Issuu on Google+

LUFAGUE EDIÇÃO RÁDIO CULTURAL ARISON


VELHICE DO ABANDONO Vivo o que me resta, mesmo na avaria Quero a velhice plena, de sabedoria Numa sociedade justa de minha decência Porque na vida sou hábil experiência. Não quero ser seu óbice, ser empecilho Nem o estorvo a atrapalhar, ser obstáculo Muito menos a insapiência, incapacidade Nem ser devoluto confesso da ociosidade Não quero ser sinónimo de morte Tampouco o desamparo da sorte Nem ser abandonado na solidão Não desejo ser objecto de cavilhação Não quero ser considerado sapato velho Nem o remorso da violência, (é um conselho) Não quero ser qualificado de desperdício Nem tampouco caderno de rascunho, enguiço Quero a merecida gratidão de colibri Ser reconhecido ao que produzi Quero o respeito pelas falsas ilusões E pelos concretos que deixo, das convicções Quero a dignidade da longevidade Do progresso fiz parte, na possibilidade Quero dos direitos civis, bom tratamento Quero o amparo, respeito e reconhecimento. De ingratidão só aceito a do implacável tempo Por minha perecível e inegociável degradação.


CRIANÇAS AO ABANDONO Crianças são semeadas São sementes plantadas, No seio materno da existência Brotam-se da água, da natureza Do amniótico líquido prover. Inauguram-se na vida... Com a missão, à obrigação factual, De ser o elo da própria continuidade Em sua carente fragilidade, Precisa do abraço terno, provedor A lhe criar raízes e através delas A crescer, se desenvolver, Se fortificar, se tornar arvore, De boa sombra frutífera Mas nesse mundo injusto e cruel... São lançadas a própria sorte... Aos ventos do acaso, a sofrer na pele O estado vergonhoso da miséria e injustiças, Do brutal desumano, que lhes rejeitam. São filhos da fome, da solidão, Dos medos, da injusta miséria, Habitam sob as marquises, Sobrevivem dos semáforos, Alimentam-se de líquidos solventes Desmoronam-se na fumarada dos craques São marcadas na alma, Pelos açoites das tragédias E se perguntam o porquê... Vão ao abandono abrir feridas Pútridas dos sentimentos, da não resposta Que com o tempo, criam crostas, arestas... Que viram espinhos, cacos de vidros, Estiletes, revólveres, armas De dois gumes, a ferir, matar e ou morrer. São troféus gerados das desilusões... Do moldado carácter, pelos infortúnios. Condenam-se à convicção do instinto De perder a cruel lucidez Toxicada, alucinada, no torpor De suas carências e revoltas, Pelas feridas que sangram ...A ingratidão da vida.


ABRAÇO INTÍNMO Abro-te à porta perolada, em estado de graça que jorra de dentro de meu ser. Minha essência é o desejo, na mais completa insanidade sagrada, na euforia do pulsar viver. Na palpitação de nossos corpos despidos, desvelados sem menor pudor. Na dimensão lúdica e festiva do ato, sem culpabilidade, sem dominância, em dança no tempo e espaço, em fragmentos imensuráveis dos instintos que nos leva a entender à liberdade harmoniosa do ato com o universo. Longe da convenção que é despautério do prazer, apenas em acordo recíproco dos sentidos, em plena rebelião e renascimento. Nesse sublime estado de erotização que nos alivia o tédio da existência, um leve, doce apagar da ciência do tempo, do fim. No renascimento, a conhecer o paraíso no encontro da seiva profana que me brota ao teu sumo baptismal blasfemo.


TEMPO

Há tão pouco me parece eu não prestava atenção no tempo. Ele se infiltrara por entre meu ser, eu o acariciava ludicamente Não tinha intenção de detê-lo, brincava de amor com ele. Divertia-me infantilmente, dançava, saltava, era tudo uma grande folia. E nesse gracejo nem percebia meus dias a se esvair em instantes sem que notasse. Ele beijava-me, em minha inconsciência levava junto, o muito dos meus sonhos, esperanças e fantasias. Eu o olhava em assombro de admiração e na simpatia ele me furtava o entusiasmo. Em minha grande afeição achava que o retinha, mas ele me fugia como a brincar de esconde, esconde. Querendo ser feliz, corria atrás na tentativa de alcançá-lo, ignorando o passado, sem pensar no que viria... Estou ofegante, não consegui segura-lo. De presente ele me deixou marcas pela expressão na face, os medos do fastio e desgosto do fim. Deixou também a reflexão de minha cumplicidade, minha culpa em tê-lo feito algoz da juventude em mim.


