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“ A vida é como andar de bicicleta. Para manter-se em equilíbrio, você deve estar sempre em movimento”. (Albert Einstein)

1. Lei do Sistema Cicloviário que incentiva o uso de bicicleta e a mobilidade sustentável


UM CARRO A MENOS

SUMÁRIO 15 questões sobre sistema cicloviário Anexo I - Lei que cria o Sistema Cicloviário no Município de Fortaleza Depoimentos Direitos do ciclista no Código de Trânsito Brasileiro - Lei 9.503/97 Se liga ciclista!

EXPEDIENTE MANDATO ECOS DA CIDADE CARTILHA - MOBILIDADE HUMANA E A LEI DO SISTEMA CICLOVIÁRIO - 2ª EDIÇÃO - ATUALIZADA Assessores: Anderson Albuquerque, Arnaldo Fernandes, Arimatéia Filho, Fátima Monte, Francisco Edilson Ferreira, Ivna Girão, Jeanne Carla, Josael Lima, José Arlindo Junior, Moésio Mota, Nildo Dantas, Odete Oliveira, Rodrigo de Medeiros, Vólia Barreira, Vladimir Lima. Perguntas e Respostas: Josael Jário e Laércio Avelino Arte e Diagramação: Laércio Avelino e Gilberlânio Rios Jornalista Responsável: Ivna Girão Capa: Artur Eduardo Tiragem: 2.000


15 questões sobre sistema cicloviário

01.

Qual a importância social da bicicleta na cidade de Fortaleza?

De acordo com o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e doutor em Engenharia de Transportes, João Alencar Oliveira Junior - em pesquisa domiciliar de destino e origem realizada em 1996 pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos e Metrofor -, cerca de 44% das pessoas em Fortaleza utilizam transporte não motorizado. Isso quer dizer que essas pessoas, preferencialmente, utilizam bicicletas ou andam a pé, ao invés de automóveis particulares, ônibus, vans, mototáxis ou trens. Desse total, cerca de 38% andam a pé e 6% utilizam-se da bicicleta como meio de locomoção. Segundo ele, andar a partir de 500 metros já é considerada uma viagem não motorizada. Se considerarmos que a população de Fortaleza tem aproximadamente 2.500.000 habitantes, então o número de ciclistas é de 150.000, sendo em sua maioria trabalhadores/as da periferia, que percorrem diariamente longas distâncias para desenvolverem suas atividades profissionais e educativas. A capital conta apenas com 51 km de ciclovias. O país tem hoje quase a mesma quantidade de atomóveis e bicicletas: em torno de 60 milhões de cada unidade. Somos o 3º maior produtor e o 5º maior mercado de bicicletas no mundo.

02.

Quais os princípios da mobilidade urbana sustentável?

Consideramos cinco os princípios urbanos de sustentabilidade: 1. Capacidade Ambiental – as cidades devem ser projetadas e gerenciadas dentro dos limites impostos pelo seu ambiente natural. 2. Reversibilidade – as intervenções planejadas no ambiente urbano devem ser reversíveis tanto quanto possível, de forma a não por em risco a capacidade da cidade de se adaptar às novas demandas por mudanças nas atividades econômicas e da população, sem prejudicar a capacidade ambiental. 3. Resistência (ou Resiliência) – uma cidade resistente é capaz de recuperar-se de pressões externas. 4. Eficiência – obter o máximo de benefício econômico por cada unidade de recurso utilizado (eficiência ambiental) e o maior benefício humano em cada atividade econômica (eficiência social). 5. Igualdade – igualar o acesso às atividades e serviços para todos os habitantes é importante para modificar o insustentável modelo de vida devido a desigualdade social.

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15 questões sobre sistema cicloviário

03.

O que é mobilidade urbana sustentável?

A preocupação com o desenvolvimento sustentável tem incentivado o estudo e a implantação em diferentes setores, de medidas e procedimentos que contribuam para a sustentabilidade dos recursos naturais em áreas urbanas. Em relação aos transportes, esta questão tende a definir estratégias sociais, econômicas e ambientais, baseando-se na idéia de implementar métodos que irão ao encontro das necessidades da atual geração, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras. Desta forma, consideramos que a mobilidade sustentável pode ser alcançada relacionando-se com a oferta adequada de transporte ao contexto sócioeconômico das cidades com sua respectiva qualidade ambiental.

