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Dia Mundial da Poesia Concurso Faรงa Lรก Um Poema 2009-2010 ANTOLOGIA DE POEMAS


ÍNDICE (ordem alfabética de autor)

Ensino Básico Afonso Castro (9ºano), A Vida

poema seleccionado

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Tomás Ribeiro (9ºano), A Vida

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Ensino Secundário Poemas a Concurso Ana Isabel Castro (12ºano), Despedida Joana Machado (11ºano), Infância Joana Machado (11ºano), O Sonho Joana Machado (11ºano), Globalização Joana Machado (11ºano), Urgentemente João Matos (12ºano), Vida Inflamada João Matos (12ºano), Os Sentidos da Vida Sofia Azevedo (12ºano), Deambulando

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Poemas fora de Concurso ∗ Artur Tavares (12ºano), Turbulência Bruna Amorim (11ºano), s/Título Cláudio Maycon Santos (10ºano), s/Título Diogo Machado (11ºano), Quando Eu Escrevo Maria Bento (10ºano), Sinceridade do Amor Vera Nogueira (10ºano), É Um Novo Dia Vera Nogueira (10ºano), Viagem de Amanhecer

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∗ Poemas enviados fora de prazo, ou directamente para o PNL.

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Afonso Castro (9ºano)

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A Vida Poucos são os que sabem aproveitá-la, Grande parte nem chega a senti-la, Muitos sabem como destruí-la. Ninguém sabe o seu sentido ao certo E apenas alguns o tentam perceber. No fundo a vida tem apenas um sentido E todos o desconhecemos… Pois só se descobre quando se morrer!

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Tomás Ribeiro (9ºano)

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A Vida Tudo começa com nove meses, Dentro do útero materno. Onde tudo é quentinho, Onde tudo é terno. E depois, certo dia, Sem ninguém contar, Enquanto o bebé sorria, Decidiu encarnar. O tempo vai passando, E o bebé vai crescendo. Com os pais admirando, O seu desenvolvimento. Com o bebé já grande, Já é um adulto. Não é ignorante, É um homem culto. A fase da adolescência, Onde tudo é bonito e engraçado, Onde se cresce e se namora, Já foi embora. Faz parte do passado. Agora crescidinho, Casado e a trabalhar, Os pais, orgulhosos, olham para ele. Não é mais um bebezinho. Numa noite de lua cheia, Enquanto os pais estão contentes, Uma cegonha no oriente Começa a voar.

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Quando vêem o que aconteceu, Os pais ficam embaraçados. Uma vida vem aí E eles têm que estar preparados. O tempo vai rolando, Como uma bola, num jardim. É então que eles percebem Que a vida tem fim. Então chega o dia, Em que tudo acaba. Já estavam velhos e cansados, Não aguentavam mais nada. Quando o coração parou, Gastaram as últimas forças para sorrir, Porque a sua missão, Conseguiram cumprir.

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Ana Isabel Castro (12ºano)

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Despedida Não finjam, isto ia acontecer, Tão certo como o próprio amanhecer… O quanto eu sofri escondida, Desejando, desesperando por uma saída. Não vos queria magoar E nem sabem o quanto me custa falar! Mas tudo e todos têm um fim E o meu, o meu vai ser assim.

Com o tempo tudo irá melhorar E irão perceber como é tudo mais simples… Como é mais simples e fácil A vossa vida, sem a minha. Fiz cair uma lágrima e mil Por tudo o que fiz, sozinha. Tentei, acreditem que tentei Ser melhor, ser completa. O que quero ser, nunca serei… E então cheguei à meta Da vida que pude viver. E o que não vivi, Fica por escrever, Escrevendo-se por si. Este é o meu adeus. Porque o que sempre receei naqueles dias de luz Voltou agora, mais incontrolável do que temia. E como não tenho mais forças para lutar, Aceito o pôr-do-sol, aceito o fim do meu dia. Adeus.

