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Ano 1 | #1 | Edição “Leitores”

E AGORA? LEIO ONDE? o que será feito da leitura?

Conheça os prós e os contras da leitura digital que ganha, cada vez mais, espaço no mercado.

entrevista com Débora Soares pág. 5

síndrome do excesso de informação pág. 10

pág. 16

sentimentalismo nas redes sociais pág. 24


Revista Link

Editorial o velho jornalismo e suas novas tecnologias

entrevista

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o exército colaborativo dos sites

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Revista Link

Sumário

Para compor as atividades avaliativas da cadeira Jornalismo e as Novas tecnologias, nos foi proposto pelo professor Dario Brito a criação de uma revista. Mas não uma revista comum como as que estamos acostumados a receber em nossas casas. O desafio foi criar a Revista Link. Uma revista digital que pudesse abranger as novas e variadas formas de mídias. Isto é, elaborar um projeto que pudesse conter textos, áudios, imagens, vídeos e muito conteúdo para deixar você, leitor, ainda mais atualizado sobre diferentes assuntos. Para que você conseguisse estar, de certa forma, “linkado” em nós. Desafio aceito. Para isso, foram estipulados sete reporteres, um diagramador, um editor de imagens, um editor de textos e um fotógrafo. Equipe pronta, pautas nas mãos e muito trabalho a fazer. Se nos restava ainda alguma dúvida referente a opção de curso que queríamos seguir, essa foi, sim, a prova de fogo. Desafio em processamento. Os reporteres tiveram que pesquisar, averiguar, pensar, articular e criar matérias diferenciadas que pudessem conquistar o seu olhar, caro leitor. Na revista Link, você encontrará informações que estão acerca das novidades da internet e que estão “linkadas” em nossas vidas. Como a facilidade permitida pela interatividade entre nós e a web, gerando essa cultura participativa através da multimidialidade, da cidadania digital ou das novas formas de publicidade. Visando uma melhor qualidade para o presente e futuro da leitura, sem que corramos o risco de cair na falência digital. Porque para nós, caro leitor, a sua satisfação é o nosso maior compromisso. E o diagramador, os editores e o fotógrafo sempre pacientes e empenhados para oferecer a você as melhores imagens, os melhores vídeos e os mais interessantes textos que você mesmo comprovará, leitor. Desafio cumprido. Por isso, desde já, recomendo que você comece dando uma olhadinha na matéria da capa, “O que será feito da leitura?” que nos mostra as vantagens e desvantagens do novo hábito de ler na internet, algo que hoje é muito comum e que você está fazendo agora. Só não deixa, caro leitor, de “linkar”a sua leitura nas matérias seguintes. Boa leitura! Daniele Monteiro

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FRASES

síndrome do excesso de informação

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a notícia nas mãos de muitos

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você sabe o que são mídias espôntaneas? sabe como elas funcionam?

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o que será feito da leitura?

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celebridades digitais

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frases

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sentimentalismo estimulado nas redes sociais

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blog e jornalismo

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entrevista DÉBORA NASCIMENTO

EXPEDIENTE

Fotógrafa Deborah Viégas

Foto: Acervo Pessoal

Editor eletrônico (vídeo e áudio) / Gerenciador de Redes Sociais Nahyara Batista

Diagramadora / Articulista Arline Lins

Repórteres Caroline Rangel Beatriz Albuquerque

Juliana Gonzalez

Milena Coimbra

Palloma Viana Natércia Dantas

Poleanny Araújo

Blog www.revistalink-online.blogspot.com Canal no Youtube user/RevistaLink

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Canal no Sound Cloud www.soundcloud.com/revistalink-online/sets

por Deborah Viégas

“se tiver a demanda, claro que vão fazer mais coisas para os fãs”

Maio/Junho 2012.

Editora Daniele Monteiro

Revista Link

Revista Link

Revista Link é uma publicação digital com periodicidade semestral elaborada como parte integrante da disciplina de Jornalismo e as Novas Tecnologias do curso de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Débora Nascimento

O site Oclumência (http://www. oclumencia.com.br/) foi criado em 2005 e desde então se tornou uma das maiores homepages de Harry Potter. Infelizmente o site acaba de chegar ao fim e segue apenas com atualizações de notícias no Facebook e Twitter. Além de ser o maior Twitter sobre o tema do Brasil (@oclumencia), o espaço continha diversas notícias e fotos inéditas sobre a série, livros e filmes. Débora Nascimento, estudante de jornalismo da Unicap, era uma das administradoras do site e iniciou sua colaboração quando o mesmo havia completado um ano. Enock, o criador, era apenas um fã da série que decidiu fazer o projeto. O objetivo do site era manter fãs brasileiros que não sabiam inglês atualizados com as notícias da saga. “Oclumência” termo utilizado na saga significa bloquear magicamente a mente contra ataques inimigos. Em entrevista, Débora Nascimento fala sobre como foi trabalhar para o site em meio à colaboração e não colaboração dos fãs da Warner Bros e com a participação da mídia.

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A gente só postava notícias e os fãs foram consequências disso. Naquela época, eu acho que o Facebook e o Twitter nem existiam. Talvez o Facebook, mas no período em que ainda era privado para estudantes de universidades. Debora, o Oclumência hoje é um dos maiores sites de Harry Potter do mundo. Possui o maior Twitter sobre o tema do Brasil (@oclumencia). Você imaginava que daria tamanha repercussão?