04.

Qual é a importância da bicicleta como modelo para o sistema de trânsito de Fortaleza?

Pelo conceito de sustentabilidade exposto acima, a bicicleta é um dos modais mais importantes, por oferecer igualitariamente a todos e a todas uma forma adequada de transporte para a sua cidade, bem como ser a que mais colabora com a qualidade ambiental, já que não emite gases na atmosfera - responsáveis pelo efeito estufa. Um dos principais motivos para se fomentar o uso da bicicleta são seus benefícios ao meio-ambiente. E isto vai além da questão da redução das emissões dos veículos automotores. Tem também a questão do menor uso do solo, tanto para a circulação na via pública, quanto para os estacionamentos públicos, privados e residenciais, com os respectivos espaços para manobra, que também são menores.

Vantagens

(Imagine o contrário: um carro a mais na família implica em aumentar a garagem, como o espaço para manobra. Para este aumento, geralmente são sacrificadas árvores e o gramado, que é substituído por algum revestimento para evitar o surgimento de lama em dias de chuva!).

Número de pessoas que circulam por hora num espaço de 3,5 m de largura em meio urbano

05.

Por que existem engarrafamentos e como o sistema cicloviário pode reverter isso? Os engarrafamentos são gerados pelo excesso de veículos nas vias públicas, tendo como causa uma sociedade que prioriza o automóvel como meio de transporte individual, sem a preocupação com os transtornos causados ao meio ambiente e ao trânsito. De acordo com dados do DETRAN-CE, entre janeiro e março de 2011, a frota de Fortaleza passou de 155 mil para 169 mil, um aumento de 9,16%.

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15 questões sobre sistema cicloviário Atualmente, diversas cidades brasileiras vem demonstrando preocupação com a situação do trânsito e começam a estimular o uso de bicicletas como transporte alternativo, por meio do sistema de bicicletas públicas, ciclovias e campanhas de esclarecimento. Fontes: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm? http://portal.detran.ce.gov.br/estatisticas

06.

O que é um sistema cicloviário?

O sistema cicloviário compreende a construção de ciclovias, ciclofaixas, paraciclo, bicicletários, além de outros componentes menos utilizados, destinados à utilização da bicicleta como meio de transporte ou lazer. O objetivo é oferecer condições de segurança à circulação dos ciclistas, onde o “maior proteje o menor”. Assim, faz-se necessária a adoção de medidas para requalificar e humanizar a convivência entre os modais, observando-se os princípios do trânsito.

07.

O que são ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e paraciclos? Ciclovias são espaços delimitados por canteiros, ao longo das vias urbanas (ou rodovias que cortam o município), com tratamento diferenciado, que permitem a circulação preferencial e segura de bicicletas ou outros veículos de propulsão humana.

Ciclofaixas são espaços em vias urbanas delimitadas por sinalização específica. Sendo que esta faixa para bicicletas se encontra na mesma via utilizada por outros veículos. Desta forma, a ciclofaixa tem por finalidade integrar a bicicleta à lista dos meios de transportes urbanos, sendo assim entendida como um veículo movido à propulsão humana. Estas faixas deverão ter entre 1,5m e 2m de largura, pintadas na borda direita ou esquerda da via e indicando o uso preferencial de bicicletas, como prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Paraciclos são caracterizados como estacionamentos de curta ou média duração (até 2 horas em qualquer período do dia), com até 20 vagas (correspondente à área de duas vagas de automóveis), de uso público e sem qualquer controle de acesso. Dentre os fatores fundamentais à garantia da maior sensação de conforto dos ciclistas, cita-se como essenciais os seguintes: visibilidade, sinalização, elementos de projeto do paraciclo e adequação em número de vagas.