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Joana Machado (11ºano)

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Infância Quem não quer voltar a ser criança? Viver na ignorância Acreditar que a única coisa que se perde são jogos Acreditar que vivemos em paz Pensar que o mundo é perfeito Não ter preocupações Somente ilusões Saber apenas a tabuada E achar que temos a lição estudada Desconhecer o que é a maldade Acreditar na igualdade Possuir ingenuidade Mas quando crescemos Passamos a ver outra verdade Que nos deixa com vontade De voltar ao reino da pequenada

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Joana Machado (11ºano)

O Sonho Sonhar alegra a vida Dá-nos algo em que pensar Pena é que não possamos Passar a vida a sonhar Sonhar está ao alcance De um simples piscar de olhos Basta só deixar a mente Divagar atrás dos sonhos Os sonhos não se vendem Não se trocam, nem se dão Guardam-se intimamente Como algo precioso no fundo do coração O sonho é uma janela Aberta à imaginação Podemos espreitar por ela Em qualquer ocasião O sonho é uma constante Ao longo da existência Mesmo que desagradável Será sempre uma experiência

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Joana Machado (11ºano)

Globalização Olho e vejo um mundo à deriva Como uma embarcação sem rumo Escuto e oiço o brado de uma multidão Enlouquecida e desvairada Sinto e penso no que vai na mente de cada um? Para onde e por onde vamos? Por vezes sinto-me perdida e inquieta Haverá solução? Passará ela pela globalização?

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Joana Machado (11ºano)

Urgentemente É urgente destruir a dor Sim, essa palavra horrível Que todos os dias faz… Alguém chorar no Mundo Para isso também É preciso acabar com certas palavras: Tristeza, guerra, mágoa, desespero. Se nos unirmos será que…… Essa palavra desaparecerá? Tentamos???

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João Matos (12ºano) Vida Inflamada A minha vida não é um mar de rosas, A minha vida é somente uma escuridão, Um beco sem saída, Onde não vejo nenhuma solução. A minha vida não é um jogo hipotético Mas sim um jogo objectivo, No qual o único vencido da vida sou eu, Porque o mais fraco sempre perde, e o mais forte sempre ganha. Se eu pudesse sonhar, então sonharia, Mas ao sonhar estou a idealizar o inconcebível, E para isso não vale a pena fechar os olhos, Porque vivo bem sem esse pensamento. Se um dia pudesse pensar, então pensaria, Mas ao pensar, estaria a gastar a minha pobre mente em coisas inúteis, Que não servem de nada, Porque, ao fim ao cabo, não há solução… Se um dia pudesse gostar de alguém, então gostaria… Mas ao gostar, estaria a sujar a minha dignidade Com o que não é tão útil, Porque o medo da perda é muito grande. Se um dia pudesse rir, então rir-me-ia, Mas, esse contentamento seria de agonia, E não de pura graciosidade do meu límpido pensamento Porque a grande solução para alcançar a extrema felicidade está à vista de um cego. Se eu pudesse decidir o destino, então decidiria, Mas se o meu Destino já está traçado, Não adianta mexer Nele, Porque Ele comanda a vida, e nada mais… Se eu pudesse escolher o meu fim, então escolheria, Mas a vida é efémera, E sendo ela tão cheia de buracos, não adianta lutar, Porque tudo nasce, e tudo morre… Escola Secundária Augusto Gomes

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João Matos (12ºano)

Os Sentidos da Vida Já estou farto de escrever palavras, Nenhuma delas me diz nada, Somente me diz que não vale a pena manchar os rins com líquido, Nem o estômago com comida, Nem o coração com sangue, Nem os pulmões com ar, Nem o cérebro com neurónios, Nem o esqueleto com ossos. Não vale a pena viver, porque a vida é um erro, Que se paga caro ao enfrentá-la, Porque tudo na vida tem um preço, E esse preço é demasiado elevado para o meu pensamento simples. Os 5 sentidos nada me dizem, Nenhum deles me é relevante, Porque se formos a ver, O que adianta ter audição, se nenhum conselho amigo nos ajuda? O que adianta ter tacto, se o melhor de tudo é viver a parte das coisas? O que adianta ter olfacto se respiramos maldade neste mundo? O que adianta ter paladar se o pão de cada dia está envenenado por malfeitores? O que adianta ter visão se a desilusão nos cega? Enfim, não adianta o envolvimento, Quer seja emocionalmente ou fisicamente, Este envolvimento causa perda, tristeza, solidão, frustração, mágoa, descontentamento, E outros adjectivos que perfuram o meu coração de pensamentos fatalistas… Porque vivemos a vida? A vida só tem um único objectivo: viver e ser feliz, Porque ao sermos felizes estamos a trespassar a realidade da vida, E não a cumprir o grande objectivo (irrealizável) da vida.