O site proporciona informações, galeria de fotos inéditas sobre a série, livros e filmes. De que fonte vem esse material? Algumas fotos vinham da própria Warner Bros. Outras a gente pegava em sites internacionais sobre cinema. A Warner Bros confiava no site ao enviar para vocês notícias inéditas. Já houve algum caso em que vocês sofreram censura? Sim. Algumas vezes conseguíamos fotos trocando informação com outras pessoas. Olha, esse mundo de fãs de séries grandes (Harry Potter, Crepúsculo e agora Jogos Vorazes)

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Não é só a Oclumencia, mas diversos outros sites colaboram voluntariamente como fãs de Harry Potter, se responsabilizando com o trabalho de compartilhar notícias inéditas, fotos. As empresas responsáveis pela renda deste mercado apenas lucram com isso, sem ter trabalho algum, em termos de audiência. Diante disto, você acha que ao trabalhar desta forma as empresas estão tirando proveito de vocês? Sim, mas não é como se eles nos forçassem a fazer isso. Fazemos porque gostamos, é um hobbie. Nunca me senti usada pela Warner. E também ganhávamos dinheiro com isso. E se fossemos pensar assim, também tirávamos proveito de outros fãs que chamávamos para ajudar a manter o site atualizado. E eles não ganhavam dinheiro. O que lhe motivava a trabalhar para o site? Era divertido. Eu gostava bastante de procurar notícias sobre HP por aí. Sem contar nas brigas entre fãs e etc. Todo aquele universo era muito divertido. As mídias corporativas reconhecem cada vez mais o va-

lor da participação dos fãs. O que faz do Oclumencia um site sério para que deslizes e bobagens não aconteçam? Bem, nós cometíamos deslizes e bobagens. Todo mundo comete. O Pernambuco.com, o NE10, o Estadão. Todos cometem bobagens. Mas nós éramos muito específicos sobre o que postávamos. Não queríamos fofoca sobre os atores. Quase sempre só entravam notícias diretamente ligadas à série. Com esta cultura dos fãs onde um quer saber mais que o outro, estar mais informado, ter fotos raras que nunca compartilham, você, por estar dentro deste meio e ser fã, já teve algum atrito com outros fãs?

comprar, passando da barreira de apenas os livros e DVD’s originais dos filmes de Harry Potter. Você acha que, como fã, a mídia se aproveita disso? Sim, claro. Olha, pra falar a verdade, eu só tenho os livros. Dos DVDs tenho até o quarto filme. E só. Mas tem gente que tem o quarto todo decorado com coisas de Harry Potter. O mercado não é bobo. Se tiver a demanda, claro que vão fazer mais e mais coisas para os fãs. Qual foi importância da página do Facebook para o site?

Infelizmente, o Facebook só foi ficar popular bem mais tarde. Não chegamos a utilizá-lo muito. Débora, já foi lançado o último livro de Harry Potter e o último filme. Como você explica a “eternidade” de Harry Potter na vida dos fãs? Eu acho que é como Star Wars, Senhor dos Anéis, De Volta para o Futuro. Essas coisas acabam se tornando Cult. E os pais vão apresentando aos filhos e assim sempre vão surgindo novos fãs. Conheci Star Wars por conta do meu pai e virei fã.

Como o site irá progredir agora que acabou? Bem, não vai. Alguns integrantes do site se juntaram e formaram o CineMarcado.com.br, sobre cinema em geral. O que tornou o Oclumência diferenciado de todos os outros sites que têm como foco conquistar fãs de Harry Potter? O diferencial era vontade. Existiam milhares de sites, mas o nosso estava sempre atualizado, com um layout bonito e limpo e pessoas dedicadas.

Foto: Reprodução/Internet

Não. Na verdade, foi uma surpresa quando a Warner Bros entrou em contato conosco.

tem tipo uma máfia. Eles conseguem fotos vazadas e etc. Algumas vezes postávamos, mas aí chegava a Warner e pedia para que elas fossem retiradas do ar. Preço da fama.

Revista Link

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Como vocês conseguiram conquistar este número de fãs?

Eu nunca tive atrito sério com ninguém porque acho bobagem brigar na internet. A internet é um lugar para que eu me divirta. Se alguém viesse brigar comigo, paciência. Eu só fazia ignorar. Vocês, colaboradores do site, tinham privilégios ou o trabalho e tempo que dedicavam a Harry Potter era por satisfação? A Warner nos chamava para a pré-estréia do filme. Esse era o único privilégio. Os fãs acabam sendo transformados como consumidores de carteirinha. Tudo o que for “inédito” deve-se

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por

Cada vez mais, fãs ajudam na manutenção de sites escrevendo matérias de forma voluntária

MILENA COIMBRA

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tualmente, os exércitos colaborativos vêm sendo utilizados cada vez mais em portais sobre diversos assuntos. Esses exércitos se constituem em grupos de pessoas com algum interesse em comum, colaborando com informações em um mesmo site. O giro de colaboradores é grande, uma vez que todos são voluntários e por isso, na maioria das vezes, não recebem nenhum tipo de lucro em troca de suas informações. É o que acontece no site Boxdeseries.com, que tem feito sucesso entre os fãs de seriados. E para entendermos melhor esse universo, Caio Fochetto, um dos fundadores do site, conta como tudo funciona e o que os fãs mais procuram quando acessam o portal: Como o site funciona no dia a dia? Há um e-mail de pauta. As pessoas se responsabilizam por textos semanais de críticas e de colunas. A editora escolhe as notícias que entrarão diariamente e os redatores trabalham nelas. Existem pautas livres que são discutidas no mailing.

Veja mais Ouça mais

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Caio Fochetto

No Boxdeseries.com tem-se um ótimo exemplo de como esses exércitos colaborativos podem contribuir com qualidade no funcionamento do site, disponibilizando diversos serviços aos fãs, como notícias sobre várias séries, seus personagens e atores, resumos da semana, spoilers, informações sobre audiência, trilhas sonoras e muitos outros serviços que trazem ao site tantos seguidores, como é o caso de Beatriz Bulhões. Grande fã de diversas séries, ela não passa um dia sem acessar o portal.

Quais os seriados mais buscados? Grey’s Anatomy, Glee, True Blood, Game Of Thrones e Fringe. Mas isso varia de acordo com as séries que estão sendo exibidas no momento, apesar dessas de cima sempre estarem no topo.

Significados:

Mas nem todos concordam com essa nova forma de levar notícia aos seguidores. Alguns fãs, como Arnaldo Lage, por exemplo, acreditam que com esse grande número de colaboradores, as notícias acabam perdendo credibilidade. Concordando ou não, o fato é que os exércitos colaborativos conquistaram seu espaço na internet. Tanto sucesso se deve ao fato de que os próprios fãs acabam se tornando parte desses “exércitos”, e ao mesmo tempo em que colaboram trazendo noticias aos sites, também se abastecem de novas informações sobre os seus maiores interesses.