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15 questões sobre sistema cicloviário Bicicletário é um estacionamento arrojado para bicicletas, com controle de acesso e mais de 20 vagas, sendo público ou privado. As vagas poderão ser cobertas, ter banheiros e possuir vestiários ao lado, para manter a salubridade da cidade e refrescar os ciclistas. No texto da Lei, os bicicletários deverão ser edificados com a utilização de técnicas e materiais que promovam o desenvolvimento ambiental, aproveitando, se possível, energia solar para aquecimento da água dos chuveiros e destinando locais para depósitos de resíduos sólidos recicláveis.

08.

O que é a integração intermodal?

É a possibilidade de integrar vários modais em um sistema de transporte que beneficie a todas/os de maneira equitativa. A idéia é que terminais de metrô e ônibus, por exemplo, possam disponibilizar bicicletários e/ou paraciclos. Já existem experiências de metrôs onde alguns dos seus vagões são destinados aos ciclistas, de tal modo que as grandes distâncias são diminuídas graças a essa integração.

09.

O que é permitido numa ciclovia ou ciclofaixa?

De maneira geral, todos os veículos movidos a propulsão humana terão direito ao uso destes espaços. Assim, patinetes, skates e patins poderão transitar livremente e com preferência. Veículos similares, como os movidos à propulsão elétrica - contanto que desempenhem velocidade compatível com a segurança dos ciclistas -, também poderão ter acesso a estas vias.

10.

O que não é permitido numa ciclofaixa?

Para a devida fluidez da mobilidade urbana sustentável e democrática fica proibido o estacionamento e o tráfego de veículos motorizados nas faixas compartilhadas. Os veículos tracionados por força animal também serão proibidos de ocupar as ciclofaixas.

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15 questões sobre sistema cicloviário

11.

Como a bicicleta pode ajudar na educação para o trânsito?

Não existe trânsito educado sem a bicicleta. O seu uso contribui para diminuir a emissão de gases provocada pelos combustíveis - que aumentam o efeito estufa no planeta, estimulando mais consciência ecológica do cidadão e da cidadã. Em uma cidade como Fortaleza, que possui excessiva frota de automóveis, a sua utilização provoca maior sensibilização dos motoristas de veículos automotores, democratiza o trânsito em meio ao caos urbano e ocupa menos espaço nas vias públicas, diminuindo o congestionamento do tráfego. Quanto mais bicicletas, menos acidentes! O uso de bicicleta educa a população pelo contato visual e físico mais direto com os sinalizadores de trânsito, sejam eles horizontais ou verticais e gera autonomia de deslocamento para todas as pessoas. Pode se constituir como o mais novo atrativo de um município turístico como a capital cearense, estimulando passeios a beira-mar e a criação de aluguel de bicicleta, além de oferecer uma alternativa saudável de deslocamento curto e agradável. O seu uso também contribui para a diminuição de gastos do parco salário da maioria dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade. Segundo a AMC, 10% dos acidentes envolvem ciclistas. No primeiro trimestre de 2011, já foram mais de 1.500 ocorrências com 46 mortes. Estatísticas apontam um ciclista morto a cada 9 dias, um ferido a cada 7 horas e um acidentado a cada 6 horas.

12.

Quando serão comemorados a Semana da Bicicleta e o Dia do Ciclista?

De acordo com a Lei do Sistema Cicloviário, que dispõe sobre a criação do Sistema Cicloviário no Município de Fortaleza, a Semana da Bicicleta será comemorada na 2ª quinzena de setembro e o Dia do Ciclista em 8 de dezembro.

13.

Quem coordena/implementa o sistema cicloviário?

A implantação do sistema cicloviário será coordenado em conjunto pela Secretaria Municipal de Infra-Estrutura (SEINF), pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano (SEMAM) e Autarquia Municipal de Trânsito (AMC).

14.

Qual é o instrumento de controle social da política de transporte de Fortaleza?

Além do que prevê o Plano Diretor Participativo de Fortaleza (PDPFor), a participação popular é instrumento de democratização do sistema de transporte cicloviário, através da criação do Conselho Municipal de Transportes Urbanos..

15.

Como é possível existir projetos e construções de parques e praças integrados às ciclovias e ciclofaixas?

A elaboração dos projetos e a construção de praças e parques deverá contemplar os interesses sociais, destinando acesso aos ciclistas e, nos entornos próximos de ciclovias e ciclofaixas, a implementação de paraciclos.

