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UNIVERSIDADE DE VILA VELHA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO BACHARELADO EM ARQUITETURA, URBANISMO E PAISAGISMO

ARIANE SUBTIL PICULI

SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO EM CASA NOTURNA

VILA VELHA 2013


ARIANE SUBTIL PICULI

SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO EM CASA NOTURNA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Universidade de Vila Velha, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo. Orientador: Prof. Ms. Augusto Cezar Braga.

VILA VELHA 2013


ARIANE SUBTIL PICULI

SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO EM CASA NOTURNA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Universidade de Vila Velha, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo.

Aprovada em: ___/___/___.

BANCA EXAMINADORA

Prof.º Ms. Augusto Cesar Gomes Braga Universidade Federal do Espírito Santo Orientador

Prof.ª Ms. Aline Pignaton Antônio Universidade Federal do Espírito Santo Co-orientadora

Ex-bombeiro Antônio Carlos Moreira de Azevedo Membro


Dedico à Deus, minha mãe, pai e ao meu namorado, pelo crédito e apoio.


AGRADECIMENTOS A Deus por estar comigo todos os dias de minha vida, por me fazer sentir acolhida e estimulada a continuar nos momentos difíceis. Aos meus pais Pedro e Rosimar, pelo amor, carinho, segurança, apoio e confiança depositada em mim. Pelas tantas vezes que abdicaram de seus sonhos para que eu pudesse realizar o meu. Esta conquista também é de vocês, amo vocês muito. Ao meu namorado Christiano, pelo amor, incentivo, compreensão de minhas ausências, ao apoio incondicional em todos os momentos desta caminhada e companheirismo nas noites em claro, te amo muito. A minha cachorra Bia, por quando querer brincar eu não poder. Ao professor orientador Augusto Cesar Gomes Braga, pela confiança, incentivo, disponibilidade, responsabilidade, competência e orientação durante a elaboração deste trabalho. A professora co-orientadora Aline Pignaton Antônio, pelo incentivo, responsabilidade, competência e disposição em auxiliar através de seus ensinamentos. Ao membro externo ex-bombeiro Antônio Carlos Moreira de Azevedo, pela disponibilidade e disposição em auxiliar. Aos demais professores pelos ensinamentos transmitidos durante a graduação para a construção do conhecimento. Aos amigos, em especial Gutemberg e Tiago, pela amizade, apoio, carinho, e companheirismo nos momentos de incertezas, angústias e felicidades no percurso desta caminhada, pela ajuda nos momentos que surgiam as dúvidas, enfim por serem grandes amigos em todas as horas.

Muito Obrigada!


“Porém, nenhuma ação, por melhor que seja, terá sucesso se no cidadão não despertar um sentimento de identidade, que sem este não há legitimação”. Kevin Lynch, 1997


RESUMO Este trabalho buscou contribuir teoricamente para o tema, com uma pesquisa bibiliográfica sobre segurança contra incêndio em casa noturna. O incêndio é dos mais gravosos acidentes que se pode verificar num edifício, uma vez que, para além das perdas materiais, normalmente lhes está associada a perda de vidas humanas, sendo as casas noturnas locais de elevada concentração de pessoas. O desenvolvimento deste trabalho, tem como objetivo avaliar a situação global da Segurança Contra Incêndio, relativo a estes espaços. Nesta fase, os estudos sobre complexos noturnos mostrarão a relação de interação com o seu meio, analisando o contexto ao qual será inserido. Esta avaliação é feita sob diferentes pontos de vista, que vão desde os aspectos meramente legais, passando pela análise de várias ocorrências. Durante este processo, buscou-se enfatizar a importância que deve ser dada à prevenção contra incêndio no momento do planejamento do projeto arquitetônico, isto é, na fase inicial, pois a proteção contra incêndio tem um papel primordial na preservação da vida humana e do patrimônio, em caso de eventual sinistro. Relativo aos aspectos legais, o estudo incide sobre a regulamentação em vigor no Espírito santo, sendo dada uma atenção particular à ocupação/uso F-6, classificada como local de reunião de público, onde se insere as casas noturnas. Após a análise da legislação, segue-se a referência a casos de incêndio em casas noturnas. Neste ponto, apresentam-se situações ocorridas no estrangeiro e uma recentemente no Brasil. No decorrer do trabalho, elaborar um espaço que contemple um programa de necessidades adequado para este projeto, agregando a uma diferente opção para o lazer da população de Vitória e regiões.

Palavras-chave: Casa noturna. Estética. Legislação. Segurança Contra Incêndio.


ABSTRACT This study aimed to theoretically contribute to the theme, with a bibliographic research on fire safety in the nightclub. The fire is the most grievous injury that can occur within a building, since, in addition to material losses, they are usually associated with loss of human life, and nightclubs local high concentration of people. The development of this work is to evaluate the overall situation of the Fire Safety on these spaces. At this stage, studies of nocturnal complex show the relationship of interaction with their environment, analysing the context to which it is inserted. This review is taken from different points of view, ranging from the purely legal aspects, through the analysis of multiple occurrences. During this process, we tried to emphasize the importance that should be given to fire prevention when planning the architectural design, is, at the initial stage , because the fire protection plays a vital role in the preservation of human life and property in case of any accident. On the legal aspects, the study focuses on the rules in force in the Holy Spirit, a particular occupation / use F - 6, classified as a meeting place for the public, which includes the nightclubs attention being given. After the analysis of the legislation, it follows the reference to cases of fire in nightclubs. At this point, we present situations that occurred abroad and recently in Brazil. During the work, prepare a space that includes a program suitable for this project needs, adding a different option for the leisure of the population of Victoria and regions.

Keywords: Nightclub. Aesthetics. Legislation. Fire Safety.


LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Definição de princípio de incêndio ............................................................ 19 Figura 2 – Exemplos de ocorrências: (A) Backbdraft, (B) Flashover. ........................ 21 Figura 3 – Escada aberta externa. ............................................................................ 23 Figura 4 – Resistência das propriedades físicas e mecânicas causada pela temperatura. (A) elemento isolado de aço, (B) spalling em pilar de concreto, (C) carbonização da madeira. ......................................................................................... 24 Figura 5 – (A) Fogo na madeira, (B) Seção de uma viga de madeira, exposta ao fogo 30 minutos. ................................................................................................................ 25 Figura 6 – Comportamento da madeira e estrutura de aço ....................................... 26 Figura 7 - Distribuição das saídas ............................................................................. 33 Figura 8 - Medida da largura em corredores e passagens ........................................ 34 Figura 9 - Abertura das portas no sentido do trânsito de saída ................................. 35 Figura 10 – Escada enclausurada à prova de fumaça, com elevador de emergência .................................................................................................................................. 37 Figura 11 – Desenho esquemático de área de refúgio .............................................. 38 Figura 12 – Efeito da estratificação da fumaça ......................................................... 39 Figura 13 - Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio ........................................... 40 Figura 14 – Detector de incêndio MAGIC SENS ....................................................... 41 Figura 15 – Detector de incêndio FAP-500 ............................................................... 41 Figura 16 – Detectores termovelocimétricos ............................................................. 42 Figura 17 – Detectores lineares, emissor e receptor ................................................. 42 Figura 18 – Esquema de ação dos detectores lineares ............................................ 43 Figura 19 – Localização dos detectores de fumaça ou de temperatura .................... 44 Figura 20 – Exemplos de detectores de fumaça: (A) Óptico e (B) Iônico .................. 44 Figura 21 – Detector de fumaça DFOL Linear........................................................... 45 Figura 22 – Detector de fumaça FSB-200S .............................................................. 45 Figura 23 - Exemplos de sprinklers pendentes ......................................................... 47 Figura 24 - Exemplos de sprinklers uprights ............................................................. 47 Figura 25 – Exemplos de sprinklers névoa de água .................................................. 48 Figura 26 - Exemplos de sprinklers cortina de água ................................................. 48 Figura 27 – Exemplos de Sinais ................................................................................ 50


Figura 28 – Exemplos de instalação de sinalização .................................................. 51 Figura 29 – Exemplos de faixa para indicação de obstáculos ................................... 52 Figura 30 - Exemplos de instalação de sinalização................................................... 53 Figura 31 – Exemplos de blocos autônomos ............................................................ 55 Figura 32 – Exemplos de luminárias de emergência Lume ....................................... 56 Figura 33 – Exemplos de luminárias de emergência Ilume ....................................... 56 Figura 34 – Classes de fogo de acordo com o material combustível ........................ 59 Figura 35 – Exemplos de extintores .......................................................................... 59 Figura 36 - Abrigo para extintores ............................................................................. 60 Figura 37 – O antigo clube Cocoanut Grove, atualmente reservado para estacionamento ......................................................................................................... 61 Figura 38 – Plantas do clube: (A) Planta do pavimento térreo, (B) Planta do 1º pavimento .................................................................................................................. 62 Figura 39 – Fotos antes e após o incêndio no clube Cocoanut Grove ...................... 64 Figura 40 – Placa incorporada na calçada em memória das mais de 490 vítimas .... 65 Figura 41 - Fotos antes e após o incêndio na boate Kiss .......................................... 66 Figura 42 – Perspectiva com informações gerais do ocorrido ................................... 67 Figura 43 – (A) Planta da boate, (B) Planta esquemática da saída da boate ............ 68 Figura 44 – Homenagem incorporada na fachada da boate Kiss em memória das 232 vítimas ................................................................................................................ 69 Figura 45 - Fotos após o incêndio na República Cromagñón ................................... 70 Figura 46 - Perspectiva com informações gerais do ocorrido.................................... 71 Figura 47 – Homenagens em memória das 194 vítimas ........................................... 73 Figura 48 – (A) e (B) Fachada de caráter minimalista, (C) rampa que facilita o acesso. ...................................................................................................................... 75 Figura 49 – (A) Pequeno jardim, (B) Túnel do check-in e (C) Túnel do check-out. ... 76 Figura 50 - (A), (B) e (C) A iluminação cênica com sistema de automatização, (D), (E) e (F) Pilares revestidos por cúpulas. ................................................................... 77 Figura 51 – (A) e (B) Pista de dança com iluminação automatizada, (C) e (D) Espaço de descanso. ............................................................................................................. 78 Figura 52 – (A) Planta do pavimento térreo, (B) Planta do 1º pavimento. ................. 79 Figura 53- (A) e (B) Lounge dos banheiros sociais, (C) Pista de dança e cabine do DJ. ............................................................................................................................. 79


Figura 54 – (A) Fachada do clube 210 North, (B) e (C) Cobertura para maior conforto. .................................................................................................................... 80 Figura 55 – Lustres com luz brilhante, decoração exuberante e mobiliário moderno. .................................................................................................................................. 81 Figura 56 – (A) e (B) Área Vip com camas, (C) e (D) Bares...................................... 82 Figura 57 – (A) Cortina em cromo brilhante, (B), (C), (D) e (E) Lustre magnifico e (F) Namoradeira.............................................................................................................. 82 Figura 58 – Lustres sofisticados, com iluminação de diferentes cores. ..................... 83 Figura 59 – Planta baixa e setorização dos ambientes. ............................................ 84 Figura 60 – Primeira Pacha a ser construída. ........................................................... 85 Figura 61 – (A) e (B) Pacha em Búzio, (C) e (D) Única boate abaixo do nível do mar. .................................................................................................................................. 86 Figura 62 – Planta Baixa e setorização dos ambientes............................................. 87 Figura 63 – (A) Bar, (B) Recepção e (C) Pista de dança e cabine de DJ. ................. 88 Figura 64 – Fotos da Pacha em Búzios no Rio de Janeiro. ...................................... 89 Figura 65 – (A) Localização do Município de Vitória no Espirito Santo, (B) Ilha da Fumaça e (C) Decreto da Ilha. .................................................................................. 90 Figura 66 – Imagens aéreas da Ilha da Fumaça ....................................................... 91 Figura 67 – (A) Armazéns e (B) Logística marítima. ................................................. 92 Figura 68 - Casas enfileiradas e visão panorâmica da Ilha da Fumaça .................... 93 Figura 69 – Imagens da ruína ................................................................................... 94 Figura 70 – Imagens do entorno da Ilha da Fumaça ................................................. 95 Figura 71 – Delimitação do Zoneamento Urbanístico ............................................... 96 Figura 72 – Planta de Topografia - Relevo ................................................................ 97 Figura 73 – Vegetação do Município de Vitória - ES ................................................. 98 Figura 74 – Área de Preservação Permanente ......................................................... 99 Figura 75 – Planta de Implantação.......................................................................... 100 Figura 76 – Planta Baixa do Térreo......................................................................... 105 Figura 77 – Planta Baixa do 1º Pavimento .............................................................. 105 Figura 78 – Aglomerações Humanas ...................................................................... 106 Figura 79 – Dimensões ocupada por uma pessoa adulta em fileira ........................ 107 Figura 80 – Dimensões ocupada por uma pessoa adulta em forma compacta ....... 107 Figura 81 – Projeto de Proteção Contra Incêndio do Térreo ................................... 113 Figura 82 – Projeto de Proteção Contra Incêndio - Simbologias ............................. 113


Figura 83 – Projeto de Proteção Contra Incêndio do 1º Pavimento ........................ 114 Figura 84 – Maquete Física, fotos do Térreo........................................................... 119 Figura 85 – Maquete Física, fotos do 1º Pavimento ................................................ 121 Figura 86 – Maquete Física, fotos do Térreo com o 1º Pavimento .......................... 124 Figura 87 – Maquete Física, fotos das Fachadas.................................................... 126 Figura 88 – Maquete Física, fotos da Implantação.................................................. 132


LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo (TRRF) ............................. 22 Tabela 2 – Resistência ao Fogo para Alvenarias ...................................................... 23 Tabela 3 - Valores das cargas de incêndio específicas ............................................ 27 Tabela 4 - Edificações do grupo F com área superior a 900 m² ou altura superior a 9,00 m ....................................................................................................................... 28 Tabela 5 - Dados para o dimensionamento das saídas de emergência.................... 30 Tabela 6 - Tipos de escadas de emergência por ocupação ...................................... 36 Tabela 7 - Distâncias máximas a serem percorridas ................................................. 49 Tabela 8 - Sinalização complementar ....................................................................... 53 Tabela 9 - Substâncias dos extintores de acordo com a natureza do fogo ............... 58 Tabela 10 - Classificação das edificações quanto à sua ocupação ........................ 108 Tabela 11 - Classificação das edificações quanto ás suas características construtivas ................................................................................................................................ 109 Tabela 12 - Classificação das edificações quanto à Altura ..................................... 109 Tabela 13 - Classificação das edificações quanto às suas dimensões em planta .. 110 Tabela 14 - Dados para o dimensionamento das saídas ........................................ 110 Tabela 15 - Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo (TRRF).......................... 111 Tabela 16 - Tabela de Estimativa de Consumo Predial Médio Diário ..................... 115


LISTA DE SIGLAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas ALCB – Alvará de Licença do Corpo de Bombeiros CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo CBMES – Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia COSCIP – Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia CREA-RS – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul EPI – Equipamento de Proteção Individual EPR – Equipamento de Proteção Respiratória EUA – Estados Unidos da América GLP – Gás Liquefeito de Petróleo INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial NE – Escada Não Enclausurada NR – Normas Regulamentadoras NT – Norma Técnica PF – Escada Enclausurada à Prova de Fumaça PFP – Escada à Prova de Fumaça Pressurizada PMESP – Polícia Militar do Estado de São Paulo PPCI – Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio PSCIP – Plano de Segurança Contra Incêndio e Pânico SCI – Segurança Contra Incêndio TRRF – Tempo Requerido de Resistência ao Fogo UFSM – Universidade Federal de Santa Maria


SUMÁRIO 1.

INTRODUÇÃO ............................................................................................... 15

1.1

JUSTIFICATIVA DO TEMA ............................................................................. 16

1.2

PERFIL DOS USUÁRIOS ............................................................................... 18

2.

PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO................................................................. 19

2.1

TRRF – TEMPO REQUERIDO DE RESISTÊNCIA AO FOGO ........................ 21

2.1.1 Reação dos Materiais ao Fogo ....................................................................... 24 2.2

NORMAS E LEGISLAÇÕES ........................................................................... 26

2.3

SAÍDAS DE EMERGÊNCIA ............................................................................ 29

2.3.1 Portas ............................................................................................................. 32 2.3.2 Escadas .......................................................................................................... 35 2.4

EQUIPAMENTOS DE DETECÇÃO ................................................................ 38

2.4.1 Dispositivo de extração de fumaça ................................................................. 43 2.4.2 Dispositivo Sprinkler ....................................................................................... 46 2.5

SINALIZAÇÃO E ILUMINAÇÃO DE EMERGÊNCIA ....................................... 49

2.6

SISTEMA DE EXTINÇÃO ............................................................................... 57

3.

CORRELATOS DE BOATES ......................................................................... 60

2.1

COCOANUT GROVE, MASSACHUSETTS – BOSTON ................................. 61

2.2

BOATE KISS, ILHA DE SANTA MARIA – RIO GRANDE DO SUL ................................. 65

2.3

REPÚBLICA CROMAGÑÓN, BUENOS AIRES – ARGENTINA ...................................... 69

2.4

A PROBLEMÁTICA DOS INCÊNDIOS EM BOATES ...................................... 73

2.5

SOLUÇÕES ESTÉTICAS ............................................................................... 74

2.6

ROXY CLUB, BELO HORIZONTE – MINAS GERAIS ................................................. 75

2.7

210 NORTH, RENO – ESTADOS UNIDOS .............................................................. 80

2.8

PACHA IBIZA, BÚZIOS – RIO DE JANEIRO ............................................................. 85

4.

ANÁLISE DO LOCAL .................................................................................... 89

4.1

LOCALIZAÇÃO ............................................................................................... 90

4.2

IMPLANTAÇÃO .............................................................................................. 95

5.

DIRETRIZES PROJETUAIS ........................................................................ 101

5.1

PLANTA BAIXA ............................................................................................ 103


5.1.1 Aglomerações Humanas............................................................................... 106 5.2

PROJETO DE PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO ........................................ 108

5.3

MAQUETE FÍSICA – VOLUMÉTRICA .......................................................... 115

6.

CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... 132

7.

REFERÊNCIAS ............................................................................................ 135

ANEXOS ................................................................................................................. 139


15

1.

