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Ser ou não ser professor

José de Arimatéia Dias Valadão Ser ou não ser. A questão que coloco aqui não se trata da nobreza de espírito shakespeariana ou outra questão do gênero poético e literário. A intriga é puramente filosófica. Ser ou não ser professor. Até poderia ser, se não fosse as múltiplas faces que seu ser teima em lhe apresentar frente ao desafio de sua profissão. Ele primeiro precisa se identificar com sua atividade predicativamente, ontologicamente, ser realmente professor. Mas ser professor é antes disso, ser identidade, ser professor é ser ser antes de ser professor. Ser, todavia, sem ser localmente situado, sugere o professor um ser sem estar, e, portanto, sem durar no seu ser. Esse professor dessa forma, sendo passageiro no seu ser, deixa de existir e passa a ser considerado quando muito que há um certo professor, ou há alguém que somente ensina ou que na pior situação, que não há esse professor. A veritatividade da sua existência, portanto, deixa de ser considerada e ele passa a não ser, inclusive para o seu próprio ser. Ser professor, portanto, deve, antes de tudo, estar consciente de que se não for ser, ele sempre será não ser. O seu não ser dessa forma, sempre será. Mas ele tem capacidade de perceber que o seu ser é ser da mesma forma que o seu não ser é não ser. Com isso, coisas a sua volta são na mesma medida em que outras não são. E poderá valorizar o que realmente é importante. Distinguida a sua existência da não realidade, o professor será capaz de perceber que o que não existe, não é ao mesmo tempo verdade, mas que poder dar sentido e existência para ele. Não ser, pode, contudo, vir a ser na sua profissão e sua atividade fazer assim, mais sentido. Ser professor, além disso, é saber ser com outro ser, ou com outros seres. Deve saber que seu ser mistura com outro ser da mesma forma que eles se misturam um com o outro, mas deve estar atento para que seu ser não se dissolva frente aos outros seres, ou seja, é necessário que cada um seja ele mesmo, em relação a si próprio, e o outro, em relação aos restantes. Isso permite que cada um permeie os demais, fazendo cada um deles outro em relação a ele, dando significado a cada um de seus seres. Ser professor assim, é não se fazer ser, frente ao outro, mas ser ser, frente a si mesmo. Cultiva o ser sabendo que se o ser é e é outro em relação aos outros, estes são, por participarem do ser, e não são, por ser seres diferente dele, constituindo coletivamente o ser humano e o sentido de ser professor.

Universidade Federal de Pernambuco Programa de Pós-Graduação em Administração – PROPAD Doutorado, junho de 2009.


Crônica Ser ou nao ser Professor