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Universidade Federal do Ceará Centro de Tecnologia Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho Final de Graduação | Junho 2018

2 ATO o

Escola de Dança e Outras Artes Cênicas

Ana Paula Carmo Rodrigues Sob orientação do Prof. Me. Bruno Melo Braga


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Federal do Ceará Biblioteca Universitária Gerada automaticamente pelo módulo Catalog, mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

R6112 Rodrigues, Ana Paula Carmo. 2° ATO : Escola de Dança e Outras Artes Cênicas / Ana Paula Carmo Rodrigues. – 2018. 186 f. : il. color. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Curso de Arquitetura e Urbanismo, Fortaleza, 2018. Orientação: Prof. Me. Bruno Melo Braga. 1. Reabilitação. 2. Estruturas obsoletas. 3. Escola de Artes Cênicas. 4. Teatro. 5. Café. I. Título. CDD 720


2 ATO o

Escola de Dança e Outras Artes Cênicas

Banca Examinadora

Professor Orientador: Bruno Melo Braga

Professor Convidado: Renan Cid Varela Leite

Arquiteto Convidado: Igor Lima Ribeiro Junho 2018


UMA BREVE REFLEXÃO Estive esperando para escrever essa parte há algum tempo, mas, quando o momento chegou, tudo ficou em branco, como se eu tivesse tanto a agradecer que não saberia por onde começar. Depois de mais de seis anos estudando esse curso tão árduo e belo, percebi como a vida é incrivelmente misteriosa, de tal forma que tudo isso já estava planejado há muito tempo. Quando eu, ainda pequena, dividia meu quarto com meu irmão mais velho e aprendia a compartilhar o espaço. Quando eu visitava apartamentos em construção e ficava sonhando com um quarto só meu, cor de rosa. Quando eu tentava desenhar a planta da construtora numa folha a4 e decidia como tudo seria. Quando eu, quase adolescente, visitava as obras da nossa casinha junto ao meu pai e não entendia nada, mas esperava ansiosa por ver tudo pronto. É bem verdade que no final nunca tive este idealizado quarto decorado, mas sinceramente vejo que não há um espaço que eu goste mais em minha casa do que o meu. A cada ano e a cada nova fase de nossas vidas, fui descobrindo um novo eu e meu cantinho hoje tem várias PAULAs dentro de si. Quando menos espero, meu sonho virou realidade e, apesar das dúvidas de todo adolescente, eu não poderia ter escolhido outro curso senão esse, repleto de arte e sensibilidade. Com muita alegria, meus planos coincidiram com os de Deus e passei na primeira vez que tentei. Não porque isso fosse garantido só pelos anos estudando arduamente no colégio, mas porque assim deveria ser. Porque eu sempre tive uma família amada me apoiando e torcendo por mim. Porque eu iria conhecer pessoas incríveis: professores atenciosos a quem devo muitos dos meus conhecimentos e amigos queridos que compartilham suas alegrias e angústias comigo, até que um deles virasse também um amorzinho paciente e conselheiro. Porque eu viajaria para o país que sempre admirei ao lado dele e abriria minha mente para o que de fato importa na arquitetura e na vida. Porque eu conheceria a Samia em meu retorno, que cuidaria de meu novo início com a paciência e o cuidado que só seu coração poderia me oferecer, para então seguir junto à equipe da Ri, que ampliaria minha experiência, sempre me lembrando que, mesmo nas correrias, não podemos nos esquecer de aproveitar os momentos felizes. Finalmente, porque Deus já traçou nossos caminhos e mal posso esperar pelas aventuras que virão em seguida, o meu muito obrigada a todos que participaram desse capítulo da minha história.

Escrito ao som de “Début” de Mélanie Laurent


AGRADECIMENTOS A Deus, por sempre me dar forças, saúde e entusiasmo para seguir em frente com meus sonhos. À minha família, por cuidar de mim com muito amor e compreensão e acreditar no meu potencial, muitas vezes mais do que eu mesma. Ao Rodericki, por ter apoiado, desde o início, meu desejo em trabalhar com este tema e esta edificação, mesmo quando muitos não acreditavam no meu propósito, e também por ter colaborado com boas referências e opiniões. Ao meu orientador Bruno Braga, por ter me acolhido quando me vi sem direção, sempre com muita paciência e solicitude. Ao Baden, por compartilhar reflexões relevantes e encorajar o meu tema. Ao Arq dos ExBixos, por ser uma turma tão querida do início ao fim. Às minhas amigas charmosas, em especial Mama, Camie, Tatinelle, Camis, Gabi e seus companheiros, por participarem desse processo comigo e compartilharem suas experiências, mantendo nosso sentimento de amizade vivo, mesmo nas correrias. Às minhas amigas dorameiras, Bela e Ju, às minhas amigas do colégio Rach, Vivi, Mags, Ping e Belle, aos meus amigos do francês, Renan, Stephanie e Bia, que ouviram muitos desabafos nos últimos meses e me deixaram mais calma de alguma forma. Ao Paulo Cunha, por tirar dúvidas de estrutura, mesmo estando a se aposentar. Aos funcionários da CONAB, que se prontificaram em me acompanhar nas visitas à edificação e disponibilizar informações sobre a história do local. Às pessoas que me contaram sobre suas experiências e memórias na antiga COBAL, dentre elas João Damasceno, sempre trazendo novidades quando via algo sobre o tema. Aos bailarinos e escolas que me receberam em seus espaços, colaborando com suas vivências de prática da dança.


RESUMO O presente trabalho objetiva instigar uma reflexão acerca do destino de estruturas obsoletas à medida que propõe uma postura mais sensível sobre edificações imperfeitas, simples e corriqueiras que se encontram subutilizadas e que, muitas vezes, passam despercebidas pelo olhar desatento, mostrando que reabilitá-las com novos usos pode proporcionar resultados muito agradáveis sem a necessidade de demoli-las. Assim sendo, após identificada uma dessas estruturas no bairro da Gentilândia, desenvolvese um estudo para a requalificação do edifício da antiga COBAL, atualmente sem uso, transformando-o em um equipamento cultural voltado para o estudo da dança e de outras artes cênicas complementares, com espaços para execução de espetáculos e apreciação de trabalhos desenvolvidos pelos integrantes da escola. Para isso, buscou-se compreender as relações sociais desenvolvidas ao longo dos anos e as potencialidades de seu entorno, bem como as demandas dos artistas a fim de definir um programa mais adequado à nova função, conferindo, portanto, uma segunda chance ao que se encontrava esquecido. Palavras-chave: Reabilitação de estruturas obsoletas, Escola de Artes Cênicas, Café, Espaço para exposições, Teatro.


SUMÁRIO

1.

2.

3.

INTRODUÇÃO

ref. teórico

ref. projetual

pgs 12-19

pgs 20-61

pgs 62-79

Objetivos

Arquitetura do ABANDONO pgs 20-36

Metodologia

A beleza do imperfeito

Teatro Erótides de Campos - Engenho Central / Brasil Arquitetura

Um novo olhar sobre estruturas abandonadas

Museu de Arte Contemporânea Garage / OMA

DANÇA E Arquitetura

Red Bull Music Academy / Langarita Navarro Arquitectos

Justificativa

pgs 37-61

O corpo em Movimento no Espaço Arquitetônico Cena artística em Fortaleza Opinião dos bailarinos

SESC Pompéia / Lina Bo Bardi


4.

5.

6.

sobre o lugar

SOBRE O NOVO USO

CONCLUSÃO

pgs 80-125

O ENTORNO pgs 80-107

pgs 126-167

pgs 168-185

Premissas do projeto

Considerações Finais

Programa de necessidades

Bibliografia

Fluxograma

Lista de Imagens

Desenvolvimento

Lista de Mapas

Localização e Legislação História Aspectos naturais Implantação Situação sócio-econômica e demográfica

Estrutura

Vias e meios de transporte

Materiais

Oportunidades

Imagens

A EDIFICAÇÃO pgs 108-125

Desenhos Técnicos

A história do galpão Aspectos marcantes Opinião dos moradores


Imagem 1 Rita Hayworth and Fred Astaire


1. INTRODUÇÃO


CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

JUSTIFICATIVA Na conjuntura atual em que a aplicação dos princípios da sustentabilidade mostra-se cada vez mais indispensável, surge uma reflexão no campo da arquitetura acerca do destino de estruturas obsoletas. Pressupondo que essas estruturas podem representar um obstáculo a uma criação projetual mais livre e descomplicada, muitos arquitetos optam em desconsiderá-las em suas proposições. Ao buscar uma arquitetura esteticamente mais atual, acabam também por negligenciar a beleza do imperfeito, da simplicidade, do corriqueiro e da passagem do tempo, cenário de muitas relações no passado que ajudaram a compor o que hoje existe. O uso finda, mas o espaço permanece e, com ele, as memórias ecoam à procura de uma segunda chance. Sobre esse assunto, Hélio Duarte (19-?, p. 22) observou:

(...) o homem, quer como indivíduo quer como coletividade, está constantemente a evolver numa transformação contínua, biológica, econômica e social. Assim suas necessidades e em consequência o programa da obra de arquitetura – expressão dessas mesmas necessidades num dado intervalo de tempo – deve necessariamente, refletir, também, essa evolução. Este é um fenômeno essencialmente dinâmico e que se contrapõe ao estático dos sistemas materiais da construção. (...) Aqui está todo o drama do envelhecimento funcional da obra de arquitetura. À par da vida material de uma obra, à par de sua vida plástica, impõese à observação a análise, o tempo de duração de sua vida funcional. Claro está que é muito variável em importância no decorrer do tempo e de acordo com o programa, o desajustamento entre a obra e sua função, entre o que é e sua razão de ser.

Isto posto, o trabalho em questão convida a um novo olhar sobre essas estruturas abandonadas, assimilando as fissuras do tempo e acolhendo-as por meio da reabilitação desses espaços. Em Fortaleza, por exemplo, observa-se a existência de muitos imóveis que se enquadram nessa discussão, sobretudo nas regiões centrais e seus arredores, primeiros locais urbanizados, possuidores de um passado nobre, mas atualmente muitas vezes esquecidos em face dos novos rumos de expansão populacional no território da cidade. Alguns casarões e edifícios mais antigos até conseguem adquirir valor patrimonial, mas estruturas mais recentes, muitas vezes mais simples e com determinados programas, como galpões e fábricas, apresentam mais dificuldade em receber uma atenção especial. 14


CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

Imagem 2 Edifício da Antiga COBAL, no cruzamento da Rua Jorge Dumar e da avenida Eduardo Girão

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CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

Nesse contexto, observou-se a presença de uma edificação subutilizada, pertencente à antiga Cobal e atual Conab, em um terreno amplo, permeável e convidativo, junto ao canal da Avenida Eduardo Girão, na área compreendida pela Gentilândia. Próxima a bairros com um forte caráter artístico, como o Benfica, apresenta não só um público mais maduro, fruto da rica história do bairro, mas também jovem, devido à instalação da Universidade Federal do Ceará, desde a década de 1950. (imagem 2) Assim sendo, despontou a proposta de conferir um novo uso de caráter cultural para o prédio identificado, por meio da implantação de uma escola de dança e outras artes cênicas complementares, associada aos equipamentos já consolidados, em especial os de caráter universitário, de modo a descentralizar os pontos de interesse e fortalecer o aspecto sócio-econômico e artístico da região em estudo. A mudança de ato, no contexto teatral, refere-se a uma divisão no espetáculo para que ocorra uma mudança de cenário e se inicie um novo momento na sua história. Algo similar acontece ao propor este novo uso de uma escola de artes cênicas para o antigo prédio da Cobal, o que nos leva ao nome deste projeto: Segundo Ato.

OBJETIVO GERAL O presente trabalho propõe a requalificação do edifício subutilizado da antiga COBAL, conferindo-lhe um novo uso de caráter cultural, voltado para o ensino da dança e de outras artes cênicas complementares, atentando para as qualidades de seu entorno com o aproveitamento do potencial paisagístico e a melhoria da infraestrutura local.

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CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Propor um novo olhar sobre as edificações subtilizadas ou abandonadas em nossa cidade, reconhecendo as potencialidades de aproveitamento de suas estruturas por meio de projetos de requalificação, com atribuição de novos usos; • Examinar os aspectos positivos de projetos nacionais e internacionais bem sucedidos no aproveitamento de edificações obsoletas para melhor auxiliar nas decisões de intervenção sobre o prédio da antiga Cobal;

• Analisar como o espaço arquitetônico se relaciona com o corpo em movimento, de modo a influenciar as escolhas e as criações dos artistas, justificando a importância de espacializar as peculiaridades da dança e de outras artes cênicas no desenvolvimento projetual; • Compreender as carências dos bailarinos nas mais variadas instituições de ensino de dança de nossa cidade, bem como de outros locais do Brasil e do exterior, para a elaboração de um programa de necessidades mais adequado que solucione os problemas identificados no cotidiano desses artistas; • Resgatar a história do bairro em estudo e entender as relações sociais desenvolvidas ao longo dos anos, observando as dificuldades atuais enfrentadas pelos moradores, para a elaboração de uma proposta de intervenção mais apropriada ao contexto em que a edificação está inserida; • Propor um novo núcleo para trocas de experiências culturais, reconhecido não só como um espaço de convívio saudável entre artistas, mas também pela atenção a questões como conforto ambiental e sustentabilidade.

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CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

METODOLOGIA

INTRODUÇÃO Apresentação geral do trabalho através da definição do tema, explicando brevemente o processo de identificação do problema e listando metas para propor soluções mais adequadas ao prédio e ao terreno em estudo.

REFERENCIAL TEÓRICO A partir de uma pesquisa bibliográfica baseada em livros, artigos, documentários e entrevistas, além da experiência pessoal da autora, esse capítulo se divide em dois momentos. Primeiramente, propõe-se uma reflexão sobre o problema identificado, referente ao destino de estruturas obsoletas, reconhecendo a beleza no improvável, bem como o seu potencial de aproveitamento. Em um segundo momento, estuda-se sobre o novo uso escolhido, abordando a interação entre o espaço arquitetônico e a criação artística, com destaque para a prática da dança. Além disso, a cena local foi investigada por meio do lançamento de um questionário e da realização de visitas às escolas mais relevantes de nossa cidade para entender as demandas dos bailarinos e auxiliar nas decisões relativas ao programa.

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CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

REFERENCIAL PROJETUAL Estudo de obras nacionais e internacionais que abordem o tema em debate ou apresentem um uso cultural semelhante ao proposto neste trabalho, analisandose aspectos arquitetônicos e urbanísticos bem sucedidos que possam repercutir nas decisões projetuais.

SOBRE O LUGAR Apresentação do sítio urbano escolhido através do seu levantamento, análise e diagnóstico sócio-ambiental e do resgate de sua história e das relações desenvolvidas ao longo dos anos para melhor compreensão do contexto do prédio a ser requalificado, cujas características mais marcantes também serão pontuadas.

SOBRE O NOVO USO Explicação do desenvolvimento projetual em resposta aos problemas identificados e às pesquisas realizadas nas fases anteriores, contendo desenhos e imagens para representação das soluções propostas.

CONCLUSÃO Análise acerca do processo projetual e dos resultados obtidos.

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Imagem 3 Cena do filme Moonrise Kingdom (2012)


2. REFERENCIAL TEÓRICO


CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

ARQUITETURA DO ABANDONO A BELEZA DO IMPERFEITO

Não é restrita à época atual a busca incessante em se conquistar um padrão de beleza, mas seria mesmo possível impor o que merece ser exaltado como belo? Ainda que as pessoas vivam em um mesmo local, segundo os mesmos costumes e sob as mesmas influências, são visíveis as diferenças de gostos e pontos de vista sobre determinado assunto. Essas divergências, muitas vezes, nos causam certo estranhamento, pois julgamos ser o nosso gosto o mais correto dentre os demais e ficamos confusos ao percebermos que as pessoas possuem outra convicção sobre o objeto analisado, levando-nos a refletir acerca de nossas próprias inclinações. É inegável que gostos não se discutem e que a beleza é percebida por cada pessoa à sua maneira, dependendo não só de fatores biológicos, mas também das preferências pessoais definidas diante das experiências de cada um no decorrer da vida. Em “Do padrão do gosto”, Hume (1999) observa que o que agrada uma pessoa pode desagradar outra sem que o objeto em observação tenha aspectos intrínsecos que o determinem como bonito ou feio. Simplesmente ele foi percebido de uma maneira diferente por pessoas com experiências próprias e, consequentemente, gostos discordantes. Ou seja, a beleza está no espírito de quem contempla, não sendo possível chegar a um padrão de gosto, já que todo sentimento é correto e válido e não tem outra referência se não ele mesmo. Para que a beleza seja percebida, é fundamental que o indivíduo apresente o que Hume chama de delicadeza do gosto. Este é um ponto crucial para ele, pois nem todas as pessoas apresentam essa sensibilidade, mas muitas a buscam. Trata-se possivelmente de uma predisposição inerente ao indivíduo, algo que uns apresentam mais do que outros quando nascem, mas que pode melhorar com a prática da observação e a ampliação do conhecimento de mundo.