INTRODUÇÃO

A partir de levantamentos realizados foram obtidos diagnósticos e, em cima destes, foi desenvolvido um anteprojeto onde o principal objetivo será: Promover o lazer e o entretenimento de seus usuários, melhorando assim a infraestrutura física deste estabelecimento, oferecendo diversão, conforto e segurança para os frequentadores. O mercado de entretenimento, especialmente as casas noturnas, pode parecer uma interessante opção de investimento, afinal, as pessoas procuram lugares para se distrair, fazer novas amizades, namorar, ou simplesmente sair da rotina e curtir uma festa. O público das casas noturnas, na grande maioria, é composto por jovens, que estão sempre buscando novidades e locais badalados. Uma das caracteristicas deste mercado, no entanto, é a infidelidade do público, que pode migrar para outra casa noturna mais nova e mais badalada repentinamente. Isso acontece porque os jovens têm a capacidade de se adaptar facilmente às novidades e se cansam rapidamente de lugares que até então eram considerados pontos de encontro. O local de entretenimento de casa noturna que foi elaborada tem como objetivo proteger as pessoas e os bens materiais. Atualmente existe uma legislação específica, composta de Leis, Normas Técnicas, Portarias e Resoluções do Corpo de Bombeiros no qual normatizam os projetos de prevenção e proteção contra incêndio, cabe salientar que o estado brasileiro possui a legislação NBR 9077, no qual determina os parâmetros a serem seguidos, cada vez que for projetada ou/e construída uma edificação. Para edificações novas, o projeto de proteção contra incêndio deve ser elaborado juntamente com o arquitetônico, pois é necessário o dimensionamento correto de todos os sistemas de prevenção contra incêndio, sejam eles fixos ou móveis. Já em edificações existentes, o dimensionamento dos sistemas de prevenção deve levar em conta o levantamento realizado “in loco”, adaptando a realidade encontrada com a correta projeção. Portanto, este trabalho tem como finalidade a conscientização dos futuros profissionais de Arquitetura e Engenharia Civil a importância da prevenção contra incêndio nas casas noturnas, os quais muitas vezes acabam não dando a sua devida importância durante a elaboração do projeto e a execução da obra. Esta pesquisa tem como propósito determinar quais são os sistemas de prevenção contra incêndio adequados para casas noturnas, bem como a integralização do projeto de prevenção contra incêndio com os demais projetos da edificação.


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É quando tal ocorrência se verifica no interior de uma casa noturna que sobressai o papel do arquiteto e engenheiro civil, na procura de soluções e procedimentos que conduzam a uma melhoria relativamente à Segurança Contra Incêndio em Edifícios. Sendo as casas noturnas locais de grande concentração de pessoas, tornando-se particularmente importante a definição de estratégias que contribuam para essa melhoria. Essa avaliação, como se poderá constatar adiante, envolveu diferentes aspectos relacionados com esta tipologia de espaços, indo desde o ponto meramente regulamentar, passando pela enumeração de diversos acidentes ocorridos e terminando com a aplicação da atual regulamentação a um caso concreto, de forma a se tentar concluir acerca da real efetividade das metodologias propostas. Como se vai poder constatar ao longo deste trabalho, as preocupações com este assunto não são recentes e muito menos se restringem ao panorama nacional. O presente trabalho encontra-se organizada em 5 capítulos, sendo o primeiro esta breve introdução além da apresentação do perfil dos usuários para o destinado estabelecimento. O segundo capítulo está relacionado com o estudo da atual legislação em vigor, dando enfoque à classificação em que se inserem as casas noturnas. O terceiro capítulo será dedicado ao relato e análise de situações ocorridas um pouco por todo o globo, incluindo na parte final um estudo relativo à situação. No mesmo, será feito estudos de casos, relacionado à estética, que objetiva também o tema específico. No Quarto capítulo, apresenta-se o histórico da localização que será implantado o projeto, com parte das diretrizes projetuais. Por fim, no quinto capítulo, apresentam-se as conclusões da realização das pesquisas do trabalho.

1.1

JUSTIFICATIVA DO TEMA

O tema da presente pesquisa, Segurança Contra Incêndio em Casa Noturna, foi escolhido com a intenção de explorar uma nova opção de entretenimento seguro, para a cidade de Vitória no Espírito Santo, cidade pela qual vem crescendo e se desenvolvendo nas mais diversas áreas e hoje conta com poucos lugares para o


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entretenimento e lazer, principalmente para o público jovem, e portanto, em virtude da situação, é proposto um novo estabelecimento noturno na cidade. Pretende-se fazer com que a inserção desta nova proposta de projeto proporcione ainda mais diversão, entretenimento para os jovens e adultos que costumam sair nas noites, e segurança contra incêndio para os mesmos, tornando-se assim um desafio a ser superado. Com essa necessidade, surgiu a ideia de se projetar um espaço destinado à realização de shows e DJs, focando nos princípios de segurança contra incêndio, que pelos estudos de casos veremos, que o comum dos incêndios em boates não deve continuar a ser tratado dessa maneira. A partir daí, buscou o estudo das leis que regem no município, o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo. O local escolhido é ideal para a implantação deste tipo de projeto, pois este apresentou características que possibilitaram trabalhar o terreno de forma a respeitar suas condicionantes como, por exemplo, o histórico, topografia, visuais, vegetação existente, acessos e fluxos viários. Outro fator que contribuiu na escolha desta área foi à inexistência de edificações residenciais próximas, devido às questões de isolamento acústico. Para tanto, os conhecimentos acadêmicos foram muito úteis na definição do programa de necessidades e na implantação da edificação de maneira que a mesma seja aperfeiçoada. Com base em conversas informais e na própria observação no comportamento dos jovens no que diz respeito aos hábitos de consumo, f icou evidente o sentimento de que faltam opções de casas noturnas, luxuosas e seguras. Os estabelecimentos existentes parecem não atender as expectativas deste público. Ao analisar as sugestões de estabelecimentos noturnos na cidade, é perceptível a necessidade de criar algo que realmente estimule as sensações dos usuários, proporcionando aos mesmos um ambiente agradável e seguro com amplas opções cuja temática da casa ofereça. Desta forma, o estudo propõe um novo empreendimento no intuito de satisfazer e atender a população local e regional com o propósito de incentivar o entretenimento e lazer onde, muitas vezes, é o que nos direciona a um específico grupo social com os mesmos interesses, estilos e características, atendendo as normas técnicas de proteção contra incêndio. O presente estudo pode ser utilizado como referência em futuras pesquisas, o mesmo visa ampliar a importância do conhecimento aliando tecnologia e a


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segurança contra incêndio a fim de criar edificações que desfrute a estética e, dos recursos disponibilizados pelos códigos de incêndio no município, agregando não só valores materiais quanto pessoais, mas, contribuindo para um estabelecimento seguro aos seus frequentadores. Empreendimentos que concentram diferentes ambientes em um mesmo espaço e ofereçam uma infraestrutura adequada é sem duvida a opção mais cogitada pelo público, que cada vez mais busca novas tendências, diversificando suas relações, visando criar sua própria identidade social.

1.2 PERFIL DOS USUÁRIOS O requinte da noite não se restringe a restaurantes e lojas finos, também inclui casas noturnas

cada

vez

mais

sofisticadas.

Com

ambientes

confortáveis

e

descolados, baladas luxuosas atraem pessoas que buscam diversão em grande estilo, principalmente o público jovem. A boate é um local muito divertido, movimentado, além do mais os DJs sabem como animar e agitar a galera, várias luzes piscam, se movimentam para fazer o ritmo das melhores músicas. Em uma balada de luxo, o público é seleto. Para isso, há sempre uma hostess na porta, que avalia se os candidatos a frequentar a casa noturna se enquadram ou não ao perfil exigido. Os critérios, normalmente, dizem respeito ao traje escolhido. Em algumas casas, o acesso é ainda mais restrito, com privilégios para associados e cobrança acima do padrão para uma simples entrada na balada. Para frequentar o que há de melhor na noite, dependendo do padrão de boate a ser escolhido, a regra básica é chegar sempre bem vestido e estar disposto a gastar muito dinheiro. Participando da vida social, cultural da cidade, os jovens frequentam sair à noite para tomar Chopp, bater papo com os amigos, comer petiscos e gostam de dançar nas boates mais badaladas entre a juventude de classe média. Nestes ambientes, é possível conhecer novos amigos e iniciar algum tipo de relacionamento afetivo. Os beijos costumam ser intensos, uma vez que o casal deve aproveitar ao máximo aquele momento que, não raro na mesma noite, pode ser compartilhado com outra pessoa. O espaço mais comum, mais frequente desse tipo de comportamento é a casa noturna. A maioria sabe que, nesse tipo de ambiente, um dos objetivos é se


19 divertir, beijando e abraçando um namorado ou ‘ficante’ sem a obrigação de estarem comprometidos. Dançar, ‘ficar’ e beber, não é atoa que muitas propagandas de festas anunciam ‘bebida liberada a noite toda’ como forma de atrair mais pessoas. O mercado de entretenimento noturno é uma importante opção de investimento. E este trabalho visa criar um projeto de casa noturna na cidade. Para tanto, foi realizado estudos de casos, afim da estética e fiscalizar a segurança dos frequentadores, que é um dos focos do trabalho, relatando o comportamento dos usuários que impõe no projeto, com propostas para o mesmo.

2.

PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO

O objetivo principal do estudo da tática e técnica é proporcionar aos profissionais competentes da segurança contra o incêndio noções gerais que os tornem capazes de solucionar os problemas em edifícios que possui fácil propagação. A evolução de um incêndio na maioria das vezes ocorre segundo a figura abaixo na qual podem se ver as várias fases de sua evolução.

Figura 1 - Definição de princípio de incêndio


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Fonte: SEITO e outros. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008. O sucesso ou o fracasso de uma operação depende da capacidade de avaliar a situação e formular o seu plano de atuação. O acesso no local de incêndio ajuda no combate e permite técnicas de ventilação que são determinantes para o sucesso do combate ao fogo. É por meio da técnica correta que se diminuem os danos, sendo que o tipo de ataque ao fogo é fundamental para a segurança da guarnição e controle do incêndio. Para a proteção contra incêndio, seja independente da área da edificação ou área de risco, são tomadas exigências necessitando de sistemas fixos tais como: hidrantes, chuveiros automáticos, alarme e detecção, entre outros. Estudar a viabilidade do uso de tintas antichama para as paredes, tetos, pisos, etc. Proibição do uso de material pirotécnico dentro do ambiente. Treinamento de brigada de emergência com combate a incêndio, evacuação, primeiros socorros, plano de emergência, estudo do comportamento humano em caso de incêndio. Estimular a aplicação de simulação computacional para a evacuação. Instalação de roletas com travamento em caso de ocupação acima da prevista. (MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIO EM LOCAL CONFINADO, 2006, p. 63).

Esses são alguns métodos básicos que devem ser tomados para melhor a segurança contra incêndio nos locais de reunião de público que usufruímos atualmente. Além dos equipamentos para combate a segurança contra incêndio dos já citados, é importante ressaltar que deve ser evitado o uso de materiais inflamáveis nos mobiliários, revestimentos, acabamentos, objetos de decoração, toalhas de mesa, divisórias, esquadrias, entre outros elementos que possam causar um sinistrado deste porte. Possuem dois tipos de ocorrências ao combate de incêndio: Backbdraft e Flashover. O Backbdraft é a explosão ambiental provocada pela falta de ventilação em ambientes com baixa porcentagem de oxigênio, que está repleto de produtos da combustão superaquecidos [...]. Uma ventilação adequada, vertical e horizontal, permitirá que a fumaça e os gases combustíveis sejam retirados do ambiente, prevenindo-se a ocorrência do Backbdraft. O Flashover é uma combustão rápida dos produtos no ambiente sinistrado [...] o calor é absorvido pelo teto da edificação e pelas partes mais altas das paredes e irradia-se para as partes mais baixas [...] o fogo toma conta de todo ambiente instantaneamente. (MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIO EM LOCAL CONFINADO, 2006, p. 25-26).


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(B)

(A) Figura 2 – Exemplos de ocorrências: (A) Backbdraft, (B) Flashover. Fonte:

WALLER, Ben.

1st

Due

Arithmetic.

[S.I.].

16

maio

2009.

Disponível

em:

<http://my.firefighternation.com/profiles/blogs/1st-due-arithmetic>. Acesso em: 5 fev. 2013.

Em casos de incêndio, os bombeiros deverão entrar utilizando o EPI (Equipamento de Proteção Individual) e EPR (Equipamento de Proteção Respiratória) para a segurança dos mesmos ao combate do incêndio. A Comissão Especial do CREA-RS considera que, para promover a qualificação da Segurança contra Incêndio, deve ser obrigatória a formação especifica em Segurança contra Incêndio e Pânico. Mais ainda, é necessário tornar compulsória a elaboração de um Projeto de Segurança contra

Incêndio,

preferencialmente

elaborado

por

profissional

com

habilitação especifica. Os fatos evidenciam que somente a formação básica em engenharia e arquitetura não é suficiente para garantir as bases teóricas necessárias para elaborar um PPCI adequado. Para dar sustentação a essa estratégia, é fundamental iniciar imediatamente estudos objetivando viabilizar que o meio acadêmico oferte capacitação nesse sentido, que sejam feitos ajustes na legislação e que o sistema CONFEA-CREA/CAU inicie um processo para modificar as atribuições profissionais que atendam essa nova realidade. (CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA DO RIO GRANDE DO SUL, 2013).

2.1

TRRF – TEMPO REQUERIDO DE RESISTÊNCIA AO FOGO

TRRF é a designação utilizada globalmente para que estruturas de edifícios, paredes corta-fogo ou passagens de cabos e dutos, resistam ao fogo por um determinado período de tempo, sem comprometer a segurança em caso de incêndio.


22

Elas podem variar entre 30, 60, 90 ou 120 minutos na construção civil. Os tempos aplicados variam de acordo com o tipo de ocupação, uso, altura da edificação, quantidade de carga de incêndio e outros fatores. Cada estado brasileiro define sua tabela de tempo. Tabela 1 – Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo (TRRF)

Fonte: CBMES. NT 09: segurança contra incêndio dos elementos de construção. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 12 jul. 2013.

Tem como objetivo estabelecer as condições a serem atendidas pelos elementos estruturais e de compartimentação que integram as edificações, quanto aos Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo, para que, em situação de incêndio, seja evitado o colapso estrutural por tempo suficiente para possibilitar o cumprimento dos objetivos descritos na Legislação de Segurança Contra Incêndio e Pânico do Estado do Espírito Santo.


23 Tabela 2 – Resistência ao Fogo para Alvenarias

Fonte: CBMES. NT 09: segurança contra incêndio dos elementos de construção. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 12 jul. 2013.

Assim, dispõe o Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2010, em sua NT 09 (incisos de 5.7.14.1) (ESPIRITO SANTO, 2010, p. 14): [...] e) A estrutura portante da escada aberta externa deverá ser construída em material incombustível, com TRRF de 2 h; [...] i)

O TRRF das lajes da edificação não necessita ser maior que 90 min, exceto para edificações com altura superior a 45 m;

[...]

Figura 3 – Escada aberta externa.


24

Fonte: CBMES. NT 09: segurança contra incêndio dos elementos de construção. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 12 jul. 2013.

Normas criadas por instituições internacionais também são de grande aceitação pelas entidades e órgãos fiscalizadores. Alguns exemplos são a Warrington Fire Research, laboratório que certifica produtos, através de normas britânicas como a BS 476 Parte 21, 22 e 23 /1987.

2.1.1 Reação dos Materiais ao Fogo O fogo é um grande inimigo dos materiais de construção. “Alguns reduzem a seção gradualmente, como à madeira, alguns perdem a rigidez e a resistência, como o aço, e outros se despedaçam quando expostos a elevada temperatura, como o concreto” (MCILC, 2006, p. 34). Afinal, todos os materiais são prejudicados devido à exposição ao fogo. O aço e o alumínio têm resistência e módulo de elasticidade reduzida quando submetidos a altas temperaturas [como mostra figura (A)]. O concreto, além da redução da resistência, perde área resistente devido ao “spalling”. O “spalling” reduz a área resistente do concreto e expõem a armadura ao fogo [como mostra figura (B)]. Já os elementos de madeira sofrem carbonização na superfície exposta ao fogo, reduzindo a área resistente e realimentando o incêndio [como mostra figura (C)]. A região central recebe proteção proporcionada pela camada carbonizada, atingindo baixas temperaturas. (A SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO NO BRASIL, 2008, p. 136).

(A)

(B)

(C)

Figura 4 – Resistência das propriedades físicas e mecânicas causada pela temperatura. (A)


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elemento isolado de aço, (B) spalling em pilar de concreto, (C) carbonização da madeira. Fonte: SEITO e outros. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008. [...] a madeira, em condições normais, não se queima diretamente: ela primeiro se decompõe em gases que, expostos ao calor, se convertem em chamas que, por sua vez, aquecem a madeira ainda não atingida e promove a liberação de mais gases inflamáveis, alimentando a combustão [...]. No entanto, peças robustas de madeira, quando expostas ao fogo, formam uma camada superficial de carvão, [...] resultando tanto em um aquecimento quanto uma degradação do material a uma velocidade menor [...]. (MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIO EM LOCAL CONFINADO, 2006, p. 35).

Se observarmos bem pode perceber que as chamas ou labaredas de fogo queimam a certa distância da superfície da madeira, como mostra a figura abaixo.

(A)

(B)

Figura 5 – (A) Fogo na madeira, (B) Seção de uma viga de madeira, exposta ao fogo 30 minutos. Fonte: PINTO, Edna Moura. Proteção contra incêndio para habitações em madeira. São Carlos: Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo), 2001.

É importante notar que esta viga de madeira, mesmo após meia hora de exposição ao fogo, ainda se mantém em bom estado de utilização, podendo ser reaproveitada, bastando remover a superfície de carvão, por motivos estéticos. Segundo o Manual de combate a incêndio em local confinado (2006, p. 37). “O tempo de queima da superfície externa da madeira pode ser medida dependendo da espécie:  Madeira macia: A superfície queima na taxa de 0,8 mm por minuto  Madeira dura: A superfície queima na taxa de 0,5 mm por minuto.”