ARMA DE SEDUÇÃO Na subtileza de um olhar infantil A nascer ao mundo, no encontro Seduzido de seu cuidador... Mistérios da sedução, Como maior instrumento, De defesa e carência. Na subtileza de um olhar jovial desconhecido Que passa em meio ao raio de acção Que encontra o outro olhar... Mistérios da sedução, Como maior instrumento Sensual, do fascínio físico. Na subtileza de um olhar idoso De uma avançada senilidade Dirigida ao olhar jovial... Mistérios da sedução, Como maior instrumento De necessidade de aceitação, respeito. Na subtileza de um olhar… Infantil, jovial, senil Mistérios da sedução, Como principal arma, Instrumento, qualidade maior Do estado de sobrevivência.


FRASES E PENSAMENTOS

'Para entender à realidade maior em um todo, preciso sair da minha própria realidade. ‘ 'Prefiro a desordem do fim, a perder os sonhos que dão sentidos a mim. ‘ 'A percepção que tenho da vida, através dos cristais de minha lente, projecta em atos e atitudes. ‘ 'O nosso universo interior é “protegido” por nossos medos, obsessões e limitações. ‘ 'Nos olhos da mente, enxergo as idiotizantes convenções' . 'A crença absoluta fecha-me as portas do entendimento.' 'A fé me inspira, mas à liberdade me fortalece.'


TUA BOCA Tua boca é como o mar em calmaria a revelar tua alma em sotaque. Num sereno desafio que convida que promete... Promete... palavras, murmúrios, gestos, tua saliva doce em suaves carícias. Promete falar o que os olhos revelam... Promete a embriaguez do sentir, ao contemplar... O entreabrir de teus lábios, em meio sorriso, num sorriso inteiro. Boca que fala em gestos, teu alvoroço de desejos, tuas fantasias. Lábios finos, contornos suaves que declaram... Só uma boca entende outra boca, dando sentido ao desejo... Além do toque, do sorver e do sopro... O sussurrar...


SONHOS DISTANTES

Você feriu de morte meus sentimentos Transformou meus sonhos distantes... Em malinconia e sofrimento. Você que prometeu amar Certamente é porque não ama. Eu sei, vou me libertar... Apagar de vez essa chama. Você feriu de morte meus pensamentos Transformou meus sonhos distantes... Em melancolia, angustia, lamento. Eu sei, vou me libertar... Apagar de vez essa chama Você que prometeu amar... Certamente é porque não ama...


VOZ ARISON (HOMENAGEM) Da boca do mestre, não emana vazios... Nem silencio em seu coração Falar é sua âncora, sua marca Dizer e fazer, na voz do trovador que canta exclama, exprime, narra às palavras em emoções, Na boa ilusão do doce encantamento... Em profunda mensagem de doação Destrança as tramas, das não promessas vãs... Na sua verdade da fala, que se revela... No poder transformador que advém dela Em linguagem serena, alivia o sangrar... Das perturbações injustas do mundo. Voz a clarear o escuro silencio das omissões. Em palavras raios de luz, a cintilar... Do sol que habita o coração, do mestre, trovador poeta.


MALVADO CORAÇÃO Vou ornar de estrelas, purificar meu coração Pra não mais pensar em você... O grande erro foi apegar-me em vão. Prender-me muito tempo e depois ficar a mercê. Encarar essa ausência, não vou esperar. Nem render-me à insegurança... De um instante de volta, reconsiderar Esgotou-me a possibilidade de esperança. Não me ofereça sua devoção atrasada De fogo, ardem meus sentimentos... Recuso querer ser seu complemento. Desisto de querer loucamente O mínimo que você me dá, nula devoção Vou ornar de estrelas, purificar meu coração.


REDE, DOCE BALANÇO A rede de dormir é minha fiel companhia No enlevo suspenso de seu doce balanço No cheiro do mar, nessa praia de maresia Na camaradagem, na imaginação em mimanço. No abraço doce de minha rede... Na harmonia da brisa, sonho flores No entrelace de seus fios, sou hospede Inebriada na rede de ilusões sonho amores. Nela delicio-me de cada instante de ociosidade No vaivém embriagado de indolência... Na bem-aventurança dessa simplicidade. Envolvo-me na rede de sonhos e fantasias No frescor das horas da noite... No calor das horas, ao zénite do pino do dia...


FORÇA DA SOLIDARIEDADE

Sou sentimento moral de força De vínculo, sou relação de responsabilidade Sou compromisso mútuo que une, agrega Sou doação, sou integração. Sou a dependência vestida de reciprocidade Sou o laço forte que vincula a morosidade Sou compromisso devotado com o próximo Sou a grandeza da generosidade Sou bandeira de luta em razão da necessidade Sou conforto, sou alento... Sou o mais requintado fino sentimento Não consigo penetrar a frieza, o egoísmo, o calculismo, Mas no mundo sou a virtude, em maioria personificada Sou a prática do bem, bens espirituais, matérias, e temporais Sou a melhor condição social, minha maior importância... Sem dúvidas, força de amor fraternal, ser à dependência da paz mundial. Sou sentimento de solidariedade!


