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EMMA Por

Lara Smithe


Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

Título original: Emma Todos os Direitos reservados Copyright © 2015 by Lara Smithe


Aprendemos pelo amor ou pela dor. A escolha é nossa.

Dedicatória

Dedico este livro a toda a minha família, pois foram compreensivos nos momentos em que tive que me ausentar para escrevê-lo, a minha querida amiga Cassia Canineo, pois foi ela quem escreveu e me presenteou com o prólogo maravilhoso do e-book, e a todas as minhas leitoras queridas.


Índice Prólogo Introdução Capítulo Um Capítulo Dois Capítulo Três Capítulo Quatro Capítulo Cinco Capítulo Seis Capítulo Sete Capítulo Oito Capítulo Nove Capítulo Dez Capítulo Onze Capítulo Doze Capítulo Treze Capítulo Quatorze Capítulo Quinze Capítulo Dezesseis Capítulo Dezessete Capítulo Dezoito Capítulo Dezenove Capítulo Vinte Capítulo Vinte e Um Capítulo Vinte e Dois Capítulo Vinte e Três Capítulo Vinte e Quatro Capítulo Vinte e Cinco Capítulo Vinte e Seis Capítulo Vinte e Sete


Capítulo Vinte e Oito Capítulo Vinte e Nove Capítulo Trinta Capítulo Trinta e Um Capítulo Trinta e Dois Capítulo Trinta e Três Capítulo Trinta e Quatro Capítulo Trinta e Cinco Capítulo Trinta e Seis Capítulo Trinta e Sete Capítulo Final Epílogo


Prólogo Tem momentos em que se faz necessário rever a vida, passo muito tempo apenas relembrando as coisas, minha bagagem... Pesada, o peso é tão grande que não consigo sustentá-lo. Conheci a beleza e a fartura, apenas na tenra infância... Era muito feliz, mamãe só sorria e a gente sentia o amor que envolvia nossa família perfeita. Papai era o orgulho de todas nós... Perfeito!!!! ... Mais que perfeito. Eu o amava loucamente, meu herói, tudo era amor e alegria, não faltava nada. Mais um dia, a vida nos afastou dele, ele se foi... Não nos braços da morte... Mas se foi tudo estava perdido… nunca soube o porquê. Toda dor do abandono e da humilhação cobrou seu preço , tristeza e doença foram o que restou , causando marcas profundas na criança que fui. Deixei as brincadeiras, as cantigas e os sorrisos serem banidos de meu ser. Fechei-me em minha confusão, me fechei pra vida, e jurei que jamais deixaria que a dor me devastasse novamente, sem decepções, nunca mais confiaria... Não permitiria. Da noite para o dia tive que crescer trabalhar para sobreviver e ainda amparar a única família que me restou. Passei por cima de tudo e nunca me entreguei a ninguém, estava blindada, meu coração não resistiria... Seria meu fim, não arriscaria. As coisas não foram fáceis, mas ninguém disse que seria eu bem sabia. A vida nos põe a prova, nos mostra que não podemos evitar o inevitável. De repente todos os muros levantados durante esse longo calvário foi aos poucos desmoronando, expondo meus medos não superados, os problemas não resolvidos. Parece brincadeira… conheci o homem que faria minha vida vibrar e se expandir ou me levaria à completa ruína. Tentei negar, tentei correr... Esconder-me. Mas sempre havia o reencontro, amor, paixão... E a dor, a separação. Não era capaz de pensar com clareza, nunca superei o abandono e a perda de minha juventude. Estava sozinha, levei minha vida trabalhando, cuidando... Sendo adulta sem ter condição de assumir realmente tamanho peso. Não fui cuidada, não fui amada e protegida, mas quando estava em seus braços era a felicidade que invadia meu sentir... E quando o momento passava, restava apenas eu, meus medos e minha dor. Entendo hoje que precisava entender crescer... Viver. Escondi-me, vivi nas sombras por pura covardia... Uma nova vida veio à luz, meu filho, fruto de um amor que eu pensava não ser correspondido, por ele teria que lutar... Ainda mais, vencer meus medos e inseguranças. Acabei por me calar, por deixar passar o momento da verdade, envolvi outras pessoas e tornei ainda maior o meu tormento, me neguei a ouvir a voz da razão, compliquei ainda mais o que já não era fácil. Negava a verdade a ele e a mim mesma. A ele pelo filho que nunca soube da existência, que nunca pode ter em seus braços, a mim por todo amor que não me permiti viver. Mas ai a vida cobra seu preço… senti que todo o amor que me tinha se tornava em ódio e rancor e meu maior medo aconteceu. Sei que mesmo que implore seu perdão toda a minha vida ainda fico devendo o tempo não vivido, o amor desperdiçado. Em meu desespero procurei


por refúgio, mas só a dor e a doença vieram a meu encontro, ao meu coração. Finalmente pude ver o mal que fiz a todos que realmente me amavam... Foi só perdendo que comecei a ganhar, a lutar e a confiar. Apesar de todos os enganos, uma coisa sempre foi certa... O amor imenso que sempre tentei tão desesperadamente negar. E de novo a vida me fez parar e perceber que as pessoas não são iguais e que jamais poderia comparar... O passado, que devia a muito ter ficado para trás... Não tinha volta. Na dor encontrei a verdade, na humildade o perdão para meus erros e enganos. No final a vida me foi generosa... Como nunca consegui ser, tenho muito a agradecer. Vejo minha família, que já não é composta por apenas mais um integrante, vejo meus amigos, percebo que meu mundo se expandiu estar completo... Repleto de amor. Ao meu lado esta meu único e grande amor que me ajudou a ver as cores da vida, a me alegrar com pequenos gestos e a agradecer a Deus por tantos bens preciosos que lançou sobre nós. Posso dizer que finalmente vivo intensamente cada momento dessa felicidade que antes não me achava digna de possuir. A vida me deu isso, pessoas maravilhosas que fariam tudo por mim, como eu faria por cada uma delas. Finalmente o passado ficou onde deveria sempre ter ficado... Nunca mais vou olhar para trás. O perdão... Sinceramente... Não sei, não quero pensar, apenas posso dizer que a vida lhe devolve tudo àquilo que você da a ela. Cada um tem o que merece. O perdão... Cabe só a Deus dar. Emma Lancaster


Introdução O prazer foi intenso, maravilhoso. Ricardo ergue-a e a pega para si, beija sua boca. Emma ofega, o seu peito oscila em um sobe e desce delirante, tenta acalmá-la, ele corre os seus cabelos do rosto, limpando o suor com as mãos; Emma fixa o olhar nos olhos dele e pensa... “Como faço agora para não me apaixonar”; ela fica observando aquele rosto lindo por uma porção de segundos; Ricardo tira-a da letargia, afasta-a um pouco e olha para o lençol da cama; está sujo de sangue, ele assusta-se. — Eu machuquei você! – Ricardo joga Emma aos travesseiros espalhando suas pernas, em seguida observa sua vagina. — Porra, Emma, porra, Emma, diz para mim que não é verdade. – Ele olha para ela. Desesperado, força a resposta. — Emma, você era virgem, responde? — Sim. – Murmura ela. Ricardo levanta-se da cama e corre de um lado para o outro. — Por que não me disse Emma, isso não é justo, é muita responsabilidade; e agora, Emma, o que faremos? O que você quer de mim? Vamos, Emma, me diz! — Eu não quero nada! – Emma diz olhando nos olhos dele. — Eu sou maior de idade e dona do meu nariz, não precisa ficar com medo, ninguém vai exigir de você casamento ou qualquer tipo de compromisso, seu imbecil. Furiosa com a situação na qual se encontra, ela levanta-se e procura algo para vestir nas gavetas do closet de Ricardo, voltando-se com algo nas mãos, completa: — Escute aqui, Ricardo, eu dei minha porra a você porque quis, eu já sabia que nada poderia acontecer entre mim e você, eu sei que você arrasta um bonde pela Angel, mesmo sabendo que não tem chance alguma. Ricardo tenta argumentar, mas Emma não lhe deixa falar. Vestindo uma calça de moletom e uma camisa muito maior do que seu corpo, ela dirige-se em direção a ele e aponta-lhe o dedo na cara. — Você não me deve nada, entendeu? NADA! – Dá às costas indo até a sala e procura algo. Ricardo segue-a e a segura pelo braço, fazendo-a olhar para ele. — Quer parar, que porra Emma, pare de ficar na defensiva, eu não sou nenhum canalha, eu sei das minhas obrigações.... Mais que merda! – Ele solta a moça, baixa a cabeça e escova os cabelos com os dedos. Emma chega bem próxima a ele e o encara friamente. — OBRIGAÇÕES! Seu filho da mãe....


Você não tem obrigações nenhuma comigo, a última coisa no mundo que quero é um homem ao meu lado por obrigação. — Poxa, Emma, eu tirei sua virgindade, isso é sério. — Só falta você me dizer que precisamos nos casar, para reparar o seu erro! – Ela fala sarcasticamente. — É o mínimo que posso fazer...! – Ricardo esmurra a parede. — Ricardo, foi só uma transa, você não precisa ficar desesperado, eu não vou pegar no seu pé e tão pouco obriga-lo a se casar comigo; não seja ridículo. Ele olha para ela com um olhar avaliador. — Ridículo, e se eu quiser reparar o meu erro. Emma se enfurece. — Vá se lascar Ricardo, não preciso de esmolas, nem tão pouco da sua compaixão. – Ela dirige-se para porta de saída, mas antes de sair vira-se lhe dizendo. — Se foi um erro para você, sinto muito, mas para mim foi muito especial, e quer saber, eu não me arrependo, faria tudo novamente, pena que seu coração chama por outra pessoa. – Com os olhos marejados ela vira-se dando alguns passos; no entanto, antes que chegue à porta Ricardo a alcança. Ele a segura pelo braço. — Onde pensa que vai, Emma, você acha que vai fugir de mim depois de tudo que aconteceu entre nós. – Ricardo aperta os dedos nos braços de Emma. Emma livra-se do aperto de Ricardo e o empurra. — Vá para o inferno Ricardo, eu já disse você não me deve nada. – Emma corre para longe dele fechando a porta atrás de si, deixando Ricardo desesperado...

***

Alguns meses depois, Emma foi visitar sua amiga e irmã Angel Walker; ela acabara de receber alta médica, foi submetida a uma cirurgia muito delicada. As duas estavam conversando animadamente quando Emma sente-se mal e corre para o banheiro, tudo que ela comeu no lanche da tarde foi para o vaso sanitário. Quando volta, deita-se na cama totalmente constrangida. — Desde quando anda se sentindo enjoada, Emma? – Angel pergunta olhando fixamente para a amiga. — Há alguns dias, uns quinze dias mais ou menos, na maioria das vezes pela manhã ou


quando como alguma coisa. – Emma senta-se a cama, fica em silêncio. — Você tem menstruado? – Angel está desconfiada de que sua amiga estivesse grávida. Emma olha com espanto para sua amiga, que a observa atentamente. — Ficou doida! Você acha que... Acha que eu... NÃO! Não tem como, eu não estou grávida mi amore, fique tranquila, é só um mal-estar mesmo... Olha, está ficando tarde, acho melhor eu ir embora, mamãe não anda bem, prometi que não ia demorar. Emma corre novamente ao banheiro, os enjoos estavam piorando a cada dia. Emma volta para o quarto, muito abatida, senta-se na cama e olha para as suas mãos trêmulas. Sem conseguir olhar para Angel, fica de olhos baixos. Emma não podia contar para sua melhor amiga que está grávida. Conhecendo Angel do jeito que conhecia, sabia que ela ligaria para o Ricardo correndo. Se o Ricardo se sentiu na obrigação de se casar com ela só porque tirou sua virgindade, imagine se souber que vai ser pai... Se não casar com ele, ele lhe toma o filho. A decisão já estava tomada. Iria embora, ninguém ficaria com o seu filho, o criaria sozinha. Daria a ele todo o amor do mundo, proteção e atenção necessária. Emma foi embora dias depois e não se despediu de ninguém, nem mesmo da sua melhor amiga. Após sua fuga, nem ficou sabendo sobre o acidente que Ricardo sofreu; ele levou um tiro quando foi ajudar o seu irmão Kael a salvar a vida de Daimon e Angel, quando os mesmos ficaram nas mãos do seu pai Jonas Willian. Ricardo ficou sem os movimentos dos membros inferiores por vários meses e o pior, foi diagnosticado estéril, nunca mais poderia ter filhos. Emma não soube disso. A última vez que Emma e Ricardo ficaram frente a frente foi em Atenas, no casamento do pai de Angel, John e Anabele. Ricardo tentou uma aproximação, eles até fizeram amor, confirmando o que um sentia pelo outro, mas a teimosia e o medo de Emma foram muito mais fortes e ela o afastou. Emma ainda se lembra das palavras de Ricardo naquele dia, em Atenas... — Emma... Meu anjo, – ele abre os olhos e olha fixamente para ela — basta uma palavra sua, eu acabo com esse noivado, podemos nos casar quando você quiser... – Ela afasta-se dele e o observa. — Pelo o visto eu fui o primeiro e serei o último homem da sua vida... Vamos parar com essa besteira. Emma case-se comigo. Emma o empurra com força. — Você é igual aos outros homens mesmo, como é fácil dispensar uma mulher. Ok, Ricardo Willian, eu aceito, você dispensa a otária da sua noiva e se casa comigo, e mais adiante você encontra outra, aí termina comigo para ficar com ela... Seu filho da mãe... Em nenhum momento você pensou nos sentimentos do seu bichinho de estimação? Vá se lascar Ricardo. Emma desce de onde estava sentada, já ia saindo de perto de Ricardo, quando ele a puxa pelo braço.


— Você é maluca, só pode ser. Pietra sabe que não a amo, eu sempre fui sincero com ela. Pietra sabe que amo outra mulher. Ricardo olha para Emma, com mágoa. — Ela me aceitou assim, desde que nos conhecemos ela sempre soube que eu poderia ir embora. Fiquei noivo por causa dos pais dela, mas não prometi casamento. – Emma não consegue dizer nada. — Eu amo você, Emma, mas pode ficar tranquila, agora eu tenho certeza de que você é incapaz de amar alguém, você é tão egoísta, só consegue enxergar os seus próprios sentimentos... – Ele a empurra soltando-a. — A partir de agora, eu vou dar uma chance para Pietra, pois você... Você morreu para mim, aqui e agora. – Ricardo olha de cima abaixo para Emma e fala com frieza. — Acabou Emma, você não merece o meu amor, adeus. Ricardo sai sem olhar para trás, nem percebe que Emma cai ao chão chorando compulsivamente, abraça o corpo e fica ali, chorando sua amargura. E o pior de tudo... Emma teve a oportunidade de revelar a Ricardo sobre o seu filho Dylan, o menino já está com quatro anos, e mais uma vez ela desperdiçou este momento.


Capítulo Um “Há sempre a escolha entre voltar atrás para a segurança ou seguir em frente para o crescimento. O crescimento deve ser escolhido uma, duas, três e infinitas vezes; o medo deve ser superado uma, duas, três e infinitas vezes.” (Abraham Maslow)

***

Cinco anos se passaram após o meu acidente, às vezes, ainda sinto o ardor do projétil em minha virilha... Lembro-me que no início senti um frio na espinha e uma dor latente, logo depois tudo ficou dormente, não sentia mais nada, nem a frieza do sangue molhando minhas costas. Kael, meu irmão, entrou no galpão para procurar o meu pai. Ele fez Angel e Daimon Walker de reféns, um dos capangas do meu pai tentou fugir, fui atrás, logo começamos a trocar tiros. Não sei como ele me acertou, quando percebi já estava ao chão, tentei me levantar, mas não consegui minhas pernas não me obedeciam. Ainda bem que consegui liquidar com o desgraçado do Jordan, ele estava a alguns centímetros de mim. Fiquei lá no chão, inerte, sentindo minha vida se esvair junto com o meu sangue. É engraçado, já tinham me dito que quando estamos perto de morrer a nossa vida passa diante de nós, como um filme, e foi isso que aconteceu comigo. Lembrei-me de tudo. Do infeliz do meu pai... Minha maravilhosa mãe e o meu querido irmão... Caralho, eu o odiei tanto, só agora entendi que ele não passou de uma vítima do meu pai. Kael, sempre foi perseguido e arrastado para o mundo da maldade. Eu tive mais sorte, minha mãe me protegeu de Jonas Willian, mas o Kael não teve tanta sorte assim. E a Emma, Deus! Emma Lancaster... Linda, cheia de alegria, turrona, geniosa, teimosa e sem papas na língua, eu me apaixonei por ela sem perceber. Por ela, eu faria qualquer coisa, mas ela nunca vai se deixar amar, e acredito que nunca vai conseguir amar alguém. Minha última tentativa foi na Grécia, no casamento de John com a Anabele, pensei que íamos nos acertar, eu estava disposto a tudo. Enganei-me, ela sempre distorce os fatos, realmente ela é uma mulher problemática. Após aquela noite, desisti de tentar qualquer aproximação. Segui meu caminho, mas... Eu não consegui tirá-la do meu coração. Hoje eu estou morando com Pietra, minha noiva, não tenho intenção alguma de me casar. Por isso, convidei-a para morar em minha casa, eu sei que ela me ama e aceita esta situação por amor a mim. Mas nunca a enganei, Pietra sabe que não a amo, e nunca vou amar outra


mulher. Ela sabe que sou apaixonado por outra, só não sabe quem é a outra. Existe também outro motivo pelo qual não quero envolvimento infinito com Pietra... Eu jamais poderei lhe dar um filho, sei que ela quer isso, o pai dela quer isso; porém, isso está distante do meu futuro. Esses cinco anos me fizeram mais frio, mais calculista, sou um homem de negócio, praticamente vivo para trabalhar, a minha felicidade está em meu afilhado Kael; quando quero recarregar minhas baterias, corro para Miami e fico com ele, o menino é a cópia do meu irmão quando era criança. É com Kael que exerço o meu papel de pai. E por falar em trabalhar hoje, vim parar em uma cidadezinha chamada Suzano. Tenho negócios com um dos empreendedores em materiais reciclados. Mas a merda da cidade não tem placas com os nomes das ruas e quando tem, a numeração está errada. A cidade é bonita, cercada de vegetação e palmeiras reais, é pequena, mas muito agradável. Eu consegui encontrar dois cinemas e um teatro, vários barzinhos e restaurantes, um enorme parque cercado por um lago, dois supermercados e uma linda Floricultura com um nome muito sugestivo: Primavera. Como não consegui encontrar o tal endereço, resolvi descer do carro e sair à procura, o sol estava de rachar a cabeça, e para completar meu desespero, estava de terno e gravata. Tirei o paletó e joguei dentro do carro, dobrei as mangas da camisa até meus cotovelos. Nossa! Andei alguns passos e as gotas de suor já desciam por minha testa. Olhei de um lado a outro, alguém naquela bendita cidade saberia me dizer onde encontrar o tal endereço. Olhei então para floricultura. Com certeza, eles saberiam me explicar onde achar a tal empresa. Atravessei a rua correndo, olhei através da porta de vidro, mas não vi ninguém, resolvi entrar, o sininho da porta avisou que a mesma foi aberta. — Oi! Por favor, alguém pode me ajudar. – Minha voz soa um pouco alta, mesmo assim ninguém responde então eu ouço um barulho... — Rum... Rum... Bibi, bibi... Ruum. – Curioso vou até o local. Encontro uma sala tipo uma brinquedoteca e um menino sentado ao chão brincando com um carrinho; ele aparenta ser um pouco mais velho que o Kael. Loirinho e com lindos olhos cor de mel, ele me lembrava de alguém. Fiquei parado, observando-o. O menino ergue a cabeça e abre um lindo sorriso. Meu coração foi a boca, eu não sei explicar o porquê, mas fiquei com uma vontade louca de pegá-lo em meus braços e o apertar com força. O pequeno lourinho lê os meus pensamentos e me surpreende. Ele levanta-se numa rapidez, corre em minha direção e me abraça as pernas. Ele fica ali, preso em minhas pernas, depois olha para cima e diz: — Você que “bincar”? – Ele pega em minha mão e puxa para o tapete colorido, hipnotizado eu me deixo ser levado. — “Shenta” tio, “eshe” cainho é seu o “vemelo” e o “peto” é meu, “ceto”?


Aquele riso espontâneo lembrava o meu há cinco anos. Rendo-me. — Certo! Vamos apostar corrida, ok? – Ele fica todo feliz. — “Ceto”, mas eu “shaio pimelo”... Ruuumm... Bibi ruuumm. – Ele se entusiasma, aperta o botãozinho do carrinho e o mesmo saí disparado; eu faço o mesmo, mas o carrinho dele vence. — “Eeuu danhei”! “Supa” viu “danhei” de você, tio. – Ele joga-se para trás caindo no tapete e rindo alegremente. — Certo, amiguinho, você ganhou! Agora me diga qual é o nome do ganhador e onde está a sua mamãe? – Ele senta-se e me olha sério. — Meu nome é Dylan, e minha mamãe foi fazer o meu almoço, você quer “compar foles”? É pala sua “mamolada”? – Ele pergunta com curiosidade. — Não, Dylan, eu não vim comprar flores, só quero uma informação. – Então, ouço uma voz muito familiar chamando por Dylan. — Dylan! Filho. Mamãe fez macarrão, vem meu amor... Dylan! – A linda loira aparece bem na minha frente, e eu fico completamente aturdido. Emma, quando me vê, fica pálida e todo o almoço do Dylan vai ao chão, ela fica igual a um poste, completamente inerte. Eu mesmo não conseguia dizer uma palavra. Emma se recupera do susto, conseguindo balbuciar algumas palavras. — Ri-Ricardo o que faz aqui, como me encontrou? – Eu não consegui acreditar, Ricardo Willian estava ali, em minha loja e o pior estava ao lado do Dylan, e pelo visto eles se tornaram íntimos. — Olá Emma, como vai? – Que inferno, com tantas lojas na cidade eu tinha que entrar justamente na loja da Emma... Olho para ela e para o menino, bem que o achei parecido com alguém. — Eu vou bem, Ricardo, você não respondeu a minha pergunta. Como me encontrou? – Eu não consigo crer... Será que o Ricardo colocou detetives na minha cola. Não! Deus será que ele descobriu sobre o Dylan. — Emma, o mundo não gira a sua volta, eu não estava lhe procurando, entrei aqui por acaso, só para pedir uma informação. – Eu falo com certo sarcasmo, e, pelo visto, Emma não mudou muito. — Dylan, vem cá meu amor. Mamãe derramou todo o seu almoço, vá lá dentro e peça para a vovó fazer outro pratinho para você. – Eu preciso afastar o Dylan do Ricardo antes que ele junte as coisas.


— Ah, mamãe, eu não “quelo”, por favor, mamãe, “dessa” eu ficar aqui com o tio... – Meu filho é teimoso igual a mim, mais que merda. — Não, filho, você precisa comer no horário certo; vá depois você brinca... – Dylan empaca no lugar, cruza os braços fazendo bico, Ricardo não tira os olhos dele, meu corpo treme, o medo me apavora. — AGORA DYLAN! – Eu grito com força. Dylan abre o berreiro com o susto. Ricardo agacha-se e o pega no colo. Gelei. — Ei, campeão obedeça à mamãe, ela sabe o que é melhor para você, outro dia eu passo aqui e a gente brinca mais um pouco. – Dylan cerca o pescoço do Ricardo com os bracinhos, foi à gota d’agua; nesse momento minha mãe entra na floricultura. Ela fica em choque quando vê Ricardo com o Dylan no colo, olho para ela pedindo socorro. Mamãe corre e toma o Dylan dos braços do Ricardo. — Venha Dylan, vem para a vovó. – Dylan faz birra, mas graças a Deus, ele aceita o colo da minha mãe. – Eles somem da minha visão. Respiro aliviada. — Qual é a informação que você estava procurando? – Pergunto rispidamente, tentando me livrar do Ricardo o mais depressa possível. Ricardo me mostra o endereço e eu lhe explico como chegar ao local, ele vira-se para ir embora, meu coração vai voltando ao normal, mas quando ele chega à porta, vira-se pelos calcanhares e vem até mim em dois passos. — Quantos anos o Dylan tem Emma? – Eu começo a tremer. Jesus é agora. — Por acaso a Angel sabia sobre o seu filho? Vamos Emma, responda-me. Minha voz some, engulo o bolo que se formou em minha garganta e respondo. — Cinco, o Dylan tem cinco anos. e a Angel não sabe sobre o Dylan, eu não quis contar a ninguém. – Deus me ajude, mande-o embora. Ricardo me olha desconfiado, segura em meus braços com força sacudindo-me energicamente. — Emma quem é o pai desta criança? – Vejo ódio nos olhos do Ricardo. — Pelos os meus cálculos, feitos rapidamente ele tem o mesmo tempo da nossa separação. – Não consigo encará-lo, mas eu precisava, lanço um olhar furioso e quase gritando eu lhe digo. — Solte-me Ricardo, ele não é seu filho, o Dylan nasceu prematuro. – Jesus, eu menti descaradamente. — Eu me envolvi com um rapaz logo quando cheguei aqui, engravidei e o cara foi embora, fiquei com vergonha, não quis que ninguém soubesse, escondi o Dylan de todos. E não me olhe com cara de pena, eu errei, mas o Dylan é a melhor coisa que tenho na vida, eu morreria se o perdesse. — Onde está o cara Emma? – Eu pergunto furioso, não consigo acreditar que um homem possa abandonar um filho, esse homem ia se vê comigo, eu o traria a força para conhecer e assumir o filho. — Qual o nome dele, me diga Emma, trago esse irresponsável em dois tempos, onde ele anda Emma?


— Ficou louco, ele não quis o filho, me pediu para aborta-lo, você acha que eu quero um homem deste ao lado do meu filho. Esqueça isso Ricardo, o meu filho não é problema seu, eu não sou problema seu, volte para o seu mundo e nos esqueça. Ricardo precisava ir embora, pois minhas lágrimas já estavam para sair. — Como sempre o seu orgulho é maior que o seu amor por qualquer coisa em sua vida. E o seu filho Emma, e o direito dele de ter um pai ou pelo menos saber quem é, não pensa nele? – Ela não mudou mesmo, fico com pena do menino, ele não merece a mãe que tem. — O Dylan não é as-sun-to seu! Deixe que me preocupo com isso quando chegar a hora. – Que raiva do Ricardo, como ele ousa a falar assim comigo! — Passe bem, Ricardo... Guarde as suas preocupações para quando tiver o seu próprio filho. – Digo cuspindo ódio. Aquelas palavras foram diretas em meu coração, filha da puta, se ela soubesse que não posso ter filhos, ela engoliria cada letra da frase que me disse. Engulo o meu orgulho e minha raiva, viro-me e caminho direto para porta. Então ouço uma vozinha me chamando. — Tio, tio... “espela”. – Dylan corre em minha direção, eu agacho e o pego nos braços. — Tio, fique com o “cainho" “vemelo”, é um “plesente”, assim você “lembla” de mim. – Ele envolve o meu pescoço com os bracinhos e me abraça apertado; foi amor à primeira vista, meu coração se encheu de felicidade, eu não queria mais soltá-lo. — Você volta “pla” me ver um dia? Eu o olho nos olhos e lhe dou um sorriso. — Eu prometo campeão, volto sim. – Eu o coloco ao chão e ele me segura às pernas novamente, abraçando-as. Emma aproxima-se e o segura aos braços. Pego o carrinho e o coloco no bolso da calça, abro a porta e saio, viro-me e o vejo através do vidro da porta, ele me dá adeus com a pequena mãozinha, um nó se formou em minha garganta, retribuo o adeus e sigo para o meu carro. Não sei explicar, mas a sensação que ficou em mim foi de dor e saudade, como se estivesse deixando o meu coração ali.


Capítulo Dois “Uma nova vida começa para nós a cada segundo. Avancemos com alegria para encontrá-la. Devemos seguir em frente, querendo ou não, e andaremos melhor com os olhos voltados para frente do que olhando para trás.” (Jerome K. Jerome)

***

Quando me viro, minha mãe está de pé me avaliando, eu já sabia que ia ouvir um sermão. Coloco Dylan no chão, e ele corre para brincar. Mamãe espera Dylan sumir, e despeja tudo que está engasgado em sua garganta. — Emma, – ela começa — minha filha, quando você vai aprender a ler nas entrelinhas. Por Deus, Emma! Pare de ser cabeça-dura. – Olho para ela impaciente dou de ombros, passo por ela sem lhe dizer nada. Quando chego ao balcão, tento acabar com o sermão. — O Dylan nunca precisou de um pai. Estamos muito bem. – Minha mãe me interrompe. — Pare, pare Emma, responda-me, quantas vezes Deus lhe deu a chance de limpar a cagada que você fez. Talvez, hoje tenha sido a sua última chance e você desperdiçou. – Olho para ela descrente. – Calma, eu já vou terminar, uma última frase e a guarde muito bem, um dia você vai perceber que eu tinha razão. “Apendemos pelo amor ou pela dor, Emma” você está escolhendo o pior caminho, minha filha, nós temos o livre-arbítrio, mas precisamos usá-lo com sabedoria. Ela vira-se saindo da loja, deixando-me sozinha... Eu estava tão bem, nem me lembrava do Ricardo. Quer dizer, evitava qualquer notícia sobre ele, o que era quase difícil, ele vivia na mídia, ele e a sua “noiva”. Mas a lembrança era menos dolorida do que vê-lo tão perto, sentir o seu cheiro... — Mais que merda! – Eu xingo alto. Por que o Ricardo tinha que surgir em minha vida novamente. Droga, droga... Resolvi ver como Dylan estava. Chego quieta na sala de brinquedos. Ele está brincando com o seu carrinho preferido. Dylan é uma criança maravilhosa, inteligente e muito comunicativa. Quando nasceu, fiquei apavorada, mamãe estava em uma depressão terrível e não tive muito opção a não ser aprender a cuidar do Dylan sozinha, foi uma gravidez problemática e muito difícil, por duas vezes quase o perdi.


Fiquei por quase um mês de repouso, deitada com as pernas para cima, muitas vezes peguei o celular na tentativa de ligar para o Ricardo, mas o meu medo tangia essa ideia longe. Quando Dylan nasceu, foi pior, pois meu parto foi cesáreo e não tive resguardo, precisei trabalhar cuidar dele e da mamãe ao mesmo tempo. Após algum tempo mamãe foi se recuperando, acho que foi o nascimento do Dylan que a fez voltar para vida, só daí em diante minha vida melhorou, ela passou a cuidar do Dylan enquanto eu ficava na floricultura. Ultimamente ando preocupada com ele, pois ele se cansa rápido, e fica resfriado com qualquer ventinho. Já fizemos vários exames, mas nada foi diagnosticado, os médicos dizem que é do organismo dele, ele está crescendo e os seus anticorpos estão se desenvolvendo. Espero mesmo que seja isso, morro de medo que o Dylan fique doente, apesar de termos uma assistência médica, mas ela não é tão boa assim, e ao contrário do que eu disse para a Angel, a floricultura só é o suficiente para vivermos modestamente. O sininho da porta soa olho e vejo o Otávio vindo cheio de sorrisos em minha direção. Otávio tornou-se um grande amigo desde que cheguei aqui em Suzano; por ele, nós seríamos mais do que amigos, mas preferi manter só a amizade, não tenho condições de abrir meu coração para ninguém. Mamãe vive me empurrando para ele, diz que ele arrasta uma carreta por mim, concordo com ela... Não nego, ele é lindo de matar, às vezes fico com um tesão dos infernos quando fica me atiçando, mas nunca avançamos o sinal, só uns beijinhos e uns amassos, nada além disso. Ele me olha e seus olhos sorriem para mim. — Como está à mulher mais linda da cidade de Suzano! – Ele ri, olhando-me dos pés à cabeça. — Cadê o meu filho? – Otávio refere-se ao Dylan. Foi o Otávio que me acompanhou em meu pré-natal, inclusive foi ele quem assistiu ao parto e me ajudou durante os três meses de vida do Dylan, ficando comigo aqui em casa. É justo ele se sentir um pouco pai do Dylan. — Papa, papa... Olha o que eu fiz. – Assim que o Dylan escuta a voz do Otávio, sai a toda velocidade da sala de brinquedos e se joga em seus braços, mostrando o desenho que fez. — Nossa meu filho! É o desenho mais lindo que já vi, vamos colocar na nossa galeria, quem sabe um dia possamos ficar ricos com suas obras. – Otávio caminha em direção à sala de brinquedos com Dylan nos braços. — Vem mamãe! – Otávio me chama, eu o sigo. A sala de brinquedos foi ideia do Otávio, ele organizou tudo, comprou os brinquedos, os móveis, os livros e fez um cantinho especial para pendurar as pinturas do Dylan, Otávio guarda


desde a primeira –uns rabiscos feitos de giz de cera. Otávio realmente comporta-se como o pai do Dylan, leva-o à escola, vai buscá-lo quando não posso ir, participa das reuniões escolares, vamos juntos ao pediatra; algumas pessoas realmente acham que o Otávio é o pai dele, e ele fica todo cheio de orgulho. No início, ele quis registrar o Dylan como o seu filho, mas não achei justo e consegui convencê-lo a desistir da ideia, porém, às vezes, ele toca nesse assunto, e me finjo de desentendida. — Pronto, mais uma obra de arte. – Otávio olha admirado para a pintura do Dylan pendurada na parede. — O que acha querida, não é perfeita? – Ele tem essa mania de me chamar de querida. — Sim, é muito linda a pintura do meu filho. – Agacho-me e belisco as bochechas do Dylan. — Aí, mamãe, isso dói, você sabe que isso me “iinta”. – Dylan detesta quando alguém puxa as suas bochechas. — Papa, você me leva pra mimi, eu “tô” cansado. – Ele esfrega os olhos e encosta a cabecinha no ombro do Otávio. — Levo sim, meu amor. – Otávio confirma o pedido dele, mas me olha preocupado. Alguém chega à loja, eu os deixo sozinhos e vou atender. Otávio leva Dylan para o quarto. Dez minutos depois Otávio volta, e sua preocupação está estampada em sua face. — Querida, isso não está certo, o Dylan está se cansando muito rápido, ele brinca um pouco e já fica com vontade de dormir. Ontem, quando fui buscá-lo na escola, a professora me disse que ele praticamente desmaiou de cansado em cima da mesinha da sala de aula. — Eu sei. E você acha que não estou preocupada!? – Saio de trás do balcão e vou até os vasos de rosas brancas. — Você se lembra do que o pediatra dele disse. – Desço os braços ao lado do meu corpo em forma de impaciência. — Sinceramente, não sei mais o que fazer. Às vezes tenho vontade de trocar de médico, mas o Dylan adora o doutor Cesar. — Emma! – Otávio aproxima-se e me puxa pelos ombros fazendo-me olhá-lo. — Uma segunda opinião sempre é bem-vinda. Afasto-me dele, sei que ele tem razão e estava já apelando para a segunda opinião médica. Se o Dylan continuar assim, não me resta alternativa. Otávio fica por trás de mim, segura em meus ombros e beija o topo da minha cabeça. Aquilo não foi uma boa ideia, a lembrança do Ricardo veio a minha mente e senti algo estranho, não sei explicar, mas não gostei do que senti. Afinal, quem o Ricardo pensa que é. Mais que inferno. Eu não vou deixar esse homem invadir o meu espaço novamente, dominar o meu corpo e minha mente, ele está vivendo a vida dele com a sua “Pietra” transando quando quer e bem entende, e eu aqui num jejum miserável. – Viro-me para o Otávio.


Ficamos os dois um olhando para o outro. Oh, homem lindo! Aqueles olhos de gato me matam e aquela boca pedindo para ser beijada molha minha calcinha. Sinto Otávio inclinar a cabeça levemente, os olhos dele nem piscam e fixam-se aos meus. Sinto o calor do seu hálito... Cacete, o homem vai me beijar, pensei. Ele encosta a boca na minha raspando suavemente a ponta da língua em meus lábios. Oh! Meu Deus! É muita boca para se dispensar assim. Fiquei parada igual a um poste, deixei o Otávio fazer o serviço. Cristo, que linguinha safada. Fiquei imaginando aquela língua em todo o meu corpo. Eu lá sonhando e ele brincando com minha boca. Otávio percebeu que abri a guarda e se aproveitou, segurou em meu queixo com uma das mãos e circulou minha cintura com o braço me puxando para si, ele invadiu minha boca com sua suculenta língua, esfregando suavemente seus lábios aos meus. Jesus! Ele já havia me beijado antes, mas não assim. Entrego-me abrindo mais os meus lábios e o deixo explorar a minha boca com sua magnifica língua. Otávio prendeu-me com força em seus braços e eu senti o quanto ele estava excitado. Ouvi um gemido abafado em minha boca, ele soltou o meu queixo e escorregou a mão por meu pescoço até encontrar minha nuca, senti os seus dedos firmarem no aperto e ele estremeceu. Ele murmura sem deixar a minha boca. — Eu quero você, como eu quero você. Por Deus, querida. – Eu lhe entrego a minha língua e ele aceita sugando-a com força. Otávio pressiona os dedos com força em minha nuca, morde meus lábios, meu queixo, desce para o pescoço e volta para minha boca. Deus meu, ele estava muito duro, o membro dele pulsava através da calça. — E-Emma, e-eu quero você... – Otávio falava entre beijos, mordidas e lambidas. Meu tesão estava na beira, mas me lembrei do Ricardo. Aí a merda desandou. Afastei-me do Otávio na hora. — Desculpa, Otávio, – falo ofegante — você sabe que eu não posso dar a você o que merece. – Corro para trás do balcão, tentando manter a distância entre nós dois. Otávio passa a mão pelos cabelos tentando se refazer do calor do momento. — Eu nunca lhe pedi nada Emma, ao contrário, eu só lhe ofereço, conheço você o suficiente e sei que não é propícia a relacionamentos. – Ele olha por cima das sobrancelhas piscando um olho. — Querida! Podemos tentar, nós podemos ir devagar, eu não tenho pressa, desde que você e o Dylan estejam comigo. Preciso me livrar do Ricardo. Lembro-me do que minha mãe me disse: “Deus nos dá oportunidade, não às desperdice”, talvez essa seja uma delas. Fico pensativa, então eu escuto um choro.


Otávio foi mais rápido que eu, correu em direção à minha casa e subiu as escadas apressadamente; fui atrás dele. — Hei amigão, o que há? – Otávio aproxima-se com cuidado, ascende à luz do abajur, sentando-se na cama do Dylan. — Vem cá, amigão, vem cá! – Otávio pega Dylan no colo, que choraminga. — Papa, tá dodói a “bebeça”... Dodói muito! – Dylan leva a mãozinha à cabecinha, mostrando onde dói, aquilo me matou, deu um nó em minha garganta. Otávio me olha, eu entendi a sua expressão facial. Com carinho, ele começa a massagear sua cabeça loira. —Papai vai ficar com o meu amigão até ele dormir novamente. – Otávio encosta-se à parede com meu filho ao colo, coloca o nariz nos cabelos loiros de Dylan e começa a cantarolar algo. Dylan segura no polegar de Otávio e começa a balançar o pezinho, resolvo deixar os dois sozinhos, desço as escadas e vou terminar de arrumar a floricultura. Quarenta minutos depois, Otávio encontra-se comigo na cozinha. Olho para ele com uma expressão divertida. Otávio estava todo amarrotado e os cabelos em desalinho. — Nossa! Você anotou a placa do caminhão que passou por cima de você? – Faço uma cara de espanto. — Foi um caminhãozinho chamado Dylan. – Diz. Percebo que Otávio quer me dizer algo. — O que foi Otávio? Desembucha logo, te conheço o suficiente para saber que sua língua está coçando para soltar o verbo. – Falo sem vírgulas. — Amanhã mesmo vou providenciar um pediatra para o Dylan, não é possível que seja uma virose novamente. – Ele aproxima-se e me segura pelos ombros. — Querida, sei que você não gosta que se metam entre você e o Dylan, mas não posso ficar quieto vendo o meu filho sofrer, corta o meu coração; portanto, não quero nem saber a sua opinião. Ele me solta, beija minha testa e se encaminha para porta de saída. Chamo por ele. — Otávio! Ele vira-se imediatamente. Corro em sua direção e me jogo em seus braços. O choque dos nossos corpos quase o desequilibra. — Nossa! Que foi isso... – Ele me olha fixamente, nem pisco, naquele momento, só queria um pouco de carinho masculino. — Cale a boca e me beija, homem. – Falo com toda a ousadia que encontro em mim. Otavio juntou sua boca à minha, no início foi um beijo tímido, mas aos poucos ele foi intensificando, nossas línguas se encontraram, senti o calor da carne macia. — Ohhumm. – Gemi em sua boca, Otávio foi andando comigo até o sofá, sentamo-nos ao mesmo tempo. Ele me colocou em seu colo e senti o seu membro pulsar em minha coxa.


— E-Emma, – ele diz, sem tirar sua boca da minha. — Se começar não tem volta, não me deixe louco e depois saia correndo, porque eu vou atrás de você e te pego a força. – Ele sorri.


Capítulo Três “Quando na vida, uma porta se fecha para nós, há sempre outra que nos abre. Em geral, porém, olhamos com tanto pesar e ressentimento para a porta fechada, que não nos apercebemos da outra que se abriu.” (O S Marden)

***

Não posso negar, fiquei com uma vontade de correr... Porém, a maciez da língua do Otávio acendeu um fogo que há muito tempo estava apagado, virei-me para ele cercando sua cintura com minhas pernas, minha humilde vagina entrou em contato com o seu grosso membro através da calça jeans. O bicho vibrou e minha sapeca fenda tremeu de alegria. Otávio segura-me por baixo da bunda, suspendendo assim minha saia. — Oh. – Gemi em sua boca, ele aproveita-se e suga minha língua em um golpe só. Seus dedos são ágeis e ele afasta com pressa minha calcinha para o lado. Minha calcinha estava encharcada, sinto um delicioso dedo circular o meu clitóris. — Humm, Otávio. – Falo ofegante. Seus dedos exploram minhas dobras empoeiradas e repletas de teias de aranhas... Isso mesmo, a última vez que ela foi usada foi na Grécia, depois disso nunca mais ela entrou em contato com um pênis, a não ser os meus vibradores. — Querida, eu quero muito você, preciso senti-la... Nossa Emma! Como você é quente. – Ele fala soltando beijos por todo o meu rosto. — Você nem imagina há quanto tempo espero por isso. – Sua boca morde o meu queixo e sua língua desce quente por meu pescoço. — Delícia! Ele lambe o meu pescoço, mordendo-o de leve. Começo a me esfregar em sua virilha, Otávio escorrega um dedo em minha fenda. — Querida, você está tão molhada pra mim! – Sua respiração acelera. Ele penetra-me outro dedo, e começa a entrar e sair dentro de mim. — Emma, Emma, você é tão apertada. — Para de falar Otávio, e me fode logo, eu não aguento mais este tormento. – Ele solta a minha boca e me olha fixamente. — Aqui? – Ele pergunta com certo espanto. — Tem certeza, que quer fazer amor aqui. Porra de amor, eu penso. Eu quero mesmo é ser fodida com força e fome... — Sim Otávio, me foda aqui e agora. – Falo e mordo com força seu lábio inferior. Não perco tempo desço minhas mãos e desafivelo o seu cinto, abrindo com pressa o zíper da sua calça, liberto o seu gigante membro. — Ca-ce-te Otávio! Você vai me arrombar com essa porra. – Falo admirada, mais que merda, eu só me deparo com pau grande. Ele ri, eu seguro aquele membro gigantesco na mão e começo a massageá-lo. Otávio fecha os olhos apertando-os e jogando a


cabeça para trás. Seguro no ombro dele com uma mão e ergo o meu quadril; com a outra mão, posiciono seu membro na entrada da minha fenda. Otávio me segura por baixo da bunda, levantando-me mais um pouco, assim consigo encaixar seu comprimento em minha abertura. Lentamente o seu membro escorrega para o meu interior. — Humm, O-Otávio, Jesus! Homem do céu, ai que gostoso. – Ele me ajuda a sentar em seu eixo, minha fenda devora todo o seu espesso pau. — Querida você é a sétima maravilha do meu mundo. – Ele começa a me subir e descer em seu membro, suspende-me depois senta-me de vez. Seguro em seus ombros, começo o vai e vem cada vez mais rápido retiro minhas pernas da sua cintura e dobro-as sentando-me nelas, essa posição melhoraram os meus movimentos. Otávio segura o meu queixo com uma das mãos, mantendo a outra em minha bunda, ele me rouba a boca, mordendo-a, sinto sua língua escorregar para dentro procurando a minha, elas se encontram e dançam eroticamente. — Hum, hum, Deus! – Eu estava perto do clímax, tanto tempo sem sentir um pau dentro de mim, como pude ficar sem isso, meu Deus. — Isso querida, dança gostoso, assim, humm. — Otávio silvou, senti o tremor dos seus músculos, ele me beija novamente, sua mão procura o botão do meu vestido, libertando assim os meus seios para o seu deleite, sinto seus dentes em meus mamilos, um por um são mordidos e sugados. Cacete, foi o limite para mim, Otávio começou a rebolar dentro do meu corpo enquanto sugava os meus mamilos. — Ahah! – Gritei. — Oh meu Deus! Humm. Chegamos ao clímax juntos... Os espasmos do Otávio foram abafados e intensos, seu corpo tremia em desespero, ele prendeu-me a ele e me segurou firme, enquanto o seu gozo jorrava dentro de mim. Cacete, o homem é gostoso, fiquei pensando o que ele poderia fazer com aquela boca linda. Ainda ofegante e preso a mim, nossas bocas se encontram em um beijo cúmplice. Ele me olha com certo desespero. — Querida, eu não usei proteção, hoje mesmo eu passo em uma farmácia e compro a pílula do dia seguinte e trago para você. – Ele fala envergonhado. — Não se preocupe eu estou protegida, não há perigo. – Percebo o alívio em seu olhar. Ele me beija novamente; com cuidado, ele me levanta do seu colo e me coloca ao seu lado, arruma a calça fechando o zíper. — Não foi assim que planejei nossa primeira vez. – Senti certo desapontamento no tom da sua voz. Beijo-lhe o ombro, encostando minha cabeça nele, e digo: — Haverá outras vezes, então você poderá me surpreender. – Ele vira-se em minha direção e me olha como se não estivesse acreditando no que estava ouvindo. — Eu escutei direito!? Você está me dizendo que teremos outras vezes? — Claro! Ou você pensa que sou mulher de sair dando umazinha só e depois descarto o


bofe. – Ele arregala os olhos surpreso com o que digo. Começo a rir alto. — Eu quero mais, senhor Otávio Mesquita Toledo. – Ele abre um lindo sorriso. — É o que penso. Ou seremos só ficantes? Senti insegurança em suas palavras. Também o que esperar de mim! Eu sou a mulher mais escorregadia que existe na face da Terra, fujo de relacionamentos como diabo foge da cruz. Ele só pode mesmo estar inseguro. Resolvo ser sincera. — Eu sei o que você quer de mim Otávio. Você quer um relacionamento sério, casamento, casa, filhos... – Trago o ar e solto lentamente. — Eu só te peço paciência, por enquanto podemos ser mais que amigos, eu quero tentar. – Ele passa o dorso da mão suavemente em meu rosto, aceito o carinho. — Eu gosto de você e acho que posso ir, além disso, só não me pressiona. Ok? — Ok! Só de estar ao seu lado, ser mais do que amigo já é uma grande conquista. – Ele beija minha testa. — E aí o que somos amigos ou namorados? Não consegui segurar meu riso. — Namorados está bom para você? – Eu pergunto com certa ironia. — Está ótimo, minha namorada linda. – Ele me agarra, puxando-me para seu peito e o beijo foi intenso e molhado. Então alguém do topo da escada grita. — Papa “bezou” a mamãe, papa “bezou” a mamãe, papa “mamolado” da mamãe. Otávio me solta virando-se para olhar o Dylan. — Seu menino danado, o senhor não estava dormindo? – Ele levanta-se e eu também e vamos em direção ao nosso menino levado. Antes de o Otávio chegar perto do Dylan, ele joga-se nos braços dele. Quase morro de susto, Otávio pega-o rápido. — Filho, nunca mais faça isso, você poderia se machucar. — Papa não dessa, papa é “fote potege” o Dylan. – Otávio abraça-o beijando seus cabelos. — Dylan não é dessa é deixa e não é “fote” é forte e protege. Repete para o papai. — Dei-xa, for-te, pro-te-ge, falei certo papa. – Ele pergunta para o Otávio. — Agora sim, agora você acertou meu filho lindo e amado. – Otavio beija-lhe o rosto rosado. — Papa tá “mamolando” a mamãe? – A curiosidade do Dylan aflora. — Sim, o papai do Dylan está na-mo-ran-do à mamãe do Dylan, você permite? Dylan abraça com força o Otávio. — Oba! Você vai molar aqui, igual o papai e a mamãe dos meus amiguinhos da escola? – Ele olha diretamente para mim e pergunta. — Ele vai, não vai mamãe, o papa vai ficar aqui “agola”? Otávio percebe o meu embaraço, e olha diretamente nos olhos do Dylan. — Filho, o papai


não vai mo-rar aqui a-go-ra, pois o papai é só o namorado da mamãe. Namorados não moram juntos, você entende isso? — Não! – Dylan segura o rosto do Otávio com as duas mãozinhas. — Por favor, papa mola aqui com a gente, vai. – Ele envolve o pescoço do Otávio com os bracinhos, abraçando-o. Eu interfiro na conversa. — Dylan, o papa não precisa morar aqui, ele não vai deixar de ser o seu papa por isso, prometo que uma vez ou outra ele dorme aqui com a gente, certo? Otávio me puxa para ele, Dylan passa o bracinho em volta do meu pescoço me abraçando também. — Bei-ja! – Ele ordena. Otávio me beija levemente. Dylan começa a rir. — Papa “domi oje” aqui? Mamãe disse que pode. – Dylan é fogo, quando encasqueta com uma coisa é fogo. — Filho, o papai não pode dormir hoje aqui, porque amanhã eu tenho uma reunião muito cedo e não trouxe roupa para trocar. Mas prometo que assim que der venho dormir com o Dylan. — Amanhã o papai vem dormir com você, meu amor. – Otávio me olha surpreso. — Pronto amanhã eu venho, assim está bom? Agora vamos subir e cama para o senhor fujão. — Papa vai contar uma história de corrida. – Os dois sobem o restante das escadas e desaparecem da minha visão, desço para arrumar a bagunça que eu e o Otávio fizemos. Estou distraída e nem vejo minha mãe, ela está parada na porta da cozinha me avaliando. — Cacete mãe, quer me matar de susto! – Ela sorri. — O que foi, por que o riso zombeteiro? – Pergunto já irritada. — Até que enfim você escutou os meus conselhos. Só espero que você não seja lenta. Agarra logo o Otávio antes que outra mais esperta que você o agarre. Esse homem está em extinção, sua maluca. Cai de boca. Aliás, cai de corpo inteiro. Ela fala isso e desaparecendo da minha frente, nem tive tempo de dizer qualquer coisa. Deixa-me ali, embasbacada com as suas palavras. Às vezes, minha mãe passava do limite, onde já se viu ela me dizer essas coisas. Balanço a cabeça e continuo arrumando a sala. Ouço risadas no andar de cima; pelo visto, o Dylan acordou com a corda toda, o Otávio vai ter trabalho para fazê-lo dormir. Termino de arrumar a sala e parto para loja, guardo as flores na estufa refrigerada, abaixo a porta de ferro trancando-a. Arrumo os vasos, varro todo o salão, fecho o caixa, apago as luzes. Pronto! Aproveito e vou direto para cozinha, Otávio merece um cafezinho quentinho e fresquinho,


ligo o aparelho de som cozinha bem baixinho, procuro uma música que tenha a cara do meu momento, então eu a encontro “Wanessa - Shine It On” aperto o play e começo a colocar o pó na cafeteira, enquanto a música se desenvolve começo a dançar, então chega à parte que eu mais gosto, meu entusiasmo aumenta, danço e canto ao mesmo tempo, traduzindo para o português: “Nós vamos juntos a noite toda, quero você esta noite. Você tem a luz mais brilhante, brilha em mim. Não deixe a música parar. Não deixe meu batimento cardíaco parar. Sua luz é tão quente, manda ver. Manda ver, manda ver, manda ver”. Empolgo-me, lembro-me da minha antiga cidade Florence e da minha amiga Angel, adorávamos esta música. Agito minha cabeça de um lado para outro, balançando os meus braços. Ouço aplausos. Viro-me, e lá estava Otávio me observando. Sinto-me boba e envergonhada, ele devia estar me achando uma doida. Começo a rir. — Se eu soubesse que você é uma ótima dançarina, já teria lhe convidado para dançar, uau! – Escondo meu rosto em minhas mãos. — Aceita meu convite para sexta à noite? Hum, que tal! – Fico surpresa com o convite. — E o Dylan? – Pergunto. — EU FICO COM ELE. – Minha mãe grita do seu quarto de costura. Cacete, ela não dá uma folga. Mas não nego, adorei a ideia, fazia tempo que não saia para dançar, posso dizer que fazia anos, o único lugar que vou atualmente é ao cinema, teatro, assistir filmes e peças infantis, e a lanchonete comer porcarias com o Dylan. Seria ótimo sair da rotina e cair na pista de dança, beber umas tequilas... Ai, Jesus, seria o máximo, penso. — Aceito! Irei adorar sair com você para dançar; afinal, só saímos para jantar e almoçar, nunca nos permitimos ir, além disso. Otávio vem até mim, envolve os seus braços quentes em minha cintura. — Olha para mim! – Não foi um pedido, foi uma ordem. Olho, sua boca devora a minha, nossa! Foi um senhor beijo. Ele me solta à boca e escorrega os lábios por meu rosto até chegar ao meu ouvido, então ele murmura. — Depois nós dois vamos fazer uma festa particular, mas do meu jeito. – Arrepiou. Cacete, fui intimida para ser fodida. Ele ri. — Humrum. – Foi à única palavra que disse, fiquei ruborizada. — Fiz café, quer? Ele aceitou. Ficamos conversando por alguns minutos, depois o levei até a porta de saída, despedimo-nos com um beijo e um até amanhã.


Capítulo Quatro “Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida – ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o! ” (Friedrich Nietzsche)

***

Voltei para Florence no mesmo dia após o meu encontro com a Emma, não tive condição alguma para me encontrar com o cliente, liguei para ele e remarquei para duas semanas depois. Com tantas cidades no estado, eu tinha justamente quer parar na mesma cidade que ela. Emma tem o dom de me desestruturar, fiquei completamente atordoado. Entro em meu escritório, sento-me colocando os pés na mesa, já era noite e não tinha pressa de chegar em casa, hoje seria a bendita festa beneficente dos pais da Pietra, não estava com nenhuma vontade de ir. Recosto-me na cadeira, levando minhas mãos à cabeça, fecho os meus olhos e Emma vem em meus pensamentos. Ela está muito mais bonita. Cristo! Eu tive que me segurar para não agarrá-la e lhe roubar um beijo, foi por um triz. Porém, todos os meus sentimentos que tangi para bem longe de mim, durante esses anos em relação a ela, voltaram com força total, bastou vê-la... Merda! E o seu filho... Dylan... Que menino adorável. Então me lembro do carrinho, coloco a minha mão no bolso da calça e o retiro. Fico observando o pequeno carrinho vermelho, inclino-me sobre a mesa de vidro, colocando o carrinho sobre ela, empunho força no pequeno brinquedo e o solto, ele sai correndo até perder a força, começo a rir ao me lembrar da alegria do menino por ter ganhado de mim, ele realmente se parecia muito com a Emma. Emma... Emma, por que Emma? Por que as coisas tiveram que ser assim entre nós dois? Hoje poderíamos estar casados e felizes, e o pequeno Dylan bem que poderia ser meu filho. Merda! Sou afastado dos meus pensamentos com o toque do meu celular. — Oi, Pietra. – Eu já sabia o motivo da ligação. — Já estou chegando. Você já está pronta? – Ela afirma que sim. — Ok, faça-me um favor, separe meu terno e já o deixe sobre a cama. – Despeço-me dizendo que em 15 minutos estarei em casa. Todos os anos os pais de Pietra davam uma festa beneficente na mansão na qual moravam. Nunca gostei de ir a estas festas, odeio hipocrisia, um monte de gente falsa, nenhuma delas se importa com a dor do outro, só querem status de cidadãos exemplares; sem falar que terei que ficar aturando as cobranças do senhor Stuart sobre o seu futuro neto. Hoje, se ele começar com


esta história, vai ouvir o que não quer. Levanto-me nada animado, apago as luzes do meu escritório seguindo para garagem, entro no carro e parto para casa; para relaxar, coloco uma música “Here Without You – 3 Doors Down”. Não consigo tirar o rostinho do Dylan da minha cabeça, foi amor à primeira vista, fiquei tão impressionado com o menino que me deu uma saudade enorme do Kael. Então, dou um comando de voz para o meu celular: “Ligar para Angel”. — Alô! – Angel atende. — Aconteceu algo, querido? – Ela me pergunta com voz de preocupação. — Ricardo! – Como é bom ouvir a voz dos que nos amam, depois que perdi meu irmão, Angel e Daimon têm sido minha família. — Quer dizer que não posso ligar para minha família quando me dá na telha? – Pergunto em descontração. — Estou com saudade de vocês, em particular de um menino loirinho chamado Kael. – Começo a sorrir, e ao longe já escuto o som da vozinha dele gritando o meu nome. “Tito, Tito...”. — Claro, meu querido, você pode ligar quando quiser e o horário que quiser. Espera aí, Ricardo. Para Kael, eu já vou passar o telefone para você. – Angel reclama com Kael; é sempre assim, toda vez que eu ligo, ele fica em uma euforia. — Ricardo, eu vou passar o telefone para o Kael antes que o Daimon dê uma bronca nele. — Tito, o senhor vem quando “pa” cá. Papai “compou” um cavalo e é só meu, a Bia ganhou um pônei, o senhor “pecisa” ver ele é “gandão”! Tito, eu tô com saudade, mamãe disse que no meu aniversário a gente vai fazer a festa aí na sua casa. É verdade? Tito! Ele me chama atenção. — Oi, meu amor, eu estava ouvindo, você não me deixa falar, parece um tagarela. Você já sabe montar a cavalo? — Não, mas o papai vai me ensinar. Tito é verdade minha festa de “niver” vai ser na sua casa? — Humrum. Será o maior festão. – Digo. Ouço gritos de alegria, e começo a rir com o entusiasmo dele. — Tito, eu posso levar meus amiguinhos da escola, é só “teis” os outros são “satos”. Mamãe já balançou a cabeça dizendo não, diz que posso Tito diz... — Você pode trazer quem quiser meu amor, a casa é sua e quem manda é você. – Então, escuto ele dizer baixinho: “Ele disse que eu posso viu”, eu acho que ele está falando com a Angel. — Meu amor, passe o telefone para a mamãe, eu amo você viu, beijo. – Ele responde o mesmo para mim e passa o telefone para Angel. Eu ouço Angel mandá-lo ficar quieto, ele não para de gritar. — Ricardo, assim não vale, eu educo e você estraga. O Kael está impossível. – Ela começa a me contar sobre as aventuras do meu afilhado, eu não consigo parar de rir.


— Angel falei sério, ele pode trazer quem ele quiser, a festa é dele e da Beatriz, a casa é grande e cabe todo mundo. Cadê o Daimon? — Está com a Beatriz; ela está um pouco doentinha, mas não é nada grave, não se preocupe. – Ela faz uma pausa. — Ricardo, algum problema? Quer me contar algo? Fico pensativo, fiquei na dúvida, conto ou não sobre o filho da Emma. — Está tudo bem, querida, só estava com saudade da minha família. Resolvi não contar nada; afinal, não tenho esse direito. Se alguém tem que falar é a própria Emma. Conheço a Angel, ela vai ficar muito triste quando souber que sua melhor amiga não confiou nela a tal ponto de esconder uma gravidez. — Preciso desligar um beijo, diga ao Daimon que deixei um abraço, não me deixe sem notícias sobre a Bia. Certo? — Não se preocupe, mas ela está bem, beijos. – Angel desliga. O segurança abre o portão, entro com o carro. Quando entro em casa, Pietra já está com uma tromba maior do que a de um elefante. — Poxa, Ricardo, isso são horas? Você sabia do nosso compromisso. – Ela já vem despejando toda sua impaciência em cima de mim. — Papai já ligou umas cinco vezes. — Boa noite para você também Pietra. Como foi o seu dia? Por que o meu foi terrível, sabia? – Ela cala-se, e se aproxima me beijando a boca. — Desculpe-me amor. Eu fiquei nervosa, você sabe como o papai é. — Eu sei. – Digo já subindo as escadas. — A propósito, você está deslumbrante! – E ela estava mesmo, Pietra é linda. Uma morena de cabelos negros de deixar qualquer homem babando. Eu a conheci em um evento das minhas empresas em Nova Iorque, saímos algumas vezes e quando percebi, já estávamos envolvidos. Ela conseguia me fazer esquecer por alguns momentos a Emma; porém, quando ficava sozinho, não tinha jeito... Emma tomava conta da minha mente. Foi por isso que aceitei a insistência dos pais da Pietra para ficar noivo, achei que assumindo um compromisso o meu cérebro se acostumaria com a ideia, mas não deu certo, foi me encontrar com a Emma e acabou a blindagem. Depois do nosso último encontro, na Grécia, fiquei tão puto com ela que resolvi chamar a Pietra para morar comigo, só não sei se foi uma boa ideia, pois, às vezes, sinto-me um prisioneiro dentro da minha própria casa. Mesmo não estando casado de verdade, eu me vejo na obrigação de um casamento, só que não é o que eu quero. A Pietra não é a pessoa na qual eu gostaria de acordar todos os dias. — Amor, você já está pronto? – Escuto Pietra me chamando. — Papai acabou de ligar. — Já estou descendo. – Grito. Pego o paletó dirigindo-me as escadas. Chegamos à casa dos pais da Pietra 36 minutos depois. Fomos recebidos com reclamações e


indiretas da parte do senhor Stuart. Logo de cara, viro um copo de uísque, Pietra me olha com recriminação. Bem, eu precisava de algo para ajudar a descer as indiretas do pai dela. O jantar foi servido e começaram as puxações de saco, quase vomito de tão enjoado que fiquei. Pietra sabe que não gosto de chamar atenção, o meu nome já chama a atenção, imaginem minha pessoa. Stuart ficava me puxando para lá e para cá, exibindo-me aos seus mais novos amigos empresários, apresentando-me como o marido da Pietra, dando várias entrevistas ao meu lado e citando o assunto. Pronto, no dia seguinte seria o assunto das primeiras páginas dos jornais, já estava prevendo as notícias: “O megaempresário Ricardo Mendonça Willian casase às escondidas com Pietra Stuart, filha do dono das indústrias Stuart”. Pietra percebeu e me tirou das mãos do seu pai. — Desculpa amor! Meu pai se empolga. — Eu já estava quase indo embora. – Minha paciência estava nos meus pés, se a Pietra não tivesse chegado naquele momento, eu teria me mandado para casa. Ela me conduz para um canto mais tranquilo da mansão, sentamo-nos em uma poltrona, ela me serve um uísque e se serve de uma taça de champanhe. Estávamos bem, Pietra deita a cabeça em meu ombro e eu beijo carinhosamente a sua cabeça. — Rick, aconteceu alguma coisa? Você está tão nervoso, fiz algo que não lhe agradou? – Ela começa com as perguntas. — Não meu anjo, eu só estou cansado. – Engulo um longo gole de uísque. — Pietra, não quero me demorar, amanhã tenho uma reunião cedo, mas se você quiser ficar pode ficar ok! — Eu sou muito importante para você mesmo. – Ela levanta-se de repente. Pega outra taça de champanhe e a vira de vez. — Você está louco para se livrar de mim, não é Ricardo? — Mais que merda Pietra, do que você está falando? Eu só não quero ficar até tarde, aqui, o que disse demais? Que você pode ficar se quiser! Foi isso? É a casa dos seus pais, o que há de mal nisso? – Ela aceita outra taça de champanhe. — Filha, pare de beber! – Era o que me faltava no momento, o Stuart chegar. — Ricardo, como você permite isso. Desse jeito ela não vai engravidar nunca; se você não sabe, o álcool é prejudicial à mulher se ela quer engravidar. E eu quero um neto o mais rápido possível. Foi à gota d’água, levantei-me e em três passos aproximo-me do Stuart, e sem nenhuma delicadeza eu lhe cuspo as palavras que ele não gostaria de ouvir. — E quem lhe disse que eu quero filhos? – Ele me olha espantado. — Já disse a Pietra que não quero ter filhos, já tenho um herdeiro, não preciso de outro, sua filha sabe e sempre soube que não quero filhos. Então, senhor Stuart, pare de me encher os colhões com essa história de netos. Se a Pietra quiser filhos, ela terá que fazer com outro homem, não comigo. Dizendo isso, viro-me pelos calcanhares e saio espumando minha raiva, nem escuto a Pietra me chamando, entro em meu carro e quase a atropelo, freei bem em cima dela.