26

Fazendo uso destes conhecimentos, podemos avaliar a segurança das estruturas afetadas por um incêndio e realizar a análise de situação, o tempo de resistência dos elementos estruturais de uma edificação, possibilitando, por exemplo, que as vítimas de um incêndio sejam retiradas em segurança e que o fogo seja combatido sem que a estrutura desabe.

Figura 6 – Comportamento da madeira e estrutura de aço Fonte: PINTO, Edna Moura, CALIL, C.. Estado da Taxa de Carbonização da Madeira e sua Relação com a Resistência de Peças Estruturais.

Na figura acima, nota-se que a estrutura em aço se deformou completamente, enquanto que a viga de madeira ainda sustenta sua carga mesmo após o contato com o fogo. Os riscos podem variar muito com o uso de novos materiais sem controle de sua reação e resistência ao fogo, dessa maneira, torna-se necessário ensaiar todos os materiais e sistemas construtivos do mercado, o que nem sempre tem sido feito. “Estabelecer que todo o material usado em revestimentos, deve ser certificado pelo fabricante, que deve demonstrar que o mesmo atende os requisitos das normas de propagação de incêndio e de geração de fumaça”. (CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA DO RIO GRANDE DO SUL, 2013). Em alguns casos pode ser necessário usar tinta anti chama ou proteções para melhorar o desempenho de materiais de revestimento de paredes e tetos.

2.2

NORMAS E LEGISLAÇÕES

No caso de casas noturnas, a edificação é automaticamente classificada como área de uso F-6 da norma NBR 9.077. Assim, no contexto brasileiro, cada Estado possui


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atualmente sua própria legislação, os denominados Códigos Estaduais de Segurança contra incêndio e Pânico (COSCIP). Foram utilizadas também como auxilio nos estudos da elaboração deste trabalho, as normas NBR 14323 e NBR 14432. Tabela 3 - Valores das cargas de incêndio específicas

Fonte: CBMES. NT 04: carga de incêndio nas edificações e áreas de risco. Espírito Santo, 2009. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 12 fev. 2013.

Assim, dispõe o Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2010, em sua NT 10 (incisos de 4.2, 6.1.3, 6.1.6 a 6.1.7) (ESPIRITO SANTO, 2010, p. 3-5): [...] 4.2 [...] São considerados eventos de médio impacto todos os eventos realizados em edificações ou áreas públicas ou privadas com previsão de público superior a 1.200 e inferior a 5.000 pessoas [...]. [...] 6.1.3.

Antes do início de cada evento, o público presente deve ser

orientado através do sistema de som quanto à localização das saídas de emergência para cada setor e sobre os sistemas de segurança existentes. [...] 6.1.6 Será exigido Sistema de Controle de Público (catracas ou similar) nos shows e eventos, exceto nos eventos de baixo impacto. 6.1.7 É dever do responsável pela organização do evento disponibilizar equipe médica e uma ambulância para cada dez mil pessoas. [...]

É necessário também ressaltar a importância de uma brigada de incêndio nas casas de shows. Não adianta o local cumprir todos os procedimentos de segurança conforme as legislações se não houver bombeiros civis no local caso ocorra um


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incêndio, pois se deve garantir a segurança dos frequentadores sem passar pelo sinistrado. Tabela 4 - Edificações do grupo F com área superior a 900 m² ou altura superior a 9,00 m

Fonte: CBMES. NT 02: exigências das medidas de segurança contra incêndio e pânico nas edificações e áreas de risco. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 6 fev. 2013.

O Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2010, em sua NT 01 (incisos de 5.2.1) (ESPIRITO SANTO, 2010, p. 3), dispõe: [...]


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5.2.1 O Alvará de Licença do Corpo de Bombeiros (ALCB) é documento obrigatório para toda edificação e área de risco [...] e só será expedido desde que verificada a execução e o funcionamento das medidas de segurança contra incêndio e pânico exigidas no PSCIP, ou ainda, desde que sanadas as possíveis observações apontadas em vistoria. [...]

Os teatros, cinemas, boates, auditórios e salões diversos devem ter suas lotações declaradas nos Laudos de Exigências e Certificados de Aprovação expedidos pelo Corpo de Bombeiros.

2.3

SAÍDAS DE EMERGÊNCIA

O Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2010, em sua NT 10 (incisos de 5.4.1.2) e 3.54 (ABNT 9077, 1993, p. 4, 4), dispõe: A largura das saídas de emergência, isto é, dos acessos, escadas, descargas, e outros, é dada pela seguinte fórmula: [...] N = P/C Onde: N = Número de unidades de passagem, arredondado para número inteiro. P = População, conforme coeficiente a Tabela abaixo. C = Capacidade da unidade de passagem, conforme Tabela abaixo. [...] 3.54 Unidade de passagem Largura mínima para a passagem de uma fila de pessoas, fixada em 0,55 m. Nota: Capacidade de uma unidade de passagem é o número de pessoas que passa por esta unidade em 1 min. [...]


30

Tabela 5 - Dados para o dimensionamento das saídas de emergência

Fonte: CBMES. NT 10: saídas de emergência - parte 1 - condições gerais. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 7 fev. 2013.

O Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2010, em sua NT 10 (incisos de 5.3.1 a 5.3.4) (ESPIRITO SANTO, 2010, p. 4), dispõe: [...] 5.3.1 As saídas de emergência são dimensionadas em função da população da edificação. 5.3.2 A população de cada pavimento da edificação é calculada pelos coeficientes da Tabela abaixo, considerando sua ocupação. 5.3.3 Exclusivamente para o cálculo da população, devem ser incluídas nas áreas de pavimento: a) as áreas de terraços, sacadas, beirais, platibandas e assemelhados [...]; b) as áreas totais cobertas das edificações F-3 e F-6 [...]; [...] 5.3.4 [...] as áreas de sanitários e elevadores [...] são excluídas das áreas de pavimento. [...]


31

Gráfico 1 - Largura total das saídas em local de shows ou eventos Fonte: CBMES. NT 10: saídas de emergência - parte 4 - dimensionamento de saídas de emergência para edificações e áreas de risco destinadas a shows e eventos. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 7 fev. 2013.

A velocidade depende da constituição física de cada um, da idade e da densidade de ocupação na rota de abandono da edificação. A densidade de ocupação de pessoas pode ser feita da seguinte maneira: “O comprimento do passo de uma pessoa, bem como sua velocidade deve ser ensaiado para se analisar a disponibilidade do espaço na rota de evacuação. A densidade é calculada dividindo-se o número de pessoas pela área de evacuação ocupada ou a ser ocupada. Como exemplo, podemos citar as dimensões da elipse corporal do adulto (0,60 x 0,46m) [...]”. Em termos gerais a prática tem demonstrado que na horizontal, uma cadência ideal para as pessoas é de 76 metros por minuto, propiciando conforto e segurança. [...] Os dados abaixo permitem o cálculo do fluxo de pessoas por unidade de passagem, observando-se a velocidade de 76 metros/minuto: • Na horizontal 88 pessoas por minuto por unidade de passagem. • Na descida 69 pessoas por minuto por unidade de passagem. • Na subida 62 pessoas por minuto por unidade de passagem. Que podem ser calculados pela fórmula abaixo, que é o resultado teórico no qual se determina o tempo de saída (segundos) de pessoas localizadas no ponto mais desfavorável ou distante da edificação até a rua (ponto seguro).


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Onde: T.S. = Tempo de saída em segundos. N = Número de pessoas (localizadas no ponto mais desfavorável). A = Largura das saídas (unidade de passagem) em metros. K = Constante experimental: 1,3 pessoas por metro por segundo. D = Distância total a percorrer em metros (do ponto mais desfavorável até a rua). V = Velocidade de deslocamento: 0,6 metros/segundo”. (A SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO NO BRASIL, 2008, p. 103).

Toda vez que se analisa um projeto de segurança contra incêndio relativamente às saídas de emergência, devem ser feitas simulações considerando que qualquer pessoa que esteja em qualquer ponto da edificação tenha a possibilidade de sair com segurança por uma porta de saída de emergência alternativa. As legislações e normas dão parâmetros para o cálculo da população, localização das portas, etc., o que deve servir de orientação ao projetista, mas devem ser elas aperfeiçoadas. Sempre deve ser analisado o cenário, com simulações das diversas situações possíveis e relativas de localizações do fogo, dos ocupantes e das saídas de emergência. Jamais a saída de qualquer ocupante, independentemente de sua localização, pode ser obstruída pelo fogo, em qualquer situação.

2.3.1 Portas Edificações com classe de risco F6, locais de reunião de público, segundo a ABNT NBR 9077:1993, demandam duas saídas de emergência, localizadas o mais distante possível uma da outra. Duas portas justapostas e separadas por uma coluna central de um metro de largura, não poderiam ser consideradas como duas saídas de emergência independentes e afastadas entre si. O Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2010, em sua NT 10 (incisos de 5.2.2) (ESPIRITO SANTO, 2010, p. 4), dispõe: 5.2.2 Em todos os locais de eventos deverá haver, no mínimo, duas alternativas de saída de emergência que possibilitem diferentes sentidos de fuga (como mostra a figura abaixo).


33

Figura 7 - Distribuição das saídas Fonte: CBMES. NT 10: saídas de emergência - parte 4 - dimensionamento de saídas de emergência para edificações e áreas de risco destinadas a shows e eventos. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 7 fev. 2013.

O Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2010, em sua NT 10 (incisos de 5.3.1) (ESPIRITO SANTO, 2010, p. 4), dispõe: [...] 5.3.1 Os acessos horizontais devem satisfazer as seguintes condições: [...] b) estar livres de obstáculos e permitir o acesso rápido e seguro do público às portas de saída; [...] d) ser iluminados e sinalizados com indicação clara do sentido da saída, de acordo com o estabelecido e adotado em normas específicas. [...]

A largura das saídas deve ser medida em sua parte mais estreita, não sendo admitidas saliências de alizares, pilares, e outros, com dimensões maiores que as indicadas na Figura abaixo.


34

Figura 8 - Medida da largura em corredores e passagens Fonte: ABNT. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 15 fev. 2013.

O Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2010, em sua NT 10 (incisos de 5.3.2) (ESPIRITO SANTO, 2010, p. 4), dispõe: [...] 5.3.2 As portas de saída de emergência devem atender aos seguintes requisitos: a) abrir no sentido de fuga podendo, na impossibilidade, ser do tipo de correr; b) possuir largura dimensionada para evacuação segura da população do recinto ou setor e nunca inferior a 3,00m; c) serem distribuídas de forma equidistantes e de maneira a atender o fluxo a elas destinado; d) não possuir peças plásticas em fechaduras, espelhos, maçanetas, dobradiças e outros; [...]

As portas que abrem para dentro de rotas de saída, em ângulo de 180°, em seu movimento de abrir, no sentido do trânsito de saída, não podem diminuir a largura efetiva destas em valor menor que a metade (ver Figura abaixo), sempre mantendo uma largura mínima livre de 1,65 m para as ocupações do grupo F. As portas que abrem no sentido do trânsito de saída, para dentro de rotas de saída, em ângulo de 90°, devem ficar em recessos de paredes, de forma a não reduzir a largura efetiva em valor maior que 0,10 m (ver Figura abaixo).


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Figura 9 - Abertura das portas no sentido do trânsito de saída Fonte: ABNT. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 15 fev. 2013.

A porta corta-fogo protege a saída de emergência, que não pode ter materiais inflamáveis. Para segurança, ela deve possuir uma barra “anti-pânico” como sistema de abertura. Só com a pressão das mãos sobre a barra a pessoa destrava e abre a porta. As rotas de fuga não devem estar obstaculizadas, tanto internamente quanto externamente, pois caso haja um incêndio os obstaculos iram reduzir a capacidade de escoamento de pessoas, causando atrasos na evacuação e provocando quedas e ferimentos aos usuários que tentarem escapar do incêndio.

2.3.2 Escadas Edificações com classe de risco F6, locais de reunião de público, na figura abaixo mostra os tipos de escadas de emergência que devem ser utilizadas.


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Tabela 6 - Tipos de escadas de emergência por ocupação

Fonte: CBMES. NT 10: saídas de emergência - parte 1 - condições gerais. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 7 fev. 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 1993, em sua NBR 9077 (incisos de 3.23 a 3.24) (RIO DE JANEIRO, 1993, p. 3), dispõe: [...] 3.23 Escadas à prova de fumaça pressurizada (PFP) Escada à prova de fumaça, cuja condição de estanqueidade à fumaça é obtida por método de pressurização. 3.24 Escadas enclausuradas à prova de fumaça (PF) Escada cuja caixa é envolvida por paredes corta-fogo e dotada de portas corta-fogo, cujo acesso é por antecâmara igualmente enclausurada ou local aberto, de modo a evitar fogo e fumaça em caso de incêndio. [...] 3.26 Escadas não enclausuradas ou escada comum (NE) Escada que, embora possa fazer parte de uma rota de saída, se comunica diretamente com os demais ambientes, como corredores, halls e outros, em cada pavimento, não possuindo portas corta-fogo. [...]


37

Figura 10 – Escada enclausurada à prova de fumaça, com elevador de emergência Fonte: ABNT. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 15 fev. 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 1993, em sua NBR 9077 (incisos de 4.10.1.1 a 4.10.1.3) (RIO DE JANEIRO, 1993, p. 19), dispõe: [...] 4.10.1.1 Área de refúgio é a parte de um pavimento separada do restante por paredes corta-fogo e portas corta-fogo, tendo acesso direto, cada uma delas, a uma escada de emergência (ver Figura abaixo). 4.10.1.2 A estrutura dos prédios dotados de áreas de refúgio deve ter resistência a 4h de fogo, devendo obedecer à NBR 5627, se for de concreto armado ou protendido. 4.10.1.3 Em edificações dotadas de áreas de refúgio, as larguras das saídas de emergência podem ser reduzidas em até 50%, desde que cada local compartimentado tenha acesso direto às saídas, com larguras correspondentes às suas respectivas áreas e não menores que as mínimas absolutas de 1,10 m para as edificações em geral [...]. [...]


38

Figura 11 – Desenho esquemático de área de refúgio Fonte: ABNT. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 15 fev. 2013.

2.4

EQUIPAMENTOS DE DETECÇÃO

A detecção de um incêndio ocorre por intermédio dos fenômenos físicos primários e secundários de uma combustão. Podemos citar como exemplos de fenômenos físicos primários a radiação visível e invisível do calor da chama aberta e a variação de temperatura do ambiente devido a um incêndio e exemplos de fenômenos secundários a produção de fumaça e fuligem. O ajuste da sensibilidade dos detectores é fundamental para se evitar a ocorrência de alarmes falsos. Os fenômenos secundários são mais fáceis de serem detectados, pois tais efeitos não se confundem com as condições de um ambiente em situação normal, o que permite definir uma sensibilidade maior de atuação do sensor. Já o ajuste de um sensor para detectar a variação de temperatura do ambiente em razão de uma combustão traz maior dificuldade, pois variações de temperatura ocorrem em um ambiente em situação de normalidade. Devido ao efeito físico da subida do ar quente, normalmente os detectores de temperatura e fumaça são instalados no teto de um ambiente, porém há necessidade de se levar em consideração a temperatura junto ao teto que pode sofrer aquecimento devido principalmente à radiação solar, iluminação ou sistemas de condicionamento de ar, formando um colchão de ar quente que não permite o contato da fumaça ou do calor gerado no princípio de um incêndio com o detector no teto, impedindo ou retardando a detecção. Esse fenômeno é chamado de


39

estratificação. Quando o ar (contendo partículas de fumaça) aquecido por meio da combustão do incêndio, torna-se menos denso que o ar ambiente, a fumaça gerada não terá força de ascensão suficiente para vencer este efeito e não atingirá o detector no teto. Quando as proporções do fogo aumentar, a temperatura da coluna de ar em ascensão aumentará e poderá vencer o efeito da estratificação, ocorrendo então à detecção, porém retardada. Em ambientes dotados de sistemas de ar-condicionado e/ou tetos cujas características de isolação permitam um aumento ou diminuição da temperatura no ambiente, provocados por influências externas (por exemplo, sol, ventos, frios, etc.), poderão ocorrer o fenômeno da estratificação (ver figura abaixo).

Figura 12 – Efeito da estratificação da fumaça Fonte: SEITO e outros. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008.

O Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2010, em sua NT 17 (incisos de 5.13) (ESPIRITO SANTO, 2009, p. 4), dispõe: [...] 5.13 Onde houver sistema de detecção instalado serão obrigatórias à instalação de acionadores manuais, exceto para ocupações das divisões F6, onde o acionador manual é opcional, quando há sistema de detecção. [...]


40

Figura 13 - Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio Fonte: SMH, Sistemas. Sistemas de Combate a Incêndio. São Paulo. [s.d.]. Disponível em: <http://www.smh.com.br>. Acesso em: 16 fev. 2013.

Sendo projetado conforme norma ABNT NBR9441 e ISO 7240, a finalidade do sistema de detecção e alarme é o de detectar imediatamente o princípio de incêndio, através de seus detectores interligados a uma Central de Alarmes que permite o controle do sistema e funcionamento automático. O sistema também é composto por acionadores manuais, sirenes, chaves de bloqueio e outros. Proporciona segurança, confiabilidade e permitem maior agilidade na localização de um sinistro.

A seguir iremos apresentar alguns tipos de detectores de incêndio como o MAGIC SENS, que definem novos padrões na tecnologia de detecção de incêndio através de uma combinação de sensores ópticos, térmicos e químicos de gás com avançados componentes eletrônicos de avaliação. A sua característica mais impressionante é a capacidade de prevenção de falsos alarmes, bem como a velocidade e precisão de detecção (ver figura abaixo).


41

(C)

(B)

(A) Figura 14 – Detector de incêndio MAGIC SENS Fonte:

BOSCH.

Tecnologia

para

a

vida.

São

Paulo.

[s.d.].

Disponível

em:

<http://www.boschsecurity.com.br>. Acesso em: 17 fev. 2013.

Os detectores de incêndio da série FAP-500 satisfazem os requisitos estéticos mais exigentes devido ao seu design de perfil ultrafino, permitindo uma montagem embutida no teto e a escolha da cor. O FAP-500 está disponível como um detector óptico de fumo e com um multissensorial óptico/químico de fumo (ver figura abaixo).