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

As qualidades que estão mais tendenciosas a agradar podem ser tão discretas que poucas pessoas seriam capazes de reconhecer sua beleza. É preciso um gosto apurado para que isso ocorra. Dessa forma, aqueles que possuem uma percepção já treinada e livre de preconceitos, buscando compreender a cultura, a época e o lugar que configuram determinado contexto, tendem a evitar julgamentos superficiais e a contemplar com outros olhos objetos comumente desconsiderados belos. Nesse sentido, pode-se evocar também pensamentos de uma concepção estética japonesa conhecida como Wabi-Sabi, a qual propõe uma reflexão sobre um tipo peculiar de beleza. De forma sucinta:

Wabi Sabi é uma beleza de coisas imperfeitas, impermanentes e incompletas. É uma beleza de coisas modestas e humildes. É uma beleza de coisas não convencionais. ¹ (KOREN, 2008, pág. 7, tradução nossa)

Ou seja, Wabi-Sabi nos convida a observar com mais cuidado a beleza dos pequenos detalhes, quase escondidos, que muitas vezes passam despercebidos pelos olhares desatentos e obcecados por tudo aquilo que é monumental, espetacular e impecável, aspectos bastante valorizados no mundo ocidental. Sugere-se a busca da beleza no que é geralmente considerado feio, pois, sob circunstâncias apropriadas, ela pode ser espontaneamente percebida em objetos muito simples e até desgastados pelo ação do tempo. (imagem 4)

¹ “Wabi Sabi is a beauty of things imperfect, impermanent, and incomplete. It is a beauty of things modest and humble. It is a beauty of things unconventional.” (KOREN, 2008, pág. 7)

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 4 A poesia de uma composição simples, com superfícies e texturas desgastadas pelo tempo, junto a novos objetos

Imagem 5 Cerâmica reparada segundo a prática do Kintsugi

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Essa filosofia de vida surgiu como uma reação ao perfeccionismo chinês do século XVI, encontrando sua plenitude durante a realização de cerimônias de chá, onde prevalece a igualdade e nada ou ninguém é melhor, mais bonito e mais valioso depois de entrar nas salas da solenidade. Um episódio bastante marcante ocorreu quando o shogun Ashikaga Yoshimasa, ao quebrar uma de suas tigelas de chá favoritas, pediu que a consertassem e recebeu em retorno a cerâmica restaurada, com seus fragmentos unidos a partir de uma mistura de laca e pó de ouro. Essa prática, chamada Kintsugi (ou Kintsukoroi), aparece, então, como um desdobramento da estética Wabi-Sabi e demonstra que as partes quebradas não representam o fim, mas um momento essencial na história daquele objeto, na medida em que os reparos realçam sua individualidade e a beleza das marcas da sua existência, mostrando como o imperfeito e o vulnerável também possuem seu valor. (imagem 5) Diante disso, é possível trazer muitos desses questionamentos e preceitos para o campo da arquitetura: como lidar com estruturas simples, corriqueiras, desgastadas ou abandonadas ao vazio do esquecimento das relações que um dia já se desenrolaram em seus espaços? E como incorporar a passagem do tempo como um aspecto positivo ao projeto ao invés da prática comum de substituir os materiais quando estes envelhecem e se tornam esteticamente desagradáveis para muitas pessoas? De fato, existe um tempo natural de uso e desuso para as coisas, diferentes fases que constituem sua trajetória. Mas do vazio que surge em determinado momento, pode emergir um novo impulso, uma nova vitalidade ao nos apropriarmos mais uma vez desses espaços, cheios de possibilidades.

E o nada em si - em vez de ser espaço vazio, como no Ocidente - está vivo com possibilidade. Em termos metafísicos, Wabi-Sabi sugere que o universo está em constante movimento de aproximação ou de afastamento de seu potencial. ² (KOREN, 2008, pág. 45, tradução nossa)

É fundamental, portanto, que nos aproximemos desses locais para entendê-los e senti-los, incorporando não só o espaço, mas também o decurso natural do tempo no processo projetual, com suas irregularidades, seus traços simples e delicados, cheios do calor das memórias, para oferecer-lhes uma nova chance. (imagem 6) ² “And nothingness itself - instead of being empty space, as in the West - is alive with possibility. In metaphysical terms, Wabi-Sabi suggests that the universe is in constant motion toward or away from potential.” (KOREN, 2008, pág. 45)

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CAPÍTULO 2

Imagem 6 Intervenção em fábrica abandonada no Taiwan por Interbreeding Field (2010)

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

UM NOVO OLHAR SOBRE ESTRUTURAS ABANDONADAS

A dinâmica dos espaços em uma cidade revela-se instigante e envolvente na medida em que diversos momentos e estilos arquitetônicos coexistem ao longo dos anos. O antigo e o novo se articulam e causam diferentes impressões nas pessoas: enquanto algumas delas consideram desagradáveis os locais desgastados e abandonados, outras os vêem de forma interessante e provocativa, pois as levam a propor questionamentos e estimulam a sua interpretação não só das memórias de um passado esquecido pela maioria, mas também das possibilidades futuras para essas áreas. (imagem 7) O processo de abandono pode se apresentar em duas escalas, simultaneamente ou não: a do próprio edifício, relacionada ao envelhecimento natural de sua materialidade, e a da cidade, na medida em que as relações e as necessidades dos indivíduos se transformam a depender do contexto, seja no âmbito social, cultural, econômico ou político. Uma vez que o uso finda e as relações que se desenvolviam nesses espaços cessam, permanece ainda a forma abandonada e, com ela, as lembranças de uma história suprimida em meio à correria do cotidiano. Deixa-se de lado, muitas vezes sem se perceber, a vida e o ânimo que um dia gerou movimento. Sedimentam-se nessas formas arquitetônicas as experiências e os comportamentos vividos, indicando os acontecimentos e os padrões do passado, bem como construindo o que existe hoje. A arte, como analisa Nietzche (2011), acolhe até o que comumente é considerado feio e grosseiro, o que é degradado e causa medo, permitindo que, mesmo em tempos difíceis, a vida continue admirável e surpreendente. Assim, levanta-se novamente a oportunidade de encontrar a beleza no efêmero, no finito e no inevitável, de permitir-se apreender o que nos cerca de outra forma, sem precisar fugir dos abandonos, mas pelo contrário, aceitar as imperfeições da passagem do tempo, sinalizadas na materialidade dos objetos em observação. Trata-se de ver essas edificações descuidadas com um olhar curioso, assumindo seu aspecto sublime entre aquilo que decai, mas persiste. Essas reflexões nos levam a conceitos muito importantes para o tema, dentre elas as de monumento e monumento histórico. A princípio, pode-se dizer que o monumento apresenta como propósito sensibilizar pela lembrança, consistindo em algo criado para servir como testemunho do passado para outras gerações. Entretanto, com o passar dos anos, seu significado começou a se direcionar a valores estéticos e de prestígio, adquirindo, aos poucos, o caráter de embelezamento, poder e grandeza que denota atualmente. O monumento histórico, por sua vez, como afirma Choay (2001, p.25-26), “não é, desde o princípio, desejado (ungewollte) e criado como tal; ele é construído a posteriori pelos olhares convergentes do historiador e do amante da arte que o selecionam na massa dos edifícios existentes, dentre os quais os monumentos representam apenas uma pequena parte. Todo objeto do passado pode ser convertido em testemunho histórico sem que para isso tenha tido, na origem, uma destinação memorial.” (imagens 8 e 9)

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CAPÍTULO 2

Imagem 7 O novo e o velho em Londres 28

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CAPÍTULO 2

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Imagem 8 Memorial ao Holocausto, em Berlim

Imagem 9 Coliseu, em Roma

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Ainda que tenha ocorrido uma ampliação das formas passíveis de serem consideradas como monumento histórico, muitas estruturas permanecem desprotegidas e tendem a ser desvalorizadas sem que se considere suas relações com as paisagens locais, sua importância para quem usufruiu dos seus espaços e suas potencialidades de aproveitamento para novos usos. Seja por sua função trivial, simplicidade construtiva, pouco tempo de existência ou caráter inacabado e desgastado, elas transitam na insegurança entre o que merece ser reabilitado ou demolido para fins de modernização. A produção dessas estruturas desamparadas vai, entretanto, além do seu sentido arquitetônico, pois revela também como os fatores sociais, políticos, econômicos e culturais afetam o ambiente urbano. No atual período em que a sociedade se encontra cercada de dúvidas e incertezas, agindo de maneira muitas vezes desordenada e gerando, por consequência, espaços abandonados, torna-se fundamental que os arquitetos e urbanistas, agentes mais atuantes sobre a dinâmica das cidades, examinem com cautela essas edificações aptas a serem renovadas. Ao ignorarmos a existência desses prédios que tiveram seus propósitos interrompidos, surgem diversos problemas em seu entorno que poderiam ser resolvidos se sua recuperação fosse interpretada de forma positiva, como uma aliada à modernidade. Deve-se reconsiderar o pensamento de que progresso é sinônimo de construir algo completamente novo e de que a preservação corresponde a um custo maior, pois sabe-se que reabilitar é uma maneira sustentável e criativa de proporcionar uma melhor qualidade de vida aos moradores de determinadas áreas. Isso porque representa um menor consumo de transporte, energia, água e outros recursos, além de desperdiçar menos material, produzir menos entulho e, como resultado, causar menos poluição. O próprio período de contratação das equipes de obra tendem a ser mais curtos, ou seja, renovar, em vez de demolir para reconstruir, tende a ser mais vantajoso e a provocar um impacto bastante positivo nas paisagens cotidianas que se encontravam vulneráveis. Se após um diagnóstico da situação de uma estrutura abandonada não for identificado um grau acentuado de degradação e de perigo à sua estabilidade, optar pela demolição torna-se uma medida desnecessária, quando seria viável, por exemplo, substituir seus sistemas prediais já obsoletos e ajustar seus espaços aos novos usos e demandas, sem que para isso se desconsidere seu contexto físico e social ou ainda as memórias e referências geradas ao longo dos anos. Nesse sentido, observa-se que muitos arquitetos e artistas já despertaram seu interesse sobre esse tipo de edificação, intervindo inclusive de maneiras bastante diversificadas e até ousadas para reintegrá-las ao tecido urbano. É o caso do estado-unidense Gordon Matta-Clark, conhecido por sua série de trabalhos Building Cuts, em que removia partes do piso, teto e paredes de prédios abandonados, de modo a suscitar questionamentos sobre a ambiguidade de espaços inutilizados e suas relações com a sociedade. Seus recortes geravam não apenas vazios, mas também traziam camadas, iluminação, elementos e paisagens, proporcionando um pouco mais de vida para aquelas estruturas através dessa troca entre os ambientes internos e externos. (imagens 10, 11 e 12) 30


CAPÍTULO 2

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Imagem 10 Baroque Office, onde buracos foram cortados no chão de vários andares

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Imagem 11 Conical Intersect, onde buracos formavam um cone através de duas casas do século XVII

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Imagem 12 Day’s End, onde um enorme buraco foi recortado na parede de um depósito

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Outro exemplo de intervenção interessante que busca oferecer um novo olhar sobre espaços subutilizados, na medida em que mistura arquitetura e artes cênicas, são os projetos conhecidos por Amnésias Topográficas, realizados sob parceria do escritório Vazio S/A e o grupo de teatro Armatrux, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Uma estrutura de pilares ganhou movimento ao ser instalado um corredor espiral para a realização de espetáculos, onde os artistas e o público poderiam interagir e dividir o mesmo espaço, compondo um cenário provocativo e propenso a improvisações daqueles que circulam pelo percurso montado. (imagens 13 e 14) Dessa maneira, fica clara a importância de compreender essas estruturas e buscar atribuirlhes um novo uso, ainda que em pequenos gestos que suplementem sua essência e respeitem as características do decurso de sua trajetória. Isso porque o significado de preservar vai além do que geralmente se imagina: preservar é apropriar-se do espaço, é saber reconhecer suas potencialidades e aproveitá-las, conferindo-lhes uma nova oportunidade para ressurgir.

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Imagem 13 Perspectiva Amnesias topográficas II

Imagem 14 Intervenção Amnesias topográficas II

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DANÇA E ARQUITETURA CORPO EM MOVIMENTO NO ESPAÇO ARQUITETÔNICO

A percepção do ser humano mostra-se, cada vez mais, dependente de aspectos visuais, o que se reflete no processo criativo de muitos arquitetos e designers. Eles tendem a negligenciar em suas decisões projetuais a experiência corporal plena nos espaços produzidos, em favor de fatores preferencialmente estéticos. Essa reflexão é levantada no livro The eyes of the Skin (2005), em que Juhani Pallasmaa aborda sobre a insuficiência de se perceber os espaços apenas através da visão, pois o olhar permite uma compreensão distante dos objetos analisados, ao contrário do que ocorre quando associado aos outros sentidos. Os cheiros, gostos, sons e toques proporcionam um maior envolvimento, evocando memórias, sentimentos, intimidade e ajudando a construir novas potencialidades.

A arte do olho certamente produziu estruturas imponentes e instigantes, mas não facilitou o enraizamento humano no mundo. O fato de o idioma modernista não ter sido geralmente capaz de penetrar na superfície do gosto e dos valores populares parece ser devido à sua ênfase intelectual e visual unilateral; o design modernista em geral abrigou o intelecto e o olho, mas deixou o corpo e os outros sentidos, assim como nossas memórias, imaginação e sonhos, semteto. ³ (PALLAMAA, 2005, p.19, tradução nossa)

Mas como incentivar essa percepção mais completa dos espaços arquitetônicos, dos quais os usuários também possam participar e não apenas observar o que os cerca? Uma excelente maneira consiste em promover a interdisciplinaridade entre arquitetura e outras artes, dentre as quais será atribuída ênfase, neste trabalho, à prática da dança. Isso porque arquitetura e dança, apesar de parecerem ramos distintos, apresentam muitas similaridades e podem se influenciar mutuamente para melhorar a contemplação de edificações.

