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Série The Coincidence 1. The Coincidence of Callie & Kayden 2. The Redemption of Callie & Kayden 3. The Destiny of Violet & Luke 4. The Probability of Violet & Luke 5. The Certainty of Violet & Luke 6. The Resolution of Callie & Kayden 7. Seth & Greyson

(Obs: Baixe a série The Coincidence em MinhaTeca/edienywilliams)


The Certainty of Violet & Luke (A Certeza de Violet & Luke)

A vida de Violet Hayes está uma bagunça. Entre seu perseguidor, Preston, recusando-se a deixá-la em paz, o caso dos seus pais ainda sem solução, e ficar para trás na faculdade, ela sempre se sente à beira de perder o controle. Quando uma notícia inesperada surge, é a gota d'água e ela acaba fazendo algo que quase custa a sua vida. Felizmente, ela sobrevive e faz uma promessa a si mesma para colocar sua vida de volta no lugar e tentar descobrir exatamente como se sente sobre Luke Price, a única pessoa que está sempre lá para ela. Mas como um jogador alcoólatra em recuperação, Luke tem suas próprias lutas a serem superadas. Ele também está apaixonado por Violet, mas teme dizer-lhe a verdade, com medo de assustá-la ou pior, ela não retribuir o sentimento. Além disso, nunca parece ser a hora certa para dizer-lhe isso, seja o caso, Preston, ou a vida ficando no caminho. Podem os dois conseguir paz suficiente em suas vidas para enfrentar seus medos e, finalmente, dizer um ao outro a verdade sobre como se sentem?


01 VIOLET Caindo. Caindo. Caindo. Estou caindo no esquecimento, sem saber onde, quando e se eu vou chegar ao chão - pelo que sei não pode haver nenhum. Mas agora eu não me importo. Porque agora eu estou completamente e totalmente perdendo minha mente. Alguns poderão argumentar que aconteceu muito tempo atrás, quando eu decidi me meter na frente de um carro, apenas para que eu pudesse me acalmar e me concentrar em outras emoções em vez de estar ligada à morte dos meus pais. Talvez esse é o argumento que preciso. Que eu fiz há muito tempo e agora estou no fundo do poço ainda mais, caindo, caindo, caindo, sem nenhuma maneira de voltar. Eu meio que não quero, no momento, qualquer coisa. Agora estou me sentindo muito bem, o que não acontece muitas vezes. E ultimamente... Bem, ultimamente as coisas foram se desintegrando em torno de mim. Como a faculdade, algo que eu costumava ser tão boa, mas não mais. Há alguns dias, recebi um telefonema do conselheiro da universidade querendo discutir sobre a minha presença, ou a falta dela. Eu sabia que essa ligação estava chegando, mas ainda foi um pontapé no estômago que eu ainda não vou


reconhecer. — Violet Hayes, estamos preocupados com você e sua falta de presença. — O conselheiro havia me dado aquele olhar, o que todos me dão quando descobrem sobre meu passado sangrento e começam a ter pena de mim. O olhar costumava ser raro, já que eu nunca disse a ninguém sobre o meu passado, mas com o caso sendo reaberto, está estampado por todas as manchetes e às vezes no noticiário. Depois, há as ligações do detetive Stephner, sempre carregadas com más notícias sobre o caso do assassinato dos meus pais e meu perseguidor. É sempre a mesma coisa: — Não encontramos Mira Price. — Mira price é a mãe (do meu namorado) do Luke Price e a mulher que estava supostamente na minha casa naquela noite cantando aquela fodida canção. — E não há ainda nenhum sinal de Danny Huntersonly, — o detetive sempre acrescenta. Danny é o homem que se refere como Preston, meu pai adotivo, uma vez que eu costumava pensar que era a coisa mais próxima de um pai que eu já tive. Mas ele não só me encorajou a vender drogas para ele em troca de comida e um teto sobre minha cabeça, ele também me fez fazer favores sexuais para ele. Costumava acreditar que eu lhe devia, mas agora posso ver mais claramente. Apesar de que, claramente, não é muito melhor, ele só me faz sentir-me enjoada sobre mim e as coisas que eu fiz. Enjoada. Enjoada. Enjoada. Preston também pode ter tido algo a ver com assassinatos dos meus pais, mas que ainda tem que ser determinado. Cinquenta por cinquenta de possibilidade. Ou Preston é um assassino, ou algum doido com uma obsessão e fotos minhas de quando eu era uma criança, que conheceu minha mãe quando ela usava drogas. No entanto, tudo isso é revoltante e me faz odiar-me por fazer as coisas que eu fiz com ele, coisas que eu não posso


apagar, não importa o quanto me machuquei. Nada pode ser apagado na vida. A vida é permanente, a partir da respiração que tomamos para as decisões que tomamos. E eu fiz algumas fodidas merdas. — Você tem certeza que quer ficar? — Luke pergunta pela milésima vez, interrompendo meus pensamentos perturbadores, deprimentes e meus movimentos bêbados de dança. A música está bombando em torno de mim, embaixo o chão vibra, e eu tenho um copo na minha mão cheio de algum tipo de álcool, visão embaçada, e uma alma anestesiada. Eu tenho que apertar os olhos apenas para ver o rosto de Luke, mesmo que ele esteja de pé bem na minha frente. Luke é, provavelmente, uma decisão na minha vida que não foi fodida, mas que está vindo do meu ponto de vista não dele. Ele é o único que tem estado tomando conta de mim nestas últimas semanas. Agora, ele parece preocupado, suas rugas de preocupação em alta definição. Apesar do olhar severo permanente que ele me dá, porém, ele ainda parece deliciosamente sexy. Cabelo castanho curto que eu poderia correr meus dedos por ele, um queixo desalinhado, seus músculos magros visíveis através de uma camiseta cinza que se encaixa perfeitamente e jeans que caem abaixo dos seus quadris que, se eu levantasse a parte inferior da sua camisa, eu ira poderia dar uma olhada completa. Inferno, talvez ele me deixe fazer isso mais tarde. Risque isso. Eu sei que ele vai. Desde que a coisa sobre Preston foi revelada, Luke tem feito tudo por mim, que eu estou achando bom e ruim. Claro, é ótimo ter um cara dando-lhe o que quiser, mas ao mesmo tempo eu sinto falta da implicância entre nós e os desafios que me atraíram por ele em primeiro lugar. Torna a vida interessante, fazer uma pequena curva, desviar do que realmente está acontecendo em minha vida, as coisas que eu ainda tenho que aceitar. Mas não consigo fazer isso, voltando para aquele lugar novamente.


Deus, eu desejo poder voltar ao tempo. — Violet, você está me ouvindo? — Luke pergunta, sua preocupação crescendo enquanto ele se inclina para examinar meu rosto. Eu balanço minha cabeça e ele suspira. — Você tem certeza que quer ficar aqui? — Sim, eu tenho certeza. — Eu me inclino para trás e tomo o resto da minha bebida em um copo de plástico laranja com abóboras nele. Dia das Bruxas está algumas semanas de distância e tudo parece ser laranja, abóbora, e assustador no momento. Já perdi a conta de quantas desses copos de abóbora decorado eu bebi. — Eu não estou pronta para ir para casa ainda... Eu faço uma varredura da sala de estar que pertence ao indivíduo que está dando a festa, procurando por Deus sabe o que - algo que vá me meter em problemas, provavelmente. Está repleto de garrafas de cerveja e lixo, o ar cheira a fumaça de cigarro, música pulsante vindo dos alto-falantes, as pessoas dançando, flertando, dando uns amassos nos cantos. Um par de meses atrás, eu provavelmente estaria aqui por causa dos negócios Preston. Preston, porra. Droga, por que não posso apenas superar isso e seguir em frente? Apenas deixar isso ir de uma vez! — É só que nós temos aula amanhã, — Luke me lembra, chamando a minha atenção de volta para ele, seus olhos castanhos tão cheios de preocupação, como se ele estivesse com medo que eu fosse quebrar aqui mesmo na sua frente. Mas eu não vou. Após o incidente em sua caminhonete onde eu tive um colapso, e em seguida, novamente na casa do seu pai, eu prometi a mim mesma que nunca mais iria quebrar assim de novo. — E nós dois estamos ainda tentando


recuperar o atraso por causa das duas semanas que ficamos fora. Temos sido quase duas semanas que voltamos para Laramie e a universidade de Wyoming desde que saímos de Vegas, em seguida, da casa do seu pai. A quantidade de trabalho escolar é esmagador e eu deveria estar no apartamento estudando incondicionalmente para o exame de Química que tenho na sexta-feira, no qual eu deveria ir, considerando que já fui avisada sobre a minha presença. Mas eu não consigo estudar agora, estou muito inquieta, minha mente me ultrapassando quando fico pensando sobre a mesma sequência de coisas uma e outras vezes. Preston. Meus pais. A mãe de Luke. Preston. Quem eu sou? Esta menina quebrada? Confusa. Perdida. Buscando algo que ela provavelmente não vai encontrar. — Que tal você ir, — digo a Luke, esmagando o copo vazio e, em seguida, jogando-o em uma mesa de café próxima. — E eu irei para casa com Seth. Seu cenho franzindo se aprofunda. — Sim, isso soa como um desastre em formação.


Eu finjo ficar ofendida. — Ei, temos melhorado ao longo do tempo, — eu digo, em seguida, começo a dançar de novo, porque ficar sentada ainda é impossível. O que eu disse é verdade, também. Desde que voltamos, Seth, um dos meus companheiros de quarto que eu tive um histórico complicado - provavelmente porque ele pensou que eu era uma puta em um ponto - tem sido melhor para mim. Acho que é mais piedade do que qualquer outra coisa. Pena, porque meus pais foram assassinados. Pena, porque a mãe de Luke desempenhou um papel em suas mortes. Pena, porque a única figura paterna verdadeira que eu tive acabou por ser um perseguidor que tem uma obsessão por mim desde que eu era mais jovem. Todo mundo parece sentir pena de mim, e em suas próprias maneiras estão tentando me ajudar a me curar. Mas eu estou me curando no silêncio, pelo menos é isso que digo a mim mesma. Durante os raros momentos, porém, eu admito a verdade, eu sei que apenas estou me fechando e evitando tudo. Mas não consigo fazer mais nada, caso contrário, parece que vou quebrar, e quando sinto que estou indo quebrar esforço-me perigosamente à beira do teste e limites potencialmente irreversíveis. Embora, é meio difícil de fazer qualquer coisa quando estou constantemente sendo vigiada. À noite há um carro de polícia estacionado em frente do meu apartamento, graças ao detetive Stephner. Durante o dia, eu tenho que estar com alguém. E Luke, ao que parece, assumiu ser esse alguém porque ele não saiu do meu lado desde a nossa conversa na casa do seu pai. Eu me sinto mal. Quero dizer, ele tinha uma vida antes de me conhecer e sinto que tenho tirado isso dele. Tão triste como essa história vai ser - a história entre nós - eu sei que, eventualmente, toda essa merda vai cansá-lo e ele vai me mandar para longe, como todos os outros na minha vida.


Eu costumava estar bem com isso; costumava ser capaz de mostrar meu dedo do meio para eles e voar para longe com minhas asas. Mas agora eu sou como um pássaro com uma asa quebrada que vai falhar, que meio que me faz odiar-me porque estou tão vulnerável e fraca. Sinto falta da Violet forte, durona, mas não sei como trazê-la de volta. Luke coloca as mãos nos meus quadris, me impedindo de me mover. Eu percebo que me movi para o centro da multidão e estou cercada por pessoas suadas transando a seco umas com as outras conforme a batida da música diminui. Luke e eu fizemos isso uma vez, mas foi no passado. — Se vocês estão se dando bem ou não, — Luke me solta e arranha a parte de trás do seu pescoço, tenso, olhando em torno do caos no lugar. — Eu não vou deixar você aqui sozinha. — Mas eu não estaria sozinha, — eu indico, encolhendo-me quando seu olhar fixa totalmente em mim. A intensidade que derrama dele é intimidante, mesmo para mim. — Seth está aqui. — Seth precisa de uma babá tanto quanto você, — ele declara com firmeza. — Então, isso é um ponto inválido. Eu mordo meu lábio inferior, tropeçando em meus pés enquanto tento voltar para a área onde as bebidas estão. — Você é um desmancha prazeres. — E você está bêbada. — Suspirando pesadamente, ele coloca a mão no meu braço para me firmar. — Por favor, podemos simplesmente ir? — É por causa do álcool? — Pergunto-lhe, inclinando-me em seu abraço. — É por isso que você quer tanto ir embora? Ele balança a cabeça. — Eu só quero ir para casa, — ele diz, em seguida, acrescenta. — Com você.


Luke, o rei da bebedeira, tem estado sóbrio por pouco mais de um mês e tem sido estranho, mas é bom vê-lo curar a si mesmo. Depois da desintoxicação de uma semana muito intensa, ele simplesmente parou de fazer isso. Eu sei que tem sido difícil para ele, mesmo que ele não vá falar sobre isso comigo. Ele está mais sério e responsável do que no passado e parece bastante saudável. Ele até conseguiu um emprego na lanchonete onde Greyson e eu trabalhamos. E é assim que ele gasta seu tempo a cada dia: trabalhando, assistindo aula, ficando em casa e saindo comigo - como minha babá muito sexy. Ele parece perfeitamente satisfeito com isso e me deixa perplexa, porque as pessoas não deveriam ficar contentes quando estão comigo, especialmente quando sabem tanto sobre mim. Parecendo rasgado sobre alguma coisa, Luke estende sua mão para que eu segure. — Babe, por favor, venha para casa comigo. As palavras "babe" e "casa" iluminam como um farol na minha cabeça e causam tanto um bom e mau arrepio. Emoções batalham seu caminho para a superfície. Eu me preocupo com Luke. Ele me dá conforto. Segurança. E poderia facilmente levar isso para longe de mim. Novamente, outra fraqueza que eu desenvolvi. Confiança. Eu estaria pirando agora, mas o álcool faz com que seja mais difícil sentir qualquer coisa, então talvez seja por isso que eu queira ficar, para entorpecer-me em um estado de emoção. — Você tem me chamado muito assim, — eu digo por conta da minha própria estupidez bêbada - sóbria, eu provavelmente teria ignorado o comentário. Eu sorri, o primeiro sinal de humor que eu vi em um tempo. — Chamar-lhe de quê? — Há um pouco de leveza em seu tom enquanto ele finge não ter ideia do que estou falando.


— Você sabe o quê. — Eu movo-me para colocar minhas mãos sobre meus quadris, mas a sala começa a girar ao redor e eu acabo me segurando em seus ombros por apoio. Ele se inclina e coloca seus lábios em minha orelha, suas mãos encontrando meus quadris, os dedos cavando no tecido do meu vestido e minha carne. — Babe? — Ele sussurra, sua respiração quente contra o meu pescoço. Com um arrepio, eu aceno. — Sim, isso... O que há com isso... Por que você... Continua me chamando assim? Diversão dança em seus olhos quando ele se inclina para trás. — Incomoda-lhe que eu faça isso? Hesito em seguida, dou de ombros. — Não tenho certeza. — Você quer que eu pare? — Eu... Mais uma vez, eu não tenho certeza... É só que eu não sei o que isso significa. — Mais uma vez, a verdade escapa. Porra de álcool. É como o fodido soro da verdade ou algo assim. Seu sorriso se desfaz. — Bem, a palavra em si tem alguns significados, mas no meu caso estou usando-a como uma expressão de carinho. — Eu sei o que a palavra significa. — Eu digo e dou um passo para trás muito descuidadamente e acabo acidentalmente batendo em um cara. — Mas não sei o que isso significa para nós. — Eu esfrego o local no meu rosto, onde bati enquanto Luke ri da minha falta de coordenação. Então, de repente, como se ele entendesse toda a extensão do que eu disse, um olhar estranho de pânico e confusão cruza em seu rosto e, em seguida, eu começo a entrar no modo de ansiedade.


Luke deve notar isso também, porque desvia rapidamente o assunto para outro lugar. — Eu vou te dizer o que, — ele diz, seus dedos dobrando suavemente na minha pele quando me puxa para mais perto, alinhando nossos corpos, tão perto que juro que posso sentir seu coração acelerado, ou talvez seja o meu. Ele cheira a perfume misturado com cigarros totalmente e completamente Luke. — Venha para casa comigo e podemos fazer o que quisermos quando chegarmos lá, — ele diz. — Eu pensei que você disse que precisava recuperar o atraso nas aulas. — Estou mais preocupado apenas em levar você para casa com segurança... E sem fazer nada irracional. — Ele enfia uma mecha do meu cabelo vermelho e preto atrás da minha orelha. Eu não tenho certeza se ele quer dizer da maneira que eu entendo. Luke sabe do meu pequeno segredo sujo, que eu empurro a vida até o limite, buscando adrenalina sobre a emoção? O medo sobre a dor. — Eu estou bem, Luke, eu prometo. — Estou tentando deixálo despreocupado. Fazê-lo dar uma pausa de se preocupar comigo, mas ele não parece disposto a aceitar isso. Ele balança a cabeça e me puxa até que eu possa sentir o calor da sua respiração no meu rosto e quase provar seus lábios. — Eu disse que não vou embora sem você. — Então ele me beija, apenas um rápido beijo leve como uma pena, mas o suficiente para me fazer sair da zona de realidade. — Agora, por favor apenas deixe de ser um pé no saco e volte para casa comigo. Estou prestes a dar o que ele quer, mas então eu vejo sua expressão. A maneira como ele está olhando para mim, como se eu fosse tudo para ele, e isso me faz querer correr. Para longe dele. Deste lugar.


Correr. Correr. Correr. Porque sei que uma vez que eu voltar para casa e o silêncio se instalar, tudo irá desabar em cima de mim. E me odeio por isso, mas no final, eu vou fazer de tudo para não sentir nada.


02 LUKE É realmente muito tarde e tudo o que eu quero fazer é ir para casa. Eu pensei que tinha enrolando Violet com toda a observação do "babe", mas, em seguida, algo que eu disse a deixou em pânico e de repente ela está indo atrás de mais bebidas. Está me matando vê-la afogar sua dor em álcool - eu entendo a necessidade muito bem. Observá-la passar por isso me faz querer ficar sóbrio mais fácil, embora, porque eu tenho que ter a cabeça limpa por ela. Não é uma fodida moleza, no entanto. Minha mente ainda necessita do gosto feliz do álcool sempre que estou perto dele. Mas o que me deixa sóbrio, me impede de tomar um gole, é lembrar que eu tenho que cuidar de Violet; que eu devo-a depois do que minha mãe tirou-lhe. Eu tenho mantido um olho nela na maior parte da festa. Meio que se tornou uma rotina no último par de semanas. Ela fica bêbada e eu estou lá para cuidar dela. Mas eu errei esta noite, quando fui desviado por uma conversa com Drey Filtphermen sobre a temporada deste ano e como nós estamos indo "chutar alguns traseiros". Concordo com a cabeça, meio que escutando, eu faço uma varredura na multidão procurando por Violet. — Sim, nós devemos fazer o melhor. — A última coisa em minha mente agora é o futebol.


Drey acena com a cabeça e, em seguida, toma uma dose da sua bebida. — Quê? Você não bebendo essa noite? Eu balanço minha cabeça. — Não, eu sou o motorista da vez. Huh. Nunca pensei que essa sentença iria sair da minha boca. Ele olha para mim como se eu tivesse acabado de dizer que a gravidade não existe ou algo assim. — Realmente? Eu dou de ombros. Eu não o culpo por querer saber o que está acontecendo. Eu sou famoso por minha capacidade de ficar bêbado e ser assustador. Mas não faço mais isso, e gostaria que as pessoas parassem de me definir como intenso, agressivo, bêbado e prostituo. — Eu tenho que encontrar alguém, — eu digo, mal prestando atenção quando Drey grita outra coisa. Eu manobro o meu caminho através da multidão de pessoas que cheiram muito como tequila, suor e necessidade, finalmente, encontro Seth conversando com Greyson no canto da sala. — Ei, vocês viram Violet? —Eu interrompo a conversa, mas os conheço bem o suficiente para saber que eles não se importam. Seth e Greyson são companheiros de quarto meu e de Violet e ambos são pessoas que eu considero como amigos. Eles sabem o que está acontecendo na vida de Violet o suficiente para entenderem que se eu não for capaz de encontrá-la, provavelmente, não será a melhor coisa. Seth aponta em direção ao corredor. — A última vez que a vi, ela estava indo para o banheiro. Eu começo a ir nessa direção quando Greyson diz: — Tudo bem? Eu olho por cima do meu ombro e aceno a cabeça, mas parece que sou o maior mentiroso do mundo. — Sim, só preciso encontrá-la. Isso é tudo.


— Bem, se você precisar de alguma ajuda, é só me avisar, — ele diz, tomando um gole da sua garrafa de água. Concordo com a cabeça, em seguida, ando pelo corredor em direção a área do banheiro. Há uma fila formada fora dele, eu recebo um monte de palavrões atirados para mim quando ando até a porta e bato. — Violet, você está aí? Há uma pausa e então eu ouço um som abafado. — Sim. Sentimento de alívio me inunda. Eu nem sequer percebi o quão nervoso eu estava por perdê-la até agora. Eu tento a maçaneta da porta, mas está bloqueada, então bato de novo e chamo-a, mas desta vez ela não responde. Felizmente de forma bastante simples eu sou capaz de desbloquear a porta com um empurrão. Um cara grita quando eu entro no banheiro, mas quando dou-lhe um olhar vai se foder, ele se encolhe de volta e eu fecho a porta quando entro. O banheiro é pequeno, por isso não devo ter problemas para encontrá-la, mas à primeira vista eu não consigo vê-la lá em qualquer lugar. — Violet? — Eu passo pela pia, indo até a banheira. — Onde você está? — Aqui. — Sua voz é baixa e parece que está vindo da área do chuveiro/banheira. Eu puxo a cortina e ela está na banheira, com os joelhos puxados para o peito, abraçando-se tão apertado que parece que está tentando enrolar em si mesma. Eu agacho-me ao seu lado, segurando seu queixo e puxando seu rosto para que eu possa ver o quanto ela está bêbada. Suas pupilas dilatadas e incapacidade de se concentrar em qualquer coisa me deixa saber que é hora de tirá-la daqui. — Eu estou pronta para ir. — Sua fala é arrastada e lágrimas começam a escorregar para fora dos seus olhos.


Isso já aconteceu muitas vezes, então sei exatamente o que fazer. Eu carrego-a e levo-a para casa como ela pediu. São duas horas da manhã, quando chego ao nosso complexo de apartamentos, em uma área decente da cidade e de curta distância até a Universidade quando está quente o suficiente. Violet desmaiou no meio do caminho de casa depois de vomitar nos arbustos então eu tenho que carregá-la, algo que não me importo de fazer. Ela nunca foi de beber muito e aparece cada vez que ela tenta. Eu odeio isso. Eu quero a minha Violet de volta. Minha Violet? Que diabos? Como se ela pertencesse a mim. Ela não pertence. Embora, olhar para ela, seus olhos verdes fechados, lábios carnudos ligeiramente entreabertos, cabelo ondulado preto com mechas vermelhas que paira sobre meu braço, seu corpo enrolado contra mim, confiando em mim para levá-la para casa, parece como se ela fosse minha. — Se ela ouvisse o que você está pensando agora, ela fodidamente te castraria, — murmuro para mim mesmo. Violet nunca foi o tipo de garota que gosta de ser propriedade de alguém. Ela é sempre obstinada e independente e que é parte da razão pela qual eu me apaixonei por ela. Eu estou cansado de todas as mulheres carentes que irritavam a merda fora de mim, que não queriam ser somente controladas, mas também queriam se apegar. Eu não odiava isso no momento. Eu adorava ter o controle - precisava disso depois de ser na maior parte da minha infância controlado por minha arrogante mãe psicótica. Mas uma vez que conheci Violet Hayes e vi um lado diferente, senti o desafio, a ligação, o desejo de realmente querer alguém em um nível mais amoroso, eu sabia que não havia como voltar atrás. E não quero nunca mais voltar para a minha vida antes de Violet. Eu só desejo que estivéssemos em terreno mais estável; desejo que ela pudesse seguir em frente sobre a coisa com a minha mãe, que a minha mãe estivesse na prisão assim Violet teria


uma razão para tentar curar-se; desejo que eu pudesse ajudála a trazer o lado selvagem, independente e forte de volta. Eu não a culpo por estar com raiva, ou por lutar, por ser confundida. Ela tem todo o direito e tudo o que posso fazer é ajudá-la até que ela esteja pronta para seguir em frente. Quando estou alcançando o topo da escada, dou uma olhada no carro preto com vidros fumê que eu sei que é o carro da polícia. Está aqui todas as noites, estacionado perto da calçada, observando o lugar, graças a Preston e sua necessidade de provocar continuamente Violet com suas mensagens e ameaças de matá-la. Isso colocou a polícia em alerta desde que Preston é agora um suspeito pelo assassinato dos pais de Violet. Quando chego à porta do nosso apartamento, luto para tirar minhas chaves sem colocar Violet para baixo, quando noto uma caixa na frente da porta. No começo eu acho que é parte do correio, mas, em seguida, eu me abaixo e percebo que está dirigido a Violet Hayes sem selo postal, sem remetente, ou mesmo o nosso endereço. Sinto imediatamente uma sensação de desconforto. Olhando em volta para as portas em torno de nós e, em seguida, para o estacionamento abaixo, eu me apresso, destranco a porta e entro. Depois de definir cuidadosamente Violet no sofá faço o meu caminho de volta para a caixa, decidindo o que fazer. Devo pegá-la e abri-la? Honestamente, eu só quero jogá-la fora e nunca mais ver o que tem dentro, porque sei que tem que ser ruim, tudo o que está lá vai apenas adicionar mais merdas do já está acontecendo agora. Mas, ao mesmo tempo, não sei se poderia acabar por ser tão ruim. Com grande hesitação, eu dou um passo para fora e curvo-me para rasgar a fita da caixa com cuidado, observando como a luz se reflete. Quando a abro, posso ver o porquê. Tudo o que tem lá dentro é uma única foto, de Violet. Meu queixo aperta instantaneamente e meus dedos coçam para


acertar meu punho através da parede. Na foto, Violet está só de sutiã e calcinha. Ela está segurando o vestido curto preto que está usando agora, pronta para colocá-lo, o que significa que foi tirada antes de sairmos. Do ângulo, parece que a foto foi tirada de algum lugar do outro lado da rua, ou na varanda do restaurante na esquina, ou a partir da casa de dois andares que tem estado à venda no último mês. Não diz quem fotografou, mas eu sei de quem é. O mesmo cara que tinha um quarto cheio de fotos de Violet, que envia mensagens ameaçadoras - Preston. Eu viro a foto e leio o que está escrito na parte de trás. "Olha como foi fácil me esquivar por eles". Minhas mãos começam a tremer de raiva. Estou assumindo que o "eles" é o carro da polícia. — Porra. — Isto é novo para ele, vim até a porta. Eu quero bater a merda fora do desgraçado, mas é complicado quando o bastardo está se escondendo. Eu penso em sair e dá uma olhada na casa à venda e no restaurante, embora duvido que ele ainda esteja lá. Mas a polícia provavelmente pode ver-me e tenho certeza de que gostariam de saber o que diabos eu estava fazendo, o que seria bom se eles soubessem onde minha mãe está. Eles estão suspeitando de mim, como se eu soubesse onde minha mãe está e que estou a protegendo - o que já foi esclarecido. Depois de trancar a porta, eu corro pelas escadas e vou para frente do estacionamento onde o carro de polícia está estacionado em frente a calçada da casa a venda no lado oposto da rua. Quando bato na janela do motorista ela se abaixa e o cara me dá um olhar desconfiado. — Posso ajudar? — Ele está, provavelmente, em seus trinta e poucos anos, usando roupas civis, em seu sedan normal, tentando misturar-se, mas claramente o disfarce não está funcionando muito bem.


— Eu sou Luke... O namorado de Violet... — eu limpo minha garganta, percebendo que nós nunca sequer discutimos o que nós somos ainda, mas parece bom dizer isso. — Isto foi deixado na porta do nosso apartamento. — Dou-lhe a foto e a caixa. O policial olha a foto e então olha para a sua parceira, uma agente do sexo feminino, provavelmente na casa dos quarenta anos, usando jeans e uma camisa de colarinho. — Como é que isso chegou lá? — Ele me pergunta, o que é irritante pra caralho. Ele deveria saber se estivesse realmente observando o lugar como deveria, uma vez que já estava aqui quando saímos para a festa, e a caixa tinha que ter chegado em algum momento entre isso e agora. — Você me diz, — eu digo, irritado, enfiando as mãos nos bolsos enquanto olho em volta, à procura de algo fora do comum. — Vocês são aqueles que deveriam estar observando o lugar. Ele me dá um olhar severo enquanto pega seu café do console. — Não me diga sobre como eu devo fazer o meu trabalho garoto. — Eu não teria se você estivesse fazendo seu trabalho. — O meu olhar viaja até a casa do outro lado do carro. — Parece que ele poderia ter fotografado a partir daquele canto. — Eu aponto para onde fica o restaurante. — Ou não, o que significa que foi perto. — Faço uma pausa, meus olhos se estreitando para o policial. — O que significa que ele estava perto. O policial me dá um olhar sujo. — Não há nenhuma prova que indique isso ainda. — Está meio que determinado, — eu digo. — Considerando que tem um perseguidor atrás dela.


Ele joga a caixa e fotos para sua parceira. — Obrigado pela contribuição, — ele diz. — Mas deixe o trabalho da polícia para os profissionais. Ele começa a fechar a janela quando eu murmuro, — idiota do caralho, — antes de me afastar. Eu deveria ter esperado até amanhã e levado até o detetive Stephner. Ele é mais que um profissional e se preocupa com a solução deste caso - se preocupa com o bem-estar de Violet. Eu volto para o apartamento e tranco a porta quando entro. Violet ainda está dormindo no sofá, esparramada de costas, seu braço sobre sua cabeça, sua respiração suave. É o mais pacífico que eu a vi em um longo tempo, o que é triste desde que ela desmaiou de tão bêbada. Decido que é melhor levá-la de volta para o nosso quarto em vez de tentar esmagar-me no sofá ao seu lado, eu pego-a e levo-a para cama. Eu deito-a, tiro seus sapatos, em seguida, tiro minha camisa e calça jeans e subo na cama ao seu lado, puxando o cobertor sobre nós. Ela desliza instantaneamente para mais perto de mim até que seu rosto está se aninhando contra o meu peito. Eu deslizo um braço ao seu redor e beijo sua testa, fingindo que está tudo bem. Que na parte da manhã nós vamos acordar como um casal normal, com a luz solar se espreitando através da janela, no silêncio da nossa casa. Mas no fundo eu sei que vou acordar provavelmente antes que o sol se levante completamente. E a casa não vai ser nada além do silêncio. Preenchido com gritos de Violet.


03 VIOLET Eu me sinto tão pequena, escondida no escuro do porão, ouvindo os sons das vozes que tenho certeza que pertencem a monstros. Sei que se eu me atrever a olhar, não vou ver rostos e corpos, mas formas estranhas cobertas de espinhos, agulhas ou qualquer outra coisa afiada, o tipo de pele que os monstros supostamente devem ter. Vou ver presas pontudas, em vez de dentes, garras em vez de dedos, olhos sem alma que refletem o meu horror de volta para mim. Então, eu tento ficar escondida no meu esconderijo atrás das caixas e brinquedos. Tento permanecer o mais imóvel possível, prendendo a respiração. Eu penso que, eventualmente, eles vão embora e quando tudo acabar eu vou subir e deitar na cama com a minha mãe e meu pai, que me diriam que foi apenas um pesadelo. Porque é isso que eles fazem. Eles são bons pais que sabem como me confortar quando o mundo está cinza, coberto de sombras, quando a luz solar não parece existir mais e cada coisa ruim no mundo escapa. Eu tento dizer a mim mesma que os monstros não os machucaram. Há uma mulher que canta como uma louca. Eu acho que ela realmente pode ser louca. E o homem, sua voz é tão baixa, tão calma, nada parecido com um monstro. Talvez eu estivesse errada. Talvez eles não fossem monstros. Talvez eu apenas esteja pensando errado.


Então a mulher para de cantar e digo a mim mesma que está tudo bem em olhar, apenas uma espiada. Virando-me, eu olho em torno das caixas. Luz flui a partir das janelas e faz-me ser capaz de ver um pouco. No início, o quarto parece vazio, mas então meus olhos se ajustam e eu os vejo. Duas figuras, perfeitamente imóveis. Na verdade, o mundo parece parar naquele momento. Mas, em seguida, assim como tudo estava, ele começa a se mover novamente, mais rápido, mais rápido, mais rápido, como os passos do homem nas sombras e posso vê-lo. Alto, cabelo castanho, características faciais familiares, usando um casaco xadrez e jeans. — Eu... Eu sei quem é você, — eu gaguejo enquanto saio do meu esconderijo, meus pés descalços se arrastando pelo chão. Ele dá um passo em minha direção e eu congelo enquanto a figura na minha frente se desloca em um monstro como eu pensava inicialmente. — Preston, — eu suspiro. Seus lábios se curvam em um sorriso satisfeito e eu abro minha boca e grito. Eu acordo com falta de ar e tento me agarrar na coisa mais próxima que consigo pegar. Quando eu era jovem, usava um travesseiro ou o colchão para abafar meus gritos, mas hoje em dia é normalmente o peito de Luke, assim eu enterro meu rosto contra sua pele quente. Eu gostaria de poder conseguir parar os pesadelos, gostaria de poder me livrar desse sentimento de desamparo. Não é sempre o mesmo pesadelo que faz isso comigo. Às vezes é Preston aparecendo naquela noite no porão, meu cérebro preocupado colocando-o lá naquela noite, embora eu nunca o vi. Às vezes são memórias dolorosas dos meus pais que eu achava que estavam esquecidas. Às vezes é sobre Luke me deixando. Eu nunca fui


de me preocupar com as pessoas me deixando - elas sempre fazem. E por causa disso, eu tinha me desinteressado o suficiente para não me conectar emocionalmente com alguém que eu iria me preocupar em perder. Mas errei com Luke, me apeguei - muito, me apeguei demais - e agora temo tanto que ele me deixe e eu nunca seja capaz de deixá-lo ir. Toda noite depois que acordo em pânico e hiperventilo, Luke encontra-se esfregando minhas costas e sussurrando que vai ficar tudo bem no meu ouvido. Depois que eu sossego me afasto dele, enxugando o suor da minha testa e rolo para minhas costas. Eu fico olhando para o teto, tentando esquecer o pesadelo e tentando lembrar o que diabos aconteceu ontem à noite na festa. Ainda é cedo lá fora, o sol ainda não se levantou totalmente. Olho para o relógio na mesa de cabeceira. 5:12 da manhã. Merda. É muito cedo para estar acordada. Após um minuto ou dois, Luke pergunta timidamente, — O que foi dessa vez? — Caí de um penhasco, — eu minto, me odiando por isso, mas incapaz de lhe dizer a verdade. É como se eu tivesse cinco anos de idade novamente e com muito medo de falar a verdade, porque então vou ter que aceitá-lo. Como quando meus pais morreram. Levou uma eternidade para dizer em voz alta, o que tornou insuportavelmente real. — Você parece estar tendo bastante esse sonho. — Há especulação em sua voz. Ele não acredita que meu sonho foi sobre isso, sabe que eu estou mentindo, mas não me abalo por isso. — Acho que minha mente está muito boa em repetir. — Meus olhos estão fixos no teto, mesmo que eu posso senti-lo me observando, tentando descobrir o que está acontecendo na


minha cabeça realmente. Se ele realmente soubesse, ele provavelmente iria fugir, porém, como eu gostaria de poder. — Você sabe que eu estou aqui. — Ele gira em torno do seu lado e se apóia em seu braço. — Se você precisar conversar. Luke se transformou em um grande cara. Eu nem sei como diabos isso aconteceu, como ele consegue estar comigo, uma apodrecida toxina, poluindo sua vida. E ele quer me ajudar. Eu realmente gostaria que ele pudesse, gostaria que houvesse um botão no meu interior que ele poderia achar e desligar meu estado insano e confuso que vive dentro de mim. Mas se há, nem ele e nem eu o encontrou ainda. — Você deve tentar dormir um pouco, — ele sussurra. Seu braço firme desliza em meu estômago, seus dedos encontram minha lateral, então ele me puxa para mais perto. — Ainda é muito cedo. — É difícil adormecer depois de um pesadelo, — Eu admito na escuridão do quarto. — Deixa-me... — Eu mordo meu lábio, não estou pronta para falar sobre meus sentimentos também. — Vou ficar até você cair no sono. Nada vai acontecer com você. Eu prometo. — Seu rosto se aproxima da minha bochecha e ele escova os lábios macios contra a minha pele. — Eu estou sempre aqui para você. — Sempre é uma palavra forte, — eu sussurro, fechando meus olhos, lutando contra o desejo de me render a ele. — As coisas podem mudar, sabe. Um dia... Você pode não querer a responsabilidade de cuidar de mim... Ou alguma coisa pode acontecer que vai fazer você querer ficar longe de mim. — Isso nunca vai acontecer, — ele promete. — Não há nada que vá me fazer querer ficar longe de você. Parece que eu deveria dizer algo de volta pelas suas palavras poderosas, mas não consigo encontrar nada na escuridão da


minha cabeça. Abro os olhos e sou cumprimentada por seu olhar intenso. — E sua mãe? — Eu pergunto. Todo o seu corpo fica tenso como se uma onda de pânico passasse através dele. — O que tem ela? Eu quero fechar meus olhos, mas forço-me a mantê-los abertos. — O que vai acontecer quando... Se ela for presa? Quero dizer, isso é uma responsabilidade muito grande, e seria minha culpa ela estar lá. — Ela fodidamente se colocou lá. — Seu tom é profundo, irritado, olhos ardendo de raiva. — Eu poderia ter que testemunhar contra ela, — eu indico, algo que o detetive e eu conversamos se eles nunca lhe encontrassem. Como eu tenho que tentar lembrar como ela parecia, para identificá-la a partir daquela noite, que iria desempenhar um papel para condená-la. Luke bufa várias respirações, sua ansiedade parece em seu rosto machucado. — Podemos parar de falar sobre isso, por favor? Você e eu, nós vamos estar juntos, contanto que você queira a gente pode ficar... Para sempre, se... — Ele faz uma pausa no final, querendo retratar as suas palavras ou com medo de dizê-las e eu sinto a própria batida do meu coração contra o meu peito. Elas estão embaladas com muita emoção, um monte de significado, um monte de coisas relacionadas ao que não falamos. Luke e eu temos tantos desafios à nossa frente que não temos discutido ainda. Como o que vai acontecer quando a polícia finalmente pegar sua mãe? E se eu tiver que testemunhar contra ela? E se eles descobrirem que foi ela que realmente matou meus pais? Será que vai afetar a forma como eu me sinto? Como ele se sente? Será que vai arruinar a gente? Tantas perguntas, aquelas que eu deveria dizer em voz alta, para que possamos, finalmente, falar sobre isso. Mas eu não


estou pronta para deixar Luke ir, meu cobertor de segurança, meu... Há tantas palavras passando pela minha cabeça que eu mal consigo processar, então ao invés disso eu procuro uma distração. Minha distração favorita. — Beije-me, por favor. — Eu praticamente sôo como se eu estivesse implorando, mas não posso retirar o que eu disse, então apenas sigo com isso. Ele pode ver isso em meus olhos também, a evasão, a minha tentativa de esquivar da conversa sobre a minha bagagem emocional que continua trancada dentro de mim. Ele começa a abrir a boca para dizer provavelmente algo que vai me fazer sentir e me fazer entrar em pânico ainda mais, eu estou supondo. Mas eu silencio-lhe quando me inclino para frente e pressiono meus lábios nos dele, tão agressivamente que nossos dentes se chocam. É tudo menos sexy e quente, no entanto. Eu nunca realmente dei a mínima para essas coisas e não haveria nenhum ponto em começar agora. Beijo-o quase desesperadamente e puxo seu cabelo, eu levanto minha cabeça para cima e balanço a minha perna sobre sua lateral, forçando-o a deitar de costas no colchão para que eu possa ficar sobre ele. Eu mantenho nossos lábios selados enquanto corro meus dedos para cima e para baixo do seu peito tatuado, continuando minha exploração pelos seus músculos magros até chegar ao topo da sua cueca. — Violet, — ele diz através de um gemido quando eu deslizo minha mão debaixo da sua cintura. — Talvez nós... Não devêssemos... — Sua cabeça se inclina para trás e eu coloco um pouco de espaço entre nossos lábios, observando-o a começar a perder o controle.


— Sabe, eu ficaria magoada por seus protestos, mas, — eu deslizo minha mão ainda mais em sua cueca e esfrego seu pau duro. — Está bastante claro que suas palavras não coincidem com o que você realmente quer. Ele agarra minha cintura, me fixando no lugar, querendo manter-me próximo, ou permitindo ter controle suficiente sobre a situação sempre que quiser. — Não é que eu não queira... Eu só... Não acho que deveríamos... — Ele procura meus olhos por algo e estou supondo que não ver nada, porque no final ele parece desapontado. — Não quando você está chateada. — Eu não estou chateada. — Eu olho feio para ele. — Por que você sempre pensa isso quando eu quero fazer sexo? Ele aperta os lábios para conter tudo o que está em sua mente. Eu aproveito a oportunidade para me inclinar para trás, tirar meu vestido, e lançá-lo para o lado, então só estou na minha calcinha e sutiã. — Eu prometo que não tem nada a ver com qualquer outra coisa que não seja querer ficar com alguém. — Mentirosa. Mentirosa. Mentirosa. E mau nisso. Eu sei disso - ele sabe disso. Mas ele vai me dar o que quero - ele sempre faz. E parte de mim pode amá-lo por isso e parte de mim me odeia por ter feito isso a ele, usando o sexo como um substituto temporário para o meu vício em adrenalina. Uma exalação depois, ele está me puxando para ele e os nossos lábios se reconectam com uma faísca ardente de calor, sinto por uma fração de segundo paz no meu interior, como que talvez isto seja realmente o que eu quero, que não estou apenas tentando enterrar meus sentimentos tendo sexo suado. O sentimento se dissipa no entanto, o momento em que eu chego à conclusão de que talvez seja mais do que apenas sexo. Negação. Eu estou vivendo - morrendo na mesma. Mas temo que a verdade não vai me libertar - ela vai me matar.


Então, ao invés disso me concentro em beijar Luke, me aquecendo na sensação das suas mãos sobre cada polegar do meu corpo, deixando trilhas quentes de calor na minha pele. A maneira como ele continua gemendo meu nome cada vez que eu toco sua pele e mordo sua carne impulsionando minha mente em um estado de euforia. Nós não nos apressamos, tendo o nosso tempo, mas eventualmente parece como se eu fosse entrar em combustão com a necessidade e acabo tirando o resto das minhas roupas. Luke segue a minha liderança, tirando sua cueca. De repente, ele faz uma pausa. — Espera... Nós precisamos... Eu o interrompo, cobrindo sua boca com a minha mão. — Eu estive tomando pílula por algumas semanas, então estamos bem. Ele suga a respiração, em seguida, segundos depois, está me virando de costas e escorregando para dentro de mim. Ele pega a minha perna e engata-a sobre o seu quadril enquanto empurra dentro e fora de mim. Uma e outras vezes, até que solto um grito suave, minhas unhas cavando em seus ombros. Por um momento eu me perco. Por um momento, eu sinto que tudo vai ficar bem. Por um momento, eu estou caindo em uma ilusão feliz onde estou livre de tudo e Luke está logo ali comigo. Mas quase tão rapidamente como o alívio veio, eu caio de volta na realidade. Luke se acalma dentro de mim, com o rosto enterrado no meu pescoço, o peito suado pressionado contra o meu. Eu posso sentir cada batida do seu coração, cada respiração. Eu conto cada uma, tentando igualar a minha própria respiração a sua. Satisfeita. Sinto-me satisfeita e quero pedirlhe para não se mover. Basta ficar parado. Para sempre. Por Favor.


No entanto, se eu ousar pronunciar essas palavras irreversíveis, seria apenas eu tentando viver em um conto de fadas e já vivi demais para acreditar nessas coisas. Então fico em silêncio e, eventualmente, Luke sai de dentro de mim, dando-me um último beijo profundo antes de rolar sobre suas costas e olhar para o teto com seu braço sobre sua cabeça. Ele não diz nada, perdido em seus pensamentos, se afogando em algum tipo de agonia interna que me faz sentir culpada desde que eu provavelmente coloquei isso lá. Eu quero dizer algo a ele, para tirar essa expressão preocupada do seu rosto, dizer a ele que eu sinto muito, que estou tão quebrada e que vou tentar me corrigir. Mas não consigo encontrar as palavras, sem saber se elas existem, então ao invés disso eu escolho o caminho covarde e absoluto. — Boa noite. — Então eu fecho meus olhos e deixo meus pesadelos lentamente me afogarem.


04 VIOLET Eu estou de pé no meio das árvores e do gramado, roseiras murchas, e fileiras e fileiras de lápides rachadas. O céu está tão escuro que é quase como se preto e cinza caíssem do céu como neve. Eu sei por que estou aqui, o que estou procurando, mesmo que eu não queira encontrar. Uma certa lápide pertence a alguém que me interessa e temo perder. Eu vago sem rumo através do cemitério, tentando lutar contra a necessidade de ir para uma lápide específica, uma escondida no canto sob a única árvore florescente. Mas, finalmente, eu alcanço-a e tenho que olhar para baixo para ler as palavras gravadas na pedra coberta de cinza. — Luke Price. — Eu leio o seu nome em voz alta enquanto caio no chão, cinzas caindo sobre mim. Lágrimas escorregam dos meus olhos, mas elas são pretas e mancham minha pele como tinta, manchando o meu vestido. — Não... Não... Eu não posso perdê-lo. Não posso fazer isso de novo. Eu não posso perder alguém de novo. — Minha cabeça cai enquanto eu soluço. — Por favor, não me deixe ficar sozinha de novo. — Mas o som oco do mundo ao meu redor é a única resposta que recebo. Sou mais uma vez arrancada de um pesadelo, ofegando por ar enquanto me sento na cama. Eu quase apago pela falta de oxigênio, lutando para empurrar o pesadelo da minha mente, mas ele consome meus pensamentos.


