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– Ei! – protestou Lilah. – Não é assim que funciona. Não quero seus coelhos torturados e você não pode ficar com os dois. – Posso – disse Peta. Ela franziu a testa de maneira severa para Lilah e eu fiquei me perguntando que diabos eu teria perdido que havia incitado aquela agressividade entre as duas. – E vou. Mãe e filha se encararam por um instante, e eu me encolhi e coloquei a mão no bolso. – Talvez você possa devolver a Lilah o chaveiro vagabundo em troca disso aqui. Feliz Natal, não sogra biruta. Como eu esperava, Peta se distraiu o suficiente para pegar o pacote da minha mão e olhar para ele por um momento. – Callum! Nem pensei em comprar um presente para você. Me sinto péssima. – Não se sinta – falei. O dia já estava completo para mim. Eu não precisava de absolutamente nada além daquilo. – É da mesma designer que fez o seu colar – contei a Lilah enquanto Peta tirava dois brincos enormes e brilhantes do pacote e os colocava nas orelhas. Eram ostensivos, chamativos e ridiculamente brilhantes – a combinação perfeita para sua nova dona. Como o pingente de Lilah, eram feitos de material reutilizado, porém, continham duas pedras enormes de vidro que imitavam pedras preciosas. – São incríveis, Callum. Peta tinha lágrimas nos olhos e então, para a minha surpresa, engoliu um soluço de choro. Peta me puxou para um abraço e eu a senti tremer. – Você está bem, Peta? Fiz um carinho hesitante nas costas dela. – Só me dê um minuto para me recompor – sussurrou ela. – Não quero que as crianças me vejam chorando e fiquem chateadas. – Caramba, quanto drama – disse Lilah, que parecia estar com os olhos marejados também, mas se levantou e apontou para a guerra de água. – Vocês, meninas, podem ficar sentadas aí choramingando. Eu vou travar uma batalha com crianças inocentes. Foi um pouco constrangedor quando ela saiu, mas tentei confortar Peta da melhor maneira que pude, visto que eu só podia presumir que ela tinha abusado do champanhe no almoço ou talvez estivesse pensando no marido. – Desculpe – disse Peta após alguns instantes. Ela se endireitou, limpou o rímel escorrido por todo o rosto e observou Lilah perseguir as crianças no jardim. – Tem sido um dia difícil. Mas seu presente foi tão atencioso. Obrigada, Callum. E obrigada por fazer minha filha tão feliz. Achei que nunca fosse vê-la tão feliz assim, para falar a verdade. As lágrimas rolaram de novo. Fiz um carinho na mão dela, sem querer parecer superior. – Ela é especial – falei suavemente. – E um pesadelo teimoso e obstinado às vezes. Vocês duas brigaram? Peta engoliu em seco e se levantou. – Acho que tenho espaço suficiente em meu estômago para mais uma taça de champanhe. Já volto. Agora que estava sozinho, dei uma olhada ao redor, para as crianças, e depois de volta para o caos de vinte adultos, todos tentando limpar a mesa ao mesmo tempo. Suspirei com uma espécie de contentamento orgulhoso. Tinha sido inesquecível.

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Eu Sem Voce - Kelly Rimmer  

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