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Sistema Cicloviário - Fortaleza - Ce

CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA Gabinete de vereador João Alfredo

Lei Nº 9701de 24 de Setembro de 2010 Publicada no Diário Oficial Nº 14409 de 19 de Outubro de 2010

* A Lei do Sistema Cicloviário foi oriunda do Projeto de Lei nº 0189/09 de autoria do vereador João Alfredo. Dispõe sobre a criação do Sistema Cicloviário no Município de Fortaleza e dá outras providências. FAÇO SABER QUE A CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA APROVOU E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI: Art. 1º Fica criado o Sistema Cicloviário do Município de Fortaleza, como incentivo do uso de bicicletas para o transporte na Cidade de Fortaleza, contribuindo para o desenvolvimento de mobilidade sustentável, de acordo com o art. 40, inciso IV, da Lei Complementar nº 062, de 02 de fevereiro de 2009, publicada no DOM em 13.03.09, que institui o Plano Diretor Participativo do Município de Fortaleza. Parágrafo Único - O transporte por bicicletas deve ser incentivado em áreas apropriadas, e abordado como modo de transporte para as atividades do cotidiano, devendo ser considerado modal efetivo na mobilidade da população. Art. 2º - VETADO Art. 3º - O Sistema Cicloviário do Município de Fortaleza deverá: I - Articular o transporte por bicicleta com o Sistema Integrado de Transporte de Passageiros, viabilizando os deslocamentos com segurança, eficiência e conforto para o ciclista; II - Implementar infraestrutura para o trânsito de bicicletas e introduzir critérios de planejamento para implantação de ciclovias ou ciclofaixas, faixas compartilhadas e rotas operacionais de ciclismo nos trechos de rodovias em zonas urbanizadas, nas vias públicas, nos parques e em outros espaços naturais; III - Implantar trajetos cicloviários onde os desejos de viagem sejam expressivos para a demanda que se pretende atender; IV - Agregar aos terminais de transporte coletivo urbano infraestrutura apropriada para a guarda de bicicletas; V Permitir o acesso e transporte em vagão especial no metrô, trem e planos inclinados de ciclistas com sua bicicleta; VI - Promover atividades educativas visando à formação de comportamento seguro e responsável no uso da bicicleta e sobretudo no uso do espaço compartilhado; VII - Promover o lazer ciclístico e a conscientização ecológica.

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Sistema Cicloviário - Fortaleza - Ce Art. 4º - Fica o Poder Executivo Municipal, através dos órgãos e secretarias competentes, autorizado a realizar todas as ações com vistas à implantação do Sistema Cicloviário do Município de Fortaleza. Parágrafo Único – É assegurado a participação da comunidade organizada no planejamento e fiscalização do Sistema de Transporte Público Urbano, bem como acesso às informações sobre ele. Art. 5º - VETADO Art. 6º - VETADO Art. 7º - VETADO Art. 8º - Os terminais e estações de transbordo, os edifícios públicos, as empresas, escolas, centros de compras, centros de abastecimentos, condomínios, parques e outros locais de grande afluxo de pessoas, deverão possuir locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários, e paraciclos, como parte da infraestrutura de apoio a esse modal de transporte. Parágrafo Único - O bicicletário é o local destinado para estacionamento de longa duração de bicicletas e poderá ser público ou privado. O paraciclo é o local destinado ao estacionamento de bicicletas de curta e média duração em espaço público, equipados com dispositivos para acomodá-las. Art. 9º - A elaboração de projetos de construção de praças e parques deverá contemplar o tratamento cicloviário nos acessos e no entorno próximo, assim como paraciclos no seu interior. Art. 10 - Fica o Poder Executivo Municipal, através do Órgão ou Secretaria competente, autorizado a estimular a implantação de locais reservados para bicicletários nos terminais de ônibus municipais e corredores de ônibus metropolitanos, bem como em outros locais com grande fluxo de pessoas. Parágrafo Único – A segurança do ciclista e do pedestre é condicionante na escolha do local e mesmo para a implantação de bicicletários. Art. 11 - VETADO Art. 12 - VETADO Art. 13 - A implantação e operação dos bicicletários fora da via pública, com controle de acesso, poderão ser executadas pela iniciativa privada, sem qualquer ônus financeiro para a municipalidade, exigindo a prévia aprovação pelos órgãos de licenciamento e autorização para essa modalidade de obra. Art. 14 - VETADO Art. 15 - Fica o Poder Executivo Municipal autorizado a realizar ações educativas com o objetivo de promover padrões de comportamento seguros e responsáveis dos ciclistas, bem como a promover campanhas educativas destinadas a pedestres e condutores de veículos, motorizados ou não, visando divulgar o uso adequado de espaços compartilhados.