É o medo de estar sozinha, de perder Luke, de alguém que eu me importo me deixar. Apenas sonhar com isso parece que me mata, o que iria acontecer comigo se ele realmente me deixasse? Ou pior, se algo terrível acontecesse com ele? Eu fico silenciosamente na cama por um tempo, para não acordar Luke. Normalmente eu acordo-o com meu ritual ofegante, mas ele deve estar super-cansado esta manhã. Fico olhando para o teto, dizendo-me que é apenas mais um sonho maldito e que eu devo superar isso. Que Luke não está enterrado sob o solo no seu descanso final. Que ele está bem aqui ao meu lado, respirando um pouco alto, sem camisa, seu peito sólido como uma tela com tatuagens, e que eu não vou perdê-lo. Mas o problema é, meus pais estão enterrados debaixo da terra, e isso me lembra de como eu me senti depois que os perdi, quando eu me permitir sentir a picada das suas mortes. Como eu estava com medo de acabar sozinha no mundo e quão doloroso foi quando percebi que a minha preocupação era realidade - que eu estava sozinha. Eu me acostumei com isso, porém, me adaptei o melhor que pude. O que aconteceria se eu perdesse Luke de repente? Eu poderia lidar com isso de novo? Meus medos me mantém afastada até que o sol aparece e enche o nosso quarto com luz solar intensa. Luke começa a acordar, virando e esfregando os olhos antes de se sentar. Sua mandíbula está desalinhada, com necessidade de ser barbeada, e há círculos escuros sob seus olhos castanhos. — Como está se sentindo esta manhã? — Ele me pergunta com um bocejo. Ele deve ver algo que não gosta nos meus olhos, porque posso ver isso na sua expressão. Malditos olhos. Eles estão vendo através de mim ultimamente. Eu olho para longe para evitar o contato visual com ele. — Bem, exceto a dor de cabeça assassina que estou sentindo. — Eu sei que ele não estava se referindo a minha ressaca, mas não quero falar sobre qualquer outra coisa. Sobre a noite


passada. Sobre os meus pesadelos. Sobre usar o sexo como uma distração. Ele leva uma batida ou duas para responder. — Você acha que está pronta para ir a aula hoje? Meu estado de espírito cai ainda mais com a ideia de ir para faculdade, cheia de olhares e perguntas - até mesmo fotografias. Eu balanço minha cabeça e rolo para o meu lado, de frente para a parede em vez dele. — Não hoje. — Você tem certeza? — Sua mão toca minhas costas, seus dedos acariciando o espaço entre as minhas omoplatas. — Eu poderia fazer alguma coisa para você comer... Talvez isso ajudasse. Tremo só com seu toque - como sempre - mas me recuso a me mover. — Sim, eu tenho certeza... Eu só quero ficar em casa e descansar. — Mas... Eu não gosto de deixar você sozinha aqui. — Seth está aqui, então eu não estou sozinha. — Sim... Mas ele poderia ter aula mais tarde. Eu olho por cima do meu ombro para ele. — Eu tenho certeza que ele não vai. — Ainda assim... Eu não gosto de você estar aqui sem alguém te observando. E Seth... Tanto quanto eu gosto dele, ele não é a pessoa mais responsável. Prefiro que eu fique de olho em você. Eu faria um trabalho melhor. — Um olhar engraçado enche se rosto como se ele estivesse percebendo algo que o deixa perplexo. Eu me viro e coloco minha mão em seu rosto. — Luke, eu vou ficar bem. Eu não vou sair de casa ou qualquer coisa sem dizer nada a ninguém. — Eu cruzo meus dedos debaixo da minha


cabeça e mordo o lábio até sangrar, porque leva a dor emocional brevemente. — Você não pode ficar de olho em mim para sempre e não é sua a responsabilidade fazer isso. — O caralho que eu não posso, — ele murmura baixinho enquanto eu me viro de lado. Um silêncio cresce entre nós. Ele quer dizer mais - eu quero. No entanto, nós dois não fazemos não conseguimos. Eventualmente, seus lábios escovam a parte de trás do meu pescoço, sobre as duas estrelas tatuadas na minha pele à direita, cada uma representando uma pessoa que eu perdi na minha vida - minha mãe e meu pai. — Eu me sentiria muito melhor se eu ficasse aqui com você. — E eu me sentiria muito mais culpada se você perdesse outra aula por minha causa, — eu respondo, ficando tensa quando ele coloca um beijo suave sobre cada estrela. Ele fuça seu nariz contra o meu pescoço e suspira em uma forma de rendição. — Tudo bem, mas me ligue se precisar de alguma coisa. E mantenha a porta fechada, — ele diz. — Eu vou dizer a Seth para ficar de olho em você e me prometa que vai colaborar com ele. Abro a boca para protestar. — Eu vou ficar apenas em casa, como eu disse, eu não vou... — Eu sei que você não vai a lugar nenhum, — ele diz, colocando a mão sobre meus lábios. — Mas apenas, por favor, me prometa que vai colaborar com isso para que eu possa ter alguma paz de espírito. A profundidade em sua voz faz com que seja difícil não concordar, então eu aceno a cabeça, em seguida, ele relutantemente sai da cama, fazendo com que o colchão se eleve com a falta do seu peso e faz a cama parecer vazia e fria. Eu ouço seus passos atravessar a sala estreita e ele para em frente a cômoda.


— Há mais uma coisa que eu preciso te dizer, — ele diz enquanto vasculha a gaveta por algumas roupas. A tensão em sua voz me faz hesitar em responder. — Ok... — É sobre a noite passada... Depois que voltamos para casa. — Ele fecha a gaveta então fica parado no meio do quarto. Eu mal posso vê-lo com o canto do meu olho, mas ele está me deixando desconfortável. Eu fiz alguma coisa estranha ontem à noite? Bem, mais estranho do que o normal para mim? Será que eu falei sobre o sonho talvez, quando estava quase dormindo ou algo assim? — Havia uma caixa na porta quando chegamos da festa. O cabelo na parte de trás do meu pescoço se arrepia, assim como em meus braços. — E quem enviou a caixa? — Eu pergunto, mesmo que no fundo já saiba - desde o monstro que assombra meus sonhos. Eu só estou esperando - desejando que talvez Luke vá provar que estou errada. Ele se senta na borda da cama, o colchão afunda com seu peso e o vazio que eu estava sentindo diminui novamente. — Não dizia exatamente quem enviou... Mas havia uma foto sua dentro... — Ele põe a mão nas minhas costas e eu sinto um tremor em seu toque. — Por favor, apenas venha para aula comigo. Viro-me todo o caminho e encaro-o. O medo em seus olhos me diz que eu deveria ter medo; que tudo o que estava na caixa deveria me assustar. Mas não vou fazer isso, sentir o medo. — O que estava na caixa, Luke? Ele mantém seus intensos olhos castanhos em mim. — Eu já te disse... Uma foto sua. Eu constantemente mantenho seu olhar. — E o que eu estava fazendo nesta foto?


Ele procura em meus olhos por algo e eu me pergunto o que ele vê exatamente. Alguém perdida e assustada ou a fachada que estou tentando usar, a que eu tenho usado desde que tinha cinco anos. — Eu só quero te proteger. — Seus dedos se espalham pelo meu rosto e aquecem a minha pele. — De todo o mau e o lado feio do mundo. — Eu já conheço muito sobre o mau e o lado feio para ser protegida. E é melhor saber do que ficar no escuro, — digolhe, embora não tenho certeza se acredito em minhas próprias palavras. Há muitas vezes em meu passado onde me questionei se era melhor ficar no escuro, começando com quando eu tinha cinco anos e entrei no quarto, onde meus pais foram mortos. Se eu tivesse ficado escondida até que alguém entrasse na casa, eu nunca teria visto-os mortos. A memória do sangue, e as últimas palavras do meu pai, não estariam marcadas na minha cabeça, como uma barra de ferro quente na pele. E então talvez as famílias adotivas não tivessem tanto medo de mim. Então, talvez eu tivesse crescido com uma família e não estaria aqui neste momento. Mas veja, esse é o problema. Porque no fundo, meu coração quer estar aqui com Luke, o que significa que tudo isso tinha que acontecer. Destino, certo? Bem, eu estive muito em conflito sobre o destino ultimamente. Porque ele me trouxe até aqui com Luke, mas demorou muito para mim chegar aqui. Voltar significaria perder Luke, mas admito que não gostaria de voltar a sentir como uma enorme traição aos meus pais. E se eu finalmente aceitasse o quanto me importo com Luke, eu estaria aceitando que algo pode acontecer - talvez o destino mais uma vez - que iria cortá-lo da minha vida e eu iria perdê-lo, talvez para sempre. E não tenho certeza se posso lidar com isso - lidar com destino novamente. Tudo o que eu realmente quero é... bem, ter a certeza eu acho.


— Você estava neste quarto... na foto. — Luke finalmente divulga e há um tremor em seus dedos. — Acho que ele fotografou do outro lado da rua. Medo queima através de mim, mas eu afasto-o rapidamente. Enterre-o, caramba! — Então você acha que foi Preston que deixou a caixa e tirou a foto, — afirmo sem emoção, recusando-me a sentir qualquer coisa por Preston, sendo ódio ou medo. Eu não vou deixá-lo chegar até mim. Não vou pensar nele. Mas apenas tentar não pensar nele faz meu sangue ferver. Meus dedos se curvarem, minhas unhas perfurarem as palmas das minhas mãos, cortando a carne, cortando a dor, distraindo-o com outra coisa. — Isso é novo e ousado da parte dele. Batava enviar mensagens, eu acho. — Eu não tenho certeza de que foi ele, mas... — Ele faz uma pausa, sua expressão afundando. — Mas eu só tenho um stalker, — eu termino para ele, minha voz soando vazia. Vazia, assim como eu. Eu odeio isso, me odeio por tudo que fiz. Por que não posso simplesmente esquecer e mudar? Luke começa a dizer algo, mas eu o interrompo. — Você deveria ir. Você vai se atrasar para a aula. — Eu rolo para o lado de novo, de frente para a parede. — Violet, eu realmente acho que você não deveria ficar aqui, — ele diz, os dedos caindo do meu rosto. — Nós já conversamos sobre isso. Eu não vou a lugar nenhum e Seth está aqui. Eu vou ficar bem. — Há uma frieza forçada em meu tom de voz que vai fazê-lo me deixar em paz. Odeio que eu tenha que fazer isso, mas se eu não fizer sei que eventualmente ele vai se convencer de que tem que ficar aqui e cuidar de mim e isso não é o que eu quero para ele. Ele não diz muito depois disso e eu ainda estou fingindo que cochilei novamente enquanto ele se veste. Antes de sair do


quarto, ele beija suavemente a parte de trás da minha cabeça. — Eu vou estar de volta logo que as aulas acabarem. — Você não tem que trabalhar esta noite? — Eu pergunto. Um par de semanas atrás, Luke conseguiu um emprego no restaurante com a ajuda de Greyson, ajudando no bar. Eu estava um pouco preocupada que isso atrapalharia a sua recuperação, mas ele me garante que está bem por agora, embora queira conseguir um novo emprego o mais rápido que puder. — Não, não até este fim de semana. — Ele pega seu kit diabético e coloca-o em sua mochila, junto com seus livros. — Ok, vejo você mais tarde então. Ele sussurra algo sobre ficar segura, então brevemente espera, como se esperasse que eu dissesse alguma coisa ou iria dizer mais, um hábito quase doloroso excruciante que é desenvolvido entre nós. E como sempre, nada nunca é dito e ele acaba deixando em silêncio. Eu só me movo novamente quando ouço a porta da frente fechar e, em seguida, deixo passar tempo suficiente para que eu saiba que ele não voltar. Espero que, no momento em que ele retorne para casa depois de hoje eu vou ter conseguido me recuperar o suficiente para que eu possa fingir que estou bem com tudo. Colocar meus sorrisos. Ir ao redor, limpar a casa. Ser uma bêbada estúpida, muito agradável, porque isso é o que preciso agora. Após cerca de uma hora depois, eu saio da cama e tomo um banho rápido, em seguida, coloco um par de jeans e uma blusa Silverstein desbotada. Eu amarro meu cabelo em um coque bagunçado e depois vou para a sala, passando pela porta do quarto de Seth. Que está entre aberta e posso ver que ele está dormindo em sua cama. Greyson se foi, provavelmente para trabalhar.


Ando de volta para o meu quarto, fecho a porta quando entro e seleciono a minha playlist e ‘People Live Here’ da banda Rise Against começa a tocar. Vou até a minha cama, deito no chão, e rastejo até chegar à caixa que estou procurando. Uma vez que meus dedos escovam a caixa, eu deslizo para fora com ela em minhas mãos e sento na cama. Como todos os dias desde que comecei, eu olho para ela, pelo menos por uma hora antes de conseguir tomar coragem para abri-la. Em seguida, provavelmente me leva outra metade de uma hora para chegar e tirar o conteúdo: uma pequena pilha de fotos, uma pulseira de prata e um caderno espiral com notas que minha mãe anotou. Estas foram as coisas que o detetive Stephner poderia me deixar pegar que pertencia aos meus pais. Elas não tem participação no inquérito, haviam sido examinado para o sangue e DNA, mas não deu em nada, então ele me deu um par de semanas atrás - assim que voltamos da Califórnia - pensando que eu iria querer isso. Eu não tenho certeza se quero, uma vez que gasto tempo demais simplesmente segurando-os e olhando para eles - eu nem sequer consegui passar da primeira página do caderno ainda. Ninguém sabe que eu tenho esse material, exceto o detetive. Eu ainda nem estou mesmo certa do que fazer com isso. Quando se trata dos meus pais, eu costumo evitar pensar no assunto, daí o vício em adrenalina que desenvolvi. Eu tento não pensar sobre eles, lembra deles; Eu nunca visito suas sepulturas. Apenas parece muito difícil sabe, enfrentar o que aconteceu, o que eu perdi, o que nunca terei. Deixar ir, seguir em frente, em vez de ficar à deriva em algum lugar entre o passado e o futuro, como tenho estado na maior parte da minha vida. Enfrentar o futuro. Deus, eu não posso nem imaginar como seria. Levanto a pulseira na minha mão e, em seguida, com uma respiração profunda coloco-a no meu pulso. Não é nada especial, apenas uma pulseira de prata com uma placa onde


está gravado "Sempre", que depois de pesquisar em alguns tradutores on-line, descobri que significa sempre em italiano. Não tenho certeza por que está em italiano, já que não sei o suficiente sobre os meus pais para entender por que eles escolheriam essa linguagem, o que me deixa deprimida. Todo este material faz. Mas eu nunca vou reconhecer isso. Não consigo. Deus, eu desejo poder apenas ser livre dos meus pensamentos e do passado. Mas isso nunca vai acontecer, não quando o passado tem suas algemas envolvidas em torno dos meus pulsos, me levando para baixo e constantemente me prendendo. Eu sei que nunca vou ser capaz de deixar de ir a dor e a escuridão dentro de mim até que haja justiça para os meus pais. Eu acabo jogando tudo de volta na caixa como se fosse feito de fogo, e então fecho-a e empurro-a de volta para debaixo da cama onde ela pertence. Eu deveria parar de olhar para ela está se tornando uma obsessão. Mas apenas estar no quarto me faz querer tirar as coisas e pensar sobre coisas que não posso mudar. — Eu tenho que sair deste maldito quarto, — murmuro para mim mesma quando caminho com pressa até o meu armário e pego minha jaqueta de couro e botas. Eu coloco-as em seguida, caminho para fora, pegando as chaves e minha carteira do balcão da cozinha no meu caminho. Eu momentaneamente hesito antes de dar um passo para fora, com um pequeno sentimento de culpa por sair sem dizer a Seth onde estou indo como prometi a Luke que faria. Eu não quero explicar para Seth, embora, por isso estou enlouquecendo no momento. Então passo pelo limiar e fecho a porta quando saio, sentindo a culpa se construir dentro do


meu peito como tijolos de aço. Eu sei que sair sozinha não é necessariamente a coisa mais segura a se fazer, e no fundo sei que Luke tem todas as razões para não me deixar sair sozinha. Detetive Stephner concordaria com ele. A obsessão de Preston por mim está além de assustadora... Como aquele quarto com todas aquelas fotos minhas, algumas de quando eu era jovem. É perturbador e ninguém deveria se preocupar, exceto eu. Além disso, ele continua me mandando mensagens de números aleatórios e depois, claro, há a caixa de ontem à noite. Gostaria também de saber se poderia haver mais do que isso que não estou sabendo. O fato de que a polícia manda um carro para cá toda noite tem que me fazer perguntar, mas se o detetive Stephner iria esconder isso de mim, eu não tenho ideia. — Eu deveria apenas caminhar de volta para o apartamento e trancar a porta, — eu digo, tentando me convencer, mas não funciona e eu acabo trotando para baixo da escada. Porque estou torcida, quebrada, desarrumada. Um milhão de coisas diferentes. A voz dentro da minha cabeça não é minha, mas um coro composto por meus pais adotivos ao longo dos anos. É isso que eu faço. Eu atrapalho. Eu faço tudo errado. Eu desligo porque é fácil e sou o tipo de pessoa que toma o caminho mais fácil. Precisando de uma distração das vozes, eu pego meu celular do meu bolso e mando uma mensagem para Greyson, imaginando que posso tolerar sair com ele agora. Além disso, ele também pode dizer a Seth que estou com ele, assim vou manter minha promessa com Luke sem ter que ir explicar a Seth que estou enlouquecendo e precisando dar o fora do apartamento. #Eu: Onde você está? Eu desço as escadas, esperando por sua resposta. Está frio, por causa da estação de outono e deixando as folhas e a grama secas. Eu posso sentir a brisa de Wyoming picar em minhas


bochechas e posso ouvir sinos do vento cantando em algum lugar nas proximidades. Parece pacífico. Eu gostaria de poder congelar. Nunca dar um passo em frente, nunca dar um passo para trás. Apenas me agarrar a este momento, sem me mover, sem respirar. Para sempre. Mas meu celular vibra no bolso e tenho que me mover novamente. Sugando uma lufada de ar, eu pressiono meu dedo pela tela, notando que, juntamente com a mensagem de texto, eu tenho uma mensagem de voz. Eu não tenho nenhuma ideia de quando perdi essa chamada, mas decido abrir a mensagem em primeiro lugar, uma vez que é a partir de Greyson. #Greyson: No trabalho. O que está acontecendo? Você está bem? #Eu: Sim, apenas entediada. Tive que faltar uma aula hoje. Se importa se eu for aí no bar? #Greyson: Você sabe que Benny provavelmente te fará trabalhar se você aparecer aqui. Estamos com escassez de funcionários. #Eu: Melhor do que ficar em casa. #Greyson: Tudo bem, então venha para cá. Estou entediado de qualquer maneira. O bar fica sempre lento na parte da tarde. Não tenho certeza porque Benny insiste em mantê-lo aberto. O lado do jantar está loucamente lotado embora. Ele mantém aberto para pessoas como eu que querem começar a beber mais cedo, porque é isso que vou fazer se eu for para lá. Minha mão treme diante a revelação. Foi isso que eu comecei? Eu sou tão ruim assim? Eu me importo? Sobre qualquer coisa? Eu não tenho certeza - não tenho certeza de mais nada. Eu costumava ser tão contra a bebida. E lidava com drogas, mas raramente me envolvia nessas substâncias, principalmente


porque fodia com a minha cabeça e minha cabeça já é muito fodida para começar. Mas desde a coisa com Preston tenho vivido em uma nuvem que escolhi criar, porque me ajuda a esquecer todas as coisas sujas que eu fiz com ele... — Uau, eu sou realmente uma maldita confusão. — Realidade me dá um tapa no rosto, frio e duro. Eu fico lá nos degraus por um tempo, imóvel. Sempre imóvel. Nunca se movendo. Não é nada novo, mas ainda fica sob minha pele toda vez que penso sobre isso - no que eu me tornei - e os meus dedos estão um pouco instáveis enquanto digito uma resposta. Eu: Chego aí em cerca de 15 minutos. Eu ouço o correio de voz enquanto marcho o resto do caminho descendo as escadas, o peso da vida me prensando para baixo. As coisas só pioram quando ouço o correio de voz do detetive Stephner. No começo acho que é só ele me dando uma atualização, embora eu geralmente sou aquela que liga. Mas quando percebo que ele está dizendo... Não, eu devo ter ouvido errado. Eu tenho que voltar e reproduzir a mensagem novamente. Eu reproduzo-a novamente e novamente. — Não... Não pode ser... — Suas palavras batem contra o meu peito, caindo sobre mim como uma onda feroz que me faz sentir como se eu estivesse me afogando. E, em vez de combatê-la, eu apenas fico lá deixando a água me levar. Mira Price foi detida. Mira Price foi presa? Eu estou assustada, chocada, completamente desprevenida. Eu pensei isso nunca fosse acontecer, pelo menos estou


percebendo isso a partir deste momento. E definitivamente não esperava esse tipo de reação de mim mesma. Ou talvez eu só estivesse em negação. Talvez no fundo eu sabia que tudo isso estava sob a superfície, e que quando acontecesse eu iria ter que admitir muitas coisas para mim mesma. Mira Price foi presa pelo assassinato dos meus pais, e que, independentemente disso meus pais não estão voltando, nunca. Nada vai trazê-los de volta. Até o momento que chego à parte inferior da escada, sinto que estou afundando no chão. Leva toda a minha energia para manter meus joelhos firmes, mas no final eu caio, diretamente na calçada. Eu posso sentir a superfície áspera do concreto esfregando camadas da minha pele debaixo do meu jeans, mas a dor física não é nada. Nada. A dor física é o meu santuário. É a dor emocional que vai me matar. Inspire. Expire. Eu sou mais forte do que isto. Ou não sou? Não, eu preciso de algo para afastar as emoções dentro de mim... A confusão... A impotência do desconhecido... Para onde eu vou a partir daqui? O que eu preciso é de uma janela, algo alto. Algo perigoso. Algo. Algo. Algo. Para desligar as emoções formigando dentro de mim, afiado como agulhas, potente como facas, acabando comigo. Isso dói. Muito. Está me matando. Eu juro que estou sangrando por dentro... Muita dor. A dor se torna mais poderosa quando eu penso no que está diante de mim, o futuro que tenho que enfrentar. Finalmente, consigo controlar e enterrar a dor apenas o suficiente para que eu seja capaz de ficar de pé. Então ando sem rumo na calçada com uma ideia subindo na minha cabeça,


que poderia me ajudar a suportar o dia. Embora, eu poderia não sair viva dela. Eu quero encontrar o edifício mais alto, pisar na borda com os braços estendidos no meu lado e me inclinar para frente até que todas as emoções dentro de mim sejam substituídas pelo medo. A ideia é terrível, o que torna muito mais atraente. Faz com que seja o que eu preciso. Almejado. Alimenta o meu vício. Só quero saber quanto tempo vou ser capaz de continuar assim até acabar indo longe demais.


05 LUKE Eu me sinto como uma merda hoje. Não só pela tensão da caixa e da foto, mas estou preocupado com Violet, mais do que já estava. Ela está ficando mais distante e noite passada, quando fizemos sexo parecia que ela estava em outro lugar, à deriva mais longe de mim e um dia estou receoso de que eu não serei capaz de alcançá-la. Doeu pra caralho e me fez lembrar de mim mesmo não muito tempo atrás, quando eu fazia sexo para sentir como se eu tivesse no controle sobre as coisas. Eu odeio que é aí que nós começamos, mas não sei o que fazer sobre isso. Pedi ajuda? Talvez. Mas sinto que seria um pouco hipócrita, como se eu não tivesse o direito de dizer nada sobre isso. Depois de aula sobre aula, eu analiso tudo. Continuo verificando a hora a cada fodido minuto, o que faz parecer como se estivesse se movendo ainda mais lento. Mando uma mensagem para Violet para ver como ela está e quando ela não responde, eu ligo para ela. Vai direto para o correio de voz, o que é alarmante o suficiente, mas adicione mais uma hora sem capaz de conseguir entrar em contato e estou fodidamente pirando. E não consigo entrar em contato com Seth também. Eu não gosto da sensação, mas não consigo controlar e, finalmente, depois de olhar para o relógio por cerca da quinquagésima vez, saio da classe no meio da palestra do professor Haperson.


É completamente diferente de mim, Sr. Estrutura, e recebo um monte de olhares estranhos em resposta, especialmente de Kayden Owens, meu melhor amigo desde que éramos crianças. Ele provavelmente está pensando sobre a última vez em que desapareci, apenas faltei aulas e os treinos de futebol por um par de semanas sem uma explicação, que é completamente fora do personagem para mim, Sr. Estrutura. Eu ainda não dei-lhe uma explicação, mas é principalmente porque metade da explicação pertence a Violet e eu não estou indo contar sua história sem a sua permissão. Claro o suficiente, estou do outro lado do campus quando recebo uma mensagem de Kayden. #Kayden: O que há de errado? Por que você fugiu? #Eu: Eu tenho que verificar algo. #Kayden: Algo ou alguém? Porque parece que você tem faltado aula demais por estar checando muito alguém ultimamente. Faço uma pausa. Eu não tenho certeza se ele quis dizer isso de forma rude ou não, mas estou tendo a sensação de que ele pode pensar que as minhas faltas estão ligadas a Violet, o que me faz ficar um pouco defensivo. Se estão ou não, isso não importa. Os pais de Violet estão mortos por causa da minha mãe. Se ela os matou ou não, ela estava lá naquela noite e tem uma parcela de culpa por Violet crescer com famílias adotivas. Mas Kayden não sabe disso, então acho que suas acusações em relação a Violet são compreensíveis. #Eu: Olhe, Há um monte de coisas que você não sabe sobre Violet e eu. #Kayden: Eu percebi, mas ainda me preocupo cara... Você parecer um pouco fora de lugar, ultimamente, que é realmente muito diferente de você. #Eu: Eu sei, mas eu não estaria se não fosse importante.


Ele leva um tempo para responder e enquanto espero pela sua resposta, entro na minha caminhonete e ligo o motor. #Kayden: Bem, se você precisar de ajuda com qualquer coisa, me avise. Se fosse algo em que ele pudesse ajudar. Talvez eu não me sentiria como se estivesse caindo de um penhasco, sem saber quando vou chegar ao chão ou onde vou pousar. #Eu: Valeu cara, mas posso lidar com isso por enquanto. Maior mentira que eu já disse. Eu não estou lidando com nada disso. Nem mesmo um pouco. Na verdade, Violet parece estar ficando cada vez pior, e parece que estou de pé ali a observando destruir sua vida... Eu me sinto tão impotente. — Porra. — Eu amaldiçôo em voz alta enquanto dirijo para estrada, frustrado e chateado comigo mesmo por não fazer um trabalho melhor em ficar de olho nela. Há tantas coisas ruins que podem acontecer no momento, Preston pode estar em qualquer lugar lhe observando. Isso envia um arrepio que percorre em minha espinha e me bate no estômago com força. Eu não posso perdê-la - não posso perder a única pessoa que eu já me preocupei. É assustador pensar nisso e encontro-me desejando - esperando - que um dia, de alguma forma, as coisas não serão assim. Que serão melhores. Normais. Por favor, deixe que as coisas melhorem.


06 VIOLET Esta é a minha última tentativa de tentar fazer a dor ir embora, a última tentativa de preencher o vazio no meu coração. Eu só espero que funcione, porque nada mais parece. Eu estou de pé na beira do rio furioso, observando-o fluir poderosamente sobre as rochas, desviando em torno das curvas, mergulhando abaixo da ponte, a beleza no seu melhor. Desejo ser uma pintora para que eu pudesse capturar a bela imagem. Ou uma fotógrafa. Eu gostaria de ser um monte de coisas; ou pelo menos saber o que eu quero ser, então talvez fosse mais fácil - a vida poderia ser mais fácil. Se eu sentisse um propósito, que não seja sempre está à deriva como as folhas na água. Eu afasto as longas sequências de pensamentos da minha mente, aqueles criados a partir da adrenalina correndo através de mim, junto com uma abundância de álcool. Então me forço a dar um passo até a borda, onde a água está correndo abaixo. Estou apenas ganhando tempo, distraindome pelo que vim fazer aqui, outra tentativa depois de vários fracassados. Eu não tenho certeza, mas hoje tem sido difícil me acalmar. Eu não sei por quê. Estou mais assustada do que o habitual? Não. Será que eu mudei de ideia? Definitivamente não. Uma vez que decido que preciso fazer isto que não dá para voltar atrás. Cheguei ao ponto emocional que não posso lidar -


não sei como lidar - e esta é a única maneira que eu conheço como. É o que eu venho fazendo há anos e não é mais um hábito, uma fuga, mas uma parte de mim, enraizado em minha pele como minhas tatuagens. — Eu preciso disto, — eu sussurro e depois com uma respiração profunda entro na água violenta. Ela absorve através das minhas roupas e bate na minha pele instantaneamente, mil agulhas minúsculas, avisando-me para voltar. Mas eu continuo indo para frente, até que eu esteja submersa até a cintura... O peito... O pescoço... Eu mal posso manter minhas pernas agora, o poder da água me puxa para baixo, sungando-me, levando-me embora. Parte de mim quer deixar, quer levantar os pés e se deixar levar para o desconhecido. Eu não tenho ideia se vou sobreviver e meio que esse é o ponto. O ponto inebriante, aterrorizante. Mas a pequena vontade deixada dentro de mim, a que sussurra que não é mais só eu, me pede para lutar. — Eu não sei se quero mais. — Eu grito sobre a água. — Eu estou tão cansada de lutar, até em permanecer com a minha cabeça acima da água. — O som da minha voz se perde no rugido da água enquanto eu fico lá esperando por... Bem, eu não tenho certeza. Uma resposta para o que devo fazer? Para onde eu vou a partir daqui? Não há uma resposta, porém, e a única opção que tenho é percorrer de volta à costa. Talvez não seja a única opção embora. Afinal das contas, eu poderia simplesmente desistir agora, mas não vou. Eu estou escolhendo voltar para a minha vida, para a minha casa, para as pessoas nela. O que isso significa? Incerta, eu começo a virar-me para a costa novamente, mas no meio do movimento, meus pés deslizam debaixo de mim. Uma respiração mais tarde, minha bate cabeça contra uma rocha, eu sou envolvida pela água. Eu tento me agarrar em alguma coisa, tento desesperadamente ficar de pé, mas não tenho a


menor chance. A água é muito forte e minha cabeça está confusa por causa da colisão. Eu mal posso ver algo... Água... Rochas... Água... Eu girando no centro dela. Oh meu Deus, eu vou morrer. Eu nunca tive esse pensamento antes. Nunca realmente pensei que eu iria morrer por todas as coisas que fiz. Eu me empurrei para a borda, mas sempre soube o ponto onde cruzar a linha e nunca a cruzei. Mas agora eu a cruzei. E vou morrer. Eu quero chorar, porque não estou pronta para isso, não estou pronta para ir. Eu tento abrir a boca para gritar por socorro, lembrando-me de que haviam algumas pessoas na costa, mas toda vez que abro minha boca, eu engulo grandes goles de água que me sufoca. Então, ao invés lutar pela minha vida. Eu luto como uma pessoa que quer viver mais do que qualquer outra coisa. Estou surpresa com o quanto luto. Quanto quero voltar para a costa. Quanto eu quero a minha vida. Quanto quero ver minhas coisas... Quero ver as pessoas. Eu juro em meio a isto que ouço a voz do meu pai, me dizendo para ser forte. Eu juro que o vejo também, nadando em minha direção, para me ajudar a voltar para a costa. É apenas uma ilusão, porém, o seu rosto muda para o de outra pessoa quando fica mais perto. Mas é alguém. Alguém que talvez possa me salvar. Porque Deus, eu quero ser salva. Há pessoas gritando ao longe e eu posso ver a pessoa se aproximando. Eu tento chegar até eles e eles tentam chegar até mim, os dedos tão perto enquanto a água cobre a minha cabeça e rochas batem no meu corpo. Mas, de repente uma


onda desaba em cima de mim e sรณ assim, tudo comeรงa a se afastar, enquanto a รกgua me leva.


07 LUKE Eu consigo me manter calmo enquanto dirijo em direção ao apartamento, esperando que ela esteja lá, cruzando os dedos que, de todas as coisas ruins que poderiam estar acontecendo, está realmente tudo bem. Por favor, apenas faça que ela esteja bem. Estou quase lá quando recebo uma mensagem. Pego meu celular do bolso e vejo que é de Greyson. #Greyson: Ei, eu tenho algo seu. #Eu: Huh??? #Greyson: Uma garota com cabelo preto e mechas vermelhas, um piercing no nariz, tatuagens, uma personalidade espertinha. Atende pelo nome de Violet. Uma onda de alívio cai sobre mim. Ela está com Greyson. Graças a Deus. #Eu: Fico feliz que ela esteja com você. Eu venho tentando faz tempo entrar em contato com ela. #Greyson: Sim, ela tem estado ocupada. Com o que eu não tenho ideia, mas ela apareceu aqui com a roupa molhada, um olho inchado, um corte em seu pulso, e bebido além da compreensão... É muito ruim, Luke. Eu não


vou mentir. Algo ruim deve ter acontecido. Não tenho certeza do que embora, desde que não consigo fazê-la falar sobre isso. Uma onda de culpa varre através do meu corpo, tão poderosa que eu tenho que encostar a caminhonete para me recompor, para evitar um acidente. #Eu: Onde vocês estão exatamente? #Greyson: No restaurante. Felizmente o bar está bastante vazio para que eu possa manter um olho sobre ela, mas vai ficar difícil no turno das três ou mais. Você pode vim buscá-la? Eu a levaria para casa, mas estamos com escassez de funcionários. #Eu: Já estou no caminho. Eu conduzo como um louco fora do inferno pelas ruas de Laramie, quebrando muitas leis de trânsito para contar. Mas estou muito preocupado, não apenas sobre Violet estar bêbada, mas porque ela apareceu no restaurante com roupas molhadas e contusões. Eu conheço o suficiente sobre Violet para entender o porquê dela ter feito isso para si mesma. Eu pensei que estava se tornando mais fácil sua busca por adrenalina, mas agora eu não tenho tanta certeza. Leva-me metade do tempo normal para chegar ao restaurante e na hora que chego lá, eu estou com a minha própria adrenalina acelerada, minha mente correndo com uma tonelada de ideias do que Violet estava fazendo enquanto eu estava na aula. Eu nunca deveria tê-la deixado sozinha em casa. Eu deveria ter ficado com ela. Eu pulo para fora da caminhonete e corro para a porta de trás do restaurante. O céu está nublado e cinzento, o vento frio, e eu juro por Deus que posso ouvir o trovão caindo à distância, como um presságio maldito. Quando abro a porta e caminho para dentro, a primeira coisa que noto é quão silencioso está.


É inquietante e o sentimento só se amplia quando o primeiro ruído que ouço é o som abafado de gritos. Eu viro a esquina e entro na área da despensa que fica escondida entre a cozinha e o bar e encontro Violet encolhida no canto com as pernas puxadas para o peito. Seu cabelo é um emaranhado e há sujeira em suas roupas. Seus olhos injetados de sangue estão focados no espaço vazio e lágrimas estão escorrendo pelo seu rosto. Tanta tristeza que derrama para fora dela, mas ainda assim ela parece tão vazia por dentro. — Jesus Cristo. — Eu nem sequer quero dizer isso em voz alta. Meio que acaba escapando, o que é um choque vê-la assim. Eu só a vi chorar um par de vezes e ela odiou isso, mesmo que eu vi. Aqui fora a céu aberto onde qualquer pessoa pode vê-la... O que aconteceu deve ter sido ruim. Eu aproximo-me dela como se ela fosse um gato arisco, mas ela não me percebe até que eu estou praticamente em pé na sua frente. Então ela levanta o queixo e olha para mim, olhos grandes e úmidos, tão perdidos, fervilhando de confusão. Eu tenho que trabalhar para me manter composto. — O que há de errado? — Eu pergunto, agachando-me na sua frente. Quando ela não responde imediatamente, eu me aproximo, mas ela balança a cabeça e se inclina para trás, virando o rosto para o lado. Eu vejo a área inchada que Greyson estava falando. Já se aprofundou em um roxo azulado, o que significa que seja lá o que aconteceu, ela provavelmente foi duramente atingida. — Por favor, não me toque, — ela sussurra. — Agora não. Estou me sentindo tão perdido com sua aparência enquanto observo o arranhão em seu pulso que Greyson me falou, só que não é um simples corte, mas uma ferida, irregular e aberta através da sua carne e ainda sangrando um pouco. Um interruptor liga dentro de mim e eu quase perco o controle sobre mim mesmo quando agarrar o seu braço.


— O que diabos aconteceu aqui? — Exijo, sem querer soar tão irritado, mas não posso me parar. Eu odeio que ela fez isso para si mesma, se machucou. Ela é merece muito mais do que isso, mas não consegue enxergar. Ela estremece com o toque da minha mão e eu percebo como estou agarrando-a apertado, então afrouxo meus dedos um pouco. — Desculpe, mas... — Eu engulo em seco e balanço a cabeça. — Parece que você fez isso com você mesma... Como se tivesse se cortado. — Eu fiz, — ela responde. — Sinto muito... Mas tentei desligar de outra forma, mas desta vez... Desta vez foi demais e eu não consegui lidar... Não conseguia fazer a dor parar, não importa o quão duro tentei, então fui mais longe... Fiz coisas que nunca pensei que faria. Eu cerro meus dentes enquanto tento manter a compostura, mas a ideia dela se machucar me deixa enjoado e irritado. Não com ela, mas com todos os outros que ajudaram a destruir Violet ao longo dos anos. Todos os pais adotivos que lhe abandonaram. Preston. Minha mãe. — O que aconteceu? — Sento-me no chão à sua frente, ainda segurando seu braço. Eu posso ouvir alguém na cozinha, batendo as panelas e frigideiras ao redor, mas Violet parece não notar. — E onde está Greyson? — Ele está trabalhando no bar, — ela diz, olhando para o espaço no chão em frente dos seus pés. — Ele não sabe que eu desmoronei assim... Eu esperei até que ele ficasse muito ocupado para me verificar. — Ela suga a respiração, tentando parar as lágrimas, mas elas continuam derramando. — Como você fez... — eu escovo delicadamente o meu dedo sobre o seu pulso, onde o machucado está. — Como isso aconteceu exatamente?


Ela inala então exala até que finalmente seu olhar fixa em mim. Sua expressão é vazia - tão destacada que é arrepiante. — Eu me cortei. — Ela desliza o braço para fora do meu toque, puxa a manga do seu casaco por cima dele, então abraça seu punho contra o peito. — Eu tentei de tudo... Ficar de pé no topo de um edifício, inclinar-me sobre a borda, balançar meus pés sobre ela. Quando isso não funcionou, tentei me cortar. — Ela encolhe os ombros com indiferença. — Mas não ajudou. Estou tentando ignorar que ela está agindo de maneira muito indiferente sobre o fato de que se machucou, mas é realmente muito difícil. Eu só quero gritar com ela, dizer-lhe para parar, dizer-lhe que ela é muito importante e boa demais para fazer essa merda para si mesma. — Como você conseguiu o machucado em seu rosto? — Eu toco suavemente o local com meus dedos. Seu rosto se torce com perplexidade quando alcanço sua bochecha, quase como se ela tivesse esquecido que estava lá. — Oh... Eu me machuquei em uma rocha quando mergulhei no rio. — Eu noto que ela tem uma pulseira de hospital em seu pulso. — E meio que dói. Eu deslizo meus dedos através da pulseira do hospital, meus olhos arregalados. — O que diabos é isso? — Eu pergunto, mas ela apenas balança a cabeça, recusando-se a dizer-me. Agitando minha cabeça, eu levo minha mão até seu rosto e toco-o, tentando não ser tão bravo, mas não consigo me parar, não quando ela não parece se preocupar com si mesma. Ela não sabe o quão importante é... Para mim? Como poderia, no entanto, quando eu nunca realmente disse a ela... Disse-lhe... Que eu... Que eu a amo. — Sua pele está congelando... — Minhas mãos viajam para baixo do seu corpo, pescoço, braços, dedos, que estão


igualmente tão gelados. — Você está congelando babe... O que aconteceu com você? — Está frio lá fora e eu andei até aqui com as roupas úmidas do hospital. — Ela contempla alguma coisa. — Mas acho que o álcool me anestesiou, na maior parte porque eu não consigo nem sentir isso. — Ela faz uma pausa, virando a cabeça para o lado como suas sobrancelhas arqueadas. — É estranho, mas eu não me lembro muito bem de como cheguei até aqui. Eu odeio que ela esteja claramente apagada, a partir da sobrecarga de adrenalina ou o álcool e que, no meio disso, ela de alguma forma acabou no hospital. Deus, tantos pensamentos correm pela minha mente sobre o que diabos aconteceu enquanto eu estava na faculdade. Mas o que me deixa ainda mais louco é que ela se locomoveu sozinha quando tem um stalker atrás dela. E enquanto estava bêbada. Não só é perigoso, mas todo esse álcool vem fazendo mal a sua saúde. Algo que eu descobri em primeira mão há quase um mês depois de ter tomado a decisão de parar de beber. Eu tinha ido ao médico atrás de uma medicação que fosse me ajudar a passar por uma desintoxicação. O médico fez um check-up e disse que com a minha diabete, eu tinha muito sorte pra caralho de ainda estar andando com todo álcool que eu vinha tomando. Acho que um ano atrás, eu não teria dado a mínima, mas agora, com Violet ao redor, com alguém que eu me importo e que precisa de mim, isso me faz querer ficar melhor. Eu só desejo poder fazê-la melhorar também. — Vamos para casa. — Eu envolvo meus braços em torno dela para levantá-la. Ela não luta para escapar e praticamente desaba em meus braços com um suspiro pesado, como se estivesse esperando que eu fizesse exatamente isso. — A sensação é agradável, — ela murmura enquanto eu levoa para a porta, suas pálpebras tremulas quando ela luta para


mantê-las abertas. — Luke... Por favor, não me deixe. — Sua voz suplicante de alguma forma rasga meu coração. — Eu não tenho mais ninguém. — Sim, você tem. Você tem a mim e eu prometo que não vou a lugar nenhum. Nunca. — Eu digo sem ter que refletir. Abro a porta com um chute, em seguida, começo a atravessar o estacionamento em direção à minha velha caminhonete estacionada nos fundos. — Você diz isso agora... Mas pode mudar de ideia depois... — Ela boceja e enterra a cabeça no meu peito. — Depois do quê? Eu pergunto, tentando abrir a porta do passageiro, sem ter que colocá-la no chão. — Depois do que está prestes a acontecer... Tanta coisa... À nossa frente... Faço uma pausa, tensão enchendo meu corpo. Que diabos aconteceu hoje? — O que vai acontecer? Ela não responde, apagando em meus braços, me ignorando como o inferno. Por que ela acha que eu iria deixá-la? E o que pode ter acontecido de tão grave hoje? Poderia ter algo possivelmente a ver com essas duas questões? Deus, e se eu for a razão dela está quebrando?


08 VIOLET Quando abro meus olhos novamente estou enfiada na minha cama, a luz do sol brilhando através da janela, o que significa que eu devo ter dormido por pelo menos um dia. Estou usando uma das camisas de Luke, o cheiro dele esmaga minhas narinas da melhor maneira possível e, por um momento, tudo está bem. Mas então percebo o resto de mim mesma; cabelos emaranhados que cheiram a água suja e todo o meu corpo parece como se eu tivesse levado uma surra de um boxeador campeão. No começo não me lembro como cheguei aqui, mas, em seguida, lentamente, os pedaços chegam até mim. O telefonema do detetive Stephner... O que aconteceu... O que ele precisa que eu faça... Como eu reagi a tudo isso... Eu levanto o meu pulso e examino o local onde me cortei com um canivete de merda que eu tinha faz um tempo. Então toco o lado da minha cabeça onde bati na pedra no rio. Eu nem me lembro como saí das corredeiras. Acho que uma pessoa me tirou de lá... Então um monte de gente apareceu e havia sirenes para me levar ao hospital. Eu menti por entre os dentes para a enfermeira sobre o que aconteceu; que eu estava tentando tirar uma foto quando caí da ponte. Acho que é porque eu não tenho seguro de saúde ou qualquer coisa que foi mais fácil para eles me deixarem sair sem questionar muito o que aconteceu. Além disso, eu posso ser uma boa mentirosa quando preciso.


Depois do hospital, eu andei. E andei. E andei. Tão confusa sobre a vida e o que eu queria dela, porque eu queria claramente algo, caso contrário, teria me deixado afogar e me juntado aos meus pais debaixo da terra. Mas não consegui entender, só ficava pensando em Luke. Então fui para o restaurante. E Greyson... E então Luke estavam lá em pessoa, vendo-me daquele jeito... — Merda. Luke. — Eu solto um suspiro exausto como as minhas emoções, a qual eu estava tentando me livrar, veio correndo de volta para mim, juntamente com todo o resto. Eu pego meu celular da mesa de cabeceira e verifico a data - sim eu estive fora por um dia. — Porra. — Esfrego a mão no meu rosto, fazendo uma careta de dor, mas, em seguida, congelo quando noto a pulseira de prata com a palavra Sempre gravada nela. — Eu juro que eu tirei isso, — murmuro. — Que diabos? — Eu me forço a sentar-me, mas é como se eu estivesse entrado em um carrossel quebrado. O quarto gira e volta e eu quase desmaio e caio no chão. Eu agarro a borda da mesa de cabeceira e, no processo, bato no abajur. Ele cai no chão, não quebra, mas faz um barulho alto. Quando estou tentando voltar a posição de antes, a porta se abre e Luke entra. — O que você está fazendo? — Ele pergunta, olhando para o abajur no chão e, em seguida, para mim que estou debruçada, tentando ficar de pé. Eu estremeço quando entro em colapso de volta para cama. — Tentando levantar-se. — Eu finjo um tom claro. — Mas parece que as minhas pernas esqueceram seus propósitos na vida. Ele faz uma carranca para mim. — Isso não é engraçado, Violet.