(B)

(A)

(C)

Figura 15 – Detector de incêndio FAP-500 Fonte:

BOSCH.

Tecnologia

para

a

vida.

São

Paulo.

[s.d.].

Disponível

em:

<http://www.boschsecurity.com.br>. Acesso em: 17 fev. 2013.

Os detectores termovelocimétricos atuam por meio de gradiente de temperatura, respondendo a uma elevação brusca de temperatura em pouco espaço de tempo, ou quando essa temperatura atinge um valor predeterminado. Sua aplicação está especificamente indicada para incêndio que se inicia com uma elevação brusca de temperatura. Indicados também para locais onde não é conveniente utilizar


42

detectores de fumaça, por exemplo: cozinha, lavanderias, garagem entre outros (ver figura abaixo).

(A)

(B)

(C)

Figura 16 – Detectores termovelocimétricos Fonte: SEITO e outros. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008.

Já os detectores lineares são destinados a atuar quando ocorre a presença de partículas e/ou gases, visíveis ou não, e de produtos de combustão, ou a variação anormal de temperatura ao largo da linha imaginária de detecção (ver figura abaixo).

(A)

(B)

(C)

Figura 17 – Detectores lineares, emissor e receptor Fonte: SEITO e outros. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008.

O detector se compõe de duas peças básicas, transmissor e receptor. O transmissor projeta luz infravermelha até um receptor, que, por sua vez, converte o feixe de luz em um sinal elétrico. Indicados para locais onde não é possível realizar detecção pontual (ver figura abaixo).


43

Figura 18 – Esquema de ação dos detectores lineares Fonte: SEITO e outros. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008.

2.4.1 Dispositivo de extração de fumaça Nos países mais desenvolvidos, os projetos para controle de fumaça são imprescindíveis, pois realmente previnem e proporcionam maior tempo para a saída das pessoas. Que são dutos no teto que ajudam na circulação de ar e na evacuação da fumaça, caso comece um incêndio (ver figura abaixo). O detector de fumaça aciona automaticamente um alarme sonoro sobre a existência de um incêndio. Ele pode ser equipado ainda com um dispositivo de localização, que envia um sinal de emergência ao Corpo de Bombeiros. No entanto, não é obrigatório em todos os estados, apenas o alarme de emergência manual, acionado por um botão. Devem ser instalados detectores de fumaça de acordo com as recomendações da NBR 17240:2010, conectados a alertadores ou alarmes sonoros e visuais. É importante que os ocupantes, embora difícil na prática, conheçam o som de alarme sonoro, pelo menos. Botoeiras podem ser distribuídas no local, mas em locais de vigilância constante, para que não sejam acionados indevidamente por um ocupante irresponsável. Deve também ser exigido sistema de extração de fumaça mecanizada e natural (para caso de falha). Esse deve ser muito bem estudado porque é o que vai salvar as pessoas.


44

Figura 19 – Localização dos detectores de fumaça ou de temperatura Fonte: SEITO e outros. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008.

Existem dois tipos de detectores de fumaça: Óptico e Iônico.

(A)

(B)

Figura 20 – Exemplos de detectores de fumaça: (A) Óptico e (B) Iônico Fonte: SEITO e outros. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008.

Tipo óptico: Baseado em uma câmera escura complementada com um emissor e um receptor que detectam a presença de partículas de fumaça em seu interior, seja por reflexão da luz ou por obscurecimento. Utilizados em ambientes no qual, num princípio de incêndio, haja expectativa de formação de fumaça antes da deflagração do incêndio propriamente dito. Recomendado em fogo de desenvolvimento lento. Exemplo: locais com presença de madeira, papel, tecidos e outros. Tipo iônico: Atua mediante a presença de produtos de combustão visíveis ou invisíveis. Os detectores iônicos possuem duas câmeras ionizadas por uma fonte com baixo poder radioativo, sendo uma câmera de referência e outra de análise. Utilizados em ambientes em que, num princípio de incêndio, haja formação de


45

combustão, mesmo invisível, ou fumaça, antes da deflagração do incêndio propriamente dito, locais com possível desenvolvimento rápido do fogo e alta liberação

de

energia.

Exemplo:

locais

com

presença

(B)

(A)

de

inflamáveis.

(C)

Figura 21 – Detector de fumaça DFOL Linear Fonte: WALMONOF. A marca que é referência em produtos de qualidade. Brasil. [s.d.]. Disponível em: <http://www.walmonof.com.br>. Acesso em: 18 fev. 2013.

O detector emite um feixe de infravermelho com alcance de até 100 m que é refletido em um espelho e retorna ao detector. Na presença de fumaça o feixe é interrompido o que dispara o alarme. Ideal para grandes áreas como galpões, shoppings, aeroportos, etc. Seu valor é mais elevado que o DFO, mas em compensação, dependendo do projeto, reduz a infraestrutura e é capaz de substituir muitos detectores convencionais.

(A) (B)

(C)

Figura 22 – Detector de fumaça FSB-200S Fonte: ARGUS. Produtos e Sistemas contra Incêndio. Rio de Janeiro. [s.d.]. Disponível em: <http://www.argus-engenharia.com.br >. Acesso em: 19 fev. 2013.


46

Os detectores modelos FSB-200S são detectores lineares de fumaça, tipo feixe, inteligentes e endereçáveis. Eles são indicados para a proteção de áreas abertas com tetos altos e/ou inclinados e áreas abertas muito amplas, onde a instalação e manutenção de detectores de fumaça pontuais são difíceis. As aplicações ideais são centros de distribuição, átrios, tetos de catedrais, hangares, armazéns, ginásios de esportes, salas de shows e estacionamentos fechados. A instalação de um detector linear com um único ponto de reflexão é muito mais rápida do que a de um detector com dois pontos de reflexão. O alinhamento é fácil, através de uma mira óptica e um medidor de intensidade de sinal de dois dígitos incorporados ao detector linear. Os detectores FSB-200S possuem quatro níveis de sensibilidade padrão e consistem em uma unidade transmissora receptora e um refletor. Quando a fumaça entra na área entre a unidade e o refletor, causa a redução da intensidade do sinal. Quando o nível de fumaça (intensidade do sinal) atinge um limite predeterminado o alarme é acionado.

2.4.2 Dispositivo Sprinkler Uma rede instalada no telhado do prédio com diversos dispositivos com água resolveria quase que definitivamente um incêndio. Esses dispositivos, os chamados sprinklers cobrem uma área de 10 a 14 metros quadrados e conseguem, conter a fumaça e o calor logo no início, o que evita possíveis mortes por asfixia. No entanto, a obrigatoriedade vai depender da avaliação de cada situação. São sistemas que podem ser automáticos ou semiautomáticos. Um Sistema de sprinklers é acionado por uma série de bicos, que individualmente através do calor são rompidos e disparados jatos de água. Esses bicos são conectados a tubulações e válvulas, que por sua vez é interligada a um reservatório de abastecimento. O posicionamento dos sprinklers, bem como o dimensionamento das tubulações, reservatórios e bombas são definidos de acordo com as características do prédio e do risco a ser protegido, obedecendo-se as normas e recomendações aplicáveis. Os sprinklers possuem diversos modelos, os mais utilizados são: Os Sprinklers Pendentes e os Uprights. Esses modelos chamados de RD são chuveiros


47

automáticos fechados, acionados por uma ampola de vidro, que é um elemento termo fusível de temperatura predeterminada. Esses sprinklers são projetados para extinção e controle de incêndios.

(A)

(B)

(D)

(C)

Figura 23 - Exemplos de sprinklers pendentes Fonte: ARGUS. Produtos e Sistemas contra Incêndio. Rio de Janeiro. [s.d.]. Disponível em: <http://www.argus-engenharia.com.br >. Acesso em: 19 fev. 2013.

Em uma condição de incêndio, o calor faz com que o fluído contido no interior da ampola de vidro se expanda, estilhaçando o vidro e liberando o conjunto do selo com mola. A água flui do orifício até o defletor do sprinkler, que dispersa a água numa distribuição uniforme, para controlar ou extinguir um foco de incêndio.

(A)

(B)

(C)

(D)

Figura 24 - Exemplos de sprinklers uprights Fonte: ARGUS. Produtos e Sistemas contra Incêndio. Rio de Janeiro. [s.d.]. Disponível em: <http://www.argus-engenharia.com.br >. Acesso em: 19 fev. 2013.

Os sistemas sprinkler possuem dois jatos de águas diferentes como: a névoa de água e a cortina de água. A névoa de água é uma tecnologia nova e crescente que utiliza gotas de água para extinguir o fogo. A névoa de água é uma tecnologia atraente para proteção contra incêndio por que as gotas atomizadas resfriam a área


48

afetada pelo fogo, e as gotas também geram vapor que desloca o oxigênio que o fogo necessita para se sustentar.

(A)

(B)

(C)

(D)

Figura 25 – Exemplos de sprinklers névoa de água Fonte: FIRE 9. Prevenção e Combate a Incêndio. São Paulo. [s.d.]. Disponível em: <http://www.meusiteagora.com.br>. Acesso em: 20 fev. 2013.

Já a cortina de água é um sistema que usa uma fileira de bicos de jato plano para criar uma barreira de água para conter o fogo confinado em uma pequena área. O objetivo é criar condições para que o fogo consuma todo o combustível na área. O fogo será extinto quando o combustível se esgotar.

(A)

(B)

(C)

(D)

Figura 26 - Exemplos de sprinklers cortina de água Fonte: FIRE 9. Prevenção e Combate a Incêndio. São Paulo. [s.d.]. Disponível em: <http://www.meusiteagora.com.br>. Acesso em: 20 fev. 2013.

A função dos sprinklers é reduzir ao mínimo os danos causados pelo fogo e também pela água. É importante observar que os sprinklers somente irão funcionar sobre o local do incêndio, empregando assim apenas a quantidade de água estritamente necessária.


49

2.5

SINALIZAÇÃO E ILUMINAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Obviamente, o ideal é proporcionar saídas bem sinalizadas, com alta capacidade de passagem, e distribuídas de forma a reduzir distâncias a percorrer e evitar acúmulos de fluxo de pessoas. Na Tabela abaixo, mostra as distâncias máximas que podem ser percorridas. Tabela 7 - Distâncias máximas a serem percorridas

Fonte: CBMES. NT 10: saídas de emergência - parte 1 - condições gerais. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 7 fev. 2013.

A sinalização básica é o conjunto mínimo de sinalização que uma edificação deve apresentar, constituído por quatro categorias de acordo com sua função: a) Proibição: Visa proibir e coibir ações capazes de conduzir ao início do incêndio ou ao seu agravamento; b) Alerta: Visa alertar para áreas e materiais com potencial de risco de incêndio, explosão, choques elétricos e contaminação por produtos perigosos; c) Orientação e Salvamento: Visa indicar as rotas de saídas e as ações necessárias para o seu acesso e uso; d) Equipamentos: Visa indicar a localização e os tipos de equipamentos de combate a incêndio e alarme disponíveis no local.


50

Figura 27 – Exemplos de Sinais Fonte: PMESP. Instrução Técnica: sinalização de emergência. São Paulo, 2011. Disponível em: < http://www.policiamilitar.sp.gov.br>. Acesso em: 21 fev. 2013.

A sinalização complementar é o conjunto de sinalização composto por faixas de cor ou mensagens complementares à sinalização básica, porém das quais esta última não é dependente. A sinalização complementar é constituída por cinco categorias de acordo com sua função: a) Rotas de Saída: Visa indicar o trajeto completo das rotas de fuga até uma saída de emergência (indicação continuada); (ver figura abaixo). b) Obstáculos: Visa indicar a existência de obstáculos nas rotas de fuga tais como: pilares, arestas de paredes e vigas, desníveis de piso, fechamento de vãos com vidros ou outros materiais translúcidos e transparentes, etc.; (ver figura abaixo). c) Mensagens Escritas: Visa informar o público sobre:  Uma sinalização básica, quando for necessária a complementação da mensagem dada pelo símbolo;  As medidas de proteção contra incêndio existente na edificação ou áreas de risco;  A lotação admitida em recintos destinados à reunião de público.


51

d) Identificação de sistemas hidráulicos fixos de combate a incêndio: Visa identificar, através de pintura diferenciada, as tubulações e acessórios utilizados para sistemas de hidrantes e chuveiros automáticos quando aparentes; e) Sinalização e iluminação de emergência: Também fazem parte dos componentes de atenuação de entrada ao pânico, além de serem medidas obrigatórias para orientar as rotas de fuga das edificações, seja nas escadas de segurança, nos corredores, nas portas de saídas, etc. (ver figura abaixo).

(A)

(C)

(B)

(D)

Figura 28 – Exemplos de instalação de sinalização Fonte: PMESP. Instrução Técnica: sinalização de emergência. São Paulo, 2011. Disponível em: < http://www.policiamilitar.sp.gov.br>. Acesso em: 21 fev. 2013.

NORMA BRASILEIRA 2004, em sua ABNT NBR 13434-2 (incisos de 6.3 a 6.3.2) (RIO DE JANEIRO, 2004, p. 13), dispõe:


52

[...] 6.3 Obstáculos nas rotas de saída devem ser sinalizados através de uma faixa contínua, constituída de listras [...] (ver figura abaixo). 6.3.1 Em ambientes externos ou internos com iluminação de emergência, deve ser utilizada a faixa amarela e preta. 6.3.2 Em ambientes com iluminação artificial, quando em situação normal, mas sem iluminação de emergência, deve ser utilizada a faixa vermelha e fotoluminescente. [...]

(A)

(B)

Figura 29 – Exemplos de faixa para indicação de obstáculos Fonte: PMESP. Instrução Técnica: sinalização de emergência. São Paulo, 2011. Disponível em: < http://www.policiamilitar.sp.gov.br>. Acesso em: 21 fev. 2013.

A sinalização de emergência para permitir uma saída organizada com rapidez e segurança por ocasião de um incêndio, pode ser fixada no teto, paredes e piso.


53

(A)

(B)

Figura 30 - Exemplos de instalação de sinalização Fonte: PMESP. Instrução Técnica: sinalização de emergência. São Paulo, 2011. Disponível em: < http://www.policiamilitar.sp.gov.br>. Acesso em: 21 fev. 2013.

“A complementação da sinalização básica por sinalização complementar composta por mensagem

escrita

deve

atender aos requisitos de dimensionamento

apresentados nas Tabelas abaixo” (CBMES, 2010, p. 18-19). Tabela 8 - Sinalização complementar

(A)

(B)

Fonte: CBMES. NT 14: sinalização de emergência. Espírito Santo, 2010. Disponível em: (C) <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 8 fev. 2013.


54

Devem-se posicionar os observadores em vários pontos de um ambiente, principalmente nos pontos do ambiente mais distante da saída final, e verificar, para cada posição, onde deverão ser instalados os luminosos ou placas de sinalização. A visibilidade da sinalização deve ocorrer de qualquer ponto do ambiente, mesmo que haja obstáculos intermediários. A iluminação também se constitui em um dos mecanismos que poderão levar ou não ao pânico. Para tanto deve ser bem planejada e que seja bem dinâmica, isto é, que acompanhe as necessidades visuais das pessoas e proporcione suficiente nível de iluminação fornecendo suficiente segurança aos usuários. A sinalização pode ser por meio de pequenas luminárias instaladas no piso do ambiente indicando o caminho que deve ser seguido para alcançar a saída (iguais às pequenas lâmpadas instaladas nas escadas de cinemas), porque uma pessoa, em situação de emergência de incêndio, tende a se curvar para baixo e sair olhando para o piso. À iluminação de emergência, deve ser acionada em função da obstrução de visão, ou ainda por acionamento manual. Além disso, sistemas de detecção e de alarmes devem ser compulsórios. Numa situação de incêndio, é desligada a rede geral de energia elétrica da edificação, sendo comutada automaticamente a rede de energia de emergência ou as luminárias ligadas a acumuladores ou gerador. Hoje há sistemas de iluminação de emergência bem econômicos e eficientes, mas deve se ter cuidados com certas luminárias que tem uma vida útil de funcionamento muito pequena, e algumas não garantem o nível de iluminamento adequado. Por isso, estes sistemas devem ser testados periodicamente. O Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2009, em sua NT 17 (incisos de 5.2 a 5.9) (ESPIRITO SANTO, 2009, p. 3), dispõe: [...] 5.2 Todo sistema deve ter duas fontes de alimentação. A principal é a rede de tensão alternada e a auxiliar é constituída por baterias ou gerador. A fonte de alimentação auxiliar deve ter autonomia mínima de 24 h em regime de supervisão, sendo que no regime de alarme deve ser de no mínimo 15 min. para suprimento das indicações sonoras e/ou visuais ou o tempo necessário para a evacuação da edificação. [...]


55

5.6 A central deve acionar o alarme geral da edificação, que deve ser audível em toda edificação em suas condições normais de uso, e inconfundível com qualquer outro tipo de som que possa ser emitido na edificação. 5.7 Nos locais de reunião de público, tipo: casas de show, música, espetáculos, dança, discoteca, danceteria, salões de baile, etc., onde se tem naturalmente uma atividade sonora elevada, será obrigatória a instalação de avisadores visuais e sonoros, quando houver a exigência de sistema de detecção ou alarme. [...] 5.9 Os acionadores manuais deverão ser colocados próximos às entradas no pavimento térreo e próximos às escadas nos diversos pavimentos. A distância máxima a ser percorrida por uma pessoa, em qualquer ponto da área protegida até o acionador manual mais próximo, não deve ser superior a 30 m. [...]

O Bloco autônomo é um aparelho de Iluminação de emergência constituído de um único invólucro, contendo lâmpadas incandescentes, fluorescentes ou similares, fonte de energia com carregador e controles de supervisão, sensor de falha na corrente alternada, necessário para colocá-los em funcionamento no caso de falta de alimentação da rede elétrica da concessionária.

(A)

(B)

(C)

(D)

Figura 31 – Exemplos de blocos autônomos Fonte: SEITO e outros. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008.

A central de iluminação Lume é fabricada com um design slim e moderno. Utilizada para alimentação de luminárias e placas de saída com acendimento automático na falta de alimentação de energia elétrica da rede. É equipada com uma interface de fácil manuseio de sinalização através de LED’s e processamento inteligente que aperfeiçoa a vida útil da bateria.