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Sistema Cicloviário - Fortaleza - Ce Art.16 - Fica instituída na 2ª quinzena de setembro a Semana da Bicicleta e no dia 8 de dezembro o dia do Ciclista. Art. 17 - VETADO Art. 18 – VETADO Art. 19 - As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário. Art. 20 - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. PAÇO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE FORTALEZA, em 24 de setembro de 2010. Luizianne de Oliveira Lins - PREFEITA MUNICIPAL DE FORTALEZA.

Para ter acesso ao contéudo dos pontos vetados da Lei do Sistema Cicloviário acesse o site do Mandato Ecos da Cidade: http://joaoalfredovereador.com.br/

Divulgue a Lei do Sistema Cicloviário “O transporte por bicicletas deve ser incentivado em áreas apropriadas, e abordado como modo de transporte para as atividades do cotidiano, devendo ser considerado modal efetivo da população” Paragráfo único, artigo 1º da Lei do Sistema Cicloviário de Fortaleza (9701/2010)

8 de dezembro - Dia do Ciclista

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Anexo II - Proj. Lei que cria o aluguel de bicicleta Depoimentos - Fortaleza - Ce A lei do Sistema Cicloviário é muito importante, primeiro, porque abre espaço para que a administração pública municipal olhe para o transporte para além do motorizado. A bicicleta, por exemplo, é o ícone da mobilidade humana mundial, além de ser um meio de locomoção não poluente e opção de acesso rápido, em muitos casos, sendo opção mais viavel que o automóvel.”

Gislene Macedo – Professora do Departamento de Psicologia UFC, Campus de Sobral. A criação de um sistema cicloviário é uma medida inteligente barata e que não rende reurbanização, obras desnecessárias, remoções, alargamentos. A ciclovia existe em poucos municípios do país, mas já há muitas experiências positivas em muitos países. A implementação de paraciclos e biciletários em locais públicos, promovendo clima de apoio e conforto ao ciclista, seria de fundamental importância. Esta lei foi bastante discutida nos fóruns de ciclistas, mobilidade, foi feita com a ampla participação de ciclistas e é um marco legal importante para a cidade. Um grande instrumento para que possamos lutar por uma cidade mais democrática para os ciclistas.’’

Thaís Monteiro, ciclista, integrante da ONG Mediação de Saberes e do MObilidade Humana Antes de focarmos no transporte por bicicleta, nunca é demais lembrar qual é o grande problema das cidades, relacionado à mobilidade das pessoas: o excesso de carros nas ruas. Estudos apontam que, no Brasil, menos de 20% dos deslocamentos das pessoas são feitos regularmente com automóvel próprio. Trata-se, portanto, de um problema de desigualdade social e de má aplicação de recursos públicos: a maioria dos investimentos – viadutos, túneis, alargamentos de vias - visam beneficiar o fluxo de veículos particulares, melhorando a vida de uma minoria mais abastada que, com seus carros, deterioram a qualidade dos deslocamentos da grande maioria da população brasileira, que se utiliza do transporte público, da bicicleta e do transporte a pé’’.

Gustavo Pinheiro Lessa Parente, Integrante do Movimento Mobilidade Humana, ciclista e usuário de transporte público. Criada a partir de demandas levadas ao Mandato Ecos da Cidade, a Lei do Sistema Cicloviário teve em sua elaboração a participação da população, que através de audiência pública pôde debater, criticar e sugerir mudanças no projeto. Interessante saber que na assessoria do mandato há um bicicleteiro, que atuou intensamente no surgimento desse plano cicloviário. Essa lei nada mais é, portanto, do que uma efetivação de uma das exigências do Plano Diretor’’.