— O quê? Eu não ser capaz de andar? — Eu estou sem saber como reagir a sua ira, porque não é típico dele. — É meio engraçado sim, você não acha? — Eu ergo meu polegar, cerca de uma polegada de distância. — Só um pouquinho. Ele balança a cabeça, claramente ainda irritado comigo. — Pare de fazer piadas. — Ele sentasse-se na cama, fazendo com que o colchão afunde e eu deslize para sua direção. — Eu nem sequer... Eu não posso nem mesmo... — Quando seu olhar encontra o meu, eu quero encolher-me e me esconder debaixo dos cobertores. Eu fui repreendida muitas e muitas vezes durante toda a minha vida, mas nunca deste jeito, não com tanta paixão, decepção, terror e preocupação em seus olhos. — Que diabos você estava pensando? Sair de casa... Entrar no rio... Deus, caramba! — Suas mãos se apertam em punhos e parece que ele quer quebrar alguma coisa. Eu recuo a partir do tom duro da sua voz, mas ainda continuo sentada, embora minhas costas doem. — Eu estava pensando no que não queria mais pensar. O quanto doía pensar. Como foi difícil. — Você me prometeu que não iria sair do apartamento e que iria colaborar com Seth, mas não fez nenhum dos dois. — Eu não preciso de uma babá, Luke. Eu já lhe disse isso muitas vezes. Com uma expressão dura, ele levanta o braço e toca a pulseira do hospital. — É evidente que você precisa... Sabe o quão preocupado eu fodidamente fiquei quando não conseguir entrar em contato com você? — Ele balança a cabeça, o queixo apertado, e seus punhos fechados tremendo. — E então lhe encontrei bêbada, toda molhada, com uma pulseira de hospital em seu pulso, e isso faz com que seja muito pior. Eu deslizo minha mão sobre a sua, sentindo vergonha do que fiz. Luke sabe, como sabe sobre o meu pequeno segredo


sujo. Ao contrário da enfermeira do hospital, eu não posso simplesmente mentir para ele e dizer-lhe que tudo foi um acidente. E honestamente, eu não quero. — Eu fodi tudo. É o que eu faço, Luke. Sinto muito, mas não há muito mais que eu possa dizer. Seu olhar me aborrece enquanto ele se aproxima até que nossos joelhos estejam se tocando, então descansa sua testa contra a minha, como se precisasse me tocar. — Por que você fodeu tudo? — Ele pergunta, com a voz muito mais suave. Uma pergunta simples. Mas é embalada com tanta emoção e sinto que estou me afogando novamente. Abro minha boca para lhe dizer que eu não quero falar sobre isso, mas então percebo que não importa se eu quero ou não, eu preciso. Eu fiz a minha escolha quando decidi lutar em vez de me afogar, que eu iria lidar com isso. — Detetive Stephner me ligou, — eu digo em voz baixa. — Algo aconteceu com o caso. Ele está lutando para manter uma expressão neutra, enquanto me inclino para trás. — Ok... O que foi? — ele pergunta. Tudo o que sentir quando ouvi a voz do detetive corre através de mim. O medo. O alívio. A preocupação. A excitação. A decepção de perceber que mesmo que o caso seja resolvido, meus pais nunca voltariam - nada vai mudar isso. Eu ainda não tenho nada. Nenhuma mãe. Nenhum pai. Sem parentes. Nada. E o passado ainda existe, não vai me liberar, eu nunca poderia ser livre. E, em seguida, a revelação e o medo de que eu poderia perde o controle também se eu desligasse minhas emoções, o que quase me matou. Mas eu escolhi viver. Escolhi não me afogar. Isso tem que significar algo, certo? Que eu não quero morrer.


— Eles prenderam sua mãe há dois dias e transferiram-na para cá. — Minha voz sai trêmula quando sinto uma certa mudança na minha vida e que altera algo, o que é estranho e assustador. — Eles querem que eu vá até lá e ver se eu reconheço-a... Eu acho que não vou ser capaz, mas é algo que tenho que fazer. — Eu dou de ombros, como se estivesse falando de algo tão casual quanto o clima. — Se tudo ocorrer bem, vai haver julgamento. Ela ficará na prisão... se tudo ocorrer bem, eles vão descobrir quem matou meus pais. — Eu engulo em seco. — Nada nunca vai ser o mesmo outra vez... Eu sei que não... Isso vai mudar tudo... E eu sei... Eu sei que vou acabar sozinha. — Eu me sinto tão vulnerável admitindo a verdade, envergonhada, fraca, tantas coisas. — Eu só quero ser mais forte, — eu admito. — Por que não posso ser mais forte, como eu costumava ser? — Porque eu não tinha nada a perder para começar. Seus olhos observam cada polegada de mim, me fazendo formigar e ele não está sequer me tocando e parece que quer dizer alguma coisa, mas não consigo descobrir o que é. O silêncio se estende entre nós. Parece que fica cada vez mais longo, do tipo que parece que nunca vai acabar e eu sei que quanto mais tempo passar, pior as palavras que viram será. Finalmente seus lábios se abrem e as palavras escapam. — Eu te amo. No começo eu acho que ouvi errado, mas meus olhos se arregalam quando eu processo o que diabos ele acabou de dizer. — Huh? — Eu pisco, atordoada pra caralho. — O... O que foi que você disse? Mais silêncio se estende entre nós, só que desta vez é preenchido com a nossa respiração irregular. Isso me faz querer retirar minha declaração inicial. Este é o silêncio mais longo que já existiu. E é estranho como o inferno. Luke parece


absolutamente perplexo, suas sobrancelhas unidas, seu rosto está pensativo como se ele estivesse repetindo o que disse em sua cabeça enquanto pensamentos correm pela minha mente boquiaberta. Ele acabou de dizer que me ama? Me ama? Ninguém nunca disse isso para mim desde que eu tinha cinco anos, desde que meus pais ainda estavam vivos. — Oh meu Deus. — Essas são as primeiras palavras que saem da minha boca. Eu não sei de onde vieram ou o que quero dizer com elas. Tudo o que sei é que parece como se o fôlego fosse tirado de mim e me sinto como se eu estivesse sendo estrangulada. — Eu não quis dizer isso, — ele finalmente diz, mas não parece que lamenta por dizer também. Ele está muito calmo. Muito, muito acalmo enquanto eu estou enlouquecendo. — Quero dizer, eu quis dizer isso, apenas não agora. — Ele força um meio sorriso enquanto enfia uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. — Momento errado, certo? Eu embasbaco com isso, minha boca caindo até meu joelho, com perda de palavras. Ele está agindo como se não fosse um grande negócio, mas é. Um enorme, fodido, negócio confuso que eu não sei como compreender ou manipular. Eu permaneço em silêncio até o ponto que parece que quero bater minha cabeça na parede só para fazer algum barulho. Eu continuo olhando para Luke, incapaz de tirar os olhos dele. Parte de mim, a que está ligada ao lado da minha mente que ainda quer acreditar em contos de fadas, unicórnios, e toda essa merda imaginária, me diz que a única razão pela qual eu estou sentada aqui com ele ainda é porque minhas pernas doem demais para que eu me levante e vá embora. Mas a outra parte, a que está ligada à parte da minha mente, ri de mim dizendo que estou tentando mentir para mim mesma, me diz que eu ainda estou sentada aqui porque quero estar. E que em si é horrível.


— Violet, por favor, diga alguma coisa. — Há um apelo na voz de Luke, me implorando para... Acabar com o constrangimento? Para talvez dizer de volta? Eu não sei se é isso, mas o que sei é que eu não posso. Eu nem sei o que é o amor. — Eu preciso ir até a delegacia de polícia. — Encaro-o por um ou dois segundos mais antes de tirar meu olhar de cima dele. — O detetive Stephner provavelmente está se perguntando onde diabos eu estou agora. — Eu não sei como, mas consigo abaixar minhas pernas e ficar de pé sem perder o equilíbrio. Então lentamente vou até a cômoda para pegar algumas roupas limpas. — Você tem certeza que não quer esperar até amanhã? — Ele pergunta. — Descansar um pouco antes de ir? — Eu só quero acabar com isso. — Eu seleciono uma blusa vermelha, um par de jeans, sutiã e calcinha. Eu penso sobre pedir-lhe para sair para que eu possa me trocar, mas me preocupo em deixar esta situação ainda mais estranha. Não é como se eu normalmente pedisse-lhe para sair. Na verdade, às vezes me troco na frente dele para provocá-lo. Então removo meu vestido e jogo-a no chão, o bracelete acaba engatando no tecido no processo. — Ei, você não encontrou um bracelete de prata por acaso, não é? E colocou-a em mim? — Eu pergunto tão casualmente quanto posso, tentando desengatar a pulseira do tecido. — Não... Por que... O que tem sobre esse bracelete? — É apenas um bracelete... — Eu limpo minha garganta, sabendo que ele vai ficar chateado se eu não lhe contar sobre a caixa, mas descubro que eu vou ter contar se quero chegar ao fundo do por que o bracelete estava no meu braço. Então, eu digo-lhe, não apenas sobre a caixa, mas como eu juro que não estava no meu pulso quando saí de casa ontem à noite.


Ele coça a cabeça enquanto eu finalmente tiro o bracelete e puxo-o do vestido, rasgando o tecido um pouco. — Você tem certeza que não tirou e talvez apenas pense que você fez isso? Assim que eu puxo a pulseira do tecido, defino-a sobre a cômoda. — Talvez... Mas eu nem mesmo gosto de usar isso, seria estranho deixá-la lá. Seu cenho franzido se aprofunda enquanto me estuda, eu me esforço para pegar meu sutiã em meio à dor que irradia através das minhas costas. — Bem, poderia ser apenas que você acidentalmente esqueceu de tirá-la, mas ainda acho que você deve dizer algo para o detetive, considerando a caixa que apareceu na outra noite... Preston está ficando mais, — Ele range os dentes. — Mais ousado. — Deus, e se ele esteve no apartamento... Mas como ele poderia chegar até mim sem eu o reconhecer... — Eu paro, pensando sobre mim no rio e uma figura à distância aparece na minha cabeça. A multidão que estava em torno de mim enquanto eu estava deitada no chão, sufocando. Ele estava lá? No meio deles? Não, não há nenhuma maneira que Preston poderia ter estado lá, mas eu juro que posso ver seu rosto assombrando minha memória. Eu penso em dizer a Luke minha conclusão, mas já o preocupei o suficiente pelo dia, então decido apenas dizer ao detetive. — Ok, eu vou levá-la. Luke relaxa em seguida, levanta-se da cama. — Aqui, deixeme te ajudar a colocar isso. Eu fico tensa quando ele atravessa o quarto, parando tão perto, e o calor derrama sobre minha pele como mel quente. Em segundos ele coloca o sutiã, em seguida, sem dizer nada, toma a blusa limpa da minha mão e me ajuda a puxá-la sobre a minha cabeça. Ele me deixa usar seu ombro para apoiar o meu peso, enquanto coloco minha calcinha e calça jeans.


— Quer que eu vá com você? — Ele pergunta enquanto eu abotôo o botão do meu jeans. — Para a delegacia de polícia? — Eu lanço meu cabelo para fora da gola da minha blusa, recebendo uma lufada de cheiro úmido. Jesus, eu preciso de um banho. Luke concorda com intranquilidade. — Sim, eu posso te dar uma carona e depois esperar por você no estacionamento. — E se levar tempo? — Eu deslizo meu pé em uma das minhas botas, então me inclino para amarrá-la, movendo-me lentamente por causa da dor. Depois de me assistir lutar por alguns segundos, ele se agacha e amarra a bota para mim. — Eu tenho certeza que vai, mas eu não quero que você vá lá sozinha, especialmente depois de tudo que está acontecendo. — Eu poderia pedir a Greyson para vir comigo, talvez. — Eu estou tentando dar-lhe uma opção de fuga, porque não há nenhuma maneira que ele queira ir comigo, não com o que eu estou prestes a fazer. — Isso poderia ser mais fácil. Olhando por cima de mim, ele arqueia a sobrancelha com acusação. — Para quem exatamente? Vocês? Ou para mim? — Você... Quero dizer, sua mãe está... na prisão... e eu estou indo lá para tentar e ajudar a mantê-la lá... Não seria esquisito? Balançando a cabeça e sem dizer nada, ele me ajuda a colocar a minha outra bota. Então, se levanta e me olha fixamente com paixão derramando para fora dele, colocando as mãos sobre meus ombros. — Violet, deixe-me esclarecer uma coisa. Aqui. Agora mesmo. Minha mãe fisicamente, mentalmente, emocionalmente, me ferrou e me atormentou. — Sua voz falha, mas ele rapidamente limpa-a e continua. — Ela quebrou a minha irmã Amy, deixou alguém estuprá-la... É parte da


razão por que Amy decidiu tirar sua própria vida. A cada dia vivendo com ela foi como passar um ano no inferno. Eu a odeio, queria que eu fosse o único a colocá-la na cadeia, por isso, acredite em mim quando eu lhe digo que quero que isso aconteça também. Eu quero que ela fique atrás das grades para sempre Eu conheço muito sobre Luke através dos pedaços de histórias que nós compartilhamos um com o outro sempre que estamos no nosso quarto no escuro, mas nunca tão sem rodeios, de forma tão aberta assim. Eu tenho que recuperar o fôlego antes de falar. O que eu realmente quero fazer é beijálo, mas estou com muito medo depois do que ele disse... Com toda a coisa do eu te amo. Com medo de que ele vai dizer isso de novo... Para mim. — Tudo bem, venha comigo. Então agarro sua mão e caminhamos lado a lado e, por um breve segundo, eu sinto que estou entrando no futuro, pela primeira vez, em vez de me afogar no passado. Talvez seja por isso que eu escolhi não me afogar. Mas então me lembro aonde vou e o passado me alcança novamente.


09 LUKE Eu posso dizer que ela não quer que eu entre na delegacia com ela, mas isso me preocupa, ela vai enfrentar a mulher que fez parte de um dos piores dias da sua vida. Irá vê-la novamente... Eu não posso nem imaginar como ela vai se sentir. Ela continua fingindo que não é um grande negócio, mas eu sei que é. Não é de admirar que ela quebrou ontem. Eu acho que o detetive Stephner não apreciaria que eu estivesse lá, embora, por isso torna mais fácil para Violet e digo a ela que vou lhe esperar na caminhonete. Imediatamente minha mente começa a correr com pensamentos sobre o que está acontecendo lá dentro, o que eu disse a Violet hoje, o que vai acontecer com a gente. Não apenas por a minha mãe ser presa, mas pelo que eu disse a ela. Que eu lhe amo. Já sabia disso há semanas, mas estive esperando até que nós dois estivéssemos prontos para eu poder dizer em voz alta, queria que estivéssemos em melhores condições em nossas vidas e em nosso relacionamento. Mas meio que escapou. Eu nem tenho certeza de como, talvez porque eu estava pensando em minha vida de merda com a minha mãe e como estava feliz que ela iria finalmente para trás das grades. Comecei a pensar na minha vida e quanto estava melhor, quanto estava mais feliz, mesmo com todas as complicações. E como estava feliz por ter Violet.


Em seguida, Violet disse algo sobre como estava preocupada de ficar sozinha e, de repente, as palavras meio que escaparam porque queria que ela entendesse que eu nunca iria deixá-la. Que ela significa muito para que isso jamais acontecesse, mas em vez de dar-lhe conforto acabou lhe assustando e, honestamente, meio que doeu. — Maldição. Será que eu fodi tudo? — Eu aperto o volante, tentando me acalmar e pensar em outra coisa, mas é tudo que consigo pensar. Quando a minha cabeça parece estar à beira de explodir, decido ligar para meu pai para que ele saiba o que está acontecendo, pensando que vai ser uma distração da minha necessidade obsessiva de analisar Violet e nossa relação. — Ei, Luke, — ele atende depois de três toques. — A mamãe está na cadeia, — digo a ele. — Eles prenderamna por... Por seu envolvimento no assassinato dos pais de Violet. — Luke, eu sinto muito, — ele diz com simpatia. Eu me inclino para trás no banco e olho para fora da janela. Lembrando-me de quando consegui minha licença para dirigir e esta caminhonete, como eu costumava dormir nela, apenas para evitar ir para casa. Eu acabava estacionando em algum lugar nas montanhas, colocava uma música e olhava para o céu noturno, aquecendo-me com a paz de não estar em qualquer lugar perto da minha mãe. — Você não precisa se desculpar. Estou feliz que ela esteja atrás das grades. — Não é por isso que eu sinto muito, — ele diz com um suspiro. — Sinto que você tenha que passar por isso... Que você e Violet tenham que passar por isso. Deve ser duro que... Sua mãe... Os pais dela... Deus, eu não consigo nem imaginar como Violet se sente agora.


— Eu também não, já que ela não fala comigo sobre isso. — Eu nunca fui de falar sobre coisas pessoais acontecendo na minha vida, então acabo nos surpreendendo por dizer isso. Eu nem sequer quis dizer em voz alta, mas entre o estresse e a falta de sono, meu cérebro está trabalhando um pouco lento demais no último par de semanas. — Isso é bastante compreensível, considerando as circunstâncias. — Ele faz uma pausa. — Como você está lidando com tudo isso? — Eu já lhe disse, estou feliz que ela esteja na cadeia. — Não isso. Quero dizer, por Violet estar distante. Eu dou de ombros, embora ele não possa ver. — Tudo bem, eu acho. — Luke... Você não soa bem. — Há hesitação em sua voz, algo que existe, porque a nossa relação ainda é rochosa. Eu sinto que estou apenas começando a conhecê-lo depois de anos depois dele ser praticamente inexistente na minha vida e acho que ele se sente culpado por isso, especialmente depois de descobrir algumas das coisas que a minha mãe fez, enquanto Amy e eu estávamos crescendo. — Você sabe que eu estou aqui caso você precise conversar. Estou pensando em lhe dizer que estou bem de novo. Que só liguei para lhe dar informações sobre o que está acontecendo com a minha mãe, mas de repente as palavras estão saindo dos meus lábios sem que eu queira dizer. — Eu disse a Violet que a amo. — Porra. — Oh. — Ele fica em silêncio, pensando em só Deus sabe o quê. Provavelmente que seu filho está enroscando-se, algo que eu lhe provei algumas vezes com o meu hábito de beber e jogos de azar.


— Eu disse logo após ela me dizer sobre a minha mãe, — eu digo, em seguida, adiciono com uma risada sarcástica, — Momento fodidamente perfeito, certo? Ele ri do outro lado da linha. — Eu disse a Trevor que o amava durante o funeral da avó dele. — Bem, ele se casou com você, por isso deve ter funcionado. — Eu aponto em um tom leve, mas de forma divertida. Ele ri novamente. — Eu estava apenas dizendo para que você saiba que, quando isso acontecer, acontece e às vezes não podemos nos parar quando estamos apaixonamos. É como se nos deixasse cegos, sabe? Ele está completamente certo. Quando percebi que estava apaixonado por Violet, isso veio do nada. Foi como se em um minuto eu gostava dela e queria ajudá-la; e no minuto seguinte eu a amava e faria qualquer coisa por ela. — Eu já sabia disso há um tempo. — Eu libero uma respiração presa, decidindo se quero ir por este caminho com ele, onde falamos sobre os nossos sentimentos e merdas pessoais. Que diabos estou fazendo? Isso não soa como eu em tudo. Mas ainda sou o mesmo? Meus olhos vagam para o espelho retrovisor, a pessoa olhando para mim não é a mesma. Ele ficou mais saudável. Mais estável. Meus olhos menos brilhante, minha pele menos pálida. — Que você a amava? — Ele continua com cautela Eu contorço-me ao som da palavra amor. Ao contrário de Violet, eu ouvi muito isso da minha mãe enquanto crescia, mas sempre me senti mal quando ela dizia... E a forma como ela mostrava. — Sim... Eu sabia há tipo um mês e estava esperando o momento perfeito para dizer a ela. Mas como eu disse, não foi no melhor momento. Uma lacuna de silêncio se passa.


— O que Violet disse depois? — ele pergunta. — Não muito. — É doloroso apenas lembrar, o silêncio interminável que se seguiu depois. — Houve um silêncio constrangedor e, em seguida, ela disse que precisava ir até a delegacia de polícia para ver se conseguia identificar a minha mãe como a pessoa que entrou na sua casa naquela noite. — Então, onde está você agora? Eu solto o volante enquanto olho para a delegacia de polícia, observando um homem de pé ao lado de uma árvore perto da entrada, fumando um cigarro. Eu não tinha nem mesmo o notado, mas ele está olhando diretamente para a minha caminhonete. — Fora da delegacia esperando por ela. — Eu me inclino para frente tentando dar uma olhada melhor no cara, mas está muito escuro para ver seu rosto. Pelo que eu sei, poderia ser Preston. Mas será que ele ousaria se aproximar de uma delegacia de polícia? Meu pai fica em silêncio enquanto eu continuo olhando para o cara e ele parece está fazendo a mesma coisa. Eu penso em sair, ir até lá com meu punho, quando ele dá uma tragada no cigarro, depois o joga no chão e caminha em direção ao estacionamento. Eu abro a porta para sair, mas na hora que planto minhas botas no chão, ele chega até um Ford Taurus, onde uma mulher grávida está esperando. Ele a beija em seguida, abre a porta do passageiro para ela e a luz do poste no estacionamento atinge seu rosto. Não é Preston, mas é uma percepção do quão preocupado e paranóico eu estou, quanto não consigo relaxar. Eu só quero ser capaz de relaxar novamente. Não me preocupar. — Então, Trevor e eu estávamos pensando em fazer uma viagem em breve. — Meu pai interrompe meus pensamentos e eu olho para longe do cara e fixo minha atenção sobre o céu.


— Talvez pudéssemos te fazer uma visita por um par de semanas... Ajudar com qualquer coisa que você precise. — Eu tenho jogos de futebol nos fins de semana, — eu digo a ele, o que é verdade, mas também não estou certo se quero que ele venha para cá ainda, não tenho certeza se estou pronto para isso. — Isso poderia ser divertido, — ele diz com uma pitada de emoção. — Eu nunca vi você jogar antes. Eu quero dizer que é porque ele me abandonou, mas tenho tentado fazer essa merda funcionar desde que tive que lhe pedir dinheiro emprestado para pagar uma dívida de jogo, que ele não me deixou paga-lo de volta. E não quero ser o tipo de filho que usa seu pai por dinheiro. — Eu tenho que trabalhar aos domingos também, — eu digo. — Mas se você estiver bem com isso então tudo bem. Venha. — Você ainda está trabalhando nesse bar? — Ele pergunta com preocupação. Eu não o culpo por se preocupar. Um alcoólatra em recuperação trabalhando em um bar. Não é a situação ideal, mas estou procurando outra coisa que irá funcionar com a minha agenda escolar, jogos e treino. Mas ainda assim, o fato de que ele trouxe esse assunto meio que me irrita. — Tentei em outros lugares, — eu explico, controlando meu aborrecimento o melhor que posso. — Mas não ouvi nada ainda. — Você não está pensando sobre... Sobre jogar de novo, certo? Honestamente, eu não pensei muito sobre isso, mas pode ser porque estive tão focado em Violet. — Eu estou bem. Eu prometo.


— Tudo bem... Eu só queria checar... Eu me preocupo, sabe, sobre você, — ele diz e posso detectar um pouco de alívio em sua voz, como se tivesse preocupado que eu estivesse indo voltar para meus velhos hábitos. — Vou reservar as passagens para que possamos chegar em algumas semanas, você sabe como é o tempo dos nossos voos aéreos. — Parece bom. — Isso é estranho. Meu pai está vindo para Laramie, me ver. Não muito tempo atrás eu teria discutido, mas agora só tenho que aceitar o que é, senão vou voltar a ser aquele Luke que afoga sua dor na bebida. — E Luke? — Sim? — Se você precisar de qualquer coisa me ligue. Apenas algumas palavras, mas elas significam muito. Estou ficando muito emocional porra, respondo com um "ok", então desligo, dizendo a mim mesmo para parar de agir como um maricas. Para me distrair, eu aumento um pouco a música e inicio uma pesquisa através de anúncios de emprego online no meu celular, mas começo a ficar inquieto quanto mais tempo passa. Trinta minutos. Uma hora. Duas. Deus, eu desejo poder saber o que está acontecendo lá dentro. Desejo saber se Violet está bem e que, ver minha mãe não vai quebrá-la.


10 VIOLET Eu nunca fui fã de delegacias de polícia. Os ruídos: telefones tocando, vozes altas, comoções. Cheira a fast food e estou morrendo de fome. Está me deixando louca e está trazendo de volta as poucas vezes que tive que visitar algumas enquanto estava crescendo, tanto por mim mesma nas poucas vezes que entrei em problemas e para o caso dos meus pais. É frustrante e me deixa inquieta. E não está ajudando que está levando tanto tempo. Estive sentada do lado de fora do escritório do detetive Stephner por um par de horas, esperando por ele aparecer e dizer-me que é hora de voltar - hora de acabar com isso. Eu me sinto mal por Luke estar lá fora em sua caminhonete, provavelmente se perguntando onde estou e eu não posso nem lhe ligar desde que deixei meu celular no apartamento. Eu penso em ir lá fora e dizer-lhe que talvez ele devesse apenas esperar por mim no apartamento, quando o detetive Stephner sai de um dos cubículos. Ele tem uma pasta dobrada na mão e um copo de café na outra e está usando um terno, a camisa aberta, revelando a gravata com árvores de Natal nela. — Você sabe que não é Natal, certo? — Eu elevo minhas sobrancelhas para ele, sarcasmo escorrendo da minha voz enquanto ele joga o café no caixote do lixo ao meu lado. Sua testa se franze enquanto ele procura algo através de alguns papéis em sua mão. — Huh?


Aponto para sua gravata. — É outubro, não deveria ser sobre abóboras ou algo assim? Ele distraidamente olha para longe dos papéis e olha para baixo, para a gravata. — Oh, isso. — Ele ri, coçando a cabeça. — Sim, minha esposa deve ter escolhido a roupa errada para mim esta manhã. — Sua esposa que escolhe a roupa para você? É como se você tivesse dezenove anos em vez de cinquenta, e é meio machista. Ele suspira, porque eu sempre faço isso - pressiono seus botões. Eu nem tenho certeza do por quê. Ele não é tão ruim quanto os outros detetives que tive que lidar no passado, mas estar aqui na delegacia traz de volta memórias dolorosas demais para mim e esta amargura meio que se derrama para fora. — Ela gosta de fazer isso, — ele responde com uma pitada de agravamento na voz. — Eu não pedir-lhe para fazer. Eu gesticulo para sua gravata. — Parece muito claro que ela gosta do que faz, é por isso que te veste com coisas do Natal em pleno outubro. — Por que você faz isso toda vez? — O quê? Arrancar suas bolas? Ele me dá um olhar vazio. — Sabe, um destes dias essa sua boca vai te colocar em problemas. Eu olho para ele, minha expressão se igualando a sua. — Essas são palavras de sabedoria. Ele suspira novamente, desistindo. — Ok, você está pronta para isso? Eu balanço minha cabeça. — Não.


Ele suspira novamente. — Violet, nós podemos conver... Eu o interrompo. — Eu nunca vou estar pronta para isso, mas vou fazer. Eu estava apenas afirmando um fato simples. — Me levanto da cadeira, meus joelhos vacilantes e meu estômago agitado com meus nervos, um pacote de borboletas devem ter acordado especificamente para este momento. — Tudo bem, siga-me, — ele diz, dirigindo-se para frente da sala cheia de cubículos e mesas, indo em direção a um corredor com iluminação fluorescente. Ainda há um monte de gente por aqui e eu pego algumas delas me olhando enquanto passo. Pergunto-me se elas sabem quem eu sou, se elas conhecem a minha triste e deprimente história. Eu me pergunto se isso as faz ter medo de mim. — Oh, e eu queria que você soubesse que eu tenho a caixa com a foto e estou examinado-a. — Tudo bem... — Eu estou consciente de que ele está dizendo a realidade do que está prestes a acontecer comigo. A cada passo, parece que as paredes estão se fechando, me esmagando, sufocando. Eu mal consigo respirar. Pensar. Funcionar. É isso. Eu realmente estou indo ver a mulher cuja música tem assombrado o meu pesadelo durante anos? Como é que vou me sentir? Posso lidar com isso? Uau. É como se todo o ar tivesse sido arrancado dos meus pulmões. Eu chupo uma respiração profunda, minha visão borrada, e meus joelhos enfraquecidos. Eu pressiono minha mão na parede de tijolo frio para evitar cair no chão. — Merda, — eu digo entre suspiros. Isso não pode estar acontecendo agora. — Merda. Merda. Merda. — O que há de errado? — Detetive Stephner pergunta, inclinando-se com preocupação em seus olhos enquanto


estuda meu rosto. — Violet, apenas respire. Tudo vai acabar logo. Eu balanço minha cabeça e me afasto pelo corredor. Eu não me preparei para isso... Esta enorme onda de turbulência emocional. Eu quero ser mais forte, quero ter força interior como a velha Violet, mas ela era apenas uma fachada, um traje que eu usava para tornar tudo mais fácil, fingir que estava tudo bem quando não estava. Mas esse traje foi feito em pedaços e meu verdadeiro eu está agora de pé, vulnerável e a amostra. Eu quero fugir e corrigir o problema do único jeito que conheço como, mas depois de hoje, percebo que eu não quero morrer, e não tenho certeza se iria me acalmar até mesmo se eu tentasse. — Eu não posso fazer isso... Não quando me sinto assim... — Você quer que eu chame alguém para estar aqui com você? — ele pergunta, me seguindo pelo corredor, mas sabe que eu não tenho ninguém, portanto, um indício de desconforto emite da sua parte. Eu me esforço para recuperar o fôlego. — Eu preciso de... — O que eu preciso? — Luke. Ele parece extremamente relutante sobre a ideia, enquanto eu chego em um estranho estado de calma a partir da declaração. — Violet, isso não é uma boa ideia... Ele é o filho da suspeita em potencial... E... — Ele muda seu peso. — Tê-lo aqui poderia ser prejudicial para o caso. — Ele não poderia apenas ficar na sala de espera? — O ar está retornando aos meus pulmões ao perceber que isto é o que eu preciso. Sim, é o que eu preciso - Luke. Ele sempre me faz sentir melhor, pelo menos melhor do que estou sentindo. Eu preciso dele. Deus, eu preciso dele.


Uau, isso foi difícil de admitir. Eu só espero que ele quis dizer o que disse - que quer isso tanto quanto eu; com Mira, com a gente. — Quero dizer, ele está lá fora, no estacionamento no momento, por isso não seria grande coisa se ele apenas entrasse. Detetive Stephner coça a cabeça enquanto olha em volta para os cubículos ocupados em torno de nós. — Talvez... Na sala de espera, mas eu teria que pedi ao meu parceiro para ficar lá com ele... Ficar de olho nele. Eu aceno com ânsia. — Ok, eu vou buscá-lo. — Vou até lá com você, — ele diz, me arrastando enquanto eu apressadamente faço o meu caminho através da área dos cubículos. — Eu vou ficar bem, — eu digo a ele quando viramos à esquerda e seguimos pela área de estar e pelas portas de entrada. — Não é por você, — ele diz, movendo-se para abrir uma das portas para mim. — Está com medo de que eu vá fugir? — Eu pergunto, passando os braços em volta de mim quando caminho para fora na brisa fria da noite. Ele dá de ombros, olhando para o estacionamento onde a caminhonete rústica de Luke está estacionada. — Não seria a primeira vez. — A porta se fecha. — Eu vou esperar por você aqui. Eu desço as escadas com meu coração martelando dentro do meu peito. Lembro-me das muitas coisas que tive que fazer sozinha quando eu era mais jovem. Ir ao médico, um dos meus pais adotivos esperariam por mim na sala de espera. Minhas visitas com a polícia no início, eu estava acompanhada por minha mãe adotiva, no momento, o que significava que ela se


sentava em uma cadeira e olhava para as unhas. Lembro-me de ficar sentada em uma cadeira apenas querendo segurar a mão de alguém. Tentei segurar a sua mão uma vez, mas ela causalmente afastou. Tudo o que eu queria era alguém para me confortar. O que eu queria era a minha mãe e meu pai. Mas isso não era possível, pois a razão de eu está lá sozinha era porque eles estavam mortos. Ao me aproximar da caminhonete de Luke, posso ouvir uma música tocando e fumaça se laçando para fora da janela aberta. Quando abro a porta do motorista, ele está brincando com seu aparelho de som e eu acabo o assustando. Ele salta, parecendo como se estivesse prestes a me bater. — Jesus, você fodidamente me assustou. — Ele joga o cigarro no chão, cautela enchendo seus olhos quando seu olhar se fixa em mim. — Você está pronta para ir? Agitando minha cabeça, eu aponto por cima do ombro para a delegacia de polícia. — Eu preciso que você entre comigo. Ele franze a testa instantaneamente. — Há algo errado? — Não realmente, eu só... — Eu mastigo meu lábio inferior. Deus, pedi ajuda pode ser tão difícil. Basta fazer isso pelo amor de Deus! — Eu só não quero ficar sozinha enquanto faço isso. Por mais difícil que seja pedir ajuda, sua expressão me faz sentir um pouquinho melhor. — OK. — Ele pega as chaves, sai da caminhonete, e fecha a porta. — Você tem que esperar na sala de espera, embora... Porque... bem, você sabe. — Há um pouco de estranheza, pelo menos comigo, ter de lembrar-lhe que é a sua mãe lá dentro.


Mas Luke entrelaça seus dedos com os meus como se fosse a coisa mais simples do mundo. Como se tudo fosse assim tão simples, mas até mesmo andar está ficando complicado. Ainda assim ajuda que Luke esteja lá, ajuda que ele tente tornar isso tão fácil quanto possível, quando o detetive faz com que ele fique na sala de espera como se ele fosse um criminoso, ajuda porque quando eu entrar na sala para fazer o reconhecimento, eu sei que ele estará lá fora, no mesmo edifício, há poucas distância. Isso torna mais fácil respirar. A sala que estou de pé é pequena e escura, exceto a luz que vem do outro lado, onde eles vão colocar Mira Price. O ar cheira a cigarros e café e há algumas cadeiras de metal atrás de mim que eu provavelmente poderia me sentar, mas tenho medo de me mover e acabar fugindo, então fico plantada na frente da janela. Eu juro por Deus que parece que fico de pé lá por horas, quando na verdade é provavelmente apenas alguns minutos, talvez até segundos antes do detetive se juntar a mim. — Você está pronta para isso? — Ele pergunta, olhando para os papéis que está transportando. Não. — Sim. — Eu remexo a pulseira de couro no meu pulso, que coloquei para encobrir o que fiz antes. — O que exatamente é que eu vou fazer, entretanto? Apenas dizer sim ou não, se eu consigo me lembrar dela? Ele balança a cabeça, distraído com os papéis. — Se foi ela que estava lá naquela noite e você consegui identificá-la, então você vai me dizer. Mas é muito importante que você esteja certa, ok? Eu concordo. Sem dizer mais nada. Identificar falsamente a mãe de Luke é algo que eu nunca iria querer fazer.


— E nós podemos fazê-la falar, também... Eu me lembro que você disse que a ouviu, certo? — Ele pergunta enquanto uma porta do outro lado se abre. Eu engulo o caroço na minha garganta enquanto dou um passo até a janela de vidro. — Cantar... A ouvi cantar... — Eu paro quando uma mulher entra na sala. É isso. É isso. Puta merda, é isso. Ela anda meio sem jeito, como se seus pés estivessem pesados demais para suas pernas, seus sapatos se arrastam pelo chão. Sua cabeça está inclinada para baixo, seu cabelo castanho um véu em volta do rosto. Ela está torcendo as mãos na sua frente, nervosa e com medo. A primeira coisa que penso é que essa não pode ser a mulher daquela noite. Mas aprendo rapidamente que a minha observação inicial sobre Mira Prince está completamente errada, porque quando ela atinge o centro da sala e vira o rosto para a janela, sua expressão é calma, os ombros enquadrados. E aqueles olhos... Aqueles olhos malditos que são tão vazios quanto o meu coração costumava ser. Eles são a cor dos de Luke também, mas ainda parecem tão diferentes - tão carentes de vida e emoção. Não, eles não são o mesmo em tudo. Os olhos de Mira parecem assustadoramente mortos, vazios, inexpressivos, e quando ela sorri é como se estivesse contente por saber quem está do outro lado do vidro. Mas eu não tenho certeza se que foi ela quem cantou naquela noite, e uma tristeza chora dentro de mim quando percebo isso e o que significa - que eu não consegui identificá-la. Uma lágrima ou duas caem dos meus olhos, mas não consigo tirar o meu foco dela. Seus olhos estão bloqueados direitamente em minha direção também, mesmo que ela não


possa me ver. Mas parece que pode, parece que tenho cinco anos de novo, escondendo-me no escuro e ela está olhando diretamente para mim, mas nunca diz uma palavra. Então seus olhos ficam mais intensos, sua postura mais confiante. Há uma mudança no ar, talvez um presságio, um que eu deveria fugir, mas não cedo. Seus lábios começam a se mover, como se ela estivesse satisfeita com o que está prestes a fazer. Quando sua voz deixa sua boca, é como se eu tivesse sido empurrada de volta para a minha infância e estou sozinha. Algumas frases simples, isso é tudo o que é preciso, para o meu mundo mudar para sempre. — Incline-se. Incline-se, — ela canta devagar, olhando diretamente em minha direção como se pudesse me ver através da janela escura. — Leve-me. Ajude-me. Eu preciso entender. Ajude-me. Eu não posso fazer isso sem você. Alguém começa a gritar. Berrar. Bater no vidro. Ela está machucando meus ouvidos... Minhas mãos... Parece que estou sangrando, jorrando sangue... — Violet! Violet! Acalme-se!' Braços se envolvem em torno da minha cintura, o toque me traz de volta à realidade. Eu percebo que a gritaria e o barulho estão vindo diretamente de mim. Que eu me perdi. Esmagando minha mão contra o vidro com tanta força que parece que está quebrada. O detetive Stephner está me segurando e tentando me acalmar. Ele grita algo para alguém, mas não consigo me concentrar em suas palavras. Eu só consigo me concentrar na dor excruciante, na raiva que tira minha visão, o ódio abrasador pela mulher cantando no outro lado, me atormentando com suas letras, sua voz, seus olhos. Minhas veias queimam com a necessidade incontrolável de romper a janela e machucá-la, fazê-la pagar pelo que fez. Eu nunca senti tanto ódio em toda a


minha vida e se o detetive me soltasse, eu não sei o que faria. Romper o vidro talvez, apenas para chegar até ela. Mas o detetive Stephner consegue me tirar da sala antes que isso aconteça, e eu já não tenho que ver a porra do diabo à dez pés de distância, onde a única coisa que nos separa é uma peça fina de vidro. No entanto, a raiva dentro de mim arde e me queima por dentro e eu continuo lutando para me soltar. — Deixe-me ir! — Eu balanço minhas pernas, tentando me libertar, e acabo derrubando uma cadeira enquanto nós chegamos na área do cubículo. Eu estou causando uma comoção, mas não dou a mínima. Fazendo todos olharem atentamente para mim - estou acostumada com isso. — Ela os matou! E aquela canção estúpida! — Acalme-se... Vai ficar tudo bem. — Ele tenta me consolar quando nos manobra em torno das mesas e caminha em direção à área frontal do edifício. — Onde estamos indo? — Eu suspiro para o ar. — Você está me chutando para fora? — Exatamente quando digo isso, nós dobramos a esquina e entramos na sala de espera onde Luke está sentado. Ele está olhando para o chão, a cabeça baixa, mas seu foco muda quando entramos porque eu estou sendo extremamente alta. — O que aconteceu? — ele pergunta enquanto corre em minha direção, me olhando da cabeça aos pés. Há uma transferência estranha quando o detetive Stephner me entrega à Luke e eu acho que da sua própria forma o detetive está me ajudando, como se soubesse que Luke é a única coisa que eu preciso agora. — Eu preciso que você venha com a gente para o meu escritório. Os braços de Luke se envolvem em torno da minha cintura e leva um pouco da dor, mas não toda. — Por quê? — Luke pergunta.


O detetive olha para Luke. — Porque eu preciso falar com Violet um pouco mais, mas você é a única pessoa que ela parece escutar. Então lhe acalme e traga-a de volta por favor para que possamos ter uma conversa racional. — Idiota, — digo, embora eu realmente não esteja com raiva dele. Apenas com raiva. O detetive me lança um olhar de advertência, em seguida, sai. Depois que ele desaparece na esquina novamente, Luke me puxa para mais perto, minhas costas pressionadas contra seu peito. — O que ela fez? — Ela cantou a estúpida e fodida canção... Ninguém sequer pediu isso... É como se ela quisesse ser presa ou algo assim. — Minha respiração é voraz, meu coração trêmulo. Tudo sobre mim é instável no momento e a única coisa que me segurando é ele. — Não, ela queria foder com a sua cabeça, — ele diz com os dentes cerrados. — Isso é o que ela faz. É estranho pensar o quanto ele sabe sobre ela, o monstro do outro lado do vidro. Ele sentiu em primeira mão a dor, sentiu os danos que ela pode causar, e por mais estranho que seja, isso me faz sentir conectada a ele, me acalma um pouco. Ele exala. — O grito… — Foi eu, — eu admito, lutando para respirar normalmente de novo. — Eu perdi o controle... Eu nem sabia o que estava acontecendo comigo... Meio que pirei. — Babe, eu… — Eu estou bem. Ele coloca um beijo na parte de trás da minha cabeça. — Não, você não está. O que posso fazer para ajudar?


— Você está aqui... Isso é o suficiente por agora. — E quero dizer isso. Luke tem esse efeito calmante estranho sobre mim, como se estivesse me segurando acima da água quando sinto que estou prestes a afogar novamente. — Nós provavelmente deveríamos voltar, antes que o detetive Stephner pense que eu fugir. Ele balança a cabeça, em seguida, relutantemente me solta. Eu quero agarrar seus braços e envolvê-los de volta em torno de mim, mas ele se inclina para o meu lado e desliza seu braço em minha volta. Eu olho em seus olhos, semelhante aos que pertenciam ao monstro do outro lado do vidro, pelo menos a forma e a cor. Mas isso é tudo sobre eles - tudo nele é diferente. Ele me faz sentir confortável em vez de totalmente apavorada. Ele me faz sentir segura quando ninguém mais pode. Veja, isso é o que eu tenho medo. Perder isso. No que eu iria me tornar se ele fosse embora? A resposta é aterrorizante só de pensar.


11 LUKE Eu ouvi o grito. Deus, ouvi o grito. Soou como Violet e eu queria correr até ela, mas o recepcionista não me deixou sair. Eu só consegui respirar livremente de novo quando lhe vi novamente. Então Violet me disse o que minha mãe fez e eu pensei que ela fosse me deixar, me deixar ali mesmo. Mas parece estar tendo uma reação oposta, ela está querendo ficar mais próxima de mim, em vez de mais longe. Ela me deixou levá-la ao escritório do detetive Stephner, meu braço em torno das suas costas e com a cabeça apoiada no meu ombro. Ela está praticamente colada a mim, o que eu não me importo cem por cento. Eu só gostaria que fosse em circunstâncias diferentes. Gostaria que não fosse por isso. O resumo do detetive é rápido. Mesmo que ele não disse completamente isso, ele basicamente disse-nos que agora provavelmente há provas suficientes para construir um caso contra Mira e que as coisas vão começar a se mover. Eles vão fazer perguntas a ela, para tentar descobrir quem era a outra pessoa que estava na casa de Violeta naquela noite. Após o detetive ter terminado, ele nos libera, mas me para antes que eu possa sair. Ele meio que me guia de volta para a sala enquanto Violet vaga para fora, sem saber que o detetive me puxou de volta. — Só para você saber, quando este caso começar a andar, você pode ser contatado para ser uma testemunha... A partir de ambas as partes. Eu pensei em te


deixar a par de tudo, considerando... — ele acena com a cabeça na direção de Violet. Eu sei o que ele está dizendo. Isso não somente poderia ajudar a colocar a minha mãe atrás das grades, mas eu também poderia ajudar a libertá-la. Eu nunca iria fazer isso. Mas a ideia de ficar na frente dela para ajudar a prendê-la me faz sentir como o garoto apavorado dentro de mim, o que cresceu com aquela mulher horrível. Eu poderia fazer isso? Enfrentar-lhe e falar sobre tudo com ela sentada me assistindo? — Obrigado pelo aviso, — eu digo ao detetive em seguida, caminho para fora do seu escritório, a minha cabeça nadando em pensamentos, muitas coisas que me fazem odiar-me por ser tão fodidamente fraco, por ter tanto medo da mulher que me criou - ou a mulher que vivi quando eu era mais jovem. Enfrentar não parece ser a palavra certa em tudo. — O que foi aquilo? —Violeta pergunta enquanto eu ando pelos cubículos e chego até ela. Eu envolvo meus braços ao redor da sua cintura. — Nada. Ele só queria que eu mantesse um olho extra em você. — Você já faz o suficiente por mim. — Ela repousa a cabeça no meu peito. — O que mais você poderia fazer? — Muito, muito mais, — eu asseguro-lhe enquanto começamos a caminhar em direção a porta. — Vamos lá, vamos para casa. — Casa soa bem. — Ela parece tão exausta quanto eu sinto. Poucos minutos depois, estamos na minha caminhonete, nos preparando para pegar a estrada em direção a nosso apartamento. Estou prestes a sair para a rua, quando noto que Violet está embalando seu braço contra o peito.