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Sofia Azevedo (12ºano)

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Deambulando… A Cesário Verde

Dez da manhã, nos Champs Elisées. As pessoas andam azafamadas Pelas ruas iluminadas pelo Sol da manhã. O Arco do Triunfo, imponente e majestoso, Reaviva memórias do passado glorioso Desta magnífica cidade. Ao contemplar aquela fantástica construção Evoco o exército de Napoleão Preparando meticulosamente mais uma invasão. Ouvem-se gritos e esgares de dor Daqueles que pela vida têm amor E que fogem desesperadamente daquela aniquilação. A Ponte das Barcas a afundar, Toda a população a tentar escapar Daquele massacre que, para sempre, Na sua memória irá ficar. E então, à realidade voltei; Aqueles pensamentos agoniantes Da minha mente afastei E segui pela cidade. O Sena corria impávido e sereno, Os turistas desfrutavam do clima ameno E a cidade continuava a brilhar. Repicam os sinos de Notre Damme E recordam-me que o tempo corre como o vento! Acelero o meu passo naquele momento, Sabendo que, para meu grande tormento, Tenho de ao trabalho voltar.

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Artur Tavares (12ºano)

Turbulência Levanta a cabeça ave ferida! Podes ter a asa quebrada, mas ainda podes voar nos sonhos... e andar na terra! Luta, LUTA! Torna-te forte! Só assim conseguirás seguir o teu caminho, e viver o teu SONHO! Encontra a tua Índia e sê feliz!

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Bruna Amorim (11ºano)

A paixão contra o sobrenatural, O infinito e o fim O certo e o errado, tudo misturado. Uma sensação de prazer e agonia Vontade e fantasia, tudo ao mesmo tempo. E tu te vês perdido e encontrado por ti próprio. Parar para pensar faz a tua cabeça girar. O medo já não te consome mais, A adrenalina tomou conta do teu corpo. Esse é o perigo, esse é o teu destino.

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Cláudio Maycon Santos (10ºano)

Tu passas. Como a vida é injusta. Simples, porém curta. A vida passa, a vida muda, Sempre curta, sempre branca. Como a cor da minha alma. Sempre sinto, nunca morro. Como a minha arte, que sempre está ali. Além do meu imaginar. Além do meu alcançar. Um minuto para o fim de tudo. Vivo tudo em poucos segundos. Uma volta num relógio para dizer Que ainda que te veja passar Nunca vou poder te ter.

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Diogo Machado (11ºano) Quando Eu Escrevo Quando eu escrevo, O complicado torna-se simples, O difícil parece fácil, Os versos ganham emoções pessoais Que são transmitidas aos leitores Que me dão força Para passar ao verso seguinte. Então, entro em sintonia comigo E encontro o meu conforto, Como se a caneta e o papel Fizessem parte do meu corpo. A comoção entra em íntima vibração: Sistema nervoso e sanguíneo em comum, Às vezes chego a pensar que somos apenas um. Rio-me na língua de um povo, De um povo que é poeta, Eu rio-me, em português, Que é uma língua completa. Respeito esta cultura, Como respeito os meus pais, Rimando, escrevendo, E encantando os demais. E invisto todo o meu vocabulário, Com as 26 letras do nosso abecedário. Tendo na cabeça um dicionário, Percorro as várias fases, Que vão das letras às palavras E das palavras até às frases. Assim construo os versos, Duas rimas em cada quadra, Dois versos com a mesma rima, É o poder das palavras. Escola Secundária Augusto Gomes