SPOILER - Spoiler é uma palavra inglesa que vem do verbo “to spoil”, estragar. Pode ser traduzida como “estraga-prazeres”, e é usada para definir revelações de fatos importantes da trama de filmes, televisão, livros e jogos.

Por que você acha que as séries têm conquistado cada vez mais fãs? Acredito que a popularização das séries se deve, e muito, a popularização da internet e barateamento nos serviços de distribuição de conteúdo televisivo pago. Ainda estamos distantes de preço e qualidade justos, mas acredito que já há melhorias.

Fotos: Deborah Viégas

Como vocês mantém o site? Há algum tipo de lucro? Não há lucro. O que provém de anúncios acaba sendo utilizado na manutenção do site, tanto com servidor para podcast e o site em si, quanto há reformas de layout e afins.

A que se deve o sucesso do site? Por que você acha que ele tem dado tão certo? Acredito que o sucesso se deve ao amor e dedicação de cada participante pelo tema. As pessoas que participam dos bastidores são realmente envolvidas, tanto com as séries quanto com os textos que escrevem e isso só pode resultar em qualidade, tanto em informação quanto em opinião.

Revista Link

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os exércitos colaborativos em sites

PODCAST - Podcast é o nome dado ao arquivo de áudio digital, frequentemente em formato MP3 ou AAC, publicado através de podcasting na internet e atualizado via RSS. Também pode se referir a série de episódios de algum programa quanto à forma em que este é distribuído. MAILING - Mailing (abreviação de Mailing List, em inglês), banco de dados .l. (nome, endereços, características do consumidor, entre outros) para serem utilizados em marketing direto, tais como mala direta, telemarketing e correio eletrônico.

Beatriz Bulhões

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A doença moderna atinge os internautas gerando distúrbios psicológicos e orgânicos

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“Saber de ‘tudo’ e ao mesmo tempo não conhecer quase nada, falta de tempo para tudo, tristeza”. O publicitário paulista, Renan Alessio, sente com frequência esses sintomas de transtornos de ansiedade. Ele é apenas um dos vários exemplos que revelam que, atualmente, abarcar todo conhecimento disponível na sociedade da informação é uma tarefa que não pode ser realizada. Apesar de não existirem pesquisas no Brasil que quantifiquem o número de casos da doença, o principal centro de tratamento do assunto no país, o Ambulatório de Ansiedade da USP, percebe que tem atendido um número crescente de pacientes que mencionam como causa de seu transtorno a incapacidade de absorver informações no ritmo que consideram ideal. Segundo o psicólogo pernambucano Iuri Tubino, que atende pacientes com a síndrome, o distúrbio “vem de Veja mais

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Fotos: Deborah Viégas

ocê já imaginou que o seu cérebro é como um HD com capacidade limitada de armazenamento? Pois é, assim como as máquinas, o ser humano não suporta processar informações em grande quantidade. A Síndrome do Excesso de Informação é definida pelos psicólogos como uma doença moderna, característica do século XXI, que diariamente é potencializada pelo aumento do consumo de informação, principalmente online.

Dr. Iuri Turbino

um transtorno de ansiedade que ocasiona uma série de repercussões pessoais, familiares e profissionais”. O último estudo da Universidade do Sul da Califórnia revelou que a quantidade de informações recebidas diariamente por uma pessoa equivale a leitura de 174 jornais completos e que a produção mundial de informação, nos últimos 25 anos, superou 296 exabytes (1 exabayte = 1 bilhão de gigabytes). A popularização da web proporcionou benefícios inquestionáveis, como acessar notícias em tempo real, sobre quase tudo que é produzido no mundo. Entretanto, há informação demais para ser consumida em 24h. As pesOuça mais

soas com quadro agudo dessa síndrome são assoladas por uma sensação constante de que estão ultrapassadas, pois a demanda de dados na rede perturba as pessoas que querem estar sempre atualizadas. No consultório do Dr. Iuri Tubino, por exemplo, a principal queixa dos seus pacientes tem sido a dificuldade de se desconectar. As informações que no passado eram encontradas apenas em livros, hoje estão disponíveis na internet. Porém, enquanto as referências da informação impressa passam mais segurança para quem está consumindo, as da internet não parecem confiáveis. Isso acontece porque o impresso é um documento palpável, concreto e a web permite que as informações sejam de domínio público, sem autoria. Quando criadas no ciberespaço, as informações podem ser alteradas e até apagadas por desconhecidos. Nesse contexto surgiu o termo “dataholic”, referente a uma classificação dos novos consumidores de notícia. Os dataholic’s, jovens da chamada geração y, dominam as ferramentas de informação, mas estão o tempo todo angustiados, porque não selecionam o que consomem. Essa forma de consumo traz um desconforto a partir do momento que a pessoa se dá conta de que não é possível dominar tudo que está na internet. Além disso, pode gerar perda de noção da realidade, no momento em que se começa a ter essa informação virtual como algo real. Seg-

undo o Dr. Tubino, a geração y, que nasceu com a tecnologia e consegue lidar com ela de forma muito natural, mas admite: “está pré-disposta a ter algum tipo de transtorno ligado ao excesso de informação, independente do veículo, porém muito mais pela via eletrônica”.

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por

BEATRIZ ALBUQUERQUE

síndrome do excesso de informação

A comunicação virtual faz com que as pessoas se isolem, pois geralmente se concretiza em dispositivos individuais, como notebooks, smartphones e tablets. Com a Síndrome do Excesso de Informação, o quadro de isolamento se agrava, podendo causar depressão, problemas de relacionamento e alguns transtornos de pânico. Em alguns casos, é possível notar que há algo de errado em si mesmo, pois começam a surgir prejuízos que repercutem dentro da própria capacidade de se ver como ser que estabelece contato com os demais; outras vezes, a demanda se torna responsabilidade da família e dos amigos. Nesses casos, o comportamento revela que alguém deve intervir para ajudar essas pessoas, pois a compulsão se tornou muito natural e não é mais percebida por quem passa pelo problema. A necessidade intensa de saber, de ir atrás das informações e de estar constantemente conectado, evidencia a dificuldade de controlar o consumo de informações. O estudante de tecnologia e moderador da sessão “off-topic” do fórum fmanager, que possui continua na pág. 12