Eu piso no freio e paro na área de saída. — Espere. O que aconteceu com seu braço? Violet tira sua atenção da janela, olha para seu braço, depois de volta para mim. — Oh... Eu o bati contra a janela quando Mira cantou... Eu não consigo nem me lembrar de fazer isso... Eu meio que perdi o controle. — Seus olhos piscam com uma frustração irritante que envia um frio na minha espinha. — Veja, é por isso que eu tenho que fazer as coisas que faço, Luke. — Ela levanta o braço e estremece. — Caso contrário, eu acabo quebrando e perdendo minha mente. Eu quero ser reconfortante, mas não posso, não quando ela está falando de ferir a si mesma. — Há outras maneiras. Confie em mim, eu sei... Me lembro quando eu costumava entrar em brigas e não tenho mais feito isso há algum tempo. É porque eu encontrei algo a mais. — Como o quê? — Trabalhar. Estudar. Cuidar de mim. — Faço uma pausa. — Você. Ela franze o cenho para a última coisa que eu digo. — Não quero ser um fardo para você. — Um fardo? Isso é o que você pensa que é? — Eu balanço minha cabeça quando ela não responde, em seguida, desligo o motor da caminhonete e me empurro através do assento em sua direção. Eu nem tenho certeza do que vou dizer, o que quero dizer, mas as coisas começam a se derramar. — Em primeiro lugar, você não é um fardo para mim. Eu am... Estar lá por você. — Eu seguro seu braço e ela estremece ao meu toque, mas seus músculos se acalmam com o tempo. — Eu só não quero que você se machuque mais. Fecho minha boca e me concentro no machucado no seu braço. Estou pensando em manter minha boca fechada, mas há algo em mim, uma pressão se construindo e preciso deixá-


la sair de alguma forma. Talvez seja porque eu disse a ela que a amava hoje, que teve algum tipo de efeito bola de neve, mas a minha fodida mente louca e minha boca continuam dizendo coisas que não deveriam. — Nós poderíamos ser bons um para o outro... Eu e você... Juntos. E minha mãe vai para a cadeia... Nós vamos ter certeza de que ela fique atrás das grades para sempre... — Outra respiração alta. — E eu sei que há muitas mais merdas à nossa frente, tantas coisas a mais para lidar, mas eu só preciso que você cuide mais de si mesma. Nós podemos trabalhar nisso, você e eu, juntos. Ficar melhor, quero dizer. — Eu paro de falar, chocado com toda essa merda que saiu da minha boca. Aparentemente, esta é a noite da confissão com todas as merdas que estou colocando para fora. Ficamos em silêncio por um tempo e isso me faz querer levantar meu olhar, depois de derramar o meu coração e alma desse jeito. Seus olhos são ilegíveis, sua expressão neutra, seu corpo do mesmo jeito. Eu não tenho ideia do que ela está pensando, mas porra, eu desejo poder apenas uma vez saber o que ela está realmente pensando. — Eu vou tentar, — ela finalmente pronuncia, com a voz quase inaudível. Ela não está olhando para mim, mas para as luzes da rua e dos edifícios fechados. — Me prometa que você vai, — eu digo, esboçando o meu dedo ao longo do seu pulso. Ela pode parecer completamente calma, mas sua pulsação está martelando sob o meu toque ela está aterrorizada por dentro. Ela engole em seco, mas ainda não olha para mim. — Sim, está bem. Eu prometo. Eu não tenho certeza se acredito nela - odeio que seja assim. Mas tudo o que posso fazer é esperar que ela esteja dizendo a verdade e estar lá para ela caso ela não esteja.


12 LUKE Os próximos dias se passam rápido, provavelmente porque eu tenho um monte de coisas na minha mente. Violet, faculdade, minha mãe, Violet, o caso, Violet, o jogo, Violet. Violet. Violet. Violet. Ela me consome mais do que qualquer outra coisa. Eu me preocupo com ela, quero-lhe perto de mim em todos os momentos, mas isso tem sido uma espécie de problema desde que ela parece estar colocando algum espaço entre nós desde a noite na delegacia. Eu não tenho certeza se isso tem a ver com a minha mãe ou minha boca grande que não se cala; se toda essa merda emocional foi demais para ela. Ainda assim, se eu pudesse, eu iria levá-la em todos os lugares comigo. Além disso, seria bom para ela. Ela está gastando muito tempo confinada em nosso quarto, especialmente desde a notícia de que minha mãe foi presa vazou na imprensa. De alguma forma, um repórter ou dois descobriram que Mira era minha mãe e que Violet e eu estávamos namorando e as coisas


têm sido bem loucas desde então. Chamadas telefônicas, batidas na nossa porta, todos querendo fazer suas perguntas. Eu queria dar um soco em seus rostos, mas resisti à vontade, mesmo que seja difícil como o inferno, a necessidade de proteger Violet sempre queima através de mim. — Cara, sua mente está fodidamente longe, não é? — Seth diz. Estamos na varanda fumando e ele está bebendo uma cerveja enquanto eu estou bebendo um refrigerante. Eu esfrego a mão sobre o meu cabelo, espalhando as cinzas sobre mim. — Sim, eu sei. — Eu escovo as cinzas da manga da minha camisa cinza. — Eu só tenho pensado muito sobre algumas coisas. Ele descansa seus braços no corrimão, a fumaça do cigarro se laçando no ar. — Coisas sobre Violet? — Ele questiona e quando eu aceno, ele acrescenta: — O que há com vocês dois? Ambos se recusam a dizer o que está acontecendo com a polícia e outras coisas, mas Greyson e eu podemos dizer que há algo fodidamente grande acontecendo. E Violet chegou em casa com a mão engessada no outro dia, mas não disse a qualquer um de nós como quebrou. Ela acabou quebrando-a quando bateu contra o vidro na delegacia de polícia, depois que minha mãe zombou e ela quis retrucar. No dia seguinte, depois que saímos da delegacia, eu tinha levado-a no hospital, apesar dos seus protestos, porque ela estava com tanta dor que mal podia mover a maldita coisa. — Não são minhas merdas para contar. — Aproveito a última tragada do cigarro, em seguida, solto-o no chão e amasso-o com a ponta da minha bota. — Olha, eu adoraria compartilhar, mas me sentiria mal fazendo isso. Ele revira os olhos. — Besteira. Você nunca foi bom em compartilhar suas merdas.


— Verdade. — Eu me viro e encaro a porta, colocando meus braços no corrimão. — Mas desta vez, eu tenho uma boa razão para isso. Ele não diz nada, terminando o resto do seu cigarro enquanto eu caminho para dentro. — Então, Greyson e eu vamos estar no jogo desta semana, — ele diz quando eu entro na sala de estar. — Isso é bom, uma vez que Callie vai estar lá também, — eu respondo. Callie é a namorada de Kayden e a melhor amiga de Seth. Não é muito incomum que eles estejam indo torcer por Kayden. — Bem, vamos torcer por você, também. — Ele fecha a porta e tira a jaqueta. Eu me sinto um pouco desconfortável enquanto faço meu caminho para o frigorífico, pensando em pegar uma cerveja, apenas para sair da conversa. Por anos eu nunca tive ninguém indo aos meus jogos, a graduação, a todos os outros eventos. Eu me acostumei com isso e agora de repente eu tenho Seth e Greyson, sem mencionar meu pai e seu marido que estão vindo ver um jogo em um par de semanas. Faz-me sentir inquieto por dentro, como se eu estivesse perdendo o controle sobre a minha vida e isso me faz pensar se é assim que Violet se sente quando faz as coisas perigosas que costuma fazer. Talvez o álcool para mim seja igual ao seu vício por adrenalina. Eu pego outro refrigerante da geladeira e tiro a tampa, meus pensamentos em Violet que está no banho, um caminho muito longo a vir pensar nisso. — Bem, eu estou feliz que vocês estejam indo, eu acho. Seth me dá um olhar sarcástico enquanto sentasse-se no sofá. — Sério? Então, por que você parece tão deprimido?


— Não é deprimido. — Tomo um gole do refrigerante, indo até o banheiro. — Só um pouco surpreso. Isso é tudo. — Com isso, caminho para fora da sala e do corredor. Quando chego ao banheiro, abro a porta, feliz por Violet não ter trancado-a. O chuveiro ainda ligado, a cortina fechada, o ar nevoento. — Violet? — eu chamo-a, fechando a porta quando entro. Estou preocupado com a quietude que está aqui dentro. Ela tem agido muito calma desde que Mira foi presa, mas o corte curado em seu pulso e o gesso em seu braço é um lembrete de como ela está instável. E mesmo que tenha me prometido que ia tentar parar, eu entendo o vício muito bem. Parar é difícil, talvez uma das coisas mais difíceis que eu já fiz. Acho que o álcool, os jogos de cartas, podem viver sempre em minhas veias, mas isso não significa que eu tenho que continuar alimentando-os. — Aqui, — ela responde sobre o som da água corrente. — Ok. — Eu relaxo contra a porta e cruzo meus braços. — Eu só estava ficando preocupado... Você esteve aqui por um tempo. — Eu estou bem... Você precisa parar de se preocupar tanto comigo. Sim, isso nunca vai acontecer. Eu não digo isso em voz alta, porém, imaginando que eu já a sobrecarreguei o suficiente desde que soltei a palavra com A. Nós não temos mencionado isso, mas pensamos no que ocorreu - Eu posso ver em seus olhos quando ela olha para mim e sinto a aceleração do meu coração cada vez que olho para ela. Ela puxa a cortina e coloca a cabeça para fora. Seu cabelo está molhado e tem espuma nele e gotas de água escorrem pelo seu rosto e pescoço. — Eu não consigo lavar meu cabelo e tirar toda essa espuma sem usar meu braço fodido. — Ela


estende o braço que está embrulhado em um molde, envolto em um plástico. — Esta coisa é um pé no saco e não vai segurar toda a água se eu mergulhar completamente. — Ela comenta com um olhar pensativo. — Embora, ele veio a calhar no outro dia, quando eu fingi esbarrar meu braço em uma cadela, Daisy Miller, quando eu estava no meu caminho para o escritório principal. Eu não tenho certeza qual é o problema dessa garota, mas foi ela quem esbarrou em mim e, em seguida, tentou agir como se fosse minha culpa, então eu respondi com um bom golpe em sua lateral com essa coisa. Ela realmente teve seu traseiro chutado, eu estou dizendo a você. Eu não posso deixar de rir. Eu fui para a escola com Daisy Miller e ela era uma cadela como Violet disse, mas todos a deixavam pisar sobre eles, com exceção de mim, mas eu nunca aceitei a merda de ninguém. E nem Violet, por isso não estou surpreso que ela reagiu "acidentalmente" atingindo-a com o braço quebrado. — Sim, Daisy é uma cadela, — eu digo. Quando ela me dá um olhar engraçado, se perguntando como diabos eu conheço Daisy, eu adiciono, — Kayden namorava com ela quando estávamos no colégio. — Realmente? — Ela faz uma cara. — Isso é nojento. Eu dou de ombros. — Ele estava passando por algumas merdas ou algo assim... Eu acho que esse foi o motivo. — Não estamos todos? — ela murmura, depois suspira. — Então, alguma ideia sobre como devo fazer para lavar meu cabelo de uma forma mais fácil? — Eu poderia entrar aí e te ajudar. — Estou parcialmente brincando, mas então ela balança a cabeça e a piada evapora e se instala em cima de mim. Parece tão íntimo, como coisas que casais fazem, e é fodidamente aterrorizante o quanto eu quero fazer isso com ela.


— Depressa, por favor. — Ela dá um passo para trás do chuveiro e permite que a cortina se movimente. — Eu já tenho xampu no meu cabelo e não consigo tirar. Ela fica em silêncio enquanto espera por mim entrar. Eu tiro minhas roupas, me perguntando se a) ela está tão nervosa quanto estou ou b) quando diabos eu virei o tipo de cara que fica nervoso em se envolver com uma garota. Sim, eu nunca fiz isso antes, mas ainda assim, é apenas um monte de nudez e água. Não é um negócio grande o suficiente para ficar excitado. Ainda assim, sinto-me fora da minha zona de conforto quando puxo a cortina e entro. Meus olhos estão fixos nela enquanto fecho a cortina. Ela está de pé em frente ao chuveiro, o braço quebrado à sua frente, água escorrendo pelo seu pescoço, seus seios, seu estômago, seu corpo inteiro molhado e sexy como o inferno. Pequenas gotas de água escorregam pela sua tatuagem em sua lateral, flores interligadas e tenho um forte desejo de lambê-las. Eu pego-a olhando para mim também, seu olhar persistente no meu peito antes de colidir com o meu olhar. — Como é que você quer fazer isso? — Seu peito se ergue quando ela respira fundo. Leva-me um ou dois segundos para processar exatamente o que ela quis dizer, minha mente imediatamente se enchendo de centenas de ideias sujas diferentes, cada uma incluindo nossos corpos nus pressionados um contra o outro. Mas ela está falando sobre seu cabelo. Eu dou um passo em sua direção, o calor do chuveiro bate em minhas pernas enquanto a água espirra em mim. — Aqui, incline sua cabeça para trás, — eu digo. Ela obedece, inclinando seu pescoço e mergulhando seu cabelo na água. Ela começa a perder o equilíbrio e estende sua mão boa para se


impedir de cair. Me inclino e envolvo meu braço em sua volta, apoiando o seu peso. — Você pode soltar... Eu tenho você. Ela engole em seco, em seguida, se solta da parede. Seus olhos estão presos nos meus enquanto eu corro meus dedos pelo seu cabelo, tirando a espuma. Seu olhar se enche de confusão, como se estivesse procurando alguma coisa no meu rosto ou nos meus olhos, mas não consigo descobrir se consegue. Estou prestes a lhe perguntar se ela está bem, quando ela murmura: — Você está sempre me impedindo de cair. — Seus olhos se arregalam quando ela diz isso, claramente, as palavras acidentalmente escaparam dos seus lábios. Mas já é tarde demais. Já atingiu meu coração, perfurou minha alma, me inclino para baixo e pressiono meus lábios até a base da sua garganta. Deslizo meus lábios até seu pescoço, lambendo e mordiscando a carne, movendo-me lentamente, saboreando o seu gosto. Ela solta um choramingo incontrolável que só ouvi uma vez vindo dela, mas que impulsiona o meu corpo em um frenesi louco. Eu beijo seus lábios ferozmente e ela me beija de volta com igual intensidade. Nossos corpos molhados estão pressionados juntos, o ar úmido, pesado, cheio de calor. Ela ainda está inclinada para trás enquanto eu lhe seguro, saboreando-a, mas eu quero mais. Inclinando-a para trás, eu guio-a comigo até que nós dois estamos em pé, eretos. Parece que ela está indo protestar, mas eu apóio-a contra a parede e abaixo meus lábios, lambendo a água sobre a sua tatuagem, exatamente como eu queria. Ela geme, relaxando sob o toque da minha língua, uma vez que viaja até seu corpo, saboreando sua carne até que eu chego em sua boca e pressiono meus lábios nos dela. Seu braço bom se envolve na parte de trás do meu pescoço, puxando-me para mais perto, minha língua saboreando cada parte da sua boca.


— Luke, — ela geme, a perna levantando-se e se enrolando na minha cintura. Algo se encaixa dentro de mim e cada parte do meu corpo quer estar conectado a ela. Nós não tivemos sexo desde o que aconteceu na delegacia. Eu não sei por que, diferente do que parece nós dois ficamos emaranhados nesta confusão emocional e tentando descobrir as coisas. — Diga-me que está tudo bem, — eu sussurro contra seus lábios. Ela não responde com palavras, em vez disso balança seus quadris contra os meus e geme. — Está mais do que bem. Meus dedos deslizam pela sua perna, por sua coxa, agarrandoa com força enquanto engato a outra perna em volta da minha cintura. Suas pernas se abrem para mim e envolve seus braços firmemente em torno do meu pescoço. Meus lábios colidem com os seus, puxando-a para mais perto, nossos corpos alinhados, mas parece que eu preciso dela ainda mais próximo. Ela continua a me beijar, mordendo meu lábio inferior enquanto eu pressiono uma das minhas mãos contra a parede e deslizo profundamente dentro dela, nossos corpos molhados colidindo, o encontro dos nossos quadris ritmicamente. Vapor nos rodeia, nos consome, torna difícil respirar. A sensação dos seus lábios... Seu calor... O interior da sua... Assisto sua cabeça cair para trás e seus olhos se fecharem enquanto ela se desfaz em meus braços, levando temporariamente todo o mal para longe e me levando em direção à borda. Momentos depois, eu me junto a ela, lutando para nos manter na posição vertical. Estamos ofegantes, nossos peitos se movendo juntos com cada respiração que tomamos. — Isso foi... — Ela uma pausa, respirando profusamente.


— Perfeito, — eu termino por ela. — Tão tolo, — ela sussurra. Normalmente, ela brinca quando diz isso, mas agora só parece cansada e meio satisfeita. Eu quero chamar-lhe de tola, pego sua mão, porque isso é o que fazemos, de volta, mas eu continuo a observação por mim mesmo, pensando que não quero fazer nada para estragar o bom momento. O fodido momento muito, muito raro, mas bom. Se eu pudesse encontrar uma maneira de fazer mais deles.


13 VIOLET As coisas não têm sido tão ruins no último par de semanas e quer dizer algo. Eu não ouvi ou obtive qualquer pacote surpresa de Preston e as mensagens pararam. Mira Price está atrás das grades por agora, algo que eu queria que acontecesse desde que tinha cinco anos. Eu ainda estou lidando com a minha visita a ela em um nível emocional, o gesso no meu braço constantemente me lembrando do que aconteceu. Mas é estranho. Eu estava tão irritada e instável na delegacia de polícia, a tal ponto que cabei quebrando meu braço, mas com o passar dos dias, é quase como algumas das minhas cicatrizes internas estão se curando, junto com meu pulso quebrado. Eu sinto que uma parte de mim está em uma espécie de liberdade em meu desabafo. Ver Mira naquela sala, saber que ela estava lá - saber que ela ainda está lá - é um pequeno pedaço de justiça para os meus pais, só resta ter que simplesmente pegar a outra pessoa. Eu sei que não vai trazêlos de volta e isso é ainda outra coisa que estou lidando, mas após o incidente do afogamento eu estou tentando evitar testar minha vida neste momento, escolher viver a vida, eu acho. O detetive me chamou a delegacia no outro dia para me dar uma atualização, que foi basicamente para que ele pudesse me informar que Mira estava sendo uma cooperante dor na


bunda. Ele ficou olhando para o meu braço quebrado e, em seguida, sugeriu que talvez eu devesse ir ver um terapeuta para me ajudar a passar por isso. Eu disse a ele que estava bem, uma vez que a ideia de ir e derramar meus pensamentos a alguém é algo que eu nunca quis passar. Lembro-me dos olhares que as pessoas costumavam me dar quando descobriam que eu tinha passado vinte e quatro horas na casa com os corpos dos meus pais. Pena. Horror. Medo. Mas acontece que eu não tivesse uma escolha. A publicidade de toda a coisa fez a Universidade se envolver e foi "recomendado" por meu orientador escolar que eu deveria falar com o seu conselheiro. Por já estar por um fio, eu concordei e tenho a minha primeira seção hoje. A mulher sentada atrás da mesa quando entro no escritório é um pouco diferente do que esperava. Ela tem cabelo vermelho-fogo, do tipo que você tem que pintar para deixá-lo assim. E eu posso ver uma tatuagem se espreitando para fora da gola da sua blusa. Ela está usando um terno e seu cabelo está preso em um coque, como se ela fosse uma mulher de negócios meio rebelde, do tipo que curte arte escura, como as que tem penduradas nas paredes. — Ei,— ela me cumprimenta quando entro, como se eu fosse um amiga não uma cliente. — Violet Hayes, certo? Eu concordo. — Sim, essa sou eu. Ela sorri, em seguida, inclina-se sobre a mesa bagunçada para apertar a minha mão. — Eu sou Lana. Ainda bem que você pôde fazer isso. Sente-se.


Eu estalo-me na cadeira e coloco minha bolsa no chão, sinto uma onda de nervos enquanto trago a minha unha polonês à boca, em seguida, começo a roer as minhas unhas. Estou dizendo a mim mesma para ergue as minhas paredes, ser a Violet difícil, porque esta não é uma zona de segurança - não é como o tempo que gasto com Luke. — Então, o que te trouxe aqui hoje, Violet Hayes? — Lana pergunta, olhando um arquivo em sua mesa. — Você não sabe? — Eu coloco minhas mãos no meu colo. — Porque estou supondo que você sabe. Todo mundo me conhece. Violet Hayes, a garota assustadora que viveu enquanto seus pais foram assassinados. Que ficou na casa durante vinte e quatro horas. Ela sorri para mim, surpreendentemente não irritada com a minha atitude mal-intencionada. — Parece que você é uma garota resistente. — Não, apenas rude. — Isto vai ser mais difícil do que eu pensava. — Hmmm... Talvez... Mas talvez não. — Ela olha para a pasta novamente, lendo um papel que está dentro dela. Depois de dar uma lida brevemente, ela fecha a pasta e desliza-a para o lado antes de reposicionar suas mãos e colocá-las sobre a mesa. — Então, além do que os noticiários disseram sobre você, o que mais eu preciso saber? Eu dou de ombros. — Os noticiários já disseram o suficiente... Disseram o que há de errado comigo. Ela me dá um sorriso suave. — Eu gostaria de ouvir o que você pensa sobre você, não qualquer outra pessoa. Eu honestamente não sei como responder isso a ela, não estou preparada para este tipo de situação. — Não há muito para saber.


— Você tem um emprego? — Sim. — E você vai à faculdade. Você estava ido muito bem com a sua frequencia até um par de meses atrás. Você quer me dizer o porquê? Eu balanço minha cabeça. — Não. — Ok, então. — Ela aceita muito facilmente e estou aliviada por isso - Eu já ouvi o suficiente sobre isso de outras pessoas. Talvez não vai ser tão ruim, afinal. — E o que dizer de namorados. Você tem um? Eu dou de ombros, as paredes começando a se levantar. — Pode ser. Ela parece perdida. — Pode ser? — É complicado. Ela balança a cabeça como se entendesse, mas como ela poderia quando eu não lhe disse nada. — Que tal amigos? Cruzo os braços sobre o peito. — Eu poderia ter alguns. — Pode ser. Ela pensa sobre a minha resposta, em seguida, pega uma caneta e um caderno da sua gaveta. — E o que dizer de família? — Ela começa a escrever algo. — Mortos. — As paredes desabam. — Eu sou uma criança adotiva. Eu observo-a hesitar, mas ela se recupera rapidamente. — Você ficou com algum deles?


Eu quase rio. Não por escolha, eu quero dizer. Porque não vai me deixar em paz. — Mais uma vez, não. Adultos não são realmente fãs disso. Ela olha para mim. — De quê? Aponto para mim mesma. — De uma garota que assusta a merda fora deles. Ela escreve mais uma coisa, em seguida, define o papel e a caneta de lado e se concentra em mim novamente. — Por que você acha que todo mundo tem medo de você? — Porque é isso que eles dizem. — Estou desconfortável, meus demônios internos e vícios arranhando para saírem e retomarem o controle sobre a situação, da única maneira que eu sei. — Eu não os culpo. Foi assustador o que eu fiz. Ela considera o que eu disse por um tempo. — Sabe, independentemente do que você pensa, sua reação não foi diferente. Eu solto uma risada desdenhosa. — Fique em uma casa com corpos por quase um dia. Até mesmo eu acho que sou assustadora. — Talvez seja esse o problema, — ela diz, pegando uma lata de balas sobre a mesa. Eu me sinto estranhamente em exposição para ela, como se eu estivesse sentada em uma caixa de vidro e ela pode ver cada parte de mim, dentro e fora e não há nenhum lugar para se esconder. Não é o sentimento mais reconfortante e não consigo descobrir uma maneira de contornar essa situação. — O quê? Eu ser assustadora? — Não, como você pensa sobre si mesma. — Ela coloca uma bala de hortelã em sua boca e fecha a lata. — Às vezes ouvimos as pessoas dizerem coisas sobre nós com tanta


frequência que começamos a acreditar isso de nós mesmos, mesmo que não seja à verdade. — Não, é a verdade. — Minha voz está apertada, incapaz de aceitar o que ela está dizendo. Ela define a lata de lado. — Vamos ver, — ela diz, em seguida, pega a caneta e anota algo de novo. — Eu gostaria de te ver na próxima semana, se estiver tudo bem. Mesmo horário e dia? Eu quero dizer-lhe que não, ser uma cadela, então não tenho que voltar e deixá-la analisar minha mente, mas encontro-me murmurando ok, então pego o cartão que ela me oferece antes de fodidamente sair desse escritório antes que ela possa dizer qualquer outra coisa. Quanto mais ando, mais repito o que ela disse sobre a situação. Eu acredito no que todos me disseram. Quanto mais penso sobre o assunto, mais isso me irrita, como se eu fosse tão fraca de espírito que só acredito no que todo mundo me diz. E essa é a coisa. Há apenas poucas vezes que você pode perceber o quão indesejado é, antes de começar a acreditar que é verdade. Corro através das folhas ocupando o campus, amarelas e marrons que são esmagadas sob minhas botas enquanto corro para outro lado do gramado, dizendo a mim mesma que não vou voltar, embora eu tenha concordado. Tenho a sensação de que a próxima visita será muito mais profunda do que o compromisso preliminar curto de hoje e Lana deixou-me muito desconfortável, provavelmente porque ela consegue chegar sob a minha pele. Eu posso dizer que não vou ser capaz de ser a Violet durona com ela, que consegue sorrir falsamente através de tudo. Eu vou acabar sendo a garota instável que chora na privacidade do seu banheiro porque ela está tão desesperada para arriscar sua vida, para desligar a dor, mas fez uma promessa para a única pessoa que se preocupa com ela para tentar não fazer mais isso.


E eu não quero estar aqui. Mas, eu realmente quero, caso contrário, eu teria desistido. Grunhindo em frustração para mim mesma, Dirijo-me pela calçada Humanities até a minha sala de aula. Comecei a ir desde ontem e estou continuando hoje, que parece como um passo na direção certa, qualquer que seja que essa direção pode ser. Eu avisto uma van de noticiário no meu caminho, então tomo o longo caminho, indo por trás do edifício, onde há uma parede de árvores bloqueando sua visão de mim. A mídia tem esse fascínio pelo meu namoro com Luke, o filho da mulher que está sendo acusada de envolvimento no assassinato dos meus pais. Houve repórteres aparecendo na Universidade e no apartamento. Eu costumo dar-lhes a minha melhor atitude vai-se-foder, mas o que eu realmente queria dizer é: como diabos eu posso responder à suas perguntas sobre o que está acontecendo comigo, quando nem eu consigo descobrir isso por mim mesma. Sim, eu gosto de Luke. A tal ponto que dói quando ele não está por perto. E o meu coração salta quando ele está próximo. Mas também há essa dor. Esta dor associada com a ideia de perdê-lo. Mas eu quero ser a pessoa que sei que posso ser quando estou com ele. Uma nova pessoa talvez. Eu acho que um monte, honestamente. Talvez seja porque eu tenho uma coisa a menos para pensar. Todo o tempo que gastei pensando em Mira e agora não preciso me preocupar com ela. Tanto tempo agora para pensar sobre o que eu quero.


E o que eu quero? Eu só quero ser feliz. Mas a felicidade não é algo que vem fácil para mim e acho que vou ter que aprender a deixá-la entrar. Mas posso fazer isso com algo que não tenho certeza se já tive? Mais tarde naquele dia, minha mente está cambaleante em algum lugar entre o entediante como o inferno e a chateada. Tenho inúmeras atribuições espalhadas em volta da mim na cama, algumas atribuições dos meus professores que tiveram a gentileza de me darem por causa da minha "condição". Como se o caso de assassinato dos meus pais estivessem por todo o lugar e um rebanho constante de repórteres que tentam entrar em minha mente é o mesmo que ter uma doença. Ainda assim, eu estou feliz que estou recebendo uma segunda chance, embora tive que largar duas classes, mas é a minha própria estúpida culpa. Não é isso que está me deixando chateada, apesar de tudo. Eu abri a caixa de novo hoje, aquela com as coisas dos meus pais, por razões que são desconhecidas - talvez fosse a terapia ou a extrema necessidade de me torturar. Eu consegui folhear algumas páginas do diário e descobri que isso é tudo o que tinha. Acho que minha mãe estava tentando começar um diário, mas parou de fazer isso alguns dias depois, porque morreu. Eu acabei jogando a caixa para debaixo da cama, ouvindo o conteúdo lá dentro caindo, mas não me atrevendo a limpálos. Longe da vista, longe do coração. É isso que eu continuo dizendo. Então me enterrei na minha lição de casa, tentando usá-la como uma distração saudável, em vez do que eu realmente quero fazer, que é vagar até o telhado, ou talvez bater em algo forte e entorpecente.


—O que você está fazendo aí? — Luke entra no quarto e fecha a porta atrás de si. Eu tenho uma música suja tocando do meu laptop, totalmente adicionando ao meu humor relutante. Estou segurando um marcador e usando-o como uma ferramenta para desenhar em vez de trabalhar nas minhas atribuições. Meu cabelo trançado para o lado, sem maquiagem, e estou vestindo uma camiseta regata e bermudão, uma verdadeira bagunça. Eu me inclino e abaixo a música. — Bem, eu estava trabalhando em uma atribuição de Cálculo, mas comecei a ver os números em todos os lugares, por isso, tomei uma pausa. — Eu levanto o meu caderno que está coberto de desenhos, alguns meus, outros de Greyson e Seth que se encarregaram de transformar o gesso em meu braço em decoração de arte. — Eu realmente odeio matemática. Ele tira um dos seus tênis. É tarde da noite e seu traje esportivo - calça moletom, uma camiseta regata e tênis - eu estou supondo que ele acabou de voltar da academia. — Então por que você tomou a classe de cálculo? Você sabe que não é um grande requisito para os estudos em geral, certo? — Sim, mas eu não tinha nada melhor para fazer e gosto de um desafio. — Eu me inclino contra a cabeceira e estico as minhas pernas sobre a bagunça dos livros didáticos e atribuições, franzindo a testa para o livro de cálculo. — Não é tão difícil, apenas não é divertido. Ele ri, arrancando seu outro tênis. — A matemática nunca é... Embora, eu posso apontar que a maioria das suas aulas são de níveis altos de curso, e para maioria dos estudantes com dois anos de faculdade, e elas são fácies para você, por isso você é inteligente, mas pode querer repensar e fazer outra coisa, como física ou algo assim.


— Física? Realmente? — Eu questiono com ceticismo. — É isso o que você me vê fazendo? Ele dá de ombros enquanto pega sua carteira e outras coisas do bolso, colocando-os na mesa de cabeceira. — Você é boa em ciências e matemática. — Você é muito bom também, então talvez você devesse pegar essa classe. — Eu me ajoelho na cama e tiro o moletom com capuz que estou usando, porque o quarto está ficando quente demais para moletons. — E como você sabe que eu sou boa em ciência? — Porque tínhamos química juntos, — Luke responde enquanto eu jogo o moletom na cabeceira da cama, adicionando mais caos ao quarto. Luke e eu costumávamos ser tão limpos e arrumados, mas temos meio que nos transformado em bagunceiros ao longo do último mês, muito ocupados com outras coisas eu acho. — Isso foi antes de nós namorarmos, porém, — eu digo. — Você estava me espionando ou algo a assim? Ele faz uma pausa, em seguida, limpa a garganta várias vezes, confirmando a minha acusação. — Talvez, mas não foi assim que eu descobri que você tirou um A. Foi porque o professor colocou as notas finais na porta. — Só porque eu tenho um A, não significa que eu seja inteligente. Eu poderia ter colado. — Sim, você poderia. — Ele se posiciona em frente à beira da cama, com as mãos nos bolsos. — Mas você é inteligente o suficiente para não precisar fazer isso. — Então, você é... E pare de me chamar inteligente. — Eu fico desconfortável com elogios sobre minha mente supostamente maravilhosa. No passado havia apenas negatividade que as pessoas traziam. Louca. Errática. Instável. Perturbada.


Psicótica. Isso é o que estou acostumada e faz com que seja mais difícil ouvir o positivo. Ocorre-me, então, que Lana poderia ter estado certa em alguma coisa e não sei como me sinto sobre isso. Não querendo pensar sobre essas coisas e como isso me faz sentir, eu aponto para uma piada. — Se você continuar me fazendo elogios, eu vou começar a brilhar. Sua boca se curva em um sorriso enquanto ele ri. — Sério? É isso o que acontece? Eu aceno, sento-me e cruzo minhas pernas para que eu possa descansar os braços sobre os meus joelhos. — Todos os elogios e nenhuma negatividade faz Violet uma garota brilhante. — Eu pisco para ele, o clima suave. Ele ri ainda mais, envolvendo o braço em torno do seu estômago tenso, e eu não consigo me parar e um sorriso enfeita meus lábios. Então, sua exaltação desaparece inesperadamente e ele se inclina até mim. — É bom ver você sorrir, — ele diz, passando o dedo na minha bochecha e deixando as pontas permanecerem no canto dos meus lábios. Eu continuo sorrindo, mas está se tornando complicado com a sensação boa que ele está me dando e não sei como lidar com isso, exceto pânico e fuga.Eu fico quieta, lutando para me manter calma e não levantar as paredes ao meu redor.Tentar ser diferente. Tentar não ser aquela garota, a que ele me pediu para não ser na caminhonete. Afastando-se, Luke puxa a camisa sobre sua cabeça e joga-a no chão, fugazmente me fazendo desviar dos meus pensamentos e prestar atenção em seu abdômen muscular e seu peitoral tatuado com símbolos, esboços, e provérbios bonitos. — Você parece mais musculoso ultimamente, — eu admiro distraidamente.


Desabotoando sua calça jeans, ele levanta uma sobrancelha. — Será que isso excita você? Eu levo meu dedo aos meus lábios e finjo pensar sobre isso realmente duro enquanto ele tira seu jeans. — Essa é uma pergunta muito difícil de responder. Eu posso precisar ver mais para chegar a uma conclusão precisa. Ele atira seu jeans em mim e bate no meu rosto. Em jeito de brincadeira jogo-o de volta nele, mas ele se esquiva e eu acabo sentindo falta disso e jogo nele uma lata vazia de refrigerante que estava sobre a cômoda. Ele ri enquanto eu mostro-lhe o dedo do meio. — Eu estou mais musculoso porque comecei a cuidar melhor de mim mesmo e ir mais a academia com Kayden, — ele diz e como que para provar seu ponto que está de fato cuidando melhor de si mesmo, ele pega o estojo que transporta o seu material para diabetes para verificar o nível de açúcar em seu sangue. — Eu sei que você tem cuidado melhor de si mesmo. — Eu pego uma caneta da cama e deito-me de estômago para baixo, tentando não pensar sobre o quão fácil está essa conversa. Simples. Faz tanto tempo. — E isso é bom. Depois de picar o próprio dedo, ele vagueia até a cômoda para pegar algumas roupas limpas, mas faz uma pausa e se vira para olhar para mim. — Você deve vir comigo algum dia. Meu olhar se levanta de um dos meus papéis de literatura. — Para a Academia? — Quando ele balança a cabeça, eu solto uma risada. — Sim, isso não vai acontecer. Eu não sou atlética. Em tudo. Ele pega um par de calças de pijama da cômoda e, em seguida, se deita na cama comigo. — Você não tem que ser atlética... Callie vai muito com Kayden.


— Bom para Callie. — Viro a página do meu livro. — Se eu fosse para a academia, nem saberia o que fazer lá. — Iria te tirar de casa. — Ele desliza meus livros para fora do caminho, para que possa ficar perto de mim, em seguida, desliza seus dedos nos meus, me fazendo soltar a minha caneta. — Eu me preocupo com você... Você realmente não saiu de casa desde... Bem, desde que foi a delegacia um par de semanas atrás, nem tem falado sobre isso... E estou preocupado. — Você disse isso duas vezes, — eu digo, então, solto um suspiro pesado. — E é difícil quando há sempre uma multidão de repórteres esperando por mim. Ele gira para o lado e enrola uma mecha do meu cabelo em torno do seu dedo, olhando com grande contemplação. — Você não pode deixá-los controlar a sua vida. E, além disso, eu vou socá-los na cara se eles se aproximarem demais. — Os cantos dos seus lábios se curvam. Mas eu franzo a testa. — Sem qualquer socos na cara. Eu não quero que você vá parar na cadeia. — Por favor, venha comigo. É evidente que isto é importante para ele, embora eu não sei o por quê. E se estou sendo fiel comigo mesma sobre a tentativa de agir normalmente, curar todo o meu quebrantamento além dos ossos, eu preciso começar a tentar fazer isso a ele por tudo o que eu tenho recebido recentemente. — Se eu for, eu estou indo apenas para me sentar lá. — Você pode fazer o que quiser. — Ele se aproxima ainda mais e o calor do seu corpo me inunda e me coloca em um estado temporário de êxtase onde juro por Deus que estou flutuando. — Embora exista uma área de kickboxing. Deve ajudar com alguma coisa. Você poderia se livrar dessa raiva agressiva nele.


— Raiva agressiva? — Eu estreito meus olhos para ele, mas é mais divertido do que irritado. — Você está dizendo que eu tenho problemas de raiva? — Talvez... Quero dizer, você tem todo o direito de estar com raiva, mas acho que seria bom você tentar encontrar uma saída mais saudável. — Ele olha para o meu braço quebrado, então observo seu olhar passar rapidamente para o outro pulso onde há uma marca escondida debaixo de uma pulseira de couro; uma marca que eu coloquei lá quando cortei minha própria pele na esperança de que talvez se eu me fizesse sangrar, minhas emoções iriam sumir com o sangue. Há também um questionamento em seus olhos, e eu consigo perceber o que ele quer saber - precisa saber. — Eu não fiz nada desde aquele dia. — Eu remexo a pulseira de couro constrangida. — Eu tenho tentado não fazer. — Mas tem sido uma montanha-russa de emoções. Para cima e para baixo. Isso é o que eu senti a cada segundo de cada hora de cada dia. — Eu sei que você tem, — ele diz. — Eu só quero que você encontre algo que possa ajudar, talvez assim não terá que fazer mais isso... Talvez assim, não vai ser tão difícil. É uma loucura o quanto ele entende e quanto eu quero parar por ele e meio que por mim, também. Mas sendo honesta, eu não consigo imaginar minha vida sem meu comportamento imprudente e que faz-me perguntar quanto tempo posso continuar assim. Faz tanto tempo que nem sequer parece ser possível; mesmo que eu nunca mais queira ter esse sentimento impotente que tive no rio novamente. E não acredito por um segundo que ir a academia vai ajudar a me livrar do meu problema, mas ele está me olhando com esperança em seus olhos, então eu concordo. — Tudo bem, eu vou. — Eu forço um sorriso.


Ele sorri de orelha a orelha e faz com que ter concordado vale a pena, apesar do fato de que eu vou parecer uma idiota tentando bater em um saco. — Bom, vamos começar amanhã às sete, — ele diz. — De manhã? — Dou-lhe um olhar de desgosto. — Que diabos. Eu não consigo acordar tão cedo. Ele ri de mim, então me dá um beijo na testa antes de sentarse. — Sim, é cedo, mas eu tenho que pegar meu pai e Trevor no aeroporto ao meio-dia e vamos jantar mais tarde, lembrase? Honestamente, por todas as coisas acontecendo ao longo das últimas semanas, eu tinha esquecido sobre isso. — Eu meio que tinha me esquecido que eles estavam vindo, — Eu admito, sentando-me e estendendo a mão para pegar meu livro de cálculo. — Isso é compreensível. — Ele se dirige para a porta com o pijama em sua mão. — Você tem estado sob muito estresse ultimamente. — Você está soando como um psicólogo recentemente. Ou Seth tem usado isso em você ou talvez você deve ser grande um dia. Ele solta um riso cínico. — Sim, quem sabe um dia. Eu sentado atrás de uma mesa, ouvindo os problemas de outras pessoas e tentar resolvê-los. — Você é melhor nisso do que pensa. — Minhas palavras transportam significado. Luke me dá um sorriso agradecido que aquece meu coração gelado um pouco, mas a sua felicidade se transforma rapidamente em hesitação. — Então, como foi a terapia? — ele pergunta com indiferença quanto possível, mas posso dizer que ele está preocupado comigo.


Eu dou de ombros, não querendo falar sobre o fato de que minha cabeça está oficialmente sendo examinada. — Não é tão ruim, eu acho. — Você tem que ir novamente? — ele pergunta, os dedos envolvendo em torno da maçaneta. Eu aceno, me perguntando se vou continuar com isso continuar indo e deixar Lana me dissecar. — Sim, na próxima semana. — Até quando? — Até o futuro imprevisível. — Eu dou de ombros, em seguida, dou de ombros de novo, não sei mais o que dizer. Lana nunca mencionou o quanto eu teria que ir até lá. E se for um tempo muito longo? Ficar sentada naquela cadeira, falando sobre coisas que eu sempre procuro evitar, não importa o que custar. Posso lidar com isso? — Oh, tudo bem. — Luke deixa o assunto de lado e abre a porta. Toda essa conversa sobre o nosso futuro, lembra-me quem eu sou. Como eu, Luke não seguiu completamente em frente, mas ele ainda joga futebol e tem passatempos então está tentando, pelo menos, ao contrário de mim. Eu não tenho quaisquer outros hobbies, do que a minha extrema falta de habilidade em lidar com as pessoas e meu vício em adrenalina. Não tenho nada realmente. Talvez Luke esteja certo. Talvez eu preciso trocar de classe, sair de casa, fazer alguma coisa. Mas eu nem sei por onde começar. Toda a minha vida, senti como se eu estivesse à deriva, à deriva através das casas, empregos, até mesmo aulas, passando por elas, mas nunca realmente entrando de cabeça em qualquer coisa que eu estava sendo ensinada. Deriva.


Isso é tudo o que eu faço. Meus pensamentos sempre presos ao passado. Mas agora o passado pode ter sua justiça - meus pais podem obter justiça. E isso me deixa de frente para o futuro, eu estando pronta ou não.


14 VIOLET — Eu vi você, Violet. Vi você no rio. — Um sussurro enche minha cabeça. Ele vem no meio da noite. Uma voz, flutuando em algum lugar dentro da casa escura. — Você queria se machucar. — Você não vai sair tão fácil. Vem a partir do quarto?Eu não tenho certeza, mas soa tão perto... Espere onde estou? Eu acordo assustada do meu sonho, em seguida, sou sufocada pela escuridão em torno de mim. Parece tão pesada, tão esmagadora que não consigo respirar. Estou sozinha. Sozinha. Sozinha. Sozinha. Na casa escura. Só que eu não estou sozinha. Um estranho está aqui comigo. — Acorda.


Desta vez eu tenho certeza de que ouvi algo e me aproximo de Luke e sinto seu calor ao meu lado. — Luke, acorde. — Doulhe um aperto duro, meus olhos freneticamente varrendo ao redor do quarto. Mas não há ninguém. — Eu acho que ouvi alguém... Na sala de estar. Ele leva um segundo para acorda do seu sono, olhos ainda sonolentos quando liga a lâmpada e olha para o relógio. — São duas da manhã... O que está acontecendo? — Eu ouvi alguém na sala de estar, — eu assobio, sentandome e esforçando-me para ouvir o ruído enquanto aperto com força o cobertor. Isso não pode estar acontecendo. De novo não. Não. Ninguém está aqui. Baque, baque, baque... Um segundo depois, Luke está fora da cama e de pé, me lançando o celular. — Prepare-se para ligar para a polícia. Eu agarro seu braço quando ele faz menção de ir para a porta aberta do quarto. — Não vá até lá. — Eu cavo minhas unhas em sua carne, agarrando-me a ele como uma criança aterrorizada. — Eu preciso verificar e ver se tem alguém aqui. — Ele desliza o braço do meu e sai do quarto de cueca com nenhuma arma, nada para protegê-lo. Ondas de pânico passam através de mim como um rastro de pólvora e as imagens daquela noite inundam minha mente. Escuridão.


As vozes. Os ruídos. O canto. O sangue. O medo. Saltando da cama, eu agarro o celular e corro atrás dele no corredor, não querendo deixá-lo fora da minha vista. Deixá-lo fora da minha vista significa que eu nunca irei vê-lo novamente. — Violet, volte para o quarto, — Luke sibila, estendendo o braço e me empurrando para trás. Eu balanço minha cabeça, todo o meu corpo treme enquanto ouço vozes e vejo as luzes piscando do lado de fora. A noite, quando meus pais morreram, havia fogos de artifício iluminando lá fora e eu pensei que os tiros fossem os foguetes. Está acontecendo agora. Está acontecendo de novo. — São fogos de artifício? — Minha voz nem sequer soa como a mesma, perdida em uma memória traumática que estou recordando. Luke balança a cabeça. — Não... É a polícia, eu acho... Violet, volte para o quarto. Por favor, — ele implora. Eu balanço minha cabeça novamente, abraçando o celular no meu peito. Aturdida, sacudindo, sacudindo - minhas entranhas estão sacudindo e não consigo pensar direito. Esta escuridão. É tão alta. Estou com tanto medo. — Eu não posso... Eu não posso te deixar... Eu não quero ficar sozinha.


Eu não posso ver seu rosto, mas sinto seus dedos se entrelaçarem nos meus e segurar firme enquanto espreita ao virar a esquina para a sala. — Eu prometo que estarei de volta, — ele diz, em seguida, seus dedos soltam os meus. Eu começo a chorar. Berrar como um bebê, entrando em colapso no chão. Eu não vou vê-lo novamente. É o pensamento mais doloroso que já tive, dói nos meus ossos, músculos, veias, coração - tudo. Eu nunca quero que isso aconteça - não posso viver sem ele. O medo me consome, parece que está me enterrando viva. Eu preciso tirar isso de mim. Preciso ir a algum lugar - fazer alguma coisa. Eu nunca senti tanta dor antes e não consigo nem pensar sobre o que isso significa, porque sei que vai me matar agora. Não, Deus, não. Isso não pode estar acontecendo. Momentos depois, a luz da sala de estar se acende e eu não estou no escuro. Ela torna mais fácil respirar, mas meu coração ainda está batendo violentamente contra meu peito até que finalmente Luke retorna para mim. Ele parece exausto e nervoso. — Eu quero que você fique aqui. Lágrimas quentes escorrem dos meus olhos e tudo o que quero fazer é agarrá-lo e abraçá-lo. — Onde você está indo? Ele finge estar calmo, mas posso ver através dele - ele está preocupado. — A porta de vidro estava aberta e a polícia está lá fora com suas sirenes. Alguém está na porta. Eu preciso sair e conversar com ele. — Ele se agacha ao nível dos meus olhos. — Violet, me escute. Eu não estou indo a lugar nenhum. — Ele segura minha bochecha. — Eu prometo.


Eu aceno minha cabeça para cima e para baixo, atordoada com o que está acontecendo dentro de mim. Algo diferente, algo está mudando e assusta a merda fora de mim e me excita da forma mais terrível possível. Eu deixo Luke orientar-me de volta para o quarto e para cama. Sento-me na borda enquanto ele coloca uma camisa e em seguida, desaparece para fora do quarto novamente. Eu assisto o tic-tac do relógio. Ouça o vento lá fora. Assistindo as luzes azuis e vermelhas piscarem. Parece que se passou uma eternidade até que finalmente Luke retorna para o nosso quarto. — O que foi? — Eu pergunto, o celular ainda em minha mão. Ele pega o celular de mim, define-o de lado na mesa de cabeceira, em seguida, sobe na cama ao meu lado. Seus braços me envolvendo, em seguida, ele me puxa para perto e nos deita no colchão. Segurança. Eu me sinto tão segura. — Alguém entrou no nosso apartamento... A polícia viu... Ligarem as luzes. — Seus músculos ficam tensos, seu abraço tão apertado que me sinto pressionada contra ele. — Eles acham que quem quer que seja se assustou e fugiu. Eles estão procurando em torno, mas não conseguiram encontrar nada. Eu engulo o caroço na minha garganta. — Foi ele. — Estou com medo, mas também não estou. Porque desta vez eu não estou sozinha. Eu não estou sozinha? — Violet, não foi... — Ele faz uma pausa, porque sabe que estou certa. Foi Preston. Preston estava dentro de casa. E não acho que foi a primeira vez.