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Quando escrevo, Torna-se pequeno o universo, Olho para dentro, Comigo próprio converso. Uns divulgam o banal, Eu faço o inverso. Viver é o objectivo, Rimar é o processo. Muito mais que entretenimento, Procuro uma versão lúdica, Com o fito de a transmitir, Àqueles que me conseguem ouvir. Voz activa, a teoria usa a prática, Rimas saem de caixas de tinta, Metidas na minha esferográfica. Escritas no caderno ou no bloco de matemática, E criadas de uma maneira sistemática. Pego na caneta e na folha de papel, E ando atrás da verdade, como a abelha atrás do mel. Digo o que quero, liberto os meus medos, É isso que sinto quando escrevo. Quando eu escrevo, A atmosfera torna-se apática, Escondendo-me a verdade Nas entrelinhas da gramática. Confesso-me eu próprio, toda a minha vivência, O que eu passei, o que eu passo e toda a minha experiência. Todos aqueles que me ajudaram foram as minhas influências, Mas agora conto apenas com a minha consciência. Quando escrevo em noites de insónias, Assumo o papel de meu mestre-de-cerimónias, Não preciso de anúncios, nem de orquestra sinfónica, Estou infectado por esta febre como se fosse doença crónica,

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Não importa o que pensam de mim, Deixo-me estar e prossigo, Ficando bem com o tudo, Mesmo que o mundo não esteja bem comigo. Porque a força não está, Entre quem vence ou perde a briga, Mas em seres tu próprio, E não o que a sociedade te obriga. Agora, com ou sem metáforas, Mantém-te atento, que eu mantenho-me fiel, Em rima cruzada ou então emparelhada, Torno fácil o difícil, torno dócil o cruel. E assim te digo que a paz começa em ti, E por respeitares o teu parceiro, Porque, se queres mudar o mundo, Então, muda-te a ti primeiro.

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Maria Bento (10ºano)

Sinceridade do Amor Se eu pudesse roubar o tempo do mundo Fazia cada momento durar mais do que um segundo E suspirava quando é só nosso Em cada olhar que fica, cada beijo que voa E cada palavra amiga que sozinha nos conta Esta história leve, por mais leve que seja Faz eterno cada momento por mais esquecido que seja… Se eu pudesse ser um pouco mais do que isto Ser mais uma palavra, uma melodia que capta o meu ouvido Mais que um mito sem sentimento, musicalidade ou arte Queria ser a certeza que assim deixei o corpo de parte A verdade a qual acenas ao longe quando te escondes Por detrás desse sorriso, dúvidas sem nomes, Não mas apontes, nem mas escondas agora Deixa-me tentar mostrar-te que as respostas estão lá fora Se eu pudesse dizer tudo o que quero, Poder ter tudo num verso só, sem ter contudo um regresso Tudo confesso, cada segredo que este silêncio impera…

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Vera Nogueira (10ºano)

É Um Novo Dia É um novo dia Tu queres é viver Amanhecer com alegria Viajar para longe Olhar em frente e ver A janela da vida Com um lindo horizonte Um sol desenhado No canto do papel Tudo o que tenho é uma simples caneta e um mero papel Onde digo o que sinto e o que vejo É um novo dia Sorrir é sonhar Tudo o que quero É adivinhar O que vou escrever Para te alegrar Quando olho para ti Vejo uma porta aberta O caminho para a felicidade O desejo de sobreviver Contigo ao meu lado A chama que floresce No fim do túnel A brisa fresca Que faz renascer Uma pequena flor Eu sou além Um pouco azul Como o mar e o céu Céu? Bem alto no monte Onde ninguém chega Mas porquê? Eu estou a um passo de chegar Eu acredito cada vez mais Como o mar acredita na sua forma De ser e de viver Escola Secundária Augusto Gomes

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Vera Nogueira (10ºano)

Viagem de Amanhecer Era o Passado, o Presente, o Futuro? Impossível de descodificar Mas assim aceitei o meu destino E enfrentei as consequências Independente do final Caminho pelas ondas do vento Sentindo a delicadeza da relva nos pés, Sobrevoei montanhas Sentindo a frieza da água nas mãos Nada era impossível Ao nascer da alvorada Num local onde o Sol nunca fora visto, Sentiu-se o calor, Os raiva de Sol, Sentiu-se o amanhecer Sentiu-se o Som entrar, Relaxar, tranquilizar As preocupações Entoando: “Eu estarei aqui!”

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Concurso FAÇA LÁ UM POEMA