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César Lira

Além da ajuda ao jornalista e a outras pesada vez mais, novas tecnologias vêm soas interessadas no mesmo assunto, a parsurgindo e, junto a isso, o mundo vem ticipação deste repórter auxilia também a se adaptando à elas. Com o jornalismo comunidade e a cidade onde vive, “se algum não é diferente. O mundo jornalístico tamcidadão divulga a informação de denúncia bém está seguindo essas mudanças que são de foco de dengue em um bairro e o jornal, vistas em todos os âmbitos. Tais mudanças a TV e o rádio transmitem essa informação, podem ser percebidas no dia a dia, com a isso servirá de alerta para que as autoridades facilidade que as redes sociais possibilitam. de vigilância sanitária mandem equipes que Um exemplo disso são as notícias que vêm combatam tal problema, ou seja, de alguma sendo divulgadas de muitas formas e por forma aquele repórter cidadão está conmuitos, não apenas por jornalistas. Hoje é tribuindo com aquela comunidade. Então é cada vez mais evidente a presença de pesclaro que ajuda, e muito, em algumas situsoas comuns e sem formação em jornalismo ações”, confirma Mário Neto. divulgarem notícias em redes sociais. À elas é atribuída a denominação Mario Neto O contabilista, Cleto Paixão, usa de “Repórter Cidadão”. o Twitter como forma de divulA acessibilidade das redes gar informações e acontecisociais nos aparelhos cementos. Para ele, o conceito de lulares possibilita pessoas conhecimento está em difundir postarem informações e o que se sabe. Cleto também notícias em tempo real. Este acredita que esse hábito de comtipo de atitude ajuda não partilhar informações acaba crisomente pessoas comuns, ando uma rede de conhecimencomo também profissionais da área. O jorto que é positivo para todos. “É a nalista e âncora da CBN Recife, Mário Neto, questão da reciprocidade. Eu lhe ajudo com recebe diariamente no Twitter (@jctransito) informações e você faz o mesmo, criando centenas de informações sobre o trânsito redes de comparna cidade. E comenta a ajuda nessa nova tilhamento de informa de divulgar notícias: “as redes sociais formações que só têm ajudado muito nesta questão. A gente contribuem para vê muito disso no Twitter, no Facebook e no a melhoria coMessenger. Pessoas que estão no trânsito muntária”, afirma. informam a respeito do fluxo de carros nas ruas, mandam fotos e vídeos sobre todo tipo veja mais de assunto e isso acaba pautando, inclusive, a mídia.” Cleto Paixão, contablista.

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POLLEANNY ARAÚJO

Foto: Acervo Pessoal

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Como a participação do repórter cidadão ajuda na profissão de jornalista por

Foto: Poleanny Araújo

A síndrome gera uma gama de alterações orgânicas além das psíquicas, como disfunções metabólicas, estresse, fadiga e insônia. De acordo com o Dr. Tubino, ela é semelhante a uma compulsão por comida, jogo ou qualquer outro tipo de objeto, nesse caso, informação, por isso precisa de tratamen-

a notícia nas mãos de muitos

to. “Primeiro temos sempre que escutar o que está sendo apresentado enquanto vivência desse problema, para assim poder achar um determinante que possa nos conduzir ao melhor diagnóstico”, afirma Tubino, explicando que a psicologia trata da relação do indivíduo com a síndrome.

Foto: Deborah Viégas

mais de 60.000 usuários cadastrados, Ricardson César Lira é viciado em buscar informações e novidades na internet. Para evitar estar o tempo todo conectado, o estudante utiliza apenas dois dispositivos de acesso, o smartphone e computador desktop. “Seria ruim usar outras plataformas porque acho que já consumo muito”, afirma. Porém, a estratégia utilizada por ele não é suficiente, pois constantemente perde a noção de tempo enquanto está trocando informações. Apesar de tentar regrar seu consumo, César Lira não imagina como seria possível passar uma semana sem informação. “Nunca parei para pensar nisso, mas seria muito complicado passar uma semana sem me conectar”, revela o estudante.

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você sabe o que são mídias espontâneas? sabe como elas funcionam?

cional. Basta apenas que as agências fiquem ligadas no que anda rolando nas pages do povão”, acrescenta.

por

JULIANA GONZALEZ

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dias espontâneas. De acordo com a estudante de publicidade e propaganda da Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP, Rafaela Gonzalez , essas mídias além de funcionarem, muitas vezes, de forma espontânea, através da troca de informação entre os usuários, permitem o conhecimento mais detalhado sobre o estilo de vida do consumidor. Desta maneira, facilita-se a elaboração de uma estratégia que vá de encontro aos desejos e necessidades deste consumidor, tornando-se uma publicidade mais eficaz. “Eu acredito até que essas mídias não geram problemas para a mídia tradi-

Profissionais e universitários da área explicam e opinam a respeito do assunto Fotos: Deborah Viégas

ichelle acorda todos os dias para ir à faculdade, mas antes mesmo de tomar o café da manhã, conecta-se nas redes sociais para conferir o que está sendo divulgado e publica a nova programação de um restaurante. Uma das ferramentas da internet que tem sido bastante explorada para a publicidade segmentada são as redes sociais. Com o fácil acesso à Internet e o forte crescimento dessas redes, tornou-se habitual o uso dos consumidores não só para reclamações sobre produtos, lugares, eventos e etc, mas também para a divulgação dos mesmos, o que hoje chamamos de mí-

Michelle Telino

Segundo a promoter e estudante de jornalismo, Michelle Telino, essas mídias não gastam muito e dão retorno mais rápido. Qualquer um pode criar e inovar. Mas por que será que essa mídia é gerada? A publicitária Poliana Moura de 23 anos diz: “Eu uso muito Facebook, Twitter, essas mídias todas porque eu acredito que seja o meio mais rápido de se comunicar já que o consumidor está cada vez mais perto do computador, mais perto do celular. Já que a internet está popularizada”. Poliana também acredita que esse meio é mais convincente, pois é justamente quando o futuro consumidor está entretido nas conversas com amigos, com as noticias que está consumindo, com os vídeos que está vendo que ele é pego desprevenido. Dessa forma, acaba consumindo tal mídia, gerada principalmente pela chance de interação entre emissor e receptor. De acordo com o publicitário Hugo Rafael, 26 anos, a mídia tradicional não está perdendo espaço para a mí-

dia espontânea. “TV, rádio e afins ainda têm muita força e são mídias muito procuradas”, afirma o estudante.

