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perguntando o que Lilah pensaria da exposição química pela qual sua mãe tinha passado para colocá-las. Quando Peta entrou na casa aquela noite, obviamente não esperava que Lilah tivesse companhia e não se preocupou muito em esconder o choque. – O que tem para jantar, amorzinho... Ah, cacete. Levantei do banco em que estava sentado descascando ervilhas frescas para a salada e bebericando uma taça de vinho. Lilah não perdeu tempo. – Mãe, este é Callum. Callum, esta é Peta. Vamos comer. – Callum, é um prazer finalmente conhecê-lo – disse Peta. Ela pegou a mão que eu tinha estendido, esperando um aperto, e me puxou para um abraço. – Suponho que esta seja uma situação do tipo “finalmente”, apesar de eu não ter ouvido absolutamente nada sobre você. – É um prazer conhecê-la, Peta – falei. – Posso ver de quem Lilah puxou tanto a beleza quanto a sutileza. – Fiz uma fritura, mãe. Com aquele molho satay que você gosta. Callum fez uma salada e tenho até arroz negro e manga para sobremesa. Lilah já tinha acendido velas grandes nas lamparinas e colocado um arranjo de folhas cuidadosamente entre elas. Fiquei pensando na enxurrada de coisas que ela fizera naquela tarde. Eu percebia agora que era o início de uma explosão de energia nervosa, que crescia exponencialmente bem diante dos meus olhos. Ela não tinha a menor intenção de entrar em detalhes nem de explicar minha presença ali, e mesmo enquanto Peta e eu estávamos nos afastando do abraço, Lilah já tinha servido o jantar e estava indo lá para fora. – Suponho que isso signifique que não devo perguntar se você é um namorado – perguntou Peta para mim, em voz baixa. – Sugiro que você tire suas próprias conclusões. Sorrimos um para o outro. – Bom, então, Callum, é melhor você me servir um pouco de vinho. Não sou uma mãe coruja fácil de impressionar. Obedeci rapidamente, e Peta e eu seguimos Lilah até o deque, onde ela olhava impacientemente para a tigela de comida e tentava não encarar a mãe. Sentei ao lado de Lilah e coloquei a mão em seu joelho por debaixo da mesa. Peta se sentou de frente para nós e assimilou a paisagem por um momento. – Pode relaxar, Lilah – disse ela. – Não estou chateada por você não ter me contado que estava saindo com alguém. Tenho certeza de que tem seus motivos, apesar de eu nem conseguir começar a imaginar quais seriam. – Lilah contou que você canta – comentei. – Ah, sim, eu canto. Você gosta de música? Eu suspeitava que Peta se distrairia facilmente e não sabia direito o que deveria fazer se as duas começassem uma discussão constrangedora sobre por que Lilah não tinha falado sobre mim. E eu estava certo, visto que, durante a hora seguinte, Peta fez uma espécie de performance não musical sobre seus interesses e suas experiências musicais. Peta no palco seria muito parecida com Peta no jantar: animada e cheia de vida, brilhando com uma vitalidade e um carisma que atraíam toda a atenção para ela. Era uma mulher fascinante, embora muito egocêntrica, e eu a imaginava arrastando sua jovem família ao redor do mundo em busca de holofotes mais brilhantes. Fiquei me perguntando por que ela nunca conquistara o sucesso. Peta parecia ser uma provável candidata à fama. – Moramos em Londres por um ano, sabia, Callum? Enquanto eu trabalhava em produções no West End.

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Eu Sem Voce - Kelly Rimmer  

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