Davi Aragão. Advogado, mestrando em desenvolvimento e meio ambiente pela UFC Falta da parte dos governos uma ousada política de mobilidade urbana que se conecte com uma eficiente política ambiental e uma forte politica de educação de trânsito com um foco nos ciclistas e motoqueiros que são as maiores vítimas no trânsito para que se gere uma nova mentalidade que valorize os múltiplos modais de transporte e o próprio poder público se oponha à Sociedade do Automóvel, onde se promoveu um estilo de vida dependente do automóvel. Em algumas cidades, chega-se a ter dois habitantes por veículo’’.

Josael Lima, economista e Presidente do Instituto Ambiental Viramundo.

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Direitos do ciclista no Código de Trânsito Brasileiro Código de Trânsito Brasileiro - Lei 9.503/97 Os órgãos de trânsito têm obrigação de se preocupar com os ciclistas: Art. 21. Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição: II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e segurança de ciclistas. Pedestres têm prioridade sobre ciclistas e ciclistas têm prioridade sobre motos e carros: Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas: § 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres. Os carros não devem nos fechar: Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes lindeiros, o condutor deverá: Parágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem. Ameaçar o ciclista com o carro é infração gravíssima, passível de suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo e da habilitação: Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos: Infração – gravíssima; penalidade – multa e suspensão do direito de dirigir; medida administrativa – retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação. Colar na traseira do ciclista ou apertar ele contra a calçada é infração grave: Art. 192. Deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade, as condições climáticas do local da circulação e do veículo: Infração – grave; penalidade – multa. “Tirar fina” é infração média: Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta: Infração – média; penalidade – multa. Se a “fina” for em alta velocidade, são duas multas (a média aí de cima mais essa grave aqui): Art. 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito: XIII – ao ultrapassar ciclista: Infração – grave; penalidade – multa. Fabricantes de bicicletas são obrigados a fornecer um manual contendo os direitos e deveres dos ciclistas, além de instruções sobre direção defensiva e primeiros socorros: Art. 338. As montadoras, encarroçadoras, os importadores e fabricantes, ao comerciarem veículos automotores de qualquer categoria e ciclos, são obrigados a fornecer, no ato da comercialização do respectivo veículo, manual contendo normas de circulação, infrações, penalidades, direção defensiva, primeiros socorros e Anexos do Código de Trânsito Brasileiro.

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Se liga ciclista!

Procure pedalar pelas vias com tráfego menos intenso, mantendo-se preferencialmente à direita. Siga sempre no mesmo sentido do fluxo: é mais seguro e é o que determina o Código de Trânsito.

Use roupas claras e coloridas. Utilize ainda luz vermelha traseira, luz branca dianteira e acessrórios refletores distribuídos pela sua bike. À noite, quanto mais notado você for, melhor para preservar a sua segurança.

Você, como ciclista, também está guiando um veículo, portanto tenha bem senso e respeite a sinalização de trânsito.

Uso de um calçado adequado, além de proteger seus pés, proporciona melhor rendimento e diminue a probabilidade de acidentes.

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Se liga ciclista!

Procure sempre usar capacete, luvas e óculos. Esses equipamentos, além de proporcionar maior conforto, dão maior proteção em caso de quedas e colisões.

Seja cordial no trânsito, nunca provoque e ignore sempre as provocações. Seja da paz e siga tranquilo seu caminho.

Mantenha uma distância segura de outros veículos e jamais agarre em carrocerias em movimento; o resultado pode ser fatal.

Lembre-se que as bikes não tem setas. Então faça indicações que demonstrem o sentido que irá tomar.

14 Fonte/Imagens: Projeto Ciclista Vivo - Prefeitura Municipal de Maceió


Participe da Campanha “Sou Bom Motorista / Boa Motorista” Pela gentileza no trânsito e respeito aos ciclistas!

Acesse o nosso site, divulgue a Lei do Sistema Cicloviário e participe das atividades do Mandato Ecos da Cidade!


Cartilha Vereador João Alfredo (Sist. Cicloviário)