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Rafaela Gonzalez

LEIA MAIS: Em entrevista para a Revista Link o publicitário Hugo Rafael Elihimas e a estudante de publicidade Rafaela Gonzalez responderam algumas perguntas sobre mídias espontâneas.

Para quem não sabe o significado, o que são mídias espontâneas? Rafaela: É o famoso boca-boca na internet, no caso das redes sociais.

Hugo: Formadores de opinião. Muitas vezes eles nem sabem que usaram uma mídia espontânea, mas quando percebem, usam isso para seus fins.

Qual o critério de divulgação? Qual a importância dessas mí- Rafaela: Acredito que o critério seja por preferência. Muita credibilidadias? Hugo: Essas mídias diversificam o de ou muita desconfiança. Algo que se tem feito de publicidade. do tipo: “porque gosto muito” ou Isso inova, dá novas possibilida- “porque odeio”. des e novos recursos. Qual o perfil das pessoas que praticam com maior frequência?

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“Não tem sensação melhor do que você ir numa livraria tocar nos livros. É como se você realmente estivesse vivendo ali” . 16

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o que será feito da leitura?

Lorena D’Andrade, estudante de direito

Conheça os prós e os contras da leitura digital que ganha, cada vez mais, espaço no mercado 17


Com a internet surgiram novas formas de compartilhamento de textos. Para a escritora e blogueira Vitória Bispo, um dos principais pontos positivos da web é a velocidade na propagação do conteúdo. Vitória começou a publicar textos no blog por incentivo de amigos e garante que seu trabalho se espalhou de forma natural: “Muito pouco divulgo meu blog. Acho autopropaganda um negócio meio falido. A melhor propaganda é quando alguém que você confia te sugere algo. Acredito que tenha sido dessa maneira. Alguém que gostou do que escrevo e passou pra um amigo, que passou pra outro amigo e por aí vai”. Além disso, ela explica que seria uma forma de não escolher o público que vai ler o trabalho veiculado. “Já recebi, por exemplo, e-mail de uma mãe que conheceu meu blog através da filha de 14 anos. Publicar na internet é deixar a fonte aberta pra quem quiser beber. Isso é instigante”, conta ela. O feedback facilitado entre leitores e escritores também é ponto forte da internet. “Se não houvesse esse retorno, já teria parado de publicar. O feedback é o meu combustível. Já aconteceu de ser reconhecida algumas vezes na rua, mas não é comum. Alguns leitores acabam virando amigos, ainda que virtuais”.

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Foto: Acervo Pessoal

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riada para registrar informações que não deveriam se perder pelo tempo, a escrita foi um marco na história da humanidade. Mas com o passar dos séculos, ela sofreu mudanças. Desde que foi inventada, ela vem sendo aperfeiçoada. Primeiro veio o uso dos rolos de pergaminho, depois a invenção das imprensas móveis e hoje em dia se está atravessando mais uma transformação: a comunicação eletrônica. A leitura, extremamente necessária no cotidiano das pessoas, seja por obrigação ou hobby, é reflexo iminente destas mudanças. E como as pessoas têm se adaptado às novas formas de ler na era digital?

Vitória Bispo

Mas mesmo para Vitória, que foi beneficiada pela internet, o convencional livro impresso não deixa de ter seu valor: “Eu prefiro o livro físico mesmo. Acho muito mais interessante”. Apesar de se assumir como alguém que não tem paciência para uma leitura contínua, a blogueira admite: “Quase nunca releio meus próprios textos, porque os acho muito longos. Li poucos livros na vida. Mas, os poucos que li, fizeram toda diferença.” A estudante de direito Lorena D’Andrade comunga da mesma opinião que a escritora: “Não tem sensação melhor do que você ir numa livraria tocar nos livros. É como se você realmente estivesse vivendo ali”. Para a jovem, a leitura online faz com que o indivíduo tenha sua atenção desviada, com inúmeras páginas abertas ao mesmo tempo. “Na internet você nunca está focado 100% na leitura. Estar com a história nas mãos é muito diferente. A gente tem que viver a história como ela deve ser vivida. Não pela internet, como se estivesse lendo um recado no Facebook”, argumenta ela. Blog de Vitória Bispo

Fotos: Deborah Viégas

NATÉRCIA DANTAS

Para o jornalista e professor de língua portuguesa Felipe Casado, a web aproxima os conteúdos mais diversos das pessoas. O problema é quando ela é tratada como fonte única, coisa que, segundo o profissional, não deveria acontecer: “Para mim, ela funciona como leitura complementar. Porque existem sites que disponibilizam alguns livros e textos. Existem os sites de jornal, para quem não tem o hábito de ir comprar na banca”. Outro aspecto negativo da web, que Felipe conse- Thaís Moura gue identificar em seus alunos, é a confusão Thaís Moura, estudante de engenharia da gerada quanto aos gêneros literários: “A gencomputação, acredita na democratização te observa em redações, dissertações de codos conteúdos quando eles são publicados légio, e até mesmo de faculdade, um pouco na internet: “Livro hoje é uma coisa muidessa confusão. As pessoas querem trazer to cara. E na hora que você pode ler aquecaracterísticas que são dos gêneros da inle mesmo livro na internet, fica muito mais ternet para a escrita”. Felipe aponta também fácil para todo mundo”. Para a estudante, os um problema da internet que Vitória Bispo dispositivos de leitura digital são grandes fajá viveu na pele: a falta de confiança nos cilitadores, porque não têm o mesmo brilho conteúdos. Muitas vezes textos são erroneda tela do computador. Mesmo apoiando o amente creditados. Há quem plagie e quem hábito de ler pela internet, a jovem admite troque nomes de autores, fazendo com que que não é uma forma confortável de leitura: citações terminem se popularizando de uma “A grande desvantagem pra mim é que canforma incorreta. Neste cenário, frases soltas sa demais a vista, não dá para você continuar de escritores como Clarice Lispector e Caio a leitura por muitas horas”. Fernando Abreu viraram “modinha”, aumentando ainda mais a desordem. “Muita gente Este desconforto é comprovado pela medirealmente não entende o que posta, essa é cina. Segundo o oftalmologista João Vilaça, a a parte ruim do modismo. Daí vem a confuprincipal queixa é de ardor nos olhos. “Olhos são, as atribuições erradas. Já vi texto meu ardentes afetam cerca de 30% dos usuários atribuído a Caio Fernando de óculos de leitura, em algum momento”, Abreu, o que para mim é comenta o especialista. No caso específico uma honra, mas, ao mesdo uso prolongado do computador, Dr. João mo tempo, é muito triste Vilaça afirma que o incômodo é ocasionado perceber que essa geração porque quando se está atento à tela por muitem preguiça de procurar to tempo, o indivíduo diminui o número de outros autores”, comenta a “piscadas”, prejudicando a lubrificação dos escritora e blogueira. olhos. “Isso associado ao ar condicionado, geralmente presente no ambiente, favorece veja mais o ressecamento ocular”, completa. O conselho do oftalmologista é se utilizar de colírios, para produzir lágrimas artificiais. “Caso não ouça mais tenha acesso a colírios, lavar os olhos com água gelada melhora os sintomas de ardor”, finaliza. Felipe Casado