PARABÉNS Amigo Ari, seu especial está deliciosamente belo, uma suavidade musical, muito bom gosto nas musicas bem escolhidas que você tão bem se emprestou, parece um chilrear em sua solta e bela voz, em canto e decanto de versos, Parabéns, amigo e obrigada em poder-mos participar de seu especial, beijocarinho Lu


QUERO SEU AMOR

Preste atenção é o teu amor que quero... Mas saibas é o meu que queres também. Sabes por quê?... Porque o meu maior desejo, O seu e o de todos, é de sermos amados... Amados na aceitação, amados no reconhecimento, amados. Não se culpe, esse desejo é inerente a todos, Somos impelidos por essa necessidade. E saiba, ele é o maior desejo que existe em nós. Vai ver faz parte de nossa constituição programada, em “mala direta” universal. É carência absoluta, vazio da alma, feito tatuagem desenhada de desejos em nossos corações.


ORAÇÃO DA MULHER

Que o tempo me seja um aliado e não um tirano... Que minha força de vontade seja maior que meu desejo Que meu desejo continue sempre firme e forte... Que em minha fortaleza interior esteja sempre presente o ânimo E que esse ânimo seja para enfrentar os percalços e as manobras da vida. E que a vida me seja completa quando me oferecer o seu tudo... E que esse tudo seja suave nas dificuldades e generoso nas soluções, E que essas dificuldades e soluções me sirvam de aprendizado... E que eu possa assimilar e valorizar a cada dia, pequenas coisas e gestos E que essas pequenas coisas do quotidiano, sejam a riqueza do meu mundo interior E que essa riqueza interior me faça desbravar caminhos, Achar graça da vida e crescer como ser humano. Que esse tempo me seja solidário me presenteando com lindos jardins primaveris. Que me seja leal e bondoso, que retarde o franzir de meus olhos como pés de galinhas e minha testa como uma roupa plissada. Que me faça crescer com sabedoria, verdade e beleza a cada dia... Que saiba revelar minhas inclinações ocultas e que eu tenha o bom senso de bem administrá-las Que afaste de meu caminho, impacientes, intolerantes e arrogantes... Que me presenteie com inteligência e harmonia na autoconfiança absoluta. Que me faça acreditar na alegria, no amor, na beleza e na bondade como não extraordinários, mas, ordinários da vida. Que me seja imensamente gentil, me oferecendo o entusiasmo para me seguir coladinho de lés a lés, até o final de minha existência, e nesse completo panorama me sentir orgulhosa de ser mulher.


NATAL

Tempo de nascimento, principio, celebração. Tempo de sonhar fraternidade.... Tempo de viver ternura, afeto Tempo de esperança, serenidade! Tempo de valorizar o próximo, pensar seu semelhante Tempo de consideração, benevolência... Boa vontade com alguém, condescendência. Tempo de confraternização em ágape. Tempo de silencio dos corações... Fazendo refletir alianças de amor, paz... Tempo de aceitação, compreensão. Tempo de fé, confiança, esperança... Tempo de Cristo, que por todos se fez remir. Tempo de crer no cristianismo que professa. Tempo de abrir os corações... Aos sonhos, aos desejos, aos sorrisos... Aos bons gestos, ao espírito da doce amizade. Tempo de entender, que o significado de Natal, Está dentro de cada um... Que o segredo de Natal, se encontra na fascinação, Na magia, no encanto dos sentimentos.


NÃO NASCI HUMANO

Não nasci como a abelha que já nasce abelha Nasci ser dotado de construídas dimensões e pressentimentos Que na vivencia me tornam humano em cada centelha E nesse humano habitam a consciência e os sentimentos A consciência de que sou mortal e verdadeiro E nela o entendimento de minha condição singular. A certeza de que tudo na vida é relativo e passageiro Que a vida é também construída de frustrações em particular Entendo que passar por elas é processo de humanização, É também entendimento dos sentimentos de confirmação Que a solidão se desdobra em sentido de abandono e liberdade Que a insegurança me leva na busca do outro, em protecção, Mas que mesmo acompanhada, sou sempre só nessa imposição E o tempo posso tê-lo como aliado, nessa humanização e crescimento.


LUFAGUE EDIÇÃO RÁDIO CULTURAL ARISON


LUFAGUE