família da Igreja. Nós, batizados somos e nos chamamos cristãos. É este o nosso nome. Como os primeiros discípulos de Cristo: Pedro, Tiago, João..., também nós somos discípulos do Senhor. Do mesmo modo que estamos orgulhosos de pertencer a nossa família, onde aprendemos muitas coisas, temos de estar também orgulhosos por pertencer à família da Igreja. A Igreja nos ensina também muitas coisas, que, na verdade, são as mais importantes, as únicas verdadeiramente importantes. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Para que estamos na terra Existem pessoas que se perguntam para que estão nesta terra, porque nasceram, e não tiveram ninguém que lhes explicasse. Os cristãos - seguidores de Jesus Cristo - temos a sorte de conhecer estas coisas. Jesus Cristo as pregou e a Igreja as ensina. A doutrina de Jesus Cristo, ou Doutrina Cristã, dá a resposta a estas perguntas fundamentais. E as perguntas fundamentais que nós homens fazemos são: de onde venho, quem sou eu, para onde vou. 2. De onde viemos A doutrina cristã diz que Deus criou livremente o homem para que participe de Sua vida bem aventurada, quer dizer, Sua mesma felicidade. Cada homem foi criado por Deus, com a cooperação de seus pais. Por isto, à pergunta de onde viemos, respondemos: viemos de Deus. 3. Quem somos Deus não só criou o homem, mas está junto dele em todo tempo e lugar. Deus o chama e o ajuda a encontrá-Lo, quer que O conheça e O ame. Sabemos que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, e pelo batismo, nós cristãos somos feitos filhos adotivos de Deus, herdeiros de Sua glória. Portanto, se nos perguntam quem somos, a resposta é clara: sou filho de Deus. 4. Para onde vamos Deus criou o homem para manifestar e comunicar Sua bondade e amor, de forma que possa conhecê-Lo e amá-Lo cada dia mais, e

assim O sirva livremente nesta vida, gozando depois com Ele para sempre no céu. Deus quer que sejamos felizes aqui na terra e depois eternamente com Ele no céu. Se nos perguntam a nós, cristãos, para onde vamos, a resposta também é clara: para o céu. Se não conseguirmos esta meta, nossa vida será um fracasso. 5. Para que existe o homem Agora podemos responder de modo mais explícito a esta pergunta que deve fazer a si mesmo todo homem: para que eu existo? E temos que dizer de modo absoluto: para dar glória a Deus, quer dizer, para manifestar a bondade e o amor do Criador. Deus não tem outra razão para criar. O homem é objeto do amor de Deus, e responde a Deus amando-O. Nisto está a felicidade do homem. 6. Devemos conhecer a doutrina cristã Devemos conhecer os ensinamentos de Jesus Cristo, já que é nosso Deus, nosso Mestre, nosso Modelo. Seus ensinamentos nos mostram o caminho para conhecer e amar a Deus, para ser felizes nesta terra e depois eternamente na outra. 7. Partes principais da Doutrina Cristã A primeira coisa que é preciso saber são as verdades de nossa fé: quem é Deus, quem é Jesus Cristo, quem criou o mundo, quem é o Espírito Santo, quem é a Virgem Maria, para que Cristo fundou a Igreja, qual o prêmio ou o castigo que nos espera, etc.. Estas coisas nós as conhecemos ao estudar O SÍMBOLO DA FÉ ou o CREDO. Se queremos saber como é celebrada a nossa fé cristã, como nos tornamos cristãos, como se alcança o perdão de Deus, de que forma Deus nos ajuda para vencer as dificuldades que encontramos...., tudo isto aprendemos estudando A LITURGIA e OS SACRAMENTOS. Também necessitamos saber o que Deus quer que façamos para ser felizes e fazer felizes os demais e poder chegar ao céu, como viver em Cristo. Vamos aprender estas coisas estudando A MORAL CRISTÃ nos MANDAMENTOS. É preciso também conhecer o sentido e a importância da oração em nossa vida; por isto a quarta parte estuda A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ.


Deus Vem ao Encontro do Homem: A Revelação

INTRODUÇÃO:

4. Deus vem ao encontro do homem

Santo Agostinho é um dos santos mais notáveis que a Igreja já teve, e um dos homens mais sábios do cristianismo. Depois de uma vida separada de Deus foi batizado, chegando a ser bispo da cidade de Hipona, no norte da África. E escreveu muito e tem um livro especialmente sugestivo: As Confissões, onde conta a sua conversão e proclama o desejo de Deus inscrito no coração da criatura: "Tu és grande, Senhor, e muito digno de louvor: grande é o teu poder, e tua sabedoria não tem medida. E o homem, pequena parte da tua criação, quer louvar-Te. Tu mesmo o incitas a isso, fazendo que encontre suas delícias em seu louvor, porque nos fizestes, Senhor, para ti e nosso coração está inquieto até que descanse em ti".

Deus, além disso, por amor, revelou-se ao homem, vindo ao seu encontro; desta forma, lhe oferece uma resposta definitiva às perguntas que se faz sobre o sentido e o fim da vida humana. Deu-Se a conhecer em primeiro lugar, aos primeiros pais, Adão e Eva, depois da queda pelo pecado original, não os abandonou mas prometeu a salvação e ofereceu a sua aliança. Logo, com Abraão, elegeu o povo de Israel. Por fim, Deus se revelou plenamente enviando o seu próprio Filho, Jesus Cristo.

IDEIAS PRINCIPAIS: 1. O desejo de Deus no coração humano O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, que foi criado por Deus e para Deus ; Deus não deixa de atrair o homem para si, e só em Deus encontra a paz, a verdade e a alegria, que não cessa de buscar. O homem é um ser religioso. Como dizia São Paulo na cidade de Atenas, " em Deus vivemos, nos movemos e existimos" (Atos 17,28). 2. O esquecimento ou negação de Deus Mas o homem pode esquecer-se de Deus, e inclusive recusá-Lo ou negar Sua existência. Motivos? A ignorância, o rebelar-se contra o mal que se sofre ou se vê, as preocupações do mundo e das riquezas, o mau exemplo de alguns que se chamam cristãos, as idéias contrárias à religião... e a atitude do pecador que - por medo se oculta de Deus e foge de seu chamado. Nenhum desses pretextos justifica o esquecimento ou a negação de Deus . 3. É possível conhecer a existência de Deus por meio da razão natural O homem pode conhecer a existência de Deus por dois caminhos: um, natural, e o outro sobrenatural. O caminho natural para conhecer a Deus tem como ponto de partida a criação, quer dizer, as coisas que nos rodeiam. Somente com a luz da razão, o homem sabe que nem as coisas nem ele tem em si mesmos a razão de ser, porque tiveram princípio e terão fim: são seres contingentes, seres criados e dependentes. Por isso, através do que foi criado, o homem pode chegar ao conhecimento da existência de Deus, Criador, Ser necessário e eterno, causa primeira e fim último de tudo.

5. Jesus Cristo, Palavra de Deus Pai Jesus Cristo é o Filho de Deus que se fez homem. É a palavra única, perfeita e definitiva de Deus Pai. Jesus Cristo já disse tudo o que Deus queria dizer a nós homens, de maneira que já há não existirá outra Revelação depois de Cristo. 6. As fontes da Revelação: Sagrada Escritura e Tradição A Revelação de Deus pode ser encontrada na Sagrada Escritura e na Tradição divina. A sagrada Escritura é a Palavra de Deus transmitida por escrito, e consta nos livros inspirados por Deus que formam a Bíblia: 45 livros do Antigo Testamento ( antes da vinda de Jesus Cristo à terra) e 27 do Novo Testamento. A Tradição é a revelação divina encomendada por Cristo e o Espírito Santo aos Apóstolos, e transmitida íntegra, de viva voz à Igreja. 7. A Igreja, custodia e intérprete do depósito da fé Cristo confiou à sua Igreja a Revelação de Deus, contida na Sagrada Escritura e na Tradição. A este tesouro nós o chamamos de depósito da fé. Cristo o confiou à Igreja para que o custodie, interprete, professe e pregue a todo mundo. Esta é a doutrina cristã, que a Igreja não cansa nunca de ensinar aos homens e mulheres de todas as idades e de todas as épocas. 8. Conhecer a Bíblia A Igreja tem grande veneração pela Sagrada Escritura, destacando os quatro evangelhos que ocupam um lugar verdadeiramente privilegiado, pois o seu centro é Jesus Cristo. Na Missa, depois de ler o Evangelho, o sacerdote o beija em sinal de veneração e respeito. É lógico que todo cristão procure conhecer a Sagrada Escritura, especialmente os Evangelhos, e que dedique um tempo para ler e meditar a Palavra de Deus. Como diz São Jerônimo: "desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo".

7 ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

TEMA 02


8 ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

TEMA 03

A Resposta do Homem a Deus: Crer

INTRODUÇÃO: Ao ler o Evangelho se vê que Jesus Cristo pede um ato de fé antes de realizar o milagre; e se alegra, e louva as pessoas que - de um modo ou de outro - manifestam a sua fé. A fé é um grande dom de Deus, necessário para a nossa salvação; e a resposta do homem à revelação divina é crer o Ele nos falou, apoiados em sua autoridade divina. Estudemos, pois, com atenção a este tema para saber o que é a fé e poder agradecê-la mais a Deus. A fé é também necessária para aceitar e entender o que Deus ensina. IDEIAS PRINCIPAIS: 1.Pela fé podemos conhecer muitas coisas sobre Deus. Sabemos com toda certeza o que Deus existe porque - mediante as coisas criadas - pode-se chegar a demonstrar a Sua existência. Mas existem questões fundamentais para o homem: como é Deus em si mesmo?, quem é Jesus Cristo?, o que há depois da vida?, questionamentos estes que não podem chegar a conhecer-se, ainda que se pense muito neles, se Deus não os tivesse revelado. Nós os conhecemos pela fé.. 2. O que é a fé? A fé é uma virtude sobrenatural pela qual apoiados na autoridade divina - cremos nas verdades que foram reveladas, sabendo que Deus não pode enganar-Se nem enganar-nos. É, pois, um assentimento razoável, livre e sobrenatural, da inteligência e da vontade, à Revelação divina. Pela fé cremos em Deus e em tudo o que Deus nos revelou. Como o motivo que nos move a crer é a autoridade divina - não a evidência das verdades reveladas -, a inteligência do homem não está determinada a crer, e crê livremente, movida pela graça de Deus. 3. A fé é um presente de Deus. Crer é um ato do homem, mas a fé é sobretudo um dom sobrenatural, um presente muito grande que Deus nos faz no momento do batismo. Só é possível crer pela graça e pelos auxílios internos do Espírito Santo. 4. Crer é uma coisa racional.

natureza e as admitimos porque as ensina a ciência. Portanto, "crer" é um ato humano, consciente e livre, que não só não contradiz mas que dignifica a pessoa humana. A fé é livre antes, durante e depois do ato de fé.. 5. Creio - Cremos. Quando rezamos o credo, umas vezes dizemos: creio em Deus, no singular, porque a fé é um ato da pessoa que aceita livremente a autoridade de Deus que revela; em outras ocasiões dizemos: cremos em Deus - no plural - para significar que a fé, nós a recebemos, a professamos e a vivemos no âmbito comunitário da Igreja de Jesus Cristo na qual, com Ele, que é a Cabeça, formamos um só Corpo todos aqueles que crêem. Assim, a Igreja é como a Mãe de todos os fiéis, como diz São Cipriano ao relacionar a fé em Deus com o papel da Igreja: "Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tem a Igreja como Mãe". 6. As fontes da Revelação: Sagrada Escritura e Tradição A Revelação de Deus pode ser encontrada na Sagrada Escritura e na Tradição divina. A sagrada Escritura é a Palavra de Deus transmitida por escrito, e consta nos livros inspirados por Deus que formam a Bíblia: 45 livros do Antigo Testamento ( antes da vinda de Jesus Cristo à terra) e 27 do Novo Testamento. A Tradição é a revelação divina encomendada por Cristo e o Espírito Santo aos Apóstolos, e transmitida íntegra, de viva voz à Igreja. 7. A fé é necessária para a salvação. A fé é necessária para a salvação. É o mesmo Jesus Cristo quem o afirma: "o que crer e for batizado, se salvará; mas o que não crer, será condenado". (Marcos 16,16). Há um quadro do apóstolo São Tomé que põe os dedos no lado aberto de Cristo. Como se recusou em acreditar na ressurreição de Jesus, o Senhor o repreende carinhosamente: " Tomé, porque viste, acreditaste: bem aventurados os que acreditarão, mas sem ver" (João 20,29). Temos de rezar por aqueles que não crêem, pedindo a Deus que lhes conceda a graça da fé, ajudando-os com nosso exemplo e doutrina, exercitando o apostolado da doutrina.

8. O Credo, resumo das verdades que Às vezes se explica a fé dizendo que é " acreditar devemos acreditar.. naquilo que não se vê", o que parece pouco Desde o princípio os cristãos dispuseram de racional. Sem dúvida, ainda que muitas coisas Símbolos ou Fórmulas de fé, que resumiam o que se crêem não se compreendam, crer é uma ensinamento da Revelação divina. Existem várias coisa racional, porque é Deus quem revela, e formulações das verdades da fé, mas ocupam Deus não pode enganar-Se nem enganar-nos. um lugar muito particular na vida da Igreja o Também não se compreendem muitas coisas da Símbolo dos Apóstolos e o Símbolo de Nicéia-


A Resposta do Homem a Deus: Crer

Constantinopla. Quando recitamos o Credo, estamos fazendo um ato de fé nas verdades fundamentais que Deus nos revelou. 9. Fazer muitas vezes atos de fé. Deus nos deu um grande presente que é a fé, e temos de saber agradecer fazendo com os nossos lábios e com o nosso coração muitos atos de fé durante o dia: Creio em Deus Pai, em Deus Filho, em Deus Espírito Santo. Creio na Santíssima Trindade. Creio em Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro. Creio que Santa Maria é a Mãe de Deus de nossa Mãe. Creio, Senhor, mas aumenta minha fé. Creio que a Igreja Católica é minha Mãe. 10. Propósitos de vida cristã. • Aprender bem o Credo (os dois Símbolos) • Recitar sempre o Credo com devoção, não só na Missa • Rezar pelos que não tem o dom da Fé

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TEMA 04

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Pai Todo Poderoso

Creio em Deus, INTRODUÇÃO:

Nossa profissão de fé cristã começa por Deus, por que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas. E começa por Deus Pai, por que Deus Pai é a primeira pessoa da Santíssima Trindade. Deus cuida com a sua providência de todas as coisas, mas especialmente cuida do homem. É nosso Pai do céu; em conseqüência, somos seus filhos: somos filhos de Deus! E para que o recordássemos constantemente, Jesus nos ensinou a rezar: "Pai Nosso, que estás no céu" (Mateus 6,9). Esta maravilhosa verdade cristã deve nos entusiasmar. Vejamos quem é Deus, esse Pai que está no céu. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Creio em um só Deus. Esta é a grande verdade, a verdade absoluta: Deus é um e único, não há mais de que um só Deus. Iahwéh já o tinha manifestado ao povo de Israel: "Escuta Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força" (Deuteronômio 6,4-5), sendo Aquele que preside toda a história. Também para nós, a fé em um único Deus nos move a voltarmo-nos a Ele como a nossa origem e nosso último fim; e a preferi-Lo acima de todas as coisas. A revelação de Jesus Cristo completará aquela do Antigo Testamento, e pelo ensinamento do Filho de Deus sabemos que o Deus único em essência existe em três pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Mistério Trinitário. O Símbolo é a confissão do Mistério da Trindade: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, único Deus, única essência, em três pessoas realmente distintas. Junto com a confissão da fé em Deus Uno e Trino, proclamam-se também o Mistério da Encarnação, que é realizado pelo Filho de Deus, para redimir os homens, e o Mistério da Santificação, que se atribui ao Espírito Santo. 4. Deus Pai todo poderoso. Das muitas perfeições que podemos assinalar em Deus, o Símbolo nos recorda a onipotência, posto que vai falar da criação, que é obra de poder e se atribui ao Pai. Mas também o Filho e o Espírito Santo são onipotentes como o Pai, já que a essência divina é única e as três pessoas são iguais em perfeição. É muito necessária a confissão da onipotência de Deus porque com freqüência chegam ao homem as provas da fé, através da dor e do mal, que não entendemos e nos custa aceitar. Mas Deus é Deus, onipotente e clemente, que está próximo de nós com Sua Providência, para ajudar-nos. 5. Pai Nosso.

A revelação da paternidade de Deus no mistério inefável da Trindade de pessoas na única essência, nos facilita o caminho para compreender que Deus é também nosso Pai. Mas jamais o teríamos imaginado, se Deus não nos tivesse revelado. Foi o Senhor Jesus Cristo quem o disse a Seus discípulos: "Vós, porém, orai assim: Pai Nosso" (Mateus 6,9), e é uma noticia que está presente em todo o Novo 2. O nome de Deus. Testamento. É evidente que a filiação do Filho de Moisés quis saber o nome de Deus ao Deus e a nossa são diferentes. Jesus é o Filho contemplar a sarça ardente no monte Horeb, e de Deus por natureza, da mesma natureza do Deus revelou Seu nome: "Eu sou o que Pai, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; nossa sou" (Êxodo 3,14), Iahwéh. Quer dizer, Deus é, filiação em relação a Deus é por adoção, Deus é o que existe por si mesmo, sem depender mediante o dom sobrenatural da graça que Deus de ninguém, princípio sem princípio, razão de ser nos infunde no Batismo. Por isso, ainda que seja de tudo o que é, origem de tudo, causa de tudo, grande a dignidade da criatura humana, feita à fonte de todo ser, ser soberano, ser supremo: imagem e semelhança de Deus na ordem Deus! Em outras ocasiões, Deus se revela como natural, não se pode comparar com a dignidade rico em amor e fidelidade, aproximando-se ao da graça, que nos faz filhos adotivos de Deus. homem para atrai-lo para Si, ao mostrar-lhe sua benevolência, sua bondade, seu amor. Podemos 6. Propósitos de vida cristã. • Fazer muitos atos de adoração a Deus, dizer, pois, que Deus é um ser espiritual, eterno, misericordioso e clemente, infinitamente sábio e durante o dia, dizendo: "Deus Todo bom, onipotente e justo, o ser por excelência, e o Poderoso, eu Te adoro e Te bendigo". sumo amor. Jesus Cristo é quem revelou o • Rezar o Pai Nosso com pausa, conteúdo deste Nome, com um sentido novo: entendendo o que digo. Deus Pai. • tratar sempre os outros com respeito, 3. Deus Pai. pensando que são filhos de Deus. A afirmação da paternidade divina é o primeiro artigo do Símbolo e inicia a confissão da fé no


TEMA 05

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Santíssima Trindade

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

O Mistério da

INTRODUÇÃO:

através do pecado mortal, vive em nossa alma Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito O segredo divino mais importante da Fé que Santo.Temos a Deus dentro de nós para nos Jesus Cristo nos revelou é o Mistério da Santíssima Trindade. Jesus falou de seu Pai, que santificar, para nos ajudar, para estar conosco, é Deus; do Espírito Santo, que também é Deus; e porque nos ama. Podemos falar com a Trindade Beatíssima, sabendo que nos escuta e atende afirmou que ele e o Pai são uma mesma coisa (João 10,30), porque é o Filho de Deus. O Pai, o nossas súplicas. Sabemos disto pela Fé e, ainda Filho e o Espírito Santo são um único Deus - não que não O vejamos, nem O sintamos, é esta a verdade. Quando estamos na Graça de Deus, três deuses - porque tem a mesma natureza somos Templos de Deus! divina, ainda que sendo três Pessoas realmente distintas. Que Deus é UM em essência e TRINO 4. No céu, "veremos" a Santíssima Trindade. em pessoas é a revelação de sua vida íntima, Aqui na terra sabemos que Deus está em nossa maior e mais profundo de todos os mistérios; alma em estado de graça e que a vida cristã é além de ser o mistério fundamental de nossa fé e uma luta constante para evitar o pecado. Se de nossa vida cristã. Temos de procurar formos fiéis e nos esforçamos por amar a Deus conhece-Lo e vive-Lo! cada vez mais, Ele nos concederá a maior coisa IDEIAS PRINCIPAIS: 1. A Trindade, mistério de um só Deus e três Pessoas realmente distintas. Nunca poderemos compreender os MISTÉRIOS, porque nós somos limitados e eles nos superam; sem dúvida, temos de tentar conhece-los cada vez melhor, para que nossa fé seja firme e operativa. O Mistério da Santíssima Trindade consiste em que, em Deus há uma única essência e três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo, cada uma das quais é Deus, sem ser três deuses, mas um único e só Deus. Podemos comparar este Mistério com o sol: o sol está no céu e produz luz e calor; a luz e o calor não são distintos do sol. A Trindade é algo parecido: o Filho e o Espírito Santo são iguais em natureza ao Pai, mas são um só Deus. O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. Três pessoas e um único Deus. 2. A salvação, obra da Trindade. Todas as coisas criadas foram feitas por Deus, Uno e Trino. Deus criou o mundo, ainda que a criação seja atribuída ao Pai; Deus realizou a Redenção, ainda que só a segunda Pessoa - O Filho - se fez homem e morreu na cruz; Deus nos santifica, ainda que a santificação seja atribuída ao Espírito Santo. Assim, pois, quando agradecemos a Deus tudo o que fez por nós e em nós, temos de agradecer a Deus Pai, a Deus Filho e a Deus Espírito Santo. 3. Habitação da Trindade na alma em estado de graça. Ainda que não seja fácil de explicar, é esta uma verdade que nos enche de alegria o saber que o homem que vive em estado de graça (sem pecado mortal) é Templo Vivo da Santíssima Trindade Beatíssima (João 14,23). Desde o dia de nosso Batismo, se não recusamos a Deus

que poderíamos desejar: vê-Lo face a face, tal como Ele é. O grande prêmio do céu consiste em ver a Deus: contemplar, louvar, amar e gozar por toda a eternidade da Trindade Beatíssima. Toda a grandeza, toda a beleza, toda a bondade de Deus se volta sobre estas pobres criaturas que somos cada um de nós. No céu, a alma terá a possibilidade de ver a majestade de Deus. 5. Temos de louvar a Santíssima Trindade. Pela fé, damo-nos conta de que ser cristãos é algo maravilhoso. Deus nos ama de uma maneira incrível: nos criou por amor, nos remiu de nossos pecados morrendo por nós, vive em nossa alma em estado de graça e nos preparou - se somos fiéis - um céu eterno. Nos deixou a Igreja e os Sacramentos para que possamos facilmente saber o que temos de fazer e viver sempre como bons cristãos, sendo cada vez mais santos. Temos de corresponder a tanto amor, e a vida cristã precisa ser um constante louvor à Trindade Santa. Professamos nossa fé na Santíssima Trindade quando fazemos o sinal da cruz ou quando nos persignamos dizendo: "EM NOME DO PAI + E DO FILHO+ E DO ESPÍRITO + SANTO"; quando rezamos o GLÓRIA ou o CREDO na Santa Missa, e ao final da Oração Eucarística. Temos de procurar rezar estas orações e louvores à Trindade com fé viva e consciente, de modo que toda a nossa vida seja um constante louvor a Deus Pai, Deus Filho e Deus espírito Santo. 6. Propósitos de vida cristã. • Aprender o credo e recita-lo com devoção •

Considerar na oração, que a Santíssima Trindade - Deus mesmo - está na alma em estado de graça, portanto, viver assim (sem pecado) é a única coisa verdadeiramente importante nesta vida.


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TEMA 06

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

por Amor

Deus Criou o Mundo INTRODUÇÃO: "No princípio, Deus criou o céu e a terra" (Gênesis 1,1). Assim começa a Bíblia, e o primeiro capítulo do Gênesis relata de maneira gráfica como Deus criou o mundo. Sem utilizar nenhum material pré existente, sem nenhum instrumento, Deus foi criando todas as coisas: o céu e a terra, os animais e as plantas... e por último o homem. Deus criou o mundo do nada. A criação inteira é fruto do amor e onipotência de Deus: as coisas pequenas - ervas e insetos -, e as grandes: o sol, a lua, os sistemas planetários, as nebulosas, os mares.... O ser mais perfeito da criação visível é o homem. E Deus continua cuidando e governando tudo com Suas leis. Que linda é a Criação! Ao contempla-la é fácil dar glória e louvor a Deus. Além disso, Ele quer que nós, homens cooperemos com Sua obra com o nosso trabalho. É tanta a dignidade do trabalho humano, que, como diz a Sagrada Escritura, o homem foi criado para que trabalhasse e assim dominasse a criação de um modo inteligente. Neste tema veremos com detalhes o que significa afirmar que Deus tenha criado o mundo, tal como confessamos no Credo: "Creio em Deus, Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra".

que foi Deus quem fez tudo, para que existisse. Criar quer dizer "fazer que exista algo que antes não existia, tirando-o do nada". O homem não pode criar, pode modificar, por exemplo, o curso de um rio, ou fabricar um tecido, usando para isto como matéria prima o algodão ou fibras sintéticas, ou montar um carro, usando peças previamente fabricadas. 4. Deus criou tudo para Sua glória e honra. Quando contemplamos uma obra de arte - uma catedral, por exemplo -, nos maravilhamos e louvamos o gênio de seu autor. Aquela obra de arte é uma glória aos que a construíram. Ao contemplar a grandeza do mundo: os astros, o mar, as plantas; ao ver a perfeição das coisas pequenas: um passarinho, um inseto, nos maravilhamos e louvamos a Deus, autor de tudo. O mundo é uma manifestação da perfeição divina, um reflexo do que Deus é. O mundo canta a glória de Deus. A esta glorificação deve unir-se o homem, não somente por ser criatura de Deus, a mais perfeita da criação visível, mas também porque Deus colocou todas as coisas a seu serviço. Pensando no homem, Deus criou todas as coisas e as colocou em suas mãos.. 5. O trabalho e o domínio da terra.

Deus podia ter criado todas as coisas tal e como existem; por exemplo, as mesas e as cadeiras, 1. Deus é eterno. as centrais elétricas... Mas quis que o homem Só Deus é propriamente eterno, quer dizer, não dominasse a criação trabalhando e tirando tem princípio nem fim. Em Deus, não existe proveito das mesmas. Quando o homem passado nem futuro, mas UM PRESENTE trabalha, colabora com Deus para dominar a IMUTÁVEL. Houve um momento no qual só Deus criação, já que Deus assim o desejou. E como na existia, mas Ele quis comunicar suas perfeições criação Deus fez tudo muito bem, porque é Deus a outros seres; quis criar o mundo e e porque Lhe move o amor que tem aos homens, especialmente, o homem, que foi feito à imagem assim o homem precisa fazer bem as coisas, por e semelhança de Deus. Deus pensou em todos amor a Deus, para que quando Deus veja esse os homens - em cada um de nós - muito antes de trabalho, possa dizer: "O que faz o homem está nos criar. Não existíamos e já nos amava. E bem feito". É necessário fazer tudo com como Deus ama o homem, preparou para ele um dedicação e esforço, oferecendo-o a Deus. lugar estupendo: o mundo com todas as suas 6. Deus conserva e governa o mundo.. maravilhas (o mar, as montanhas, os animais, as Para que as coisas durem, procuramos plantas, o céu etc..). conserva-las: reparam-se os defeitos, engraxam2. Deus criou o mundo do nada. se as máquinas, protegem-se do frio ou do O homem necessita tempo e esforço para calor...; se não cuidamos das coisas, elas se construir um edifício ou fabricar um objeto, além, estragam e não servem mais para nada. é lógico, de um material pré existente. Deus, Podemos imaginar assim a conservação do porém, fez todas as coisas com um só instante mundo, com a diferença de que, se Deus não o de Seu querer e tudo criou do nada. Antes de conservasse, desapareceria, voltaria ao nada. que Deus tudo criasse, não existia nada. Além disso, Deus governa o mundo, de maneira especial aos homens, com umas leis que estão 3. Criar não é o mesmo que fabricar. impressas em sua natureza, respeitando sempre Dizemos que Deus criou o mundo, e não que a liberdade que lhes deu, como um dos grandes Deus fabricou o mundo, para indicar que, quando presentes. tudo começou a existir, não havia nada, sendo IDEIAS PRINCIPAIS:


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por Amor

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Deus Criou o Mundo 7. Oferecer o trabalho do dia e mostrar agradecimento ao Senhor. Ao iniciar o dia devemos oferecer a Deus tudo o que vamos fazer. Podemos usar esta oração: "Adoro-Te, Meu Deus, e amo-te de todo o coração; dou-Te graças por me terdes criado, feito cristão e conservado nesta noite. Ofereço-Te todas as minhas obras e Te peço que me guardes neste dia de todo pecado e me livres de todo o mal. Amém" Para não comer como os pagãos que não conhecem a Deus, nós, cristãos, costumamos abençoar a mesa e agradecer depois de comer. Podemos dizer, antes de comer: "Abençoai, Senhor, estes alimentos que, por Tua bondade, vamos tomar". E ao terminar de comer: "Nós Te agradecemos, Senhor, pelos benefícios que recebemos de Tuas mãos." O agradecimento deve abarcar nossa vida inteira, que é um dom de Deus. 8. Ter confiança em Deus. O conhecimento da Providência que Deus exerce sobre o mundo e sobre cada um de nós, deve levar-nos a uma decisão confiada de pormo-nos em Suas mãos, para que de verdade e para sempre seja Ele a fonte de nossa serenidade, segurança e alegria. 9. Propósitos de vida cristã. • Procurar fazer todas as manhãs o oferecimento do dia, ao levantar-se. Pode-se usar o Oferecimento do "Apostolado da Oração", por exemplo. • Acostumar-se a oferecer a Deus tudo o que se faz, procurando fazer tudo com a maior perfeição e amor possíveis.


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TEMA 07

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os Anjos

Deus Criou INTRODUÇÃO: Na Sagrada Escritura encontram-se muitas passagens nas quais vemos a intervenção dos anjos: ao nascer Jesus um anjo anuncia aos pastores a boa notícia; o arcanjo Rafael aparece na história de Tobias, e o arcanjo Gabriel é quem anuncia à Virgem que Deus quer que ela seja Sua Mãe; outro anjo tira Pedro do cárcere; etc.. Este tema quer ajudar-nos a conhecer quem são os anjos e também os demônios ou espíritos maus. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. A existência de anjos e demônios, verdade de fé. Às vezes contam-se coisas que são fábulas: falase de bruxas, de horóscopos e coisas semelhantes. Sabemos que não são coisas verdadeiras, senão contos.... Quando se fala dos anjos e dos demônios, não estamos falando de contos; os anjos e os demônios existem de verdade. Deles nos falou deles. E Deus não pode enganar-nos, nem mesmo para que fossemos melhores. Deus sempre diz a verdade. Cremos, portanto, que existem Anjos e demônios - assim como nós existimos - porque Deus assim no-lo revelou. 2. Os demônios são espíritos que pecaram contra Deus. Deus criou bons, por natureza, a todos os espíritos e os fez seus filhos, pela graça. Mas, capitaneados por Lúcifer, muitos deles se rebelaram e disseram: "Não queremos servir a Deus". Os anjos foram fiéis a Deus, dizendo "Queremos servir a Deus". O chefe dos Anjos fiéis era São Miguel. Realizou-se uma batalha no céu e venceram os anjos fiéis. Os espíritos rebeldes, ou demônios, junto com Lúcifer foram condenados eternamente ao inferno porque desobedeceram a Deus e pecaram gravemente. 3. Os demônios tentam os homens Os demônios, desde o momento em que pecaram, odeiam a Deus e a todos os que amam a Deus. Por isso desejam que os homens ofendam a Deus e sejam condenados ao inferno. Este é o motivo pelo qual os demônios tentam os homens. São muitos os exemplos na Sagrada Escritura: a tentação de Eva, quando o demônio se apresenta na forma de serpente (Gênesis 3,1-24); as tentações de Jesus, no deserto (Mateus 4,1-11); etc.. Eles nos tentam também, de muitas maneiras, levando-nos a fazer o que é contra a vontade de Deus. A forma habitual que usam para tentar-nos é a de incitar nossas más

inclinações ou aproveitando-se delas. A tentação não é pecado; é pecado se fazemos caso do que nos pede o demônio. Por isso, ao dar-nos conta da tentação, devemos acudir a Deus e dizer com todo o coração: "Afasta-te de mim, Satanás!". Também devemos acudir à Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe e a nosso Anjo da Guarda. 4. A proteção dos Anjos da Guarda No Antigo Testamento há um livro muito bonito, no qual se narra que Tobias devia fazer uma longa viagem, cheia de perigos. Então, busca um companheiro de viagem, e Deus envia o arcanjo Rafael que o acompanha e lhe mostra o bom caminho, devolvendo-o feliz a sua casa. Nós também vamos a caminho do céu; neste caminho existem muitos perigos para a nossa alma e o nosso corpo. Deus nos dá um companheiro de viagem que está sempre a nosso lado, ainda que não o vejamos: é o Anjo da Guarda. Nosso Anjo nos ama como o melhor dos amigos, nos protege dia e noite, e nos fala ao coração convidando-nos a fazer as coisas boas. Quando rezamos, ele apresenta nossa oração a Deus. 5. Uso da água benta A Igreja recomenda aos cristãos usar a água benta, que é um sacramental, para implorar o perdão dos pecados veniais e alcançar a proteção de Deus contra as insinuações do demônio. Santa Teresa de Jesus dizia: "De nenhuma coisa foge mais o demônio, para não voltar, do que da água benta." 6. Propósitos de vida cristã • Aprender a Oração do Anjo da Guarda: "SANTO ANJO DO SENHOR, MEU ZELOSO GUARDADOR, SE A TI ME CONFIOU A PIEDADE DIVINA, HOJE E SEMPRE, ME REGE, GUARDA, ILUMINA. AMÉM."


TEMA 08

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Livre e Responsável

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Deus Criou o Homem INTRODUÇÃO: Já se estudou em outro tema que Deus, depois de ter criado todas as coisas, criou o homem: Adão e Eva, de quem todos descendemos. Deus cria a todos os homens. Com a colaboração dos pais, forma o corpo e, diretamente, Ele cria a alma que infunde neste corpo. A alma é o que dá vida ao corpo. Tudo isto quer dizer que cada um de nós fomos criados por Deus. Ele pensou em cada ser humano, nos amou, e como fruto deste amor, nos criou. Além disso, como diz a Sagrada Escritura, nos criou " à sua imagem e semelhança" (Gênesis 1,26). O que é o homem? Para que Deus nos criou? Como devemos comportar-nos? Estas e outras perguntas todos nos fazemos. Este tema quer ajudar-nos a responde-las. IDEIAS PRINCIPAIS:

descobre a eletricidade. Distingue-se dos demais seres por sua razão ou inteligência, que é um reflexo da inteligência de Deus. Os animais louvam a Deus sem o saber; o homem o faz sabendo... •

O HOMEM É UM SER LIVRE. Os animais se governam por instintos e não podem agir de outra maneira; as plantas regem-se por leis as quais obedecem cegamente. O homem pode escolher; pode fazer uma coisa ou outra; pode fazer o bem ou o mal, pode cumprir ou não as leis que o Senhor lhe deu. Deus lhe concedeu a faculdade de escolher livremente. Deus quis o homem livre.

O HOMEM É REI E SENHOR DO UNIVERSO. Deus entregou o mundo ao homem para que o submetesse e transformasse. O homem pode domesticar os animais selvagens, desviar os rios, fazer saltar as pedras, cortar as árvores, etc.. Deus o quis assim. Sendo Deus o Dono e o Senhor de tudo, porque tudo criou e tudo lhe pertence, colocou tudo nas mãos do homem, para que este seja senhor e domine a terra. Nisto também se parece o homem com Deus, que lhe fez participar do dom de poder dominar sobre os animais, as plantas..., todo o universo.

O HOMEM É IMAGEM DE DEUS, SOBRETUDO, PELA GRAÇA. Ainda que em outro tema vamos explicar o que é a graça, é importante dar-se conta que, entre todos os benefícios que Deus deu ao homem, o que o assemelha mais a Deus é a GRAÇA SANTIFICANTE, que se recebe no momento do Batismo. A graça nos faz participantes da natureza divina, elevando- nos à dignidade de filhos de Deus.

1. Deus criou o homem com corpo e alma O livro do Gênesis nos diz que Deus formou o corpo do homem "do barro da terra", e lhe soprou no rosto "alento de vida". Com estas palavras tão simples, Deus nos diz que formou diretamente ao homem de uma matéria que já existia e que, depois, criou diretamente do nada uma alma e a uniu a este corpo. Depois de Adão e Eva, os homens todos recebemos o corpo de nossos pais, mas a alma nós a recebemos diretamente de Deus. 2. A "imagem e semelhança" de Deus A obra de um artista é o reflexo de sua arte. Ainda que, às vezes, uma obra de arte não tenha a assinatura de seu autor, é possível descobrir de quem é a obra porque ali está refletida a sua personalidade. O homem é imagem de Deus. Vejamos alguns aspectos que manifestam a imagem de Deus no homem: • A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. Por ter sido criado à imagem de Deus, o ser humano tem a dignidade de PESSOA; não é tão somente alguma coisa, mas alguém. O homem é a única criatura da terra à qual Deus amou por si mesma. Só ele está chamado a participar, pelo conhecimento e pelo amor, na vida de Deus. Para este fim foi criado e esta é a razão fundamental de sua dignidade. •

O HOMEM É UM SER INTELIGENTE. Os animais não pensam, mas o homem pode pensar e expressar seu pensamento com palavras. Sabe calcular, contar, medir etc..; fabrica motores,

3. Igualdade e diferença queridas por Deus O homem e a mulher foram criados por Deus em total igualdade, como pessoas humanas, mas com diferenças morfológicas e peculiaridades psicológicas. Ser "homem" ou ser "mulher", é pois, uma realidade boa e querida por Deus. O homem e a mulher são, portanto, "imagem de Deus".


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TEMA 08

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Livre e Responsável

Deus Criou o Homem 4. O homem é responsável por seus atos a) A MATÉRIA CARECE DE RESPONSABILIDADE. Depois de um terremoto não podemos perguntar à terra por que fez isso; além de não poder responder, por não ter inteligência nem liberdade, a terra não podia ter feito outra coisa (o terremoto foi conseqüência de leis físicas naturais que se cumpriram). Também não é responsável a terra das coisas belas como são o nascimento de uma flor, o por do sol ou o trinado de um canarinho. b) OS ANIMAIS TAMBÉM NÃO SÃO RESPONSÁVEIS. Se um cavalo mata seu dono com um coice, quando este estava lhe curando uma ferida, não é ele responsável deste feito, porque não sabe o que faz; atua levado pelo instinto. Também não é responsável das coisas boas que proporciona a seu dono: o trabalho, um passeio ou a vitória no hipódromo. c) SÓ O HOMEM É RESPONSÁVEL DO QUE FAZ. Ao chegar à nossa casa e nos perguntam o que fizemos neste dia, dizemos: estudamos, trabalhamos, passeamos. Somos responsáveis do que fizemos. Se tivermos feito o que deveríamos fazer, merecemos o prêmio. Caso contrário, merecemos o castigo. 5. Cumprir sempre a vontade de Deus Somos merecedores de premio ou de castigo segundo fizermos o que temos de fazer ou não; e o que temos de querer sempre e em todos os momentos é CUMPRIR A VONTADE DE DEUS. Os mandamentos da Lei de Deus, os da Santa Igreja, as obrigações de nossa idade e estado de vida, nos assinalam o que devemos fazer em relação a Deus, aos demais e a nós mesmos. Existem ocasiões em que podemos ter dúvidas em saber o que Deus nos pede concretamente. Nestes casos, o Senhor nos ajuda por meio de pessoas que tem a graça de Deus para nos orientar. Estas pessoas são nossos pais, educadores, o sacerdote com o qual nos confessamos habitualmente. Ele, particularmente, poderá ajudar-nos a ver a vontade de Deus sobre nós, porque já nos conhece. Se nos acostumarmos a fazer a cada dia o EXAME DE CONSCIÊNCIA - breve, mas seriamente - ao terminar o dia, nos daremos conta se cumprimos ou não a vontade de Deus. 6. Propósitos de vida cristã • Procurar ser agradecidos a Deus, que nos criou e cuida de nós. Aproveitar especialmente a Santa Missa, para faze-

lo, já que é um ato infinito de ação de graças. •

Ser muito sincero na confissão e no Exame de consciência à noite.