³ “The art of the eye has certainly produced imposing and thought-provoking structures, but it has not facilitated human rootedness in the world. Th fact that the modernist idiom has not generally been able to penetrate the surface of popular taste and values seems to be due to its one-sided intellectual and visual emphasis; modernist design at large has housed the intellect and the eye, but it has left the body and the other senses, as well as our memories, imagination and dreams, homeless.” (PALLAMAA, 2005, p.19)

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Imagem 15 Bailarina dançando com areia

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CAPÍTULO 2

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Ambas lidam com o corpo em movimento no espaço ao longo do tempo, logo é possível pensar em um ambiente criado para o corpo e pelo corpo, na medida em que não só os elementos do lugar podem interferir na criação dos artistas, inspirando-os de formas diversas, mas também o resultado de seus movimentos podem sugerir determinado ritmo e afetar a apreensão espacial. Como Pallasmaa (2005, p. 40, tradução nossa) afirma:

Nossos corpos e movimento estão em constante interação com o meio ambiente; o mundo e o eu informam e redefinem-se constantemente. O preceito do corpo e a imagem do mundo se transformam em uma única experiência existencial contínua; não há corpo separado de seu domicílio no espaço, e não há espaço não relacionado à imagem inconsciente do eu que percebo. 4

Assim, fica claro que o homem é produto do meio que habita e dependendo de suas vivências sócio-culturais na cidade e de sua apreensão sensorial da arquitetura que o cerca, suas reações, gestos e comportamentos podem variar e, por consequência, suas criações artísticas também. Padrões, texturas, cores, linhas e formas, sejam repetidas, regulares, graduais ou aleatórias, provocam impressões e ritmos diferentes em cada pessoa. Pensar com cuidado em elementos e materiais dinâmicos e envolventes convida a interações criativas dos corpos entre si e deles com os espaços usufruídos. (imagem 16) Um exemplo dessa influência do espaço sobre o processo de criação de artistas é observado no trabalho da companhia de dança americana chamada Diavolo, cujo fundador, Jacques Heim, demonstra forte interesse em desenvolver estruturas e cenários instigantes e flexíveis para que seus bailarinos, ao se reunirem, possam juntos experimentar as possibilidades de movimento e produzir um espetáculo a partir de suas improvisações resultantes de como eles foram emocionalmente cativados pelos arranjos dos elementos utilizados. (imagem 17)

“Our bodies and movement are in constant interaction with the environment; the world and the self inform and redefine each other constantly. The precept of the body and the image of the world turn into one single continuous existential experience; there is no body separate from its domicile in space, and there is no space unrelated to the unconscious image of the perceiving self.” (PALLASMAA, 2005, p.40) 4

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 16 Experiências de interação entre corpo e mobiliário

Imagem 17 Espetáculo da companhia de dança Diavolo

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Outro trabalho bastante interessante é o da coreógrafa canadense, estabelecida em Nova Iorque, Noémie Lafrance, a qual explora os movimentos inspirados pelo envolvimento do corpo humano com paisagens e formas construídas. Sua apresentação mais conhecida, Rapture (2008), causou curiosidade no público por propor uma interação inovadora com as estruturas do arquiteto Frank Gehry, dentre elas a do Richard Fisher Centre For The Performing Arts, ao colocar os bailarinos para dançar não internamente ao edifício, como era de se esperar, mas na sua cobertura. Presos por cabos, eles foram capazes de se mover e saltar com segurança à medida que se evidenciava um contraste entre as escalas humana e construída, guiando os espectadores a conhecerem a peculiaridade das formas curvas do centro cultural e a assimilarem o espaço de uma maneira única. (imagem 18) Nesse sentido, reitera-se que, a depender dos movimentos executados pelos bailarinos, a própria leitura e apreensão dos espaços muda, pois, a cada gesto, esses artistas demonstram sua experiência pessoal em determinado ambiente, o que nos permite inferir que eles passam a não apenas ocupar, mas também a criar espaços, formas dançantes, de caráter imaginativo e efêmero, que se transformam e se ressignificam continuamente ao longo das suas criações, em diferentes velocidades, níveis, dimensões e deslocamentos. Algumas pessoas já buscaram analisar as formas descritas pelos movimentos do corpo, conscientes da riqueza que esse estudo poderia proporcionar para a experiência espacial. Uma delas foi o esloveno Rudolf Laban, conhecido como o pai da dançateatro, o qual buscou sistematizar uma linguagem de notação para melhor compreender e executar movimentos na dança contemporânea. Ele buscava também trabalhar com figuras geométricas para dar suporte aos movimentos dos bailarinos para que estes, deslocando-se dentro dessas formas, pudessem aprimorar sua organicidade e ampliar seu espaço pessoal, chamado kinesfera. (imagens 19 e 20) Em Lamentation (1930), obra da coreógrafa americana Martha Graham, observa-se com clareza essa dinâmica de ampliação do espaço pessoal, através da configuração de espaços e formas baseados nas tensões e esforços do corpo dançante envolvido por um tecido. O desenho dos caminhos percorridos pelo corpo nos permitem apreender o sentimento, a fluidez e a materialidade por trás da relação entre o homem e o espaço. (imagem 21) Em face do exposto, conclui-se que cabe aos arquitetos inserir a dimensão do corpo e de suas relações com o espaço nos projetos, trazendo uma escala mais humana, agradável e espontânea para as edificações. No caso de edifícios voltados para atividades artísticas, isso ganha uma força ainda maior, pois, ao levarem em consideração as experiências dos artistas envolvidos nesse processo, os arquitetos podem permitir que estes tenham liberdade para usar os espaços, na medida em que projetam lugares que estejam sujeitos a crescer, mudar e envelhecer, assim como o próprio corpo humano. Essas e outras reflexões acerca da relação entre Dança e Arquitetura serão retomadas e desenvolvidas no capítulo cinco deste trabalho, para colaborar com as intervenções no prédio em estudo. 41


CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 18 Espetáculo Rapture (2008), de Noémie Lafrance

Imagem 19 Estudo de kinesfera

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 20 Tension, de Gheyber Gutierrez

Imagem 21 Lamentation (1930), por Martha Graham

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CAPÍTULO 2

cena ARTÍSTICA EM FORTALEZA

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REFERENCIAL TEÓRICO


CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Para melhor compreender a realidade dos artistas em Fortaleza, bem como suas principais demandas, foram realizadas visitas a algumas escolas de dança, julgadas mais relevantes, dentre elas: O Casulo, Estúdio de Dança Michelle Borges, Academia de Dança Vera Passos, The Biz, Cuca da Barra, Edisca, Vila das Artes e Porto Iracema das Artes. O CASULO

Idealizada pelo arquiteto Diego Lehder, amante da dança de salão, essa escola se localiza no bairro Benfica, junto à avenida da Universidade. Apesar do seu desejo de ampliação, o espaço conta atualmente com apenas um banheiro, um apoio para guardar materiais, e uma sala de 5mx9m de cor amarelo vivo e piso laminado, onde se desenvolvem diversas atividades, como aulas de ballet, jazz, hip hop, circo, fit dance, bachata/salsa, west e zouk. Diego comenta que a maior parte dos alunos tem entre dezoito e trinta e cinco anos, sendo em sua maioria mulheres, muitas vezes de renda mais baixa e com preferência por aulas no turno da tarde e noite ou aos sábados, quando a escola abre o dia todo. Ele afirma de fato ser importante relacionar a dança a outras práticas, como teatro musical, circo, canto e, talvez, música, confessando sentir falta de vivacidade nos espaços da maioria das escolas de nossa cidade.

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 22 Sala em tom amarelo vivo

Imagem 23 Recepção, estar e área para aula no mesmo espaço

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

ESTÚDIO DE DANÇA MICHELLE BORGES

Uma das escolas particulares mais agradáveis dentre as visitadas, conta com espaços visualmente alegres e aconchegantes, como recepção, café, banheiros, estar dos professores, piscina, pátio com jardim e quatro salas amplas de piso amadeirado, com caixas de som e luminárias bem distribuídas, com possibilidade de criar uma atmosfera mais semelhante a de espetáculos através do uso de luzes vermelhas e azuis direcionáveis. Além do ensino de jazz, sapateado, ballet, hip hop, canto, teatro, circo e preparação física, apresenta um espaço para tratamentos de fisioterapia.

Imagem 24 Recepção

Imagem 25 Café

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 26 Sala de aula

Imagem 27 Pátio

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

ACADEMIA DE DANÇA VERA PASSOS

Recém transferida para o bairro Cocó, bem próxima do Estúdio de Dança Michelle Borges, essa escola se mostrou ampla, porém com atmosfera mais séria, pelo uso de tons acizentados e neutros. Além de áreas de estar, lanchonete, banheiros e salas administrativas, apresenta um espaço para um futuro pátio e cinco grandes salas de aula de piso amadeirado ou linóleo, com aberturas de vidro em algumas delas para possibilitar a visualização das aulas por aqueles que não estão participando. A idealizadora da escola confessou que o desejo em deixar a laje aparente trouxe alguns problemas de reverberação do som, o que a fez, posteriormente, utilizar espumas acústicas para solucionar o problema. Comentou ainda sobre o desejo de ter uma sala de customização para incentivar os trabalhos manuais e uma biblioteca, visto que costuma encontrar muitas inspirações para espetáculos em livros.

Imagem 28 Sala de aula

Imagem 29 Lanchonete e estar com vista para salas 50


CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 30 Estar entre salas

Imagem 31 Pátio futuro com rampas e escadas de acesso

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

THE BIZ

A primeira escola de artes temática de Fortaleza tem como foco o ensino de teatro, canto e dança de maneira conjunta para melhorar a formação artística dos alunos. Desde a recepção até as salas de aula, de porte pequeno, médio ou grande, percebe-se um cuidado especial na escolha dos materiais e objetos utilizados, criando uma atmosfera que nos leva a vivenciar o show business. André Gress, responsável pela escola, assim como professores de outras academias, afirmou que uma das maiores dificuldades enfrentadas em Fortaleza é a falta de teatros seguros, em boas condições e com aluguéis acessíveis.

Imagem 32 Sala de aula com elementos cênicos marcantes

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 34 Área com trabalhos dos alunos

Imagem 33 Detalhe iluminação

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

CUCA BARRA

Mantido pela Prefeitura de Fortaleza, o Cuca Barra, assim como o Cuca Mondubim e Cuca Jangurussu, ofertam, prioritariamente para jovens entre quinze e vinte e nove anos, diversos cursos artísticos e práticas esportivas de forma gratuita, dentre eles canto, musica, teatro, fotografia, dança, natação, futsal, pilates e muitos outros, em um espaço amplo, bem iluminado, ventilado e convidativo.

Imagem 35 Sala de aula com pé direito alto

Imagem 36 Mediateca 54


CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 37 Sala de música

Imagem 38 Pátio para apresentações 55


CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

EDISCA

Localizada no bairro Água Fria, a Edisca consiste em uma organização educacional sem fins lucrativos, voltada para crianças e jovens que residem em comunidades de risco, selecionados por meio de audições. Durante a visita guiada, foi possível perceber como os espaços eram agradáveis e acolhedores, bastante ventilados, com pé direito alto e transparências na coberta para captação de luz natural. Além do ensino da dança, destaca-se pelo apoio aos bailarinos através de aulas de reforço escolar, grupos de convivência, atendimento psicológico e ambulatorial, de caráter preventivo. Conta ainda com amplo espaço de refeitório, jardim para recreação dos bailarinos, salão criativo, biblioteca e teatro com capacidade para cerca de 250 pessoas.

Imagem 39 Sala de dança com transparências na coberta

Imagem 40 Salão criativo

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

Imagem 41 Refeitório e jardim

Imagem 42 Teatro

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

VILA DAS ARTES

Ocupando um antigo casarão no centro da cidade, o Vila das Artes é um equipamento cultural vinculado à Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza que oferece cursos nas áreas de audiovisual, cultura digital, teatro, dança e, mais recentemente, circo itinerante. Um de seus espaços mais agradáveis era a sala de dança aberta ao ar livre, o que eventualmente, segundo a responsável pela escola, poderia atrapalhar, devido a alguns barulhos do entorno. Começou, entretanto, em busca de expansão da escola para outras localidades, visto que as instalações atuais já não suportam as demandas dos alunos.

Imagem 43 Estar entre salas

Imagem 44 Sala Multimídia

Imagem 45 Sala de dança aberta ao ar livre

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CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

PORTO IRACEMA DAS ARTES

Próximo ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e vinculado à Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará, o Porto Iracema das Artes foi inaugurado em 2013 com a proposta de criar um ambiente voltado para o desenvolvimento artístico por meio de cursos nas áreas de dramaturgia, audiovisual, artes visuais e multimídias, dança, música e outras artes cênicas. Apresenta uma quantidade generosa de salas de aula e um pátio vasto e atraente.

Imagem 46 Pátio amplo

Imagem 47

Imagem 48

Circulação

Biblioteca 59


CAPÍTULO 2

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REFERENCIAL TEÓRICO


CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

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Imagem 49 Cena do filme Funny Face (1957)


3. REFERENCIAL PROJETUAL


CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

SESC POMPÉIA | LINA BO BARDI Arquiteta: Lina Bo Bardi Colaboradores: Marcelo Ferraz e André Vainer Localização: R. Clélia, 93 - Barra Funda, São Paulo, SP, Brasil Área: 23.571 m2 Ano do projeto: 1986 Ao ser convidada a projetar o atual SESC Pompéia, Lina Bo Bardi logo se deparou com galpões de uma velha fábrica de tambores, cuja construção data de 1938. Para muitos, o que representava uma insignificante estrutura provocou um encantamento na arquiteta não só pela sua materialidade em concreto armado, mas também pelas cenas populares que ela presenciou naquele lugar. Dessa forma, a premissa básica de seu projeto foi a requalificação desses galpões, o que ocorreu entre os anos de 1977 e 1982. Sua equipe teve um cuidado especial na escolha dos materiais para que se integrassem de forma natural com o antigo, mas sem esconder as intervenções realizadas. (imagem 50) Com mínimas alterações sobre o existente, conseguiu resultados bastante grandiosos, sempre proporcionando pequenos gestos poéticos, como fez ao incluir uma lareira, acesa em dias frios, e um riacho recortado sobre o piso de pedra, em referência ao rio nordestino São Francisco. Outro aspecto marcante desse centro de lazer é seu teatro, o qual foge da conformação tradicional em palco italiano e estimula novos tipos de manifestações artísticas, na medida em que o público se confronta, cercando os artistas de tal forma que estes precisam repensar seu comportamento durante os espetáculos. (imagens 51 e 52) Ao optar em manter a velha fábrica, Lina precisou encontrar uma solução sobre como comportar o restante do programa previsto para o SESC. Esse desafio foi dificultado pela existência de uma área não edificável, devido à presença de um córrego, levando a arquiteta a edificar três torres, inauguradas em 1986: uma delas em formato circular, destinada à caixa d’água, ao lado de outros dois blocos monolíticos, referentes às áreas esportivas, blocos estes ligados por passarelas e dotados de aberturas irregulares para uma vista diferenciada da cidade de São Paulo. (imagens 53 e 54) Preservar a fábrica é preservar um pedaço da história da cidade, mas um pedaço da história como ela é mesmo, sem disfarces. Nada daquele conceito de que só deve permanecer o que é belo. O que é típico deve ser valorizado. Mesmo que seja simples, como seria obrigatoriamente uma fábrica de tambores. (BO BARDI, 1977)

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CAPรTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 50 Fรกbrica Abandonada (1972)

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CAPÍTULO 3

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REFERENCIAL PROJETUAL


CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 51 Marcante coberta do SESC Pompéia

Imagem 52 Interior do teatro

Imagem 53 Blocos monolíticos ligados por passarelas

Imagem 54 Aberturas irregulares

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CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

TEATRO ERÓTIDES ENGENHO CENTRAL | BRASIL ARQUITETURA Arquitetos: Brasil Arquitetura Ano: 2012 Área construída: 2850 m2 Endereço: Av. Maurice Allain, 454, Parque do Engenho Central, Piracicaba, SP, Brasil Considerado patrimônio histórico, o Engenho Central, localizado às margens do rio Piracicaba, no interior de São Paulo, foi inaugurado em 1882, mas havia deixado de funcionar desde meados da década de 1970. Coube aos membros do Brasil Arquitetura o desafio de requalificar o complexo, restaurando e adaptando, por exemplo, um de seus galpões para acomodar um teatro para pouco mais de 400 pessoas, com salas de ensaio e restaurante. Considerando que antes funcionava como um depósito de grandes tonéis e uma destilaria de álcool, seu caráter industrial pode ser observado no pé direito de 18 metros de altura, no grande vão central e nos materiais empregados em sua construção, como tijolos, telhas de barro, ferro e concreto. (imagem 55) Um dos pontos fortes desse projeto consiste na abertura de uma das fachadas do galpão para a praça central, com a extensão do palco através de um módulo retangular metálico vermelho, de modo a favorecer festas ao ar livre. (imagem 56) A cor vermelha também aparece na escada externa de acesso aos camarins e nas chapas que vedam a entrada de luz pelos antigos lanternins, deixando clara a distinção entre a intervenção e o existente, assim como pode ser observado na nova estrutura em concreto que, cercada pelos tijolos aparentes originais bastante característicos, foi utilizada para dividir os espaços internos e possibilitar a distribuição da plateia em dois andares. (imagens 57 e 58)

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CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 55 Galpão requalificado

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CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 56 Croqui de corte do galpão

Imagem 58 Interior do teatro

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CAPĂ?TULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 57 Elementos vermelhos marcantes