Saio do carro já gritando com ela. — Que porra Pietra, você quer morrer. – Eu seguro-a pelos braços e a agito com raiva. — Você não está satisfeita com a cena do seu pai, quer mais um escândalo. – Ela começa a chorar. Então, percebo a merda que eu estou fazendo. Estou magoando a pessoa que nunca deveria magoar. Eu a abraço com carinho, seguro em seu queixo e a beijo carinhosamente. — Perdoe-me! Levo-a para o carro, coloco o seu cinto, dou a volta, entro no carro e vamos embora. Minha noite terminou como o meu dia. Uma bagunça, uma tremenda bagunça. E como brinde, terminei maltratando a pessoa que mais me ama, sou um imbecil. Tudo isso por causa de Emma Lancaster. Bastou-me vê-la novamente e minhas estruturas foram abaixo. Merda, merda! Bato com força ao volante. Pietra me olha sem entender nada. Olhei para ela, não sei o que me deu, mas precisava extravasar minha fúria, encosto o carro, apago os faróis e a puxo para o meu colo. — Shhh, não diz nada, só me dá a sua boca. – Eu a beijei com força e fúria, mordi os seus lábios e a sua língua, no desespero de me livrar das suas roupas, rasguei o seu vestido depois sua calcinha, ela geme, não sei se de dor ou de prazer, Pietra desafivela meu cinto e desce o zíper da minha calça, meu pau pulsa com o toque das suas mãos, ela o põe para fora, suspendo-a e a coloco sentada em meu membro duro, ele escorrega para dentro da sua boceta. — Humm, isso é muito gostoso. – Digo lascivamente, inclino o meu banco e começo a estocá-la duramente, movendo-me dentro dela, arqueava meu quadril com força entrando e saindo. Pietra mordia o lábio inferior gemendo baixo, movendo-se em torno do meu pau, ficamos nesse vai e vem delirante até que os meus espasmos se juntaram aos dela, nosso clímax foi intenso, uma mistura frustrada de raiva e arrependimento. Eu me ergo e a beijo com paixão, volto o banco à posição inicial, e a coloco no seu lugar. Refiz-me, ajeitando minha calça. Ligo o carro e fomos para casa, sem nada dizer um ao outro.


Capítulo Cinco “Todos nós temos nossas máquinas do tempo. Algumas nos levam para trás, são chamadas de memórias. Outras nos levam para frente, são chamadas sonhos.” (Jeremy Irons)

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O caminho para casa foi silencioso, Pietra inclina o banco do carro virando a cabeça em direção à estrada, ela não disse nada, não me perguntou nada, não sei se gosto ou se me incomodo com o seu silêncio. Assim que chegamos, ela espera eu abrir a porta do carro para ela descer, faço isso. Entramos em casa, ela dá alguns passos em direção às escadas, e percebe que sigo em outra direção. Então, ela vira-se e me pergunta: — Você não vem deitar? Meus pensamentos estão longe. Paro diante da porta do gabinete respondendo com certa indiferença. — Não! Preciso ler alguns e-mails; amanhã tenho uma reunião muito cedo. Não precisa me esperar, pode dormir. Dizendo isso, entro no gabinete batendo a porta. Eu sei o que a Pietra quer, ela quer fazer sexo, eu a excitei, deixei-a louca, senti a sua necessidade, o seu cheiro de fêmea, mas minhas duas cabeças estavam direcionadas em outro lugar, em outra pessoa. “EMMA”, caralho de mulher, fiquei tanto tempo só com a vasta lembrança do seu sabor, e agora ela surge com força total, tomando conta de todos os meus poros. Aqui estou, sentado, diante do notebook, mas não consigo fazer nada. Como não consigo me concentrar, fecho o notebook afastando-o da minha visão. Inclino o corpo para trás colocando meus pés em cima da mesa, fecho os meus olhos, e em meus pensamentos surge a imagem de um garotinho loirinho, com um sorriso aberto e cheio de alegria, “Dylan” o filho de Emma... Que criança maravilhosa. Quando perguntei a Emma se o Dylan era o meu filho, torci para que ela dissesse sim. Fiquei decepcionado, como gostaria de ser o pai daquela criança, minha felicidade seria completa, estaria no céu com tamanho presente; por isso, fiquei fulo da vida quando Emma me disse que o pai do Dylan pediu para que ela o abortasse, juro que se encontrasse o desgraçado eu o obrigaria a assumir o seu filho. Lembrei que prometi ao Dylan que voltaria a procurá-lo, bem. Promessa é dívida.


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Sexta-feira chegou e com ela a promessa do Otávio de sairmos para dançar, estou eufórica, já faz muito tempo que não saio para dançar nem mesmo para um simples cinema; desde que cheguei a Suzano não sei o que é farra, meus passeios resumem-se em parquinhos de diversões, matinês e peças de teatros infantis. Não estou me queixando, adoro sair com o meu filho, porém preciso de um momento adulto. Estou tão distraída que nem ouço minha mãe chamando-me. — Emma! Emma, filha... Ei, chamando terráquea, alguém aí? – Olho para ela e lhe faço uma careta. — Calma senhora marciana. – Ambas começamos a rir alto. — Você já escolheu a roupa que irá vestir hoje à noite? — Mãe! Eu só vou a uma boate dançar, não precisa de nada exuberante. Minha mãe me olha com espanto. — Como assim! Mas é claro que precisa ser exuberante Emma! – Ela me chama a atenção. — Otávio lhe cerca por anos, ele te vence pelo cansaço e você não vai lhe dá o seu melhor? Qual é Emma, ao menos suas roupas de baixo precisam ser de tirar o fôlego. Fiquei boquiaberta. Minha mãe estava me saindo melhor que encomenda. — Mãe! – Digo quase enrubescida. — Falo sério dona Emma, esse homem merece uma bela surpresa, capriche. Ela vira-se e sai, deixando-me pensativa. Fiquei nervosa depois das palavras da minha mãe. E agora? Será que corresponderia às expectativas do Otávio? E se eu não for o que ele espera? Afinal, fizemos sexo sentados em um sofá; ai, meu Deus, ele está cheio de intenções, minha noite promete. Chamo minha mãe de volta. — Mãe! – Ela estende o corpo deixando só a cabeça fora. — Qual o problema? – Ela pergunta. — Toma conta da loja, preciso comprar lingeries novas, volto em duas horas. Minha mãe soltou uma gargalhada. — Já não era sem tempo, vai, vai e não tenha pressa em voltar. – Jogo meu avental no balcão e quando já estou perto da porta ela me chama. — Emma! – Espero ela me falar. — Compre umas bem pequenas e sexys. Saio rindo com os conselhos da minha mãe. Quando eu pensaria que escutaria estas coisas


de dona Mirela, ela mudou muito depois do nascimento do Dylan. Como tudo é muito perto em Suzano, vou a pé mesmo, o shopping é bem próximo da floricultura; logo na entrada caí de paixão em um vestido tubinho estampado, todo rebordado em paetês, comprei, nem precisei experimentá-lo, era todo em elastano, aderia perfeitamente ao corpo. Não precisava de sapatos, tinha um par novinho em casa, fui direto para a Paradise, a loja de lingeries. A vendedora me abordou. — Senhorita Emma! Em que posso ajudá-la? Abro um vasto sorriso e lhe digo: — Preciso de algo devasso... Bem escroto. – Ela começa a rir. — Então você veio ao lugar certo, chegaram uns conjuntos lindos. Ela sai por um momento, voltando em seguida com alguns embrulhos, joga-os no balcão e começa a me mostrar. Cacilda! Cada conjunto de calcinha e sutiã um mais lindo que o outro. Começo a minha busca por “AQUELE”, fiquei indecisa. Até que a vendedora some no interior da loja e volta com dois embrulhos. Puts! Quando ela abriu o saquinho e mostrou a peça pequena, gritei eufórica. — É esse! – A peça em questão é vermelha, toda em renda. O sutiã em bojo sem aquele miserável ferrinho, o desenho era forma de coração e as costas eram três tiras de renda em cada lado. O decote era todo rebordado com pequenos strass, a calcinha... Bem, aquele pedaço pequeno de renda não poderia ser chamado de calcinha. Era simplesmente enlouquecedora a renda transparente, e um fio dental com acabamento em um pequeno laço com dois pêndulos de cristal, em formato de lágrima. Comprei, nem quis olhar a outra peça. Às 20h. já estava pronta. Quando me olhei no espelho nem me reconheci, estava um arraso. Mamãe me grita avisando que Otávio chegou, pego minha bolsa e desço as escadas. Quando o Otávio me viu, ficou feito um bobo me olhando. — É você mesma? – Ri para ele. — Fiufiu! Caramba! Hoje não terei sossego. – Ele me envolve com os braços me puxando para um beijo. — Você também está um espetáculo. – Digo olhando-o de cima abaixo. Otavio vestia um terno preto com um corte perfeito, camisa azul marinho e uma gravata cinza. E o cheiro dele me deixou de calcinha molhada. Quando estávamos já na porta, escutamos uma vozinha correndo em nossa direção. — Vocês “equeceram águem” não? – Todo eufórico e com uma tromba enorme, Dylan corre e joga-se nos braços do Otávio.


— Filho! Eu pensei que já estava dormindo. – Digo. — Papa o senhor não vai levar eu? – Quase chorando, ele pergunta. — Filho, papai não se esqueceu de você. Para onde vamos, criança não pode ir. Mamãe e papai não demoram, é rapidinho, prometo que no final de semana levo você para passear, ok? — Eu “quelo” ir papa. – Ele começa a chorar, cercando os braços no pescoço do Otávio. Mamãe vem ao nosso socorro. — Desculpa gente! Ele escapou do meu quarto que nem vi. Vem, meu amor, vem para a vovó. – Mamãe o segura nos braços, mas Dylan prende-se no pescoço do Otávio. Com muito esforço conseguimos soltá-lo, ele fez malcriação, chorou, berrou, porém logo se acalmou. Fomos embora com o coração partido. Eu não sabia, mas Otávio primeiro me levou para jantar em um dos melhores restaurantes de Suzano. Na parte interna, paredes de pedras, detalhes em madeira, plantas e esculturas coexistem harmoniosamente, chegando a roubar, por vezes, a minha atenção da belíssima vista. O restaurante abraça o título de ambiente mais romântico da cidade, com maestria. Na varanda aberta, onde sentamos, a decoração fica mesmo por conta do encantador jardim, com vários chafarizes iluminados. O som ambiente, estilo longe, dá o toque que faltava para o clima ficar perfeito. Senti-me uma princesa sendo paparicada daquele jeito. Jantamos e fomos dançar. A boate já estava a todo vapor; quando vi a fila, assustei-me. Otávio aproximou a boca perto da minha orelha e me disse. — Somos VIP. – Eu ri da sua audácia. Club Sonhos é uma luxuosa boate instalada num edifício de estilo neoclássico. Conta com três ambientes e é considerada uma das melhores boates de Suzano por sua excelente música, que vai desde o house e electro house até a Black music e hip-hop. Fiquei encantada com o ambiente, Otávio escolheu uma mesa reservada, pedimos nossos drinks e após o quinto cosmopolita já estava pronta para encarar a pista de dança, começou a tocar “Rihanna – Where Have You Been”, nem precisa falar. Puxei Otávio e caí na pista. Otávio ficou boquiaberto com minha desenvoltura, até eu mesma fiquei espantada com o meu desempenho. Acabei-me, joguei todos os meus bichos para fora. Em certo momento, Otávio me puxa para si e começamos a dançar tão próximo, que senti a sua rigidez no meio das minhas costas. Aí não prestou, comecei a me esfregar literalmente nele, descia e subia o corpo rebolando. Otávio me prendeu firme, juntou sua boca em minha orelha e falou roucamente. — Eu quero você rebolando assim, em meu pau senhorita Emma. – Uii, molhou a calcinha da Emminha. Dei-lhe uma bundada, porém ele estava preparado, segurou-me pelos quadris, dobrando um pouco os joelhos; em seguida roçou sua rigidez em minha bunda. Dançamos mais umas três músicas, depois voltamos para a mesa, já estava muito excitada e ele também; na mesa mesmo começamos a nos beijar, Otávio começou a passear suas mãos em meu corpo, encontrou os meus seios e começou a massageá-los, uma de suas mãos desceu


até a junção das minhas coxas, passando por baixo do meu vestido, encontrando minha calcinha. Ele parou de me acariciar. — Vamos embora, ou farei uma loucura aqui mesmo. – Disse. Otávio foi até o bar pagar a conta. Quando voltou, pegou-me pela mão e saiu me puxando. Entramos no carro, cheios de tesão. Ele me puxou para um beijo avassalador, sua língua procurava a minha e quando a encontrou duelaram, foi uma briga de cachorro grande, elas foram mordidas, chupadas e saboreadas de todas as formas; nossas mãos exploraram nossos corpos enlouquecidamente, o paletó de Otávio despareceu como por milagre, os botões de sua camisa voaram e o seu cinto foi retirado como mágica. Gemidos sonoros desesperados eram retirados das nossas gargantas, minhas mãos encontraram o zíper da sua calça e libertei o seu magnífico membro, ali mesmo, dentro do carro, o abocanhei... Nossa! Gemi no comprimento do Otávio, suguei a cabeça do membro com prazer, o seu precioso mel já escorria da pequena abertura, lambi com vontade, depois engoli toda a sua rigidez. Otávio sibilou, agarrando os meus cabelos com força e forçando o vai e vem. Comecei a chupá-lo com força, brinquei com as suas bolas, e a estocar minha boca com precisão. — Querida, oh! Não vou durar, meu amor, você está me matando, humm. – O levo bem fundo e mordo seu membro com meus lábios, retiro e engulo fundo novamente, Otávio não resiste, aperta os meus cabelos com força, empurrado minha cabeça para sua virilha gozando com força, eu engulo todo o seu prazer, chupando com uma necessidade desenfreada. O corpo de Otávio treme e seus músculos ficam tensos, enquanto ele tenta voltar ao controle, continuo o chupando, até que os seus espasmos param. Ele ergue minha cabeça e beija-me com força e posse. — Louca! Aguarde-me quando chegarmos ao nosso destino, pois será minha vez de provar o seu mel. Ele diz, em seguida fecha o zíper da calça; volto para o banco e passo o cinto de segurança, ele também; e vamos embora. Otávio me levou a um dos hotéis mais bonitos de Suzano, o Plaza San Diego, ele já tinha reservado; então, foi só pegar o cartão chave e subir direto para o quarto. O quarto era bem amplo e aconchegante, uma antessala com um estofado muito confortável, uma mesa de vidro com duas cadeiras, uma enorme bancada cercada de espelhos, quatro vasos de flores, alguns quadros espalhados em diversos pontos na parede azul-céu. — Agora você é só minha. – Fui pega de surpresa, Otávio me cerca com os braços pela cintura roubando minha boca. Sem soltá-la ele diz. — Eu não via a hora de ficar sozinho com você. – Ele pega minha mão e leva para frente da sua calça. — Sinta como você me deixa. Duro como uma rocha, minha tentação. – Ele distribui beijos por todo o meu rosto. Suspende-me do chão, levando-me para o quarto. — Você é muito gostosa Emma, não sei como resisti a você por tanto tempo. – Otávio me aperta nos seus braços, mordendo os meus lábios e os puxando para si. Embrenho os meus dedos em seus cabelos, ora acariciava os fios macios ora eu os puxava. Quando chegamos próximo à cama, afasto-o e o empurro, ele cai sentado me olhando com


certo espanto, sem entender minha intenção. — Quieto aí gostosão, preparei algo muito especial para o senhor... – Ri lascivamente. Comecei a puxar o zíper do meu vestido lentamente, até o final. Retirei uma alça, depois a outra, fui baixando o vestido, meu sutiã vermelho de renda deslumbrante deu o ar da graça, Otávio nem piscava, só engolia a saliva. Deixei o vestido cair em poça sob os meus pés, Otávio ofegou rosnando baixo. — Caramba!! O que é que isso? – Ele lambeu os lábios, fiz sinal de silêncio com o dedo, me virei de costas colocando minhas mãos na direção do fecho do sutiã, abri-o, tirei uma alça, depois a outra, segurei o bojo virando-me para ele... Joguei o sutiã em seu rosto, deixando expostos os meus seios. Otávio fez menção de se levantar, mandei-o ficar onde estava. Virei novamente e balancei os meus quadris, minha bunda naquele fio dental ficou divina... — Puts, eu estou fodido! – Otávio fala. Desço uma tira da calcinha e vou retirando lentamente até chegar aos meus pés. Fiquei só de sapatos altos, e completamente nua, virei-me para ele, sorrindo. — Querida, você é muita massa para o meu rolo! Cristo! – Otávio me alcança em dois passos. Senta-me à cama, deita-me lentamente, fico só com as pernas fora do colchão. Otávio ajoelha-se entre minhas pernas sem tirar os olhos da minha vagina, sustento-me pelos cotovelos e fico lhe observando. Ele pega minhas pernas, coloca cada uma em seus ombros, puxa-me pelos joelhos, fico completamente esparramada diante da sua boca. Seus olhos brilham na luxúria, sua boca aproxima-se da minha vagina eu sinto o seu hálito quente em minha fenda, então ele me presenteia com o toque quente da sua língua em minhas dobras molhadas, Otávio delira quando começa a me lamber, seus dentes raspam em minhas carnes trêmulas, ele morde o botão pulsante, chupa-o eu ofego com desespero. — Oh Deus! Caralho. – Gemi. Otávio passeia sua língua em minha humilde vagina, lambendo-a e sugando-a com força, prendi minhas mãos em seus cabelos e empunhei força gozando loucamente, arqueei os meus quadris entrelaçando minhas pernas em seu pescoço foi uma gozada louca. Otávio me segura pela cintura arrastando-me até a cabeceira da cama, deitando-me aos travesseiros. Ele levantase e se livra das suas roupas rapidamente. — Cacete, Otávio, vai me matar com esse pau. – Eu disse assustada, sabia que ele era grande, pois da última vez que transamos percebi o tamanho do seu comprimento. Ele massageia o seu membro sorrindo para mim. — Ele é todo seu, querida, somente para seu uso. A propósito, como você faz o controle da natalidade. Nós dois somos saudáveis, não usarei preservativo, tudo bem? – Assenti. Ele caminha em minha direção engatinhando pelo colchão, deita-se sobre mim entre minhas pernas, beija minha boca com devassidão, logo depois se ajoelha sentando-se sobre as pernas. Segura o seu comprimento gigantesco e começa a passá-lo em minhas dobras molhadas. — Você é uma delícia, querida; caramba, é muita carne para uma boceta só.


Otávio penetra a cabeça do seu membro em minha fenda, ela escorrega, gemi alto. Ele sibilou. Otávio mantém só a cabeça do membro em minha entrada e começa a mexer os quadris. — Seu sacana, você quer me provocar, me fode logo. – Rosno, estava com um fogo do cão. Ele ri e continua empurrando e saindo, ele não tinha pressa. Minha sanidade foi para o chão. Arqueei os quadris tentando empurrar o seu comprimento dentro de mim, ele retirou o membro, quando já ia reclamar, ele vira-me de bruços, coloca dois travesseiros por baixo do meu abdômen. Minha bunda ficou erguida, Otávio me segura por baixo posicionando-se no meio das minhas pernas, ele escorrega o seu espesso membro em minha fenda escorregadia e pulsante, sua rigidez foi praticamente engolida por minha boceta. —Querida, que boceta quente... Cristo! – Ele começou a estocar lentamente, estocava e parava, estocava e parava, não suportei e comecei a rebolar em seu membro, Otávio não suportou os meus movimentos e começou a bombear com força e profundo. Ele inclinou-se sobre o meu corpo, alcançando os meus mamilos e os friccionou com os dedos. Segurando-me com firmeza, virou-me e ficamos de lado, coloquei uma perna por cima do seu quadril, e Otávio aproveitou e estocou forte, uma de suas mãos friccionava o meu mamilo e a outra o meu clitóris. — Gostosa, vamos querida, rebola, continua rebolando, humm... Cristo! – Otávio rosna. Seus músculos ficam tensos e os seus espasmos começam a tremer em minhas carnes, sua semente quente é jorrada, meu gozo não demora e grito de tesão. — O-Otávio oh, oh Deus! Humm. – Gozamos desesperadamente. Otávio amassa os meus seios colando-se ao meu corpo; levo o meu braço para parte de trás da sua cabeça, virando-me e procurando a sua boca, nos beijamos. Fomos tomar banho e nos amamos mais uma vez, voltamos para cama e adormecemos coladinhos. .


Capítulo Seis “Não há como parar o tempo, cristalizar o que nos enche de êxtase. Este êxtase um dia se transformará em algo que nos perfurará feito lâmina. Porque assim é: a terra gira em torno do sol e nós giramos em torno de nós mesmos, sem descanso.” (Martha Medeiros)

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Acordei com o meu celular tocando, Otávio levanta-se e me beija os lábios, e vai buscá-lo. Quando ele me entrega o famigerado, para de tocar. Mas eu já sabia quem era... Minha mãe. Otávio pergunta quem é. Digo-lhe a verdade, ele me olha com preocupação e diz. — Retorne à ligação Emma, conhecendo sua mãe como eu a conheço, ela não ligaria tão cedo para você se não fosse urgente. Ele tinha razão, mamãe não me incomodaria mesmo, a não ser que fosse algo muito sério. Pego o aparelho e ligo para ela. Dois toques e ela atende e pelo tom da sua voz algo aconteceu. — Emma desculpa por ligar tão cedo e atrapalhar o clima romântico... – Ela respira fundo, meu coração vai à boca. — Filha é o Dylan, ele não está nada bem... Nem espero ela terminar de completar a frase, levanto-me num pulo da cama, procuro minhas roupas e lhe digo rapidamente. — Já estamos a caminho mãe. – Desligo o aparelho. Otávio leu meus pensamentos, começou a se vestir. Fiquei com um nó na garganta, meu peito doeu, meus olhos começaram a lacrimejar. Otávio percebe, e me abraça com carinho. — Calma minha querida, não vamos sofrer por antecipação. – Ele me beija a testa. Saímos apressadamente, enquanto eu seguia para o carro, Otávio foi pagar o hotel. Chegamos em casa em 15 minutos, ainda era muito cedo, quase sete da manhã. Subi as escadas de dois em dois degraus, e Otávio atrás de mim. Mamãe estava no quarto do Dylan. Quando ela me viu abriu um sorriso de alívio, mas percebi uma grande ruga de preocupação em sua testa. Dylan estava dormindo. — Acho melhor levá-lo ao hospital, não consegui baixar sua febre, ele está com 39.5°. – Mamãe está quase chorando. Otávio nem esperou minha reação, pegou Dylan nos braços. — Vamos Emma, isso é sério, ele está quente como o inferno, e sua respiração está muito fraca.


Entrei no carro, Otávio me passou o Dylan, deu a volta no veículo e entrou nele. Partimos para o hospital. Ao chegarmos, Otávio segura Dylan aos braços, corremos para a emergência, assim que a enfermeira toca no Dylan, ela nos leva direto para o consultório pedindo-nos para aguardarmos, pois a médica logo viria. Uma mulher morena muito bonita entra na sala de cabeça baixa analisando uns papéis, ela nos dá bom dia e se senta. — Sou a doutora Simone o que o nosso amiguinho está sentindo? – Ela ergue a cabeça e olha direto para o Otávio, fica um tempo avaliando-o. Depois volta a olhar para mim. — Olá mãe, o garotão é o Dylan, certo? Assenti, e começo a explicar o que aconteceu... Ela levanta-se, pede para que o coloque na cama, assim faço, Simone começa a examiná-lo. Após uma longa avaliação, ela chama uma enfermeira. — Providencie esses exames e um quarto para o paciente. Quase morri quando ouvi isso. — Como assim... Ele vai ficar internado? É grave? – Otávio me envolve com os braços me pedindo calma. — Por favor, doutora Simone me tire desta aflição. – Suplico. A médica continua, retira o termômetro do Dylan e a sua cara não foi das melhores, ela me olha e diz. — Seu filho está com muita febre e cansado, a febre é o grito do organismo nos avisando que algo não anda bem. Ela olha para ficha médica do Dylan. — Emma, o seu nome é Emma? – Confirmo. — Vou colher o sangue e a urina, assim que sair o resultado dos exames, poderei lhe dizer o que aconteceu com o filho de vocês. Dylan acorda e começa a chorar, chamando por Otávio. — Papa, papa, eu “quelo e pa" casa... – Ele abre o berreiro. Otávio coloca-o nos braços, acalentando-o. — Shh, que isso filhão, papai está aqui, a gente já vai embora. – Aproximo-me e abraço os dois, beijando a cabeleira loira do Dylan. Simone não tira os olhos do Otávio, aquilo já estava me incomodando. Uma enfermeira entra para colher o sangue do Dylan, quando percebeu o que a moça ia fazer, agarrou o pescoço do Otávio. — Papa, ela vai me “fular”, não deixa não... Deixa não, papa. Comecei a consolá-lo. — Calma, meu amor, é só um beliscãozinho... Não vai doer não. – Dylan solta o pescoço do Otávio e segura o seu rosto com as duas mãozinhas, perguntando com uma vozinha de choro. — É “vedade” papa, não vai doer. – Quebrou meu coração, Otávio engole a saliva e responde. — Só vai doer um pouquinho meu amor, mas o papai vai segurar em sua mão e só vai soltar quando tudo terminar. E assim ele fez, colocou o Dylan em seu colo segurando sua mãozinha. Dylan escondeu o


rosto no peito do Otávio segurando firme na mão dele. Ele gritou quando a agulha entrou em seu braço. Virei o rosto, não tive coragem de ver furarem o meu filho. Quando tudo terminou, fomos levados para o quarto onde o Dylan iria ficar, a médica foi conosco. Dylan adormeceu. Otávio não saía de perto dele, eu me sentei na cama próximo a ele. Simone aproxima-se, olha fixamente para o Otávio e pergunta. — Desculpe-me, mas preciso lhe perguntar algo, você é o Otávio Toledo? – Ele lhe diz que sim. — Você não se lembra de mim, Simone Fernandes... Estudamos na mesma faculdade? A Mony, cabelos curtinhos, tatuagem de ursinho, lembra-se? Otávio abre um sorriso de orelha a orelha e vai a sua direção e a abraça. Não gostei daquele abraço, principalmente do jeito que ela se aconchegou ao peito dele. — Mony, caramba! Você mudou muito... – Ele faz uma pausa e a avalia de cima abaixo. — E para melhor, você está linda! Nossa senhora, quando ia imaginar de encontrar você aqui, nesse fim de mundo. – Ele a abraça novamente. Ela se afasta e responde. — Pois é... Eu me divorciei e resolvi mudar de ares, como o doutor Cesar vai se aposentar e nós somos grandes amigos, ele me convidou para assumir os seus pacientes, e aqui estou. Acho que me tornei invisível, pois os dois esqueceram-se por completo de mim, precisei marcar minha presença, limpei minha garganta e sorri para o Otávio, ele ficou meio sem graça. Porém, foi a Simone que se manifesta. — Ai, Jesus, sua esposa não deve está entendendo nada. – Ela ri sem jeito. — Ela não é minha esposa, quer dizer, nós não somos casados, somos namorados. – Ele tentou consertar, mas não adiantou... O estrago já estava feito. — Querida, a Simone e eu estudamos na mesma faculdade, em San Francisco, não nos víamos desde que nos formamos. – Otávio perdeu o chão, ele percebeu que não gostei da resposta dele. — Eu percebi... – Não queria mais prolongar a conversa, então mudei de assunto. — Doutora Simone, quando sai os resultados dos exames? Acho que ela percebeu que não gostei nada do seu rompante com o Otávio, ela tornou-se logo profissional. — Vou verificar agora mesmo Emma. – A médica vira-se e sai do quarto de cabeça baixa. Espero Simone desaparecer... Fixo os meus olhos no Otávio e lhe digo secamente. — Você é livre Otávio, não se preocupe. Não colocarei uma coleira em você, pode chamá-la para sair quando quiser, mate o seu tesão... Ele me olha com espanto. Percebi um sorriso cínico nos seus lábios, aproxima-se e segura em meus ombros e diz. — E você fica linda quando sente ciúmes.


Me solto das suas mãos. — Ciúmes... Eu! Vá se lascar Otávio. Você só faltou babar quando reconheceu a “MONY”. E quer saber... Cansei dessa conversa, já disse o que tinha a dizer, se quiser trepar com ela esteja à vontade. — Hei, hei... Que conversa é essa Emma! Você me respeite não me confunda com o escroto do seu ex. – Otávio me puxa pelo braço falando em tom baixo, mas com força em suas palavras. — Me solte! – Irrito-me com ele. — Confesse que você ficou balançado com a “MONY” porque ela ficou, não tirava os olhos de você... — Emma, para com isso, ela é uma amiga que há muito tempo não vejo, não tenho interesse algum nela, eu amo você. – Ele me puxa para ele e me aperta em seus braços. Eu o afasto com força. — Percebi como você me ama... – Falo com ironia. — Vocês homens, são todos iguais, basta ver outra mulher mais interessante e logo fazem a troca, mas não se preocupe, não vou atrapalhá-lo, como você deixou bem claro para “MONY”, não sou a sua esposa, sou apenas sua namorada. – Corro para o banheiro e me tranco lá. “O que eu estou fazendo comigo mesma...” Penso. Nesse momento, me vem à figura do Ricardo em minha mente. “Merda! Emma esqueça o Ricardo, ele faz parte do seu passado, e o que você fez não tem retorno, é melhor mantê-lo afastado antes que você o machuque muito mais. Seu presente e futuro estão aí fora, o Otávio vai lhe ajudar a esquecê-lo, vai sim...”. Tento convencer a mim mesma. Otávio bate levemente na porta me chamando, não respondo. — Emma não vou adular você, se quiser acreditar em mim, acredite. Só acho que relacionamento é uma via de mão dupla, eu confio em você, e espero o mesmo da sua parte. – Ele se cala. Fiquei alguns minutos trancada no banheiro até ouvir a voz da doutora Simone. Limpo meus olhos e saio. Ela estava conversando com o Otávio. Quando me vê, abre um sorriso tímido. — Vamos nos sentar aqui. – Ela indica a mesa. – Sento-me à mesa com ela, e Otávio no sofá. Ela começa a nos explicar. – Segundo os exames, Dylan está com um princípio de anemia. – Levo às mãos a boca. — Calma, Emma, não precisa se desesperar, o que o Dylan precisa agora é de uma alimentação rica em ferro e um reforço vitamínico, vou prescrever as vitaminas e a dieta dele. – Otávio pega minha mão e leva aos lábios beijando com carinho. Simone nos explica como proceder com a medicação e sua nova dieta, pede para marcar uma consulta para próxima semana no consultório dela, confirmo que farei isso. Nesse instante, uma enfermeira entra para medir a temperatura do Dylan, minutos depois ela nos diz que o Dylan está sem febre. Simone libera o Dylan, dizendo-nos como fazer caso a febre volte. Nosso menino ainda dormia. Otávio coloca-o com cuidado nos braços e vamos para casa.


Mamãe estava preocupada; na confusão, esqueci-me de ligar para acalmá-la, a coitada estava tão aflita que não parava quieta. Quando nos viu chegando, foi ao nosso encontro, quase me batendo. Chamou-me de filha desalmada. — Como você faz isso comigo, Emma, quase tive uma síncope. – Ela me diz, Otávio segue para o quarto com o Dylan nos braços. Sento-me no sofá, respiro fundo e tento acalmar minha mãe. — Mamãe desculpe-me, sei o quanto a senhora deve ter ficado preocupada, mas fiquei tão nervosa que me esqueci de tudo. — Pare de me enrolar e diga logo o que o meu neto tem. — Princípio de anemia. Agora vamos empurrar feijão, beterraba e fígado nesse menino. – Digo isso, já me deitando no sofá, nem percebi o quanto estava cansada. Mamãe começa a falar, dizendo que vai reforçar o feijão com abóbora e quiabo. Ela continua falando... Otávio chega. — O Dylan? – Pergunto. — Dormindo como um bebê. – Responde e se senta no sofá; pega minha cabeça e coloca em seu colo, começa a me fazer cafuné. Adormeci que nem senti. Sinto o meu corpo ser levantado, abro os olhos piscando várias vezes. — Shh, volte a dormir querida. Otávio leva-me nos braços para o meu quarto, deita-me sob o colchão macio, retira os meus sapatos, meu vestido, veste minha camisola, tira os seus sapatos, a camisa, a calça e se deita junto a mim, cobrindo-nos com o lençol. Eu me aconchego em seu peito, ele me envolve com seus braços, dando-me a segurança e o calor que necessito naquele momento. Adormecemos.


Capítulo Sete “É tão difícil falar, é tão difícil dizer coisas que não podem ser ditas, é tão silencioso. Como traduzir o profundo silêncio do encontro entre duas almas? É dificílimo contar: eles estavam se olhando fixamente, e assim ficaram por uns instantes. Eram um só ser. Esses momentos são o seu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isso de: estado agudo de felicidade. ” (Clarice Lispector)

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— Papa casou com a mamãe, papa casou com a mamãe! – Acordamos com Dylan em cima de nós, pulando no colchão eufórico. — Filho, você vai se machucar. – Otávio fala com toda a paciência. — Filhão, por favor, pare antes que se machuque. — Papa casou com a mamãe. – Ele joga-se nos braços do Otávio, fico sem ação, fechei os olhos. — “Agola” o papa vai mimi aqui todos os dias? Diz que vai, diz que vai papa. Ele estava impossível. — Dylan! Filho. – Chamo-lhe a atenção. — Você lembra que a mamãe disse que o Otávio poderia dormir aqui de vez em quando! Pois é, hoje foi o dia. – Ele ri e começa a beijar o Otávio e a mim. — “Agola” eu “quelo” “acoda” todos os dias com o meu papa aqui... Por favor, mamãe “dessa...” – Ele olha para o Otávio. — Por favor, mamãe dei-xa o papai dor-mi todos os dias aqui, acertei papa? — Acertou filhão! – Otávio fala todo orgulhoso, ele vive corrigindo o Dylan em sua forma de falar e conseguiu grande sucesso, o Dylan já está soletrando algumas palavras perfeitamente. — Dylan já disse, uma vez ou outra o Otávio vai dormir aqui, ok? – Enfatizo e encerro o assunto. — Ok. Posso mimi um pouquinho aqui com o papa e você? – Ele joga-se entre o Otávio e eu, colocando uma perna por cima de mim e a outra por cima do Otávio. — Só um pouquinho, está quase na hora de levantar. – Otávio lhe diz. Fingi que dormi, porém Otávio e Dylan adormeceram. Levantei, tomei um banho, vesti algo confortável e desci para a cozinha. Mamãe já tinha preparado o almoço e o cheiro estava bom demais. Resolvi não abrir a Floricultura; hoje, daria folga a mim para curtir o meu filho e ao meu namorado. Uma hora depois Otávio e o Dylan acordaram e já desceram de banhos tomados e


completamente arrumados... Bem... Otávio estava de calça social e com a camisa da noite anterior. Almoçamos e depois fomos até a casa do Otávio, ele precisava trocar a roupa, e surge vestido de bermuda e camisa polo. Fomos para o parque levar o Dylan, ele cismou que queria soltar pipa. Passamos o dia do sábado pajeando o Dylan. Quando voltamos para casa já era tarde, quase oito da noite. Dylan já dormia, assim que o Otávio o colocou a cama, ele acordou. Otávio aproveitou e deu um banho nele, logo após o colocou para dormir, ele não demorou a adormecer. Quanto a mim, estava morta de cansada, Otávio me olhou cheio de desejo e fomos para o banho juntos, fizemos sexo embaixo do chuveiro, foi muito bom, Otávio estava me saindo um excelente amante. Acordamos bem tarde e estranhamos que o Dylan não veio nos acordar. Tomamos banho e descemos a procura do Dylan. Ele estava na brinquedoteca, quando nos viu correu para nos abraçar. — Papa, mamãe, a vovó me disse que vocês saíram, ela é “mentilosa...” – Ele cruza os braços e faz bico. Otávio coloca-o no colo. — Humm, vamos brigar com a vovó porque mentiu para o meu Dylan. O domingo foi tranquilo, passamos a manhã em casa, depois fomos almoçar; à tarde, levamos Dylan para matinê, no cinema, e à noite saímos para jantar. Otávio esperou Dylan dormir para ir embora. Assim que ele adormeceu, Otávio despediu-se com um beijo erótico, dizendo-me que já estava cheio de tesão. Na manhã seguinte, eu estava atendendo a um cliente na floricultura quando Dylan entra todo eufórico, seguido por Otávio. — Mamãe, mamãe...! – Ele puxa minha saia. — Mamãe... MAMÃE! – Grita. — Filho, espere sua mamãe terminar. – Otávio chama a atenção do Dylan e some subindo as escadas. Agacho-me e falo para o Dylan pausadamente olhando em seus olhos. — Quantas vezes a mamãe já lhe disse para você esperar quando eu estiver ocupada... – Ele enche a bochecha de ar com impaciência. — Tá... Desculpa mamãe, mas tenho uma coisa mega super fantástica pra falar. Fiquei sem argumento, quando Dylan vem com essas duas palavras mágicas “mega super” é importante para ele. Sorri para o meu filho lindo e o coloquei nos braços, sentando-o no balcão da loja. — Ok! Rendo-me, o que é tão importante assim? – Pergunto, fazendo cara de surpresa.


Ele segura em meu queixo com as duas mãozinhas e fala cheio de entusiasmo. — Papa vai me levar pra vê o tiranossauro rex, no museu, ele é bem “gandão”, desse tamanhão. – Ele abre os bracinhos me mostrando o tamanho do dinossauro. — Gigante, mamãe, papa me disse que tem outros dinossauros, mas eu só “quelo” vê o meu Rex, não é mega super isso... Eu não consigo esconder minha risada. — É sim, filho, é mega super fantástico. Agora, diga pra mim, onde é esse museu? Pelo que sabemos aqui nós não temos museus... – Então ouço uma voz vinda do alto da escada dizendo o que eu não gostaria de ouvir. — Em Florence, o museu está apresentando em curta temporada os dinossauros em tamanho real. Iremos amanhã, a exposição acaba na quarta-feira. – Otávio cerca-me pela cintura, beijando o alto da minha cabeça. Quase tenho uma síncope... Florence é igual a Ricardo... Deu-me um frio na espinha. “Pare com isso, Emma. Ricardo tem mais o que fazer qual a chance de ele estar em um museu em plena semana... Nenhuma”. — Humm! Quer dizer que os dois homens da minha vida vão passear sem minha presença... – Encaro o Otávio e depois olho fixamente para Dylan, e digo em tom de brincadeira. — Olho nele, filho, não deixe nenhuma moça bonita se aproximar do seu papa. – Dylan solta uma gargalhada sonora. — Pode deixar mamãe, se uma moça olhar para o meu papa, digo logo assim... “Epa, moça, meu papa é da minha mamãe”. Certo? – Ele levanta a mãozinha para o alto para que eu possa bater. Eu bato e lhe respondo. — Certo! Otávio pega Dylan nos braços e o leva para cozinha. — Vamos lá, estraga prazer, vamos almoçar... Advinha qual será o almoço do meu filhão hoje? — “Pocariaaa!” – Dylan responde levantando os bracinhos. — Erroou! Feijão, arroz, salada de agrião com beterraba e fígado, e para acompanhar suco de cenoura com laranja. Oba! – Otávio diz. — Eca, que nojo! E a “soblemesa” é boa? – Consegui ouvir perguntar ao Otávio. Respondo de onde estou. — Pudim de chocolate. – Escuto o gritinho dele de felicidade. Ainda estava na floricultura quando sinto duas mãos passearem por minha bunda. Otávio suspende minha saia e vai se agachando, e junto vai descendo minha calcinha. Então, suspendo um pé, depois o outro e ela é retirada completamente. Otávio coloca-a no bolso da


calça. Ele vai subindo por minhas pernas deixando um rastro de beijos e lambidas até chegar a minha bunda, enterrando a boca bem no meio dela, ofeguei. Sinto seus dentes em minhas carnes, gemi baixo... Ofegante e cheia de tesão, pergunto. — O-Otávio, e o Dylan? — Dormindo com sua mãe. – Ele levanta-se e morde o lóbulo da minha orelha e me diz. — Não se mova, já volto. – Otávio foi até a porta e a tranca. Ele volta para onde estou, coloca uma mão em cada lado do balcão me cercando, começa a roçar a sua rigidez em mim; para facilitar, subo em um banquinho ficando na mesma altura que ele. Otávio morde o meu pescoço. — Minha delícia, que tesão eu sinto por você... – Ele abre o zíper da calça retirando seu comprimento, cacete! Minha fenda encharcou. Otávio espalha minhas pernas e inclina um pouco o meu corpo, eu sinto sua rigidez me penetrar, ele me segura pelos quadris e começa a me estocar lentamente. — Humm, minha gostosa, huum. – Jesus! Vou gozar. Inclino minha bunda para trás com força. — Mais rápido, mais rápido, hum, hum. – Otávio estoca com força, gemi baixinho... Ele sibila, sua calça desce completamente e começa a acelerar o entra e sai, uma de suas mãos encontra o meu clitóris e os seus dedos os fricciona, gemi alto. — Porra, eu vou go-gozar. — Rebola essa bunda, minha delícia – Ele fala cheio de tesão, rebolei. Chegamos ao clímax, extasiados. Otávio vira meu rosto para ele e me rouba um beijo, chupando minha língua. Desço do banco, enquanto ele sobe suas calças e ajeita a camisa. Otávio me puxa cercando minha cintura com um dos braços, com a outra mão segura em meu queixo e fala bem perto da minha boca; sinto o calor do seu hálito fresco. — Você me deixa louco. – Sorri em sua boca. — Amanhã; passo bem cedo para pegar o Dylan. – Diz. Olho seriamente para ele e pergunto. — Você não vem mais hoje aqui, senhor Otávio, e por quê? Otávio abre um vasto sorriso. — Minha namorada está desconfiada de mim? – E arqueia as sobrancelhas, e me responde. — Tenho um jantar de negócio que deve terminar bem tarde, depois levarei os clientes ao hotel; aí, você já sabe, tenho que fazer companhia para um drink, por isso é melhor ir direto para minha casa. Explicado, minha namorada! — Sim senhor! – Acompanhei-o até a porta e nos despedimos com um longo beijo, então eu me lembro da minha calcinha. — Hei moço! – Ele me olha. — Minha calcinha! Otávio bate no bolso da calça e sorri. — Vai ficar comigo... Quando bater a saudade eu a cheiro. – Pisca o olho e vai embora. Dylan acorda com a corda toda, hoje ele não vai à escola, é o grande dia do passeio com o


Otávio. Não parava de falar no tal dinossauro, sabia tudo sobre o bicho, me deu uma aula. Otavio chega e o chama, Dylan pula da cama e nem espera terminar de vesti-lo, desce as escadas a toda velocidade sem camisa. Ele pula nos braços do Otávio, reclamando do seu atraso. — Papa o senhor está “atasado”, “calamba!” — Moço apressado, não estou a-tra-sa-do... Viu senhor ca-ram-ba!. – Otávio leva Dylan para cozinha, antes me beija os lábios. — Bom dia, namorada! Sonhei com você. – Diz ao meu ouvido. O café da manhã foi cheio de euforia, Dylan não parava de reclamar, queria logo ir para o carro. Com muito custo, Otávio convenceu-o a comer o bolo e beber a vitamina de frutas. Meia hora depois, os dois seguem para sua aventura, fico rezando e me apegando a todos os santos para que Ricardo fique bem longe do museu. Seja o que Deus quiser. Minha mãe percebe minha preocupação, fica me avaliando e solta o verbo. — Emma Lancaster, se você não quer contar a verdade para o Ricardo, pelo menos conte para o Otávio. Ele merece saber quem é o pai do Dylan, ouça o que vou lhe dizer... Conserte isso enquanto é tempo, ou então você vai terminar ficando sozinha e odiada. Ela nem me deixou argumentar, virou pelos calcanhares e sumiu no corredor. Mais que droga... Minha mãe sempre tem que me deixar com essa intranquilidade no peito, não vou contar nada a ninguém, nem para o Ricardo nem para o Otávio, eu só os faria sofrer. Estou pensando seriamente em aceitar o pedido de casamento do Otávio e, quem sabe, não seria melhor ele registrar o Dylan como filho, assim acabaria de vez com esse medo do Ricardo entrar por minha porta reivindicando o direito de me tomar o Dylan. Meus pensamentos são espantados com a entrada do meu primeiro cliente do dia. Abro um sorriso e desejo um bom dia, e assim o meu dia começa.


Capítulo Oito “Os ventos que às vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar... Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre...” (Bob Marley)

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... Restaurant Lumminaris Não gosto de mentiras, mas precisei mentir para Emma, o que ia lhe dizer: “Bem querida, sinto muito... Hoje eu não posso vir à noite, porque irei me encontrar com a Simone...” No mínimo, ela me bateria na cara e mandaria me foder, não quero nem pensar o máximo em que isso chegaria. Espero que Simone não se atrase, não quero prolongar essa conversa, não sei o que ela ainda tem a me dizer, só espero que ela não queira reviver o passado. Graças a Deus o restaurante não estava cheio, escolhi o Lumminaris porque ele é um local para reuniões de negócios e se alguém me visse e resolvesse contar a Emma, pelo menos, imaginaria que falei a verdade. Já tinha reservado a mesa desde a tarde, entrei e o garçom me encaminhou até à mesa. Sentei-me e pedi um vinho, precisava de algo para beber, não estava me sentindo confortável com este encontro. Simone chegou vinte minutos depois, confesso que já estava com vontade de ir embora... Nossa! Fiquei observando ela se aproximar, caramba, a mulher é de deixar qualquer homem de queixo caído, ela vestia uma saia preta, bem justa, com o comprimento abaixo dos joelhos na qual desenhava os seus redondos quadris; e pelo o olhar dos homens, a sua bunda magnífica estava sendo evidenciada, a blusa de seda vermelha chamava a atenção para sua pele e os seus negros cabelos, que estavam soltos e emolduravam o seu rosto lindo e sensual. Como não podia faltar, ela calçava sapatos altíssimos. Levantei-me e lhe puxei a cadeira para que se sentasse. Ela me oferece um sorriso encantador. — Desculpe a demora... É que... Demorei a decidir o que vestir. Percebi o seu embaraço. — Tudo bem Simone, agora você já está aqui e isso é o que importa. – Acho que fui muito seco, limpei a garganta e tentei corrigir o meu descaso. — Valeu a pena a demora... Você está linda! – Agora acertei, ela riu com os olhos. — Obrigada! Simone parecia nervosa, não entendi o porquê, pois foi ela mesma quem fez questão de nos


encontrar. O garçom chega e me entrega o cardápio e a carta de vinho. Escolhemos os nossos pratos e o vinho. Jantamos em silêncio, aquilo estava me incomodando. Terminamos e ela pediu um Chateou Petrus, o garçom trouxe a garrafa de vinho e nos serviu. Pelo que conheço da Simone, ela queria me dizer algo importante, fui direto e quebrei o gelo. —Qual a urgência deste encontro Simone, porque não poderia ser em meu escritório? – Ela baixa os olhos e começa a desenhar a borda da taça com os dedos. — Não me sentiria à vontade, lá... – Ela enche o peito de ar e solta lentamente. — A Emma sabe que você foi casado e que teve um filho chamado Dylan? – Eu tinha quase certeza que ela tocaria neste assunto. — Não! E não vai saber. – Fui duro na resposta. — Eu a proíbo de contar qualquer coisa sobre o meu passado a Emma. – Fiquei com vontade de me levantar e ir embora. — Você a ama? Quer mesmo casar-se com ela... – Simone me olha com desespero. — Vou refazer a pergunta... Você quer se casar com ela por amor ou por causa do filho de vocês... Otávio... Ele não é o nosso filho Dylan. Pode ser seu filho com ela, mas não é o nosso Dylan. – Ela estende o braço e segura em minha mão. — Foi você quem escolheu o nome do menino, não foi? — Foi... E eu sei que ele não o nosso Dylan, não estou louco. – Aquela conversa estava caminhando para um lugar que eu não queria ir... O passado. — Simone! Escolhi seguir em frente, não se preocupe, estou bem, amo a Emma, temos um filho lindo, o que há de errado em querer ser feliz. – Não fui convincente, ela me olha desconfiada. — Então porque não contou a Emma sobre o seu passado, sobre o seu filho... Sobre nós dois Otávio... Por que você fugiu de mim? Nunca lhe culpei pela morte do nosso filho... Não foi sua culpa. Caramba homem, foi um bêbado estúpido que tirou o nosso filho de nós, não foi você... O nosso amor merecia uma chance... Ainda amo você, depois que nos divorciamos não consegui me envolver com ninguém, não consegui lhe esquecer, foram os sete anos mais difíceis da minha vida, fiquei sem meu filho e sem você... Otávio olha para mim! Eu não conseguia, não conseguia erguer meu olhar... Lembrar tudo aquilo doía demais, fiquei tanto tempo anestesiado e agora o meu passado volta e junto com ele a dor mais dilacerante que uma pessoa pode sentir... A perda de um filho. Meu filho Dylan tinha três anos quando foi arrancado de mim. Simone estava trabalhando e fui buscá-lo na escola, estávamos andando pela calçada, ele segurava uma bola na mão, a sua preferida, não largava a bendita para nada, passamos perto de um vendedor de algodão doce e ele me pediu, soltei a sua mão por um milésimo de segundo quando a bola escapou das suas mãozinhas e ele correu para pegá-la. Então, um carro veio em alta velocidade e o pegou em cheio, jogando-o a metros de distância, corri para pegar meu filho... Deus! Deus! Segurei o seu corpo sem vida em meus braços, como eu queria ter voltado ao tempo e não ter soltado a mãozinha do meu filho, ele estaria vivo junto a mim e sua mãe... — A culpa foi minha! – Gritei, bati forte à mesa, todos olharam em nossa direção, baixei o tom da minha voz e repeti a frase.


— A culpa foi minha, Simone, fui displicente, soltei a mão dele, ele só tinha três anos, sou culpado, fiz você sofrer e lhe tirei o Dylan, tirei o seu riso... Simone levanta-se e vem até mim, senta-se ao meu lado e me cerca com os braços. Sinto o seu cheiro gostoso e o seu carinho. Simone sempre foi tão alegre cheia de vida, ela se parece muito com a Emma em sua expansividade, com ela não tem tempo ruim... Tirei tudo isso dela, Simone ficou triste, não sorria, ficava o tempo todo dentro do quarto do Dylan, chorando, aquilo acabou comigo, a culpa tomou conta da minha mente, a minha falta de atenção tirou de mim as duas pessoas que mais amei na vida... Meu filho e minha mulher. Não conseguia olhar para Simone, a culpa me consumiu, resolvi ir embora, meses depois meu advogado acertou meu divórcio e lhe entregou uma carta, onde eu lhe pedia para não me procurar e que fosse feliz com outra pessoa; nunca mais soube notícias sobre ela. Meses depois, conheci a Emma e descobri que ela estava grávida e o pai da criança a abandonou, e como não bastasse pediu para que ela abortasse a criança. Emma foi minha tábua de salvação, estava me afundando na tristeza e na culpa, a bebida era minha companheira, meus negócios andavam mal; a partir daí, minha vida mudou, apeguei-me àquela moça de olhos tristes e ao seu filho, sem querer e sem saber, Emma me salvou e me ergueu, deixando-me assumir o papel que não era meu, mas que assumi com o maior prazer. Quando seu filho nasceu, ela ainda me presenteou com a escolha do nome da criança. Dylan nasceu e me amou assim que saiu da barriga da Emma, pois quando o peguei nos braços. ele calou-se e é assim até hoje, posso não ser o seu pai biológico, mas sou seu pai de alma e de coração... Simone afasta-se um pouco me dando um pouco de espaço, e me fala com lágrimas nos olhos. — Otávio, quando vi você no consultório e o nome do nosso filho, fiquei surpresa, minha reação foi me jogar em seus braços, mas me contive, pois pensei que Emma era sua esposa. Fiquei com ciúmes quando vi outra mulher ocupando o meu lugar e morri de raiva, pois pensei que você tinha substituído o nosso filho... Não se preocupe, a raiva foi momentânea, passou assim que você me disse que vocês não eram casados... Fiquei com uma vontade louca de beijar-lhe a boca, ela estava ali, diante de mim... Contudo, o meu passado também veio junto com ela e a dor da perda também. Não, entre mim e Simone não havia mais possibilidades de reconciliações, nosso amor morreu junto com o nosso filho... Mesmo a querendo, não poderia mais tê-la. — Simone, não sei se você forçou sua vinda para Suzano, mas quero que saiba que estou feliz com a Emma e pretendo me casar com ela. Basta ela aceitar o meu pedido, esqueça nosso passado, me esqueça... E, por favor, eu lhe peço, não conte a Emma sobre o nosso passado nem sobre o nosso filho. Você é minha colega de faculdade, o que não deixa de ser verdade, mas só isso, e agora você é a pediatra do meu filho, e pronto. Chamo o garçom e peço a conta. Simone volta a sua cadeira, sinto a sua decepção e percebo os seus olhos lacrimejarem. Fiquei com uma vontade louca de abraçá-la, confortá-la. Resisti, foi difícil, mas resisti. Paguei a conta, levantei-me e a ajudei a levantar. Seguimos pelo restaurante em silêncio.


Ofereci-me para levá-la até em casa. Simone aceitou, fomos em silêncio o caminho todo, não tínhamos mais o que falar, sei que ela ainda me ama, mas não há recomeço para nós, não posso fazê-la feliz. Cheguei em frente ao seu prédio, parei o carro e quando já ia abrindo a porta para sair, ela me puxou, agarrando-me o pescoço e me beijando a boca com desespero. Fui pego de surpresa e, por um momento, tentei resistir, mas meu corpo e minha mente me traíram. Uma das minhas mãos cercou sua nuca entrelaçando os meus dedos em seus cabelos e a outra segurou o seu queixo, forcei o beijo e nossas línguas se encontraram saciando a saudade uma da outra. Mordi o seu lábio inferior, depois a sua língua quente e minha mão escorregou por seu pescoço chegando aos seus seios. Simone arfou. Minha mão encontrou o botão da sua blusa, abri dois botões e meus dedos encontram a renda do sutiã, senti o seu mamilo rígido, deslizei o dedo sobre ele, Simone murmura. — Otávio... Humm, eu preciso tanto de você... – Despertei do meu delírio e a afastei do meu corpo, fechei os dois botões da sua blusa; sem entender o que aconteceu, ela me olhou atordoada, piscando os olhos várias vezes. Desci do carro, dei volta e abri a porta do carona. Estendi a mão e a ajudei a sair do carro. Beijei-lhe a testa. — Boa noite, Simone, perdoe-me, mas entre mim e você não existe mais nenhuma chance de dar certo. Acabou não quero e não posso magoar você novamente. Agora vá. Afastei-me dando espaço para ela passar à minha frente e seguir para o prédio. Simone me segura às mãos e beija cada uma. — Eu amo você e sei que você ainda me ama. Não faça isso com a gente nem com a Emma. Um relacionamento não é feito só de sexo, Otávio, não se engane. Puxo minhas mãos e lhe mostro o caminho, ela traga o ar com força e caminha para o interior do prédio, espero ela entrar. Quando ela some da minha visão, entro no carro e vou para casa. Estava dando adeus ao meu passado.

***

Hoje será um daqueles dias, já estou até sentindo o meu cansaço no final do dia, não sei porque aceitei sair com a Pietra, à noite, minha vontade era ligar para ela e remarcar para outro dia. Minha empresa está patrocinando a exposição dos dinossauros, em tamanho natural, no museu da cidade, prometi que acompanharia a exposição, não pude vir na abertura e amanhã já tenho compromisso. Agora, vendo o alvoroço, nem sei como vou suportar ficar em um museu o dia inteiro.


Realmente são impressionantes as figuras gigantescas, os bichos até parecem ser de verdade, eu juraria que eles estão me olhando e loucos para me devorarem. Pensei em mandar buscar Kael, mas como o meu irmão ele não gosta muito de bichos pré-históricos, prefere carros de corridas e cavalos, quando eu era criança tinha uma coleção inteira de todos os dinossauros, ficava horas brincando com eles. Começo a andar por todo o salão. Quando, de repente, duas mãozinhas abraçam minhas pernas. Olho para baixo e vejo uma linda cabecinha loira. A cabecinha ergue-se para cima fixando os seus lindos olhos em mim e os seus lábios abrem um lindo sorriso, meu coração acelera quando ouço a sua voz. — Tio, tio Ricardo, o senhor também gosta do Rex? – Dylan, o filho de Emma fala com toda a euforia de uma criança da sua idade. Olho para todos os lados a procura de Emma e quando não a vejo preocupo-me, agacho-me e lhe pergunto. — Oi, amigão, sim, sim eu adoro o Rex. – Olho mais uma vez em minha volta. — Amigão, onde está a sua mamãe? – Ele abre um sorriso e me responde. — Mamãe ficou em casa, tio. – Ele joga-se em meu pescoço, abraçando-me. — Tio, fiquei com saudade de você. – Ele afasta-se um pouco e me fala seriamente. — Você mentiu para o Dylan, disse que voltava para brincar e não voltou! – Ele enche a bochecha em contrariedade, cruzando os bracinhos. Não resisti e abri uma gargalhada. Toma, Ricardo Willian, vai fazer promessas para uma criança, agora se vire na desculpa. — E quem lhe disse que não vou, é claro que voltarei à sua casa, quando você menos esperar, passo lá e vamos brincar um dia inteiro. – Fico sério, estava preocupado com ele. — Campeão, você veio com sua escola, cadê sua professora? – Dylan cerca-me com os bracinhos novamente. Ele ri e responde. — Eu não vim com a cola, não. Eu vim com o meu papa. Fui pego de surpresa, aquela palavra dita por ele me apertou o peito, não sei explicar, mas me deu uma dor profunda que quase fico sem ar, era para ficar feliz, já que a desmiolada da Emma resolveu escutar meus conselhos e procurar o pai do Dylan, mas fiquei triste. Por quê? Ele pega em meu queixo me chamando a atenção. — Papa me disse que hoje é dia dos meninos, meninas não podem participar. – Fiquei com ciúmes, juro que queria estar no lugar do pai do Dylan. Enquanto conversamos, escuto alguém no microfone chamando o nome do Dylan. Coloco-o no colo e o levo até o balcão de informação. Ainda um pouco distante, avistei a figura de um homem completamente transtornado, tinha a certeza de que aquele homem era o pai dele. Dylan o viu e começou a chamá-lo. — Papa, papa. O homem corre em nossa direção.


— Deus do céu, meu filho, quase morro, vem cá meu amor, nunca mais saia do meu campo de visão. – Ele toma o Dylan dos meus braços, a sensação que senti foi como me tirassem um pedaço de mim. — Sua mãe já me ligou umas dez vezes, nem atendi porque sabia que ela ia querer falar com você. – Ele abraça o Dylan, com carinho. — Papa, esse é meu amigo Ricardo, ele é muito legal. – Dylan nos apresenta. — Ai, desculpa! Fiquei tão preocupado que esqueci a boa educação. Muito obrigado por ter encontrado o meu filho, meu nome é Otávio Toledo. – Ele estende a mão em cumprimento. — O prazer é meu, Ricardo Willian. – Otávio me olha com espanto. — Empresas Willians? – Pergunta. Assenti com a cabeça. — Tio, cadê o cainho que dei para você? Enfio a mão no bolso e mostro o carrinho vermelho para ele; Dylan abre um lindo sorriso e fala com alegria. — Você fez um chaveiro! – Otávio não entendeu nada. Então expliquei. — Eu já conhecia o Dylan de Suzano. Um dia fiquei perdido por lá e fui bater na floricultura. Conheci essa figurinha maravilhosa e terminei ganhando um carrinho de presente. – Não quis prolongar a história e tão pouco contar que já conheço a Emma. Otávio sorri meio desconfiado, mas não me diz nada. O celular do Otávio toca, ele me pede licença, Dylan me dá os braços jogando-se para mim, Otávio ficou sem alternativa a não ser entregá-lo a mim. — É a mamãe no celular, eles são “mamolados...” – Dylan me diz isso com a maior alegria, morri de ciúmes. Finjo interesse. — Que bom! Agora você tem um papai por tempo integral. – Digo, mas um nó ficou em minha garganta. — Siimm, às vezes, ele mimi lá com a mamãe. Acabou de vez minha alegria, comecei a não gostar do Otávio, não fosse o Dylan iria embora imediatamente, segurei-me para não partir para cima daquele estranho. Ele logo se volta e toma o Dylan nos meus braços. — Venha, filho, sua mãe quer falar com você. – Dylan pega o celular e começa a falar com Emma, diz que me encontrou no museu, juro que gostaria muito de ver a cara que ela fez, mas pela quantidade de vezes que Dylan a chamou, sabia qual foi à sua reação. — Mamãe, mamãe, mamãe... Papa a mamãe ficou muda. – Otávio pega o celular e começa a chamar por Emma, mas ela não responde. Otávio desliga e diz que depois retorna à ligação.


Aproveito e me despeço dos dois, Dylan me faz prometer que voltarei a casa dele, prometo, ele vem para os meus braços novamente e me abraça com força. Sou surpreendido com suas palavras. — Tio, eu amo você muitão. – Ele beija o meu rosto, meus olhos lacrimejam e o meu coração pula de felicidade. — Também amo você, campeão... Tchau! – Devolvo Dylan para Otávio e vou embora completamente emocionado.


Capítulo Nove “O rosto enganador deve ocultar o que o falso coração sabe.” (William Shakespeare).

***

Passei o dia observando Dylan e Otávio à distância, fiquei com vontade de participar daquele passeio, os dois se davam muito bem. Otávio era um pai muito amoroso e cuidadoso e Dylan o adorava, fiquei com inveja, estava parecendo um ladrão à espreita do seu objeto de roubo. Fiquei distante, escondido até a hora em que eles foram embora, já se passavam das 16h. Porque a Emma não mentiu para mim, ela devia ter dito que aquele menino era meu filho, mais que besteira estou dizendo! Penso. Resolvo ir embora também. Entro em meu carro e sigo direto para minha empresa. Por mais que tente, não consigo parar de pensar em Emma, mais que merda! Bato minhas mãos com violência ao volante do carro. Será que alguma vez Emma me amou? Ela nunca quis se comprometer comigo, porém já está de namoro com o pai do Dylan, será que ela o ama? Será que eles pretendem se casar? Deus! Grito com desespero. Por que não esqueço essa mulher? Só queria uma chance de estar com ela novamente, olhar em seus olhos e perguntar se algum dia ela me amou ou pelo menos sentiu algo forte pelo imbecil aqui. Merda... Merda! Por que fico perdendo meu tempo com alguém que nem sequer se lembra de mim? Meu celular toca, atendo. — Ricardo? – Para minha surpresa, ouço a voz da mulher que não sai da minha cabeça. — Emma! – Falo com surpresa. — Aconteceu alguma coisa com o Dylan? Pergunto preocupado. — Não... O Dylan está bem, que bom que você não trocou o número do celular. – Ela tenta disfarçar o nervosismo. — Desculpe-me Ricardo, por incomodá-lo, só queria lhe perguntar sobre uma coisa. – Sinto que respira profundamente. — Você falou alguma coisa sobre nós ao Otávio? Já tinha quase certeza que ia me perguntar sobre isso, e calmamente lhe respondo: — Não. Fique tranquila, não disse ao seu namorado que nos conhecíamos, se depender de mim ele nunca saberá. Era só isso? – Precisava me livrar dela. — Emma preciso desligar, vou entrar em uma reunião agora. — Era só isso, sim, desculpe-me mais vez. Adeus! – Ela desliga sem me esperar responder.


Nervoso, jogo o celular longe. Merda! Preciso tirar essa mulher da minha cabeça e da minha vida. Penso em Pietra. Porque não consigo amá-la, porque não me envolvo profundamente. Ela merece o meu amor. Fico pensativo por um momento, peguei o telefone e minha agenda, encontro um cartão e disco o número que está nele. Espero alguns segundos até que atendem. — Boa tarde! Por favor, gostaria de marcar uma consulta com o Dr. Bernard. – A secretária do médico pede para que aguarde um momento. Ela marca para a outra, quarta às 14h, pergunta se quero na clínica de Florence ou em Leopoldina. Escolho Leopoldina, passo o meu nome e pronto. A consulta foi marcada. Dr. Bernard é urologista e sua especialidade é uma nova técnica que está sendo sucesso em pacientes, com incapacidade de produzir espermatozoides. Fiquei sabendo sobre ele através do Dr. Matheus, o médico de Angel; no início não fiquei interessado, não queria ter falsas esperanças, mas agora estou pensando seriamente nesta possibilidade. Pietra merece isso. Se conseguir sucesso e reverter o problema com chances de engravidá-la, a peço em casamento. Depois disto, fecho o meu notebook e sigo para casa. Quando chego em casa, não encontro Pietra onde sempre costuma ficar, em seu atelier, ela adora pintar. Subo direto para o nosso quarto, ouço o som da água do chuveiro, ela está no banho. Dispo-me completamente, entro no box pronto para ela. Pietra assusta-se quando me vê, mas imediatamente alegra-se quando olha a minha rigidez, puxo-a para um beijo devasso, roubo sua língua suculenta, ela passeia suas mãos em meu corpo até encontrar o meu membro. — Humm, que mãozinha quente querida! – Disse sem largar sua boca. Pietra começa a me masturbar freneticamente. — Humm! – Gemi. Ela solta a minha boca e desce por meu corpo com sua boca arteira, me morde e escorrega a língua por meu peito e abdômen, ficando agora de joelhos, ergue a cabeça sorrindo para mim, fico na expectativa de ser devorado por aquela boca quente. Pietra volta os olhos para o meu membro, aproxima a boca lentamente, ofego, passa a ponta da língua na pequena abertura da cabeça da seta forçando a entrada. — Ohhum. – Seguro em sua cabeça com minhas duas mãos, ela beija a glande e depois a chupa, seus lábios cobrem ao redor, sinto sua língua quente circulá-la. — Cristo! – Rosno baixo. Pietra devora toda minha rigidez sugando-a com força, escova suas bochechas com meu comprimento... Enlouqueço. — Porra, Pietra, assim eu gozo rápido. – Silvei. Ela devora-me completamente, sinto o fundo da sua garganta, por mais que tentasse me controlar, não deu. Começo a mover sua boca com meu membro, a princípio são movimentos leves, sem muita força, mas logo ela mesma segura em meus quadris e começa a entrar e sair. Gemi alto. — Ohoh! Cacete, Pietra... – Ela socava o meu membro em um ritmo acelerado, o barulho que fazia quando me engolia era muito bom. Prendi seus cabelos com uma das mãos, e comecei a balançar os meus quadris rapidamente, ela estava linda de joelhos e chupando minha ereção. — Humm, – ela gemia gostoso. Aumentei a velocidade, percebi que ela colocou as mãos entre as pernas, começou a brincar com o seu botãozinho duro.