15 LUKE Tudo estava indo tão bem. Eu tinha a feito concorda em ir ao ginásio comigo, sair de casa, na esperança de que talvez ela pudesse descobrir outra maneira de liberar a sua dor e raiva. Mas, em seguida, uma Violet muito apavorada me acordou do meu sono. Assim que vi a maldita porta deslizante aberta, eu sabia que alguém tinha entrado no nosso apartamento. Não temos sido tão cuidadosos sobre o bloqueio, uma vez que estamos no segundo andar, mas, aparentemente, deveríamos ter estado. Estou indo atrás de um sistema de alarme de merda - eu não aguento mais. Este sentimento de desamparo de que vou acordar e encontrar Violet ferida por aquele pedaço de merda. O fato de que isso lhe assustou foi o suficiente para me fazer querer bater a merda fora dele. Se ele ainda estivesse no apartamento quando me acordei, eu teria perdido o controle. Posso dizer que ela estava pensando na noite em que seus pais foram assassinados, pude ver isso em seus olhos verdes. Ela pensou que algo estava para acontecer comigo e que ela nunca me veria novamente. Isso fodidamente doeu, ver o medo em seus olhos, me deu vontade de fazer qualquer coisa para levar a dor e o medo para longe dela. Mas, novamente, tudo o que sinto é impotente.


Eu observo-a dormir pelo resto da noite e, finalmente, caio no sono por volta das cinco da manhã. Cerca de uma hora mais tarde, eu acordo por causa de uma batida na porta. O sol está começando a levantar e a luz está brilhando através da janela, fazendo-me sentir um pouco mais seguro, mas ainda tenho que criar forças para deixar Violet na cama sozinha, mesmo que seja apenas para atender a porta. Acaba por ser a polícia, querendo me dizer que eles não encontraram a pessoa, mas que preencheram um relatório. — Um relatório. — Eu me inclino contra o batente da porta e dou-lhes um olhar frio, duro. — Sim, isso vai ajudar muito. — É melhor do que nada, — o mais alto dos dois policiais responde agitadamente enquanto o outro anota algo em uma prancheta. — Não, seria melhor se você tivesse o pego antes que ele entrasse em casa. — Eu cerro os punhos, sentindo a raiva que vive dentro de mim, a que aumenta sempre quando penso em minha mãe. Mas desta vez é sobre Preston. Eu quero fodidamente bater a merda fora dele, tanto que não consigo suportar isso. — Garoto, abaixe o tom, — o oficial menor diz enquanto rabisca algo no papel. — Estamos fazendo o melhor que podemos. — Claramente isso não é o suficiente, — eu solto. — Desde que ele entrou no fodido apartamento antes que vocês percebessem que algo estava acontecendo. Eles parecem tão irritados quanto eu me sinto, mas continuam com seu protocolo de merda. Eles me mostram a pulseira de prata que encontraram no gramado, me perguntando se eu posso identificá-la. É de Violet, a que pertenceu a sua mãe e a que ela estava confusa sobre se colocou ou não. Quando lhes digo isso, eles explicam-me que


têm que ficar com ela para evidência, mas que vão devolver assim que puderem. Em seguida, me dão um resumo de como planejam aumentar a segurança, mas é tudo besteira. Esta é a segunda ou talvez terceira vez que Preston esteve aqui e ele está ficando mais corajoso. A coisa chata é que eu não tenho certeza do que ele quer. Torturar Violet?Não, eu acho que há mais do que isso. A única coisa que realmente me chateia é que acho que ele não vai parar até a polícia pegá-lo. Eu sei como as pessoas doentes e torcidas funcionam, vivi com uma durante anos. Quando volto para o quarto, Violet ainda está dormindo. Ela parece calma, sempre parece quando está dormindo, até acordar gritando. Eu gostaria de poder vê-la assim, quando ela está acordada, gostaria de poder encontrar uma maneira de dar-lhe paz o suficiente em sua vida por toda a que minha mãe tomou dela. — Quem era? — ela murmura, metade inconsciente enquanto eu subo de volta na cama. — Apenas a polícia, — eu sussurro, puxando os cobertores sobre nós e me aproximando dela. Eu penso em informá-la sobre a pulseira, mas decido esperar até que ela esteja completamente acordada. — Será que eles... Encontraram... — ela pergunta, embora claramente esteja fora da sua mente. — Não, mas você está segura. — Eu beijo sua cabeça, fechando os olhos e inalando o seu cheiro. — Eu prometo que não vou deixar que nada aconteça com você. — Eu sei que você não vai, — ela murmura, aninhando-se contra mim. — Mas Luke... — Sim?


— Eu acho que foi Preston... Acho que o vi naquele dia... Quando eu quase... Me afoguei... Eu acho que ele realmente colocou a pulseira em mim, o que significa que ele esteve no apartamento antes. Cada músculo do meu corpo se aperta como uma corda atada. Não apenas porque ele estava lá no dia em que ela entrou no rio, mas que ele esteve em nosso apartamento antes. Foda-se, eu estou tão irritado e tenso agora, estou prestes a acerta meu punho através da parede só para me sentir melhor, mas, em seguida, Violet se aproxima ainda mais de mim e isso me lembra que tenho que ser mais estável agora. Vou tentar tirar essa frustração no ginásio ou algo assim amanhã, pelo menos tanto quanto eu puder. — Obrigado. — Violet diz, dando um beijo no meu peito. A frustração em meu peito se dissipa. — Pelo quê? — Por... — Ela boceja enquanto traça um círculo em meu peito, bem à cima onde meu coração está batendo. — Por não me deixar. Meu coração se aperta em meu peito enquanto acaricio seu cabelo e estudo seu rosto, a forma como suas pálpebras continuam tremulas, a forma como a luz do sol bate no piercing em seu nariz, a forma como seus lábios estão entreabertos. Fodidamente bonito e tão difícil, se ela percebe isso ou não. Ela é uma sobrevivente de tanta merda que muitas pessoas nunca sequer podem compreender - os sortudos. Só quando eu sei que ela está dormindo atrevo-me a sussurrar a verdade. — Eu nunca deixaria você, — eu sussurro. — Porque eu te amo.


16 VIOLET No dia seguinte eu acordo de um pesadelo estranho, se pode se chamar assim. Eu nem tenho certeza do que diabos foi isso ou os meios. Era minha mãe. Ela estava em pé na frente da sua sepultura com o braço estendido para mim e eu estava congelada, incapaz de pisar no gramado e ir até ela. — Eu não posso, — eu choramingo. — Eu simplesmente não posso. Ela finalmente abaixa a mão e sorri para mim. — Está tudo bem, Violet, minha menina. Você pode fazer isso. Apenas me deixe ir. Foi quando eu tinha acordado, com falta de ar, não necessariamente apavorada, mas confusa. A confusão que ainda está girando em torno dentro de mim. E aumentando quando me lembro dos acontecimentos da noite passada. Eu ainda concordo em ir ao ginásio no dia seguinte, mesmo que Luke me deu um passe livre, dizendo que, ou podemos ficar em casa se eu quiser ou que eu não tenho que ir depois do que aconteceu ontem à noite. Eu posso dizer que ele quer que eu vá com ele, embora, e honestamente não quero ficar no apartamento depois do que aconteceu. A pior parte sobre a coisa toda é que eu nem mesmo sei por que Preston está fazendo isso ou o que ele quer de mim. No


passado, sempre seria - os seus negócios com drogas e favores sexuais. Mas agora parece que ele está jogando algum tipo de jogo comigo, onde eu estou me perguntando o que diabos vai acontecer a seguir. Ultimamente tem sido tão calmo que eu tinha começado a baixar a guarda e quase esqueci que ele ainda estava à espreita. Eu não posso fazer isso, mas também não quero viver minha vida com medo mais. Eu quero ser destemida. Eu quero ser livre. Eu só quero ser eu. Tentando me livrar dos pensamentos de Preston o melhor que posso, eu me visto para ir ao ginásio, colocando um par de shorts apertados e uma regata com capuz. Em seguida, amarro meu cabelo, o tempo todo fingindo que está tudo bem, que eu não estou abalada com o que houve na noite passada. Eu me sinto exausta, mas Luke parece ainda pior do que eu. Quando pergunto-lhe se ele dormiu, ele diz, — o suficiente, — mas as olheiras sob seus olhos contradizem suas palavras. Nós estamos saindo quando Greyson aparece saltitando da cozinha com energia demais para as seis e meia da manhã. — Feliz dia das bruxas! — Ele me oferece um cupcake em forma de abóbora. Ele está usando shorts, camiseta e tênis, pronto para ir ao ginásio. Como diabos ele consegue se preparar e cozinhar cupcakes, isso já está além de mim. — Obrigado. — Eu dou uma grande mordida no cupcake com apreço, em seguida lambo os cantos sujos da minha boca com recheio de geada alaranjada, saboreando a corrida de açúcar que recebo. — Estamos saindo, — Luke diz, jogando sua bolsa por cima do ombro. — Você e Seth vêm?


Greyson acena com a cabeça, voltando para a cozinha e começa a arrumar o resto dos bolinhos cozidos. — Eu vou com certeza. Vamos ver sobre o sono de beleza de Seth. Ele odeia exercícios. — Soa como um cara brilhante para mim. — Eu mordo o cupcake e quase tenho um *foodgasm, a geada amanteigada e o bolo derretem no momento que se tocam na minha língua. — Jesus, isso é bom. Luke me olha com um olhar lascivo como se me observar lambendo a geada dos meus lábios fosse a coisa mais sexy que ele já viu. — Sim, eu posso ver isso. — Ele leva um tempo, mas consegue tirar os olhos da minha boca. — Basta dizer-lhe que ele pode ficar com Violet, — ele diz para Greyson. — Ela não vai para fazer vários exercícios, apenas vai para me fazer companhia. — Ok, isso pode fazê-lo ficar mais agradável. — Greyson tira a tampa de uma vasilha onde estão os cupcakes em seguida, rodeia o balcão da cozinha com outro em sua mão. — Um para a estrada? — O que eu pareço?Uma viciada em açúcar? — Eu pergunto, mas, em seguida, aceito o cupcake de qualquer maneira. — Obrigado. Greyson balança a cabeça para mim com um sorriso aparecendo em seus lábios. — Vejo que você é um pouco viciada em açúcar. Dou um aceno de adeus a ele e sigo Luke até a caminhonete, sentindo minha guarda se erguer até o momento em que saio pela porta com os eventos da noite correndo pela minha mente. Como se sentisse meu pânico, Luke entrelaça seus dedos nos meus e me agarra firmemente até que estejamos em segurança em sua caminhonete.


Ele dirige na estrada enquanto eu devoro o cupcake, olhando para as casas e lojas que revestem as ruas. Tudo está decorado de laranja, preto, e roxo. Bruxas falsas, esqueletos e teias de aranha cobrindo o interior e exterior dos edifícios. — Eu nunca fui de comemorar datas comemorativas, — eu divulgo a Luke, dando outra mordida no bolinho. — Realmente? — ele me pergunta, embora não pareça muito surpreso. Eu dou de ombros, descascando o papel do bolinho. — É provavelmente porque eu nunca celebrei. Eu nunca me fantasiei para o Halloween, a menos que eu fizesse isso por conta própria, o que eu nunca fiz porque nunca tive ninguém para me levar para obter doces. Eu comemorei a Ação de Graças algumas vezes, mas jantares de família eram geralmente difíceis sem os membros da família. Em seguida, o Natal... Eu odeio o Natal. Não havia nada de alegre sobre tudo isso quando eu era mais jovem... Eu quero dizer depois que meus pais... — Eu engulo em seco, tentando afastar as emoções dentro de mim tirando um pedaço do bolinho, então tenho que limpar minha garganta. — Sim, mas consigo me lembrar de um único presente uma vez a partir de uma das famílias com quem vivi, que realmente pareceu grandioso quando eu o abri. Um anel de prata bonito com uma pedra violeta que era cercado por pequenas jóias de ônix. Era tão bonito e perfeito para a minha versão gótica de 14 anos. Quando termino Luke está sorrindo. — Eu posso imaginar você toda vestida de preto e coberta de brincos. — Sim, eu era bem assim. O anel parecia totalmente minha cara também, mas cerca de cinco minutos depois que eu o ganhei, a senhora Fairly informou-me que ela tinha me dado o presente errado, então o tomou de volta e deu-lhe para sua filha. Meu presente real acabou sendo meias novas. — Eu paro de falar, meu coração batendo dentro do meu peito pelo


momento de confissão. — Sim, desculpe sobre a história triste e lamentável. Eu não sei o que deu em mim. — Olho para o cupcake. Que diabos Greyson colocou nessa coisa? Soro da verdade? Luke continua dirigindo pela estrada, pensando sobre alguma coisa. — Eu odeio as datas comemorativas também, — ele admite, virando para a estrada principal. — Nós nunca realmente comemoramos direito. O Dia das Bruxas, normalmente era sobre limpar a casa, embora Kayden e eu saímos fantasiados e íamos pedir doces algumas vezes. Ação de Graças, se eu tivesse sorte, ela iria cozinhar uma boa refeição para Amy e eu ou me deixar ir para casa de um dos meus amigos, mas isso foi quando eu era mais velho. E o Natal... — Sua boca se fecha, os nós dos dedos ficando brancos enquanto ele agarra o volante. — Vamos apenas dizer que o Natal era os piores. Eu sinto que ele está me dando algo em troca por compartilhar a minha história, mesmo que eu realmente não queria. Enfio o resto do bolinho em minha boca, deslizo no assento até ele e levanto meu dedo mindinho. — Sabe o que devemos fazer? Devemos fazer uma promessa de que datas comemorativas não serão um grande negócio. Ele considera o que eu disse, olhando do meu dedo mindinho para o meu rosto. — Você nunca se fantasiou no Dia das Bruxas e foi pedir doces? Eu balanço minha cabeça. — Eu tenho certeza que fiz quando ainda estava com os meus pais, mas as lembranças são muito nebulosas para lembrar - a maioria delas é de qualquer maneira, — eu digo, meu coração se apertando no meu peito com a lembrança dolorosa. Em vez de me dar um olhar de pena, determinação enche sua expressão. — Então o que pensa sobre isto? Que tal comemorarmos fodidamente todas as datas comemorativas.


Cada uma. A cada ano. — Quando ele para em um semáforo, ele se vira para mim no banco e levanta o seu dedo mindinho na minha frente. — O que você acha? Você está dentro? Eu sei que suas palavras têm um significado muito maior do que apenas celebrar algumas comemorações, mas eu não tenho certeza se estou prometendo-lhe ao máximo. Ainda assim, o que ele está propondo soa como algo que eu sempre quis, mas nunca me deixei fazer, desde que eu tinha cinco anos de idade. Então entrelaço o meu dedo mindinho com o seu e decido dar-lhe uma chance. — Ok, senhor Estoicamente Arisco, eu estou dentro.

*Foodgasm: quando a comida é tão boa quanto ter um orgasmo.


17 VIOLET — Oh meu Deus, eu acho que vou morrer. — Eu respiro pela boca, porque o cheiro do tapete que estou deitada é mais repugnante do que ovos estragados deixados no sol por um dia quente e abafado. Seth está deitado ao meu lado, algo que ele fez depois que declarou que não era uma pessoa de exercícios. Greyson, no entanto, é do tipo que gosta de correr em esteiras, mas não estou muito surpresa, considerando como ele estava alegre esta manhã. Seth e eu estamos pendurados nas esteiras, deitados de costas, olhando para o teto, o som do tilintar e grunhindo nos rodeia. Callie está fazendo algum tipo de aula kickboxing, e Greyson está nas bicicletas. Há essa música super pop tocando, com letra animada, e isso me faz querer encontrar o aparelho de som e quebrá-lo. Não, eu não sou uma pessoa da manhã, algo que já sei há um tempo, mas hoje está bem claro para todos que são agraciados com a minha presença. — Dê-me um pouco do seu café, — Seth exige brincando, tentando roubar o meu café gelado. Eu dou um soco em seu braço. — De jeito nenhum. Compre seu próprio maldito café.


Ele solta um grunhido frustrado enquanto se inclina para trás na esteira. — Greyson não deixou-nos parar para comprar um. Ele disse que estávamos atrasados e que a culpa era minha, portanto, eu tive que vim sem café. — Cara, ele é tão certinho, — Eu brinco, porque Greyson não é nada disso. — Totalmente, — Seth concorda com sarcasmo. Suspirando, eu sento-me e ofereço-lhe um gole do meu café. — Mas não beba tudo ou eu vou ter que chutar o seu traseiro. Ele me lança um olhar duvidoso enquanto pega o café da minha mão. — Eu duvido disso. Você pode agir toda durona, mas você não é assim. Eu olho-o propositadamente. Ele está usando uma camisa xadrez com as mangas enroladas até os cotovelos, jeans escuros, e seu cabelo está desgrenhado e tem estes destaques louros que parece que ele passou algum tempo em um salão para obter. Mas agora que vivo com ele, eu sei que não é o caso, eles são naturais. Ele parece muito moderno, o que seria muito bom, exceto que estamos no ginásio. — Olha quem fala. Você parece como se estivesse se preparando para ir a um concerto em vez do ginásio. — Oh, falando em concertos. — Seth toma um longo gole de café, em seguida, entrega-o de volta para mim. — Há uma impressionante banda tocando hoje à noite no The Silver Moon Grill. Ninguém grande ou qualquer coisa, mas há uma boa programação. Além disso, vai enlouquecer o Halloween e é temático e tudo. Você deveria vir. Eu olho para ele com desconfiança. — Será que Luke mandoulhe me convidar? — Ele parecia tão determinado a me tirar de casa.


Ele parece perdido. — Não... Eu nem mesmo disse a ele sobre isso. — Ele faz uma pausa. — Por que você perguntou isso? Eu dou de ombros, tomando meu café. — Não é como se você fosse me convidar para esse tipo de coisa ou algo assim. Você só começou a falar comigo civilizadamente um par de meses atrás. — Eu me pergunto se é porque ele tem pena de mim com toda a merda acontecendo, embora Seth não pareça ser uma pessoa que se compadece do próximo. Ele é realmente muito franco, o que eu posso lidar, mas esta manhã ele está na ponta dos pés em torno de mim, provavelmente com o que aconteceu ontem à noite. Se eu fosse eles, não pensaria em sair com a garota que atrai a loucura. Não é como se eu quisesse isso; simplesmente parece que seria mais seguro e mais fácil para eles. — E vice versa. — Ele se inclina para trás contra a parede e estende as pernas à sua frente. — Você é apenas uma rainha no drama como eu. Eu saboreio meu café, em seguida, coloco-o na esteira. — Eu prefiro esse termo interessante e nunca fica chato. — Isso não é o mesmo. — Sim, provavelmente você está certo. — Faço uma pausa. — Por que você está sendo bom comigo, no entanto? Ele dá de ombros novamente, olhando para os sapatos. — Quando eu te conheci, parecia que você era uma verdadeira cadela com Callie e meio que uma prostituta, mas depois de te conhecer realmente, eu percebi que a minha primeira observação estava errada. Estou curiosa com o que ele pensa de mim agora, mas não o suficiente para perguntar. Decidido mudar de assunto, eu estendo minhas pernas para frente, fazendo uma tentativa idiota com os pesos, imaginando que eu possa, pelo menos, fingir que estou me aquecendo para fazer algo. Estou usando


shorts apertados, uma blusa velha e meu cabelo está amarrado em um rabo de cavalo. — Tudo bem, se você realmente quiser que eu vá ao concerto, então eu vou, — eu digo a ele.— Contanto que depois do jantar com o pai de Luke e Trevor, ele possa vir comigo. — Tenho certeza que ele vai querer, já que prometeu celebrar fodidamente todas as datas comemorativas apenas meia hora atrás. — O show não vai começa até às nove, — ele me diz. — E duh, eu achei que você iria trazer Luke com você. Vocês dois estão ligados um no outro. Mesmo que seja verdade, sua observação ainda me pega desprevenida. Perdida em meus pensamentos, eu me estico novamente, inclinando-me para uma posição desconfortável. — Deus, por que as pessoas fazem isso - meu rosto está praticamente no nível da minha vagina. Seth ri. — Bem, você está escolhendo fazer isso, então talvez você esteja gostando. Eu mostro-lhe o dedo do meio sem levantar a cabeça. — Ha ha, você me pegou. — Eu fico na mesma posição, colocando minhas mãos em minhas pernas, os dedos envolvendo em torno das minhas coxas. — Sabe, eu acho que estou indo fazer uma tatuagem do lado da minha coxa, — eu digo mais para mim do que qualquer coisa. — Algo novo. — Sim, novo seria bom. Todas as outras são antigas, ligadas ao passado. Uma sombra se lança sobre mim e então eu ouço Luke dizer: — O que você está fazendo? — Ele soa como se estivesse sem fôlego. — Apenas assistindo Violet se tocar sozinha, — Seth responde divertidamente. — E ouvindo sua conversa sobre se autoinfligir. — Huh? — preocupação inunda a voz de Luke.


Eu rolo os olhos para Seth enquanto sento-me e Seth retribui meu gesto com um sorriso. — Nada, — eu digo, olhando para um Luke sem camisa, suado, e admito, muito sexy. — Eu só estava falando sobre fazer uma nova tatuagem. Isso é tudo. — Oh sim, aonde? — ele pergunta curiosamente, ainda tentando recuperar o fôlego a partir do treino. Eu faço um caminho com meu dedo em minha coxa até meu quadril. Sua respiração fica tranquila, talvez até mesmo para enquanto ele segue o caminho do meu dedo. — Seria um ótimo local. — Sua voz é baixa e rouca. — Você acha? — Eu pergunto, desfrutando totalmente do fato de que ele está excitado por isso. E o fato de que é um momento normal agora. Tem sido um tempo e parece vir do nada, mas eu vou levá-lo e agarrar-lo com toda a força que tenho. Luke balança a cabeça, finalmente, tirando sua atenção longe do meu quadril e focando em meus olhos. — Definitivamente. E eu vou com você. — Eu não preciso de uma mão. — Eu trago meus joelhos ao meu peito. — Eu sei o que vai acontecer. É a minha quarta. — Oh, eu não vou para segurar sua mão. — Seu olhar é sufocante ao ponto onde eu juro por Deus que a minha pele começa a derreter, mas eu não consigo desviar o olhar. — Seria sexy como o inferno para assistir, — ele diz, seus olhos se fixando em minha coxa novamente. Eu quero dizer-lhe sobre cada tatuagem que eu planejo fazer, apenas para manter esse olhar em êxtase em seu rosto que ele está me dando. Mas, aparentemente, Seth não concorda. — Jesus, parem de se foderem com os olhos.


Luke dá à Seth um olhar severo e, em seguida, balança a cabeça. — De qualquer forma, eu só vim aqui para ver o que vocês dois estão fazendo e se está tudo bem. — Há um significado subjacente em seu tom - ele está preocupado sobre como eu agi na noite passada e quer ver se eu estou bem. Eu aceno, deixando-o saber que estou bem, mas realmente não tenho ideia do que estou sentindo. Normalmente nestes tipos de situações, eu correria para a janela mais próxima e me imaginaria caindo. Logo antes de atingir o chão, eu iria tomar meu último suspiro. Eu quero realmente, realmente fazer isso. Sonhei sobre isso ontem à noite. Pensei sobre as imagens repetidamente esta manhã, mas entre a minha escolha que fiz no rio de viver e a promessa que fiz a Luke que eu tentaria parar, eu não vou. Ele solta um suspiro, em seguida, acena a cabeça. — Tudo bem, mas se você precisar, me chame. — Ele levanta o dedo por cima do ombro e aponta para uma das salas. — Kayden e eu estamos lá. Eu franzo a testa, me levantando. — Você não terminou ainda? Sua expressão fica divertida. — Nós estivemos aqui por menos de uma hora. Cruzo os braços sobre o peito. — E é metade de uma hora, muito tempo se você me perguntar. Em seguida, ele começa a rir, mesmo que eu esteja falando sério. — Você é engraçada. —Então ele me dá um beijo na bochecha e um tapinha na bunda antes de sair. Viro-me para Seth e levanto minha sobrancelha. — O que eu sou? Um dos seus amigos de futebol? Seth olha para mim com um olhar divertido no rosto. — Eu acho que você é praticamente o oposto para ele.


— E o que seria o oposto de um dos seus malditos amigos de futebol? — Eu não sei... A amante dele? — Ele me lança um sorriso diabólico e move as sobrancelhas. Isso atinge um nervo enquanto penso em um par de semanas atrás, quando Luke disse que me amava e percebi que não tenho nenhuma ideia do que o amor fodidamente é e como me senti mal por não dizer de volta. Eu quero pelo menos compreendê-lo, mas ainda tenho que descobrir como fazer isso. Minha expressão imediatamente cai e Seth percebe isso. Ele senta-se rapidamente, surpresa estampada em seu rosto. — Puta merda, ele disse para você, não foi? — Ele fica imediatamente de pé, ansioso para ouvir a novidade. — Eu não quero falar sobre isso, — eu digo incomodada, olhando ao redor na sala de exercícios, em busca de uma diversão. Mas as máquinas parecem com instrumentos de tortura e pessoas suadas que eu não conheço me cercam. — Falar sobre o que? — Greyson se junta a nós aparentemente sem fôlego e coberto de suor, na testa e em seu cabelo. Sua camisa também, mas ele parece contente com a sua aparência cansada. — Nada, eu disse que não quero falar sobre isso, — eu digolhe, pegando meu café, pronta para fugir. Eu vou ter que dizer a Luke que tive que ir em algum lugar. Mentira. O problema é que, depois de ontem à noite, ele vai surtar e tenho certeza que não quero fazer isso com ele. — Luke disse a Violet que a ama, — Seth anuncia e eu atirolhe um olhar sujo enquanto ele cobre sua boca com a mão. — Desculpa. Eu sou um péssimo mentiroso.


— O quê? — Greyson soa mais ferido do que animado. Ele dá um passo em frente, bloqueando o meu caminho de fuga. — Quando isso aconteceu? Eu olho para minha unha pintada de roxa. — Eu não sei, em um par de semanas atrás. A dor se amplia em seus olhos. — Por que você não me contou? Eu dou de ombros, culpa queimando em meu peito. — Porque não havia muito o que contar. Há uma pausa, em seguida, ele agarra meu braço bom e me puxa para o canto do ginásio que cheira pior do que o tapete. Seth chama por ele, mas ele o ignora. — O que aconteceu? — Greyson pergunta, em pé na minha frente, então estou meio que presa no canto. Um gato enlatado, que é como estou me sentindo. E um que quer correr. — Ele disse: — Eu faço aspas no ar. — "Eu te amo". E eu não conseguir dizer de volta. — Sim, está bem. — Uma respiração lenta escapa dos seus lábios enquanto ele balança a cabeça por algo que deve estar pensando. — Não foi possível porque você não o ama? Ou porque você simplesmente não consegue dizer isso ainda? Eu gostaria de poder dizer que é o último, que eu sou o tipo de pessoa capaz de amar e só preciso de mais tempo, mas eu sinceramente não sei. — Eu não tenho certeza. Ele me dá um olhar triste. — Violet, eu sei que o amor pode ser assustador e tudo, mas é assustadoramente incrível, rouba sua respiração, parece como se você estivesse voando. Você não deve ter medo disso.


— Eu não tenho medo. — Meu coração começa a entrar em pânico dentro do meu peito enquanto emoções queimam minhas veias. — Apenas confusa. Eu não quero ter que dizer que nem sei o que é o amor. Que a última vez que me senti amada e verdadeiramente amei alguém foi quando eu tinha cinco anos e meus pais ainda estavam vivos. Greyson sabe o suficiente sobre o meu passado para que talvez possa descobrir isso por conta própria. Por favor, por favor, descubra isso por si mesmo, então eu não vou ter que dizer em voz alta. Eu não sei se ele entende ou não, mas recua e me deixa passar. Nós voltar para o tapete quando de repente seus olhos se iluminam. — Eu tenho uma ideia, — ele diz, seu mau humor desaparecendo. Minha mente está cheia com muitas emoções. Eu tenho tentado não fazer isso, não fugir e procurar algum tipo de emoção perigosa, a fim de fodidamente me acalmar. Mas tem sido duas semanas, duas semanas de emoções empilhadas, pesadas, dolorosas. — Oh sim… Ele balança a cabeça, em seguida, acena para mim. — Me siga. Eu não quero segui-lo. Eu quero correr para fora daqui - pela porta que posso ver, tão perto, eu só preciso dar um passo em direção a ela.Mas o que aconteceria quando eu chegasse lá fora? O que aconteceria quando eu decidisse mergulhar no rio desta vez e eu não voltasse?Ou se eu saísse e Preston estivesse lá e desta vez a multidão não aparecesse? — Ei, Violet. — O som de uma voz feminina me cumprimentando me obriga a virar a cabeça para longe da porta. Chego a área do tapete em meu torpor e Seth, Greyson e Callie estão todos em pé perto de mim, como se estivéssemos em um acampamento e tentando formar uma espécie de


circulo da amizade. Eu sinto que nós deveríamos estar de mãos dadas e cantando. Sério. Eu dou a Callie um sorriso tenso. Não é que eu não goste de Callie. É que as coisas são um pouco estranhas entre mim e ela desde que nós dividimos um dormitório de calouros por um ano e ela pensou que eu era uma espécie de prostituta. Quando realmente eu estava vendendo drogas, mas deixe-lhe acreditar que eu era uma prostituta, porque eu nunca realmente me importei com que as pessoas pensavam de mim - ainda não. Mas eu fui meio má com ela algumas vezes; embora o meu argumento é que não era só com ela que eu era rude, mas com todos. Estou prestes a sair, imaginando em deixá-los fazer as suas coisas e posso ir fazer a minha quando Greyson diz: — Callie, você deve mostrar a Violet alguns dos seus movimentos de kickboxing. Eu acho que seria bom para ela deixar um pouco dessa raiva sair. — Parece engraçado para mim, Callie me ensinar kickbox. Ela é cerca de quatro ou cinco polegadas mais baixa que eu, cabelos castanhos, olhos azuis, magra basicamente uma coisinha minúscula. Sim, eu sou magra, mas pareço durona. Mas as aparências podem enganar e estou supondo que da forma como todo mundo está agindo, ela tem algumas habilidades fodonas escondidas. — Por que todo mundo acha que eu tenho problemas de raiva? — Eu pergunto, fixando o meu laço de cabelo, imaginando se eles sabem sobre o meu passado torcido e as questões entre Luke e eu. Apenas as notícias por si só, os detalhes sobre o caso que estou supondo que eles, pelo menos, sabem sobre a minha história. Talvez seja por isso que acham que tenho problemas de raiva. Ou isso, ou Luke lhes disse alguma coisa, mas eu duvido que ele faria isso, especialmente quando ele tem seus próprios segredos que eu tenho certeza que não compartilharia com eles. — Hum, porque você tem, — diz Seth com um rolar de olhos.


Callie atira-lhe um olhar de advertência. — Não seja rude, — ela diz como se eu fosse algo precioso e não conseguiria lidar com um pouco de aspereza. Eu quase rio da ideia, mas me contenho, pensando em como eu poderia lidar com isso na terapia no dia seguinte. — Sim, você também, — eu digo a Seth em uma tentativa idiota de tirar a atenção de cima de mim. Além disso, eu vi Seth zangado antes, muitas e muitas vezes. Seth revira os olhos novamente. — Querida, eu tenho exatamente o oposto de problemas de raiva. Eu cruzo meus braços e dou-lhe um olhar conivente. — Oh sim, diga isso ao DVD O Lado Bom da Vida. Greyson olha-lhe horrorizado então aponta o dedo para ele. — Foi você. Seth me dar um olhar sujo e eu sorrio de volta para ele inocentemente. — Ei, foi um acidente. — Mas ele suspira logo que diz isso. — Ok, isso é uma mentira. Mas a maldita coisa não queria tocar. — Era um dos meus favoritos. — Greyson balança a cabeça. — E você o quebrou ao meio. — Eu vou te comprar um novo hoje. Eu prometo, — Seth diz e Greyson acena com a cabeça e lhe ignora. Então Seth se vira para mim. — Você está pagando metade do preço, — ele assobia, não realmente chateado, apenas sendo a rainha do drama, como ele disse mais cedo. — De jeito nenhum, — eu respondo. — Eu não quebrei o DVD. Você fez. — Vamos fazer um trato, — Seth responde. — Se você chutar o saco algumas vezes, eu vou deixar isso passar. Mas tem que ser chutes ninjas.


— Por que todo mundo continua me empurrando para fazer isso? — Eu pergunto. — Sim, eu tenho problemas de raiva. E daí? Chutar alguns sacos malditos não vai mudar nada. — Oh, mas isso vai, — Seth me garante enquanto vagueia em volta de um grande saco de boxe pendurado do teto sobre o centro do tapete. — Eu sei destas coisas. Eu tive aula de psicologia. — Eu tive três diferentes, — digo a ele. — E isso não foi mencionado em nenhuma delas. — Três classes diferentes? — Seth me pergunta. — Realmente? Eu dou de ombros enquanto Greyson diz: — Violet é fodona quando se trata de classes. Não deixe que a aparência e atitude te engane, ela é uma garota muito inteligente. Querendo sair desse assunto, eu contorno em torno de Seth e olho para o saco. — Tudo bem, eu vou chutar essa maldita coisa algumas vezes, mas somente se nós podemos parar de falar sobre mim, meu cérebro e meus problemas de raiva. — Combinado. — Greyson se move por trás do saco de pancadas e coloca a mão sobre ele para mantê-lo no lugar. Eu não sei por quê. A droga do saco é grande como o inferno. Eu tenho certeza que não vou ser capaz de conseguir move-lo. — Então, o que eu faço exatamente? — Eu pergunto. — apenas chuto-o? — Sim, mas vire para o lado, para começar. — Callie vem até mim e me surpreende colocando as mãos nos meus quadris e me forçando a me mover para o lado. Então, ela dá um tapinha em meu quadril. — Gire seu quadril e levante sua perna. Você também pode usá-los. — Ela agarra meus braços e os posiciona na minha frente. — Você pode até mesmo perfurar o saco, mas provavelmente não com esta mão. — Ela bate o


gesso no meu braço quebrado, em seguida, dá um passo para trás, dando-me espaço. — Continue. Confie em mim, você vai se sentir muito melhor. — Ela tem esse olhar em seu rosto como se entendesse suas palavras muito bem. Inferno, talvez ela faz.Talvez por trás desse corpo minúsculo tem uma pessoa que está sendo travada com a raiva. Talvez ela tenha um passado confuso também. Deus, talvez todo mundo tenha em sua própria maneira. Dando o que eles querem, eu faço exatamente o que Callie disse, giro meu quadril e levanto minha perna, batendo meu pé contra o saco. Ele não se move, mas eu também mal o chutei. — Oh, vamos lá, — Greyson diz desapontado. — Mostre-nos o pontapé de uma garota resistente. Eu lhe ouço, dando um pontapé duro. Por um breve momento, quando meu sapato colide com o saco, eu sinto uma pontada de alívio da sobrecarga emocional que eu estava experimentando. Eu decido chutar um par de vezes mais e a sensação se torna mais intensa. Eu finalmente paro, respirando com força. Eu não digo nada, enxugo o suor da minha testa, mas Greyson me dá um olhar "eu lhe disse". — Você deve fazer isso com a outra perna agora, — Callie incentiva. — E desta vez, tento pensar em algo que lhe dará combustível. Eu arqueio minhas sobrancelhas para ela. — Combustível? — Sim, sabe, para o retrocesso, — ela diz simplesmente, inclinando-se para pegar a garrafa de água ao lado dos seus pés. Certa de que não vai doer nada, volto-me para o outro lado e tento descobrir o que diabos ela queria dizer com


combustível. Então, algo se encaixa dentro de mim e eu começo a chutar a merda fora do maldito saco. Ontem à noite, há duas semanas, quinze anos atrás, nenhum deles parece tão pesado dentro de mim. No controle. Isso é o que sinto. Eu sinto que tenho mais controle sobre mim mesma. Agora, neste momento, há apenas eu e este saco é tudo - todos os meus pais adotivos, Mira, Preston, todos que já me deram essa sensação, todos os que tomaram alguma coisa de mim. Quando eu finalmente paro, estou com falta de ar, minha pele está encharcada de suor, e meu coração está martelando dentro do meu peito. — Eu estou tão cansada, — eu digo, me curvando enquanto recupero o fôlego. — É chamado de exercício, — Greyson brinca com um sorriso. Estou cansada demais para retrucar com uma boa resposta, assim me viro e sorrio cansada. Mas é real, não o meu brilhante falso sorriso, que usei com ele nas primeiras conversas que tivemos. O mesmo sorriso que eu usava quando ia as festas e negociava. O sorriso que eu usei durante quase toda a minha vida. Se este é real, porque no momento é como me sinto. Eu me sinto como a real Violet.


18 LUKE Ela está dormindo por um par de horas. Eu me preocuparia com ela estar deprimida, mas ela só não é acostumada a se levantar muito cedo, ela também praticou kickboxing, então acho que ela tem uma razão para estar dormindo. É quase onze da manhã. Eu tenho que pegar meu pai e Trevor no aeroporto em uma hora. Eles se ofereceram para pegar um táxi e eu tive que explicar-lhes que Laramie não era como San Diego e que a tentar pegar um táxi significa esperar por pelo menos uma hora.Eles disseram que poderiam alugar um carro, mas eu insisti. Sim, eu Luke Price insisti em dar uma carona ao meu pai. Nunca pensei que isso iria acontecer e ainda estou sem saber como me sinto sobre isso. Eu pedi o Camry de Seth para ir buscá-los de modo que não tem assentos o suficiente na minha caminhonete. Violet iria comigo, mas ela parece tão pacífica dormindo, com os cabelos espalhados sobre o travesseiro, com as pernas em um emaranhado no lençol que eu quase não quero acordá-la. Sentando-me à beirada da cama eu afasto o cabelo do seu rosto e, em seguida, escovo meu dedo para cima e para baixo da sua bochecha. Ela suga uma respiração suave e, em seguida, suas pálpebras se abrem, seus olhos verdes vidrados de exaustão.


Algumas piscadas confusas depois, ela está sentada. — Que horas são? — Ela boceja, arqueando as costas como um gato quando estende os braços acima da cabeça. — Onze. — Meus olhos passam pelo seu corpo quase nu. Ela tirou a roupa de treino suado no momento em que chegamos em casa, ficando apenas em sua calcinha e sutiã, desabou na cama e dormiu cerca de trinta segundos depois. — Você pode ficar aqui e dormir, se precisar. Seth e Greyson disseram que estariam aqui até à noite, assim você não terá que ficar sozinha. — Não, eu quero ir com você, — ela diz, balançando as pernas sobre a borda da cama, em seguida, levantando-se. Eu não discuto com ela, feliz que ela queira ir comigo. Sentome na cama e observo-a colocar uma blusa e um par de jeans preto. — Eu tenho que tomar banho quando voltarmos embora, — ela diz, cheirando a si mesma. — Eu estou com o cheiro do ginásio. — Cheiro do ginásio? Ela faz uma careta repelida. — Sim, aqueles tapetes cheiram como se eles não fossem levados à anos. — Ela corre as mãos sobre os braços. — Eu juro que posso sentir o cheiro em mim. Eu rio enquanto ela pega suas botas e se agacha para colocálas. — Bem, você parece ótima. Ela olha para mim enquanto amarra sua bota. — Eu pareço como uma merda, mas obrigado. — Ela se levanta e passa os dedos pelo seu cabelo com mechas vermelhas em seguida, adiciona alguma merda brilhante nos lábios. Eu me levanto e atravesso o quarto indo até ela, chutando a roupa suja fora do meu caminho. — Você está linda, — eu


digo, roçando a ponta do meu polegar sobre seu lábio inferior. — Você sempre está. Parece que ela está prestes a me provocar por ser piegas, mas depois decide ir contra e morde o lábio. — Você parece de bom humor. — Seu olhar transporta perguntas. — Apenas contente que você pareça feliz. — Eu sigo o meu polegar sobre seus lábios, hipnotizado pela suavidade deles. — Essa coisa brilhante que você acabou de colocar sobre eles os faz parecer tão deliciosos. Com um olhar perverso em seus olhos, ela abre os lábios macios e morde o meu dedo. É gentil, mas ainda sexy como o inferno. — Uau, você costumava usar esse tipo de cantada com as mulheres? Eu sei que você e eu realmente não temos saído, — ela diz. — Então, eu não tenho certeza quais são seus movimentos. — Odeio discordar com você, mas nós já saímos. Muitas vezes. — Na verdade, não. Nós saímos em um par de encontros no começo, mas mesmo antes disso, as coisas eram diferentes entre nós. Quero dizer, não era como se você me conhecesse e quisesse transar comigo imediatamente. Eu meio que forcei meu caminho em sua vida, ou bem o destino fez de qualquer maneira. Há um milhão de coisas erradas no que ela acabou de dizer. — Primeiro de tudo, eu sempre quis transar com você, mesmo antes de nos conhecermos. E acabou ficando pior quando nos conhecemos. — Faço uma pausa. — Lembre-se quando nós dançamos naquela festa. Isso faz com que ela sorria, os olhos verdes brilhando. — E você disse que eu era linda e que deveríamos ir para um dos quartos - é isso que me lembro.


— Sim, foi uma cantada impressionante, certo? — Eu brinco, colocando minhas mãos em seus quadris e puxando-a para mais perto. — O que você ganhou de novo? Sua expressão cai, sua pele ficando pálida enquanto ela me dá um olhar culpado. — Na verdade, sendo honesta, eu me apavorei, corri para fora da casa e pulei em um lago. — Ela suspira, mas continua antes que eu possa fazer uma observação. — Eu sinto muito, mas você estava me fazendo sentir coisas que eu não estava preparada. — Está tudo bem. Eu estava muito assustado, muito pelo que eu disse a você. Sobre o que eu estava sentindo. Ela olha sobre meu ombro, perdida em seus pensamentos. — Parece como se quase todas as memórias do tempo que passamos juntos são assim. — Sua atenção retorna em minha direção. — Não me entenda mal. Eu adoro passar um tempo com você... É só que... — Ela morde o lábio inferior e me dá um olhar de desculpas. — "É só que" o quê? —Estou preocupado onde ela está indo com isso. Ela abre seus lábios e sua expressão transmite incerteza. — É só que eu acho que talvez nós devêssemos tentar mudar isso. Sabe, não termos uma memória ruim conectada a cada uma meio-normal... Então eu estava pensando que talvez pudéssemos tentar hoje à noite, fazer algo normal, quero dizer. Depois de jantarmos com seu pai e Trevor, poderíamos ir a um concerto. Seth disse que há um bom na cidade e eu disse-lhe que ia tentar ir. — Ela está falando muito rápido, como se estivesse nervosa. Isso me faz sorrir, o fodido sorriso mais estúpido, idiota e mais feliz do mundo. — Oh, você está me convidando para sair.


Suas sobrancelhas se arqueiam. — Por que você está sorrindo assim? — Eu não posso me parar - eu acabo rindo ainda mais dela. Ela me bate com seu braço bom. — Luke, sério, o que diabos é tão engraçado? Balançando a cabeça, eu tento acalmar o meu riso. — Me desculpe, é só que você parecia tão nervosa que eu estava esperando que você fosse dizer algo realmente ruim, como se achasse que precisávamos dar um tempo ou algo assim. — Ela dá um tapa de brincadeira em meu braço de novo e eu cubro a área com a minha mão. — Ei, o que diabos foi isso? — Pare de rir de mim. Você sabe que eu nunca convidei um cara para sair, certo? — E eu nunca realmente usei qualquer cantada para chegar em uma garota. Confie em mim, na maior parte eu era um babaca. Ela revira os olhos. — Jesus, o que há de errado com a população feminina? Serem tratadas como merda e quererem você ainda mais. — Nem todas elas. — Eu sigo o caminho da sua mandíbula, amando o jeito que suas pálpebras vibram com meu toque. Tanto quanto eu sei, ela é a única mulher que já reagiu ao meu toque dessa maneira e isso é porque ela é a única mulher que eu prestei atenção o suficiente para notar cada detalhe das suas reações. — Essa foi uma das primeiras coisas que me atraiu em você - porque minhas merdas não funcionaram com você. — Dou-lhe um meio sorriso. — Eu estava atraído pelo fato de que eu parecia irritar a merda fora de você sempre que abria minha boca. Bem, isso e o fato de que você é tão fodidamente sexy e eu não conseguia parar de pensar em te foder. — Dou-lhe um sorriso cheio enquanto ela revira os olhos. — Veja, essas são as minhas cantadas. Não soam muito impressionantes, não é?


Ela balança a cabeça, mas, em seguida, envolve seus braços em volta de mim e pressiona seus lábios nos meus, me dando um beijo rápido, mas profundo. Eu mordo seu lábio enquanto ela se afasta. — É melhor irmos logo. — Ela olha para o relógio na mesa de cabeceira. — Ou nós vamos acabar nos atrasando para pegar seu pai e Trevor. — Sim, você está certa. — Eu pego minha carteira da mesa de cabeceira, em seguida, começo a ir em direção à porta, mas ela segura a minha mão e me puxa de volta para ela. — Você vai ficar bem com isso? — Ela pergunta. — Com eles estarem aqui. Quero dizer, eu sei que passamos um tempo na casa deles, mas agora parece um pouco diferente. Não mesmo. — Sim, eu estou bem. Ela está certa. Isto é diferente. Quando Violet e eu ficamos na casa deles, foi por esconderijo. Sim, meu pai e eu conversamos e tudo, mas a maioria do meu tempo foi gasto cuidando de Violet. Esta é apenas uma visita pura e simples, ao ponto de encontro, conversar, jantar, passar algum tempo juntos. É estranho e nada natural, algo que eu totalmente não estou acostumado. Mas tudo o que posso fazer é cruzar os dedos e torcer que tudo vai ficar bem. Tudo vai ficar bem. Chegamos cerca de quinze minutos atrasados, mas meu pai parece feliz com a minha chegada, como se ele esperava que eu não aparecesse. Quando viro até o meio-fio, estaciono e saio, ele vem até mim e me dá um abraço desajeitado, enquanto Violet ajuda Trevor a colocar as malas no portamalas. Depois que terminamos, meu pai se afasta, me dando um estranho olhar e eu não posso deixar de pensar: foda-se, será que ele vai chorar? Felizmente, ele não faz e se afasta para me dar uma boa olhada.