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Desobedeceram a Deus e Pecaram

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Nossos Primeiros Pais

INTRODUÇÃO: Deus criou Adão e Eva, os encheu de dons sobrenaturais e preternaturais e os colocou no paraíso terrestre. Aí, eram muito felizes: eram amigos de Deus e não sofriam nenhum mal; trabalhavam sem cansar-se. Depois de ser felizes na terra, passariam - sem morrer - a gozar de Deus para sempre, no céu. Mas Adão e Eva cometeram um pecado gravíssimo: o pecado original. No capítulo terceiro do livro do Gênesis nos é contado este pecado: desobedeceram a Deus e O ofenderam. Como Adão e Eva foram nossos primeiros pais, todos nós herdamos este pecado. Dele brotaram a dor, os sofrimentos, os ódios, as guerras e demais calamidades que afetam a humanidade e o mundo. Convém, pois, estudar bem este tema. Se o entendermos bem, quem sabe possamos também compreender a razão de tantas coisas más que acontecem no mundo e dentro do coração do homem. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Os primeiros pais eram muito felizes no paraíso terrestre Deus, levado por seu amor, criou os homens para que um dia pudessem contempla-Lo e viver eternamente junto d'Ele. Por isto os fez participantes de sua vida divina. A tão grande e imerecido dom nós o denominamos graça santificante ou vida em graça. Além disso, Deus os colocou em um lugar estupendo - o paraíso terrestre - e lhes deu muitos outros dons imerecidos: iluminou sua inteligência e fortaleceu sua vontade, estando isentos do erro e da inclinação ao mal; livrou-os da dor, da enfermidade e da morte (dons preternaturais). Estes dons - sobrenaturais e preternaturais deviam ser transmitidos por Adão e Eva a seus descendentes. 2. A prova dos primeiros pais Igual aos anjos, Deus quis submeter nossos primeiros pais a uma prova e lhes deu um Mandamento para provar sua fidelidade. Se o cumprissem, conservariam para si e seus descendentes as graças e dons que Deus lhes tinha dado; se não o cumprissem, perderiam as graças e dons para si e seus descendentes. Deus, que podia impor este mandato porque é Dono e Senhor absoluto do homem, queria que vencessem. 3. Os primeiros pais pecaram Tentados pelo demônio, pai da mentira, Adão e Eva desobedeceram a Deus e pecaram. Foi um pecado de soberba, pois quiseram ser como Deus, e se submeteram ao demônio. Com este

pecado perderam a amizade divina (graça) e os dons preternaturais que Deus lhes tinha dado gratuitamente; mesmo suas forças naturais ficaram feridas e, quebrada a harmonia interior, sentiram a inclinação ao mal. Ficaram submetidos à concupiscência - inclinação ao pecado -, que não é pecado, mas incita ao mal. 4. Os homens nascem com este pecado e sofrem suas conseqüências Por ser Adão principio e cabeça do gênero humano, perdeu ele a graça e os dons que a acompanhavam, e os perderam seus descendentes: em Adão pecou todo o gênero humano. Quer dizer, ao receber de nossos primeiros pais a natureza, nós a recebemos manchada com aquela culpa e, portanto, privados da graça e de todos os demais dons; e por perder-se a harmonia interior, ficamos inclinados ao pecado (concupiscência). Isto é o que se chama pecado original, com ele todos nós nascemos. 5. Conseqüências do pecado original No pecado de Adão tiveram sua origem todos os pecados e males da humanidade. Todos nós nascemos com as gravíssimas conseqüências do pecado original, privados da graça e, portanto, em estado de pecado e inclinados ao mal. Por isto existe em nós a inclinação ao pecado, a que denominamos concupiscência. Esta se manifesta na ânsia desordenada das coisas terrenas; de gozos, bens, honras... Também vivemos os homens em meio de inumeráveis penas e calamidades e, finalmente, a morte. Pelo pecado original, o demônio adquiriu influência sobre o mundo. 6. Deus teve piedade dos homens e lhes prometeu um Redentor Apesar do pecado, Deus se compadeceu dos homens e lhes prometeu a futura redenção: prometeu que do gênero humano sairia um Redentor - Jesus Cristo -, que salvaria a humanidade do pecado e suas conseqüências. 7. Propósitos de vida cristã • Aprender a rezar sempre:"Confesso a Deus, todo poderoso, e a vós irmãos e irmãs, que pequei muitas vezes, por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria, aos anjos e santos, e a vós, irmãos e irmãs, que rogueis por mim, a Deus Nosso Senhor."


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ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Seu Único Filho, Nosso Senhor

Creio em Jesus Cristo, INTRODUÇÃO: Os jornais contam que alguém - mulheres, homens e também crianças- expôs heroicamente sua vida para salvar a outros, sofrendo perigos, inclusive a morte, para ajudar seus semelhantes. Podem ser chamados "salvadores"; e os que por eles foram salvos recordam com agradecimento àqueles que lhes ajudaram em momentos difíceis. No tema anterior, dizíamos que Deus teve piedade dos homens e lhes prometeu um Redentor para salvar a humanidade do pecado e de suas graves conseqüências. Para salvar-nos, Deus enviou seu Filho, que é Jesus Cristo. Os Evangelhos contam o que Jesus fez e ensinou, mostrando que é verdadeiro homem: nasce de uma mulher - a Virgem Maria -, tem corpo como o nosso, fala, chora, tem fome, sofre... Também proclamam os Evangelhos sua divindade: faz milagres, perdoa os pecados, diz de si mesmo que é o Filho de Deus e ressuscita por sua própria virtude. Como afirma a fé da Igreja, Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Além de Salvador e Redentor, Jesus Cristo é o modelo para os homens, especialmente para os cristãos. É lógico que tenhamos especial interesse por conhecer quem é Jesus Cristo: sua vida na terra, sua paixão, morte, ressurreição e ascensão aos céus; sua doutrina. Cristo vive, e não só temos de conhece-lo, mas, principalmente, ama-lo, cada dia um pouco mais. Nós o amaremos se tivermos trato com Ele. E como amar a Cristo? Através da oração e dos sacramentos. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Deus não abandonou os homens, apesar do pecado Apesar do pecado, Deus continuou a amar os primeiros pais e a seus descendentes, e quis restaurar o que o pecado tinha destruído. E prometeu que salvaria aos homens de seu pecado, recuperando o dom da graça: voltariam a ser filhos de Deus e herdeiros do céu, ainda que sem recuperar os dons preter naturais, quer dizer, os privilégios que o Senhor ajuntou à natureza humana: imortalidade do corpo, imunidade de enfermidades etc.. 2. Ao largo da história, Deus recorda a promessa que fez a Adão e Eva Para que os homens não se esquecessem de que iria enviar ao mundo um Salvador, Deus lhes recorda com freqüência esta promessa por meio de Abraão, Moisés, Davi... São os profetas, sobretudo, os que falam do Messias, do Salvador

que haveria de chegar: Isaías (7,14) proclama que nascerá de uma "virgem"; Miquéias (5,2) assinala inclusive onde vai nascer: em "Belém". 3. O Salvador ou Messias é Jesus Cristo Para salvar o mundo de seus pecados, Deus não manda um anjo: envia seu próprio Filho. Por isto diz o Senhor: "Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho Unigênito" (João, 3,16). O Salvador é Jesus Cristo, o Filho de Deus, nascido das entranhas puríssimas da Virgem Maria. Por isto o Senhor se chama Jesus, que quer dizer "Salvador". O arcanjo São Gabriel assim o disse a São José: A Virgem "dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque salvará seu povo de seus pecados" (Mateus 1,21). 4. Jesus Cristo é verdadeiro Deus Nós sabemos que Jesus Cristo é Deus porque Ele assim nos disse e porque o demonstrou com suas obras. Nos disse: "Eu e o Pai somos uma mesma coisa (João 10,30); quem vê a mim, vê o Pai (João14,9); ninguém conhece ao Pai senão o Filho" (Mateus 11,27). Jesus Cristo faz coisas que só Deus pode fazer. Cura os mudos, os cegos, os leprosos...; ressuscita seu amigo Lázaro, o filho da viúva de Naim...., perdoa os pecados do paralítico, os de Madalena, os da mulher adúltera...; e tudo isto o faz por sua própria virtude e poder, porque é Deus. 5. A ressurreição de Cristo, a maior prova de que é Deus Jesus Cristo morreu verdadeiramente e ressuscitou também de verdade. Apareceu repetidas vezes a seus discípulos, e estes assim o testemunharam. Seus inimigos queriam ocultar esta prova de sua divindade (Mateus 28,11-15). A ressurreição de Cristo é a maior prova de que Ele é Deus, pois ressuscitou por sua própria virtude. 6. Jesus Cristo é verdadeiro homem Jesus Cristo é igual a nós, menos no pecado e no erro. Ele não teve nenhum pecado, nem se enganou jamais. Teve uma mãe como a temos nós; trabalhou com suas mãos, ajudando São José; teve fome e sede, comia e bebia; cansavase depois de fazer um esforço; teve amigos e chorou quando morreu seu amigo Lázaro; alegrava-se com seus discípulos, com as crianças.... Jesus Cristo não é somente perfeito Deus, mas também é perfeito homem. 7. Jesus Cristo vive e é nosso modelo Jesus Cristo venceu a morte, ressuscitou e subiu aos céus. Como Deus, está em todas as partes e


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Seu Único Filho, Nosso Senhor

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Creio em Jesus Cristo,

a tudo vê e ouve. Jesus Cristo está no céu e na Eucaristia. Podemos falar com Ele de nossas coisas e de suas coisas.Ele nos escuta e nos fala, não com palavras, mas em nosso coração. Temos que aprender de Jesus, porque com sua vida, com suas obras e suas palavras, nos ensinou o que temos de fazer para salvar-nos e como o temos de fazer. Ele mesmo disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (João 14,6). 8. É preciso conhecer e tratar a Jesus Os amigos saem juntos, conhecem onde vive cada um, como pensam, qual é sua vida, falam de suas coisas. Com Jesus, acontece o mesmo. Se quisermos ter trato de intimidade com Ele, o encontraremos no EVANGELHO, na ORAÇÃO e no SACRÁRIO. • O EVANGELHO. Quando lemos o Evangelho, conhecemos mais a Jesus: como é, como quer seus amigos, o que espera deles. Por isto, devemos ler todos os dias o Evangelho, mesmo que seja por uns poucos minutos • A ORAÇÃO. Podemos fazer um momento de oração na Igreja ou em nossa casa, em um lugar onde estejamos tranqüilos e em silêncio, para falar com o Senhor do que nos preocupa, pedindo-lhe o que necessitamos ou desejamos e dando-lhe graças por tudo. • A VISITA AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, PRESENTE NO SACRÁRIO. Mesmo que Jesus esteja em todas as partes, porque é Deus, está de uma maneira especial presente no sacrário. É muito bom que todos os dias o visitemos, ainda que brevemente, para cumprimenta-lo, falar com Ele, escutar o que nos diz no fundo de nossa alma. Também temos de cumprimenta-lo com nosso coração, quando vemos alguma igreja, pensando que Ele está lá, no Sacrário. 9. Propósitos de vida cristã • Ler, todos os dias, um trecho do Santo Evangelho, durante uns minutos, para conhecer melhor a vida e a doutrina de Jesus • Fazer diariamente uma breve visita ao Santíssimo Sacramento. • Sempre que entrar na Igreja, dirigir-se, em primeiro lugar, ao sacrário, para cumprimentar Jesus.


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Virgem

Jesus Nasceu de Santa Maria, INTRODUÇÃO: O Evangelho de São Lucas conta que Deus enviou o arcanjo São Gabriel a Nazaré, manifestando a Maria que tinha sido escolhida para ser a Mãe de Deus. Muitos quadros representam esta cena, que chamamos de Anunciação. A conversação entre o arcanjo e a Virgem termina com esta aceitação humilde e confiada: "Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a sua palavra" (Lucas 1,38). Naquele mesmo instante realizou-se a ENCARNAÇÃO DO VERBO nas puríssimas entranhas da Santíssima Virgem, e nove meses mais tarde nascia Jesus - verdadeiro Deus e verdadeiro homem - em Belém. A Virgem não é só a Mãe de Deus: é também nossa Mãe. Quando morria na cruz, Jesus deunos Maria por Mãe. Ela vive no céu como Rainha e Senhora de todo o criado, mas nos vê, nos ouve e, sobretudo, nos ama. Como as mães da terra, a Virgem cuida de nós e nos protege. Temos de conhecer e amar muito àquela que é a Mãe de Deus e nossa Mãe. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Maria é verdadeiramente Mãe de Deus Todos temos uma mãe, e é de verdade nossa mãe porque nos engendrou e deu à luz. Maria engendrou o corpo de Jesus, no qual Deus infundiu a alma; e no mesmo instante, a este corpo e alma uniu-se a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade: o Verbo de Deus. Desta forma o Filho de Deus se fez homem sem deixar de ser Deus. Maria carregou durante nove meses em seu seio a Jesus Cristo, com seu corpo, sua alma e sua Divindade, depois dos quais nasceu em Belém. Por isto é verdadeira Mãe de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. É verdadeiramente a Mãe de Deus. 2. Principais dogmas e privilégios marianos O maior dom que Deus concedeu a Maria Santíssima é o de ser sua Mãe. E, por ser sua mãe, a encheu de graça e de extraordinários privilégios. Queremos conhecer muito bem à Virgem, e por isto convém saber o que Deus fez nela: a) A Imaculada Conceição. Esta prerrogativa significa diretamente que a Virgem não teve pecado original; desde o mesmo instante de sua concepção e em atenção aos méritos de seu Filho, Jesus Cristo, Deus a preservou imune da culpa original. Mas supõe, ao mesmo tempo, que Deus a dotou de santidade inteiramente singular,

como o expressou o arcanjo São Gabriel ao saúda-la no momento da Anunciação: "Ave, ó cheia de graça" (Lucas 1,28) b) Foi sempre virgem. É também dogma da fé católica que Maria foi sempre Virgem: antes de engendrar a Cristo, no nascimento e depois de nascer. Por isto chamamos Maria "A Virgem". c) A Assunção. Maria está em corpo e alma no céu. Outro grande privilégio de Maria é que, depois de terminar o curso desta vida, foi levada em corpo e alma ao céu. Este privilégio é decorrente da isenção do pecado original. d) Outros privilégios da Virgem. Maria é também Co-redentora, pois foi associada por Cristo à redenção do gênero humano. É a Rainha e Senhora de tudo o que foi criado, como dizemos no 5o mistério do Santo Rosário. É a Mãe da Igreja e a Medianeira de todas as graças. E, sobretudo, para nós, é nossa Mãe. 3. Maria é nossa Mãe É uma maravilha saber que Deus adornou a sua Mãe com tantas graças, querendo que fosse também nossa Mãe. Compreendamos as razões de sua maternidade para conosco: a) Porque Jesus Cristo é nosso irmão. São Paulo diz que Jesus Cristo é "o primogênito entre muitos irmãos" (Romanos 8,29). Logo, se Maria é a Mãe de Jesus, nosso irmão, com toda a razão podemos chamá-la, assim como Ele, "Nossa Mãe", ainda que a maternidade em relação a Cristo seja física e natural, enquanto que, em relação a nós, seja maternidade espiritual. b) Porque Jesus Cristo deu-nos Maria como Mãe. Ao pé da cruz São João representava a toda a humanidade quando Jesus Cristo lhe entregou a Maria como mãe. A ele e a nós com ele, disse: "Eis a tua mãe" (João 19,27). Desde aquele momento, todos nós cristãos, recebemos a Maria em nossa casa, em nosso coração, e a temos como nossa mãe. c) Porque ela intercede por nós. Os cristãos de todos os tempos, e também nós, pedimos coisas à Virgem, que está em corpo e alma no céu. Ela está ali, mas nos escuta, nos ajuda, nos quer como filhos. Cada um de nós poderia contar muitas coisas que Deus nos tem concedido pela intercessão de Maria, nossa Mãe. Muitíssimas outras Ele nos concede, pela mesma intercessão maternal de Maria, sem que o saibamos. Ela nos


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Virgem

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Jesus Nasceu de Santa Maria, ama como filhos e pede a Deus o melhor para cada um de nós. 4. Temos de comportar-nos como bons filhos da Virgem Maria Com nossa mãe da terra nós não nos confortamos em conhece-la e saber que nos ama e se preocupa conosco; o bom filho é o que corresponde a este amor e o demonstra com obras: tem com ela detalhes de carinho, obedece-a prontamente, a ajuda, faz as coisas que lhe agradam e evita as que a deixam desgostosa, etc.. Com nossa Mãe do céu acontece a mesma coisa. Depois de conhece-la muito bem, é preciso quere-la com obras. E demonstramos com obras que queremos bem a Virgem, se nos comportamos como a ela agrada, e vivemos, em relação a ela, alguma devoção mariana. 5. Propósitos de vida cristã • Adquirir algum tipo de devoção a Nossa Senhora, e vive-la cada dia. • Aprender e rezar muitas vezes, as orações dirigidas a Nossa Senhora.


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de Jesus

A Vida Oculta INTRODUÇÃO: Ao rezar o Credo professamos com toda a claridade os mistérios da Encarnação (concepção e nascimento de Cristo) e da Páscoa (paixão, crucificação, morte, sepultura, descida aos infernos, ressurreição e ascensão); mas não se explícita a vida oculta nem a vida pública. O Evangelho, em troca, presta atenção - mais brevemente - aos mistérios da infância e vida oculta, desenvolvendo por extenso a vida pública, na qual sobressai o que Jesus fez e ensinou. Mas o cristão há de imitar a vida de Jesus e é importante conhece-la por inteiro; os trinta anos que viveu em Belém, Egito e Nazaré e os três anos que passou pregando o Reino de Deus; sua doutrina, seus milagres, seu amor à humanidade que o levou à paixão e morte, até ressuscitar e subir aos céus. IDÉIAS PRINCIPAIS: 1. A vida de Jesus, um ensinamento contínuo Quem conhece bem a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo sabe que toda ela foi um ensinamento contínuo: seu ocultamento, sua obediência, seu trabalho, seus milagres, sua oração, seu amor pelos homens, sua predileção pelos mais pequenos e pelos pobres, a aceitação total do sacrifício na cruz, para a salvação do mundo, tudo o que fez. 2. O nascimento em Belém Como tinham predito os profetas, Jesus nasceu em Belém de Judá depois de séculos de preparação. Deus enviava a seu Filho, nascido homem das entranhas puríssimas da Santíssima Virgem, para salvar a todos e mostrar-nos o caminho que conduz ao céu. Nasceu em estábulo humilde, de uma família pobre, dandose a conhecer a uns humildes pastores que foram os primeiros em adora-lo. São lições de humildade, de pobreza, de simplicidade... que todos nós cristãos temos de aprender e seguir. 3. O grande acontecimento do Natal O evangelho conta o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, com esta simplicidade: "Aconteceu naqueles dias que saiu um edito de César Augusto para que se recenseasse todo o mundo (...). José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, que se chama Belém, por ser ele da casa e da família de Davi, para recensear- se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Estando ali, cumpriram- se os dias do parto, e deu à luz a seu filho primogênito, e o envolveu em panos e o depositou em um presépio, por não

ter lugar para eles na hospedaria" (Lucas 2,1-7). Cada ano, no dia 25 de dezembro, celebramos o Natal e os acontecimentos relacionados com ele: a Sagrada Família (domingo depois do Natal), a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (1 de janeiro) e a Epifânia do Senhor (domingo mais próximo a 6 de janeiro). 4. Os mistérios da infância de Jesus Os grandes acontecimentos ou mistérios da infância de Jesus são: a) A Circuncisão, ao oitavo dia de seu nascimento, como se fazia com os meninos judeus; era uma cerimônia que prefigurava o batismo. b) A Epifânia, ou manifestação de Jesus como Messias de Israel, que celebra a adoração dos Reis Magos. c) A Apresentação de Jesus no Templo. Em cumprimento da lei de Deus, Maria e José apresentaram Jesus no templo de Jerusalém, quarenta dias depois do nascimento; a mãe neste caso a Virgem Maria - cumpria com a lei da purificação. Maria não estava obrigada a isto, por ser virgem e sem mancha do pecado, mas quis submeter-se em tudo à Lei de Deus. d) A fuga para o Egito e a matança dos Inocentes. Desde o princípio Jesus foi perseguido, e os cristãos de todos os tempos sofrem também a perseguição e o martírio. 5. A vida oculta de Jesus A maior parte de sua vida, Jesus viveu como a imensa maioria dos homens: uma vida corrente sem aparente importância, vida de trabalho, a vida religiosa submetida à Lei de Deus, vida de comunidade em sua cidade com os parentes, amigos e conhecidos. O Evangelho diz que Jesus obedecia a seus pais e progredia em sabedoria, idade e graça perante Deus e perante os homens. Só o acontecimento da perda e encontro de Jesus no Templo, à idade de doze anos, que narra São Lucas, quebra a aparente monotonia da vida oculta, cheia, por outro lado de sentido e ensinamentos. 6. O papel de São José Sabemos que Jesus nasceu da Virgem Maria, concebido por obra e graça do Espírito Santo. Deus era seu Pai, mas quis que alguém fizesse as vezes de pai, na terra. A pessoa escolhida foi José, um homem justo da casa de Davi. José, esposo virginal de Maria e pai legal de Jesus, exerceu com Ela e com o Filho de Deus os ofícios de esposo e pai, nesta terra. Com seu trabalho de artesão na pequena cidade de Nazaré proveu e cuidou da vida de Jesus e da


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de Jesus

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A Vida Oculta Virgem, ensinando a seu Filho seu ofício profissional. 7. A santificação no trabalho de cada dia Imitando o exemplo de Jesus Cristo - que passou na terra trinta anos de vida oculta trabalhando -, e também da Virgem e de São José, nós cristãos nos santificamos na realidade ordinária do próprio trabalho. Santificar- se com o trabalho quer dizer buscar, encontrar e amar a Deus nas coisas que fazemos, servindo assim aos demais. Por isto, pode-se resumir a vida de um cristão corrente dizendo que há de santificar o trabalho, santificar-se no trabalho e santificar os outros com o trabalho profissional. Para consegui-lo é preciso fazer o próprio trabalho com esmero e atenção, acabando até o último detalhe, e impregnando-o de amor a Deus. 8. É preciso recorrer sempre à Sagrada Família Jesus, Maria e José formavam a admirável família de Nazaré, a qual chamamos Sagrada Família. Ao recorrer a José, Maria e Jesus, devemos também aprender a imitar suas virtudes e querer viver segundo o exemplo que nos deram. 9. Propósitos de vida cristã • Ler a vida oculta de Jesus, nos Evangelhos, meditando-a. • Ter sempre uma devoção muito profunda à Sagrada Família de Nazaré, recorrendo a ela nas necessidades.


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de Jesus

A Vida Pública INTRODUÇÃO: Nós cristãos temos de meditar a história de Cristo, desde seu nascimento até sua morte e sua ressurreição. É necessário conhecer bem a vida de Jesus, para que tenhamos tudo gravado na mente e no coração, de modo que, em qualquer momento possamos contempla-la. Se fazemos assim, se não colocamos obstáculos, as palavras de Cristo entrarão até o fundo da alma e nos transformarão. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Os mistérios da vida pública de Jesus Dos muitos acontecimentos dos três anos de vida pública de Jesus podem ser destacados o batismo no Jordão, as tentações no deserto, a pregação sobre o Reino de Deus, a transfiguração no monte Tabor, a subida a Jerusalém, sua entrada triunfal como Messias na Cidade Santa e os mistérios finais da Paixão e morte para redimir a humanidade.

Segundo a tradição, a transfiguração aconteceu no monte Tabor. 6. A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém Jesus sobe a Jerusalém voluntariamente, disposto a morrer, pois sabia que ali iria consumar-se - pelo sacrifício da cruz - a salvação da humanidade. A entrada triunfal como Messias em Jerusalém, que celebramos no Domingo de Ramos, manifesta a vinda do Reino que o Rei Messias - recebido em sua cidade pelas crianças e pelos humildes de coração - vai levar a cabo com sua morte e ressurreição. 7. Do Cenáculo à Cruz

Depois de ser batizado por João, Jesus dirigiu-se ao deserto, para rezar, permitindo ser tentado pelo diabo. As respostas ao tentador põem de manifesto a identificação filial com o desígnio de salvação querido por Deus, seu Pai. A Igreja celebra a cada ano a quarentena de Jesus no deserto, vencendo, para dar-nos o exemplo, com sua penitência as tentações do diabo.

"Vendo Jesus que chegará a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim" (João 13,1). Assim introduz São João o relato dos últimos acontecimentos da vida do Senhor antes de padecer; de fato, estes momentos revelam o quanto sofreu e até que ponto nos amou. Enviou a dois discípulos para que preparassem a Páscoa, e Jesus com os Apóstolos se reuniram em um salão que a tradição designa como o Cenáculo. Então, desafogou seu coração em um longo discurso, que serve de marco à lavagem dos pés, dando-lhes um exemplo de humildade e de serviço; ao mandamento novo de amor, que lhes confia; à instituição da Eucaristia e do sacerdócio ("Fazei isto em minha memória" João 22,19); à promessa do Espírito Santo; à oração sacerdotal, que abre a perspectiva da glória da cruz, onde se restaura a glória do Pai e se abrem aos homens as portas do céu. Frente a tantos padecimentos - e não foi menor a traição de Judas e as negações de Pedro - , Deus Pai glorificou a seu Filho com a ressurreição e ascensão ao céu, onde está sentado à direita do Pai.

4. A pregação sobre o Reino de Deus

8. Conhecer a vida de Jesus

Jesus veio ao mundo para pregar o Reino de Deus e fundar a Igreja. Desta pregação são especialmente significativos o Sermão da Montanha e as parábolas, confirmando sua missão com a santidade de vida e os milagres. Desde o começo da vida pública, Jesus escolheu doze Apóstolos para estar com Ele e associa-los à sua missão.

Cada cristão deve conhecer e reproduzir em si mesmo a vida de Jesus Cristo; muito lhe ajudará o ler e o meditar a Sagrada Escritura, de onde tirará contínuas lições para o seguimento de Jesus, que nos marca o caminho da santidade na vida ordinária da família e do trabalho.

2. O Batismo de Jesus no Jordão Com o batismo começa a vida pública do Senhor. O Precursor resiste a batiza-lo, mas Jesus insiste e João Batista o batiza. Foi o momento da manifestação de Jesus ante o povo de Israel como o Messias prometido do Antigo Testamento e como o Filho de Deus, igual ao Pai. O batismo de Cristo nos recorda nosso batismo. 3. As tentações de Jesus no deserto

5. A transfiguração de Cristo no monte Tabor A transfiguração de Cristo no monte Tabor Jesus se transfigurou na presença de seus discípulos prediletos: Pedro, Tiago e João, para fortalecer a fé dos Apóstolos ante a proximidade da Paixão.

9. Propósitos de vida cristã • Ler diariamente o Santo Evangelho, meditando o que se leu por uns minutos. • Jesus é nosso modelo: imitar a vida de Cristo em nossas relações com as pessoas.


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de Jesus

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A Paixão e Morte INTRODUÇÃO: Entre os grandes mistérios do amor de Jesus Cristo que os Evangelhos narram, o que mais fortemente aparece é a sua Paixão, sua Morte e Ressurreição. Os evangelistas vão nos contando a traição de Judas, o julgamento iníquo ante os tribunais, a flagelação e coroação de espinhos e a sentença de morte. Com a cruz às costas, vai Jesus a caminho do Calvário, onde é despojado de suas vestes, cravado na cruz e colocado entre ladrões. Depois de três horas de grandes dores e agonia, Cristo morre. Descido da cruz e entregue a sua Mãe, puseram Jesus no sepulcro.

Sacerdote que se ofereceu a si mesmo na cruz e a Vítima deste mesmo sacrifício. 4. Para que Jesus se ofereceu na cruz?

Jesus Cristo se ofereceu na cruz principalmente por quatro motivos: • Para dar glória a Deus, seu Pai. O fim do homem nesta terra é dar glória a Deus. Jesus Cristo, representando toda a humanidade, glorificou infinitamente a Deus com sua paixão e morte. • Para dar graças. Com sua paixão e morte, Jesus Cristo deu graças a Deus em nome de toda a humanidade. IDEIAS PRINCIPAIS: • Para reparar a ofensa do pecado. Ao 1. Jesus Cristo é o Salvador pecar, o homem se fez escravo do Depois do pecado dos nossos primeiros pais, pecado e com suas próprias forças não Adão e Eva, o homem necessitava ser redimido. poderia jamais se libertar desta Deus, em seu infinito amor para com a escravidão; tinha a alma manchada e não humanidade, nos enviou seu Filho para que nos poderia limpa-la. Com seu sacrifício, salvasse de nossos pecados. Jesus Cristo é o Jesus Cristo rompeu as cadeias do Filho de Deus feito homem, que nos salvou. Ele e pecado: seu sangue limpou a mancha somente Ele é o Salvador, o Redentor da que os pecados produzem na alma. humanidade. Jesus Cristo entregou sua vida por nós 2. Jesus Cristo oferece um sacrifício de valor para que nós, morrendo ao pecado, infinito pudéssemos viver a vida da graça. • Para pedir a Deus o que necessitamos. Na Sagrada Escritura há uma cena comovedora: Deus pede a Abraão que sacrifique a seu único Jesus Cristo, oferecendo o sacrifício de filho. Abraão obedece heroicamente e toma Isaac sua vida, faz que Deus Pai escute com um pouco de lenha, subindo a um monte sempre o que lhe pedimos em seu nome. para sacrifica-lo. Mas, uma vez provada a fé de Por isto, quando Cristo nos ensinou como Abraão, Deus não consentiu em que fosse Isaac temos que pedir, nos disse: "Tudo o que sacrificado (Gênesis, 22,1-13). pedis a Deus em meu nome, vos será O sacrifício de Isaac é figura da Paixão de Cristo, concedido.... Pedi e recebereis" (João com a diferença de que Deus não poupou a seu 16,23-24). próprio Filho e o entregou à morte por nós. Jesus 5. A cruz na vida do cristão aceitou a vontade do Pai por caridade e O Evangelho nos ensina que o discípulo de obediência. E como era o Filho de Deus, Cristo tem que levar a cruz: "O que não toma sua qualquer coisa que fizesse podia salvar-nos, cruz e me segue, não pode ser meu porque tudo o que fazia era de valor infinito. Se discípulo" (Lucas 14,27). Jesus carregou a cruz quis sofrer tanto, foi para demonstrar-nos o às costas também para dar-nos exemplo e quanto nos ama e fazer- nos compreender a ensinar-nos a amar o sacrifício. Temos de amar gravidade do pecado. as coisas que nos custam, oferecendo- as a 3. O sacerdote Jesus Cristo oferece-se a si Jesus, e buscar além disto estas coisas que nos mesmo custam, desejando identificar-nos com Ele. A cruz No Antigo Testamento, os sacerdotes eram os está presente não só nas igrejas, mas em muitos encarregados de oferecer os sacrifícios a Deus; outros lugares; é o símbolo dos cristãos, que estes sacrifícios eram oferecidos por todo o povo: recorda a paixão e morte do Senhor. umas vezes, frutos da terra (trigo, vinho, etc..), e 6. Propósitos de vida cristã outras, animais. Jesus Cristo, sacerdote eterno, • Ao ver um Crucifixo, agradecer a Jesus não ofereceu coisas da terra ou animais, mas que morreu para nos salvar. ofereceu-se a si mesmo. Este é o sacrifício mais perfeito de todos os que foram oferecidos sobre a • Meditar com freqüência as 14 estações face da terra, porque é o sacrifício do Filho de da Via Sacra. Deus feito homem. Jesus Cristo é, por sua vez, o


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de Jesus Cristo ao Céu

A Ressurreição e Ascensão INTRODUÇÃO:

4. A Páscoa é o triunfo de Cristo

No Domingo de Páscoa o Senhor ressuscitou como tinha predito, aparecendo a Maria Madalena, aos Apóstolos e discípulos. Ainda que a Sagrada Escritura não o diga, porque resulta evidente, devemos supor que apareceu em primeiro lugar a sua Mãe Santíssima. A Ressurreição de Jesus Cristo é a festa das festas, o centro ou ponto de referência de todas as celebrações. É a Páscoa do Senhor, a passagem do Senhor, o triunfo definitivo de Deus entre os homens. Depois de passar quarenta dias com seus discípulos, o Senhor subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. A Igreja celebra este acontecimento na festa da Ascensão do Senhor.

Durante a Semana Santa contemplamos grandes mistérios de amor e de dor: a quinta-feira santa está centrada no Mandamento novo de amor, na instituição da Eucaristia e do sacerdócio; a sextafeira santa é a celebração da paixão e morte; o sábado santo é o dia da expectativa, cheia de recolhimento e esperança. Nesta impaciente espera, a Igreja celebra a ressurreição durante a noite do sábado ao domingo: a Vigília Pascal. É a "noite sacratíssima", na qual se acende o círio pascal, que simboliza a luz de Cristo; as leituras bíblicas rememoram as grandes intervenções de Deus com o homem, desde a criação até a redenção; renovam-se as promessas do batismo. O aleluia repetido três vezes, o som dos sinos e os acordes do órgão, as luzes, as flores, tudo irrompe como a vida nova de Cristo ressuscitado.

IDEIAS PRINCIPAIS: 1. A Páscoa é a festa mais importante do ano A festa da Páscoa comemora o triunfo de Jesus Cristo ressuscitado. A Igreja a celebra com tanta solenidade, porque é o ponto alto da realização de nossa Redenção, a confirmação da nossa fé. Efetivamente, Jesus Cristo -com sua morte- nos livrou do pecado e nos reconciliou com Deus, e por sua ressurreição nos abriu as portas do céu. A ressurreição de Jesus é o fundamento da religião cristã, porque é o argumento principal da divindade de Cristo e da verdade de nossa fé. 2. A ressurreição de Cristo é um fato histórico A ressurreição de Cristo consiste em que sua alma voltou a se unir ao mesmo corpo, saindo vivo e vitorioso do sepulcro, para nunca mais morrer. Ainda que o acontecimento em si não tenha sido presenciado pelos homens, este milagre é um fato histórico que muitas testemunhas puderam comprovar porque, o que antes tinha morrido, aos três dias apareceu- lhes vivo e com seu mesmo corpo, agora glorificado. Por sua vez, a ressurreição de Cristo transcende a história porque este milagre -não presenciado por homens- é objeto de nossa fé, atestado pelos anjos, por Cristo e pela Escritura, sendo a confirmação da divindade de Jesus e da verdade de sua doutrina; além disso, sua força salvífica abarca todos os homens e toda a história. 3. Jesus Cristo subiu ao céu e está sentado à direita do Pai Esta afirmação de nossa fé significa que Jesus Cristo, transcorrido o tempo de sua vida na terra, ascendeu vivo e glorioso ao céu, onde -enquanto homem- compartilha o poder e a glória com o Pai e o Espírito Santo.

5. Jesus Cristo vive e é o fundamento da vida cristã O círio pascal recorda que a luz do mundo é Cristo, que morreu mas ressuscitou, e vive e permanece conosco na Igreja e na Sagrada Eucaristia. Assim como Cristo, que começou com sua ressurreição uma vida nova, imortal e gloriosa, assim também nós devemos ressuscitar espiritualmente, renunciando para sempre ao pecado e amando só a Deus e ao que nos leva a Ele. A diferença fundamental que distingue A Jesus Cristo dos fundadores de outras religiões é que ninguém se proclamou Deus, Salvador do mundo e centro de todos os corações, como Ele o fez, apelando a seus milagres, sobretudo à ressurreição, como garantia de suas palavras e doutrina. 6. Cada domingo celebramos a ressurreição de Jesus Cristo Jesus Cristo morreu na cruz na sexta-feira santa e ressuscitou no domingo da Páscoa da Ressurreição. Por isto chamamos de domingo o dia do Senhor: porque neste dia, o Senhor ressuscitou. Mas é tão grande o milagre da ressurreição que não só celebramos este dia, mas todos os domingos do ano. Cada domingo nós cristãos vamos à Missa para celebrar a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. 7. Propósitos de vida cristã • Fazer muitas vezes ao dia, atos de fé na ressurreição de Cristo e de sua presença entre nós, especialmente na Sagrada Eucaristia. • Viver o domingo como a celebração da ressurreição de Jesus Cristo.


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os Vivos e os Mortos

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Jesus Cristo Voltará Para Julgar INTRODUÇÃO: Quando rezamos o Símbolo dos Apóstolos (Credo), dizemos sobre Jesus Cristo: "Creio ... em Jesus Cristo, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos". Depois de estudar em temas anteriores os grandes mistérios da Encarnação e da Redenção, vamos nos deter no artigo que professa a segunda vinda de Cristo, pois Ele "há de vir a julgar os vivos e os mortos". Quando Jesus Cristo vier "em sua glória e acompanhado de todos os anjos..., serão reunidas todas as gentes, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e porá as ovelhas a sua direita, os cabritos, por sua vez, à sua esquerda... Estes irão ao suplício eterno; os justos, em troca, à vida eterna" (Mateus 25, 31.32. 46). IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Juízo particular e juízo final Além do juízo particular, que acontece imediatamente depois da morte, a fé da Igreja diz que no fim do mundo será julgada toda a humanidade. Este segundo juízo será de todos e na presença de todos os homens, ao final dos tempos, e por isto é chamado de juízo final ou juízo universal. 2. Sentido do juízo final O juízo final não mudará em nada a sentença estabelecida no juízo particular, mas servirá para que resplandeça a sabedoria e a justiça divina, para prêmio dos bons e castigo dos maus, também em relação ao corpo. Perante Cristo, que é a Verdade, será revelada definitivamente a verdade em relação a cada homem com Deus. O juízo final revelará até suas ultimas conseqüências o que cada um fez -bom ou malou tenha deixado de fazer durante sua vida terrena. 3. A segunda vinda de Cristo O juízo final acontecerá quando voltar Cristo glorioso. O Senhor Jesus, como profetizou aos Apóstolos, virá com grande poder e majestade, rodeado de todos os anjos, como Juiz supremo. Só Deus Pai conhece o dia e a hora deste acontecimento; só Ele decidirá sua chegada. Então, Deus Pai pronunciará, por meio de seu Filho Jesus Cristo, sua palavra definitiva sobre

toda a História. Nós conheceremos então o sentido último de toda a obra da Criação e da Redenção. Compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a Providência de Deus terá conduzido todas as coisas a seu fim último. O juízo final revelará que a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte. 4. A esperança dos "novos céus e da nova terra" Ao final dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude, e os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma. E o universo material -o cosmos inteiro- será transformado. A Sagrada escritura chama "novos céus e nova terra" a esta renovação misteriosa, que transformará a humanidade e o mundo. Não sabemos como será, mas neste universo novo que São João chama nova Jerusalém, Deus terá sua morada entre os homens. "E enxugará toda lagrima de seus olhos, e não haverá já a morte nem existirá pranto, nem gritos, nem fadigas, porque o mundo velho passou" (Apocalipse 21,4). 5. Preparar-nos para o encontro definitivo com Deus Quando o Concílio Vaticano II fala destas verdades tremendas, demonstra que a espera de uma terra nova "não deve debilitar, mas sim avivar, a preocupação de cultivar esta terra". E que "todos estes frutos bons de nossa natureza e de nossa diligência, depois de tê-los propagado pela terra no Espírito do Senhor e segundo seu mandato, os encontraremos depois de novo, limpos de toda a mancha, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal". Deus será então "tudo em todos" na vida eterna (cfr. Lumen Gentium, 48). 6. Propósitos de vida cristã • Pensar sempre que um dia, nossas ações ficarão patentes, descobertas diante de todos os homens. Procurar fazer as coisas sempre com retidão de intenção. • Viver sempre em estado de graça, para receber a Jesus com a alma bem disposta.


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Espírito Santo

Creio no INTRODUÇÃO:

3. O Espírito Santo nos santifica

Depois de afirmar no Credo a nossa fé em Deus Pai e em Deus Filho -Nosso Senhor Jesus Cristo-, confessamos também a fé no Espírito Santo. O Espírito Santo -terceira pessoa da Santíssima Trindade- é Deus. Para muitos, o Espírito Santo é o Grande Desconhecido, ainda que, como diz São Paulo, o cristão seja templo do Espírito Santo. Desde o mesmo momento do Batismo, Ele está em nossa alma em graça, santificando-a e adornando-a com seus dons. Se não o expulsamos por meio do pecado mortal, Ele nos inspira e nos assiste, guiando-nos até o céu. É o Paráclito, ou Consolador, o "doce hóspede da alma". Este é o grande dom que Jesus Cristo, tinha prometido aos apóstolos na última ceia: "É conveniente para vós que eu me vá. Pois, se não fosse assim, o Paráclito (o Espírito Santo) não viria a vós; mas, se eu me for, eu o enviarei a vós" (João 16,7). E, efetivamente, no dia de Pentecostes, eles receberam o Espírito Santo. Ao estudar este tema, temos de pedir ao Espírito Santo que nos ajude a entender sua misteriosa ação na Igreja e em nossa alma.

Dissemos que há um só e único Deus; portanto, todas as coisas que Deus faz, são feitas pelas três Pessoas divinas. Sem dúvida, umas coisas são atribuídas ao Pai, outras ao Filho e outras ao Espírito Santo. Assim, umas vezes dizemos que Deus Pai é o criador do mundo, porque é obra onipotência divina e o poder que se atribui ao Pai, ainda que o mundo foi também criado pelo Filho e pelo Espírito Santo. Se considerarmos a Redenção, sua realização foi obra do Filho, Verbo Encarnado. Ao Espírito Santo que procede do amor do Pai e do Filho, se apropria particularmente a santificação dos homens, ainda que a santificação é obra de toda a Trindade.