Retirei o meu membro de sua boca, ela me olhou espantada. Sorri. Joguei a toalha no chão molhado do box. — Fique de quatro, querida. – Ordenei, ela ficou. Agachei-me ficando entre as suas pernas, passei a cabeça do meu membro por suas dobras aproveitando o seu suco, e fui penetrando-a lentamente. Inclinei meu corpo sobre o dela e segurei um dos seus mamilos, comecei a friccioná-lo, a preenchi completamente. Pietra começou a balançar sua majestosa bunda para frente e para trás, segurei em seu quadril e quando estava todo dentro dela comecei a rebolar, socava e rebolava. — Amor, a-amor, eu, eu vou gozar! Mais rápido, rápido meu amor. Pietra entra em êxtase, seguro em seus cabelos e o puxo com força, sua cabeça vem para trás, então acelero as estocadas, nossas carnes batem uma na outra formando um som gostoso de ouvir. O nosso clímax chega, ela grita de prazer, seguro-a pela cintura e mesmo preso a ela levanto-a, ficamos de pé, continuo me movendo, retiro o membro da sua fenda e esguicho minha semente em seu corpo até que o meu gozo acaba. Solto-a e a viro para mim, nossos lábios se encontram e nos beijamos, mas minha mente me trai e o rosto que vejo é o de Emma, não o de Pietra. Quase cometo uma loucura, quase troco os nomes, engulo a letra E, sorrindo pra Pietra. Tomamos nosso banho nos acariciando com prazer, ela é uma mulher muito linda, mas falta alguma coisa, não sei explicar. Acho que falta a fagulha para ascender o fogo, talvez seja essa a palavra. Pietra não me ataca, ela espera a minha iniciativa, sinto o desejo dela, mas ela nunca vem para cima, ela me espera com paciência. Ainda lembro como funcionava com a Emma. Cristo! Ela avançava, parecíamos ímãs. Quando a reencontrei na floricultura, vi o brilho do seu desejo em seus olhos, o cheiro do desejo; e eu, porra! Fiquei duro de vontade de fazer amor ali mesmo. Ahahah! Gritei. — O que foi amor? – Pietra assusta-se. — Não foi nada, termine o seu banho, vou me trocar. – Saio do box, e antes de chegar ao quarto, digo para ela. — Não demore, esqueceu que temos um jantar para ir! Troco-me e desço para o gabinete, aviso a Pietra que a espero lá. Após aquela discussão na casa dos pais da Pietra, não os vi mais, ficou meio que balançada a nossa relação. Então Pietra resolveu promover esse jantar de paz, aceitei porque não gosto de ver Pietra triste, mas, por mim, não olharia nunca mais para a cara do Stuart. — Amor, o que aconteceu com seu celular, liguei para você e só caía na caixa. – Ela me pergunta. Admiro a figura linda da minha noiva, ela percebe minha admiração e sorri, voltando a chamar minha atenção. — Amor! O celular? — Quebrou! Amanhã compro outro. Pronta? — Sim! – Ela gira em torno de si. — Gostou? – Pergunta.


— Perfeita. Perfeitamente linda! – Vou até ela e a puxo para um beijo. Antes de chegar ao carro, dou um aviso a Pietra. — Pietra! – Ela me olha, acho que ela já sabia o que ia dizer. — Já sei, já sei... – Ela diz. — Nada de falar sobre herdeiros, já avisei ao papai sobre isso. – Abro a porta do carro e ela entra, dou a volta e entro no veículo. — Seja o que Deus quiser! – Digo fazendo o sinal da cruz. Pietra me bate no ombro, abro um sorriso. Partimos rumo ao restaurante. Vinte minutos depois chegamos ao restaurante Optmus, escolha do meu sogro, ele é todo cheio de frescura, adora ser paparicado e chamar a atenção. Logo na entrada somos recebidos pelo maître, ele nos guiou até à mesa onde os meus sogros estavam. A decoração do salão é aconchegante e ao lado há um tranquilo jardim tropical, fiquei feliz, pois nossa mesa fica em um local reservado. Stuart, assim que nos avistou, levantou-se e veio logo ao nosso encontro, abrindo os braços para me receber. — Meu querido genro, seja bem-vindo. Rapaz mandei separar um uísque de lamber os lábios de tão macio que o líquido desce pela garganta, creio que você vai gostar, não sei se você conhece o whisky Dalmore 18 anos? Stuart acha que vai me impressionar com essas tolices, viro-me para ele e respondo secamente que já conheço a bebida. Ele ficou decepcionado. — Como vão os negócios? Soube que você entrou em sociedade com o Daimon Walker e compraram dois poços de petróleo. Rapaz, desse jeito você vai virar um xeique das Arábias! – Ele solta uma gargalhada batendo em meu ombro. Nada respondo, deixo-o morrer de curiosidade, mas era verdade, eu e o Daimon compramos não só dois poços, mas três poços de petróleo. Meus negócios andavam bem, e depois que fiz sociedade com o Daimon tudo melhorou. Logo que o meu pai e o meu irmão faleceram, veio o escândalo dos negócios escusos das empresas Willians e, com ele, os processos e indenizações. Quase vou à loucura, precisei vender a metade dos bens da família, inclusive a herança que minha mãe me deixou foi toda embora, nunca pensei que o meu pai fosse tão canalha e corrupto. Se não fosse o Daimon, estaria na completa miséria, ele transferiu uma grande quantidade de dólares para minha conta e além de tudo emprestou-me o seu nome para levantar as empresas novamente. É preciso acreditar muito no outro para se arriscar como o Daimon se arriscou, mas trabalhei duro para não decepcioná-lo e, hoje, somos sócios em muitos negócios. Ele não aceitou a devolução do dinheiro, tentei de todas as formas devolver, sentiu-se até ofendido quando lhe disse que abriria uma conta remunerada para o Kael, no valor devido. Daimon Walker hoje ocupa o lugar do meu irmão Kael, ganhei uma família linda, repleta de amor, respeito e consideração. Quando vejo o amor que une Angel e Daimon, não sinto inveja,


mas desejo o mesmo para mim. Quando a Angel perdeu o bebê da sua segunda gravidez, pensei que eles iriam ficar destroçados, quebrados, porém os dois ficaram mais unidos do que nunca e superaram logo a grande perda. Hoje, ela está com sete meses de gravidez, esperando outra menina para felicidade do Kael, pois ele vive dizendo que os únicos homens da vida da mãe dele são ele e o Daimon. Divirto-me com os ciúmes do meu afilhado. Daimon, às vezes, perde a paciência com os repentes do Kael, ele cisma até com as roupas que a Angel veste, o Daimon precisa alterar a voz e lembrá-lo que o marido da Angel é ele. Voltando ao meu sogro... Sentamo-nos à mesa, cumprimentei minha sogra Louise, e começou a babação de ovo... Pietra, coitada, não sabia o que fazer, sabe que odeio isso, não gosto de adulações. Quer me deixar irritado, comece a puxar meu saco... Caralho! Fico muito puto. Pietra até que tenta tirar a atenção do Stuart por um momento. — Papai, o que vamos fazer para comemorar o seu aniversário? A mamãe teve uma ideia maravilhosa. O Stuart olha com espanto para a Pietra e abre uma risada estridente. — Desde quando sua mãe tem ideias? – E solta outra gargalhada — Ouviu isso, Ricardo, Louise conseguiu pensar... – Ele ri sem parar. Louise ficou sem graça e logo baixou a cabeça, Pietra ficou ruborizada e os seus olhos encheram-se de lágrimas. O garçom chegou. Sinceramente, perdi o apetite. Na mesa só quem falava era o Stuart, Pietra ficava brincando com o talher no prato e Louise parecia um robô, suas feições não tinham expressões alguma. Acho que o Stuart percebeu, então ele manifestou-se. — O que há com vocês duas? Querem me envergonhar na frente do meu genro? Disse alguma mentira? Louise nunca foi de pensar. Desmanchem essas trombas. E aí, Ricardo, você não me respondeu a pergunta que lhe fiz sobre a sociedade com o Daimon? Vira-se para mim como se nada tivesse acontecido e me faz essa pergunta. Caralho... Já não estava à vontade com a atitude dele, agora ficou pior. — Não sei em que isso lhe interessa Stuart, afinal os meus negócios são bem diferentes dos seus, e têm mais, não vim jantar com você para falarmos sobre negócios; se este for o caso, marque com minha secretária um almoço executivo, ok? — Papai, por favor, vamos mudar de assunto. – Pietra nem teve tempo de completar a frase, Stuart lhe deu um olhar frio e falou com toda a sua arrogância. — Não se meta Pietra, não pedi a sua opinião, cale-se, restrinja-se a sua insignificância. Foi demais para mim, levantei-me, peguei a carteira, retirei um punhado de dinheiro e joguei na mesa, e com mais arrogância que Stuart, falei. — Para mim basta, já vou... – Olhei para Pietra. — Você vem? – Ela me olha descrente, porém nem se mexe. — Ok! Encontramonos em casa. – Virei para Louise. — Desculpe-me Louise. – Ela assentiu com a cabeça, olhei para


Stuart e lhe disse secamente. — Boa noite! – Dei às costas e fui embora, só escutei os gritos do Stuart para Pietra; não me interessei em saber o que ele dizia. — Sua idiota, do que adianta tanta beleza se você nem sabe usá-la, não anda fazendo direito o seu dever da casa, aposto que nem uma surra de boceta você sabe dar no homem. Isso é culpa sua, Louise, que não soube ensinar direito a sua filha. – Meu pai olha para minha mãe com raiva. — Papai! Pelo amor de Deus, pare! — Pare! Parar por quê? Quando lhe mandei para Nova Iorque, não foi a passeio. Sua missão era conquistar o milionário Ricardo Willian e fazê-lo engravidá-la, e até hoje eu espero esse neto. Sua incompetente. – Meu pai avança até mim e segura meus cotovelos, agitandome. — Se ele não lhe engravidar, do que adiantou você ter largado o outro homem, preciso colocar a mão no dinheiro dele o mais rápido possível, entendeu Pietra! — Eu sei pai, mas, mas o Ricardo está irredutível, e tem mais. Acho que estou apaixonada por ele. E ele não quer filhos, como farei isso. – Começo a chorar de desespero. — Apaixonada! Sua imbecil. Não mandei você se apaixonar, mandei você dar o golpe da barriga e depois botar a mão na grana dele. Esse filho vai ter que acontecer o quanto antes, pois logo, logo não teremos um centavo, e o escândalo vai aparecer em todos os jornais. – Meu pai senta-se, o desespero dele era aterrorizador. — Por que o senhor não pede um empréstimo ao Ricardo, tenho certeza de que ele o ajudará, ele é muito... – Ele não me deixa completar a frase, levanta-se a toda velocidade e me pega pelos ombros, sacudindo-me com violência. — Ficou louca, sua anta! Jamais faria isso. Eu a proíbo de tocar sobre esse assunto com ele, Ricardo não pode saber que estou quase falido. É só você engravidar que os nossos problemas serão resolvidos, fora o status de ser avô do filho de Ricardo Mendonça Willian, isso vai abrir muitas portas. — Papai... Acho melhor o senhor pensar em outra forma de arrumar dinheiro, porque o Ricardo nunca vai me engravidar, ele toma todos os cuidados para isso não acontecer. – Meu pai me olha e fala com certo sarcasmo. — É melhor você voltar a furar todos os preservativos dele, e faça o que você sabe fazer mais que ninguém, seduza-o Pietra, não preciso lhe ensinar como se seduz um homem, você fez isso com ele bem depressa. Se você não engravidar logo, podemos tentar uma inseminação artificial, ele só não precisa saber desse detalhe. — Agora vá e comece logo com o nosso plano. Seja bastante submissa, homem adora mulher submissa, isso aguça a imaginação deles. Anda Pietra! Meu pai me pega pelo o braço e me arrasta para fora do restaurante, nem tive tempo de me despedir da minha mãe, ele me joga dentro do taxi. — Eu conto com você, minha filha, seja


inteligente e esqueça essa coisa de paixão, mulher bonita não se apaixona, ela faz fortuna. Depois do Ricardo, outros melhores virão e muito mais ricos. Vá por mim, minha princesa, o que não falta são homens poderosos jogando-se aos seus pés, você bem sabe disso, pois já experimentou esse poder e eu sei que você gostou. – Ele me beijou a testa, e fui embora. E agora? Não menti, estava gostando do Ricardo, precisava urgentemente parar de gostar, se eu quisesse que esse plano desse certo, merda! Nunca me deixei envolver desse jeito, sou uma burra, preciso desapegar do Ricardo e começar a vê-lo só como minha conta bancária.


Capítulo Dez “Porque a vida é deste modo, é feita de encontros e desencontros, e a gente segue à deriva, num barco à vela, içada pelo vento, ora tempestade, ora calmaria, entre erros e acertos, vivendo e aprendendo a viver ” (Angela Reis)

***

— Mamãe, mamãe! – Dylan entra a toda velocidade na cozinha, corre em minha agarrando-se às minhas pernas e em sua euforia ele dispara o verbo. — Mamãe, “Ricado” e ele me disse que vem me ver e vai brincar comigo o dia todo. Por favor, deixa, diz que deixa, por favor, por favor. – Ele suplica. — Mamãe, eu amo muito o Ricardo, posso, posso?

direção, vi o tio mamãe, meu tio

Agora lascou-se. Estou perdida de verde e amarelo, meu filho acabou de dizer que ama o seu próprio pai. Percebo que minha mãe me avalia, sei muito bem o que ela está pensando, “eu avisei, eu bem que lhe disse” e, para completar, Otávio está parado, recostado no batente da porta me observando. Ele não está entendendo nada do que está se passando aqui. Dylan espera minha resposta. — Ok! Deixo filho, calma... – Ele me abraça as pernas com força, eu me agacho e ele cerca o meu pescoço com os bracinhos. — Amo muito você mamãe... “Agola” liga para o tio “Ricado” e diz a ele que você deixou, vai mãe, por favor, por favor. – Meu Deus, o que eu faço? Penso. — Agora não dá Dylan, não tenho o número do telefone do seu amigo Ricardo. – Menti. Dylan solta o meu pescoço e corre em direção a brinquedoteca, volta em seguida com um pequeno cartão. — Aqui, esse é o “númelo” dele, liga “agola”, mamãe. – Ele me entrega o cartão e cruza os bracinhos. – Olho em suplica para o Otávio, pedindo ajuda, ele entende e vem em meu socorro. — Filhão, vamos fazer assim, amanhã você liga para o seu amigo, agora já está tarde, certo? – Otávio agacha-se ficando com a cabeça no mesmo nível da cabecinha do Dylan, e ele faz cara feia. — Certo filho? – Dylan concorda. — Agora vem cá... – Otávio coloca-o nos braços. — Vamos tomar um banho com o papai. Os dois somem escada acima. — Eeemma! – Estava demorando, lá vem minha mãe. — Filha... Ainda é tempo de consertar essa merda toda. A vida está começando a lhe cobrar, ninguém pode fugir do seu destino. – Ela me olha com certa indulgência. — Tanto Ricardo como Otávio merece saber a verdade, pelo menos Otávio precisa saber quem é o verdadeiro pai do Dylan. Você vai terminar perdendo os


três homens da sua vida. Escute o que digo. – Minha mãe vira-se e vai para o seu quarto de costura. Sento-me à mesa, mas que droga! Não vou contar nada a ninguém, o Dylan acha que o Otávio é o pai dele e vai continuar achando. Por via das dúvidas, acho que vou aceitar o pedido de casamento do Otávio, e assim que nos casarmos, ele registra o Dylan como filho, pronto, está resolvido. O que fiz não tem volta, o Ricardo nunca vai me perdoar. Levanto-me e vou fazer o jantar da turminha. Logo Dylan desce com o Otávio, jantamos como uma verdadeira família. Após o cafezinho, eu, Otávio e o Dylan subimos para o quarto. Dylan cismou que ia dormir entre nós, e não teve jeito de tirá-lo da minha cama; toda vez que Otávio tentava, ele acordava. Acordo antes dos meus dois homens. Não consigo desviar o olhar da cena em minha cama. Dylan, com o rostinho no peito do Otávio e a perninha por cima dele, fiquei um tempo admirando os dois, como tirar isso do Otávio, como dizer a ele que o pai do Dylan estava mais próximo do que ele imaginava. Não, não eu não ia fazer isso. Dylan já tem um pai e ele se chama Otávio, já está decidido, hoje mesmo darei a notícia ao Otávio. Afinal, Ricardo seguiu a vida dele, casou-se com Pietra e já fazem planos para o futuro herdeiro, pelo menos foi o que a revista dizia: “O Grande empresário no ramo petrolífero casou-se em segredo com a filha e única herdeira das indústrias Stuart, Pietra Stuart e já fazem planos para o futuro herdeiro”. Por que não posso fazer o mesmo? Otávio me ama e é louco pelo Dylan. Esta é a oportunidade de acabar com toda a minha aflição e dar ao Dylan um pai e um nome. Minha mãe não vive dizendo para não desperdiçar as oportunidades, pois agora é a hora. — Bom dia, filha! Deu formiga na cama, ainda é muito cedo. — Bom dia, mamãe! Não. Resolvi fazer um agrado ao meu filho e ao meu futuro marido. – Falei, minha mãe deixa a xícara cair, ainda bem que não quebrou, ela me olha boquiaberta. — Escutei direito, ou estou ficando demente. — Não! A senhora escutou muito bem. Não é você que vive me dizendo para não desperdiçar as oportunidades, pois bem, resolvi aceitar o pedido de casamento do Otávio. — E ele sabe disso? – Ela me pergunta. Mamãe serve-se de uma xícara de café, prova o líquido quente olhando-me por cima da xícara. — Ainda não, mas saberá hoje mesmo. – Assim que termino a frase, ouço risadas vindas do andar de cima. Peço segredo a minha mãe, colocando o dedo em meus lábios. Otávio chega à cozinha com o Dylan uniformizado em suas costas. Eles se sentam à mesa e eu os sirvo. Para Dylan, vitamina de frutas com beterraba, pão de batata e cereal de milho. Para Otávio, panquecas com recheio de geleia de amora, pão, queixo e presunto, café com leite e suco de laranja; para mim, a mesma coisa. Vou até o quarto de costura e peço a minha mãe para levar Dylan à escola. Ela entende o


porquê, foi difícil convencer o meu filho a ir à escola sem Otávio. Expliquei que precisava conversar algo muito sério com ele, mesmo assim Dylan não aceitou, precisou Otávio prometer buscá-lo mais tarde. Então ele foi com a mamãe, emburrado, mas foi. Quando os dois saem, sento-me à mesa e seguro nas mãos do Otávio. Olho fixamente para ele e lhe dou o meu melhor sorriso, limpo a minha garganta e começo... — Bem. – Pensei que seria fácil. — Sabe... — Eeemma! Qual o problema agora eu tenho até medo quando você faz esses rodeios. Despeja logo, vai. Cacete, como falaria isso para ele. Resolvo ser direta. — Aceito me casar com você. Depois você pode registrar o Dylan como seu filho. – Pronto, disse. Otávio solta as minhas mãos e se levanta, fiquei assustada. Será que ele tinha desistido de se casar comigo? Pergunto a mim mesma. Ele vai até a pia da cozinha, apoia-se nela com ambas as mãos e baixa a cabeça e fica por alguns momentos pensativos, meu coração foi à boca. Ele vira-se, recosta-se na pia, cruza os braços fixando os seus olhos em mim. Depois de todo o suspense, ele me pergunta. — Tem certeza? – Assenti com a cabeça. — Por que quando eu sair por aquela porta,. – ele aponta a porta com a mão — não terá mais volta. Sairei daqui direto para comprar as nossas alianças e o seu anel de noivado e dar entrada na documentação na papelada do nosso casamento. É isso mesmo que quer? Última chance de desistir. Agora, quanto a registrar Dylan como filho, preciso da autorização do pai biológico dele, se ele abrir mão da paternidade, reconheço-o como filho. — Mas, mas. Não tenho ideia de onde ele está. – Menti, medo foi o que senti. — Ele abriu mão do filho no dia em que soube que eu estava grávida. — Eu sei, Emma, mas quem sabe ele não muda de ideia ao conhecer o Dylan. Emma, um filho é o bem mais precioso que um homem tem na vida, não quero fazer com alguém o que não gostaria que fizesse comigo. Já está resolvido, nós dois vamos procurar o pai do Dylan e conversaremos com ele. – E agora, o que farei? Preciso fazer Otávio desistir dessa ideia, ou não me caso. — É impressão minha ou você quer que eu desista, Otávio Toledo? – Pergunto. Ele foi tão rápido que nem senti quando sua boca se juntou à minha. Cacete, o homem devorou meus lábios em uma fome avassaladora, e sem soltá-los, diz. — Vou mostrar a você o quanto quero que desista. – Ele me põe nos braços rapidamente e sobe as escadas com pressa. Mal pisquei os olhos e já estávamos em minha cama. Otávio livra-se da camisa, do cinto, da calça dos sapatos e, por último, cueca e meias, faço o mesmo, ficamos como viemos ao mundo, pelados e famintos. Porém, nem consegui chegar perto da sua ereção, minha mão ainda tentou alcançá-la, mas ela foi empurrada com força para trás. Otávio imobilizou os meus braços,


jogando-me com força na cama. — Shh, quieta... Nenhum pio, quietinha, vou mostrar a você como quero que desista de se casar comigo. Ele fica entre as minhas pernas, continuo imobilizada. Otávio inclina-se sobre mim, morde meus lábios e vai escorregando a boca por meu queixo até o lóbulo da minha orelha, e sussurra. — Vou foder você duramente, sem preliminares, sem carícia. Só fodê-la duro e lento. – Ofeguei só com essas palavras. Otávio desce a boca escorregando a língua por meu pescoço até encontrar o meu mamilo, ele raspa os dentes, primeiro em um, depois no outro, deixa um fio de saliva. Então, quando penso que ele fará um caminho abaixo, sinto uma mordida fina em meu mamilo ereto. Aiii... Gritei de tesão. — Shh! Já lhe disse para ficar quieta. – Senti outra mordida, no outro mamilo. Ai Jesus, esse homem está escondendo o jogo. Ele me vira de bruços, volta a ficar no meio das minhas pernas, pega um dos travesseiros e o coloca por baixo da minha pélvis. Ele prende os meus braços com uma das mãos, mantendo-os em minhas costas. Com a outra mão, segura o seu comprimento e o escorrega em minhas dobras, lambuzando a glande em meus sucos, fico rezando em pensamento para que ele me penetre, minha necessidade de ser preenchida está no cume. Só que acho que Otávio não está com pressa, o que quer mesmo é me ver desesperada por ele. Arqueio meu quadril e murmuro. — Cacete, Otávio, para de me provocar... – Não consigo completar a frase, recebo uma palmada em minha bunda; em seguida, senti dois dedos escorregarem dentro de mim e outra palmada no outro lado da minha bunda. Arfei, meus sucos escorreram, senti minhas coxas úmidas. — Não mandei você falar... – Aquela voz profunda e rouca ecoou em meu ouvido. Caracas! Arrepiou meu corpo todo. Ele começou a socar os dedos em mim, sentia-os rodopiar em minhas paredes íntimas, fazendo uma gostosa massagem que me levavam ao delírio. — Rebola querida, rebola em meus dedos. — Humm, Oh Deus! – Rebolei gostoso. Otávio retira os dedos e em seguida sinto o seu membro preenchendo-me completamente; engoli em seco quando aquele membro espesso penetrou em mim lentamente. — Oh, Deus, oh, Deus! Humm. – Otávio me segura pelos cabelos, puxando-os com tesão, minha cabeça inclina-se para trás. — Você é um tesão, Emma, ficaria o dia todo dentro de você e não me saciaria; pois, minha fome por você ultrapassa minha sanidade. – Ele foi fundo. Empurrou seu membro com força, nossas carnes se bateram fazendo um som ecoando no quarto. — Rebola, rebola essa bunda em meu pau, querida. Humm! – Ele silvou e empurrou profundamente, entrou e saiu, entrou e saiu. Suas estocadas aceleram, estava na beira do clímax. — Otávio, Otávio, eu, eu vo-vou gozaar! – Senti seu espasmo, depois outro e outro... Otávio prendeu seu corpo ao meu, solta os meus


cabelos inclinando-se sobre o meu corpo, segura em meus seios acariciando-os. — Amo você, querida, e farei de tudo para que me ame também. – Otávio sai de dentro de mim virando-me para ele com cuidado. Sinto seu corpo quente e o descompassar dos batimentos do seu coração. Ele me olha com ternura. — Darei o meu melhor para você... – Não consigo dizer mais nada, pois minha emoção me engasga, simplesmente o abraço e depois ofereço meus lábios, ele os prova, dando-me o seu melhor beijo. Minutos depois estávamos no banho. Em seguida, fui levá-lo até à porta e nos despedimos com um beijo. Vou abrir a floricultura, alguns clientes já me aguardam na porta. Atendo-os e depois vou limpar alguns vasos. Mamãe chega, olha-me, mas nada me diz. Ela segue direto para a cozinha dizendo que vai providenciar o almoço. Sei que ela está se coçando de curiosidade, mas fico quieta. Estou distraída quando o meu celular toca, atendo. — Alô! ... Sim, sou eu. Mas é claro que eu quero. Não, sim. Sim, pode reservar, ok, ok. Quais os dias do Congresso? Ok! Farei agora o pagamento. Humrun, certo, obrigada. Pulei de alegria com está notícia. O XX Congresso Leopoldinense de Floricultura e Plantas Ornamentais aconteceria na outra semana, segunda, terça e quarta-feira, tentei me inscrever, porém não consegui. Deixei meu número para contato caso alguém desistisse, já estava perdendo as esperanças, agora o rapaz me liga avisando de uma desistência. Fiquei muito feliz, pois esse congresso vai me ajudar muito em meus negócios. Agora só falta conversar com o Otávio e pedir para que ele dê uma força a minha mãe com o Dylan, pois ficarei ausente durante três dias e minha mãe não dará conta de tudo sozinha. Corro para cozinha para contar a novidade à dona Mirela.


Capítulo Onze “Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido. Afinidade é não haver tempo mediando à vida. Ter afinidade é muito raro, mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.”

***

Cheguei à cozinha, mamãe estava preparando um fígado acebolado. Nossa! Deu água na boca, aquele cheiro de cebola refogada no azeite me fez babar. Aproximo-me e já vou roubando um bife, ela me bate na mão. — Quer parar, dona Emma, desse jeito não saio hoje desta cozinha... Por que você não rouba as beterrabas? – Questiona com sarcasmo, sorrindo meio torto e virando os bifes com atenção para não espirrar óleo quente nela. — Você não vai me contar como foi à conversa? – Estava demorando, sabia que ela não se aguentaria de curiosidade. — Anda Emma, conta logo! Vai ficar aí com cara de poste? — Não sabia que poste tinha cara. – Brinco. Ela me devolve a brincadeira em forma de careta risonha. — Otávio ficou muito feliz mamãe e eu não duvido se no almoço ele coloque um lindo anel de noivado neste dedo. – Mostro o dedo anelar da mão direita a ela. — Mas tenho outra novidade. – Minha mãe me olha com espanto. — Eita, mãe, pelo seu olhar, já até adivinho o que pensou. Não, eu não estou grávida. – Ela respira aliviada. — Engraçadinha. – Brinco. — Consegui me inscrever no congresso de Flores em Leopoldina, será segunda, terça e quarta. Viajo na segunda pela manhã cedo e volto na quarta à noite. — Emma, como eu vou dar conta do Dylan e da floricultura sozinha! – Exclama já apavorada. — Não se preocupe, peço ao pai do Dylan para ajudá-la. – Falo sem pensar, arrependo-me na hora, pois logo escuto o maior sermão. — Como assim, o pai do Dylan, Emma Lancaster? Pensei que a senhorita, antes de aceitar o pedido de casamento do Otávio, tinha contado a verdade sobre o pai do Dylan. – Ela se aproxima, senta-se ficando de frente para mim, segurando minhas mãos. — Filha, não faça isso. Otávio não merece, ele precisa saber a verdade. – Minha mãe levanta-se e me observa longamente. — Emma, se você continuar escondendo as coisas do Otávio vai terminar perdendo ele também. E lhe digo mais, perdendo-o para sempre e quem vai sofrer mais com isso será o Dylan. Conte a verdade, Emma. Enquanto é tempo.


Não podia dizer a verdade para Otávio, pois já sabia que ele ia me obrigar a contar ao Ricardo sobre o Dylan. Não, não vou contar. Um dos principais motivos de ter aceitado o pedido de casamento do Otávio foi o fato de deixá-lo assumir a paternidade do Dylan, assim não correria o risco do Ricardo descobrir sobre ele. — Não! E eu a proíbo de falar qualquer coisa sobre isso ao Otávio. Vamos encerrar o assunto. Otávio é o pai do Dylan e pronto. – Digo isso e saio sem olhar para trás. Por que é tão difícil minha mãe entender? Não posso voltar atrás, o que fiz escondendo o filho do Ricardo não tem conserto. É tarde demais para arrependimentos, sei que não tenho perdão, todos que me conhecem jamais entenderão os meus medos. Principalmente Ricardo. Sei que se ele descobrir sobre o Dylan vai tomá-lo de mim. Não, não posso arriscar o melhor mesmo é continuar mantendo minha mentira e fugindo do Ricardo, já o perdi mesmo. Passo a manhã toda em completa desarmonia. Minha cabeça dói, a conversa com mamãe não me fez bem. Sempre que o assunto é o Ricardo fico assim. Droga! Xingo alto, batendo minha mão no balcão com força. O sino da porta da floricultura avisa que alguém entrou, escuto uma vozinha bem conhecida por mim. Nossa, as horas passaram que eu nem senti. Dylan vem correndo até mim. — Mamãe, mamãe! – Eufórico, ele joga-se em meus braços. — Toma! – Ele me mostra um cartão, eu o pego das mãozinhas dele e verifico do que se trata, Otávio me observa de longe. Cacete, é o cartão de visitas do Ricardo, rezei para que o Dylan se esquecesse desse assunto. Dei um riso amarelo para o meu filho, procurando uma desculpa para fazê-lo desistir de ligar para Ricardo. Não sabia o que dizer, merda! — Filho, olha o horário. A esta hora, o seu amigo deve estar almoçando, vamos deixar para outra hora. Depois veremos isso, ok? Dylan cruza os bracinhos enchendo a bochecha de ar, bufa sua contrariedade e diz. — Não! O tio disse que posso ligar para ele quando quiser e a “ola” que eu quiser... “Agola”, mamãe, eu “quelo” ligar “agola”! – Ele olha para o Otávio como se estivesse esperando apoio. Otávio vem até nós, e o que ele me diz não é nada animador. — Querida, o que custa ligar para o amigo dele, tome o telefone, faça logo isso, só assim o Dylan sossega. Filho da mãe. Não era essa ajuda que eu queria, o que menos preciso nesse exato momento é o Ricardo rodando em minha volta. Dylan me olha com um sorriso vitorioso. — Liga, mamãe, por favor! – Ele me pede juntando as mãozinhas em súplica. Não tive alternativa, peguei o celular do Otávio e disquei o número. Assim que chamou,


entreguei o aparelho para o Dylan. Ele o pegou todo feliz, ficou esperando o Ricardo atender, rezei para que ele não atendesse. Otávio e eu ficamos na expectativa. Minhas esperanças foram água abaixo, quando vi expressão feliz na voz do meu filho. — Tio! Sou eu, o Dylan. – Ele espera o Ricardo falar. — Você vem quando aqui me vê, eu tô com saudade de você, a mamãe dei-xou eu ligar... Do celular do meu papa. Você vem quando “bincar” com eu. Dylan falava sem vírgulas. Com certeza, Ricardo estava tentando responder, mas Dylan não dava espaço. Então, meu filho fica em silêncio. Não consegui escutar o restante da conversa, pois neste instante entram três pessoas na floricultura, viro-me e vou atendê-los deixando meu filho sob a supervisão do Otávio. Só o vi ir até uma poltrona e se deitar nela, sem tirar o aparelho celular da orelha.

***

“— Campeão! Sua mamãe sabe que você está me ligando, e de quem é esse número? Calma, Dylan, eu não prometi que irei vê-lo em breve? Se prometi, ire,i não se preocupe, assim que minha agenda der uma brecha corro para lhe ver.” — Tio, você vai ficar o dia todo comigo, você “plometeu lembla”? “— Sim, sim, campeão, ficaremos o dia inteiro brincando, será só eu e você... Vamos fazer uma grande farra.” — Só nós dois! Tio, você pode ir me “bucar” na minha “ecola”, “quelo” mostrar você pra os meus amiguinhos, você pode, pode, diz que pode, por favor, tio! “— Claro que posso, é só me dizer o nome da sua escola, será um prazer ser apresentado aos seus amigos.” — “Ecola” Sonho Encantado, a roupa é azul e blanco, tio é fácil achar... Quando você vai vir, por favor, não “demola” tio. “— Não vou demorarb campeão, assim que puder, irei, farei uma surpresa. Dylan! Adorei ouvir sua voz, ganhei meu dia hoje.” — Mamãe não “quelia” deixar eu ligar, disse que ia incomodar você, mas meu papa convenceu ela. “— Diga a sua mamãe que autorizei você me ligar o horário que quiser e agradeça ao seu papa por mim. Entendeu Dylan? Você pode me ligar sempre, ok?”


— Entendi tio, pela aí... (ele disse que eu posso falar com ele quando eu quiser, viu mamãe) Eu avisei a mamãe... Tio, eu “pleciso deligar”, meu papa disse que já chega. Tio... Eu amo você, viu... “Bezo”... Tchau! “— Tchau campeão... Eu também amo você.” E eu que pensei que o resto do meu dia continuaria uma merda. Enganei-me, agora posso dizer que o meu dia começou. Ouvir a voz do Dylan contagiou o meu coração e me fez feliz, não sei explicar o que sinto por este menino, só sinto o meu peito se encher de felicidade. É como se o meu mundo só seria completo com ele ao meu lado; isso é estranho, não me sinto assim nem quando estou com o Kael. Será por causa da Emma? Deve ser. Afinal, ele é filho dela e isso nos aproxima. Meu telefone toca, é minha secretária avisando-me que minha reunião começa em cinco minutos, levanto-me e volto a minha rotina.

***

— Toma, papa, o celular “bigado”. – Dylan abraça Otávio com carinho, depois corre para onde estou. — Mamãe, o tio Ricardo vai à minha “ecola”, ele disse que “vamo” fazer farra, mamãe o tio é mega super fantástico não acha? – Ele fala cheio de inocência, não nego, deume uma dor no coração... O que o Dylan pensaria se descobrisse que o seu verdadeiro pai é o Ricardo e não o Otávio. Espanto os meus pensamentos e volto para o Dylan. — É sim, meu amor, o seu amigo é super mega fantástico, agora vá com seu papa, já, já o almoço será servido. Otávio espera por ele de braços abertos e os dois desaparecem escadas acima. Meia hora depois, fechei a loja e vou direto para cozinha. Já encontro Dylan fazendo birra, pois ele não queria fígado nem beterrabas, fechou a boca que nem vento passava por ela. Otávio, cheio de paciência, tentava convencê-lo a comer. Com insistência minha e do Otávio, conseguimos fazer com que Dylan comesse uma quantidade razoável da comida do seu prato. Assim que terminamos o prato principal, veio a sobremesa. Sorvete de chocolate, nem preciso dizer que o Dylan quase teve um treco de tanta felicidade. — O melhor sempre fica por último. – Diz com entusiasmo. Rimos muito com sua expansividade. Já ia me levantando quando Otávio segurou uma das minhas mãos e me pediu para sentar, sentei e ele se levantou. Não deveria ficar surpresa, mas fiquei. Otávio colocou a mão no bolso da calça e retirou de dentro uma pequena caixa de veludo preta, ele a abriu e para minha surpresa lá dentro se encontrava um par de alianças em ouro branco com arremates em ouro amarelo, a menorzinha era cravejada de brilhante em um círculo dando volta em todo o anel. Fiquei boquiaberta com a espessura e a beleza da peça. Otávio dirige-se ao Dylan e fala seriamente.


— Dylan, você permite que eu me case com sua mãe? Otávio pega a minha direita e espera a resposta do meu filho. Dylan fica de pé na cadeira e grita com entusiasmo. — SIMMM! – Depois bate palmas quando vê o Otávio colocar a aliança em meu dedo, e dá um sonoro, Viva! Quando coloco a outra aliança no dedo do Otávio. Mamãe nos cumprimenta com um longo abraço, desejando-nos felicidades e nos perguntando para quando era o casamento. Otávio diz que só depende de mim. Respondi que deixava a cargo dele, e ele disse que providenciará a licença para o mais breve possível. Dylan fica muito mais feliz e, por sua vez, se joga nos braços do Otávio beijando todo o rosto dele. Depois de toda a celebração, aproveito e conto a novidade sobre minha ida a Leopoldina, na segunda pela manhã. Otávio me apoia na hora, dizendo para não me preocupar, pois cuidaria do Dylan. A semana passa rápida e logo a segunda-feira chega. Otávio me acompanha até o táxi, despedimo-nos com um longo beijo, confesso que já estava ficando com saudades dele, Otávio é um homem apaixonante, além de ser muito gostoso, mas a algo em seu olhar... Tristeza... Cheguei a Leopoldina as 8h10, o táxi me deixou no hotel Solares, ficarei hospedada nele e também é onde acontecerá o congresso. Fui direto para o meu quarto, arrumei minhas coisas e desci correndo para o início dos trabalhos. A segunda e a terça foram muito cansativas, meus dias se resumiram em palestras, demonstrações e aulas práticas, tínhamos pouco tempo para almoçar e só dez minutos de descanso nos períodos da manhã e tarde. A noite não tinha nem ânimo para sair, preferia mesmo jantar no quarto e antes de dormir ficar horas conversando com o Dylan e Otávio, a saudade estava me matando. Finalmente a quarta-feira chegou e junto com ela a certeza de que logo estaria em casa, junto daqueles que amo tanto. Como hoje era o último dia do congresso, resolvi vestir algo bem descontraído, escolhi um vestido floral bem soltinho nos quadris e acinturado com alcinhas finas. Ficou muito lindo em meu corpo, prendi os cabelos no alto na cabeça e passei uma maquiagem leve, calcei sandálias altas vermelhas, pronto! Dei uma última olhada no espelho grande do quarto, aprovando o meu visual. Desci para o restaurante, o café da manhã foi descontraído, já tinha feito amizade com todos e combinamos que após o encerramento do congresso sairíamos para comemorar no bar do hotel. Fui direto para o auditório, hoje teríamos uma palestra de Franklin Hilton, um renomado biólogo, não poderia perder isso por nada neste mundo. Foi uma das palestras mais maravilhosas de todo o congresso. Aprendi com ele e em menos tempo que todas as palestras dos dois dias anteriores. Se soubesse, só teria assistido a sua apresentação. Terminou a palestra, fui dá uma volta pelas redondezas do hotel. Desde que cheguei, não tive tempo de sair para comprar algo para os meus amores, fiz minhas compras e voltei rapidamente para o hotel indo direto para o restaurante. Esqueci-me de reservar uma mesa, tinha me esquecido completamente que o hotel estava cheio e assim o restaurante também.


Sentei na primeira mesa que encontrei vazia, não havia nela sinalização nenhuma de reserva, então não vi problema em me sentar nela. Estava lendo o cardápio quando escutei uma voz bastante conhecida por mim. — Desculpe-me, senhorita, mas esta mesa já está reservada. – Retirei o livro do meu rosto levantando a cabeça em direção à voz a minha frente. — Perdão, sentei-me aqui porque não vi identificação de reserva. – Disse isso já me levantando. Porém, antes de mover os meus pés para fora da mesa, Ricardo segura em meu braço aproximando o rosto para bem próximo de mim e sussurra. — Fique... Faça-me companhia, Emma. Engoli em seco, meu corpo inteiro tremeu com o seu toque, meu coração dispara e minha respiração acelera. Deus! Inclino minha cabeça para cima lentamente, em direção ao seu olhar. Percebo que ele também ficou surpreso com o nosso encontro. Não sei o que dizer, então falo a primeira coisa que me vem à mente. — Tem certeza que quer minha companhia ou está sendo apenas gentil? – Eemma! Minha voz interior avisa-me para me desarmar. — Desculpe-me, Ricardo. Ok, aceito o seu convite. Ele abre um leve sorriso. Volto a me sentar e ele se senta à minha frente. Fizemos o pedido e por incrível que pareça escolhemos o mesmo prato e a mesma bebida. Olhamos um para o outro e sorrimos alegremente. — O que faz aqui? – Pergunta quebrando o gelo que se formou entre nós. Aponto para o imenso cartaz quase em frente da entrada do restaurante. — Vim para o congresso, termina hoje à tarde. Ele olha na direção que apontei e, para minha surpresa, é bem direto nas palavras. — Janta comigo hoje à noite? – E me olha arqueando as sobrancelhas, não sei por que, mas eu tive a impressão que deveria aceitar. Porém, lembrei-me de o que sempre acontece quando Ricardo e eu ficamos juntos, olho para minha aliança, percebi que os olhos dele também seguiram os meus. — Quando será o casamento? – Ppergunta e sua voz soou com certa tristeza. Sua mão segue em direção a minha e ele a segura passando o polegar em uma carícia sobre ela, aquele gesto aqueceu minha alma. — Logo. – Disse, retirando rapidamente minha mão da sua. — Como vai o seu casamento? Soube que se casou as escondidas com Pietra. Ele riu. — Não me casei com Pietra, isso é fofoca dos tabloides... – Ele me olha por cima dos olhos, isso me incomodou. — Pietra e eu só moramos juntos... Só me casarei quando me apaixonar por ela. – Baixei meus olhos. — E você, está apaixonado pelo... Como é o nome dele mesmo? — Otávio. – Respondi. Graças a Deus nosso almoço chegou, ficamos em silêncio durante a


refeição, o garçom veio nos perguntar se gostaríamos de pedir a sobremesa, dispensei e pedi a conta. — Hei! Vá com calma, senhorita Emma Lancaster, sou um cavalheiro, pode deixar que eu pago. – Já ia protestar, mas ele abriu aquele riso lindo e eu quase peço para que ele me beijasse ali mesmo. E antes que minhas forças fossem à lona, levantei-me com toda a coragem da minha mente. — Ricardo, preciso ir, já vai começar o encerramento do congresso, foi um prazer revê-lo e obrigada pelo o almoço. – Pego minha bolsa e antes que os meus pés deem os primeiros passos, Ricardo me segura pelo antebraço. — Espero você hoje à noite, aqui mesmo neste restaurante, farei a reserva para nós agora. Não me faça ir buscá-la, pois se não estiver aqui às 20h., farei isso, irei atrás de você onde estiver, entendeu? Caracas, e agora? Pelo o olhar de intimação dele, ele estava falando sério, era tudo que precisava no momento, um encontro com Ricardo Willian... Começo a lembrar da minha mãe, se ela estivesse aqui diria logo, “Deus está lhe dando outra oportunidade”. Deus não faz isso comigo, vou me casar com outro homem, e o senhor sabe que Ricardo derruba minhas estruturas. Olho para ele, não sei como consegui dizer isso, mas disse. — Estarei aqui às 20h., agora preciso ir. – Olhei para a mão dele em meu braço, ele me solta e corro para bem longe dele.


Capítulo Doze “Quando fazemos sexo com amor, a entrega é total, navegamos no corpo, mergulhamos na entrega do nosso melhor, o suor é inevitável e revigorante, o entrelaçar dos corpos é intenso profundo e perfeito, como se neste momento os corpos fossem apenas um em uma dança de pura harmonia e beleza.” (Roger Stankewski)

***

Saí do restaurante cambaleando, meu corpo inteiro tremia, não sei como cheguei ao auditório, sentei-me na última fila, não consegui prestar atenção em nada do que estavam falando... Minha mente estava confusa. Resolvi sair, precisava espairecer, precisava de ar. Ainda atordoada, fui caminhar um pouco fora do hotel, assim que coloquei os pés na calçada recebo o ar fresco da tarde no rosto, sinto-me um pouco melhor. Quando iria imaginar que encontraria Ricardo em Leopoldina e hospedado no mesmo hotel que eu? É muita coincidência. Será? Será que coincidências existem, começo a pensar que minha mãe tem razão... Senti um arrepio na espinha, eu hein! Continuo minha caminhada. Deus, como farei isso, como me encontrar com o Ricardo sem deixar meu corpo e minha mente me entregar, pois o que sinto por ele está mais vivo que tudo em minha vida. Não posso fazer isso... Estou noiva de um homem maravilhoso, uma pessoa íntegra, não... Ele não merece isso, preciso resistir ao Ricardo... Burra, burra, por que fui aceitar o convite dele? Deveria ter dito não... E se eu não for... Será que ele vai me buscar mesmo? Não duvido, Ricardo é fogo, ele é bem capaz de bater em minha porta e me arrancar de lá a força. , Emma, agora é tarde, já que aceitou, encare o desafio, você nunca foi uma covarde. Sentome em um banco em uma praça perto do hotel, fico vendo o movimento das pessoas, meia hora depois volto para o hotel. Não voltei mais para o congresso, subi direto para o meu quarto. Resolvi ligar para Otávio. — Oi, noiva! Como estão as coisas por aí? – Otávio fala cheio de entusiasmo. — Nosso filho não para de chamar por sua mamãe, volte logo para nós, pois não vamos durar muito sem você. – E solta um riso gostoso. — Como é bom saber que sou amada com tanta força, Otávio! – Falo quase sussurrando. — Só volto para a casa amanhã pela manhã, marquei com o pessoal uma despedida no bar do hotel, você não vai ficar chateado, vai? Menti descaradamente, aquilo me partiu o coração, ele não merecia ser enganado, estou me sentindo uma sacana.


— Claro que não, querida, vamos sobreviver até amanhã pela manhã, não se preocupe, eu e o Dylan vamos ficar aqui ansiosos esperando por sua volta. — Obrigada, Otávio, fiquei com a consciência pesada... Vocês aí, cheios de saudades, e eu aqui fazendo farra. — Divirta-se, querida, e comporte-se, ok? — Não se preocupe serei uma boa menina. Cadê o Dylan? — Está dormindo, brincou demais na escola. — Otávio... É só isso mesmo, você não está me escondendo nada? Ele não teve uma recaída? — Não, querida, só está cansado, só isso, não se preocupe, divirta-se. — Ok. Preciso desligar. — Querida! Amo você... — Sei disso, sei disso. Diz ao Dylan que estou morrendo de saudade dele... E claro de você também, beijos e até amanhã. — Beijo, meu amor. Ele desliga. Deitei na cama e meus pensamentos voam. Por que não consigo me apaixonar por Otávio, por que não posso mandar em meu coração, a quem estou enganado? Não nego, sinto um tesão dos infernos por ele, por algumas horas ele me faz esquecer o que sinto pelo Ricardo, preciso urgentemente tirar esse homem do meu coração, da minha cabeça e do meu corpo. Foco Emma, foco no Otávio, ele será o seu marido, e é isso que importa. Adormeci. Acordei com o barulho do celular... Ainda bem que coloquei para despertar, olho para o bendito... 19h15min, dei um sobressalto, cacete, preciso me arrumar. E agora, o que vestir? Não trouxe nada exuberante... Qual é, Emma... EXUBERANTE! Para quê? Acorda Emma, é só um jantar e pronto. Escolhi um vestido de renda preto, justo no corpo, minha produção foi completamente preta; vestido, lingerie e sapatos. Prendo os cabelos em um coque bem no alto da cabeça, maquiagem leve e para completar um par de brincos longo. Olho-me no espelho, o conjunto da obra ficou bom, apropriado para um jantar entre amigos. Verifico a hora: 20h10min. Pego minha bolsa, meu cartão chave, respiro fundo e saio... Quando cheguei à entrada do restaurante, sigo até a recepcionista e digo o meu nome. Ela chama um garçom que me acompanha até a mesa. Ricardo já estava lá.

***


Quando a vi, andando em minha direção, meus olhos sorriram de alegria... Deus! Ela está linda, fiquei com uma vontade enorme de ir a sua direção e tomá-la nos braços, presenteando um beijo em seus lábios. Levantei-me, o garçom puxou a cadeira, ela se sentou, fiquei ali parado, olhando para aquela mulher linda à minha frente. Ela limpa a garganta e sorri. Volto ao planeta terra, peço desculpa e sento-me diante dela. Fiquei sem palavras, parecia um adolescente em seu primeiro encontro. Depois da minha consulta com o Dr. Bernard, esse momento estava sendo o segundo melhor do dia de hoje. Fiquei cheio de esperanças com a consulta, começarei o tratamento amanhã. Depois, minhas consultas serão duas vezes na semana. O médico disse que minhas chances de recuperação com esse tratamento são de 80%. — Ricardo! Emma me chama de volta a realidade. — Desculpe-me, fiquei hipnotizado com a sua beleza, juro que quase fui àquela mesa ali... – Aponto com o olhar para uma mesa a esquerda de nós, onde estavam dois homens jantando. Quando viram Emma, não tiraram os olhos dela. — Pedi para que eles olhassem para outra direção... — Pare, Ricardo, você está me deixando sem graça. Emma sorri com os olhos, aliás, ela ri com o rosto todo, fiquei morrendo de vontade de beijá-la, ali mesmo. O garçom traz a carta de vinho e me entrega; para o início, peço um espumante Crémant, o garçom me parabeniza pela escolha e vai buscar o vinho, ele retorna nos servindo. Espero ele retirar-se, levanto minha taça e levo até ela. — Que seja um encontro de paz. – Digo sorrindo. — Que a paz reine entre nós. – Ela sorri alegremente, encostando sua taça à minha, elas fizeram um som maravilhoso. O jantar foi servido, não conversamos muito durante a degustação. Perguntei sobre Dylan, falamos sobre nosso afilhado Kael, rimos das suas peraltices e dos seus ciúmes com a Angel... Na realidade, estava com medo de fazer perguntas e espantar a Emma para longe. Em todos os nossos encontros, sempre digo algo que a faz correr para longe, não queria isso, não queria afastá-la, não agora. Precisava ser cauteloso. Jantamos, ela não quis a sobremesa, então passamos para uma parte mais reservada do restaurante, pedi outra garrafa de vinho. Dessa vez escolhi um Torrontés, Emma me olha sorrindo e pergunta. — Quer me embebedar, Ricardo? Ai caramba, e agora, será que ela vai sair correndo, fui rápido à resposta. — Não! Esse vinho é muito gostoso, não é minha intenção embebedá-la, por favor, não pense isso. Emma solta uma gargalhada e experimenta o vinho. — Estou brincando, Ricardo, relaxa... O


vinho é delicioso. – Lambe os lábios com a ponta da língua, aquilo me deixou louco. Logo me vem à cabeça uma cena... Emma deitada, jogando o vinho em seu corpo e minha boca e língua degustando todo vinho derramado sobre ela.... Meu membro pulsou, ajeite-me na cadeira espantando aquela visão da mente. Brindamos, precisava de coragem, aquela era a oportunidade que precisava para colocar tudo que sentia para fora, bebi a taça de vinho de vez, servi-me de mais. Emma não tirava os olhos de mim. Limpei minha garganta e respirei fundo. — Emma! – Precisava aproveitar o momento, talvez nunca mais tivesse esta oportunidade. — Emma... Por favor, escute-me, preciso muito ter esta conversa com você, te peço que só me escute, depois você pode dizer o que quiser... Certo? — Ricardo, você está me assustando, o que você quer me dizer de tão importante assim? — Não me interrompa, Emma, eu te peço que só me escute... – Respirei profundamente, ela aceitou e calou-se de imediato, ficou me olhando com curiosidade e apreensão. Comecei meu discurso. — Acho que precisávamos ter está conversa há muito tempo, assim não teríamos nos perdido no tempo. Quando conheci a Angel, pensei estar apaixonado por ela, logo no início tinha certeza sobre isso, mas quando saímos aquele dia, você se lembra? Ficamos só nós dois na boate, fiquei tão impressionado com você, fiquei a semana inteira com você em minha cabeça, quando descobri que a Angel estava apaixonada pelo Daimon, não fiquei triste, senti até um certo alívio, foi aí que comecei a pensar com mais força em você. Então, na noite que fizemos amor e descobri que fui o primeiro, quase enlouqueci, não quis me casar com você por obrigação, não soube explicar direito a minha intenção... Emma... Fui educado por minha mãe de forma a respeitar uma mulher e sempre fazer a coisa certa, nunca fui irresponsável, sexo pra mim não é algo que se faça sem emoção, e a primeira vez de uma mulher tem que ser com amor... Eu me senti no céu quando soube que você me escolheu, fiquei feliz e foi então que descobri que algo muito intenso e especial nasceu em mim. Mas, como sempre, você entendeu tudo errado e me julgou. Achou que eu estava querendo substituir a Angel por você e só queria me casar por ter tirado sua virgindade... Nunca, nunca Emma, pensei desta forma. Fiquei louco quando descobri que o preservativo tinha furado, entrei em desespero, não seria justo com você engravidá-la na sua primeira relação, fui irresponsável e me senti um idiota; por isso corri até a sua porta, mas juro, Emma, juro que eu já sabia que estava apaixonado por você, e rezei muito para você engravidar, pois só assim, quem sabe, você me aceitaria. Mas não aconteceu, aí surgiu a chance quando a Angel tentou nos juntar, mas você me colocou pra correr, fiquei tão puto que resolvi desistir deste sentimento. No casamento da Angel surgiu outra oportunidade, porém, mais uma vez, você me entendeu errado, você me deixava louco com os seus pensamentos em relação a mim... Eu estava me declarando e você me colocava pra bem longe da sua vida, resolvi esquecê-la de vez, e quando eu menos espero, você surge novamente em minha vida, no dia do casamento do John... Estava disposto a tudo, eu a queria com tanta força, não me importava com nada nem ninguém, só queria você. Pietra sempre soube dos


meus sentimentos por outra mulher, ela quis correr o risco, nunca a enganei, ela sabia que a qualquer hora eu poderia ir embora... Eu queria você, Emma, eu a queria em minha vida em minha cama, em minha casa, em meu mundo. Só que você conseguiu distorcer tudo. Humilhoume e me colocou abaixo de um cachorro; pra mim foi o bastante, fiquei tão decepcionado que resolvi desistir de você e dar uma chance para Pietra. Doce ilusão. Nunca consegui esquecê-la. Minha vida tornou-se vazia, sem graça. Pietra é minha válvula de escape, uma ilusão, um engano... Quando a reencontrei em Suzano, foi meu fim, minhas muralhas caíram de vez... Emma, eu amo você, estou te dizendo de peito aberto... Amo você com toda força do meu coração, não me importo com nada, nem com Pietra nem com o Otávio, só quero você, preciso de você em minha vida, você é tudo que eu preciso... Por favor, acredite em mim. Eu estava tão emocionado que nem percebi que a Emma estava chorando... Suas lágrimas desciam por seu rosto como cachoeiras, ela soluçava... Segurei em suas mãos, estávamos trêmulos... — Meu amor, nos dê esta chance, eu te amo tanto, Emma... Ela puxa suas mãos das minhas, e entre soluços ela fala. — É-é tarde demais para nós, Ricardo... – Ela levanta-se. — Mas eu também preciso lhe dizer algo... Também amo muito você, e te peço perdão, perdão por todo o sofrimento que lhe fiz passar e que um dia eu possa fazer. Perdão, meu amor... Adeus. – Ela sai correndo pelo restaurante. Levanto-me, chamo o garçom e entrego o meu cartão. Peço que coloque a despesa em minha conta e saio correndo atrás da Emma... Não, não, desta vez ela não me escaparia... Consigo alcançá-la no elevador, seguro-a pelo braço e nós dois entramos na cabine. — Você não vai fugir de mim... Não depois do que me disse não depois que sei que sente o mesmo por mim. –Joguei-a com força na parede fria do elevador e roubei-lhe a boca. Ela fala tentando se soltar da minha boca, lutando contra o seu desejo. — Não, não Ricardo, por favor, não é certo, isso não é certo. — Para o inferno com o que é certo ou errado. –Puxo Emma pelos cabelos, o seu coque solta-se e eu entrelaço os dedos por entre os fios, forçando-a a me olhar. — Eu a quero, vou têla e vai ser agora... Emma, você é minha e nunca vai deixar de ser... Olha para mim... – Ordeno com força em minhas palavras. Roubo seus lábios e invado sua boca com minha língua, ela ofega, eu rosno, o toque da sua carne macia em minha boca roubou minha sanidade, aperto meu corpo contra o seu e começo a me roçar nele. — Diz para mim, diz que não me quer, Emma. – Afrouxo os meus dedos em seus cabelos olhando em seus olhos. — Diga! — Oh meu Deus... Não faz isso comigo Ricardo. – Ela começa a chorar. — Vamos, Emma, só diga que não me quer, eu a deixo ir... – Espero seus lábios moverem, porém ela não diz nada, ela aperta os olhos e uma lágrima desce. — Não precisa me dizer


nada, seus olhos já me disseram o que eu queria saber. Porém, sua teimosia é maior que qualquer sentimento, ela engole o choro e responde em um murmuro. — Não! – Ela responde secamente, tentando manter a postura. E antes que ela pudesse dizer algo mais, cerquei-a pela cintura puxando-a para mim com força, minha boca devora a sua deixando-a sem ação, escorreguei minha língua por seu queixo mordendo-o em seguida. Ela ofegou. — Me solta! – Ela disse entre dentes, sua raiva se mistura ao seu desejo. — Nunca. – Falei, minha boca voltou a sua e lhe roubei a língua chupando com força. — Você me quer, Emma, com a mesma intensidade que eu a quero. — Não, eu não quero. – Ela fecha os olhos com força e outra lágrima desce, sinto sua luta interior. Minhas sobrancelhas se ergueram. — Mentirosa! – Minha mão passou por sua coxa, ela estremeceu. Meus dedos encontraram sua calcinha, afastei-a para o lado com um dedo, escorregando outro dedo em suas dobras, ela arqueia o corpo gemendo baixo. Retiro meus dedos da carne quente e molhada. — Aqui a prova que me deseja. – Mostrei meus dedos encharcados por seus sucos lambendo-os em seguida. Apertei-a contra a parede do elevador roçando o meu corpo ao seu. Ela me olha com desespero. — Por Deus. Ricardo... Nós não podemos fazer isso... — Podemos sim, eu a amo e você a mim, o que há de errado nisso? Antes que ela respondesse, uma voz surge no elevador, pedindo para que liberasse a cabine. Foi aí que lembrei que tinha o bloqueado, segurei Emma pelo pescoço fazendo pressão com o polegar, e me virei para o painel liberando-o; em seguida, apertei o botão do meu andar. Sem soltar minha mão do seu pescoço, viro-me para ela fixando o meu olhar ao dela. Ordeno duramente. — Coloque os braços em volta do meu pescoço. – Ela engole um pequeno suspiro — agora Emma! – Ela obedece, e a coloco nos braços. Emma esconde o rosto em meu pescoço. Sinto suas lágrimas molhando meu colarinho. Saio do elevador com ela em meus braços, abro a porta do meu quarto, entro... Ela me olha nos olhos, seu corpo está trêmulo, coloco-a no chão... Viro-a de costa para a porta e a encosto nela, trancando a porta com a ajuda do seu corpo, coloco meus dois braços em cada lado da sua cabeça fixando meus olhos aos dela, nem piscamos. — Você é minha, sempre foi e sempre será. Nunca mais vou deixá-la ir embora. – Nossas


bocas se encontram num beijo possessivo e dominador, seguro pela nuca forçando ainda mais o beijo, ela entreabre os lábios e minha língua invade sua boca, encontrando sua carne macia e quente, ela se entrega... Emma se rende a mim. Sua reação foi como um poderoso afrodisíaco. Seus dedos passeiam por meu pescoço, acariciando-o, apertando-me, sinto os meus cabelos serem puxados e um suspiro sai da sua boca. Era tudo que queria ouvir. Afasto-a um pouco. — Levante os braços... – Ordenei. Ela assim o fez. Tirei o vestido pela sua cabeça... Lá estava ela, linda, gostosa e agora só minha. Aproximome, circulo os braços em volta do seu tronco e abro o fecho do seu sutiã, volto à posição anterior com a peça rendada em minhas mãos. Seus seios estão mais cheios, muito mais saborosos. Agacho-me ficando em frente ao que posso chamar de o monte da perdição, minhas duas mãos alcançam as laterais da sua minúscula calcinha e começo a descê-la, então eu o vejo, salivei... Puta que pariu! O meu capô de fusca continuava lindo, a única diferença era a marca da cicatriz da cesariana... Meus dedos desenharam a linha fina que se formou, ela ofegou com o toque dos meus dedos. Olhei para cima e percebi o brilho do seu olhar, ela acariciava meus cabelos com carinho, sorri para ela com ternura, meus olhos voltaram para o seu monte e minha boca o devorou com fúria e fome. Por sorte, Emma estava perto da porta e suas costas acharam a proteção necessária; com o susto, ela abriu as pernas e eu me aproveitei... Enfiei minha cara literalmente no meio das suas pernas, chupando, sugando, mordendo suas carnes, seu botão inchando e rígido. Emma gemia alto, apertava meu rosto com força em sua linda e deliciosa fenda. — Oh, meu Deus, hum, hum, coisa louca, que saudade de você, que saudade da sua boca, da sua língua... Oh, Cristo... Chupa, chupa aí, humm Ricardo, Ricardo, meu amor... A-amor humm. Ela jorrou todo o seu precioso líquido em minha boca, e sedento por ela, lambi e mordi suas carnes... Quando percebi que os seus espasmos cessaram, levantei-me ficando de frente para ela. Emma abriu um vasto sorriso. — Resisti o quanto pude, agora me segure, senhor coisa louca, pois minha fome por você extrapola minha razão. – Ela tira meu blazer e os botões da minha camisa voam pelo quarto... — Ai, que saudade desse momento, – digo sorrindo — pode rasgar minhas camisas à vontade, juro para você que comprarei uma confecção de camisas só para não lhe privar deste prazer, minha gatinha safada. Os trapos da camisa são largados ao chão, ela desafivela o meu cinto puxando-o com força... Emma me olha com um brilho perverso no olhar, escuto o som do cinto sendo batido com força ao chão, afasto-me, ela me chama com o dedo indicador. Digo não, ela sorri lascivamente batendo outra vez com a ponta do cinto ao chão, volta a me chamar com o dedo, e dou um sorriso de canto de boca, ela dá um passo em minha direção me alcançando e me puxa pelo


cós da calça. Suas mãos são ágeis, em minutos minha calça está aos meus pés, eu a tiro junto com os sapatos. Emma ajoelha-se.... Aquela posição me deixou louco, eu já sabia o que vinha em seguida... Emma puxou minha boxer de vez, e com força. Ela sussurra. — Minha tora continua linda! – Não tive tempo de pensar em uma resposta, pois o choque da sua boca quente em meu membro me levou ao delírio. — Hum... Hum. – Emma chupava meu membro e o retirava da boca lambendo todo eixo, mordia a cabeça da seta, sugava o líquido da pequena abertura, depois o devorava completamente. Rosnei com força, segurei em sua cabeça enlaçando os dedos em seus cabelos e comecei a estocar meu membro em sua boca. Emma estava faminta, pois até as minhas bolas ela chupou, quase gozo... — Humm, isso minha gatinha safada, me devora, mate sua fome de mim, assim meu amor... Humm! O calor da língua quente de Emma mais os seus movimentos de vai e vem e o barulho de prazer que ela fazia me levou ao êxtase, gozei, gozei gostoso, gozei como há muito tempo não gozava... Olhei para baixo e lá estava a mulher que amo mais do que qualquer coisa nesse mundo, saboreando o meu líquido. Não perdi tempo, puxei para mim e a coloquei nos braços, levando-a para cama com cuidado; deitei-a sobre os travesseiros, inclinome sobre o seu corpo e saboreio os seus seios, mordendo cada mamilo e os puxando para mim, a marca dos meus dentes e da minha saliva ficaram. Queria deixar minha marca, queria marcá-la como minha só minha... Espanto meus pensamentos sórdidos, fixo em seu corpo e em seus seios lindos. — Coisa louca, quero você dentro de mim, não me tortura, tanto tempo esperei por isso, por favor, meu amor me possua agora. — Não precisa pedir novamente meu amor... – Se ela soubesse que na maioria das vezes transava com a Pietra pensando nos nossos momentos. Encaixei minha rigidez em sua abertura e empurrei lentamente, ela estava tão molhada para mim, tão escorregadia... Os gemidos que vinham da sua garganta só me deixaram mais possessivo, retirei o membro da sua entrada. Emma me olha com necessidade. Ofegante, ela protesta. Agarrei o seu cabelo, segurando firme enquanto me esfregava nela, provocando-a. Emma começou a respirar com pressa e a tremer... — Você é minha – murmurei com os olhos em chamas, volto a me esfregar em seu corpo, minha rigidez passa por suas dobras fazendo fricção em seu clitóris, ela gemia com força, puxei os seus cabelos com mais força. — Eu quero ouvir você dizer isso. — Oh Deus! Eu... Sou... Sua! – Ofegava em seu prazer.