56

(A)

(B)

(C)

Figura 32 – Exemplos de luminárias de emergência Lume Fonte: ENGESUL. Gerando soluções em segurança. Santa Catarina. [s.d.]. Disponível em: <http://www.engesul.com>. Acesso em: 22 fev. 2013.

As Luminárias Ilume são ideais para aplicação em hotéis, restaurantes, clubes, lojas, residências, hall de entrada, áreas administrativas, ou em locais que necessitem da tecnologia e design que o produto oferece. De fácil instalação e disponível na tecnologia a LED, o que permite alto desempenho de iluminação associado com um baixo consumo de energia, baixa emissão de calor e alta durabilidade. O acendimento acontece através da alimentação feita pela central de iluminação de emergência.

(A)

(B)

(C)

Figura 33 – Exemplos de luminárias de emergência Ilume Fonte: ENGESUL. Gerando soluções em segurança. Santa Catarina. [s.d.]. Disponível em: <http://www.engesul.com>. Acesso em: 22 fev. 2013.

A iluminação de emergência se apresenta importante na ação de proporcionar uma saída rápida e segura, iluminando obstáculos e evitando a queda de pessoas.


57

2.6

SISTEMA DE EXTINÇÃO

Os extintores são obrigatórios e devem ser checados uma vez por ano. Quem calcula a quantidade do dispositivo e onde ele deve ser instalado é o especialista técnico. Segundo as normas do Inmetro, existem três tipos de fogo: o fogo gerado por combustíveis líquidos, por líquidos inflamáveis e por equipamentos elétricos. O Código Estadual do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo de 2009, em sua NT 12 (incisos de 1 a 1.5) (ESPIRITO SANTO, 2009, p. 13), dispõe: [...] 1 Os fogos, de acordo com o material combustível, são classificados em: 1.1 Fogos de classe A: São os que ocorrem em materiais combustíveis sólidos comuns, tais como madeiras, papéis, tecidos, borrachas, plásticos termoestáveis, etc. Esses materiais queimam em superfície e em profundidade, deixando resíduos após a combustão, como brasas e cinzas. A extinção se dá por resfriamento, principalmente pela ação da água, que é o mais efetivo agente extintor, e por abafamento, como ação secundária. 1.2 Fogos de classe B: São os que ocorrem em líquidos combustíveis e em gases inflamáveis, tais como gasolina, álcool, óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP), gás natural, acetileno. A combustão desses materiais se caracteriza por não deixarem resíduos. A extinção se dá por abafamento, pela quebra da cadeia de reação química e/ou pela retirada do material combustível. Os agentes extintores podem ser produtos químicos secos, líquidos vaporizantes, gases, água nebulizada e a espuma mecânica, que é o melhor agente extintor. 1.3 Fogos de classe C: São os que ocorrem em equipamentos e instalações elétricas energizadas. Deve ser usado um agente extintor não condutor de eletricidade. São usados o pó químico seco, líquidos vaporizantes e gases, principalmente estes. 1.4 Fogos de classe D: São os que ocorrem em metais combustíveis, chamados de pirofóricos, como magnésio, titânio, zircônio, sódio, potássio, lítio, alumínio. Esses metais queimam mais rapidamente, reagem com o oxigênio atmosférico, atingindo temperaturas mais altas que outros materiais combustíveis. O combate exige equipamentos, técnicas e agentes extintores especiais para cada tipo de metal combustível, que formam uma capa protetora isolando o metal combustível do ar atmosférico. 1.5 Fogos de classe K: São os que ocorrem em óleos vegetais, óleos animais ou gorduras, graxas, etc., muitos desses são usados, por exemplo, em cozinhas comerciais e industriais. O combate ao fogo exige agentes


58

extintores que proporcionem ótima cobertura em forma de lençol de abafamento. São usados pós-químicos secos e líquidos especiais. [...] Tabela 9 - Substâncias dos extintores de acordo com a natureza do fogo

Fonte:

CBMES.

NT

12:

extintores

de

incêndio.

Espírito

Santo,

2009.

Disponível

em:

<http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 13 fev. 2013.

Existem diversos tipos de extintores, indicado para um tipo de incêndio, são eles:  Extintor de Água Pressurizada: indicado para incêndios de classe A (madeira, papel, tecido, materiais sólidos em geral).  Extintor de Gás Carbônico: Indicado para incêndios de classe C (equipamento elétrico energizado), por não ser condutor de eletricidade. Não é aconselhável sua utilização em fogos de classe B.  Extintor de Pó Químico- BC: Indicado para incêndios de classe B (líquidos e gases inflamáveis) e C (equipamento elétrico energizado).  Extintor de Pó Químico ABC: Indicado para qualquer classe de incêndio, pois extinguem princípios de incêndio em materiais sólidos, em líquidos inflamáveis e gases. Também controlam incêndios em que haja a presença da corrente elétrica, sem transmiti-la.  Extintor de Espuma Mecânica: indicado para as classes de incêndio do tipo A (madeira, papel, tecido, materiais sólidos em geral) e do tipo B (incêndios em superfícies e que não deixam resíduos, como álcool, gasolina, etc.).


59

(A)

(B)

(C)

(D)

(E)

Figura 34 – Classes de fogo de acordo com o material combustível Fonte: KIDDE. KIDDE. São Paulo, 2012. Disponível em: <http://www.kidde.com.br>. Acesso em: 24 fev. 2013.

(B)

(A)

(D)

(E)

(C)

(F)

Figura 35 – Exemplos de extintores Fonte: EMERGÊNCIA. Treinamentos e Assessoria. São Paulo. [s.d.]. Disponível em: <http://emergenciatreinamentos.com.br>. Acesso em: 23 fev. 2013.

Os extintores são compostos por uma válvula, que é a alavanca de disparo de emergência, e um pino anelado de segurança, que é o elemento que trava o sistema. Para descarregar o conjunto de cilindro manualmente, o pino anelado é


60

removido e a alavanca de disparo de emergência é puxada. Isso força o pino de atuação a afundar a válvula, fazendo a pressão acima da válvula a ser aliviada.

(B)

(A)

(D)

(C)

Figura 36 - Abrigo para extintores Fonte:

CBMES.

NT

12:

extintores

de

incêndio.

Espírito

Santo,

2009.

Disponível

em:

<http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 13 fev. 2013.

3. CORRELATOS DE BOATES A metodologia da pesquisa foi baseada em estudos de casos, onde em um primeiro momento consiste na absorção e compreensão do assunto abordado, para o embasamento teórico que reflete sobre as questões de incêndio, sendo que em um segundo momento os estudos foram também focados para a estética dos estabelecimentos da classificação escolhida. De forma a concretizar alguns dos aspectos que foram referidos anteriormente, apresentam-se seguidamente alguns dos correlatos mais graves de incêndios em boates a nível mundial, e outros mais frequentados associados à estética. Esta análise vai permitir, em conjunto com outros dados, chegar à conclusão dos fatores que normalmente estão associados ao surgimento destes acidentes, sem comprometer o cenário das mesmas. É seguida uma ordem cronológica de incêndios mais trágicos, não por qualquer razão em especial, mas porque talvez seja essa a forma de se compreender melhor a evolução, em termos globais, das características dos incêndios.


61

2.1

COCOANUT GROVE, MASSACHUSETTS – BOSTON

Em 28 de novembro de 1942, o clube Cocoanut Grove foi o cenário do pior incêndio de boate na história dos EUA, matando e ferindo centenas de pessoas. A enorme tragédia chocou a nação, com isso levou a uma reforma das normas de segurança e códigos de todo o país, e grandes mudanças no tratamento e reabilitação de vítimas de queimaduras.

Figura 37 – O antigo clube Cocoanut Grove, atualmente reservado para estacionamento Fonte: BOSTON FIRE HISTORICAL SOCIETY. Fire Story. Boston, 1942. Disponível em: <http://bostonfirehistory.org>. Acesso em: 01 mar. 2013.

Este estabelecimento era dos mais populares em Boston na altura do acidente, funcionava como discoteca no piso situado ao nível do plano de referência e oferecia um ambiente mais calmo e acolhedor no nível inferior. Nesse piso funcionava também uma cozinha e um armazém de bebidas. O clube oferecia a seus clientes uma decoração típica como "paraíso tropical", as paredes estavam decoradas com tecidos e diversos tipos de materiais, nomeadamente pele e pano. As divisórias originais do edifício, construídas em Betão, estavam tapadas por paredes e tetos falsos, de forma a não ser visíveis, com palmeiras artificiais, decoradas com iluminação elétrica, e um telhado que podia ser revertido no verão para dançar sob as estrelas. O antigo proprietário Charles Salomão, também conhecido como "Boston Charlie", trancou as saídas, escondendo com cortinas, e até mesmo emparedou uma saída de emergência para evitar que os clientes saíssem sem pagar.


62

Nos meses que antecederam o incêndio foi adicionada uma nova área, onde se serviam coquetéis, num edifício adjacente, permitindo aumentar o espaço da discoteca. A discoteca principal tinha uma área de 334,90 m², o novo espaço adicionado tinha área de 148,80 m² e o espaço inferior 179,80 m². O acesso à discoteca principal era feito por uma única entrada, através de uma porta giratória que dava acesso a um hall de recepção. O acesso ao espaço inferior era feito a partir do hall de entrada, através de uma escadaria única (ver figura abaixo). Acesso Principal (Hall)

Porta Giratória

Acesso ao 1º Pav. (Func.)

Saídas Bloqueadas

(A)

Acesso Vestiários

Acesso ao 1º Pav.

(B) Figura 38 – Plantas do clube: (A) Planta do pavimento térreo, (B) Planta do 1º pavimento Fonte: BOSTON FIRE HISTORICAL SOCIETY. Fire Story. Boston, 1942. Disponível em: <http://bostonfirehistory.org>. Acesso em: 01 mar. 2013.

Inexplicavelmente em apenas oito dias antes do acidente, uma inspeção dos bombeiros não encontrou decorações inflamáveis e declarou que as saídas, e meios


63

de extinção existentes eram suficientes. Este fato leva a concluir que ou a decoração foi alterada após a inspeção ou essa mesma inspeção não foi a mais correta. Relatórios oficiais afirmam que o fogo começou por volta de 22h15min no piso térreo. Acredita-se que um jovem, possivelmente um soldado, tinha retirado uma lâmpada, a fim de se dar privacidade ao beijar a sua namorada. Stanley Tomaszewski, um ajudante de garçom de 16 anos, foi instruído a colocar a lâmpada de volta, subiu em uma cadeira, e acendeu um fósforo para localizar o soquete que estava com dificuldade em encontrar, nisso ao tentar encaixar, a lâmpada caiu de sua mão, por descuido, esse fósforo pegou fogo à palmeira que, em segundos, estava completamente em chamas. No início, as pessoas foram se divertir com as palhaçadas dos garçons tentando apagar o fogo com água com gás. Apesar dos esforços dos garçons para apagar o fogo com água, que rapidamente se espalhou ao longo das folhas da palmeira, acendendo decorações nas paredes e teto. Chamas correram até a escada para o andar principal, queimando o cabelo de clientes. Dentro de cinco minutos, as chamas se espalharam, e estava toda a discoteca em chamas. Como as pessoas correram em busca de saídas, um empregado insistiu que ninguém saísse sem pagar a conta, outro fato que contribuiu para o número de vítimas.

(A)

(B)

(C)

(D)

(E)

(F)


64

Figura 39 – Fotos antes e após o incêndio no clube Cocoanut Grove Fonte: COCOANUT GROVE. Fire. Boston, 1942. Disponível em: <http://www.flickr.com>. Acesso em: 02 mar. 2013.

Alguns corpos foram carbonizados de forma irreconhecível, mas muitas pessoas inalaram fumaça e escorregou para o chão e morreu intocado pelas chamas. Não havia outro meio de saída, o espaço destinado aos cocktails, apesar de comunicar pelo interior como espaço principal, tinha entrada própria através de uma rua lateral ao edifício. Antes da porta de saída do espaço havia outra porta, que abria para o interior. A separar estas duas portas havia um pequeno espaço de comunicação. Todas as restantes portas que davam acesso ao exterior e podiam servir como via de fuga estava ou trancadas ou tapadas, de tal forma que era impossível saber se existia nomeadamente uma porta que viria a ser utilizada como escapatória e que se situava na parede oposta à da entrada principal, junto ao palco. Muitos clientes tentou sair pela entrada principal, da mesma forma que entrou, este fato levou ao atropelamento de inúmeras pessoas, o que causou logo com isso algumas vítimas. A entrada principal do edifício havia uma única porta giratória, inútil enquanto a multidão em pânico correu em busca de segurança, os corpos ficaram empilhados em ambos os lados da porta. Outros optaram pela saída através da porta anexa ao palco, permitindo que bastantes pessoas conseguisse sair antes que o fumo e os gases tóxicos impedissem tal fuga. No espaço novo, que foi o ultimo onde as pessoas perceberam o incêndio, rapidamente foi invadido por ocupantes em fuga, levando em conta que a respectiva saída também ficasse bloqueada. Os bombeiros testemunharam que, se as portas abrissem para fora, pelo menos 300 vidas poderiam ter sido poupadas. Quando a noite se aprofundou, a temperatura caiu, e a água nos paralelepípedos congelava. Caminhões de jornais foram apropriados como ambulâncias. Os corpos foram metralhados na água gelada, algumas vítimas haviam ingerido fumaça tão quente que, quando inalaram o ar frio, como o bombeiro informou, eles caíram como pedras. Mais tarde, durante a limpeza do prédio, os bombeiros encontraram vários convidados mortos sentados em seus lugares, com bebidas nas mãos. Eles haviam sido superados tão rapidamente pelo fogo e pela fumaça tóxica que eles não tiveram


65

tempo de se mover. Apenas três pessoas não tiveram problemas respiratórios, porque tinha respondido inteligentemente. Uma cobriu o rosto com um casaco, outra com um guardanapo seco, e um terceiro teve a presença de espírito para urinar em um guardanapo e colocá-lo em seu rosto. Relativamente a capacidades, após a adição do espaço para cocktails, o edifício estava limitado à presença de 500 pessoas no máximo. Estima-se que na noite do acidente haveria cerca de 1000 pessoas no interior do edifício.

Figura 40 – Placa incorporada na calçada em memória das mais de 490 vítimas Fonte: BOSTON FIRE HISTORICAL SOCIETY. Fire Story. Boston, 1942. Disponível em: <http://bostonfirehistory.org>. Acesso em: 01 mar. 2013.

Como resultado desta catástrofe, para além dos danos materiais, apurou-se um total de 492 mortos, levando que este acidente seja o mais mortal em território americano, em edifícios, com exceção do, 11 de Setembro. Cerca de 200 corpos foram encontrados amontoados junto à porta giratória, enquanto outros 100 ficaram presos na entrada do espaço de cocktails. As restantes vítimas encontravam-se dispersas pela restante área da discoteca.

2.2

Boate Kiss, Ilha de Santa Maria – Rio Grande do Sul

O incêndio na boate Kiss, aconteceu na madrugada de domingo dia 27 de janeiro de 2013, localizada no centro de Santa Maria no Rio Grande do Sul (ver figuras abaixo).


66

(A)

(D)

(B)

(C)

(E)

(F)

Figura 41 - Fotos antes e após o incêndio na boate Kiss Fonte:

GRUPO

RBS.

Zero

Hora.

Rio

Grande

do

Sul.

[s.d.].

Disponível

em:

<http://www.clicrbs.com.br/rs>. Acesso em: 03 mar. 2013.

Foi aberto um inquérito pelo Ministério Público em 2011 para apurar o vazamento de ruídos da boate Kiss, e que motivou a instalação do sistema antirruído, que pegou fogo, que até o momento do ocorrido sem conclusão devido à ausência de fiscalização. O material de isolamento acústico do prédio, feito de espuma, incendiou e a fumaça intoxicou as vítimas. Conforme os Bombeiros, as vítimas fatais morreram devido à inalação de fumaça tóxica. "A maior parte dessas pessoas morreu asfixiada. Elas entraram em pânico e acabaram pisoteando umas às outras", afirmou o comandante geral dos Bombeiros, coronel Guido de Melo. Pelo menos 101 das vítimas identificadas eram estudantes da Universidade Federal de Santa Maria, segundo informou a instituição. A cidade de Santa Maria abriga alunos de faculdades particulares e da UFSM, muitos de outros Estados. O incêndio começou por volta das 2h30, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que utilizou sinalizadores para uma espécie de show pirotécnico. Segundo relatos de testemunhas, faíscas de um equipamento conhecido como "Sputnik" atingiram a espuma do isolamento acústico, no teto da boate, dando início ao fogo, que se espalhou pelo estabelecimento em poucos minutos. O guitarrista da banda afirmou que o extintor de incêndio não funcionou. Segundo sobreviventes, os


67

seguranças, antes de perceberem o incêndio, teriam impedido os jovens de saírem sem pagar, atos estes que contribuíram para o número de vítimas.

Figura 42 – Perspectiva com informações gerais do ocorrido Fonte: ARACAJU VIRTUAL. Folha de São Paulo. São Paulo. [s.d.]. Disponível em: <http://www.aracajuvirtual.com.br>. Acesso em: 05 mar. 2013.

O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. O comandante do Corpo de Bombeiros da região central do Rio Grande do Sul, tenente-coronel Moisés da Silva Fuch, disse que o alvará de funcionamento da boate estava vencido desde agosto de 2012. O capitão da Brigada Militar, Edi Paulo Garcia disse que a maioria das vítimas tentou escapar pelo banheiro do estabelecimento e acabou morrendo. "Tirei mais de 180 pessoas dos banheiros. Eles estavam tentando fugir", disse. Muitas pessoas que conseguiram sair da boate.


68

No local, havia apenas uma porta, que funcionava como a única passagem de entrada e saída da boate (ver figura abaixo). Bombeiros e sobreviventes quebraram a fachada da casa noturna a marretadas para retirar as pessoas.

(A)

(B)

Figura 43 – (A) Planta da boate, (B) Planta esquemática da saída da boate Fonte:

DEFESA

CIVIL

NO

BRASIL.

Fatalidade.

Brasil,

2013.