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por

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sociedade livre para criar produtos e promover visibilidade

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ídeos de cachorros, crianças, dançarinos, pessoas cantando, imitando famosos, revelando descobertas, dando dicas, criando e contando histórias, todos esses podem ser encontrados em único lugar: na internet. Nesse local é onde também encontramos os personagens e produtores desses vídeos que ganham seus quinze minutos ou seus meses e até anos de fama. São pessoas comuns que expoem uma idéia ou pretendem aparecer e sem querer ou querendo, acabam virando verdadeiras celebridades digitais.

Quem não conhece a história daquele homem sentado no sofá apresentando o mais novo projeto imobiliário de uma construtora da Paraíba com sua família, menos com Luíza que estava no Canadá? Ou aquele “trio musical”, Jééh, Suuh e Mara, que estava sentado no sofá de casa cantando a música “Para nossa alegria”? Esses vídeos tiveram uma repercussão tão significativa que todas essas famílias passaram a ser conhecidas não só pelo Brasil, mas pelo mundo. Várias sátiras já foram feitas e a fama foi tanta que produtores

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A música e os clipes estão sempre fazendo sucesso no canal de vídeos da internet. Bandas se formam após vídeos postados e sátiras são feitas de clipes de bandas famosas. Em relação a Região Metropolitana do Recife, podemos citar um nome que ficou por muito tempo na “boca do povo”, Reginho, autor da música “Minha mulher não deixa não” que virou febre em Paulista, lugar onde gravou seu vídeo, bem como no país inteiro. Porém, com o passar tempo, essa fama foi se apagando. Hoje, quase não ouvimos mais falar dessa música ou do cantor, eles ficaram apenas na lembrança dos ouvintes. Outro grupo que marcou a cidade foram os meninos do “Boys CDU”, um grupo formado inicialmente por três garotos que fez muito sucesso com o vídeo satirizava o grupo Backstreet Boys. Eles alcançaram, com o que seria uma brincadeira, um público nacional. Com mais de 180 mil visualizações no primeiro vídeo do grupo, os meninos decidiram fazer outros clipes que também agradaram as pessoas. Mas, depois de sete séries fazendo imitações e criando situações engraçadas, os meninos que já haviam se tornado homens, partiram para um novo projeto que também anda caindo na graça do público. “PutzVéi” é um programa humorístico feito pela mesma equipe do “Boys CDU”. Eles fazem entrevistas, se vestem de mulher, imitam bandas de sucesso e vão para as ruas brincar com as pessoas. Os tempos mudaram, os meninos

por

CAROLINE RANGEL

Vídeos

também, agora o projeto é outro. Após o sucesso do “Boys CDU”, eles investem nessa nova carreira. Mas o que será que acontece depois que essas pessoas comuns perdem seus quinze minutos de fama? Para Pedro Henrique Moura, formado em Psicologia, pela Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (Facho), essas estrelas repentinas poderão ou não ficar depressivas, frustradas e tentando encontrar outras formas de aparecer novamente na mídia. Tudo vai depender do que levou essas pessoas a fazerem parte desse meio. “Existem pessoas, como no caso de Luiza, que aparecem sem querer, sem precisar fazer nenhum esforço, ela não publicou nada e ficou famosa. Para ela, ser esquecida pode não surtir nenhum efeito. Mas para aquelas pessoas que publicam vídeos ou postam coisas com intenção de ficarem famosas e ficam, essas sim, podem ter algum problema”, afirma Pedro. Fotos: Caroline Rangel

É na internet, mais especificamente no YouTube e nos blogs, onde frases, músicas, coreografias e ações do cotidiano, caem nos olhos das pessoas gerando grandes números de visualizações, comentários e compartilhamentos. Não precisa ser famoso para ganhar milhares de internautas acessando seu vídeo, basta expor algo curioso e diferente, que o mundo inteiro ficará sabendo da existência daquele personagem ou produtor do material postado.

e personagens desses materiais audiovisuais já deram entrevistas para boa parte dos canais da televisão brasileira.

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a curta vida das celebridades digitais

Pedro Henrique Moura

Vou não, quero não...

Para Nossa Alegria

Luiza no Canadá

O PODER DA EXPOSIÇÃO

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om a chegada da Web 2.0 muitos internautas parecem querer ficar famosos, se promover e exibir sua imagem. As redes sociais proporcionam a essas pessoas o espaço para que elas “se apresentem a sociedade” e é o que muitas fazem. No Facebook, homens e mulheres postam fotos de si, provocando, mostrando detalhes do corpo e fazendo “caras e bocas”, tudo para serem mais “curtidos”, “receberem mais comentários” e serem “mais vistos” pelos usuários. No Orkut, por um bom tempo as pessoas tinham o costume de participar de comunidades virtuais que promoviam os membros da rede como os mais “gatos e gatas”, “gostosos e gostosas”, entre outras “qualidades”. continua na pág. 22

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frases “O mais legal é que esses meios são feitos também a partir das informações dos usuários e não apenas da redação.” Kleber Nunes, jornalista, referindo-se a questão da multialidade presente nos perfis das redes sociais.