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CAPÍTULO 3

MUSEU DE ARTE GARAGE | OMA

REFERENCIAL PROJETUAL

CONTEMPORÂNEA

Arquitetos: OMA (Responsável: Rem Koolhaas, Arquiteta Ekaterina Golovatyuk) Localização: Gorky Central Park de Cultura e Lazer, Ulitsa Krymskiy Val, 9, Moskva, Rússia, 119049 Área: 5400.0 m2 Ano do projeto: 2015 Localizado no Parque Gorky, o Museu de Arte Contemporânea Garage é resultado da renovação do restaurante Verbena Goda (Seasons of the Year) de 1960. Inativo desde 1990, a equipe do escritório OMA trabalhou para transformar o pavilhão de concreto em um museu que comportasse salas de exposições nos dois andares, um centro criativo para crianças, loja, café, auditório, escritórios e terraço. (imagem 59) Uma característica relevante da reforma foi a busca em preservar os elementos da era soviética, como a parede com mosaico, azulejos e tijolos, associando-os às novas estruturas, de modo a deixar clara a passagem do tempo em diversas partes da edificação. (imagem 60) Outro aspecto marcante consiste na nova fachada em camada dupla de policarbonato translúcido, que engloba a estrutura existente e desempenha importante papel na ventilação do museu, além de estar solta do chão, o que permite uma maior interação entre o ambiente interno e o parque Gorky. Essa relação entre o interior e exterior também pode ser observada nos dois painéis da entrada que, ao serem deslizados para cima, possibilitam a vista da escultura interna do hall e tornam o espaço bastante convidativo aos transeuntes. (imagens 61 e 62)

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CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 59 Antigo restaurante

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CAPÍTULO 3

Imagem 60 Características do prédio original preservadas

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REFERENCIAL PROJETUAL


CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 61 Vista externa da edificação

Imagem 62 Marcas da passagem do tempo e relação entre ambiente interno e externo

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CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Red Bull Music Academy | Langarita Navarro Arquitectos Arquitetos: María Langarita e Víctor Navarro Colaboradores: Juan Palencia, Gonzalo Gutierrez, Tonia Papanikolau, Paula García-Mase Endereço: Matadero, Madrid, Spain Área: 4,700 m2 Ano: 2011 O Red Bull Music Academy é um evento que acontece em uma cidade diferente a cada ano, possibilitando uma troca de conhecimentos e experiências musicais entre os artistas envolvidos. Em 2011, o festival foi realizado em Madrid em um complexo de galpões industriais construídos entre os anos de 1907 e 1926, conhecido como Matadero. Uma das principais premissas do projeto foi a manutenção do espaço existente intacto, com sua estrutura metálica e fachadas em tijolos, associando-o a instalações temporárias que proporcionassem flexibilidade para eventuais modificações ao final do período de intervenção previsto pelo festival. (imagem 63) O programa consistia em escritórios, salas para os músicos, estúdios de gravação e pavilhão adaptável para conferências, transmissões de rádio e área de estar, cujas soluções projetuais foram determinadas pelas exigências acústicas. Cada pequena casa móvel, por exemplo, foi projetada para sua função específica com painéis de compensados em um esqueleto de alumínio, soltas do chão, com janelas de vidro duplo e ângulos variados, enquanto os estúdios de gravação e o pavilhão foram feitos em paredes espessas de sacos de areia, este último contando ainda com cúpulas irregulares de tecidos, o que configurou recursos práticos encontrados para a melhoria do som. (imagens 64, 65 e 66) Outro aspecto que chama bastante atenção é o uso marcante de vegetação no interior do galpão, circundando as estruturas em um formato mais orgânico que instiga a criatividade dos frequentadores do espaço e traz um pouco do agradável sentimento de um ambiente exterior para uma área interna. (imagem 67) Sobre a relação entre a estrutura original e as novas intervenções, Victor Navarro (2012, tradução nossa) afirma: Nós fomos educados para ver a arquitetura como um objeto unitário, coerente em si mesmo. Mas a arquitetura também pode ser entendida em termos de tempo. Trabalhamos muito com edifícios existentes, e percebemos que não se trata apenas de preservar um patrimônio histórico. Estamos trabalhando com as energias cativas em cada objeto. Às vezes, trabalhamos com concreto e tecidos no mesmo edifício. Eles têm intervalos de tempo diferentes. O design não é um bloco unitário que envelhece uniformemente, é composto de camadas que se movem como cintos mecânicos a diferentes velocidades. 5 “We’ve been educated to see architecture as a unitary object, coherent in itself. But architecture can also be understood in terms of time. We’ve worked a lot with existing buildings, and we’ve come to realise that it’s not just a question of preserving a historic patrimony. We’re working with the captive energies in every object. Sometimes we work with concrete and fabrics in the same building. They have different time spans. The design is not a unitary block that ages uniformly, it is made up of layers that move like mechanical belts at different speeds.” (NAVARRO, 2012) 5

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CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 63 Planta com disposição dos diferentes elementos do programa no interior do galpão

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CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 64 Pavilhão adaptável

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CAPÍTULO 3

REFERENCIAL PROJETUAL

Imagem 65 Pequenas casas móveis

Imagem 66 Cores marcantes, ângulos variados e janelas de vidro duplo

Imagem 67 Uso marcante de vegetação no interior do galpão

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Imagem 68 Cena do filme “Pulp Fiction” (1995)


4. SOBRE O LUGAR


CAPÍTULO 4

SOBRE O ENTORNO Localização e Legislação MAPA 1 O terreno está localizado no bairro da Gentilândia, nas proximidades do Benfica.

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SOBRE O LUGAR


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

MAPA 2 Terreno entre a avenida Eduardo Girão, a rua Jorge Dumar e a rua Marechal Deodoro, onde existe uma edificação subutilizada da antiga Cobal.

MAPA 3 O terreno se enquadra em uma ZOP 1, com limites próximos de uma ZPA 1.

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CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

Art. 79. A Zona de Ocupação Preferencial 1 (ZOP 1) caracteriza-se pela disponibilidade de infraestrutura e serviços urbanos e pela presença de imóveis não utilizados e subutilizados; destinando-se à intensificação e dinamização do uso e ocupação do solo. Art. 80. São objetivos da Zona de Ocupação Preferencial 1 (ZOP 1): I — possibilitar a intensificação do uso e ocupação do solo e a ampliação dos níveis de adensamento construtivo, condicionadas à disponibilidade de infraestrutura e serviços e à sustentabilidade urbanística e ambiental; II — implementar instrumentos de indução do uso e ocupação do solo, para o cumprimento da função social da propriedade; III — incentivar a valorização, a preservação, a recuperação e a conservação dos imóveis e dos elementos característicos da paisagem e do patrimônio histórico, cultural, artístico ou arqueológico, turístico e paisagístico; IV — prever a ampliação da disponibilidade e recuperação de equipamentos e espaços públicos; V — prever a elaboração e a implementação de planos específicos, visando à dinamização socioeconômica de áreas históricas e áreas que concentram atividades de comércio e serviços; VI — promover a integração e a regularização urbanística e fundiária dos núcleos habitacionais de interesse social existentes; VII — promover programas e projetos de habitação de interesse social e mercado popular. Art. 81. São parâmetros da ZOP1: I — índice de aproveitamento básico: 3,0; II — índice de aproveitamento máximo: 3,0; III — índice de aproveitamento mínimo: 0,25; IV — taxa de permeabilidade: 30%; V — taxa de ocupação: 60%; VI — taxa de ocupação de subsolo: 60%; VII — altura máxima da edificação: 72m; VIII — área mínima do lote: 125m2; IX — testada mínima do lote: 5m; X — profundidade mínima do lote: 25m. Art.82. Serão aplicados na Zona de Ocupação Preferencial 1 (ZOP 1), especialmente, os seguintes instrumentos: I — parcelamento, edificação e utilização compulsórios; II — IPTU progressivo no tempo; III — desapropriação mediante pagamento por títulos da dívida pública; IV — direito de preempção;

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CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

V — direito de superfície; VI — transferência do direito de construir; VII — operação urbana consorciada; VIII — consórcio imobiliário; IX — estudo de impacto de vizinhança (EIV); X — estudo ambiental (EA); XI — Zona Especial de Interesse Social (ZEIS); XII — instrumentos de regularização fundiária; XIII — outorga onerosa de alteração de uso. Art. 64 - São objetivos da Zona de Preservação Ambiental (ZPA): I - preservar os sistemas naturais, sendo permitido apenas uso indireto dos recursos naturais; II - promover a realização de estudos e pesquisas científicas; III - desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental; IV - turismo ecológico; V - preservar sítios naturais, singulares ou de grande beleza cênica; VI - proteger ambientes naturais em que se assegurem condições para existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória; VII - garantir o uso público das praias. Parágrafo Único - Define-se como uso indireto dos recursos naturais aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição desses recursos. Art. 65 - Serão aplicados na Zona de Preservação Ambiental (ZPA), especialmente, os seguintes instrumentos: I - plano de manejo; II - plano de gestão; III - estudo ambiental (EA); IV - estudo de impacto de vizinhança (EIV); V - direito de preempção. Art. 66. São parâmetros da ZPA: I - índice de aproveitamento básico: 0,0; I - índice de aproveitamento máximo: 0,0; II - índice de aproveitamento mínimo: 0,0; IV - taxa de permeabilidade: 100%; V - taxa de ocupação: 0,0; VI - altura máxima da edificação: 0,0. § 1º - Não será permitido o parcelamento do solo na Zona de Preservação Ambiental (ZPA). § 2º - As diretrizes do Parque Natural Municipal das Dunas da Sabiaguaba são estabelecidas conforme a Lei Federal nº 9.985/2000, de 18 de julho de 2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

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CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

História ORIGEM Até 1920, a atual região correspondente ao bairro Benfica era denominada de

São João do Tauape, sendo marcada pela existência de uma lagoa que ocupava cerca de dez hectares e que constituía uma importante reserva de água doce na região, entre o que são hoje as avenidas dos Expedicionários e João Pessoa. O povoamento do bairro relaciona-se com o processo de migração das elites de Fortaleza, a partir do final do séc. XIX, da periferia para o centro da cidade. Essas famílias de alto poder aquisitivo começaram a fixar suas moradias em locais com melhores índices de salubridade, preservando alguns costumes que tinham enquanto habitavam a zona rural para criar um ambiente mais bucólico, de modo que a ocupação urbana realizava-se prioritariamente a partir da implantação de chácaras.

IMAGEM 69 Foto aérea da antiga Lagoa do Tauape, onde podem ser vistos o Campo do Prado e a Raia da Corrida de Cavalos. O atual galpão em estudo encontra-se no ponto marcado em vermelho

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CAPรTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 70 Moรงas na Lagoa

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CAPÍTULO 4

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SOBRE O LUGAR


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 71 Trecho da carta da cidade de Fortaleza 1945, mostrando a lagoa do Tauape, a qual foi sendo gradativamente aterrada e drenada a partir da década de 1940, até desaparecer completamente

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CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

1920 Entre os fins do séc. XIX e início do séc. XX, o bairro Benfica passou por uma

grande expansão demográfica e territorial e, tal como era observado em grande parte dos municípios cearenses, teve seu crescimento desenvolvido em torno de uma Igreja, a da Nossa Senhora dos Remédios, que atuava como referência aglutinadora no território. Em 1922, o bairro foi oficialmente reconhecido como área de expansão urbana, modificando os limites estabelecidos pelo plano de Adolfo Herbster, de 1875, em que ainda era considerado como área rural. Nessa época, o Benfica era o bairro mais aristocrático de Fortaleza, com suas imponentes tipologias arquitetônicas, como sobrados, palacetes e casarões recuados com jardins, localizados sobretudo no antigo Boulevard Visconde de Cauípe, atual Avenida da Universidade. Além da sua riqueza de elementos naturais e construídos, o bairro valorizou-se por conta das vantagens de acessibilidade em termos de transportes. Nas vizinhanças da Igreja Nossa Senhora dos Remédios, localizava-se o ponto terminal das linhas de bonde. Os bondes ali desembarcavam e dali voltavam para seu ponto principal, localizado na Praça do Ferreira.

IMAGEM 72 Início da antiga Boulevard Visconde de Cauípe, na esquina com a Rua Antônio Pompeu, vendose, ao fundo, o bonde da linha Benfica

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CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

1930 A década de 1930 representa o período áureo do bairro, coincidente com o período

em que a família Gentil se fez presente na região. Na área onde atualmente encontrase o prédio da Reitoria da UFC, instalou-se a Chácara Gentil, um belo palacete no qual residia o banqueiro e sua família. Durante a vida de seu proprietário, a maior parte da chácara foi desmembrada para compor os quarteirões, ruas e praças do pequeno bairro da Gentilândia. Na mesma região, o banqueiro também empreendeu a construção de outras casas para os filhos e passou a comprar e lotear terrenos vizinhos, construindo casas de vila para alugar, de modo que surgiu a chamada Vila Gentil. A partir desse fenômeno, iniciou-se um processo de pluralização socioeconômica no bairro, que ainda se mantém como característica marcante da região nos dias atuais. Às imponentes mansões das famílias tradicionais que habitavam o Benfica, somavam-se casas geminadas pertencentes a famílias de origem social mais humilde.

IMAGEM 73 Antigo palacete de José Gentil e atual prédio da Reitoria da UFC, que funcionava como residência da família Gentil

91


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

1940 Com o estímulo proporcionado pela expansão do perímetro urbano da cidade,

pela linha de bonde anteriormente citada e pelos novos empreendimentos imobiliários, a partir do parcelamento e surgimento da Gentilândia, o bairro foi sendo gradativamente ocupado e parcelado, até meados da década de 40. Nesse período, quando a cidade se encontrava no auge de seu desenvolvimento econômico e urbano, a expansão de Fortaleza começou a extinguir os pequenos bairros mais próximos ao Centro, de modo que estes foram sendo progressivamente anexados ao bairro Benfica. Entre esses, pode-se citar o bairro da Gentilândia e o Bairro do Prado, onde atualmente se encontra o Estádio Presidente Vargas e o IFCE (Instituto Federal de Educação Tecnológica).

IMAGEM 74 Estádio Presidente Vargas, na década de 1940

92


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

1950 No início da década de 1950, o bairro começou a decair. A partir da tendência de

crescimento da cidade para Aldeota, Meireles e litoral, os antigos moradores começaram a migrar para esses novos espaços. Com a saída das famílias mais abastadas, o palacete de José Gentil foi posto à venda. Em 1956, com a aquisição dos remanescentes da imensa gleba original da Chácara Gentil, iniciou-se o processo de instalação da Universidade Federal do Ceará. A localização do equipamento no bairro Benfica era motivada pela carga simbólica de poder que o sítio lhe conferia, além das vantagens estratégicas do fácil acesso e da disponibilidade de terreno para ampliações futuras. Tudo isso gerou um significativo impacto sobre o espaço físico natural e construído do bairro, visto que ouve a completa alteração e descaracterização da arquitetura de diversos imóveis da região, além do abatimento de muitas árvores que proporcionavam riqueza paisagística e garantiam o sombreamento das vias e edificações.

IMAGEM 75 Palacete da família Gentil, adquirido e ampliado pela UFC para abrigar a sede da reitoria

93


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

1960 A partir da consolidação da Universidade e da inserção de uma nova população,

os estudantes universitários, no bairro Benfica, a região transformou sua feição completamente residencial para adquirir o status de uma espécie de “cidade universitária”. Espacialmente, vários edifícios mudaram sua antiga função residencial para que pudessem comportar serviços que atendessem a essa demanda estudantil, a exemplo da chegada de bares, restaurantes, livrarias, gráficas etc. A presença do campus também impactou no preço dos imóveis e dos aluguéis, expulsando uma fatia significativa da população menos favorecida. O bairro, a partir da mudança de sua estrutura urbana, adquiriu um caráter dúbio através do diálogo que se estabeleceu entre o viés residencial que preserva a memória local e o viés cultural, introduzido pelos novos habitantes da região.

IMAGEM 76 Pró-reitoria de Extensão da UFC, 1961

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CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

1990 A década de 90 é marcada pela construção, em 1999, do shopping Benfica no

bairro, constituindo o primeiro empreendimento comercial do gênero. Desde o início, a construção do edifício animou os moradores do bairro, pois o local de seu terreno estava abandonado há décadas e era tido pelos transeuntes como refúgio de delinquentes e usuários de drogas. A introdução do empreendimento no bairro, porém, repercutiu na valorização dos imóveis e consequente elevação dos preços para compras e aluguéis, expulsando antigos moradores que não mais conseguiam arcar com os custos de moradia.

