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SALVADOR SÁBADO 26/2/2011

SALVADOR REGIÃO METROPOLITANA

Editor-coordenador Cláudio Bandeira

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Fotos Lúcio Távora / Ag. A TARDE / 25.2.2011

Acidente da semana passada, quando carro de delegado caiu ao mar, não foi suficiente para que passageiros dos ferries adotem medidas de segurança durante a travessia

RISCOS Regras determinadas pela Capitania dos Portos após acidente com delegado são desrespeitadas

Normas de segurança são ignoradas durante travessias de ferryboat HELGA CIRINO E ARIVALDO SILVA

Alheio ao aviso do lado que orientava os passageiros a não permanecerem no interior dos carros enquanto o ferryboat Anna Nery realizava a travessia de Salvador (Terminal São Joaquim) a Itaparica (Bom Despacho), ontem pela manhã, o empresário José Chequer, 54, seguia viagem dentro da caminhonete Corolla Hillux. “A viagem assim é mais confortável”, ele argumentou. José fez a travessia sem ser interpelado por nenhum funcionário da TWB, operadora do sistema, apesar de, na última quarta-feira, a Capitania dos Portos ter divulgado uma nota informando a liberação da operação do Anna Nery, mediante o cumprimento de medidas de segurança.

A obrigatoriedade é para que os veículos permaneçam com o freio de mão acionado, motor desligado, marcha engrenada, luzes apagadas (caso seja noite) e rodas com, pelo menos, dois calços. E sem passageiros. Desde quarta-feira, estas são algumas das regras a serem seguidas pelos motoristas durante a travessia Salvador/Itaparica, pelo sistema ferryboat. Também é obrigatória a divulgação no sistema de som, antes de desatracar, um alerta para todos os motoristas quanto ao perigo de manter o motor funcionando, o que ainda não está sendo feito na embarcação. Deverá ser informado que o navio só poderá desatracar após todos os ocupantes dos veículos terem saído dos mesmos e se dirigirem a locais apropriados.

Travessia

Ontem, a equipe de reportagem de A TARDE flagrou vários motoristas infringindo as determinações para a travessia. “Ainda no final de semana, nós vamos distribuir nos ferries panfletos educativos e encaminhar um inspetor naval para fiscalizar”, informou o capitão dos Portos da Bahia, Paulo Fernandes Batoré.

“A viagem assim é mais confortável” JOSÉ CHEQUER, empresário que ontem desafiava as normas de segurança e insistia em fazer a travessia no interior de uma caminhonete

De acordo com o capitão, a responsabilidade de fiscalização da execução das normas é conjunta. “Cabe à TWB, à Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) e à Capitania dos Portos”, avisou o oficial. Ele ressaltou que, por enquanto, não haverá punição para quem não seguir as orientações. “Inicialmente vamos trabalhar com campanhas educativas. Depois, discutiremos se cabem ou não punições”, completou.

Calços

Paulo Batoré avisou que a utilização de calços nos pneus é uma atribuição a ser providenciada pela TWB. Por intermédio da assessoria de comunicação, a administradora do sistema informou que

muitas das medidas já são adotadas e outras estão sendo implementadas. De acordo com a TWB, sistemas de vídeo serão instalados em todas as embarcações, orientando os passageiros a seguirem as medidas estabelecidas pela Capitania dos Portos. O diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pessoa, destacou que a fiscalização das normas de segurança compete à Capitania dos Portos e à TWB. Em relação à saída de pedestres pela área de desembarque de veículos, Pessoa esclarece que a Agerba está multando a concessionária por conta dos descumprimentos. “Fiscalizamos a partir da terra em relação ao cumprimento de horários. O sistema ferryboat tem que se adequar para prestar um bom serviço aos usuários”, sublinhou.

Acidente continua sendo apurado pela Capitania A Capitania dos Portos da Bahia (CPBA) tem até o dia 16 de maio para divulgar o parecer do Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (Iafn), instaurado pela Marinha do Brasil, no dia 16 de fevereiro. Na data, o GM Astra do delegado José Magalhães, titular da unidade de Itaparica (19ª CP), caiu do ferry Anna Nery (o mais novo da frota), depois de um tranco na hora do desembarque. No momento do acidente, o policial estava na companhia de duas pessoas. Todos foram resgatados do mar, sofreram escoriações e foram atendidos numa unidade médica. Por enquanto, testemunhas estão prestando depoimentos, o que deverá servir de provas para a “apuração da causa determinante do acidente, sua extensão e consequências”, diz nota emitida pela Capitania dos Portos. Após a conclusão da apuração, o inquérito deve ser encaminhado para o Tribunal Marítimo (TM), que poderá punir os responsáveis.

Quem vai fiscalizar as recomendações da Capitania dos Portos? A responsabilidade pela fiscalização é conjunta. Envolve a Capitania dos Portos, Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações (Agerba) e TWB, empresa que administra o sistema Quem não obedecer pode sofrer punição? Por enquanto, não. Inicialmente, os órgãos pretendem iniciar campanhas educativas Quem é responsável pelos calços nos pneus? A responsabilidade é da TWB, que já foi informada da demanda e se comprometeu a providenciar os equipamentos “em curto espaço de tempo” Quem fiscaliza o passageiro comum (o que vai a pé)? Esta também é uma responsabilidade conjunta da Agerba, TWB e Capitania dos Portos É permitido que o passageiro a pé saia pelo mesmo portão dos carros? Não é recomendável. O ideal é que os carros deixem as embarcações antes dos passageiros. A Capitania dos Portos está analisando como ordenar o desembarque

Enquanto isso, os passageiros continuam praticando as irregularidades. Pessoas dormindo, falando ao celular e usando notebooks dentro dos carros: esse foi o cenário encontrado pela reportagem.

CAPITANIA DOS PORTOS

Irregularidades

A maioria dos motoristas dos 66 automóveis que estavam no mesmo Anna Nery, ontem pela manhã, viajavam dentro dos carros. A economista alemã Uli Kramer, 27, mora desde abril na Bahia e trabalhava no laptop durante a travessia. “Preciso trabalhar todo o tempo. Não sabia da impossibilidade de ficar dentro do carro. Sempre mantenho o freio de mão acionado”, disse. Moradora da ilha há mais de 20 anos, a comerciante Tereza Coelho, 51, afirmou que não lembra de acidentes graves na travessia. “Normalmente, saio do carro. Hoje, preferi viajar ao volante. Viajei para a Europa recentemente e lá é diferente, ninguém fica nos carros”, admitiu.

RESPONSABILIDADES NA FISCALIZAÇÃO

COLISÃO EM 21 DE ABRIL DE 2010 O ferry Pinheiro chocou-se contra uma embarcação de pequeno porte na Baía de Todos-os-Santos. A vítima teve escoriações e foi liberada após ser atendida pelo Samu

CARRO DE DELEGADO FOI AO MAR

Os motoristas permanecem no interior dos veículos: fiscalização inexistente

No último dia 16, o GM Astra em que viajavam o delegado José Magalhães e mais duas pessoas caiu na água, durante a atracação do ferry Anna Nery. Por sorte, ninguém se feriu


Normas de segurança são ignoradas durante travessias de ferryboat