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– Fiz o teste genético logo depois que meu pai morreu e soube que a doença estava a caminho. Eu sabia que seria nova demais, também, por causa da minha quantidade de repetições CAG. Você lembra o que é isso? – Lembro que a sua é alta. – Quarenta e oito – disse Lilah, e ficou claro, pelo tom que usou, que ela havia considerado aquele número várias vezes ao longo dos anos. – É alta, mas não significa que a DH é pior. Só significa que os sintomas começaram mais cedo e progridem mais rápido. Os meus chegaram bem na hora. – E o seu pai? – Ele era um pouco mais velho quando ficou doente e minha avó era mais velha ainda. Há alguns casos em que a doença piora a cada geração. É por isso que eu nunca quis filhos. Acaba aqui. – Como você soube que estava doente? – A maioria das pessoas tem sintomas psiquiátricos primeiro. Frequentemente é ansiedade ou depressão, mas eu acho que não tive. Meus pés só começaram a ficar dormentes, e eu soube e fiquei furiosa demais. Eu tinha lido que manter meu cérebro estimulado diminuiria os sintomas motores, então, em vez de procurar um médico, comecei a trabalhar como uma maníaca. Trabalhei e pesquisei e estava exasperada com todo o Universo. – Foi aí que encontrou o neurologista no México? – Não, primeiro encontrei Lynn. Fiz o mesmo que você aquela manhã no hospital: tentei convencê-la a me dar a cura. Ela riu de leve. – Eu tinha essa sensação maluca de que havia alguma descoberta que ela estava escondendo de mim. E foi na clínica de Lynn que conheci Haruto. Ficamos em silêncio. Tirei os cabelos do rosto dela e fiquei escutando as ondas por um tempo. – Você quer ouvir a história dele? – perguntou Lilah, bem baixinho. É claro que eu não queria. Não queria saber mais nada do que eu já sabia, mas havia uma ansiedade na voz de Lilah e talvez ela precisasse falar dele. Abafei meu ciúme. – Claro. – Você nunca fala das suas ex. – Minhas ex não são muito interessantes. – Aposto que elas falam de você. – Todas as minhas ex-namoradas marcantes devem estar bem casadas hoje e, em algum momento, cada um dos maridos deve ter dito “Callum Roberts é um idiota”. Nós dois rimos de leve. – Me fale sobre uma delas. Suspirei. – Você é muito exigente. Vou contar a você sobre a Annalise. Ela foi minha última namorada antes de Lilah, uma menininha boba e risonha, na verdade. – Posso adivinhar? Ela era instrutora de academia. Parecia que Lilah tinha me posto contra a parede mesmo. – Errou – falei, ficando presunçoso, até perceber que a verdade soava muito pior. – Ela era esteticista. – Ah, isso é perfeito. Me deixe adivinhar. Ela era a sua esteticista? – Só por um tempo. Fingi estar na defensiva porque parecia que uma conversa que até então era pesada tinha de repente

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Eu Sem Voce - Kelly Rimmer  

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