IMAGEM 77 Shopping Benfica

95


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

CONTEXTO ATUAL

Ao longo de seu processo de crescimento urbano, o Benfica passou por profundas mudanças em sua paisagem natural e construída. Toda a área que hoje faz parte do bairro Gentilândia, por exemplo, pertenceu antigamente ao bairro Benfica, mas, em 2009, foi desmembrada e virou um bairro independente. Essas regiões se caracterizam como local de resistência e de fragmentação, existindo poucos exemplares restantes das grandes chácaras que marcaram o início do século passado. Algumas das principais, como citado anteriormente, foram substituídas pelos equipamentos de educação e de apoio da Universidade Federal do Ceará. As residências de gabarito baixo ainda persistem no bairro. Apesar de, desde o início dos anos 2000, a presença do mercado imobiliário e das grandes construtoras já estar permeando o bairro, as moradias unifamiliares, com um ou dois pavimentos, correspondem

96


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

à maior parte de suas edificações residenciais e proporcionam a manutenção de um certo grau de escala humana na região. Se, por um lado, observa-se a persistência do gabarito das edificações, por outro o tratamento de suas fachadas foi acompanhado por um processo de desumanização com vista a aumentar a segurança no interior das residências. Assim, as antigas casas de grades e muros baixos, visualmente permeáveis e permissivas ao contato, já não preponderam. Em seu lugar, observam-se casas que se utilizam de muros altos e completamente opacos, coroados por cercas elétricas. O local possui, entretanto, uma qualidade social muito forte, sendo frequentado diariamente por um grande número de pessoas, de origens, idades, profissões e gostos diversos. Vê-se, portanto, que as potencialidades do bairro residem, primordialmente, em sua marcante diversidade social e de usos.

IMAGEM 78 Levantamento 3D de parte da volumetria da região próxima ao prédio em estudo, indicando a escala predominante com poucos pavimentos, mas com alguns pontos marcados pela chegada do mercado imobiliário

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CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

ASPECTO NATURAIS HIDROGRAFIA

Terreno localizado em área onde antes ficava uma lagoa, que foi aterrada e canalizada. POTENCIAL PAISAGÍSTICO

Terreno amplo e permeável, com vista para avenida com canal de potencial paisagístico. RELEVO

Terreno levemente inclinado: a parte próxima à avenida Eduardo Girão é cerca de 2m abaixo da esquina oposta, diferença esta resolvida pela implantação do galpão existente de forma suave ao observador, ficando mais perceptível apenas devido à existência de uma escada de acesso lateral à fachada principal. VEGETAÇÃO

Terreno e entorno pobremente arborizado: canal com algumas árvores que pouco geram sombra e terreno tomado pela desordem do abandono, com algumas carnaúbas e outras árvores de porte maior mal cuidadas. POLUIÇÃO

Canal poluído e mal cuidado; terreno próximo à via expressa (maior barulho em alguns momentos do dia); muitas oficinas com elementos cansativos e desordenados; prédios abandonados.

MAPA 4 Direção dos ventos e da luz solar em relação à edificação, bem como áreas de expansão no terreno do processo de requalificação.

98


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

Imagem 79 Canal com potencial paisagístico mal aproveitado. Desnível do terreno mais perceptível na fachada junto à avenida Eduardo Girão.

Imagem 80 Casas abandonadas, com alguns elementos automotivos das oficinas dos arredores e entulhos.

99


CAPÍTULO 4

SITUAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA E DEMOGRÁFICA

MAPA 5 Mapa de Usos, realizado pela equipe de Caracterização Sócioeconômica e Demográfica, durante a disciplina de Projeto Urbanístico 4, indicando a heterogeneidade de usos, ainda com forte caráter residencial, fruto da história do bairro.

100

SOBRE O LUGAR


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

MAPA 6 Mapa de Equipamentos, mostrando a concentração deles junto ao cruzamento das avenidas da Universidade e Treze de Maio. O projeto em questão visa relacionar-se com os equipamentos já existentes e descentralizar as zonas de interesse e confluência dos bairros em estudo. 101


CAPÍTULO 4

MAPA 7 Mapa de Índice de Qualidade do Entorno, realizado pela equipe de Caracterização Sócio-econômica e Demográfica, durante a disciplina de Projeto Urbanístico 4, que considera a existência ou não de estrutura básica na área, como iluminação, logradouro, pavimentação, calçada, acessibilidade, etc. Percebese que a maior parte dos bairros em estudo possui um bom índice, entretanto, no trecho próximo ao terreno escolhido, oposto ao canal da avenida Eduardo Girão, esse índice decai, ressaltando que projetos de requalificação nessa região mais ao sul da Gentilândia pode ser bastante benéfica. 102

SOBRE O LUGAR


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

MAPA 8 Mapa de Assentamentos Precários, realizado pela equipe de Caracterização Sócio-econômica e Demográfica, durante a disciplina de Projeto Urbanístico 4, indicando a existência de locais com más condições de habitação e mobilidade, inclusive próximos ao terreno escolhido, que podem ser diretamente beneficiados com a implantação da escola de artes cênicas e a requalificação do entorno.

103


CAPÍTULO 4

vias e meios de transportes MAPA 9 Mapa de Mobilidade e Estrutura Viária, com destaque para propostas de implantação de mais bicicletários e de expansão das ciclofaixas existentes, incentivando o uso de transportes alternativos a partir de uma maior continuidade dos percursos. Além disso, propõe-se uma via paisagística, junto ao canal da avenida Eduardo Girão, com melhoria das calçadas e da arborização, bem como com a inserção de locais de permanência e apreciação.

104

SOBRE O LUGAR


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 81 Imagem ilustrativa de corte viário com proposta de requalificação da avenida Eduardo Girão, em que haveria alguns pontos com pequenas pontes para travessia e circulação vertical para chegar a um nível mais próximo do curso de água do canal e usufruir melhor desse espaço.

105


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

OPORTUNIDADES

possibilidade de novos equipamentos

assentamentos diretamente beneficiados

MAPA 10 Possibilidade de ampliação do projeto de requalificação da parte mais ao sul da Gentilândia, com implantação de novos equipamentos vinculados à escola de artes cênicas, devido à existência de terrenos amplos e subutilizados 106


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 82 Informativo do Mandato do Vereador Márcio Martins, indicando interesse das autoridades em requalificar a região.

107


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

SOBRE A EDIFICAÇÃO A HISTÓRIA DO GALPÃO

Falta de recursos da Ceasa para efetuar o pagamento do terreno. A estrutura (imóvel, instalações) pertence à COBAL, mas o terreno ainda pertence à prefeitura

Ceasa possuía convênio com a Companhia Brasileira de Alimentos - Cobal

Venda do terreno à Central de Abastecimento do Ceará S.A (Ceasa/ CE), autorizada por lei municipal

108

1976

1990

Início das atividades do supermercado para atender a coletividade

Fernando Collor de Mello eleito presidente do Brasil


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

Criação da Conab, a partir da fusão de três empresas públicas: a Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal), a Companhia de Financiamento da Produção (CFP) e a Companhia Brasileira de Armazenamento (Cibrazem), que atuavam em áreas distintas e complementares. Necessidade de “”enxugar””atividades: demissões, fim das atividades de varejo, prédio parado.

Problema de litígio: advogados da prefeitura entraram na justiça, pedindo interdito proibitório. A prefeitura poderia, segundo os funcionários da própria Conab, ter pedido a reintegração de posse

1991

2004

2015

Primeiro projeto de reforma do galpão para transferência de nova sede da Conab, quando colocaram uma placa indicativa das futuras instalações

Segundo projeto de reforma

109


CAPÍTULO 4

IMAGEM 83 Extrato de IPTU atrasado até o momento de emissão (24/05/2017)

110

SOBRE O LUGAR


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

ASPECTOS MARCANTES Antes e durante o desenvolvimento projetual, foram realizadas visitas ao prédio em estudo, com o acompanhamento de funcionários da CONAB, para observação de seus elementos mais marcantes e posterior definição daqueles que seriam mantidos ou reconfigurados.

IMAGEM 84

Observou-se a existência de alguns vendedores ambulantes junto à fachada principal, movimentando um pouco a área.

IMAGEM 85

Vista da caixa d’água e de um anexo ao prédio, que estava vazio e em estado comprometido, cuja função é desconhecida pelos funcionários, de modo que será removido para priorizar um tratamento paisagístico.

111


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 86 Escada de acesso lateral à entrada principal.

112


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 87

Fachada sul, com vista da caixa d’água, junto à avenida Eduardo Girão. As vagas de estacionamento nesse trecho serão desconsideradas a favor de criar um espaço de convivência mais convidativo.

IMAGEM 88

Parte da fachada oeste, que receberá uma nova estrutura anexa, referente ao café. Haverá ainda um espaço reservado ao bicicletário para favorecer o uso de transportes alternativos. 113


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 89 Vagas de estacionamento na fachada oeste a serem mantidas. A vegetação existente, a ser aparada, auxiliará na proteção contra o calor da luz poente.

IMAGEM 90

A fachada oeste era reservada apenas para execução de serviços, como carga e descarga. Na nova proposta, ela será aproveitada, parcialmente, como área externa do café e espaços de convivência, com remoção da marquise, bastante baixa, e adição de novos elementos metálicos com proteção contra a luz poente por meio do uso de painéis perfurados e a preservação das árvores existentes. 114


CAPรTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 91

Praรงa e entrada para carga e descarga, a serem aproveitadas e reconfiguradas.

IMAGEM 92 Ciclofaixa existente a ser ampliada para incentivar o uso de transportes alternativos e ecologicamente mais corretos.

115


CAPรTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 93

Fachada voltada para a praรงa a receber o anexo referente ao teatro.

IMAGEM 94

Vista da Praรงa.

116


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 95

A fachada atual apresenta diversos trechos pintados com propagandas ou marcados pela pichação, escondendo a materialidade dos tijolos originais, de modo que se sugere um tratamento para recuperá-los.

IMAGEM 96

Lateral da fachada leste (principal), com posto de saúde logo em frente.

117


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 97

Aberturas dos portões metálicos, elementos bastante recorrentes no galpão, que serão aproveitados em boa parte como painéis perfurados da nova escola, seja no anexo do café, seja na transição entre o galpão e o teatro

IMAGEM 98

Antiga divisão entre as áreas de supermercado e feira, constituída por elementos metálicos perfurados.

IMAGEM 99

Galpão com vasto vão livre, conferindo bastante liberdade para a distribuição do programa da futura escola em seu interior.

118


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 100

Pequenos estandes, estruturalmente independentes do galpão, que serão removidos para dar mais liberdade na distribuição do programa.

IMAGEM 101

Cobogós com pequenas aberturas arredondadas na parte superior de todo o galpão, a serem mantidos.

IMAGEM 102

Vista dos estandes para a divisória, com a placa da antiga COBAL. O espaço era bastante iluminado naturalmente durante o dia, devido ao lanternim com transparência na cobertura metálica.

119


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 103

Funcionário da CONAB mostrando os arquivos guardados na antiga área administrativa.

IMAGEM 104

Área onde funcionava a lanchonete. Como o café da nova escola de dança terá um porte maior, esse espaço será reconfigurado. O minimalismo do design dos bancos, por sua vez, chamou minha atenção.

IMAGEM 105

Aberturas da fachada oeste a serem mantidas.

120


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 106

Escada da lanchonete de acesso ao pavimento superior.

IMAGEM 107

O pavimento superior se mostrou bastante quente, devido à grande proximidade da cobertura metálica, sem qualquer tratamento térmico, além de ser muito baixo, dificultando a livre circulação, o que levou à proposta de substituir a cobertura atual.

IMAGEM 108

Vista do pavimento superior para o grande vão.

121


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 109

O galpão serve atualmente como depósito de arquivo morto.

IMAGEM 110

Janelas fechadas com tijolos por motivos de segurança, as quais serão substituídas por novas esquadrias.

IMAGEM 111

Trechos onde os revestimentos caíram permanecerão dessa forma para evidenciar a passagem do tempo.

122


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

IMAGEM 112

Desenhos da passagem do tempo.

IMAGEM 113

Diferentes colorações indicam diferentes momentos.

IMAGEM 114

Diferentes tons avermelhados. 123


CAPĂ?TULO 4

IMAGEM 115

Vista interna com estantes do arquivo morto e pavimento superior a ser reconfigurado.

124

SOBRE O LUGAR


CAPÍTULO 4

SOBRE O LUGAR

OPINIÃO DOS MORADORES Moro bem perto. A COBAL surgiu logo após a lagoa que existia ter sido drenada (por isso aquele canal). Daí, foi construído o prédio meio rústico. Era escuro, piso de concreto, dividido em dois ambientes. Do lado direito, ficava um supermercado, mais ou menos nos moldes do que temos ainda hoje, nada tão diferente. No lado esquerdo, ficava uma espécie de feira, mais ou menos nos moldes da feirinha dos fins de semana no Benfica na praça da feirinha. Mas, obviamente, tudo mais organizado, mais bonitinho. Nesse espaço, eram disponibilizados estandes fixos para venda de frutas e verduras. Nada muito elaborado, muito chique. No final desse espaço, ficava um espaço para carnes e peixes. Ao pé da letra, era tudo um supermercado, só a disposição das coisas é que era diferente. Fechou e passou anos como depósito de arquivo morto da prefeitura de Fortaleza. Era um ambiente agradável. Todo mundo se encontrava por lá. Todos os vendedores, caixas, serviços gerais eram pessoas da própria comunidade. Na linha “todo mundo conhece todo mundo”. Hoje há toda uma geração que já não faz ideia do que é aquele prédio ou mesmo COBAL. Ainda há uma torre de uma caixa d’água. Lembro de pessoas indo pegar água nessa torre (não sei se carroceiros, se era para vender ou consumir). Toda a área é um tanto complicada. De um lado, um terreno muito mal aproveitado pela prefeitura. Do outro, a antiga Discon. Por isso que estou te dizendo que há, da minha parte, uma parcela meio bucólica. Era legal. Funcionava todo dia. Era uma referência, digamos mais acessível, para pessoas que não tinham condições de fazer suas compras no Romcy Montese. A COBAL tinha um excelente efeito de agregar valor à região. Aquelas casas destruídas que estão ali eram todas ocupadas. Conheço até quem morou em uma delas. Hoje é tudo mal aproveitado! Sobre a questão das fotos será muito complicado, porque, pelo que vejo, ninguém desses tempos mais antigos se ligava nessa de tirar fotos. João Damasceno

Há mais ou menos trinta e cinco anos, ali funcionava a COBAL, comprei muitas frutas e verduras! O prédio é praticamente o mesmo, até internamente. Hoje funciona como arquivo morto de uma instituição federal! Seria uma ótima ação transformá-lo em algo bem mais útil e uma escola de dança por aqui seria algo incrivelmente inovador! Terei o máximo prazer em lhe ajudar no que estiver ao meu alcance! Acho que demolir é demais! Vê se aproveita ele mesmo! À noite, vou ver com uma vizinha, que é das antigas, se ela tem fotos e te digo! Mas te garanto que não mudou nada! Até internamente! Entrei lá há alguns meses para tratar um cachorro abandonado e está tudo do mesmo jeito! Até alguns quiosques que vendiam verduras! Moema Costa 125


Imagem 116 Julie Andrews e Mary Tyler Moore durante rotina de danรงa para Thoroughly Modern Millie (1967)


5. SOBRE O NOVO USO


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

de todas as artes, talvez seja a dança aquela da qual sempre abdiquei. pelas horas corridas ou corpo fatigado, por vezes esteve em segundo plano, ainda que sempre tenha me acolhido tão bem. é por esse e tantos outros que, hoje, se faz protagonista.

PREMISSAS DO PROJETO Para dar continuidade às reflexões sobre a relação entre Arquitetura e Dança abordadas no capítulo 2 desse trabalho, foram realizados alguns experimentos a partir de termos recorrentes entre os bailarinos no ensino dessa arte, cujos resultados influenciaram em alguns aspectos nas decisões projetuais. Os materiais utilizados foram arame soldado, papéis, balões, linhas, acetato e folhas plásticas transparentes/coloridas.

1

INTERAÇÃO DE CORPOS; PLANOS; LIVRE x LIMITADO

Repercussão no projeto: Utilização de esquadrias e fechamentos não opacos, permitindo a visualização dos planos e a interação dos espaços, tanto internamente quanto externamente, com destaque para os anexos do café e do teatro, com painéis perfurados vermelhos dispostos de maneira intercalada.