Disponível

em:

<http://defesacivilnobrasil.blogspot.com.br>. Acesso em: 04 mar. 2013.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil. O número de mortos foi de 232 vítimas, sendo 120 homens e 112 mulheres, segundo o Batalhão de Operações Especiais. Além disso, 131 pessoas ficaram feridas. Um caminhão precisou realizar quatro viagens para retirar os corpos do local e levá-los até um ginásio. A boate Kiss, tinha capacidade para até 691 pessoas, recebeu no dia do incêndio entre 900 a 1.000 pessoas, de acordo com a polícia, outro motivo que auxiliou no sinistro.


69

Figura 44 – Homenagem incorporada na fachada da boate Kiss em memória das 232 vítimas Fonte: GNOTÍCIAS. Gnotícias. Brasil, 2013. Disponível em: <http://noticias.gospelmais.com.br>. Acesso em: 08 mar. 2013.

O governador Tarso Genro reagiu à tragédia na boate Kiss dizendo: “Quero garantir que o inquérito seja exemplar, que dele possam decorrer, a partir de iniciativas do Ministério Público, modificações legislativas nos planos federal, municipal e estadual, para que isso nunca mais aconteça”.

2.3

República Cromagñón, Buenos Aires – Argentina

A Casa Noturna República Cromagñón foi uma discoteca localizada na região de Once, na cidade de Buenos Aires, Argentina, tragicamente conhecida devido a um incêndio que ocorreu no dia 30 de dezembro de 2004, durante um show da banda de rock Callejeros. Este incêndio provocou uma das maiores tragédias não naturais da Argentina, causando a morte de 194 pessoas e ao menos 1432 feridos. A República era um estabelecimento onde eram realizados shows e eventos musicais. O lugar era administrado por Omar Chabán e havia sido inaugurado em 12 de abril de 2004 com um show da mesma banda. A propriedade onde se encontrava a discoteca República Cromañón não pertencia ao Chabán, mas sim uma empresa chamada Nueca Zarelux.


70

(A)

(B)

(C)

(D)

(E)

(F)

Figura 45 - Fotos após o incêndio na República Cromagñón Fonte: TARINGA. Wiroos. Buenos Aires, 2010. Disponível em: <http://www.taringa.net>. Acesso em: 06 mar. 2013.

O incêndio começou aproximadamente às 22h40min, depois que um dos espectadores do show acendeu um elemento de pirotecnia, cujo elemento entrou em contato com a decoração do teto, mais precisamente uma “meia sombra”, uma espécie de tela de plástico inflamável, que estava pendurada no estofado do teto, que era feito de placas de poliuretano. Apesar de todos os avisos por parte do dono da discoteca e dos elementos da banda para que as pessoas não utilizassem objetos pirotécnicos, tal recomendação não foi seguida. O fogo afetou a fiação elétrica e provocou um curto-circuito. Em questão de segundos, a escuridão absoluta domina o local e o pânico se instala. Ao entrar em combustão a “meia sombra” contaminou o ar com gases nocivos, intoxicando as pessoas do local. Para além da referida espuma, os revestimentos das paredes também contribuíram para o desenvolvimento do fogo. Materiais como madeira, espuma de isolamento sonoro, painéis acústicos e uma rede de plástico, vulgarmente conhecida como “media sombra”, a rede de cor verde, utilizada, por exemplo, nas coberturas de alguns estacionamentos, foram o combustível ideal para o incêndio. Ao perceber o incêndio os presentes no local começaram a evacuar. Para agravar a situação, as saídas de emergências apresentavam irregularidades, o que dificultou a evacuação. O local contava com uma entrada principal composta por dois portões e uma saída


71

de emergência localizada à direita da entrada principal. Ambas davam para um hall onde se encontravam as bilheterias e, desde ali, podia-se adentrar no salão principal, onde se encontrava o palco. No lado esquerdo do palco havia uma saída alternativa que ligava o salão com a saída do estacionamento de um hotel vizinho, o qual pertencia aos mesmos donos da Cromagñón. Entretanto, esta evacuação não se realizou de forma adequada por diversos motivos: a quantidade de pessoas que estavam dentro da discoteca era maior que a capacidade estipulada, quatro das seis saídas se encontrava fechada com cadeados e correntes, os gases tóxicos produzidos pelos materiais inflamáveis asfixiaram rapidamente as pessoas, e a queda de energia elétrica produzida pelo incêndio. A espuma do teto derretia em cima das pessoas, provocando-lhes queimaduras. Saídas Bloqueadas

Saídas Desbloqueadas

Origem do Incêndio

Figura 46 - Perspectiva com informações gerais do ocorrido Fonte: MERCEDES, Maria. Caso Cromagnon. Buenos Aires, 2013. <http://asesoramientoconsorcios.blogspot.com>. Acesso em: 07 mar. 2013.

Disponível

em:

O uso de pirotecnia já havia causado focos de incêndio no local. No dia 1º de maio de 2004, durante um show um princípio de incêndio causou a evacuação de todos os espectadores e foi extinto pela equipe de segurança. Em 25 de dezembro, poucos dias antes da tragédia, produziu-se outro foco de incêndio no show que também foi apagado. Investigações policiais e judiciais revelaram que a discoteca


72

República Cromagñón tinha o certificado de bombeiros vencido desde novembro de 2004. Um caso bastante parecido ao anterior, uma vez que também ocorreu devido à pirotecnia utilizada no interior da discoteca. O grupo de rock teria o hábito de usar pirotecnia em seus shows, o que não teria feito naquela noite, sugerindo que a iniciativa poderia ter partido do público. O local se encontrava autorizado para ditos espetáculos com uma capacidade de até 1.031 pessoas, entretanto a estimativa de público era bem maior que o permitido. Na sentença judicial acredita-se que entraram ao menos 4.500 pessoas, já que havia sido vendido as 3.500 entradas disponíveis e calcula-se que cerca de 1.000 pessoas entraram sem ingressos. As investigações constataram que o dono da discoteca havia autorizado à venda de um volume de ingressos três vezes superior ao que permitia o espaço físico. Também por ordem de Chabán, as portas de emergência foram fechadas “para evitar a entrada de penetras” e a saída de espectadores sem o devido pagamento necessário. Além da superlotação, a única porta de emergência que continuava iluminada em meio à escuridão estava trancada. Para piorar a situação, os quatro exaustores, de ar apresentavam problemas. Segundo os peritos, dois deles haviam sido retirados há muito tempo, e seus orifícios estavam tapados, os outros dois haviam deixado de funcionar devido à falta de energia elétrica provocada pelos curtos-circuitos. Sem nenhum tipo de ventilação, a fumaça altamente tóxica proveniente do isolamento acústico do teto rapidamente sufocou o público. Depois da tragédia, a fachada do que um dia foi à República Cromagñón se transformou em uma espécie de santuário em homenagem às vítimas. Suas paredes estão repletas de fotografias, mensagens e recordações das muitas pessoas que morreram ali.


73

Figura 47 – Homenagens em memória das 194 vítimas Fonte: TARINGA. Wiroos. Buenos Aires, 2010. Disponível em: <http://www.taringa.net>. Acesso em: 06 mar. 2013.

Após o sinistro ocorrido foi estabelecida uma intensa fiscalização municipal, e com isso dezenas de discotecas desapareceram. As que sobreviveram tiveram de sujeitar-se a rígidas normas de prevenção de incêndios. Campeões da ganância desembolsaram fortunas na compra de requintados equipamentos exigidos pela legislação modernizada. As medidas incluíram mais sinalização interna das discotecas indicando a saída de emergência, menos tolerância ao limite de público autorizado para cada local e a colocação de cartazes indicando a quantidade permitida de pessoas no recinto.

2.4

A PROBLEMÁTICA DOS INCÊNDIOS EM BOATES

O comportamento dos incêndios em casas noturnas tem sido muito variável ao longo dos tempos, com isso, após análise das diferentes situações apresentadas chega-se à conclusão bastante óbvia de que as deficiências observadas na SCIE são bastante similares, independentemente do local onde aconteçam os acidentes. De forma a tentar sintetizar as principais falhas que normalmente estão associadas a este tipo de catástrofes apresenta-se seguidamente uma lista de aspectos que caracterizam a maior parte dos incêndios em casas noturnas. Essas características agrupam-se em 4 pontos distintos:  Proteção ativa:  Deficiências na proteção contra o incêndio (extintores, sprinklers, hidrantes, procedimentos de emergência, iluminação de emergência, etc.);  Sistemas de ventilação e desenfumagem ineficazes;  Segurança Passiva:  Utilização indevida de materiais inflamáveis nos revestimentos;  Corredores e caminhos de evacuação e circulação obstruídos;  Saídas e portas de emergência inacessíveis ou inutilizáveis;  Utilização indevida de espaços claramente inadequados para a instalação de casas noturnas;


74  Excessos de lotação;  Falhas graves nos processos de legalização e fiscalização de projetos e edifícios,

repartidas

pelas

diversas

entidades

envolvidas

(câmaras,

corporações de bombeiros, proprietários, etc.). É de salientar outro aspecto, mas que está mais relacionado como comportamento humano do que com a SCI propriamente dita, que se prende com o fato de só após acontecer um acidente deste tipo as pessoas se questionarem acerca do porquê de tal suceder. A partir desse momento é comum entrar-se numa troca de acusações entre as diversas entidades, o que dá origem a conflitos que têm tendência a arrastar-se no tempo. Estes conflitos raramente levam a grandes conclusões e seriam facilmente evitados se adotasse, desde o início do processo de implantação de uma discoteca, uma atitude preventiva e de comunicação entre as partes envolvidas. Se houvesse uma maior coordenação entre os diversos intervenientes e uma maior focalização na segurança daqueles que realmente são mais afetados por este tipo de acidentes e com certeza todos os aspectos relacionados com a SCI sairiam beneficiados, inclusive o relativo à atribuição e clarificação de responsabilidades. Muita dessas falhas de incêndio, provavelmente teria sido evitado se houvessem sido realizado um Projeto de Segurança contra Incêndio, por profissional habilitado e com formação especifica e seguido os registros em projeto, além da manutenção dos equipamentos.

2.5

SOLUÇÕES ESTÉTICAS

Os correlatos visando soluções estéticas que serão apresentados a seguir, também destacam pontos e características pertinentes ao projeto que será desenvolvido. Cada correlato corresponde a um determinado principio e juntos agregam valores conceituando e auxiliando na criação do projeto e na elaboração da pesquisa. Tais correlatos estarão dispostos nos seguintes aspectos: Contextualização, funcionalidade e estética, na qual serão analisados de acordo com tal metodologia. Todos os correlatos apresentados neste item estão respectivamente também relacionados ao tema.


75

O primeiro a ser apresentando é o que mais influenciou no desenvolvimento da pesquisa, tanto pela simplicidade da forma quanto pela complexidade do fluxo, o segundo apresenta uma volumetria mais intrigante e instigadora na disposição interna, sendo, o que mais se aproxima do projeto que será desenvolvido, e por fim, o terceiro é notório pela utilização de materiais e métodos, principalmente o da luminotécnica.

2.6

Roxy Club, Belo Horizonte – Minas Gerais

A Roxy está localizada no bairro Savassi, região de intensa atividade noturna, na cidade de Belo Horizonte em Minas Gerais. Roberto Jácome é o sócio proprietário junto com seu irmão Robert Marent. O projeto teve início em 2006 e sua obra foi concluída em 2007. O Arquiteto é o Fred Mafra e a designer Dinah Verleun. A principal ideia é de surpreender e seduzir o público, além de oferecer comodidade, flexibilidade e tecnologia (MELENDEZ, 2008). A composição do edifício, para a fachada, é de uma solução minimalista, configuração que busca amenizar o caos urbano do entorno, tendo em vista a agitação do local. Constituída por uma face definida por um pano de vidro laminado, recoberto por película branca, trabalhando o jogo de luzes criando um diferencial principalmente à noite (ver figura A), conta também com uma rampa que visa facilitar o acesso para os portadores de necessidades especiais (MELENDEZ, 2008) (ver figura C). Inaugurada em maio de 2007, a Roxy rapidamente se tornou um dos locais mais badalados da noite mineira.

(A)

(B)

Figura 48 – (A) e (B) Fachada de caráter minimalista, (C) rampa que facilita o acesso.

(C)


76

Fonte: ARCO. Arco Web. Brasil, 2008. Disponível em: <http://www.arcoweb.com.br>. Acesso em: 09 mar. 2013.

Após percorrer a rampa de acesso, a qual ingressa a um pequeno jardim com três palmeiras que direciona o percurso (ver figura A), em seguida um túnel formado por uma sequencia de anéis desiguais (ver figura B), chamado pelo autor de check-in, direciona o usuário ao centro da danceteria, local onde se tem uma visão simultânea do lounge e do hall, na lateral oposta, a sequência de anéis do check-out traz os frequentadores de volta à realidade (ver figura C).

(C)

(B)

(A)

Figura 49 – (A) Pequeno jardim, (B) Túnel do check-in e (C) Túnel do check-out. Fonte: ARCO. Arco Web. Brasil, 2008. Disponível em: <http://www.arcoweb.com.br>. Acesso em: 09 mar. 2013.

A Luminotécnico reconhece o Arquiteto do projeto, é a base estrutural de todo este edifício, pois permite a modificação dos espaços e proporcionam percepções mais sutis (MELENDEZ, 2008) (ver figuras A, B e C). O hall central, como área de convivência e circulação entre os ambientes, possui um bar com 12 metros de comprimento, revestido em aço espelhado, com seus pilares revestidos por cúpulas que mudam simultaneamente de cor. (ver figuras D, E e F).

(A)

(B)

(C)


77

(D)

(F)

(E)

Figura 50 - (A), (B) e (C) A iluminação cênica com sistema de automatização, (D), (E) e (F) Pilares revestidos por cúpulas. Fonte: ARCO. Arco Web. Brasil, 2008. Disponível em: <http://www.arcoweb.com.br>. Acesso em: 09 mar. 2013.

O piso superior do clube, considerado espaço privado, abriga o Vip Lounge. “Como seu programa arquitetônico é completo, o ambiente pode funcionar separadamente do pavimento inferior, com entrada independente”, explica Mafra. Aqui também há uma mescla de elementos, porém em cores vivas e quentes, como vermelho, laranja, roxo e lilás. O Vip Lounge possui uma pista de dança, que tem capacidade para 200 pessoas, sua iluminação é programada, com 200 pontos de luzes, que proporcionam diferentes combinações de cores, transformando o espaço e tornando-o cênico. (ver figuras A e B). Os assentos são embutidos nas paredes com curvas, que remetem à estética dos anos 1970 (ver figuras C e D).

(A)

(B)


78

(C)

(D)

Figura 51 – (A) e (B) Pista de dança com iluminação automatizada, (C) e (D) Espaço de descanso. Fonte: ARCO. Arco Web. Brasil, 2008. Disponível em: <http://www.arcoweb.com.br>. Acesso em: 09 mar. 2013.

O terreno possui uma área de 600,00 m² sendo que a área total construída é de 955,00 m², assim ocupando todo o terreno, e germinado em suas laterais, tornando seus acessos, social e de serviço, pela via principal. A Roxy tem capacidade estimada para 1000 pessoas, que se divide em dois pavimentos: térreo e superior, com plantas regulares. Para melhor entendimento sobre a distribuição dos espaços, segue a planta baixa do pavimento térreo e superior, locando os principais ambientes da casa e setorizando seus serviços.

(A)


79

(B)

Figura 52 – (A) Planta do pavimento térreo, (B) Planta do 1º pavimento. Fonte: ARCO. Arco Web. Brasil, 2008. Disponível em: <http://www.arcoweb.com.br>. Acesso em: 09 mar. 2013. Administrativo Social Serviço

Entre os banheiros sociais possui um lounge, que foi inspirado pela a nostalgia da década de 1970. Tornando-o mais uma opção de convívio e descanso (ver figuras A e B). A Pista de dança localizada próximo aos fundos da edificação possui um palco, com 6 metros de largura, para apresentações e shows, que a sua frente, se localiza a cabine do DJ, que simbolicamente é o coração da boate (ver figura C).

(A)

(B)

Figura 53- (A) e (B) Lounge dos banheiros sociais, (C) Pista de dança e cabine do DJ.

(C)


80

Fonte: ARCO. Arco Web. Brasil, 2008. Disponível em: <http://www.arcoweb.com.br>. Acesso em: 09 mar. 2013.

2.7

210 North, Reno – Estados Unidos

210 North é uma ideia de parceria entre os proprietários Rob Stone e Jill Gianoli. O clube é considerado um dos mais luxuosos em Reno nos Estados Unidos (ver figuras abaixo). Anos de planejamentos têm sido derramados em projetos artísticos e criativos.

(B)

(A)

(C)

Figura 54 – (A) Fachada do clube 210 North, (B) e (C) Cobertura para maior conforto. Fonte: GOOGLE. Maps. Mundial, 2013. Disponível em: <http://maps.google.com.br>. Acesso em: 10 mar. 2013.

O escopo do projeto consiste em três etapas. A primeira foi no propósito do bem estar dos frequentadores ao clube, com uma entrada coberta, decoração com diferentes ornamentos no interior e lustres com luz brilhante para complementar parte da decoração. O clube apresenta mobiliário moderno europeu confeccionado com tecidos exuberantes e brilhantes (ver figuras abaixo).

(A)


81

(B)

(C)

(D)

Figura 55 – Lustres com luz brilhante, decoração exuberante e mobiliário moderno. Fonte: VAZQUEZ, Oscar. Drink & Food Spaces. Barcelona: Monsa, 2007.

A casa possui uma área Vip com camas (ver figuras A e B) e entrada privada, e, claro, dois bares com serviço completo para garantir um bom atendimento aos seus clientes (ver figuras C e D). O nicho da área Vip de camas é sofisticado por natureza, essencialmente direcionado para jovens profissionais e todos que têm ansiosamente aguardado o lugar perfeito para desfrutar de uma noite especial. A 210 North clube oferece algo para cada faixa etária. A decoração é luxuosa e opulenta e certamente irá satisfazer o mais rico de sabores, possuindo serviço e qualidade para os frequentadores.

(A)

(B)


82

(C)

(D)

Figura 56 – (A) e (B) Área Vip com camas, (C) e (D) Bares. Fonte: VAZQUEZ, Oscar. Drink & Food Spaces. Barcelona: Monsa, 2007.