— Eu juro que você cresceu ainda mais, — ele diz com um sorriso.Meu pai é cerca de quatro ou cinco polegadas mais baixo que eu, estatura mediana, com cabelo calvo castanho. Ele gosta muito de usar jeans e camisetas, nada como trajes de trabalho, algo que eu aprendi quando estávamos em San Diego. — Eu tenho vinte anos de idade, — eu digo a ele. — Eu parei de crescer tipo há cinco anos. Seu sorriso vacila, mas ele se recupera rapidamente e dá um passo para trás para deixar Trevor me dar um aperto de mão. — É bom ver você de novo, Luke, — ele diz. Trevor está mais perto da minha altura, com cabelos loiros e gosta muito de usar camisas de botões, de modo praticamente o oposto do meu pai. — Você também. — Eu realmente não sei o que dizer. Trevor e eu não nos conhecemos muito bem. Nós só nos conhecemos uma vez e ele estava trabalhando muito, por isso, talvez nos falamos tipo umas dez vezes. Trevor solta minha mão e dá um passo para trás, abrindo a boca para dizer algo quando meu pai caminha até Violet e a puxa para um abraço. Eu posso dizer que isso assusta a merda fora dela, pela forma como ela fica tensa como uma tábua. Ela consegue se recompor o suficiente, porém, para lhe dar um abraço com uma só mão. — É tão bom ver você, — meu pai diz, soltando-a. — Ambos. Violet dá um passo para o meio-fio e começa a remexer-se com o gesso em seu braço, arranhando-o de cima à baixo, olhando para as portas do aeroporto. Não há muito para olhar, porém, quase nenhuma pessoa entrando ou saindo, já que é um pequeno aeroporto e está no meio da tarde. Estou supondo que há algum tipo de emoção se construindo e ela está tentando se manter calma.


— Sim, é bom ver você também. — Eu dou a mão a uma Violet muito tensa. Ela não olha para mim, mas se aproxima. — Devemos pegar a estrada? — Eu pergunto. Meu pai balança a cabeça, em seguida, abre a porta traseira do Camry de Seth. Enquanto eles estão subindo, eu abro a porta do passageiro para Violet e quando ela começa a entrar, eu pressiono minha mão na parte inferior das suas costas, a parando. Aproximando meus lábios da sua orelha, eu sussurro. — Tudo bem? Ela balança a cabeça, em seguida, senta-se no assento. — Sim, está tudo bem. Eu não acredito nela, mas agora não é o momento para pressioná-la. Eu ando em volta do carro, entro e dirijo pela estrada em direção ao centro da cidade, onde Trevor e meu pai iram ficar pelas próximas três noites. Eles continuando fazendo comentários sobre o quão pequena e pitoresca a cidade é, mas Laramie não é nada pitoresca. Sim, a população é pequena, mas ela não tem uma aparência antiga-fashion, sim caseira. E o vento sopra como um filho da puta; frio o suficiente para congelar suas bolas se você ficar ao ar livre por muito tempo. Violet mal diz uma palavra durante a viajem inteira, olhando pela janela como se a vista fosse fascinante, como se ela não tivesse a visto umas mil vezes. Uma vez que deixo meu pai e Trevor no hotel, volto para o apartamento até que sairmos para jantar em algumas horas. Por fim, o silêncio começa a ser demais e eu abaixo o volume do aparelho de som. — No que você está pensando? — Nas muitas complicações e complexidades que compõem a minha vida, — ela responde sem olhar em minha direção. — Foi o abraço? — Eu pergunto. — Será que isso te chateou?


Ela respira pesado o suficiente para embaça a janela em frente do seu rosto. — Eu não quero piedade. — Ela vira a cabeça em minha direção. — Ou que sintam pena de mim. — Você tem todo o direito de se sentir mal sobre essas coisas, — eu digo a ela, fazendo uma parada em um sinal vermelho. Ela balança a cabeça. — Não, eu preciso superar isso. Eu quero, sabe? — Superar o quê? — Parar de me exaltar sobre tudo. — Ela despenca de volta no assento e colocando suas botas no painel, olhando para frente. — Parar de me exaltar sobre qualquer coisa simples como receber um abraço... É só que já faz um tempo, sabe... — Sua cabeça se inclina para o lado enquanto ela pensa, seu cabelo caindo em torno do seu rosto. — Que alguém me abraçou. Quero dizer, eu sei que você faz, mas... — ela dá de ombros. — Eu honestamente não tenho ideia do que fazer. Eu acho que estou apenas divagando. — Ela acena, querendo mudar a conversa. — Me ignore. Eu tinha o problema oposto, forçado a passar horas sendo abraçado por minha mãe de uma forma que não parecia natural e me fazia ficar enjoado. Eu sempre pensei que as coisas seriam melhores se eu nunca tivesse sido abraçado, mas Violet está contradizendo essa teoria. Talvez se os abraços tivessem vindo de uma pessoa em sã consciência, se meu pai não tivesse fugindo, então eu pensaria de forma diferente. Eu afasto o cabelo do seu rosto, sabendo que ela está tentando esconder o que quer que esteja em sua expressão, mas eu me importo muito com ela para deixá-la esconder sua dor. — Eu não vou ignorar isso. Não quando você diz algo assim.


Ela balança a cabeça, olhando para mim. Eu juro que posso ver cada aflição, cada cicatriz invisível. — Por favor, podemos simplesmente esquecer isso? Eu começo a inclinar-me sobre o console em sua direção. — Violet, nós não vamos... — Sinal verde, — ela interrompe, acenando para frente, enquanto as pessoas atrás de mim começam a buzinar. Eu dirijo em silêncio o resto do caminho até nosso apartamento. Assim que estaciono o carro na garagem, Violet abre a porta e pula para fora. Eu desligo o motor, pulo para fora e encontro-a em frente da caminhonete. Antes que ela possa mover-se, eu agarro-a em meus braços e puxo-a contra mim. — Luke, eu disse que está tudo bem, — ela protesta. Ela tenta colocar a mão boa entre nós, em seguida, me empurra. Mas ela não é forte o suficiente para me mover à qualquer lugar, não importa o que ela acredite. — Se fosse possível, eu te abraçaria a cada hora de cada minuto de cada segundo de cada dia. — Eu puxo-a para perto de mim, ignorando o fato de que ela não colocou os braços em volta de mim ainda. Nós ficamos dessa forma por um tempo, eu dando tudo a ela e seu medo de aceitar enquanto o vento nos cerca e o céu cinza começa a trovejar. Leva-lhe um ou dois relâmpago para ela finalmente relaxar. — Nós ficaríamos bastante ridículo se andássemos assim o tempo todo, — ela sussurra, os braços se envolvendo ao redor da minha cintura. Ela enfia a mão boa no bolso de trás da minha calça jeans e repousa a cabeça no meu ombro. — Embora, eu adoraria ver o olhar nos rostos das pessoas quando elas nos vissem. — Ela suspira, se rendendo. — Desculpe-me por me descontrolar com você.


— Você não precisa se desculpar. — Não, eu preciso... — ela diz, levantando o queixo para olhar para mim. — Preciso resolver minhas coisas. Eu só estou tentando descobrir como fazer isso. — O vento sopra em seu cabelo e rosto, fazendo-a ter que tirar as mechas da sua boca. — Talvez essa coisa toda de terapia vai ajudar... Eu não tenho certeza embora. Ainda estou cética. Eu não tenho certeza se estou inteiramente em desacordo com essa ideia. — Por quê? — Eu não sei... Acho que eu não confio muito em adultos. Eles podem ser desagradáveis, desleais. — Babe, tecnicamente nós somos adultos. — Eu sei disso, mas às vezes esqueço que somos, — ela diz, entristecida. — Talvez vá funcionar embora. Talvez vai ser capazes de corrigir todas as rachaduras e feiúras dentro da minha cabeça. Eu pressiono meus lábios em sua testa. — Não tem nada de feio. — Sim, tem, vamos ver se for o caso depois que me quebrarem em pedaços e ver o que está dentro de mim. — Ela faz uma voz assustadora, simulada a um som fantasmagórico. Minha testa se franze. — O que há com o tom de Dia das Bruxas? — Nós fizemos uma promessa de celebrar fodidamente todas as datas comemorativas, lembra-se? — Ela olha para o edifício principal do complexo de apartamentos, que é decorado com fardos de feno e um espantalho. — Eu preciso de uma fantasia, se vamos fazer isso.


— Posso te ajudar a encontrar uma, — Eu ofereço, mesmo que seja provavelmente a última coisa que quero fazer. Compras. Com pessoas loucas correndo ao redor para fazer as compras de última hora. Ela balança a cabeça e olha para mim. — Não é realmente uma coisa nossa. Acho que vou pedir a Seth. — Realmente? — Eu não posso esconder meu choque. Ela encolhe os ombros. — Estamos nos dando bem e sei que ele gosta de fazer compras. — Ele provavelmente vai querer convidar Callie, — eu digo a ela, não por que acho que seja ruim que ela saia com Callie. É que as duas têm um passado duvidoso. Além disso, Violet tende a assustar outras garotas com sua atitude eu-não-dou-amínima. — Está tudo bem. — Ela acena com a cabeça, como se estivesse convencendo-se de que suas palavras são verdadeiras. — Tudo vai dar certo. Eu posso sentir isso. Mas no momento em que ela diz isso, uma van com o logotipo de alarme de segurança para no estacionamento, nos lembrando que nem tudo pode estar bem com Preston solto. Enquanto ele continuar por aí, nós vamos sempre estar olhando por cima dos nossos ombros, dormindo menos, ouvindo cada barulho na noite. Isso me irrita, pensar sobre isso faz meu sangue ferver, especialmente quando Violet me dá um olhar, o que me permite saber que ela tem sido de repente lembrada de tudo e que isso está secretamente aterrorizando-lhe. Eu preciso encontrar uma maneira de tirar esse olhar. Mas a única maneira disso acontecer é quando Preston estiver atrás das grades.


19 VIOLET Parece que as últimas conversas entre Luke e eu me fizeram sentir em uma sessão de terapia. Eu não sei o que há de errado comigo, mas gasto menos tempo em pé em cima de telhados, saltando em rios turbulentos, cortando meus pulsos, tomando pílulas, ficando bêbada, quanto mais tempo eu falo. E é como se eu não tivesse nenhum controle sobre minha boca mais, palavras saem sem nenhuma permissão. Então, estou um pouco aliviada por ter algum tempo longe de Luke para comprar uma fantasia, esperando que eu possa limpar a minha mente e me recompor antes de assustá-lo - ou a mim mesma. — Então, fantasia de Halloween sacana, né? — pergunto a Seth enquanto passamos pelas prateleiras quase vazias da loja mais próxima com fantasias para o Dia das Bruxas que conseguimos encontrar. Eu aponto para as fantasias à esquerda; palhaços, dinossauro, há um traje sexy de girafa não sei como diabos eles consideram isso sexy, mas o que quer que seja. Seth balança a cabeça, procurando através das prateleiras com um olhar de desgosto em seu rosto. — Sim, meio que esse é o ponto. — Ele olha para Callie, que está olhando para a seção de fantasias com capa da loja. — A menos que você seja a senhorita Callie ali. Então você vai com o típico tradicional, mas perfeitamente uma bonita fantasia.


Suas bochechas coram como se o que ele disse é extremamente embaraçoso. — Eu vou com o que eu me sentir confortável. Seth balança a cabeça enquanto ela se move ao longo de uma seção de máscaras. — Eu sei que você vai, — ele diz. Eu ando até a próxima prateleira e olho para a seleção limitada. — Eu não quero ser sexy ou tradicional, apenas bonita. Seth olha ao redor do lugar pateticamente vazio que é suposto para ser uma loja. — Então o que você quer? Eu dou de ombros, indiferente. — Algo gótico, diferente. Seus olhos passam sobre a roupa que estou usando, calça jeans preta e uma blusa combinando, minhas botas cheias de acessórios de metal. — Basicamente o que você está usando agora. — Eu tenho uma ideia, — Callie diz em sua voz calma enquanto caminha até nós. Ela me olha da cabeça aos pés. — Uma realmente boa, na verdade, do que você disse, eu quero dizer. — Realmente? — Eu não quero soar tão duvidosa. Ela balança a cabeça, em seguida, acena para nós segui-la enquanto se dirige para fora da loja vazia. — Sim, siga-me. Callie estava certa. Sua ideia era boa e eu acabo com a fantasia perfeita, se você pode chamar assim. Eu definitivamente não posso usá-la no jantar hoje à noite, especialmente quando Luke informou-me que seu pai e Trevor tinham planos de jantar em um restaurante chique de cinco estrelas. Sim, eu sou do tipo de garota que prefere hambúrguer e batatas fritas, mas mando-me calar a boca e ir comer alguma comida boa. Deixo meu cabelo ondulado solto e coloco o vestido preto que


tem flores sobre ele, provavelmente, um dos itens mais feminino que tenho. Então, jogo por cima a minha jaqueta de couro, botas, batom vermelho e delineador porque ainda quero ser eu mesma. Verifico meu casaco, embora, e recebo alguns olhares enquanto estamos sentados em uma mesa, mas eles são garçons altivos e tenho certeza que os clientes estão pagando demais para se importarem. — Este lugar é insano, — eu sussurro para Luke enquanto o garçom coloca o guardanapo de pano no meu colo - que inferno? A mesa tem as mais limpas toalhas de pano brancas que eu já vi, e pratos e talheres - nem sequer me fale sobre eles. Eles são tão brilhantes que chega a ser ridículo. Luke afasta meu cabelo para o lado e se inclina, abaixando a voz. — Eu sei, mas acho que eles queriam fazer algo de bom para nós, — ele diz, enquanto seu pai está dizendo algo ao garçom sobre querer água com gás - a água nunca deve brilhar. Eu abro o cardápio enquanto Luke coloca um beijo no meu ombro nu, momentaneamente fechando os olhos como se estivesse saboreando o meu cheiro. — Você está linda, apesar de tudo. — Obrigado, — eu digo, então brinco, — mas a minha beleza estranha não vai me ajudar a entender este cardápio. Rindo baixinho, Luke inclina-se sobre meu ombro e olha para o meu cardápio mesmo que ele tenha o seu. Eu não me importo, porém, o cheiro dele é absolutamente incrível, como sabão, colônia e apenas um pouco de fumaça de cigarro. Uma careta se forma em seu rosto quando ele vê do que estou falando. — O que é isso? — ele sussurra. — Está escrito em francês ou algo assim? Eu enrugo meu nariz. — Isso ou é apenas comida que nunca ouvi falar.


Suspirando, Luke inclina-se para trás na sua cadeira e estuda o cardápio à sua frente. Aproveito o momento para estudá-lo, imaginando que não há nenhum ponto em olhar para o cardápio, pois eu não tenho nenhuma ideia do que seja. Ele parece bem hoje em uma camisa xadrez com as mangas arregaçadas. Ele tem um par de jeans escuro, suas botas, e acho que cortou seu cabelo porque está mais curto, o comprimento perfeito. Não há nada de diferente em seus lábios, mas olho para eles por um tempo. Aqueles lábios exploraram quase cada polegada minha e agora, eu espero voltar logo para o nosso apartamento, usar a minha "fantasia de Dia das Bruxas" com a sua boca em cima de mim, do que encher meu estômago com comida que não consigo nem pronunciar os nomes. — Apreciando a vista? — Luke inclina a cabeça para mim com um sorriso enorme em seu rosto. Eu percebo que acabei viajando em meus pensamentos, coloco o meu cotovelo na mesa e descanso meu queixo em minha mão. Provavelmente não é a melhor posição de etiqueta e o garçom parece ficar aborrecido enquanto enche os nossos copos com água. — Pode ser. — Mordo meu lábio, me inclinando para frente. Somos interrompidos pelo pai de Luke rindo e Trevor dizendo: — Vocês dois são simplesmente adoráveis. Luke e eu trocamos um olhar duvidoso, quase de repulsa, em seguida, Luke se vira para seu pai: — Eu não tenho certeza que a palavra adorável nos descreve corretamente. Trevor toma um gole de água. — Ok, então o que descreve vocês dois? Contemplo o que ele disse. — Como Estoicamente arisco e Mistério impressionante. — Eu combino meu apelido com o que dei para ele.


— Mistério impressionante não é o seu apelido, — Luke diz, enquanto estende a mão para seu copo. — Sim você está certo. Eu sou mais... — Eu paro, pensando em que diabos eu sou. Eu penso em todos os nomes que fui chamada enquanto crescia, mas não há nenhuma maneira no inferno que eu vá dizê-los aqui nesse jantar agradável. — Que tal descontroladamente bonita, ridiculamente inteligente e uma surpresa sem fim? — Intensidade queima em seus olhos, seus lábios curvados, meio sério, meio brincando comigo. Eu estou a beira de corar, algo que nunca, nunca aconteceu e me recuso a deixar isso acontecer agora. Estou tentando pensar em uma resposta, algo espirituoso para não deixá-lo ganhar. Mas o pai de Luke interrompe e eu sou grata por isso. — Eu acho que nós deveríamos fazer um brinde a isso, — ele diz, erguendo o copo no ar. — Ou para vocês de qualquer maneira. Eu olho para Luke e dou-lhe um olhar irônico. Luke dá de ombros, em seguida, levanta seu copo, seguindo com a proposta e eu não tenho escolha a não ser imitá-los e parecer como uma cadela. Mas Jesus, eu não acho que as pessoas realmente fazem isso. Então, novamente, eu não passei muito tempo jantando com as pessoas. — Por Luke e Violet, — o pai de Luke diz. — Por encontrar a felicidade em si mesmo na mais escura das vezes. Ok, suas palavras não foram assim tão ruins. Meio poéticas e verdadeiras. Nós brindamos e, em seguida, me movo para tomar um gole como todo mundo faz. Mas a água espumante te um gosto estranho e me faz querer cuspir de volta no copo.


— Desculpe, — eu tusso, definindo o copo na mesa. — Mas isso tem gosto de merda. Há uma pausa e então todos se arrebentam de rir, do tipo de riso que faz a barriga doer, rostos vermelhos e tudo. Luke não está rindo tanto, mas parece totalmente divertido enquanto define o copo sem provar a água, em seguida, pisca para mim. — Obrigado pelo aviso contundente. O resto da noite vai bem, pelo menos na parte da conversa. A comida é horrível e quero dizer isso. Mesmo chapada, eu não teria gostado. Luke está na mesma página que eu, felizmente, e chegamos a este sistema onde sempre que podemos escondemos discretamente tanto quanto pudermos de comida nos guardanapos em nosso colo, sempre que Trevor e seu pai estão conversando um com o outro e não estão prestando atenção em nós. Estamos agindo de forma ridícula, rindo como crianças que têm um segredo. Mas é o mais divertido que tive em um longo tempo. Há até mesmo o entretenimento ao vivo quando um cara decide propor a sua namorada ali mesmo no meio do restaurante com uma centena de estranhos para compartilhar a experiência. — Uau, que falta de originalidade, — comento, fazendo uma careta para o que eu acho que é suposto para ser um frango, mas que está coberto por um estranho molho. — Eu acho que é doce, — diz Trevor. — Embora seja um pouco clichê. — Seu olhar desliza para o senhor Price e um sorriso bobo cheio de amor se forma em seu rosto. — Definitivamente não é um jantar à luz de velas em minha galeria de arte favorita, mas ainda é doce. — Foi assim que ele propôs para você? — Pergunto-lhe, tomando um gole da minha Coca-Cola, a única coisa que eu reconheci no cardápio.


Trevor acena com a cabeça, tirando sua atenção do senhor Price e dando uma mordida em sua salada. — Então me diga Violet, na sua opinião, existe realmente uma forma nada clichê de propor? Luke pigarra várias vezes enquanto eu me contorço na minha cadeira. Sua pergunta parece ser cheia de significado, como se ele estivesse se perguntando se eu alguma vez pensei em casar. Ok, certo. Eu mal consigo pensar sobre a próxima respiração que preciso tomar, muito menos cinco anos mais tarde talvez eu vá fazer promessas para ficar juntos para sempre com alguém. Outro pensamento ocorre-me, Luke meio que já fez isso quando ele começou a divagar sobre querer estar comigo para sempre e me amar. Isso me faz entrar em pânico, minha mente atrás de uma resposta para dar a Trevor, então ele vai me deixar em paz, porque eu não posso pensar sobre isso agora, não quando eu estou indo muito bem. — No meio do nada, com apenas os faróis de um carro iluminando tudo e os sons dos animais loucos. — Isso realmente meio que soa agradável. — Trevor sorri com aquele olhar atordoado novamente. — Ou nas montanhas, sob as estrelas. Só que em vez de animais loucos, sua canção favorita tocando no aparelho de som. Ele está tornando o meu cenário soar brega. Droga, eu preciso de uma mudança de assunto. Eu quero olhar para Luke por ajuda, mas estou morrendo de medo do que posso ver em sua expressão. — “The River” da banda Manchester Orchestra. Eles me dão um olhar confuso. — O que é isso exatamente? — Uma das minhas canções favoritas, — eu digo sobre os aplausos da multidão quando a namorada diz "sim". — E confiem em mim, não seria romântico - nenhuma das minhas músicas favoritas são. Elas são trágicas, deprimente, e angustiantes.


— Ainda assim, seria uma bela maneira de ficarem noivos. — Trevor deve perceber a sugestão, porém, porque ele permite mudar de assunto. — Então, o que vocês vão fazer essa noite? Eu me lembro quando tinha a idade de vocês, sempre fazendo algo louco no Dia das Bruxas. — Nós estamos indo para um concerto, — Luke diz, as primeiras palavras que ele diz desde a coisa toda desconfortável sobre casamento. Ele pega sua água e toma alguns goles longos. — Vocês podem vir também, se quiserem. Seu pai parece apreensivo enquanto enxuga seu rosto com o guardanapo, se inclinado sobre a mesa para falar com Luke. — Você tem certeza que vai ficar bem em ir a um concerto, considerando... Bem, haverá álcool. — Nós realmente não vamos beber, — eu digo-lhe com sinceridade. Seth me informou que, apesar da diversão épica que a noite vai ser, The Silver Moon Grill é super rigoroso com identidades falsas e que nós provavelmente devemos apenas relaxar como jovens da nossa idade, especialmente desde que Luke vai estar lá. Na verdade, foi um gesto realmente agradável, especialmente vindo de Seth, o rei da bebedeira. — O lugar para onde vamos é muito difícil de conseguir álcool. O pai de Luke me dá um olhar agradecido, como se estivesse me agradecendo por isso, mesmo que eu não tenha feito nada. — Bom. Fico feliz. — Isso não importa de qualquer maneira, — Luke diz, enquanto empurra um dos seus pratos para o lado que parece com uma espécie de sopa. — Eu estou indo bem - sóbrio há quase dois meses. — Eu sei que você está, — diz o senhor Price. — Mas isso não significa que eu não me preocupe... Você não está nem mesmo indo para as reuniões.


— Isso é porque eu não tenho tempo, — Luke responde com a voz tensa. — E nem preciso. Eu estou indo muito bem por minha própria conta. — Isto não é apenas sobre o álcool mais e eu decido que devo intervir antes que as coisas realmente fiquem feias. — Nós, na verdade, realmente precisamos ir. — Eu olho para o meu celular para verificar a hora. — As portas se abrem em uma hora e ainda temos que ir para casa nos trocar. Luke balança a cabeça, mas ainda está tenso. Seu pai parece chateado e Trevor parece estar tão desconfortável como eu estou. Ele acena para o garçom e pede a conta, então deixamos o restaurante e espero que a tensão para trás. Mas o silêncio durante todo o caminho prova o contrário. — Então, é amanhã o jogo? — Trevor pergunta enquanto chegamos na frente do hotel que eles estão, as primeiras palavras que são proferidas desde que entramos no carro. — Sim, começa às seis, — Luke murmura, parando no estacionamento. Ele não olha para seu pai, continua olhando para frente. — Mas vocês não precisam vir, se não quiserem. Podemos nos encontrar depois ou antes. — Eu já disse a você que queremos ir. — Seu pai se empurra para frente no assento, hesitando antes de se inclinar e colocar uma mão no ombro de Luke. — Eu sei que não é nem mesmo um começo, mas eu quero tentar fazer todas as coisas que eu perdi enquanto você estava crescendo. Eu posso dizer que Luke luta para ficar com raiva do seu pai, o grande tolo que ele é, apesar do fato de que ele nunca vai admitir isso. — Bem. OK. Vejo você lá então. — Você quer ficar com a gente no jogo? — Trevor me pergunta enquanto abre a porta para sair.


Eu realmente nunca fui a um jogo antes - não é realmente minha coisa. — Oh, eu... — Eu paro, não querendo dizer que não vou, mesmo que seja a verdade. — Nós iremos te buscar às, digamos, sete? — Trevor diz mesmo que eu nem tenha sequer respondido a sua pergunta. Não sabendo mais o que fazer, eu aceno. Eles saem e fecham as portas, Luke sai do estacionamento e dirige para a estrada. Ele está quieto enquanto dirigimos em direção ao nosso apartamento, os postes de luz refletem em seus olhos castanhos e dão-lhes o brilho semelhante a estrelas de ouro. Estou assumindo que o seu silêncio tem a ver com seu pai e o que ele disse no jantar, então me assusto quando ele pergunta: — Então, você está realmente indo ao meu jogo? — Hum... Sim, eu acho que vou. — Eu mastigo minha unha. — Eu nunca fui realmente a um. Não é a minha coisa, mas acho que posso *estourar essa cereja. Os cantos dos lábios se curvam, provavelmente porque ele está pensando sobre a primeira vez que fizemos sexo, que foi a minha primeira vez. — Sim, eu acho que é a hora então. — Ele me dá um olhar de soslaio. — Mas você não tem que ir se não quiser. Mas posso dizer que ele quer que eu vá. Não sei como, mas eu faço. — Não, eu quero ir, mas não estou indo usar o uniforme e bater palmas gritando "vai, time, vai!"— Faço um movimento de líder de torcida com meus braços e ele começa a rir. — Por mim tudo bem, — ele diz, com um sorriso ameaçando em seus lábios. — Não gosto mesmo dessa merda de qualquer maneira. Eu sorrio de volta. — Bom, caso contrário, eu me perguntaria o que diabos você está fazendo comigo.


Ele continua animado pelo resto do caminho e suas preocupações com seu pai desapareceram na noite, dando lugar a fantasias e concerto. Quando voltamos para o apartamento, eu vou vestir a roupa que comprei hoje cedo. Eu realmente comprei em uma loja gótica que Callie conhecia não sei como. Um vestido de couro, meias com listras pretas sobre elas, pulseiras de couro para o meu pulso bom, e botas que têm acessórios sobre elas, fazendo-as parecer totalmente punk. Eu não estou nem me preocupando com qualquer coisa, porém, apenas aquecendo-me ao fato de que comecei a vestirme. Eu coloco meu cabelo em uma trança encaracolada então pinto meus lábios com batom escuro, traço meus olhos com lápis preto, em seguida, olho para o espelho e admiro meu trabalho totalmente acessível. — Ok, projeto comemorar datas comemorativas. Eu acho que estou gostando do Dia das Bruxas. — Com quem você está falando? — Luke pergunta quando abre a porta e entra no quarto. Ele faz uma parada quando me vê e fica congelado no lugar. — Impressionantemente bela, certo? — Eu pergunto, afastando-me do espelho e indo até ele, com minhas mãos em meus quadris. Seus olhos preguiçosamente passam pelo meu corpo, das minhas botas até meus seios, finalmente, encontrando meus olhos. — Você parece uma dominatrix. Eu olho para a minha roupa de couro e botas até o joelho. — Bem, não era esse o objetivo, ou qualquer coisa realmente apenas estava me divertindo, — eu digo. — Mas acho que você pode chamar-me assim se você quiser. — Eu posso? — Ele diz distraidamente, gravemente preocupado com as minhas pernas, meio escondidas pelas


botas de amarrar que estou usando. Ele coça a parte de trás do seu pescoço, em seguida, tira sua atenção das minhas pernas. — Então o que eu sou? — Bem, se eu sou uma dominatrix, em seguida, isso não iria torna-lhe minha cadela? — Dou-lhe a minha melhor piscadela sexy e ele se engasga com o riso. — Sim, não tenho certeza se eu poderia dar tanto controle para você, — ele diz quando para de rir. — Desculpa. — Eu acho que posso entender o que isso significa para você, — eu respondo depois caminho até seu armário. — Mas tenho uma ideia do que você poderia ser. — Eu remexo em torno até encontrar o que estava procurando, escondido no fundo do armário - uma jaqueta de couro desbotada que eu nunca vi ele usar antes. — Que tal você usar isso? — Eu saio do armário, segurando a jaqueta à minha frente. Ele parece hesitante. — Isso era realmente do meu pai. — Ele dá um passo em minha direção com as mãos enfiadas nos bolsos. — Foi uma das poucas coisas que ele deixou para trás quando foi embora. — Ele toca a jaqueta, então estremece quando o tecido - ou a memória - chega até ele. — Eu nem tenho certeza do porquê ainda tenho isso. — Oh, não importa, então. — Eu abaixo a jaqueta e volto para o armário para colocá-la lá, mas a mão em volta do meu braço me para. — Deixe-me experimentá-la, — ele murmura, depois tira a jaqueta das minhas mãos. Tomando uma respiração profunda, ele coloca o tecido e o couro se encaixa perfeitamente em seu corpo. Ele olha para olha para si mesmo enquanto se move até o espelho para dar uma olhada melhor. Eu me junto a ele, de pé ao seu lado. — Nós parecemos fodões, — Afirmo, olhando para nossos reflexos. — Ei, isso é o que poderíamos ser.


Ele sorri suavemente, então desliza seu braço em volta da minha volta e me puxa para mais perto. — Nós parecemos bem juntos. Nós realmente parecemos. Eu nem tenho certeza de como isso aconteceu. Quando eu conheci Luke, pensei nele como um popular e totalmente babaca. Era absurdo, e muito estereotipado e preconceituoso da minha parte, e muito falso. Minha opinião sobre ele mudou quando cheguei a conhecê-lo e honestamente, estou começando a me perguntar se a minha opinião mudou sobre mim também. Luke trouxe esse meu outro lado e embora o tenha perdido por um tempo, quando descobri sobre Mira, eu sinto que vai voltar novamente, só que agora é diferente. Alguma coisa está diferente. Ele olha para mim através do espelho por mais alguns momentos, então se vira para mim e se inclina, sua voz rouca quando sussurra: — Tantas coisas que eu quero fazer com você agora. — Seus lábios colidem com os meus, a dureza contra a suavidade da sua voz. Mas eu me encontro com a mesma paixão e entusiasmo, beijando-o de volta com tudo o que tenho em mim, derramando tudo de mim. Eu aperto-o, puxando-o para mais perto, em busca de ar, mas esquecendome de respirar. Estou desesperada por mais dos seus toques, beijos, intimidade - eu estou desesperada por tudo. Estou sob nenhum controle da minha própria parte. Não tenho certeza de qualquer coisa que eu faça quando se trata de Luke, que já está com meu controle. Porque estou caindo. Caindo. Caindo. Caindo.


Só que desta vez é diferente. Eu ainda não sei quando e onde vou cair, mas pela primeira vez talvez há algo aonde vou pousar.

*Estourar a cereja: tirar a virgindade de alguém.


20 LUKE Depois de beijar Violet durante dez minutos, finalmente paramos quando Seth bate na porta e diz que é hora de irmos. Seus beijos me fazem sentir melhor, mas ainda estou agitado por causa de algumas das merdas no jantar, quando recebo uma ligação. Uma ligação que eu estava meio que esperando, mas de alguma forma ainda me pega de surpresa. É do advogado que representa a minha mãe, querendo falar comigo. Eu tive que entrar no banheiro - pois fiquei em choque - e não queria que Violet ouvisse. — Eu gostaria de encontrar você pessoalmente, só para conversar, — o advogado idiota diz e eu quase acerto meu punho através da parede, o que teria irritado a merda fora de Seth desde que eu já fiz isso antes e ele não ficou nem um pouco feliz com isso. — Eu não quero ter nada a ver com isso, — eu respondo. — E se você soubesse melhor, não estaria me pedindo para fazer isso. — Sua mãe pensa de outra maneira, — ele responde. — Eu realmente gostaria também... — Minha mãe é uma fodida psicopata que merece estar atrás das grades. — Eu estou praticamente tremendo, agarrando o


balcão por apoio e para evitar que o meu punho cause algum dano. — Sim, vamos ver, — ele diz e quando desligo na cara dele, quase jogo o meu celular contra a parede. Independentemente da merda deprimente da ligação, estou determinado a ter uma noite divertida. Violet e eu fizemos uma promessa para celebrar fodidamente todas as datas comemorativas e foda-se eu não estou indo perder o controle. O problema é que eu estou tendo problemas e a única coisa que sempre me acalma quando estou assim é a bebida. Eu não posso beber embora. Não, eu não vou fazer isso. Eu evito-o no trabalho o tempo todo e posso com certeza fazer isso agora. Mas é difícil hoje à noite. Entre a ligação sobre a minha mãe e o fato de que meu pai me aborreceu no jantar. Toda aquela conversa sobre se preocupar comigo e, em seguida, tentar fazer coisas para mim - me empurraram em direção à borda, e agora o telefonema me fez oscilar em algum lugar no meio da queda. E depois há Violet e sua reação à pergunta de Trevor sobre o casamento e como deixou claro que ela era contra a ideia e por algum motivo isso entrou sob a minha pele - não tenho certeza por que diabos, mas fez. Não é como se eu quisesse me casar, pelo menos não nesta década, mas o fato de que ela parecia tão contra a ideia - contra estar com alguém para sempre - me fez começar a me perguntar quanto tempo ela estaria pensando em ficar ao redor. E isso me lembrou que eu disse que a amo e como ela claramente não retribui o sentimento. Então, o que eu sou para ela? Eu não faço ideia. Estou irritado por dentro, deixando as coisas ficarem sob a minha pele e fingindo estar tudo bem do lado de fora, apenas como eu costumava fazer o tempo todo. Felizmente, meus amigos decidem ficar no lugar mais distante onde o álcool é servido, caso contrário eu teria vacilado, assim torna mais fácil ficar longe dele e eu tenho uma boa distração. Violet e seu fodido vestido de couro maldito. A coisa mal cobre sua bunda,


fazendo suas longas pernas parecerem quase infinitas. E essas botas com saltos... Jesus Cristo, ela está sexy como o inferno. A música é boa na maior parte, mais é agradável para conversar com Kayden, Callie, Seth, Greyson e Violet de uma vez. O lugar inteiro grita com o tema de Halloween com luzes negras, névoa, e tinta spray que cobrem as paredes e quase todos estão usando algum tipo de fantasia. E um efeito neon com cores brilhantes e em brilhos brancos. Violet iria misturar-se a escuridão, mas Seth, e Callie decidiram juntar a sua aparência desenhos por toda pele, o que significa que Violet está brilhando com desenhos em quase cada polegada do seu corpo. Sim, fodidamente sexy. — Eu vou dançar. Quem vai guardar os lugares? — Violet se levanta da sua cadeira. Nós garantimos uma mesa perto da pista de dança e do palco, de modo que perder os assentos seria péssimo. Seth e Greyson saltam dos seus lugares. — Não nós, — Seth grita, então pega a mão de Callie e puxa-a com Greyson para a pista de dança antes que alguém possa protestar. Violet olha para mim e eu dou-lhe o melhor sorriso que posso. — Vá. Eu vou ficar aqui. Ela hesita. — Tem certeza? Concordo com a cabeça e forço o meu melhor sorriso alegre mas falso. — Sim. — Eu aceno para ela ir. Ela gira para a área de dança e eu sinto um impulso instantâneo para segui-la, lembrando o quão sexy Violet é quando está dançando. Mas não tenho certeza se estou no clima, nem quero a preocupar e deixar Kayden aqui sozinho, então mantenho meu traseiro plantado na cadeira.


— Eu estou com uma fodida dor de cabeça, — murmuro e tomo um gole da minha Coca-Cola, pensando se talvez o açúcar no meu sangue esteja baixo ou se só estou realmente estressado. — Parece que você não anda dormindo muito bem, — Kayden afirma, olhando para a tela do seu celular. — Nós provavelmente não devemos ficar fora por muito tempo, considerando que temos um jogo amanhã. — Sim, provavelmente. — Sou distraído quando uma garçonete passa com uma bandeja cheia de copos com bebidas. Eu pensei que eles não servissem álcool aqui. Eu observo-a caminhar através da multidão até uma escada em espiral. Ela se esforça para equilibrar a bandeja enquanto sobe para a área superior - a área para maiores de idade. Eu tenho uma identidade falsa e mesmo que este lugar possa ser rigoroso e serem capazes de identificar uma identidade falsa rapidamente, penso em ir lá em cima. Honestamente, se eu quisesse, poderia esperar pela garçonete voltar e encantá-la até que ela me dê uma dose. Eu não quero, mas continuo pensando em como as coisas seriam muito mais fácies de lidar esta noite se eu pudesse tomar apenas um gole. Apenas um gole. — Eu acho que estou indo ver quanto tempo Callie quer ficar, — Kayden sai da cadeira. — Você pode ficar com a gente, se quiser. Eu aceno, o meu olhar à deriva, entre a escada e ele. — Sim, se Violet estiver pronta para ir... Então tudo bem. Ele oscila, colocando o celular no bolso de trás da calça jeans. — Você vai ficar bem sozinho por alguns minutos? — O quê? Será que estamos cuidando um do outro agora? — Eu questiono, quando na verdade eu provavelmente preciso de uma babá no momento.


Ele parece dividido, olhando por cima do ombro para a escadaria, na direção que eu continuo olhando. É claro que estou olhando e é claro que ele vai ficar por aqui se eu não tranquilizá-lo que não vou perseguir o meu vício. — Está tudo bem, — eu digo, sinalizando para ele ir. — Eu vou ficar aqui e guarda nossa mesa. Ele oscila então acena com a cabeça antes de desaparecer na multidão, entre as pessoas suadas. Eu gostaria de dizer que leva alguns minutos para me levantar e ir em direção a escada, mas leva realmente apenas cerca de dez segundos, fico de pé no momento que Kayden está fora de vista. Tenho toda a intenção de fazer isso, rastrear a garçonete e persuadi-la a me dar uma dose. Eu não gosto da minha necessidade de fazer isso, mas velhos hábitos - vícios - são difíceis de quebrar. Eu só quero sentir meu corpo queimar em dormência, só mais uma vez. Mais uma vez, eu continuo dizendo a mim mesmo. Eu estou no meio do caminho quando vejo Violet no centro da multidão. Eu nem mesmo sei como a vejo, uma vez que há tantas pessoas malditas embaladas em um pequeno espaço. No entanto, ela consegue aparecer na multidão por um momento, apenas o suficiente para me dar um vislumbre da sua dança e riso, tão livre naquele momento, tão bonita. Violet está sempre falando sobre o destino e eu nunca fui muito certo sobre todo o conceito de que talvez nós não estamos no controle completo de nossas vidas, mas agora estou querendo saber se talvez ele exista e que talvez o meu destino seja ela. O que eu estou fazendo? Sério, o que diabos eu estou fazendo, porra? Eu não quero isso - não quero ser essa pessoa novamente. Eu não quero perder o que tenho.


Só assim, eu estou indo em direção a ela, magnetizado por uma força invisível que nunca vou ser capaz de explicar. Eu afasto-me da escada, da garçonete, do álcool e faço meu caminho através da multidão, meus olhos fixos onde eu a vi. De vez em quando, há o suficiente de uma lacuna no mar de corpos e recebo um vislumbre dos seus olhos verdes, cabelos pretos com mechas vermelhas, e o sexy vestido de couro que ela está usando. Isso me mantém indo na direção certa e mais longe da errada. A música está bombando enquanto movo-me atrás dela. Ela não me vê em primeiro lugar, só sente o toque das minhas mãos quando coloco-as em sua cintura. Ela deve sentir que sou eu, porque afunda com meu toque sem dizer uma palavra. Em seguida, ela espreita sobre seu ombro com um sorriso malicioso no rosto. — Que bom que você veio se juntar a mim. — Ela pisca, em seguida, começa a realmente dançar. Eu tinha quase esquecido o quão incrível é a maneira como ela se move, não muito ou pouco, a quantidade perfeita de ritmo e balanço dos seus quadris que faz sua bunda encostar no meu pau apenas na quantidade certa. Eu vou estar duro como uma pedra dentro de apenas alguns minutos enquanto me movo com ela, permitindo que as minhas mãos subam e desçam em seus quadris, suas laterais, seus seios. Há pessoas em todos os lugares - Seth, Greyson, Kayden e Callie incluídos. Mas, tanto quanto eu me importo, é apenas Violet e eu. O resto é apenas um borrão. Dançamos assim por um longo tempo, através de todo o concerto, tornando-nos suados, sem fôlego, e mais excitados do que já estivemos. Nenhum de nós parece ter qualquer pressa em parar, nossos corpos moldados juntos, recusandose a se separar, o destino induzido a estranha ligação que estamos. Kayden e Callie saíram muito cedo, enquanto Greyson e Seth ficaram por aqui com Violet e eu. Eventualmente, a grande multidão de pessoas começa a diminuir. Antes que eu saiba, nós somos praticamente os


únicos na pista de dança. Ainda assim, nós não paramos de nos mover, perdidos em algum tipo de momento em que é apenas nós dois. Eventualmente Greyson anuncia que é hora de ir. — Está ficando tarde, — ele diz, verificando a hora em seu celular. Seth franze a testa enquanto continua a dançar, mas, em seguida, para. — Tudo bem, você ganhou. Violet e eu dançamos um pouco mais, em seguida, de mãos dadas, os seguimos pela porta da frente e saímos com o resto das pessoas que sobraram enquanto Seth vai pegar o carro. O ar parece elétrico, como se houvesse uma tempestade com relâmpagos próxima, exceto que o céu está claro, cheio de estrelas e a lua brilhando. Um ou dois minutos de espera e minhas mãos estão por todo o corpo de Violet novamente, incapaz de parar de tocá-la. Em algum lugar entre tocar seus quadris e chupar seu pescoço, ela se vira e pressiona seus lábios nos meus. Eu agarro sua bunda e puxo-a contra mim enquanto seus dedos deslizam para cima do meu peito, se envolvendo em torno do meu pescoço. Ela solta um gemido quando eu lhe dou um suave puxão de cabelo, inclinando sua cabeça para trás e, em seguida, a minha língua desliza profundamente em sua boca, gemendo ao sentir o seu gosto. Com cada toque, cada escovada das nossas línguas, cada gemido, os pensamentos ruins que eu estava tentando me livrar mais cedo somem. Nada mais importa. Todo o meu foco está sobre ela, o seu sabor incrível, o incrível aroma da sua pele e a sensação do calor do seu corpo. E o pequeno som que ela faz quando eu nos giro ao redor e nos pressiono contra uma parede, é o suficiente para eu estar à beira de perder meu controle, aqui no lado da estrada. Mas eu consigo me controlar, puxando-a para mais perto, beijando-a com tudo o que tenho em mim. Isto é o que eu quero. Aqui é onde eu quero estar.


— Luke. — Ela engasga entre os beijos, suas pernas se movendo agitadamente em volta, como se ela não conseguisse descobrir o que fazer com elas. Finalmente, ela engata uma sobre meu quadril e esfrega seu quadril contra o meu. Eu respondo com o mesmo movimento, pressionando-me contra ela enquanto afasto minha boca da sua para colocar beijos por seu queixo, seu pescoço, até a base da sua garganta onde eu lambo um caminho até seus seios. — Hum, pessoal. — Ouço Greyson limpar a garganta em algum lugar atrás de nós, mas eu desconsidero movendo minha mão pela coxa de Violet até a parte inferior do seu vestido. Beep. Beep. Beep. — Olá, tanto quanto todo mundo está curtindo o show pornô ao vivo, é hora de ir! — Seth grita. Eu não sou de ficar envergonhado. Nem Violet. É por isso que leva mais alguns toques e beijos antes de relutantemente nos separarmos. Eu não fico muito longe dela, deslizando meus dedos com os seus enquanto caminhamos até o Camry estacionado perto do meio-fio. — Jesus, — Greyson diz assim que todos nós entramos no carro. — Eu pensei que eles iriam foder ali mesmo na rua. Seth me olha pelo espelho retrovisor e me dá um olhar compreensivo. Seth me conhece desde os meus dias de pegador e sabe que eu nunca agi assim antes com uma mulher, de modo descontrolado. Há pouco tempo atrás, seus olhares insinuantes teria me irritado, mas agora eu dou de ombros. Esta é a Violet e eu estou livre. Normalmente há essa distância entre nós, mesmo quando estamos próximos. Mas agora, aquele olhar em seus olhos que eu já vi tantas vezes - o olhar que significa que ela está usando o sexo e beijos como


uma distração - está desaparecido. Em vez disso, tudo o que vejo é querer. Desejo. Necessidade. Luxúria. Quase como estou me sentindo, exceto talvez mais uma coisa da minha parte, algo que eu não ouso dizer, não querendo estragar e assustar a merda fora dela novamente. Então mantenho o disfarce e pensamentos para mim mesmo e volto a beijá-la no banco de trás, contente com as escolhas que fiz esta noite. Feliz por ter escolhido ela sobre todo o resto.