— Novamente. — Sou sua... Coisa louca da minha vida. Puxei os seus cabelos com mais força, ela ofegava cada vez mais rápido, afastei-me, estiquei o braço abro a gaveta, pego um preservativo e o vesti em meu membro, mesmo sabendo que não podia engravidá-la ainda, não posso correr o risco, só depois que os resultados dos meus exames chegarem e souber que estou limpo de qualquer doença. Aí sim, nada ficará entre mim e ela. Coloquei meu membro em sua abertura e presenteei sua boceta com uma invasão dura e forte, meu membro escorregou bem fundo dentro de suas carnes. Emma arqueou o quadril com força fazendo assim a penetração mais profunda, minhas estocadas foram fortes, rosnava alto, estar dentro dela era como estar no paraíso, entrei e saí com força, ela gemia. — Eu amo você, moça teimosa. Sempre amei, minha linda moça teimosa. – Ela entrelaçou as pernas em volta da minha cintura e intensificamos o nosso ritmo de entra e sai. Ela gritou alto quando o seu prazer chegou e um grunhindo saiu da minha garganta. Nosso êxtase foi intenso, meus espasmos duraram por minutos. Aos poucos nos acalmamos, nossos corações voltaram ao normal, levei-a para um banho demorado, cheio de carinho e promessas, voltei com ela em meus braços, não vesti nada nem ela, cobri-a com o meu corpo, puxando-a para bem perto de mim, joguei o edredom sobre nós. Dormimos abraçados e felizes.


Capítulo Treze “A vida é curta e na entrega ao medo, perdemos um tempo precioso, o medo é igual a dor, salva, é um sinal que algo precisa ser feito, então tente, só assim saberá o que podia ter ganhado com aquilo, perder tenho certeza que nunca perderá nada arriscando, tudo na vida é um aprendizado, uma nova experiência, então tente! ” (Rogério Stankewski)

***

Acordei sentindo a respiração suave do Ricardo, Deus! Então é verdade, não foi um sonho... Aconteceu tudo aquilo realmente e desta vez sem brigas e discussões. Nem consigo me mover, tenho medo de acordá-lo e assim quebrar a magia, fiquei ali deitada em seu peito, mal respirava, ele dormia tão gostoso agarrado a mim, passo a mão levemente sob o seu peito, inspiro profundamente o seu cheiro. — Amo você, senhor coisa louca. – Sussurro. Não posso ficar aqui, preciso ir embora antes que ele acorde; ainda não estou pronta para lhe contar a verdade... Sim, sim eu vou lhe dizer que o Dylan é o seu filho, não posso mais continuar mentindo para ele, não agora que eu sei o quanto ele me ama e o quanto sou louca por ele... Sei que corro o risco de perdê-lo, eu sei... Aliás, tenho certeza de que ele me odiará, talvez pelo resto da minha vida, porém eu devo isso a ele e ao Dylan. Sustento meu corpo pelo antebraço e fico admirando Ricardo. “Eu não desistirei de você, Ricardo, lutarei por seu amor, mesmo que você me jure ódio eterno, farei de tudo para reconquistá-lo”, falo em pensamento. Mas, por hora, não posso enfrentá-lo, preciso de um tempo para tomar coragem. Sento-me com cuidado a cama, coloco os meus pés ao chão e quando já estou para me levantar, escuto o protesto de uma voz. — Onde a senhorita pensa que vai! Sua voz soa com certa dureza, olho por cima dos ombros, em direção a ele. Ricardo estava apoiando o corpo sobre os braços e me olhando desconfiado. — Por acaso pensava em fugir por aquela porta, sem se despedir de mim? – Ele aponta com o queixo em direção a porta. — Sinto lhe dizer, moça teimosa, a senhorita nunca mais vai fugir de mim, pois não irei permitir. – e me puxa para ele, caio sobre o seu peito e os nossos rostos ficam próximos. — Nunca mais, Emma Lancaster, vou deixá-la ir... Você é minha para sempre, sem volta e sem devolução. – E me beija a boca, roubando-me a língua; entrego-me ao calor do momento. Ricardo me afasta um pouco analisando o meu rosto, devo estar ruborizada, pois sinto minhas bochechas queimarem. — Então, não vai se defender? Limpo a garganta e me ajeito sentando na cama. — Só ia tomar um banho. – Menti descaradamente.


— Sem mim! – Ele ri. — A partir de hoje faremos tudo junto, aprenda isso, moça teimosa. – Ele brinca com o meu queixo. Senta-se e se recosta à cabeceira da cama, olhando-me com certa desconfiança. — Emma, posso fazer uma pergunta? Senti um frio na espinha, mesmo assim respondi. — Pode. Ele me segura às mãos e as puxa para perto dele, baixo os olhos, tento controlar minhas lágrimas, ele me segura pelo queixo forçando-me olhar em seus olhos. — Por que o Otávio? Por que você aceitou se casar com ele e não comigo, já que você não o ama. Respirei fundo, precisava ser sincera... — Um dos motivos foi por que fiquei com raiva quando soube que você se casou às escondidas com Pietra, fiquei com raiva e triste ao mesmo tempo; então pensei que deveria dar uma chance ao Otávio já que ele me ama. — E o outro motivo? – Ele me olha por cima da sobrancelha. Esse motivo eu não poderia lhe contar, não agora. Baixei meus olhos, precisava encontrar uma saída para fugir desta pergunta, meu queixo começa a tremer. — Ok, posso reformular a pergunta! – Ele acaricia meus cabelos, mas não tira os olhos do meu rosto. — Porque esse medo de se envolver e de se comprometer? A Angel me disse que foi por causa do abandono do seu pai, mas não consigo entender como uma mulher tão forte e decidida como você deixar-se abalar dessa forma. Alívio... Foi o que senti. Essa pergunta também era difícil; no entanto, essa eu podia responder. — A Angel só conhece uma parte da história, nunca contei tudo... – Ricardo pega uma das minhas mãos e leva aos lábios, sinto o calor do seu hálito sobre ela. — Emma, você tem um sério problema de confiança... Nem para sua melhor amiga você se abre completamente. Angel ama você como uma irmã, mesmo assim você não confia nela. É mentira minha? — Eu sei disso... Ela foi a pessoa com quem mais me abri, porém, é muito difícil escancarar os meus medos. Eu sinto vergonha. Sei lá. — Então me conte o que aconteceu de verdade, para deixá-la assim tão arredia. Respirei fundo e olhei para ele. Uma lágrima desce por meu rosto, confessar aquilo para Ricardo ia ser muito difícil, mexer em meu passado, lembrar tudo que passei seria muito dolorido para mim... Então começo... — Fui criada em um lar cheio de amor... Pelo menos era o que eu pensava. Meu pai tratava


a mim e a minha mãe com tanto amor, tanto respeito, mamãe era tratada como uma rainha por meu pai, ela não fazia nada dentro de casa, pois ele não deixava. Vivíamos bem, nossa casa era muito confortável, eu estudava no melhor colégio particular de Florence, mamãe tinha o seu próprio carro, tínhamos empregada, tudo que uma mulher deseja em um homem, minha mãe tinha. Ele a cobria de atenção carinho, nunca vi o meu pai discutir com a mamãe, era meu amor, minha vida, minha paixão, meu mundo, era assim que ele a tratava, as amigas da mamãe morriam de inveja dela. Vivia dizendo que o meu futuro marido teria que ser igual ou melhor que o meu pai... Eu amava muito meu pai, ele era o meu céu o meu mundo, o exemplo de homem que eu queria para mim... – Comecei a chorar, aquelas lembranças abriram uma ferida em meu coração. — Hei! Não fica assim meu amor, shhh, calma, Emma. Se não quiser continuar, pode parar, ok? – Ricardo me abraça com força, senti as batidas fortes do seu coração, foi o que me deu força para continuar. — Minha mãe acordava todos os dias com um sorriso no rosto, ela era cheia de vida, cheia de alegria e muito, muito linda, minha mãe era uma mulher feliz, meu pai a fazia feliz, e eu o amava por isso, queria que Deus me desse um marido igual a ele... Então, uma bela tarde, a polícia invade a nossa casa, e leva a mim e a minha mãe para a delegacia. Fomos quase arrancadas de dentro de casa, à força, eles falavam coisas horríveis sobre o meu pai e diziam que minha mãe era cúmplice dele, ficamos horas lá. Eles nos separaram, só ouvia o choro e os gritos da minha mãe. Como não tinham mais argumentos, eles acreditaram nela, e nos deixaram ir embora. Meu pai roubou a empresa em que trabalhava e fugiu, depois descobriram que a cúmplice dele era sua secretária, 20 anos mais nova que ele. Dois dias depois fomos mandadas embora de nossa casa, só com direito de levar nossos pertences pessoais... Escondi meu rosto no peito do Ricardo, comecei a sentir tudo aquilo novamente, a mesma dor e desespero de muitos anos atrás. — Eu só tinha 14 anos, Ricardo, era uma menina que ainda brincava de bonecas, ficamos na rua sem destino, se não fosse por uma policial que nos deu o endereço de um abrigo, teríamos dormindo na rua. No dia seguinte, fomos ao banco verificar nossa conta e para nossa tristeza meu pai tinha encerrado a conta e levado todo o dinheiro que existia. Minha mãe ficou desesperada, por sorte ainda tínhamos nossas joias, vendemos todas, só fiquei com um crucifixo que guardo até hoje, foi esse dinheiro que nos ajudou por um bom tempo. Com ele, alugamos um quarto e sala e compramos alguns móveis usados, só o essencial, minha mãe me matriculou em uma escola pública, e tentamos levar a vida com dignidade. No início, ela vivia dizendo que logo o meu pai voltaria para nos buscar, e me mandava colocar um prato a mais a mesa... Depois, ela passou para a revolta, vivia xingando ele de todos os nomes possíveis; veio à fase pior, a depressão, ela perdeu a vontade de viver, acordava chorando e dormia chorando, não saia da cama, não queria comer... Oh, meu Deus! – Gritei. — Emma, é melhor pararmos, você não vai suportar, não precisa continuar mais, meu amor, já entendi o porquê de tudo. – Ricardo não me solta, fica me acalentando.


Mas eu preciso ir até o fim. Continuei... — O dinheiro acabou, e me vi obrigada a procurar um emprego, mas quem daria um emprego a uma garota de 14 anos, quem!? Estudava pela manhã e toda vez que saía do colégio batia de porta em porta, em lanchonetes, mercados, até em casas particulares, procurava saber se suas donas não precisavam de uma babá ou mesmo uma empregada doméstica. Então, quando vi a fome apertar, comecei a pedir esmolas, saía do colégio, vestia outra roupa e ficava nos fundos dos restaurantes pedindo sobras... — Até que um dia um senhor que tinha uma lanchonete me viu no colégio e perguntou o que estava acontecendo, contei toda a verdade, foi aí que ele resolveu me ajudar, comecei a trabalhar no período da tarde em sua lanchonete. O dinheiro que recebia dava pra pagar o aluguel e comprar alguma coisa para comermos, eu completava com as sobras da lanchonete. Estudava pela manhã, trabalhava à tarde e quando chegava em casa cuidava do jantar e do almoço do outro dia. Lavava roupa e arrumava a bagunça. Na madrugada, fazia minhas atividades escolares e estudava um pouco, mamãe não se animava pra nada, só fazia xingar os homens e ao meu pai, o seu discurso era sempre o mesmo “homem não presta, são todos iguais, quando encontram outra mulher mais nova e interessante larga você por ela; não confie em homem, Emma, eles só querem usar você”. Eu escutava isso todo santo dia. — Meses depois, quando cheguei em casa, encontrei minha mãe desmaiada no chão, entrei em pânico, corri para um telefone público e chamei uma ambulância. Mamãe sofreu um AVC, ficou sem os movimentos das pernas e sem movimentar o lado esquerdo do corpo, mas o médico me disse que era reversível, foi o meu alívio, ela só ia precisar de fisioterapia. Graças a Deus, o governo fornecia esse tratamento de graça e domiciliar. Foram anos de luta, eu sozinha para tudo, enquanto as meninas da minha idade se divertiam, eu fazia cálculos financeiros, contava centavos, mantinha uma casa e cuidava de uma doente. — E como se não bastasse, denunciaram-me para o serviço social, quase enlouqueço, iam levar minha mãe para uma clínica do governo e me colocariam em um orfanato. Meu patrão conseguiu um advogado e ele conseguiu minha emancipação, respirei aliviada. Depois, conheci a Angel e foi aí que as coisas melhoraram, eu já estava calejada pela vida e minha armadura contra homens era muito forte, não me deixava apaixonar. Muitas vezes eles diziam que eu era fria como uma pedra de gelo, não ligava, só queria me divertir. E quando eles tentavam avançar o sinal, eu os colocava pra correr... O restante você já sabe. Ouvi a respiração pesada do Ricardo, ele não me soltava, comecei a chorar compulsivamente... A dor da lembrança era muito forte, Ricardo beija o alto da minha cabeça. — Nós dois sofremos com o mesmo problema... Abandono da figura paterna. Só que no meu caso, tive a proteção da minha mãe até a minha maior idade; já você, criou-se sozinha e ainda cuidou da sua mãe. Shhh, meu amor, se antes eu já tinha o maior orgulho de você, agora tenho muito mais. Desprendo-me dos seus braços e muito emocionada, digo.


— Ricardo, sei que o que passei não justifica o que fiz a você. Em momento algum, quero me justificar nem quero que sinta pena de mim, mas quero que saiba que as minhas ações foram por medo do abandono... Ainda tenho medo de ser abandonada e talvez esse medo nunca vá passar, mas peço que me perdoe... Por favor, Ricardo me perdoe, me perdoe... – Meu corpo tremia por meus soluços, um nó formou-se em minha garganta. Ele me puxa para si, apertando-me em seus braços. — Emma, Emma... Não tenho nada que perdoar você, fique calma meu amor, pelo amor de Deus, desse jeito você passará mal. Não conseguia me controlar, meu corpo tremia com força, meu medo triplicou, estava apavorada, a sensação de perdê-lo para sempre tomou conta do meu ser. Desesperada, prendo-me a ele e imploro. — Prometa-me, Ricardo, prometa-me que aconteça o que acontecer, você nunca vai me abandonar, nunca vai desistir de nós... Prometa-me, por favor. Ele me segurou o rosto com as duas mãos beijando-o por várias vezes, e a cada beijo dizia: — Prometo... Prometo... Prometo... Prometo... Meu amor, não fique assim, já disse que nunca mais deixarei você ir, você é minha para sempre... Meu corpo não me obedecia, pois meus tremores aumentaram, comecei a me sentir mal, minha respiração ficou acelerada, eu me apertava ao corpo dele. Ricardo percebeu meu pavor... — Emma. Respire, respire. Meu anjo, pelo amor de Deus! Emma... Emma! Não conseguia responder, minha voz sumiu, não conseguia respirar, queria gritar e não conseguia, segurava Ricardo com força, ele alcançou o telefone e eu o ouvi falar com a recepção, pedindo um médico para o seu quarto, com urgência. Não sei quanto tempo levou para o médico chegar. Quando percebi, estava sendo avaliada por um estranho, procurei por Ricardo e logo o vi ao meu lado, segurando minha mão. Estava assustado e com um olhar de preocupação, o médico afasta-se um pouco e o chama, mas consegui escutar o que ele disse para Ricardo. — Sua noiva teve um ataque de pânico, ela já está melhor, o que precisa agora é descansar, você sabe o que desencadeou esse ataque? — Sim, eu sei. — Então evite que isso aconteça novamente... Para o bem dela. Não vou passar nenhuma medicação, pois não sei se ela faz algum tratamento, deixe-a descansar. O médico foi embora, percebi o colchão afundar do meu lado. Ricardo me pegou com cuidado. colocando-me em seu peito, o seu abraço é tão bom, tão reconfortante... Oh, meu Deus, o que eu fiz? Por que eu fui tão burra, tão egoísta? Vou perdê-lo, sei que vou... Minhas


lágrimas voltam e molham o seu peito. — Ei, moça teimosa, não chore, estou aqui para você, shhh. – Adormeci. Acordei com o som do meu celular, pulei da cama e corri para atendê-lo. — Alô! — Querida! Você está bem, aconteceu alguma coisa? — Otávio... Oi, não, não aconteceu, por quê? — Por quê! Você sabe que horas são? Já era para senhorita estar em casa há horas. Verifico as horas, e já são mais de 11h. da manhã. Deus do céu e agora? — Desculpe-me. Otávio... Perdi a hora mesmo, ontem fui dormir muito tarde e não coloquei o celular para despertar, não se preocupe, pois já estou indo embora. Cadê o Dylan? — Está aqui cheio de perguntas, ele quer saber onde a mamãe dele está... Emma! – Otávio faz uma pausa depois me pergunta — Você está bem? — Sim. Estou bem, diz ao Dylan que já estou indo, tá! — Ei, amo você, moça bonita, estou com muita saudade... – Ele espera uma resposta. — Emma! Percebo que alguém me observa, viro-me e vejo o Ricardo recostado no batente da porta do banheiro. — Ok, Otávio, daqui a pouco estou em casa, diz ao Dylan que não demoro, tchau... — Ei, ei! Emma! Ele me chama com pressa. — Beijo. – Ele fala todo cheio de emoção. — Outro, tchau. – Desligo rapidamente, Ricardo continua me olhando.


Capítulo Quatorze “Quando se reencontra alguém muito especial, só temos duas escolhas: deixar acontecer e correr o risco de perder novamente, ou demonstrar tudo o que sente e correr o mesmo risco.” (Valmir Souza)

***

Em dois passos, chego até ela. Seguro-a pelo pescoço, fazendo pressão com o polegar em sua nuca. Emma ficou sem ação, fui muito rápido, em questão de segundos ela estava sentindo meu hálito quente e mentolado em seu rosto. Meu olhar dizia que minha boca iria lhe falar algo muito, muito sério. Nem pisco, respiro lentamente e minha voz sai fria como aço. — Se sonhar que esse cara tocou em você, juro Emma, juro que vou atrás dele e lhe parto a cara... Mantenha as mãos dele bem longe de você... Entendeu? Você é minha e sacana nenhum vai tocar no que é meu, estamos entendidos? – Ela me olha assustada. Pego sua mão direita e arranco a aliança do seu dedo. Emma engole em seco, ela nunca imaginou que eu fosse tão possessivo, no pouco tempo em que estivemos juntos, nunca demonstrei ser ciumento quanto mais possessivo. Seus olhos não desviam dos meus, tenta se soltar da minha mão. — Ricardo, pare com isso, Otávio não lhe oferece perigo, mas... Agito o seu corpo olhando-a desafiadoramente e lhe digo. — Essa merda vai para o lixo, e, mas o quê? Mas o que, Emma. — Otávio ainda é meu noivo. – Tenho certeza de que ela se arrependeu de ter dito isso, pois a cerco pela cintura, juntando os nossos corpos com força, e ela continua. — Ainda não terminei o relacionamento, farei isso logo... Caralho, Ricardo, não precisa ficar furioso. — Furioso. – Mantenho meu rosto bem próximo ao dela. — Você ainda não me viu furioso, experimenta chegar perto de mim com o cheiro dele em você, aí sim, você vai me ver furioso. – Sinto o seu queixo tremer, não resisti e lhe roubei a boca. Beijei-a com posse, invadi sua boca com minha língua e nossas carnes se tocarem, o choque foi tentador, meu membro pulsou. Coloquei-a nos braços e ela circulou meu tronco com as pernas, sustentei-a pelo traseiro. Vou até a mesa de cabeceira e apanho um preservativo, girei meu corpo e a sentei no encosto da poltrona. Rasguei sua calcinha com um único puxão, soltei o nó da minha toalha, vesti o preservativo e em um só movimento a penetrei. — Hum, hum – meu membro escorregou lentamente em suas dobras molhadas, — Você é minha perdição, gatinha safada – soquei meu membro com


força, entrei e saí com uma necessidade tremenda, precisava dela, precisava sentir o seu calor interior. — Moça teimosa, eu te quero tanto que sou capaz de cometer a pior loucura que um homem já cometeu por amor... – Olhei para ela e lhe falo exigente. — A quem você pertence, Emma? Hein! – Espero a resposta, e ela me diz entre gemidos. — Oh, hum... A você... A você, pertenço a você, oh, meu Deus! – Delirante, ela procura minha boca, devora os meus lábios. — Repita olhando em meus olhos, minha gatinha safada. – Soquei meu membro com mais força em seu interior, ela gemeu alto, puxando os meus cabelos. — Repita! – Exigi. Seus olhos encontram os meus, e ofegante ela me obedece. — Sou sua, Ricardo, agora me fode com força meu gostoso, por que eu quero gozar. Ela não precisou pedir duas vezes, entrei e saí com força e rápido, nossos gemidos de prazer se confundiam, apertava os seus seios com uma mão e com a outra beliscava a carne macia do seu traseiro. — Oh, meu amor a-assim, humhum... Aí, que gostoso, oh, meu Deus. – A massagem que Ricardo estava fazendo em meu traseiro estava me deixando louca, aproveito e faço o mesmo, aperto as carnes macias da sua bunda gostosa. — Humm, que carne macia você tem, coisa louca, sinto vontade de fazer coisas nessa sua bunda que você nem imagina. – Arqueei o meu quadril facilitando seus movimentos, ele gostou, pois aumentou o ritmo e logo nos prendemos um ao outro. Emma começou a rebolar em torno do meu membro, não resisti, meus espasmos foram sublimes, ela gritou de prazer e abafei o seu grito com um beijo quente e molhado, mordi os seus lábios, o seu queixo, pescoço. Fiquei ali preso à mulher que amo com tanto desespero. Meus espasmos foram desaparecendo e a respiração dela foi voltando ao normal. — Você está bem, meu amor? – Perguntei preocupado. — Desculpe-me, esqueci por completo que a pouco você passou mal... – Caralho, sou um animal, pensei comigo mesmo. — Está sentindo alguma coisa, Emma! – Ela fica, ali, parada olhando para mim sem responder nada. — Emma! – Chamei mais uma vez com um olhar preocupado. Ela começa a rir. — Estou sentindo sim... — Puts! O que você está sentindo? – Peguei-a nos braços e a levei para cama, deitando-a sobre os travesseiros. Ela começa a gargalhar, fiquei puto. — Bobo! – Ela Bate em meu peito com a mão fechada, inclino-me sobre o seu corpo, e com um olhar zombeteiro, ela me diz. — Eu estou sentindo saudade, é isso... Já estou com saudade de você. – Beijo-a de forma terna... Ela geme em minha boca. — Te amo, Emma Lancaster, eu a amo, como nunca amei e amarei outra mulher. Emma me puxou apertando o seu corpo ao meu, seu coração respondeu a minha


declaração. Mesmo assim ela diz. — Eu amo você com a mesma força. Por que fui tão burra, tão egoísta e não percebi que não posso viver sem você? Ouvir isso de Emma foi como ganhar mil prêmios na loteria. E a beijei novamente. Ficamos assim, abraçados, senti que ela não queria me soltar, não queria ir embora. Ela fica pensativa com o olhar fixo ao meu, observo-a, como eu gostaria de ler seus pensamentos. Percebo sua tristeza. “Se eu pudesse, eternizaria esse momento, pois sei que logo só terei lembranças, será que você vai me perdoar pelo que fiz?” — Emma, não fique assim... Olha, assim que chegar a Florence, conversarei com Pietra e resolverei minha vida, você fará o mesmo. Logo estaremos juntos e nunca mais vamos nos separar, ok! — Ok! – Percebo que ela engole as lágrimas que insistem em sair dos seus olhos, ergo-a e a ajudo a se sentar, e ela diz com pressa. — Preciso tomar um banho rápido, trocar de roupa e ir embora... – Olhei-a sobre as sobrancelhas e lhe dou um sorriso cínico. — Trocar a roupa sim, mas banho nem pensar. Você vai assim, do jeito que está. Com o meu cheiro em seu corpo. – Emma me olha com espanto, acho que por essa ela não esperava. — Ficou louco! Eu cheiro a você do dedão do pé até o último fio de cabelo. – Não, não estava brincando, dei-lhe um olhar sério e agito a cabeça afirmando. — E você? – Ela me pergunta. — Também não vai tomar banho, pois o meu cheiro está em você do mesmo jeito. — Nem sob decreto, tiro o seu cheiro do meu corpo e do meu pau. – Acho que ela não esperava esta resposta, pois ela me olhou com surpresa. — Jura! — Juro. Agora vamos até o seu quarto, enquanto você termina de arrumar suas coisas, vou encerrar sua conta. – Pego Emma pelos braços e roubo-lhe a boca. Já sabia que ela ia protestar, então não lhe dei tempo para isso, e fui lhe beijando até o quarto, deixei-a lá e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, desapareci da sua frente fechando a porta atrás de mim. Só escutei o seu grito me chamando. — Ricardo! Mas que droga, posso pagar minha conta... Ahahah. Arrumei minhas coisas, fechei minha mala, olhei-me no espelho e quando já ia chamar alguém para vir buscar minha bagagem, Ricardo surgiu e logo atrás um rapaz. Ele mostrou ao rapaz minhas malas. — Pronta moça teimosa. – Meu coração estava em frangalhos, mas não queria que ela percebesse, não sei se suportaria esperar muito tempo sem vê-la. Emma me olha e os seus olhos me dizem o tamanho da sua emoção.


— Se pudesse, nunca mais iria embora... – Sinto a verdade em suas palavras. Ela corre para os meus braços. Aperto-a e o som do meu coração canta uma linda melodia para ela. — Emma, resolva tudo que tem que resolver com o Otávio essa semana, sábado eu a quero em minha cama e em minha casa. Assunto encerrado. – Peguei na sua mão e a puxei para fora do quarto. Ricardo me deu um ultimato. O prazo foi curto, mas é o suficiente; hoje mesmo, no máximo amanhã, converso com Otávio, conto toda a verdade sobre Ricardo e sobre Dylan, e sábado será a vez dele saber toda a verdade sobre o seu filho, seja o que Deus quiser. Chegamos à parte externa do hotel, onde o táxi já esperava por Emma, meu coração estava pequeno, não queria deixá-la partir, não queria me separar dela; no entanto, era necessário, tanto ela quanto eu tínhamos pendências a resolver, esperamos tanto tempo para ficarmos juntos, mais alguns dias não iria nos matar. Emma vira-se, ficando de frente para mim, os seus olhos estão lacrimejando, aquilo me parte o coração. Eu a puxo para mim. — Sábado estaremos juntos, eu, você e o Dylan... Posso não ser o pai biológico dele, mas serei o melhor padrasto do mundo, pois já o amo como a um filho. – Emma começa a chorar compulsivamente, o que será que disse para fazê-la chorar deste jeito, preocupo-me. — Meu amor, Emma! Pelo amor de Deus, não fique assim, Emma! Desse jeito não deixarei você viajar sozinha... Emma acalme-se. – Ela me olha com um olhar sofrido, seu corpo treme. — Será que algum dia você vai me perdoar, por tudo que lhe fiz. – Eu não consigo nem olhar para ele, sentindo-me a pior das mulheres. — Já lhe disse que não tenho nada para lhe perdoar, Emma... – Não entendo por que ela insiste em bater na tecla do perdão. — Preciso ouvir. – Peço a ele novamente. — Prometa-me, aconteça o que acontecer, você nunca vai me deixar, nunca vai me abandonar. — Prometo, prometo, meu amor, não irei abandoná-la, agora entre no táxi, ou então não a deixarei ir. Ela me abraçou e em seguida entrou no táxi, senti seu corpo quente e isso me preocupou. O táxi desapareceu na esquina, respirei fundo e fui para o meu compromisso com o doutor Bernard, estava esperançoso, em breve daria uma irmãzinha ao Dylan. Não consigo tirar Emma da cabeça, quando ela entrou no táxi, percebi que seu corpo estava quente... Essa mudança brusca de temperatura não era boa, não depois que a vi passar mal em meus braços. Nunca imaginaria que Emma passou por tantas adversidades, como um homem pode abandonar mulher e filha, dar adeus sem ao menos olhar para trás, sem nenhum remorso? Emma era só uma criança e teve que virar uma adulta de uma hora para outra. Em um dia ela era uma criança doce, que brincava de bonecas e sonhava com o seu príncipe encantado,


num piscar de olhos, seu mundo virou, deu adeus às bonecas e aos sonhos, para se torna responsável por sua própria sobrevivência e educação. Cristo! Não consigo nem imaginar o que ela deve ter sentindo e passado até alcançar a maior idade, como ela conseguiu chegar sem romper sua integridade, sem romper os princípios, sem se corromper? Agora entendo o porquê do receio que ela tem em se entregar de coração para alguém, em não confiar e sempre se manter na defensiva... Só quem passou pelo que ela passou vai entendê-la, e sinto que Emma ainda tem medo do abandono, de ser trocada, jogada de lado. Continuo caminhando pela calçada com minhas lembranças e a imagem triste dos olhos de Emma; como eu não percebi antes, o olhar da minha gatinha sempre foi triste perdido, não poderia ser diferente. Emma foi abandonada pela pessoa que ela mais amou na vida, aquele que mais lhe deu segurança e exemplo. Ele deu e tirou sem nenhuma piedade. Chego ao prédio do consultório do Dr. Bernard, entrei no elevador, aperto o botão do andar. Minha gatinha de olhar triste... Serei sua segurança, sua estrutura. Entrei no consultório do médico e logo fui chamado. Dr. Bernard começou o tratamento e as aplicações naquele dia... Estava feliz, minha vida começava a fazer sentido, logo poderia engravidar a única mulher que amei, amo e amarei na vida. Dr. Bernard me disse que a partir de agora era só praticar, pois as injeções com as altas doses de medicação começariam a agir, ele aumentou a dosagem e prescreveu dois medicamentos via oral. Assim que sai do consultório, passei na farmácia e comprei a medicação. Lá mesmo as tomei, segunda-feira eu viria novamente para a segunda e última aplicação. E depois passaria para os exames só para medir a quantidade de espermatozoides. Voltei para o hotel feliz e cheio de esperanças; no entanto, estava preocupado com a Emma, algo me dizia que ela não estava bem...


Capítulo Quinze “O que fazer quando a razão e a emoção estão em conflito, mas as duas querem a mesma coisa? A diferença é que a razão sabe que o melhor é esperar a hora certa; já emoção quer agora e quer mais que tudo. Mas em um ponto elas estão totalmente de acordo: de uma forma ou de outra essa coisa será sua.” (Tatiane Costa)

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O táxi parou em frente à floricultura, paguei e desci, o taxista me ajudou com as malas... Olhei para o prédio de um andar que está à minha frente, meu passado veio à tona... Quando cheguei a Suzano, trazia na bagagem desespero, tristeza e solidão, uma mãe depressiva e muito avaliada pelo sofrimento. Estava desolada e dominada pelo medo, a única força que me mantinha viva era o que eu carregava em meu ventre: meu filho, o pedacinho do único homem que amarei na vida. Meu filho virou minha razão de vida, e por ele eu morreria, nunca, jamais o abandonaria, não faria com ele o que o meu pai fez comigo, mesmo que eu precisasse mentir e fugir pelo resto da minha vida ninguém o tiraria ou o afastaria de mim, ficaria com ele, eu o criaria com muito amor e quando ele estivesse homem e capaz de caminhar com as próprias pernas, eu lhe diria a verdade sobre o seu pai. Mas como minha mãe mesmo diz: “A vida dá voltas e sempre voltamos para o início”, e lá estou eu novamente nos braços do Ricardo, e com ele o início de tudo, só que, agora corro o risco de perdê-lo para sempre e também posso perder o motivo de toda a minha mentira: meu Filho, e se isto acontecer, minha vida acaba, pois como poderei viver sabendo que não consegui cumprir com a promessa que fiz a ele, de nunca abandoná-lo em momento algum. Respiro fundo. Hoje começa o dia da verdade. Começarei por Otávio, contarei a ele sobre o Ricardo e sobre o Dylan. Sei que o Otávio também não vai me perdoar por não ter lhe confiado à verdade sobre o meu passado, mas já sabia que um dia isso poderia acontecer, e apesar de ter mentido sobre o pai do Dylan, ele sempre soube que não o amava, nunca lhe enganei, nunca lhe fiz promessas; ao contrário, eu sempre fui muito sincera quando dizia para se afastar de mim, pois não queria me envolver com homem algum. Sei, às vezes, deixava-o avançar um pouco o sinal da amizade e ele me roubava uns beijos, quer dizer eu deixava ser beijada, não sou de ferro e os meus vibradores não beijam na boca. No entanto, era só o que acontecia entre nós, só alguns beijinhos e só. Porém, também devo explicações ao Otávio, antes de sermos amantes somos amigos, e ele sempre esteve ao meu lado e nunca me pediu nada em troca. Ainda me lembro de quando nos vimos pela primeira vez... Estava fazendo a mudança e segurava várias coisas ao mesmo tempo, quando me desequilibrei e caí. Otávio estava passando e viu, correu para me ajudar. Daí em


diante, ficamos amigos, ele começou a me ajudar na mudança e se ofereceu para pintar a floricultura. Otávio parecia tão perdido, sempre com uma aparência molambenta, barba por fazer, camisa amarrotada, às vezes suja; tinha vezes que sumia por dias, quando não surgia bêbedo na calçada; um dia perguntei o que estava acontecendo, e ele me disse que eram os negócios, não andavam bem e me pediu para não me preocupar, pois logo sairia desse buraco. Foi então que percebi que Otávio ficava feliz quando se sentia útil. Convidei-o então para me ajudar na floricultura quando não estivesse trabalhando, e ele aceitou. Um mês e meio depois estávamos colocando algumas mudas na estufa, quando escuto Otávio gritar, desesperado, avisando-me que eu estava sangrando, o sangue descia pelas minhas pernas. Foi então que senti uma dor fina próxima a minha bexiga, gritei e ele correu até mim. Disse a ele que estava grávida. Otávio correu comigo para o hospital, fui atendida imediatamente e o médico me disse que sofri um princípio de aborto, mas o bebê estava bem e eu só precisava de repouso, precisei ficar um mês de cama, com as pernas elevadas. Foi Otávio quem cuidou de mim, da floricultura e da minha mãe. Ele me carregava nos braços o tempo todo, pois não podia andar. Daí em diante, Otávio tornou-se meu anjo da guarda e do meu filho. Ele mudou muito a partir deste dia, tanto na aparência como em suas atitudes, vi um homem renascer diante de mim. Quando senti as contrações, estava trabalhando e foi Otávio quem me ajudou. Encontroume caída no chão da floricultura e me levou, às pressas, para o hospital. Era para ser parto normal, mas Dylan estava atravessado e não houve jeito, foi parto cesárea, fiquei com medo de perder meu filho e gritava feito uma louca. A médica chamou Otávio para ficar ao meu lado, e foi ele quem segurou o meu filho. No outro dia, quando acordei, chamei por ele, e como forma de gratidão, disse que poderia escolher o seu nome, vi lágrimas em seus olhos, escolheu Dylan, eu me apaixonei pelo nome... Perguntei ao Otávio porque este nome, e me respondeu que o nome pertenceu há alguém muito especial e, infelizmente, já não estava entre nós, pois tinha sido tirado do mundo de uma forma muito triste. Um dia ele me contaria sobre Dylan, pensei logo que este Dylan deveria ser um irmão ou quem sabe um filho, que faleceu há muito tempo. Sabia que não era casado e não tinha filhos, perguntei quando nos conhecemos. Ele me olhou com tanta força no olhar e me disse que era a forma mais nobre de homenagear o outro Dylan, pois seria de um anjo para outro anjo... Não podia negar isso a ele, e aproveitando o momento, convidei-o para ser padrinho do meu filho. Otávio ficou cheio de emoção e aceitou ser o padrinho. Desse dia em diante, assumiu o papel de padrinho, vestiu a camisa e não saiu mais de perto do seu afilhado. Como dizem os antigos, padrinho é o segundo pai, e assume o papel quando o verdadeiro pai não está presente, e foi isso que Otávio fez e faz até hoje. Pego a minha bagagem de mão e minha mala, trago o ar com força e solto lentamente...


Vamos lá Emma, chegou a hora, seja forte e enfrente sua covardia de cabeça erguida... Ricardo merece ser feliz, merece a verdade... E Otávio não merece ser enganado. Não me sentia bem, meu corpo formigava, parecia que o meu sangue estava me furando a pele, entrei na floricultura, minha mãe estava atendendo um cliente... Sorri para ela, cumprimentei a cliente e fui direto para o interior da casa. Minha cabeça doía, sentia-me muito mal, estava sentindo falta de ar... Deus! Clamei em pensamento. Mamãe entra na sala e vem até mim, assim que ela me abraça percebe que não estou bem. — Filha! Deus meu, você está fervendo... – Ela toca em minha testa, as lágrimas descem por meu rosto, então pergunto. — Onde está Otávio e Dylan? Mamãe segura em minhas mãos e me guia até o sofá, sentamo-nos, ela me olha com preocupação. —Dylan está dormindo, cansou de lhe esperar... Você não falou com Otávio? Ele disse que ia ligar para quando estivesse a caminho do aeroporto. — Como assim, aeroporto, ele viajou? — Sim, ele não lhe disse? Recebeu uma ligação assim que terminou de falar com você, pela manhã, aconteceu um acidente em umas das empresas que ele administra e precisaram dele com urgência... Ele foi para Sacramento, pensei que tinha lhe avisado. Foi então que lembrei que tinha desligado o celular, pois fiquei sem bateria. — Meu celular desligou... Poxa! Ele disse quando volta. – Por essa, não esperava. — Eu não sei... – Mamãe me toca a testa novamente. — Emma, você está queimando de febre, o que está sentindo minha filha, por que está tão aflita? Emma, meu amor, o que aconteceu? — Encontrei o Ricardo... E nós fizemos amor e foi mágico... Ele me quer mamãe, ele me ama e eu disse sim... Mamãe... Vou contar toda a verdade ao Ricardo e ao Otávio, não posso voltar para o Ricardo antes de lhe contar toda a verdade, e eu sei que vou perdê-lo para sempre, e junto perderei o meu filho... Oh, meu Deus! Por que mamãe, não lhe dei ouvidos, por que fui tão tola, tão egoísta, tão estúpida? Agora vou perder o homem que amo por pura estupidez... Oh, mãezinha, mãezinha... Jogo-me no colo da minha mãe e choro, o ar some dos meus pulmões, respiro apressadamente, mamãe me ajuda a levantar e me leva para o meu quarto. Ela me deita sobre os travesseiros, tira os meus sapatos, folga minha saia e desabotoa a minha blusa. Mamãe nada me diz, só acarinha o meu rosto, acaricia as minhas mãos, começa a


soprar em minha face, sinto o frescor do seu hálito, meu coração está acelerado e minhas mãos estão suadas. Ela começa a massagear meus pulsos. — Emma. – Ela me olha com carinho. — Nossos caminhos são traçados por nós mesmos a partir das nossas escolhas. Você fez as suas e agora está na hora de colher o que plantou. Meu amor, estarei aqui, ao seu lado, para segurar a sua mão e lhe apoiar... Esteja pronta para mais um desafio, mais uma batalha dolorosa e árdua. Tenho certeza, Emma, que você conseguirá vencer essa também. Mamãe me puxa para um abraço, e fala carinhosamente. — Shhh, acalme-se, meu amor, respire, respire devagar... Shhh. Fiquei ali no abraço da minha mãe até adormecer, foi a primeira vez que minha mãe cuidava de mim, desde o dia que o meu pai foi embora, sempre cuidei dela, sempre fui à mãe e ela a filha.

***

Fiquei com a Emma em meus braços, ela queimava de febre e o seu corpo tremia, respirava com dificuldade, já sabia o que ela estava sentindo. Pânico. Minha filha estava apavorada, o medo de perder Ricardo e Dylan a estava enfraquecendo, Emma é tudo que eu gostaria de ser. Sempre invejei minha filha, forte, uma rocha, não envergava, não se dobrava, e quando tomava uma decisão ela seguia em frente, sem se importar com as consequências. Por diversas vezes ficava olhando para ela e pensava como ela conseguia ser tão resistente. Quando o Edgar foi embora, Emma tomou as rédeas da nossa vida, eu nunca vi minha filha chorar, ela tinha acabado de completar 14 anos e virou o homem da família, assumiu a responsabilidade de tudo e, em nenhum momento, reclamou e nunca largou minha mão, ficou comigo o tempo todo, eu a ouvia dizer a todo o momento o quanto me amava e que nunca ia me abandonar, e nunca me abandonou, nunca desistiu de mim. Ela foi minha fortaleza e hoje a fortaleza está desmoronando. Nenhum homem conseguiu chegar perto dela, o único que conseguiu ultrapassar as muralhas que Emma construiu em torno de si foi o Ricardo; por isso ela fugia dele, pois perto do Ricardo ela se sentia frágil, vulnerável, completamente indefesa. Emma não se permitia amar, para ela amar era se entregar ao fracasso, era deixar o outro usá-la e depois jogá-la fora. Tudo culpa minha, eu fiz isso à minha filha. E agora, vendo-a assim, sinto-me responsável... Maldito Edgar, espero que o inferno o tenha engolido. Ele nos deu tudo e depois nos tirou sem nenhum remorso, canalha... Coloco Emma


nos travesseiros, sua respiração está voltando ao normal, cubro suas pernas, levanto-me, inclino meu corpo em sua direção beijando sua testa, ela continua febril, deixo-a descansando. Se ela não melhorar, chamarei um médico. Saio do seu quarto e quando já estou descendo as escadas Dylan vem até mim perguntando sobre sua mamãe. — Vovó, a mamãe já chegou? Pego Dylan nos braços e beijo o seu rostinho rosado, ele realmente se parece muito com o Ricardo, não sei como ele ainda não conseguiu notar a semelhança. — Sua mamãe já chegou meu amor, só que ela está dormindo. – Afasto-o um pouco e olho o seu rostinho lindo. — Sua mamãe está dodói, ela está com febrinha, vamos deixá-la descansar só um pouquinho, ok? — Mamãe está dodói igual ao Dylan, vovó? Ela vai “precisar” de “ijeção”? A mamãe sente dor? Eu posso ficar com ela, eu “julo” que fico “quetinho”. Meu neto era o menino mais fantástico do mundo, um menino doce e muito amável. Emma soube orientá-lo sem precisar da minha ajuda, tinha o maior orgulho da minha filha e do meu neto. — Quando você terminar o lanche e tomar um gostoso banho, eu e você vamos ficar com a mamãe. Ok, meu príncipe lindo! – Brinco com ele fazendo-lhe cócegas na barriga. Ele ri concordando imediatamente. Coloco-o ao chão. Nesse momento o telefone toca, peço para Dylan atender. Ele fica todo feliz, vou direto para cozinha preparar o seu lanche. — Alô. Oi tio “Ricado”... A mamãe! Tá sim... Ela não pode, está dormindo... Não! O meu papa viajou... Ela tá dodói, tá com “feble”, certo, tá eu digo, e se a vovó perguntar quem foi eu digo o quê? Tá certo, tio, beijo. O Dylan chega à cozinha com uma carinha toda feliz. — Quem era ao telefone? — Foi engano vovó. – Ele sorri e diz que está morto de fome...


Capítulo Dezesseis "Para os erros, há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo...”

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Assim que desliguei o celular, rezei para que o Dylan não dissesse a Mirela quem era ao telefone. Agora não conseguirei dormir, sabia que a Emma não estava bem. Quando nos despedimos, senti o seu corpo quente, estou muito preocupado com o estado emocional dela. Esse medo de ser abandonada não é normal, sinto que há algo muito mais sério por trás disso tudo. Bem, não há outro jeito a não ser esperar o outro dia chegar, não posso fazer nada por agora. Meu celular toca. Já sei quem é. — Alô! — Oi, meu amor, não sente minha falta não? Poxa, Ricardo, o que está acontecendo? Desde ontem não falo com você, aposto que se não tivesse ligado, você não ligaria para mim, estou mentindo? — Pare Pietra! Você não me ligou para uma DR. Meu dia foi cansativo, amanhã à noite estarei em casa e podemos ter quantas DRs você quiser. Cocei a cabeça com impaciência, detestava discutir relação. E Pietra adorava isso. — Aff! Que bicho lhe mordeu, Rick, só estou com saudades suas, fiquei preocupada, pois você não retornou minhas ligações, caramba! Puts, lá vou eu novamente magoando quem não merece, a Pietra é a última pessoa que eu poderia magoar. — Desculpa, é o cansaço. Amanhã à noite estarei em casa, ok? Pietra! – Eu a chamei. — Precisamos conversar sobre nós dois e é sério. Senti sua respiração profunda. Com a voz já trêmula, fala. — O que foi que eu fiz dessa vez, Ricardo. — Você não fez nada, quem fez fui eu. Fica tranquila, Pietra, amanhã conversamos. By! — É para me preocupar?


— Pietra! Amanhã converso com você, by. — Ricardo. Eu amo você. – Ela espera minha resposta, eu só respiro profundamente. — By amor. – Ela desliga. Desligo o aparelho em seguida. Caralho... Eu não quero, mas vou magoá-la, Pietra gostava mais de mim do que devia, só espero que ela não sofra muito. Amanhã ligarei para o meu advogado, sei que a Pietra tem direitos, afinal são quase cinco anos convivendo juntos, ela tem direitos e não negarei isso a ela. Entrei debaixo da ducha quente. Caralho... Meus pensamentos retrocedem para noite de amor com Emma, sentia-me completo, extasiado e saciado. Fazer sexo é muito bom, porém fazer sexo com amor é maravilhoso, é divino. Deito-me, procuro o travesseiro que Emma se deitou, cheirei profundamente... Humm! Senti o cheiro dela e foi assim que adormeci... Inalando o cheiro delicioso da mulher que amo. — Bom dia, moça teimosa! Ei, acorda, meu amor. Estava sentado na cama de Emma, admirando-a dormir, notei os seus olhos inchados, inclinei meu corpo sobre o dela e acariciei o seu rosto com a ponta do meu nariz, sussurrei bem próximo ao seu ouvido. — Moça teimosa... Minha gatinha... Acorda! Emma sorri levemente. — Hum! Você nem em meus sonhos deixa de ser real. – Ela murmura. Emma pensa que está sonhando. Deslizo meu nariz por todo o seu rosto soltando beijos leves. — Hum, meu amor não está sonhando, estou bem aqui, em sua cama, morrendo de saudades. Ela abre os olhos piscando várias vezes, quando percebe que não sou um sonho, ela senta-se imediatamente. — RICARDO! – Grita assustada. — Como você chegou até aqui, quem lhe deixou entrar? – Puxo Emma para um beijo. — Ninguém me deixou entrar, a porta estava aberta e entrei. A propósito, depois falaremos sobre isso, mesmo Suzano sendo uma cidade pacata, sua segurança e a do Dylan estão em primeiro lugar. Ela me olha com espanto. — Minha mãe, ai Jesus, o Dylan! Eles sabem que você está aqui? — Calma meu amor. – Começo a rir. — Esperei sua mãe sair com Dylan, não se preocupe pelo que escutei, sua mãe vai demorar, ela foi levá-lo na escola e depois vai ao mercado, pelos meus cálculos temos umas duas horas só para nós dois. Emma coça os cabelos, e aquele gesto me deixou louco, ela ficava muito mais linda quando acordava. — Você está melhor. – Toco o dorso da minha mão em sua testa. — Pelo menos está sem febre, sente algum mal-estar, dor?


— Pera aí... Como você sabe que passei mal? – Ela solta a coberta. Então percebo que ela está só de sutiã e calcinha... Nossa! Engulo em seco, disfarço minha excitação. — Liguei ontem à noite para falar com você. — Aí, minha mãe linguaruda lhe disse que estava doente, só pode. — Não! Alguém me disse que você estava dodói e com “feble”. – Sorri com entusiasmo. — O Dylan! Eu mato aquele anjinho... – Ela me olhou e sorri com os olhos. Morri. Aproximei o meu rosto do dela e nossos lábios roçaram um no outro. Aos poucos, ela entreabriu a boca e minha língua tomou passagem, varrendo sua boca até encontrar sua carne macia e molhada, o beijo se intensificou, e minhas mãos procuraram o seu corpo quente. Emma desabotoou botão por botão da minha camisa e logo o meu peito estava à sua disposição, suas mãos começaram a passear por meu peito e foram subindo até minha nuca, dedinhos mágicos e maravilhosos tocaram minha pele, ela entrelaçou os dedos por meus cabelos e empunhou força, o beijo ficou muito mais duro e faminto. Agora era a minha vez... Minhas mãos alcançaram o fecho do sutiã e libertei os seus seios lindos da prisão de renda, olhei em direção a eles. Salivei. Mordi o seu queixo, escorreguei a boca por seu pescoço e a curva dos seus ombros, deixei um caminho de pelos arrepiados, seus mamilos ficaram rígidos. Minha boca encontrou o que tanto queria provar, abocanhei um seio e mamei a aréola rosada, chupei com força. Emma arfou, forçando minha boca contra o seu seio, fiz o mesmo com o outro seio, ela gemia chamando por meu nome. Segurei seus seios com minhas mãos, massageando os seus mamilos e fui fazendo um caminho abaixo com a boca, mordi o seu abdômen, mergulhei minha língua na profundidade do seu umbigo. Emma não suportou o choque e deitou sobre os travesseiros, minha boca chegou ao seu V inchado, mordi-o por cima do tecido fino da calcinha e com os dentes fui retirando-a do meu caminho, ela ergueu o quadril para cima, fui descendo sua peça pequena de renda até o meio das coxas, depois a retirei com as mãos. Fiquei de pé e livrei-me do restante das minhas roupas, peguei um dos seus pés e os beijei, fiz um caminho acima com minha língua, Emma gemia baixo, apertando com força o lençol da cama com as mãos. Cheguei a suas coxas e mordi devagar, espalhei suas pernas. Caralho! O seu mel já escorria por suas dobras, não consegui me segurar e caí de boca em suas dobras suculentas e encharcadas. Mordi o seu botão rígido, chupei-o, minha língua percorreu com fome suas carnes até encontrar seu orifício proibido. Quando ela sentiu minha língua naquele lugar tão íntimo... Gemeu alto, arfando com dificuldade. — Ricardo... Ri... Cardo. – Ela ergue a cabeça e o seu olhar é de puro desejo, sinto a sua necessidade. — Preciso de você dentro de mim. — Eu sei meu amor, mas antes preciso ouvir de você só uma palavra... — O que você quiser. – Ela estava entregue, do jeito que eu a queria.


— A quem você pertence, Emma Lancaster, a quem você pertence? Inclinei-me por cima do seu corpo, posicionando a cabeça da seta em sua entrada molhada e apertada. Ela se contorcia em seu desejo. — Pertenço a você, coisa louca, só a você, Ricardo. Oh meu Deus! Hum. Enterrei meu membro de vez dentro do seu corpo. Emma arqueou o corpo com força, ficamos ligados, tornamo-nos uma só pessoa, olhamo-nos intensamente, nossas bocas uniramse, mas não fechamos os olhos... — Você é minha... – Saí de dentro dela, entrei novamente e com força. — Minha! – Saí, entrei. — Minha! Só minha. – Não deixei os seus olhos nem sua boca, meu membro entrava e saía do seu corpo com força, a cada estocada eu lhe afirmava que ela é minha. — Amo você, minha gatinha safada, amo você. Emma arfava em seu prazer, ela começou a gemer e me apertar com as pernas, suas mãos percorriam o meu corpo, beliscavam minha bunda, ela me batia e começou a se mover com força e a rebolar em meu membro, a cama começou a fazer barulho e bater na parede do quarto, os nossos gemidos se confundiram segurei-a por baixo do seu traseiro, juntando ainda mais os nossos corpos, socava rápido e forte meu membro em seu corpo. Nossas bocas se mordiam, nossas línguas eram sugadas. Emma rebolava gostoso, sentia as suas paredes íntimas... Cristo, que sensação maravilhosa, ela arqueava o corpo com força, arranhava minhas costas, desespero, vi em seus olhos, ela estava perto do clímax, e eu também. Colei meu corpo com força ao seu e um grunhido escapou da minha garganta. Emma gritou de prazer, soltou minha boca e mordeu meu ombro com força. — Argargargarg... – Soltei um grunhindo alto, foi um prazer intenso, minha semente jorrou longamente dentro dela, foi longa e quente, fiquei por minutos lançando no corpo de Emma o meu líquido viscoso, meus espasmos foram intensos. Emma solta minha carne e nos beijamos com a mesma intensidade que acabamos de fazer amor. Estávamos suados, exaustos e continuávamos presos um ao outro. Retirei uma mecha do seu cabelo do rosto e a beijei carinhosamente. — Você está bem? – Perguntei. Ela assentiu com a cabeça. Retirei-me de dentro dela, senti a falta do seu calor íntimo. Levantei-me da cama e a peguei nos braços. Emma encolhe-se em meus braços, escondendo o rosto em meu peito, ela nada diz. Banheia. Amamo-nos novamente embaixo do chuveiro, e mais uma vez me senti no céu. Emma permanecia calada, deixou ser cuidada, eu a sequei, troquei sua roupa, penteei seus cabelos e a coloquei no colo. Desci para cozinha e fiz o seu café da manhã. Servi para ela. — O que minha gatinha tem, está tão quieta? – Vi um pouco de tristeza em seu olhar. — Emma, olha para mim? – Ela me olhou, seus olhos estavam marejados de lágrimas. — Nunca


mais a deixarei ir, agora vou cuidar de você, eu prometo. – Começo a acariciar o seu rosto, limpo uma lágrima. — Ei, acredite, não a deixarei nunca mais, juro. – Ela me abraça com força, escuto o seu suspiro. — Promete! – Ela murmura. — Prometo. – Essa Emma eu não conhecia. A Emma frágil, insegura, dominada pelo medo. Começo a entender o porquê de ela nunca querer ficar comigo, ela temia ser abandonada, temia que eu fizesse o mesmo que o seu pai fez com sua mãe. Abracei-a com muito mais força, beijei o alto da sua cabeça. Cristo, como um pai pode fazer tanto mal a uma filha. Emma se escondia por baixo de uma capa de mulher forte, decidida, dona de si, mas era uma criança frágil e medrosa, apavorada pelo medo do abandono. Comecei a sentir ódio do seu pai, será que um dia Emma se livraria desse trauma, será que eu conseguiria lhe dar a segurança que ela precisa? Espero que sim. Ela enche o peito de ar e solta lentamente, limpa as lágrimas soltando-se do meu abraço. — Meu amor você precisa ir, daqui a pouco minha mãe chega. – Ela me olha. — Otávio foi a Sacramento, não sei quando ele volta, mas vou até ele amanhã, preciso resolver isso o mais rápido possível. — Não senhora! Nem pensar. Emma, não quero você sozinha com ele. – Era só o que faltava, eu iria mesmo deixá-la ir se encontrar com Otávio em uma zona neutra. — Não! Esperamos por tanto tempo, posso esperar um pouco mais, espero ele voltar, não a deixarei ir a Sacramento, e ponto final. — Que besteira Ricardo, vou pela manhã e volto à tarde e resolvemos logo isso. Não posso mais enganar Otávio. — Não! Não permito que vá. Encerrou o assunto Emma, é não e não. – Levanto-me imediatamente, aquele assunto já estava me deixando nervoso. Ela vem até mim e tenta me convencer, mas não volto atrás. — Se eu descobrir que você foi sem minha autorização, juro, Emma, que ficarei muito zangado com você e não responderei por mim, nem quero imaginar o que faço com aquele cara se ele tocar em um fio de cabelo seu. — Ricardo! – Ela me chama atenção. — Vou lá terminar o relacionamento com ele e esclarecer as coisas entre nós dois, não vou para fazer sexo com ele, largue de ser besta. — Não! Morro de ciúmes desse cara, você vai esperar ele voltar e irá conversar com ele aqui e pronto. – Beijei-a e não a deixei falar, virei às costas e saí apressadamente, sem mesmo lhe dizer adeus. Eu não queria discutir com ela.


Capítulo Dezessete “Palavras sem atitudes voam ao vento; Sonhos sem atitudes, não passam de desejos; querer mudar sem ter atitude, são mudanças que não acontecem; Amor sem atitude, nunca passará de uma paixão; você, sem atitudes, sempre será ninguém”. (Roger Stankewski)

***

Ricardo nem me deu chance de argumentar, ele me virou as costas e saiu batendo o pé com firmeza, nunca imaginei que ele fosse tão ciumento e possessivo. Acho que vamos ter problemas futuros, pois o Otávio é o padrinho do Dylan e os dois são apaixonados um pelo outro, o Ricardo terá que aceitar Otávio na vida do Dylan, ele não pode impedi-los de se verem... Fiquei sentada à mesa pensando nos últimos acontecimentos da minha vida, não sei por quanto tempo fiquei, ali, olhando para um ponto fixo, nem percebi que estava sendo observada por minha mãe. Ela limpa a garganta chamando a minha atenção. — Aí, mãe, quase me mata de susto. — Nem precisa me dizer em quem estava pensando... Acho que o nome dele começa com R. Acertei? Sorri. Estava na cara, agora vivo suspirando por ele... — Emma, porque você não termina logo com isso. Liga para o Otávio, e conta tudo para ele. Termina logo com essa aflição, minha filha, e corre para os braços do Ricardo. Revele de vez que o Dylan é filho dele e seja o que Deus quiser. — Mamãe! As coisas não podem ser resolvidas assim, nas coxas... Cacete, tanto o Otávio como o Ricardo merecem respeito e consideração, já fiz muita cagada, agora quero fazer a coisa certa. O telefone da floricultura toca, mamãe vira-se e corre para atender, ela me grita de onde está. — Emma... É para você. De longe, ela me avisa que é o Otávio. Respiro fundo e vou atender, mamãe me beija a testa deixando-me sozinha. — Alô! – Tremi a voz.


— Oi noiva, sua mãe me disse que senhorita não estava bem, o que foi? Emma, não me esconda nada, ou ficarei muito puto com você. — Não foi nada, já estou bem... Foi só uma febre boba, não precisa ficar preocupado. Meu Deus! Não me sentia bem agindo desta forma, meus olhos vão direto para aliança de ouro em meu dedo. — Querida, como não me preocupar com você... Você e o Dylan são os meus bens mais preciosos, quando vai entender isso. Agora acabou de me matar, minha consciência pegou fogo. — Otávio, quando você retorna? — Quarta-feira, não vai dar para voltar antes disso, por quê? Está com tanta saudade de mim assim. – Ele ri descontraidamente. — Humrun. – Menti. — Não é só isso... Preciso muito conversar com você; mas tudo bem, posso esperar até quarta. — Emma! O que aconteceu, estou notando você diferente desde quarta-feira passada. – Fala. Percebi certa desconfiança em sua voz. — Não se preocupe, quando voltar nós conversaremos. Você está bem? Onde está hospedado? – Mudo logo de assunto. — Tirando minha saudade de vocês, estou bem, só um pouco cansado. Estou hospedado no Maxim’s, deixei o número do quarto e do telefone anotado na caderneta do balcão da floricultura. — Muito trabalho? — Bastante, fizeram uma burrada das grandes e sobrou para eu consertar. Querida, também tenho algo para lhe contar. – Otávio faz uma pausa, sinto sua respiração acelerada. — É sobre o meu passado, preciso falar sobre duas pessoas que me foram muito especiais. Fico calada, quem serão essas pessoas, que eu saiba o Otávio não tinha família. — Emma, preciso desligar, quando voltar explicarei tudo, diz ao Dylan que estou morrendo de saudade. Amo você, querida, beijos. — Beijo Otávio, direi ao Dylan sim, tchau. Desliguei o aparelho, pego a caderneta e vi a anotação do Otávio, destaco a folha e coloco no bolso da calça. Estava resolvido, iria até Sacramento amanhã pela manhã, não iria protelar esse assunto, Ricardo não precisaria saber disso, iria pela manhã e depois pegaria um táxi direto para Florence conversar com ele sobre o Dylan. Amanhã, minha vida viraria de cabeça


para baixo, perderia as duas pessoas que mais me amam na vida de uma só vez. Meus primeiros clientes entram, abro um sorriso e vou atendê-los. A manhã passa que nem sinto, estou de cabeça baixa, fazendo algumas anotações, quando escuto a vozinha do meu filho me chamando com toda a euforia, olho para meu relógio e tomo o maior susto, quem foi buscar o Dylan. Ele corre em minha direção chamando por meu nome. — Filho, com quem você veio? Dylan, você não veio sozinho da escola! – Brado com ele. — Não mamãe, adivinha quem foi me buscar na escola? – Eu agacho-me e olho para ele já aflita. — Pare de suspense, Dylan, quem foi buscar você? — Fui eu. Uma voz profunda e tremendamente sexy responde minha pergunta. Engasguei no susto, o Dylan me olha todo feliz e corre em direção ao Ricardo. — Não é mega fantástico isso, mamãe! – Dylan não consegue se conter de tanta felicidade. — Ele foi na minha “cola”, e a professora deixou o tio “blincar” com todo mundo, virei “celebidade” mamãe, o tio é “patocinador” da “cola”, a “diletora” ficou “apesentando” o tio “Ricado” para todo mundo, eu me senti “impotante”, todos os meus amigos ficaram morrendo de inveja de eu mamãe. Dylan não parava de falar, estava no entusiasmo de dar dó, falava do Ricardo com brilho nos olhos. Fiquei com vontade de chorar, fiquei morrendo de vontade de gritar para ele que o Ricardo era o seu pai de verdade. Ricardo não parava de rir, Dylan cerca os bracinhos em volta do pescoço dele e lhe dá um abraço apertado. — Eu amo você, tio Ricardo, você me fez muitão feliz, viu? Ricardo enche os olhos de lágrimas, limpa a garganta disfarçando sua emoção. Ricardo olha para mim e me fala sorrindo. — A escola do Dylan é uma das patrocinadas por minha empresa, gosto de investir em escolas que procuram inovar na educação. Quando o Dylan me disse o nome da escola dele, fui ver na lista e, por coincidência, ela é uma das mais de mil escolas financiadas por nós. Engasguei... Deus estava brincando comigo. — Quem ia dizer que justo a escola do Dylan seria apadrinhada por sua empresa, agora fiquei boba na surpresa.


O que eu ia dizer? Para o Dylan, eu e o Ricardo não nos conhecíamos, precisava disfarçar. — Mamãe, convidei o tio para almoçar com eu... — Eu já aceitei. – Ricardo responde sorrindo. — Tudo bem, já que o meu filho fez a vez do homem da casa, será um prazer tê-lo a nossa mesa, Ricardo. — Obaaaa! – Dylan grita em euforia, desce do colo do Ricardo e corre para a cozinha chamando pela avó. Em dois passos, Ricardo me alcança e me rouba a boca, fico entre ele e o balcão da loja. Fiquei sem ação com o rompante sedutor e avassalador do senhor Ricardo Willian, foi um beijo possessivo e delicioso, molhei minha calcinha e meu coração quase sai pela boca. Nossas línguas se encontraram e duelaram entre si, as mãos do Ricardo percorreram minhas curvas cheias de ousadias, apertando minhas carnes com desejo e fogo, minhas pernas cederam e os braços fortes do meu amor me cercaram, sustentando o meu corpo, dando-me a estabilidade necessária para me manter de pé. Sinto sua rigidez na altura do meu umbigo, o homem estava duro e ofegante, mordia meus lábios, meu queixo, depois voltava para minha boca roubando minha língua para ele. Cacete, eu já estava quase desmaiando de tanta emoção. Ricardo solta a minha boca e olha em meus olhos. A força do seu olhar me dizia que seu desejo já estava beirando a loucura. — Eu te quero com tanta força, mulher, que sou capaz de te colocar em meus braços e levála para o seu quarto e fazer amor com você desesperadamente. – Seus lábios cobrem os meus novamente. Eu o afasto um pouco, precisava respirar, meu corpo inteiro treme, minhas pernas estão bambas. Ricardo me sustenta em seus braços, ele me leva a um banco, eu me sento e puxo o ar para os pulmões. Ufa! Eu digo. — Homem do céu, desse jeito você me mata. Oh Deus! – Ricardo varre o meu rosto com o olhar. — O que foi? — Você é linda! Parece um dia ensolarado sem nenhuma nuvem no céu. Amo você moça teimosa. – Ele me oferece o seu lindo sorriso de garoto levado, o seguro pelo maxilar e deposito um suave beijo em seus lábios. — Também amo você, meu céu estrelado. – Rimos juntos. Parecíamos dois adolescentes bobos. Mamãe faz barulho, eu sei que ela fez isso só para nos avisar que estava vindo em nossa direção. Dylan voa nos braços do Ricardo. — Tio, você nem imagina o que a vovó fez para o almoço... Adivinha tio, eu “adolo”.