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Foto: Reproduçaõ/Internet

Essas comunidades costumavam ser as mais acessadas pelos internautas que postavam constantemente fotos pessoais para serem eleitos como os mais bonitos ou bonitas do Orkut. Elas também podiam eleger os membros por outros motivos. A estudante Andressa Marques (20), por exemplo, participou de uma comunidade chamada, “Brasileirão Feminino do Orkut”, que tinha um formato de jogo virtual, onde as candidatas apaixonadas pelo seu time de futebol formavam uma equipe. Após votações, o time de mulheres mais bonitas era o vencedor. O da estudante foi o vencedor durante quatro anos consecutivos,

“Elas vivem na internet porque é mais fácil de serem aceitas.”

Fany Ferraz, psicóloga, relatando o comportamento das pessoas que sofrem problemas relativos à falência digital.

“A maioria dessas pessoas são famosas por pouco tempo; por produzir um conteúdo raso que é facilmente substituído.” Caio Monteiro, estudante, opinando sobre as celebridades digitais.

Foto: Acervo Pessoal

escolhido por ser o time de mulheres mais bonitas do brasileirão, no Orkut. Andressa, conta que foi chamada pelas amigas para participar do campeonato. Segundo ela, aparecer não era o motivo principal para fazer parte desse grupo, mas o que havia de fato chamado sua atenção, era a questão da competitividade e diversão. “Sempre que ganhava ficava contente, já que passávamos o ano inteiro jogando e escalando o time, a vitória era sempre bem vinda”, relata a estudante. A escolha para participar dessas competições nem sempre surge da ideia de apenas competir. Segundo a psicologia, o pensamento pode ser fruto de uma baixa autoestima ou da simples necessidade de se serem “enxergados” pela sociedade.

“Não é o meio em que a literatura está sendo divulgada que merece atenção, mas sim o valor estético desse conteúdo que tem sido transmitido.” Leandro Cabral, estudante de letras, referindo-se ao presente e futuro da leitura nas redes sociais. “Não vejo uma maior profundidade nesses vídeos.” Ana Lívia Beltrão, estudante de engenharia, comentando sobre vídeos que conferem a cultura participativa.

“É uma maneira de se aproximar ainda mais do universo do seriado, dos personagens.” Stive Anderson, estudante de psicologia, sobre interatividade entre fãs e seriados.

veja mais Andressa Marques

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Andy Warhol, desenhista e cineasta, sobre celebridades digitais.

“Quando os discos são lançados, muitos dos consumidores já apoiaram os candidatos e fãs-clubes já estão envolvidos em marketing alternativo.”

sentimentalismo estimulado nas redes sociais Campanhas nas redes sociais conseguem humanizar notícias que provocam os sentimentos das pessoas

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“No futuro, todos serão famosos por 15 minutos”.

por

PALLOMA VIANA

Henry Jenkins, jornalista e escritor americano, opinando sobre cultura participativa.

“Depois que inventaram as correntes de Facebook ficou muito fácil manifestar nossos bons gostos e engajamentos pela internet.” Matheus Pichonelli, colunista da Carta Capital, referindo-se à cidadania digital.

“É uma forma de mobilização na medida em que o fato de divulgar na internet parece propiciar certo desencargo de consciência. O que poderia ser substituído por uma massificação longe da tela de um computador.” Rauana Hipólito, estudante de serviço social, opinando sobre as campanhas do facebook referentes à cidadania digital. “Pode-se ficar tranquilamente instalado em sua própria casa e, quando tudo termina, o prazer não é estragado pelo mais leve vestígio de culpa.” Elias Canetti, escritor búlgaro, sobre multimidialidade.

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De acordo com a estudante de ciências da computação, Carolina Carneiro, a internet é um meio de comunicação que causa impacto reflexivo nas pessoas principalmente nos jovens. “Para exemplificar, não é difícil lembrar-se de casos com maus tratos aos animais que cada vez mais são expostos, a priori, graças a esse moderno meio de comunicação. Como a maioria dos internautas é jovem, a indignação é ainda maior, por isso tanta repercussão. O que é bom para os esses animais cansados de tanta crueldade e brutalidade”, ressalta. Imagens e vídeos circulam diariamente com lamentáveis atos de crueldade. O usuário que não está satisfeito com algo, expõe sua foto ou vídeo na rede e seu protesto é compartilhado por aqueles que têm o mesmo pensamento. Além de ser uma forma de atenção direta, campanhas em redes sociais são consideradas baratas e bastante eficazes.

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Grupos fechados são criados para discutir

No dia 22 de Janeiro de 2012, reuniram-se protetores de todo o país para um protesto mobilizado na internet a favor dos animais, o qual ficou conhecido como Manifestação Crueldade Nunca Mais, contabilizado com mais de 100.000 pessoas que saíram às ruas. Em face destes números, esta ação foi considerada um fenômeno social, e apresentada como a maior manifestação em favor dos animais de toda a história. Entretanto, o psicólogo Djailton Cunha explica que as pessoas que criam ou compartilham campanhas nas redes sociais querem ser vistas pela sociedade. “Quando alguém adere a um movimento ou campanha dessa natureza, nas redes sociais, está buscando visibilidade, reconhecimento e dar voz a um grito abafado que clama por justiça, paz e alteridade”, ressalta. Foto: Deborah Viégas

Para o analista de Software, Bruno Eugênio, as pessoas têm reagido aos casos de uma forma que dificilmente fariam na “vida real”. “Acham legal compartilhar uma foto de um animal que esteja recebendo maus tratos no Facebook, por exemplo, mas na hora de ir ao protesto, de fazer valer a pena e fazer sua voz ser ouvida de verdade, não dão o devido valor. Então, é interessante que haja a interação com a sociedade real”, explica.

e partilhar formas de banir esse mal. O movimento Crueldade Nunca Mais, por exemplo, surgiu com o propósito de lutar pelo direto dos animais, em dezembro de 2011. Cerca de 200 cidades brasileiras participam do movimento, além de quatro cidades internacionais. Os participantes utilizam as redes sociais para divulgar datas dos manifestos, buscar abrigos para os animais resgatados e por doações de simpatizantes pela causa. Aqui no Recife, o grupo é organizado pelo advogado Rodrigo Vidal. Segundo ele, as redes sociais são instrumentos inovadores para campanhas. “As redes sociais são instrumentos fundamentais para a sensibilização, para cativar as pessoas, despertar a consciência e divulgação da nossa causa que é a defesa dos animais. É algo que eu acho sensacional”, explica.