IMAGEM 117

A dança se desenrola em diferentes alturas e planos

128


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

IMAGENS 118, 119 E 120

Nessa maquete, foram criados planos retangulares em diferentes alturas, com alguns trechos livres e outros preenchidos com folhas plásticas coloridas, representando a área em comum com o plano imediatamente anterior a ele. Essas folhas, por seu caráter transparente, permitem que as limitações sejam apenas parciais

129


CAPÍTULO 5

2

SOBRE O NOVO USO

LINHAS CURVAS, RETAS e ZIGZAG; VELOCIDADES; KINESFERA

Repercussão no projeto: A disposição do programa em planta evidencia a utilização de elementos curvos, retilíneos e zigzag, observado, por exemplo, na vegetação que adentra o prédio, nas formas dos pavimentos superiores, nos cheios e vazios, gerando percursos que permitem sentir o espaço de maneiras e velocidades distintas. Além disso, do caráter elástico de expansão, pode-se abstrair os novos espaços anexos ao prédio e o bloco superior, com coberta de águas opostas, que complementam o galpão original, sem desconfigurá-lo.

IMAGEM 121

Linhas de movimentos do corpo

130


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

Imagens 122, 123 e 124

Nessa maquete, foi explorado o movimento do bailarino, que pode se desenvolver em formas curvas, retilíneas ou zigzag e, consequentemente, gerar transições e percursos de velocidade lenta, média ou rápida. Foram utilizados também pedaços de balão em alguns trechos de mudança de direcionamento, testando sua capacidade elástica e remetendo à possibilidade de expansão da kinesfera dos bailarinos

131


CAPÍTULO 5

3

SOBRE O NOVO USO

CONTRAÇÃOxEXTENSÃO; LIVRE x LIMITADO

Repercussão no projeto: A disposição do programa intercala alguns espaços vastos com outros mais estreitos, guiando os percursos daqueles que vivenciam o ambiente da escola.

IMAGEM 125

Movimentos de contração

132


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

Imagem 126, 127 e 128

Nessa maquete, observou-se o movimento de contração e extensão do corpo dos bailarinos, o que se reflete nas formas curvas utilizadas, criando, em alguns momentos, espaços amplos e fluidos, mas também estreitos e limitados em outros trechos

133


CAPÍTULO 5

4

SOBRE O NOVO USO

EIXO; ROTAÇÃO; PLANOS

Repercussão no projeto: Foram priorizados ambientes com pé-direito mais elevado para que os artistas pudessem usufruir do espaço com mais liberdade para atingir os diferentes níveis durante a execução de seus movimentos, com destaque para o salão multiuso, onde se desenvolveriam inclusive atividades circenses com maior facilidade. Além disso, a observação das atividades dentro e fora da escola é valorizada em vários níveis, por exemplo, com a presença de uma arquibancada no pavimento térreo, com os vazios do primeiro pavimento para contemplação do que ocorre logo abaixo, e com o terraço, que permite uma visão mais ampla e elevada do entorno.

IMAGEM 129

A importância do eixo para realizar as piruetas

134


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

Imagem 130, 131, 132

Nessa maquete, trabalhou-se com um eixo central de onde partiam planos flexíveis em nível baixo, médio e alto, gerando diferentes possibilidades de formatos

135


CAPÍTULO 5

5

SOBRE O NOVO USO

INTERAÇÃO DE CORPOS; PLANOS; LIVRE x LIMITADO

Repercussão no projeto: Reforça-se a importância de se trabalhar com espaços permeáveis e convidativos à participação dos artistas e dos observadores, seja pelos visuais criados, seja pelos percursos guiados pela própria disposição do programa.

IMAGEM 133

Interação entre bailarinos dançando

136


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

Imagem 134, 135, 136

Nessa maquete, estudou-se a interação entre planos que se cruzam e se ligam com elementos pontuais, criando espaços livres ou limitados e afetando, dessa forma, a experiência do lugar pelas mudanças de direcionamento

137


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

+ Foi realizado ainda um mapeamento dos movimentos de uma bailarina, extraídos da obra cinematográfica 9 Variations on a Dance Theme (1967), dirigido por Hilary Harris e executado por Bettie Jong. Essas variações exploram nove formas de apreender os movimentos da bailarina em diferentes planos, ângulos e enquadramentos, reforçando como cada indivíduo pode perceber a dança e o espaço de maneiras distintas.

Repercussão no projeto: Nesse mapeamento, observa-se, mais uma vez, a predominância de linhas curvas, retilíneas e zigzag nos movimentos executados, as quais, como dito anteriormente, podem ser observadas na disposição do programa em planta.

Imagem 137

Mapeamento de movimentos

138


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

PROGRAMA DE NECESSIDADES ACESSO Ambiente

Área

QUANTIDADE

Bicicletário

TOTAL

32 vagas

Estacionamento

Existente

24 vagas

Embarque/Desembarque

Existente

1

Recepção

26,00 m²

1

26,00 m²

Grande Hall

280,00 m²

1

280,00 m²

Lojas

16,80 m²

2

33,60 m²

Banheiros

2.(12,70 m²) + 3,10 m²

3

28,50 m²

ADMINISTRAÇÃO Ambiente

Área

QUANTIDADE

TOTAL

Secretaria/Tesouraria

17,50 m²

1

17,50 m²

Sala de Reuniões

24,80 m²

1

24,80 m²

Coordenação

16,30 m²

1

16,30 m²

Diretoria

15,30 m²

1

15,30 m²

Estar Funcionários

34,60 m²

1

34,60 m²

Copa

6,50 m²

1

6,50 m²

Banheiros

3.90 m²

2

7,80 m²

EDUCACIONAL Ambiente

Área

QUANTIDADE

TOTAL

Salas de Dança/Teatro

2.(63,30 m²) + 2.(70,60 m²) + 2.(77,90 m²)

6

423,60 m²

Salas Canto/ Música (Grupo)

41,30 m² + 48,60 m² + 56,00 m²

3

145,90 m²

Salas Canto/ Música (Individual)

10,10 m² + 10,90 m² + 11,70 m²

3

32,70 m²

Sala Multiuso

200,00 m²

1

200,00 m²

Sala Oficina

48.60 m²

1

48.60 m²

Salas Teóricas

2.(33,30 m²) + 67,70 m²

3

134,30 m²

Vestiários

15,40 m² + 18.00 m²

2

33,40 m²

Banheiros

15,00 m² + 16.60 m² + 3,10 m²

3

34,70 m² 139


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

APOIO Ambiente

Área

QUANTIDADE

TOTAL

Estúdio

33,30 m²

1

33,30 m²

Sala Técnica

22,40 m²

1

22,40 m²

Soundlock

10,30 m²

1

10,30 m²

Mediateca

67,20 m²

1

67,20 m²

Brinquedoteca

67,20 m²

1

67,20 m²

Exposição/Memorial

300,00 m²

1

300,00 m²

Estar Bailarinos

70,00 m²

1

70,00 m²

Café (Cozinha)

52,00 m²

1

52,00 m²

Café (Despensa)

12,00 m²

1

12,00 m²

Café (Refeitório Interno)

200,00 m²

1

200,00 m²

Café (Área Externa)

355,00 m²

1

355,00 m²

Salas Médicas

10,60 m²

3

31,80 m²

Banheiros

2.(12,70 m²) + 3,10 m²

3

28,50 m²

TEATRO Ambiente

Área

QUANTIDADE

TOTAL

Camarins

38,80 m² + 41,70 m²

2

80.50 m²

Banheiros

4,20 m²

4

16.80 m²

Cabine de Luz/Som

8.50 m²

1

8.50 m²

Palco

216,00 m²

1

216,00 m²

Coxias

30,00 m²

2

60,00 m²

Praça

1320.00 m²

1

1320.00 m²

3

160 m²

Arquibancada com quiosques 50 m² + 60 m² +50 m²

140


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

SERVIÇOS Ambiente

Área

QUANTIDADE

TOTAL

Acervo Figurino

49,70 m²

1

49,70 m²

Acervo Cenário

67,70 m²

1

67,70 m²

Depósito de Instrumentos

67,70 m²

1

67,70 m²

Almoxarifado

24,00 m²

1

24,00 m²

Lavanderia

16,80 m²

1

16,80 m²

Ar condicionado

240,00 m²

-

240,00 m²

Caixa d’água

Existente

1

Lixo

9,60 m²

1

9,60 m²

Gás

6,20 m²

1

6,20 m²

Gerador

29,70 m²

1

29,70 m²

Carga/Descarga

250,00 m²

1

250,00 m²

QUANTIDADE

TOTAL

CIRCULAÇÃO Ambiente

Área

Escada

2 (prédio) + 2 (teatro)

Elevador

1

Circulação Horizontal

-

Mirante

40,00 m²

1

40,00 m²

Terraço

1020 m²

1

1020 m²

141


CAPÍTULO 5

FLUXOGRAMA

142

SOBRE O NOVO USO


CAPÍTULO 5

DESENVOLVIMENTO

SOBRE O NOVO USO

1

Imagem 138

2

Imagem 139

3

Imagem 140

4

Imagem 141

5

Imagem 142

Remoção das marquises, da coberta metálica e do anexo externo próximo à caixa d’água

Remoção dos estandes independentes e dos ambientes centrais, bastante fragmentados, para dar mais liberdade à disposição do novo programa

Reformulação do primeiro pavimento (com mirante) e adição de terraço com blocos de salas

Adição de anexo do café

Adição de anexo do teatro

143


CAPÍTULO 5

IMPLANTAÇÃO

MAPA 11

Implantação da escola de dança e outras artes cênicas

144

SOBRE O NOVO USO


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

ESTRUTURA O galpão já possuía uma estrutura vigaxpilar robusta e modulada, em concreto, que poderá ser aproveitada. É importante, entretanto, verificar o estado das fundações para garantir que estejam em boas condições para suportar as novas cargas adicionadas. Os pilares de 30cmx30cm existentes estão dispostos em todo o contorno do galpão e em uma linha central interna, seguindo um gride de 6.75m por 7.80m. Outros oito pilares de mesmas dimensões, referentes ao pequeno trecho do pavimento superior original, se encontram no alinhamento do gride apenas em um dos sentidos. Vale lembrar que novos pilares de 30cmx30cm em concreto serão acrescentados para diminuir os vãos vencidos pelas novas vigas. Como o primeiro pavimento será reformulado, as vigas internas existentes deverão ser repensadas para suportar as novas cargas. Elas serão, em alguns trechos mais ricos em pilares, em concreto armado de 12cmx40cm e, em outros com vãos mais vastos, em concreto protendido de 30cmx35cm ou de 30cmx55cm. Vale lembrar que as lajes em concreto do primeiro e do segundo pavimentos possuem 20cm de espessura. Além disso, no que diz respeito ao mirante, este deverá ser engastado na estrutura da caixa d’água para deixar livre o espaço abaixo dele, o que é possível devido à pouca dimensão de seus lances de circulação. Como os pilares do segundo pavimento nem sempre coincidem com os imediatamente abaixo, será necessário o uso de vigas de transição de 30cmx90cm, em concreto protendido, para dar mais flexibilidade à disposição do programa educacional. Nesse sentido, foi utilizada uma estrutura metálica no segundo pavimento, principalmente por seu caráter mais leve, para dar suporte à coberta em telha sanduíche (com esquadrias e painéis fotovoltáicos), nas extremidades do bloco educacional, e à laje impermeabilizada, acima da circulação (a receber os condensadores). Os pilares de 15cmx15cm se ligam a treliças e a vigas de 15cmx24cm, 15cmx30cm ou 15cmx40cm, de acordo com os vãos que variam devido à circulação disposta em diagonal. Quanto ao café, em face do grande vão a ser vencido, foram usados pilares e vigas metálicos de 30cmx30cm. Quanto ao teatro, possui pilares de 30cmx30cm em concreto, laje de 25cm de espessura e vigas de 30cmx1m, em concreto protendido, para vencer o grande vão. Seu espaço de transição, por sua vez, é constituído de pilares e vigas metálicas de 15cmx15cm, com vão menor a vencer que o do café.

145


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

Imagem 143

Perspectiva da estrutura do galpão original

Imagem 144

Perspectiva da estrutura da escola 146


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

MATERIAIS A materialidade do galpão e da caixa d’água será mantida, preservando sua estrutura de concreto e suas paredes de tijolos vermelhos, continuando os trechos sem revestimento como se encontram e checando a qualidade do assentamento dos que ainda persistem para evitar acidentes. As paredes internas novas serão pintadas em efeito concreto (cinza suave) com esquadrias em tom avermelhado mais sóbrio e fechado, tom este utilizado em outros elementos novos do projeto, como nos guarda-corpos internos e externos. O uso da madeira também ocorre de forma marcante nos acessos de maior fluxo, no grande ripado da recepção, nos palcos das salas e do teatro, nos degraus das escadas e em parte do mobiliário. Foi proposto ainda o uso de acm vermelho para destacar o teatro na praça e de acm cinza para o bloco superior com elementos metálicos pintados com tinta eletrostática em tom ocre e venezianas de correr novamente no tom avermelhado. O tom ocre aparece também nas estruturas metálicas do anexo do café e da transição entre o galpão e o teatro, com painéis metálicos perfurados pintados com tinta eletrostática vermelha.

147


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

IMAGENS

Imagem 145

Vista das fachadas principais junto à rua Jorge Dumar (leste) e à avenida Eduardo Girão (sul), em que se pode observador parte do anexo do café à esquerda, o mirante junto à caixa d’água, o bloco superior com inclinações opostas e venezianas de correr para proteção das esquadrias de vidro

148


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

Imagem 146

Vista das fachadas oeste e sul, mostrando o anexo do café, protegido da luz poente pelos corpos arbóreos e pelo uso de painéis perfurados intercalados. Observa-se também o mirante com tratamento paisagístico mais à direita e parte da intervenção nas vias que cercam a escola

149


CAPรTULO 5

Imagem 147

SOBRE O NOVO USO

Vista das fachadas leste e norte, com destaque para a praรงa junto ao teatro, com quiosques na parte de trรกs das arquibancadas

150


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

Imagem 148

Vista interna da entrada principal, mostrando grande hall, recepção, estar dos bailarinos, lojas, salão multiuso ao fundo, separado dos outros espaços por meio de tecidos com certa transparência, além de vegetação, que adentra o prédio e confere leveza e frescor

151


CAPÍTULO 5

Imagem 149

SOBRE O NOVO USO

Vista do refeitório, mostrando ainda parte do pavimento superior, onde se encontra o espaço de exposição/ memorial

152


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

Imagem 150

Vista do corredor do bloco superior, cujas salas apresentam grandes esquadrias de vidro de moldura avermelhada para visualização das atividades internas (com possibilidade de uso de cortinas quando necessário para dar maior privacidade). Estas salas possuem também coberta inclinada, com esquadrias para entrada de luz e saída de ar quente, e forro acústico

153


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

DESENHOS TÉCNICOS PAVIMENTO TÉRREO (+10,50m)

154

Número

AMBIENTE

ÁREA

1

Grande Haal

280,00 m²

2

Recepção

26,00 m²

3

Lojas

2. (16,80 m²)

4

Estar Bailarinos

70,00 m²

5

Sala Multiuso

200,00 m²

6

Banheiros

2. (12,70 m²) + 3,10 m²

7

Salas Médicas

3. (10,60 m²)

8

Secretaria/Tesouraria

17,50 m²

9

Direção

15,30 m²

10

Coordenação

16,30 m²

11

Sala de Reuniões

24,80 m²

12

Estar Funcionários

34,60 m²

13

Banheiros

2. (3.90 m²)

14

Copa

6,50 m²

15

Cozinha

52,00 m²

16

Despensa

12,00 m²

17

Refeitório

200,00 m²

18

Área Externa

355,00 m²

19

Almoxarifado

24,00 m²

20

Lavanderia

16,80 m²

21

Acervo Figurino

49,70 m²

22

Acervo Cenários

67,70 m²

23

Depósito de Instrumentos

67,70 m²

24

Camarins

38,80 m² + 41,70 m²

25

Banheiros

4. (4,20 m²)

26

Gás

6,20 m²

27

Lixo

9,60 m²

28

Gerador

29,70 m²

29

Carga/Descarga

250,00 m²

30

Palco

216,00 m²

31

Coxias

30,00 m²

32

Cabine de Luz/Som

8.50 m²

33

Arquibancadas/ Quiosques

50 m² + 60 m² +50 m²

34

Praça

1320,00 m²


PRIMEIRO PAVIMENTO (+13,60m)