— Se for o que estou pensando, vou raspar o prato e repetir duas vezes. – Ricardo parece um menino peralta. — Macarrão com queijo e almôndegas! — Como o tio sabe, já sei...! A mamãe contou, poxa vida assim não vale. Ele enche a bochecha de ar, ficando zangado. — Eu não contei Dylan. Ele só deve ter sentido o cheiro, ele sente o cheiro do macarrão com queijo à distância. Fala para ele, Ricardo. – Ricardo me olha surpreso e olha ao mesmo tempo para o Dylan, mamãe limpa a garganta chamando minha atenção. Acabei de me entregar de bandeja, ainda bem que o meu filho só tem cinco anos e não entendeu nada, Dylan segura o rosto do Ricardo com as duas mãozinhas e lhe pergunta curioso. — É verdade, tio, você é igual ao Dylan “adola” macarrão com queijo? — Sim, e sorvete de chocolate. — Bate aqui, tio. – Dylan levanta a mãozinha para o Ricardo bater, ele bate. — É supimpa, “agola” fiquei com fome. Mamãe nos convida para a cozinha, foi um almoço divertido, Dylan repetiu dois pratos e comeu toda a salada de agrião, tomates e beterrabas, sem reclamar. Não fez birra para tomar o suco de laranja com cenoura, parecia um homenzinho conversando à mesa com o seu ilustre convidado. Terminamos o almoço e fomos para sala, Dylan puxou o Ricardo para a brinquedoteca, mas antes Ricardo disse que precisava ir até o carro, Dylan começou a chorar, pois pensava que o Ricardo estava indo embora. — Ei, campeão, calma, só vou pegar uma coisa que esqueci no carro, já volto, fique aqui com a mamãe. Dylan limpou os olhinhos e assentiu com a cabeça, ele segurava com força minhas pernas, coloquei-o em meu colo e esperamos Ricardo voltar. Em menos de cinco minutos Ricardo entrou novamente pela porta da floricultura, Dylan desceu dos meus braços e correu ao encontro do seu “amigo”. Ricardo estava com um embrulho enorme nas mãos, entregou ao Dylan. Ele se ajoelhou ao chão e começou a rasgar o papel de presente. Quando viu o que era, seus olhos olharam para mim em uma alegria alucinante. Ricardo realizou o sonho do meu filho sem mesmo ele saber, há tempos que o Otávio tenta lhe comprar isso, mas nunca conseguia encontrar. A coleção completa dos dinossauros, todos eles, e em todos os tamanhos, até vulcão tinha no meio. Vi meu filho chorar de emoção. Ricardo senta-se ao lado dele, Dylan vira-se para ele e lhe dá um abraço apertado e começa a chorar.


— Ei, ei, campeão, não é para chorar, é para brincar. Você gostou? Tenho essa coleção desde pequeno, foi minha mãe quem me deu de presente, agora pertence a você. E aí o que me diz? Não suportei aquilo, corri dali, não queria que o meu filho me visse chorar. Sou um monstro, um monstro, como pude fazer isso com esses dois, comecei a bater em meu rosto. Mamãe chega ao banheiro e me abraça. — Shhh, shhh... Emma acalme-se, o Ricardo ficou sem entender, respire minha filha, respire. – Enchi o pulmão de ar e soltei lentamente, fiz isso umas três vezes, limpei as lágrimas. — Agora volte lá e fique com os dois homens da sua vida; coragem minha filha. Obedeci. Voltei cheia de coragem, os dois estavam brincando e foi assim à tarde dos dois, eles se trancaram na brinquedoteca e brincaram a tarde toda, já era umas cinco da tarde quando Ricardo surge à floricultura com o Dylan nos braços, ele estava dormindo. — Ele me pediu colo, disse que estava cansado. – Dylan dormia tranquilamente nos braços do pai com o rex na mãozinha. — Vem comigo. – Acompanhei Ricardo até o quarto do Dylan. Chegando lá, Ricardo o colocou a cama, tirou os sapatos dele e a roupinha, deixando-o só de cueca. — Seu filho é lindo. Ele me lembra de alguém, só não consigo me lembrar de quem. Ricardo beija Dylan na testa e saímos lentamente do quarto. Ricardo me imprensa na parede, encostando sua testa à minha, meus olhos fixam aos seus, nossas respirações aceleram-se. — Sábado venho buscar vocês dois para passar o fim de semana lá em casa, vamos começar uma nova fase em nossa vida, quero vocês para mim, mesmo que Dylan não seja meu, o quero em minha vida. Abri minha boca para lhe dizer que o Dylan era dele, mas Ricardo abafou minhas palavras com um beijo, senti suas lágrimas molharem o meu rosto. Foi um beijo terno e cúmplice, ele afastou a boca da minha, mas colocou a mão sobre ela, impedindo-me de dizer qualquer coisa. — Shhh, não diz nada. Sábado venho buscá-la, amo você, moça teimosa. Ele beija minha testa, segurou minhas mãos, e foi embora as soltando lentamente.


Capítulo Dezoito “A vida segue acontecendo nos detalhes, nos desvios, nas surpresas e nas alterações de rota que não são determinadas por você.” (Martha Medeiros)

***

Fui direto para Florence, não sei explicar o que estava sentido naquele momento, só posso dizer que ficou um vazio em meu peito, algo não estava certo, algo não se encaixa, percebi que a Emma queria me contar alguma coisa, mas fiquei com medo de escutar, e se ela quisesse me dizer que não queria mais ficar comigo, que desistiu. Precisava sair da sua casa o quanto antes, não suportaria outro não, ela agora pertence a mim, o Dylan pertence a mim, faremos uma família linda. Eu a amo preciso dela... Parei o carro. Não conseguia dirigir mais, pois os meus olhos ficaram nublados, deito minha cabeça ao volante e choro, choro toda a minha dor. “Deus! O que está acontecendo? Ajudeme!” Grito o meu desespero, minha aflição, respiro fundo e solto o ar lentamente, preciso de equilíbrio, não posso me deixar vencer pelo o medo. Emma é minha, nunca mais a deixarei ir; aconteça o acontecer, ela será minha. Relaxo o meu pescoço e volto à posição anterior, ligo o carro e vou ao meu destino. Assim que chegar em casa, conversarei com Pietra. Enfim, ela já sabia que cedo ou tarde isso iria acontecer, nunca lhe prometi amor, estamos juntos por conveniência, eu sei, eu sei... Mas minha do que dela, pois eu sei que Pietra nutre por mim paixão, não posso dizer que seja amor. Não consigo ver o brilho do amor nos olhos dela, ela sente uma paixão por mim. Mas também sei que ela une o útil e o agradável. Não sou bobo, não sou um imbecil, quando conheci Pietra naquela festa, desconfiei logo do seu interesse repentino por mim, ela foi justamente direto em minha direção e passou a noite toda me cercando e me enviando olhares flamejantes, vários empresários milionários deram encima dela e Pietra nem olhava para o lado. Como uma mulher linda e deslumbrante como ela, não liga para tantos olhares e convites de homens importantíssimos como os que estavam lá naquela noite. Aceitei os seus olhares e a deixei pensar que fiquei magnetizado por seus dotes de fêmea caçadora. Ficamos juntos naquela noite, foi muito fácil, fácil até demais. Na manhã seguinte, mandei investigá-la e os meus investigadores descobriram que o Stuart estava quase na bancarrota, e sua filha era a isca do seu anzol que ele vivia jogando para os braços de milionários idiotas que não deixam escapar uma carinha bonita e um corpo gostoso.


Só que não sou esse cara, e por isso entrei na brincadeira, deixando o barco navegar. Precisava ver até onde Pietra iria, quando ela iria me pedir o primeiro cheque ou depósito de dólares em sua conta. Só que isso nunca aconteceu, Pietra nunca me pediu um centavo, ela trabalhava em uma galeria de obras de arte e se mantinha com o que ganhava, só começou a aceitar minha ajuda quando fomos morar juntos e, mesmo assim, porque insisti muito. Com este comportamento, comecei a sentir respeito por ela, pois o seu pai é um pilantra, só que ela não puxou a ele. Quando percebi que ela estava apaixonada por mim, fiquei mais tranquilo, foi por isso que cogitei a ideia de fazer o tratamento para engravidá-la e, se tudo desse certo, pediria Pietra em casamento. Hoje contarei a verdade sobre a Emma, sei que ela vai sofrer, mas o que posso fazer? Não a amo, nunca poderia lhe fazer feliz, agora vejo a besteira que ia fazer se continuássemos com essa ideia de me casar com ela, nós nunca seríamos felizes, casamento a base de sexo não resiste muito tempo; ainda mais se o sexo for sem atitude, aonde só um vai em busca do outro. Pietra age como uma mulher submissa, que espera as ordens do seu dono, não gosto disso, quero uma mulher que chegue junto, que me diga o que quer só de olhar para mim. E, com certeza, Pietra não é essa a mulher. Estacionei o carro em frente à mansão. Entro em casa, sigo até o ateliê de Pietra, mas ela não está por lá. Subo até o nosso quarto, ela também não está nele, volto à parte inferior da casa. Então, ouço a voz da Pietra no gabinete, ela falava com alguém, a porta estava entreaberta, sua voz soava nervosa. Aproximo-me lentamente, parando atrás da porta, ouço sua conversa. — Não posso fazer isso papai. Pelo o amor de Deus, estou apaixonada por ele. Não, eu não vou enganá-lo, tem que haver outro jeito de arrancar dinheiro dele. De quanto o senhor precisa? Darei um jeito de pedir a ele. Papai será que o senhor é surdo? Estou apaixonada pelo Ricardo, dessa vez não darei o golpe. Pai! Será que é tão difícil de entender, não conte comigo não desta vez, estou fora papai. Não, papai, não farei isso com ele. — Não fará o que, Pietra? – Ela vira-se, e no susto o seu celular caí ao chão. — O que você não fará comigo? Vamos, me diga, estou esperando? Pietra fica pálida, leva às mãos à boca e as lágrimas começam a descer pelo seu rosto. Aproximo-me e a seguro pelos ombros, sem nenhuma paciência e pergunto novamente. — Vamos Pietra, o que você não fará comigo? – Agito-a com força, estava fulo da vida. Pietra fica estática, agito-a mais uma vez. — PIETRA! Diga-me que merda você não pode fazer comigo? — Amo você Ricardo, acredite em mim, pelo amor de Deus. – Ela soluça e engole o seu choro. — Acredite em mim, por favor, nunca iria sacanear você. Só acredite em mim. – Ela abaixa os olhos e o seu choro sai compulsivo.


— Desde o início, a intenção era arrancar dinheiro de mim, não era Pietra? – Ela assentiu com a cabeça. Eu ri. — Ma-mas eu me apaixonei por você, juro. Por favor, meu amor, acredite em mim, não quero o seu dinheiro, quero você, só você. – Ela me olha com indulgência, tenta me abraçar, eu me solto do seu abraço e a empurro com força. Eu queria apertar aquele pescoço que tantas vezes beijei. — Não seja ridícula, Pietra. Quer saber. Eu sempre soube sobre você e o golpista do seu pai, porque você acha que não gosto dele, sei que ele está falido e usa você para tapar os buracos, cobrir as dívidas da sua incompetência. Você acha mesmo que eu me envolveria com você sem antes lhe investigar e ao seu pai. Estava com raiva, raiva por ter deixado as coisas chegarem a esse patamar. E eu que pensei que ela era diferente do pai, pensei realmente que a falta de princípios do Stuart não tinha sujado a integridade da Pietra! Puro engano, ela é igualzinha a ele. Fiquei com nojo dela. — Não me olha assim, Ricardo. Não, por favor, assim não, estou dizendo a verdade, eu amo você. – Ela tenta me alcançar, paro-a com as mãos em seus ombros. — Vá embora Pietra, arrume suas coisas e vá embora. – Olhei friamente para ela. — Não Ricardo, não me mande embora da sua vida, preciso de você. Pietra leva às mãos novamente ao rosto e chora. — VÁ EMBORA! – Desta vez eu grito. – Se lhe resta um pouco de dignidade, arrume suas coisas e desapareça da minha frente. – Enfurecido, pego-a pelo o braço e a arrasto para fora do gabinete, aponto para escada e a mando pegar todas as suas coisas, engulo minha raiva e lhe digo friamente. — Meus advogados entrarão em contato com você, não se preocupe, conheço seus direitos e eles lhe serão pagos com justiça, agora dê o fora da minha casa. Chamo as duas empregadas e mando que ajudem Pietra a arrumar suas coisas, pois não queria nenhum objeto que pertencesse a ela quando eu fosse dormir. — Depois mando o resto das suas coisas para a casa dos seus pais. – Falo secamente, entrando em seguida no gabinete e batendo a porta na cara de Pietra. Esperei por horas para ir até ao meu quarto. Decepção é o que sinto, sinceramente não esperava que Pietra fosse tão dissimulada, quando descobri tudo sobre o Stuart, fiquei com um pé atrás com ela; porém, já sabia o que me esperava. Só que o tempo e suas ações me disseram que ela não era igual ao pai, enganei-me. Como pude ser tão inocente, tão idiota. Ela sempre quis o meu dinheiro. Agora ela vai ter que se contentar com o que a lei lhe conceder. Já tinha ligado para o meu advogado e pedi para que agilizasse tudo. Segundo ele, seria fácil me livrar de Pietra, o que ela


quer é dinheiro, então é só lhe oferecer uma boa quantia e eu me livrarei dela rapidamente. Chamei minha funcionária e pedi que limpasse tudo, não queria vestígio da Pietra nesta casa. Liguei para empresa que fez a decoração da mansão assim que vim morar aqui, e pedi que viessem pela manhã reformar meu quarto, queria que mudasse tudo até o carpete. Emma passaria a dormir neste quarto, quero tudo novo, aproveitei e disse que o quarto ao lado do meu teria decoração infantil, para um menino de cinco anos, e que adora dinossauros. Fui dormir no quarto de hóspedes. Fiquei com vontade de ligar para Emma, mas resisti, estava com medo do que ela tinha a me dizer, percebi que ela queria me dizer algo. Conhecendo Emma como conheço, é melhor não brincar com a sorte. Tomei um banho, comi algo rapidamente, li os meus e-mails, respondi alguns e fui dormir em seguida. Minha manhã seria carregada de reuniões, pois todas elas teriam sido hoje, mas resolvi ficar com o Dylan e com a Emma; então, elas foram transferidas para o dia seguinte. Deitei e logo pego no sono.

***

Acordei cedo, minha intenção é adiantar tudo que faço pela manhã na floricultura, não quero sobrecarregar mamãe; por isso, passei um tempão ao telefone conversando com os fornecedores. Pretendo pegar o avião para Sacramento às 9h., assim consigo conversar com o Otávio resolver tudo que tiver que resolver, e partir imediatamente para Florence. É com essa conversa que estou preocupada, imagino o que me espera quando Ricardo souber que Dylan é seu filho, e o pior que eu o escondi por cinco anos e nove meses. Vou perdê-lo, e talvez o meu filho também, contudo eu me apego a força que há dentro de mim. Não desistirei do Ricardo, lutarei para conseguir o seu perdão, custe o que custar. Agora, sei que ele me ama, e é isso que me dá força para lhe dizer a verdade. Mamãe voltou do mercado. Ela passa por mim e pergunta a que horas é o meu voo, digo que já estou atrasada. O telefone da floricultura toca, peço para mamãe atendê-lo, pois já estou no meio das escadas, estou com pressa, o quanto antes chegar a Sacramento acabo logo com esse esconde, esconde de gato e rato, subo as escadas correndo para pegar minha bolsa e meu celular. Mamãe me alcança no corredor, ela parecia nervosa, seus olhos estão marejados e sua voz trêmula. — Filha. – Ela respira nervosamente. — Você não vai mais a Sacramento – ela começa a chorar — a escola do Dylan acabou de ligar. Dylan foi levado às pressas para o hospital, inconsciente e sangrando muito. – Meu chão sumiu, mamãe me segura. — Emma, ele está em coma. – Quase caio ao chão, minhas pernas cederam, fui sustentada pelos braços da minha mãe. — A professora me disse que tentou ligar para cá e para o seu celular, só que ambos estão ocupados. Filha, você precisa ser forte.


Traguei o ar com força, ergui o meu corpo, peguei minha bolsa e saí correndo. Só ouvi minha mãe dizer que ia fechar tudo e logo depois me encontraria no hospital. Peguei um táxi. A caminho do hospital, começo a ligar para Ricardo, precisava avisá-lo sobre o Dylan, chega de fugir, chega de mantê-lo longe do filho, mesmo correndo o risco de perdê-lo. Preciso fazer a coisa certa. Tentei diversas vezes, mas seus celulares só caíam na caixa postal, resolvi ligar mais tarde. Quando cheguei ao hospital, procurei por Simone, encontro-a no balcão de atendimento, ela falava com alguém ao telefone. Ela me vê e se despede da pessoa avisando que eu já tinha chegado. Vou direto a ela. — Como o meu filho está, o que ele tem? — Acalme-se, Emma. Tentei entrar em contato com você e não consegui, precisava de sua autorização para fazer um exame detalhado. Desculpe-me, precisei ligar para o pai dele, Otávio já está caminho. Estava com ele ao telefone quando você chegou. — Que exame é esse? Pelo amor de Deus, Simone, não fique me olhando como se eu fosse um ser de outro planeta, me diga logo o que Dylan tem! – Gritei desesperada. — O que posso adiantar, se minhas suspeitas forem confirmadas. É grave, muito grave. Emma mantenha a calma, nessas horas o nervosismo só atrapalha. — Manter a calma! – Eu brado — Você fala isso porque não é o seu filho; se fosse, duvido que ficasse calma, você só diz isso porque não tem filhos. Os olhos de Simone lacrimejam imediatamente. Não sei por que ela reagiu assim, meu coração apertou, pedi desculpas, ela aceitou. Fomos até a sua sala, sentei-me, ela também. — O Dylan está em coma, Emma, ele não está sentindo dor, enquanto ele estiver assim, é melhor. Vamos esperar o resultado do exame, não vai demorar, pedi urgência. — Esperar. Esperar, eu queria ver se você tivesse um filho, se você se manteria fria como está. — PORRA! – Ela grita, eu me assustei. — Eu já tive um filho, sua... Sua... – Ela engole a frase. — Eu tinha um filho e ele foi arrancando de mim por um motorista bêbado, ele só tinha três anos. – Ela começa a chorar. —O nome dele era Dylan, era meu filho e do Otávio. – Simone chora compulsivamente. Meu mundo desabou. Fiquei chocada, não sabia se ficava com raiva ou se a consolava. — Você está me dizendo que vo... Você e o Otávio são casados? — Divorciados — ela fala entre soluços. — Emma, deixe-me explicar. Por favor, deixe-me explicar. Otávio não queria lhe contar sobre o passado dele. – Ela engole a saliva. — Ele sentese culpado pela morte do Dylan. Simone esconde o rosto nas mãos, sinto a sua dor.


— Sou a culpada por ele pensar assim. Ela me olha e o seu olhar é sofrido, então ela começa a me contar sobre o Dylan dela e do Otávio. — Maldita tarde. Dylan não queria ir para a escolinha, mas eu o forcei e pedi para o Otávio ir buscá-lo, estava atendendo em uma clínica longe da nossa casa. No caminho, Dylan cismou que queria algodão doce e Otávio resolveu fazer sua vontade.. – Ela respira profundamente, imagino o quanto aquelas lembranças lhe são sofridas. — Dylan andava agarrado a uma bola, e quando Otávio soltou a sua mão para pegar o dinheiro, a bola escapuliu das mãozinhas do Dylan, e ele correu para pegá-la. O carro pegou em cheio o meu filho, a batida foi tão forte que todos os seus ossinhos foram quebrados, meu alívio é que ele não sofreu, nem sentiu dor. – Ela fixa os olhos em um determinando ponto, ficando pensativa, depois respira fundo e continua. — Entrei em depressão, não falava com ninguém, saí do emprego, vivia trancada no quarto do Dylan, não saía de lá para nada. Otávio que me dava banho, me alimentava, depois eu voltava para o quarto do Dylan, fiquei assim por meses, quase um ano, ele não sabia mais o que fazer, o seu amor e os seus cuidados me incomodavam, queria ser ignorada, queria que me deixassem em paz. Queria ser esquecida. Queria morrer. Otavio passou a trabalhar em casa, pois ficou com medo que tentasse alguma coisa contra a minha vida. Ele vivia me dizendo que não suportaria me perder também. Um belo dia catei todos os meus remédios e os tomei de vez, Otávio me encontrou desmaiada no chão do banheiro, levou-me a tempo para o hospital, e sobrevivi. Os médicos o aconselharam a me internar em uma clínica para um longo tratamento, ele não queria ficar longe de mim, porém não houve jeito e ele me internou. Otávio ia todos os dias me visitar, até que um dia pedi a ele pra não ir mais, pois queria ficar em paz.. Ele recusou. Então, eu o culpei pela morte do Dylan, disse que foi ele quem matou o nosso filho. Quando eu vi o que fiz, me arrependi e lhe pedi perdão, disse a ele que não era verdade.. Mas foi tarde demais. Otávio tomou para si a culpa. Desse dia em diante ele mudou, continuou indo a clínica, e quando melhorei, nunca mais voltou, um mês depois recebi uma carta e o acordo do nosso divórcio, assinado por ele, ele me deixou tudo: a casa, os carros e uma pensão. Pediu-me na carta para esquecê-lo e continuar a minha vida, pois ele faria o mesmo. Nunca mais nos vimos, até aquele dia da consulta do Dylan, aqui no hospital, percebi que você não sabia, pois ele disfarçou muito bem, fingindo não se lembrar de mim. Emma, eu ainda o amo. Perdoe-me, sei que ele é o pai do Dylan, e que vocês vão se casar. – Eu a interrompo e lhe digo a verdade. — Eu não vou mais me casar com ele. Simone me olha com espanto, levanta-se, pondo à mão na boca, não sei o que passou na cabeça dela naquele momento, mas percebi que ela não estava entendendo nada. — Como assim, não vai mais se casar? Vocês estavam super apaixonados. Não posso crer que a paixão acabou de uma hora para outra. Não queria falar sobre isso agora, e também a minha relação com Otávio não era da conta da Simone. Quando já ia abrir a boca para falar, Otávio entra na sala. Vem em minha direção,


abraça-me, beijando os meus lábios, tentei virar o rosto, mas ele me segurou o queixo. — Querida, vim o mais rápido possível, como está o nosso filho? — Aí, Otávio, o Dylan está em coma. – Ele me puxa para o seu peito, beija o alto da minha cabeça. — Ele vai acordar meu amor, ele vai acordar, e vai ficar bom. Uma enfermeira entra na sala e entrega um envelope a Simone. Apressadamente, ela abre o envelope, eu e Otávio ficamos parados, só observando as feições da Simone. Ela lê o documento que estava dentro do envelope. Pergunto com curiosidade. — São os resultados dos exames do Dylan? Ela afirma com a cabeça e continua lendo o conteúdo, sua expressão é indescritível. Simone lê o documento umas três vezes. — Vamos, Simone, o que diz este bendito exame. – Otávio pergunta nervoso. — O que eu já desconfiava. Dylan está com anemia aplástica, isso é muito grave.


Capítulo Dezenove “O tempo que você perde tendo medo de perder as pessoas que ama só ocupa o tempo que você poderia estar vivendo com elas. Se você perder muito tempo tendo medo de perder aos outros acabará perdendo a si próprio. As coisas na vida vêm e vão, mas o caminho é só um. Em frente.”

***

Minha cabeça deu mil voltas, Simone falava grego, o que diabo é anemia aplástica? Qual a gravidade e o que levou o meu filho a contrair esta doença. Fiquei tonta, cambaleei, Otávio me segura pelos cotovelos, sentando-me em seguida. Formou-se um bolo em minha garganta. Juro que não consegui nem chorar. Ricardo vem em minha mente, precisava avisá-lo sobre o seu filho. Estava tão apática que nem consegui ouvir Simone me chamando. — Emma... Emma! – Levantei os meus olhos em sua direção. — Simone, você disse grave, quão grave pode ser? – Perguntei. — Vamos, Simone, explique-nos logo sobre essa doença, pelo o amor de Deus! – Otávio explode. — Em primeiro lugar, preciso que vocês se acalmem. – Simone para de falar, pois nesse momento mamãe entra na sala. Assim que ela se senta, conto o que está acontecendo, mamãe se apavora. Consigo acalmála, só assim Simone continua... — Nesse momento, precisamos de serenidade, Dylan está dormindo e com isso não sente dor, conseguimos parar o sangramento nasal e isso é bom. Eu a interrompo precisava saber que doença é essa. — Simone, pelo amor de Deus, diga-nos que doença é essa? Simone traga o ar com força, olha para mim, depois para a mamãe e por fim fixa os seus olhos demoradamente em Otávio, e começa a nos explicar. — Anemia aplástica é um quadro clínico raro, porém grave e potencialmente fatal, em que a medula óssea, que normalmente produz as células do sangue (hemácias, leucócitos e plaquetas) entra em falência e passa a produzi-las em quantidades insuficientes. A anemia aplástica acontece quando a medula é danificada e afeta sua capacidade de repor novas células. Ela pode ocorrer devido a uma causa autoimune ou pela assimilação de algum tóxico


para a medula óssea, sejam medicações (com destaque para o cloranfenicol) ou outras substâncias químicas. A radiação pode, igualmente, provocar uma aplasia medular e esta anemia pode ainda ser ocasionada por uma infecção por vírus. Em cerca de metade dos casos não se consegue determinar uma causa para a anemia aplástica, situação na qual ela é designada idiopática. Dylan já apresentava os principais sinais e sintomas que são sangramentos, em virtude da trombocitopenia (baixo número de plaquetas), fadiga, falta de ar, taquicardia, palidez, infecções frequentes, tonturas e cefaleias. Ela pode ser moderada no caso do paciente responder bem ao tratamento imunossupressor e não necessitar de transfusões de sangue, só que no caso do Dylan... Devido à demora do diagnóstico, é grave, e pode ser fatal. — Ai, meu Deus! – Entrei em pânico. — Não, não. Meu filho vai morrer, é isso que você está me dizendo. — Acalme-se, querida, nosso filho não vai morrer, faremos o que for necessário para salválo. Otávio tentava manter a calma, mas senti nos tremores dos seus braços que ele estava perto de desabar. Olhei para mamãe, estava apática e suas mãos tremiam. Abracei-a com força. — Vai ficar tudo bem, mãezinha, viu! – Disse. Ela sorriu polidamente. Otávio pergunta a Simone o que seria feito a partir de agora. — No caso do Dylan só há uma maneira para salvarmos a vida dele, e mesmo assim não é 100% de certeza, a única solução eficaz é o transplante de medula óssea. Ao recorrer ao transplante, Dylan passará por tratamentos quimioterápicos e radioterápicos, com o objetivo de eliminar o risco de rejeição. — Então é um tipo de leucemia? – Já estava apavorada, acho que de certa forma estou sendo castigada pelo universo. — Não, não é leucemia, Emma. – Simone vem até mim e segura em minhas mãos. — O que vamos fazer agora é colher o sangue de vocês, se o Dylan tivesse um irmão do mesmo pai e mãe às chances aumentariam. Já pedimos para o laboratório de Florence priorizar esses testes, não vai demorar em sabermos, vamos ver se conseguimos um doador consanguíneo; se vocês não forem compatíveis, vamos aos doadores externos. Seguimos Simone até a sala de coleta, colheram o nosso sangue e imediatamente eles foram transportados para Florence, fiquei rezando para ser compatível. Não conseguia parar de pensar no Ricardo, pego o meu celular e tento ligar repetidas vezes para ele, mas a ligação vai direto para caixa postal. Precisava contar a ele sobre Dylan. Otávio estava conversando com a Simone, fiquei observando-os, os olhos dela brilhavam quando fixava nele, e ele também se tornava diferente ao lado dela. Será que ele ainda a amava? Que história triste dos dois, ambos perderam um filho e perderam um ao outro ao mesmo tempo, ali ainda existia amor, tenho certeza, penso. Passaram horas quando Simone veio até nós.


— Sinto muito, mas nenhum de vocês três são compatíveis com Dylan. Agora vamos recorrer aos doadores externos. — Farei uma campanha em minha empresa, se possível darei até um bônus extra para quem vier fazer o teste. – Otávio me abraça com carinho. O corpo dele está trêmulo e suas mãos estão suadas. Mamãe... Essa nem se fala, é pura dor. Não posso quebrar, não posso envergar... Preciso ser forte por mim e por ela, não suportarei ver minha mãe doente novamente. Corro até ela, e me encho de coragem e digo: — Mamãe, vai dar tudo certo, o nosso menino vai ficar bom. A senhora vai ver. Otávio nos observa e percebe que minha mãe está perto de quebrar, ele viveu a depressão dela por um bom tempo, e sabe como ela fica. Ele corre até nós e nos abraça. — Ei, dona Mirela, o que é isso?! Dylan vai ficar bom, logo ele estará correndo e aprontando todas. – Mamãe nada diz, fica em nossos braços completamente imóvel. Otávio olha-me com preocupação. Não posso fraquejar. Engulo minhas lágrimas, respiro fundo. Deus meu, não faz isso comigo não. Não sou tão forte assim. Otávio beija-lhe a cabeça. Então, digo a palavra mágica para minha mãe. — Mamãe, o Dylan não vai nos abandonar. – Otávio me olha com espanto, pois mamãe ergue a cabeça fixando os seus olhos cheios de lágrimas e sussurra. — Se-será...! Estou com medo de perdê-lo também. – Mamãe joga-se em meu ombro e chora compulsivamente. Acalento-a como se fosse uma criança. Minha vontade é gritar, colocar toda minha dor, meu medo para fora, mas não podia, precisava manter a minha fortaleza erguida. Otávio afasta-se, olha-me nos olhos, vi a dor e o medo em seus olhos. Deus do céu, e agora!? Ele engole em seco e me fala. — Querida, vou até a empresa, vou recrutar o número de pessoas possíveis para vir fazer os testes, em algumas horas estarei de volta. Ele ia me beijar a boca, mas fui mais rápida, disfarcei e virei o rosto, ele beijou minha bochecha. Otávio me olha com embaraço, mas não diz nada. Ele se vai. Fico com minha mãe em meus braços. Estou perdida, sozinha novamente, minha vida nunca foi fácil e agora não estava sendo diferente. Aperto minha mãe com mais força, beijando sua cabeça. Pego o meu celular e ligo novamente para o Ricardo, tentei umas três vezes e nada. Então, tomo uma decisão, vou até Florence, vou buscar a única pessoa que pode salvar a vida do Dylan: o seu pai. — Mamãe, preciso fazer uma coisa e tem que ser agora. Por favor, ajude-me e fique bem, fique aqui e me mantenha informada sobre qualquer alteração que o Dylan venha ter. Ela me segura à mão. — Emma o que vai fazer?


— O que deveria ter feito desde o dia que soube que estava grávida. Volto o mais rápido possível. Peguei minha bolsa e saí correndo pelo corredor do hospital. Entrei no primeiro táxi que surgiu à minha frente. Estava sem tempo para pensar, eu já devia ter contado ao Ricardo sobre o Dylan. Porém não contei. E quando decido fazer a coisa certa, vem o destino e me puxa o tapete. Se Dylan não tivesse ficado doente, a esta hora Otávio já estaria sabendo de toda a minha história, e eu já estaria sob a mira do olhar acusador do Ricardo. Respiro fundo. Sim, ele me odiaria. Só que agora ele vai querer me matar, vou dizer a ele que tem um filho e que este está morrendo, e ele é o único que pode salvá-lo. Qual a pessoa que entenderia isso? Em seu lugar, jogaria a pessoa janela afora. Uma hora depois, cheguei a Florence. A última vez que estive aqui foi no batizado do Kael e Beatriz. O taxista deixou-me na porta das empresas Willian. Paguei a corrida, desci do táxi. Trago o ar com força. Chegou a hora, Emma Lancaster. Não era bem assim que gostaria de dizer a verdade para o Ricardo. Minhas pernas tremem, minhas mãos suam, sinto que o meu controle está indo ladeira abaixo. Pergunto na recepção onde fica a diretoria, a moça me diz onde. Pego o elevador, aperto o botão da cobertura. Estou sozinha na cabine, meu coração acelera, estou tremendo. Deus! Deus! Por favor, não me faça esmorecer, preciso de força, preciso ser corajosa. As lágrimas teimam em sair dos meus olhos. Estou com medo. Chego à diretoria, não observo nada, só consigo enxergar uma enorme mesa e uma moça sentada atrás dela, minhas pernas não me obedecem, oro mentalmente pedindo força e equilíbrio a Deus. — Boa tarde! Por favor, preciso falar com urgência com o senhor Ricardo Willian. – A moça me avalia. — É um caso de vida ou morte. A última palavra escapou como um sussurro. Perco o controle. E as lágrimas descem pelo meu rosto como cachoeiras. — A senhorita tem hora marcada? – Ela pergunta com certa frieza na voz. — O senhor Ricardo acabou de sair de uma reunião e já vai entrar em outra, e estou vendo aqui... – Ela olha para a tela do computador. — Hoje ele não recebe ninguém a... Não a deixo terminar e quase gritando eu lhe respondo. — Moça, se você não avisar que Emma Lancaster tem urgência em lhe falar, tenho certeza de que amanhã a senhorita estará desempregada. – Falo aos prantos. A mulher levanta-se e vai até uma sala, com certeza é a sala do Ricardo. Ela desaparece porta adentro. Fico esperando o seu retorno. — Desculpe-me, senhor Ricardo, mas tem uma moça lá fora... Ela insiste em lhe falar. — Ela tem hora marcada?


— Não, mas ela está muito nervosa. — Não é a Pietra? — Não. É uma tal de Emma Lanc... — Emma! Por que não me disse logo? Mande-a entrar, pelo amor de Deus. A mulher retorna e ainda perto da porta, ela me chama mandando-me entrar. Enchi o pulmão de ar, soltei rapidamente. Entro na sala lentamente. Minhas pernas não me obedecem. Lá estava ele, tão lindo tão elegante, Jesus! Como fui idiota. Todo meu equilíbrio vai abaixo. Ricardo vira-se e quando vê o meu estado corre até mim. — Meu amor, o que aconteceu? Emma o que você tem? Pelo amor de Deus. Emma! – Ele agita os meus ombros. Estou estática, meu coração está a ponto de sair pela boca, se Ricardo não me segura, eu cairia de joelhos. Ele beija todo o meu rosto e, por último, meus lábios trêmulos. Fixo os meus olhos em seu rosto lindo. — Me perdoa, me perdoa meu amor... – Minha voz quase não sai, meu queixo treme. — Ricardo, você prometeu, prometeu que nunca mais me deixaria, lembra-se? Espero a resposta dele. Ricardo percebe que espero sua confirmação, e fica me olhando com preocupação. — Sim, Emma, eu me lembro, e mantenho minha promessa, jamais a abandonarei, aconteça o que acontecer. Quanto ao perdão, já lhe disse que não tenho nada a lhe perdoar. Ele toma a minha boca e me beija com posse, sinto o calor da sua língua e o conforto das suas mãos. Ricardo me afasta um pouco e varre uma mecha de cabelo do meu rosto. — Meu amor, o que aconteceu para deixá-la tão abalada desse jeito? Foi o Otávio? Ele fez alguma coisa contra você? Juro que mato aquele cretino... Interrompo Ricardo. — Ri-Ricardo. – Gaguejo. — Juro que ia lhe contar tudo hoje, hoje pela manhã, eu iria a Sacramento conversar com o Otávio e depois viria direto para cá contar tudo a você. — Como assim...! Eu a proibi de ir a Sacramento e mesmo assim você ia? Emma, não teste minha paciência, eu... Interrompo Ricardo novamente. — Precisava fazer isso, mas, infelizmente, não fui e o pior aconteceu. — Como o pior? Emma o que aconteceu? Você está trêmula... Emma!


Levo minhas as mãos ao rosto e choro compulsivamente. — Perdoe-me, meu amor, perdoe-me. – Engulo minhas lágrimas, precisava me equilibrar, enxugo o rosto com o dorso da mão. — É o Dylan. Ele está em coma no hospital. – Ricardo fica pálido para manter o equilíbrio e se sustenta com a mão no encosto da cadeira, e me olha com seus olhos já lacrimejando. — Como em coma? Ontem eu estava com ele, brincando, e ele estava bem. — Ele desmaiou na escola e foi levado às pressas para o hospital e entrou em coma... Ricardo! – Eu o chamo com desespero. — O estado dele é muito grave, ele está morrendo, ele vai precisar de um transplante de medula, eu e a mamãe já fizemos o teste, mas não somos compatíveis, e se for um doador consanguíneo as chances de ser compatíveis aumentam. Dylan precisa de você, meu amor... Você é a única chance que ele tem de sobreviver. — Consanguíneo! Mas não tenho parentesco com ele, Emma... Eu n-ã-o so-sou pa-parente... Ele se afasta de mim lentamente, passa a mão no rosto depois nos cabelos. — Você está me dizendo... Dizendo que o Dylan é meu filho, é isso? – Assenti com a cabeça. — É o filho que pensei que nunca teria. E está morrendo? – Ricardo vai até a sua mesa. Subitamente ele joga todos os objetos que estão em cima da mesa ao chão e grita a todo pulmão. — MALDITA! – Ele vem em minha direção, furioso, me segura pelos os braços e me agita ferozmente. — Por que você fez isso comigo, por que Emma, por que me tirou o direito de ser pai, por que não me deu o direito de escolha, por que deixou outro homem assumir o papel que por direito é meu... Maldita! – Ele levanta a mão e eu fecho os olhos apertados já esperando a bofetada, mas ele fecha a mão e se afasta. — Por que você fez isso? — Fiquei com medo que você me tomasse o Dylan, sabia que você iria querer se casar comigo, mas pelo motivo errado, só porque estava grávida, não aceitaria, e com raiva você tomaria o Dylan de mim. Fiquei apavorada, eu já tinha perdido você e não suportaria perder o único pedacinho seu. Então, fiquei calada e fugi... — Eu sou um mostro para você, não é Emma? – Ele fala com desprezo na voz. — Porra, só um mostro tira um filho de uma mãe por vingança... — Não...! Foi puro medo, Ricardo, não me sentia segura, não sabia que você me amava, fiquei com medo que você fizesse o mesmo que o meu pai fez comigo e minha mãe. Eu não queria que o meu filho sofresse o que sofri. Prometi a ele que nunca o abandonaria. Foi só medo. Perdoe-me. — Sinceramente, não sei se perdão é a palavra do momento... Alguma vez, Emma, nesses anos, você pensou em me contar sobre o meu filho? Não era mais hora de brincar de esconde, esconde. Agora era a hora da verdade, eu


precisava desnudar minha alma. — Sim. – Respirei profundamente abafando meu soluço. — Várias vezes. No dia em que descobri que estava grávida, mas perdi a coragem quando o meu medo me avisou que eu poderia perder o meu filho. Quando cheguei a Suzano, estava com pouco mais de dois meses, sofri um princípio de aborto, mesmo já tendo o apoio do Otávio, não era ele que eu queria ao meu lado... Era você, assim que cheguei do hospital e estava sozinha, liguei para você. Mas caiu na caixa postal dizendo que o seu número estava desligado temporariamente; no outro dia, liguei para cá e a secretária me disse que você tinha ido para os Estados Unidos e não tinha previsão de volta. Talvez nem voltasse mais, pedi o seu número, porém ela me disse que não tinha autorização. — E por que você não pediu a Angel? — Por que eu não queria responder as perguntas que ela com certeza me faria. Pensei que você resolveu viver sua vida, e talvez nem se lembrasse mais de mim. Chorei muito, senti-me abandonada outra vez. No batizado do Kael, quando eu lhe vi, meu coração não aguentou, então quando você se aproximou de mim e eu lhe tratei mal, foi proposital, queria que você me seguisse até o jardim da mansão, eu ia contar tudo, porém você não me seguiu e quando voltei para festa não vi mais você, então fui embora. Comecei a ler sobre você, e sempre via fotos suas ao lado de mulheres belíssimas, seu apelido era “O garanhão do Petróleo”, morria de ciúmes, de raiva. Depois você começou a pousar em fotos com a Pietra, e lá estava à manchete: “Filha de empresário consegue domar o garanhão” e no casamento do John fiquei com mais raiva quando descobri que você tinha ficado noivo. Por isso, afastei-me da festa e você me encontrou no farol, nós fizemos amor, cheguei à conclusão que não podia me enganar, ou eu me afastava ou me entregava. Aí você me diz que ia terminar com Pietra pra ficar comigo... . Como eu podia ficar com alguém assim, como eu poderia envolver o meu filho com um homem que faz trocas, fiquei furiosa e com medo, e se você lá na frente encontrasse outra mulher e resolvesse trocar a mim e ao Dylan por ela. Não, Ricardo, eu não iria permitir que o meu filho passasse pela dor que passei. — Deus do céu. Emma! O seu maldito pai ferrou com sua cabeça. — Eu sei disso. – Ricardo fica lá parado recostado à mesa com os olhos fixos em mim, eu continuo. — Sei que te magoei com as palavras duras que lhe disse naquele dia, quando voltei pra Suzano, não conseguia tirar você da minha cabeça, o seu cheiro na saía das minhas narinas, dois dias depois eu liguei para a mansão. A Pietra que atendeu e me disse que você tinha viajado. — Não viajei. E por que não deixou recado. — Deixei. Pedi para que ela lhe dissesse que eu precisava falar urgentemente com você. Estava disposta a lhe contar sobre o nosso filho, só que você nunca me ligou. — Não recebi o recado.


— Ela deve ter esquecido... Então, eu vi fotos, reportagens sobre você e a Pietra, você parecia feliz... Então desisti, já tinha perdido você, não suportaria perder o Dylan. Quando você surgiu na Floricultura, foi o começo do meu tormento, ver você e o Dylan tão próximos e tão unidos, acabou comigo. Quando você foi embora, fiquei desesperada e juro que ia lhe contar, porém eu li aquela maldita reportagem sobre o seu casamento com a Pietra e os futuros herdeiros. Foi aí que resolvi aceitar o pedido de casamento do Otávio, mesmo ele sabendo que eu não o amava, ele me queria, e assim ele seria o pai do Dylan. Eu nunca disse ao Dylan que Otávio é o pai dele. O Otávio é o seu padrinho, papa é a forma carinhosa de chamá-lo, sei que o Otávio diz a todo mundo que é o pai do Dylan, nunca o recriminei por isso; afinal, Otávio sempre foi à única figura paterna que o Dylan conheceu. Errei, sei que errei, mas ia lhe contar tudo, e eu também sei que perderei você, mas, por favor, não me tire o Dylan, você pode acompanhar o crescimento dele de hoje em diante. Você pode ter outros filhos. Fui pega pelos braços em dois passos por Ricardo, ele me olhava com fúria no olhar, agitando-me com força, sua voz sai fria e dura. — Não posso mais ter filhos, Emma. Após meu acidente, fiquei estéril, agora você entende o meu desespero, acabei de descobrir que realizei o sonho de ser pai, e posso perder tudo isso, pois o meu filho está morrendo. – Fico estática, minha garganta fecha e minhas lágrimas descem como cascatas, ele me sacoleja violentamente. — Emma Lancaster, você sabe rezar? Pois se não sabe, aprenda e reze para todos os santos, porque se o meu filho não sobreviver, você vai conhecer o inferno pessoalmente e viva.


Capítulo Vinte “A vida é feita de caminhos... Caminhos que levam, caminhos que trazem sonhos, alegrias, tristezas, amores, esperanças. De qualquer forma, nada vem ou vai sem caminho. O caminho é parte integrante de nossas vidas. Antes mesmo da concepção, já buscávamos percorrer caminhos. Nossos primeiros passos foram treinados... E aperfeiçoados para conquistar caminhos. Alguns fazem bom proveito do caminho... Outros se perdem pelo caminho. Uns tiveram tudo para caminhar... Outros, muitas dificuldades para chegar. Um dia, deixaremos de ser parte do caminho... E chegaremos ao ponto final. Certamente fomos feitos para abrir caminhos, romper barreiras, ultrapassar limites e vencer.”

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Fiquei ali com o olhar de surpresa e sendo sacudida ferozmente por Ricardo, os olhos dele brilhavam de fúria. Ricardo esbravejou aquelas palavras em minha cara “Eu não posso ter filhos”, não sabia o que pensar ou dizer... Agora sim, minha vida está acabada, agora Ricardo vai me arrancar o Dylan. Sem pensar, eu me jogo em seus braços, encosto minha cabeça em seu peito e choro compulsivamente. Ele me solta jogando os braços do lado do corpo. Sinto o seu desprezo. Ele ofega, porém, as batidas do seu coração o traem. Ricardo luta contra o seu desejo de me abraçar, sinto isso. Desesperada, vou descendo por seu corpo caindo de joelhos aos seus pés, ergo meu rosto fixando ao seu, seguro suas mãos com as minhas e quase em um murmuro, suplico. — Perdoe-me, por favor, perdoe-me. – Agarro-me em seu corpo circulando os braços em volta dele. Ricardo segura-me pelos antebraços, tenta manter o tom da voz baixo, porém com autoridade. — Levante-se, Emma. Essa posição não lhe fica bem, pelo menos nesse sentido. – Ele me sustenta o corpo, deixando-me ereta. Seus olhos avaliam o meu rosto. — Já lhe disse que não sei o que fazer em relação a você. Por enquanto, tenho que me concentrar em meu filho. – Assenti com a cabeça. — Depois voltamos a este assunto. Ricardo se afasta, vai até a mesa, pega o telefone e fala com sua secretária. — Senhorita Adriele desmarque os meus compromissos por tempo indeterminado e chame o helicóptero imediatamente. Ele desliga. Olha-me, mas os seus olhos desviam dos meus. Sinto que ele quer ceder, que ele quer me confortar; no entanto, a sua dor é maior. Ricardo fala rispidamente. — Vamos, pois, o “meu filho” precisa do pai e tenho certeza que salvarei a sua vida. – Ele passa por mim, só sinto o vento da sua passagem. Fico lá parada, quase plantada ao piso. Ele volta em minha direção e me pega pelo braço, forçando-me a olhá-lo, o aperto dos seus


dedos em meu braço foi poderoso, pois a dor foi fina. Com força nas palavras, ele me diz. — Eu ainda não terminei com você – seu rosto ficou bem junto ao meu, pensei até que ele ia me beijar. — Aguarde-me, o que é seu está guardado, Emma Lancaster. Não suportei as suas palavras, então grito a todo pulmão. — VOCÊ PROMETEU... PROMETEU QUE NUNCA ME ABANDONARIA, ACONTECESSE O QUE ACONTECESSE. – Minhas lágrimas são engolidas, não lhe dei esse gosto; porém, Ricardo segura em meu rosto com uma mão, apertando com força as minhas bochechas, minha mandíbula dói. Com dureza, ele joga sua fúria em meu rosto. — EU PROMETI, EU VOU CUMPRIR... Pode estar certa disso, pode até demorar, mas eu o farei. Ele me solta sem nenhuma delicadeza. Meu rosto doía e, pela primeira vez, senti a violência de um homem. Com brutalidade, Ricardo me arrasta para fora da sala, passamos por sua secretária sem ao menos ele dar um até logo. Sou puxada pela mão até a cobertura onde o helicóptero já nos esperava. Fizemos todo o trajeto em silêncio; em poucos minutos chegamos ao heliporto do hospital. Ricardo me pega pela mão e sou guiada em todo o caminho. Algumas pessoas no qual já me conheciam ficaram nos olhando sem entender nada. Algumas delas já sabiam sobre o meu noivado com o Otávio. Chegamos ao andar onde Dylan está internado, Ricardo olha para todos os lados e, em seguida, olha-me perguntando-me. — Onde o Dylan está? Cadê os médicos? Vamos Emma, me diga! Eu me sentia perdida, só não caí porque precisava ser forte para o meu filho. Ricardo solta o meu braço e corre até o balcão de atendimento. Nesse instante Otávio vem até minha direção. — Querida, onde vo...cê – Ele para repentinamente, pois neste exato momento escuta o Ricardo conversando com a atendente. — Por favor, eu vim ver o meu filho... O nome dele é Dylan Lancaster... Otávio me solta e vai em direção ao Ricardo com rapidez, ele o segura pelo braço virando-o com força para ele. — Como é? Mas que diabos estar acontecendo aqui. Como assim, meu filho Dylan? Ricardo solta-se da mão do Otávio e o empurra com as mãos. Ele me olha com desprezo. — Ela não lhe contou! – Ricardo dirige o olhar para mim. — Pergunte a ela. — Emma, o que significa isso? – Otávio me olha desconfiado, sinto sua dor.


Ricardo vira-se para a atendente e quase gritando pergunta novamente. — Alguém, por favor, pode me levar até ao meu filho e até a sala de teste de sangue, vim fazer o teste para saber se sou compatível a ele. Simone, que assistia a tudo calada, chama uma enfermeira e pede para que ela leve Ricardo até o Dylan; antes de ir, Ricardo me avalia de cima abaixo e desaparece pelo corredor. — Estou esperando uma explicação, Emma. – Otávio me tira do transe. — Vou explicar só me dá um segundo para me acalmar. Otávio pega-me pelos os braços e me agita. — Agora, Emma, nem mais um segundo! Simone vem até nós, e tenta acalmar o Otávio. — Otávio, acalme-se. Estão todos olhando, você está em um hospital. Venham até minha sala, lá vocês podem conversar melhor. Entrego minha bolsa a minha mãe, ela me abraça. Aquele abraço me deu conforto e força. Segui Otávio e Simone até à sala. Simone fecha a porta atrás de si, deixando-nos sozinhos. Otávio caminha de um lado para o outro, e a cada dois passos ele passa a mão pelos cabelos nervosamente. Fico quieta, engulo o nó da garganta. Ele para, e fixa o olhar em mim. — Então é verdade. Ricardo é o pai do Dylan? – Eu assenti com a cabeça. — Ele aproximouse para conquistar o filho, foi isso? E o palhaço aqui, sem saber de nada. – Sua voz soa fria, raivosa. — Não. Ricardo só soube hoje que é o pai do Dylan. — Como! – Os olhos do Otávio saltaram de surpresa. — Ele não sabia que tinha um filho? Deus! — Isso mesmo, não sabia que tinha filho... Escondi minha gravidez de todo mundo. Fugi de Florence, fugi do Ricardo... Sei que o que fiz foi errado, sempre soube, mas fiz... Sim, sou um monstro egoísta, uma maldita bruxa. Sei também que ninguém vai entender os meus motivos; no entanto, para mim eram verdadeiros, os meus medos eram verdadeiros e talvez eu fizesse tudo novamente... Não mereço perdão de ninguém, nem o seu nem o do Ricardo nem da Angel, sou uma miserável que merece morrer sozinha. Desço os braços nos lados do corpo, abaixo a cabeça e choro compulsivamente. Otávio nada faz, fica parado diante de mim... Segundos depois, ele pergunta engolindo sua emoção. — Medo de que, Emma... Pelo amor de Deus! Por acaso o Ricardo é um pedófilo, um


bandido... Um monstro? Ele me olha com incredulidade. Engulo minhas lágrimas e falo o que sinto. — Fiquei com medo que ele me tirasse o Dylan. Ricardo sempre quis se casar comigo pelos motivos errados, e minha gravidez não seria diferente, ele iria querer se casar e mais uma vez eu diria não, só que desta vez havia uma criança no meio disso tudo; e em minha mente ele a usaria para me forçar a se casar com ele. Se um belo dia ele encontrasse a mulher da vida dele e percebesse o erro que cometeu e resolvesse abandonar a mim e ao meu filho. Ele faria a mesma coisa que o meu pai fez. – Olhei para o Otávio e gritei forte. — NÃO, NÃO OTÁVIO, EU NÃO DEIXARIA MEU FILHO PASSAR PELA MESMA DOR QUE EU PASSEI. A dor do abandono é a pior de todas. — Tirar o seu filho! Mais que porra, Emma, qual o pai arrancaria um filho de uma mãe por um motivo tão idiota, merda! – Ele se exalta. — Você tirou o direito do Ricardo de ser pai sem menos lhe dar o direito de escolha. E o pior, você colocou outro homem ocupando o seu lugar. Emma, o monstro aqui é você. Não se brinca com os sentimentos dos outros, porra! – Ele vem até mim, segura em meus ombros, fixo os meus olhos aos seus e o que vejo é mágoa. — O que sou para você? Merda, Emma, pensei que erámos amigos. Por que não me contou a verdade? Acho que eu merecia. E o Dylan? Você não pensou em nenhum minuto em seu filho? Você também lhe tirou o direito de ter um pai e pelo que presenciei, os dois se amam, fiquei até com ciúmes da amizade deles. E você vem me falar de medo! Medo o cacete! – Ele me solta com violência. Fiquei trêmula e com medo. Otávio não se parecia nada com o doce e gentil homem que eu conhecia. — Responda-me, Emma, você tinha a intenção de se casar comigo? – Ele olha para minha mão direita. — Nem precisa responder, sua mão respondeu por você. – Otávio arranca a aliança do dedo com violência e a joga em minha direção. — Não passei de um substituto para você... MENTIROSA! – Ele esbraveja. Aquilo já era demais, quem ele pensava que era para me ofender. Traguei o ar com força e avancei em sua direção. — Quem você pensa que é para me chamar de mentirosa? – Ele me olha no susto. — Você também mentiu para mim, quando não me contou sobre o seu filho e a Simone. – Otávio arregalou os olhos com a surpresa. — Sim, já sei sobre o Dylan, seu filho com a Simone. Nós dois erramos. — Eu! Não menti para você, Emma. Quando você me perguntou se eu era casado e tinha filhos, disse não, pois já estava divorciado e o meu filho tinha falecido. Só omiti o meu passado, pois não queria que sofresse a minha dor. Diferente de você, que me disse que não sabia onde estava o pai do Dylan e, pior, ainda o pintou como monstro dizendo que ele tinha pedido que abortasse a criança.


— Eu errei Otávio, já admiti isso, quer me crucificar, crucifique-me, não me importo, já estou fodida mesmo, mas quero que saiba que eu gosto muito de você. Você foi o único amigo que tive. Não me julgue, Otávio, não me julgue sem antes saber os meus motivos. — Para o inferno com os seus motivos. Você tem noção da dor de se perder um filho? Pois, imagino a dor que o Ricardo está sentindo agora. Imagine Emma, ele descobriu o sabor maravilhoso de ser pai; no entanto, corre risco de nunca escutar o Dylan chama-lo de papai. Seus motivos não são nada perto do que ele está sentindo. – Ele olha-me com desprezo. — Sem contar com o que eu estou sentindo. — E a minha dor, você não pensa na minha dor, Otávio? Escondi o Dylan esse tempo todo por medo que o Ricardo o levasse embora, e agora corro o risco de perdê-lo para sempre. Otávio, por favor, não me queira mal, eu ia lhe contar tudo hoje. — Hoje! Grande consolo, Emma! – Ele aproxima-se do meu corpo, sinto sua raiva, sua mandíbula está tensa. Sua mão levanta-se, e por um minuto sinto que ele vai me esbofetear. Aperto os olhos e espero. Ouço o bater da porta com violência, abro os meus olhos. Otávio foi embora. Respiro profundamente. Acabei de perder um amigo muito querido por pura estupidez, sento-me na cadeira escondendo meu rosto em minhas mãos. Devo ter ficado um bom tempo sentada naquela posição. Mamãe entra na sala chamando por mim várias vezes, levanto minha cabeça em direção a sua voz. Ela vem até mim, puxa a outra cadeira, e se senta. Puxa-me para um abraço. — Minha querida, filha! Agora chegou os momentos de tormenta, prepare-se. Só quero que saiba que sempre estarei ao seu lado. Amo você mais que qualquer coisa nesse mundo. Ela beija a minha testa e o alto da minha cabeça. Fico ali, encolhida no calor do abraço de minha querida mãe.


Capítulo Vinte e Um “É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender? Se você sente algo, diga... É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar? Se alguém reclama de você, ouça... É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você? Se alguém te ama, ame-o... É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz? Nem tudo é fácil na vida... Mas, com certeza, nada é impossível.” (Glácia Daibert)

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Uma grande parede de vidro separava a mim e ao meu filho. De longe, podia ver a sua linda cabeleira loira, tubos cercavam o meu pequenino, mas conseguia ver suas pequenas mãozinhas... Cristo! Como eu gostaria de tocá-lo, beijar o seu rostinho e sussurrar ao seu ouvido que o papai estava ali e não o abandonaria. Por que, por que a Emma fez isso comigo? Por que ela me privou dos primeiros momentos da vida do meu filho? Lágrimas escorrem por meu rosto, engulo um soluço. Como eu gostaria de ter escutado os primeiros batimentos do seu coraçãozinho, seus primeiros movimentos no ventre da sua mãe, seu primeiro sorriso, seus primeiros dentinhos, seus primeiros passos, ouvir você me chamar de papai.. Não suportei, baixei minha cabeça e deixei as lágrimas caírem, elas molhavam o chão. Meu filho, meu filho, aguente firme, você ficará bom. Digo olhando em direção onde meu pequenino estava dormindo inocentemente. Em meu interior, xinguei Emma com raiva, e odiei a mim mesmo, pois não conseguia arrancá-la do meu coração. Precisava fazê-la sofrer, ela tinha que sentir o que eu estava sentindo. Sem pensar direito, tomo uma decisão. Emma vai me pagar com juros tudo o que ela fez a mim e ao Dylan. Pego o meu celular e ligo para Bruno, meu advogado, peço para que ele venha até Suzano o mais rápido possível, ele diz estar a caminho. Em menos de 40 minutos, Bruno chega ao hospital, marquei com ele no restaurante, procurei um local reservado onde pudéssemos conversar sem sermos incomodados. Pedi algo para comer, Bruno espera pacientemente eu terminar meu lanche. Termino, e vou direto ao assunto. — Sei o quanto você é competente, e sei que sabe os meios onde e como conseguir os objetivos dos seus clientes. – Ele me olha com certa apreensão. — Você trabalha para nossa família há bastante tempo, e sei que sabe onde as laranjas podres se encontram e como elas podem ser compradas. Estou falando do magistrado. Preciso que faça algo para mim e já vou logo dizendo, dinheiro não é problema, custe quanto custar. Quero isso para ontem.


— Senhor Willian, diga logo o que quer, pois já estou ficando nervoso. — Hoje, descobri que tenho um filho, e que posso perdê-lo a qualquer momento. Vou contar. Conto-lhe tudo... A cada palavra dita por mim, Bruno fica estupefato. — Nossa! E o que o senhor pretende fazer? — Quero afastar Emma do meu filho. Quero a guarda definitiva do meu filho e uma ordem de proteção. – Inclino o corpo à mesa e falo em um tom de voz baixo. — Quero-a bem longe do meu filho. Quero para ontem, não importa quanto custe, compre quantos juízes for possível. Sei que você pode fazer isso, pois você já fez isso para o meu pai. – Levanto-me. — Quero isso logo. — Não garanto isso hoje, mas amanhã tudo será resolvido, dinheiro compra tudo, senhor Willian, nem imagina como as coisas tornam-se fáceis quando se tem dinheiro, e a forma como a mãe da criança escondeu a gravidez fugindo do senhor, deixa bem claro que ela sequestrou o seu filho, e isso é crime, o senhor pode até mandar prendê-la se quiser. – Bruno avalia minha expressão. — Não. Só a quero bem longe do meu filho. — Pode deixar senhor Willian, no máximo amanhã ela não poderá chegar a um quilômetro de distância do seu filho. — Faça isso. Despedimo-nos ali mesmo. Fiquei de pé por alguns minutos, a visão da área externa do hospital é muito bonita, há um lindo jardim com várias espécies de flores, pássaros entoando os seus cânticos, alguns pacientes misturavam-se as pessoas, alguns caminhando, outros sentados em bancos, uns conversando, outros lendo livros. Cada um com sua dor, sua preocupação. Resolvi ir até o jardim, escolhi um banco um pouco afastado do barulho onde eu pudesse ficar em paz. Penso em Angel, como ela reagiria se soubesse o que a Emma fez? Pego o meu celular, disco um número. — Ricardo! Você não vai acreditar, acabei de falar o seu nome com o Homar, ele quer marcar uma reunião. — Por enquanto não marque reunião, Daimon. Não posso me ausentar de Florence, não sei por quanto tempo. Daimon! – Engoli minha saliva, falar sobre isso não seria fácil. — Oi, Ricardo, aconteceu algo? Você está bem? — Aconteceu sim. Descobri que sou pai e o meu filho. – Tento manter a calma. — O meu


filho está morrendo. – Sinto a respiração acelerado do Daimon. — Como assim? – Daimon faz uma pausa. — Ricardo, explique-me o que está acontecendo! Enchi o meu peito de ar e começo a lhe contar como descobri sobre o Dylan, e nesse ínterim falo sobre minha esterilidade, desnudo minha alma. Daimon nada diz, só me escuta, chorei feito uma criança, despejei os meus medos e pus para fora o meu amor e o meu ódio por Emma, disse-lhe que ainda não sabia o que fazer com este sentimento, só tinha certeza de uma coisa, eu precisava fazer a Emma passar por tudo que eu estava passando, pois minha dor é penetrante e ardida, ela me traiu, apunhalou-me pelas costas, quando levei o tiro, sofri naquele hospital. Quando me disseram que jamais poderia ter filhos, preferia ficar em uma cadeira de rodas, desde que pudesse ter um filho e sem saber, eu já tinha o meu pequenino... — Daimon, eu o conheci e mesmo sem saber que era o meu filho, me apaixonei por ele, aliás, nós dois nos apaixonamos, pois o Dylan não conseguiu se afastar de mim desde o dia que cruzamos os nossos caminhos. E Emma, vendo toda a cena não fez nada. Cacete! Quando penso nisso, tenho vontade de matá-la... — Ricardo, meu irmão querido, acalme-se, não faça nada de cabeça quente... Eu o interrompo. — Ela vai sofrer Daimon, juro... – Engulo o meu soluço, precisava manter a calma. — Daimon... Preciso da minha família perto de mim. Daimon toma a palavra. — Nós já estamos indo, Ricardo! O melhor agora é transferir o Dylan para o hospital de Florence, ele é muito mais equipado para esse tipo de tratamento. Não se preocupe como principal acionista do hospital adotarei as providências necessárias para transferir o seu pequenino. Já, já estamos aí. Daimon desligou. Eu precisava dos dois ao meu lado, estava me sentindo sozinho, perdido. Angel, com sua candura e sobriedade, e Daimon com sua ponderação e determinação. Fiquei feliz por ele ter tomado a dianteira sobre a transferência do Dylan para Florence. Depois que Angel ficou curada da sua doença, Daimon comprou quase todas as ações do hospital, tornando-se assim o principal acionista. Daimon investe pesado no hospital, comprando equipamentos de primeira geração e contratando os melhores especialistas em todas as áreas da saúde. Levantei-me do banco. Nesse momento, duas crianças, que brincavam de correr, terminam se chocando com o meu corpo, uma delas tinha mais ou menos a idade do meu pequenino, ela me olha e abre um sorriso. — Desculpe moço! – Devolvi o riso e ele volta a correr atrás da outra criança, sigo para o elevador. Vou para o andar onde Dylan está internado. Assim que coloco os pés fora do elevador sou abraçado por Emma fortemente, ela me aperta. Deus do céu! Fiquei morrendo de vontade de


confortá-la, fiz força para resistir, empurrei-a e a afastei do meu corpo, ela tenta me abraçar novamente. Emocionada ela me fala. — Você é compatível, Ricardo, você é compatível. – Ela joga-se em meus braços novamente. Cacete! Sentir o corpo trêmulo da Emma tão perto, seu cheiro gostoso foi demais... Eu apertei-a em meus braços, apertei forte o seu corpo, beijei o seu rosto e, por último, seus lábios, senti o gosto salgado das suas lágrimas. Envolvi-a novamente em meus braços, podia sentir o seu coração batendo acelerado. — Meu amor, o nosso filho vai ficar bem, ele não vai nos deixar, você vai salvá-lo. Obrigada! – Ela me beija a boca com carinho. Eu a quero com tanta força, por que ela fez isso? Meus sentimentos de raiva dominam meu coração, eu a afasto brutalmente, ela quase cai, eu a seguro há tempo. Peço desculpas e saio de perto dela. Emma fica sem graça e corre para perto da mãe. Doutora Simone vem até mim, ela confirma o que Emma acabara de me dizer. Vamos até a sua sala e ela começa a nos explicar o que vai acontecer daqui por diante. E nos diz que o Dylan vai receber altas doses de quimioterapia e, se for preciso, radioterapia, com a finalidade de destruir todas as células imunes para o recebimento de uma nova medula óssea. E durante o período de quimioterapia e/ou radioterapia, Dylan poderá apresentar alguns efeitos colaterais ou não apresentar nenhum. Após Dylan condicionar sua medula, ele receberá uma nova medula sadia, como se fosse uma transfusão de sangue por meio do cateter. O dia da transfusão é feito no Dia “zero”, um novo dia de aniversário para ele. As células-mãe transfundidas são levadas pela corrente sanguínea e se encaminham até a medula óssea, local aonde irão se instalar e começar o processo de recuperação. O transplante é um procedimento rápido, que dura em média duas horas, “semelhante a uma transfusão de sangue”. Após o TMO, Dylan ficará muito frágil, portanto ele deve ser mantido internado no hospital para receber os cuidados e monitoramento necessários. Ela nos diz que é importante saber que o tempo de recuperação é variável, cada caso é um caso. Dependendo do tipo de transplante e da fonte de célula, o prazo para recuperação pode ser modificado. Existem também medulas mais ‘preguiçosas’ e outras mais precoces. Simone vira-se para mim e começa a me explicar o que vai acontecer comigo. Ela me diz que antes da doação, vou precisar fazer um rigoroso exame clínico, incluindo exames complementares para confirmar o meu bom estado de saúde. Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. A doação será feita em centro cirúrgico, sob anestesia, e tem duração de aproximadamente duas horas. São realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da minha bacia e é aspirada a medula. Retira-se um volume da minha medula, no máximo, 15%. Esta retirada não causa qualquer comprometimento à minha saúde. Dentro de poucas semanas, a minha medula óssea estará inteiramente recuperada. Uma avaliação pré-operatória detalhada verificará as minhas condições clínicas e cardiovasculares, visando a orientar a equipe anestésica envolvida no


procedimento operatório. Os sintomas que podem ocorrer após a doação – dor local, astenia (fraqueza temporária), dor de cabeça, em geral – são passageiros e controlados com medicamentos simples, como analgésicos. Simone me pergunta se posso ficar no hospital para começar todos os exames. Digo que evidente que ficarei. Pergunto se posso ver o Dylan. — Todos podem. – Ela fala olhando para todos que estavam na sala. — Pois quando Dylan começar com a quimioterapia não poderá mais receber visitas. Simone levanta-se, vai até a porta e espera que todos nós passemos por ela. Fomos direto para UTI. — Só pode um de cada vez. – Simone nos avisa. — Sigam a enfermeira, ela vai orientá-los a vestir a roupa. Quem entrou primeiro para ver o Dylan foi Mirela, ela estava muito emocionada. Seu corpo tremia, ficou cerca de uns 15 minutos ao lado do neto. Depois foi a vez de Emma. Cristo! Ela estava frágil, fiquei com uma vontade enorme de abraçá-la, beijar seus cabelos, falar palavras que fortalecessem o seu espírito, quase dou um passo à frente e faço isso, mas retrocedi... “Não, não ela não merece, penso”. Antes de entrar na sala, Emma me olha por cima do ombro, porra! Essa mulher derruba minhas estruturas. Seu olhar é de súplica, seus olhos estão marejados, aquilo me quebrou. Não consegui me segurar e fui até ela. Abracei-a com carinho. — Acalme-se, ele ficará bom. Vá, fique o tempo quiser, eu não tenho pressa. – Beijei sua testa, ela me abraçou com força, em seguida entrou na sala. Fiquei observando-a, e pensei comigo. “Aproveite, Emma, os seus últimos momentos com o Dylan. Pois você não terá mais chance de chegar perto do meu filho novamente”.