IDEIAS PRINCIPAIS: 1. O Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade

4. O Espírito Santo e a Igreja Tal como Cristo tinha prometido, no dia de Pentecostes -dez dias depois da ascensão ao céu e cinqüenta dias depois de sua ressurreiçãoo Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e discípulos que estavam reunidos no Cenáculo com a Santíssima Virgem. Com a vinda do Espírito Santo, a Igreja se abria às nações. O Espírito Santo, que Cristo derrama sobre seus membros, constrói, anima e santifica a Igreja. 5. O Espírito Santo santifica principalmente pelos sacramentos

A santificação que o Espírito Santo realiza em nós consiste em nos unir cada vez mais com Deus; mas, para que tal objetivo seja alcançado, temos de deixa-lo atuar em nossa alma. De que maneira? • Vivendo sempre na graça de Deus: então, somos templos do Espírito Santo, como diz São Paulo, que está em nossa alma e nos vai santificando. • Por isto, é preciso receber os sacramentos, especialmente a Penitência e a Eucaristia. Com a Penitência, recuperamos a graça santificante - se a tivermos perdido, pelo pecado grave -, e além disso, ela nos fortalece. Com a 2. Deus Pai, Filho e Espírito Santo realizam a Eucaristia, a alma se alimenta, e se salvação desenvolve a vida sobrenatural (graça, Sabemos que Jesus Cristo, a segunda pessoa da virtudes e dons do Espírito Santo). Santíssima Trindade, se fez homem e morreu por • Além disso é preciso escutar o que Ele nós. Com sua vida, morte e ressurreição, nos nos diz: o Espírito Santo ensina por meio fomos salvos. Mas em nossa salvação intervém dos Pastores da Igreja e inspira as três Pessoas divinas: o Pai que enviou seu interiormente o que Deus quer e espera Filho; o Filho que morreu por nós; o Espírito de nós. Quando somos dóceis a suas Santo, que veio no dia de Pentecostes para ser inspirações, somos melhores e nos como que a alma da Igreja e habitar em cada um santificamos. de nós. A verdade fundamental de nossa fé cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Este mistério que, por sermos nós limitados, não podemos nunca compreender- nos ensina que em Deus existem três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. As três pessoas são Deus, são eternas, onipotentes, mas há um só e único Deus. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade e professamos a sua divindade quando rezamos, no Credo: "Creio no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai e do Filho, e que com o Pai e o Filho recebe a mesma adoração e a mesma glória". Cremos pois, em Deus Espírito Santo.


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Espírito Santo

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Creio no

6. É preciso relacionar-se com o Espírito Santo Sabemos que o Espírito Santo é o "doce hóspede da alma", que está em nós quando vivemos em estado de graça. Da mesma maneira que tratamos ao Pai e a Jesus Cristo, temos de nos acostumar a falar com o Espírito Santo, nosso santificador. Ao Espírito Santo temos de pedir, de modo especial, seus sete dons, tão necessários para viver de verdade como cristãos: • O dom da sabedoria, que nos faz saborear as coisas de Deus. • O dom do entendimento, que nos ajuda a entender melhor as verdades da nossa fé. • O dom do conselho, que nos ajuda a saber o que Deus quer de nós e dos demais. • O dom da fortaleza, que nos dá forças e valor para fazer as coisas que Deus quer. • O dom da ciência, que nos ensina quais são as coisas que nos ajudam a caminhar para Deus. • O dom da piedade, com o qual amamos mais e melhor a Deus e ao próximo. • O dom do temor de Deus, que nos ajuda a não ofender a Deus, quando fraqueje o nosso amor. 7. Algumas orações dirigidas ao Espírito Santo • Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo. • Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. • Vem, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis, e acendei neles o fogo do vosso amor. • Vem, Espírito Santo, e envia desde o céu um raio de tua luz. 8. Propósitos de vida cristã • Considerar que, quando se está em estado de graça, o Espírito Santo habita na alma como em um templo; fazer propósito de viver sempre na graça de Deus. • Repetir, especialmente perto da Festa de Pentecostes, algumas orações dirigidas ao Espírito Santo.


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Fundou a Igreja

Jesus Cristo INTRODUÇÃO:

Ensina o Concílio Vaticano II que, "sendo Cristo a luz das gentes..., deseja ardentemente iluminar a todos os homens (...) luz esta que resplandece sobre o rosto da Igreja, anunciando o Evangelho a todas as criaturas" (Lumem Gentium, 1). Fica claro, pois, que a Igreja depende inteiramente de Cristo, como a luz da lua depende do influxo do sol. Já dizia Santo Agostinho que a Igreja é Cristo entre nós: suas mãos continuam a nos curar (os sacramentos da Igreja), sua boca continua a nos falar (a doutrina santa que a Igreja prega). A Igreja continua a missão de Cristo, e foi para isso que Ele a fundou. Quando professamos a fé, no Símbolo, dizemos: " Creio na Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica". Ela é a Mãe que cuida de nós com os sacramentos e com a doutrina de Jesus Cristo, conduzindo- nos para o céu.

salvação de toda a humanidade, e a última pedra desta construção magnífica foi a vinda do Espírito Santo, que enviou desde o céu, no dia de Pentecostes. 4. O mistério da Igreja Podemos dizer que Cristo edificou sua Igreja dotando-a de características especiais, pelas quais é distinta das demais sociedades que conhecemos. A Igreja é humana e divina ao mesmo tempo, visível e invisível. Também é hierárquica e carismática, ainda que os carismas estejam subordinados à hierarquia, que governa em nome de Cristo, sob a ação do Espírito Santo, doador dos carismas. 5. Cristo fundou uma única Igreja e a Igreja Católica é esta verdadeira Igreja

Cristo fundou uma única Igreja; Ele falou de um só rebanho e um só pastor. A verdadeira Igreja fundada por Cristo é UNA, SANTA,. CATÓLICA e 1. Jesus Cristo fundou a Igreja para continuar APOSTÓLICA, como dizemos no Credo. sua obra na terra • É UNA, porque tem um só pastor visível, Jesus Cristo veio à terra para nos remir e nos o Papa, uma mesma fé e os mesmos salvar, mas tinha que voltar ao Pai. Como a sacramentos. Redenção que Ele tinha conseguido para nós • É SANTA, porque Santíssimo é seu tinha necessidade de chegar a toda a fundador, Jesus Cristo, santa a sua humanidade, Cristo funda a Igreja com a missão Doutrina e santos os Meios para nos de continuar na terra o plano divino da salvação, fazer santos (os sacramentos). Ainda sua obra salvadora. A Igreja, portanto, não é mais, sempre existiram e sempre invenção humana, mas algo querido existirão santos na Igreja. expressamente por Deus. • É CATÓLICA, que significa universal, 2. O que é a Igreja porque chama a todos a seu seio e está A palavra igreja significa "convocação", termo estendida por toda a parte. Durará até o muito próprio porque a Igreja é o novo povo de fim do mundo e em todos os lugares é a Deus convocado pela Palavra e constituído pela mesma: o mesmo Papa, o mesmo Credo, graça que nos é dada pelos sacramentos, os mesmos Sacramentos. fundado por Jesus Cristo e regido pelo Papa e • É APOSTÓLICA, porque está pelos bispos, que conduzem os fiéis cristãos à fundamentada (alicerçada) sobre os salvação sob a ação do Espírito Santo. Na Apóstolos e ensina a doutrina que eles Sagrada Escritura encontramos outras ensinaram. O Papa e os bispos são os expressões que equivalem ao termo Igreja: Reino legítimos sucessores de Pedro e dos de Deus, Novo Povo de Deus, Corpo de Cristo,... demais Apóstolos. A Igreja de Jesus Começamos a fazer parte da Igreja no dia de Cristo é hoje a Igreja Católica, porque só nosso Batismo, que nos faz discípulos de Cristo, nela cumprem-se estas quatro como aqueles que seguiam ao Senhor. propriedades e é a única que possui 3. A fundação da Igreja todos os meios de salvação que Cristo O Evangelho narra os passos sucessivos com os quis dar à sua Igreja. que Cristo fundou "sua Igreja". Começou 6. Amar a Cristo é amar a sua Igreja pregando o Reino de Deus, escolheu logo os doze Apóstolos aos quais deu poderes especiais, Diz São Cipriano que "não pode ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja como Mãe". Depois de e a um deles -Pedro- o designou seu vigário na saber um pouco mais o que é a Igreja, terra, entregando-lhe o poder supremo sobre entendemos ser um grande erro aceitar a Cristo toda a Igreja. Fez muitos milagres para demonstrar que -com Ele- tinha chegado o Reino e recusar a Igreja, Seria uma atitude contraditória, porque Jesus Cristo a instituiu para de Deus. Com sua morte na cruz conseguiu a IDEIAS PRINCIPAIS:


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Fundou a Igreja

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Jesus Cristo

pregar sua doutrina e administrar a graça aos homens, como instrumento de salvação. 7. Deveres que temos para com a Igreja Que presente maior poderia ter-nos dado o Senhor do que este: ser membros de sua Igreja? Por isto, com agradecimento e amor, devemos dizer sempre: " Creio na Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica". Os deveres para com nossa Mãe, a Igreja são: • Crer no que a Igreja nos ensina; •

Cumprir o que nos manda;

Ama-la de verdade, sentindo-nos felizes e honrados de pertencermos a ela;

Rezar por seus pastores: o Papa, os bispos, os sacerdotes e todos os irmãos

Ajuda-la em suas necessidades, segundo nossas possibilidades.

8. Propósitos de vida cristã • Dar muitas graças a Deus pela Igreja. •

Meditar esta frase de São Cipriano, tirando muitas conseqüências práticas para nossa vida: "Não pode ter a Deus por Pai, quem não tem a Igreja por Mãe".


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TEMA 19

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dos Santos

A Comunhão INTRODUÇÃO:

4. A comunicação de bens na Igreja

Depois de professar a fé na "Santa Igreja Católica", o Símbolo dos Apóstolos continua dizendo : "Creio na Comunhão dos Santos", artigo que, em certo modo, explícita o anterior: "O que é a Igreja, senão a assembléia dos santos?", afirma um autor antigo. A Igreja é o Corpo de Cristo, no qual se integram os fiéis da terra, os que estão no purgatório e os santos do céu; e entre os três grupos existe uma comunhão de vida, igual àquela da família de cada membro que a compõe, comunhão de afeto e ajuda. Esta comunhão de vida e de bens sobrenaturais, que intercomunica os membros da Igreja com a Cabeça, que é Cristo e entre si, é o que se chama de Comunhão dos Santos.

A vida do Corpo de Cristo, pois, é a graça, com tudo o que comporta a vida sobrenatural que os membros recebem da Cabeça, estabelecendo-se uma estreita relação da Cabeça com os membros e dos membros entre si. Cristo infunde seus dons - o sentido da fé e o impulso da caridade -, e os fiéis adoram e louvam; os bem aventurados do céu nos ajudam a nós que estamos na terra e aos que estão no purgatório, e nós invocamos a intercessão dos santos, que já estão no céu; os fiéis da terra nos ajudamos mutuamente e socorremos com sufrágios às almas do purgatório, que, por sua vez, intercedem também por nós. Na Igreja sucede, pois, algo parecido a uma transfusão de sangue. A graça de Cristo, os méritos da Santíssima Virgem e dos santos ajudam-nos, como uma transfusão de sangue ajuda a vida do corpo. Assim, nossas orações e as boas obras são como o sangue bom que damos aos outros: a nossos pais e irmãos, aos amigos, aos demais homens e também às benditas almas do purgatório. E as boas obras dos outros membros da Igreja nos ajudam e fazem bem às nossas almas.

IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Pelo batismo, começa-se a fazer parte do corpo da Igreja Ao receber o batismo nos incorporamos à Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo; por isso se diz que, pelo batismo, começamos a fazer parte do Corpo de Cristo. Ao receber a graça do sacramento, nos unimos a Cristo, que é a Cabeça deste corpo, e começamos a ser membros vivos. Se perdemos a graça, nos separamos da Cabeça, e nos tornamos membros mortos. É como se uma mão, que está viva por estar unida ao corpo e à cabeça, se separa do corpo; a mão se corromperia, morreria e não serviria para nada. Em conseqüência, temos de nos esforçar por viver sempre em graça. 2. Cada membro está unido aos demais membros Sabemos muito bem que no corpo humano, quando o sangue limpo e bom chega a todos os membros, esse sangue faz com que os membros estejam vivos e se comuniquem uns com os outros. No Corpo Místico de Cristo há algo que é como o sangue, e a graça e os dons que Deus nos dá estabelecem uma comunhão de vida sobrenatural dos membros com a Cabeça e dos membros entre si. 3. A união entre os santos do céu, as almas do purgatório e os fiéis da terra A Igreja é formada não só por nós que pelo batismo a ela pertencemos e estamos na terra (Igreja militante) mas também os santos que estão no céu (Igreja triunfante) e os que estão purificando sua alma no purgatório, antes de entrar no céu (Igreja padecente). Os três estados da única Igreja estão unidos porque a única Cabeça é Cristo e a vida que anima a todos é a graça.

5. Como viver a comunhão dos santos A comunhão dos santos é uma realidade tão fecunda e consoladora, tão importante para a vida e a santidade da Igreja, que não podemos perder as oportunidades em vive-la, lutando por ser melhores e ajudar aos demais. A melhor maneira de viver a comunhão dos santos é receber os sacramentos, já que pela graça que nos outorgam nos unimos, cada vez mais, a Deus que é o Santo por excelência. Outro modo é o de invocar a Santíssima Virgem e os santos, para que nos obtenham de Deus muitas graças. Nós podemos ajudar a Igreja padecente oferecendo a Missa, trabalho e orações, pelas almas que estão no purgatório e desejam gozar o quanto antes de Deus, no céu. E da mesma maneira podemos ajudar a Igreja militante, oferecendo coisas durante o dia para que Deus lhes ajude. 6. Propósitos de vida cristã • Um modo de viver a comunhão dos santos, é encomendar na Missa às benditas almas do Purgatório. • Quando um cristão se esforça por portarse coerentemente, ajuda aos demais membros da Igreja. Esta responsabilidade deve animar-nos a viver cada dia melhor a própria vida cristã.


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dos Pecados

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Creio no Perdão INTRODUÇÃO: O mistério glorioso da ressurreição de Jesus traz ao mundo o presente excepcional da paz - a saudação do ressuscitado a seus discípulos -, e o perdão dos pecados que Cristo anuncia e outorga aos Apóstolos no mesmo dia da ressurreição. São como as duas faces da mesma moeda: o perdão que gera a paz e a paz que brota do perdão dos pecados. O perdão dos pecados marca a missão de Cristo no mundo, pois como diz São Paulo: "se entregou por nossos pecados e ressuscitou por nossa justificação" (Romanos 4,25), com o resultado da paz que nos consegue, porque "Ele é a nossa paz" (Efésios 2,14). Jesus significa Salvador: vem salvar o povo de seus pecados. Em consonância com esta missão, o Senhor tinha exercido sua misericórdia com os pecadores, mas era imprescindível que tal poder se concedesse aos homens. Por isso quis comunica-lo a sua Igreja, e na aparição da tarde da ressurreição disse aos Apóstolos: "Recebei o Espírito Santo: a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados" (João 20,23). Na Igreja, portanto, existe o perdão dos pecados em virtude de uma condescendência infinita de Deus para com a humanidade. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Somos pecadores O homem nasce com o pecado original, herdado dos primeiros pais, Adão e Eva. Ainda mais, ao largo da vida, todos pecamos: ofendemos a Deus porque não cumprimos o que Ele nos pede; ofendemos também a nossos irmãos e, com isso, ofendemos a Deus. O ser humano tem uma grande necessidade do perdão de Deus. 2. Cristo perdoava os pecados Enquanto Jesus Cristo esteve na terra, perdoava os pecados daqueles que se arrependiam. No Evangelho se destaca este poder de Cristo, que podia exerce-lo por ser verdadeiro Deus, além de homem verdadeiro. "Tem confiança, filho, teus pecados te são perdoados" (Mateus 9,2), diz ao paralítico. E à mulher pecadora, que se apresenta na casa de Simão, lhe diz: "Teus pecados ficam perdoados" (Lucas 7,48). 3. Cristo entrega o poder de perdoar os pecados à Igreja Quando na tarde da ressurreição Cristo dá o Espírito Santo a seus Apóstolos, lhes deu justamente o poder de perdoar os pecados: "Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão

retidos" (João 20,22-23). A Igreja exerce este poder sobretudo no batismo e na penitência. 4. Há um só batismo para o perdão dos pecados No momento da ascensão ao céu, Jesus disse a seus Apóstolos: "Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer, será condenado" (Marcos 16,15-16). Cristo quis vincular o perdão dos pecados à fé e ao batismo. O batismo é o primeiro sacramento que perdoa os pecados e os apaga completamente, ainda que não livre o ser humano da debilidade de sua natureza nem da concupiscência. 5. O sacramento da penitência Sendo tão radical o efeito do batismo, caberia pensar em uma posterior inocência definitiva; porém, a liberdade do ser humano é frágil e fazse necessário o perdão. Cristo conhecia nossa condição e dispôs outro meio de reconciliação para os que tiverem caído depois do batismo: o sacramento da penitência que nos reconcilia com Deus e com a Igreja. 6. A Igreja pode perdoar os pecados, em nome de Jesus Não há nenhum pecado, por grave que seja, que a Igreja não possa perdoar. Cristo nos remiu do pecado oferecendo sua vida pela humanidade e quis que na Igreja estivessem abertas as portas do perdão a quem se arrepende de seus pecados. Na Igreja, o poder de perdoar os pecados pelo sacramento da penitência, possuem unicamente os que receberam a potestade sacerdotal no Sacramento da Ordem, a saber: os bispos e os presbíteros (os padres). 7. Temos de agradecer este dom de Cristo a sua Igreja Que fácil fica dar graças a Deus por ter dado a sua Igreja o poder de perdoar os pecados! Santo Agostinho dizia: "Se na Igreja não houvesse remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma expectativa de uma vida eterna e de uma libertação eterna. Demos graças a Deus que deu à Igreja semelhante dom". 8. Propósitos de vida cristã • Buscar com freqüência, e bem arrependidos, o sacramento da penitência. • Dar muitas graças a Deus pelo imenso dom de Cristo a sua Igreja: a missão e o poder de perdoar verdadeiramente os pecados.


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da Carne

Creio na Ressurreição INTRODUÇÃO: O Símbolo da fé cristã acaba proclamando a "ressurreição da carne", no final dos tempos, e "a vida eterna". O cristão crê firmemente -e esperaque assim como Cristo ressuscitou de verdade dentre os mortos e vive para sempre, assim os justos -depois de sua morte -viverão para sempre com Cristo ressuscitado; e Ele os ressuscitará no último dia. Crer na ressurreição da carne tem sido, pois, desde o começo, um elemento essencial da fé cristã. Já no século III escreve Tertuliano: "A ressurreição dos mortos é esperança dos cristãos; somos cristãos por crer nela". E São Paulo pergunta aos cristãos de Corinto: "E como andam dizendo alguns dentre vós que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã também é a nossa fé... Mas, não! Cristo ressuscitou dentre os mortos como primícias dos que adormeceram" (1 Coríntios 15,12-14.20). IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Todos morreremos Todo ser humano sabe que um dia morrerá, e a experiência da morte que a todos afeta, é completamente certa e segura. Diariamente morrem muitas pessoas, com freqüência, pessoas próximas a nós: familiares, amigos, conhecidos; morrem ricos e pobres, gente famosa e gente desconhecida, anciãos, jovens e também crianças. E é preciso considerar que só se vive e se morre uma vez; é fantasia -e um erro -pensar na reencarnação depois da morte. A morte é a separação da alma e do corpo; o final da vida terrena. Poucas horas depois da morte, o corpo começa a corromper-se. 2. A morte é conseqüência do pecado Recolhendo as afirmações da Sagrada Escritura, a Igreja ensina que a morte entrou no mundo por causa do pecado. O homem é por natureza mortal, mas Deus tinha corrigido esta falha da constituição humana com um privilégio que o livrava da morte, se fosse fiel a seu Criador. Portanto, a morte foi contrária aos desígnios de Deus criador, e entrou no mundo como conseqüência do pecado dos primeiros pais, Adão e Eva. 3. A morte foi transformada por Cristo Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. Jesus, o Filho de Deus, sofreu também a morte, própria da condição humana, mas a assumiu em um ato de submissão total e livre à vontade do Pai. A obediência de Jesus

transformou a maldição da morte em benção. Por sua morte, Cristo venceu a morte, abrindo assim a todos os homens a possibilidade de salvação. A visão cristã da morte se expressa de modo privilegiado na liturgia da Igreja, quando diz: "A vida dos que em Ti cremos, Senhor, não termina: transforma-se; e ao desfazer-se nossa morada terrena, nos é dada nos céus uma mansão eterna" (Prefácio da Missa dos Mortos). 4. Após a morte No instante da morte, a alma se separa do corpo -a alma não morre, é imortal -e comparece imediatamente diante de Deus para ser julgada. Segundo a sentença do juízo, a alma vai ao céu, para gozar eternamente de Deus -vai ao Purgatório, se necessita purificar-se, -ou ao inferno, no caso de que o ser humano morra em pecado mortal e sem a graça de Deus. O Senhor é misericordioso, mas também justo; e por isso dá o premio ou castiga conforme as obras que o ser humano tenha realizado em sua vida na terra. Depois da morte já não se pode mais merecer, nem retificar o destino final. O juízo, que acontece no mesmo momento da morte, é o juízo particular. O juiz será Jesus Cristo. 5. Os mortos ressuscitarão no final dos tempos Como dissemos, o cristão crê firmemente que, assim como Cristo ressuscitou, também nós ressuscitaremos no fim do mundo: nosso corpo, transformado, ressuscitará para unir-se com a alma e nunca mais morrer. Ressuscitarão todos os seres humanos, mas não terão todos o mesmo destino: os bons ressuscitarão para a glória eterna e os maus para a eterna condenação. 6. Preparar-nos bem para o momento da morte O Senhor, -no Evangelho- nos avisa destas tremendas verdades da vida e da morte, para que estejamos preparados quando nos pedir contas no momento do juízo. Posto que a morte vem como um ladrão -sem avisar-, devemos estar preparados. Como? • Pedir freqüentemente perdão ao Senhor. Ao dar-nos conta de que agimos mal, devemos fazer um ato de contrição, ao menos com uma pequena oração (jaculatória) que brote do coração sinceramente arrependido. • Fazer todos dias o exame de consciência. O exame de consciência é como um juízo que fazemos a nós mesmos para ver se cumprimos a


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da Carne

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Creio na Ressurreição vontade de Deus. Trata-se de recordar brevemente, as coisas que fizemos ou deixamos de fazer durante o dia. Ao descobrir coisas que fizemos bem, damos graças a Deus; ao ver o que fizemos mal, pedimos perdão com dor de amor e fazemos um propósito firme de retificar no dia seguinte. Este exame nos ajuda a estar sempre preparados para nosso encontro com Jesus Cristo e para melhorar nossa vida cristã. •

Confessar-se com freqüência. No sacramento da confissão, pedimos perdão e o Senhor perdoa nossos pecados. Uma boa confissão é a melhor maneira de prepararmos o juízo de Deus. Se morrêssemos depois de ter confessado bem e estando na graça de Deus, o juízo será o gozo do Pai celeste que nos premiará e a alegria nossa por ter alcançado o céu, com a sua misericórdia.

7. Propósitos de vida cristã • Procurar fazer antes de deitar o exame de consciência, revisando brevemente o que se fez de bem e de mal durante o dia. Fazer um ato de contrição e tirar propósitos para melhorar no dia seguinte. • Pensar que Deus vai nos julgar ao final da vida e que, sendo Pai misericordioso, é também justo.


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Vida Eterna

Creio na INTRODUÇÃO:

A morte abre a porta para a "vida eterna", e a vida eterna -último artigo do Credo- é a meta do ser humano, sabendo pela Revelação que a vida "não termina, mas se transforma"; de modo que os que crêem em Cristo podem adquirir uma mansão eterna no céu. Viveremos eternamente! Este é o destino definitivo de nossa existência. Mas o destino real é correspondente com o uso da liberdade e, portanto, se vivermos com fidelidade a Deus, se alcançará o céu; mas se dermos as costas a Deus e se morre em pecado mortal, o destino será o inferno. Há uma situação provisória, que é aquela quando o ser humano morre na graça, mas não terminou ainda de purificar-se, e deve faze-lo no purgatório.

com todos aqueles que foram fiéis a Deus, muitos dos quais chegamos a conhecer nesta terra. 3. A purificação final, ou Purgatório Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, Ainda que estejam seguros de sua eterna salvação, sofrem depois da morte uma purificação a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é completamente diferente do castigo aos condenados. 4. Podemos ajudar às almas do Purgatório

Deus quer que a Igreja da terra ajude as almas que estão no purgatório, purificando-se e com o desejo ardente de ir para o céu, para estar com IDÉIAS PRINCIPAIS: Deus plenamente. Como se explicou no tema 1. Ao céu vão os que têm a alma limpa sobre a comunhão dos santos, temos de ajudaSão João nos fala, assim como São Paulo, da las e podemos faze-lo com estes auxílios: visão que teve do céu: "Vi uma grande multidão, • Oferecer como sufrágio a Santa Missa. É que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, a melhor maneira, porque oferecemos povo e língua, que estavam diante do trono do pelos defuntos os méritos infinitos do Cordeiro (Cristo), vestidos de túnicas brancas e mesmo Jesus Cristo. com palmas em suas mãos" (Apocalipse 7,9). • Rezar muito pelas almas do purgatório. Vestidos com túnicas brancas quer dizer que Pedimos a intercessão da Mãe de Deus estavam na graça de Deus e limpos de qualquer para que, o quanto antes, cheguem ao mancha de pecado. Por isso receberam o premio céu. A Virgem é também Mãe dos que do céu. Como diz o Evangelho "Bem aventurados estão no purgatório e temos de pedir-lhe os puros de coração, porque verão a por nossos familiares, amigos e Deus" (Mateus 5,8). benfeitores, e pelas almas pelas quais 2. O céu consiste em ver, amar e gozar a Deus ninguém pede. eternamente • Oferecer em favor das almas nossas O que é o céu? São Paulo, escrevendo aos boas obras. Nosso trabalho, esmolas, cristãos de Corinto, dizia: "Nenhum olho viu, nem pequenas mortificações, tudo Deus ouvido ouviu, nem veio à mente do homem o que aceitará em benefício das almas do Deus preparou para os que O amam" (1 Corintios purgatório. 2,9). É algo tão grande que, ainda que nos 5. O inferno existe puséssemos a sonhar, nunca chegaríamos a imaginar o que é. São Paulo diz: "Estaremos Jesus Cristo, que diz a verdade sem que possa sempre com o Senhor" (1 Tessalonicenses 4,8). enganar-se nem enganar-nos, porque é Deus, Estaremos sempre com Cristo, nosso Amigo. nos falou da existência do inferno em muitas Deus é o sumo bem, a beleza infinita, e o ser passagens do Evangelho. Ao revelar o mistério humano, que tem ânsias de ver coisas do juízo final, se manifesta a sentença que o Juiz maravilhosas, estará para sempre plenamente ditará sobre os malvados, situados à sua saciado -saciado sem saciar-se- ao contemplar a esquerda: "Afastai-vos de mim, malditos, ao fogo Deus. O veremos tal como Ele é. Além disso, O eterno, preparado para o diabo e para seus amaremos ardentemente e por Ele seremos anjos". E conclui: "Irão ao suplício amados eternamente. Os desejos de amor que o eterno" (Mateus 25,41.46). Outras passagens ser humano tem para dar e receber, ficarão com este ensinamento são a cizânia que será plenamente preenchidos. Por estas razões, no lançada no fogo (cf. Mateus 13,40-20); os peixes céu só haverá gozo e alegria. Não existirá maus serão jogados fora (cf. Mateus 13,47-48); enfermidade, nem dor, nem sofrimento, mas quem não traja a veste nupcial será jogado às unicamente gozar de Deus em companhia da trevas exteriores (cf. Mateus 22,13); as virgens Virgem Maria, dos santos e dos anjos. Estaremos néscias não entrarão (cf. Mateus 25,1-13); o


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Creio na

servo inútil será posto para fora da casa do patrão (cf. Lucas 16,1-8) e muitos outros. Se pensarmos, veremos que o inferno existe porque Deus é justo; e tendo de premiar aos seres humanos que livremente fizeram o bem, tem que castigar aos que livremente fizeram o mal. No inferno não existe nenhum descanso e nunca se para de sofrer, porque é eterno. Quem assim ensinou foi Nosso Senhor, que disse "Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno" (Mateus 25,41). A existência do inferno e a eternidade de suas penas são uma verdade de fé que devemos crer firmemente. 6. Vão para o inferno os que morrem em pecado mortal No momento do Juízo, o Senhor condena os maus ao inferno. Quem são estes maus que vão para o inferno? São Paulo enumera as obras da carne: fornicação, luxuria, idolatria, inimizades, invejas, homicídios..., e afirma: "Os que fazem tais coisas não herdarão o Reino de Deus" (Gálatas 5,19-21). Em definitivo, são todos os que, ao morrer, tem a alma manchada pelo pecado mortal. 7. É preciso ajudar aos demais a ganhar o céu e evitar o inferno O céu é sem dúvida a única coisa que dá sentido à vida do ser humano; perder o Céu é ter fracassado totalmente nesta vida. Mas, como dissemos, só podem entrar no céu os que morrem na graça de Deus. E, quiçá existem pessoas junto de nós que não se dão conta disto, vivendo afastados totalmente de Deus, com o grave perigo de perde-lo para sempre. Isto nos deve remover interiormente para fazer muito apostolado e conseguir que todos se salvem. Temos de rezar, oferecer pequenas mortificações, viver exemplarmente nossa vocação cristã, falar de Deus aos demais. Deus premia a generosidade, e teremos o goze de encontrarmos no céu estas almas que ajudamos na terra. 8. O "Amém" final do Credo O Credo, como o ultimo livro da Bíblia, termina com a palavra hebraica "Amém", que finaliza normalmente as orações. Esta palavra, em hebraico, pertence à mesma raiz da palavra crer. Assim, o Amém final do Credo recolhe e confirma sua primeira palavra Creio. Crer quer dizer Amém às palavras, às promessas, aos mandamentos de Deus, é fiar-se totalmente dele. 9. Propósitos de vida cristã

Rezar e oferecer pequenos sacrifícios pela conversão dos pecadores e pela perseverança final de todos os cristãos.

Lembrar-se do céu frente às dificuldades que se apresentam em nossa vida de cristãos. Quando vier a tentação, para refuta-la e não ofender a Deus, recordar a existência do inferno.


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Quando Estão Reunidos

O Que os Cristãos Celebram, INTRODUÇÃO: O Símbolo da Fé nos recordou o mistério da Trindade e o mistério da salvação em Cristo. Jesus Cristo fundou a Igreja para continuar na terra seu plano de salvação sobre os homens, até o fim do mundo. O que nós cristãos anunciamos e celebramos quando nos reunimos? O que a Igreja celebra e anuncia? O MISTÉRIO DE CRISTO. O evangelho nos relata o encontro de Cristo com a mulher que sofria desde anos de uma grave enfermidade, sem que ninguém pudesse cura-la; ao aproximar-se de Jesus e tocar seu manto cheia de fé, recobrou a saúde, graças "à virtude que dele saia" (Marcos 5,30), como nos diz o Evangelho. Cristo vive e atua na Igreja por meio dos sacramentos, que aplicam os méritos da Redenção continuando a obra salvadora que Jesus realizou no mundo. Os sacramentos são canais que recolhem a "virtude que sai" do peito aberto de Cristo, para curar as feridas do pecado e comunicar a vida nova aos que deles se acercam. Por isso, aquele que quer viver a vida de Deus, precisará participar da vida litúrgica da Igreja, que celebra os mistérios da nossa salvação em união com Cristo e sob a ação do Espírito Santo, para oferecer a Deus Pai a homenagem da adoração, louvor e ação de graças que Ele espera de Seus filhos. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. O que é a Liturgia da Igreja A Liturgia é a obra com a qual Cristo - mediante sinais sensíveis - glorifica o Pai na unidade do Espírito e salva a humanidade, atuando como Cabeça invisível da Igreja, por meio de seus ministros, para perpetuar a obra da redenção no mundo. Na Liturgia, pois, a Igreja exerce o culto público a Deus, de modo que toda ação litúrgica é obra de Cristo sacerdote e de sua Igreja - ação sagrada por excelência - cuja eficácia não se vê igualada por nenhuma outra ação da Igreja. Por outro lado, a Liturgia é participação na oração de Cristo e fonte de vida que mana do Salvador. 2. A Liturgia, obra da Santíssima Trindade Na Liturgia intervem toda a Trindade. Deus Pai é adorado e louvado como fonte das bênçãos da criação e da salvação; Cristo - o único Liturgo realiza a gloria de Deus e a salvação dos seres humanos pelos sacramentos; o Espírito Santo como alma da Igreja- vivifica e impulsiona a obra de Cristo para leva-la à perfeição. 3. Os sacramentos da Igreja Ainda que mais adiante se falará com maior clareza dos sacramentos, já podemos agora assinalar que a vida litúrgica da Igreja gravita em

torno do sacrifício eucarístico e dos sete sacramentos: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem sacerdotal e Matrimônio. 4. A celebração dos sacramentos da Igreja Ainda que existam diversas tradições (Ritos) dentro da única Igreja de Cristo, nas celebrações litúrgicas há elementos comuns: a) Quem celebra. A Liturgia é obra de Cristo total, Cabeça e corpo; assim, toda a comunidade -o Corpo de Cristo unido à Cabeça- é quem celebra. Dentro das celebrações não tem todos os fiéis a mesma função, mas alguns, consagrados pelo sacramento da Ordem, tem o poder e a missão de representar a Cristo como Cabeça de seu Corpo. b) Como celebrar. A celebração litúrgica compreende sinais e símbolos que se referem à criação (luz, água, fogo), à vida humana (lavar, ungir, partir o pão) e à história da salvação (os ritos da Páscoa). Todos estes elementos, pela ação do Espírito Santo, tornam-se portadores da ação de salvação e santificação de Cristo. Parte principal de toda celebração é a Liturgia da Palavra. Acompanha-se também, às vezes com cantos e musica. As imagens sagradas, presentes nas igrejas e nas casas, estão destinadas a despertar e alimentar nossa fé no mistério de Cristo. c) Quando celebrar. O domingo, dia do Senhor, é o principal dia da celebração da Eucaristia, porque é o dia da Ressurreição. Durante o ano litúrgico, a Igreja desenvolve todo o mistério de Cristo, desde a Encarnação e o Nascimento até a Ascensão, Pentecostes e a espera do final dos tempos. No ano litúrgico, a Igreja venera com especial amor à Santíssima Virgem e faz memória dos mártires e dos demais santos. A Liturgia das horas ou Ofício divino é a oração pública da Igreja. Junto a ela situam-se de maneira complementar, as diversas devoções do Povo de Deus, particularmente a adoração e o culto à Sagrada Eucaristia. d) Onde celebrar. Cristo é o verdadeiro Templo de Deus e nós cristãos, pela graça, somos também "templos do Espírito Santo". Mas a Igreja tem necessidade de lugares onde a comunidade possa reunir-se: são as nossas igrejas. Nestes templos, muitos deles verdadeiras obras de arte, a Igreja celebra o culto público para a glória da Santíssima Trindade; neles, se escuta a Palavra de Deus e cantam-se seus


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Quando Estão Reunidos

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O Que os Cristãos Celebram, louvores; eleva-se o coração e se oferece o sacrifício de Cristo: a Santa Missa; as igrejas são também lugares privilegiados de recolhimento e de oração pessoal. 5. Temos de participar ativamente da Liturgia da Igreja Se tivermos entendido bem este tema, teremos dado conta do quanto é importante participar das celebrações litúrgicas da Igreja -especialmente da Santa Missa- com a maior atenção e devoção. Nossa mãe, a Igreja, pede-nos que acorramos às celebrações de forma consciente (dando-nos conta do que fazemos), ativa (participando nas diversas cerimônias) e frutuosa (estando bem preparados para aproveitar ao máximo da celebração). 6. Propósitos de vida cristã • Participar sempre com devoção de qualquer celebração litúrgica da Igreja e, especialmente, da Santa Missa. • Fazer freqüentes visitas à Igreja mais próxima, que é sempre um lugar privilegiado para o encontro com Deus, na oração.


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da Igreja

Os Sete Sacramentos INTRODUÇÃO: O conhecimento humano começa pelos sentidos e, para chegar a conhecer as coisas que os ultrapassam, temos de utilizar imagens, símbolos ou comparações, que desvelam um pouco o desconhecido. Deus procedeu conosco do mesmo modo, instituindo os sinais sensíveis que chamamos de sacramentos, para expressar as realidades sobrenaturais da graça. Mas a onipotência divina faz mais do que nós podemos fazer. Deus concedeu a estes sinais sensíveis SIGNIFICAR e PRODUZIR a graça. Para entender melhor o efeito dos sacramentos podemos compara-los com a vida natural, vendo que na ordem da graça: • nascemos para a vida sobrenatural pelo Batismo, • nos fortalecemos pela Confirmação, •

mantemos a vida com o alimento da Eucaristia,

se perdemos a vida da graça pelo pecado, a recuperamos pela Penitência,

e com a Unção dos Enfermos nos preparamos para a viagem que acabará no céu. Para socorrer as necessidades da Igreja como sociedade, temos o sacramento da:

Ordem sacerdotal, que institui os ministros da Igreja,

Matrimônio, que com os filhos perpetua a sociedade humana e faz crescer a Igreja quando estes são regenerados pelo batismo.

IDEIAS PRINCIPAIS: 1. O que são os sacramentos Os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, instituídos por Jesus Cristo e confiados à Igreja, através dos quais nos é dispensada a vida divina. Sinal sensível é uma coisa conhecida que manifesta outra menos conhecida; se vejo fumaça, descubro que existe fogo. Mas dizemos também sinal eficaz porque o sacramento não só significa, mas que produz a graça (a fumaça só significa fogo, mas não o produz).

para que fosse mais fácil para nós consegui-los. No batismo, por exemplo, assim como a água purifica naturalmente, o sacramento purifica: o sacramento lava e limpa sobrenaturalmente a alma, tirando o pecado original e qualquer outro pecado que possa existir, mediante a infusão da graça. Esta foi a pedagogia de Cristo durante sua vida pública, servindo-se de coisas naturais, de ações externas e de palavras. Tocou com sua mão o leproso e lhe disse; "Quero, fica limpo" (Mateus 8,3); untou com barro os olhos do cego de nascimento e ele recuperou a vista (cf. João 9,6-7); para comunicar aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, soprou sobre eles e pronunciou umas palavras (cf. João 20,22). Assim como a Santíssima Humanidade de Cristo é o instrumento único à Divindade de que se serve o Verbo para realizar a Redenção da humanidade, assim as coisas ou ações dos sacramentos são os instrumentos separados pelos quais Deus nos santifica, acomodando-se a nossa maneira de ser e de entender. 3. Jesus Cristo instituiu os sete sacramentos Todos os sacramentos foram instituídos por Jesus Cristo -que é o autor da graça e pode comunica-la por meio de sinais sensíveis- e eles são sete: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio. Nos sete sacramentos estão atendidas todas as necessidades da vida sobrenatural do cristão. 4. Os sacramentos da Igreja Cristo confiou os sacramentos a sua Igreja, e podemos dizer que são "da Igreja" em um duplo sentido: a Igreja faz ou administra ou celebra os sacramentos, e os sacramentos constroem a Igreja (o batismo gera novos filhos da Igreja, etc..). Existem, pois, por ela e para ela. 5. Os sacramentos da fé Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do Corpo de Cristo e, em definitivo, a dar culto a Deus, mas como sinais, tem também uma finalidade instrutiva. Não só supõem a fé, também a fortalecem, a alimentam e a expressam com palavras e ações; por isso são chamados sacramentos da fé.

2. O porque da instituição dos sacramentos

6. Efeitos dos sacramentos

Podemos nos perguntar por que Cristo quis fazer assim as coisas. Ele pode comunicar a graça diretamente, sem recorrer a nenhum meio sensível, ainda que tenha querido acomodar-se a nossa maneira de ser, dando-nos os dons divinos por meio de realidades materiais que usamos,

Os sacramentos, se são recebidos com as disposições requeridas, produzem como fruto: • Graça santificante. Os sacramentos dão ou aumentam a graça santificante. O batismo e a penitência dão a graça; os outros cinco aumentam a graça


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da Igreja

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Os Sete Sacramentos

santificante e só se devem recebe-los sacerdotal e Matrimônio, estabelecidos para estando na graça de Deus. Aquele que os socorrer as necessidades da comunidade cristã e recebe em pecado mortal comete pecado da sociedade humana. de sacrilégio. Os sacramentos formam um organismo no qual Graça sacramental. Além da graça cada um deles tem sua função vital. A Eucaristia santificante que concedem os ocupa um lugar único, enquanto "sacramento dos sacramentos, cada um outorga algo sacramentos". Podemos dizer com Santo Tomás especial que chamamos graça de Aquino que "todos os outros sacramentos sacramental. É um direito de receber de estão ordenados para a Eucaristia como seu fim". Deus, no momento oportuno, a ajuda necessária para cumprir as obrigações contraídas ao receber aquele sacramento. Assim, o batismo dá a graça especial para viver como bons filhos de Deus; a confirmação concede a força e o valor para confessar e defender a fé até a morte, se for preciso; o matrimonio, para que os cônjuges sejam bons esposos e eduquem de forma cristã os filhos; etc..

Caráter. O batismo, confirmação e ordem sacerdotal concedem, além disso, o caráter, que é um sinal espiritual e indelével que confere uma peculiar participação no sacerdócio de Cristo. Por isso, estes sacramentos só se recebem uma única vez.