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO

Número

AMBIENTE

ÁREA

35

Soundlock

10,30 m²

36

Sala Técnica

22,40 m²

37

Estúdio

33,30 m²

38

Salas Teóricas

2 . (33,30 m²) + 67,70 m²

39

Mediateca

67,20 m²

40

Brinquedoteca

67,20 m²

41

Banheiros

2.(12,70 m²) + 3,10 m²

42

Exposição/Memorial

300.00 m²

43

Mirante

40,00 m²


SEGUNDO PAVIMENTO (+16,70m)

PLANTA PRIMEIRO PAVIMENTO

Número

AMBIENTE

ÁREA

44

Terraço

1020 m²

45

Salas de Dança/Teatro

2.(63,30 m²) + 2.(70,60 m²) + 2.(77,90 m²)

46

Salas de Música/Canto (Grupo)

41,30 m² + 48,60 m² + 56,00 m²

47

Salas de Música/Canto (Individual)

10,10 m² + 10,90 m² + 11,70 m²

48

Sala Oficina

48.60 m²

49

Banheiros

15,00 m² + 16.60 m² + 3,10 m²

50

Vestiários

15,40 m² + 18.00 m²


COBERTA

PLANTA SEGUNDO PAVIMENTO

Número

AMBIENTE

ÁREA

51

Ar condicionado

240.00 m²


PLANTA DE COBERTA


CORTES


FACHADAS


CAPÍTULO 5

SOBRE O NOVO USO

167


Imagem 151 Gene Kelly no filme “Cantando na chuva� (1952)


6. CONCLUSÃO


CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

Considerações finais Concluo o presente trabalho com satisfação por ter finalmente explorado temas que sempre me cativaram no decorrer da minha trajetória estudantil. As leituras, visitas, entrevistas e diálogos no processo de pesquisa foram fundamentais para a elaboração de uma proposta mais adequada à edificação e ao entorno escolhidos. Em uma sociedade em que a maioria renega estruturas antigas e abandonadas por estas não ostentarem o que julgam ser símbolo de progresso e modernidade, mostra-se indispensável incitar discussões acerca da relação entre o novo e o velho, não em seu caráter patrimonial, mas no que concerne a beleza do corriqueiro, da simplicidade, e que de alguma forma nos marca a memória. A partir da compreensão da importância de assimilar com um outro olhar essas estruturas abandonadas ainda em boas condições, torna-se possível reintegrá-las ao tecido urbano com novos usos, dos quais a coletividade possa usufruir, reavivando seu potencial antes adormecido.

170


CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

BIBLIOGRAFIA •Andrade, M. and Duarte Junior, R. (2015). IDENTIFICAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DO PATRIMONIO CULTURAL EDIFICADO DE NATUREZA INDUSTRIAL DO CEARÁ. Universidade Federal do Ceará. •Anon, (2018). [online] Disponível em: https://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/brasilarquitetura_/teatro-engenho-central/31 [Accessed 8 Jun. 2018]. •ArchDaily Brasil. (2018). Clássicos da Arquitetura: SESC Pompéia / Lina Bo Bardi. [online] Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/01-153205/classicos-da-arquitetura-sesc-pompeiaslash-lina-bo-bardi [Accessed 8 Jun. 2018]. •ArchDaily Brasil. (2018). Teatro Erotídes de Campos - Engenho Central / Brasil Arquitetura. [online] Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/01-78395/teatro-erotides-de-camposengenho-central-brasil-arquitetura [Accessed 8 Jun. 2018]. •ArchDaily. (2018). Garage Museum of Contemporary Art / OMA. [online] Disponível em: https:// www.archdaily.com/642936/garage-museum-of-contemporary-art-oma [Accessed 8 Jun. 2018]. •ArchDaily. (2018). Red Bull Music Academy / Langarita Navarro Arquitectos. [online] Disponível em: https://www.archdaily.com/213918/red-bull-music-academy-langarita-navarroarquitectos/?ad_source=myarchdaily&ad_medium=bookmark-show&ad_content=current-user [Accessed 8 Jun. 2018]. •Architectural Review. (2018). Red Bull Music Academy, Langarita Navarro, Spain. [online] Disponível em: https://www.architectural-review.com/today/red-bull-music-academy-langarita-navarrospain/8638710.article [Accessed 8 Jun. 2018]. •Arcoweb.com.br. (2018). Brasil Arquitetura: Teatro Erotides de Campos, Piracicaba, SP ARCOweb. [online] Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/projetodesign/arquitetura/ brasil-arquitetura-teatro-piracicaba-24-10-2012 [Accessed 8 Jun. 2018]. •Argenta, V. and Argenta, V. (2018). Arquitetura Verde – Reutilizando edifícios abandonados. [online] Coletivoverde.com.br. Disponível em: http://www.coletivoverde.com.br/reutilizandoedificios/ [Accessed 8 Jun. 2018]. •Arte.seed.pr.gov.br. (2018). Elementos Estruturantes da Dança - Disciplina - Arte. [online] Disponível em: http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=262 [Accessed 8 Jun. 2018]. •Casas Bacanas | Blog. (2018). SESC POMPEIA: A FÁBRICA DE SONHOS DE LINA BO BARDI Casas Bacanas | Blog. [online] Disponível em: http://casasbacanas.com/blog/2016/08/15/sescpompeia-a-fabrica-de-sonhos-de-lina-bo-bardi/ [Accessed 8 Jun. 2018]. •Ceara.pro.br. (2018). Fortaleza de Ontem e de Hoje - Descrição do Trabalho. [online] Disponível em: http://ceara.pro.br/fortaleza/Bairros/Gentilandia/BondeseOnibus.html [Accessed 8 Jun. 2018]. •Ceasa-ce.com.br. (2018). Conheça a CEASA. [online] Disponível em: http://www.ceasa-ce.com. br/index.php/categoria-1?cssfile=principal.css [Accessed 8 Jun. 2018]. •Choay, F. (2001). A ALEGORIA DO PATRIMONIO. 1st ed. São Paulo: Editora Estação Liberdade Ltda, p.29. 171


CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

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CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

•Mendes Cidade, D. (2010). Os cortes de Gordon Matta-Clark: um ritual de destruição e reconstrução da arquitetura. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. •Mesquita Rodolfo, R. (2015). A UNIVERSIDADE (FEDERAL) DO CEARÁ ENTRE O BENFICA E A GENTILÂNDIA: ESPAÇOS, LUGARES E MEMÓRIAS (1956-1967). Universidade federal do Ceará. •Miralles, F. (2017). Wabi-sabi. 1st ed. Rio de Janeiro - São Paulo: Editora Record, p.221. •Neufert, P. and AG-Neufert Mittmann Graf, P. (1998). neufert arte de projetar em arquitetura. 17th ed. Brasil, p.618. •Nietzsche, F. (2011). Assim falou Zaratrusta. 1st ed. Companhia Das Letras. •Nobre, L. (2010). Retratos do passado II. [online] Fortalezanobre.com.br. Disponível em: http:// www.fortalezanobre.com.br/2010/09/retratos-do-passado-ii.html [Accessed 8 Jun. 2018]. •Nobre, L. (2011). Cobal - Companhia Brasileira de Alimentos. [online] Fortalezanobre.com.br. Disponível em: http://www.fortalezanobre.com.br/2011/10/cobal-companhia-brasileira-dealimentos.html [Accessed 8 Jun. 2018]. •OMA. (2018). Garage Museum of Contemporary Art. [online] Disponível em: http://oma.eu/ projects/garage-museum-of-contemporary-art [Accessed 8 Jun. 2018]. •Palasmaa, J. (2012). The eyes of the skin. 3rd ed. Wiley. •Pu-4.blogspot.com. (2018). Projetos. [online] Disponível em: http://pu-4.blogspot.com/p/ projetar-122.html [Accessed 8 Jun. 2018]. •Rai-Pi Huang, E. (1991). Body in Space: The Sensual Experience of Architecture and Dance. Massachusetts Institute of Technology. •Rebello, Y. (2011). Bases para projeto estrutural na arquitetura. São Paulo: Zigurate. •Revista aU - Arquitetura e Urbanismo. (2018). Revista aU | Brasil Arquitetura transforma antigo armazém no Teatro do Engenho, na cidade de Piracicaba, SP | Arquitetura e Urbanismo. [online] Disponível em: http://au17.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/221/brasil-arquitetura-transformaantigo-armazem-no-teatro-do-engenho-na-264515-1.aspx [Accessed 8 Jun. 2018]. •Rocha, E. (2006). A Produção do Espaço Abandonado. Mestre em Educação. Sociedade em Debate, Pelotas-RS. •Rodrigues, M. (2010). Patrimônio industrial, entre o fetiche e a memória. UNICAMP. •Stathopoulou, D. (2011). From Dance Movement to Architectural Form. University of Bath. •Vainer, A. and Ferraz, M. (1999). Cidadela da liberdade. São Paulo, Brasil: SESC São Paulo. •Vimeo. (2018). ballet rotoscope 2355. [online] Disponível em: https://vimeo.com/156915323?ref=fbshare&1 [Accessed 8 Jun. 2018]. •Vitruvius.com.br. (2018). arquitextos 124.09: Amar e desamar, ou arquiteturas de abandonar | vitruvius. [online] Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ arquitextos/10.124/3565 [Accessed 8 Jun. 2018].

173


CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

LISTA DE IMAGENS • Imagem 1: Rita Hayworth and Fred Astaire Fonte: https://br.pinterest.com/pin/414049759484689665/ • Imagem 2: Edifício da Antiga COBAL, no cruzamento da Rua Jorge Dumar e da avenida Eduardo Girão Fonte: Google Street View • Imagem 3: Cena do filme Moonrise Kingdom (2012) Fonte: https://br.pinterest.com/pin/414049759484689640/ • Imagem 4: A poesia de uma composição simples, com superfícies e texturas desgastadas pelo tempo, junto a novos objetos Fonte: https://br.pinterest.com/pin/414049759486802558/ • Imagem 5: Cerâmica reparada segundo a prática do Kintsugi Fonte: https://br.pinterest.com/pin/414049759486803160/ • Imagem 6: Intervenção em fábrica abandonada no Taiwan por Interbreeding Field (2010) Fonte: https://www.archdaily.com/135333/the-paradise-lost-in-time-interbreeding-field • Imagem 7: O novo e o velho em Londres Fonte: https://br.pinterest.com/pin/259097784795965517/ • Imagem 8: Memorial ao Holocausto, em Berlim Fonte: https://br.pinterest.com/pin/452400725041063650/ • Imagem 9: Imagem 9: Coliseu, em Roma Fonte: https://br.pinterest.com/pin/154389093448617544/ • Imagem 10: Baroque Office, onde buracos foram cortados no chão de vários andares Fonte: https://br.pinterest.com/pin/442197257153251128/ • Imagem 11: Conical Intersect, onde buracos formavam um cone através de duas casas do século XVII Fonte: https://www.sfmoma.org/artwork/92.426 • Imagem 12: Day’s End, onde um enorme buraco foi recortado na parede de um depósito Fonte: https://br.pinterest.com/pin/566468459374225172/?lp=true • Imagem 13: Perspectiva Amnesias topográficas II Fonte: http://www.vazio.com.br/projetos/amnesias-topograficas-ii/ • Imagem 14: Intervenção Amnesias topográficas II Fonte: http://www.vazio.com.br/projetos/amnesias-topograficas-ii/ • Imagem 15: Bailarina dançando com areia Fonte: https://br.pinterest.com/pin/414049759484689547/ • Imagem 16: Experiências de interação entre corpo e mobiliário Fonte: https://br.pinterest.com/pin/414049759486285586/ 174


CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

• Imagem 17: Espetáculo da companhia de dança Diavolo Fonte:https://entretenimento.uol.com.br/album/diavolo_dance_theatre_album. htm?abrefoto=1#fotoNav=5 • Imagem 18: Espetáculo Rapture (2008), de Noémie Lafrance Fonte:https://thefunambulist.net/cinema/funambulists-second-sequel-to-the-article-theweight-of-the-body-falling-gravity-dances • Imagem 19: Estudo de kinesfera Fonte: https://br.pinterest.com/pin/414049759485869267/ • Imagem 20: Tension, de Gheyber Gutierrez Fonte: https://br.pinterest.com/pin/414049759480258295/ • Imagem 21: Lamentation (1930), por Martha Graham Fonte: http://adancehistory.blogspot.com/2015/11/lamentation-project-superb-dance.html • Imagem 22: Sala em tom amarelo vivo Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 23: Recepção, estar e área para aula no mesmo espaço Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 24: Recepção Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 25: Café Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 26: Sala de aula Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 27: Pátio Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 28: Sala de aula Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 29: Lanchonete e estar com vista para salas Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 30: Estar entre salas Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 31: Pátio futuro com rampas e escadas de acesso Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 32: Sala de aula com elementos cênicos marcantes Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 33: Detalhe iluminação Fonte: Biblioteca pessoal da autora 175


CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

• Imagem 34: Área com trabalhos dos alunos Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 35: Sala de aula com pé direito alto Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 36: Mediateca Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 37: Sala de música Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 38: Pátio para apresentações Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 39: Sala de dança com transparências na coberta Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 40: Salão criativo Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 41: Refeitório e jardim Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 42: Teatro Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 43: Estar entre salas Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 44: Sala multimídia Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 45: Sala de dança aberta ao ar livre Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 46: Pátio amplo Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 47: Circulação Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 48: Biblioteca Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 49: Cena do filme Funny Face (1957) Fonte: https://br.pinterest.com/pin/414049759484689624/ • Imagem 50: Fábrica Abandonada (1972) Fonte: http://acervo.estadao.com.br/noticias/lugares,sesc-pompeia,11605,0.htm • Imagem 51: Marcante coberta do SESC Pompéia Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-153205/classicos-da-arquitetura-sesc-pompeiaslash-lina-bo-bardi 176


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CONCLUSÃO

• Imagem 52: Interior do teatro Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-153205/classicos-da-arquitetura-sesc-pompeiaslash-lina-bo-bardi • Imagem 53: Blocos monolíticos ligados por passarelas Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-153205/classicos-da-arquitetura-sesc-pompeiaslash-lina-bo-bardi • Imagem 54: Aberturas irregulares Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-153205/classicos-da-arquitetura-sesc-pompeiaslash-lina-bo-bardi • Imagem 55: Galpão requalificado Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-78395/teatro-erotides-de-campos-engenhocentral-brasil-arquitetura • Imagem 56: Croqui de corte do galpão Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-78395/teatro-erotides-de-campos-engenhocentral-brasil-arquitetura • Imagem 57: Elementos vermelhos marcantes Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-78395/teatro-erotides-de-campos-engenhocentral-brasil-arquitetura • Imagem 58: Interior do teatro Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-78395/teatro-erotides-de-campos-engenhocentral-brasil-arquitetura • Imagem 59: Antigo restaurante Fonte: https://www.archdaily.com/642936/garage-museum-of-contemporary-art-oma • Imagem 60: Características do prédio original preservadas Fonte: https://www.archdaily.com/642936/garage-museum-of-contemporary-art-oma • Imagem 61: Vista externa da edificação Fonte: https://www.archdaily.com/642936/garage-museum-of-contemporary-art-oma • Imagem 62: Marcas da passagem do tempo e relação entre ambiente interno e externo Fonte: https://www.archdaily.com/642936/garage-museum-of-contemporary-art-oma • Imagem 63: Planta com disposição dos diferentes elementos do programa no interior do galpão Fonte:https://www.archdaily.com/213918/red-bull-music-academy-langarita-navarroarquitectos • Imagem 64: Pavilhão adaptável Fonte:https://www.archdaily.com/213918/red-bull-music-academy-langarita-navarroarquitectos • Imagem 65: Pequenas casas móveis Fonte:https://www.archdaily.com/213918/red-bull-music-academy-langarita-navarroarquitectos • Imagem 66: Cores marcantes, ângulos variados e janelas de vidro duplo Fonte:https://www.archdaily.com/213918/red-bull-music-academy-langarita-navarro177