Capítulo Vinte e Dois “Deixe-me viver, caminhar com meus próprios pés e colher as consequências das escolhas que eu faço. Você não irá ser um mau amigo se me deixar correr esses riscos. Basta apenas que você esteja presente quando eu estiver chegando perto do chão. É só não me deixar cair.” (Gui Reple)

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Assim que desligo o telefone, ligo para doutora Verônica e peço que venha imediatamente até minha casa. Preocupada, ela me pergunta se Angel está bem, digo que por enquanto sim; no entanto, meu receio é que ela não receba bem a notícia que tenho para contar. Explico a Verônica, e ela me diz que chegará em 10 minutos. Verônica é a obstetra da Angel desde o primeiro parto, e as duas não se largam. Quando fomos morar na Grécia, Angel engravidou. Verônica ficou conosco e nos acompanhou até aqui em Miami. Quando a Angel sofreu o acidente e perdeu nossa filha, fiquei agradecido por Verônica estar ao nosso lado. Angel estava em casa sozinha, tinha ido levar Beatriz e Kael ao cinema, estava resfriada e não queria ficar por muito tempo em um ambiente fechado. Angel ficou com as babás e os demais empregados. Ela estava no andar de cima da casa e quando começou a descer as escadas sentiu-se mal. Angel me disse que sua visão escureceu e só não aconteceu o pior porque sentiu que alguém a segurava, amortecendo sua queda; se não fosse isso, poderia ter quebrado o pescoço. Angel caiu de bruços e a pancada foi toda em sua barriga. Foi o pior dia da minha vida, perdi minha filha e quase perco a mulher que mais amo na vida. Precisei disfarçar a minha dor e ser forte por mim e por ela. O pior foi quando voltamos do hospital, as crianças notaram que Angel estava sem barriga e foram logo perguntando onde estava a irmãzinha deles. John explicou a eles o que tinha acontecido e eles ficaram uns dias chorando. Foram dias terríveis, mas, graças a Deus, fomos agraciados por energias poderosas e conseguimos superar. Hoje, Angel está com sete meses de gravidez, e nossa menina está forte, uma verdadeira atleta, adora fazer estripulia no ventre da mãe. Sou um homem precavido, por isso chamei Verônica à nossa casa. Se algo acontecer aos meus dois bebês, não me perdoarei. Verônica chega em dez minutos. Angel está na cozinha fazendo brigadeiro para o Kael, ele só come o brigadeiro que a mãe faz. Kael é fogo, quando ele vai para alguma festinha de amiguinhos a Angel tem que fazer os brigadeiros para que ele os leve, só assim ele come. Peço


para a nossa funcionária chamar Angel. Assim que ela chega à sala, percebe que há algo errado, olha para Verônica e sorri. — Hum, senhor Daimon Walker vai logo cuspido o que está escondendo. Estou bem, não sinto nada, então o senhor meu marido tem algo a me dizer. – Ela me olha desafiadoramente. — Anda Daimon! Desembucha... Sorri para ela e a puxo pela mão, fazendo com que se sente em meu colo. — Preciso lhe contar algo muito sério, porém necessito saber se realmente você está bem. Angel levanta-se do meu colo ficando de pé diante de mim, sua expressão é de contrariedade, já conheço minha mulher e sei que vou levar bronca. — Daimon Walker, não sou de porcelana, merda! Não quebro na primeira queda. Escute aqui, senhor meu marido, já enfrentei bandido, tiro, fiquei submersa em um rio gelado e escuro, e tudo isso sem saber que estava grávida. Não será uma notícia que vai me matar.. Anda, conta logo essa merda! Engoli em seco, ela sabe ser convincente. Então, falo de vez. — Ricardo tem um filho quase da idade do Kael e a mãe é a Emma. O menino está internado em estado crítico, ele precisa de um transplante de medula óssea. – Levantei às pressas, meu medo era que ela desmaiasse. — Filha da p... – Ela vai em direção as escadas. Pergunto onde ela está indo. — Fazer as nossas malas, pois preciso dizer umas verdades para Emma Lancaster, e apoiar o meu amigo e amiga. Eles precisam de nós. Olhei perplexo para Verônica, ela sorri encolhendo os ombros. — Você dois são tão parecidos... Agora tente desacelerar o carro sem freio, senhor Walker. Despeço-me de Verônica. Angel foi conversar com os nossos filhos, explicando que eles ficariam com os seus avós, pois eles não poderiam viajar conosco. Eles choraram, fizeram malcriação, mas no final aceitaram. Fomos direto para o aeroporto, em algumas horas estaríamos em Florence, e de lá íamos direto para Suzano, Ricardo me deu o endereço.

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Simone convenceu-me a vir para casa. Afinal, não adianta ficar no hospital, precisava descansar, pois os próximos dias seriam tensos. Perguntei por Otávio, ela me disse que ele passaria mais tarde no hospital para ver Dylan. Sei que na verdade ele não queria era me ver, acatei a sua decisão. Quando tudo isso passasse, iria procurá-lo e pedir perdão, não quero perder sua amizade. Afinal, Otávio foi muito importante em minha vida, foi o meu


companheiro em todas as horas, pena que estraguei tudo. Precipitei-me em aceitar namorá-lo e, pior, ir para a cama com ele. Levei a medicação para mamãe tomar, percebi que ela estava com aquele olhar melancólico, e o que menos preciso nesse momento é uma recaída depressiva da mamãe. Chego ao seu quarto, ela está deitada olhando para um ponto fixo qualquer. — Mamãe! – Ela não se move. — Mamãe. Ei, você está bem, quer alguma coisa? — Meu neto vai ficar bem, não vai? O tom da sua voz me quebrou, o mundo podia acabar, porém só duas coisas conseguem me deixar arrasada, meu filho doente e minha mãe triste. Prometi a mim mesma que nunca mais minha mãe derramaria uma lágrima de tristeza. — Mamãe, o nosso menino logo estará aqui nos enlouquecendo com os seus gritos e risadas, fique assim não. – Fiz uma pausa, ela desvia os olhos para mim. Ela sorri levemente. — Tome. – Entrego-lhe o remédio e o copo com água. Ela bebeu toda a água, deitei-me com ela e a abracei com força, beijando os seus cabelos loiros, senti-a estremecer e o seu suspiro foi profundo. Adormeci com minha mãe nos braços. Acordei com a luz solar em meu rosto, mamãe não estava mais na cama. Provavelmente foi preparar o nosso café, levanto-me e saio apressada para o meu quarto, precisava tomar um banho rápido e voltar para o hospital. Estou de costas para porta do meu quarto. Sabe quando você percebe que tem alguém lhe observando à surdina? Essa foi minha sensação. Viro-me rapidamente e quase tenho uma síncope. — Angel! — Olá, sua ingrata. Angel estava ali, recostada na soleira da porta. Sua expressão é impenetrável. Deus do céu, ela veio exigir explicações, pensei. Ela vem em minha direção... Sinto o seu abraço apertado. Fiquei ali, aconchegada, no aperto da minha amiga, ela afasta-se um pouco avaliando meu rosto. Tomo coragem e pergunto. — Como me encontrou, e o que faz aqui? —Ricardo nos contou tudo. – Angel permanece séria, do jeito que me olhava nem parecia a Angel, tive a impressão de que era outra pessoa. — Você veio me apontar o dedo, crucificar-me? Eu sei, eu sei, errei, mas já está feito. Afasto-me e me viro de costa. Fico olhando para o nada através da janela.


— Ei! Não precisa ficar na defensiva, Emma, desarme-se. – Ela vem até mim, segura-me pelos ombros, virando-me, meus olhos já lacrimejavam. Angel me leva até a cama, sentamos. Ela mantém suas mãos na minha. Soluçando, digo: — Angel, sei que fiz tudo errado, e talvez fizesse tudo novamente. Porém, o meu medo de perder o meu filho foi muito maior que o amor que sinto por Ricardo. Ele sempre me pedia em casamento pelos motivos errados. Falou soluçando. — Por diversas vezes fiquei com vontade de dizer a verdade, mas aí vinha o medo, parecia que já estava escutando ele dizer: “Grávida, precisamos nos casar agora, Emma, meu filho não vai nascer sem um pai”. E mais uma vez eu diria um não bem grande. Só que dessa vez, Angel, tinha uma criança entre nós, e o Ricardo não ia aceitar o meu não. Escondo meu rosto em minhas mãos, Angel acaricia meus cabelos, ela espera eu terminar. — Então pensei: com o dinheiro que ele tem seria fácil arrancar o meu filho dos meus braços. Fiquei apavorada e fugi. — E por que não me contou Emma? Você passou por isso tudo sozinha, caramba, Emma! A primeira gravidez é assustadora, podia tê-la ajudado. — Fiquei com medo. — Medo de que, Emma? — Você é tão certinha, mi amore. Fiquei com medo que fosse correndo contar para o Ricardo. Angel segura em meu queixo e fixa os olhos nos meus. — Emma, você não me conhece mesmo! Que direito eu tenho de fazer escolhas por você. Jamais faria isso. Poxa, Emma, é o seu livre-arbítrio, é você quem tem que escolher os caminhos a seguir, ninguém tem o direito de escolhê-los por você. Nem eu nem sua mãe nem ninguém, o máximo que podemos fazer é aconselhá-la, mostrar os caminhos para que assim você, só você, possa escolher. É a partir de nossas escolhas que podemos plantar e colher os nossos frutos. Emma! Ela me olha com complacência. Nesse momento, sinto um frio na nuca e a voz de Angel torna-se mais suave. — Para toda ação uma reação, para todo ato uma consequência. Suas escolhas, suas consequências, suas responsabilidades. Se por acaso você tivesse me contado sobre a sua gravidez, e eu me achasse no direito de interferir e corrido para contar ao Ricardo, não seriam suas escolhas seriam minhas, entendeu? Precisamos aprender com os erros, só assim damos um passo à frente para evolução. Agora, meu amor, o fruto será amargo, mas não durará para sempre, tudo se resolve, Emma, tudo na vida tem conserto. Se não for nessa, será em outra vida. Angel cala-se de repente, e me abraça. Sinto conforto naquele abraço, uma paz, comecei a


chorar, ela me acalentou colocando minha cabeça em seu colo. Então senti um chute, Angel riu. Ergui o corpo levando minha mão até o seu ventre. O bebê chuta novamente, foi muito bom. — Já tem nome? — Não. Daimon e eu resolvemos escolher o nome quando ela nascer achei melhor assim. Por enquanto é só bebê. — Vai encerrar com ela, ou pretende ter mais filhos? — Um monte de cópia do homem que eu amo, quero quantos Deus quiser me dar. — Caramba, Angel! Daimon sabe disso? E o Kael concordou? Angel cai na gargalhada. — Daimon concorda desde que não prejudique minha saúde, já o Kael só faz uma exigência, todas têm que ser meninas. Começamos a rir. Seguro suas mãos levando aos meus lábios, beijo-as. — Perdoe-me por ter escondido minha gravidez, por ter guardado segredo de algo tão importante, mas saiba que eu a amo muito, só não queria contar. – Angel toma as minhas mãos devolvendo o beijo. — Mas deveria ter me contado. — Angel, quem não tem segredos? Todos nós um dia escodemos algo de alguém de quem amamos. Lembra-se, você escondeu sua doença do Daimon e de mim. Daimon escondeu o passado dele com Helena. Tem certas coisas que simplesmente não queremos que ninguém saiba isso não quer dizer que não amamos e nem confiamos no outro, só não queremos que ele saiba. Você me perdoa? — Emma, você precisa se perdoar primeiro. Quando isso acontecer, esse peso que está aqui e aqui, – ela aponta para minha cabeça e o meu coração — desaparecerá. Quanto a mim, não tenho nada a perdoar, foi sua escolha e respeito isso. Agora o que você fez foi errado, escondeu o filho do Ricardo e deixou Dylan sem saber que tinha um pai. Você tirou o direito do Ricardo de ser pai, você escolheu por ele, isso foi errado, e as consequências não serão amenas, esteja preparada, pois grandes tormentas virão. Fiquei assustada com o que ela disse. O celular de Angel toca. Ela atende, é o Daimon pedindo para que retornasse ao hospital. O motorista da empresa já estava lá embaixo aguardando por ela. Descemos juntas, despedimo-nos e marcamos de nos encontrar no hospital mais tarde, ela me disse que não ficaria muito tempo. Daimon estava preocupado com o seu estado, por isso eles iriam embora hoje ou amanhã cedo. Ela foi embora, fiquei esperando o carro desparecer na esquina. Entrei na floricultura e começo arrumar algumas coisas, alguém toca a campainha, vou atender.


— Senhorita Emma Lancaster? – Assenti. — Sou oficial de justiça e vim lhe trazer está ordem do senhor Juiz da comarca de Suzano. Assine o protocolo de recebimento, por favor. – Assinei, ele foi embora, fechei a porta, algo me dizia que aquele documento iria mudar minha vida drasticamente.


Capítulo Vinte e Três “...Se antes de cada ato nosso, nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar.” (José Saramago)

***

Fui caminhando lentamente em direção a bancada de atendimento da floricultura olhando fixamente para aquele envelope. Encosto-me, fico pensativa. Cristo! Um frio percorre a minha espinha. Ui! Nossa! Olhei em direção à porta para me certificar se tinha realmente fechado, pois tive a impressão de que um vento frio percorreu todo o meu corpo. O que será que a justiça quer comigo? Não estou devendo nenhum imposto, o que menos preciso nesse momento são preocupações com a lei. Fixo meus olhos no papel, agito o envelope em minha mão. Acho melhor ver logo do que se trata, assim resolvo logo o que tem que ser resolvido. Abriu-o. Meus olhos começam a passear pelas linhas digitadas, a cada letra que leio meu coração acelera e quando chego às últimas linhas, grito desesperadamente... Ahahahah! Mamãe, que acabara de chegar do mercado, corre em minha direção. Estou trêmula e com certeza pálida, minha garganta se fecha. — Filha, pelo amor de Deus, o que foi? É alguma coisa com o Dylan? – Mamãe sustenta-me pelos cotovelos. Com as mãos trêmulas, mostro a ela o envelope. Ela o pega e me leva até uma cadeira, onde me sento. Mamãe começa a ler o documento em voz alta. — Senhora Emma Lancaster, queira comparecer na data citada a audiência de solicitação de guarda permanente do menor Dylan Lancaster, juntamente com um advogado. A audiência foi a pedido do progenitor do menor, senhor Ricardo Mendonça Willian e a pedido do mesmo e concedido pelo juiz e assinado pelo mesmo, a senhora fica proibida de chegar perto do menor até a audiência acima, mediante uma ordem de proteção. Caso desacate, a ordem será mantida sob custódia da lei até a audiência. Mamãe me olhou com espanto. — Mas que merda é essa! O Ricardo ficou louco? – Ela faz uma pausa. — Filha, você precisa de um advogado, aquele seu cliente. O senhor... Espere aí, vou pegar o cartão dele. – Ela corre até o salão da floricultura, voltando em seguida com um pequeno cartão de visitas branco e o telefone na mão. — Aqui querida, Senhor Marcos Pitanga. – Mamãe, liga para o número que


consta no cartão. Ela explica tudo que aconteceu, o tal advogado diz que já está a caminho da floricultura. Mamãe vai buscar um copo com água para mim, fico prostrada na cadeira, nem me movo, nem pisco, até minhas lágrimas assustaram-se... Como o Ricardo pode fazer isso comigo... Sim, eu sei o que eu fiz, eu sei que o magoei, eu mereço o seu ódio eterno, já sabia que isso iria acontecer... Agora, me proibir de ver o meu filho... Ele não tinha esse direito. Mamãe volta com a água, forçando-me a beber, recuso-me, ela desiste. — Filha, não fique assim, tenho certeza que o senhor Marcos vai nos ajudar... Não lhe digo nada, fixo meus olhos em um ponto qualquer, não consigo nem pensar. Em alguns minutos, o advogado chega a nossa casa, mamãe o convida a entrar, ele senta-se diante de mim, mamãe lhe entrega a intimação. Aquele suspense todo estava me deixando mais aflita, Marcos termina de ler e imediatamente dirige a palavra a mim. Ele quer que eu lhe conte tudo... Tudo, desde o início. Fui forçada a voltar ao passado, mais uma vez. Contei-lhe como conheci Ricardo, quando engravidei e quando fugi sem dizer nada a ninguém... Também lhe disse os motivos que fugi do Ricardo. — Medo! Medo por quê? Por acaso, o senhor Ricardo oferece alguma ameaça ao menino Dylan? Ele é violento ou até coisa pior? — Não! Não... O Ricardo é um homem maravilhoso e será um excelente pai, tenho certeza disto... – Fiquei nervosa com a observação do Marcos. — Eu fiquei com medo que ele nos abandonasse após certo tempo... — Emma! – Mamãe grita comigo. — De onde você tirou essa ideia? Pensei que você tinha medo que ele lhe tirasse o Dylan. — Ora mamãe, tivemos um exemplo dentro de casa. Eu só não queria que o meu filho passasse pelo o mesmo sofrimento que passei... Em minha cabeça, Ricardo iria fazer o mesmo que o meu pai fez: com o tempo, ele encontraria outra mulher e iria embora sem olhar para trás, deixando o Dylan sentir o sabor do abandono. Sei como é essa dor, eu sei o que passei... Não queria que o meu filho sofresse a mesma dor. – Comecei a chorar, mamãe veio até mim, ajoelha-se e me abraça. — Meu Deus, minha filha! O que fizemos a você, eu e o seu pai... – Ela beija o meu rosto e suas mãos enxugam as minhas lágrimas. — Seu pai começou e eu terminei. Perdão, filhinha, perdão por ter sido tão ausente em sua vida, perdão por não ter sido sua mãe quando mais precisou de mim. Emma, por que nunca me contou sobre os seus verdadeiros medos, por que meu amor? — Porque eu não queria que sentisse tudo aquilo novamente, não suporto vê-la sofrer.


Mamãe, você e o Dylan são tudo que tenho na vida, meus únicos tesouros. Abracei minha mãe com força, meu coração ficou pequeno, precisava ser forte, não posso fraquejar, não diante da minha mãe, ela precisa de mim, prometi que cuidaria dela e que jamais a abandonaria. Olho com carinho para ela e engulo minhas lágrimas e os meus soluços, ergo minha cabeça e encaro o Marcos. —Ricardo pode afastar meu filho de mim? Marcos limpa a garganta e é direto nas palavras. — Emma, diante dos fatos que foram ditos por você e provavelmente pelo próprio Ricardo... – Ele faz uma pausa. — Sim, ele pode e tenho certeza que vai fazer. O que você cometeu em alguns países é um crime, inclusive no nosso! O Juiz entenderá como subtração parental ou sequestro parental (Alienação parental no Brasil).; A pena prevista é de seis meses a dois anos de prisão (exceto no Brasil). — Crime! – Espanto-me com a palavra pronunciada. — Desde quando querer proteger um filho é crime? — Calma, filha, escute o que o Marcos tem a dizer. – Mamãe tenta me acalmar. Mas como ficar calma diante de tudo isso? — Emma, se você tinha alguma prova contra o senhor Ricardo comprovando que ele oferecia perigo para o seu filho, tudo seria resolvido diante da lei... No entanto, você fugiu, não dizendo nada a ninguém, escondeu-se em outra cidade, sem ao menos deixar o seu endereço com alguma pessoa. Privou o senhor Ricardo de saber sobre sua gravidez, de acompanhar o crescimento do menino, e o pior: quando o senhor Ricardo a encontrou, você negou que a criança era filho dele, e ele só soube que tinha um filho porque a vida do menino corre perigo. O advogado do Sr. Ricardo usará sim o termo subtração parental, ou seja, sequestro, e o juiz pode usar as armas que a lei lhe dá permissão, como perder a guarda da criança e estender a ordem de proteção para permanente. — Sequestro... Ficou doido, senhor Marcos... — Perante a lei a senhora fez isso, e sequestro é crime e dá cadeia. — Valha-me Deus! E o que faremos Marcos? – Mamãe entra em desespero, agora eu fiquei apavorada. — Rezar e rezar para que o senhor Ricardo não dê uma queixa crime contra Emma. E o conselho que eu lhe dou, Emma, é não tentar chegar perto daquele hospital até a audiência, pois será presa e perderá qualquer chance de, pelo menos, conseguir visitas supervisionadas para ver o seu filho. Pois, diante dos fatos, o senhor Ricardo pode ganhar a guarda permanente do Dylan e afastá-la por definitivo do menino, ou até ele ficar na idade de fazer suas próprias escolhas. No entanto, o bom de tudo isso é que essa será a primeira audiência. Ela é marcada só para conhecermos o caso, isso nos dar tempo de preparar uma melhor defesa para a


próxima audiência. Amanhã, passo aqui para acompanhá-la, vamos tentar de tudo, no mínimo, uma visita supervisionada. Marcos segura em minhas mãos, eu nada senti, meu mundo acabou de ruir, mamãe o acompanha até a porta. Enquanto isso, pego o meu celular e tento desesperadamente ligar para o Ricardo, mas todos os seus números caem na caixa postal. Ligo para o hotel, a recepção me diz que ele não está, ligo para o hospital e me dizem que ele está na sala de exames e não pode atender. Então, ligo para Angel e conto-lhe tudo. Ela se desespera e pede para me acalmar, pois ela conversará com o Ricardo, agora mesmo. Desligo o celular. Aonde cheguei? O que todos os meus atos me causaram? O que mais temia aconteceu. Ricardo tomou o meu filho, arrancou-o de mim sem dó e sem nenhuma piedade. E agora, o que farei? Como viverei sem o meu filho? — NÃÃO! Gritei em desespero. Caí ao chão e começo a esmurrá-lo com força, mamãe chega e consegue me parar, ela junta-se a mim. — Shhh! Fique calma minha filha. Tudo irá se resolver, shhh! Venha, vamos para o quarto, você precisa dormir um pouco. – Sou levada por minha mãe até meu quarto, ela deita-se comigo me abraçando, e aos prantos, adormeço.

***

Assim que desligo o celular, saio feito um vento forte em busca do senhor Ricardo Willian, encontro-o no quarto, junto com Daimon, nem pisco e vou logo descarregando minha raiva. Até agora estava tentando apaziguar as coisas entre Ricardo e Emma, pois neste meio encontra-se Dylan; e ele precisa dos dois ao seu lado. Conversei muito com o Ricardo, o Daimon também, porém ele nada disse só fazia nos abraçar e chorar. Agora, estou entendendo o motivo de tanta aflição. Ele esfaqueou a Emma pelas costas, o remorso deve estar lhe comendo por dentro. — O que pensa que está fazendo, Ricardo, como ousa proibir a Emma de ver o filho, que direito você tem de fazer isso? Ricardo olha para Daimon, levanta-se da cama onde estava deitado e vem até mim; seu olhar brilhava de raiva. — Eu tenho o mesmo direito que ela. Emma me tirou o Dylan durante 5 anos e 9 meses. Não tenha dúvida, Angel, eu a farei sofrer do mesmo jeito que estou sofrendo. Passei anos sofrendo, pois pensava que não podia ter mais filhos e, sem saber, já tinha um. Emma me privou de ser pai e ainda colocou outro homem para ocupar o meu lugar. Eu a farei sofrer, farei sim senhora.


— Ricardo, não seja louco, não deixe o seu rancor, a sua mágoa ultrapassar o amor que você sente por ela... E o Dylan, o que você vai dizer ao seu filho quando ele perguntar pela mãe? — Direi a verdade! — Ricardo, meu irmão, não faça nada enquanto estiver com raiva, seja ponderável. Ricardo interrompe Daimon no final da frase. — Chega! Vocês podem dizer o que quiserem, não voltarei atrás. Dylan vai ficar comigo e Emma não chegará perto dele e. E se ela tentar, será presa. Ele vira-se para mim e completa. — Sim, Angel, eu amo a Emma, mas por agora o meu ódio é muito maior que o meu amor, e enquanto eu não o expurgar, não poderei perdoá-la. Assunto encerrado. Ricardo sai do quarto deixando a mim e ao Daimon boquiabertos. Nessa mesma tarde voltei para Miami. Após a discursão com o Ricardo, comecei a me sentir mal, dores finas vinham e voltavam, Daimon ligou para minha médica e ela recomendou que voltássemos o mais rápido possível, despedimo-nos do Ricardo e da Emma. Perguntei se ela precisava de um advogado, ela me disse que já tinha um, pedi para que ela me mantivesse informada sobre tudo.

***

Acordei me sentindo ébria, minha cabeça está zonza e o meu coração a toda velocidade. Desde ontem tento falar com o Ricardo, porém ele não atende as minhas ligações, liguei para o hotel e me disseram que ele não tinha dormido lá, e no hospital disseram que não podia atender ligações. Deixei vários recados, mas ele não retornou. Tento mais umas 30 vezes antes de chegar ao fórum, mas sem resposta, realmente ele não quer falar comigo. Senhor Marcos me pegou às 8h. em minha casa. A audiência está marcada para as 9h. No horário marcado, fomos chamados para uma enorme sala. Então eu o vi. Ricardo já se encontrava na sala; ele e outro homem que provavelmente deve ser o seu advogado, outro senhor bem mais velho e com cara de poucos amigos também já estava sentado na ponta da grande mesa; não gostei do jeito que ele me olhou. Foi então que o senhor Marcos me diz ao ouvido. — Esse é o Meritíssimo juiz Bacelar, tenha cuidado com o que fala, só responda o que ele perguntar, ele é muito rígido. Minha espinha gelou agora eu estava ferrada de vez, fiquei com vontade de correr. Ricardo não me olhava, sua expressão era sombria. Sentamo-nos, o juiz começou a ler os autos do processo. Então, o advogado do Ricardo começa a me fazer perguntas. Fiquei


apreensiva a cada frase dita. — Senhora Emma Lancaster, é verdade que a senhora escondeu do senhor Ricardo Mendonça Willian durante 5 anos e 9 meses a existência do menor Dylan Lancaster, onde se comprova perante exame de DNA a paternidade do mesmo? –Limpei minha garganta e respondi sim. — É verdade que a senhora em nenhum momento avisou ou contou a alguém sobre a existência da sua gestação e assim desapareceu da cidade de Florence, sem deixar endereço nem mesmo o número de um telefone fixo? – Respondi sim. — É verdade que mesmo depois de ter dado à luz ao menor, a senhora veio a se encontrar com o senhor Ricardo e nunca lhe deixou transparecer que a senhora tinha um filho? – Respondi sim. O juiz olha-me por cima dos óculos. O advogado continua. — É verdade que o senhor Ricardo Willian se encontrou com a senhora anos depois e assim que descobriu sobre o menor, ele lhe perguntou se o mesmo era filho dele e a senhora negou? – Respondi sim. — Senhora Emma, a senhora está ciente que está sob juramento? – Eu assenti com a cabeça. — A senhora tem noção da gravidade dos seus atos? A senhora sabe que só não sairá detida desta sala por que o meu cliente, o senhor Ricardo Willian, não vai prestar queixa, o que a senhora fez chama-se subtração parental e em nosso país é crime. O advogado do Ricardo passa a vez para o Senhor Marcos. Meu advogado não tem muitos argumentos, então ele relata meu problema com o meu pai, conta sobre o medo que tenho de ser abandonada e foi por isso que fugi, sem dizer nada ao Ricardo. Em sua conclusão final, o advogado do Ricardo fala que, como impedi qualquer chance de contato com o Dylan, devo perder a guarda do Dylan, pois atrapalharia a formação de vínculos emocionais entre Ricardo e meu filho. E por um período indeterminado, as visitas fossem suspensas, e que o Dylan deverá ter acompanhamento psicológico para se adaptar à nova disposição familiar; e com o aval do psicólogo, as visitas podem ser restabelecidas, mas serão supervisionadas pelo pai ou em juízo. Marcos alega que sou uma excelente mãe e tem provas sobre isso e não vê razões para me afastar do meu filho, pois o mesmo encontra-se muito doente e vai precisar da presença materna, no mínimo visitas supervisionadas pelo pai.


O juiz então começa a falar. Minha espinha gelou. — Diante dos fatos ditos por ambos os advogados e constatados perante mim, como juiz da vara familiar, passo a guarda permanente do menor Dylan Lancaster, que de agora por diante se chamará Dylan Lancaster Willian para o seu progenitor Ricardo Mendonça Willian, e mantenho a ordem de proteção por tempo indeterminado. O Juiz olha-me com cara de poucos amigos. — Emma Lancaster a senhora deve se manter afastada a uma distância de mil metros do menor. – Congelei, nem chorar eu conseguia, minhas mãos não paravam de tremer, e o juiz continua. — Senhora Emma, escutou o que eu disse? Sabe que se não obedecer será encarcerada, e essa é minha vontade nesse momento. – O juiz fala com frieza. Assenti com a cabeça. Senhor Marcos tenta argumentar dizendo que deveria ter outra audiência e como juiz, ele não deveria falar comigo dessa maneira, mas o juiz o cala com duras palavras. — A sua cliente dê-se por satisfeita por não sair algemada daqui por causa do senhor Ricardo Willian, por mim eu mandaria prendê-la agora. – Ele levanta-se e encerra a audiência. Todos saem, inclusive Ricardo, não consigo me mover, minha língua fica grossa, minha garganta fecha. Marcos me pergunta se estou bem, se preciso de algo, ele me diz que podemos recorrer, pois o que o juiz fez não está correto. Não consigo pensar, só o que passa em minha cabeça é que acabo de perder a guarda do meu filho e estou proibida de chegar perto dele. Não sei de onde tiro forças. Levanto-me e saio correndo, deixo o senhor Marcos sentado sem entender nada. Corro pelos corredores do fórum, gritando por Ricardo, não sei como consegui atravessar a rua sem ser atropelada, consigo chegar ao estacionamento e, ao longe, avisto o automóvel do Ricardo, ele já estava com a mão na porta, então encho o meu peito de ar e o chamo. Ele vira-se para a minha direção, aproximo-me. — Não faça isso comigo, por favor, não me tire o direito de ver meu filho, ele precisa de mim assim como preciso dele, você não tem o direito de me proibir de vê-lo. Ricardo foi rápido, pois em questão de segundos sua mão estava em meu maxilar, senti a dor do aperto e o ódio do brilho do seu olhar, parecia flechas me furando a alma. — E você tinha o direito de fazer a mesma coisa comigo? Responda-me, Emma? Você tinha esse direito de me proibir de ser pai? É boa essa dor? Você sente o que sinto? Pois é, Emma acostume-se a ela, e nem pense chegar perto daquele hospital. Já contratei seguranças e avisei a administração do hospital, para não deixa-la passar do segundo andar. Você será presa, Emma Lancaster. Ele me solta com violência, mas os seus olhos não deixam os meus; tive a impressão de que


ele queria me abraçar me beijar. Deus! Eu estou no inferno. Sem pensar, jogo-me de joelhos diante dele, senti os meus joelhos serem cortados pelas pequenas pedrinhas do chão. Agarrome as suas pernas e suplico. — Perdão, Ricardo, perdão, pelo amor de Deus me perdoe, faço o que você quiser, juro, só não me impeça de ver o meu filho. – Ricardo tenta me soltar de suas pernas, ele anda um pouco me levando junto com ele, meus joelhos são rasgados pelas pedras. — Emma, me solte, não faça isso, não faça isso, Emma, você está se machucando, levanta-se Emma, levanta-se. – Ele inclina o corpo e me segura pelos os meus braços. — Já lhe disse que essa posição de súplica não lhe fica bem, levanta-se! – Ele me agita com força. Sua voz é austera, sinto o seu corpo rígido. Tento de toda forma continuar de joelhos. — Faço o que quiser Ricardo, o que você quiser. – Ele consegue me erguer, fico de pé, meu corpo está tão próximo do dele, chego a sentir o magnetismo do puxão, somos como imãs. Ele me olha com força e suas mãos me mantêm afastada do seu corpo. — Só quero uma coisa de você. – Desta vez, ele cola o nariz ao meu, sinto o seu hálito gostoso. — Fique bem longe do meu filho. – Ele vira-se e entra no carro. Fico imóvel, plantada naquele chão de britas. Meus batimentos cardíacos aceleram, sinto um formigamento em todo o meu corpo, o sangue me fura a pele, sinto frio, começo a sentir espasmos, tento gritar e não consigo, tento me mover e não consigo tudo começa a girar a uma velocidade absurda, minha visão escurece, o chão desaparece dos meus pés e só sinto a pancada forte em minha cabeça, agora não sinto mais nada. Não vejo mais nada. Só a escuridão. Uma imensa escuridão.


Capítulo Vinte e Quatro “Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!”

***

Horas antes... Desde o dia em soube a verdade sobre o pai do Dylan, não consigo parar de pensar em Emma, fiquei magoado, decepcionado, e hoje especialmente estou me sentindo arrasado, acabo de saber que minha ex-noiva acabou de perder a guarda do filho, ainda estou com muita raiva dela, desde o dia em que descobri sobre toda a mentira, não falo com Emma, evito-a de todas as formas. Como a Emma pôde fazer isso comigo, como pôde mentir descaradamente, e eu que pensava que fossemos amigos, maldita mentirosa. Ela me usou, me enganou, cheguei a me apaixonar por ela, pensei em formamos uma família e ela só queria substituir o Ricardo. Quando a conheci, ela parecia tão perdida, tão sozinha, aqueles olhos tristes e o seu jeito de ficar sempre na defensiva me deixava louco. Sua docilidade e meiguice fizeram-me esquecer da Simone, estava sendo sincero quando lhe disse que a amaria, pois sabia que nós três tínhamos tudo para dar certo e ela só me usou. Mentiu sobre o pai do Dylan, me fez acreditar que eu poderia substitui-lo, merda! Fui um tolo, um idiota. Por que, Emma? Gritei a todo pulmão. Apesar de toda a raiva, ainda gosto muito dela e não achei justa a decisão do juiz, ela sempre foi uma excelente mãe e o Dylan é a razão de viver da Emma, ela deve estar arrasada, aquela notícia me quebrou. Entrei no primeiro bar que encontrei, sentei em uma mesa bem reservada, pedi uma garrafa de uísque e comecei a beber. Não sei por quanto tempo fiquei ali chorando minhas mágoas; quando olhei para o lado onde ficava a janela, percebi que já era noite, meu celular toca, só espero que não seja a Emma. É a Simone. Ela pergunta onde estou, acho que ela percebe que estou um pouco embriagado. Não, não estou embriagado, mas estou perto disso, anos bebendo todos os dias deixaram o meu organismo acostumado ao álcool; para ficar bêbado, só umas quatro garrafas de uísque, aí sim eu ficarei embriagado. Digo-lhe que estou bem, porém ela não se convence disto, exige que fale onde estou. Estava cansado, então lhe dou o endereço, e em 10 minutos ela chega ao bar. Não consigo desviar os meus olhos da sua beleza, caramba! Meu membro vibrou, lembrei-me dos nossos corpos quando se juntavam na época que fomos casados, nós dois erámos iguais ao fogo e a pólvora: encostou, explode. Respirei fundo e sacudi minha cabeça, tentando espantar


meus pensamentos libidinosos. Ela vem até mim, levanto-me e puxo a cadeira para ela se sentar. Simone olha-me com carinho. — Você está bem? – Sua voz doce me sacode a alma, sinto uma necessidade enorme de beijá-la, é sempre assim, é ficar próximo a Simone e quero tocá-la. — Sim, estou bem. Simone, você não precisava ter vindo até aqui. — Fiquei preocupada, já soube o que aconteceu a Emma, hoje é minha folga no hospital e fui cedo até a casa dela. Dona Mirela me contou. Simone me olha com certa indulgência, sinto seus olhos percorrerem o meu rosto, estou louco de vontade de beijá-la. Santo Deus, lá vou eu novamente com esses pensamentos. — Soube também, Marcos me ligou. Disse que a Emma ficou arrasada, ainda pensei em ir até lá, mas achei melhor ficar quieto, depois irei até a casa dela. Simone pega em minha mão. Aquilo não foi uma boa ideia, puxo minha mão rapidamente, disfarço pegando o copo e dou uma golada de vez. O líquido desceu queimando. Simone toma o copo da minha mão e a segura para ela. — Vamos embora, Otávio. – Ela me diz e os seus olhos me avaliam. — Há quanto tempo você não faz a barba? Você está horrível, Emma não volta mesmo para você se continuar se entregando ao desprezo! Eu lhe dou um sorriso amarelo. Simone levanta-se, ela não solta a minha mão. — Vamos! Te levo para casa. – Ela me puxa, o garçom vem até a mesa, eu pago a bebida e sou guiado pela mão de Simone. Chegamos ao meu apartamento. Simone fica olhando cada detalhe, há fotos de Emma e do Dylan espalhadas por todo apartamento. Ela segura um porta-retratos nas mãos e fica o olhando, enquanto me fala tristemente. — Você a ama mesmo? Você conseguiu esquecer nós dois? – A voz de Simone embarga, e me senti culpado. — Eu ainda amo você. Aliás, nunca deixei de te amar, e todos os dias da minha vida eu me odeio por ter dito aquelas palavras a você, por ter lhe mandado embora. Otávio! – Ela vira-se, e as lágrimas escorrem por sua face. — Responda-me – Ela vem até mim e fixa os olhos nos meus. — Você não sente mais nada por mim, nada mesmo, eu lhe juro, juro se você for convincente saio por aquela porta e lhe deixo em paz. Seus olhos tristes me encaram, aquelas lágrimas estavam me matando. Flashback surgiu em minha mente, não a do acidente do nosso filho, mas do nosso amor. Ela pega uma mecha do cabelo e leva para trás da orelha três vezes, ela sempre faz isso quando está nervosa e depois morde o lábio inferior, e ela mordeu. Não resisti. Puxei-a para mim e roubei sua boca, ela ofegou. Simone me presenteia sua língua e eu a chupo com força. Deus do céu! Gemi em sua boca sussurrando o seu nome. Ela me agarra pela


nuca entrelaçando os dedos em meus cabelos, escutei um leve gemido. Sem largar sua boca, pego-a em meus braços e a levo para o meu quarto. Deito-a cama sob os travesseiros, inclino-me sobre o seu corpo, ela faz menção de dizer algo, colo minha boca à sua e peço silêncio — shh, digo-lhe. Simone silencia-se. Beijo todo o contorno do seu rosto até chegar ao seu queixo, mordo e passo a língua suavemente, faço um caminho abaixo, escorrego para o seu ombro e mordo novamente, deixo a marca dos meus dentes na pele macia. Simone ofega fazendo um barulho gostoso de ouvir. Desabotoo os botões da sua blusa e a retiro com cuidado, abro o zíper da sua calça e a puxo, deixando-a só de calcinha e sutiã. Fico observando sua beleza por alguns segundos, inclino-me sobre o seu corpo e retiro suas duas peças íntimas. Deixo-a nua, meus olhos nem piscam, fico extasiado com sua beleza. Passo os dedos levemente na auréola do seu seio rosado, o mamilo está tão rígido que poderia furar um tecido fino. Simone arqueia o corpo com o meu toque, dou a mesma atenção ao outro seio fazendo a mesma coisa. — Minha branca de neve, você continua linda e quente ao meu toque, você não sabe como sofri ao ficar longe de você. – Escorrego meus dedos por entre os seus seios, fazendo um caminho de pelos arrepiados, eles seguem provocando seu ventre, seu umbigo, até pararem em seu pequeno V depilado. Espalho suas pernas sem pressa com uma mão e com a outra exploro sua umidade, sua gruta quente e pulsante, meus dedos encontram o seu pequeno botão inchado e rígido, fricciono-o com o meu polegar e o meu dedo indicador. Simone solta um grito arqueando o quadril, meu polegar continua a massagem em seu botão e um dedo escorrega em sua gruta úmida, ela ofega, morde o lábio inferior, aperta o lençol da cama até os nós dos seus dedos ficarem brancos. Outro dedo junta-se ao primeiro, depois outro, até ela ficar completamente preenchida, meus três dedos dançam dentro da sua intimidade, soco devagar, não tenho pressa, observo o seu rosto repleto de prazer, inclino-me novamente sobre ela, beijando cada mamilo e os mordo, passo a ponta da língua nos biquinhos rosados provocando arrepios, ela grita, chupo-os com força e os prendo com os dentes puxando-os para mim. Enquanto brinco com seus seios, bombeio meus dedos em sua gruta cheirosa. Simone deixa o seu prazer escorrer por meus dedos. Sem ela esperar, solto o seu seio e escorrego minha boca até as suas dobras, chupando todo o seu mel, mordendo suas carnes e lhe preenchendo com minha língua em sua fenda apertada. Seu corpo arqueia com força e ela grita explodindo de êxtase. — Oh Deus! Oh O-Otávio. Eu te amo te amo... Ela começa a chorar desesperadamente. Ergo-me, sentando-me a cama e a puxo para mim. Seu corpo ainda está trêmulo de prazer e o seu coração bate descompassadamente. Faço-a se sentar em meu colo com as pernas espalhadas, uma em cada lado do meu corpo, o calor do seu sexo é percebido por meu membro e ele vibra de alegria, desafivelo o cinto, descendo o zíper com pressa, liberto minha rigidez. Ergo o corpo de Simone para cima e faço com que ela se sente em meu comprimento, bem devagar, preencho-a completamente, deixo-a sentada por um tempo, quero matar a saudade do seu calor. Seguro-a pela cintura e começo a levantá-la, faço-a sentar novamente, o ritmo começa a se intensificar, não deixo o seu olhar por nenhum momento, seus olhos


brilham de prazer e ela abre um sorriso lindo quando fico todo dentro dela, seus seios dançam para mim, junto-a ao meu corpo e seus mamilos roçam em meu peito, nossas bocas se encontram, porém, nossos olhos não se deixam, nosso prazer vem de uma só vez, solto um grunhindo longo e ela um grito. Prendo-a mim, apertando-a firme, meus espasmos são demorados, junto minha boca ao seu ouvido e lhe digo. — Minha branca de neve, que saudade de você. – Minhas lágrimas juntam-se as dela, beijoa ternamente. No entanto, continuamos presos um ao outro. Ficamos ali sentindo o calor um do outro, quando ela se acalma, retiro-a do meu colo, ela faz um gemido de reclamação. — Quietinha, já volto. Fui até o banheiro e liguei o chuveiro deixando na temperatura que ela gosta, voltei ao quarto e a peguei em meus braços, que saudade desses momentos em que eu a mimava, cercando-a de cuidados e carinhos, livro-me das minhas roupas, me junto a ela embaixo da ducha forte e a banho, nos amamos novamente e, desta vez, ela me presenteou com sua língua e boca em meu comprimento devorando-me e engolindo toda a minha semente. Após o banho, levo-a para cama, vou até o meu armário e pego uma das minhas camisetas, visto o seu corpo com ela, deito-me, puxo o lençol sobre o nosso corpo e a embrulho com os meus braços, beijo-a carinhosamente. – Durma minha branca de neve, o nosso pesadelo acabou. Acordo sem Simone ao meu lado, será que sonhei com tudo aquilo? Penso. Escutei o som de pratos, ri. Levanto-me, vou até a sala e a procuro na cozinha. Nossa! Que visão maravilhosa... Meu membro ficou rígido, já estava pronto e nu, alcancei Simone e a cerquei pela cintura, junto minha boca a sua orelha e lhe digo. — Eu quero o meu café da manhã, branca de neve. – Minha mão encontrou sua bunda nua e o meu dedo sua abertura, meu dedo brincou nas delicadas pregas, Simone leva a cabeça para trás gemendo baixo, minha boca morde o lóbulo da sua orelha e escorrega até o seu pescoço, meus lábios saboreiam a pele branca... Afasto as coisas que estão em cima da mesa e a deito de bruços sobre ela, deixando só suas pernas tocando o chão. Suspendo a camiseta espalhando beijos por suas costas até chegar ao seu traseiro maravilhoso, mordo lentamente cada lado, fazendo Simone soltar gritos de prazer, espalho as duas bandas e exploro seu pequeno buraco com minha língua, ela se encolhe no choque, preencho-a com dois dedos em sua fenda, o seu mel já escorre por suas coxas, soco minha língua em seu buraquinho apertado e os meus dedos em sua fenda, Simone sacode o corpo involuntariamente, aperto suas carnes com minha mão e quando percebo que o seu prazer está perto, levanto-me e a preencho com meu membro em sua gruta quente. Meu entra e sai é lento, mais intenso e profundo, o bater das nossas carnes se intensifica a cada movimento, ela empina a bunda para mim, meu polegar encontra seu buraco proibido provocando ondas de prazer em todo o corpo de Simone, ela balança o quadril com veemência, gritando meu nome. O som do nosso prazer é alto, sibilo entre dentes e ela grita o meu nome, inclino-me sobre ela beijando suas costas e seus ombros. Nosso êxtase foi longo... Aos poucos, nossos corpos voltam ao normal. Ergo-a com cuidado, viro-a para mim e a beijo com amor, varro os seus cabelos do seu rosto com meus dedos, sem tirar os olhos dos dela e digo:


— Eu nunca deixei de te amar, o meu amor só ficou adormecido com minha culpa e o meu remorso. Perdoe-me! Eu a quero como nunca. – Ela ia falar algo, calei-a com um beijo, seguro em seu rosto com minhas duas mãos. — Só preciso consertar a merda que fiz, preciso terminar com algo inacabado, quero voltar limpo para você, sem nada dever a ninguém. Ok? — Ok! Eu amo você senhor, meu ex-futuro marido. – Ela solta uma gargalhada, beijando-me a boca novamente. Fomos para o banho e depois sentamos à mesa para o café da manhã. Minha vida finalmente estava recomeçando. Às vezes, é preciso errar para acertar...


Capítulo Vinte e Cinco “...Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências; somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos. A experiência não é o que acontece com o homem: é o que o homem faz com o que acontece com ele. ”

***

“Emma acorde, acorde meu amor... Alguém me ajude! Por favor, alguém chame uma ambulância... Emma, Emma... Pelo amor de Deus! Meu amor, fale comigo... Eeemma! Não me toquem, não sairei de perto dela, sou o culpado, fui eu quem a deixou assim, Emma me perdoe, perdoe-me meu amor; juro, eu só queria que você sentisse a minha dor, só isso, não me deixe, meu amor Soltem-me, não vou deixá-la, ele é minha mulher. É a minha vida, Emma acorde, acorde, meu amor, eu amo você... Emma... Não me deixe, não suportarei viver sem você...”.

Acordo com a lembrança da voz do Ricardo, só não me lembro das suas palavras. Onde eu estou? Pisquei os olhos várias vezes. Havia vários fios presos a mim, e um tubo em minha boca que me impedia de falar, também há um barulho intermitente bem perto a mim... Tum... Tum... Tum. Fiquei apreensiva, a única coisa que conseguia ver eram as paredes brancas. Deus do céu! Estou em um hospital! Não consigo conciliar meus pensamentos, tento fazer uma recapitulação dos últimos acontecimentos. Lembrei-me do fórum... Da sentença e da voz do juiz... “— Condeno Emma Lancaster por tempo indeterminado a manter-se afastada a uma distância de mil metros do menor”. Jesus! Não, não. Tento me mover e arrancar aquele tubo da minha boca, o barulho intermitente torna-se contínuo incomodando meus ouvidos. Ouço vozes desesperadas vindo em minha direção. — Calma, minha querida, já chamamos o médico. – Tento erguer a cabeça, mas sou detida por mãos fortes. — Não. Você não pode se levantar. – Aquele tubo machucava minha garganta, minha mão vai até ele e tento retirá-lo. — Só um momento, senhorita Emma, já vamos retirar o tubo, só fique quieta. De repente, fico sonolenta, luto para manter meus olhos abertos, porém não consigo. Aos poucos, minha visão escurece e não vejo nem escuto mais nada. Desta vez acordei sem aquele tudo enfiado em minha boca, mas os fios continuavam presos a mim e o barulho medonho também. O que será que aconteceu? Por que estou aqui? Tento a


todo custo me lembrar das minhas últimas horas... Lembro-me do Ricardo, do estacionamento e da minha humilhação... Deus! Perdi a guarda do meu filho, Ricardo conseguiu tirá-lo de mim. Todo o meu temor se fez presente, aconteceu realmente o que mais temia. Não consigo chorar. Já sabia que ia perder a guarda do Dylan, mas será que o Ricardo vai me permitir ver o meu filho, por favor, Deus me ajude! Estou perdida em meus pensamentos quando ouço uma voz, grave e doce me chamando. — Senhorita Emma! – Olho em direção a voz. Lá está ele, um senhor alto, de cabelos grisalhos, olhos negros e um lindo sorriso nos lábios. — Sente algum desconforto? Vou elevar a cabeceira da cama um pouco mais, avise-me se sentir tonta ou com náuseas? – Aos poucos, meu tronco é erguido, ficando quase sentada. — Sente-se bem? – Assenti com a cabeça. — Seu quarto está sendo preparado. |Logo a senhorita deixará a UTI. UTI? Estou na UTI! Mas o que aconteceu comigo? Onde está minha mãe? Tento perguntar, porém minha garganta dói. Levo minha mão até ela e tento forçar minha voz. — Fique calma, logo poderá falar, é comum após a intubação o paciente sentir dificuldade em falar, mas logo esse incômodo passará. – Ele fica me avaliando, começa a me tocar, verifica meus sinais vitais, minhas pupilas. — Ok! Você está bem. As enfermeiras vão levá-la para o quarto agora, mais tarde irei vê-la novamente. Não tente se levantar nem se mover. Já mandamos avisar a sua família que a senhorita acordou. Três enfermeiras entram no quarto com uma maca, o médico vai embora. Minutos depois já estava em um quarto particular, olhei em volta do quarto azul com papel de parede em nuvens. Por que hospitais tinham que nos lembrar de que podemos ir para o céu, eu hein! Minha cabeça começa a doer, e minha vagina arde, levo minha mão até lá e, para minha surpresa, encontro uma mangueira fina no meio das minhas pernas. Uma sonda, cacete! O que aconteceu comigo? Tento falar novamente e, desta vez, minha voz sai quase um sussurro e rouca. Aperto o botão do pânico, costumo chamar o botão de emergência deste nome, já tenho certa experiência em hospitais, minha mãe costumava ficar muito tempo internada. A enfermeira vem até mim imediatamente. Murmuro para ela dizendo-lhe que minha vagina está ardendo muito e minha cabeça doí. Ela suspende o lençol, afasta as minhas pernas e com muito cuidado retira a sonda, outra enfermeira entra no quarto trazendo com ela uma bandeja com medicação, e elas começam a limpar minha vagina. Sou medicada e antes de sair elas me avisam para não me levantar, se sentir vontade de fazer xixi é para chamá-las. Adormeço. Acordei com uma mão fazendo carinho em minha cabeça. Senti o cheiro da minha mãe, abro os meus olhos lentamente e os olhos de dona Mirela estão sorrindo para mim. — Oi, meu amor, como se sente? Sua voz soa com preocupação e a há certo tremor nas palavras.


— Mamãe, o que aconteceu? – Sussurrei. — Você não lembra? – Neguei com a cabeça. — Após a audiência, você sofreu um ataque de pânico muito forte, levando-a a uma parada cardiorrespiratória. — Meu Deus! Isso foi no fórum? Quem me trouxe para o hospital? — Você não lembra mesmo? – Digo-lhe que não. — Foi o Ricardo quem lhe trouxe, você estava com ele. Emma! – Ela faz uma pausa. — O Ricardo não saiu do hospital esses dias todos, ele se revesava entre Florence e aqui, só não veio no dia que precisou retirar a medula para o Dylan. Mesmo assim, no outro dia, ele veio para cá. Ricardo ficava em Florence durante o dia e a noite vinha para cá. Ele quase enlouqueceu, parece um farrapo humano. Meus olhos saltaram de susto. Escutei bem? Minha mãe disse “dias”? — Mamãe, quantos dias fiquei desacordada? — Vinte e cinco dias, você ficou em coma por vinte e cinco dias, meu amor. — Em coma, por vinte e cinco dias? Isso quer dizer... Quer dizer que o Dy... Dylan já fez a cirurgia? – Mamãe assentiu com a cabeça. — Como ele está? Como o meu filho reagiu a cirurgia? — Muito bem, os médicos o chamam de milagre, pois Dylan não sentiu nenhum dos efeitos colaterais da quimioterapia, sua recuperação pós TMO está sendo descrita pelos médicos como milagre da medicina, pois ele está ativo e não apresenta nenhum dos quadros que os pacientes que sofrem esse tipo de tratamento costumam sentir. Alguns médicos já pensam em estudar o caso do Dylan. Seu filho é um sucesso na área médica. Sinto uma tristeza, e minha voz demonstra isso quando faço a pergunta mais dolorida da minha vida. — Ele já está acordado? – Mamãe diz que sim. — Ele perguntou por mim? — Filha, o Dylan ainda está na UTI, ele não pode receber visitas, ele pergunta por todo mundo, não se preocupe, nosso menino está sendo acompanhado por uma psicóloga, ele não sabe de nada, nem sobre o Ricardo. Mamãe senta-se à cama inclinando o corpo até mim, seus lábios tocam minha testa, sinto o seu carinho através do seu beijo. — Ricardo já sabe que já acordei? – Fiquei com medo da resposta. — Ele estava aqui, quando você acordou e só foi embora quando o médico lhe disse que você viria para o quarto privativo, aquelas flores ali... – Ela aponta para um arranjo lindo de lírios brancos que estão em um canto do quarto, eu não tinha visto. — São dele, quando ele foi lá em casa me avisar, pediu para eu trazê-las. – Mamãe pisca o olho, com diversão.


— Ele disse que vem me ver hoje? – Meu coração acelera, sinto um formigamento nas mãos. Mamãe percebe minha agitação. — Emma, por favor, acalme-se, meu amor, você não pode ficar nervosa, o que você passou foi muito sério. Respire, respire devagar. – Mamãe começa a tremer as mãos. — Ele vem? Só me responde. — Não! – Ela me diz. Baixo os meus olhos e as lágrimas escorrem. Mamãe segura em minhas mãos. — Ricardo só irá ver você quando estiver em casa e recuperada, ele não quer lhe causar mais problemas, ele sabe da gravidade do seu estado emocional, foram às ordens do seu médico contratado por ele mesmo. Emma, fique tranquila, ok? Tudo vai se resolver, meu amor. Começo a chorar, a sensação de abandono surge, meu corpo começa a tremer, minhas mãos suam e o meu coração acelera. Mamãe aperta o botão de emergência, duas enfermeiras entram e quando veem o meu estado correm até mim, uma diz que vai chamar o meu médico. Meu peito dói tanto que me sinto sufocada, o lado esquerdo do meu corpo começa a ficar dormente e o meu sangue fura minha pele, quero gritar, mas não consigo, debato-me na cama e o desespero toma conta do meu corpo. Encolho-me em posição fetal. Mamãe começa a chorar e chamar por meu nome, clama por Deus, pedindo para que nada de mal me aconteça, ela está em frangalhos. O médico chega e manda que tirem minha mãe do quarto, ele coloca algo em meu soro, e logo as minhas pálpebras tornam-se pesadas. Luto contra o sono, porém ele é muito mais forte do que eu. Adormeço. *** Assim que saí do quarto de Emma, entrei em desespero, não consigo ver minha fortaleza desmoronar, minha filha é minha rocha, minha segurança; se ela ruir, irei junto com ela. Precisava fazer alguma coisa. Durante anos, Emma cuidou de mim, protegendo-me de mim mesma, agora era minha vez de tomar as rédeas da situação, precisava assumir o meu papel de mãe. Tomei coragem. Saí do hospital decidida, entrei em um táxi dizendo o endereço do meu destino. Uma hora depois cheguei a Florence. O prédio das empresas Willian era bastante conhecido, não foi difícil para o taxista encontrar. Entrei no prédio e fui direto a recepção, pergunto onde fica o presidente da empresa, a moça sorri, acho que ela me achou muito audaciosa por fazer esta pergunta; sem nenhuma paciência, volto a perguntar e lhe digo em bom tom que ela corre o risco de ser demitida hoje mesmo se me negar a informação. A entojada me vira cara, então digo em voz alta: — Sou a mãe da futura esposa do senhor Willian, quer pagar para ver, minha querida? – Um rapaz que escutava tudo me indicou o elevador e o andar. Segui a direção indicada.


Uma moça morena, muito bonita, parecia mais uma atriz de cinema, bloqueia a minha entrada na porta do elevador, segura em meu antebraço e me pergunta: — Ouvi bem, a senhora disse que a futura sogra de Ricardo Willian? – Estranhei a sua pergunta, mesmo assim assenti. — Então é verdade, o Ricardo tem mesmo um filho? A senhora é a avó da criança? – Assenti novamente, estava louca para que ela me soltasse o braço. De repente, os olhos da moça enchem-se de lágrimas, ela me solta, vira-se pelos calcanhares e vai embora apressadamente. Uma senhora a chama de filha e lhe pergunta se ela não vai falar com o Ricardo. No entanto, a moça desaparece no saguão do prédio. A porta do elevador se fecha aperto cobertura. Em poucos minutos estava entrando em um grande salão muito bem decorado e em uma porta estava escrito presidente. Não perdi tempo, sigo direto para a porta. Uma moça muito bonita começa a me chamar desesperadamente, só escuto ela me dizer que eu não posso entrar ali. Tarde demais, escancaro a porta e entro sem pedir licença. Ricardo está ao telefone e com o susto do barulho que a sua secretária fez, ele me olha por cima da sobrancelha. A moça pergunta se ele não quer que chame a segurança. Ele a manda ir embora. Ricardo vem até mim, seu rosto é de preocupação, ele me segura pelos ombros, estou trêmula e ofegante, ele me guia até um estofado, sento-me. Ricardo vai até uma jarra com água, enche um copo com oferecendo-me em seguida. Quase não consigo segurar o copo em minhas mãos, bebo um pouco de água. — Dona Mirela, a senhora está mais calma? Assenti, fixei os meus olhos no rosto do Ricardo. — Pelo amor de Deus, Ricardo, perdoe a minha filha, pelo menos deixe-a ver o Dylan nem que seja só por um instante.. Se você quer punir alguém pelo que Emma fez, puna a mim e ao desgraçado do pai dela; minha filha é vítima do medo de ser abandonada, não a castigue mais, ela já sofreu muito. – Faço uma pausa, engulo o bolo da garganta. — Ela vai morrer, minha filha vai morrer, Ricardo, ela ama você e eu sei que você a ama, esqueça o passado. – Começo a chorar. — Salve a minha filha, por favor, salve-a. – Escondo meu rosto em minhas mãos e choro compulsivamente. Ricardo agacha-se. Ele retira minhas mãos do meu rosto, enxuga minhas lágrimas. Seu olhar está perdido e triste, a barba por fazer só me mostrava o quanto ele está sofrendo, ele me fala com calma. — A senhora acha que está sendo fácil para mim? Luto todos os dias contra essa mágoa que cresceu dentro do meu coração; a senhora acha que não estou sofrendo? Já pensei em perdoála, porém quando lembro de todos esses anos perdidos longe do meu filho, meu rancor triplica, e minha única vontade é fazê-la sofrer na mesma proporção que estou sofrendo. – Ricardo levanta-se e caminha até janela, ele coloca as mãos nos bolsos da calça, fixando o olhar para paisagem da janela. — Não sou perfeito, dona Mirela, sou de carne e osso. — Emma sofreu outra crise hoje. Doutor Afonso está muito preocupado, ela não para de


perguntar por você e pelo Dylan, vá vê-la, pelo menos isso. Por favor! — Sei o que aconteceu, Afonso me ligou. – Ele vira-se para mim. — Acha que não tive vontade de sair correndo e ir até lá, quase faço isso. Porém, Afonso me aconselhou a não ir, pois posso piorar o estado dela. – Ele vem em minha direção, senta-se ao meu lado tomando minhas mãos. — Prometo que assim que Emma receber alta médica irei visitá-la, e Afonso me liberar para vê-la. – Ele beija minhas mãos carinhosamente. — Espero poder perdoá-la até lá. Respiro mais aliviada. Ricardo chama o motorista e ordena para me levar em segurança de volta ao hospital de Suzano. Meu coração ficou mais aliviado com essa conversa, vi amor nos olhos do Ricardo, essa relação não está perdida, o que está faltando é o perdão e o bom senso. Dois dias depois, Emma recebeu alta do hospital, ela estava muito triste, mas o médico me disse que com os remédios, o humor dela voltaria ao normal, logo. Um dia depois, Emma recebe uma visita, mandei-o subir ao quarto dela.

***

— Posso entrar? Quando olhei para a porta, não acreditei em meus olhos. Otávio estava parado na porta do meu quarto, com um sorriso lindo. Convidei-o a entrar com a mão. — Por que você não foi me visitar no hospital, ainda está com raiva de mim. Você me perdoa por todo o mal que te fiz? — Shhh! Vim aqui para pedir perdão a você. Eu fui muito duro em minhas palavras naquele dia. A verdade, Emma, fui eu que usei você, quis substituir a família que havia perdido e vi em você e no Dylan a oportunidade de um recomeço, mas em uma coisa não te enganei... – Ele sorri. — Apaixonei-me por você, de verdade, cada momento que vivi ao seu lado foi verdadeiro e muito intenso, e eu estava disposto mesmo a me casar e construir outra família, mas, agora, encontrei o meu caminho. – Ele me mostra a mão esquerda enfeitada com uma aliança de ouro. — É o que estou pensando? – Ele sorri. — Você e Simone se perdoaram e voltaram? – Fiquei com inveja, bem que o Ricardo podia me perdoar também. Otávio percebe minha tristeza. — Emma, as coisas vão se ajeitar você vai ver. – Ele me beija a testa, aquele gesto foi esquisito, sorri levemente. — Quanto ao fato de não ter ido visitá-la no hospital, fui proibido. Ricardo não permitia minhas visitas, não conseguia passar da recepção. — Mas que absurdo é esse? Ele também lhe proibiu de ver o Dylan? – Pergunto já furiosa


com o Ricardo. — Não. Ele só me proibiu de ver você. – Otávio me dá uma olhada por cima da sobrancelha, como se dissesse assim: “larga de ser besta, esse homem é doido por você”, gostaria muito de acreditar nisso. Otávio ficou conversando comigo até os meus olhos se fecharem e meu sono me pegar de jeito.


