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Pegou o telefone e ficou olhando fixamente para ele, quase distraída. – O relacionamento deles não era um mar de rosas como o dos seus pais, mas era intenso e ela o teria seguido até a lua. Ela quer isso para mim, eu sei que quer, e se soubesse que estou saindo com você, surgiria uma expectativa imensa e sou próxima demais dela para lidar com essa merda. – Você certamente contou a ela sobre seus antigos namorados. Não tínhamos trocado cronologias românticas detalhadas, mas havia fotos de Lilah com diversos homens nas paredes dela. Um homem asiático robusto aparecia bastante, em vários lugares exóticos, então eu sabia que ela tinha viajado um pouco com ele. Se tinham ficado juntos tempo suficiente para viajar o mundo, a mãe dela devia saber dele. Lilah se virou para mim outra vez e largou o telefone. – Claro que contei. Ela sabe sobre todos eles. Você é diferente. Eu podia ver que a Lilah sem cortes estava se instalando e me preparei. – Não quis bancar o canalha com relação a isso, Ly. Esqueça o que eu disse. Você é quem sabe o que deve contar para sua mãe. A verdade era que eu também não tinha contado sobre ela a ninguém. Exceto Karl, é claro. Mas eu mal falava com meus irmãos e minha vida social tinha se tornado dolorosamente vazia desde a minha promoção no trabalho. Em algum ponto acho que eu aceitei isso e parei de lutar. Então, no meu caso, eu mantinha Lilah em segredo apenas pelo fato de que eu não tinha a quem contar sobre ela. – Este relacionamento é exatamente o que ela iria querer para mim. Lilah ignorou meu pedido de desculpas. – Seria tão fácil interpretar mal. Se ela conhecesse você e visse como nos conectamos, ela jamais entenderia. – Você tem 40 anos, Ly. Importa se ela entende? Estamos felizes com o modo como as coisas são. Isso basta. Quando Lilah se virou com a testa franzida, pude ver a energia acumulada dentro dela, frustrada por que eu não estava entendendo o que ela queria dizer. – Vamos dar uma caminhada? – perguntou ela suavemente. A primavera tinha chegado com tudo e o frio do ar noturno começava a esmaecer. Deixamos as portas da sacada abertas depois do ritual de regar as plantas de Lilah, e a brisa que entrava por elas era mais agradável que desconfortável. Seria uma boa noite para uma caminhada, mas ela já parecia bastante cansada, e eu sabia que se fôssemos andar, depois iríamos tomar sorvete e, quando voltássemos, ela iria se sentar para trabalhar no laptop. – Por que não ficamos em casa hoje? Podemos ficar abraçadinhos no sofá. Talvez tenha algum filme passando. Ela meneou a cabeça. – Só preciso de um pouco de ar fresco. Decidi tentar uma abordagem mais direta. – Você parece cansada, Lilah. – Estou cansada. Mas uma caminhada vai me ajudar a dormir melhor. – Ly... – De repente me senti impotente. – Sei que você é uma mulher ocupada. Sei que dá conta de pelo menos uma dúzia de tarefas ao mesmo tempo e que gosta desse ritmo, mas você tem parecido exausta ultimamente. Não podemos ficar numa boa só por uma noite? Às vezes eu percebia esses momentos de determinação nela, em que Lilah tinha certeza de que estava absolutamente certa quanto a tomar qualquer decisão. Esse era um desses momentos. Havia uma chama de pura obstinação em sua expressão. – Cal, não é assim que eu faço as coisas.

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Eu Sem Voce - Kelly Rimmer  

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