A segunda etapa, e a Divindade do salão, a 210 Norte é uma joia visualmente deslumbrante de projeto. As cortinas são banhadas em cromo brilhante (ver figura A), com um lustre magnífico composto por 5.000 peças de vidro soprado, pelo renomado artista, Eva Menz (ver figuras B, C, D e E), namoradeiras de veludo exuberante (ver figura F) e um bar em mármore branco que toma o centro do palco. Estes elementos fazem deste salão o refúgio perfeito para jogar em 15 máquinas multiconfessional que o estabelecimento oferece, ou para relaxar, curtir e desfrutar os sentidos, o objetivo do clube é fornecer um ambiente de luxo.

(A)

(D)

(B)

(E)

(C)

(F)

Figura 57 – (A) Cortina em cromo brilhante, (B), (C), (D) e (E) Lustre magnifico e (F) Namoradeira.


83

Fonte: VAZQUEZ, Oscar. Drink & Food Spaces. Barcelona: Monsa, 2007.

O clube 210 North não é apenas uma mancha vermelha no bairro, mas sim um local pensado nos mínimos detalhes como a elegância, conforto e segurança, até mesmo na segurança pública.

(A)

(B)

(C)

(D)

Figura 58 – Lustres sofisticados, com iluminação de diferentes cores. Fonte: VAZQUEZ, Oscar. Drink & Food Spaces. Barcelona: Monsa, 2007.

O clube North possui uma área com 17.500 m², uma amplitude bem elaborada com um design apelativo comparado com outros clubes, uma pista de dança com 900,00 m² para o maior conforto dos frequentadores, incluindo três bares, cabine de DJ, com uma área Vip impecável. A 210 North foi composta para atrair usuários de todos os lugares, não apenas de Reno, por isso a amplitude do projeto. Para melhor entendimento sobre a distribuição dos espaços, segue a planta baixa do clube, locando os principais ambientes da casa e setorizando seus serviços.


84

Administrativo Social Serviço Figura 59 – Planta baixa e setorização dos ambientes. Fonte: VAZQUEZ, Oscar. Drink & Food Spaces. Barcelona: Monsa, 2007.

O clube possui um código de vestimenta exigindo a segurança que inclui seis zonas com detector de metais à mão, como backup. E sem contar que o projeto do clube incluiu uma revitalização na iluminação das áreas próximas devido à preocupação com a segurança aos seus frequentadores, e sua proposta de segurança seria suficiente, mesmo estando localizada em alguns dos bairros mais questionáveis de Los Angeles.


85

2.8

Pacha Ibiza, Búzios – Rio de Janeiro

Em 1967, surgia na praia de Sitges, em Barcelona, na Espanha, um nightclub que mudaria o conceito de diversão noturna. Era a primeira Pacha. Ela nasceu da idéia do catalão Ricardo Urgell em fazer um club, mas não como os que se viam normalmente, nada de ser uma casa de festas. Seria algo que nunca se havia visto. Durante as décadas de 70 e 80, a Pacha foi ponto de encontro de ricos e famosos, mas foi quando o nightclub se mudou para a Ilha de Ibiza, a meca da música eletrônica, e a casa se tornou um dos nightclubs mais conhecidos do planeta. Há 40 anos a casa conserva intacta sua liderança do meio por conter o melhor lineup artístico, as festas mais comentadas e os personagens mais famosos. Hoje, o grupo Pacha possui 20 estabelecimentos em funcionamento no mundo todo.

Figura 60 – Primeira Pacha a ser construída. Fonte:

PACHABÚZIOS.

Ibiza

1973.

Rio

de

Janeiro,

2012.

Disponível

em:

<http://www.pachabuzios.com>. Acesso em: 11 mar. 2013.

Em Búzios no Rio de Janeiro foi inaugurado a Pacha em março de 2008 (ver figuras A e B). É a única boate do mundo com sua pista de dança localizada de frente para a praia abaixo do nível do mar em 1m de vidro e pende sobre o mar para 30m (ver figuras C e D).


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(B)

(A)

(C)

(D)

Figura 61 – (A) e (B) Pacha em Búzio, (C) e (D) Única boate abaixo do nível do mar. Fonte:

PACHABÚZIOS.

Ibiza

1973.

Rio

de

Janeiro,

2012.

Disponível

em:

<http://www.pachabuzios.com>. Acesso em: 11 mar. 2013.

São 1,250 m² divididos em dois ambientes o Sweet Pachá, um lounge localizado na parte superior da casa e o Club Pachá na parte inferior onde estão a pista de dança e 15 camarotes. O lounge, localizado na parte superior do Club, com temakeria e área de fumantes externa. Para melhor entendimento sobre a distribuição dos espaços, segue a planta baixa do clube locando os principais ambientes da casa e setorizando seus serviços.


87

Administrativo Social Serviço Figura 62 – Planta Baixa e setorização dos ambientes. Fonte:

PACHABÚZIOS.

Ibiza

1973.

Rio

de

<http://www.pachabuzios.com>. Acesso em: 11 mar. 2013.

Janeiro,

2012.

Disponível

em:


88 Ocupando uma área “underground” o principal desafio do projeto foi o desenvolvimento das enormes “janelas acústicas”, que ocuparam toda a parede lateral, frente para a praia e que deveriam ter o mesmo isolamento das paredes acústicas. Pacha Búzios tem capacidade para até 1.200 pessoas e está mais do que um reflexo da Pacha Ibiza. Fácil acesso de tranaporte para todas as classes sociais: Aeroporto (26 km), estação marítima/ fluvial (3 km), ponto de ônibus (3 km), ponto de táxi (4 km) e rodoviária (6 km).

(A)

(B)

(C) Figura 63 – (A) Bar, (B) Recepção e (C) Pista de dança e cabine de DJ. Fonte:

PACHABÚZIOS.

Ibiza

1973.

Rio

de

Janeiro,

2012.

Disponível

em:

<http://www.pachabuzios.com>. Acesso em: 11 mar. 2013.

O clube possui nas suas repartições: Área Vip separada, bar/ lanchonete, camarotes, chapelaria, circuito interno de TV, detector de metais, equipamentos para efeitos, globos espelhados, luz negra, monitores de palco, palco para shows, pista alternativa e pista eletrônica.


89

(B)

(A)

(C)

(D)

(E)

(F)

Figura 64 – Fotos da Pacha em Búzios no Rio de Janeiro. Fonte:

PACHABÚZIOS.

Ibiza

1973.

Rio

de

Janeiro,

2012.

Disponível

em:

<http://www.pachabuzios.com>. Acesso em: 11 mar. 2013.

4.

ANÁLISE DO LOCAL

Como o projeto será desenvolvido em uma área destinada de preservação permanente, o mesmo deverá atender todas as normativas previstas nas Leis Municipais e nas Normas dos Bombeiros, bem como adequar-se a topografia local promovendo parâmetros de acessibilidade a todos.


90

4.1

LOCALIZAÇÃO

O Projeto será desenvolvido na Ilha da Fumaça, uma ilha situada na Baía de Vitória que se localiza na costa Atlântica da América do Sul, no Brasil. Faz parte do território do Estado do Espírito Santo, abrigando sua capital, Vitória (ver figura A). É uma baía do tipo fechada, extremamente abrigada. Em seu interior, a Baía de Vitória abriga diversas ilhas, entre elas a de maior interesse neste trabalho, a Ilha da Fumaça (ver figura B) (Decreto 4167/94) (ver figura C). Muitas de suas ilhas originais perderam a característica de individualidade, tendo sido incorporadas à ilha principal.

(A)

(B)

(C) Figura 65 – (A) Localização do Município de Vitória no Espirito Santo, (B) Ilha da Fumaça e (C) Decreto da Ilha.


91

Fonte: VITÓRIA. Prefeitura. Vitória. [s.d.]. Disponível em: <http://www.vitoria.es.gov.br>. Acesso em: 01 abr. 2013.

Inicialmente com o nome de Ilha da Boa esperança ou da Pouca Fumaça, é de propriedade da empresa Antenor Guimarães & Cia. Ltda. desde 1922, quando foi adquirida de Paulina Wetzel. A empresa Antenor Guimarães & Cia. Ltda. é empresa centenária, sendo sucessora de Guimarães & Silva. Nestes quase 120 anos de existência sempre foi parceira do desenvolvimento local, atuando diretamente ou apoiando a execução dos projetos do governo do Estado.

(A)

(B)

Figura 66 – Imagens aéreas da Ilha da Fumaça Fonte:

ANTENOR

GUIMARÃES.

Ilha

da

Fumaça.

Vitória.

[s.d.].

Disponível

em:

<http://www.ilhadafumaca.com.br>. Acesso em: 02 abr. 2013.

Na ocasião a ilha encontrava-se abandonada, cheia de mato, foi necessário muito investimento e trabalho para torná-la produtiva. Todos os investimentos eram decididos diretamente pelo empreendedor Antenor Guimarães. A empresa situa-se no mesmo local até os dias de hoje, exercendo ali suas atividades, sendo de propriedade da família Guimarães. A aquisição da Ilha da Fumaça foi viabilizada em função do bom momento econômico vivenciado pelo estado do Espírito Santo na década de 20, do século passado. Tal fato proporcionou muitos negócios para a empresa, principalmente no embarque de café. A visão de futuro do empreendedor Antenor Guimarães possibilitou agregação de novos negócios e ampliação dos existentes, mas esta aquisição só foi possível pela economia espartana empreendida na empresa, onde cada gasto era detalhado e discutido com todos, sempre buscando uma forma melhor, com o menor custo.


92

Aos poucos, com base nas sobras de caixa, a empresa foi adaptando a ilha aos seus negócios. Primeiro foi a energia elétrica, já em junho de 1922, que foi suprida com a compra de transformadores, postes e rede elétrica. No entanto, as primeiras obras de vulto foram à construção do armazém situado na parte posterior da Ilha, a construção do cais de atracação de frente para o canal, a carreira naval e os armazéns na parte frontal (ver figura A). Estas construções tinham o objetivo de adaptá-la ao principal negócio da empresa, logística marítima (ver figura B).

(B)

(A) Figura 67 – (A) Armazéns e (B) Logística marítima.

Fonte:

ANTENOR

GUIMARÃES.

Ilha

da

Fumaça.

Vitória.

[s.d.].

Disponível

em:

<http://www.ilhadafumaca.com.br>. Acesso em: 02 abr. 2013.

Na Ilha da Fumaça existia um armazém e um píer para embarque de café e sal que era utilizada na década de 20 como posto avançado de logística para o comércio, e uma Boate já funcionou no local. Hoje, possui residências e casas comerciais. Está ligada à Av. Beira Mar por uma porção de terra e sua área é de 5,74 hectares com uma vegetação razoável. Antenor enxergava na cidade várias necessidades da população e transformava estas necessidades em negócios, solucionando o problema existente. A cidade de Vitória

no

início

do

século

XX

não

possuía

porto.

Os

navios

ficavam ancorados na baía e as cargas e passageiros tinham que ser transportados por saveiros e lanchas. Esta necessidade consolidou a empresa Antenor Guimarães & Cia. Ltda. como precursora da logística marítima. O transporte das cargas e dos passageiros passou a ser feito pelas embarcações de Antenor Guimarães & Cia. Ltda. e as cargas eram armazenadas na Ilha da Fumaça. Com a cidade e com a


93

produção do café em alta na década de 20, a empresa foi crescendo e aumentado suas atividades e sua infraestrutura, o que viabilizou a aquisição da Ilha da Fumaça. Motivado com a crescente necessidade de transporte de passageiros foi adquirindo navios pequenos e lanchas. O material flutuante foi sempre aumentando. Na Ilha da Fumaça também possui um casario com casas enfileiradas, parede com parede (ver figuras abaixo). As casas da Ilha da fumaça compõem o cenário da área de mangue que ainda restou neste lado da ilha de Vitória. Cenário bucólico e estrategicamente largado dos cuidados que mereceria, o casario guarda lembranças dos tempos das residências conjuntas dos pescadores que sempre formam comunidades devido à natureza de suas atividades.

(A)

(B)

(C)

(D) Figura 68 - Casas enfileiradas e visão panorâmica da Ilha da Fumaça Fonte:

ANTENOR

GUIMARÃES.

Ilha

da

Fumaça.

Vitória.

[s.d.].

Disponível

em:

<http://www.ilhadafumaca.com.br>. Acesso em: 02 abr. 2013.

A Ilha também possui um espaço muito importante na área, muito utilizado pelo turismo, que são as belíssimas ruínas de casas antigas (ver figuras abaixo), espaço que todos querem guardar de recordações com fotos, até noivas utilizam o espaço para suas fotos externas, além da vista para Baía de Vitória.


94

(B)

(A)

(C)

(D)

(E)

(F) Figura 69 – Imagens da ruína Fonte: CHAGAS. Cities 360. Brasil. [s.d.]. Disponível em: <http://www.360cities.net>. Acesso em: 03 abr. 2013.

A casa noturna foi implantada em uma área que já serviu de boate no passado. Uma delas é a Smoke Island, que foi desativado há anos. A localização é privilegiada, Situa-se às margens da Avenida Beira Mar e é ligada a Ilha da Fumaça por uma ponte.


95

(A)

(C)

(B)

(D)

Figura 70 – Imagens do entorno da Ilha da Fumaça Fonte: CHAGAS. Cities 360. Brasil. [s.d.]. Disponível em: <http://www.360cities.net>. Acesso em: 03 abr. 2013.

4.2

IMPLANTAÇÃO

A Casa Noturna Plazier, esta localizado em uma área central da cidade de Vitória, na Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, que atendera a demanda de Shows de pequeno porte e eventos desta cidade e região. E como um todo esse projeto deverá atender as normativas dos bombeiros e às leis municipais, fazendo com que o impacto seja o mínimo possível para não agressão ao meio ambiente, mesmo sendo uma área de preservação ambiental, denominada como Zona Urbanística ZPA 3. (ver figura abaixo).


96

Figura 71 – Delimitação do Zoneamento Urbanístico Fonte: VITÓRIA. Prefeitura. Vitória. [s.d.]. Disponível em: <http://www.vitoria.es.gov.br>. Acesso em: 19 jul. 2013.

Através de pesquisas e observações notou-se que na Cidade de Vitória, existe uma área na Ilha da Fumaça que esta localizada em uma das avenidas mais movimentadas, lugar com paisagem agradável, poucas residências e comércios, com total infraestrutura e equipamentos públicos necessários, por já ter possuído uma estrutura como a mesma no passado, a Smoke Island. A escolha do local foi definida como: relevo, acessos, visuais, vizinhança, fluxo viário, vagas de estacionamento, equipamentos públicos e disponibilidade de área. O local possui uma topografia íngreme onde está situada a mata atlântica, em outra


97

parte da Ilha, onde será implantada a casa noturna, o relevo é considerado plano (ver figura abaixo).

Local de Implantação da nova Casa Noturna Plazier

Figura 72 – Planta de Topografia - Relevo Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora

A infraestrutura empregada e planejada no local tem um critério, que seu uso não afete a vizinhança, nem os recursos naturais, dando um conceito de sustentabilidade com o meio ambiente e vizinhança. O local possui visuais muito atraentes, como a mata atlântica do mesmo, além das visuais para o morro do penedo com vista para Baía de Vitória. O tipo de vegetação existente no local é de mata atlântica (ver figura abaixo).


98

Figura 73 – Vegetação do Município de Vitória - ES Fonte: VITÓRIA. Prefeitura. Vitória. [s.d.]. Disponível em: <http://www.vitoria.es.gov.br>. Acesso em: 16 ago. 2013.

A Ilha da Fumaça possui uma área total de 54.700,00 m² (ver figura abaixo), com certo relevo em declividade devido a mata atlântica, o projeto será elaborado em parte da Ilha onde a área é de 5.450,00 m².


99

Figura 74 – Área de Preservação Permanente Fonte: VITÓRIA. Prefeitura. Vitória. [s.d.]. Disponível em: <http://www.vitoria.es.gov.br>. Acesso em: 02 ago. 2013.

Como pré-requisitos para a escolha do terreno, foi elencado que o mesmo estivesse em um local de vazio urbano, localizado em uma zona adequada, com acesso facilitado e que não causasse grande impacto de vizinhança. O projeto se estrutura em linhas retas, que dão maior aproveitamento da área interna e externa do terreno, proporcionando maior fluxo de pessoas onde também foi criado um paisagismo atraente para o local (ver figura abaixo).


100

Figura 75 – Planta de Implantação Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora

Memorial de Cálculo para Vagas de Estacionamento: Dados:  1 vaga de estacionamento para cada 35m² de área construída  Área total construída da casa noturna: 2.261,13m² 2.261,13m² / 35 = 63,31 Vagas 2.261= Área total construída. 35m² = A cada 35m² de área construída.


101

O projeto possui 62 vagas de carro, 10 para motos, 07 exclusivas e 01 para portadores de necessidades especiais. O paisagismo gera espaços de maior qualidade visual, funcional e ambiental. No projeto da casa noturna a arquitetura de paisagem terá princípios estéticos, de humanização e funcionais, visando um ambiente externo à edificação com qualidade e integrado ao meio onde está inserido. O estudo paisagístico irá compor e exaltar o partido arquitetônico da obra conforme será mostrado em perspectivas. Os conhecimentos acadêmicos deverão definir o programa de necessidades, a localização da edificação de maneira que a mesma seja otimizada em relação a: paisagem, estacionamento, acesso de pessoas, conforto das mesmas e segurança contra incêndio, onde será o foco principal.

5. DIRETRIZES PROJETUAIS Pretende-se,

neste capítulo,

fazer uma aplicação

da informação contida nos

capítulos anteriores a um espaço onde funciona uma discoteca que, dadas as suas características, necessita que lhe seja. Construída uma saída de emergência alternativa (ver 5.4.1.1.), para que se cumpram os requisitos de segurança exigidos para o espaço. A ideia principal do projeto foi criar um espaço único, onde se pode desenvolver várias atividades num mesmo local, sem que as pessoas que frequentam este espaço se desloquem para diferentes locais, podendo dessa maneira se divertir num mesmo local, criando com isso um ambiente diferenciado das demais já existentes. Como por exemplo, um espaço integrado entre Bar e Casa Noturna. No decorrer deste assunto serão citados tópicos referentes às diretrizes projetuais, as quais visam nortear a elaboração do projeto e a conceituação adotada para execução do partido e da proposta. Como já referido no ponto anterior, as casas noturnas, e os espaços destinados à dança, inserem se na Ocupação/Uso F-6 – Local de Reunião de Público. Todas as edificações deve-se ter um Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio. Partindo deste princípio, o presente estudo tem como finalidade demonstrar os procedimentos para a projeção. Para a elaboração dos projetos foi utilizada a legislação em vigor, bem como as normas técnicas pertinentes a cada assunto.