Capítulo Vinte e Seis “Não há tristeza que mereça ser eterna. Nem felicidade. Talvez seja por isso que o verbo dividir nos ajude tanto no momento em que precisamos entender o sentimento da tristeza e da alegria. Eles só são suportáveis na medida em que os dividimos... E enquanto dividimos, eles passam, assim como tudo precisa passar. Não se prenda ao acontecimento que agora parece ser definitivo. O tempo está passando... Uma redenção está sendo nutrida nessa hora...” (Padre Fábio de Melo)

***

Otávio vinha me ver todos os dias, sua preocupação com minha saúde estava estampada em seu rosto, tentava me convencer a me alimentar e ficava comigo até adormecer. Às vezes, Simone vinha com ele, nos tornamos amigas, bem... Desconfio desta amizade, sabe aquele ditado que diz: “se não pode com o inimigo, junte-se a ele, pois é, desconfio que seja isso. Mas, tudo bem, eles fazem a minha mãe feliz, ela acha que fico melhor com suas visitas diárias. Só vejo o Dylan através de fotos e vídeos que minha mãe e o Otávio trazem do hospital, só que não quero ver mais, isso só me causa mais dor, mais sofrimento, pedi para falar com o Dylan ao celular, porém o meu médico não permite, diz que não posso me emocionar, pois isso pode me fazer muito mal. Como fazer mal? A razão por estar triste é a saudade que sinto do meu filho e do Ricardo. E por falar em Ricardo, ele não veio me ver como prometeu, já fazem oito dias que saí do hospital, minha mãe diz que ele logo virá e ela completa dizendo que o meu médico também o proibiu de falar comigo ao telefone. Não acredito, o que me leva a crer que ele mentiu para mim. Cada dia que passa está ficando mais difícil acordar, até pedi a Deus que me fizesse ter outra crise de pânico e assim ficar em coma pelo resto da minha vida. Não consigo mais ter esperança em ser perdoada. Ricardo se mostrou irredutível, e pelo que estou percebendo ele nunca vai me permitir ver o Dylan novamente, mamãe vive me dizendo que não. Às vezes quero acreditar nisso, mas é muito difícil, não tenho forças para sorrir ou chorar. Por isso, hoje tomei uma decisão, farei uma última tentativa. Resolvi ir atrás do Ricardo, como diz o ditado: “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai até Maomé”, suplicarei se necessário, até de joelhos novamente para que ele me deixe ver o meu filho. O Dylan já foi para o quarto privativo, sua recuperação está sendo caso de estudo na medicina mundial. Mamãe não conversa sobre o Dylan, só me diz que ele está bem, e logo receberá alta médica. Otávio soltou por alto que ele perguntou por mim, mas todos dizem a ele que estou muito doente e não posso ir visitá-lo. Sim, eu vou me humilhar aos pés do Ricardo, não me importo mais, se ele não quer me perdoar, se ele me odeia, só quero ver o meu filho nem que seja bem distante. Dylan não precisa me ver, só quero vê-lo. Esperei minha mãe sair. Todas as quartas, ela vai ao supermercado. Assim que ela veio se


despedir de mim, dei mais um tempinho e saí rapidamente. Graças a Deus encontrei um táxi livre. Sabia que Ricardo estava na empresa, antes de tomar essa decisão me certifiquei se ele ia passar a manhã no escritório. Tomei o elevador e dei graças a Deus que sua secretária não estava em sua mesa, o caminho estava livre. Corri apressadamente até porta da sala do Ricardo, virei a maçaneta abrindo a porta no ímpeto repentino. Ele estava examinando uns papéis. Congelei com a visão, fazia muito tempo que não o via, minhas pernas bambearam, perdi a voz. Ricardo estava com uma caneta na mão, ele olha por cima das sobrancelhas e quando me vê solta a caneta a mesa. Levanta-se imediatamente e vem em minha direção. — Ficou louca, Emma! Só espero que você não tenha vindo aqui sozinha. Você veio sozinha? – Meus olhos saltaram de medo com o tom duro da sua voz. — Responda-me, Emma, você veio sozinha? – Assenti com a cabeça. — Merda, Emma! Você tem noção da sua fragilidade, do quanto você está doente, sua mãe concordou com sua loucura? — Eu fugi. – Foi à única frase que consegui responder, estava trêmula e prestes a cair de joelhos. — Deus do céu! Por que fez isso, por que colocou sua saúde em perigo? – Ele aproxima-se mais um pouco de mim. — Você prometeu me ver, e não foi já faz tanto tempo que recebi alta médica, não suportei, queria ouvir de você que não me quer mais e... E... Nesse momento, sinto que vou cair, procuro por algo para apoiar o corpo, mas não encontro. Deus do céu! Vou cair de cara no chão. Ricardo percebe, e em segundos me sustenta nos braços. Prendi a respiração, ficamos face a face, olhos fixados um no outro, bocas tão próxima, meu corpo virou um imã. Seu braço enlaçou minha cintura; com calma, ele me guiou até a porta, pensei que ele ia me mandar embora. Ricardo pressionou seu corpo contra mim, prendendo-me contra a porta, escutei o clique da chave, sua perna se moveu entre as minhas e, antes que o percebesse, me roubou um beijo quente como o inferno, gemi baixinho, meus joelhos cederam, ele me segura, e para obter mais estabilidade passei meus braços em volta do seu pescoço, e os meus dedos deslizaram através dos seus cabelos, enquanto saíam gemidos roucos da minha garganta. Suas mãos me sustentaram pela bunda, e ele me levantou alto, prendendo-me firmemente entre seu corpo e a porta; sustentei-me em seus ombros para manter o equilíbrio, ele me segurou com mais firmeza, senti sua boca em meu pescoço e sua língua macia saboreando a carne branca, a cada lambida uma mordida. Suas mãos passearam por minhas coxas, ele pega as minhas pernas e as envolvem em sua cintura. Ofeguei desesperadamente, Ricardo já estava com o membro tão duro, tenho certeza que se o tecido da calça não fosse tão resistente, já teria se rasgado, minha fenda lateja, sinto minha calcinha encharcar com o meu suco.


— Emma, você me deixa louco. — Murmura ele. Sua voz rouca me deixou muito mais louca. — Você não tem noção da falta que me faz. – Ele murmurava. — Quase enlouqueço quando pensei que poderia lhe perder, me perdoa. – A última frase saiu em forma de sussurro, nem prestei atenção. Esqueci por completo o que fui fazer ali, esqueci até que estou doente. Ele me prende mais a porta, forçando a sua rigidez em minha fenda escancarada, seus lábios encontram os meus e eles são chupados e mordidos com fome, uma de suas mãos encontra o meu seio e ele belisca o meu mamilo, gritei no susto. Entrei em combustão e começo a me mover, roçando minha fenda em seu membro. — Olha para mim Emma, – ele exigia com força, forço os meus olhos se abrirem. — Vamos, Emma, olhe para mim, quero ver o seu olhar de tesão. Obedeci. Meus olhos se abriram e encontraram os dele, faíscas de fogo saiam da sua íris... Deus, o homem cheirava a desejo, ele me apertou mais contra a porta, seus dentes mordem meu lábio inferior e ele o puxa para si, gemi perto da sua boca. — Você é minha, Emma Lancaster, só minha, entendeu? Entendeu porra? – Eu nada disse, fiquei extasiada com a força das suas palavras. — Estou esperando, me diga porra! Olha em meus olhos, Emma e me diz... A quem você pertence, a-go-ra!? Engoli em seco e respondi, sem tirar os meus olhos dos dele. — A vo-cê! Ricardo me suspende um pouco e desafivela o cinto, sinto suas calças descerem por suas pernas, ele afasta minha calcinha com um dedo e em seguida sou preenchida por seu espesso membro. — Não feche os olhos, quero ver a força do seu desejo por mim... – Ricardo morde o meu queixo, minha boca, e começa a me estocar lentamente. Uma de suas mãos segura em meu pescoço, sinto sua posse, seus olhos brilham de desejo. Ele solta um rosnado. — Argarg, hum... Você me quer Emma, me quer assim dentro de você? – Ele rouba minha boca novamente mordendo minha língua. — Responda? — Sim... Sim, eu quero você dentro de mim, preciso de você, amo você. – Ele me estoca com força, sinto suas bolas baterem em minha bunda. Ricardo geme alto, sem se importar se alguém pode nos ouvir do outro lado da porta, seu entra e sai acelera, ele desce a boca até o meu seio e morde o meu mamilo através do tecido do meu vestido. — Minha. – Ele rosna. Arqueei o meu corpo contra o dele, precisava senti-lo todo dentro de mim. Ricardo percebe minha intenção e o meu desespero. Então ele força as estocadas, elas tornam-se mais duras e mais rápidas, nossos corpos fazem barulhos estranhos e gostosos de ouvir, ele me segura mais uma vez por baixo da bunda, dando mais estabilidade ao entra e sai do seu membro; aquilo


me levou à loucura, começo a me mover também. Nosso prazer foi intenso e demorado, o clímax foi delirante. Fico tão ofegante que assusto Ricardo, ele livra-se da calça, e mesmo ainda dentro de mim, ele me leva até uma poltrona, senta-se, continuo com as pernas em volta da sua cintura, ainda sinto o seu membro pulsando em meu interior. Ricardo escova meus cabelos do meu rosto com as mãos. — Você está bem? Está sentido algum desconforto, seu peito dói? – Fala com muita preocupação, sinto o seu carinho. — Só estou cansada, só isso. Ele me suspende um pouco, colocando-me sentada na poltrona, Ricardo levanta-se e vai até a porta, pega sua calça que está no chão, depois segue para outra porta. Demora um pouco e quando volta já está completamente composto e com duas toalhas nas mãos. Ele se agacha, espalha minhas pernas e começa a me limpar com uma toalha úmida e quentinha; com a outra, ele me seca. — Qual era a outra pergunta que você veio me fazer? – O tom da voz dele torna-se frio. Fiquei com medo. — Vim lhe pedir para me deixar ver o Dylan. – Ele ergue a cabeça e me olha longamente. Ricardo levanta-se. — Então é isso, você pensou que se fizesse amor comigo, seria maleável e cederia uma visita ao Dylan. Suas palavras foram cruéis. Doeu em minha alma. Levantei-me num pulo, meu corpo treme de raiva. Fui muito rápida, larguei a mão com toda força do meu braço no rosto dele, a bofetada foi tão forte que ele perde o equilíbrio e os meus dedos ficam desenhados em seu rosto. — Nunca precisei oferecer meu corpo por favores, mesmo que seja por meu filho, seu idiota, seu filho da put.... Vá se foder, Ricardo Willian. – Virei-me pelos calcanhares e corri dali em direção à porta, ele nem se mexe, fica me observando e passando a mão no rosto, no local onde eu lhe esbofeteei. Tentei abrir a porta, porém ela está trancada. Viro-me para ele, o filho da mãe está segurando a chave com a cara mais cínica. Volto à porta e a chuto com força, corro em sua direção e tento tomar-lhe a chave. Começamos a lutar um com outro, então fico zonza, e se não fosse o Ricardo, teria caído. Ele me pega nos braços e me leva de volta à poltrona. — Fique quieta, respire devagar. – Obedeci. — Já volto. — Não. – Gritei assustada. — Não me deixe sozinha...


— Só vou buscar um copo com água para você. – Ele foi. — O que você está sentindo? – Ele me entrega o copo. — Falta de ar, uma dor fina no peito e o meu braço esquerdo está formigando. — Cadê os seus remédios? Onde está a sua bolsa? – Ele pega minha bolça e começa a procurar os meus remédios. — Cadê os seus remédios, Emma? Você sabe que não pode ficar sem tomá-los, onde estão? – Ricardo fala com desespero, sua voz está carregada, eu não sei explicar, mas o Ricardo está diferente. — Eu não estou tomando... – Falei quase sussurrando. — Puta merda! Cacete, Emma! Você sabe que não pode fazer isso. – Ele faz uma pausa, mas não tira os olhos de mim. — Por que, Emma, por que você não quer tomar os remédios? — Por que não suporto mais ficar sem meu filho e sem você, e se parar com os remédios talvez eu tenha uma crise e volte a ficar em coma e, quem sabe, nunca mais acorde, assim não sentirei tanta dor e o meu filho não vai ficar com raiva de mim, por ter lhe abandonado. Não conseguia olhar para ele. — Você mentiu para mim, dizendo que ia me ver e não foi. – Ele agacha-se, segura as minhas mãos e me fala com carinho, ele está trêmulo, parece apavorado. — Emma, não fui porque estava esperando a liberação do doutor Afonso, ele me disse que você ainda estava muito frágil, e minha presença só ia lhe deixar mais nervosa, fui proibido até de lhe telefonar. — Você nunca vai me perdoar, nunca vai me deixar ver o Dylan, não é verdade? – Ricardo solta as minhas mãos e se levanta, passa a mão sobre os cabelos em um gesto nervoso. Algo está acontecendo, ele está abatido e com o olhar perdido. — Emma, não sou eu quem não deixa você ver o Dylan... É a lei. – Percebi sua voz tremer quando disse isso. — Mas se você quiser e deixar, posso vê-lo, nem que seja de bem longe. — Há um quilômetro de distância! Isso só quando o Dylan estiver em casa, aí posso pensar em uma possibilidade. – Ricardo me observa atentamente. — Não sei se vou suportar. — Está pensando em se matar? Cadê a Emma determinada, lutadora, por quem eu me apaixonei? Ricardo não tira os olhos de mim, a impressão que me dá é que ele está desnudando a minha alma, seus olhos me avaliam com desconfiança, uma ruga surge em sua testa. Com o olhar cabisbaixo, respondo a sua pergunta:


— Morreu no dia em que perdi meu filho. – Permaneço com o olhar baixo, mas percebo sua aflição, ele senta-se ao meu lado. Sinto a sua aflição, ele me avalia e quando me fala sua voz é firme, mas percebo que há receio nela, talvez medo. — Tenho uma proposta para você? Olhei para ele com apreensão. — Estou escutando. — Case-se comigo. — Como? – Perguntei atônita. — Foi o que você ouviu, case-se comigo e você poderá ficar com o Dylan. – Ele se aproxima, agacha-se novamente fixando os seus olhos nos meus. — Mas têm condições a serem seguidas e uma delas posso lhe dizer agora. — A primeira: se você ou eu pedirmos o divórcio, a guarda volta para mim e a ordem de proteção volta a valer. – Ele volta a me observar. — Você tem três minutos para decidir, é só o tempo de ir até a minha mesa, pegar as chaves do meu carro e voltar. – Fico sem ação, ele vai até a mesa pega a chave do carro e volta. — Acabou o seu tempo, voltamos à estaca a zero.


Capítulo Vinte e Sete "Ninguém muda ninguém. Não há mágica na superação dos conflitos. Não se apaga da memória. Ninguém sai do inferno dos seus erros se não encontrar a porta do paraíso: a compaixão e o perdão." (Augusto Cury)

*** Respirei fundo e esbravejo. — Aceito! Deus meu! Eu consegui falar, o nó se desfez da garganta, minha voz soou trêmula, quase arrastada, sempre recusei todos os pedidos de casamento do Ricardo, pois, para mim, eles sempre foram feitos pelos motivos errados e hoje eu aceitei sem pestanejar. Aceitei me casar com ele por um dos motivos que me fizeram fugir dele. O meu filho. Ricardo vai até a sua mesa e volta com um envelope. — Leia e assine. São as condições do nosso casamento. Ele me entrega o envelope, não acreditei que o Ricardo pensa que eu quero o dinheiro dele, ai que vontade de mandá-lo a merda. Engoli o meu orgulho. Olho para ele com frieza. — Quem pensa que eu sou Ricardo Willian? Uma caça-heranças? Acordo pré-nupcial! – Peguei o envelope de suas mãos e joguei em sua cara. — Pode ficar com a porra do seu dinheiro, não quero um centavo dele, o meu interesse nesse casamento é o meu filho e você. Calei-me imediatamente. No entanto, Ricardo estava atento às minhas palavras e quando percebe que engoli o restante das letras, ele me envolve pela cintura e nossos rostos ficam tão próximos que consigo sentir a sua respiração, ele sorri satisfeito. — Termine a frase... Meu filho e voc... Vamos, Emma, quero ouvir o restante. – Ele fala quase tocando em meus lábios, tremi nas bases, mas que merda esse homem tem? É só me tocar que eu viro geleia. Engulo a saliva. — Solte-me seu cretino dos infernos, solte-me... Já disse eu não quero o seu dinheiro, não preciso de acordo pré-nupcial, eu abro mão de tudo. Ele me solta, e ouço o seu riso estridente. Aquilo me aborrece imediatamente. Olho furiosa para ele. — Calma! – Ele fala. Ainda rindo, pega o envelope do chão. — Isso aqui não é um acordo pré-nupcial, são as condições do nosso casamento. São minhas normas para você permanecer casada comigo; se deixar de cumprir uma, nosso casamento acaba na hora e tudo volta a ser como era antes. – Ele me entrega o tal documento.


Ricardo não estava brincando, fiquei olhando para aquele envelope verde com a logomarca da empresa Willian. Abri-o fui até a mesa e assinei. — Tome. – Entreguei a ele. — Você não vai nem ler? — Não! Eu aceito qualquer acordo, proposta ou desafio, só não posso ficar longe do meu filho. – Ricardo fica tenso, não sei por que, mas minha impressão é que, ele ficou triste. — De qualquer forma, tenho outra cópia, vou pegar para você ler. – Ele vira-se, indo em direção à sua mesa, eu o chamo. — Não precisa, é só me dizer o que eu tenho a fazer... Posso ver o Dylan, amanhã? — Não. Só depois que estivermos casados. — Poxa! Vai demorar muito, não sei se vou aguentar. – Falei com tristeza na voz. — Podemos nos casar amanhã, se quiser, quer? Olhei com perplexidade para ele. — Sei que o dinheiro compra tudo, mas licença de casamento não sai da noite para o dia. – Será que o Ricardo me achava tão idiota. Ele sorri torto. — Nossa licença de casamento já está pronta há bastante tempo. Meus olhos saltaram de surpresa. — Como assim? — Quando você ficou em coma, pedi seus documentos a sua mãe. Aproveitei e mandei o meu advogado dar entrada nos proclamas matrimoniais. – Ele faz uma pausa. — Esse pedido seria feito quando eu fosse até sua casa lhe visitar, porém, devido às circunstâncias atuais, achei melhor fazer agora. — Então você já sabia que aceitaria me casar! Ricardo Willian, você é muito pretensioso. Você planejou tudo, não foi? – Esbravejo. De certa forma, fico feliz por saber que ele realmente que viver ao meu lado, mas tenho medo que ele só queira uma mãe para o Dylan ou o pior. Vingança. Esse pensamento me aperta o peito. E se ele não me ama mais, o que farei com todo esse amor que sinto por ele? Fico triste, Ricardo me observa, ele vem até mim, segura em meu queixo forçando-me a olhar para ele. — Não queira adivinhar os meus sentimentos, pois os motivos que me fazem querer casar com você não têm a ver com vingança e sim com o que posso perder e ganhar.. A propósito... Espera só um pouco. Ricardo vai até uma estante, abre uma porta onde lá se encontra um cofre. Ele abre o cofre retirando algo de dentro dele, esconde as mãos atrás do corpo e vem até mim. Ele pede minha


mão direita, eu lhe dou. Ricardo me manda fechar os olhos, obedeço... Sinto algo escorregando em meu dedo anelar, ele me manda abrir os olhos. Fiquei boquiaberta com o tamanho da pedra azul turquesa, nunca tinha visto um anel tão lindo como aquele, a pedra azul estava contornada por pequenas pedras cristalinas, suponho que sejam diamantes, fiquei sem piscar por alguns segundos admirando a beleza do anel. Ricardo só me observa, ergo os meus olhos para ele, tenho certeza de que ele percebeu minha emoção, pois senti a dele. — Um noivado só é um noivado se tiver um lindo anel de brilhantes. – Ele sorri. — Agora, você é minha noiva oficialmente. Então, vamos nos casar amanhã? Engasguei no susto, ele fala sério mesmo! Jesus e agora? — Emma! – Ele me chama a atenção. — Amanhã? — Quando você quiser, já aceitei. Quanto mais rápido, mais cedo poderei ver o Dylan e.... — E? – Ele me olha por cima dos olhos, sorrindo. Baixo os olhos. — Ok. Será amanhã, aviso a você o horário, agora vamos. – Ele me segura pelo o braço, guiando-me até à porta. — Preciso estar de volta antes das 14h. Livrei-me da mão dele e lhe disse categoricamente. — Não precisa me acompanhar, sei muito bem o caminho de casa, vim de táxi e voltarei de táxi. – Virei em direção à porta, porém só consegui dá um passo, rapidamente sou puxada com força pelo braço. O puxão foi tão forte que perdi o equilíbrio, meu corpo chocou-se com o do Ricardo. Ele me prende firme em seus braços. — Você é minha noiva, e não pense que andará por aí sozinha. A partir de agora, só andará comigo e quando eu não puder acompanhá-la, um segurança ficará em meu lugar. Você deveria ter lido as condições do nosso acordo de casamento. Vamos! Ele me solta e sai me puxando pela mão. Passamos por sua secretária, ele para diante dela e me apresenta como sua noiva, a pobre moça fica boquiaberta, e me cumprimenta. Após as apresentações, Ricardo lhe avisa que estará de volta para a reunião da tarde. Fomos em silêncio todo o caminho até chegarmos à minha casa. Assim que pisei os pés dentro de casa, minha mãe corre ao meu encontro. — Emma! Meu Deus, minha filha, você quer me matar do coração? Onde você se meteu? – Assim que mamãe termina a frase, vê o Ricardo. — Emma estava comigo dona Mirela... — Emma! Meu bem, onde você se meteu... – Otávio desce as escadas todo preocupado, mas


logo desacelera quando vê o Ricardo. Um olha para o outro com flechas de fogo no olhar. Ricardo não esconde a irritação e logo pergunta. — O que faz aqui? Você e Emma não têm mais nada um com o outro. — Temos sim, senhor Ricardo Willian, nós somos amigos e eu me preocupo com a saúde dela. – Otávio fala com voz de desafio. — Ela não precisa mais dos seus cuidados e preocupações... Ela tem a mim, agora; portanto, a porta da rua é serventia da casa... – Ricardo aponta a saída para o Otávio. — Ricardo! – Eu o advirto. — O Otávio é meu amigo, e sempre será bem-vindo nesta casa... — Eu não quero esse sujeito perto de você. – Impaciente Ricardo dá um passo à frente, em direção ao Otávio. — Já é difícil engoli-lo rondando meu filho, só consinto isso porque nada posso fazer a respeito, agora, com você, posso proibir qualquer aproximação. – Otávio fica furioso com a ousadia do Ricardo e parte para cima dele. — Seu moleque petulante, você não é dono da Emma... – Mamãe solta um grito de pavor. Eu me jogo no meio dos dois e fico presa entre os seus corpos. Ricardo tenta me afastar do corpo do Otávio e Otávio tenta me livrar das mãos do Ricardo. — Não toque nela... – Ricardo me puxa, empurrando o Otávio com força. O calor do momento me fez mal, senti um frio na espinha e minha visão ficou turva, meu corpo começou a tremer e a formigar, tentei puxar o ar para os meus pulmões, porém não conseguia respirar direito, foi aí que percebi que não tinha me recuperado direito, ainda estava muito frágil. Mamãe percebe o mal-estar e grita o nome do Ricardo. — Ricardo, Emma vai desmaiar! Ele me segura nos braços, não desmaiei, mas faltou pouco. Tentava a todo custo respirar, meu peito doía muito e minhas mãos estavam suadas. — Respire Emma, respire. Vamos, meu amor, respire devagar, assim, assim... – Ele me chamou de meu amor, não foi um delírio, eu ouvi... Fiquei com uma vontade louca de lhe roubar a boca e beijá-lo com força. Otávio também estava muito preocupado e fala apressadamente. — Não é melhor chamar um médico ou levá-la ao hospital. Ricardo pega o celular e disca um número, assim que atende ele pede para o doutor Afonso vir até minha casa imediatamente. Sou carregada até o meu quarto, nos braços do meu amor. Enquanto subimos as escadas, ouço o Ricardo falar rispidamente para o Otávio. — Você fica aí!


Sou colocada na cama e muito bem cuidada, confesso. A dor no meu peito estava me matando e minha falta de ar me assustava, é uma sensação sufocante e desesperadora, meu peito subia e descia apressadamente, gotas de suor espalhavam-se pela minha testa, minhas mãos formigavam e começam a ficar tortas. Desesperada, tento consertar os meus dedos. Ricardo percebe e começa a massageá-los. — O médico já está chegando, meu amor, mantenha a calma, estou aqui, não vou a lugar algum. – Ele me beijava o rosto todo, varrendo meus cabelos com as mãos, seu olhar terno me consola. — Por que meu amor, por que você não tomou sua medicação? Se eu soubesse que você ia fazer isso, teria contratado uma enfermeira. Doutor Afonso chega logo em seguida e começa a me examinar, Ricardo não sai do meu lado. Logo, levo uma furada no braço e aquele líquido arde e queima quando entra em minha pele, penso que terminou, porém, outra picada é dada em meu outro braço, minhas pálpebras tornam-se pesadas e mesmo sem querer, meus olhos se fecham e não vejo nem sinto mais nada. Emma adormeceu assim que a medicação fez efeito, agora podia desabar, agora podia demonstrar o meu medo de perdê-la; enquanto acaricio o seu rosto, minhas lágrimas escorrem por minha face. Ela respira com tanta dificuldade, e os seus dedos ainda estão tortos. Não posso permitir que nada de ruim aconteça com a mulher que amo, mesmo querendo matá-la com minhas próprias mãos, mesmo lutando com toda a força do meu coração para afastar essa raiva que estou sentindo por ela, preciso desta mulher em minha vida. Puxo-a para mim, beijo o alto da sua cabeça, seu rosto e, por último, seus lábios, devolvo-a para os travesseiros. Doutor Afonso observa tudo. — Ela está bem, Afonso? Não será preciso levá-la de volta ao hospital? — Essas crises eram para ter diminuído com as medicações, Ricardo, mas estão piorando, não entendo. — Mas eu entendo, ela não está fazendo uso dos medicamentos, e a culpa é minha. — Isso é sério, Ricardo, Emma não pode parar com os remédios. Se ela entrar em depressão, o quadro dela complica. — Ela vai fazer o tratamento todo, prometo. – Volto o meu olhar para ela. — Ricardo, – Afonso me chama a atenção — Emma guardou por anos, as lágrimas e o seu sofrimento, toda sua dor ficou guardada dentro de si, uma hora isso tudo viria à tona, agora todo cuidado é pouco, o coração dela pode não suportar, se algo pior acontecer. — Agora, estarei ao lado dela, Afonso. Amanhã nos casaremos e ela se mudará para minha casa, não a deixarei sozinha por nenhum segundo. Afonso foi embora em seguida. Emma já respirava com mais leveza; graças a Deus, Otávio tinha ido embora. Mirela espera Afonso desaparecer pela porta e quando isso acontece, ela


solta o verbo em minha direção. — Mas que diabos você está pensando, Ricardo Willian, você quer matar a minha filha, é isso? Essa casa é minha e nela vem quem eu quiser você manda na sua casa; na minha casa, mando eu. Nunca mais fale assim com o Otávio, ele é um amigo muito querido, e ele adora a Emma. E para o seu governo, ele voltou para ex-mulher e estão muito felizes. É o que você deveria fazer. – Ela engole a saliva e continua: — Largue esse orgulho besta e volte para Emma, pois vocês dois se amam e um não consegue viver sem o outro, seu idiota filho da mãe. Não esperei ela terminar e disse-lhe na cara. — Eu me caso com sua filha amanhã à tarde, arrume tudo que forem levar para Florence, mandarei alguém vir buscar. Já contratei alguém para cuidar e administrar a floricultura. Do cartório mesmo, vamos direto para futura casa da Emma. Estejam prontas às 14h45min. O motorista virá pegá-las. Virei às costas e fui embora.


Capítulo Vinte e Oito “Quando a porta da felicidade se fecha, outra se abre, mas normalmente olhamos tão intensamente para a porta fechada que não vemos a outra que se abriu para nós.” (Helen Keller)

***

Antes mesmo de chegar ao meu carro, Mirela me alcança na calçada... Ela me puxa pelo ombro me exigindo atenção. — Só um minuto, senhor Ricardo Willian! – Paro com impaciência e a encaro. — O senhor não vai sair assim simplesmente, não depois de me dizer com a maior cara de pau que vai se casar com a minha filha de uma hora para outra. Fecho a porta do carro, passo à frente dela indo direto para floricultura, detesto chamar a atenção. Se for para termos uma conversa, que fosse dentro de casa. Mirela me acompanha e antes mesmo de abrir a boca para falar, ela já me atropela a vez. — Ricardo, casamento é um passo muito sério. Se você não percebeu, a Emma tem traumas não resolvidos, e o estado emocional da minha filha não é um dos melhores, ela está muito doente e a culpa de tudo isso é minha e do porco do pai dela. Portanto, se você pretende castigar ainda mais minha filha com esta história de casamento, fique certo que não permitirei. No momento, Emma precisa de proteção e compreensão e não de um homem louco por vingança. Se esta é a sua intenção, é melhor deixá-la em paz, cuidarei da minha filha, não vou permitir que a magoe ainda mais... Mirela engole a saliva, fica parada me olhando com os olhos saltados. É a primeira vez que vejo Mirela tomar a iniciativa em defesa de Emma, sabe aquelas leoas que colocam o filhote na boca para protegê-los? Era Mirela. Fiquei com vontade de abraçá-la. Ainda pasmo com a sua reação, caminho até uma poltrona, sento-me nela e falo pausadamente. — Dylan vai ter alta médica daqui a dois dias, e quero que ele encontre a mãe esperando à sua volta – Baixo a cabeça... Um nó se forma em minha garganta. Eu precisava ter esta conversa com a Mirela. Ergo a cabeça, fixando meus olhos no rosto apreensivo da minha sogra. — Nunca foi minha intenção tirar o Dylan da Emma, fiz isso para ela aprender a ter mais humildade, aprender a pensar nos sentimentos dos outros, queria que Emma sentisse a minha dor, soubesse que o mundo não gira em torno dela, ela precisa saber que as pessoas também têm medos e, nem por isso, saem atropelando quem está ao seu lado. – Faço uma pausa,


confessar meus pecados era muito difícil; afinal, estava falando da mulher que amo desesperadamente. Minha sogra fica me olhando, acho que dei um nó em sua cabeça. Continuo. — Minha lição iria demorar um pouco mais, porém quando ela sofreu aquele ataque quase fatal, percebi que poderia perdê-la, fiquei sem chão, caí em mim, percebi que poderia perder de uma só vez as duas pessoas mais importante da minha vida. – Levanto-me, de repente me senti sufocado, lembrar aqueles dias em que a Emma ficou em coma e sua vida estava por um fio, era aterrorizante. — Mirela, eu quase enlouqueci, senti-me tão culpado... Eu provoquei aquele ataque. Sabia dos medos da Emma, e mesmo assim eu segui o plano de vingança... Depois que quase a perdi me arrependi..., no entanto mesmo assim continuei com o plano. Emma ainda precisa entender que a melhor maneira de perder os seus medos é enfrentandoos. Por isso, resolvi pedi-la em casamento com um pretexto de aproximá-la do Dylan, e para que ela não dissesse não, ou pensasse em uma forma de se afastar de mim após o nosso casamento, inventei um acordo de casamento deixando claro que, se ela se separar de mim ou por algum motivo eu mesmo pedir o divórcio, o nosso acordo acabaria. E ela volta à estaca zero. É claro que esse acordo é um blefe, só que, por enquanto, ela não precisa saber disso. Emma precisa perder essa arrogância, ela não precisa mais da blindagem. Eu a quero desarmada, ela precisa confiar em mim. Será que você me entende? Mirela respira fundo soltando o ar lentamente; por um momento, pensei que ela viria para cima de mim com quatro pedras nas mãos. — Vocês dois são cabeças duras, um não vive sem outro, porém vivem em constante queda de braço. Emma, com sua teimosia e você na defensiva. Ricardo, quando você vai entender que foi o único homem que destruiu os alicerces construídos por ela para se proteger dos homens. Do amor, você foi o único homem depois do pai dela a entrar em seu coração. Merda, homem! Emma ama você e foi o medo de perdê-lo que a deixou assim, a culpa por ter escondido o Dylan de você e o pavor de ser abandonada outra vez pelo homem que ama. Ela não foi arrogante, ela só se defendeu da dor do abandono, fugindo de você e escondendo o Dylan foi a forma de defesa mais plausível que ela encontrou. Pelo menos, você conseguiu perdoá-la. — E quem lhe disse que a perdoei? – Digo isso olhando no fundo dos seus olhos. Fui sincero, ainda não conseguia olhar para Emma sem sentir mágoa, certo que o amor que sinto por ela luta desesperadamente para matar a raiva que teima em permanecer dentro de mim, mas o perdão ainda não foi alcançado. — E como você vai conviver com isso? – Percebi certo medo nos olhos de Mirela; de alguma forma, ela me passou receio em suas palavras. — Prometa-me, Ricardo, que não fará minha filha sofrer, já basta de tantas lágrimas, ela merece a redenção, e vocês três merecem ser felizes. — Não se preocupe Mirela, a minha intenção é cumprir minha promessa; prometi nunca abandoná-la, cuidarei dela, eu a amo e é isso o que importa. O resto, o tempo se encarrega de apagar. – Mirela respira aliviada e sorri. — Agora, preciso de um favor seu. – Ela presta


atenção. — Emma pensa que vai visitar o Dylan após o nosso casamento; no entanto, doutor Afonso acha melhor ela esperar até o Dylan receber alta, ele acha melhor que ela não veja o Dylan tão rápido assim e depois ter que deixá-lo no hospital. Isso vai abalar o emocional dela. Afonso acha perigoso, ele não recomenda, preciso do seu apoio quando for lhe contar que ela não poderá ir ao hospital, posso contar com você? — Você tem todo o meu apoio, senhor meu genro. – Ela abre um largo sorriso. Despedimo-nos, e fui direto para o hospital ver o Dylan. De lá, para o escritório.

***

Acordei não tão disposta quanto gostaria de ter acordado, os remédios que estou tomando me deixam fora do eixo da terra, fico meio grogue, sonolenta, não gosto desta sensação de languidez. Ainda sinto o carinho do Ricardo em meu rosto, ai Jesus! Não é possível que ele não me ame mais, ele demonstrou todo o seu amor só em suas mãos em seu toque; por que ainda sinto medo que ele não me queira mais? Seus olhos, a boca e o corpo dizem o quanto me deseja... Por que essa minha insegurança? Olho para minha mão direita, a pedra azul cintila do meu lindo anel... Estou noiva do homem que amo, o pai do meu filho. Sou despertada dos meus devaneios com o súbito aparecimento de mamãe em meu quarto. Ela surge com uma caixa enorme nas mãos, com um sorriso lindo no rosto, e me deseja um bom dia. — Bom dia! Como está, minha linda princesa? – Ela pisca um olho. — Acabou de chegar para você, vamos abrir para ver o que é? – Mamãe está feliz, isso enche o meu coração de alegria. Mamãe coloca a caixa em cima da cama e começa a desfazer o grande laço vermelho, eu me empolgo com o entusiasmo dela. Ela abre a caixa. Começo a afastar os vários papéis de seda que estão por cima. Solto um grito eufórico, mamãe estica o pescoço para ver o motivo da minha euforia. — Ai, meu Deus! – Foi a única palavra que consegui expressar. Retiro o objeto de dentro da caixa. Um lindo vestido todo em renda guipir, bege e rosa, rebordado com pequenas pérolas fazendo o desenho do miolo das flores, com decote canoa e mangas japonesas, justo até a cintura e solto nos quadris, com o comprimento acima dos joelhos, os sapatos eram um luxo só, todo rebordado em pequenas pérolas; e dentro da caixa havia um estojo de veludo preto. Fiquei trêmula, não consegui me mover.


— Anda, Emma, pega logo esse estojo, já não aguento mais de curiosidade. – Mamãe consegue me deixar muito mais nervosa do que já estou. Consigo segurá-lo em minhas mãos, e tremendo abro a caixa. Há um bilhete tapando a visão do que há por baixo. Pego o bilhete, então... Consigo ver o que há no estojo. Um conjunto de colar e brincos em ouro branco, igualzinho ao meu anel de noivado, com certeza ele fazia parte do conjunto. Pego o bilhete e o leio: “Uma noiva sem um vestido de noiva não é uma noiva, ainda não é o vestido que quero vêla vestida, mas teremos tempo para isso, vamos por partes. Ricardo”. Quase caio de joelhos, meus nervos não andam bem, definitivamente meus nervos estão uma bagunça, simples palavras do Ricardo me deixam mole. Mamãe vem ao meu socorro me ajudando a sentar à cama. — Você está bem, meu amor? Ai, meu Deus! Esqueci os seus remédios, espera só um pouquinho que vou buscá-los. — Não. Não, mamãe, por favor, hoje é o meu casamento, não quero ficar parecendo uma bêbada no cartório, só hoje. Eles me deixam meio lesada. – Mamãe foi irredutível, disse que se não os tomasse, ligaria para o Ricardo imediatamente. A contragosto tomei-os. Mamãe chamou uma profissional de beleza para me arrumar, fiz tudo que uma noiva faz, da manicure à depilação. Fui forçada a comer, ultimamente não sinto muita fome, os remédios me tiram o paladar e ressecam a minha boca, não sinto o gosto dos alimentos e alguns deles amargam quando passam pela minha garganta; mesmo assim, alimentei-me como dona Mirela ordenou. Não sei por que sinto que ela está adorando mandar em mim. Angel me ligou desejando-me felicidades e completou dizendo, que nada em nossa vida acontece por acaso, tudo tem um motivo, um por que, a paciência nos torna seres inteligentes e vitoriosos. Ela me disse assim: Você colheu os espinhos, eles foram doloridos, agora só ficaram as rosas, aproveite Emma, e exale o perfume que elas lhe oferecem, o perfume chamase felicidade; no entanto, esteja sempre de olhos abertos em seu jardim, as pragas existem e estão sempre de prontidão para o ataque. Amo você, minha irmã querida. Ela não se demorou no telefone, parecia muito preocupada comigo, ficava o tempo todo me perguntando se estava bem. Às vezes, tenho a impressão de que as pessoas acham que vou me quebrar em mil pedaços; nunca fui frágil, não será agora que virarei uma inútil. O motorista chegou no horário programado, mamãe vem até ao meu quarto me avisar. Fiquei abismada com a beleza dela. — Nossa! – Mamãe está linda em um vestido azul turquesa de um ombro só, faz tempo que não há vejo tão linda, tão feliz. — Mamãe; a senhora está linda! Até parece a noiva... – Começamos a gargalhar.


Chegamos ao cartório no horário previsto, quando entrei na sala eu o vi... Meu Deus! Ele está tão lindo em seu terno cinza claro. Desde a internação do Dylan; Ricardo agora só usa a barba cerrada, humm; gostei disso... Quando Ricardo me viu, seus olhos me avaliaram de cima abaixo, várias vezes, ele entreabriu os lábios em admiração e um pequeno sorriso de canto de boca me foi concedido. Confesso que arrepiou o meu corpo por inteiro. Ele é assim, basta um simples toque ou simples olhar para que tudo em mim se desmanche e arrepie... Ele tem o dom de me levar ao extremo, em segundos. Ricardo vem em minha direção. Sério, eu vi um felino vindo em direção à sua presa, o jeito como ele andava, o seu olhar e até a forma como sorria indicavam um grande predador indo capturar sua presa. Ele alcança a minha mão, apossando-se dela, leva-a até os lábios, sinto o beijo sedoso e, por um instante, a suavidade da ponta da sua língua, senti-me no céu. Ainda com os lábios em minha mão, olha-me por cima das sobrancelhas e me sorri com carinho. O juiz nos chama a atenção. Ricardo me conduz até à mesa onde será realizada a cerimônia, e chama as nossas testemunhas; doutor Afonso e o senhor Bruno, mamãe também se aproxima. O juiz começa a cerimônia: Estamos aqui para formalizar e celebrar o casamento de Ricardo Mendonça Willian e Emma Lancaster Guedes perante as leis deste país. Vou começar lendo o contrato de casamento do processo de número 001.00.00000000, dia 09 às 15 horas e 30 minutos. O juiz olha para todos nós e pergunta: — Todos estão de acordo? Ricardo diz sim, eu o acompanho respondendo o mesmo. — A palavra é sua, senhor Ricardo. – Diz o juiz. Ricardo limpa a garganta e fala. — Eu, Ricardo Mendonça Willian, declaro que estou de livre e espontânea vontade, aceitando Emma Lancaster Guedes nos termos da lei, para amá-la e respeitá-la todos os dias da minha vida. Agora é minha vez: — Eu, Emma Lancaster Gue-Guedes, declaro que estou de livre e espontânea vontade, aceitando o Ricardo Mendonça Willian nos termos da lei, para amá-lo e respeitá-lo todos os dias da minha vida. Ricardo coloca a grossa aliança de ouro branco em meu dedo; senti suas mãos trêmulas quando elas tocaram a minha, ele leva a aliança aos lábios e a beija. Faço o mesmo, tremia muito mais que ele. Ricardo aproxima-se um pouco de mim e diz: — Respire devagar meu


amor, eu não vou fugir. – Ele ri. Fiz o mesmo, beijei a aliança em seu dedo, Ricardo segura em meu queixo... Então, vejo lágrimas em seus olhos, ele me puxa beijando os meus lábios levemente, sua boca está trêmula, foi automático o meu gesto, ergui a mão até a sua face e limpei suas lágrimas com os meus dedos, fixei meus olhos aos seus e sussurrei: — Amo você. Senti-me uma boba, mas foi o que o meu coração pediu para fazer. Ele me beija a testa, seus lábios permaneceram mais do que necessário, foi um beijo terno e demorado. O Juiz nos faz voltar à realidade. — De acordo com a vontade de ambos, que acabais de pronunciar perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados. O juiz nos manda assinar o livro civil, nossas testemunhas e minha mãe assinam também; em seguida, recebemos os cumprimentos de todos. Ricardo convida doutor Afonso e Bruno para irem até a minha futura casa. Percebi que o doutor Afonso não tirava os olhos de mamãe, ela também, uma vez ou outra, disfarçava o olhar em direção ao médico. Será que mamãe, depois de tantos anos, está se interessando por outro homem? Ri comigo mesma. Quando estávamos saindo do cartório, fomos cercados por alguns fotógrafos. Assustei-me com o reboliço, Ricardo me protege, segurando-me por minha cintura. — De onde eles surgiram? – Pergunto assustada. — Convidei-os, selecionei alguns repórteres de duas revistas, dois jornais e dois blogs. Amanhã, todos saberão que você é minha, só minha, senhora Willian! Ele me beija a testa. — Agora sorria, quero minha esposa bem linda e feliz em todas as fotos. – Ricardo circula os braços em minha volta, puxando-me para um demorado beijo em meus lábios. Flashes piscaram em nossa direção e o burburinho foi formado. O nosso carro chegou. Ricardo abre a porta do veículo, deixando minha mãe entrar primeiro, depois ele segura em minha mão guiando-me ao assento, coloca o meu cinto e entra em seguida. Não imaginava que a mansão Willian fosse tão grande, se duvidar é bem maior que a mansão do Daimon. Fiquei boquiaberta com sua beleza e o tamanho do jardim que a cercava. Mamãe deu um sonoro “Meu Deus!”. Assim que descemos, percebi que havia um lindo parquinho localizado ao lado direito da casa e a imensa piscina estava cercada por grades., Ricardo pensou em tudo para segurança e diversão do nosso filho. Ele dirige o olhar para a mesma direção do meu e diz aproximando a boca a minha orelha. — Você precisa ver o quarto de brinquedos. É super mega fantástico. Ricardo me puxa pela mão. Fiquei tão surpresa quando entrei na casa, não esperava por isso. A casa estava


completamente preparada para me receber, arranjos de flores por todos os cantos, os empregados todos bem vestidos já estavam nos esperando com um sorriso largo nos lábios, uma linda mesa posta para os convidados, e num canto da sala de jantar, um imenso bolo branco com um lindo casal de noivos. Ricardo me pede para esperar. Vai até uma mesinha e volta com um lindo buquê de copos de leite, entrega-me e sem largar minhas mãos, diz com uma suavidade na voz que quase caio de joelhos ao chão. — Uma noiva sem buquê não é uma noiva, e um casamento sem um bolo não é um casamento... E um casal sem amor não é um casal. Seja bem-vinda à sua nova casa e a sua nova vida, Emma Willian! Minhas barreiras foram quebradas, caí no choro. Não suportei a emoção. Ricardo me puxa para ele e me abraça apertado. — Shhh! Shhh, moça teimosa! Olha para mim, quero ver esses olhos lindos mesmo marejados de lágrimas, eu os quero fixados aos meus. – Ricardo ordenava, ele não pedia, o seu tom de voz autoritário não me amedrontava, dava-me um calor de dentro para fora. Obedeci. Nossos olhares se encontraram, e não precisamos de palavras para dizer nada um para o outro. Nossos espectadores limparam a garganta para nos lembrar de que não estávamos sozinhos. Ficamos sem graça, e aos poucos nos afastamos. Chamei todas as mulheres para o arremesso do buquê e adivinhem quem o pegou? Pois é... Mamãe! Meu olhar foi direto para o doutor Afonso, que era só sorrisos. Após o jantar, cortamos o bolo e servimos aos convidados. Foi uma noite divertida, estava feliz. Após a tempestade, está vindo a bonança. Ricardo pediu licença aos convidados e me levou ao andar de cima. Apresentou-me o nosso quarto, que, por sinal, minha sala e minha cozinha da minha casa antiga cabiam dentro dele e ainda sobrava espaço; fiquei estupefata com a esplendorosa decoração, a cama cabia cinco de nós dois. Ricardo vem até mim, circula os braços por volta da minha cintura, beijando o alto da minha cabeça. — Suas roupas estão no banheiro, troque-se e deite-se, já, já subo; só vou me despedir de todos e mostrar o quarto à sua mãe. – Fiz o que ele mandou, tomei um banho, vesti a linda camisola branca que estava pendurada no cabide do banheiro e deitei-me. Quando Ricardo entrou no quarto, já estava quase adormecida. Ele sentou-se ao meu lado, e me despertou com um beijo nos lábios. Levantei-me sobre os cotovelos, ele colocou um comprimido em minha boca, oferecendo-me a água, engoli o remédio. Ricardo me deita sobre os travesseiros, beija minha testa, levanta-se e vai até uma porta lateral, ele abre-a e eu percebo que é outro quarto. Eu pergunto aonde ele vai. — Vou para o outro quarto. Não se preocupe, a porta ficará aberta, se você sentir qualquer coisa é só me chamar, virei correndo. – Ele percebe minha decepção. — Acredite em mim, é mais difícil para mim, porém é para o seu próprio bem. – Ele sai apressadamente.


Capítulo Vinte e Nove “A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior perdoa, a inferior condena. Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!” (Chico Xavier)

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Virei minhas costas para Emma imediatamente, não queria olhar para os seus olhos tristes. Tristes de decepção, hoje é nossa noite de núpcias e o correto é ficarmos juntos, fazermos amor durante à noite inteira; afinal, ela agora me pertence e é unicamente minha, minha para sempre. No entanto, precisava manter minhas mãos longe do seu corpo. Passei dos limites quando a amei em meu escritório, deixei meu tesão falar mais alto do que os cuidados que devo ter com ela. Fiquei longe dos seus olhos, não queria que ela percebesse minha necessidade e minha frustração de não poder dormir ao seu lado. Deus! Por favor, ajude-me a resistir. Respirei fundo, encostei minha testa à parede ao lado do quarto de Emma, ela está ofegante, será que está passando mal? Não Deus, não faz isso comigo. Dei um passo para ir para o seu quarto, então escuto ela me xingando... — Filho da puta, como eu fui uma idiota em acreditar que ele me perdoou que ainda me ama... Sou uma burra. Ai que vontade de entrar lá e lhe mostrar o quanto eu a amo. Respirei fundo e sigo em direção ao banheiro, ducha fria, preciso de uma ducha fria... Quando o Afonso me esclareceu sobre a doença de Emma, quase morro no susto, como se não bastasse meu filho, a mulher que eu amo com toda força do meu ser também estava com sérios problemas de saúde. E o pior, ela nem sabia disso e nem pode saber. Emma guardou durante anos os seus problemas emocionais, ela deixou de viver sua vida para viver a vida da mãe, se anulou, rejeitou a dor, não se permitiu sofrer, chorar, sentir raiva, mágoa, rancor, simplesmente fingiu que o seu mundo era ela e sua mãe, riscou a figura paterna da sua vida. Segundo a psiquiatra, a depressão de Emma só veio à tona quando lhe tirei o Dylan dos seus braços, quando ela percebeu que não ia conseguir manter a promessa que fez a si mesma, de nunca abandonar o filho, como o seu pai o fez. Por causa de todos os problemas guardados, nunca demonstrados e sentidos por ela, Emma desenvolveu um problema no coração; os médicos não conseguem explicar como e por que esta doença surgiu, pois ela nunca se queixou de nenhum sintoma. A única explicação plausível é a síndrome do pânico que ela tem, pois quando fica apavorada, os sintomas aparecem, e a gota d’água foi lá no fórum. O seu coração não suportou o choque e teve um colapso, ela


sofreu uma parada cardiorrespiratória, ficando em coma. Após os exames, os médicos diagnosticaram insuficiência cardíaca, e com isso todo o cuidado é pouco, pois sua depressão está no auge avançado. Emma necessita de vigilância e controle, todas aquelas emoções que ela guardou por décadas foram libertadas, e qualquer esforço físico ou emoção forte poderá ser fatal. Fiquei tão desesperado, fui o causador do surgimento dessa maldita doença, por mais que dona Mirela e o doutor Afonso digam que não fui eu, sei que sou o responsável... O meu medo de perdê-la foi tanto que inventei essa história de acordo para força-la a se casar comigo, preciso mantê-la perto de mim, preciso cuidar do que é meu. Se for preciso, coloco-a em uma redoma de vidro para que nada de ruim lhe aconteça. Procurei o juiz Bacelar e pedi para que ele anulasse o pedido de guarda do Dylan e também a ordem de proteção. É claro que precisei molhar a mão dele novamente, não me importei, pagaria o dobro se fosse possível, não contei para Emma ainda, mas contarei assim que ela estiver bem, só espero que ela me perdoe. Terminei o meu banho, deitei-me. Não consigo dormir. Viro-me de um lado para o outro, mas o sono não vem. O cheiro dela vem até mim, estamos tão perto só uma parede nos separa, tento a todo custo dormir, sem resultado. Que se dane! Digo levantando-me em um pulo. Corro para o nosso quarto, ela está imóvel, parece dormir. Lentamente eu me aproximo, sento-me a cama, levanto o edredom e mergulho por baixo. Ela assusta-se, está de costas para mim. Então, ela tenta virar-se, eu não deixo. — Shhh! Quietinha, meu amor, quietinha, minha moça teimosa, só me deixe abraçá-la... Assim, assim bem apertado... Necessito do calor do seu corpo, do cheiro dos seus cabelos, preciso sentir as batidas do seu coração; dorme meu amor, dorme em meus braços... Eu a puxei para bem próximo do meu corpo, ela respirou fundo e foi soltando o ar lentamente. — Minha! Só minha, sussurrei em seu ouvido. — Sim! – Ela murmura sonolenta. – Dormimos de conchinha. Acordei com um barulho de algo caindo ao chão, meus sentidos despertaram. — Emma! – Gritei assustado. — Desculpa amor... Fiz de tudo para não o acordar... Ainda sonolento e sobre os meus cotovelos, eu a observo... Emma está toda arrumada, mas que diabos está acontecendo. Sento-me na cama, ela vem até mim e cai sobre o meu corpo, beijando-me a boca. Cacete, foi um beijo molhado e doce e muito gostoso. Meu membro pulsou na expectativa. Emma percebeu, e foi com sua ousada mão até ele e o acariciou. — Humm, ai que delícia, alguém está muito animado aqui. – O sacana do meu pau vibrou de alegria naquela mãozinha quente e ousada... Traidor de uma figa! — Coisa louca, você é muito lindo quando fica excitado. – A sacana da minha esposa estica minha boxer e passa o olho em meu membro


gotejante. E eu que pensava que ela estava elogiando a minha pessoa... Ela referia-se ao senhor meu pau. Emma enfia a mão em minha boxer e começa a massageá-lo. — Humm, molhadinho, quentinho e durinho, todinho meu. A sacana escorrega o corpo à beira do colchão, ficando de joelhos, meu membro é retirado da boxer e sai todo reluzente. Se tivesse boca, juro que estaria sorrindo de felicidade. Filho da mãe traidor... Ele pulsa nas mãos provocantes da minha mulher. Esqueci-me de tudo, só desejava a boca quente e sua língua molhada sobre ele. Emma advinha os meus pensamentos e presenteia meu membro com os seus lábios... Cacete! Silvei entre dentes. — Ohhum! Cacete, Emma! Cristo! Faz isso não, amor... Humm! Assim papai não resiste... Ela continua de joelhos trabalhando sua boca mágica em meu membro eufórico. Vê-la de joelhos chupando meu membro com tanto entusiasmo, é alucinante; minha mulher engole meu comprimento com vontade, morde a glande com os lábios, depois o devora todo, volta para a glande, suga o líquido, lambe o meu eixo, brinca com minhas bolas, e me engole novamente... O som que sai da sua garganta é prazeroso, a sua satisfação é algo inexplicável. Não suportei e a seguro pelos cabelos, fazendo-a diminuir o entra e sai. — Olhe para mim. – Ordenei. Ela olhou. Meu membro está todo dentro da sua boca, é a visão mais linda que um homem pode apreciar minha outra mão segura em seu queixo. — Ponha a língua para fora, minha gatinha safada. – Ela pôs, fazendo uma cama com a língua para o meu membro, começo a escorregar o meu comprimento sobre a sua língua até ficar só a glande em sua carne macia, lentamente vou empurrando-o para dentro novamente... Silvei de prazer. Comecei a entrar e sair com meu membro em sua boca. Emma solta chiados de prazer, sua saliva escorre por sua boca misturada a minha umidade, aquilo me deixa louco. Percebo que ela leva sua mão até entre suas coxas e começa a bolinar suas carnes. Porra nenhuma que vou deixá-la mexer no que é meu! Puxo-a para o meu colo com desespero, afasto sua calcinha para o lado e a sento em meu colo. Meu membro escorrega desesperado por entre as carnes suculentas da minha mulher. — Ai, meu Deus! Ricardo vou gozar! Meu amor, humm! Seus gemidos me deixam louco, suspendo o seu corpo e a sustentando por seu traseiro, acelerando o entra e sai do meu membro em seu corpo. — Rebola meu amor, rebola gostoso no seu homem, assim, minha gatinha safada, humm! Nossas bocas se encontram e se devoram desesperadamente. Emma entrelaça os dedos nos fios dos meus cabelos e os puxa com força; dou uma palmada em sua bunda e rosno ferozmente. — Minha! Você é minha! – Outra palmada, eu lhe dou. Emma se desespera mordendo minha língua, meu queixo, escorrega a boca até o lóbulo da minha orelha e a morde com força, solto um grito de prazer, ela começa a esmurrar minhas


costas, meu peito, mordo seu queixo, seu pescoço. — Dança em meu pau, amor, assim, isso, assim, mais forte, humm! – Silvei. Emma senta com força em meu membro, e se sustenta em meus ombros, começando a sentar e levantar em minha rigidez seguro-a pela cintura e aprofundo as estocadas; nosso clímax chega em ondas elétricas de prazer, derramei minha semente profundamente em seu interior, meus espasmos são longos, prendo-me em seu corpo, soltando um longo grunhindo de prazer. Emma grita em meu ouvido chamando por meu nome, Jesus! Essa mulher ainda me mata... Ela está ofegante suada e vermelha... Estou no bagaço... Roubo os seus lábios sorrindo em sua boca, e preocupado, pergunto: — Você está bem? Sente algum desconforto? – Ela me diz que está tudo bem. — Sou um animal, não era para ter deixado isso acontecer, você me tira o juízo. — Amor, não sou de vidro, não vou quebrar... – Ela me olha com certa desconfiança. — Por que esses cuidados comigo? Já estou bem, não precisa ficar cheio de dedos ao me tocar. E da próxima vez que o senhor fugir de mim, juro que estupro você. – Ela sorri e o seu riso encheu o meu coração de alegria. Ainda dentro dela, levanto-me e a levo para um banho. Nosso primeiro banho juntos, como marido e mulher... Depois do banho, deixo-a na cama e peço para que fique quieta, pois lhe traria o seu café da manhã, na cama. Quando retorno, Emma já está completamente arrumada... Coloco a bandeja à cama, e fico por um momento observando-a. Então pergunto: — Aonde a senhora pensa que vai? — Ver o nosso filho! Você me disse que só poderia ver o Dylan após nos casarmos. Então, já estamos casados, agora quero ver o nosso filho! Fodeu! E agora, o que faço? Como vou dizer a ela que não poderá vê-lo. Fico pensativo, preciso de uma desculpa. — Vamos, amor, arrume-se logo, quero beijar o meu filho... Você me disse que ele já está no quarto, isso quer dizer que posso ficar com ele o tempo todo. Ricardo! Ela me chama de volta para a terra. Disfarço. — Primeiro o café... Seus remédios. Eu preciso da autorização do doutor Afonso... – Emma percebe que quero enrolá-la. — É impressão minha ou você não quer me levar para ver o Dylan? — Meu amor, podemos vê-lo amanhã, hoje você descansa mais um pouco... Emma me corta a frase, e parte para cima de mim furiosa. — Diga logo, diga logo que você mentiu para mim, diga que não quer me deixar ver o Dylan,


por que Ricardo? – Ela começa a me bater com os punhos fechados, seus gritos soam altos, esperneia, tento contê-la segurando-a pelos punhos. — Emma, meu amor, acalme-se! — Meu amor um cacete, seu filho da mãe, mentiroso... Quero ver o meu filho. – Ela consegue se livrar das minhas mãos, e chuta a perna. Emma alcança um porta-retratos e arremessa em minha direção. Consigo desviar. — Odeio você, seu filho da mãe desgraçado. Eu a alcanço novamente e a prendo em meus braços, e a imobilizo. — E eu amo você com toda força da minha alma... Pare, pelo amor de Deus, acalme-se, respire, meu amor, respire, minha moça teimosa. Mirela entra no quarto. — Emma! Pelo amor de Deus, o que está acontecendo aqui, acalme-se, meu anjo. — Esse desgraçado não quer me deixar ver o meu filho, ele mentiu para mim. — Ele não mentiu meu amor, Dylan não pode receber visitas. Olhei para Mirela desesperado, agora fodeu a porra toda. — Por quê? Ele piorou? É isso? – Ainda presa em meus braços, ela me olha com os olhos marejados de lágrimas, aquilo me quebrou. Com cuidado, levo-a para cama. Sento-me com ela em meu colo. O que vou dizer meu Deus! Mirela explica. — Houve um surto de gripe no hospital, e os médicos resolveram suspender as visitas ao Dylan, ninguém pode vê-lo, mas nós temos uma boa notícia para você. Conte a ela, Ricardo. – Apressadamente, argumento. — Em alguns dias o Dylan receberá alta médica. – Emma começa a tremer, sua respiração acelera. Mirela percebe. — Já chamei o doutor Afonso. – Ela me avisa. Fiquei mais tranquilo. Emma respira com mais velocidade, leva a mão ao peito e reclama que seus dedos estão ficando tortos... — Ricardo, o que eu tenho, não consigo respirar, meu peito dói, minhas mãos, minhas... Oh! Meu Deus! O que é isso? Ricardo me ajude, por favor, só me diz o que eu tenho? – Ela desmaia.


Capítulo Trinta “A vida não é simples. Apresenta contrariedades, dificuldades, obstáculos. Todos os grandes objetivos custam muito esforço: é natural. Mas mesmo as pequenas coisas de todos os dias frequentemente não nos saem bem. Como reagimos perante as adversidades? Que valor lhes damos? Conseguimos ver nelas algo que nos ajuda a crescer e nos torna mais fortes?”

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Emma foi examinada por doutor Afonso, ele nos aconselhou a deixá-la descansar, administrou um calmante um pouco mais forte. Explicou que Emma está melhor, e que é normal esses desmaios e os sintomas, a medicação que ela está tomando vai fazer com que ela melhore progressivamente, o que temos a fazer é mantê-la longe de fortes emoções e aborrecimentos. — Como farei isso? Emma tem o temperamento do cão, é teimosa como uma mula e quando quer alguma coisa não tem quem faça com que ela mude de ideia... Olhei para o Afonso, desesperado. Ele sorri... — Isso é com você, meu filho, administro os remédios e você doma a fera. – Acompanho o médico até o meu gabinete; Mirela fica com a Emma no quarto. — Ricardo, o médico do Dylan está admirado com a rapidez em sua recuperação; às vezes ele acha que o menino nem estava doente. Ele só acredita porque foi ele mesmo que fez todo o procedimento, desde o início. Dylan nem parece que recebeu uma medula nova. Está sendo difícil mantê-lo quieto no quarto, ele tem uma energia que enlouquece médicos e enfermeiros. Comecei a rir... — Isso é verdade, toda vez que ele me vê, pergunta quando vai poder voltar para casinha dele. Meu filho surpreendeu a todos. Mandei dois médicos dos Estados Unidos embora. Onde já se viu... Eles queriam testar o organismo do Dylan. Quase parto a cara dos dois com murros. — Quando você vai contar ao Dylan que é pai dele, e que você se casou com a Emma? Ele pensa que a mamãe dele vai se casar com o Otávio, foi o que eu vi. Dylan perguntando ao Otávio hoje antes de vir para cá... — O Otávio estava lá com ele? – Só em lembrar, deste sujeito, fico apreensivo, eu o vejo beijando a Emma, tocando em todo o seu corpo... Deus! Ai, que raiva. — Sim, ele estava, e parece que vai passar a manhã inteira com o menino. Por quê? — Bem, se ele está lá, então vou para o meu escritório. Só irei ao hospital à tarde, Mirela


vai à noite, então. — A Mirela vai estar no hospital à noite? – Vi um brilho no olhar do Afonso. — Humm! Acho que senti certo interesse na pergunta. – Brinco com ele. — In-interesse! Claro que não, o que há, Ricardo? Não tire conclusões precipitadas. Mirela é uma boa amiga. — Amiga, sim..., mas claro que é só uma amiga. – Não consigo segurar o riso, caio na gargalhada... Ele também. Acompanho Afonso até o carro. Antes de ir para a empresa, subo ao meu quarto para beijar minha mulher e deixar mil recomendações com Mirela. Espero que pelo menos minha manhã seja tranquila.

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Cheguei ao hospital cedo. Ontem à noite conversei com a Simone sobre eu mesmo contar ao Dylan sobre o Ricardo. Afinal, fui o seu pai por quase seis anos, eu tinha este direito. Dylan estava se preparando para o banho, e quando me viu, ficou todo eufórico. Vesti a roupa especial e coloquei a máscara e as luvas. Fiquei observando as enfermeiras lhe darem banho, ele não para quieto, molha todo mundo, nem parece uma criança que há poucos dias fez um procedimento tão delicado. Vestiram-no e o colocaram novamente à cama. O seu café da manhã chegou, ele fez uma cara de nojo, caí na gargalhada. — Papa, isso aqui é muito ruim... “Palece” cocô... Eca! — E o rapazinho já comeu cocô? – Ele me olha com espanto. — “Clalo” que não papa, tá doido? Mas o cocô deve ter esse gosto, eu só acho. Aff! — Vamos, Dylan, largue de reclamar e coma logo a sua gororoba... – Eu mesmo lhe dou na boca, ele come tudinho. — Papa, quando a minha mamãe vem vê o Dylan? Eu tô com muitão de saudade, ela ainda tá dodói? — Está, meu amor, ela está muito dodói! Mas me disseram que logo, logo, o meu filhão vai para casa, então você vai poder matar a saudade da mamãe... – Ele abre o maior sorriso. — Oba! Sabe papa, eu não aguento mais ficar aqui trancado, eu tenho vontade de fugir... É “vedade”. – Ele fala com uma confiança que me assusta.