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Carolina Carneiro

por

ARLINE LINS

blog

Artigo jornalismo

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a década de 90, Jorn Barger, autor de um dos primeiros FAQ (Frequently Asked Questions – Perguntas Mais Frequentes)*, desenvolveu o weblog, (do inglês, web = internet e log = registro de atividades)*. Um sistema onde se podia colocar links de assuntos interessantes que apareciam na internet . Um belo dia, um cidadão chamado Peter Merholz, resolveu brincar com o nome da nova febre e falou “wee-blog”. Mais tarde, a palavra foi encurtada e chegou ao formato que conhecemos hoje: blog. Ele evoluiu. Deixou de ser um mero link para outros websites e passou a funcionar como diário online. O blogueiro começou a escrever o que acontecia no seu dia em forma de críticas, desabafos, contos, etc. Ora, a internet era a mais promissora novidade da época e os blogs foram se encaixando no jornalismo aos poucos. Alguns profissionais dessa área foram fazendo seus diários para escrever artigos de opiniões. Com o advento do jornal online então... Foi o início da paquera entre os dois. A mídia tradicional está se adaptando ao advento da internet e, com certeza, o blog foi uma das primeiras adaptações necessárias. Já que os jornalistas tinham sua própria página para dialogar e expor pensamentos, por que não unir o útil ao rentável? As empresas midiáticas correram para “anexar’’ as tais páginas pessoais ao seu corpo de notícias. No blog é tudo mais informal, é possível ser parcial. Essa novidade (hoje não mais) traz muitas vantagens para o profissional da notícia. O feedback imediato do leitor, o poder de potencializar a notícia com a convergência midiática, a possibilidade de extensão daquela notícia que não coube no jornal e por aí vai. Aí, você me diz: mas os jornais online não têm seus sites? Por que usar um blog? Vamos pensar juntos: nós, como leitores, ao vermos notícia ‘CPI do governo Lula’ no site do jornal vamos passar uma vista e dizer ‘ok! Sei o que está se passando’. Mas se abrimos o blog do Noblat** e tivermos linhas e linhas de um texto com a opinião de um grande nome do jornalismo brasileiro, a leitura vai ser tornar muito mais interessante. Percebe a diferença? Um é o nome do jornal, o outro o nome do jornalista. Será o blog, então, uma espécie de coluna de jornal? As interpretações são fundamentalmente individuais. O fato é: o jornalismo está em uma nova etapa nessa relação amorosa com o blog. Depois de anos ficando, eles resolveram deixar a relação um pouco mais séria. Por que falo assim? Porque envolve diretamente dinheiro, meu caro. Se você conversar com um jornalista, ele provavelmente irá dizer que, dentro de alguns anos, as mídias tradicionais não terão jornalistas contratados. Isso porque esses profissionais já trabalham de forma independente. Produzem notícias, postam no blog, e vendem para o jornal. Uma nova maneira, mais confortável e mais barata. Será que isso vai vingar? É esperar para ver se esse casamento sai ou não. Não podemos esquecer dos amantes dessa relação. Já ouviu falar em Tavi Gevinson? Ela é uma adolescente de 15 anos e seu blog de moda é um dos mais conhecidos do mundo. Como ela existem várias pessoas, ‘não-jornalistas’, que têm blogs populares. Concorrentes diretos dos profissionais? Eu diria que eles se complementam. É só saber filtrar o que vai ler. E, como já foi dito, esta é uma decisão fundamentalmente individual. *Tradução por sentido (não-livre) ** Jornalista Ricardo Noblat

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om o fenômeno das redes sociais, novos modelos de críticas começaram a surgir de forma assustadora. Hoje em dia, as pessoas não usam sites como Facebook e Twitter apenas para conversar ou fazer novas amizades, mas como um canal informativo para protestar ou criticar contra algo que julguem errado. Um exemplo disso é a mobilização dos usuários quando o assunto é a violência contra os animais.

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equipe Revista Link

Sobre questionamentos, lições e tecnologias Quando e onde aprendemos a ser bons repórteres? É na universidade, no dia a dia, no mercado de trabalho, nas ruas? Podemos não fazer esses questionamentos diariamente, mas quando nos deparamos com reflexões dessa natureza, paramos para pensar um pouco. Com a disciplina de Jornalismo e Novas Tecnologias, neste semestre letivo de 2012.1, a pergunta se expandiu e ganhou ares de termo da moda: “quando e onde aprendemos a ser bons repórteres multimídia?”. Ao longo de 40 dias nos fizemos esse questionamento, tentando colocar em prática tudo que vimos em sala de aula. Ficamos durante meses discutindo e estudando conceitos como “hipertextualidade”, “interação”, “multimidialidade”, “memória”, etc., mas quando tivemos que transformar isso em realidade, a dúvida surgiu: e agora? E agora colocar o pé no mundo, seja ele virtual ou real. E também produzir matérias que começavam com texto e seguiam se desdobrando em vídeos, aúdios, links e tudo aquilo que um meio convergente, assim como é a web, pode nos proporcionar. A correria contra o relógio, os prazos apertados, a falta de paciência, a sensação de que tudo vai dar errado e os demais elementos de uma boa e angustiante produção de material jornalístico (que existem desde os tempos analógicos...) surgiram aqui também. Não sei se isso nos ensinou a sermos bons repórteres, mas acredito que bons alunos ao menos. E é a essa equipe, que tão bem ilustra essa página, que rendo aqui meus agradecimentos e desejo sucesso ao projeto que aqui se inicia. O mérito é de vocês.

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Dario Brito Prof. de Jornalismo e Novas Tecnologias Universidade Católica de Pernambuco

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Revista digital feita pelos alunos do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco, para a disciplina Jornal e as Novas Tecnol...

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