102

Serão adotados, na edificação, os seguintes sistemas de segurança contra incêndio:  Sistemas de detecção automática de incêndio, no qual os aparelhos de detecção e alarme de incêndio deverão ser instalados nas edificações previstas na ABNT NBR 9.077, de acordo com a técnica ali descrita, levando se em conta que o uso de sistema de alarme no prédio, através de detectores automáticos. O sistema de detecção possui dupla ativação, de modo a reduzir a incidência de alarmes falsos. O sistema de detecção será conectado a um sistema de discagem telefônica automática, que alertará automaticamente o corpo de bombeiros o local na eventualidade de qualquer incidente.  Sistemas de exaustão de fumaça e calor. Para a retirada da fumaça e do calor conectado ao sistema de detecção contra incêndio. Um gerador de energia será instalado somente para os sistemas de exaustão de fumaça e calor.  A sinalização e iluminação de emergência é um conjunto visual que indica de forma rápida e eficiente a rota de saída de uma edificação e também a indicação de equipamentos de prevenção contra incêndio e proibição, atendendo a legislação local. A iluminação de emergência atua de forma conjunta com a sinalização, visto que auxilia os locais até a evacuação do local em caso de sinistro.  Para a desocupação segura de um grande número de pessoas com restrições por estarem ao 2º Pavimentos, foram adoradas 2 escadas externas para saída de fuga das mesmas, para não haver conflito e tumultuo em caso de incêndio ao chegar até o 1º Pavimento.  As saídas de emergência, isto é, a rota de fuga compreende os corredores dos pavimentos, a escada, bem como foi obedecida o que estabelece a NBR 9077/93, a respeito do dimensionamento das portas visto que as mesmas deverão abrir para o sentido de saída e as portas corta- fogo deverão ter no mínimo 0,80m, levando em conta o número de pessoas que irão transitar em caso de sinistro. Todos os estabelecimentos, mesmo os dotados de outros sistemas de combate a incêndios, deverão ser providos de extintores portáteis, a fim de combater o fogo em seu início. Os extintores deverão ser adequados à classe do incêndio que irão


103

extinguir. E de acordo com os materiais e equipamentos encontrados na edificação, optou-se pela projeção de extintores de Água Pressurizada e Gás Carbônico.

5.1

PLANTA BAIXA

O espaço físico oferece aos usuários momentos de inserção em uma realidade de diversão, onde os problemas são esquecidos e as relações sociais são fortalecidas, para isso obteve uma setorização onde todos estejam integrados de maneira confortável às diversas classes e grupos sociais que utilizarão os ambientes. A Casa Noturna Plazier está prevista com uma área total construída de 2.216,13m², dividido em dois pavimentos, sendo o térreo com 1.398,35m² e o 1º Pavimento com 856,60m² (ver figuras abaixo), com capacidade máxima para 1.050 pessoas, sendo 50 funcionários da casa noturna. Está previsto para seu interior:  Dois lobbys, sendo um de acesso principal ao térreo e outro no 1º Pavimento;  Bilheteria;  Dois caixas;  Guarda volume;  Área para revista: Feminino e masculino;  Jardim de inverno, com vegetação artificial;  Depósito de alimentos congelados;  Depósito de alimentos frescos;  Depósito de bebidas;  Quatro bares, sendo dois principais e dois de apoio;  Pista de dança para 570 pessoas;  Banheiros: Feminino, masculino e um para portadores de necessidades especiais;  Cozinha;  Áreas internas e externas;  Duas áreas para fumantes, sendo uma no Térreo e outra no 1º Pavimento;  Espaço de convívio com mesas e cadeiras;


104  Lounge para área Vip no 1º Pavimento, com mesas de sinuca;  Palco para DJ;  Palco para shows de pequeno porte;  Camarim;  Almoxarifado;  Sala de administração;  Sala para gerência;  Sala para contador;  Sala de reunião;  Sala de monitoramento de segurança;  Recepção (administrativo);  Depósito de material de limpeza;  Estacionamentos: 62 Vagas de carro, 10 vagas de moto, 07 vagas privativas e 01 vaga para portador de necessidades especiais;  Guarita;


105

Figura 76 – Planta Baixa do Térreo Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora

Figura 77 – Planta Baixa do 1º Pavimento Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora

As intenções do projeto é conceber espaços físicos, funcionais e seguros, adequados às atividades desenvolvidas em um ambiente de convívio noturno, visando o entretenimento.


106

5.1.1 Aglomerações Humanas Em locais de Reunião de Público, como as Casas Noturnas, é um ambiente onde reúne muitas pessoas, então, surge logo à estimativa do número de pessoas presentes. Quase sempre, quem promove o evento superestima o público presente, se não houver controle de bilheteria ou de portaria, vimos nos correlatos, onde aconteceram os sinistrados, que esse é um dos principais motivos onde ocorrem os incêndios em casas noturnas e acabam gerando perdas maiores.

Figura 78 – Aglomerações Humanas Fonte: TELMO, Ghiorzi. Aglomerações Humanas. Brasília, 2013. Disponível em: < http://ghiorzi.org/index.htm >. Acesso em: 09 ago. 2013.

A suspeita de números inflacionados fez-me mostrar o desenvolvimento da área ocupada por uma pessoa adulta, em formação semelhante à do desenho abaixo.


107

Figura 79 – Dimensões ocupada por uma pessoa adulta em fileira Fonte: TELMO, Ghiorzi. Aglomerações Humanas. Brasília, 2013. Disponível em: < http://ghiorzi.org/index.htm >. Acesso em: 16 ago. 2013.

Verifica-se que cada um ocupa 0,184m² (0,36m x 0,51m). Uma simples divisão da área (em m²) por 0,184 nos indicará o limite da ocupação em fileira. No extremo da compactação, como no desenho a seguir, cada um ocupa 0,070m² (0,18m x 0,39m). Uma simples divisão da área (em m²) por 0,070 nos indicará o limite da ocupação compacta.

Figura 80 – Dimensões ocupada por uma pessoa adulta em forma compacta Fonte: TELMO, Ghiorzi. Aglomerações Humanas. Brasília, 2013. Disponível em: < http://ghiorzi.org/index.htm >. Acesso em: 23 ago. 2013.

As concentrações são divididas em três categorias: pequena, média e grande. Por metro quadrado calculam-se três pessoas na concentração pequena; na média: seis; e na grande: nove pessoas. Multiplicando-se o número de pessoas por (m²) pela área útil ocupada, chegará ao número médio de pessoas presentes em um local de aglomerações humanas.

Eis a regra: N.P x A = N.T.P N.P = Número de pessoas por m²; A = Área ocupada em m²; N.T.P = Número total de pessoas. Memorial de Cálculo do Projeto:


108

Como vimos pela norma do Corpo de Bombeiros Militar Espírito Santo, em locais de reunião de público deve ser adotado 2 pessoas por m² para casas noturnas. Iremos adotar para a área ocupada, a pista de dança com 156,51m² e o entorno com 128,60m² (156,51m² + 128,60m² = 285,11m²). Dados: Número de pessoas por m² = 2; Área do local em m²= 285,11m² Solução: 2 x 285,11m² = 570. Na pista de dança o número máximo de pessoas que irá comportar em pé, será de 570.

5.2

PROJETO DE PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO

Memorial de Cálculo para o dimensionamento das saídas de emergência: Dados:  Área total construída da casa noturna: 2.261,13m²;  Capacidade Máxima: 1.050 pessoas (sendo 50 funcionários);  Classificação das edificações quanto à sua ocupação: F Locais de Reunião de Público, F-6 Clubes Sociais; (ver tabela abaixo).  Classificação das edificações quanto ás suas características construtivas: Y Edificações com mediana resistência ao fogo; (ver tabela abaixo).  Classificação das edificações quanto à Altura: Altura da edificação = 9,20m Classificação: M Edificações de média altura; (ver tabela abaixo).  Classificação das edificações quanto às suas dimensões em planta: Y Quanto à área total (soma das áreas de todos os pavimentos da edificação) V Edificações grandes; (ver tabela abaixo).  Dados para o dimensionamento das saídas: População = 2 pessoas por m² de área. Capacidade da unidade de passagem = Portas = 100; (ver tabela abaixo).

Tabela 10 - Classificação das edificações quanto à sua ocupação


109

Fonte: ABNT. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 30 ago. 2013.

Tabela 11 - Classificação das edificações quanto ás suas características construtivas

Fonte: ABNT. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 06 set. 2013.

Tabela 12 - Classificação das edificações quanto à Altura


110

Fonte: ABNT. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 13 set. 2013.

Tabela 13 - Classificação das edificações quanto às suas dimensões em planta

Fonte: ABNT. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 20 set. 2013.

Tabela 14 - Dados para o dimensionamento das saídas


111

Fonte: ABNT. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 27 set. 2013.

N = P/C Onde: N = número de unidades de passagem, arredondado para número inteiro. P = população, conforme coeficiente da Tabela abaixo (2 pessoas por m² de área). C = capacidade da unidade de passagem, conforme Tabela abaixo (Portas = 100). 1.050 / 100 = 10,5 x 0,55 1.050= Capacidade máxima de pessoas na casa noturna. 100 = Capacidade da unidade de passagem (Portas = 100). 0,55 = Largura mínima para a passagem de uma fila de pessoas. 5,775 = Largura mínima para saída de emergência.

No Projeto de Proteção Contra Incêndio da casa noturna, foram adotadas 4 portas de saídas de emergência, sendo duas situadas no térreo com dimensões de 3,00m x 2,50m, e duas na parte superior com dimensões de 1,80m x 2,50m, especialmente para as pessoas do 1º Pavimento, para não haver conflito em caso de incêndio, as portas superiores dá acesso a uma escada externa, sendo que a parede onde se encontra a escada com a fachada possui um TRRF de no mínimo 2 horas, como estabelecido por lei. Todas as paredes estruturais, externas, vigas, pilares e portas terão TRRF de 60 minutos, exceto as paredes externas com as escadas para saída de emergência. Ou seja, um total de 9,60 ml de porta para evacuação do local.

Tabela 15 - Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo (TRRF)


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Fonte: CBMES. NT 09: segurança contra incêndio dos elementos de construção. Espírito Santo, 2010. Disponível em: <http://www.cb.es.gov.br>. Acesso em: 04 out. 2013.

Pelos estudos de caso, podemos perceber que muito dos ocorridos se dá devido à importância pelos bens matérias, além da lotação acima da capacidade do local a preocupação pelo pagamento das comandas em caso de incêndio é comum nesses ambientes. Será utilizada uma nova tecnologia, para melhor segurança e comodidade aos frequentadores, até mesmo por questões de furto. O sistema será feito por pagamento das comadas via celular, caso os demais queiram possam ser pagas pelo caixa também.


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Figura 81 – Projeto de Proteção Contra Incêndio do Térreo Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora

Figura 82 – Projeto de Proteção Contra Incêndio - Simbologias Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora

A distância entre os chuveiros Sprinklers é de 2,00m levando em consideração o desalinhamento de alguns, o mesmo procedimento será utilizado para os detectores de fumaça, porém com uma distância entre 5,00m. Os hidrantes de mangueira, foram adotados 4, sendo dois em cima e em baixo, pois, os mesmo só poderia ter uma distância máxima mais desfavorável para apagar um incêndio de 30,00m, por isso foi instalado em cada pavimento um em cada direção.


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Figura 83 – Projeto de Proteção Contra Incêndio do 1º Pavimento Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora

Memorial de Cálculo para Reservatório de água: Dados:  Estimativa de Consumo Predial Médio Diário: Restaurante e Similares (25 L/ dias), (ver tabela abaixo).  Capacidade máxima da casa noturna: 1.050 pessoas Consumo Diário = 1.050 x 25l = 26.250 l/dia Reserva para dois dias = 26.250 l/dia x 2 = 52.500 l/ 2 dias Reservatório Superior = 52.500 l – 60% = 21.000 l/ + Reserva Técnica de Incêndio = 21.000 l + 20% = 25.200 l/ 40% do total, sendo 4.200 de Reserva Técnica de Incêndio. Reservatório Inferior (Cisterna) = 52.500 l – 40% = 31.500 l/ 60% do total


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OBS: Foi utilizado como restaurante, pois na tabela não possui uso relacionado a casas noturnas, esse foi o que mais se aproximou. Tabela 16 - Tabela de Estimativa de Consumo Predial Médio Diário

Fonte: SABESP. NTS 181: dimensionamento do ramal predial de água, cavalete e hidrômetro – Primeira ligação. São Paulo, 2012. Disponível em: <http://www2.sabesp.com.br>. Acesso em: 11 out. 2013.

5.3

MAQUETE FÍSICA – VOLUMÉTRICA


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118


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Figura 84 – Maquete Física, fotos do Térreo Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora


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Figura 85 – Maquete Física, fotos do 1º Pavimento Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora


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Figura 86 – Maquete Física, fotos do Térreo com o 1º Pavimento Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora


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Figura 87 – Maquete Física, fotos das Fachadas Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora


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Figura 88 – Maquete Física, fotos da Implantação Fonte: Arquivo Pessoal – Produzido pela Autora

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS No presente trabalho procurou-se efetuar uma avaliação global da situação atual das condições de Segurança Contra Incêndio, mais especificamente em casas noturnas. A primeira grande evidência que ressalta deste trabalho de pesquisa prende-se com o fato de este ser um tema intemporal. Com isto, pretende-se dizer que se trata de uma questão que não é recente nem tem prazo de validade, isto é, trata-se de um processo que está em constante aperfeiçoamento e evolução, de forma a melhorar e responder às necessidades que se colocam. Apesar de todos os esforços realizados pelas entidades responsáveis pela Segurança Contra Incêndio, é notória a dificuldade que existe em fazer passar a


133

mensagem aos que, em última instância, são diretamente afetados por estas medidas: os frequentadores e proprietários. Se, por um lado, os proprietários menosprezam muitas vezes diversos aspectos relacionados à segurança do estabelecimento, também não deixa de ser verdade que, em muitos casos, são os comportamentos dos frequentadores que põem em risco o normal funcionamento das casas noturnas, contribuindo assim para o surgimento de situações que em condições normais não sucederiam. Essa evidência é por demais notórias na análise dos exemplos apresentados, onde a combinação entre comportamentos menos corretos e condições existentes não regulamentares resulta em consequências catastróficas. As

medidas

impostas

pelos

regulamentos,

acompanhadas

de

uma

forte

sensibilização junto de frequentadores e proprietários, são a forma correta de alertar para a importância, muitas vezes menosprezada, dos aspectos relacionados com a Segurança Contra Incêndio, mais concretamente no caso das casas noturnas. Só assim se conseguirá atingir um nível de segurança que permita não o desaparecimento destes acidentes, uma vez que isso seria impossível, mas sim o minimizar de consequências daí resultantes. Um aspecto fundamental que necessita ser modificado é que, mesmo que haja um responsável técnico, atualmente o sistema referenciado não torna compulsório que inclua um Projeto de Emergência, como seria recomendável. Ou seja, o modelo de Projeto de Proteção Contra Incêndio atual muitas vezes envolve apenas verificações e recomendações sobre aspectos como a disposição e número de extintores. Esses aspectos são importantes, mas a análise deve ser tecnicamente mais profunda para que possam reduzir efetivamente os riscos. Não basta simplesmente verificar formalmente o atendimento às normativas e leis aplicáveis, mas sim é necessário se preocupar em produzir um resultado técnico eficiente e eficaz. É recomendável, ainda, revisar a disposição que permite que muitas edificações com área menor que 750 m² sejam dispensadas de apresentar um Projeto de Proteção Contra Incêndio completo, podendo apresentar somente documentação simplificada. Precisamos nos armar com as ferramentas de projeto, com o controle dos materiais, garantir a construção mais segura e implantar os procedimentos de segurança para uma operação pela qual são minimizados os riscos. Os riscos podem variar muito com o uso de novos materiais sem controle de sua reação e resistência ao fogo, dessa maneira, torna-se necessário ensaiar todos os materiais e sistemas


134

construtivos do mercado, o que nem sempre tem sido feito. Porém não basta apenas uma compatibilização entre os projetos que compõem uma edificação, mas sim realizar treinamento para aprender a utilização destes equipamentos. Os diagnósticos e os planos consequentes, resultantes de estudos de caso, estabelecem diretrizes e legislação específicas para cada tipo de uso. É com base em todo esse processo que se retiram as conclusões aqui apresentadas, pois o presente trabalho cumpriu os objetivos traçados, uma vez que permite aferir das atuais condições no que toca à Segurança Contra Incêndio em casas noturnas, realçando os aspectos positivos, os que devem ser defendidos e os que, por oposição, devem ser combatidos e, se possível, eliminados.


135

7. REFERÊNCIAS 1.

ANTENOR GUIMARÃES. Ilha da Fumaça. Vitória. [s.d.]. Disponível em: <http://www.ilhadafumaca.com.br>. Acesso em: 02 abr. 2013.

2.

ARACAJU VIRTUAL. Folha de São Paulo. São Paulo. [s.d.]. Disponível em: <http://www.aracajuvirtual.com.br>. Acesso em: 5 mar. 2013.

3.

ARGUS. Produtos e Sistemas contra Incêndio. Rio de Janeiro. [s.d.]. Disponível em: <http://www.argus-engenharia.com.br >. Acesso em: 19 fev. 2013.

4.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13434-2: sinalização de segurança contra incêndio e pânico - parte 2 - símbolos e suas formas, dimensões e cores. Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br>. Acesso em: 22 fev. 2013.

5.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9077: saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 1993. Disponível em: <http://www.abnt.com.br>. Acesso em: 15 fev. 2013.

6.

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ANEXOS


Ariane Subtil Piculi - TCC - Trabalho de Conclusão de Curso