7. De que se compõe um sacramento Um sacramento se compõe de matéria, forma e o ministro que o realiza com a intenção de fazer o que faz a Igreja. • A matéria é a realidade ou ação sensível, como a água natural no batismo, os atos do penitente na confissão (contrição, confissão e satisfação). • A forma são as palavras que, ao faze-lo, se pronunciam. • O ministro é a pessoa que faz ou administra o sacramento. 8. Diversidade de sacramentos Seguindo a analogia entre vida natural e etapas da vida sobrenatural, podem-se distinguir nos sacramentos, três grupos distintos: a) Sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia, que põem os fundamentos da vida cristã e comunicam a vida nova em Cristo; b) Sacramentos de cura: Penitência e Unção dos Enfermos, que curam o pecado e as feridas da nossa debilidade; c) Sacramentos a serviço da comunidade: Ordem

9. Os sacramentos são necessários para a salvação Os sacramentos não só são importantes, mas necessários, se queremos viver a vida cristã e aumenta-la em nós. São como os canais que conduzem a água, e, neste caso, trazem para a nossa alma a graça da redenção de Cristo na cruz. E são necessárias também as nossas disposições para receber -ou receber com maior abundância- a água limpa da graça. Dão sempre a graça se são recebidos com as devidas disposições, e se não se recebe mais graça, não é por culpa do sacramento, mas por falta de melhor preparação. É preciso aproximar-se, portanto, para receber os sacramentos, com a melhor disposição possível, para podermos receber a graça com abundância. 10. Propósitos de vida cristã • Agradecer ao Senhor a instituição dos sete sacramentos e demonstrar a estima por eles, preparando-se muito bem para recebe-los. • Receber com freqüência os sacramentos da Penitência e da Eucaristia. •


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e Membros da Igreja

O Batismo faz Filhos de Deus INTRODUÇÃO: "Depois de oitenta anos de paganismo, um ancião encontrou a luz da fé, se converteu e recebeu o batismo. Dois anos depois caiu gravemente enfermo; todos se deram conta de que tinha chegado para ele o momento da morte. Alguém lhe perguntou quantos anos tinha, e respondeu: Tenho só dois anos de vida. Ninguém encontrava explicação para sua resposta, mas o ancião acrescentou: Não é assim tão difícil de se entender, pois comecei a viver ao receber o batismo; minha vida antes disso é como se não existisse". Este testemunho pode servir-nos para a introdução ao estudo do batismo, "sacramento da fé", "porta dos sacramentos", ou "porta da Igreja", como é chamado desde o início da Igreja, e para que saibamos dar a devida importância ao fato de termos sido batizados. IDÉIAS PRINCIPAIS: 1. Os sacramentos da iniciação cristã Já sabemos que os sacramentos da iniciação cristã são: o Batismo, que é o início da vida em Cristo; a Confirmação, que dá fortaleza e plenitude a esta vida, e a Eucaristia, que nos alimenta com o Corpo e o Sangue de Cristo para nos unir a Ele, transformando-nos até nos identificar-nos com Ele.

ablução com água natural e a invocação das três Pessoas divinas. O batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no espírito e a porta que abre o acesso aos outros sacramentos. A matéria deste sacramento é a ablução com água natural, e a forma são as palavras: "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". 4. Os efeitos do batismo a) Apaga o pecado original. O batismo perdoa e destrói o pecado original com o qual nascemos todos; quando aquele que é batizado é adulto, apaga também todos os pecados pessoais assim como a pena por eles devida, de tal maneira que se o recém batizado morresse, iria diretamente para o céu. b) Infunde a graça santificante. Pelo sacramento do batismo Deus infunde na alma a graça santificante -que é uma participação na natureza divina- , junto com as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo. Com estes dons a alma faz-se dócil e pronta aos impulsos do Espírito Santo. Pela graça, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo estabelecem sua morada na alma, que é templo do Espírito Santo.

c) Confere caráter sacramental. O outro efeito do batismo é o caráter, ou seja, certo sinal espiritual 2. Sentido do batismo e indelével, que explica o fato de que este São Paulo explica que pelo batismo morremos ao sacramento só possa ser recebido uma vez. O pecado e ressuscitamos para a vida nova da caráter batismal configura a Cristo, dá uma graça (cf. Romanos 6,3-11). Esta realidade se participação em seu sacerdócio, capacita para entende mais facilmente quando o sacramento é continuar no mundo sua missão como fiéis administrado por imersão, que é o entrar e o sair discípulos seus, e nos distingue dos infiéis. da água, significando a morte e a ressurreição do Senhor. De fato, todos nascemos com o pecado d) Incorpora a Jesus Cristo. Tanto a graça como herdado de nossos primeiros pais, e como o caráter são efeitos sobrenaturais do batismo, conseqüência, privados da graça; mas Cristo nos que nos unem a Cristo como se unem os livrou com sua morte e ressurreição. Sua morte membros do corpo com a cabeça. Cristo é nossa nos limpa do pecado e nos faz morrer ao pecado; Cabeça e o caráter nos vincula a Ele para sua ressurreição nos faz renascer e viver a vida sempre, enquanto que a graça nos faz membros nova de Cristo. O batismo é o sacramento que vivos. aplica a cada batizado os frutos da Redenção, para que morramos ao pecado e ressuscitemos e) Incorpora à Igreja. Pelo batismo nos para a vida sobrenatural da graça. convertemos em membros da Igreja, com direito 3. O que é o batismo Quando Cristo enviou a seus Apóstolos por todo o mundo, disse- lhes: "Ide, pois,e fazei discípulos a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mateus 28,19). "O que crer e for batizado, será salvo; mas o que não crer, será condenado" (Marcos 16,16). O batismo é o sacramento instituído por Jesus Cristo, que nos faz seus discípulos e nos regenera para a vida da graça, mediante a

a participar na Sagrada Eucaristia e a receber os demais sacramentos; sem ser batizado não se pode receber nenhum outro sacramento. A Igreja é o Corpo Místico de Cristo, e o batismo nos incorpora a Cristo, que é a Cabeça, e a seu Corpo, que é a Igreja. 5. Necessidade do batismo O batismo é absolutamente necessário para a salvação, como declarou Nosso Senhor a


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e Membros da Igreja

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O Batismo faz Filhos de Deus Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo, que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino dos céus" (João 3,5). Quando não é possível receber o sacramento do batismo, pode-se alcançar a graça para salvar-se pelo chamado batismo de desejo -um ato de perfeito amor a Deus, ou a contrição dos pecados com o voto explícito ou implícito do sacramento- e pelo batismo de sangue ou martírio, que é dar a vida por Cristo. Posto que as crianças nascem já com a natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, é necessário que recebam o batismo. A pura gratuidade da graça da salvação se manifesta particularmente no batismo das crianças. Portanto, a Igreja e os pais privariam as crianças da graça inestimável de ser filhos de Deus, se não administrassem o batismo pouco depois do nascimento; assim se entende a necessidade de batizar as crianças o quanto antes. É o maior presente que se lhes pode dar, já que desde este momento são "para sempre membros de Cristo, sacerdote, profeta e rei" (Ritual do Batismo). Em relação às crianças mortas sem o batismo, a Igreja convida a ter confiança na misericórdia divina e a rezar por sua salvação. 6. Quem pode administrar o batismo Normalmente, quem batiza é o pároco ou outro sacerdote ou diácono, com a permissão do pároco, mas em caso de necessidade qualquer pessoa pode faze-lo. Dada a importância e a necessidade do batismo, Deus deu todas as facilidades na administração deste sacramento; e assim, inclusive, uma pessoa não batizada, com tal que tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja e o faça corretamente, batiza de verdade. A razão está em que sempre é Cristo quem batiza, como observa Santo Agostinho: "Batiza Pedro? Cristo batiza. Batiza João? Cristo batiza. Batiza Judas? Cristo batiza". 7. Modo de administrar o batismo Ao administrar o batismo se derrama água natural sobre a cabeça dizendo, com intenção de batizar: " Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Na cerimônia do batismo existem diversos ritos, mas o essencial é o que já dissemos: derramar a água e, ao mesmo tempo, pronunciar as palavras. 8. Obrigações que o batismo impõe Quando o batismo é administrado a crianças, respondem pelo neófito seus pais e padrinhos; mas o cristão adulto -sabedor dos efeitos do sacramento na alma- deve responder por si mesmo e estar firmemente disposto a viver como

batizado. Esta resposta pode se concretizar em fazer atos explícitos de fé (recitando o Credo, por exemplo), propondo-se a guardar a Lei de Jesus Cristo e de sua Igreja e renunciando para sempre ao demônio e às suas obras, como se faz na Vigília Pascal, ao renovar as promessas do batismo. 9. Propósitos de vida cristã • Agradecer a Deus o dom do batismo. Inteirar-se do dia em que foi batizado, e celebra-lo. • Nunca esquecer que o batismo impõe a exigência cristã de conservar a fé e crescer na vida da graça, cumprindo fielmente os mandamentos da lei de Deus e os da Igreja.


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o Espírito Santo

Na Confirmação, se recebe INTRODUÇÃO: Se fixarmos nossa atenção nos Apóstolos, antes e depois da vinda do Espírito Santo em Pentecostes, vamos observar algumas diferenças importantes: antes, tinham medo e agora pregam a palavra de Deus com decisão; os que eram incultos e ignorantes, depois falam dos mistérios de Deus e línguas estranhas. Esta mudança tão surpreendente é produzida porque, naquele dia, receberam a plenitude do Espírito Santo. De maneira semelhante, os fiéis recebem também a plenitude do Espírito Santo no sacramento da confirmação. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Os Apóstolos receberam a plenitude do Espírito Santo em Pentecostes; nós, na confirmação Os Apóstolos já tinham recebido o Espírito Santo antes da ascensão do Senhor aos céus; na tarde da ressurreição Jesus apareceu-lhes no Cenáculo, soprou sobre eles, dizendo: "Recebei o Espírito Santo" (João 20,22). Mas em Pentecostes encheram-se do Espírito Santo e de dons excepcionais (cf. Atos dos Apóstolos, 2, 1-4). Também nós recebemos no Batismo o Espírito Santo junto com a graça, mas o Senhor instituiu o sacramento da confirmação que é necessário para a plenitude da graça batismal. A confirmação une mais intimamente à Igreja e enriquece com uma fortaleza especial do Espírito Santo. 2. Efeitos do sacramento da confirmação De maneira parecida ao que sucedeu aos Apóstolos no dia de Pentecostes, este sacramento produz na alma estes frutos: a) Aumenta a graça. A vida da graça que se recebe pela primeira vez no batismo adquire um novo empenho com a confirmação: há um crescimento e um aprofundamento da graça batismal. b) Imprime caráter. A confirmação imprime uma marca espiritual indelével -o caráter-, para ser testemunhas de Cristo e colaboradores de seu Reino; por isso, só se pode receber este sacramento uma vez na vida. c) Fortalece a fé. A palavra confirmação significa fortalecimento; com este sacramento nossa fé em Jesus Cristo fica fortalecida. d) Nos faz testemunhas de Cristo. A confirmação nos dá forças para defender a fé e de nos

defender-nos dos inimigos da nossa salvação. Nos dá vigor para confessar com firmeza nossa fé sendo testemunhas de Cristo, colaborando na santificação do mundo e atuando como apóstolos onde vivemos e trabalhamos. 3. Ministro, sujeito, matéria e forma do sacramento da confirmação Ministro ordinário deste sacramento é o Bispo; extraordinário, o presbítero que goza desta faculdade pelo direito comum ou por concessão peculiar da autoridade competente; em perigo de morte, o pároco ou qualquer presbítero. O sujeito é toda pessoa batizada que não tenha recebido este sacramento anteriormente. Para recebe-lo deve-se estar na graça de Deus, conhecer os principais mistérios da fé e acercar-se do sacramento reverência e devoção. A matéria é a unção na fronte com o crisma (mistura de azeite e bálsamo consagrada pelo bispo), que se faz enquanto se impõe a mão. A unção significa um dos efeitos do sacramento: robustecer a fé. A forma é constituída pelas palavras que pronuncia o ministro: "N. recebe por este sinal Espírito Santo, Dom de Deus". O crismando responde "Amém". 4. Estimar muito a confirmação Posto que a confirmação faz do fiel cristão uma testemunha de Jesus Cristo, desenvolvendo e aperfeiçoando as graças recebidas no batismo, é preciso lutar por manter os frutos do sacramento. Só assim seremos fortes para confessar com inteireza a fé cristã. E o conseguiremos se acudirmos com freqüência aos sacramentos da penitência e da eucaristia. Ordinariamente, a vida cristã se desenvolve em circunstâncias correntes e normais; só em circunstâncias extraordinárias, o Senhor pode nos pedir o heroísmo do martírio, derramando o sangue para confessar a fé em Jesus Cristo. Sem dúvida, o Senhor pede a todos o esforçar-se em pequenas lutas da vida diária: trato com os pais e irmãos, trabalho bem feito e oferecido a Deus, ajuda generosa e desinteressada aos companheiros, fidelidade à doutrina de Jesus Cristo e difusão da fé com o exemplo, a amizade e os bons conselhos. 5. Propósitos de vida cristã • Alimentar o desejo de receber o sacramento da confirmação, caso não o tenha ainda recebido. • Procurar viver como verdadeiro cristão, com valentia, sem respeitos humanos, consciente de que a confirmação faz ao fiel "testemunha de Cristo".


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Mistério de Fé e Amor

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E Eucaristia,

INTRODUÇÃO: Com o sacramento da Eucaristia culmina a iniciação cristã; em realidade culmina a inteira vida sobrenatural -particular e comunitária ou da Igreja como tal-, porque é o "sacramento dos sacramentos", o mais importante de todos, já que contém a graça de Deus -como os demais sacramentos- e o autor da graça, Jesus Cristo Nosso Senhor. Não é pelos sentidos que o sabemos, mas pela fé, que se apóia no testemunho de Deus: "Isto é o meu Corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim" (Lucas 22,19). São palavras de Jesus a seus Apóstolos na última Ceia, ao deixar-lhes a Eucaristia como presente de seu poder e de seu amor infinitos. Nós cremos firmemente, assim como os Apóstolos que estavam presentes naquele momento, na Ceia. O Concílio Vaticano II exorta à piedade e ao recolhimento cada vez mais profundo com a Eucaristia, quando ensina que é "fonte e cume de toda a vida cristã" e que, "participando do sacrifício eucarístico, os fiéis oferecem a Deus a Vítima divina e se oferecem a si mesmos juntamente com ela" (Lumen Gentium, 11). IDEIAS PRINCIPAIS:

Comunhão, porque nos unimos ao mesmo Cristo recebendo seu Corpo e seu Sangue;

Santa Missa, porque quando os fiéis, ao terminar a liturgia eucarística, são enviados ("missio") para que cumpram a vontade de Deus em sua vida ordinária.

3. A instituição da Eucaristia Jesus Cristo instituiu a Eucaristia na quinta-feira santa, na ultima Ceia. Tinha já anunciado aos discípulos em Cafarnaum (cf. João, 6) que lhes daria seu corpo e sangue como alimento, como também vinha preparando a fé dos seus com argumentos incontestáveis: o milagre de Caná convertendo a água em vinho- e a multiplicação dos pães, que manifestavam o poder de Jesus Cristo. Assim, ao escutar na última Ceia: Isto é o meu corpo (Lucas 22,19), tinham o firme convencimento de que era como Jesus dizia; assim como a água tinha sido convertida em vinho por meio de sua palavra onipotente e os pãezinhos se multiplicaram até saciar a fome de uma grande multidão. 4. A celebração litúrgica da Eucaristia

Os Apóstolos receberam um encargo do Senhor: "Fazei isto em memória de mim" (Lucas 22,19), e a Igreja não cessou mais de realizar estas A Eucaristia é o coração da Igreja; para destacar palavras na celebração litúrgica, que não é uma esta idéia, o Concílio Vaticano II serve-se desta mera recordação, mas atualização real do frase -que não é enfática, mas justa- dizendo que memorial de Cristo: de sua vida, de sua morte, aí esta a "fonte e o cume da vida cristã". Como de sua ressurreição e de sua intercessão diz também que "a Sagrada Eucaristia contém mediadora junto ao Pai, que se realiza na todo o bem espiritual da Igreja, quer dizer, o Eucaristia. Desde meados do século II, e mesmo Cristo". Esta é a razão de que "os demais segundo o relato do mártir São Justino, temos sacramentos, como também todos os ministérios atestadas as grandes linhas da celebração eclesiais e as obras de apostolado estão unidos eucarística, que permaneceram invariáveis até os à Eucaristia e a ela se ordenam" (Presbyterorum nossos dias. ordinis, 5). 5. A Eucaristia, renovação não cruenta do 2. Os diversos nomes deste sacramento sacrifício da cruz A riqueza inesgotável da Eucaristia se expressa Jesus Cristo ofereceu a Deus Pai o sacrifício de mediante os distintos nomes que recebe. Cada sua própria vida morrendo na cruz. Foi um um evoca algum aspecto de seu conteúdo ou a autêntico sacrifício com o qual nos redimiu de circunstância do momento da instituição. É nossos pecados, superando todas as ofensas chamada: que a humanidade tenha feito ou poderia fazer, • Eucaristia, que significa ação de graças a porque seu sacrifício na cruz é de valor infinito. Deus; Mas, ainda que o valor do sacrifício de Cristo tenha sido infinito e único, o Senhor quis que se • Banquete do Senhor, porque Cristo a perpetuasse -se fizesse presente- para aplicar os instituiu na quinta-feira feira santa, na méritos da redenção; por isso, antes de morrer, última Ceia; consagrou o pão e o vinho e ordenou aos • Santo Sacrifício, porque atualiza o único Apóstolos: "Fazei isto em memória de mim". sacrifício de Cristo na cruz; Desta maneira, os fez sacerdotes do Novo Testamento para que, com seu poder e em sua pessoa, oferecessem continuamente a Deus o 1. A Eucaristia, fonte e cume da vida da Igreja


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ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Mistério de Fé e Amor

E Eucaristia,

sacrifício visível da Igreja. Jesus Cristo instituiu a Missa não para perpetuar a Ceia, mas sim o sacrifício da cruz. Assim, a Missa renova de forma não cruenta (sem outro derramamento do sangue de Cristo) o mesmo sacrifício do Calvário; e a Eucaristia é igualmente, sacrifício da Igreja, pois, sendo a Igreja o Corpo de Cristo, participa da oferenda de sua Cabeça, que é Cristo. 6. O sacrifício da Missa e o da cruz são essencialmente um e o mesmo sacrifício Entre a Missa e o sacrifício da cruz há uma identidade essencial, e algumas diferenças acidentais: • O Sacerdote é o mesmo Cristo, que no Calvário se ofereceu sozinho, enquanto que na Missa, o faz por meio do sacerdote. • A Vítima é a mesma: Cristo, que no sacrifício da cruz se imolou de maneira cruenta, enquanto que na Missa o faz de modo não cruento. A presença de Cristo sob as espécies consagradas do pão e do vinho, que contém em separado seu Corpo e seu Sangue como espécies distintas, manifestam misticamente a separação do Corpo e do Sangue ocorrida na cruz. • Na cruz, Cristo nos resgatou do pecado e ganhou, para nós, os méritos da salvação; na Missa, são-nos aplicados os méritos que Jesus ganhou então. 7. Os fins da Santa Missa Os fins da Santa Missa são quatro: • Adorar a Deus, •

Dar-Lhe graças,

Pedir-lhe benefícios,

Satisfazer por nossos pecados.

Podemos unir todo o nosso dia à Santa Missa, e viver ao longo dele com estes mesmos sentimentos que Jesus teve na cruz. 8. Propósitos de vida cristã • É preciso amar a Missa, de tal maneira que se procure dela participar sempre que possível, com uma participação consciente, ativa e frutuosa. • Unir os pequenos sacrifícios de cada dia com o sacrifício de Cristo, que se renova na Eucaristia.


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na Eucaristia

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Jesus Está Realmente Presente INTRODUÇÃO:

Cristo e o que era substância de vinho se Sabemos que Cristo morreu, ressuscitou e subiu converteu na substância de Cristo, no Sangue de Cristo. Esta admirável e singular conversão é o ao céu, onde está sentado à direita do Pai e intercede por nós. Mas está presente também em que se conhece com o nome de transubstanciação, ou mudança de substância. É um mistério sua Igreja de muitas maneiras: em sua Palavra, excepcional que a razão humana não tem na oração, nos pobres, nos enfermos, nos sacramentos...; e está presente sobretudo sob as condições de compreender, mas que Deus pode realizar por meio de seu ministro, o sacerdote. espécies sacramentais do pão e do vinho, que contém o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, 3. Jesus Cristo está realmente presente nas como ensina a fé. Este mistério se entende formas consagradas e em cada uma de suas melhor com o coração, porque é fruto do Amor do partes Senhor para conosco. Tinha Ele que ir, mas Quando o sacerdote consagra muitas formas queria ficar conosco, e o que para os homens é cremos que Jesus Cristo está realmente presente impossível, pode Deus fazer; o Senhor ficou em todas e cada uma delas. Também cremos realmente presente na Eucaristia com seu Corpo, que, se uma forma se parte em diversos seu Sangue, Alma e Divindade. Na Eucaristia pedaços, Jesus Cristo está todo inteiro em cada está contido o verdadeiro Corpo de Jesus Cristo, um deles. Por isso o sacerdote recolhe o mesmo que nasceu da Virgem e está sentado à cuidadosamente as partículas das hóstias direita de Deus Pai. Desde o princípio, os consagradas, ainda que sejam muito pequenas, cristãos creram nesta verdade. como é indicado na Ordenação Geral do Missal IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Na Eucaristia está presente o mesmo Jesus Cristo Ainda que a fé da Igreja tenha sido sempre a mesma, a doutrina foi-se desenvolvendo e o Concílio de Trento afirma que na Santíssima Eucaristia estão contidos verdadeira, real e substancialmente o corpo e o sangue junto com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, e, por conseqüência, Cristo inteiro. É o que se conhece como presença real de Cristo no sacramento da Eucaristia. Chama-se real não a título exclusivo, como se as outras presenças não fossem reais, mas por excelência, porque é substancial e por ela Cristo, Deus e homem, se faz totalmente presente, como explica Paulo VI. Esta luz que arde dia e noite junto ao Sacrário nos recorda que Jesus está ali, realmente presente. 2. A transubstanciação Ante a realidade sobrenatural do mistério eucarístico -a presença real de Cristo sob os véus do pão e do vinho- é inevitável a pergunta: O que aconteceu? Porque antes era pão e vinho, e quando o sacerdote diz: "Isto é o meu corpo", "Este é o cálice do meu sangue", aquilo é o Corpo e o Sangue de Cristo. É o que nos diz a fé, e a palavra de Deus não pode falhar. Efetivamente, pelo poder divino outorgado ao sacerdote produziu-se uma mudança, uma conversão - e conversão de substâncias, porque as aparências externas não mudaram -, razão pela que, o que era substância de pão se converteu na substância de Cristo, no Corpo de

Romano. O Senhor ficou entre nós por amor, e é com amor que haveremos de trata-lo. 4. Os cristãos devem manifestar fé e amor para com a Eucaristia Os Apóstolos receberam um encargo do Senhor: "Fazei isto em memória de mim" (Lucas 22,19), e a Igreja não cessou mais de realizar estas palavras na celebração litúrgica, que não é uma mera recordação, mas atualização real do memorial de Cristo: de sua vida, de sua morte, de sua ressurreição e de sua intercessão mediadora junto ao Pai, que se realiza na Eucaristia. Desde meados do século II, e segundo o relato do mártir São Justino, temos atestadas as grandes linhas da celebração eucarística, que permaneceram invariáveis até os nossos dias. 5. A Eucaristia, renovação não cruenta do sacrifício da cruz A crença nestas verdades de nossa fé tem levado a Igreja a render culto de adoração ao Santíssimo Sacramento. Este culto à Sagrada Eucaristia foi vivenciado sempre pelo povo cristão através de muitas devoções eucarísticas: • A quinta-feira santa, em que celebramos a instituição da Eucaristia e especialmente do sacrifício da Missa. • A festa de Corpus Christi, que celebra a presença real de Jesus Cristo, e o Santíssimo Sacramento é levado solenemente em procissão pelas ruas da cidade.


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ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

na Eucaristia

Jesus Está Realmente Presente •

A exposição e benção com o Santíssimo Sacramento, passando um momento com o Senhor sacramentado em intimidade de adoração e sincero agradecimento.

As visitas ao Sacrário, por parte dos fiéis para acompanha-lo. E tantas outras orações que alimentam a piedade eucarística: comunhões espirituais, o hino Adoro Te devote, as orações para antes e depois de comungar, etc.. Guiados pela fé, é um detalhe de nobreza humana oferecer a Jesus no Sacrário coisas dignas: que o Sacrário seja de qualidade, cuidar dos vasos sagrados, esmerar-se na limpeza; mas sobretudo, o respeito e a adoração: a genuflexão bem feita diante do Sacrário, acudir com freqüência a visitar o Senhor - ao menos com o pensamento e o desejo -, atualizar a fé na Eucaristia ao passar por uma Igreja, etc...

6. Propósitos de vida cristã • Propor-se a fazer cada dia uma visita ao Santíssimo no Sacrário da Igreja. • Ao entrar na Igreja, ir sempre, primeiramente, saudar o Senhor, no Sacrário.


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Como Alimento a Jesus Cristo

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Na Sagrada Comunhão se Recebe INTRODUÇÃO: Os primeiros cristãos encontravam a razão de seu heroísmo na Eucaristia. A Comunhão davalhes alento e fortaleza para defender sua fé até o martírio. Tarcísio foi um menino que levava a Eucaristia aos que estavam encarcerados por causa de sua fé. Um dia, no caminho, encontrou com seus companheiros de brincadeiras, que eram pagãos. Estes, convidaram-no para brincar, mas Tarcísio não podia faze-lo, pois levava o Senhor, na Eucaristia. Como sabiam que era cristão, e, dando-se conta que escondia alguma coisa, atacaram-no violentamente, enquanto Tarcísio defendia o tesouro que carregava consigo. Neste momento passou um soldado, que levou Tarcísio para, mesmo gravemente ferido, para ser encarcerado. No cárcere, disse aos demais prisioneiros cristãos que lhes trazia a Comunhão. Assim, puderam comungar aqueles que, no dia seguinte morreriam como mártires. Tarcísio morreu antes, também como mártir da Eucaristia. É com esta fé, com este respeito e amor que os primeiros cristãos tratavam a Eucaristia. IDÉIAS PRINCIPAIS: 1. O sacrifício eucarístico e a comunhão O sacrifício eucarístico ou Santa Missa é memorial sacrifical que perpetua o sacrifício da cruz oferecido ao Pai, e banquete sagrado de comunhão no Corpo e Sangue do Senhor; a celebração eucarística está também orientada à união íntima dos fiéis com Cristo por meio da comunhão. Comungar é receber a Cristo mesmo que se oferece por nós. Cristo, pois, se oferece ao Pai e se dá aos homens. 2. Jesus Cristo instituiu a Eucaristia como alimento para as nossas almas Jesus prometeu aos Apóstolos em Cafarnaúm que daria para comer sua carne para a vida do mundo e para se obter a vida eterna: "Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida: o que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (João 6,54-56). Na última Ceia cumpriu-se a promessa e o Senhor instituiu a Eucaristia: "Tomai e comei; isto é o meu Corpo" (Mateus 26,26). É a afirmação clara de que o Corpo do Senhor está na realmente na Eucaristia e ele nos é dado como alimento. 3. Os frutos da comunhão A comunhão sustenta a vida espiritual de modo parecido a como o alimento material mantém a

vida do corpo. Concretamente, podemos assinalar estes frutos da comunhão sacramental: • Acrescenta a união com Cristo, realmente presente no sacramento. • Aumenta a graça e as virtudes em quem comunga dignamente. • Nos afasta do pecado: purifica dos pecados veniais, das faltas e negligências, porque acende a caridade. • Fortalece a unidade da Igreja, Corpo Místico de Cristo. • Cristo, na Eucaristia, nos dá o penhor da glória futura. 4. Disposições para comungar bem As disposições exigidas para receber dignamente a Cristo, na comunhão são: a) Estar na graça de Deus, quer dizer, limpos do pecado mortal. Ninguém pode aproximar-se para comungar, por muito arrependido que pareça estar, se antes não tiver confessado os pecados mortais. O pecado venial não impede a comunhão, mas é lógico que tenhamos desejos de receber a Jesus com a alma muito limpa; por isso a Igreja aconselha a que se confesse com freqüência, ainda que não tenhamos pecados mortais. Se alguém se aproximasse para comungar em pecado mortal, cometeria um sacrilégio. b) Guardar o jejum eucarístico, que supõe não ter comido nem bebido desde uma hora antes de comungar; a água e os medicamentos não quebram o jejum. Os anciãos e enfermos - e aqueles que cuidam deles - podem comungar ainda que não tenha passado uma hora depois de ter tomado algo. c) Saber a quem se recebe. Posto que se recebe o mesmo Cristo neste sacramento, não podemos aproximar-nos para comungar desconsideradamente, ou por mera rotina, ou para que nos vejam. Temos de faze-lo para corresponder ao desejo de Jesus e para encontrar na comunhão um remédio para a nossa fraqueza. Até na compostura externa deve manifestar-se a piedade e o respeito com que nos aproximamos para receber o Senhor. Comunga-se de joelhos ou de pé, segundo tenha sido determinado pela Hierarquia da Igreja e o peça a devoção de cada um. Comungando-se de pé, antes de comungar, ao aproximar-nos do sacerdote, deve-se fazer


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ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Como Alimento a Jesus Cristo

Na Sagrada Comunhão se Recebe uma inclinação do corpo. O sacerdote diz: "O Corpo de Cristo" e o comungante responde: "Amém". Se comungar diretamente na boca, abre-se então a boca e estende-se a língua, para que o sacerdote possa colocar a sagrada comunhão. Se comungar nas mãos, coloca-se a mão direita embaixo da mão esquerda. O sacerdote deposita a sagrada comunhão na mão esquerda. Então, na frente do sacerdote, sem mover-se, o comungante toma, com a mão direita a sagrada comunhão e leva-a à própria boca. 5. A ação de graças na comunhão Jesus permanece na Eucaristia por amor a nós. A melhor maneira de recebe-lo será realizar uma boa preparação antes de comungar e, conscientes do dom recebido, dar graças não só no momento da comunhão, mas durante todo o dia. Depois de comungar, ficamos na Igreja dando graças, ao menos por uns minutos. 6. Obrigação de comungar e necessidade da comunhão freqüente Comungar realmente não é necessário para salvar-se; se um recém nascido morre, se salva. Mas Jesus Cristo disse "Se não comeis a carne do Filho do Homem e não bebeis seu sangue, não tereis a vida em vós" (João 6,53). Em correspondência a estas palavras, a Igreja nos ordena em seu terceiro mandamento que, ao menos uma vez no ano, por ocasião da Páscoa da Ressurreição, todo cristão com uso da razão deve receber a Eucaristia. Também existe a obrigação de comungar quando se está em perigo de morte; neste caso a comunhão é recebida como "Viático", que significa preparação para a "viagem" da vida eterna. Isto é o mínimo, e o preceito deve ser bem entendido; daí que a Igreja exorte a receber ao Senhor com freqüência, até diariamente. Se algum dia não podemos comungar, é bom fazer uma comunhão espiritual, expressando o desejo que temos de receber o Senhor sacramentalmente. 6. Propósitos de vida cristã • Fazer o firme propósito de receber sempre a Sagrada Comunhão com as devidas disposições. • Ao terminar a Santa Missa, permanecer uns momentos agradecendo a Jesus. • Repetir muitas vezes durante o dia, a Comunhão Espiritual.


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Celebração Litúrgica da Eucaristia

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

A Santa Missa:

INTRODUÇÃO:

O centro da liturgia da Igreja é a Eucaristia - a Missa -, que os Apóstolos celebraram desde o primeiro momento; desde então até agora, a Missa permaneceu essencialmente a mesma. Vamos expor o sentido das diversas partes e diálogos entre o sacerdote e os fiéis. Também falaremos da obrigação de participar da Missa aos domingos e festas de guarda, se já tem completados os sete anos, se já existe o uso da razão e não exista um impedimento grave.

a) Leituras da Sagrada Escritura. Nos

domingos e festas são três: uma do Antigo Testamento, outra do Novo e a terceira do Evangelho; nos dias feriais são lidas só duas, sendo a ultima sempre do Evangelho. Entre uma leitura e outra canta-se ou recita-se o Salmo responsorial, com uma resposta que todos repetem.

IDEIAS PRINCIPAIS: 1. A participação na Eucaristia

b) Homilia. O sacerdote explica as

verdades reveladas por Deus e ensinadas pela Igreja, para nos instruir na fé e nos animar a melhorar nossa vida, tomando consciência do que se leu e do sentido da celebração.

Objetivamente, a Missa é a ação mais importante que se celebra na terra e, quando dela participamos, devemos faze-lo com o maior interesse e devoção tratando de conseguir o maior fruto possível. Posto que na Missa se renova o sacrifício do Calvário, deveríamos estar presentes com os mesmos sentimentos de Nossa Senhora ao pé da cruz, acompanhando a seu Filho, plenamente identificada com Ele.

c) Profissão de fé. É o ato solene no

qual confessamos nossa fé, recitando o Credo. Rezamos em pé, inclinando a cabeça em sinal de respeito ao dizer "e se encarnou por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem."

2. Partes da Missa A liturgia da Missa se desenvolve conforme uma estrutura fundamental, conservada através dos séculos. Compreende dois grandes momentos, unidos entre si: a liturgia da Palavra e a liturgia Eucarística, precedidas pelos ritos iniciais e seguidas da conclusão. •

d) Oração dos fiéis. Com esta oração

pedimos pela Igreja, pelo Papa e pela hierarquia, pelas autoridades civis e por todos os homens, em especial pelos mais necessitados.

RITOS INICIAIS, que tem um caráter de introdução e preparação: a) Quando o sacerdote se dirige ao altar

e se reza ou se canta o intróito. b) O sacerdote beija o altar em sinal de

veneração, porque o altar simboliza a Jesus Cristo. c) Saúda os fiéis e os convida a

reconhecer seus pecados, rezando o "Confesso..." ou outra formula daquelas aprovadas pela Igreja, que se encontram no Missal Romano. Ainda que este ato penitencial não tem a eficácia do sacramento e o pecado mortal só é perdoado com a confissão, temos de arrepender-nos sinceramente dos nossos pecados. d) Finaliza o rito inicial com a recitação

ou canto do Kyrie e, quando previsto, do Glória, seguidos da oração Coleta.

LITURGIA DA PALAVRA. Nesta parte da Missa, distinguem-se os seguintes momentos:

LITURGIA EUCARISTICA. Esta é a parte principal da Missa, que renova - mediante a Consagração - o sacrifício de Cristo na cruz. As ações principais desta parte são: a) A apresentação das oferendas ou

ofertório. O sacerdote oferece a Deus o pão e o vinho, que são a matéria do sacrifício; com o pão e o vinho podem ser levados outros dons para serem repartidos com os necessitados. O sacerdote convida à oração, pedindo que o sacrifício da Igreja seja agradável ao Senhor: "Orai, irmãos e irmãs, para que este nosso sacrifício ...". Os fiéis respondem: "Receba o Senhor este sacrifício....". b) O Prefácio. É um canto de louvor e

de ação de graças ao se recordar as maravilhas de Deus, que se conclui


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ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Celebração Litúrgica da Eucaristia

A Santa Missa:

com o cântico dos anjos no céu: "Santo, Santo.... Hosana nas alturas". c) A Oração eucarística. Também

chamada de "Cânon", cujo centro é a consagração, na qual o sacerdote pronuncia em nome de Jesus Cristo e com a intenção de consagrar, as mesmas palavras que Ele disse na última Ceia. Neste momento, Jesus Cristo se faz realmente presente sobre o altar, renovando o sacrifício redentor de sua Paixão e Morte. É o momento de se fazer atos de fé e pedir a Jesus pelos vivos e pelos mortos. d) Rito da Comunhão. Começa com a

breve monição que introduz à oração do Pai Nosso, que é acompanhada com outras orações. O sacerdote, então, apresenta a Sagrada Forma: "Eis o Cordeiro de Deus...", e os fiéis continuam com o sacerdote: "Senhor, eu não sou digno..." , fazendo um ato de humildade e de fé. A melhor maneira de participar na Missa é através da participação na Comunhão, estando na graça de Deus e devidamente preparados; se não se vai comungar, é aconselhável fazer-se, então, uma comunhão espiritual. •

RITO DE CONCLUSÃO. Com a saudação e a benção final termina a Missa. Tendo-se comungado, convém fazer a ação de graças por uns minutos.

3. Participação dos fiéis na Missa Durante a Missa, os fiéis participam dialogando com o sacerdote várias orações, além de cantar, ajoelharem-se etc.. Convém aprender as orações e respostas, para participar dignamente na Santa Missa. 4. O primeiro mandamento da Igreja: Ouvir Missa inteira aos domingos e festas de guarda. Para ensinar-nos a importância da Missa e ajudar-nos a cumprir o terceiro mandamento da lei de Deus, a Igreja obriga -sob pecado mortal a participar da Missa aos domingos e festas de guarda. Esta obrigação começa uma vez cumpridos os sete anos, para aquelas pessoas que gozam habitualmente do uso da razão e não tem um impedimento grave. A Igreja deseja que participemos da Missa não porque está

mandado, mas por iniciativa própria e com generosidade. Inclusive aconselha aqueles que podem, a participar diariamente da Santa Missa. A razão é clara: a Missa é o centro e a raiz da vida da Igreja e de cada um dos cristãos, e é o ato de culto por excelência oferecido a nosso Pai do céu. Se tivermos consciência do que é e do que representa em nossa vida e na vida da Igreja, faríamos todo o possível para assistir a Missa a cada dia. 5. Propósitos de vida cristã • Viver bem a Santa Missa, participando nos diálogos, cantos e cuidando da postura. • Fazer o propósito de nunca deixar a Missa Dominical e de Preceito, e dela participar em outros dias, sempre que possível.


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Jesus nos Perdoa

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Na Confissão, por Meio do Sacerdote, INTRODUÇÃO: Uma das páginas mais comovedoras do Evangelho é a parábola do filho pródigo, que retrata a conduta de um filho ingrato para com seu pai. Eram dois irmãos e o menor decide abandonar a casa; depois de pedir sua parte na herança, foi-se embora para um país longínquo onde gastou tudo, levando uma vida má. Então, teve que por-se a cuidar de porcos para poder viver, até que um dia sentiu vergonha de sua situação e decidiu voltar para casa, e pedir perdão a seu pai: "Pai, pequei contra o céu e contra ti" (Lucas 15,18). O pai, que o esperava, quando viu que se aproximava, saiu a seu encontro, abraçou-o e o beijou. E foi tão grande sua alegria que ordenou aos criados que preparassem um banquete e uma grande festa para celebrar a volta do filho mais novo. Esta parábola pode nos ajudar a entender o sacramento da Penitência, que é o sacramento da misericórdia de Deus. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Os sacramentos de cura Estudamos os sacramentos da iniciação cristã: o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia, que outorgam a vida nova em Cristo. Mas, apesar de tantas graças, o ser humano é débil, pode pecar e carrega consigo as misérias do pecado. Cristo quis que na Igreja existisse um remédio para estas necessidades, e nós podemos encontra-lo nos sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos, chamados sacramentos de cura, porque curam a debilidade e perdoam os pecados.

os retiverdes, lhes serão retidos" (João 20,22-23). Instituiu este sacramento como um juízo, mas juízo de misericórdia, para que os Apóstolos e seus legítimos sucessores pudessem perdoar os pecados. "Olha que entranha de misericórdia tem a justiça de Deus! Porque nos juízos humanos, se castiga aquele que confessa sua culpa: e no divino, se perdoa. Este sacramento é denominado também sacramento da conversão, da reconciliação, ou confissão. 4. É o mesmo Jesus Cristo, por meio do sacerdote, quem absolve Só os sacerdotes - com potestade de ordem e a faculdade de exerce-la - que podem perdoar os pecados, pois Jesus Cristo deu o poder só a eles. Não se obtém o perdão, portanto, dizendo os pecados a um amigo, ou diretamente a Deus. Além disso, no momento da absolvição é Cristo mesmo quem absolve e perdoa os pecados por meio do sacerdote, já que o pecado é ofensa a Deus e só Deus pode perdoa-lo. O sacerdote deve guardar - sob obrigação gravíssima - o sigilo sacramental. 5. Efeitos deste sacramento Os efeitos deste sacramento são realmente maravilhosos: • a reconciliação com Deus, perdoando o pecado para recuperar a graça santificante; • a reconciliação com a Igreja; •

a remissão da pena eterna contraída pelos pecados mortais e das penas temporais -ao menos em parte - segundo as disposições;

a paz e a serenidade de consciência, com um profundo consolo do espírito;

os auxílios espirituais para o combate cristão, evitando as recaídas no pecado.