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CONCLUSÃO

arquitectos • Imagem 67: Uso marcante de vegetação no interior do galpão Fonte:https://www.archdaily.com/213918/red-bull-music-academy-langarita-navarroarquitectos • Imagem 68: Cena do filme Pulp Fiction (1995) Fonte: http://teleprograma.diezminutos.es/programas-tv/2012/noviembre/travolta-paramountchannel • Imagem 69: Foto aérea da antiga Lagoa do Tauape, onde podem ser vistos o Campo do Prado e a Raia da Corrida de Cavalos. O atual galpão em estudo encontra-se no ponto marcado em vermelho Fonte: http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/11/o-velho-bairro-do-benfica.html • Imagem 70: Moças na Lagoa Fonte:http://dacadeirinhadearruar.blogspot.com/2012/01/no-final-da-rua-da-cachorra-magra. html • Imagem 71: Trecho da carta da cidade de Fortaleza 1945, mostrando a lagoa do Tauape, a qual foi sendo gradativamente aterrada e drenada a partir da década de 1940, até desaparecer completamente Fonte: O Siara na rota dos Neerlandeses • Imagem 72: Início da antiga Boulevard Visconde de Cauípe, na esquina com a Rua Antônio Pompeu, vendo-se, ao fundo, o bonde da linha Benfica Fonte: www.fortalezaemfotos.com.br/ • Imagem 73: Antigo palacete de José Gentil e atual prédio da Reitoria da UFC, que funcionava como residência da família Gentil. Fonte: www.fortalezaemfotos.com.br/ • Imagem 74: Estádio Presidente Vargas, na década de 1940 Fonte:http://diumtudo-marvioli.blogspot.com/2011/09/pv-o-estadio-presidente-vargas-70anos.html • Imagem 75: Palacete da família Gentil, adquirido e ampliado pela UFC para abrigar a sede da reitoria Fonte: www.fortalezanobre.com.br/ • Imagem 76: Pró-reitoria de Extensão da UFC, 1961 Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.154/4695 • Imagem 77: Shopping Benfica Fonte: https://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1985581 • Imagem 78: Levantamento 3D de parte da volumetria da região próxima ao prédio em estudo, indicando a escala predominante com poucos pavimentos, mas com alguns pontos marcados pela chegada do mercado imobiliário • Fonte: Prédios levantados pela equipe da autora de Projeto Urbanístico 4. Imagem editada pela autora. • Imagem 79: Canal com potencial paisagístico mal aproveitado. Desnível do terreno mais perceptível na fachada junto à avenida Eduardo Girão 178


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CONCLUSÃO

Fonte: Google Street View • Imagem 80: Casas abandonadas, com alguns elementos automotivos das oficinas dos arredores e entulhos Fonte: Google Street View • Imagem 81: Imagem ilustrativa de corte viário com proposta de requalificação da avenida Eduardo Girão, em que haveria alguns pontos com pequenas pontes para travessia e circulação vertical para chegar a um nível mais próximo do curso de água do canal e usufruir melhor desse espaço Fonte: Desenvolvido pela autora • Imagem 82: Informativo do Mandato do Vereador Márcio Martins, indicando interesse das autoridades em requalificar a região Fonte: https://en.calameo.com/books/005427943a7f5af94ee20 • Imagem 83: Extrato de IPTU atrasado até o momento de emissão (24/05/2017) Fonte: Prefeitura de Fortaleza • Imagem 84: Observou-se a existência de alguns vendedores ambulantes junto à fachada principal, movimentando um pouco a área. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 85: Vista da caixa d’água e de um anexo ao prédio, que estava vazio e em estado comprometido, cuja função é desconhecida pelos funcionários, de modo que será removido para priorizar um tratamento paisagístico. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 86: Escada de acesso lateral à entrada principal. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 87: Fachada sul, com vista da caixa d’água, junto à avenida Eduardo Girão. As vagas de estacionamento nesse trecho serão desconsideradas a favor de criar um espaço de convivência mais convidativo. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 88: Parte da fachada oeste, que receberá uma nova estrutura anexa, referente ao café. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 89: Vagas de estacionamento na fachada oeste a serem mantidas. A vegetação existente, a ser aparada, auxiliará na proteção contra o calor da luz poente. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 90: A fachada oeste era reservada apenas para execução de serviços, como carga e descarga. Na nova proposta, ela será aproveitada, parcialmente, como área externa do café e espaços de convivência, com remoção da marquise, bastante baixa, e adição de novos elementos metálicos com proteção contra a luz poente por meio do uso de painéis perfurados e a preservação das árvores existentes. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 91: Praça e entrada para carga e descarga, a serem aproveitadas e reconfiguradas. Fonte: Biblioteca pessoal da autora

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CONCLUSÃO

• Imagem 92: Ciclofaixa existente a ser ampliada para incentivar o uso de transportes alternativos e ecologicamente mais corretos. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 93: Fachada voltada para a praça a receber o anexo referente ao teatro. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 94: Vista da Praça. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 95: A fachada atual apresenta diversos trechos pintados com propagandas ou marcados pela pichação, escondendo a materialidade dos tijolos originais, de modo que se sugere um tratamento para recuperá-los. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 96: Lateral da fachada leste (principal), com posto de saúde logo em frente. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 97: Aberturas dos portões metálicos, elementos bastante recorrentes no galpão, que serão aproveitados em boa parte como painéis perfurados da nova escola, seja no anexo do café, seja na transição entre o galpão e o teatro Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 98: Antiga divisão entre as áreas de supermercado e feira, constituída por elementos metálicos perfurados. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 99: Galpão com vasto vão livre, conferindo bastante liberdade para a distribuição do programa da futura escola em seu interior. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 100: Pequenos estandes, estruturalmente independentes do galpão, que serão removidos para dar mais liberdade na distribuição do programa. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 101: Cobogós com pequenas aberturas arredondadas na parte superior de todo o galpão, a serem mantidos. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 102: Vista dos estandes para a divisória, com a placa da antiga COBAL. O espaço era bastante iluminado naturalmente durante o dia, devido ao lanternim com transparência na cobertura metálica. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 103: Funcionário da CONAB mostrando os arquivos guardados na antiga área administrativa. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 104: Área onde funcionava a lanchonete. Como o café da nova escola de dança terá um porte maior, esse espaço será reconfigurado. O minimalismo do design dos bancos, por sua vez, chamou minha atenção. Fonte: Biblioteca pessoal da autora

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CONCLUSÃO

• Imagem 105: Aberturas da fachada oeste a serem mantidas. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 106: Escada da lanchonete de acesso ao pavimento superior. • Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 107: O pavimento superior se mostrou bastante quente, devido à grande proximidade da cobertura metálica, sem qualquer tratamento térmico, além de ser muito baixo, dificultando a livre circulação, o que levou à proposta de substituir a cobertura atual. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 108: Vista do pavimento superior para o grande vão. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 109: O galpão serve atualmente como depósito de arquivo morto. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 110: Janelas fechadas com tijolos por motivos de segurança, as quais serão substituídas por novas esquadrias. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 111: Trechos onde os revestimentos caíram permanecerão dessa forma para evidenciar a passagem do tempo. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 112: Desenhos da passagem do tempo. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 113: Diferentes colorações indicam diferentes momentos. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 114: Diferentes tons avermelhados. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 115: Vista interna com estantes do arquivo morto e pavimento superior a ser reconfigurado. Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 116: Julie Andrews e Mary Tyler Moore durante rotina de dança para Thoroughly Modern Millie (1967) Fonte: https://br.pinterest.com/pin/379428337328125414/ • Imagem 117: A dança se desenrola em diferentes alturas e planos Fonte: http://perpetual-inspiration.tumblr.com/post/70183435850 • Imagens 118, 119 e 120: Nessa maquete, foram criados planos retangulares em diferentes alturas, com alguns trechos livres e outros preenchidos com folhas plásticas coloridas, representando a área em comum com o plano imediatamente anterior a ele. Essas folhas, por seu caráter transparente, permitem que as limitações sejam apenas parciais Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 121: Linhas de movimentos do corpo Fonte:https://balletthebestphotographs.files.wordpress.com/2015/02/maeve-maguire-theacademy-of-dance-arts2.jpg 181


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CONCLUSÃO

• Imagens 122, 123 e 124: Nessa maquete, foi explorado o movimento do bailarino, que pode se desenvolver em formas curvas, retilíneas ou zigzag e, consequentemente, gerar transições e percursos de velocidade lenta, média ou rápida. Foram utilizados também pedaços de balão em alguns trechos de mudança de direcionamento, testando sua capacidade elástica e remetendo à possibilidade de expansão da kinesfera dos bailarinos • Fonte: Biblioteca pessoal da autora •  • Imagem 125: Movimentos de contração Fonte:https://balletthebestphotographs.files.wordpress.com/2015/02/maeve-maguire-theacademy-of-dance-arts2.jpg • Imagem 126, 127 e 128: Nessa maquete, observou-se o movimento de contração e extensão do corpo dos bailarinos, o que se reflete nas formas curvas utilizadas, criando, em alguns momentos, espaços amplos e fluidos, mas também estreitos e limitados em outros trechos Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 129: A importância do eixo para realizar as piruetas Fonte: https://i.pinimg.com/originals/63/f2/e5/63f2e5e5589363cc284c4c901ed542da.jpg • Imagens 130, 131 e 132: Nessa maquete, trabalhou-se com um eixo central de onde partiam planos flexíveis em nível baixo, médio e alto, gerando diferentes possibilidades de formatos Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 133: Interação entre bailarinos dançando Fonte: https://www.instagram.com/p/BeiFCj3hfUh/?saved-by=brenne.jpeg • Imagens 134, 135 e 136: Nessa maquete, estudou-se a interação entre planos que se cruzam e se ligam com elementos pontuais, criando espaços livres ou limitados e afetando, dessa forma, a experiência do lugar pelas mudanças de direcionamento Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 137: Mapeamento de movimentos Fonte: Biblioteca pessoal da autora • Imagem 138: Remoção das marquises, da coberta metálica e do anexo externo próximo à caixa d’água Fonte: Desenvolvida pela autora • Imagem139: Remoção dos estandes independentes e dos ambientes centrais, bastante fragmentados, para dar mais liberdade à disposição do novo programa Fonte: Desenvolvida pela autora • Imagem 140: Reformulação do primeiro pavimento (com mirante) e adição de terraço com blocos de salas Fonte: Desenvolvida pela autora • Imagem 141: Adição de anexo do café Fonte: Desenvolvida pela autora • Imagem 142: Adição de anexo do teatro Fonte: Desenvolvida pela autora • Imagem 143: Perspectiva da estrutura do galpão original Fonte: Desenvolvida pela autora 182


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CONCLUSÃO

• Imagem 144: Perspectiva da estrutura da escola Fonte: Desenvolvida pela autora • Imagem 145: Vista das fachadas principais junto à rua Jorge Dumar (leste) e à avenida Eduardo Girão (sul), em que se pode observador parte do anexo do café à esquerda, o mirante junto à caixa d’água, o bloco superior com inclinações opostas e venezianas de correr para proteção das esquadrias de vidro. Fonte: Desenvolvida por MOM • Imagem 146: Vista das fachadas oeste e sul, mostrando o anexo do café, protegido da luz poente pelos corpos arbóreos e pelo uso de painéis perfurados intercalados. Observa-se também o mirante com tratamento paisagístico mais à direita e parte da intervenção nas vias que cercam a escola Fonte: Desenvolvida por MOM • Imagem 147:Vista das fachadas leste e norte, com destaque para a praça junto ao teatro, com quiosques na parte de trás das arquibancadas Fonte: Desenvolvida por MOM • Imagem 148: Vista interna da entrada principal, mostrando grande hall, recepção, estar dos bailarinos, lojas, salão multiuso ao fundo, separado dos outros espaços por meio de tecidos com certa transparência, além de vegetação, que adentra o prédio e confere leveza e frescor Fonte: Desenvolvida por MOM • Imagem 149: Vista do refeitório, mostrando ainda parte do pavimento superior, onde se encontra o espaço de exposição/ memorial Fonte: Desenvolvida por MOM • Imagem 150: Vista do corredor do bloco superior, cujas salas apresentam grandes esquadrias de vidro de moldura avermelhada para visualização das atividades internas (com possibilidade de uso de cortinas quando necessário para dar maior privacidade). Estas salas possuem também coberta inclinada, com esquadrias para entrada de luz e saída de ar quente, e forro acústico Fonte: Desenvolvida por MOM • Imagem 151: Gene Kelly no filme Cantando na chuva (1952) Fonte: https://br.pinterest.com/pin/40250990392969071/

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CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

LISTA DE MAPAS • Mapa 1: O terreno está localizado no bairro da Gentilândia, nas proximidades do Benfica. Fonte: Desenvolvido pela autora • Mapa 2: Terreno entre a avenida Eduardo Girão, a rua Jorge Dumar e a rua Marechal Deodoro, onde existe uma edificação subutilizada da antiga Cobal. Fonte: Desenvolvido pela autora • Mapa 3: O terreno se enquadra em uma ZOP 1, com limites próximos de uma ZPA 1. Fonte: Desenvolvido pela autora • Mapa 4: Direção dos ventos e da luz solar em relação à edificação, bem como áreas de expansão no terreno do processo de requalificação. Fonte: Desenvolvido pela autora • Mapa 5: Mapa de Usos, realizado pela equipe de Caracterização sócio-econômica e demográfica, durante a disciplina de Projeto Urbanístico 4, indicando a heterogeneidade de usos, ainda com forte caráter residencial, fruto da história do bairro. Fonte: Trabalho Ecobairro Benfica 2017.1 - Equipe: Anna Luisa Costa, Breno Holanda, Camila Moretti, Érica Macêdo, Fernanda Ponte, Liana Leal. • Mapa 6: Mapa de Equipamentos, mostrando a concentração deles junto ao cruzamento das avenidas da Universidade e Treze de Maio. O projeto em questão visa relacionar-se com os equipamentos já existentes e descentralizar as zonas de interesse e confluência dos bairros em estudo. Fonte: Desenvolvido pela autora • Mapa 7: Mapa de Índice de Qualidade do Entorno, realizado pela equipe de Caracterização Sócio-econômica e Demográfica, durante a disciplina de Projeto Urbanístico 4, que considera a existência ou não de estrutura básica na área, como iluminação, logradouro, pavimentação, calçada, acessibilidade, etc. Percebe-se que a maior parte dos bairros em estudo possui um bom índice, entretanto, no trecho próximo ao terreno escolhido, oposto ao canal da avenida Eduardo Girão, esse índice decai, ressaltando que projetos de requalificação nessa região mais ao sul da Gentilândia pode ser bastante benéfica. Fonte: Trabalho Ecobairro Benfica 2017.1 - Equipe: Anna Luisa Costa, Breno Holanda, Camila Moretti, Érica Macêdo, Fernanda Ponte, Liana Leal. • Mapa 8: Mapa de Assentamentos Precários, realizado pela equipe de Caracterização Sócioeconômica e Demográfica, durante a disciplina de Projeto Urbanístico 4, indicando a existência de locais com más condições de habitação e mobilidade, inclusive próximos ao terreno escolhido, que podem ser diretamente beneficiados com a implantação da escola de artes cênicas e a requalificação do entorno. Fonte: Trabalho Ecobairro Benfica 2017.1 - Equipe: Anna Luisa Costa, Breno Holanda, Camila Moretti, Érica Macêdo, Fernanda Ponte, Liana Leal. • Mapa 9: Mapa de Mobilidade e Estrutura Viária, com destaque para propostas de implantação de mais bicicletários e de expansão das ciclofaixas existentes, incentivando o uso de transportes alternativos a partir de uma maior continuidade dos percursos. Além disso, propõe-se uma via paisagística, junto ao canal da avenida Eduardo Girão, com melhoria das calçadas e da arborização, bem como com a inserção de locais de permanência e apreciação. Fonte: Desenvolvido pela autora 184


CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

• Mapa 10: Possibilidade de ampliação do projeto de requalificação da parte mais ao sul da Gentilândia, com implantação de novos equipamentos vinculados à escola de artes cênicas, devido à existência de terrenos amplos e subutilizados Fonte: Desenvolvido pela autora • Mapa 11: Implantação da escola de dança e outras artes cênicas Fonte: Desenvolvido pela autora

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FONTES UTILIZADAS: LOVELO BLACK Cicle Fina Cicle Shadow C=0 M=0 Y=0 K=90 C=14 M=47 Y=38 K=3 C=18 M=78 Y=75 K=7 C=4 M=12 Y=8 K=0 C=5 M=10 Y=15 K=0


2° ATO: Escola de Dança e Outras Artes Cênicas  
2° ATO: Escola de Dança e Outras Artes Cênicas  
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