21 VIOLET Ele está em cima de mim, com as mãos tocando cada polegada do meu corpo, seus lábios se esforçando para não perderem o controle uma vez que estamos na parte de trás de um carro com Seth e Greyson no banco da frente. Mas assim que entramos em nosso quarto, todas as apostas estão fora, enquanto o pequeno desejo dentro de nós queima. Ele tira meu vestido imediatamente, em seguida, puxa minhas botas e minhas meias, então estou deitada na cama com nada além de um sutiã preto rendado e calcinha. A lâmpada está acesa para que eu possa ver o olhar em seus olhos quando ele olha para mim. É um olhar de pura luxúria, desejo, e algo mais. Algo que me deixa extremamente desconfortável e me faz querer correr para o edifício mais alto que eu possa encontrar. Como se eu fosse algo que ele queira manter. Saborear. Amar. Manter a salvo. Por um segundo, eu sinto todas essas coisas, como se ele estivesse me envolvendo em suas emoções e tornando-se parte de mim. Ele envia um choque de terror através do meu corpo e faz com que meus olhos encontrem a porta.


Corra, Violet, corra! Eu rapidamente esqueço tudo sobre fugir quando ele tira sua jaqueta e a camisa, em seguida, cobre o meu corpo com o seu. Seu calor é como um cobertor, o tipo que me faz sentir segura e protegida e muito mais. O calor só cresce quando ele tira seu jeans e cueca boxer e desliza dentro de mim. Eu nem mesmo sei o que está acontecendo, mas cada movimento dos seus quadris, toques das suas mãos, como se ele estivesse tocando cada polegada minha de uma vez, me faz sentir como se eu estivesse quebrando por dentro, de uma forma que eu não entendo muito bem. E quando ele olha para mim, eu juro que me sinto inteira outra vez, como se ele tivesse pego todas as peças estilhaçadas e remendado-as novamente. Sinto-me sem fôlego. Eu me sinto nua. Eu me sinto como se estivesse caindo e tudo o que posso fazer é ficar com ele e nunca solta-lo quando ele me empurra para a beira do esquecimento. E continuamos nos movendo um com o outro, agarrando um sobre o outro, sem fôlego, com medo. Com medo de deixar ir completamente. Com medo do que eu sinto. Mas eu não consigo me parar e me perco enquanto sinto-me indo em direção ao fim da queda. Ele me beija através do caminho, segurando-me enquanto eu quebro e no meio de tudo isso, eu juro que ouço-o sussurrar: — Eu te amo. — Mas é tão baixo e estou tão perdida em minha queda que não tenho certeza. Ainda assim, me oprime que talvez ele se importe muito comigo, que talvez me ame. A ideia de que alguém possa sentir isso provoca lágrimas nos meus olhos quando eu finalmente caio e quebro tudo de novo. Mas consigo seguralos até Luke se juntar a mim, sua respiração quente contra meu pescoço enquanto ele ainda está dentro de mim.


Eu ouço-o suspirar, embora eu ache que não foi só isso o que ouvi, então ele se empurra para trás, afasta o cabelo da minha testa úmida, e me olha diretamente nos olhos. — Hoje à noite foi incrível, — ele diz, em seguida, me dá um beijo suave, mas significativo. Estou tentando manter a calma, mas estou perdendo minha fodida mente. Alguma coisa está acontecendo dentro de mim e eu não sei o que é. Ou talvez eu saiba e isso é o que realmente está me assustando. — Tão tolo, — eu provoco, mas minha voz soa errada, irregular e sem fôlego. Ele sorri, mas há confusão em seus olhos quando ele sente o meu tom estranho. — Eu me diverti muito, — eu rapidamente adiciono, em seguida, beijo-o antes que ele possa fazer perguntas. Se ele perguntar, então eu poderia dizer a verdade e não estou pronta para a verdade ainda. Ainda parecendo perdido, ele desliza para fora de mim, então rola para o travesseiro. — Jesus, é quase duas da manhã, — ele murmura quando pega seu celular. — Você deveria dormir um pouco, — eu digo. — O grande jogo é amanhã. Ele balança a cabeça, mas está olhando para mim como se pudesse me lê como um livro aberto. — Você ainda está indo? Eu me desloco sobre o travesseiro. — Claro. Ele me dá um sorriso cansado, mas satisfeito, em seguida, boceja e momentos depois, desmaia na terra dos sonhos. Cerca de uma hora mais tarde, ainda estou bem acordada e minha mente está correndo tão rápida e descontroladamente


que parece que estou girando uma manivela ou algo assim. Tudo misturado em minha mente e sem sentido, mas o que faz sentido me quebra. Amor. Amor. Amor. É um eco em minha cabeça, programado para repetir, uma assombrosa melodia que não consigo me livrar. Eu vi isso nos olhos de Luke hoje à noite, mas isso não é o que está me assustando. Eu já sabia como ele se sentia, embora eu ache que não entendi o significado completo até agora. Entendi o que - eu - significava para ele. Mas é realmente aterrorizante que por um breve segundo, meu coração para, o ar é tirado dos meus pulmões, não consigo pensar, respirar, ou processar qualquer coisa, mas juro que meus olhos refletem o que estava nos seus. Aconteceu tão rápido que minha mente ainda está tentando alcançar isso. Ou eu estou em estado de negação. Eu assisto Luke dormi por um tempo, escutando sua respiração suave. Quanto mais tempo eu observo-o, mais estou convencida de que finalmente perdi minha mente maldita ou estou estupidamente e tolamente apaixonada por esse cara deitado ao meu lado. — Não, isso não é possível, — murmuro para mim mesma, esfregando o meu peito enquanto as emoções se mexem dentro de mim, muito poderosas e potentes. — Eu não deveria me apaixonar. Eu nem sequer sei o que diabos é isso. — Eu tiro os cobertores de cima de mim e saio da cama. Não tenho planos iniciais de onde estou indo - quando vejo uma das fotos que saiu da caixa debaixo da cama. Eu fiz uma confusão da última vez que a coloquei lá embaixo e nunca limpei. Curvando-me, eu pego-a, em seguida, encontro-me sorrindo. É


da minha mãe nos braços do meu pai, usando seu vestido de casamento. Ela parece tão feliz e me sinto meio que contente de vê-la assim. Sempre tive esse pensamento de que se eu olhasse para essas fotos iria rasgar o pouco coração que me foi deixado e eu estava indo sangrar. Mas não é isso que está acontecendo neste momento. Não, eu me sinto estranhamente calma. Em vez de ir para fora do quarto, como eu tinha planejado, volto para cama com a foto na minha mão. Eu não me aconchego a Luke como costumo fazer, não querendo trazer as emoções de volta, não querendo prejudicar a mim mesma. Eu sigo cada linha, cada sombra, cada aspecto dos seus rostos felizes na imagem, plantando a foto deles em minha mente. — É assim que eu quero me lembrar de vocês, — eu sussurro para mim mesma enquanto agarro a foto sobre o meu coração batendo. Eu visualizo a imagem na minha cabeça, esperando que quando fechar meus olhos é assim que vou vê-los, em vez da última vez que os vi. Que pela primeira vez os meus sonhos podem estar cheios de felicidade, em vez de puro terror. É a primeira vez que eu tento. Tento mudar as coisas. Deixar as coisas correrem. Gostaria de saber se isso é possível.


22 LUKE Eu acordo ao som de uma casa tranquila e a luz do sol me cegando enquanto brilha através da janela. Demoro um pouco para sair do meu estado desorientado e do sonho que eu estava tendo, onde todos estavam me assistindo jogar esta noite e eu fodi tudo. Eu realmente acho que nunca fui de me preocupar com essa merda, mas, novamente, eu nunca tinha pessoas nas arquibancadas por mim. Depois que estou totalmente acordado, eu rolo para o meu lado e vejo Violet sentada ao chão, usando uma das minhas camisas, o cabelo em um coque bagunçado. Ela está lendo o que parece ser um livro de cálculo, batendo uma caneta contra as páginas. O fato de que ela está fazendo sua lição de casa tão cedo por si só é chocante, mas o que realmente está me preocupando é o fato de que eu não ouvi-lhe se acordar. Eu sempre ouço Violet acordar, seu ritual ofegante é alto demais para continuar dormindo. Eu estava tão cansado? Eu consegui dormir por ela finalmente? Sento-me na cama e olho ao redor, como se o mistério estivesse escondido em algum lugar entre o lixo e a desordem em torno do nosso quarto estreito e roupa suja no chão. — Há quanto tempo você está acordada? — Eu pergunto, mas ela não responde, balançando a cabeça para cima e para baixo com uma música que parece que só ela está ouvindo.


Me empurro para fora da cama, noto que ela está com fones de ouvido. Ela parece totalmente em sua lição, também, sua mão se movendo ridiculamente rápido. Eu quase não quero interrompê-la, mas também quero chegar à fundo do que está acontecendo. Então eu pego um par de cueca boxers, coloco-a, em seguida, estabeleço-me no chão ao seu lado. Meu aparecimento súbito lhe assusta e ela salta, pressionando a mão ao coração. — Foda-se, você me assustou, — ela diz realmente alto, colocando a mão em seu colo. Estendo a mão para o cabo do fone e dou um pequeno puxão, fazendo-os cair das suas orelhas. — Oh, — ela diz, em seguida, coça a cabeça. — Eu quase me esqueci que estava com eles. Eu jogo os fones de lado. — Há quanto tempo você está acordada? Seus olhos sobem para o teto enquanto ela pensa sobre isso. — Eu não sei... Talvez uma hora atrás. Eu olho por cima do meu ombro para o relógio. Um quarto depois das nove. — Você acordou voluntariamente antes das dez? Sério? Ela define a caneta no livro aberto e esfrega os olhos. — Sim, eu dormi muito bem. Acho que meu corpo acorda mais cedo quando ele fica em repouso. Ela está evitando contato visual comigo, com a cabeça abaixada, mechas do seu cabelo escondendo seu rosto. Gostaria apenas deixar isso de lado. Claramente o que quer que esteja acontecendo, ela quer manter para si mesma. Mas eu não posso fodidamente me parar - eu preciso saber.


— Então você dormiu bem? — Eu corro minha mão sobre meu cabelo castanho cortado. — Realmente? Ela encolhe os ombros. — Melhor do que eu tenho em um tempo muito longo. Faço uma pausa. Não diga isso. — Sem quaisquer pesadelos? — Foda-se, por que não posso apenas manter minha maldita boca fechada? Há uma pausa alongada e, em seguida, ela acena a cabeça suavemente. — Não, — ela sussurra, quase soando como se estivesse com dor. Eu vejo uma lágrima rolar pelo seu rosto, mas ela rapidamente limpa-a com a mão. — Quanto tempo desde que isso aconteceu? — Eu pergunto, com cuidado. Outra lágrima escapa dos seus olhos e desta vez eu limpo-a do seu rosto. Deixo minha mão lá e ela relaxa com meu toque. Ela fecha os olhos, então inala profundamente. — Desde que eu tinha cinco anos. Este é um grande momento para ela, que ela deveria estar comemorando, por isso, suas lágrimas são confusas para mim. — Você pode... Posso perguntar... Por que você parece tão chateada? — Eu sei que estou pisando em água. Uma Violet emocional normalmente significa instabilidade e risco de fazer algo para si mesma, mas eu preciso descobrir o que está acontecendo, como eu posso ajudar a tirar essa dor. Ela suga outra respiração afiada. — Porque eu tenho medo do motivo deles terem parado. — Você sabe o motivo? — Pode ser.


Eu vacilo, sem saber qual é a coisa certa a dizer. — Você quer falar sobre isso? Ela balança a cabeça rapidamente. — Não, não agora. Eu não tenho certeza do que fazer, o que dizer a ela, o que diabos está acontecendo em sua cabeça. Talvez seja porque eu não consigo ver seus olhos - eles costumam me dar um pequeno palpite sobre o que ela está mantendo preso dentro dela. Eu passo meu dedo sob o seu queixo e levanto-o para que eu possa dar uma olhada melhor nela. Seus olhos verdes estão enormes, cheios de emoções poderosas e lágrimas. Por um breve instante, eu fico sem fala pela visão. — Por favor... Diga-me o que eu posso fazer. — Porque eu preciso fazer alguma coisa senão vou ficar louco de preocupação com ela. Seus olhos procuram os meus. Quanto mais tempo ela me estuda, mais as lágrimas diminuem. — Você poderia me levar para tomar café. Eu me surpreendo com a sua resposta simples. — Realmente? Isso é o que você precisa agora? Ela balança a cabeça, mais à vontade. — A cafeína parece ser a melhor coisa no momento. — Ela se levanta e caminha até o armário para pegar algumas roupas. — E um vício saudável na maior parte. É como se ela estivesse tentando me dizer algo sem realmente dizer as palavras em voz alta. Eu tenho certeza que a pressão que estava no meu peito se esvazia um pouco. Eu não quero ter esperanças, não quero apenas supor que talvez ela finalmente vai tentar superar seu vício em adrenalina, mas ela nunca realmente deixou parecer que significa isso, como fez agora.


— Tudo bem, vamos ir atrás de um pouco de café, então, — eu digo, por uma vez sentindo-me como se talvez através de toda essa merda, através de tudo, apenas talvez as coisas poderiam ficar bem. Violet e eu iríamos ficar bem.


23 VIOLET Luke está nervoso antes do jogo e acho adorável. O cara durão todo distraído e incapaz de se concentrar, porque seu pai está indo vê-lo jogar. Além disso, é uma boa distração do que está acontecendo em minha própria vida. Ontem à noite eu tive um sonho, e não um pesadelo. O sonho era bastante simples, Luke e eu sentados em uma colina, olhando para um ponto de vista que eu tinha feito, porque era muito brilhante, com cores e luz do sol, em frente à uma pintura linda, que não há nenhuma maneira que poderia ser real. Era o cemitério onde meus pais estão enterrados, ainda não era - não poderia ser porque eu estava muito em paz com a proximidade. E meu coração entendido porque Luke estava lá comigo, minha rede de segurança. Nós não estávamos nem mesmo falando, apenas sentados e desfrutando da calma. Então coloquei a minha mão na sua e que, quando acordei, eu estava estranhamente segurando a mão de Luke. E acordei tranquilamente, respirando suavemente, ligeiramente desorientada, mas de uma forma adormecida. Isso definitivamente me assustou, mas em vez de fazer algo irracional, eu apenas saí da cama e coloquei toda a minha concentração na minha lição de casa. E surpreendentemente isso me ajudou a me acalmar. — Então você vai ficar bem indo até as arquibancadas sozinha, não é? — ele pergunta enquanto se prepara para sair. Ele tem que ir ao estádio um pouco mais cedo, então estou indo com Seth e Greyson mais tarde e encontrar com seu pai e Trevor.


Eu rolo meus olhos enquanto me sento na cama, olhando-o com ironia enquanto Luke vagueia ao redor do quarto, colocando algumas coisas em uma mochila para o jogo. — Sim, Luke. Eu prometo que sou competente o suficiente para ir até o enorme estádio que ocupa metade de um quarteirão. — OK. OK. — Ele dá um tapinha em sua bermuda, verificando os bolsos, mesmo que ela não tenha bolsos. — Eu deveria ir então. — Ele joga a alça da mochila por cima do ombro e se concentra em mim, então suas sobrancelhas se arqueiam. — Por que você está me olhando desse jeito? Eu dou de ombros, pressionando meus lábios para conter a minha diversão. — Que jeito? — Como se eu estivesse sendo engraçado ou algo assim. — Talvez porque você está. Seus olhos se estreitam. — O que está acontecendo? Meu sorriso divertido rompe. — Não é nada. Você só está tão nervoso e eu estou achando divertido. — Bem, eu estou feliz que minha inquietação esteja fazendo você se divertir. — Ele me dá um olhar frio, sem humor em seu tom. — Sinto muito. — Eu me ajoelho na cama e me empurro até a beirada, fechando o espaço entre nós. — É só que eu nunca vi você agir assim antes. A dureza em suas feições amolece. — Desculpe. — Ele joga sua mochila no chão e deixa escapar um suspiro quando passa os dedos pelos cabelos e começa a andar pelo chão. — Eu só estou surtando e não tenho ideia do porquê. Não é como se fosse um jogo especial ou qualquer coisa. É o mesmo que eu tenho jogado desde o meu primeiro ano, ainda assim parece como o primeiro.


— É porque seu pai está indo, — eu digo. — Pelo menos é isso que eu acho. — Sim... E você, também. — Ele massageia a parte de trás do seu pescoço tenso enquanto para em frente da cama. Aponto para mim, atordoada por sua confissão. — Por que eu te deixaria nervoso? — Por que é você, — ele diz, o olhar fixo no meu, sua mão ainda cobrindo a parte de trás do meu pescoço. — Você significa mais para mim do que ele. — Ele dá de ombros como se nós estivéssemos discutindo algo tão casual quanto o filme que queremos ver. — Mais do que qualquer um na verdade. Respire fundo, Violet. Não surte. Você consegue fazer isso. — Bem, então acho que você está em apuros, então, porque vai haver um monte de gente lá torcendo por você. — Eu coloco minhas mãos em seus ombros e olho-o diretamente nos olhos. Meus dedos estão tremendo porque eu estou lutando contra a compulsão para acalmar as emoções dentro de mim da velha forma e tenho certeza que Luke pode sentir o tremor. — Devo dar-lhe uma aula de vitalidade? Eu poderia até bater em seu traseiro antes de você sair. Isso é o que os jogadores de futebol fazem, certo? Para deixarem todos prontos para vencer. — Minha voz sai calma e em silêncio eu respiro aliviada. Eu fiz isso. Puta merda. Ele relaxa um pouco. — Não, eu estou bem. Meus nervos vão se acalmar antes do jogo começar, eu tenho certeza. — Ele pega sua mochila, em seguida, faz uma pausa, um olhar travesso dançando em seus olhos. — Você pode bater em meu traseiro se quiser embora. Isso me faz sorrir e, em seguida, inclino-me para lhe dar um beijo de adeus. Quando ele se vira para ir embora, eu estendo meu braço e dou um tapa em sua bunda, rindo enquanto puxo minha mão de volta. Ele me dá um sorriso, um que eu juro que só pertence a mim, antes de sair pela porta.


Eu exalo em voz alta, em seguida, saio da cama para ficar pronta para minha sessão de terapia. Estou nervosa sobre ir novamente, mais do que estava da primeira vez, porque eu sei o que esperar. Eu estou em todo o lugar agora, lutando contra um demônio que estou carregando dentro de mim por quinze anos e Lana pode tirar esse demônio, deixar alguém vê-lo diferente de Luke. Mas se estou sendo honesta comigo mesma, estou meio preocupada e meio que esperando o que vai acontecer. Talvez ela possa me dar algum tipo de palavras de sabedoria para me ajudar a lidar com o sentimento assustado que sinto toda vez que sinto uma emoção. Depois de colocar um casaco, botas e luvas eu saio pela da porta da frente com Greyson ao meu lado, pois prometi a Luke que eu não iria a Universidade - ou em qualquer lugar sozinha. — Quanto tempo você acha que vai demorar? — Greyson pergunta enquanto dirige pela rua. Há uma garoa de chuva caindo das nuvens e os limpadores do para-brisa estão ligados, assim como o aquecedor. — Eu não tenho certeza, — eu respondo. — A última vez durou apenas meia hora, mas hoje pode levar mais tempo. Ele balança a cabeça enquanto vira à direita na rua mais movimentada da cidade. — Ok, então você pode me mandar uma mensagem quando tiver terminado? Eu tenho que resolver umas coisas de qualquer maneira. — Está tudo bem para mim. — Eu batuco meus dedos nas laterais das minhas pernas, nervosa. — Posso perguntar por que você está tão inquieta? — Greyson pergunta, percebendo minha ansiedade. — Apenas por causa da visita com a terapeuta, — eu minto, acalmando meus dedos.


— OK. — É claro que a partir do seu ceticismo que ele não acredita em mim. — Luke tem me preocupado muito, — eu deixo escapar, assustando a mim mesma, porque juro que minha mente apenas agiu por conta própria. Quando ele me dá um olhar de soslaio interrogativo, acrescento: — Ele está nervoso sobre o jogo. — E isso o deixa nervoso? — Não. Respingos de chuva caem contra a janela, enquanto ele olha para mim. — Ok, eu estou confuso agora. — Eu também, — Eu admito, esfregando a mão sobre meu rosto. — Estas últimas semanas têm sido nada além de uma confusão. Ele reduz a marcha para virar. — Sobre? — Mira estar na prisão, — eu digo. — Preston; querer seguir em frente a partir dessa bagunça... Como se não conseguisse me mover até que ele decida deixar. — A polícia vai encontrá-lo, Violet. — Ele se estica e dá um tapinha na minha perna. — E até que eles não consigam, você está segura. Você tem um monte de gente para te ajudar. — Eu sei. — Eu mordo minhas unhas. — Posso te fazer uma pergunta? Ele balança a cabeça. — Você sabe que pode me perguntar qualquer coisa. — Tudo bem, mas eu preciso que você prometa que não vai me provocar ou ficar todo animado, apenas analise isso. E você vai me dá sua opinião quando eu disser que sim. — Ok, agora você me deixou nervoso.


— Eu já estou nervosa, — eu digo a ele, traçando um dos desenhos de coração que Seth fez no gesso no meu braço quebrado. — Mas eu sinto que vou explodir se não descobrir o que diabos está acontecendo dentro da minha cabeça. Ele vira o carro para uma das ruas laterais que levam à universidade. As árvores fazendo um dossel da estrada são a prova de que o inverno está chegando. — Ok, eu prometo não fazer nenhuma dessas coisas. Agora diga o que está em sua mente. Eu não tenho certeza por onde começar. Solto um suspiro e apenas derramo tudo para fora de mim. — Então, eu tenho tido alguns pensamentos. — humm. — Ele está escolhendo cuidadosamente suas respostas. — Sobre meus... Sentimentos. — As palavras parecem tão estranhas. Ele aperta o volante. Greyson me conhece bem o suficiente para entender que falar sobre meus sentimentos é um grande negócio para mim. — Ok, que sentimentos exatamente? Eu coço meu pulso, onde o corte costumava estar, mas agora é apenas uma fina cicatriz desaparecendo. — Sobre a vida e... — Sim… — Luke. — Eu estremeço quando digo isso, porque dizer para o mundo o torna muito mais real, e também sem rodeios óbvios que alguma coisa está, sem dúvida, acontecendo dentro de mim. Ele entra no estacionamento da universidade e estaciona tão perto quanto pode. Ele deixa o motor ligado e se vira no banco para me encarar. — Eu posso me atrever a perguntar de que sentimentos estamos falando?


— Eu honestamente não posso responder isso, porque eu não sei. — Faço uma pausa, minha boca abrindo e fechando repetidamente. — Violet, esta é uma zona segura, — Greyson diz, colocando a mão na minha. — Você pode dizer o que quiser, sem julgamento. Eu odeio ter a certeza de que eu me tornei esse tipo de pessoa, mas é o que é. — O que é o amor? — Eu deixo escapar como uma louca. É claro que eu o choquei e esta não era a pergunta que ele estava esperando. Enquanto ele leva um tempo para compreender o que eu disse, seus olhos se enchem de tristeza. Eu meio que esperava que ele dissesse algo sobre estar tão triste que eu não saiba a resposta para isso, mas ele não faz e deixa-me semelhante ao que ele está sentindo. — É como cair e voar ao mesmo tempo. — Ele balança a cabeça e, em seguida, acena. — Desculpe, isso foi uma má analogia. Deixe-me tentar de novo. — Ele pensa por alguns minutos, olhando para fora, soltando uma risada antes de limpar sua garganta e retorna sua atenção em mim. — Sabe, eu posso realmente me lembrar do momento exato em que me apaixonei. Foi tão louco também, porque foi como se em um segundo eu estava na fase realmente semelhante e, de repente, eu estava fodidamente apaixonado, tipo muito, fora da minha mente. — Isso apenas aconteceu? — Pergunto com ceticismo. — Não houve um aviso? Ele dá de ombros. — Talvez para algumas pessoas há uma advertência, mas não para mim. Eu puxo meu joelho para cima e descanso meu queixo sobre ele. — Você estava com medo?


Seus olhos se arregalaram e ele concorda. — Sim, eu estava apavorado, mas de uma maneira realmente boa, sabe?Mas isso é porque Seth me faz sentir bem. Toda vez que estou com ele, eu sou a melhor versão de mim mesmo e fico feliz e me sinto tão satisfeito na vida. Mais do que já estive. — Ele faz uma pausa, relutante. — Posso perguntar por que você está perguntando isso? — Eu ainda não tenho certeza. — Olho para o relógio no painel de instrumentos e ignoro a voz dentro da minha cabeça que está me dizendo que eu sei por que estou perguntando isso. — Eu tenho que ir. — Pego minha bolsa e abro a porta, prestes a sair para a chuva, mas, em seguida, faço uma pausa. — Obrigado por compartilhar sua história, no entanto, — eu digo a ele. Eu não tenho certeza se foi difícil ou não para ele, mas quero que ele saiba que estou grata. Ele sorri enquanto se ajeita em seu assento. — Sempre. Foi divertido lembrar de qualquer maneira. Foi um bom momento na minha vida que nunca devo me esquecer. Seu sorriso é contagiante e eu acabo saindo na chuva parecendo tão feliz que as pessoas que passam por mim provavelmente acham que estou chapada. E tento carregar o sentimento comigo enquanto faço o meu caminho para o escritório de Lana, sabendo que provavelmente vou precisar disso quando chegar lá. Duas horas mais tarde, eu estou no banco de trás do carro de Seth com ele, Greyson e Callie, que vão para o jogo, mas meus pensamentos estão em outro lugar. A sessão de terapia foi bem. Nós não entramos em nada muito profundo, apenas conversamos sobre a minha vida agora e como me sinto sobre isso, ainda que a parte do sentimento foi difícil e eu não falei tanto. Então nós conversamos um pouco sobre meus pais, na maior parte apenas lembrando das pequenas coisas que consegui, o que me deixou triste e feliz. A única coisa que foi realmente difícil de lidar foi quando eu disse a ela sobre os


sonhos que tenho tido sobre o cemitério. Quando ela me perguntou se eu já tinha ido visitá-los, eu balancei a cabeça negativamente e, em seguida, ela sugeriu que talvez um dia eu devesse ir. Como se fosse tão simples como arrancar uma folha de uma árvore. Eu lhe disse que iria pensar no assunto, o que estou, mas não da forma calma como ela sugeriu. Minha mente está em todo o lugar, pensamentos flutuando em minha mente como bolas de pingue-pongue. Meus pais. O cemitério. Meus sentimentos. Luke. Meus pais. Meus sentimentos. Eu juro que meu cérebro está prestes a ter um curto-circuito. A única coisa que me puxa de volta à realidade é quando o meu celular começa a tocar dentro do bolso da minha jaqueta de couro. Eu pego-o e vejo que é um número desconhecido, o que me faz hesitar antes de responder. Eu estou supondo que é um repórter ou Preston, e penso em desligar de imediato, mas não é. É o detetive Stephner. — Então, eu tenho uma boa e uma talvez má notícia, dependendo de como você vai reagir a ela, — ele diz depois que eu atendo. Eu olho ao redor do carro, contente de ver que Seth, Greyson e Callie parecem estar envolvidos em uma conversa muito intensa sobre futebol. — Ok, eu estou ouvindo. — Bem, o julgamento vai começar em breve, — ele diz. — O que significa que as coisas estão se movendo. Eu encaro a janela, tentando manter a conversa tão privada quanto possível. — Mas ela ainda não disse quem era a outra pessoa? — Não, ainda não, mas eu queria dar-lhe um aviso que, por um lado, há uma chance de que o advogado dela possa tentar alegar insanidade. — Por alguma razão, eu não estou surpresa, — murmuro, então suspiro, não sei como me sinto sobre isso. — Essa foi a notícia boa ou ruim?


— Eu não tenho certeza, — ele responde, em seguida, suspira. — Eu não sei, talvez as notícias tenham um pouco de cada. Eu franzo a testa. — Então, qual é o resto? — Se formos a julgamento eles podem te chamar para depor contra ela, — ele explica. — E Mira vai estar lá quando isso acontecer. Eu olho para o gesso em meu braço quebrado, que vai se retirado daqui há duas semanas. — Eu não tenho certeza se posso fazer isso. Meu braço ainda está em um gesso maldito, pelo amor de Deus. — Violet, nós já conversamos sobre isso, — ele diz. — Vai ser mais fácil do que a primeira vez, vê-la, eu quero dizer. Ela vai estar mais sob controle. — Como vai ser mais fácil? — Eu digo. — Ela ainda vai estar lá. — Você é uma garota forte, Violet Hayes, — ele diz, não realmente respondendo a minha pergunta. — Eu sei que você pode fazer isso se for necessário. — Um monte de pessoas que discordam dessa afirmação. — Eu sou um detetive. Eu vejo mais do que a maioria das pessoas. Eu não tenho certeza do que fazer com isso ou se há alguma coisa que eu possa fazer, mas aceito. Eu fecho meus olhos e imagino a foto que encontrei ontem à noite. Isso é o que eu estou fazendo, certo? — Ok, eu vou fazer isso, se eu precisar. — Boa garota. — Ele faz uma pausa e eu abro meus olhos. Você já falou com Luke?

— Eu falo com ele todos os dias, — eu digo, com cautela. — Por quê? Você vai a algum lugar com isso ou apenas está sendo irritante.


— Talvez eu esteja indo em algum lugar com isso. — Ele está falando em código. Eu pego Greyson olhando por cima do ombro para mim com um olhar questionador, fazendo com que eu vire em direção à porta, tanto quanto o cinto de segurança vai deixar eu me mover. — Apenas diga, seja o que for. — Veja Violet, — o detetive avisa. — Lembre-se com quem você está falando. — Sim, com o cara que usa gravata de Natal no Dia das Bruxas, — eu respondo secamente. — Claramente eu preciso ser cuidadosa. Ele suspira e eu sei que vai deixar isso de lado. — Olha, eu só queria dizer que você provavelmente deve certificar-se de que você e Luke estão se comunicando desde que estou supondo que ele vai ser chamado também. Já pode até ter sido. —Ele já foi chamado? — Eu pergunto. Bem, isso é novidade para mim. — Talvez... — Um, dois, três segundos se passam. — Pode ter sido uma chamada para defesa. Eu descanso minha cabeça contra o vidro frio e fecho os olhos enquanto meu peito se aperta e suga o ar fora dos meus pulmões. Por que ele não me contou? — Será que ele concordou? — Eu não tenho certeza. Eu só estou dizendo para que você não se surpreenda se ele disser algo sobre isso. — Eu ouço alguém dizer algo no fundo. — Mas olha, eu tenho que ir. Eu só queria dar-lhe um aviso. — Obrigado, — eu murmuro, em seguida, desligo, deixando a testa encostada na janela. Não há nenhuma maneira que Luke faria isso. Ele odeia sua mãe. E ele disse que me ama. Mas todos esses anos sendo repassada através de famílias de


acolhimento estão me fazendo duvidar desta coisa conhecida como amor. Todas as mães adotivas e pais que me acolheram, para cuidarem de mim, mas depois se cansaram e me botaram para fora. — Violet, chegamos. — A voz de Greyson me tira do meu torpor e quando olho em volta percebo que já chegamos ao estádio. É absolutamente insano quantos carros estão estacionados e quantas pessoas estão andando por aí usando as cores da nossa universidade. — Santo inferno, — eu digo, não tenho certeza se estou enojada ou impressionada. Callie, Seth, e Greyson riem da minha reação depois pulam para fora do carro. Eu sigo-os, a intensidade do entusiasmo me bate no peito quando saio. O sol está espreitando por entre as nuvens e secando as poças no asfalto, mas o ar ainda é frio. Enquanto fazemos o nosso caminho através do caos e entramos no estádio de aço brilhante, Greyson entrelaça seus braços comigo e Seth, então Seth entrelaça o seu com Callie, por isso estamos em uma espécie de corrente humana. Eu nem sei o que fazer com isso. Nunca em um milhão de anos eu teria pensado em fazer isso com outras três pessoas. Mas aqui estou eu, indo para um jogo de futebol americano. Eu me perco na atmosfera, o entusiasmo vibrante, a quantidade de pessoas que passamos enquanto fazemos nosso caminho através do labirinto. Só quando eu acho que não pode ficar mais caótico, entramos no estádio. Meu queixo quase cai; ao enorme tamanho do lugar, o quão lotado está, brilhante e tanta gente parecendo empolgada. — Jesus, é como uma bolha cheia de entusiasmo, não é? — Eu digo com os olhos arregalados, me perguntando se eu deveria me afastar porque claramente não pertenço aqui.


Greyson deve sentir-me tentando fugir porque ele aperta meu braço e balança a cabeça. — De jeito nenhum. Você vai fazer isso. Por nada mais, apenas Luke. Ok, ele me pegou. — Bem. Você está certo. — Uau, eu sei o seu ponto fraco agora. — Ele sorri para mim e eu o ignoro enquanto caminho para o nosso banco, os braços ainda entrelaçados por isso torna super estranho e muito chato para as pessoas que passam por nós, o que torna divertido para mim. Toda vez que alguém bufa em frustração quando têm que nos esperar passar ou se espremer entre nós, faz meu sorriso crescer ainda mais. — Veja. — Greyson move as sobrancelhas para mim por cima do seu ombro. — Divertido, certo? Eu dou de ombros, mas há um sorriso se formando em meus lábios. — Possivelmente. Ele revira os olhos, mas então sorri enquanto continua subindo as escadas. — Sabe de uma coisa? Se você prometer tentar se divertir, eu vou assar para você um lote inteiro de biscoitos. — Quantos anos você acha que eu tenho? — Eu digo enquanto nos sentamos em nossos lugares, que são metade do caminho até as arquibancadas, dando-nos uma vista considerável para o campo e a equipe nos bancos abaixo. Callie e Seth estão sentados do outro lado de Greyson e tenho dois lugares vagos ao meu lado para o pai de Luke e Trevor. Ele me dá um olhar acusador enquanto enfia a mão no bolso e tira um par de luvas. — Então você está dizendo que não quer eles? Eu penso sobre o que ele disse, mas não por muito tempo. Você vai fazê-los parecerem perus? Ele coloca uma luva. — O quê?


Eu levanto o zíper do meu casaco. — Para a ação de graças. Ele ri quando coloca a outra luva. — Claro, eu acho que posso fazer isso. — Ótimo, então eu vou tentar me divertir. — Eu tiro meu capuz da minha cabeça para manter minhas orelhas quentes. Sorrindo, ambos viramos e olhamos na direção do campo, colocando nossos queixos e bocas sob as golas dos nossos casacos para proteger a nossa pele do frio. Temos uma vista considerável, mas Seth ainda trouxe binóculos e Callie trouxe uma câmera. Enquanto nós estamos esperando pelo jogo começar, Seth e Callie saem para comprar um lanche e é quando o pai de Luke e Trevor se juntam a nós. Eles se sentam ao meu lado e fazem as apresentações. — Greyson, este é Trevor e o senhor Price. — Eu gesticulo para frente e para trás entre eles. — Por favor, me chame de James, — o senhor Price diz enquanto aperta a mão de Greyson. — E você também Violet. Nada de senhor Price. Concordo com a cabeça e, em seguida, Seth e Callie voltam com as mãos cheias de pipoca, refrigerantes e doces, então eu tenho que apresentá-los também. Seth dá um aperto de mão com James, em seguida, dá-me um saco de M & Ms, que estou grata por isso, antes que ele se sente em sua cadeira e comece a rir com Callie sobre algo. — Sabe, eu vou correr o risco de parecer estúpido aqui, mas eu totalmente não entendo nada sobre futebol, — Trevor diz quase vergonhosamente enquanto abotoa sua jaqueta. — Eu também não, — eu respondo, de forma menos envergonhada. James sorri com orgulho, tomando um gole de café que trouxe com ele. — Bem, então, vocês dois estão com sorte, porque eu sei uma tonelada sobre isso.


Trevor cutuca-o com o cotovelo. — Talvez seja porque você jogava na escola. James ri e dá um grande discurso sobre as regras e outras coisas, conversando animadamente com as mãos, parecendo apreciar o tema. Eu não entendo noventa e nove por cento, mas sorrio e finjo que estou ouvindo. Ele para de falar, porém, quando a equipe sai do vestiário e começam a bater palmas com o resto da multidão, gritando no topo dos seus pulmões, hálito de neblina no ar, mas todo mundo está, realmente. Eu não estou entre eles, sem entender qual é o grande negócio, até eu ver Luke entre os jogadores. Não é como se eu me tornasse algum tipo de viciada em futebol ou qualquer coisa no momento que o vejo, mas ele ainda faz com que o meu coração tenha uma pequena vibração dentro do meu peito, isso só aconteceu algumas vezes. Eu devo estar sorrindo ou algo assim, porque Greyson me cutuca e me dá um grande sorriso extravagante. — Veja, não é tão ruim, certo? — Ele diz ainda batendo palmas enquanto Callie e Seth saltam para cima e para baixo, rindo. — Está bem. — Eu digo, mas meus lábios tornam-se traidores e não consigo parar de sorrir como uma idiota ridícula. É tão bobo quanto parece, pela primeira vez em muito tempo, eu sento e aproveito a vida momentaneamente sem me preocupar com nada, na verdade. Eu acabo esperando por Luke após o jogo com Callie. Eu não estava indo, mas acho que é uma coisa ou algo assim. Depois de cada jogo, Callie espera por Kayden, e acho que agora que estou Luke e vou para seus jogos, eu estou esperando por ele com Callie, pelo menos essa é a teoria de Greyson. Quando eu não concordei no início ele me ameaçou com cupcakes, então fiquei, mas no fundo não é realmente sobre os cupcakes. Trevor e James dizem-me que vão voltar para o hotel e se aquecer por um tempo, que as pessoas da Califórnia não foram feitas para este tipo de clima. Mas eles dizem que vão


ligar para Luke quando estiverem prontos e que nós vamos sair e comer alguma coisa. — E vocês podem escolher o lugar, — diz Trevor através da sua respiração, então ri. — Desde que vocês não gostaram do restaurante que nós escolhemos. — Era tão óbvio? — Eu pergunto, enfiando as mãos nos bolsos da minha jaqueta. Trevor ri novamente. — Foi uma espécie de óbvio quando você cuspiu a água. — Ele caminha até a beira do dossel que estamos parados, indo em direção ao estacionamento. James não o segue imediatamente, em vez disso me puxa para outro abraço estranho como ele fez no aeroporto. — Foi bom passar um tempo com você, — ele diz enquanto eu dou um tapinha em suas costas, sentindo-me nervosa e tensa. Ele se afasta, parecendo feliz, então acena quando segue Trevor, tremendo todo o caminho. — Vejo você no jantar, — ele grita. Eu aceno, então fico ali, parada sob o dossel, olhando para as estrelas, tentando descobrir como cheguei a este ponto da minha vida em que as pessoas fazem-me cupcakes, me fazem rir, dão-me abraços desajeitados-como-o-inferno, e me convidam para jantar. Eu não entendo. Eu realmente não entendo. Mas gosto. Meu último pensamento fica para mim, porque eu estou aceitando - esta vida. O que significa que estou aceitando a possibilidade de que posso ter isso. É difícil admitir isso para mim mesma, que estou tendo essa oportunidade, algo que não tenho feito desde que os meus pais morreram.


— Eles tiveram um bom jogo, não é? — Callie pergunta e eu me assusto - quase tinha esquecido que ela estava aqui comigo. Sorrio quando me viro para olhar para ela. — Sim, eu acho. Embora, eu realmente não sei. Não sou uma fã de futebol. Mas estou supondo que eles foram bem porque ganharam. Ela está encostada na parede em frente à porta onde Luke e Kayden vão supostamente saírem. O capuz da sua jaqueta em sua cabeça e ela está usando um lenço. — Sim, foi um bom jogo. Você deve vir no próximo com Seth, Greyson e eu. Eu dou de ombros, encostando minhas costas contra a parede. — Pode ser. — Fica mais fácil de entender, — ela diz. — E faz com que seja mais divertido. Eu chuto a ponta da minha bota contra o chão. Eu nunca fui muito boa em conversar com meninas, e Callie e eu não temos a melhor história, então me sinto um pouco estranha. — Você parece saber muito sobre isso. — Meu pai é um treinador do ensino médio, — ela explica. — Ele foi, na verdade, o treinador de Luke e Kayden quando eles estavam no colegial. — Isso é legal. Deve ter sido divertido vê-los jogar naquela época. Ela sorri, mas não chega a atingir seus olhos. Faz-me perguntar como foi para ela o colegial; Eu me pergunto se ela odiava tanto quanto eu. — Então, eu estava pensando que talvez você e eu poderíamos praticar mais um pouco de kickboxing. Você pareceu se divertir no outro dia. — Não necessariamente me divertir, — eu digo. — Foi apenas um pouco terapêutico.


Ela se vira para mim. — Foi dessa forma para mim também, pelo menos, quando eu comecei. Agora é mais por diversão. Eu vou pelo menos duas vezes por semana. Seth geralmente vai também. Você poderia ir com ele. Eu não tenho certeza sobre a ideia, mas não quero descarta a sugestão. — Eu vou pensar sobre isso, — eu digo a ela, surpresa que eu realmente quis dizer isso. Foi bom chutar a merda fora de alguma coisa, mesmo que fosse apenas um saco. Eu abro minha boca para lhe perguntar como ela começou, quando Jonah Malforten caminha em minha direção e interrompe a conversa. — Violet, quanto tempo. — Ele sorri, seu sorriso chapado enquanto cutuca minha bota com o pé. Jonah é um cara que eu usei para negociar e vê-lo aqui, perto do estádio, enquanto estou falando com Callie, parece que o passado está se misturando com o meu presente. Encontro-me não gostando disso, especialmente porque lembra da minha vida com Preston. — O que você quer, Jonah? — Eu uso minha atitude malhumorada, mas isso não é novidade para Jonah, porque é como eu sempre fui com ele. — Acho que você sabe o que eu quero. — Ele pisca para mim enquanto ajusta seu gorro sobre sua cabeça, o cheiro de maconha está impregnado nele e seus olhos vermelhos cheios de esperança que eu estou indo lhe vender. Olho para Callie, que está olhando em outra direção, como se estivesse profundamente preocupada com um cartaz do próximo jogo de inverno. No que eu sei, Callie pensa que eu sou uma prostituta, pelo menos é o que ela costumava pensar sobre mim, mas talvez ela saiba a verdade agora. — Olha, eu não faço mais essa merda, tudo bem? — Eu mantenho a minha voz baixa, mas firme. — Então tire seu traseiro drogado daqui.


— Você é má, — ele diz, fazendo beicinho de uma maneira que eu acho que ele pensa que é sexy, mas é simplesmente irritante. — Mas você sempre foi má. Sexy como o inferno, quero dizer. Não é de admirar que Preston fazia seu trabalho sujo. Meus músculos se apertam em nós desgastados prestes a estourar. — Eu tinha que fazer o trabalho sujo. Passado. Agora dê o fora da minha frente. — Quando ele continua sorrindo para mim, eu dou-lhe um pequeno empurrão. — Estou falando sério, merda. Eu não vendo mais e nem tenho qualquer ligação com Preston. Ele coça a nuca, parecendo perdido. — Estranho... Quando eu o vi, ele disse para vim até você, que você não estava mais vendendo, mas que iria me ajudar. Os nós em meus músculos se apertam tanto que doem e eu freneticamente olho na área em torno de mim, em busca do seu rosto na multidão cada vez menor e os carros restantes ainda estacionados à minha direita. — Você viu Preston por aqui? Ele inclina a cabeça para o lado, ainda confuso. — Não... Não aqui. Em Garyford, no Elm, hoje cedo. Meu coração salta uma batida, mas eu diga a ele para se acalmar - não ficar muito animado ainda. — Em um bar? Jonah concorda. — Sim, ele está sempre lá tentando vender. Mas hoje ele estava apenas relaxando. Disse que se eu precisasse de alguma coisa eu deveria te encontrar... Acho que ele estava super bêbado ou algo assim. Disse que se eu te encontrasse era para dizer que ele está te procurando. Babaca do caralho! Deus caramba, e qual é o ponto disso? Para me deixar chateada. — Valeu Jonah. — Eu bato levemente em seu braço, em seguida, empurro-o em direção à saída. — Foi super divertido falar com você, mas é melhor você ir.


— E sobre as coisas que eu preciso? — Ele tropeça nos próprios pés quando eu empurro-o. — Preston mentiu. Eu não tenho nada. — Eu pego meu celular do bolso e disco o número do detetive Stephner. Jonah está resmungando sobre algo enquanto se afasta e Callie está me dando um olhar preocupado. Mas eu ignoro-a tanto quanto posso e caminho para fora do estacionamento com meu celular contra a minha orelha. Assim que o detetive Stephner atende, eu deixo escapar tudo o que acabou de acontecer. — Violet, acalme-se, — ele diz. — Eu mal consigo te entender. Eu respiro, percebendo que estava ficando sem oxigênio com as minhas palavras. — Eu encontrei com alguém que me disse que Preston está em Garyford no Elm todos os dias. Sabe o bar onde os universitários gostam de ir? — Ok, eu estou indo verificar, — ele diz e eu posso ouvi-lo sussurrando algo. — Mas Violet, eu quero que você vá para casa e espere até eu entrar em contato com você, ok? Fique dentro de casa. Eu não quero que nada aconteça. Que diabos ele acha que vai acontecer que já não aconteceu? — Ok, eu não estava pensando em ir em qualquer lugar, apenas em um jantar com Luke e seu pai. — Não, fique dentro de casa, — ele diz. — Prometa-me, Violet. Basta ficar em casa e esperar. — Por que isso importa? — Droga, Violet, apenas me escute pela primeira vez, está bem? — Ok pai, — eu digo sarcasticamente, mas, em seguida, percebo que estou agindo como um moleque. — Desculpe, eu prometo que vou ficar. — Bom. — Ele solta um suspiro de alívio. Alguma coisa está errada. Ele está agindo mais preocupado do que normalmente.