2. Para salvar-se, é preciso que nos arrependamos dos pecados Não existe possibilidade de salvação sem o arrependimento dos pecados, que é absolutamente necessário para aquele que ofendeu a Deus. É o que nos diz Nosso Senhor Jesus Cristo: "Se não fizerdes penitência, todos, igualmente, perecereis" (Lucas 13,3). Antes da vinda de Jesus Cristo, a humanidade não tinha nenhuma segurança de poder ter obtido o perdão de seus pecados. A segurança foi-nos trazida por Jesus, que pode dizer: "Teus pecados te são perdoados" (Mateus 9,2). 3. A instituição do sacramento da Penitência, para o perdão dos pecados Na tarde do domingo da Ressurreição, Jesus Cristo instituiu o sacramento da Penitência, ao dizer a seus discípulos: "Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem lhes perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; aqueles a quem

6. Necessidade da Penitência O sacramento da Penitência é completamente necessário para aqueles que, depois do batismo, cometeram pecado mortal. A Igreja ensina que existe a obrigação de confessar os pecados mortais ao menos uma vez por ano, em perigo de morte e quando se for comungar. Mas uma coisa é a obrigação e outra muito diferente é aquilo que convém fazer quando se quer que aumente nosso amor a Deus. Não existe a obrigação, por exemplo, de se beijar nossa mãe, nem a de cumprimentar nossos amigos, nem de comer todos os dias..., mas qualquer pessoa normal faz


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ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Jesus nos Perdoa

Na Confissão, por Meio do Sacerdote, estas coisas. Se quisermos progredir no amor a Deus, devemos nos confessar freqüentemente, e nos confessar bem. 7. Conveniência da confissão freqüente A Igreja recomenda vivamente a prática da confissão freqüente, não só dos pecados mortais - que devem ser confessados imediatamente mas também dos pecados veniais. Desta maneira, aumenta-se o conhecimento de si mesmo; cresce-se na humildade; desenraizamse os maus costumes; faz-se frente à tibieza e à preguiça espiritual; purifica-se e se forma a própria consciência; ajuda-se a crescer na vida interior, e aumenta a graça em virtude do sacramento. Para crescer no amor a Deus é muito conveniente ter em muita estima a confissão: confessar-se com freqüência e bem. 8. Propósitos de vida cristã • Devemos mostrar um grande amor e estima ao sacramento da Penitência. • Fazer o propósito de recebe-lo com freqüência e bem preparados.


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com Deus

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Nossa Reconciliação INTRODUÇÃO:

reconcilia o ser humano com Deus antes de, de fato, se receba o sacramento da Penitência. No Na vida de São Círilo de Jerusalém conta-se o seguinte episódio: "Em uma semana santa havia entanto, esta dor não torna supérflua a confissão oral dos pecados, mas pressupõe seu desejo e a muita gente esperando para confessar-se e, ela se ordena por natureza. Seria contraditório entre elas, o santo bispo viu o demônio. Perguntou-lhe o bispo o que fazia lá, e o demônio uma dor perfeita dos pecados unida à recusa do preceito divino de confessar-se com o sacerdote. respondeu-lhe que estava fazendo um ato de A efetiva confissão dos pecados é necessária penitência. - Você, penitência?, replicou-lhe o bispo. Vou explicar, respondeu o demônio: Não é porque ninguém pode estar absolutamente seguro de que sua contrição seja perfeita. Por um ato de penitência satisfazer e restituir aquilo isso, para aproximar-se da comunhão, quando se que se tirou de alguém? Pois eu tirei destas pessoas todas a vergonha para que pecassem, e tem consciência de pecado mortal, salvo casos muito raros e especiais, é necessário confessaragora venho restitui-la para que não se se antes. Não fazer assim, e aproximar-se só confessem". Medo, vergonha, falta de com um suposto ato de contrição, seria um sinceridade... são perigos a evitar na confissão. desprezo a Cristo, já que se correria o risco de Se somos conscientes de que é o mesmo Jesus estar sem as disposições necessárias, já que Cristo quem perdoa os pecados por meio do ninguém pode estar seguro da suficiência de sua sacerdote, superaremos melhor essas atitudes que afetam muitos cristãos na hora de confessar- dor pelos pecados. A dor de atrição ou dor imperfeita por si não perdoa o pecado, mas é se. suficiente para se receber o perdão no IDEIAS PRINCIPAIS: sacramento da Penitência. 1. As condições para uma boa confissão 4. Propósito de emenda Para fazer uma boa confissão são necessárias cinco coisas: exame de consciência, dor dos pecados, propósito de emenda, dizer os pecados ao confessor e cumprir a penitência. É necessário confessar-se procurando viver bem estas disposições, sem cair na rotina, já que cada confissão é um encontro pessoal com Jesus Cristo. 2. Exame de consciência É preciso recordar - para acusar-se depois - os pecados mortais cometidos desde a última confissão bem feita. Neste exame é necessário considerar detidamente os mandamentos da lei de Deus, os da Igreja e as obrigações do próprio estado. Se descobrirmos pecados mortais cometidos desde a última confissão válida, é preciso saber a classe do pecado, as circunstâncias que mudam sua espécie e - dentro do possível - o número de vezes ou ao menos uma media aproximativa. Convém também ver os pecados veniais. Normalmente, o exame deve ser breve, que não quer dizer "superficial". Quando se confessa com freqüência, será mais fácil faze-lo, como é mais fácil confessar-se bem quando nos examinamos habitualmente. 3. Dor dos pecados A dor pode ser de atrição (por receio ou pela fealdade do pecado) ou de contrição (por ter- se ofendido a Deus, sendo quem Ele é). A dor de contrição, ou dor perfeita, fruto de uma ardente caridade para com Deus ofendido pelo pecado, quando existe a impossibilidade de confessar-se,

Consiste na determinação de não voltar a pecar, como Jesus indicou à mulher pecadora: "Vai em paz, e não peques mais" (João 8,11). Mesmo que não seja possível ter certeza de que não mais se ofenderá a Deus, é necessário que se esteja disposto a colocar os meios para não tornar a faze-lo. Isto leva-nos a fugir das ocasiões próximas e voluntárias de pecado: más amizades, leituras, conversas, espetáculos, etc...; a colocar os meios sobrenaturais e humanos para fortalecer a vontade e não tornar a pecar. 5. Confissão ou acusação dos pecados Para fazer uma boa confissão, é necessário dizer todos os pecados ao confessor; a confissão acontece como em um julgamento, e nenhum juiz pode julgar nem impor a penitência adequada se não conhece a causa do réu. É necessário confessar todos os pecados mortais segundo seu número e circunstâncias importantes; por exemplo, aquelas que mudam a espécie do pecado, que fazem que em um só ato se cometam dois ou mais pecados especificamente distintos, como seria o roubo com ou sem violência. Se cometeria um sacrilégio e a confissão seria inválida se conscientemente se calasse um pecado mortal; no caso de que se esqueça algum pecado, e o penitente disso se der conta depois, fica-lhe o pecado perdoado, mas existe a obrigação de dize-lo na próxima confissão; enquanto isso, pode-se comungar. Ainda que não seja necessário, é muito conveniente confessar os pecados veniais.


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com Deus

Nossa Reconciliação 6. Cumprir a penitência

8. A celebração do sacramento da Penitência

A penitência imposta pelo confessor é para satisfazer a dívida que se tem com Deus, por causa do pecado. É muito bom que, além de cumpri-la imediatamente, o penitente procure livremente fazer outras obras que ajudem a sentir e a reparar o pecado. Se, tendo intenção de cumprir a penitência, depois não a cumpre, a confissão é válida, ainda que esta falta de cumprimento possa ser grave ou leve segundos os casos.

Ainda que em casos realmente excepcionais existam outras formas, a confissão individual e íntegra dos pecados graves, seguida da absolvição, é o único caminho ordinário para a reconciliação com Deus e com a Igreja.

7. Normas práticas sobre o modo de confessar-se a) Antes da Confissão. É bom rezar alguma oração preparatória, como por exemplo: "Meu Senhor e meu Deus, dai-me a luz para conhecer os meus pecados, e a graça para deles me arrepender. Amém". Depois, se faz o exame de consciência, procurando provocar a dor de todos e de cada um dos pecados e se faz o firme propósito de emendar-se e de lutar para não voltar a cair nestas faltas. Enquanto se aguarda, é preciso procurar permanecer com recolhimento interior, falando com o Senhor, ou rezando algumas orações vocais. b) Durante a Confissão. No momento oportuno, o penitente se dirige ao confessionário, ajoelha-se, e diz ao sacerdote: "Padre, dai-me a vossa benção porque pequei". O sacerdote nos acolhe, dizendo "Que o Senhor esteja em teu coração e em teus lábios, para que arrependido, confesses os teus pecados". Depois, o penitente recita um texto da Sagrada Escritura, no qual se manifesta a misericórdia do Senhor. Pode ser "Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que eu te amo". Em seguida, diz o tempo desde a última confissão, e acusa-se dos pecados com brevidade, claridade e sinceridade. Ao terminar, pode dizer: "Destes pecados e de todos os pecados dos quais não me recordo, peço o perdão e a absolvição". Logo depois, escuta-se com atenção as recomendações do sacerdote e a penitência que impõe. Faz-se um ato de contrição, dizendo: "Senhor Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, que sou pecador". Enquanto o sacerdote nos absolve, recolhemo-nos com piedade e agradecimento, respondendo quando acabar "Amém". c) Depois da Confissão. O melhor é cumprir a penitência indicada o quanto antes, sem deixa-la para depois. Ao mesmo tempo se agradece a Deus por sua misericórdia, renovando os propósitos de emenda e pedindo ao Senhor e à Virgem a ajuda para coloca-los em prática.

9. As indulgências Além da confissão, Jesus deu à sua Igreja o poder para perdoar a pena temporal devida pelos pecados, e o faz por meio das indulgências. Assim, pois, com as indulgências se perdoa a pena temporal que pode restar dos pecados já perdoados. Para ganha-las é necessário que se esteja em estado de graça santificante, e fazer aquilo que a Igreja pede. Podem-se ganhar indulgências de muitas maneiras: ao oferecer o trabalho ou estudo, ao se rezar o Angelus, o Rosário, a Via Sacra, a comunhão espiritual, uma oração pelo Papa, ao usar uma medalha ou um crucifixo abençoados, etc... 10. Propósitos de vida cristã • Aprender a se confessar bem, conforme as indicações dadas no tema. • Preparar-se sempre bem para a Confissão.


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dos Enfermos

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A Unção

INTRODUÇÃO:

de vós está enfermo? Chame os presbíteros da Igreja e orem sobre ele, ungindo-o com o óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará. E se tiver algum pecado, lhe será perdoado" (Tiago 5, 14-15).

Com o sacramento da Unção dos enfermos a Igreja acode em ajuda a seus filhos que começam a estar em perigo de vida, por enfermidade grave ou velhice. Nestes momentos difíceis e importantes da vida - quando ventila-se 4. Efeitos deste sacramento o destino eterno do ser humano - , Deus não nos A graça especial do sacramento da Unção dos deixa sozinhos, mas faz-se presente para nos enfermos produz, como efeitos: socorrer com sua graça e sua misericórdia. O • a união do enfermo à Paixão de Cristo, sacramento da Unção dos enfermos proporciona para o bem próprio e de toda a Igreja; ao cristão a graça para vencer as dificuldades inerentes ao estado de enfermidade grave ou • o consolo, a paz e o ânimo para suportar velhice. Uma coisa que deve preocupar a cristãmente os sofrimentos da qualquer cristão será a de receber este enfermidade ou da velhice; sacramento - ele ou o familiar ou o amigo - no • o perdão dos pecados, se não pode momento oportuno, valorizando a ajuda que pode confessar-se e contando com que esteja prestar a quem o necessita. arrependido de suas culpas ao menos IDEIAS PRINCIPAIS: com a dor de atrição; 1. O cristão frente à enfermidade e à morte • o restabelecimento da saúde corporal, se isto for conveniente à saúde espiritual. A morte chega inevitavelmente a cada ser Por isso não se deve espera para humano, porque, - queiramos ou não - é o administrar o sacramento que o enfermo desenlace natural da existência. Normalmente, esteja já em agonia; o lógico é que esteja chega com a enfermidade grave ou por causa da plenamente lúcido. Sem dúvida, se já velhice. Para enfrentar com dignidade e proveito perdeu o conhecimento, tem direito a que este momento da vida, Deus socorre o cristão se administre o sacramento e assim deve com a Unção dos enfermos, remédio e ajuda ser feito, ainda que sob condição, na poderosa para saber levar com Cristo a dúvida de que ainda esteja vivo. enfermidade e sair ao passo da morte fortalecidos com a graça especial do sacramento. • A preparação para a passagem à vida Mesmo que encontre ainda em alguns fiéis uma eterna. A propósito da Unção, é oportuno certa resistência, já que não querem encarar a recordar que a Igreja ajuda os enfermos realidade da morte, a prudência cristã ensina-nos também com o Viático. Os bons cristãos que devemos estimar e desejar este sacramento devem preocupar-se de que os doentes como um presente da misericórdia de Deus. Não recebam com freqüência a Sagrada estaria mal pedir cada dia a graça de receber Comunhão e, se a enfermidade é grave, devidamente o sacramento da Unção dos a modo de Viático, que significa enfermos. "preparação para a viagem": a viagem para a vida eterna. 2. O que é a Unção dos enfermos Jesus Cristo deixou-nos um remédio salutar para 5. Modo de se administrar este sacramento toda e qualquer necessidade da vida A administração deste sacramento tem diversas sobrenatural, e nos últimos momentos da cerimônias. O essencial da celebração - assim existência o demônio monta uma grande batalha, como para os demais sacramentos - é a necessitando a alma de auxílios especiais. Estes aplicação da matéria (santos óleos) e a forma auxílios foram vinculados por Jesus Cristo à (palavras que o ministro pronuncia, enquanto Unção dos enfermos, sacramento instituído para unge o enfermo. O sacerdote unge com o óleo o alívio espiritual e também corporal do cristão abençoado (azeite de oliveira consagrado pelo gravemente enfermo. Por este sacramento o bispo na quinta-feira santa, daí o nome "santos cristão se une a Jesus Cristo para ter os mesmos óleos") na fronte e nas mãos do enfermo, sentimentos dele frente à dor e à morte. enquanto diz: "Por esta santa Unção e por sua misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com 3. Jesus Cristo instituiu este sacramento a graça do Espírito Santo, para que liberto dos O sacramento da Unção dos enfermos foi teus pecados, Ele te salve, e na Sua bondade, instituído por Cristo, ainda que quem o alivie os teus sofrimentos". Responde-se: promulgou tenha sido o Apóstolo São Tiago, que mostra a Tradição da Igreja quando diz: "Alguém


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dos Enfermos

A Unção

"Amém". Em caso de necessidade, o presbítero pode abençoar o óleo que será usado na Unção. 6. É preciso preparar-se para a morte Deus vem em nossa ajuda a cada momento, como Pai que nos ama e nos quer felizes na terra, e depois eternamente no céu. Ter estudado este sacramento deve fazer-nos pensar na realidade da morte, que recorda a necessidade de viver sempre na graça de Deus, crescer na vida cristã, aceitar os sofrimentos que tenhamos nesta vida e receber com alegria a morte, sabendo que é o passo necessário para nos encontrarmos com Deus no céu. 7. Propósitos de vida cristã • Oferecer com alegria as dores e sofrimentos da vida, especialmente a enfermidade, sem medo da morte. • Agradecer e estimar o sacramento da Unção dos enfermos, procurando avisar o sacerdote quando algum familiar ou amigo estiver gravemente enfermo.


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da Ordem

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O Sacramento INTRODUÇÃO: O Batismo, Confirmação e Eucaristia são os sacramentos da iniciação cristã, que põem os fundamentos da vocação comum dos cristãos: vocação à santidade e à evangelização do mundo. Estes sacramentos, junto com a Penitência e a Unção dos enfermos, proporcionam a cada fiel as graças necessárias para viver como cristãos e alcançar o céu. Para as necessidades sociais da Igreja e da comunidade civil, Jesus Cristo instituiu a Ordem sacerdotal e o Matrimônio, ordenados à salvação dos demais; por isso são conhecidos como sacramentos a serviço da comunidade. Comecemos pelo sacramento da Ordem. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Todos os cristãos participam, de maneira distinta, do único sacerdócio de Cristo Jesus Cristo - verdadeiro e supremo sacerdote da Nova Aliança - nos reconciliou com Deus por meio do sacrifício da cruz, sendo sacerdote e vítima. Mas, tendo de continuar o sacrifício, o Senhor quis comunicar à Igreja uma participação de seu sacerdócio, que se alcança mediante o sacramento da Ordem. Esta participação singular se conhece como sacerdócio ministerial, que capacita para atuar na pessoa de Cristo, Cabeça da Igreja: os bispos e os presbíteros. Mas é preciso dizer que a Igreja inteira, fundada por Cristo, é um povo sacerdotal, de modo que - pelo batismo - todos os fiéis participam do sacerdócio de Cristo. Esta outra participação chama-se sacerdócio comum dos fiéis. 2. O sacerdócio comum e o ministerial são essencialmente diversos O sacerdócio ministerial difere essencialmente, não só em grau, do sacerdócio comum dos fiéis, porque confere um poder sagrado para o serviço dos irmãos. Os que receberam o sacramento da Ordem são ministros de Cristo, instrumentos através dos quais Ele se serve para continuar no mundo sua obra de salvação. Tal obra é levada adiante por meio do ensino, do culto divino e do governo pastoral. 3. A instituição do sacramento da Ordem Cristo escolheu seus Apóstolos e na última Ceia instituiu o sacerdócio da Nova Aliança. Aos Apóstolos e a seus sucessores no sacerdócio ordenou que renovassem na Missa o sacrifício da cruz; e com estas palavras: "Fazei isto em minha memória" (Lucas 22,19), os instituiu sacerdotes do Novo Testamento. No dia da Ressurreição conferiu-lhes também o poder de perdoar ou reter os pecados, outorgando-lhes o poder que

Ele tinha. Como os Apóstolos sabiam que o sacerdócio deveria continuar na Igreja depois deles morrerem, depois de evangelizar uma cidade e antes de deixa-la, impunham as mãos a outros, comunicando-lhes o sacerdócio (cf 2 Timóteo 1,6; Atos 14,23). 4. Os três graus do sacramento da Ordem O sacramento da Ordem consta de três graus subordinados um ao outro. O episcopado e o presbiterado são diversas formas de participação ministerial no sacerdócio de Cristo; o diaconato, está destinado a ajudar e a servir as outras ordens. Por isso, o termo sacerdote designa os bispos e os presbíteros, mas não os diáconos. Os três graus são conferidos pelo sacramento da Ordem. Normalmente, quando se fala de sacerdotes se entende que se fala dos presbíteros, e nos números que se seguem nos referiremos a eles, ainda que algumas coisas possam ser aplicadas também aos bispos e diáconos. 5. O sacerdote é um homem consagrado a Deus para sempre Em virtude do sacramento da Ordem o sacerdote é ministro de Cristo, mediador entre Deus e os homens para dar culto a Deus - adoração, ação de graças, satisfação e impetração - para comunicar a graça aos seres humanos. Os poderes que lhe são outorgados, que nem mesmo os anjos possuem, não são passageiros, mas permanentes. As pessoas que recebem este sacramento recebem um caráter indelével e são sacerdotes para sempre. O caráter distingue o ordenado dos demais fiéis: participa do sacerdócio de Cristo de um modo essencialmente distinto. Junto com o caráter recebe outras graças na consagração sacerdotal para assemelhar-se com Cristo, de maneira que de todo o sacerdote pode-se dizer que é outro Cristo. Este sacramento só pode ser recebido por homens batizados que reúnam as devidas condições. 6. Ministério dos sacerdotes Vimos que o sacerdócio dá a potestade para exercer o sagrado ministério, que visa o culto a Deus e a saúde das almas. As manifestações principais do ministério dos sacerdotes são: a) Pregar a Palavra de Deus. O sacerdote exerce este ministério quando prega a homilia dentro da Missa, ao dar catequese e em múltiplas ocasiões: meditações, retiros, aulas de formação, etc..


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da Ordem

O Sacramento b) Administrar os sacramentos e especialmente celebrar a Santa Missa. Desde que o cristão nasce até que morra, está junto dele o sacerdote ajudando-o com os sacramentos. Mas o ministério principal dos sacerdotes é a celebração do santo sacrifício da Missa. c) Guiar o povo cristão para a santidade. Os sacerdotes tem a missão e o dever de apascentar como bons pastores a grei que lhes foi confiada pelo bispo: com a oração e a mortificação, ajudando-lhes em suas necessidades, acompanhando-lhes nos momentos difíceis e com a insubstituível tarefa da direção espiritual, para que possam ser tirados os obstáculos que lhes impeçam de receber a graça de Deus. d) Dirigir ao Senhor a oração oficial da Igreja com a oração da Liturgia das Horas. Se todos os seres humanos devem rezar para honrar a Deus e pedir-lhe por tantas necessidades, com maior motivo deve faze-lo o sacerdote. Palpa como nenhuma outra pessoa as misérias e as necessidades verdadeiras dos demais. Por isso, a Igreja ordenou que os sacerdotes rezem diariamente o Ofício Divino. É um clamor que sobe continuamente da terra ao céu, de tal modo que se pode dizer que durante as vinte e quatro horas do dia a Igreja está rezando oficialmente, por meio de seus ministros. 7. A missão espiritual do sacerdote De tudo o que até agora temos visto se deduz que a missão do sacerdote no mundo é fundamentalmente espiritual: conduzir a humanidade a Deus, educando na fé e dando a graça de Cristo contida nos sacramentos. O sacerdote é servidor de toda a comunidade cristã e elemento de unidade. É lógico que seja distinguido, inclusive no seu porte externo, como ordena a Igreja, e que tenha o dia completamente cheio com sua atividade sacerdotal, sem tempo para dedicar-se a outras coisas, e muito menos interferindo nas tarefas que são próprias dos fiéis leigos. 8. Deveres dos fiéis para com os sacerdotes Sendo tão grande a dignidade do sacerdote e tão essencial sua função na Igreja, é lógico que os pais deixem seus filhos em plena liberdade para seguir a vocação sacerdotal se Deus os chamasse. Os fiéis devem rezar para que Deus se digne conceder à sua Igreja bons pastores e ministros zelosos. Devem professar um grande respeito, veneração e amor aos sacerdotes, considerando-os como o que de fato são: ministros de Cristo, pais e pastores das almas.

Por isso devem ajuda-los também com generosidade em suas necessidades materiais. 9. Propósitos de vida cristã • Pedir que se possa ter muitos sacerdotes santos, e receber com alegria a vocação ao sacerdócio, se Deus chamar. • Tratar com carinho e respeito a todos os sacerdotes.


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do Matrimônio

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O Sacramento INTRODUÇÃO:

3. As propriedades do matrimônio

"Falava uns dias atrás com um amigo, um pouco mais velho do que eu. Na conversa, apareceram coisas de quando éramos pequenos.... Um pouco emocionado me disse: Ainda recordo quando, sendo criança, minha mãe dava-me um beijo antes de dormir, depois de ajudar-me a rezar as orações da noite. Eu vivia contente e feliz por sentir-me amado por minha mãe. Meu pai também tinha detalhes que me agradavam muito. No inverno, junto ao fogo, sentava-me em seu colo. Então, contava-me muitas coisas de suas viagens, de quando era jovem e o quanto teve que trabalhar para levar adiante sua vida. Recordo aqueles momentos com muitas saudades... E como estão seus pais, agora?, lhe perguntei. - Estão muito velhos, me disse; minha mãe está bem doente, já não se levanta mais da cama. Os dois vivem comigo. Meu pai, quando estou no trabalho, cuida dela com todo o amor e carinho". O amor destes pais para com seu filho, e os detalhes de amor que tinham entre si estes esposos, nos fazem pensar na grandeza do sacramento do Matrimônio.

O matrimônio, tanto na condição de instituição natural como na de sacramento cristão, está Revestido de duas propriedades essenciais: a unidade e a indissolubilidade. Unidade quer dizer que o matrimônio é a união de um só homem com uma única mulher: "Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne" (Gênesis 2,24). Indissolubilidade quer dizer que o vínculo conjugal não pode desatar-se nunca: "O que Deus uniu o homem não o separe", diz o Evangelho (Mateus 19,6; 5,32; Lucas 16,18). O divórcio, pois, está proibido. Deus assim o quis por várias razões: pelo bem dos filhos; pelo bem, a felicidade e a segurança dos esposos; pelo bem de toda a sociedade humana, pois a humanidade se compõe de famílias, e quanto mais sólidas e estáveis sejam, maior será a ordem e o bem estar da sociedade e dos indivíduos.

IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Instituição do matrimônio no paraíso terrestre O livro do Gênesis ensina que Deus criou o ser humano, homem e mulher, com o encargo de procriar e multiplicar-se: "Homem e mulher os criou, e Deus os abençoou dizendo-lhes: Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra" (Gênesis 1,27-28). Assim, Deus instituiu o matrimônio, e o instituiu - tendo como fim principal - para que tivessem filhos e educassem-nos; e como fim secundário, para que os esposos se ajudem entre si: porque "não é bom que o homem esteja só, vou fazer-lhe uma ajuda semelhante a ele" (Gênesis 2,18). Como conseqüência, o matrimônio é algo sagrado por sua mesma natureza, e os esposos são colaboradores de Deus participando do poder divino de dar a vida, ao preparar o corpo dos novos seres nos quais Deus infunde a alma criada a sua imagem e semelhança, destinados a dar-lhe glória e a gozar com Ele no céu.

4. Efeitos do sacramento do matrimônio O sacramento do matrimônio aumenta a graça santificante naqueles que o recebem. Também comunica os auxílios especiais que os esposos necessitam para santificar-se dentro do matrimônio, para educar a seus filhos e cumprir os deveres que contraem ao casar-se. Estes deveres são, para com eles mesmos: amar-se e respeitar-se, guardar a fidelidade e ajudar-se mutuamente; em relação aos filhos: alimenta-los, vesti-los, educa-los religiosa, moral e intelectualmente e assegurar seu futuro. Os ministros do sacramento são os mesmos contraentes; contudo, deve ser celebrado ante testemunhas, perante o pároco ou um seu delegado. Senão, o casamento é inválido. 5. O matrimônio, caminho de santidade

2. O matrimônio, sacramento cristão

O sacramento do matrimônio concede aos esposos as graças necessárias para que se santifiquem e santifiquem os outros. É dever de toda a família - também dos filhos - facilitar este clima humano e cristão, através do qual se consegue que os lares sejam luminosos e alegres, sacrificando-se para se obter as virtudes humanas e sobrenaturais de uma família que começou santificada com um sacramento.

Jesus Cristo elevou à dignidade de sacramento o matrimonio instituído no início da humanidade. O matrimônio entre cristãos é a imagem da união de Jesus Cristo com sua Igreja. Portanto, entre cristãos, só existe um verdadeiro matrimônio: o que Jesus Cristo santificou e elevou à dignidade de sacramento.

6. Propósitos de vida cristã • Esforçar-se por tornar agradável a vida das pessoas da própria família. • Estimar muito este sacramento e ajudar a que os demais o entendam e também agradeçam a Deus.


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do Cristão

A Vocação INTRODUÇÃO: Quando trata dos mandamentos, o Catecismo da Igreja Católica aborda o estudo da doutrina cristã com este belo título: “A vida em Cristo”. Na explicação do Símbolo da fé (primeira parte) se dá a razão dos dons de Deus ao ser humano pela criação, e mais ainda, pela redenção, presente de Deus ao ser humano. O desenvolvimento do ensinamento a respeito dos sacramentos (segunda parte) mostra como na celebração do mistério de Cristo a graça nos é dada, que nos faz participantes da natureza divina e filhos de Deus com o batismo; com o batismo começa uma nova vida, a vida em Cristo. Mas esta vida em Cristo requer o cumprimento dos mandamentos (terceira parte), que é a coerência com a fé e com a vocação, à qual convida São Leão Magno: “Reconhece, cristão, a tua dignidade, e uma vez que foste feito participante da natureza divina, não queiras voltar à tua antiga miséria com uma conduta degenerada. Não esqueças de que Cabeça e de que Corpo tu és membro. Recorda-te de que, arrancado do poder das trevas, fostes transladado ao esplendoroso Reino de Deus” (Sermão 21).

esta lei que ressoa na consciência, porque é uma lei universal e imutável. O cristão conhece o caminho para alcançar a eterna bem aventurança: cumprir os mandamentos. 4. A liberdade do ser humano Mas o ser humano é livre; e sendo nossa liberdade frágil, pode obedecer – e também desobedecer – a voz de Deus que lhe deu a liberdade para que seja livre de verdade, sem coação alguma, porque quer que se decida por Deus. A liberdade é a raiz do ato humano, e por isso o ser humano é responsável das decisões que voluntariamente adota. Às vezes, a responsabilidade de uma ação pode ficar diminuída – inclusive, anulada – pela ignorância, a violência, o temor e outros fatores psíquicos e sociais. Por causa do pecado original, o ser humano conserva o desejo do bem, mas a natureza humana está sujeita ao erro e inclinado ao mal no exercício de sua liberdade. Por isso é preciso amar a liberdade e defende-la, mas também é necessário educa-la para que seja “a liberdade que Cristo nos ganhou” (Gálatas 5,1). 5. A vocação do ser humano

Com sua morte na cruz Cristo livrou a humanidade do demônio e do pecado, merecendo para todos a vida nova no Espírito 1. Cristo revela quem é o ser humano Santo; com a sua graça restaurou o que o Diz o Concílio Vaticano II que “Cristo manifesta pecado tinha destruído. E esta senda que Cristo plenamente o homem ao próprio homem e lhe traçou é a que deve seguir todo aquele que descobre a grandeza de sua vocação” (Gaudium queira ir após Ele, para unir-se com Ele, para et Spes, 22). Cristo, o Filho de Deus feito homem identificar-se com Ele. Não existe outro caminho. –homem perfeito- , enviado por Deus Pai para Nesta união com Cristo se alcança a perfeição da nos salvar e nos dar o exemplo, é como o caridade, a santidade à qual todos estão espelho no qual o homem pode saber quem é e a chamados, como ensina o Concílio Vaticano II: que vocação foi chamado por Deus. “Todos... são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade”. A vida em Cristo 2. O sentido da vida e a vocação do homem atinge sua plenitude na glória do céu. O homem foi criado por Deus, e é a única 6. A vocação do ser humano e a felicidade criatura da terra que Deus amou por si mesma. Dotada de alma espiritual –com entendimento e Além de santos, Deus nos quer felizes, mesmo vontade-, a pessoa humana está, desde a sua contando com que – enquanto peregrinamos – concepção, ordenada a Deus e destinada à precisamos carregar a cruz, que é a condição da eterna bem aventurança. O ser humano existência cristã. A felicidade na terra sempre traz consegue a sua perfeição na busca do amor, da consigo o meio amargo da precariedade. Este verdade e do bem. Em conseqüência, fomos paradoxo fica muito bem manifestado nas bem criados por Deus, e o sentido da vida está em aventuranças, nas quais Jesus ensina quais são caminhar para Deus para viver eternamente com os verdadeiros bens. Somos herdeiros do Reino Ele: esta é a vocação do ser humano. de Deus, e nossa verdadeira e plena felicidade se realizará na visão de Deus, no descanso com 3. Viver de acordo com a vocação Deus. A vida eterna é um dom gratuito de Deus, O ser humano deve viver de acordo com a tão sobrenatural como a graça que conduz a ela. vocação à qual tenha sido chamado por Deus; deve seguir a lei moral que Deus mesmo colocou 7. Cristo, princípio e meta de todo ser humano no mais íntimo de cada pessoa e que lhe intima: Cristo, que é o Senhor do cosmos e da história, é “Faz o bem e evita o mal”. Todos devem seguir para o ser humano em particular “o caminho, a IDEIAS PRINCIPAIS:


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do Cristão

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A Vocação verdade e a vida” (João 14,6). Em quanto Deus é o criador do universo, que é sustentado com sua palavra poderosa; como homem, é o Redentor do mundo, o único Redentor, pois não existe outro que possa nos salvar. Por isso nossa dignidade, nossa verdade, nossa vida, nosso caminho é Jesus Cristo, a quem o ser humano deve buscar, seguir e amar: “Se conheces a Cristo, sabes tudo; se ignoras a Cristo, não sabes nada”, dizia o escrito afixado em uma biblioteca. O ser humano de nosso tempo tem especial necessidade de buscar, de encontrar a Cristo, já que está vendo destruídas todas as suas esperanças e ninguém mais que Cristo poderá livrar a humanidade do desamparo que a aprisiona. Cristo é a esperança da humanidade, porque “Cristo é o amor que ama, é o caminho para ser andado, a luz para ser acesa, a vida para ser vivida, o amor digno de ser amado” (Madre Teresa de Calcutá). Quem encontra a Cristo experimenta o milagre de ver sua vida transformada, com um ideal que o apaixona e lhe dá vontade de viver, como a loucura confessada por São Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). 8. Propósitos de vida cristã • Meditar muitas vezes nas palavras do Papa São Leão Magno: “Reconhece, cristão, a tua dignidade”, e tirar conseqüências para a própria vida. • Aproveitar o estudo desta parte do Resumo do Catecismo da Igreja Católica” não só para conhecer, mas para realmente “viver em Cristo”. • Frente à onda de ignorância, tomar a determinação de buscar a Cristo, para conhece-Lo e ama-Lo melhor.


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do Ato Humano

A Moralidade INTRODUÇÃO: A categoria singular do ser humano - que lhe distingue e eleva acima dos outros seres da criação visível - está radicada no fato de que está dotado de inteligência e de vontade - criado à imagem e semelhança de Deus - com liberdade para tomar decisões. Mas, sendo criatura, sua liberdade deve estar harmonizada com a a de Deus e a de seus semelhantes. Isto é o que fazem os mandamentos, que são caminhos de liberdade, colocando ordem no exercício da liberdade da criatura, de modo que seja verdadeira liberdade, harmonizada e concertada com a liberdade dos demais. Conseqüentemente, se existe um mandamento legítimo, o ser humano tem a obrigação de cumpri-lo e não é moralmente livre, mesmo que seja possuidor de liberdade psicológica e física; se não existe mandamento, é muito livre de tomar a decisão que desejar. Assim, o ser humano tem que educar sua liberdade para utiliza-la corretamente; quer dizer, tem que agir como ser humano, exercitando a inteligência e a vontade, mas referidas a uma norma objetiva e transcendente que dirige e regula sua conduta. A moralidade, pois, é uma qualidade do ato humano livremente exercido; e será positiva - boa - se puder ajustarse à norma que o ordena como ser racional; será negativa - má - se atua irracionalmente contra a norma.

eufemismos hipócritas; pelo contrário, adorar a Deus é um ato humano bom em si mesmo. b) O fim ou a intenção do ato pode modificar a moralidade, porque a ação boa em si, mas realizada com má intenção perverte aquela ação e a converte em má, como sentencia o princípio que diz "o fim justifica os meios". c) As circunstâncias, por último, também influem na moralidade agravando ou diminuindo a qualidade boa ou má de um ato; e afirmando com claridade que o que é mau não pode voltar a ser bom, sejam quais forem as circunstâncias. Portanto, para que um ato seja moralmente bom é preciso que seja bom o objeto, o fim e as circunstâncias; se é má alguma destas três coisas, o ato é mau. Erraria, pois, quem julgasse da moralidade dos atos humanos considerando tão somente a intenção que os inspira, ou as circunstâncias (ambiente, pressão social, coação ou necessidade de agir, etc..). Há atos que - por si e em si, independentemente das circunstâncias e da intenção - são gravemente ilícitos por razão de seu objeto; por isso a moral afirma rotundamente que nunca está permitido fazer o mal para se obter um bem. 2. Moralidade das paixões

No ser humano existe ainda uma série de impulsos, tendências, afetos e sentimentos, que IDEIAS PRINCIPAIS: são conhecidos pelo termo "paixões", reconhecidas como forças que Deus colocou na 1. Fontes da moralidade natureza humana e que nos movem a agir. Como Na experiência mais elementar do ser humano se conseqüência do pecado original, estas forças produz um fenômeno que convém assinalar: estão desordenadas e provocam tensão no ser sabe que faz o bem ou que age mal, que suas humano, mas é indubitável sua utilidade quando ações são boas ou más. Como é capaz de saber se consegue controla-las. São como a água: isso? É sua consciência quem o diz, essa voz represada e dirigida é fonte de vida e de energia; interior que avisa: é preciso fazer o bem e evitar se rompe a represa, provoca a catástrofe. O o mal. Mas a consciência não faz mais que amor e o ódio, o desejo e o temor, a alegria, a traduzir a convicção prévia de uma lei que temos tristeza e a ira, são as paixões principais. As gravada profundamente, à qual devemos nos paixões de per si não são boas nem más, mas o submeter; de modo que, se agimos de acordo são na medida em que dependem da razão e da com ela, agimos bem; e se a contradizemos, vontade e impulsionam a agir bem ou mal. Assim, agimos mal. Com a finalidade de ter em mãos um as paixões são moralmente boas quando critério claro e simples, os autores consideram contribuem a uma ação boa, e são moralmente que a moralidade depende do objeto, o fim e as más se puxam a agir mal. As paixões podem ser circunstâncias: assumidas nas virtudes e pervertidas nos vícios. a) O objeto escolhido, que é o bem para o qual tende a vontade, podendo dizer-se que é a matéria do ato humano. É que há coisas que são boas por si mesmas e coisas que são más por si mesmas, ou seja, sempre. Por exemplo, tirar a vida a um inocente sempre será um crime, mesmo quando se queira dissimular com

3. Atuar sempre de frente a Deus Não é fácil dominar as paixões, submetendo-as à razão com uma liberdade forte e ordenada, mas é necessário faze-lo se queremos viver com a dignidade que comporta a condição humana e sobretudo a dignidade de cristãos, que se sabem filhos de Deus. Faz falta querer e lutar, e é


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do Ato Humano

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A Moralidade necessário, antes de tudo, a graça de Deus, que o Espírito Santo proporciona em abundância aos que a pedem. Assim, é possível conseguir que nosso comportamento - todos os atos - seja bom porque o objeto, o fim e as circunstâncias sejam bons, apesar das paixões, ou melhor, dominando as paixões e não deixando-nos arrastar por elas. Uma recomendação de Santo Agostinho recolhida no Concílio de Trento - pode nos animar na luta contra as paixões para aproveitalas na direção da Providência: "Deus não manda coisas impossíveis, mas, quando manda algo, te adverte que faças o que possas, que peças o que não possas, e te ajudará para que possas". Então, o Espírito Santo ajuda para que todo o nosso ser - incluídos os temores, as dores e tristezas, como aparece na agonia e paixão de Cristo - sejam para Deus. Quando se vive em Cristo, os sentimentos humanos podem alcançar sua consumação na caridade. 4. Propósitos de vida cristã • Na dúvida de que se esteja ou não agindo bem, perguntar-se se o objeto, o fim e as circunstâncias são bons. • Em certas ocasiões, é necessário ser heróis para agir bem, sem nos deixar levar pelas circunstâncias e o ambiente, que nunca justificam uma conduta imoral.


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Moral

A Consciência INTRODUÇÃO: De pouco teria servido o ter gravado Deus na natureza humana a lei moral, que dirige e salvaguarda a liberdade, se ao mesmo tempo não tivesse dado uma capacidade co-natural de conhece-la; de modo que os imperativos morais realmente orientem a conduta do ser humano para com Deus, que é o autor da lei. Mas a Providência não falha e, como ensina a Constituição pastoral Gaudium et spes do Concílio Vaticano II, “no profundo de sua consciência o homem descobre uma lei que ele não deu a si mesmo, mas à qual deve obedecer e cuja voz ressoa, quando necessário, nos ouvidos de seu coração, chamando-lhe sempre a amar e a fazer o bem e a evitar o mal: faz isto, evita aquilo. Porque o ser humano tem uma lei inscrita por Deus em seu coração, em cuja obediência está a dignidade humana e pela qual será julgado. A consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do ser humano, no qual está a sós com Deus, cuja voz ressoa no mais íntimo dela” (n. 16). IDÉIAS PRINCIPAIS: 1. O que é a consciência A consciência é a voz interior que manifesta ao homem a bondade ou a malícia de uma ação, para que faça o bem e evite o mal; é o juízo da razão pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral de um ato concreto que pensa fazer, está fazendo ou fez. A consciência ressoa e avisa, e se fez algo que a consciência reprova, remorde; se fez o bem, mostra a sua aprovação e louvor. 2. Diversos estados da consciência Para poder orientar-nos devidamente no uso da liberdade e conforme o ditame da consciência, que nos mostra a norma, é útil conhecer os diversos estados da consciência. Em relação com o assentimento por parte do sujeito há: a) Consciência certa. É aquela que, ao discernir a moralidade do ato, tem a segurança de que é tal e como a consciência lhe dita; é um assentimento firme. b) Consciência duvidosa. É a que conhece o juízo moral com o temor de que seja de outra maneira – sem assentimento firme, portanto - , ou inclusive, não existe o assentimento por ficar o juízo moral em suspenso. Em atenção ao objeto e a sua conformidade com a norma moral, há:

a) Consciência reta ou verdadeira. É quando o juízo moral se ajusta à norma objetiva, de modo que aquela ação é realmente boa ou má, como se nos dita a consciência. b) Consciência errônea. É quando o juízo moral não se ajusta à norma, mas aquilo que se dita como bom é mal, ou o que se indica como mal é bom; este juízo naturalmente, procede do erro. 3. É preciso atuar sempre com consciência certa A vocação do ser humano é cumprir a vontade de Deus, que nos é indicada pela consciência; mas nem sempre se conhece –em um momento concreto- qual é a vontade de Deus. No caso de não se estar seguro, nos expomos a agir contra o que Deus quer, e questionamos nosso destino arriscando-nos a pecar. Por isso, é necessário agir sempre com a consciência certa. Quando a consciência certa se apóia na retidão ou verdade do juízo moral, não oferece dificuldade alguma e se compreende que deve ser assim. Mas, e se a certeza se fundamenta em um erro? Se o erro é invencível, deve-se seguir a consciência certa e a ação é subjetivamente boa, ainda que não se ajuste à norma, porque é o que dita a consciência e a vontade quer o bem, sem que tenha outra saída por ser invencível. Quando o erro é vencível, há má vontade e não se pode falar de consciência certa como norma de conduta. O que se deve fazer é sair do erro vencível. 4. A formação da consciência Isto explica a necessidade – e a obrigação – que o ser humano tem de formar sua consciência para saber qual é a vontade de Deus, à qual deve ajustar-se o comportamento moral. Porque a consciência foi-nos dada para conhecer a norma e cumpri-la, para garantir a liberdade e para não fazer o mal. Os meios para formar a consciência são: a) Conhecer a doutrina cristã, daí a razão porque se ensinam os mistérios da fé, junto com as exigências morais que reclama a condição de criaturas de Deus, e, no caso dos cristãos, a condição de filhos adotivos e discípulos de Jesus Cristo. Neste sentido é muito importante estar atentos ao que dizem os Pastores da Igreja: o Papa, os Bispos e os sacerdotes. b) Não agir precipitadamente, sem pensar com serenidade acerca da determinação que se vai tomar, para que o juízo da consciência seja reto e


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Moral

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A Consciência verdadeiro, e além disso, seguro, quer dizer, certo, como pede uma boa consciência que transmite a lei de Deus. Para isso, ajuda muito fazer cada dia um breve exame de consciência, vendo como agimos durante a jornada. c) Pedir conselho. É preciso saber perguntar às pessoas que podem ajudar-nos, como são os nossos pais, o catequista, o sacerdote, o professor ou um bom amigo. d) A direção espiritual com o sacerdote é, sem dúvida um meio excelente – para não dizer o melhor – onde se concretiza de forma personalizada a formação da consciência, afim de que esteja sempre orientada para o bem. 5. Importância da formação da consciência Poucas pessoas são conscientes da importância de sua formação e com freqüência orientam os requerimentos morais a sortear perigos ou a não escandalizar, mantendo-se em um determinado anonimato. Mas a responsabilidade humana exige muito mais: a dos pais, as das autoridades, a do professor e dos formadores, a do sacerdote.... O ser humano é um ser social, dizia Aristóteles, e é responsável de sua própria conduta e da influência – positiva ou negativa – na conduta dos demais. Em sentido negativo, Jesus adverte da gravidade do escândalo; no sentido positivo, recorda que veio para que todos tenham “vida e a tenham em abundância”. 6. Regras para decidir sempre em consciência Normalmente, cuidando da formação da consciência, não será difícil conhecer e fazer o bem; e quando sobrevém alguma dificuldade, a atitude interior de buscar com empenho o discernimento da vontade de Deus facilitará a solução. São úteis as seguintes regras: • Nunca se pode fazer o mal para obter um bem. • Tratar aos demais como queremos que nos tratem a nós. • Atuar sempre respeitando o próximo e sua consciência. 7. Propósitos de vida cristã • Fazer um breve exame de consciência cada noite, antes de dormir, perguntandose: o Hoje, o que fiz por Cristo? o

Hoje, o que deixei de fazer por Cristo?

o

Amanhã, o que farei por Cristo?

(Existem outros esquemas de Exame de Consciência diários) •

Pensar sempre se estou agindo com consciência certa, e que seja reta ou verdadeira


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Virtudes Teologais

Virtudes Morais, INTRODUÇÃO:

apoio das portas grandes), o fundamento das Os filósofos anteriores ao cristianismo falavam da demais virtudes - são a prudência, a fortaleza e a virtude perfeita para qualificar a maneira nobre e temperança. acabada do ser humano; mas moviam-se em um A prudência é a virtude que dispõe a razão âmbito puramente natural. A Igreja fala além prática para discernir - em toda as circunstâncias disso de virtudes sobrenaturais, que Deus - nosso verdadeiro bem, escolhendo os meios comunica graciosamente ao ser humano e que, justos para realiza-lo. quando são vividas em plenitude, conformam a A justiça é a virtude que nos inclina a dar a Deus santidade. Na proclamação dos santos não se e ao próximo o que lhes é devido, tanto individual faz outra coisa que investigar e sancionar que como socialmente. A fortaleza é a virtude que no naquela vida existem provas de que tenha meio das dificuldades assegura a firmeza e a praticado, em grau heróico, as virtudes teologais constância para praticar o bem. da fé, da esperança e da caridade, assim como A temperança é a virtude que refreia o apetite as virtudes cardeais da prudência, justiça, temperança e fortaleza, com as virtudes anexas. dos prazeres sensíveis e impõe a moderação no uso dos bens criados. A virtude - e as obras virtuosas - é o que dá o toque de perfeição no ser e no agir da natureza Além das virtudes cardeais, o ser humano deve humana; sobretudo se o ser natural vem elevado praticar as outras virtudes morais, especialmente e enobrecido pelas virtudes sobrenaturais, já que a da religião, a humildade, a obediência, a "a graça não destrói a natureza, mas a alegria, a paciência, a penitência e a castidade. aperfeiçoa". 3. Virtudes naturais e graça sobrenatural IDEIAS PRINCIPAIS: Às vezes é difícil viver as virtudes naturais 1. O que é a virtude porque, depois do pecado original, o ser humano está desordenado e sente a inclinação ao Diz-se que a natureza é o princípio radical das pecado; mas Deus concede a graça que as operações; a natureza, pois, não é operativa em purifica e potencia elevando-as à ordem quanto tal, Mas o faz mediante as potências ou órgãos quando é natureza corpórea: vemos com sobrenatural, para que nos ajudem a obter o fim ao qual estamos chamados: a eterna bem os olhos, ouvimos com os ouvidos, conhecemos aventurança, o céu. Então, as virtudes, sem com a inteligência. Se são exercitadas, as potências e órgãos adquirem formas estáveis de deixar de ser naturais, são também atuação, ou hábitos operativos, que, se são bons, sobrenaturais. Com a ajuda de Deus, as virtudes naturais forjam o caráter e dão soltura na prática são chamados de virtudes; se maus, vícios. A do bem. O ser humano é feliz ao praticar a virtude, portanto, é uma qualidade boa, que virtude. aperfeiçoa de modo habitual as potências, inclinando o ser humano a fazer o bem. 4. As virtudes teologais 2. As virtudes morais Estando o ser humano elevado à ordem sobrenatural, as virtudes naturais por si só não As virtudes mais excelentes são as virtudes bastam, ainda que sejam necessárias; e Deus teologais (fé, esperança e caridade) que se concede ao cristão as virtudes teologais no referem diretamente a Deus; mas também são importantes as virtudes morais, que aperfeiçoam momento do batismo, junto com a graça. As virtudes teologais são a fé, a esperança e a o comportamento do individuo nos meios que caridade. conduzem a Deus. Se pensamos no modo de adquiri-las, umas são virtudes naturais ou A fé é uma virtude sobrenatural pela qual adquiridas, pois são conseguidas com as forças apoiados na autoridade de Deus - cremos nas da natureza; outras, sobrenaturais, se são verdades que Deus revelou e a Igreja nos ensina. concedidas por Deus, de modo gratuito. As A esperança é uma virtude sobrenatural pela virtudes teologais sempre são sobrenaturais ou qual confiamos em que Deus nos dará a glória infusas; mas virtudes morais podem ser adquiridas ou infundidas por Deus. O ser humano mediante sua graça e nossa correspondência a ela. pode realizar atos bons com as forças naturais, adquirindo virtudes. Por exemplo: a sinceridade, A caridade é uma virtude sobrenatural pela qual a laboriosidade, a discrição, a lealdade... As amamos a Deus sobre todas as coisas - por principais virtudes morais - chamadas também quem é - e ao próximo por amor a Deus. cardeais - porque são como o gonzo (o ponto de


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Virtudes Teologais

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Virtudes Morais, 5. Dons do Espírito Santo O edifício sobrenatural é coroado com os dons e os frutos do Espírito Santo. Os dons são perfeições sobrenaturais que Deus infunde para facilitar o exercício das virtudes, fazendo-nos dóceis aos impulsos do Espírito Santo. São sete: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Além dos dons - e como antecipação da glória do céu - são enumerados doze frutos do Espírito Santo: caridade, gozo, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade, mansidão, fé, modéstia, continência e castidade. 6. A caridade, virtude suprema A caridade é a virtude mais excelente de todas, por ser a primeira das virtudes teologais, que são as virtudes supremas. Quando se vivem de verdade, todas as virtudes estão animadas e inspiradas pela caridade. Como diz São Paulo, a caridade é o "vínculo da perfeição" (Colossenses 3,14), a forma de todas as virtudes. 7. Crescer nas virtudes O cristão que intenta viver uma vida segundo Deus, conta com a graça divina e as virtudes, quer dizer, com todos os meios para conseguir o fim a que Deus o chama. Em conseqüência, com a ajuda de Deus e o esforço próprio, há de ir crescendo na virtude. Deus nunca abandona, e basta que lutemos para fazer o bem e viver a caridade - sobretudo - que, como temos dito, consiste em amar a Deus com toda a alma e a nós e ao próximo por amor a Deus. 8. Propósitos de vida cristã • Exercitar as virtudes morais na vida de cada dia: estudo, trabalho, vida de família, amizades. • Pedir a Deus que aumente em nós as virtudes teologais. Pedir isto especialmente na Santa Missa, dizendo: "Senhor, aumenta em mim a fé, a esperança e a caridade".


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Virtude Suprema

A Caridade, INTRODUÇÃO:

3. O amor a nós mesmos

Sendo a caridade a virtude mais excelente, entende-se que na última Ceia dissesse Jesus aos Apóstolos: "Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amais uns aos outros" (João 13,34-35). O mandamento novo assinala a medida com a qual devemos aos demais: assim como Cristo nos amou. Os mandamentos da lei de Deus resumem-se em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. O amor, portanto, é a perfeição da Lei. Assim, concluímos que a caridade é a virtude mais importante do cristão, enquanto peregrinamos nesta terra, e será também a nossa ocupação no céu, onde não existirá mais a fé - já que veremos Deus face a face - , nem existirá também a esperança, porque teremos chegado à meta. Somente a caridade permanecerá. Vejamos em que consiste esta virtude, que resume e coroa toda a vida sobrenatural.

Dentro da virtude da caridade está presente também o amor a si mesmo; mas é evidente que deve ser um amor ordenado, buscando os verdadeiros bens da alma e do corpo em relação à vida eterna. Se alguma vez desejássemos algo que nos afaste de Deus, nós não estaríamos amando-nos de verdade, por nos afastarmos de nosso fim real que é o único que nos pode fazer felizes.

2. O amor a Deus sobre todas as coisas

em suas necessidades espirituais e materiais. Já não podemos excluir a ninguém, nem sequer aos inimigos: "Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos amaldiçoam e rezai pelos que vos caluniam" (Lucas 6,27-28).

4. O amor ao próximo

Um cristão não pode dizer que ama a Deus, se não ama a seu próximo. Como adverte São João, "se alguém diz que ama a Deus e odeia a seu irmão, é um mentiroso, porque quem não ama a seu irmão a quem vê, como poderia amar a Deus a quem não vê?" (1 João 4,20). As razões nas quais se funda a fraternidade cristã são claras: todos somos filhos do mesmo Pai celestial e, em conseqüência, irmãos; fomos redimidos com o sangue de Jesus Cristo e estamos destinados ao céu. Cristo mesmo se identifica com o próximo para urgir nosso amor: "Todas as vezes que IDEIAS PRINCIPAIS: fizestes isso a um destes meus irmãos mais 1. A caridade, virtude sobrenatural pequeninos, foi a mim que o fizestes" (Mateus 25,40). Por isso temos de querer aos demais por Como já vimos, a caridade é uma das três amor a Deus. A pura simpatia, a admiração ou o virtudes teologais, infundida por Deus na vontade, com a qual amamos a Deus sobre todas altruísmo, não são a caridade que Cristo nos as coisas - por quem Ele é - e a nós e ao próximo pede. por amor a Deus. Por esta virtude que o Espírito 5. O mandamento de Cristo abarca a todos Santo infunde, e porque nos capacita para amar O Senhor nos deixou em testamento o amor: a Deus tal qual é, é um dom sobrenatural. Com a "Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis mesma caridade com que amaremos uns aos outros, assim como Eu vos amei. Nisto eternamente no céu, amamos já na terra. A todos conhecerão que sois meus caridade pode debilitar-se em conseqüência dos discípulos" (João 13,34-35). Ele nos deu o pecados veniais, e perde-se quando se comete exemplo com sua vida, e nos ensinou a querer um pecado mortal. Para recupera-la, é aos demais sendo amáveis na convivência, necessário aproximar-se da confissão compreendendo, desculpando e perdoando. A sacramental, com as disposições exigidas. Se caridade para com o próximo pressupõe respeitar fazemos atos de amor a Deus e amamos com seus direitos de justiça, mas exige também obras o próximo, esta virtude crescerá em nós. praticar as obras de misericórdia, ajudando-os A primeira obrigação que o ser humano tem - a maior de todas - é amar a Deus "com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças" (Marcos 12,30); quer dizer, temos de amar a Deus sobre todas as coisas. Ele nos criou, é infinitamente digno de ser amado e nos amou antes. E quando podemos dizer que amamos a Deus sobre todas as coisas? Quando cumprimos os mandamentos, dispostos a perder tudo antes de que nos afastemos de Deus por um só pecado.

6. As obras de misericórdia Para ensinar de maneira gráfica como viver a caridade, Jesus Cristo propôs a parábola do bom samaritano (Lucas 10,30-37). Na realidade Ele é o bom samaritano, que curou nossas feridas com seu infinito amor misericordioso. Quando praticamos as obras de misericórdia - as sete


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Virtude Suprema

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A Caridade,

corporais e as sete espirituais - vamos nos identificando com o coração de Cristo, de quem aprendemos a dar de comer ao faminto, a ensinar a quem não sabe, a dar bom conselho, a corrigir, a perdoar, a consolar, a sofrer com paciência, a rogar a Deus por todos etc.. 7. Caridade ordenada A caridade exige amar primeiro a Deus e depois aos outros. Existe uma hierarquia no amor a Deus e ao próximo. Dentro do amor ao próximo, temos a obrigação de querer mais àqueles que estão mais próximos de nós: os pais, irmãos, o sacerdote, professores, amigos; vem logo depois os necessitados de ajuda espiritual e material. No amor a nós mesmos está, antes de tudo, a nossa necessidade espiritual, antes mesmo da necessidade material dos outros. 8. Propósitos de vida cristã • Aprender as Obras de Misericórdia espirituais e corporais: 1. Espirituais: o

Ensinar aquele que não sabe

o

Dar bom conselho a quem o necessitar

o

Corrigir aquele que erra

o

Perdoar as ofensas recebidas

o

Consolar os tristes

o

Sofrer com paciência os defeitos alheios

o

Rogar a Deus pelos vivos e defuntos

2. Materiais: o

Visitar e cuidar dos enfermos

o

Dar de comer a quem tem fome

o

Dar de beber a quem tem sede

o

Dar pousada ao peregrino

o

Vestir ao nu

o

Redimir o cativo

o

Enterrar os mortos

Acostumar-se a agir sinceramente por amor a Deus, porque o que assim se fizer - grande ou pequeno - adquire um mérito sobrenatural.

Comprovar o amor a Deus, observando se ajudamos aos demais com obras de verdade.


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Ofensa a Deus

O Pecado, INTRODUÇÃO:

Conta-se de São João Crisóstomo que "Arcádio, imperador de Constantinopla, instigado por sua esposa Eudóxia, quis castigar o santo. Cinco juízes propuseram diversos castigos: Mandai-o ao desterro, disse um. Tirai-lhe os bens, acrescentou outro. Metei-o na prisão, acorrentado. Tirai-lhe a vida. O último, por fim, disse ao imperador: Se o mandais ao desterro estará contente, sabendo que em todas as partes Deus estará com ele; se lhe despojais de seus bens, estareis prejudicando não a ele, mas aos pobres; se o encerrais em um calabouço, beijará as correntes; se o condenais à morte, estareis abrindo para ele as portas do céu.... Fazei-o pecar: É a única coisa da qual ele tem medo". Deveríamos perguntar-nos se, assim como São João Crisóstomo, tememos o pecado como o pior mal que pode nos atingir. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Nascemos inclinados ao pecado O ser humano nasce com o pecado original, privado da graça de Deus; a ainda que este pecado seja perdoado pelo batismo, permanece em nós a inclinação desordenada da concupiscência. A vontade se encontra debilitada, e obscurecida a inteligência; além disso, o mundo procura seduzir-nos com seus bens enganosos, e o demônio nos tenta. A estas diversas instigações que nos empurram ao mal desde dentro e desde fora do ser humano - nós as chamamos de tentações. 2. Podemos resistir às tentações Deus permite a tentação para provar-nos. Jesus Cristo quis ser tentado pelo demônio, mas Ele o repeliu: "Afasta-te, Satanás..." (Mateus 4,10). Com a graça de Deus sempre podemos vencer a tentação. Quando chega, devemos orar e resistir: orar seguindo o conselho que nos deu Jesus Cristo: "Vigiai e orai para não cairdes em tentação" (Mateus 26,41), e resistir valentemente fugindo da ocasião e de quem nos induz a pecar. 3. O consentimento gera o pecado Muitas vezes não escutamos as advertências do Senhor e consentimos no mal da tentação. Para cometer um pecado grave, é necessário: 1) que a coisa em si seja um mal (ou se acredite que seja um mal); 2) saber que, consentindo neste mal, o que se faz é uma ofensa a Deus, porque se vai contra a sua vontade;

3) consentir naquele mal - fazendo ou omitindo o que se deve fazer - mesmo sabendo que fazemos o mal e ofendemos a Deus tanto com o pensamento ou o desejo (pecado interno), como com a palavra ou obra (pecado externo). 4. O pecado mortal é uma ofensa grave a Deus Quando se comete um pecado mortal, ofende-se gravemente a Deus, porque Ele nos declarou sua vontade sobre nós - a primeira condição do pecado mortal é que exista mandamento ou preceito grave -, e o ser humano a despreza com plena liberdade. Ofende-se, pois, a Deus e gravemente, como grave é o preceito que se infringe. Mas o pecado se volta também contra o ser humano, que perde a vida da graça, deixa de ser filho de Deus e se faz réu do inferno. Por isso, é preciso sair o quanto antes desta situação de pecado mortal, confessando-se rapidamente; entretanto, é preciso procurar fazer um ato de contrição perfeito, com verdadeira dor pelo pecado cometido. 5. O pecado venial é ofensa leve a Deus Às vezes, sem deixar de amar a Deus, o cristão se deixa arrastar pelas paixões em coisas que não infringem totalmente os mandamentos, mesmo que desagradem a Deus, se faz sem suficiente conhecimento ou sem perfeita voluntariedade. Neste caso, o pecado é chamado de venial ou leve, porque não faz perder a graça e a amizade com Deus; mas debilita a vida sobrenatural e põe em perigo de chegar a cometer pecados graves. O pecado venial não faz réus do inferno, mas sim do purgatório. Por ser ofensa a Deus e pelos danos que acarreta, um mínimo de sentido de responsabilidade deve nos induzir a evitá-lo com todo o empenho. 6. Deus misericordioso perdoa o pecado Nunca esta verdade deve servir como pretexto para pecar, mas sim, como motivo de esperança e estimulo para a conversão. Deus não abandona o ser humano, nem sequer quando o tenhamos ofendido, mas, pelo contrário, "aguarda pacientemente" para nos perdoar no sacramento da Penitência, "não querendo que ninguém pereça, mas que todos venham à penitência", como ensina o Apóstolo São Pedro. 7. Propósitos de vida cristã • Lutar com esforço contra o pecado e contra as tentações que incitam a pecar. • Rezar cada noite o "Confesso a Deus....", ou o Ato de Contrição, pedindo perdão pelos pecados.


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Concede a Graça

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Deus nos

INTRODUÇÃO: Segundo lemos nos Atos dos Apóstolos, parece que a primeira cidade da Europa evangelizada por São Paulo foi Filipos. Deteve-se ali por alguns dias, e "no sábado saímos fora da porta, junto ao rio, onde pensamos que estava o lugar de oração e, sentados, falávamos com algumas mulheres que ali estavam reunidas. Certa mulher chamada Lídia, temerosa de Deus, que trabalhava a púrpura, da cidade de Tiatira, escutava sentada. O Senhor tinha aberto seu coração para atender às coisas que Paulo dizia.... Ela foi batizada com toda a sua família" (Atos 16, 13-15). Deus concedeu a Lídia a graça de crer em Cristo, a quem Paulo tinha pregado; correspondeu à graça e foi batizada com sua família. Deve ter sido a primeira pessoa que se converteu ao cristianismo na Europa. A graça é o grande dom que Deus concede para se alcançar a vida eterna. Com toda a razão, diz São Bernardo que "só necessitamos da graça". Em temas anteriores, falamos muitas vezes da graça; agora, vamos estuda-la de forma sistemática. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. A graça, dom sobrenatural interno Por causa do pecado original de nossos primeiros pais, todos nós nascemos privados da graça que Deus tinha concedido gratuitamente a eles e a todos os seus descendentes. A natureza humana além disso, ficou ferida, e com nossas forças não podemos cumprir por muito tempo nem sequer a lei natural. Mas, compadecido de nós e pelos méritos de Jesus Cristo, Deus concede e infunde na alma o dom maravilhoso da graça. Concede-a gratuitamente e sem que a mereçamos, para que possamos alcançar a vida eterna no céu. 2. Maravilhas da graça na alma A graça é participação da natureza divina. À alma que recebe a graça de Deus acontece algo semelhante ao que acontece com o ferro ou o carvão em contato com o fogo: põe-se vermelho vivo e adquire as propriedades do fogo. A alma em graça é, diante de Deus, como um rubi; o pecado foi destruído, já não existe, e a alma adquire um brilho maravilhoso como o fogo puro e limpo, assim como o carvão perde sua negritude e se converte em brasa vivíssima. A alma em graça tem uma beleza divina, com o resplendor da graça e da vida sobrenatural. 3. Graça santificante, graça atual Deus concede duas classes de graça:

a) Graça santificante é a que faz justos ou santos, filhos adotivos de Deus e herdeiros do céu; então, somos templos do Espírito Santo, e Deus habita no centro da alma. Nós a recebemos no batismo, e, se a perdemos por um pecado mortal, pode-se recupera-la no sacramento da penitência. Estando na graça de Deus, tudo o que se faz - grande ou pequeno, fácil ou custoso - tem mérito sobrenatural e ajuda a conquistar o céu, quando cumprimos as demais condições: em vida, com liberdade, com boas obras, dirigidas a Deus e aceitas por Ele; a aceitação nos consta e está implícita no estado de graça. b) Graça atual é a graça com a qual Deus ilumina o entendimento e move a vontade, como ajuda para fazer o bem - ainda que custe - e evitar o mal. A passagem citada nos Atos dos Apóstolos é um exemplo de graça atual que Deus concedeu a Lídia para converter-se à fé em Jesus Cristo. Outras graças atuais são o arrependimento depois de pecar, o propósito de ser melhor, etc.. 4. Deus concede a todos a graça necessária para salvar-se Deus concede a todos a graça necessária para salvar-se, porque "quer que todos se salvem" (1 Timóteo 2,4). Os que se condenam, condenamse porque não corresponderam às graças que Deus lhes deu. O fato de que Deus conceda mais graças a uns do que a outros depende do amor de Deus e também, de nossa correspondência à graça. Deus nos concede mais graças se as pedimos, se recebemos os sacramentos e se nos deixamos levar por suas graças. Acontece como em uma família, na qual os pais querem muito a seus filhos - dariam a vida por eles - ,mas tratamnos de maneira diferente, segundo seja conveniente à boa educação de cada um e segundo se portam perante os apelos e conselhos que lhes dão. Por isso é tão importante a correspondência à graça de Deus, a cada graça de Deus. 5. Meios para crescer na graça O cristão não pode aspirar unicamente a conservar a graça, mas deve esforçar-se por aumenta-la. O crescimento é um sinal de vitalidade, e também a graça - que é vida sobrenatural - pede o crescimento. É preciso, pois, colocar todos os meios para desenvolve-la: a oração, os sacramentos e as boas obras feitas por amor. Particularmente, ao receber os sacramentos podemos crescer na graça, porque neles começa, se desenvolve ou se recupera quando foi perdida, a graça de Cristo. Em conseqüência, a vida do cristão deve ser, por seu


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Concede a Graça

Deus nos

próprio peso, a vida de confissão e de comunhão freqüente. 6. Um firme propósito: viver sempre na graça de Deus e aumenta-la O mais precioso que temos na terra é a graça de Deus. O mais importante para nós será viver como filhos de Deus; e o pior e mais terrível que poderá acontecer será o pecado, ou seja, o separar-se de Deus, morrer sem a sua graça, perder-se eternamente no inferno. Como dizia um grande escritor: "Ao final da jornada, aquele que se salva sabe, e o que não se salva, não sabe nada". Por isso temos de fazer o propósito de viver sempre na graça de Deus, e aumenta-la sempre mais. Se temos a desgraça de perde-la por um pecado mortal, é preciso confessar-se o mais rápido possível, para estar de novo em estado de graça, sem deixar de fazer, antes, um ato de contrição, com o propósito de confessarse. 7. Propósitos de vida cristã • Fazer o firme propósito de viver sempre na graça de Deus e procurar crescer sempre na correspondência à graça. • Confessar-se rapidamente, em caso de pecado mortal; e enquanto isso, fazer muitos atos de contrição.


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Um Presente de Deus para Nós

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Os Dez Mandamentos:

INTRODUÇÃO: O Evangelho nos conta que aproximou-se de Jesus um jovem e lhe perguntou: "Mestre, o que devo fazer para ganhar a vida eterna?". O Senhor lhe respondeu: "Se queres entrar na vida, observa os mandamentos" (Mateus 19,17). Desta forma tão clara, o Senhor lhe indicou - e a todos nós - qual o caminho para ir para o céu. Efetivamente, o cumprimento dos mandamentos é o caminho para salvar-se. Quem os cumpre, se salva; quem não os cumpre, se condena. Deus revelou a Moisés os dez mandamentos, no Monte Sinai, deixando-os gravados em duas tábuas de pedra para que seu povo nunca os esquecesse. Jesus Cristo aperfeiçoou a lei e encomendou a sua Igreja que a guardasse e ensinasse a todos os seres humanos. Seguir a Jesus Cristo implica no cumprimento dos mandamentos. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. O fim último do ser humano O ser humano foi criado por Deus com um fim último. É o de dar glória a Deus, amando-o e obedecendo-o na terra, para ser feliz depois com Ele no céu. Fomos criados para dar glória a Deus, e é para isso que existimos. Como daremos glória a Deus? Cumprindo em todo o momento sua vontade. A vontade divina encaminha o ser humano a seu fim e, como somos seres livres, devemos assumi-la com a vontade de amar e obedecer a nosso Criador e Senhor. A vontade de Deus se expressa fundamentalmente nos mandamentos da lei de Deus. 2. A lei eterna como ordenamento da criação a seu fim Contemplando as coisas criadas observamos que seguem umas leis naturais: a terra da voltas ao redor do sol, as plantas dão flores na primavera, o ser humano sente remorsos quando faz algo de errado, etc... Esta ordem não acontece por casualidade, mas foi pensada pela Sabedoria de Deus. Deus ordenou todas as coisas de modo que cada uma cumpra sua finalidade: os minerais, as plantas, os animais, o ser humano. Como essa ordem está pensada e projetada por Deus desde toda a eternidade, nós a chamamos lei eterna. 3. A lei natural como norma para o ser humano Os minerais, as plantas e os animais obedecem sempre a lei de Deus - a lei eterna - , que neles está determinada por leis físicas e biológicas. O ser humano, como ser livre, se orienta a seu fim

livremente, após conhecer com a inteligência a lei que Deus lhe deu e que descobre dentro de si mesmo. A esta lei gravada por Deus em nosso coração nós a chamamos lei natural; e como está escrita na natureza humana, obriga a todos os seres humanos de todos os tempos. Por ser uma participação da lei eterna, o ser humano não pode muda-la, sendo, portanto, universal e imutável. 4. Às vezes, é difícil conhecer a lei natural Os seres humanos tem a lei natural gravada no coração, de forma que - com certa facilidade podem conhecer os princípios fundamentais; por isso, dos pagãos que não glorificaram a Deus, diz São Paulo, que não podem desculpar-se. Contudo, às vezes torna-se difícil conhece-la; o pecado original e os pecados pessoais posteriores obscurecem seu conhecimento. Por este motivo, , para que com maior facilidade, com firme certeza e sem nenhum erro, todos os seres humanos pudessem conhecer o que deviam fazer para agradar-lhe, Deus revelou qual era a sua vontade, dando-lhes os dez mandamentos. Estes dez mandamentos põem em relevo os deveres essenciais e, portanto, indiretamente, os direitos fundamentais inerentes à natureza da pessoa humana. O Decálogo contém uma expressão privilegiada da lei natural. 5. A revelação dos mandamentos a Moisés Deus não se contentou em gravar no coração humano sua lei, mas a manifestou claramente. No monte Sinai, quando o povo eleito tinha saído do Egito, Deus anunciou a Moisés os dez mandamentos ou Decálogo, dando-os esculpidos em duas tábuas de pedra, para que nunca se esquecesse de cumpri-los. Aqueles dez mandamentos são, resumidos, os que temos no Catecismo. Os mandamentos assinalam a maneira certa e segura de como devemos atuar, indicam o caminho da felicidade nesta vida e na vida eterna. Por isso dizemos que os dez mandamentos são um presente de Deus, já que são o instrumento com o qual Deus manifesta ao ser humano o que é bom e o que é mal, o que é verdadeiro e o que é falso, o que lhe agrada e o que lhe desagrada. 6. Jesus Cristo aperfeiçoa a lei A lei que Deus deu a Moisés no Sinai foi levada à perfeição por Jesus Cristo, que se apresenta a si mesmo como modelo e caminho para alcançar a vida eterna: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (João 14,6). Esta perfeição se revela, sobretudo, no mandamento novo do amor. Depois de amar a Deus com todo o coração, com


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Um Presente de Deus para Nós

Os Dez Mandamentos: toda a alma, com toda a mente, com todas as forças, nos manda que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou. O Decálogo deve ser interpretado à luz deste duplo e único mandamento da caridade, plenitude da lei. A Igreja, continuadora da obra redentora de Jesus Cristo, continua a ensinar, custodiando e interpretando a lei dada por Deus aos seres humanos. 7. Obrigação de cumprir os mandamentos Como Deus é o Criador, Dono e Senhor do universo, toda a criação está submetida à lei ou ordem imposta por Deus. As criaturas irracionais cumprem esta lei inexoravelmente, mas o ser humano é livre e pode não segui-la. Se não observa a lei divina, comete pecado, ofende a Deus e faz dano a si mesmo e aos demais. Em troca, quando guarda os mandamentos, o ser humano tem a segurança de estar no bom caminho e de que está fazendo a vontade de Deus. Mas não podemos - e não devemos sentir-nos aprisionados pelos mandamentos, sem ter a visão grande e nobre de que Deus quer decididamente o bem de sua criatura preferida o ser humano - cuja liberdade defende e guarda com as normas. 8. Cumprir os mandamentos por amor Em conseqüência, tendo a consciência clara de que os mandamentos são o caminho - como uma estrada bem sinalizada, que manifesta o modo de agir retamente e avisa dos perigos existentes - , temos que dizer que os dez mandamentos da lei de Deus são uma prova do amor e da misericórdia de Deus, de Deus que nos amou primeiro. Por isso, é preciso cumpri-los por amor. É a resposta que Deus espera de nós. É necessário, pois, conhecer os mandamentos, se queremos vive-los bem e por amor. 9. Propósitos de vida cristã • Aprender os dez mandamentos da lei de Deus. • Tomar a firme determinação de cumprir sempre os mandamentos da lei de Deus, apoiados na graça sobrenatural.


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Amar a Deus Sobre Todas as Coisas

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1º Mandamento:

INTRODUÇÃO:

damos o culto devido; ao dar-lhe graças e pedirlhe perdão; quando queremos o que Deus quer. O Evangelho nos conta que um doutor da Lei se aproximou de Jesus para tenta-lo: "Mestre, qual é Este é, sobretudo, o culto que espera. Mas temos de fazer também atos externos de adoração: o principal mandamento da Lei?". A resposta foi: assistir a Santa Missa, ajoelharmo-nos perante o "Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu Sacrário, inclinar a cabeça ante o crucifixo, coração e com toda a tua alma e com toda a tua participar com piedade das cerimônias mente. Este é o maior e o primeiro litúrgicas... Temos alma e corpo, e Deus é o mandamento" (Mateus 22,36-38). No primeiro criador de ambos. Por isso temos de manifestarmandamento está incluído o dever de adorar a lhe nossa submissão e reverência também em Deus. Quando o demônio tentou a Cristo, coisas externas, como costumamos fazer com pedindo-lhe que se prostrasse e o adorasse, o nossos semelhantes com um beijo, uma Senhor replicou: "Afasta-te, Satanás, pois está inclinação, um cumprimento, ou um presente escrito: ao Senhor Deus adorarás, e só a ele material. Portanto, é um direito fundamental da darás culto" (Mateus 4,10). A adoração do Deus verdadeiro aparece no livro de Daniel - e na vida pessoa humana poder professar livremente a religião em publico ou privadamente. real de cada ser humano - como o contraste do primeiro mandamento. Para amar a Deus é 3. É preciso cumprir sempre a vontade de necessário reconhecer antes seu senhorio e Deus adora-lo; e se alguém não O adora, é porque não Deus é o Senhor e é preciso cumprir com alegria O conhece e não O ama, tendo sido Ele sua vontade, dispostos a realizar com amor o substituído pelas criaturas, que são os falsos que lhe agrada, como fez Jesus Cristo, nosso deuses do egoísmo e do pecado. Quando o rei Mestre: "Pai..., não se faça a minha vontade, mas Nabucodonosor ordenou que todos adorassem a a tua" (Lucas 22,42). Por outro lado, é nosso Pai estatua de ouro que tinha fabricado, os três que nos ama e nos quer, como ninguém na terra jovens hebreus se negaram a obedecer, porque pode querer; daí que sua vontade seja o melhor só se deve adorar a Deus. Estas passagens nos para nós, e o testemunho verdadeiro de que o mostram a grandeza e a importância do primeiro amamos seja cumpri-la fielmente, porque é o que mandamento, cujo conteúdo vamos agora Ele deseja. Existem coisas que Deus manda e estudar. devemos faze-las; outra, as proíbe e, por isso, IDEIAS PRINCIPAIS:

temos de evita-las. Em determinadas ocasiões, o que Deus pede exige esforço e sacrifício, mas 1. Conteúdo do primeiro mandamento temos de faze-lo com igual ou ainda maior Deus é para o ser humano o único Senhor. Criou- empenho. Cumprir a vontade de Deus supõe nos e cuida constantemente de nós com sua também descobrir a vocação ou chamada que Providência; a existência e o quanto somos ou nos faz, tratando de segui-la com fidelidade e possuímos, tudo recebemos de Deus. Em constância. conseqüência, Deus pode exigir do ser humano o reconhecimento e a adoração, porque temos com 4. Pecados contra o 1º Mandamento Deus laços e obrigações irrenunciáveis que São considerados e são pecados contra o constituem a virtude da religião. Quais são estas primeiro mandamento os que atentam contra a fé obrigações para com Deus? Reconhecer que é (dúvida voluntária, incredulidade, heresia, nosso Senhor; crer naquilo que nos revelou; apostasia, cisma, ler livros e assistir filmes ou esperar o que nos promete; adorar com culto espetáculos que atacam a fé e a moral, discutir interno e externo; servi-lo, cumprindo em todo o sobre questões de fé sem ter a devida momento sua vontade; orar, elevando a mente a preparação...), contra a esperança (desespero, Deus para louva-lo, dar-lhe graças e pedir-lhe o presunção...) e contra a caridade (indiferença, que necessitamos; ama-lo, enfim, sobre todas as ingratidão, tibieza, ódio, inveja, brigas, escândalo coisas. O primeiro mandamento manda, pois, e qualquer pecado mortal). Mas os pecados crer, esperar e amar a Deus, praticando os atos específicos contra este mandamento são os que próprios da virtude da religião. contradizem a virtude da religião. Dentre os muitos pecados possíveis, assinalamos os mais 2. A virtude da religião conhecidos: À virtude da religião pertencem principalmente os atos internos da alma, que se dão de modo a) A superstição. Consiste em atribuir a certos excelente quando fazemos atos de fé, esperança objetos, sinais ou palavras efeitos e caridade; quando o adoramos, oramos e lhe desproporcionais, invocando alguma criatura


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Amar a Deus Sobre Todas as Coisas

1º Mandamento:

como se fosse Deus. É um desvio do culto que devemos a Deus, conduzindo à idolatria e a distintas formas de adivinhação ou magia. b) A idolatria. Consiste em adorar a deuses falsos ou a dar a uma criatura o culto devido a Deus. É um pecado gravíssimo que Deus condena severamente na Escritura. Hoje, muitos põem também em lugar de Deus os ídolos do dinheiro, do prazer, da comodidade, ou a si mesmos. c) A adivinhação, espiritismo e magia. É a invocação de forças ocultas - aos mortos e mesmo ao demônio - para averiguar por sua intervenção, coisas desconhecidas ou realizar coisas maravilhosas, como se fossem milagres. d) O sacrilégio. Consiste em profanar ou tratar indignamente pessoas, objetos e lugares consagrados a Deus. e) O tentar a Deus. Com palavras ou obras, pondo à prova sua bondade e onipotência. f) A irreligiosidade. É o pecado de não viver a religião, desprezando assim a Deus. g) O ateísmo. Que nega a Deus. h) O agnosticismo. Que, como pensa "não poder ser possível conhecer a Deus", opta por não tê-lo em conta. 5. A veneração da Virgem Maria e dos santos Nós cristãos, adoramos a Deus. Mas veneramos e invocamos a Virgem Maria, os anjos e os santos, os amigos de Deus, que já estão na glória. Desta maneira honramos a Deus neles; são como um espelho no qual vemos algo da infinita perfeição de Deus. Portanto, ao venerar os santos, celebrando sua memória e pedindo sua intercessão, seguindo seu exemplo e honrando suas relíquias e imagens, honramos a Deus. Por isso, nós cristãos temos as imagens do Senhor, da Virgem, dos anjos e dos santos, e conservamos com veneração as relíquias dos santos. Honrando as imagens e relíquias dos santos, honramos aos santos que elas representam, ou de quem elas são. 6. Importância do 1º Mandamento O primeiro mandamento é o mais santo e o principal. Cumprindo-o bem, cumprimos todos os demais mandamentos; e não podemos esquecer que amar a Deus sobre todas as coisas é o principal. Ao fim das contas, a única coisa importante para nós.

7. Propósitos de vida cristã • Procurar cumprir em todo o momento, a vontade de Deus, manifestada nos seus mandamentos. • Fazer sempre muitos atos de fé, esperança e caridade.


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Não Tomar o Santo Nome de Deus em Vão

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2º Mandamento:

INTRODUÇÃO: Encontramos em um livro, o seguinte fato: "Havia uma cantora de ópera famosa, que tinha feito muito sucesso, e que fora aplaudida nas principais cidades do mundo. Mas um dia, começou a perder a voz e a sentir incômodos na garganta. Os médicos descobriram-lhe um mal incurável, que poderia acabar com sua vida. Para evitar que isso acontecesse, necessitava ser operada urgentemente. Disseram-lhe: Você já não poderá cantar e nem falar mais. No dia combinado, momentos antes da operação, perguntaram-lhe se queria dizer alguma coisa. Ela respondeu com um sorriso: Glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo. Foram as últimas palavras que pronunciou." É um acontecimento comovedor e exemplar. O segundo mandamento da Lei de Deus nos ordena precisamente que honremos o nome de Deus.

lugares sagrados os templos e os cemitérios, que exigem um comportamento cheio de respeito e dignidade. São coisas sagradas o altar, o cálice e outros objetos dedicados ao culto. São pessoas consagradas os ministros de Deus e os religiosos; portanto, o Papa, os bispos, os sacerdotes merecem todo o respeito - pelo que representam. 4. O juramento é colocar a Deus por testemunha

IDEIAS PRINCIPAIS:

Às vezes, é necessário que aquele que faz uma declaração sobre o que viu ou ouviu, tenha de reforça-la com um testemunho especial. Em ocasiões muito importantes, sobretudo em um tribunal, pode-se invocar a Deus como testemunha da verdade daquilo que se diz ou promete; isso é fazer um juramento. Fora destas circunstâncias não se deve jurar nunca, e é necessário procurar que a convivência humana se estabeleça na base da verdade e da honradez.

1. O nome de Deus é santo

5. Voto e promessa

Deus é santo, e seu nome também o é, porque o nome representa a pessoa. Assim se explica que, se alguém pronuncia de forma irreverente o nome de uma pessoa querida, sintamos indignação. Essa é a razão pela qual, quando nomeamos a Deus, não pensemos em umas letras que compõem uma palavra, mas no mesmo Deus, Uno e Trino. Por isso, temos de santificar seu nome e pronuncia-lo com grande respeito. Os anjos e os santos no céu louvam continuamente o nome de Deus, proclamando-o três vezes santo.Nós pedimos no Pai Nosso: "Santificado seja o vosso Nome", e temos de nos esforçar para que o nome de Deus seja glorificado na terra.

Voto é a promessa deliberada e livre, feita a Deus acerca de um bem possível e melhor, com a intenção de obrigar-se a cumpri-la. O costume será o de fazer propósitos que nos ajudem a melhorar, sem necessidade de votos e de promessas, a não ser que Deus assim nos peça.