— O que você não está me dizendo? — Pergunto intrigada, observando um grupo de pessoas que passam perto de mim. E se Jonah mentiu e Preston está aqui me observando agora? — Muito, — Detetive Stephner responde. — Há um monte de coisas que eu não posso te dizer. Isso é novidade para mim e pelo tempo que eu levo para desligar, minha mente corre com um milhão de ideias diferentes. Eu esqueço embora quando Luke finalmente aparece através das portas. Ele está usando calça jeans e um casaco de capuz, o cabelo úmido, provavelmente porque ele tomou banho. Pelo menos cheira como ele, o aroma fresco de sabão ao meu redor enquanto ele me puxa para um abraço. Ele faz isso sem nenhuma hesitação, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Está começando a aparecer assim para mim também. — Então o que você achou? — Ele sussurra em meu ouvido, ainda segurando-me. — Tinham algumas calças realmente muito apertadas, — eu tento provocar, mas minha voz soa fora de campo. Ele se inclina para trás, a preocupação evidente por todo o seu rosto. — O que há de errado? Olho para Callie que está sorrindo para Kayden quando ele sai pela porta que Luke acabou de sair. — Posso dizer-lhe na caminhonete? Ele olha por cima do ombro para Callie e Kayden que estão se abraçando e depois assente. — Ok, sim, vamos embora. — Ele se move para trás, mas não vai muito longe, deslizando seu braço em volta de mim. — Ei, nós estamos indo, — ele grita para Kayden. — Te vejo mais tarde. Kayden acena, mas ele está distraído por Callie, que está sorrindo quando ela diz algo que cria esse grande sorriso


bobo no seu rosto. Eu me pergunto o que ela pensa sobre o que aconteceu. Eu quero saber por que me importo tanto. Luke e eu caminhamos para frente do estacionamento em silêncio, os sons dos nossos passos apressados se adicionam à tensão em torno de nós. A caminhonete está estacionada na parte traseira por isso leva um tempo, mas finalmente nós a alcançamos. Ele abre a porta para mim, em seguida, uma vez que estou no banco, ele fecha a porta e senta no banco do motorista. Sua caminhonete faz um barulho borbulhante quando ele liga o motor e, em seguida, para. Ele amaldiçoa em seguida, tenta novamente, desta vez com bombeamento de gás. Uma vez que está ligado e claramente vai pegar, ele liga o aquecedor e se vira para mim. — Ok, o que diabos significa esse olhar em seu rosto? — Ele pergunta, se inclinando em minha direção. Eu coloco minhas luvas e fecho meu casaco enquanto o que aconteceu me inunda. Eu explico a ele como encontrei Jonah e o que ele me contou sobre Preston. Eu também digo-lhe que liguei para o detetive Stephner e como ele me disse para ficar no nosso apartamento esta noite e como ele parecia estar agindo de forma estranha. — Tenho certeza que ele só quer ter certeza de que você está segura. — Luke pega a minha mão quando eu termino de dizer a ele e traça meus dedos. — É o que todos nós queremos. Eu não tenho certeza se ele entende por que, mas eu não pergunto. — Sim, talvez. Mas eu falei com ele hoje cedo, quando estávamos indo para o jogo e ele parecia bem. — Ele ligou para você hoje? — Ele pergunta, virando minha mão e acariciando o interior do meu pulso. Deus, isso é tão bom. — Sobre o quê? Através de tudo isso, eu tinha me esquecido da conversa que o detetive e eu tivemos antes e como eu nunca tinha chegado a uma conclusão sobre se Luke concordaria em ajudar Mira.


Apesar de estar aqui com ele agora, seu toque me trazer tanta calma, eu estou começando a me perguntar por que eu duvidei dele, para começar. — Sobre o caso... e você? Seus dedos fazem uma pausa na palma da minha mão. — Eu? Eu concordo. — Ele disse que acha que você recebeu uma chamada para depor em defesa da sua mãe no tribunal. De repente, ele parece que está com dor, apertando minhas mãos com força. — Sim, no outro dia eu recebi. — Por que você não me contou? — Eu pergunto. — Quando aconteceu? — Porque eu estava confuso... E chateado. — Ele suspira, derrotado, entrelaçando nossos dedos. — Desculpe, isso não é desculpa. Eu deveria ter dito quando isso aconteceu. Eu pressiono meus lábios, tentando conter as palavras, sabendo que eu não deveria perguntar, mas não consigo me parar e elas forçam seu caminho para fora da minha boca. — O que você disse? Suas sobrancelhas se unem em confusão. — Sobre o quê? — Quando lhe pediram para testemunhar, — eu digo. — O que você disse? Ele parece como se eu tivesse lhe machucado, sua expressão se misturado com mágoa e decepção. — Eu disse a ele para ir se foder e que ela merece estar atrás das grades. — Ele solta minha mão e desliza para longe, parecendo um pouco irritado. — O que mais eu diria, Violet. Eu olho para as minhas mãos, porque a mágoa em seus olhos é grande demais para suportar. — Me desculpe, pela pergunta, mas eu precisava ouvir você dizer isso... Eu não sei por quê. Eu tinha certeza que já sabia sua resposta.


Ele balança a cabeça, bufando em frustração enquanto olha em frente à janela. — Eu nunca, nunca iria fazer isso. Não só porque seria errado - ela merece ir para a prisão - mas eu nunca poderia, nunca te machucaria desse jeito. — É como se ele estivesse lutando para respirar, seu peito subindo e descendo fortemente com cada respiração que ele toma. — Você tem que começar a confiar em mim. — Eu confio em você. Demais, — eu sussurro, fechando meus olhos. — Você poderia esmagar meu coração se quisesse. — O silêncio que se segue é enlouquecedor. Acabei de dizer isso em voz alta? Um... Dois... Três... O tempo parece infinito enquanto espero pelo que vem a seguir. Eu ouço-o se mover no banco, sentindo-o se aproximar. — Violet, abra os olhos. — Sua respiração toca minhas bochechas. Eu rapidamente sacudo minha cabeça, esmagando meus lábios juntos. — Eu não posso. — Mas encontro-me abrindo-os de qualquer maneira e ele está tão perto, apenas a polegadas de distância. — Eu nunca, nunca iria te machucar, — ele promete, colocando a mão suavemente na parte de trás do meu pescoço, os dedos se espalhando pela minha pele. Seu toque envia um tiro de formigamento em toda a minha carne e me faz tremer quando ele me guia em direção a seus lábios. Mas eu já estou me inclinado em sua direção, uma corrente invisível me puxando em direção a ele, como dois ímãs prestes a colidir. Quando colidimos um com outro, é perigosamente inebriante, roubando o ar dos meus pulmões,


meu coração batendo aceleradamente no meu peito. Eu já estou caindo de novo no lugar onde me sinto impotente, mas segura. Emoções pressionam o seu caminho para a superfície, desta vez muito forte para ignorar. Bate-me como um relâmpago, uma corrente elétrica fluindo através do meu corpo, um calor esmagador que tanto me traz a vida e me mata ao mesmo tempo. Eu acho que é então que sei o que estou sentindo. A coisa que tenho tentado evitar ultimamente, e estou tanto aterrorizada e alarmantemente em paz. Nosso beijo é mais lento do que o normal, mas igualmente, se não mais intenso. Cada varredura sensual da sua língua, mordidas suave dos seus dentes, é como se ele estivesse memorizando meus lábios. Suas mãos estão explorando meu corpo, deixando rastros de calor escaldante, onde cada escovada, meu corpo fica tão quente que juro que estou pegando fogo. E estou gemendo, Deus estou gemendo, enquanto me sinto tão confusa sobre a queimadura sob minha pele e através dos meus lábios enquanto devoro-o com os meus beijos. Eu só quero continuar fazendo isso para sempre, nunca mais me mover novamente, mas, eventualmente, Luke quebra a conexão, colocando uma porção de espaço entre nossos lábios. Eu choramingo em protesto e ele me dá um sorriso satisfeito. — Eu prometo continuar mais tarde. Eu prometo, — ele diz. — Mas acho que nós precisamos chegar em casa. Eu aceno, meus lábios inchados incapazes de formar palavras. Então eu me viro e olho para frente, afivelando meu cinto de segurança, minha mente se enchendo no momento em que se afastamos do estádio. Só que desta vez algo totalmente diferente, a realização que eu tive quando estávamos nos beijando. Eu não tenho certeza se quero aceitar isso, mas, honestamente, pode ser que eu não queira mais. Como Greyson disse, quando acontece, acontece do nada. Não há controle, não adianta ignorar, não adianta


colocar sorrisos falsos para contorná-lo. Não, isso está fora do meu controle, não importa o quanto me aterrorize. Amor. Amor. Amor. Eu acho que posso estar apaixonada por Luke.


24 LUKE Eu estava muito sobrecarregado antes do jogo, pensando em todos lá me assistindo. Sim, eu estou acostumado a uma enorme multidão de pessoas me assistindo jogar, mas dessa vez era diferente. Meu pai e Trevor estavam lá. E Violet. Isso estava me deixando mais nervoso e levou uma eternidade para descobrir o porquê. Porque alguém que eu amo estará lá. Uma vez que passo o momento incompreensível, porém, eu estou muito bem com isso. Animado. Eu joguei um jogo incrível também, de modo que estava no meu melhor humor. Então a coisa com Preston aconteceu e eu não estou tentando ficar muito em êxtase sobre isso, mas se eles conseguirem pegá-lo, então haverá uma enorme abertura para mim e Violet ter uma vida semi-normal, talvez. E realmente, isso é tudo que eu quero agora. Apenas ela e eu, e a normalidade que nós temos tido nas últimas semanas. Eu nunca tive isso antes e agora que tive um gosto, eu quero mais do que tudo. Uma vez que chego com Violet em casa, ligo para o meu pai e digo-lhe que não podemos ir ao jantar. Quando explico-lhe o por que, ele sugere trazer uma pizza e nós podemos comer no meu apartamento. Seth e Greyson saíram, então temos o lugar para nós e eu concordo com a oferta do meu pai. Ele diz que


vai estar chegando em cerca de uma hora ou algo assim e desligamos. Eu pego dois refrigerantes da geladeira, depois caminho até Violet. Ela está mordendo as unhas, um hábito que foi desenvolvido ao longo do último par de semanas, sempre que ela fica nervosa. Ela está com a televisão ligada, com algum programa passando, por isso está bastante claro que ela não está prestando atenção. — O que está incomodando você? — Eu coloco as latas de refrigerante na mesa de café, sento-se ao seu lado no sofá, e afasto o cabelo do seu ombro. Ela está usando uma regata preta que dá para ver suas tatuagens se espreitando em seu pescoço. — É Preston? — O quê? — Ela pisca para mim, completamente fora de si. Eu pego sua mão e movo-a para longe da sua boca para que ela não consiga mais roer suas unhas. — Vai ficar tudo bem. Seu corpo enrijece. — O quê? — A coisa com Preston. — Eu traço meu dedo ao longo das suas tatuagens de estrelas. — Ele não pode se esconder para sempre. — Oh. — Seu corpo relaxa e ela fixa sua atenção na televisão. — Não é com isso que estou preocupada. — Então com que você está preocupada? — Minha mão se move do seu pescoço para seu ombro, em seguida, para sua lateral. Viro-lhe e faço-lhe olhar para mim em vez de ficar olhando para a televisão, mas ela luta contra isso, balançando a cabeça. — Eu ainda não posso, — ela diz baixinho. — Não pode o quê?


— Falar com você ainda. Isso dói um pouco. — Ok... nós não temos que falar se você não quiser. Ela acena com a cabeça para cima e para baixo, rápido demais. Há uma pausa, onde ela luta para respirar, de repente, ela está girando em minha direção e me beijando com desespero. Não é a primeira vez que ela faz isso, me usa para se distrair seja do que for que ela esteja lutando internamente, mas é mais difícil de aceitar depois da outra noite, quando nós nos beijamos, dançamos e fizemos sexo apenas por nós, nada mais. Eu sinto que estamos caminhando para trás e não quero isso. Eu quero continuar seguindo em frente, longe da pessoa que eu costumava ser, e da vida de merda que eu costumava viver, cheia de bebidas, jogos de cartas e sexo sem sentido. Eu estou lutando entre o que é certo e errado, enquanto continuo a beijá-la, quando de repente ela se afasta, com falta de ar. Eu abro minha boca para perguntar se ela pode pelo amor de Deus me explicar o que está acontecendo em sua cabeça, mas então ela começa a chorar. — Eu não sei o que está acontecendo comigo, — ela diz, piscando através de um véu de lágrimas enquanto olha em todos os lugares, menos para mim. — Eu acho que não posso mais fazer isso. Meu coração despenca dentro do meu peito, meus lábios ainda pairando sobre os seus, minhas mãos em sua cintura. — Fazer o quê? — Eu não quero a resposta, não quero ouvir o que vem a seguir da minha pergunta, não quero perdê-la. — Lutar. — As lágrimas ainda estão fluindo dos seus olhos, mas acho que ela parou de chorar. Ela suga várias respirações e quando olha para mim, seus olhos estão mais claros do que eu esperava. Ela está com medo - é claro - mas é como se ela


tivesse parado de lutar contra o medo, dando lugar a algo em vez disso. Seus lábios se abrem e eu quase lhe peço para parar o que ela está prestes a dizer, silenciá-la com os meus lábios, mas eu não faço, forçando-me a ouvir, a necessidade de saber o que vem a seguir. — Eu acho que estou apaixonada por você, — ela diz, seu peito arfa a cada respiração voraz, mas sua voz é surpreendentemente firme e ela consegue manter o meu olhar. Minha voz, porém, é exatamente o oposto, sai aguda como se eu tivesse treze anos de idade e atravessando a puberdade mais uma vez. — O quê? Ela suga a respiração, em seguida, libera-a lentamente, o medo em seus olhos cedendo, como se ela tivesse acabado de ganha-lo. — Eu acho que estou apaixonada por você... — Ela morde seus lábios e balança a cabeça. — Não... Eu não acho. Eu tenho certeza. Eu gradualmente processo suas palavras e toda a extensão do que ela está dizendo. Eu acho que acreditei que ela nunca iria dizer isso, que o amor seria uma rua de mão única. Ouvi-la dizer. Eu nem sei como descrever isso. É como se toda a minha vida eu associava a palavra com ódio. Toda vez que minha mãe dizia isso, parecia como se estivesse tentando tirar algo de mim e isso me fez odiá-la e a mim mesmo, eu igualei o amor ao ódio. Mas ouvir isso dos lábios de Violet, ver o olhar em seus olhos, o que eu nunca vi de ninguém, é tão diferente. Ela não está tentando tirar algo de mim, ela está me dando algo. Ela está me dando tudo. Eu não consigo me controlar. Eu pressiono meus lábios contra os seus, provavelmente rápido demais. Mas ela não parece se


importar, beijando-me de volta tão intensamente, seus dedos puxando meu cabelo enquanto ela me puxa para mais perto, me consumindo com seus lábios enquanto seu corpo se eleva para encontrar o meu. É como se ela precisasse de cada parte sua me tocando, mas não é suficiente. Nada parece ser o suficiente. Quando suas pernas se envolvem em torno de mim, eu lhe seguro com força e fico de pé, levando-a comigo, indo para o quarto. Nossos lábios se mantém selados, se separando apenas para que ela possa tirar a minha camisa quando chegamos ao corredor. Nós esbarramos nas paredes, batemos em mesas, derrubamos o abajur no nosso caminho para o quarto, mas nós rimos contra os lábios um do outro, não nos separando. Quando chego à cama, eu caio cegamente nela, nos estabilizando com as minhas mãos. Aproveito a oportunidade para puxar sua regata e o sutiã. Então me inclino para trás e aprecio a vista, cada partícula de pele, cada sarda, cada tatuagem que ela tem. Linda pra caralho que não consigo suportar. Eu sinto que estou prestes a entrar em combustão. Eu quero tanto ela que meu corpo está latejando, minhas veias pulsando com desejo e necessidade. A necessidade de estar com ela. Para sempre. E sempre. E sempre. E quando eu abro minha boca para dizer, desta vez é diferente - desta vez, significa mais do que a primeira vez que eu disse, porque sei que posso dizer e vai ser bem-vindo, que não vai assustá-la. — Eu também te amo, Violet Hayes, — eu sussurro, em seguida, meus lábios se pressionam contra os seus,


mostrando-lhe com a minha boca o quanto eu quero dizer isso. Deus, quero muito dizer. Mais do que qualquer outra coisa na minha vida.


25 VIOLET Então é assim que se sente quando se está apaixonado? Esse foi o último pensamento coerente que eu tive. Eu não estava pensando em dizer a ele que eu o amava. Eu estava tendo uma discussão interna sobre as muitas razões pelas quais eu deveria manter isso para mim mesma, que eu deveria voltar aos meus antigos caminhos e lidar do meu próprio jeito. Que Luke é filho de Mira Price e que isso deveria importar, certo? Mas então comecei a pensar sobre como eu não queria voltar aos meus antigos caminhos, como eu odiava aquela vida mesmo que eu não admitisse naquela época, e como ele realmente não tem nada a ver com Mira. Sim, ele compartilha o sangue com ela, mas tudo sobre ele é o oposto daquela mulher. Ele é muito mais do que isso. Muito mais. Ele é o cara que me ajudou a chegar na minha sala quando pulei pela janela e machuquei meu pé. Ele é o cara que bateu a merda fora de Preston quando ele me machucou. Ele é o cara que me protegeu. Quem me deu um teto sobre minha cabeça sem estipulações.


O cara que me ensinou que beijos não era apenas lábios e línguas, é emoções, intensidade e paixão. O cara que faria qualquer coisa por mim. O cara que fez tudo por mim. O cara que me amou quando eu pensei que ninguém mais faria. Ele é o cara que me fez entender o amor o suficiente para que eu pudesse sentir-lo por mim mesma, e ele deve saber, o quanto significa para mim. — Eu acho que estou apaixonada por você. Uma vez eu disse isso em voz alta, tudo mudou - eu mudei de tantas maneiras que foi quase demais. Então, novamente, talvez eu comecei a mudar há algum tempo e estou apenas aceitando agora. Honestamente, eu realmente não me importo no momento. Estou muito focada em Luke e no que sua boca está fazendo comigo, caminhos de beijos de cima à baixo do meu estômago, através dos meus seios, até as minhas pernas. Em todos os lugares. É quase demais para mim. Minha mente está tão em sintonia com tudo o que está acontecendo, meu corpo está à beira de combustão com cada toque dos seus lábios e da sua língua. Finalmente, eu não aguento mais. Seguro seu rosto e puxo seus lábios até os meus enquanto levanto meus quadris, precisando dele dentro de mim. Ele de bom grado me dá o que eu quero, escorregando dentro de mim. Deixando escapar o gemido mais alto, a sensação dele dentro de mim da forma mais intensa do que normalmente é, mas da melhor maneira possível. Movemo-nos um com o outro, beijando e tocando, o suor das nossas peles enquanto levamos nosso tempo, nunca querendo terminar. Eu posso sentir-me cair novamente e desta vez eu


não luto contra isso, apenas me agarro em Luke. Deixo as emoções me assumirem, deixo-me sentir cada uma delas, deixo possuir-me, sem temer. Segundos depois, ele se junta a mim e nos desfazemos juntos, minhas unhas perfurando sua pele, que induz um gemido dos seus lábios, em seguida, ele morde delicadamente meu lábio inferior. Momentos depois, começamos a nos acalmar, mas nossos lábios se mantém em movimento, beijando e tirando o fôlego um do outro até que estamos ofegantes e temos que parar para respirar. Ele não se move para fora de mim imediatamente, em vez disso pressiona beijos no meu pescoço enquanto eu olho para o teto, sentindo-me estranhamente satisfeita por dentro. Todas as minhas emoções e agora desejo não ter lutado tão duro contra elas, não quando me sinto assim. — Eu odeio dizer isso, — Luke sussurra em meu ouvido, mordiscando minha orelha. — Mas nós precisamos nos vestir antes que meu pai e Trevor apareçam. — Nós poderia apenas fingir que não estamos, — Eu brinco, virando a cabeça para que eu possa beijá-lo. — Sim, mas é o último dia deles aqui, — ele diz, sem fôlego por causa do beijo. — Eu me sinto mal em mentir. — Eu também, — eu digo com sinceridade, mas pressiono o meu corpo no seu para provocá-lo, o que faz com que ele gema em frustração. Eu dou meu sorriso perverso. — Mas depois que eles saírem, nós vamos voltar para isso. Balançando a cabeça, ele me beija apaixonadamente. — É um acordo. Sorrindo como dois idiotas apaixonados, saímos da cama e nos vestimos. Eu não me importo, porém, continuo sorrindo


como uma idiota. Estou feliz. Completamente e totalmente aterrorizada, mas absolutamente e positivamente feliz, um lugar que eu não tenho estado em anos. Cerca de cinco minutos depois de estarmos totalmente vestidos, Trevor e James chegam com uma pizza. Nós rimos e conversamos até tarde da noite e tudo parece perfeito. Então meu celular começa a tocar. É tarde, então eu sei que poderia ser apenas algumas pessoas - Seth, Greyson ou detetive Stephner. Eu ando pelo corredor quando atendo, não querendo que minha reação ao que ele tem a dizer esteja em exposição a todos. — Olá? — Eu respondo timidamente. — Oh, bem, você está acordado, — ele diz, parecendo aliviado. — Eu pensei em ligar para você amanhã, mas queria que você soubesse para que talvez possa dormir um pouco melhor. Meu coração pula dentro do meu peito. — Você o pegou. Eu posso ouvir o sorriso em sua voz quando ele diz: — Sim, nós o pegamos. — E você pode mantê-lo na prisão, certo? — Sim, nós o pegamos por um monte de coisas. — Ele é vago, mas geralmente é sempre assim. — Ele disse alguma coisa sobre por que fez isso? — Eu pergunto, descansando minha cabeça contra a parede. — Ele fez. — Há cautela em sua voz. — Violet, eu tenho que ser honesto com você. Eu tive minhas suspeitas sobre Danny Huntersonly, — ele refere-se a Preston por seu nome real, — e seus motivos pelo que ele fez para você.


— Oh meu Deus, ele é o assassino, não é? — Meu coração bate no meu peito e eu quase desabo no chão. — Não é bem assim. — Não é bem assim? Como é que ele não pode ser o assassino? — Devo estar falando alto, porque Luke aparece no canto com preocupação em seu rosto. E a preocupação se amplia quando ele ver o olhar chocado e horrorizado na minha cara. — O que há de errado? — ele sussurra, mas eu levanto um dedo, indicando para ele ficar quieto, então ao invés disso ele segura minha mão e eu me agarro a ele com a minha vida. O detetive suspira. — Eu tive uma suspeita depois de cavar nas coisas que relacionam Danny com o assassinato. E depois de prendê-lo hoje e fazer-lhe algumas perguntas, minhas suspeitas estão certas. Danny Huntersonly é o filho de Benny Huntersonly, o homem que matou sua mãe e seu pai, algo que Danny confessou. Minha mão aperta a de Luke, minhas palmas começando a suar. — E onde está esse Benny Huntersonly agora? — Ele está morto, — ele responde solenemente e é como um golpe no intestino. — Ele tirou a própria vida não muito tempo depois de ter matado seus pais. Danny disse que ele estava usando drogas e não tomou a medicação quando invadiu a casa dos seus pai com Mira Price para roubá-los. Não tenho certeza quanto isso é verdade, mas estou trabalhando nisso. — E sobre mim? — Eu pergunto. — Por que Preston... Quero dizer, Danny, fez todas aquelas merdas comigo? — Vingança. Obsessão. Ele estava fora de sua mente. Honestamente, eu não sei.


Eu não quero perguntar a ele, não quero pensar em minha mãe dessa maneira, mas eu preciso saber. — O roubo... Isso não tem a ver com a minha mãe usar drogas, não é? Ele faz uma pausa. — Eu ainda não tenho certeza. Como eu disse, ainda há muita coisa que não sei, nem posso compartilhar com vocês ainda, pois poderia arruinar o caso. Eu só te liguei porque você merece saber - merece ser capaz de relaxar. Eu sei que você não tem feito isso há algum tempo. — Em anos, — eu sussurro. Eu posso ouvi-lo sussurrando através de documentos e um telefone tocando ao fundo, provavelmente ainda na delegacia. — Então agora você deve apenas relaxar e dormir um pouco. Isso provavelmente tem sido difícil no último par de meses. Eu começo a sorrir e chorar ao mesmo tempo quando ondas de emoções passam sobre mim. Algumas de alívio. Algumas de mágoa. Algumas que eu nem sequer reconheço. — Tudo bem, eu vou. Luke está pirando - eu posso ver isso em seus olhos castanhos, por isso dou um aperto reconfortante de mão. Está tudo bem. Eu vou ficar bem. Ou o detetive pode ouvir meus pensamentos ou as minhas lágrimas, porque ele diz, — Violet, vai ficar tudo bem. Leva-me um momento para responder, para processar tudo o que ele me disse. Eu não sei como me sinto sobre Preston sendo o filho do homem que tirou a vida dos meus pais. Eu sinto meu estômago remexer. Nojo. Desapontamento. Confusão. Há um monte de história entre Preston e eu, um monte de coisas que eu fiz, e tudo isso me bate no peito de uma vez. Eu quase caio. Quase, mas não completamente.


Eu aperto com força a mão de Luke. Eu não quero viver no passado, deixar a culpa me controlar, deixar Preston me controlar. Ainda é uma responsabilidade muito grande, e eu sei que há algo que pode levar tudo rapidamente para longe, mas essa é a vida. Vai ser apenas temporário e eu vou sobreviver a qualquer louco, qualquer coisa errática, tudo ainda será o mesmo depois e eu ainda vou ter que enfrentar isso. — Eu sei que vou, — eu sussurro através das minhas lágrimas e parece a verdade. Pela primeira vez, parece que tudo vai ficar bem. Sim, nem tudo foi perfeito. Na verdade, se eu realmente analisar, posso ver toda a feiúra e a escuridão que saiu disso. Eu poderia afundar de volta para o buraco escuro e deixá-lo me devorar, como fiz durante anos. Mas só agora conseguir sair e não quero voltar. Eu quero ser forte. Eu quero deixar-me ser feliz. E deixe-me estar apaixonada. Duas coisas que eu nunca, nunca pensei que iria ser possível, mas, em seguida, eu tive um gosto e foi maravilhoso - eu não estou pronta para deixar o maravilhoso sentimento. Eu sei que nada vai ser perfeito; as coisas nem sempre são da maneira que eu quero. Isso não é como a vida funciona e o perfeito não existe. Mas na maior parte, tudo ficará bem se eu deixar ser. E vou tentar o meu maldito melhor; Eu estou indo viver a vida, tentar ser melhor, em vez de pior. E eu tenho Luke ao meu lado. E realmente, isso é tudo que eu preciso.


26 VIOLET Um mês depois… — Você tem certeza que esta é uma boa ideia? — Eu pergunto, enquanto olho ao meu redor. Mal é dezembro, mas o inverno já chegou e transformou todo o parque em um maravilhoso inverno. Neve em cada canto e todos os balanços congelados brilham. Luke balança a cabeça enquanto tira um pouco da neve da sua jaqueta. — Lana disse-lhe para fazer algo divertido, por isso você vai. Eu puxo o meu casaco mais apertado em volta de mim, desejando ter tido tempo para tomar um banho antes de virmos para cá. Mas Luke me pegou no ginásio depois do meu treino de kickboxing com Callie e Seth, algo que faço pelo menos duas vezes por semana. — Mas está congelando. Ele ergue uma sobrancelha para mim, esfregando a neve das suas luvas. — Desde quando a neve te faz desistir de um desafio? A neve está caindo do céu, mesmo que o sol esteja se espreitando por entre as nuvens. — Como é que isso se tornou um desafio?


— Porque eu estou tornando um desafio, — ele diz, fechando a jaqueta de couro que ele está usando e espera por mim na armadilha congelada. No início desta semana, Lana tinha sugerido que eu fizesse algo divertido, algo que eu perdi quando era mais jovem. Luke veio com essa ideia quando eu não consegui descobrir isso por minha própria conta. Ele diz que brincava no parque às vezes, quando estava se escondendo da sua mãe. — Tudo bem. — Vou até a coisa que se parece com um disco voador com barras no topo. O metal frio afunda através das minhas roupas e congela minha pele quando me sento no centro e agarro as barras. — O que eu faço agora? Ele me dá um sorriso bobo e eu sei que estou em apuros. — Agora segure-se. — Antes que eu possa dizer qualquer outra coisa, ele sai correndo, segurando as barras de modo que a faz girar. Quanto mais rápido ele corre mais rápido a coisa gira em torno de mim até que tudo é um borrão de formas e cores. Em seguida, ele pula e se junta a mim no centro. Eu estou rindo pra caramba enquanto meus olhos lutam para se concentrarem em algo em torno de mim, mas eu apenas fico tonta, então ao invés disso foco no rosto de Luke. — Veja, é divertido, certo? — Ele pergunta, segurando-se na barra. Eu aceno, sorrindo quando olho para o céu. — Parece que estou no centro do mundo e tudo ao meu redor está se movendo. Ele ri. — Aula de filosofia aparecendo novamente. — É uma classe divertida, — eu admito, me soltando da grade e giro livremente, sentindo como se eu estivesse voando. As mãos de Luke agarram minhas pernas como se estivesse com


medo que a força fosse me fazer cair, o que só faz o meu sorriso expandir. — Eu entrei em uma importante hoje. — Realmente? Eu concordo. Ele espera que eu explique, mas depois fica impaciente. — Você vai me dizer qual é? Meu sorriso ocupa todo o meu rosto. — Física. Suas mãos apertam minhas pernas enquanto o disco continua girando. — Você está falando serio? Eu olho para longe do céu e para ele, balançando a cabeça. — Alguém me disse que eu seria boa em física uma vez. Seus lábios se curvam. — Soa como uma pessoa inteligente. — Sim, um verdadeiro gênio, — eu digo com um sorriso. — Vamos ver como vai ser, apesar de tudo. Eu ainda posso mudar. — Eu não acho que você vá, — ele diz, quando o disco começa a desacelerar. — Nós veremos. — Eu fico em silêncio enquanto o disco faz uma parada e de repente parece que estamos aterrados, mas nenhum de nós se move. — Como o seu trabalho está indo? — Bem. — Luke está trabalhando no ginásio nas últimas semanas e ele parece feliz por não ter que trabalhar mais no bar. — Quero dizer, eu não quero fazer isso para sempre, mas vai me ajudar na faculdade. — Ele faz uma pausa, em seguida, senta-se. — Oh sim, eu esqueci de dizer. Recebi uma mensagem de texto de Ryler esta manhã. Ryler é o primo mudo de Luke que eu conheci uma vez, quando estávamos em Vegas. Seu pai é um idiota e eu me


sinto um pouco mal por ele, especialmente desde que ele também cresceu em lares adotivos. — Oh sim? O que ele disse? — Que ele estava pensando em começar o próximo semestre na Universidade de Wyoming e perguntou se estaria tudo bem se ele ficasse com a gente por alguns dias quando chegar aqui, até encontrar um lugar para morar. Eu disse a ele que estava tudo bem. — Bom, eu me sinto mal por ele. — Porque ele não pode falar? Eu balanço minha cabeça. — Não, porque ele não cresceu em uma verdadeira família. Luke me olha com simpatia. — Falando em famílias, como está indo o julgamento? Eu me aproximo dele quando o vento começa a soprar flocos de neve em torno de nós. — Você me pergunta isso o tempo todo. — Eu sei, mas quero ter certeza de que está tudo bem o tempo todo, — ele diz, tirando um floco de neve da minha bochecha. Seu toque me aquece da cabeça aos dedos dos pés, até minha alma. — Eu ainda estou bem, embora vou ficar melhor quando Preston estiver definitivamente atrás das grades. Luke balança a cabeça, raiva piscando em seus olhos, o que acontece cada vez que falamos de Preston. — Eu ainda não posso acreditar que ele está dizendo que fez tudo o que fez porque culpa sua família pelo que o pai dele fez. O cara tem sérios problemas mentais. — Eu sei, mas pelo menos ele está atrás das grades, certo? — Embora eu gostaria que ele estivesse sendo condenado por


mais, que de alguma forma ele poderia ser culpado pelo que seu pai fez. Eu sei que é meio egoísta da minha parte, e que realmente eu sei que ele não merece isso, é apenas difícil, por vezes, pensar sobre como seu pai está morto e nunca vai realmente pagar pelo que fez. — E quanto a você? Ele suga uma respiração lenta. — Eu estou indo bem, mas estou feliz que eu tenha a minha parte nisso. Luke foi convocado na semana passada e questionado. Ele estava muito nervoso em fazer isso, mas o importante é que ele fez; ele conquistou seu medo da sua mãe e deixou o mundo saber o monstro que ela é. — Obrigado por fazer isso. — Eu pressiono meus lábios nos seus e dou-lhe um beijo suave. — Eu não vou mentir, — ele diz. — Parte disso eu fiz por mim mesmo. — Eu ainda estou feliz que você fez isso. — Eu também. Nós sentamos e desfrutamos da calma por um tempo até que começa a chover, então ele pega a minha mão e me puxa para meus pés. — Pronta para fazer o resto do desafio de Lana? Eu instantaneamente franzo a testa. O resto do desafio é muito mais difícil do que brincar no playground. — Eu não sei se posso fazer isso, — eu admito. — Sim, você pode, — ele incentiva, segurando ambas as minhas mãos e me guia. Eu caminho com ele na neve. — Mas e se você estiver errado? E se nós formos até lá e eu surtar e não conseguir fazer isso? Ele oferece-me um dos meus sorrisos favoritos. — Então eu acho que vou passar mais um tempo com você.


— Você praticamente passa o tempo todo comigo. — Então eu vou conseguir mais. — Ele segura meu braço e me puxa pela neve em direção a sua caminhonete e eu relutantemente arrasto os meus pés enquanto o sigo. Quando ele sente o peso da minha caminhada, ele faz uma pausa e olha para mim. — Babe, você não tem que fazer isso se não quiser. Eu nunca iria deixar você fazer qualquer coisa que não queira. — Eu sei que você não faria isso. — Eu fico lá no meio da neve, segurando sua mão, apavorada. Eu lidei com tantas coisas ultimamente e não tenho certeza se estou pronta para isso. Mas, novamente, se eu não fizer agora, então só vou pensar que não fiz e isso vai me deixar louca e vou decepcionar a mim mesma. — Não, eu estou pronta. — Eu digo, em seguida, puxoo para a caminhonete, de modo que seja a minha única escolha. Porque no final, tem que ser a minha escolha. Duas horas, cinco músicas da banda Eagles, e uma fita rotulada como 'Canções que me faz lembrar de Violet' depois, nós chegamos ao cemitério, onde eu estive temendo vim. É ruim o suficiente nos meus sonhos, mas ver na vida real é... — É tão vazio e silencioso, — eu sussurro, pressionando meu rosto na janela e olhando para o chão cheio de lápides. Luke estaciona a caminhonete e deixa o motor ligado. — Quer que eu vá com você? — Ele pergunta. Eu balanço minha cabeça com hesitação. — Não, isso é algo que eu tenho que fazer por minha própria conta. Leva-me, pelo menos, quinze minutos para sair da caminhonete, mas Luke espera pacientemente em silêncio sem questionar ou me pressionar, uma das coisas que eu amo sobre ele. Finalmente, abro a porta e saio para a neve. Leva-me


mais dez minutos antes de eu realmente passar pelo portão e no próprio cemitério. Esta é a primeira vez que eu piso em um cemitério desde que tinha cinco anos de idade. O ar é frio, as árvores sem folhas, as lápides um lembrete doloroso do por que estou aqui - que estou aqui para ver. Lana me disse que seria bom para mim. Que seria saudável finalmente enfrentar esse marco na minha vida. Que eu venho ido tão bem e que talvez seja a hora, não necessariamente de dizer adeus aos meus pais, mas aceitar que eles se foram e que eu ainda estou viva e que está tudo bem. Eu nem sei como encontro suas lápides tão facilmente. Talvez seja o meu subconsciente ou talvez eu tive apenas sorte, mas só me leva poucos minutos antes de ver duas lápides com o nome Hayes lado a lado. Sento-me em frente delas, na neve, mesmo que esteja congelando. Eu traço os formatos de corações congelados, evitando dizer qualquer coisa por um longo tempo, mas depois tudo de repente começa a sair. — Eu costumava ser tão perdida. — Eu sento na grama congelada enquanto o vento dança em torno de mim. — Na verdade, eu tenho estado perdida desde que vocês tiveram que ir, até um mês atrás talvez. — Pode soar estranho, — eu digo. — Mas eu achava que se eu me deixasse sentir, as pessoas em minha vida, se eu me preocupasse com elas, eventualmente, seriam tiradas de mim e eu seria deixada sozinha de novo, me afogando em minha própria dor. No tempo, as palavras das pessoas ao meu redor, pareciam reais. — Eu apanho um punhado de neve e solto lentamente, escorregando dos meus dedos. — Eu costumava ser tão boa em esconder as minhas emoções. Eu tinha pequenos truques, formas de entorpecer-me a tal ponto que qualquer coisa que eu estava sentindo por dentro era


dominado por uma emoção muito mais forte do que qualquer outra. Medo. O medo da morte. Embora, eu agisse de forma diferente. Eu solto a grama em minha mão, ajeito-me e profiro as palavras que nunca me atrevi a dizer em voz alta antes. — A morte era uma emoção como se sentir em pânico para mim. — Eu estava com medo de morrer? Eu considero a questão e admito a verdade. — Eu pensei que não tinha medo - pensei que eu era destemida. Mas acontece que eu não era... Acontece que eu não queria morrer. Levei um tempo e um monte de auto-tortura para perceber isso. Que o que eu realmente queria era o que eu tinha mais medo. Lágrimas escapam dos meus olhos enquanto as emoções se enchem dentro de mim, mas eu deixo-as, porque sei que, eventualmente, elas iram se acalmar e vou sobreviver através disso. — As coisas não foram tão fáceis para mim, principalmente por minha própria causa. Eu acho que aprendi ao longo dos últimos meses... Lana disse-me que é o que eu deveria fazer aqui, — murmuro. — Admitir o que aprendi. Como fui curada, — Faço uma pausa, reunindo toda a força que tenho em mim. Eu tenho que olhar por cima do meu ombro para Luke em sua caminhonete e isso me dá o impulso extra que preciso. — O que eu aprendi é que não estava me empurrando em direção à morte. Que eu coloquei um muro em volta de mim para me manter afastada de todos, para que eu não tivesse que sentir nada, porque ninguém pode te ferir se não te conhece, certo? Esse era o meu lema de vida. Eu acho que, em parte, veio por ser passada de família em família, mas o fato de que eu experimentei uma perda tão grande que nunca quis sentir isso de novo. Eu começo a engasgar-me e as letras na lápide se tornam embaçadas, começando a derreter. — Mas eu estou ficando melhor. Eu não posso levar todo o crédito, no entanto. Eu tenho alguns grandes amigos e um namorado que me ajudam a cada dia. Eu estou indo a um terapeuta. É uma loucura, mas


pela primeira vez as coisas realmente parecem indo bem. — Eu levanto o meu pulso e puxo a manga do meu casaco para baixo, mostrando que estou usando a pulseira com a palavra Sempre nela. — Eu fiz uma pesquisa e descobri que vocês foram para a Itália na lua de mel porque meu pai tem um lado italiano nele. Eu não tenho certeza de como minha mãe conseguiu a pulseira exatamente, mas gosto de pensar que você deu a ela enquanto estava lá. Parece uma bela história. — Eu abaixo a minha mão em meu colo e deixo as lágrimas derramarem, sabendo que a minha história vai sempre ser apenas uma história, que eu nunca vou saber a verdade, mas que não há nada que eu possa fazer sobre isso, apenas aceitar e me agarrar ao que tenho - a minha vida. Com lágrimas ainda fluindo dos meus olhos, eu me inclino para frente e pressiono minha mão na lápide da minha mãe. — Eu sinto falta de você... Deus, eu sinto falta de vocês... — As lágrimas inundam meus olhos, me dominando. Minha reação inicial é prendê-las, detê-las, mas é por isso que estou aqui. Viver e aprender. Eu movo minha mão para a lápide do meu pai e começo a soluçar. — Eu gostaria que vocês pudessem estar aqui para conhecer todos... Eu desejo um monte de coisas... mas acho que é outra coisa que aprendi. Os desejos são apenas desejos. O destino é apenas o destino. E nem um deles realmente tem controle sobre sua vida. Merdas acontecem, moldam nossas vidas, mas não tem quem moldar quem somos. E estou tentando agora, ser uma filha que pode dar orgulho a vocês. — Eu chupo outro fôlego e digo a última coisa que preciso dizer. — Adoro vocês dois. Eu irei amar vocês para sempre. Deixo-me chorar até minhas lágrimas congelarem em meus olhos, até a tristeza em meu coração mudar para contentamento, então eu me levanto e faço o meu caminho de volta para a caminhonete, enxugando as lágrimas dos meus olhos.


— Você está bem? — Luke pergunta quando eu entro e fecho a porta. Eu dou uma última olhada para o cemitério e, em seguida, volto-me para ele. — Sabe, eu realmente, realmente estou. — Eu não consigo me parar. Eu me inclino e beijo-o, porque no fim, é tudo que eu preciso. Apenas Luke e eu, e a certeza do nosso futuro.


VIOLET Dois anos e um mês depois... — Este cachecol cheira a queijo, — eu digo, segurando uma risada. — Por favor, deixe-me tirá-lo antes que o cheiro fique preso nas minhas narinas. — Ainda não tire, — ele diz, parecendo divertido com ele mesmo. Eu estive contando piadas na última hora para me entreter, já que Luke não quer dizer onde nós estamos indo. Isso está me deixando louca; Natal, uma viagem espontânea na qual eu tenho que estar com os olhos vendados o tempo todo. Que diabos? Sim, isso praticamente é a minha resposta quando abri o meu presente e lá estava o pequeno pedaço de papel que ele tinha colocado na caixa com o lenço. Não foi um bom um presente como no ano passado, mas eu estou supondo que é porque todo o nosso lema 'aproveitar as datas comemorativas' está começando a esfriar. — Por favor. — Eu fecho minhas mãos e dou-lhe o meu melhor olhar triste. Ele ri. — De jeito nenhum.


Droga. É o olhar que sempre consegue o que quer dele. É por isso que não está funcionando - porque ele não pode ver meus olhos. Suspirando, eu desisto e ajeito-me no banco, resistindo a última meia hora de antecipação ansiosa, ouvindo uma fita que eu sei é rotulada com o meu nome. Finalmente, a caminhonete para e eu ouço-o estacionar. Eu espero que ele me diga para tirar a venda, mas em vez disso tudo o que ouço é ele mudar a fita, então ele sai da caminhonete. Que diabos? Eu me movo para tirar a venda quando 'The River' da banda Manchester Orchestra começa a tocar através do aparelho de som, muito, muito alto. A memória faz cócegas na minha mente e eu jogo a venda para o lado. — Oh meu Deus. — Meu queixo cai instantaneamente com a visão das montanhas cobertas de neve e árvores diante de mim, com destaque para os faróis. Luke está esperando por mim na frente da caminhonete, chutando as pontas das suas botas contra a neve com as mãos nos bolsos do seu casaco. Leva-me um momento ou dois para obter a coragem o suficiente para fazer isso, sabendo que uma vez que eu por o pé para fora tudo estará prestes a mudar. Eu tenho que pensar realmente sobre isso. Eu quero essa mudança? Sim. Deus, eu quero. Com um coração e os dedos trêmulos, eu abro a porta e saio, deixando a porta aberta para que a música possa fluir para fora. Luke não olha para mim até que eu esteja do outro lado da caminhonete, prestes a chegar a ele.


Seus olhos estão cheios de nervos e ele está tremendo tanto do frio ou do fato de que ele está claramente nervoso. — Agora, se você realmente ouvir em silêncio, — ele diz, colocando uma mão em torno da sua orelha enquanto se inclina na direção das árvores. — Você pode ouvir o som fraco dos animais loucos. Eu pressiono meus lábios, tentando não sorrir pelo fato de que ele se lembra do que eu disse quase dois anos atrás quando configurei esse cenário, quando um cara pediu em casamento uma garota em um restaurante e eu pensei que era uma forma muito clichê. Eu faço meu caminho até ele e ele enfia a mão no bolso para tirar algo. Eu prendo a respiração em antecipação, mas, em seguida, franzo a testa em confusão quando ele segura a pulseira de prata que pertencia a minha mãe. — Eu pensei que você devesse estar usando-a quando isso acontecer, de modo que seus pais pudessem estar com você de alguma maneira. — Eu tento não chorar quando ele coloca a pulseira no meu pulso, mas uma lágrima ou duas escapam dos meus olhos. Em seguida, ele recua e dá um tapinha no bolso antes de deixar escapar um suspiro. — Agora, eu sei que ficar de joelhos é um pouco clichê. — Seu sorriso todo cheio de nervos é ridiculamente adorável. — Mas eu vou fazer isso de qualquer maneira. Eu chupo uma respiração profunda quando ele fica de joelhos na neve. Em seguida, puxa uma pequena caixa preta da sua jaqueta e estende-a. — Violet Hayes, você quer se casar comigo? Ele abre a caixa e se eu não fosse dizer sim, agora eu teria. Porque o que está dentro da caixa é o meu anel - o roxo cercado por pedras de ônix que eu ganhei como presente de Natal, antes que ele fosse tirado de mim. Claro que não é


exatamente o mesmo anel. Parece um pouco menor, mas tem a pedra roxa. Parece um pouco mais perfeito. Eu não vou chorar, eu digo a mim mesma. Porque mesmo que eu me deixe sentir tudo agora, não quero ser a garota que chora como um bebê, porque ela vai se casar. Mas eu me transformo em uma garotinha, as lágrimas escorrendo dos meus olhos enquanto aceno com a cabeça. Em seguida, recupero um pouco da minha dignidade, e digo, — fodidamente sim, eu vou me casar com você. Ele ri, mas parece que as lágrimas estão manchando seus olhos também, o grande tolo que ele é. Então ele se levanta, coloca o anel no meu dedo e me beija como tem beijado a cada dia em dois anos. Com paixão. Com certeza. Com amor.


The Resolution of Callie & Kayden As coisas estão indo bem para Callie e Kayden. Eles ainda estão lidando com o passado e a dor ligada a ele, mas na maior parte eles seguiram em frente. A maior decisão que eles têm no momento é o que querem fazer com as suas vidas no futuro. Eventualmente, porém, o passado pega-os de surpresa e eles ficam de frente com as escolhas difíceis. Mas Callie e Kayden sabem que, enquanto têm um ao outro, eles podem fazer praticamente qualquer coisa. E, no final, descobrem o que realmente querem da vida.


Olá! Meu nome é Edieny Williams e esse ebook tem a tradução e revisão efetivada por mim, sem qualquer forma de obtenção de lucro, direto ou indireto. O leitor fica ciente de que o download destina-se somente ao uso pessoal e privado, e que deverá abster-se de postagens ou hospedagens em qualquer rede social. Email para contato: edienywilliams@outlook.com Faça download das minhas traduções pelo: MinhaTeca/edienywilliams

5 the certainty of violet and luke jessica sorensen  
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