2. Como honramos o nome de Deus Honramos e santificamos o nome de Deus quando o louvamos como Criador e Salvador, confessando perante todos que é nosso Deus e Senhor; escutando com devoção ou meditando a palavra de Deus; quando damos graças por tudo o que nos concede ou pedimos com confiança sua ajuda ou proteção; cuidando de tudo o que lhe está consagrado; quando procuramos que Deus seja conhecido, amado e honrado por todos; jurando com piedade, justiça e verdade, e quando fazemos votos ou promessas de coisas gratas a Deus, com intenção de cumpri-los. 3. O respeito das coisas santas Em atenção ao nome de Deus, que de alguma maneira ostentam, temos de respeitar os lugares, as coisas e pessoas a Ele consagrados. São

6. Pecados contra o 2º Mandamento Além dos pecados de perjúrio ou de não cumprimento de um voto, os pecados contra este mandamento são: pronunciar com ligeireza ou sem necessidade o nome de Deus, nomear a Deus com enfado, maldizer e blasfemar. A blasfêmia consiste em dizer palavras ou fazer gestos injuriosos contra Deus, a Virgem, os Santos e a Igreja. Se é repetida de forma constante, é um pecado grave, já que vai diretamente contra Deus. 7. O nome do cristão No batismo, impõe-se um nome ao neófito; os pais, padrinhos e o pároco devem procurar que seja um nome cristão, o nome de um santo que viveu uma vida de fidelidade exemplar a Deus. Assim, resulta que o nome de cada pessoa é sagrado e merece respeito. Deus conhece a cada um de nós por seu nome. 8. Propósito de vida cristã • Invocar com confiança o nome de Deus e fazer sempre atos de desagravo quando se escute alguma coisa contra Deus, a Igreja, os sacerdotes, maldições ou blasfêmias.


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Santificarás as Festas

3º Mandamento: INTRODUÇÃO:

No livro do Êxodo podemos ler estas palavras que Deus disse a Moisés e a seu povo: "Seis dias trabalharás e farás todas as tuas obras, mas o dia sétimo é dia de descanso para o Senhor, teu Deus. Nenhum trabalho servil farás neste dia, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu criado, nem tua criada, nem teus animais de carga, nem o estrangeiro que habita dentro das tuas portas. Pois em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo quanto contém e no sétimo descansou" (Êxodo 20,9-11). É vontade de Deus, portanto, que dediquemos a Ele um dia da semana, de forma especial. É importante entender o verdadeiro sentido do domingo, que é o de santifica-lo e de santificar-nos, não o de divertir-nos somente, e muito menos o de pecar. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. O domingo, dia do Senhor Deus manda que lhe dediquemos um dia da semana de modo especial: um dia para Ele e para podermos descansar. Os israelitas celebravam o sábado, conforme Moisés tinhalhes ordenado no Sinai; mas os Apóstolos marcaram o domingo que é o dia no qual Jesus Cristo ressuscitou. Também no domingo, o Espírito Santo veio sobre os Apóstolos na festa de Pentecostes. Domingo significa dia do Senhor, e assim é chamado por comemorar a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

cristãos, nós nos reunimos ao redor do altar e do sacerdote - que representa Jesus Cristo - para celebrar o santo sacrifício da Missa. 4. A obrigação de participar da Missa aos domingos e dias de preceito Para nos ajudar a cumprir o terceiro mandamento da lei de Deus, a Igreja nos impõe a obrigação de participar da Missa inteira todos os domingos e festas de guarda. Este mandamento obriga ao cristão que já tenha cumprido 7 anos de idade e tem o uso da razão. Quem não participa da Missa comete pecado mortal, a não ser que tenha sido dispensado, como é o caso de um enfermo ou de quem cuida de um enfermo, ou se é necessário percorrer uma distância muito longa, etc; quer dizer, sempre que exista uma causa justa e grave. No caso de dúvidas, é necessário perguntar ao sacerdote. A Igreja pode impor-nos esta obrigação porque tem autoridade para ditar leis, e não pretende outra coisa senão a de ajudar-nos a cumprir realmente a vontade de Deus. Desta forma, concretiza-nos o conteúdo do terceiro mandamento da lei de Deus. 5. Como participar da Missa O preceito obriga a participar da Missa inteira no domingo ou dia de festa de guarda - ou véspera segundo a celebração com piedade e atenção. Por isso, é necessário chegar com pontualidade, escutar com atenção as leituras e a homilia, estando recolhidos e atentos na Missa.

2. As festas de preceito

6. O descanso festivo

Além do sábado, os israelitas celebravam outras festas ao largo do ano; a mais solene era a Páscoa. Nós cristãos celebramos também festas nas quais comemoramos os principais mistérios da vida de Jesus: Natal, Epifania, Apresentação no templo, Corpus Christi...; da Santíssima Virgem: Maternidade divina, Imaculada Conceição, Assunção, Visitação...; e dos santos: são José, são Pedro,... A Igreja determina quais festas são de preceito, quer dizer, aquelas que devemos santificar como se fossem domingo. Na liturgia católica a festa mais solene é a Páscoa, ou dia da ressurreição de Cristo, que se repete a cada domingo.

A vida humana segue um ritmo de trabalho e descanso. A instituição do domingo contribui para que todos desfrutem do tempo de descanso suficiente, que lhes permita cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa. Nos domingos e festas de preceito, os cristãos devem abster-se de trabalhos e de atividades que lhes impeçam de dar culto a Deus, para gozar da alegria própria do dia do Senhor e para desfrutar do devido descanso da mente e do corpo. Podemos descansar com diversões sãs, que não ofendam a Deus, com uma vida familiar mais intensa, praticando esportes ou passeios, etc.

3. A participação na Missa Ainda que todos os dias devam ser vividos santamente, Deus quis que o adorássemos e déssemos culto de maneira especial aos domingos e festas de guarda. E como santificar o domingo e as festas de guarda? Principalmente participando da Santa Missa. A Missa é o ato maior de adoração e culto que podemos oferecer a Deus na terra. Assim como os primeiros

7. Propósitos de vida cristã • Fazer o firme propósito de cumprir sempre o preceito de participar da Missa nos domingos e festas de guarda. • Durante estes dias, ocupar-se dos que nos rodeiam, ao mesmo tempo que se descansa com diversões alegres e sadias.


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Honrarás Teu Pai e Tua Mãe

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4º Mandamento:

INTRODUÇÃO: Depois de estudar os três primeiros mandamentos, que abarcam os deveres para com Deus, vamos considerar os sete restantes que visam o próximo e podem resumir-se em uma única frase: “Amarás teu próximo como a ti mesmo”.Iniciamos com o quarto mandamento, que diz: “Honrarás teu pai e tua mãe”. Deus quer que – depois dele - honremos os nossos pais, que nos deram a vida e transmitiram o conhecimento de Deus; mas o mandamento abarca também as relações de parentesco com outros membros do grupo familiar, como os avós e demais antepassados, aos quais devemos igualmente honra, afeto e reconhecimento. Finalmente, este mandamento estende-se também aos deveres do aluno para com seus mestres, do empregado em relação a seu patrão, do subordinado e seu chefe, do cidadão em relação a sua pátria e aos que a administram ou governam. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. O sentido do quarto mandamento Os pais são o instrumento querido por Deus para trazer novas vidas a este mundo. Além da vida,procuram para seus filhos o alimento e a educação para que cresçam, se desenvolvam e recebam todos os auxílios para alcançar a santidade de vida dos filhos de Deus.O quarto mandamento nos recorda as obrigações que temos para com nossos pais: amor, respeito e obediência. O comportamento de Jesus com Maria, sua Mãe, e com José, que fazia as vezes de pai, deve ser um exemplo a ser imitado por todos. Por extensão, o quarto mandamento inclui o respeito e a obediência devidos àqueles que, sob algum aspecto, estão constituídos em autoridade: professores, autoridades eclesiásticas e civis, a pátria etc.. 2. Deveres dos filhos para com seus pais a) Amor. O primeiro dever de um filho para com seus pais é o de ama-los, e o amor se demonstra com obras. É preciso rezar por eles, dar-lhes satisfações e alegrias e ajuda-los segundo as possibilidades, sobretudo se estão enfermos ou são anciãos. b) Respeito e gratidão. O respeito aos pais se demonstra na sincera veneração, e na reverência quando se fala com eles e deles. Seria uma falta de respeito levantar a mão contra eles, desprezalos, insulta-los ou ofende-los de qualquer modo, ou ter vergonha deles. Caso nossos pais tenham algum defeito ou peculiaridades –

particularmente se já são idosos – ou que não façam o que deveriam fazer, é necessário rezar, compreende-los e desculpa-los, ocultando seus defeitos e tratando de ajuda-los a que os superem, sem que jamais saia de nossa boca uma palavra de crítica. c) Justa obediência. É necessário obedecer aos pais com prontidão e diligência, sempre que não seja pecado o que nos mandam. A obediência exige esforço, porque é muito mais fácil ser “rebelde” fazendo continuamente o próprio capricho. Para obedecer é necessário um coração bom e vencer o próprio egoísmo. 3. Outras obrigações do quarto mandamento Dentro deste mandamento são incluídos também, além dos pais, outras pessoas às quais se deve obediência, amor e respeito: a) Os irmãos. Especialmente os irmãos mais velhos devem procurar dar bom exemplo evitando discussões, brigas, invejas: em uma palavra, o egoísmo. b) Familiares e amigos. O amor e o respeito da família alcança de modo particular os avós, tios, primos e os amigos. c) Professores e benfeitores. São os representantes de nossos pais e por isso devemos a eles agradecimento e respeito. d) Os Pastores da Igreja. Porque somos filhos da Igreja, temos de amar aqueles que governam nossa alma, rezar por eles e obedecer suas indicações. A lealdade pede que nunca murmuremos contra eles. e) Deveres para com a Pátria e as autoridades civis. Como toda autoridade vem de Deus, é necessário amar e servir nossa Pátria, a mãe comum, respeitar e obedecer às autoridades civis e cumprir as leis, sempre que sejam justas. 4. Deveres dos pais para com seus filhos Os pais hão de amar, sustentar e educar seus filhos: cuidar de suas necessidades espirituais e materiais, dando-lhes uma sólida formação humana e cristã. Para consegui-lo, além de rezar por eles, devem oferecer os meios eficazes: o exemplo próprio, os bons conselhos, a escolha da escola, vigiar as companhias, etc... Depois de tê-los aconselhado, devem respeitar e favorecer a vocação dos filhos quando escolham o caminho de sua vida, no humano e no sobrenatural.


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TEMA 47

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Honrarás Teu Pai e Tua Mãe

4º Mandamento:

5. Cumprir com amor as obrigações deste mandamento Jesus, Maria e José formavam a Sagrada Família – modelo de todas as famílias – na qual reinava o carinho, a obediência e a alegria. Também na nossa família deve ser o amor a Deus – e aos demais por Deus – o que nos move em todo o momento a cumprir com gosto nossos deveres. O cumprimento do quarto mandamento traz consigo uma recompensa: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem teus dias sobre a terra que o Senhor, teu Deus, vai te dar” (Êxodo, 20,12). Deus abençoa com frutos espirituais e temporais de paz e prosperidade; ao contrário, o não cumprimento traz grandes danos, não só para a pessoa, mas para toda a comunidade humana. 6. Propósitos de vida cristã • Fazer um bom exame de consciência para ver se estou cumprindo minhas obrigações para com minha família. • Rezar todos os dias pelos meus familiares, professores, ministros da Igreja.


TEMA 48

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Não Matarás

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5º Mandamento: INTRODUÇÃO: No livro do Gênesis há um episódio muito triste e doloroso: a história de Caim e Abel. Ambos irmãos ofereciam sacrifícios a Deus, mas Caim oferecia o pior, enquanto Abel oferecia a Deus os melhores cordeiros do rebanho. Por isso, o fumo do sacrifício de Caim não subia ao céu, enquanto que o de Abel era agradável a Deus e subia ao céu. Caim sentiu inveja de seu irmão, convidou-o a passear pelo campo e com uma queixada de animal o matou. Deus amaldiçoou a Caim por ter derramado o sangue de um homem inocente. O sangue inocente grita vingança ante Deus e Caim viveu errante durante o resto de sua vida, cheio de remorsos. O quinto mandamento não só ordena “não matar”; mas também proíbe as brigas, agressões, invejas etc., e sobretudo, ordena o respeito e o cuidado com a vida humana, que é um dom de Deus. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Só Deus é o dono e o senhor da vida A vida humana é sagrada; desde seu início é fruto da ação criadora de Deus e sempre mantém esta especial relação com o Criador, origem e término de nossa existência. Só Deus é o senhor da vida desde o princípio até o fim; o ser humano não é mais do que administrador, e deve cuidar da própria vida e da de seus semelhantes. O quinto mandamento proíbe aquilo que atenta injustamente contra a própria vida e a vida dos demais; mas não deve ser entendido no sentido puramente negativo, pois ordena-nos a caridade, a concórdia e a paz com todos – mesmo que com os que se mostram como inimigos - e este aspecto positivo é o conteúdo principal do preceito. 2. Deveres de alguém para consigo mesmo a) Amor e respeito a si mesmo.Temos de querernos a nós mesmos de maneira ordenada, sem egoísmo (quando referimos a nós mesmos as pessoas e as coisas), nem soberba (com uma falsa valoração das próprias qualidades, por ambição, presunção e vanglória). b) Usar bem os talentos. Deus deu a cada ser humano talentos e capacidades tanto naturais como sobrenaturais. No plano natural estão a inteligência e a vontade, que temos de desenvolver adquirindo os conhecimentos de que sejamos capazes e formando a vontade para alcançar o senhorio de nós mesmos e uma personalidade capaz de grandes empresas. A preguiça (pereza) é o pecado que se opõe a que os talentos frutifiquem em nós. No aspecto

sobrenatural temos a graça santificante, junto com os dons que a acompanham. Temos de corresponder generosamente porque, ao final de nossa vida, Deus nos pedirá contas de como aproveitamos as graças recebidas. c) Amor e respeito ao corpo. O corpo é o instrumento que Deus nos deu e santificou; um dia ressuscitará cheio de glória. Por isso temos de respeita-lo e cuida-lo (Alimento, limpeza, esportes), evitando os excessos que possam prejudicar a saúde. Devemos ama-lo de maneira ordenada, já que existem outras coisas mais importantes. Opõem-se a este dever o suicídio, o desejar a própria morte, expor-se a perigos grandes (condução imprudente de veículos, excursões arriscadas, etc...), a mutilação de alguma parte do corpo, a eutanásia (encurtar a vida para reduzir o sofrimento), a gula (comer ou beber em excesso), a embriaguez e a utilização de drogas. d) O cuidado da vida espiritual. É importante cuidar do corpo, mas mais importante ainda é cuidar da vida da alma, para que a graça cresça em nós. Cresce-se conhecendo melhor a doutrina cristã – o Catecismo – para poder cumpri-la, confessando e comungando com freqüência, tratando a Jesus no Sacrário, fazendo pequenos sacrifícios, etc. A vida da graça na alma se perde pelo pecado mortal, que é como um suicídio; ainda que graças à misericórdia de Deus existe o remédio do Sacramento da Penitência, que permite recuperar a vida sobrenatural. 3. Deveres do quinto mandamento para com os outros a) Respeito à vida alheia. A mesma razão que obriga a respeitar a própria vida, exige o respeito da vida alheia: cada ser humano é criatura de Deus, de quem recebemos a vida, e só Ele é dono de nossa vida. Este direito à vida é violado pelo homicídio e pelo aborto, que são crimes horrendos contra Deus e contra a humanidade. Deus é sempre o autor da vida, também da vida dos animais e das plantas, e não se pode matalos a não ser que seja por utilidade e necessidade, como, por exemplo, para servirem de alimento, mas sem que isto cause dor inútil ou sofrimentos. b) O respeito à convivência. O quinto mandamento proíbe não só matar, mas tudo o que vá contra os demais: ódio, inveja, inimizade, discórdias, brigas, vinganças, lutas, desejar mal a alguém, alegrar-se em ver os outros sofrer,


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TEMA 48

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Não Matarás

5º Mandamento: insultos... O Evangelho proclama bem aventurados aqueles que amam a paz, e uma manifestação deste espírito será o rezar para que não haja guerras entre as nações. O cristão tem que perdoar e coração as injúrias recebidas, “não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes” (Mateus 18,22); quer dizer, sempre. Igualmente deve saber pedir perdão das ofensas que possa ter feito aos demais; não é nenhuma humilhação, mas sim, demonstrar com obras que se tem um grande coração. c) O pecado de escândalo. Por atentar contra o bem espiritual do próximo, o escândalo é um pecado contra o quinto mandamento. Escândalo é toda palavra, obra ou omissão que incita o outro a pecar: conversas más, blasfêmias, o facilitar fotografias, livros, fitas, sites da internet, revistas inconvenientes, utilizar vestes indecorosas, faltar à Missa... Estes exemplos provocam o pecado em que os observa ou padece, e por isso disse Jesus, referindo-se ao que provoca os escândalos: “Seria mais conveniente que se lhe atasse uma roda de moinho ao pescoço, e lhe jogassem no fundo do mar” (Mateus 18,6). Temos de fugir dos que ensinam ou levam a pecar, fazendo assim o ofício que é próprio do demônio; e se tivermos cometido este pecado, é preciso pedir perdão e reparar o dano causado. 4. Ajudar aos demais em suas necessidades Para viver o sentido positivo do quinto mandamento é necessário querer bem ao próximo, ajudando – com o exemplo e a palavra – a resolver suas necessidades, tanto materiais como espirituais. As obras de misericórdia recordam quais são as principais necessidades, e quando as realizamos, demonstramos de verdade nosso amor ao próximo. 5. Propósitos de vida cristã • Ler e saber de cor as obras de misericórdia corporais e espirituais, procurando cumpri-las no dia a dia. • Ser amigo de todos, tratando com respeito, sem exceção de ninguém. Não guardar rancor nem desejar mal a ninguém, evitando os insultos, o maltratar quem quer que seja. • Perdoar sempre a quem nos ofende, rezando muitas vezes a oração do Pai Nosso.


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Não Cometerás Atos Impuros

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6º Mandamento:

INTRODUÇÃO: São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?... Não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, pois o recebestes de Deus, e que não vos pertenceis? Fostes comprados por um alto preço! Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (1 Coríntios 6, 15;19-20). Vivendo a realidade de um mundo pagão, no qual a castidade era desprezada e ridicularizada, São Paulo demonstra as razões para que o cristão viva a castidade: é membro de Cristo, templo do Espírito Santo e deve dar glória a Deus também com o corpo. Mas não tão somente o cristão, mas todo o ser humano como tal, deve respeitar seu corpo – e o dos demais – cuidando com esmero de viver a castidade em pensamentos, palavras, obras e desejos, se quiser viver conforme a razão. Deus marcou o caminho da dignidade humana neste campo com dois preceitos: o sexto, “não cometerás atos impuros”, e o nono, “não consentirás em pensamentos e nem em desejos impuros”, para o pleno domínio racional – interior e exterior – da sexualidade. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. A sexualidade é um dom de Deus Um ponto de partida, tão fundamental como necessário para falar do sexto mandamento, é a afirmação da Sagrada Escritura, quando nos ensina que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, e os criou homem e mulher (cf. Gênesis 1,27). E que o homem, pois, seja homem e a mulher seja mulher, isso vem de Deus. Deus assim o quis. Portanto, como tudo aquilo que Deus faz é bom, a sexualidade não é um mal, nem é contrária à lei de Deus: é boa, pois veio de Deus. É um grande dom de Deus. Mas a sexualidade tem uma razão de ser muito definida e sublime. Ainda que Deus tivesse podido fazer as coisas de outra maneira, quis – pela sexualidade – confiar ao homem e à mulher –aos esposos – a missão nobre de transmitir a vida, continuando a geração humana, querida por Deus. E como a missão é tão alta, quis também ordena-la e protege-la com uns preceitos que a mantém em sua dignidade e eficácia, conforme o plano de Deus. Por isso não se pode fazer com o corpo aquilo que apetece. Deus estabeleceu uma ordem no uso da sexualidade e tal ordem consiste em que o prazer sexual – seja de pensamento, palavra ou obra – somente seja lícito, se for buscado dentro do matrimonio e encaminhado ao fim que Deus Criador lhe

assinalou: a transmissão da vida humana, junto com a ajuda mútua dos esposos. 2. A virtude da castidade Ainda que às vezes se identificam castidade e pureza, a virtude da pureza expressa melhor o fato e a renúncia total ao uso da sexualidade, enquanto que a castidade expressa o senhorio sobre a sexualidade por renúncia total ao uso ilícito. A castidade é, pois, a virtude que regula e controla a sexualidade, impondo o respeito ao corpo em pensamentos, desejos, palavras e ações. Esta virtude expressa a integração da sexualidade na pessoa e, por conseguinte, a submissão da paixão sexual à razão humana e à fé. A virtude da castidade é, como toda virtude, uma conquista própria de valentes; é algo positivo que liberta da escravidão de vícios e do pecado. 3. A impureza destrói muitas coisas no ser humano O pecado da impureza destrói no ser humano tesouros que Deus lhes deu, não só pelo fato de O ofendermos e perdermos sua amizade, mas também porque é um dano de modo particular a virtudes de verdade excelentes. O impuro é alguém triste, por ser escravo do pecado; não é generoso porque só pensa em si mesmo e em seu prazer; debilita sua fé, porque seu coração vai se cegando. Perde a sensibilidade fina da alma, que lhe capacita para amar a Deus e aos demais. Se não se consegue a educação e o domínio da sexualidade, com uma pedagogia da liberdade, a alternativa é evidente: ou o ser humano controla suas paixões e obtém, assim a paz, ou se deixa dominar por elas e se torna um pobre coitado. 4. A castidade é para todos Cristo é o modelo de todas as virtudes, e a condição do cristão, seguidor de Cristo, é a de viver uma vida casta. Cada um em seu estado de vida, e segundo a vocação que recebeu de Deus, pois a uns, Deus lhes pede viver em virgindade ou no celibato – um modo eminente de se dedicar por inteiro a Deus com o coração indiviso - , e a outros, no matrimonio ou solteiros. Os casados hão de viver a castidade conjugal, fiéis a seus deveres matrimoniais; os solteiros praticam a castidade na continência. Os esposos hão de ter presente que a fecundidade é um bem e o fim do matrimônio, pois o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo; por isso, o ato matrimonial deve estar aberto à transmissão da vida, e nunca será permitido o recurso à


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Não Cometerás Atos Impuros

6º Mandamento:

anticoncepção ou à esterilização para evitar a procriação. 5. Pecados contra a castidade Pecam contra a castidade os que – consigo ou com outras pessoas – cometem ações impuras; olham coisas impuras; consentem em pensamentos ou desejos impuros; mantém conversações ou contam piadas sobre coisas impuras; os que voluntariamente colocam a si mesmos ou a outros em perigo de comete-los. Como tipificação moral, são pecados notórios contra a castidade a masturbação, a fornicação (união sexual entre duas pessoas não casadas, de sexo oposto), as atividades pornográficas e as praticas homossexuais; contra a dignidade do matrimonio podemos destacar o adultério, a poligamia e o chamado “amor livre”. Estes pecados contra a castidade são sempre graves, se há pleno conhecimento e consentimento; em tal caso não existe matéria leve. 6. A luta pela castidade Para ganhar a batalha da castidade é necessário fugir das ocasiões; nesta matéria, fugir não significa covardia, mas sim, prudência. E a prudência exige evitar amizades, leituras, espetáculos, conversas, etc.. que levem ao pecado. Outro passo será o de estar ocupados em um trabalho sério, que salva de ensimesmarse no egoísmo; ajuda também a prática de esportes, que forma virtudes esplendidas para resistir ao capricho. E não se pode esquecer a importância da sinceridade, que conta as dificuldades às pessoas competentes em busca de ajuda e conselho, assim como a modéstia e o pudor que ensinam a delicadeza no vestir, no asseio diário, etc..., para a defesa da pureza propriamente dita. Mas o mais importante é colocar os meios sobrenaturais: a confissão e a comunhão freqüentes; pedir a castidade com humildade e perseverança; acudir à Virgem Puríssima e nossa Mãe; oferecer pequenos sacrifícios que afirmam a vontade e conseguem a graça. Como observa Santo Tomás de Aquino, “que o homem viva na carne e não segundo a carne, não é do homem, mas de Deus”. 7. Propósitos de vida cristã • Acudir à Virgem ao sentir alguma tentação contra a castidade • Colocar esmero em ser e mostrar-se sempre limpos nas palavras, conversas, piadas, etc...


TEMA 50

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Não Furtarás

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7º Mandamento: INTRODUÇÃO: Quando o jovem rico se aproximou de Jesus perguntando o que deveria fazer para ir parar o céu, ouviu esta resposta do Senhor: “Cumpre os mandamentos”. E ao confessar que já os vinha cumprindo desde criança, Jesus lhe disse: “Uma só coisa te falta. Vai, vende tudo quanto possui e dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me” (Marcos 10,21). Ao ouvir estas palavras, foi embora triste porque era muito rico e não queria abandonar os seus bens. Então o Senhor advertiu seus discípulos: “Dificilmente entrarão no céu aqueles que possuem riquezas!”. A cena sugere algumas perguntas: Estamos apegados às coisas que temos? Somos egoístas? Cuidamos e respeitamos as coisas dos outros? Pegamos aquilo que não nos pertence? Preocupamo-nos com os pobres e os que tem menos do que nós? Cumprimos nossas obrigações de cidadãos? IDEIAS PRINCIPAIS: 1. O plano de Deus a respeito dos bens da terra O ser humano nasce no seio de uma família: pais, irmãos e outros seres que cuidam de nós para que possamos viver. Também está rodeado de coisas que necessita para viver e desenvolver-se: comida, bebida, roupas e muitos bens que fazem possível e facilitam o desenvolvimento de suas capacidades naturais. Estes bens – como também a vida – não nos são dados por nós mesmos, mas são todos recebidos. Nós os recebemos de Deus, que é o Criador de tudo, e que utiliza da família como instrumento de sua Providência generosa e esmerada. Mas a condição deste ser humano é a de cada ser humano e, portanto, os bens criados tem um destino universal; são de todos e para todos e devem ser conseguidos principalmente mediante o trabalho. Ao mesmo tempo, para segurança de sua liberdade e estímulo de trabalho – direito e dever do ser humano – , necessita possuir alguns bens (casa, terras, dinheiro...), que protegem a autonomia da pessoa e da família. É o direito à propriedade privada, que é um direito natural, quer dizer, querido por Deus. Por isso, os sistemas que anulam ou impedem a liberdade, o trabalho e a propriedade privada são antinaturais, porque se opõem aos direitos fundamentais da pessoa humana. Harmonizar e tutelar uma e outra dimensão: o destino universal dos bens criados e a propriedade privada é o que faz este sétimo preceito do decálogo, junto com o décimo. É a idéia que está subjacente na frase de João Paulo

II: “Sobre toda propriedade privada recaí uma hipoteca social”; porque, ainda que se possa dispor das coisas, o ser humano é mero administrador e deve estar aberto aos demais, tendo em conta virtudes tão sociais como a temperança, a justiça e a solidariedade, reclamadas pela condição do cristão. 2. O respeito pelas pessoas e por seus bens Tendo em conta estes princípios que regulam o uso dos bens criados, o sétimo mandamento proíbe estas atuações, que atentam contra o direito do próximo: a) O roubo, que é o tirar ou o reter uma coisa contra a vontade de seu dono; b) A usura, que é o emprestar dinheiro ou outra coisa exigindo um juros excessivo; c) A fraude, que é o não dar o justo peso ou medida, ou dar uma coisa pela outra; d) Também proíbe o reter deliberadamente objetos perdidos, pagar salários injustos, elevar os preços especulando com a ignorância ou a necessidade alheia, a especulação de terras, a corrupção que “compra” o juízo dos que devem tomar decisões conforme o direito, o trabalho mal realizado, a fraude fiscal, a falsificação de cheques e faturas, os gastos excessivos, os desfalques. 3. O respeito da integridade da criação Deus não concedeu ao ser humano um domínio absoluto e despótico sobre a natureza, mas sim relativo; quer dizer, um domínio regulado pelo respeito e cuidado da qualidade de vida do próximo, incluindo as gerações futuras. No trato com os animais, é legítimo servir-se deles para o alimento e o vestir-se, mas não é conforme à natureza humana faze-los sofrer inutilmente, sacrificar suas vidas sem necessidade, e inverter neles somas notáveis que poderiam remediar as necessidades de outros seres humanos. 4. Obrigação de se reparar os danos causados Quando se rouba ou se estraga algo, produzindo um dano importante nos bens dos demais, comete-se um pecado grave; o pecado é venial se o dano é pequeno. O pecado grave é perdoado na confissão, se, ao arrependimento, junta-se a intenção (ao menos...) de devolver o roubado ou o reparar o dano; caso não exista esta intenção, o pecado não é perdoado. Se já não se tem o que se roubou, é necessário


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TEMA 50

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Não Furtarás

7º Mandamento: devolve-lo, tirando-se dos próprios bens, ou comprando-se outra coisa igual ao que se roubou, e entrega-lo. Se não se sabe o que fazer, em outros casos, deve-se perguntar ao confessor. 5. Atitude frente aos bens da terra a) Respeito a nós mesmos. Sabemos que as coisas da terra estão a nosso serviço e que precisamos delas, mas existem bens muito mais importantes: o amor a Deus e ao próximo demonstrado com obras, que são bens que levam ao céu. A estes bens devemos aspirar, estes são os que devemos adquirir e conservar com esforço. b) Respeito aos demais. Não se trata só de não roubar; o cristão deve partilhar seus bens com os que tem necessidade, se quer ser fiel ao Evangelho. Entre as diversas formas de viver o mandato de Jesus Cristo, podemos assinalar: ajudar aos demais, especialmente aos mais próximos, como são os pais, irmãos, etc.; trabalhar – ou estudar, se for o caso – porque assim participamos na obra da criação e, unido a Cristo, o trabalho pode ser também ele, redentor; ajudar os pobres e necessitados com esmolas e visitando-os para fazer-lhes passar bons momentos. Também temos a obrigação de ajudar à Igreja em suas necessidades, como ordena o quinto mandamento da Igreja, que cada um há de viver segundo suas possibilidades (por exemplo, sendo generosos na oferta quando vamos à Igreja, no domingo, na coresponsabilidade com o dízimo). Quer dizer, as obras de misericórdia existem para serem praticadas. 6. Propósitos de vida cristã • Viver a generosidade em deixar as coisas próprias aos irmãos, amigos, companheiros, etc. • Nunca roubar nada, ainda que sejam coisas pequenas; e caso tenha-se feito, devolver o quanto antes. • Dar esmolas aos mais necessitados.


TEMA 51

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Não Dirás Falso Testemunho Nem Mentirás

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8º Mandamento:

INTRODUÇÃO: Conta o Evangelho que, no julgamento de Jesus perante o Sinédrio, os judeus apresentaram testemunhas falsas que acusavam a Jesus de muitas coisas, para que fosse condenado. Perante aqueles falsos e contraditórios testemunhos, Jesus permanecia em silêncio. Só falou quando o Sumo Sacerdote lhe perguntou: “Tu és o Messias, o Filho de Deus?” (Marcos 14,61). E confessou a verdade, ainda que, por dizer a verdade, sofreu tantos ultrajes e a morte. O oitavo mandamento: “Não dirás falso testemunho nem mentirás” é muito necessário, sobretudo quando as relações entre os seres humanos estão marcadas por tantas mentiras, calunias, difamações e falsos testemunhos. A tudo isso temos de opor o amor à verdade.

calemos, um cristão deve dizer sempre a verdade, inclusive até o martírio, que é o supremo testemunho da verdade da fé. 4. O oitavo mandamento ordena respeitar a honra dos demais A honra é um bem muito mais importante que os bens materiais. Todos os seres humanos tem direito a sua fama; por isso, não podemos roubar ou destruir a honra dos demais.

a) Modos de destruir a honra. Destrói a honra dos demais: • a calúnia, que é o exagerar as faltas dos outros, ou dizer que fizeram um mal, sabendo que isto não é verdade. • A maledicência ou difamação, por difundir injustamente os defeitos ocultos do IDEIAS PRINCIPAIS: próximo. 1. Jesus ensina a dizer a verdade • O falso testemunho, declarando em juízo, Jesus nos ensina com seu exemplo a dizer a algo que não é verdade, e prejudica o verdade, mesmo que isto lhe custasse muitos próximo. sofrimentos e a morte. A verdade, diz Santo • O juízo temerário, que consiste em Tomás, é algo divino: é preciso respeita-la e amapensar mal dos demais, sem motivo la. Às vezes, dizer a verdade custa e exige justo. esforço; mas é preciso que sejamos valentes para dize-la sempre e não mentir. Jesus disse em • A violação de um segredo, que manifesta uma ocasião: “Seja vosso modo de falar: sim, aquilo que se devia calar. sim, ou não, não. O que passar disso, vem do Maligno” (Mateus 5,37). É um bom lema que nos b) Atuação do cristão. O que escuta falar mal dos ajudará a ser sinceros e leais com Deus, com outros –seja de uma pessoa em particular, ou de nós mesmos e com os demais. uma instituição (família, Igreja, etc_ - está 2. O mal da mentira obrigado a não escutar o que se diz e a defender Assim como uma pequena chispa de fogo – uma com valentia ou a desculpar, se o que se diz é verdade. coisa tão insignificante no início – pode destruir um bosque, assim a mentira pode destruir coisas c) Obrigação de restituir a honra. Deus quer que grandes, como a amizade de um amigo ou a sejamos como que guardiões da boa fama dos confiança dos pais. Mentindo-se aos amigos ou demais. O que destrói esta boa fama, peca aos pais, acaba-se perdendo sua amizade e gravemente, se o defeito que se descobre ou o confiança. Depois, ainda que o mentiroso diga a dano que se produz é grave. Aquele que verdade, já não se acreditará nele. Para se viver prejudicou a boa fama do próximo está obrigado em sociedade, é indispensável ser sinceros e dizer a verdade. Para isso, temos de nos esforçar a reparar, isso é, a dizer publicamente que aquilo que tinha dito não é verdade, ou que exagerou. É na sinceridade para conosco mesmos, sem preciso que se faça a devida reparação – como ocultar-nos a verdade. Ainda que nunca se deva mentir, existem ocasiões nas quais se deve calar, quando se rouba algo material – para que se para guardar um segredo, ou para não prejudicar possa ter perdoado o pecado. outra pessoa. 5. Cuidar e defender nossa boa fama 3. Motivos pelos quais se mente Com freqüência, mente-se por medo ou vergonha de ser descobertos; outras vezes, para sair de um apuro ou por brincadeira. Pode ser pecado mortal mentir em assuntos importantes, ou sabendo que fazemos um dano grave. Se o bem comum ou particular não exige que

Durante o juízo perante o Sinédrio, um criado deu uma bofetada em Jesus, que respondia a Caifás. E o Senhor se defendeu, dizendo: “Se falei mal, mostra-me o mal. Mas, se falei bem, por que me bates?” (João 18,23). Jesus dá exemplo de como é necessário defender a boa fama, quando nos atacam injustamente.


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TEMA 51

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Não Dirás Falso Testemunho Nem Mentirás

8º Mandamento:

6. Podemos ajudar aos demais com a correção fraterna A caridade nos levará a dizer a verdade com nobreza, a dizer as coisas na frente, nunca nas costas de ninguém. Dizer as coisas com verdade e caridade é ajudar a nossos irmãos com a correção fraterna. Podemos recordar o que disse Jesus: “A verdade vos fará livres” (João8,32). 7. Propósitos de vida cristã • Não falar mal dos demais, nem permitir que outros o façam; se alguma fez se prejudicou alguém, com palavras, reparar rapidamente o dano causado. • Reconhecer as próprias faltas, sem desculpar-se.


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em Pensamentos Nem em Desejos Impuros

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9º Mandamento: Não Consentirás

INTRODUÇÃO: Composto de corpo e alma, após a desordem do pecado original, o ser humano deve suportar o peso da carne que reclama com egoísmo o prazer da sexualidade, sem ter em vista a disciplina com que Deus ordenou as coisas do corpo. Assim, a pureza é uma virtude que será conseguida com a graça de Deus e uma particular luta pessoal. Para ser limpos de coração é necessário rechaçar com firmeza os pensamentos e os desejos impuros, que constituem a raiz interna do pecado contra a castidade, cometendo-se já pecado quando neles se consentem. Vale a pena lutar, porque a pureza é uma das maiores fontes de alegria, de paz e de energia no progresso da pessoa. Como diz Jesus no sermão da montanha, “bem aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5,8). Frente este convite, entendemos que a pureza pode custar, mas sabemos que é um dom magnífico, coroa triunfal que devemos aspirar, vencendo o lodo da impureza – a impureza mancha, suja – que é um engano amargo. É absurdo que nos queiram convencer que o ser humano é uma besta incapaz de dominar seus instintos; o ser humano não é uma besta. E quando Deus impõe o preceito da pureza desde a mesma raiz interior, “não ordena nenhuma coisa impossível, mas, quando o ordena, adverte que faças o que puderes fazer, que peças aquilo que não podes fazer e Ele te ajudará para que o possas”, ensina o Concílio de Trento com a doutrina de Santo Agostinho. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. A CONCUPISCÊNCIA Ao desobedecer a Deus, Adão e Eva não só pecaram, mas também abriram uma fonte de pecado: a concupiscência ou inclinação ao pecado que permanece em nós, mesmo depois de batizados; o batismo perdoa o pecado original, mas não elimina a concupiscência. São João fala de uma tríplice concupiscência: concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba de vida (cf. 1 João 2,16), conseqüência do pecado original que contradiz a razão e desordena as faculdades do ser humano. Em si mesma, a concupiscência não é um pecado, mas inclina ao pecado, ainda que não pode danar àquele que não consente, mas procura enfrenta-la com a graça de Cristo. É para isso também que recebemos a graça: para o combate. 2. A purificação do coração

Como a natureza sente o formigamento das paixões, é preciso buscar combate-lo, indo à raiz do pecado. E a raiz se encontra no coração; a pureza é para ser vivida no corpo, mas deve-se vive-la, sobretudo na alma. Jesus adverte seus discípulos: “De dentro do coração saem as intenções más, assassinatos, adultérios, fornicações” (Mateus 15,19). Por isso, a luta contra a concupiscência passa pela purificação do coração e Deus quer que sejamos limpos e castos por dentro, em primeiro lugar; o nono mandamento proíbe os pecados internos contra a castidade: os pensamentos e desejos impuros. 3. Lutar contra a tentação As tentações contra a castidade, por si, não são pecado, mas incitação ao pecado; seriam pecado se a vontade tivesse complacência com elas, mas não o são se a vontade não consente e as rechaçam. Procedem das más inclinações e das sugestões do demônio ou do mundo que nos rodeia. Não deve surpreender-nos, mas – sem obsessões – é necessário rezar para ser fortes e repeli-las com prontidão. Aquele que resiste à tentação, cresce no amor a Deus e se faz forte por dentro, com a força de Deus, que dá sua graça para vencer. Quando surgem dúvidas a respeito daquilo que é ou não pecado contra a pureza, deve-se perguntar a pessoas competentes: os pais, sacerdote... para formar-se e ter paz. Nestes casos sucede aquilo que acontece com as moscas no verão, quando nos molestam. O fato de procurar pousar em nós, não depende de nós: de nós depende o espantalas! Se no momento da tentação podemos dizer sinceramente: “Fiz o possível para fugir da tentação” não existe razão para perder a paz e a alegria. 4. O pudor e a modéstia Sempre se disse que a pureza é defendida pelo pudor, virtude que é a parte essencial da temperança. O pudor refuta mostrar aquilo que deve permanecer velado, inspira a escolha no modo de vestir, leva à modéstia que regula os gestos e os movimentos corporais, e mantém o silêncio e a reserva onde se adivinha o risco de uma curiosidade má. Existe um pudor dos sentimentos como também um pudor do corpo. O pudor custodia a intimidade da pessoa e faz viver uma grande delicadeza. 5. Campanha pela pureza A pureza cristã exige o saneamento do clima atual da sociedade, e o cristão tem que lutar contra a permissividade de costumes, que é fruto de uma concepção errônea da liberdade. Ainda


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em Pensamentos Nem em Desejos Impuros

9º Mandamento: Não Consentirás que seja livre, o ser humano não pode deixar-se arrastar pelo erotismo que impregna tantos espetáculos indecorosos de televisão, cinema, teatro, etc.., porque atenta contra a dignidade humana. Poderia-se usar as palavras de um sábio: “Todas as vezes que estive com os homens, voltei menos homem”. Com maior razão o cristão deve trabalhar para que os espetáculos sejam limpos e não ofendam a Deus, como ocorre sempre que encerram uma cultura autêntica. O esforço em favor da castidade ou pureza, que Deus protege com o 6o e o 9o mandamentos, significa contribuir a que os seres humanos sejam mais capazes de si mesmos, e ajuda a purificar e elevar os costumes dos povos. Se não se vive a pureza, as pessoas e os povos se embrutecem, vivendo como animais. 6. Meios para se poder viver e crescer na pureza Pode-se alcançar viver e melhorar a pureza interior mediante a oração – a pureza sempre deve ser pedida –; com a pureza de intenções, que busca cumprir em tudo a vontade de Deus; e cuidando da imaginação e dos olhos – junto com os demais sentidos – para se poder rechaçar qualquer complacência com os pensamentos impuros. 7. Propósitos de vida cristã • Rechaçar imediatamente os maus pensamentos, colocando os meios naturais e sobrenaturais adequados. • Pensar o que é possível fazer na própria família e no ambiente que nos rodeia para criar um clima favorável à pureza. • Viver o pudor e a modéstia.


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Não Cobiçarás os Bens Alheios

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10º Mandamento:

INTRODUÇÃO:

2. Conformidade com o que Deus nos envia

O estado de inocência no qual foi criado o ser humano supunha a mente submetida a Deus, as potencias inferiores à razão e o corpo à alma. O pecado transtornou essa harmonia privilegiada e se desataram as paixões, produzindo um conflito interior de desordem e tensão; também no uso dos bens materiais que o ser humano necessita para subsistir e desenvolver sua vida na terra. E com freqüência o ser humano perde a consciência de sua dignidade; o que deveria ser equilíbrio se converte em desvirtuamento. Esquece que ele vale mais do que as coisas, e se apega às coisas – não se contenta com o necessário e o suficiente – , dando lugar à cobiça, que degrada a pessoa humana. A avareza se explica no pagão, que não tem outra esperança que a dos bens caducos; mas não tem sentido no cristão, que voa com sua esperança teologal para mais adiante do tempo e das coisas efêmeras deste mundo. A meta do cristão é Deus e a glória do céu; não se contenta com menos! Como a avareza se traduz tantas vezes no roubo e na usurpação dos bens do próximo, este preceito do Decálogo trata de ordenar a raiz interior destes pecados e proíbe cobiçar os bens alheios.

O coração se identifica com aquilo que ama, e, se ama sem medida os bens materiais, se faz matéria – coisa – , reduzindo suas aspirações ao pouco bem estar material de alguns anos, não isentos de inquietações frente os riscos. Ao contrário, a conformidade com os bens e as riquezas que Deus dá – e com os que honradamente podem ser adquiridos – faz feliz; a cobiça e a inveja daquilo que não se possui é o que não faz ninguém ser feliz. E se o desejo de se ter bens e lutar por consegui-los com meios lícitos e finalidade honesta, é bom e agrada a Deus, o desejo desordenado ou a cobiça lhe ofende, da mesma forma que degrada o ser humano.

IDEIAS PRINCIPAIS: 1. A avareza, raiz de todos os males Para contrastar a avareza dos que amam este mundo, escreve São Paulo: “Nada trazemos ao mundo e nada poderemos levar dele. Tendo com o que nos alimentar e com o que nos cobrir, estamos com isso contentes. Os que querem enriquecer-se caem em tentações, em laços e em muitas cobiças loucas ou perniciosas, que levam os homens à perdição e à ruína, porque a raiz e todos os males é a avareza, e muitos, por deixar-se levar por ela, se extraviam da fé e a si mesmos se atormentam com muitas dores”(1 Timoteo 6,7-10). A lição de sensatez do Apóstolo não significa que não se deva desenvolver com a inteligência e o trabalho as possibilidades econômicas que ajudam a exercer a liberdade e a promover a família – e também a promover o bem estar dos demais suscitando empreendimentos, riqueza e trabalho, em benefício dos concidadãos – ; significa só que o ser humano não pode escravizar-se submetendose a bens efêmeros, porque ele é mais e vale mais. E, logicamente, a cobiça e a inveja dos bens alheios, que conduz à apropriação ilegítima do que não é seu, deve ser combatida e dominada.

3. O que proíbe o décimo mandamento O décimo mandamento proíbe a avareza ou o desejo desordenado de riquezas, e também o desejo de cometer uma injustiça que provocaria dano ao próximo em seus bens materiais. Proíbe também a inveja ou tristeza que produz ver o bem do próximo, com o desejo desordenado de possui-lo e dele se apropriar, ainda que de forma indevida. Desta inveja – que soe proceder do orgulho – nascem o ódio, a maledicência e a calúnia. É necessário combater um pecado capital do qual nascem tantos males, e se consegue isto com a benevolência, a humildade e o abandono na providência de Deus. 4. O desprendimento dos bens da terra Quando o ser humano tem inteira a sua conduta moral, quer dizer, quando impera a lei de Deus no coração, sobressai o desprendimento dos bens criados, porque o amor de Deus domina todo o ser. Percebe-se com força o que o Evangelho diz: “Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5,3). Por isso, o cristão deve orientar seus desejos na linha da esperança cristã, para que o uso das coisas deste mundo e o apego às riquezas não impeça – contra o espírito da pobreza do Evangelho – buscar um amor perfeito. 5. A luta contra o apego aos bens terrenos O Evangelho exorta à vigilância, e este campo requer uma particular atenção, porque o apego aos bens tira a Deus do lugar que deve ocupar em nossa vida, desorientando-a .O remédio está em fomentar o desejo da felicidade verdadeira, que se alcança – aqui – vivendo na graça de Deus; e depois – na plenitude – no céu, vendo a Deus e gozando de Deus. A esperança de que veremos a Deus supera toda a felicidade. E para


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Não Cobiçarás os Bens Alheios

10º Mandamento:

contemplar e possuir a Deus, é preciso mortificar a concupiscência com a ajuda da graça de Deus, vencendo a sedução do prazer e do poder. 6. É preciso amar e cumprir TODOS os dez mandamentos O décimo mandamento desdobra e completa o nono. Ao proibir a cobiça dos bens alheios, ataca a raiz do roubo, da rapina e da fraude, proibidos no sétimo mandamento. Se não se domina a concupiscência dos olhos, chega-se à violência e à injustiça, proibidos no quinto preceito. A cobiça tem sua origem, assim como a fornicação, na idolatria, condenada nos três primeiros mandamentos da Lei. O décimo mandamento refere-se às intenções do coração; resume, como o nono, os dez mandamentos da lei de Deus. Ao terminar este estudo dos mandamentos se adverte que, efetivamente, são um presente de Deus ao ser humano. Jesus Cristo ensinou-nos a cumpri-los e proclamou as bem aventuranças para nos ensinar o espírito que devemos ter para cumpri-los. Os mandamentos assinalam o caminho do céu de forma clara e objetiva. Mostram como amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, por amor a Deus. 7. Propósitos de vida cristã • Viver desprendidos do que temos e usamos. • Examinar sinceramente a consciência para evitar que nos domine a inveja do bem alheio; saber alegrar-se com os êxitos dos demais.


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da Igreja

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Os Mandamentos INTRODUÇÃO: Todos nós estamos convencidos da importância que existe em observar as leis. No esporte, por exemplo, se não se observa o regulamento – e muitas vezes acontecem “roubos” –, não se pode jogar; mais grave ainda é o respeito devido às leis que, se não cumpridas, provocam mortes e catástrofes: as leis de tráfego. Depois de estudar os dez mandamentos da Lei sabemos que a lei mais importante é a lei de Deus. Como disse Jesus ao jovem rico: “Se queres entrar na vida, cumpre os mandamentos” (Mateus 19,17). Para facilitar-nos seu cumprimento, a Igreja determina algumas obrigações do cristão no que chamamos mandamentos da Igreja. Cristo deu à Igreja a autoridade para governar os fiéis, e sua solicitude de mãe impulsiona a assinalar concretamente qual é a vontade de Deus, ajudando-nos a conseguir o céu. Essa é, em definitiva, a missão da Igreja. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. Jesus Cristo funda a Igreja para nos salvar Já vimos, ao estudar o Credo, que Jesus Cristo veio a terra para nos redimir e nos dar a vida divina; veio a este mundo para fundar a Igreja, que continua sua obra redentora e nos conduz para a salvação. Por isso, escolheu a Pedro e aos demais Apóstolos, para que governassem a Igreja e transmitissem seus poderes para seus sucessores: o Papa e os Bispos. Estes poderes são: ensinar a doutrina de Jesus Cristo, santificar com os sacramentos e governar mediante leis que obrigam em consciência. 2. A Igreja e o poder de promulgar leis Cristo concedeu efetivamente a sua Igreja o poder de governar, e enviou aos Apóstolos e a seus sucessores por todo o mundo para que pregassem o Evangelho, batizassem e ensinassem a observar tudo o que Ele lhes tinha mandado: “Quem vos ouve, a mim ouve” (Lucas 10,16); “Assim como o Pai me enviou, eu vos envio a vós” (João 20,21). Em virtude desta autoridade, a Igreja pode ditar leis e normas. Dentre todas, podemos destacar as que chamamos mandamentos da Igreja. 3. Razão dos mandamentos da Igreja Os mandamentos da Igreja são uma mostra de carinho para com seus filhos porque, ao ditar estas normas, a Igreja pretende tão somente ajudar-nos a cumprir os mandamentos da lei de Deus. A Igreja sabe que pode custar cumprir a vontade de Deus, e por isso, marcou estas obrigações do cristão, que garantem

convenientemente, o caminho da nossa salvação. 4. Quais são os mandamentos da Igreja 1º - Ouvir Missa inteira aos domingos e festas de guarda. Este mandamento obriga – sob pecado mortal – aos fiéis que tem uso da razão e tenham completado sete anos. Desta maneira, a Igreja determina e facilita o cumprimento do terceiro mandamento da lei de Deus. Além disso, pedagogicamente, nos ensina a importância da Missa, para que participemos nela com maior freqüência. 2º - Confessar os pecados mortais ao menos uma vez ao ano, e em perigo de morte e quando se for comungar. Também ao redor dos sete anos começa o uso da razão e já se pode cometer pecados mortais. Daí que a Igreja marque a necessidade de acercar-se ao sacramento da Penitência a partir desta idade da razão, pelo menos uma vez ao ano. Caso se esteja em estado de pecado mortal, é necessário confessar-se antes de se acudir à comunhão, e é conveniente faze-lo com freqüência para poder superar as tentações. De maneira particular urge o preceito de confessar-se quando se está em perigo de morte; seria inconcebível comparecer ante o tribunal de Deus estando em pecado mortal, que nos faria réus do inferno. 3º - Comungar ao menos na Páscoa da Ressurreição. A Eucaristia é um mistério de fé e de amor que nunca poderemos compreender; sem dúvida, desde que temos o uso da razão, podemos nos dar conta da importância que tem este sacramento. A Igreja fixa desde este momento a necessidade de acudir à Comunhão devidamente preparados. Põe como mínimo uma vez ao ano, ainda que deseja que comunguemos freqüentemente. Desta maneira nos ajuda a cumprir melhor o terceiro mandamento da lei de Deus. 4º - Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Igreja. O cristão deve identificar-se com Cristo e não pode viver como um pagão que não domina seus apetites; e tem que fazer algum tipo de sacrifício. Para que não se esqueça disso, a Igreja ordena uma pequena mortificação na comida durante alguns dias do ano: • São dias de abstinência de carne as sextas-feiras da Quaresma que não coincidem com festa de preceito. • São dias de jejum e abstinência de carne a quarta-feira de Cinzas e a sexta-feira santa.


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da Igreja

Os Mandamentos •

São também dias de penitência as sextas-feiras do ano que não sejam festas de preceito. Mas a abstinência imposta por lei geral pode ser substituída – segundo a livre vontade de cada fiel – por qualquer outra forma de penitência recomendada pela Igreja: exercícios de piedade e oração, mortificações corporais e obras de caridade (a missa, oferecer o trabalho, dar uma esmola...).

A lei da abstinência obriga os que já cumpriram quatorze anos.

A lei do jejum obriga desde os vinte e um anos cumpridos até os cinqüenta e nove cumpridos.

5º - Ajudar a Igreja em suas necessidades. A Igreja é mãe e se preocupa com as necessidades de seus filhos: as espirituais e as materiais; por isso reclama dos fiéis orações, sacrifícios e esmolas. Com estes bens pode ajudar os mais necessitados: os pobres, as missões, os seminários... A ajuda material que os cristãos tem obrigação de oferecer à Igreja serve também para atender a dignidade do culto: edifícios, vasos sagrados, ornamentos etc... 5. Propósitos de vida cristã • Aprender os mandamentos da Igreja. •

Rezar todos os dias pelas necessidades da Igreja, pedindo especialmente pelo Papa, pelos bispos e sacerdotes.


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Todos à Oração

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Deus Chama

INTRODUÇÃO: A última parte do Catecismo da Igreja Católica é dedicada à oração cristã. A oração deveria ser – como a respiração, como as batidas do coração – uma coisa normal, co –natural, na vida de cada ser humano. De fato, a primeira reação da criatura humana quando descobre a seu criador – como sucede com o pai e a mãe para o recém nascido – é chamar-lhe, falar-lhe, comunicar-se com Ele, trata-lo. E isto é a oração: falar com Deus, a quem reconhecemos como nosso Senhor, a quem devemos tudo o que temos e somos e a quem, portanto, devemos mostrar reverência e agradecimento, ao mesmo tempo em que expomos a Ele as nossas necessidades e lhe pedimos perdão se não temos correspondido a Seu amor providente e misericordioso. Alguém já disse que “nunca o homem é tão grande como quando está de joelhos”, significando que orar é uma obrigação para a criatura, ao mesmo tempo em que nos eleva à dignidade de podermos dialogar com Deus, o Criador do universo e a fonte de todo bem. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. O que é a oração A oração é algo tão grande que corremos o risco de rebuscar uma definição solene e surpreendente. O velho catecismo diz, com toda a simplicidade, que “orar é falar com Deus”. E, de fato, se uma pessoa põe-se a falar com Deus – com palavras ou sem palavras – movida pela fé, a humildade e a confiança, está fazendo oração. São João Damasceno diz que é “a elevação da alma a Deus”. Santa Teresa de Jesus explica que a oração é “Tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama”. Fiquemos, pois, com esta idéia: orar é falar com Deus; ou, se preferir, “um diálogo com Deus, um diálogo de confiança e de amor”, como ensina o Papa João Paulo II, com o fim de adora-Lo, dar-Lhe graças, implorar o perdão e pedir o que precisamos. Falar com Deus, que é o Criador e Senhor nosso, da mesma maneira que falamos com as pessoas que amamos. 2. A oração é essencial para o ser humano A oração é o resultado do conhecimento e reconhecimento de Deus, Criador, e do conhecimento e reconhecimento da criatura. O conhecimento de Deus se adquire – ainda que seja de forma confusa – à medida que se vão desenvolvendo os conhecimentos, pois necessariamente o ser humano percebe que

depende dos outros. Não é ele quem deu a si mesmo a vida, mas a recebeu de alguém; e outro tanto acontece com tudo o que necessita. Por pouco que os pais e educadores colaborem, a criança descobre a Deus com facilidade. Por isso, as crianças rezam tão bem; os que não rezam ou rezam mal são os mais velhos, que se tornam egoístas e orgulhosos e pedem razões a Deus. E da mesma forma que fala com os pais e os chama, e pede-lhes o que precisa, e os beija e abraça, assim, sentem a necessidade de manifestar o mesmo amor, carinho e confiança para com Deus; e como a Deus não podem vêLo, estas expressões todas se convertem em oração. Por outra parte, e em correlação a isso, ao conhecer-se a si mesmo, a criatura humana sabe de sua limitação e de suas necessidades, e abre-se a Deus em oração, para que Ele nos ajude a resolver-las. 3. A oração no Antigo Testamento O Antigo Testamento apresenta o exemplo dos grandes patriarcas, que foram homens de oração: Abraão, Jacó, Moisés, Davi e os profetas; falavam com Deus como se fala com um amigo, porque Deus, de fato, assim o é. Os Salmos são uma obra mestra de oração dos homens do Antigo Testamento e continuam a ser uma peça fundamental da oração da Igreja. Aí colocaram suas necessidades e sua esperança, que olhava sobre tudo para a vinda do Salvador, tão anelada e suplicada. 4. A oração de Jesus O Verbo encarnado, Filho único de Deus, faz seus discípulos entrarem na intimidade do Pai com o Espírito Santo, sendo modelo perfeito de oração. Ele ensina a tratar a Deus com o exemplo e com a pedagogia de uma instrução precisa: “Pai nosso...”. a) Jesus ora. O Evangelho conta com freqüência que Jesus se entregava à oração, e às vezes na solidão, em segredo. Na oração de Jesus transparecia a identificação com a vontade do Pai até a cruz e a absoluta segurança de ser escutado. b) Jesus ensina a orar. Jesus ensinou seus discípulos a orar: Pai nosso; para reza-lo bem faz falta ter um coração limpo, uma fé viva e perseverante e audácia filial. O cristão ora como filho de Deus e reforça suas petições com a intercessão de Cristo, em cujo nome as apresenta ao Pai. c) Jesus atende a oração. Mesmo que, muitas


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Todos à Oração

Deus Chama

vezes, Jesus tomasse a iniciativa e se adiantava às necessidades, os milagres do Evangelho respondem, em numerosas ocasiões, à petição das pessoas que dele se aproximavam. Jesus escutava e atendia aquela oração. 5. A oração da Igreja Ao longo dos anos, o cristão vai-se convencendo de que o importante é orar, e com esta experiência sabe, se não aprendeu antes, que a Igreja vive em oração, que existe para orar. Assim pode-se compreender melhor a importância da oração – a inestimável ajuda das almas que rezam – e a necessidade de que cada um intensifique o trato com Deus. Por outra parte, é o Espírito Santo aquele que suscita nos cristãos a vida de oração, tão rica e variada: oração de adoração, de benção, de louvor, de petição, de intercessão, de ação de graças, de súplica pelo perdão, segundo os sentimentos que marcam a alma quando fala com Deus. O Espírito Santo é o mestre da oração cristã. 6. A oração de Nossa Senhora Para descobrir e percorrer a senda da oração que agrada a Deus, a Virgem Maria vai a nossa frente, e nos ajuda a seguir por um caminho seguro. Ela meditava os acontecimentos em seu coração, diz São Lucas, em contínuo diálogo interior com Deus; Ela nos ensinou a orar com aquele Fiat (faça-se) fundamental e com o magnificat (seu hino de humildade e reconhecimento); Ela nos introduz no trato com Jesus, como em Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2,5); Ela inaugurou a oração da Igreja após a partida de seu Filho ao céu, reunida com os Apóstolos no Cenáculo, quando “perseveravam unânimes na oração com algumas mulheres, com Maria, a Mãe de Jesus” (Atos 1,14). Devemos ter como exemplo de oração a Ela, nossa Mãe. 7. Propósitos de vida cristã • Ter sempre muita vontade de melhorar nossa vida de oração, e lutar para isso. • Reservar sempre uns minutos no dia para falar com Deus, particularmente ao despertar e ao terminar o dia.


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a Fazer Oração

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Aprender

INTRODUÇÃO: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lucas 11,1), disseram um dia os Apóstolos a Jesus. E Jesus lhes ensinou o Pai Nosso. A nós acontece a mesma coisas, e muitas vezes sentimos a vontade de dizer a Jesus: Ensina-me a orar!; e isto acontece porque é preciso aprender a rezar. Normalmente, o cristão aprende a rezar com a família, que é a “Igreja doméstica”; desde muito pequenos, aos filhos são ensinadas as primeiras orações com as quais se dirigem a Deus, a Jesus, à Santíssima Virgem, aos anjos e aos santos. São orações simples e que se entranham na vida e na mente, e que são conservadas e transmitidas de pais para filhos. Esta realidade vivida em família, vive-se também particularmente na Igreja, que é “comunidade de oração!; se vivemos como bons filhos, esta boa mãe que é a Igreja nos ensinará a fazer oração e nos ajudará para que consigamos ser almas de oração. IDEIAS PRINCIPAIS: 1. As fontes principais da oração A voz que Deus quer ouvir é a nossa voz, a de cada um de seus filhos e filhas, saída de dentro do coração que ora; mas quer também reconhecer nela o timbre de sua própria palavra. Por isso dizemos que a fonte principal da oração é a Palavra de Deus. Na Sagrada Escritura, é Deus quem nos fala – Cristo nos fala – e nos ensina a orar. Aquele que lê a Sagrada Escritura aprende a orar. Também a Liturgia da Igreja, que anuncia, atualiza e comunica o mistério da salvação é oração. Agora, é a Igreja que nos ensina a rezar, e ora em nós e conosco. As virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que se referem diretamente a Deus e nos comunicam com Deusquando vividas, tornam-se oração em nós... Finalmente, os acontecimentos de cada dia: o trabalho, a vida de família, a amizade, o descanso..., são fontes de oração, ocasião de encontro com Cristo porque, como confessa São Josemaria Escrivá, “o tema de minha oração é o tema da minha vida”. 2. A quem se dirige a oração A oração litúrgica ou oração pública da Igreja, dirige-se normalmente a Deus Pai, por mediação de Jesus Cristo, o Filho, na unidade do Espírito Santo. A Trindade, portanto, na identidade de natureza e distinção das pessoas, é o término da oração da Igreja. A referência a Deus Pai é clara, posto que – como princípio sem princípio – é a fonte de toda graça e de todo bem. A mediação

única de Jesus Cristo, por sua Santíssima Humanidade nós a aprendemos de sua própria missão e das palavras de São Paulo. E a intervenção do Espírito Santo vem demonstrada pelo fato de dizer-nos que “o mesmo Espírito vem em ajuda de nossa fraqueza, porque nós não sabemos pedir o que nos convém; mas o mesmo Espírito advoga por nós com gemidos inefáveis” (Romanos 8,26). Desta forma, a oração da Igreja serve como orientação para a oração pessoal, para que aconteça por este sulco verdadeiro da comunicação com Deus uno e trino; quer dizer que, a oração do cristão se dirige a Deus Pai por meio de Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Vai dirigida a Deus e só a Deus. Mas, dada a nossa condição humana – e Deus assim o quer porque participou a bondade da causalidade a suas criaturas – , para chegar a Deus mais facilmente interpôs-nos os anjos e os santos – e de modo singular a Mãe de Deus e São José – para que apresentem nossas necessidades ante Deus. Contando sempre com que são mediadores secundários, que nos ajudam ir a Deus. 3. Rezar em comunhão com a Santa Mãe de Deus Desde o episódio de Cana: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2,5), a Virgem atua sempre da mesma forma, levando-nos a Jesus. Por isso, ainda que a mediação de Cristo é única – Ele é o Mediador - , Deus quis associar Nossa Senhora a si, a sua obra redentora de um modo muito estreito. Como conseqüência, rezamos a Deus e oramos a Cristo, mas Maria é também – por seu exemplo e por sua atuação – um caminho seguro de oração. O canto de Nossa Senhora, no Evangelho de São Lucas, é um modelo de oração – desde a humildade – para agradecer as maravilhas que Deus nela operou; e nós, com Ela, louvamos a Deus. Além de rezar com Maria, acudimos a Ela para confiar-lhe nossas súplicas e louvores, sendo verdade que podemos orar com Maria e a Maria. Também nisto anda junto com seu Filho, e a silhueta da Virgem ajusta-se à de Cristo, de quem comenta Santo Agostinho: “Pede por nós, como nosso sacerdote; ora em nós como que se fosse nossa cabeça; a Ele dirigimos nossas súplicas, como a nosso Deus”. 4. A Ave Maria, a melhor oração à Virgem Por ser Mãe de Deus e nossa Mãe, a Virgem intercede continuamente perante seu Filho, Jesus Cristo, por cada um de nós. Por isso acudimos a Ela com filial confiança, e podemos fazer-lo de muitas maneiras, ainda que a melhor forma seja a de rezar a Ave Maria, que recorda a


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a Fazer Oração

Aprender

saudação do Arcanjo, ao anunciar-lhe o mistério da Encarnação: “Ave, Maria, tu és cheia de graça, o Senhor está contigo”, junto com o louvor de Isabel: “Bendita és tu entre todas as mulheres, e bendito é o fruto de teu ventre” (Lucas 1, 28; 42). A Igreja completou estes louvores com a oração: “Santa Maria, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém”. Mesmo sabendo que o centro da clemência está no sacratíssimo e misericordioso Coração de Jesus e no dulcíssimo Coração de Maria, muitas vezes recorremos à intercessão dos anjos e dos santos, que já contemplam e louvam a Deus e tem o encargo providencial de cuidar de nós enquanto peregrinamos para o céu. E como a Ave Maria é tão bonita – foi composta por Deus – e pensamos que nossa Mães está presente em tudo, também aos anjos e santos os invocamos com a Ave Maria e o Pai Nosso. 5. A escola da piedade A família cristã é a escola natural para educar os filhos na oração; mas a piedade se vê favorecida e completada pela pedagogia do sacerdote, das religiosas, dos catequistas, na catequese, nos grupos de oração e na direção espiritual. 6. Onde fazer oração Podemos falar com Deus sempre e em todo lugar, porque Ele vê tudo, ouve tudo e está em todas as partes; sem dúvida, o lugar mais apropriado para orar é a Igreja, onde Deus está presente de maneira singular. No sacrário está Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, com seu corpo, sangue, alma e divindade; o mesmo que nasceu em Belém, viveu em Nazaré e morreu na cruz. Além disso, lá é celebrada a Santa Missa, que é a oração mais sublime e eficaz, porque é a oração de Cristo e da Igreja inteira unida a Ele, que é nossa Cabeça. Temos de amar muito a Santa Missa, e participar dela sempre que possível, porque é o momento no qual Cristo se oferece em adoração e ação de graças infinita, expiando os pecados e pedindo pelas necessidades de toda a humanidade. 7. Propósitos de vida cristã • Meditar a Ave Maria para compreender melhor o que se reza • Viver bem os detalhes de carinho e respeito quando se está na Igreja: uso da água benta, genuflexão perante o sacrário, inclinação de cabeça ante o Crucifixo e a imagem da Virgem, silêncio, modo de vestir-se, etc....


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de Oração

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

A Vida

INTRODUÇÃO: São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, na França, refere um caso de oração bem singular. Havia na cidade, um trabalhador do campo, que visitava a Igreja quando ia e quando voltava do trabalho; deixava a enxada na porta da Igreja, entrava e permanecia de joelhos um bom tempo diante do Sacrário. O pároco tinha-o observado muitas vezes, e via que o camponês não movia os lábios, mas fixava os olhos no Sacrário. Um dia perguntou-lhe: - João, que dizes ao Senhor, no Sacrário? E João respondeu: - Não lhe digo nada. Eu o olho e Ele me olha. Esplendida maneira de se entender como é fácil tratar ao Senhor na oração! IDEIAS PRINCIPAIS:

b) A oração mental. Na realidade toda oração é – ou deve ser – mental, no sentido de que a alma da oração está na devoção interior; mas nós a qualificamos assim porque nela, toda carga do trato com Deus descansa na atuação da mente e não nas palavras; intervém o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo, confrontando as verdades divinas com a nossa existência real e pessoal para adapta-la ao querer de Deus. 4. Qualidades da oração Ao falar com Deus na oração, devemos cuidar dos detalhes de respeito e delicadeza, assim como cuidamos da educação com as pessoas que tratamos. Daí que a oração bem feita deverá ser:

1. Jesus convida a orar continuamente

Piedosa. Temos de acudir a oração como filhos, porque de fato o somos. O ser humano é uma criatura privilegiada, mas Humilde. Sempre necessitamos de Deus, com necessidades constantes; depende de pois somos pecadores. Deus, que é quem pode resolver as necessidades, e acudimos a Ele na oração. Confiante. Ele nos ama como Pai, nós Jesus recorria continuamente a seu Pai, e os confiamos nele e estamos certos de que nos Apóstolos viram-no freqüentemente entregue à dará sempre o melhor. oração (cf. Lucas 5,16; Mateus 14,23). São Perseverante. Pedir uma e outra vez, sem Lucas recorda como um dia “disse-lhes uma cansaço nem desânimo.Às vezes temos a parábola para mostrar que é preciso orar em todo sensação de que Deus não nos concede o que o momento e não desfalecer” (Lucas 18,1). Com pedimos. É preciso examinar se o que pedimos é o exemplo e a exortação, o Senhor quer que conveniente para nossa salvação, ou se nossos compreendamos a necessidade da oração. pedidos tem as condições acima expostas. 2. Os momentos da oração Porque pode acontecer que rezamos mal ou Geralmente, quando se quer ver uma pedimos o que não é conveniente. determinada pessoa, temos que aguardar; Deus 5. Valor da oração não se faz esperar, mas é Ele quem espera por nós; certamente é uma grande honra falar com À medida que vamos nos habituando à oração, Deus na oração. Podemos orar sempre, mas é nós nos unimos mais com Deus e compreendeboa pedagogia marcarmos alguns momentos do mos melhor seus planos sobre nossa vida e dia para o fazer: ao despertar e quando formos sobre os demais, pondo as coisas da terra em dormir; visitando o Santíssimo Sacramento à seu justo lugar. Da oração saímos fortalecidos tarde; depois de comungar; ao iniciar o trabalho para lutar contra o mal e fazer o bem; para do dia...; sem esquecer que a Santa Missa é – enfrentarmos as dificuldades da vida com como já se disse – o momento cume para louvar, serenidade e alegria. A oração consegue-nos a dar graças, pedir perdão pelos pecados e por nas graça de permanecer até o fim fiéis a Cristo, mãos de Deus nossas necessidades e as de todo cooperando com Ele na redenção do mundo e na o mundo. salvação de toda a humanidade. 3. Modos de orar Cabe aqui dizer que existem infinitos modos de orar, porque Deus guia a cada um por seu caminho, e não se trata de obrigar ninguém a nada; no entanto, a tradição cristã assinala algumas formas principais de oração: a) A oração vocal. É aquela que se realiza também com palavras, como quando rezamos o Pai Nosso e a Ave Maria.

6. Propósitos de vida cristã • Acudir a Deus em todo o momento: nas alegrias e tristezas, na necessidade e na abundância. • Dedicar uns minutos cada dia para fazer oração mental. • Procurar rezar com piedade e confiança as orações vocais.


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TEMA 58

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

o Pai Nosso

A Oração do Senhor: INTRODUÇÃO: Um dia, depois de Jesus ter orado a seu Pai celestial, um discípulo se aproximou e lhe disse: “ Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou seus discípulos” (Lucas 11,1). Então, Jesus lhes ensinou o Pai Nosso: “Pai Nosso, que estás no céu, santificado seja o teu Nome; venha a nós o teu Reino, faça-se a tua vontade na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano, perdoa as nossas ofensas, como também nós perdoamos aos que nos ofendem; não nos deixes cair na tentação, e livra-nos do mal” (Mateus 6,9-13). O Pai Nosso deve ser a nossa oração preferida, posto que ela foi ensinada pelo próprio Deus. IDEIAS PRINCIPAIS:

Invocação inicial. Pai Nosso, que estais no céu. Nos dirigimos a Deus, nosso Senhor e Pai, reconhecendo-nos como criaturas e filhos seus; e dizemos “nosso”, porque o Senhor é nosso Deus e nosso Pai, e nós somos seu povo, membros da Igreja e irmãos de todos os demais seres humanos.

1ª petição.Santificado seja o vosso Nome. Pedimos que o Santo Nome de Deus – só Ele é infinitamente santo – seja reconhecido e honrado por nós e em nós, da mesma maneira que em todas as nações e em cada ser humano.

2ª petição.Venha a nós o Vosso Reino. Pedimos a Deus que reine nas almas pela graça, que seu reinado se estenda por toda a terra e que depois Ele nos dê o reino da glória.

3ª petição.Seja feita a vossa vontade assim na terra como nos céus. Pedimos que todos os que vivemos neste mundo saibamos unir a nossa vontade à de Jesus Cristo, para que cumpramos sempre a vontade de Deus, assim como já a cumprem os bem aventurados nos céus.

4ª petição.O pão nosso de cada dia nos daí hoje. Pedimos que Deus nos dê aquilo que necessitamos para nosso sustento e a conservação de nossa vida corporal e espiritual.

5ª petição.Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Pedimos que a misericórdia de Deus perdoe nossos pecados – coisa impossível se nós não perdoamos de coração aos que nos fizeram algum tipo de mal - , seguindo o exemplo de Jesus Cristo com sua vida.

6ª petição. E não nos deixeis cair em tentação. Pedimos o auxílio para vencer as tentações e perseverar na graça de Deus, o que implica discernimento fortaleza, vigilância e a grande graça da perseverança final.

7ª petição.Mas livrai-nos do mal. Ao final, o cristão – junto com toda a Igreja – pede a Deus que manifeste a vitória conquistada por Cristo sobre Satanás,

1. O Pai Nosso, a principal oração cristã A oração fundamental do cristão é o Pai Nosso, que os Apóstolos aprenderam dos lábios de Jesus. Por isso é conhecida também como “oração dominical”, porque vem do Senhor. Tertuliano afirma que “a oração dominical é, na verdade, o resumo de todo o Evangelho”. É pois indubitável que se trata da oração mais perfeita de todas, sendo a oração por excelência da Igreja. Como não podia deixar de ser, o Pai Nosso modela a oração constante da Igreja e de cada cristão em particular: na Missa, nos sacramentos, na liturgia das horas, nos sacramentais, no Santo Rosário, a presença do Pai Nosso é constante. 2. Jesus Cristo nos ensinou o Pai Nosso Como vimos, o mesmo Jesus Cristo nos ensinou com quais palavras devemos nos dirigir a nosso Pai do céu. Somos seus filhos pela graça, sabemos que Ele nos ama e que está disposto a dar-nos tudo o que lhe pedirmos em nome de seu Filho, Jesus Cristo. Por isso, o Pai Nosso é, sem dúvida, a oração que mais agrada a Deus. Devemos reza-la com atenção e devoção, dando-nos conta do que dizemos e esforçandonos para que o coração se identifique com as petições que pronunciamos com a nossa boca. Por isso, será importante conhecer bem o sentido do Pai Nosso. 3. O conteúdo do Pai Nosso O Pai Nosso tem uma invocação inicial e sete petições, que se referem – as três primeiras – à glória de Deus Pai; a santificação de seu Nome, a vinda de seu Reino e o cumprimento da Vontade divina; as demais, apresentam a Deus nossos desejos ou necessidades.


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o Pai Nosso

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

A Oração do Senhor: príncipe dos demônios, que se opõe frontalmente a Deus e a seu plano de salvação. Pedimos pois, que nos livre dos males, principalmente do pecado e da morte eterna. Para confirmar as petições, fora da Santa Missa, dizemos Amém, querendo significar: assim pedi ao Senhor e assim espero que sua divina misericórdia realize: Amém significa “assim seja”, assim se realize o que pedi. 4. Rezar o Pai Nosso com devoção Sendo o Pai Nosso uma oração tão bela e que tanto agrada a Deus, é lógico que procuremos reza-la com especial atenção: não podemos faze-lo mecanicamente, repetindo palavras só com a boca, mas colocando a inteligência e o coração no que dizemos, ou seja, com atenção e devoção. 5. Propósitos de vida cristã • Repassar, para sabe-las muito bem, as orações comuns dos cristãos: o Pai Nosso, a Ave Maria, o Credo. • Colocar toda a atenção e devoção nas orações vocais. • Meditar com freqüência nas orações vocais.


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ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Virgem Maria

A Devoção à Santíssima INTRODUÇÃO:

imagens da Virgem para que possamos lembrarnos com freqüência dela. Ao ver sua imagem, O feito mais importante da história é que o Filho podemos dirigir-lhe pequenas orações de Deus fez-se carne nas puríssimas entranhas da Virgem Maria, fazendo-se homem para habitar (jaculatórias). entre nós e salvar-nos do pecado. A Virgem, c) O Angelus ou o Regina Coeli. Muitos cristãos portanto, é Mãe de Deus. Mas também é nossa tem o costume de rezar ao meio dia a oração do Mãe, mãe de toda a humanidade e, Ângelus (No tempo pascal o Regina Coeli). Com especialmente, mãe dos cristãos; no Calvário Jesus entregou-nos Maria como Mãe. Momentos esta oração recordamos à Virgem nos momentos importantes de sua vida como a Encarnação e a antes de morrer, vendo sua Mãe e o discípulo Ressurreição de seu Filho. amado que a acompanhava, disse: “Mulher, eis aí teu filho;... Eis aí tua Mãe” (João 19,26-27). d) O Santo Rosário. Vamos repetindo as AveCom razão a Igreja não cessa de exortar a seus filhos para que vivam uma terna e filial devoção à Marias enquanto se meditam os diversos mistérios da nossa Redenção. É uma tradição Santíssima Virgem. Neste último tema do muito arraigada entre os cristãos e vivamente Resumo do Catecismo da Igreja Católica busca recomendada pela Igreja. Pode ajudar-nos a aumentar a devoção à Virgem. Oxalá saibamos querer mais a Virgem, e sabemos que agrada acudir sempre a Ela, pedindo-lhe que nos faça muito a Nossa Senhora esta oração. bons filhos, bons cristãos e seguidores fiéis de seu Filho, Jesus Cristo! e) O mês de maio. Neste mês, a Igreja deseja IDEIAS PRINCIPAIS: honrar de modo especial à Virgem: adornam-se de flores os altares e a cada dia, pode-se ter um 1. A Virgem Maria é nossa Mãe detalhe de amor a Nossa Senhora. A Santíssima Virgem ocupa o primeiro lugar entre os anjos e santos do céu porque é a Mãe de f) O escapulário do Carmo. A Virgem prometeu a Jesus, nosso Redentor. Como Jesus é nosso São Simão Stock (século XIII) que aqueles que irmão, a Virgem é também nossa mãe; quando morressem com seu escapulário não se estava morrendo na cruz, Jesus nos deu Maria condenariam. O fato de usa-lo nos recorda a como mãe: “Eis aí tua Mãe”, disse Jesus a João, Nossa Mãe e permite que acudamos a Ela a que naquele momento nos representava a todos. cada momento. Assunta ao céu em corpo e alma, desde lá ela intercede por nós como boa mãe que é. g) O sábado. É o dia da semana por excelência 2. Nós, cristãos, veneramos a Maria de um modo muito especial Do mesmo modo que João cuidou da Virgem Maria depois da ascensão de Jesus ao céu, também nós devemos ama-la e venera-la como bons filhos. Assim tem feito os cristãos ao longo dos séculos, e todos os santos sempre tiveram uma devoção especial à Virgem; daí que tenham surgido tantas formas de honrá-la. Nós, cristãos de hoje, devemos conhece-las e pratica-las, se quisermos manifestar o nosso amor à Mãe do céu. 3. Devoções marianas a) Oração à Virgem ao despertar e ao recolherse. Às mães agrada-lhes que os filhos as cumprimentem pela manhã e delas se despeçam à noite. À Virgem – nossa Mãe – também isso lhe agrada. Podemos faze-lo rezando três AveMarias e alguma outra oração, como por exemplo, a “Consagração a Nossa Senhora”. b) Venerar as imagens da Virgem. Nas Igrejas, casas, etc... os cristãos colocam quadros e

dedicado à Virgem. Além de outras devoções marianas, podemos rezar ou cantar a “Salve Rainha”. h) As visitas aos santuários marianos. Em todo o tempo, mas de modo particular no mês de maio, os cristãos visitam os santuários e imagens da Virgem, para honrá-la e aumentar assim sua devoção. Pode-se ir rezando o rosário, com espírito de recolhimento e de mortificação. i) As festas de Nossa Senhora. Ao longo do ano, a Igreja celebra com alegria as festas da Santíssima Virgem. Nós devemos nos unir a estas comemorações com verdadeira alegria filial. As principais festas de Nossa Senhora são: • 1º de janeiro: Santa Maria, Mãe de Deus. •

2 de fevereiro: A Purificação de Nossa Senhora

25 de março: A Anunciação

15 de agosto: A Assunção ao céu em corpo e alma


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Virgem Maria

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS : ANO DA FÉ : CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

A Devoção à Santíssima •

8 de setembro: A Natividade de Maria

12 de outubro: Nossa Senhora Aparecida

8 de dezembro: A Imaculada Conceição

4. Aumentar sempre o amor a Nossa Senhora A vida do cristão é um caminhar em direção a Deus: dele viemos e para Ele nos dirigimos. A Virgem nos acompanha, protege e ajuda. Devemos aumentar nosso amor a Ela, tratando-a com especial carinho, oferecendo-lhe as coisas da nossa vida, acudindo sempre com confiança à sua poderosa intercessão, vivendo as devoções que vimos acima. Nosso amor à Virgem deve ser grande, constante e sempre crescente. 5. Propósitos de vida cristã • Repassar, para sabe-las muito bem, as orações comuns dos cristãos: o Pai Nosso, a Ave Maria, o Credo. • Concretizar alguma devoção Mariana, vivendo-a com carinho e perseverança. • Repassar as orações dirigidas a Nossa Senhora, para sabe-las rezar bem.


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FONTES

Bibliografia •

Material baseado no livro "Curso de Catequesis" do Editorial Palavra, Espanha, de autoria de Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela, traduzido para o português por Dom Antônio Carlos Rossi Keller.

Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo Beato João Paulo II em 1992.

Compêndio do catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo Papa Bento XVI em 2005.

Carta Apostólica do Papa Bento XVI sob forma de "Motu Proprio" Porta fidei com a qual se proclama o Ano da Fé, 11 de outubro de 2011.

Nota com indicações pastorais para o Ano da Fé, Santa Sé, 6 de janeiro de 2012.

Decreto da Penitenciaria Apostólica com o qual se concedem indulgências por ocasião do Ano da Fé,14 de setembro de 2012.

SETOR IMPRENSA

Arquidiocese de Campinas Arcebispo Metropolitano Dom Airton José dos Santos Direção Padre Rodrigo Catini Flaibam Editora Chefe Bárbara Beraquet, MTb 37.454 Jornalista e Repórter Wilson Antonio Cassanti, MTb 32.422 Apoio Mariana Ignácio Maristela Domingues Nathália Trindade João do Carmo Costa Rua Lumen Christi, 02, Jardim das Paineiras 13092-320, Campinas, SP, Brasil Tel. +55 (19) 3794.4650 asscom@arquidiocesecampinas.com www.arquidiocesecampinas.com


Ano da Fé: Catecismo da Igreja Católica - Fichas de Estudo e Reflexão  

Fichas de Estudo e Reflexão sobre o Catecismo da Igreja Católica.

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