— Filho... Preciso ter uma conversa muito séria com você. – Dylan para com o brinquedo e fixa os seus olhinhos em mim. — “Conveça” de homem para homem, papa? – Esse garoto não existe. — Sim, conversa de homem, filhão. — Manda aí, papa. Como eu começaria essa conversa, meu Deus, ele só tem cinco anos, o que eu iria lhe dizer? Clamei por sabedoria a Deus. — Filho, primeiro eu quero lhe dizer que eu e sua mamãe não vamos mais nos casar. – Ele me pergunta o porquê e eu lhe digo que percebemos que não nos gostamos tanto assim para nos casar. E eu lhe contei sobre a Simone, disse-lhe que ela foi minha esposa e eu ainda a amava, e resolvemos ficar junto novamente. Dylan não entendeu, fez cara de choro, porém lhe disse que a mamãe dele estava feliz com minha felicidade, não falei a respeito do casamento dela. — Você não será mais o meu papai? Você não quer mais o Dylan? – Fui pego de surpresa com essa pergunta. — Meu amor, eu te amo, e sempre serei o seu papa. — Não o meu papa, o meu papai! Você não quer ser o papai do Dylan? Eu “quelia” que você fosse o meu papai de verdade, não só o meu papa... – Agora minha cara caiu ao chão. — Dylan, qual é a diferença entre papa e papai para você? – Ele me olha sério, enche as bochechas de ar e cruza os bracinhos. — Você não sabe? Você é o meu papa do “colação”, não o meu papai que colocou a sementinha na barriga da mamãe e me fez... Foi o que a vovó me dizia quando eu “peguntava” se você era o meu papai. Mas eu “quelia” tanto que você fosse o meu papai da sementinha. “Agola” o Dylan tá “tiste” fiquei sem papai... – Ele começa a chorar. Ai, meu Deus! Ele sabia o tempo todo que eu não era o seu papai de verdade, e eu aqui preocupado com a sua reação quando descobrisse a verdade... Limpo suas lágrimas com seu paninho, fiquei com tanta vontade de abraçá-lo e beijar o seu rostinho. — Filhão, sempre serei o seu papai do coração, eu também queria muito ser o seu pai de verdade, mas não sou. — É só você casar com a minha mamãe, aí você vira o meu papai de verdade... Por favor, papa casa com a minha mamãe! — Filhão, já me casei com outra moça, e você tem um papai de verdade e ele te ama muito e ficou muito feliz quando soube que você é filho dele, ele ficou tão feliz que se casou com sua mamãe e não vê a hora de ouvir você chamá-lo de papai.


Dylan limpa os olhinhos com o dorso das mãozinhas, ele para de chorar imediatamente. Com euforia, ele começa a perguntar quem é o papai dele. — Quem é ele, papa quem é ele, quem é o meu papai de verdade, por favor, diz logo papa, quem é o meu papai... Ele ama o Dylan, assim do tamanho do mundo. – Ele abre os bracinhos medindo o tamanho... — Onde ele ta papa, eu “quelo” abraçar ele, você não vai ficar com ciúmes, eu amo os dois... O Dylan tem dois papais, isso é super mega fantástico, eu tenho dois papais. – Ele não para de falar e saltar na cama, precisei chamá-lo a atenção, dizendo que se ele não ficasse quieto, a enfermeira ia entrar e me tirar de lá. Ele se acalmou. — Quem é o meu papai, eu conheço ele? Ele é legal? Vai papa me diga logo, o Dylan tá ficando “nevoso”. – Dylan cruza os bracinhos com cara de birra. — Sim, você o conhece e ele é muito legal e está apaixonado pelo Dylan e ama muito a sua mamãe. – Traguei o ar com força, seguro suas mãozinhas e lhe digo. — O seu papai é o Ricardo. — O titio “Ricado” é o meu papai... – Ele grita eufórico. — Eu ganhei um papai super mega fantástico, “agola” eu tenho dois papais super mega fantástico... Obaaaa! – Ele pula em meu pescoço, como eu ia parar a sua empolgação. — Filho, fique calmo, você quer que me expulsem daqui? – Ele balança a cabeça em negativa. — Eu “quelo” falar com o meu papai, liga para ele papa, liga, por favor... – Dylan não para quieto. — Vamos fazer assim... Mais tarde, o seu papai vem lhe ver, então você faz uma surpresa para ele, chame-o de papai sem ele menos esperar, depois você conta que já sabe a verdade, diz a ele que eu lhe contei tudo, ok? — Ele vai demorar a vir papa? O Dylan não aguenta esperar. – Eu disse que não. — Então tá, o Dylan espera. – Ele me abraça novamente. — Eu amo você, papa. Respondi o mesmo, meus olhos se encheram de lágrimas, minhas esperanças de ser o pai daquele menino maravilhoso foram embora para sempre, mas, pelo menos, ele estava feliz e realizado. Fiquei com o Dylan até depois do seu almoço. Logo a seguir, ele adormeceu e eu fui embora, o meu coração está tranquilo, fiz o que deveria ter feito.

*** Minha sala é invadida por um vendaval chamado Pietra. Minha secretária segue atrás dela. — Desculpe-me senhor Willian, ela quase me atropela, não consegui detê-la, o senhor quer que eu chame os seguranças? — Não, Adriele, pode deixar. – Adriele retira-se fechando a porta atrás de si. — O que quer,


Pietra? Por acaso não ficou satisfeita com a indenização que lhe foi paga, veio em busca de mais? – Inferno, como se não me bastasse os problemas que tenho, o diabo manda os dele para mim. — Eu não vim atrás de dinheiro, Ricardo, vim recuperar o que é meu por direito. — E o que é seu, Pietra? Que eu saiba, já mandei todos os seus pertences para a casa dos seus pais. — Você! Quase cai na gargalhada. Porém me contive. — Eu sei que você lê jornais, revistas e é uma mulher conectada; no entanto, vou refrescar sua memória... Estou casado e muito bem casado. – Mostrei minha aliança para ela. — Eu sei só que casamentos se desmancham, e depois do que tenho a lhe dizer, o seu casamento vai para o espaço hoje mesmo, não me importo em criar o seu filho com aquela lá... – Pietra não estava em seu juízo perfeito. Ela vem em minha direção e começa sua explanação, fiquei perplexo com tudo o que ela falava, mas deixei com que prosseguisse até o fim. Só queria saber até onde iria a sua loucura. — Eu duvido que a sua “esposa”, quando souber dessa notícia, queira ficar com você... Estou grávida, pelos exames estou com mais de três meses – Ela joga uma porção de envelope em minha mesa. — Pois bem, sei que você não acompanhou a gravidez do seu outro filho e se você quiser acompanhar deste aqui, que eu carrego em minha barriga, vai ter que pedir o divórcio e se casar comigo, ou do contrário... Eu a interrompo imediatamente, é muito loucura para uma mulher só. Aproximo-me da louca e seguro pelos ombros. — Ou do contrário, o que sua maluca? – Dou-lhe dois solavancos. — Você vai abortar a criança... É isso? Pois faça, eu não me importo, não é meu mesmo. – Ela livra-se das minhas mãos, afastando-se de mim. — Seu imbecil, posso até ser uma golpista, mas não sou promiscua. Esse filho é seu, e vou esfregar o exame de DNA em sua cara. Não consegui segurar a gargalhada, eu mereço. — Escute aqui, Pietra, se você realmente está grávida vá procurar o pai da criança e se você tem um pouco de amor próprio, gire por seus calcares e desapareça da minha visão e da minha vida. Suma, porra! – Esbravejei ferozmente. Seguro por seu braço e a guio até a porta, ela puxa o braço e me encara. — Esse filho é seu sim, pois eu não tive outro homem em minha vida, enquanto estive com você, ele é seu, seu idiota. — Não, Pietra, esse filho não é meu, porque eu não posso ter filhos, fiquei estéril logo após o meu acidente, entendeu ou quer que eu desenhe?


Pietra fica pálida. Por um momento, pensei que ela ia desmaiar... Lágrimas começam a escorrer por seus olhos, em minutos o seu choro torna-se compulsivo. — En-então era por isso que eu não conseguia engravidar, e você ficava inventando aquela história de não querer filhos. Como pôde mentir para mim, como pôde me enganar, Ricardo. – Entre soluços, Pietra parte para me agredir. Contenho-a segurando em seus punhos. — Mentiroso filho da mãe, você estava rindo de mim esse tempo todo, fazendo pouco caso de mim, seu ordinário. – Ela se esperneia tentando me atingir. — Caiu a ficha agora, querida! Vá embora, Pietra. Faça um favor a si mesma... Esqueça-me e avise ao seu pai para parar de ficar usando o meu nome para obter crédito financeiro, ou, então, vou processá-lo. – Seguro Pietra pelo antebraço e a levo até a porta. — Nunca mais me procure, Pietra Stuart, nem você nem o canalha do seu pai. Desesperada, ela grita a todo pulmão. — Você vai voltar para mim, Ricardo, ou não me chamo Pietra Stuart. Se você não for meu novamente, não será de mais ninguém. Isso é uma promessa, desconfiei da Emma assim que a conheci na Grécia, seus olhares furtivos um para o outro. Então, pesquisei e descobri que a sua paixão secreta era ela, e quando ele ligou para você dias depois, assim que voltamos da Grécia, minhas desconfianças se confirmaram. Por isso não lhe disse nada, não dei recado algum; você não ficará com ela, Ricardo isso eu lhe prometo. – Chamo os seguranças, ela é convidada a sair. Viro-me para minha secretária e falo energicamente. — Senhorita Adriele, sem mais surpresas por hoje, pode ser o papa, mas não atendo mais ninguém, espero que tenha sido claro com a senhorita. – Ela assentiu com a cabeça. Estava ao telefone quando minha secretária entra em minha sala novamente. Sua aparência não é muito boa, com certeza ela está esperando minha rebarba. — Senhor Willian, desculpe-me, eu sei que o senhor me pediu para não ser interrompido, mas é que tem um homem lá fora que insiste muito em falar com o senhor, ele já esperando a um tempão, inclusive ele o ouviu dizer que não atenderia mais ninguém hoje, só que ele insiste em lhe falar. — Esse homem tem hora marcada? – Pergunto com impaciência. — Não, senhor, porém ele disse que o senhor deveria atendê-lo – Ela limpa a garganta. — Esse homem tem nome, senhorita Adriele? – Minha paciência já estava aos meus pés. — Senhor Edgar Guedes, ele disse que o senhor sabe de quem se trata. — Edgar Guedes, Guedes era o sobrenome da Emma... Não, não pode ser... Realmente as portas do inferno resolveram se abrir, e os demônios vieram dar uma voltinha na Terra... E o pior, eles vieram me visitar... E já sei muito bem o que eles querem. — Mande-o entrar...


Capítulo Trinta e Um “O amor não se explica, não se resume, não se define, não se mensura tão pouco se compara, apenas se sente, e cada um sente à sua maneira, cada coração palpita de uma forma, seja pelo olhar, pelo ver passar, pelo alô no celular, ao abraçar, ao ouvir falar ao sentir, mas sempre de um único jeito, ao amar.” (Roger Stankewski)

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Edgar Guedes é um homem alto, cerca de 1.90m, cabelos grisalhos, olhos verdes e usa um bigode discreto, é bem apresentável, veste-se bem e tem um porte altivo. Assim que entrou em minha sala, abriu um vasto sorriso, estendeu a mão em cumprimento dizendo sem nenhuma modéstia. — Meu querido genro, você não sabe o prazer que tenho em lhe conhecer. Ele circula a minha mesa e me puxa para um abraço, batendo levemente em minhas costas. — Realmente minha filha puxou ao pai, ela tem muito bom gosto... Juro por Deus que fiquei com vontade de dar um soco bem no meio das fuças dele. Engoli minha vontade, tenho certeza de que não faltará oportunidade. Afastei-me dele imediatamente e lhe mostrei a poltrona à frente da minha mesa, eu o queria bem longe de mim. Ele voltou ao seu lugar. Sentei-me também, estiquei o meu corpo para trás apoiando as costas no encosto da cadeira, fiquei o observando. — Edgar Guedes! – Disse com frieza. — Seja direto e deixe de conversa mole, diga-me logo o que quer? Ele sorrir cinicamente. — Homem de negócio... Gosto assim, você é dos meus, vai logo ao ponto... – Ele cruza as pernas, disfarça olhando em volta da sala, seus olhos param no porta-retratos onde há uma foto minha e de Emma tirada no dia do nosso casamento, ele pega o objeto e o leva para si. — Ela transformou-se em uma mulher belíssima, é muito parecida com a Mirela quando tinha a sua idade... – Ele coloca o porta-retratos de volta ao lugar dele. — Você é um homem de sorte, Ricardo. — O que quer senhor Guedes! – Bradei, minha paciência estava no limite. — Responda-me uma coisa, meu genro! – Ele faz uma pequena pausa olhando-me por cima da sobrancelha. — O que aconteceria se, de repente, eu surgisse do nada na frente da Emma ou da Mirela. Ou, talvez, quem sabe, levar um presente para o meu netinho Dylan, lá no


hospital... Agora meus punhos fecharam-se, apertei tanto que os nós dos meus dedos ficaram brancos. — Eu estive no hospital, meu neto é lindo, um garoto muito esperto, e foi fácil chegar até ele, bastou um crachá e um jaleco branco. Foi demais para mim, em segundos eu já estava segurando o pescoço do Edgar. — Escute aqui, seu filho da puta escroto dos infernos, chegue perto do meu filho novamente que você vai sentir o que é dor... E nem pense em se aproximar da minha mulher e da minha sogra. – Edgar vai ficando sem ar e começa a se debater, porém eu não o solto e continuo falando com fúria. — Quando você as abandonou, deixando-as ao léu, elas não tinham ninguém para protegê-las, só que agora elas têm a mim... E ninguém, Edgar, ninguém toca, maltrata ou fere o que é meu, entendeu? Experimente chegar perto delas... Experimente... – Ele consegue se soltar das minhas mãos. Edgar levanta-se trôpego da cadeira e vai até a mesa, serve-se de um copo de água. O homem é dissimulado, ele me olha de cima abaixo e sorri cinicamente. Fiquei muito mais furioso, vou a sua direção e lhe agarro pelo colarinho. — O que você quer seu filho da puta? — Vinte milhões de dólares! Você me dá o dinheiro e eu saio pela porta, e nunca mais você me ver novamente. – Ele livra-se das minhas mãos, dando um passo para trás. — Você ficou louco? Eu vou é lhe colocar na cadeia, isso sim, esqueceu que você é procurado pela polícia? — Não seja idiota, Ricardo, você acha mesmo que estaria aqui se corresse o risco de ser preso... Meu crime já prescreveu... Vinte milhões, e não falamos mais nisso. Soltei uma gargalhada sonora. — Edgar Guedes, pessoas como você, eu conheço muito bem, convivi com uma durante anos e sei do que vocês são capazes, só que você não me conhece... Volto a minha mesa, pego o meu telefone. — Márcio, preciso dos seus serviços imediatamente. – Desligo o telefone. — Gostei da agilidade, sabia que minha filha não iria me decepcionar; para alguma coisa ela serviu, casou-se com um dos homens mais ricos do mundo. – Ele senta-se. Alguém bate à porta, mando entrar. Márcio e mais dois trogloditas entram em minha sala. — Pronto senhor Willian. – Márcio diz já de olho no Edgar.


— Acompanhe esse senhor até o outro lado da rua e certifique-se de que ele nunca mais chegue perto da minha empresa. Márcio dá as ordens aos dois seguranças e ambos seguram cada um em um braço de Edgar. Aos berros, ele diz. — Você vai se arrepender, Ricardo, juro que farei você se arrepender. – Os dois seguranças saem carregando Edgar pelos braços peço para o Márcio ficar. Márcio senta-se diante de mim. Expliquei a ele o quanto o Edgar é perigoso, pedi para que ampliasse a segurança de Emma, Mirela e do Dylan, aumentasse o número de seguranças em torno da casa, e, de hoje em diante, Emma só sairia acompanhada por dois seguranças, e qualquer veículo ou pessoa rodando a casa ou parado perto da residência deveria ser interceptado imediatamente. Márcio confirmou minhas ordens dizendo que começaria hoje mesmo todo o serviço, inclusive ele mesmo faria a segurança pessoal da Emma. Fiquei mais tranquilo, Márcio foi embora e eu o acompanhei, já estava atrasado para ver o meu filho no hospital. Cheguei ao hospital muito preocupado, as palavras do Edgar não me saem da cabeça. Será que aquele crápula teve a audácia de chegar perto do meu filho? Isso me assusta, pois o que percebi é que ele não tem nenhum escrúpulo. Porém, o meu maior medo é Emma... Ela não pode nem sonhar que o pai voltou da terra dos mortos, não faço ideia da sua reação... Preciso conversar sobre isso com doutor Afonso, não correrei o risco, Emma não pode ter fortes emoções, e encontrar o pai seria fatal para o seu coração. Vesti a roupa de proteção e seus acessórios, entrei ao quarto do Dylan. Ele dormia tranquilamente, uma enfermeira entra para verificar se tudo está bem, aproveito e pergunto se alguém estranho veio visitar o Dylan, ela responde que o único que esteve com ele hoje foi o Otávio, passou a manhã inteira com ele. Respirei aliviado, aquele escroto do Edgar só queria me ver nervoso, mas, por via das dúvidas, reforçarei a segurança no andar do hospital, ainda bem que o meu filho receberá alta médica dentro de dois dias. Sento-me na cadeira ao lado da cama do Dylan, aproveito para verificar meus e-mails em meu notebook... — Papai... Papai! – Escutei uma vozinha quase em um sussurro. — Sim, meu amor, o que foi... ... – Respondi imediatamente... Foi então que percebi que algo naquela frase estava diferente. Fixo os meus olhos no rostinho do Dylan, ele sorri para mim, engasgo, engulo o nó que se formou em minha garganta. — Você me chamou de que Dylan? — Papai. – Ele senta-se à cama, esfrega as mãozinhas um na outra, parecia nervoso. — Foi você que colocou a sementinha do Dylan na barriga da mamãe, não foi? Meus olhos enchem-se de lágrimas, minha voz falha, limpo minha garganta, tento manter


minha calma. — Que história de sementinha é essa, Dylan? – Ele me olha com surpresa e sorri. — Vovó me disse que o meu papai de verdade plantou uma sementinha na barriga da mamãe e eu nasci! Eu sempre quis saber quem era, mas a vovó me dizia que um dia papai do céu ia “tazer” o meu papai quando eu menos esperasse. Eu pensava que o meu papai era o meu papa Otávio, mas a vovó me disse que ele é o meu papa do “colação” e eu tenho muita sorte por ser muito amado, então eu fiquei “espelando” o papai do céu me mandar o meu papai da sementinha... Fiquei sem chão, minha voz some, me deu um desespero, uma vontade de gritar... Dylan realmente é um menino muito especial, ele sabia o tempo todo que o Otávio não era o seu pai de verdade e, no entanto, ficou quieto, deixou todos pensarem o contrário. Eu acho que a vontade que ele sentia em ter um pai era tanta, que ele mesmo deixou se enganar... Limpo minhas lágrimas e minha garganta e pergunto: — Quem lhe disse que sou o seu pai? — Meu papa. – Ele começa a chorar, aquilo me quebrou o coração. — É mentira do meu papa... Você não é o meu papai de verdade? – Ele esconde o rosto nas mãozinhas e começa a soluçar... Agarrei o meu filho com força, foi o meu primeiro abraço de pai para filho, meu coração estava a galope, quase saindo pela boca... Beijei todo o seu rosto. Eu sabia que não podia fazer isso, mas fiz. — Sim, sim meu campeão eu sou o seu pai de verdade, fui eu quem colocou a sementinha na barriga da sua mamãe e você veio do mais puro amor que um homem pode sentir por uma mulher... Eu te amo tanto meu filho, sou o homem mais feliz do mundo, tenho você, você é meu filho, meu orgulho, meu tudo... Minhas lágrimas não paravam de descer, tentei me controlar, porém não consegui... Toda a emoção que não consegui expressar quando descobri que o Dylan é o meu filho, estava colocando para fora naquele exato momento, explosões de alegrias e contentamentos viraram raios invisíveis de luz, meu corpo inteiro inflava de pura felicidade, apertava meu filho com força. Nem percebi que estava o sufocando. — Papai, papai, você vai matar o Dylan de aperto... Ufa! – Soltei-o mostrando preocupação com a minha euforia. — Você está bem, meu amor? Machuquei você? – Dylan olha-me com aqueles olhinhos sorridentes. — Eu amo você papai, você fez o Dylan muitão feliz, “agola” eu tenho um papai de verdade, “agola” o Dylan tá completo, eu tenho um papai e uma mamãe... Me “ablaça” de novo papai eu gosto muito. Abracei-o, desta vez com cuidado, foi um abraço longo e caloroso...


— Meu filho lindo, símbolo do meu amor por sua mãe... Eu amo muito sua mãe, Dylan... – Olhei seriamente para ele e lhe perguntei. — Você ficaria feliz se eu me cassasse com sua mãe? Se morássemos todos juntos em uma enorme casa? — Você e minha mamãe, juntinhos, “namolando”? – Assenti com a cabeça, ele sorri levando a mãozinha a boca. — Papai, a vovó me disse que a mamãe não “quelia” me dizer quem era o meu papai, porque ela tinha medo de ficar sem eu e que não era para eu perguntar a ela sobre você por que ela ia ficar triste... E o meu papai não sabia que eu existia, mas o papai do céu daria um jeito para tudo dá certo e você me achar. Papai do céu é super mega fantástico, não é papai? — É sim, meu filho, o cara lá em cima é muito esperto, ele nos aponta o caminho sem ao menos pedirmos... — Quando posso ver minha mamãe, eu tô com saudade? Eu amo tanto a minha mamãe que chega dói o coração do Dylan. — Depois de amanhã... – Ele me olha com espanto. — Você vai para sua nova casa, sua nova vida, e sua mamãe vai estar lá lhe esperando. – Dylan solta um grito de felicidade. Uma enfermeira entra no quarto. Era o horário da medicação dele, Dylan começa a reclamar, fica nervoso; nesse ponto, ele se parece muito com a Emma, oh menino de personalidade forte, ele não tem papas na língua, reclama o tempo todo, diz que não quer o remédio, pois ele deixa sua garganta com gosto amargo, a enfermeira lhe dá um pirulito, ele rejeita, ficando muito irritado, coloco-o no meu colo, imediatamente ele agarra o meu dedo polegar e fica brincando com ele, em questão de minutos ele adormece. Eu o coloco na cama sob os travesseiros, avalio o meu filho enquanto dorme, ele está com uma aparência feliz e muito tranquila. A minha tarde foi repleta de emoções, algumas desagradáveis, mas Deus preparou a melhor para o finalzinho, meu filho se declarou para mim, teve a coragem que eu não tive, sem nenhum receio, chamou-me de papai, realmente ele é filho de Emma Lancaster Willian, forte e determinado, não poderia ser diferente. Sento-me novamente na cadeira e fico velando o sono do meu filho. As 18h15min. Mirela chega, ela passará a noite com o Dylan, contei a novidade sobre o Dylan, que já sabia que eu era o seu pai. Agradeço pelo cuidado que ela teve em revelar a verdade sobre o Otávio não ser o seu pai verdadeiro. Ela não diz nada, apenas sorri. Despeçome dela e dou um beijo em meu filho, sigo para casa, para minha mulher.


Capítulo Trinta e Dois “Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela.” (Maquiavel)

***

Quem o Ricardo Willian pensa quem é? O dono do mundo? Da verdade? Pois eu irei lhe mostrar quem sou eu! Ele acha que vai desfrutar da minha filha sem me dar nada em troca? Se não fosse por minha filha, ele não teria um herdeiro... Herdeiro! O Dylan vai herdar todo o império do Ricardo... Humm! Preciso começar a arquitetar um plano para me aproximar do meu neto. Em breve, ele precisará de um mentor, alguém que o ajude a administrar toda a sua fortuna... Afinal, o Ricardo não viverá para sempre, sabe como é, acidentes acontecem e o meu neto precisará de alguém ao seu lado. Eu sou Edgar Guedes, não tenho medo de ninguém, consegui enganar por anos uma multinacional, roubei-a aos poucos, enrolei minha esposa e fingi amor por minha filha. Afinal, tinha que passar por um homem respeitável, marido exemplar e um pai amoroso... Todos me adoravam e me respeitavam, confiavam suas vidas a mim... Idiotas! Dei-lhes o maior chute na bunda, sorri de satisfação, entro em um cyber café. Peço um cappuccino, sento-me em frente da tela do notebook. Hum! Agora vamos ver se o senhor google acha tudo... Vamos ver... Pietra Stuart, pronto. Puts! Não é que isso funciona mesmo. Aqui está o endereço da belezinha que vai me ajudar a pegar o senhor Ricardo Willian de jeito. Anotei o endereço, paguei o café e o serviço, e fui ao meu encontro milionário. A casa da ex do Ricardo é um espetáculo. Essa Pietra é uma pessoa de dotes, seu pai deve ser muito rico, na pressa nem verifiquei a sua linhagem. Fui barrado na guarita de segurança. Avisei que vim conversar com Pietra Stuart um assunto de extremo interesse dela. O segurança ligou para residência, em seguida ele me pergunta qual era o meu nome. Digo o meu nome e completo dizendo ser o sogro de Ricardo Willian, o pai de Emma Willian. Ele me manda entrar. Sou seguido por outro segurança até o hall de entrada da casa. Eles vivem bem, a casa é muito bem decorada, com requinte. Sou recebido por um empregado que me leva até uma sala, que tudo indica ser um escritório. Um senhor, aparentando ser bem mais velho que eu, está sentando atrás de uma mesa, dedilhando sobre ela impacientemente, a moça que eu vi saindo da sala do Ricardo logo cedo está a sua direita


de pé. — Boa tarde! – Digo, abro um dos meus sorrisos conquistadores. — O que quer? Veio tomar as dores da sua filha? – A moça diz com raiva. — Calma, minha filha, deixe-o falar. – O Stuart me avalia, esse velho não me engana. — Seu pai tem razão, linda moça, acalme-se, não vim pedir satisfação, vim lhe oferecer a oportunidade de se vingar do Ricardo. Stuart levanta-se. — Vingança! E quem lhe disse que queremos nos vingar do Ricardo, você acha mesmo que somos trouxas, você é o pai daquela lá, que roubou o noivo da minha filha. Pare de dissimulação e diga logo para o que veio. — Pietra, posso chamá-la assim? – Ela nada diz, fica parada feito um poste. — Você não tem mais esperanças de voltar para o Ricardo, pois o meu genro está completamente apaixonado por minha filha, então... Por que não usamos esse amor que ele sente por ela para arrancarmos muito dinheiro dele. Stuart solta uma sonora gargalhada. — Você quer dizer a mim, que está querendo extorquir dinheiro do seu genro usando a sua filha? Está escrito imbecil em minha testa, você não precisa fazer isso, já tem a faca o queijo na mão... Diga logo, foi aquele cretino do Ricardo quem lhe mandou aqui, ele quer me processar e quer provas que quero extorquir dinheiro dele... – Stuart levanta-se e vem em minha direção. — Dê o fora da minha casa, seu moleque de recados. Ele cuspia raiva, parece que as coisas entre o Stuart e o Ricardo não estavam boas, vou usar isso a meu favor, penso. — Acalme-se, quem lhe disse que sou bem-vindo a família Willian? Também fui escorraçado do escritório dele, fui jogado na rua pelos seguranças, feito um cachorro sarnento. Só queria um pouco de dinheiro e ele me negou, eu e minha filha não nos damos bem, ela e a mãe me odeiam e o Ricardo me quer longe delas. Então, dei o meu preço, só que ele não aceitou, escorraçou-me de lá, e agora perdi a chance de encher minha conta bancária. Pietra tenta falar algo, porém o velho a manda calar a boca, mandando-me prosseguir. — Então... – Sento-me cruzando as pernas, pergunto se não nada para beber naquela casa. Ele me serve uma dose de scotch. — A Emma é o tesouro dele, por ela, ele abre os cofres. – Fixo o meu olhar em Pietra. — Sinto muito, Pietra, mas você não tem chance alguma de voltar para o Ricardo; no entanto, você poderá ficar muito rica e assim terá quantos “Ricardos” quiser, é só seguir o meu plano. — Que plano? – Pergunta Stuart todo curioso, agucei as cifras em sua cabeça. — Vamos sequestrar a Emma.


— O quê! Como assim? – Pietra salta os olhos, seu olhar brilhou, deu até medo da sua euforia. — Suponho que você já tem tudo esquematizado, e quanto seria esse tal resgate. Stuart se interessa logo, percebo sua ambição. — Cinquenta milhões de dólares, dividido por três, mais as despesas. – Ele me pergunta para quando seria o sequestro, então explico em detalhes. – É o seguinte, isso não é tão simples assim, para que tudo dê certo, é preciso planejamento, controle e paciência, não vamos sequestrar a Emma amanhã nem depois... Talvez durem meses para isso acontecer, precisamos estudar todos os passos do Ricardo e de todos, inclusive os seguranças, pois tenho certeza de que depois da minha visita à sua empresa, Ricardo vai reforçar a segurança em torno da Emma, teremos que ficar atentos a tudo, até a vida particular de cada um. Temos que estudar o local do cativeiro, tem que ser um local confortável, de fácil acesso e movimentado, de preferência um hotel, ninguém vai imaginar que um quarto de hotel é um esconderijo de um sequestro. Vamos contratar pessoas que possamos confiar para cuidar da Emma, pois em hipótese alguma ela pode desconfiar que estamos por trás do sequestro, só iremos pegar o dinheiro, mas a Emma não pode nem sentir o nosso cheiro. Quando tudo isso estiver no controle, então vamos esperar uma falha. De alguma forma, Ricardo e os próprios seguranças vão abrir a guarda, é nessa hora que a pegaremos... Entenderam, sem risco de sermos descobertos, vamos ficar ricos e devolveremos a Emma sã e salva para o Ricardo, ninguém se machuca, ninguém é preso e todos saem no lucro. — Aceito. – Pietra diz rapidamente. Ela tem um brilho no olhar sinistro, seu riso de canto de boca me arrepiou. — Pode contar comigo, quero o Ricardo bem desesperado, ele não disse que sou uma mercenária? Então, agora a minha vingança será doce... Quem disse que vingança é um prato que se come frio... Esse prato vai ser saboreado bem quentinho... – Ela vem até mim, estendendo a mão, eu a seguro e ela me pergunta curiosa. — Aceito, quando começamos a arquitetar o plano? — Também aceito, podemos começar agora. – Stuart também estende a mão e selamos o nosso compromisso. Naquele dia mesmo começamos a estudar todas as nossas estratégias, começamos com as pessoas que iríamos contratar, não esquecemos nada, fui convidado a me hospedar na casa deles, assim poderíamos agir mais rápido com as contratações dos funcionários. Fizemos orçamento de tudo... Telefones celulares, automóvel a alugar, os hotéis discretos, e as opções de como e onde seria o possível sequestro de Emma. Pietra era a mais animada, e os seus palpites eram muito bons...

...Dois dias depois, mansão Willian.


Hoje o Dylan virá para casa, estou uma pilha de nervos, meu coração bate tão acelerado que mal consigo respirar, minhas mãos estão formigando, não me sinto nada bem... A cada segundo que passa fico muito mais nervosa, minhas lágrimas teimam em escorrer por meus olhos, acho que não suportarei esse reencontro com o meu filho... Minha boca está tão seca e o meu corpo está trêmulo. Já escutei o som da voz do doutor Afonso, já percebi que toda vez que estou preste a receber uma notícia ou algo sério está para acontecer, Ricardo chama o doutor Afonso... Ouço passos vindos em direção ao quarto, fico na expectativa da entrada do Afonso... Só que não é ele quem entra, é Ricardo; e logo de cara ele percebe o quanto estou nervosa. — Meu amor, você está sentindo algum desconforto? Não minta para mim, preciso saber em detalhes o que está sentido. Ricardo me olha com tanto carinho que minha única vontade é me atirar em seus braços e é o que faço. — Eu mal consigo falar Ricardo. – Minha voz sai arrastada, minha respiração está ofegante. Estou tão trêmula que posso ouvir meus dentes batendo um no outro. — O Dylan chega que horas? — O Otávio ficou de me ligar quando ele estiver próximo. Ricardo e o Otávio estão mais próximos agora, ele percebeu que o Otávio é um aliado e não um inimigo; apesar de o Ricardo cismar com o Otávio em relação a mim, o seu ciúme e o seu controle às vezes, me deixam com muita raiva, mas preciso aprender a conviver com o meu marido controlador e possessivo. Ricardo me observa longamente, quando ele faz isso, sei que tem algo a me dizer. Ele sentase na cama, encosta-se a cabeceira e me puxa para o seu peito, abraçando-me com carinho. — Meu amor, tenho algo para lhe contar, é muito sério e diz respeito a sua saúde, preciso que me escute com atenção, ok? — Estou morrendo, é isso? Por isso passo mal toda hora, por isso me sinto uma inútil, é isso Ricardo? — Ei! Psiu! Quer me escutar, minha moça teimosa. Ele me puxa pelos meus ombros, fazendo-me virar para ele. Ricardo me devolve aos travesseiros, ajeitando-os de forma confortável. — Não sei como começar esta conversa, Emma, pedi ao Afonso para lhe contar, só que não sei por onde começar, então serei direto, mas antes quero que saiba que você ficará bem, é só seguir à risca as ordens médicas e me obedecer. Ricardo respira profundamente, e despeja tudo sobre minha doença, me diz o quão grave ela é, e completa que não saberá viver sem mim caso algo aconteça comigo, explica-me em


detalhe sobre o tratamento e, em último caso, terei que recorrer a um transplante de coração. Foi aí que entendi o porquê que ele vivia pisando em ovos quando tinha que me contar algo, entendi sobre os seus cuidados exagerados, e toda a sua atenção para me manter afastada de qualquer problema. Deus foi muito bom comigo, ele me deu o melhor homem que uma mulher poderia pensar em ter em sua vida. Chorei muito, o medo me consumia, não quero morrer, não quero deixá-los... Ricardo me abraça, beija meus lábios com carinho e muita paixão. Ele me pede para me manter calma, pois o seu medo é que o meu coração não suporte a emoção de rever o Dylan, após tanto tempo, ele me contou que o Dylan já sabe sobre a minha doença, só não disseram a ele que posso morrer... Dylan sabe que estou muito doente e preciso de muitos cuidados e atenção. Agarro-me ao Ricardo, choro muito, digo-lhe que não quero perder as pessoas que mais amo na vida... Ricardo começa a chorar também e me promete que não deixará nada de ruim me acontecer... Terminei adormecendo em seus braços... — Mamãe... Mamãe! Sou eu, o seu Dylan... Mamãe, fala com eu. Fui despertada por uma vozinha doce e cálida. Abro os meus olhos languidamente, piscando várias vezes, até me acostumar com a claridade do quarto... Lá estava ele... A razão dos meus dias serem os mais lindos do mundo... Meu filho lindo, símbolo de um amor que precisou passar por tantos percalços para poder chegar ao limiar da sua mais pura essência. Olhei em volta do quarto, estavam todos ao meu redor. Minha mãe, Otávio e Simone, Afonso e o meu amor, Ricardo... Todos com muita preocupação no olhar, Ricardo senta-se ao meu lado, segura em minha mão, beijando-a em seguida. — Nosso filho está em casa, meu amor, completamente curado, isso é maravilhoso não mesmo? Agora é só vida, muita vida. – Ricardo coloca Dylan em seu colo; meu filho ainda usa uma máscara no rosto. Dylan olha para o Ricardo e pergunta com voz baixa. — Papai, eu posso abraçar e beijar a minha mamãe, o Dylan tá com muita saudade, o meu “colação tá” doendo de tanta saudade, eu posso, posso papai, diz que eu posso, por favor, papai. Todos riram com a franqueza do meu filho. Foi o doutor Afonso quem se manifestou. — Pode sim, Dylan pode beijar a sua mamãe. Não deu nem tempo de pensar, quando vi Dylan já tinha pulado do colo do Ricardo e estava em cima de mim, foram muitos beijos, abraços e palavras de carinho que recebi do meu filho maravilhoso. — O Dylan ama muito a mamãe, eu “quelo” que fique boa logo mamãe, “pla” gente “blincar” muito, viu... – Fui cercada de beijos, Ricardo precisou arrancar Dylan de cima do meu corpo, pois já estava me sentindo sufocada, mas valeu a pena, meu filho está de volta e junto com ele a sua alegria inocente.


...Meses Depois Estou deitada em meu quarto, e daqui de cima consigo escutar as risadas do Dylan e do Ricardo, esses dois não se largam. Fecho os olhos e volto há dois meses, dois dias antes de o Dylan receber alta. Ricardo chegou em casa todo feliz, com lágrimas nos olhos, ajoelhou-se aos meus pés me pedindo perdão por todo o mal que me fez passar... Não entendi nada, quem deveria ficar de joelhos seria eu, pois fui eu quem escondeu o Dylan durante anos, fui eu quem o impediu de viver os primeiros momentos de vida do seu filho. Fiquei com raiva de mim mesma, gritei com o Ricardo e o mandei levantar, chorei muito só por vê-lo de joelhos, o monstro ali era eu e não ele; pedi pelo amor de Deus que se levantasse, porém ele ficou ali, agarrado às minhas pernas, pedindo-me perdão e só se levantou quando lhe disse que o perdoava. Ricardo me suspendeu do chão colocando-me em seus braços, fomos para o nosso quarto. Ricardo despiu-me com o maior cuidado, deixando-me completamente nua na cama. Depois fez um show de strip-tease para mim, molhei o colchão de tesão. Jesus! Aquele homem é o pecado em forma de gente... Ele retirava peça por peça da sua roupa lentamente, rebolava gostosamente, balançava o quadril para frente e para trás imitando uma foda intensa e ainda fazia aquela cara de uma boa gozada... Fiz que ia me levantar da cama, ele me ordenou para ficar sentada, fiquei... Quando ele terminou sua dança erótica, sem modesta nenhuma segurou o seu lindo e gostoso membro e começou a masturbá-lo para mim, ele soltava chiados entre dentes esfregando a mão sofregamente em sua rigidez espessa. Lá estava eu, sentada na cama, nua, molhada e babando de tesão... Ricardo, sabendo disso, veio até mim com o seu comprimento na mão direcionado a minha boca, a cabeça brilhava com sua umidade, e ajoelha-se na cama me oferecendo aquela belezura... Não me fiz de rogada e o abocanhei com fome, chupei o líquido que saía da pequena abertura, deliciei-me com seu eixo escorregando minha língua em toda sua extensão, dei uma atenção especial as suas bolas, colocando-as em minha boca e sugando, com cuidado. Enquanto isso, massageava o seu períneo escorregando o dedo de leve em seu buraco proibido. Enquanto massageava suas pregas delicadas, volto com minha boca e língua ao seu comprimento, devorando-o por completo, mordo a cabeça da seta, depois engulo tudo novamente. Ricardo segura-me pelos cabelos com força e começa a estocar sua rigidez em minha boca. — Hum! Isso, minha mulher teimosa, chupa o que é seu, me devora... Hum a-assim! Assim, meu amor, morde... Isso, assim, ssss! – Ele silvou longamente quando a glande tocou o fundo da minha garganta. — Mulher, você me deixa fora do controle, humm! Chupa, chupa humm... Emma, porra, a-assim eu vou... Cacete mulher... Devagar Emma, caralho hummm...! Hummm! – Ricardo gozou gostoso, sentia os espasmos do meu marido, seus músculos contraídos no clímax explosivo que envolvia amor e tesão.


Não tive tempo de pensar, pois ele retirou o seu maravilhoso membro ainda duro da minha boca, jogou-me com força na cama, caindo sobre mim, só senti o seu membro escorregar em minhas carnes molhadas. Enlacei minhas pernas em volta de sua cintura e o puxei para mim, arqueei o meu quadril e comecei a rebolar em sua rigidez. Ricardo entrava, saía e rebolava, suas estocadas eram deliciosas, meu desejo por ele aumentou e logo gritei o seu nome, prendendo-me em seu corpo com força, nosso prazer veio ao mesmo tempo, sua semente jorrou quente e em abundância dentro de mim... Ficamos presos um ao outro por um tempo até recuperarmos o nosso fôlego, depois ele me levou para o banho. Quando já estávamos deitados e abraçados, ele me diz o que aconteceu e o porquê que me pediu perdão. Contou-me que o Dylan o chamou de papai e também que o meu filho já sabia que o Otávio não era o pai dele, contou-me sobre o seu plano de me afastar do Dylan, que subornou o juiz para obter a guarda do Dylan, mas revelou que mesmo que ele não tivesse feito isto, eu iria perder a guarda, porém ele confessou que todo o processo foi anulado a pedido dele. Confesso que se fosse há alguns meses teria chutado as bolas dele, mas hoje não me importo mais, eu o amo mais que tudo no mundo e sou muito feliz. Beijei Ricardo e disse que ele estava perdoado. Ricardo chorou feito uma criança, ele me ergueu fazendo-me olhar em seus olhos, nossos rostos estavam tão próximos que senti o calor da sua respiração. Ele me disse carinhosamente. — Se havia alguma mágoa, raiva ou qualquer outro sentimento ruim de mim para você, meu amor, esses sentimentos acabaram-se hoje... O único sentimento que há dentro de mim por você é amor, só amor, eu te amo, Emma Lancaster Willian. Obrigado pelo filho lindo que você me deu, obrigado por me amar, obrigado por me pertencer. Beijamo-nos apaixonadamente, nossas lágrimas se misturaram e naquela noite nos amamos mais uma vez, depois dormimos abraçados cobertos por puro amor...

***

— Pensando em mim, minha mulher? – Fui despertada pela voz rouca do meu marido, olho para ele e lhe dou o meu melhor sorriso. — Sempre, meu homem! Você vive em meus pensamentos 25 horas por dia. – Ricardo solta uma gargalhada divertida. — Desse jeito terei que lhe pagar hora extra. – Ele faz uma pausa, senta-se ao meu lado. Percebo que está preocupado, por mais que tente disfarçar não consigo fazer com que ele acredite que eu estou bem. Confesso, não me sinto bem já faz mais ou menos umas duas semanas, fico cansada com facilidade, tenho tido tonteiras e perdi o apetite completamente...


Estou muito preocupada, fazia tempo que não tinha mais nenhum sintoma da minha doença, estou fazendo o tratamento direito, sigo todas as recomendações médicas, porém do nada tudo volta. Não quero que o Ricardo sofra. Quando ele me contou sobre o problema em meu coração, fiquei apavorada, não quero morrer, não quero deixar o Ricardo, meu filho e minha mãe sozinhos, preciso deles assim como eles precisam de mim. Por isso, amanhã mesmo, vou falar com o doutor Afonso, sei que existe sigilo médico, então ele não falará nada com o Ricardo. Devolvo o meu olhar para o meu lindo marido. — Antes que pergunte... Estou bem, foi só uma dor de cabeça, não precisa ficar com esse olhar de preocupação... – Ricardo segura em meu queixo puxando-me para um beijo. — Moça teimosa, se você espirrar, ficarei preocupado, não adianta... – Ele me presenteia com outro beijo. — Quando vai entender que você é o meu mundo, meu tudo. Agora sou eu quem o puxo para um beijo, ele cai sobre mim, e suas mãos passeiam por meu corpo, explorando cada centímetro das minhas curvas. O beijo se aprofunda, entrelaço os dedos em seus cabelos empunhando força, gemi em sua boca, mordo sua língua, minha outra mão acaricia suas costas... Ricardo já ia desabotoando os botões do meu vestido, quando alguém pula sobre nós gritando de satisfação. — Papai está namorando a mamãe...! Eu vi o beijo na boca... – Ele aponta o dedo em nossa direção, não para de ri um só momento. — Beija mais papai, eu gosto de ver o beijo, beija... – Ricardo pega ele e o joga sob o colchão e começa a lhe fazer cócegas. — Olha só como o meu filho já está falando como um rapazinho... Você gosta de ver beijos, pois vou beijar você... Ricardo beija o rosto do Dylan diversas vezes, sem lhe dar sossego, ele ri alto, chega a chorar. Aproveito e tiro uma lasquinha do meu filho ajudando o Ricardo a beijá-lo. — Para papai, para mamãe, assim o Dylan fica tonto... – Paramos. Apesar da recuperação rápida do nosso filho, às vezes ficava cansado ou um pouco zonzo, quando brinca de correr ou pula com muito entusiasmo. Ficamos os três deitados na cama, Ricardo liga a TV, ele me puxa para o seu peito enquanto Dylan fica entre nós dois. — Mamãe, estou com fome. – Ricardo diz que vai buscar um lanche. Levanto-me imediatamente. — Nada disso, farei um lanche bem gostoso para os dois homens da minha vida, fiquem aí quietinhos que já volto. – Eles ficaram vendo TV, desci as escadas apressadamente e quando chego ao quinto degrau, sinto-me mal... Minha visão escurece, procurei a parede para me segurar, mas não consigo, o chão desaparece dos meus pés, sinto o meu corpo despencar lentamente, gritei o nome do Ricardo, não sei se ele conseguiu escutar, não senti mais nada


apรณs isso...


Capítulo Trinta e Três “Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida. ” (Padre Fábio de Melo)

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... Já estava me levantando para ajudar a Emma com o nosso lanche, quando escutei o seu grito de pavor; não pensei duas vezes, saí a toda velocidade do quarto, esqueci-me até do Dylan, quando ele viu o corpo da mãe caído sobre as escadas, escutei o seu grito de medo. — MAMÃE morreu! Não deixa papai, salve a minha mamãe papai, por favor! – Ele me segura pelas pernas agarrando-se a elas, eu o peguei em meus braços. — Acalma-se campeão! Ela não morreu... – Quem precisava de calma sou eu... Meu corpo todo está trêmulo. Desço as escadas com o Dylan aos braços, dois empregados correm em meu socorro. Entrego o meu filho a um deles, volto minha atenção para Emma, ela está fria e não respira, minha garganta fecha, um bolo se forma e as lágrimas teimam em descer. Dylan começa a chorar chamando pela mãe, ele fica me dando os bracinhos, quer vir para o meu colo, mas não consigo me mover. Toco o corpo imóvel de Emma, ela está tão fria... Um dos empregados me avisa que chamou a ambulância, desperto do meu pavor. Peço para ligarem para Mirela e avisá-la sobre o ocorrido, e correr para cá para ficar com o Dylan, não posso erguer a Emma do chão, não sei o tamanho de intensidade da queda, preciso esperar o socorro médico chegar. Dylan esperneia no colo da empregada soltando-se dos seus braços, ele vem até mim, abraçando-me, segura o meu rosto com as duas mãozinhas e me pergunta com tristeza na voz. — A mamãe morreu papai? – Ele engole o soluço. — Não deixa papai, como eu viverei sem ela? – Ele circula os braços em volta do meu pescoço e soluça sem controle. Trago o ar com força e lhe respondo. — Meu amor, à mamãe não morreu, ela desmaiou. – Ele volta a me olhar. — Filho você precisa ajudar ao papai, você ajuda? – Ela assentiu com a cabeça. — Você promete que vai ficar quietinho com a Marli, até a vovó chegar? Preciso ir com a mamãe para o hospital, e você não pode ir, promete ser corajoso? – Dylan me abraça novamente, num sussurro ele responde. — Eu prometo.


A ambulância chega, os socorristas imobilizam Emma e a levam para o veículo, eu lhes digo para qual hospital levá-la, pego o meu carro e sigo a ambulância, aproveito e ligo para o doutor Afonso contando tudo o que aconteceu, ele me manda ficar tranquilo, ele vai esperá-la na entrada da emergência e assim que chegar fará todos os exames necessários. Assim que desligo, meu celular toca, é Mirela, ela já está chorando, tento acalmá-la dizendo que Emma sentiu um mal-estar e desmaiou, porém, não foi nada sério, peço para que ela cuide do Dylan, pois ele ficou muito assustado, disse-lhe que assim que chegar ao hospital mando notícias. Quando cheguei à emergência do hospital de Florence, Emma já estava sendo atendida, não consegui falar com nenhum médico. Afonso já estava com ela na sala de atendimento, fiquei louco, andava de um lado para outro, as recepcionistas fugiam de mim quando me viam aproximar do balcão de informação. — Mas que merda! Será que ninguém pode me informar o estado que me esposa está? Será que não tem ninguém aqui capacitado? – Falava quase aos berros, batendo minha mão com força na bancada. Uma enfermeira aproximou-se e me disse com calma. — Senhor, acompanhe-me, por favor, até a outra sala, um médico já está vindo falar com o senhor. Acompanhei-a até a outra ala. Merda, isso aqui não pertence mais a emergência, isso quer dizer que a Emma já foi removida para outro setor, o que será que aconteceu? Ir para aquela sala, não me acalmou, só me deixou muito mais nervoso, agora fiquei apavorado. A enfermeira não responde as minhas indagações, manda me acalmar e desaparece por uma porta. Foram mais de três horas de espera... Já estava a ponto de invadir aquela porta por onde a enfermeira desapareceu... Quando dei um passo para fazer isso, doutor Afonso surgiu, vindo em minha direção. A sua fisionomia não me dizia nada, não consegui ler através do seu semblante, ele me segura pelo braço, caminhamos até uma poltrona e nos sentamos. Aquele mistério todo já estava me matando. — Afonso, você quer me matar? Pare de suspense homem, como está minha mulher, ela está bem? O seu coração piorou, é isso? Ela vai precisar de transplante? Deus! Não, não... – Pensei o pior. — Ela... Ela mor...reu – Afonso me interrompe bruscamente. — Acalme-se, Ricardo! Cadê o seu otimismo? Emma já foi avaliada e medicada, ela está dormindo. Cacete! Ele me fala isso com a maior tranquilidade. — E o que ela tem Afonso? Quero saber, ela piorou? —Emma está grávida. — Ah, sim ela está grávida... – Parei no meio da frase. Afonso fica me olhando com um sorriso nos lábios, só esperando a minha reação à notícia. — Escutei direito? Você disse que


Emma está grávida, foi isso? – Ele assentiu. — Emma está grávida de nove semanas, quase dez... Parabéns, papai! O desmaio, as tonturas, o mal-estar e a falta de apetite são por causa da gravidez. – Ele segura uma das minhas mãos e me olha seriamente. Agora eu gelei. — Agora vamos falar sério, você sabe que o coração da Emma não anda bem, e com a gravidez ela vai dividir tudo do seu organismo com o bebê, principalmente o sangue, todo o cuidado será pouco em relação à Emma, ela precisa ser bem acompanhada e monitorada com frequência, uma gravidez normal exige uma visita diária uma vez por mês ao obstetra. Emma precisará fazer visitas de no mínimo uma vez por semana. Não será fácil, Ricardo, prepare-se. — Não se preocupe Afonso, serei a sombra da minha moça teimosa... Puta que pariu, serei pai novamente, cacete! O Dylan vai ficar tão feliz quando souber. – Volto-me para o doutor Afonso e lhe pergunto. — Emma já sabe que está grávida? — Não, deixei para você essa função. Pronto para ver a futura mamãe? Fomos até o quarto da minha mulher e futura mamãe... Não sei explicar, talvez seja a emoção do momento, mas quando entrei no quarto senti uma energia cercar o corpo de Emma e uma sensação calorosa em todo o meu corpo, era como se fosse um abraço terno... Um abraço que há muito tempo não experimentava... O abraço da minha mãe amada sorri feliz, fiquei imaginando se ela estivesse viva o quanto estaria emocionada com este momento, ela sempre dizia que gostaria de ver a nossa casa cercada de crianças correndo por todos os cantos... Com certeza, esteja onde estiver, ela estará feliz por mim... Repentinamente, senti um calor em meu ombro, foi uma sensação de uma mão tocando-o e massageando com carinho, olhei por cima do meu ombro, mas não vi ninguém... Minha nunca se arrepiou, voltei a fixar os meus olhos em Emma e como por encanto vi uma luz sobre ela... “Nossa mãe do céu, estou tendo alucinações!” Penso comigo. Fiquei estático, vendo aos poucos a luz ir desaparecendo. — Ricardo! Ricardo! – Sou despertado do meu transe pela voz do Afonso. — Você viu aquilo? – Apontei para Emma. — Vi o quê? – Afonso me pergunta olhando em direção a Emma. — Aquela luz... Foi a coisa mais linda que já vi! – Antes que o Afonso responda, Emma acorda chamando por mim. — Amor, onde está a enfermeira que estava a pouco aqui...? – Emma tenta se levantar, porém Afonso a proíbe. — Onde ela está? Ela me deu um remédio, fez passar minha dor de cabeça. Afonso me olha com espanto, sabíamos que não tinha nenhuma enfermeira. — Oi meu amor... Como você está se sentindo? – Tento distrai-la.


— Chama ela amor, quero agradecer, passou rápido a dor... Pensei que ia morrer de tanta dor... — Meu amor, você estava sonhando, não tinha enfermeira nenhuma aqui... E você não estava com dor, foi só um sonho... — Eu não sou doida, Ricardo Willian... Ela me disse até o nome dela, chama-se Esther, tem cabelos negros, olhos cor de mel e o sorriso dela se parece com o seu. Aliás, ela lembra-me você. Ande, chame logo ela. Quase tenho uma síncope... Emma acabou de descrever a minha mãe, um arrepio percorreu minha nuca, nossa! — Meu amor, você sonhou com essa mulher e o sonho foi tão real que você pensa ter vivido. Sento-me à cama e seguro as suas mãos trazendo-as para os meus lábios. — Ricardo, não fica me olhando com essa cara de medo... Diz-me logo o que eu tenho... É o meu coração, ele piorou, vou precisar de um transplante é isso? Fala logo! — Não! O seu lindo coração não piorou, porém de hoje em diante precisaremos redobrar os cuidados com você. Pense em um homem mandão, chato, grudento e que não vai largar de você em um só minuto... Pensou? Esse homem sou eu. Emma me olha desconfiada, uma lágrima desce dos seus olhos. — Piorei sim, não quero morrer... Morri. Ver minha moça teimosa chorar me mata, inclinei-me sobre ela e a puxei para o meu peito. — Shh! Não é nada disso... – Beijei o alto da sua cabeça, ergo-me e levo minha mão até o seu ventre. — Você acabou de me fazer o homem mais feliz do mundo, nosso amor está se multiplicando... – Os seus olhos saltam espantados, ela segura minha mão que está em seu ventre. — Um bebê? Mas você me disse que não podia ter mais filhos, como isso pode acontecer? – Encolho os ombros e sorrio modestamente. — Ricardo Willian, o senhor mentiu para mim! – Começo a rir alto. — Eu não menti só não lhe contei a história toda... — Seu sacana... Vou lhe quebrar a cara, deixa só eu me recuperar. – Ela tenta me bater, seguro os seus punhos. — Lembra-se de Leopoldina? Pois é, fui para lá iniciar um tratamento e não é que o tratamento funcionou... Agora serei pai novamente e, desta vez, você não fugirá de mim, dona Emma. – Ela baixa os olhos, envergonhada, e me arrependo de ter dito isto. — Você ainda não me perdoou. – Ela murmura. — Há muito tempo... Desculpe-me, só estava brincando. Amo você, minha moça teimosa,


amo mais do que minha própria vida. – Ela fixa os olhos aos meus e sorri. Emma volta o olhar para o seu ventre e começa a acariciá-lo. Lágrimas começam a deslizar por sua face. A ficha dela caiu e agora ela percebeu que espera outro filho meu. Aos poucos, seus soluços aumentam e o seu corpo fica trêmulo. Afonso, que até a pouco só nos observava, aproxima-se rapidamente. — Emma, acalma-se, nervosismo não fará bem a você nem ao bebê. Acalme-se. Ela continua chorando, entro em desespero. Afonso nos deixa sozinho. Entre soluços, ela fala. — E se eu não conseguir, e se o meu coração não suportar minha gravidez até o final... Ricardo... Quero muito lhe dar este bebê, promete para mim, prometa... – Ela soluça alto, eu prometo mesmo sem saber o que é. — Prometa, se você tiver que escolher entre mim e o bebê você escolherá o nosso filho, devo isso a você, prometa-me... Emma começa a sentir falta de ar... Não iria prometer isso a ela, fiquei sem saída, procuro uma desculpa... Quando ia falar, Afonso entra no quarto com duas enfermeiras. Ele administra algo em seu soro, e aos poucos ela vai adormecendo. Puts, graças a Deus! Essa foi por pouco. Sei que a gravidez de Emma é de alto risco, sei que ela pode não conseguir levar até o final a gestação, porém já sabia qual seria a resposta que iria lhe dar se tivesse que escolher entre o bebê e ela... Ela. Nós já temos um filho, não conseguirei viver sem minha moça teimosa. Aproveitei que Emma dormia e liguei para casa, contei a novidade para Mirela, e de longe escutei os gritos de felicidade do Dylan, quando minha sogra lhe disse que ele ganharia um irmãozinho, Mirela não conseguia esconder a preocupação sobre o estado de saúde da filha, então expliquei a ela que precisávamos ficar atentos a todos os passos de Emma. Mirela respondeu que se dependesse dela Emma não colocaria os pés no chão. Mesmo muito preocupada, minha sogra está feliz, desejei-lhe boa noite, fiquei com o Dylan mais um pouco ao telefone, depois desliguei. No outro dia, senti a maior emoção que um homem pode sentir em sua vida... Escutei os primeiros batimentos do coração da minha filha, sim filha, pois tenho certeza que será uma menina... Coraçãozinho a mil, chorei, chorei muito, se pudesse ficaria para sempre escutando aquele som. Emma não parava de rir, e me chamava de bobo, molenga... Infelizmente não deu para ver o sexo do bebê, porém a médica me disse que no próximo ultrassom eu saberia. Aproveitamos e fizemos todos os exames necessários; assim que acabou, Emma recebeu alta médica e mil e uma recomendações, e uma delas era... Nada de sexo até o próximo ultrassom...


Capítulo Trinta e Quatro “Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.” (Augusto Cury)

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Chegamos em casa após o almoço, Dylan estava no gabinete estudando, ele só voltará a escola daqui a um mês, sua recuperação está sendo motivo de estudos e alarmes, alguns médicos não acreditam que o meu filho passou por um procedimento tão delicado e nem aparenta fragilidade. Ricardo afasta todos os cientistas que querem estudar o caso do Dylan, diz que o filho dele não é cobaia nem uma aberração da medicina. Por enquanto, uma professora e uma fonoaudióloga foram contratadas para lhe dar aulas particulares. Assim que ele escutou a minha voz, saiu às carreiras da sala de estudos. Quando Ricardo viu aquele carro desgovernado vindo em minha direção, barrou Dylan em seus braços. — Hei campeão! Vá com calma, sua mamãe está muito frágil, precisa de cuidados... – Dylan me olha por cima do ombro do pai, faz uma carinha de quem não está nem aí, ele quer mesmo é abraçar a mamãe dele e pronto. — Poxa, papai, nem um abraço o Dylan pode dar na mamãe? Eu tô com muita saudade, e quero beijar o meu irmãozinho. Ricardo beija Dylan na bochecha e sorri de satisfação. — Ok, abraço e beijo podem, porém com cuidado... – Ricardo solta o menino, só que não adiantou muito a conversa, ele se joga em meus braços todo cheio de alegria. Ricardo quase tem um ataque quando me viu cair sentada ao sofá. — DYLAN! – Ricardo brada. — O que o papai lhe disse, sua mamãe está muito fraca e tem um bebê na barriga dela, tenha cuidado filho. Dylan se assusta com o grito do pai, e faz um bico de choro, morri nesse momento. Abraço meu filho com todo o carinho e o beijo... Ricardo perde o chão quando percebeu o que fez. Ele agacha-se imediatamente nos abraçando. — Desculpa campeão, não quis gritar com você, é que – Ricardo leva a mão até o meu ventre mostrando para o Dylan — tem um bebê aqui dentro e a mamãe não pode pegar peso nem se assustar, ela e a sua irmãzinha precisam de muitos cuidados e nós dois, como homens da casa, precisamos cuidar muito bem das duas, ok? Posso contar com você? – Dylan limpa os


olhinhos concordando com a cabecinha. — Bate aqui, campeão. Ricardo levanta a mão para o Dylan bater, ele bate sorrindo. Com olhos curiosos, ele pergunta na maior simplicidade. — Papai, você plantou a mesma sementinha do Dylan na mamãe? Ricardo engasgou, começo a ri. Espero ele se virar com a resposta. — Não filho, é outra sementinha, agora é uma linda menininha que vem e nós dois vamos cuidar muito bem dela. – Ele me olha piscando um olho. — E se for um menino, senhor meu marido e senhor meu filho? – Pergunto sorrindo. — É uma menina. – Os dois respondem ao mesmo tempo... — Ok! Se vocês estão dizendo, quem sou eu para contrariá-los. – Ricardo ajuda-me a levantar. — Dylan onde está a sua avó? Assim que termino a frase, mamãe entra pela porta da frente com um lindo buquê de lírios brancos nas mãos e é claro acompanhada por Afonso. Hum, desconfio que esses dois estejam indo além da amizade, ri com o meu pensamento. — Ai, meu Deus, desculpa filha, fiz o que pude para estar aqui antes de você chegar, mas aqui estou, como você está se sentindo? É melhor levá-la para o quarto Ricardo. Mamãe agora assumiu o papel de mãe desde que soube do meu problema de saúde, até que eu gosto nunca me senti tão amada por ela como me sinto agora. — Pode parar! – Disse rapidamente. — Vocês não vão me isolar num quarto, longe de tudo e de todos, posso andar e cuidar do meu filho e do meu marido sei que preciso desacelerar, mas não estou inválida... Sem exageros, por favor. Ricardo olha para Afonso pedindo socorro. — Você falou a palavra, senhora Willian... Sem exageros! Mais descanso e menos trabalho, ok? – Afonso diz brandamente. — Mas que saco, Afonso, agora é que esses dois vão me trancar em um quarto e nem banho vou poder tomar sozinha... – Ricardo abre um lindo sorriso quando falo do banho, entendi a sua intenção. Baixei o meu olhar engolindo minha ansiedade. Ricardo disfarça sua ousadia mudando o foco do assunto. — Quais as novidades? – Ele olha para o Dylan, que estava nos olhando sem entender nada. — O papa ligou, contei a ele que a mamãe tem um bebê na barriga, ele ficou muito feliz. – Dylan olha para o Ricardo sorridente. — O papa disse que quando ficar bom, ele vai me levar para conhecer Portugal, você deixa papai? — Claro que deixo campeão.


— Mamãe! A dinda mandou um beijão para você, disse que quando voltar, o bebê já nasceu e ela vai ser a pe-di-a-tra dela. – A professora do Dylan chama por ele, que pede licença e vai com ela. Otávio e Simone foram passar uma temporada em Portugal, assim que Dylan recebeu alta médica, os dois precisavam desse tempo juntos, ela foi fazer um curso de especialização em sua área. Otávio foi estudar sobre empreendedorismo, o amor dos dois triplicou e eles estão felizes, pelo menos minhas atrapalhadas serviram para juntá-los, espero que logo o fruto desse lindo amor nasça eles merecem esse presente. Mamãe e Afonso vão para cozinha. Sinto os meus pés serem suspensos do chão, Ricardo me põe em seus braços, levando-me para o quarto e me calando com um beijo. Ricardo me senta à cama, volta até a porta e a tranca a chave. — Agora sou só eu e você, minha moça teimosa... – Seus olhos me avaliam, ele passa a ponta da língua em seus lábios, aquilo fez meu clitóris vibrar. — Sei que não podemos fazer amor, mas podemos brincar de fazê-lo, e agora minha gatinha safada, quero muito brincar de fazer amor e você será o meu brinquedo... Jesus! Meu corpo arrepiou-se, definitivamente esse homem derruba todas as minhas estruturas, meu juízo foi para o espaço. Abri o meu mais lindo sorriso para o meu homem. Ricardo vem até mim, agacha-se e começa a me despir. Fico completamente nua. — Cacete...! Você é a mulher mais linda do mundo, – ele me beija a boca, depois me morde o queixo. — Não vejo a hora de fazer amor com você quando estiver com o maior barrigão, já fiquei duro como ferro só de pensar nisso – ele silvou entre dentes. Ricardo risca a ponta do dedo entre minhas coxas tocando a rachadura do meu monte, ele pressiona lentamente o dedo forçando a entrada, seu dedo indicador escorrega deslizando por minhas dobras molhadas. Tento abrir minhas pernas, mas a voz rouca do meu marido ordena. — Nem tente, mantenha-as bem fechadas... O dedo espesso do meu marido encontra o meu botão rígido, sinto sua carícia, ondas de prazer me invadem, meu corpo se arrepia e um gemido escapa da minha boca, humm! Cristo! Ricardo continua explorado meu sexo, outro dedo é adicionado as minhas dobras, um me penetra lentamente e outro acaricia meu botão pulsante. — Ricardo, preciso afastar minhas pernas. – Murmurei com tesão. — Não! – Ele fala com dureza. Sua outra mão toca os meus seios nus, meus mamilos estão doloridos de tão rígidos. Os dedos do Ricardo brincam com eles, a carícia parece mais uma tortura alucinante, aos poucos seus dedos pressionam meus bicos, arde, porém, é um ardor gostoso, minha fenda encharca e meu marido aproveita-se disso socando seu dedo em minha abertura apertada.


— Gatinha safada, você está do jeito que o seu homem gosta, molhada, quente e apertada. Ricardo retira os dedos na hora em que já ia gozar, olhei para ele desesperada, meus olhos já reviravam. Ele sorri, sua mão empurra meu corpo lentamente para o colchão, deito-me. Ricardo coloca minha perna direita em seu ombro esquerdo e minha perna esquerda em seu ombro direito, depois me puxa para ele me sustentando com as mãos em minha bunda, fiquei completamente aberta para o deleite do meu marido, meu sexo exposto para a sua visão, boca, língua e dentes, sustento-me pelos cotovelos, eu queria ver aquilo, eu queria ver meu marido me devorar literalmente... E ele faz... Nossa senhora! O homem enche a boca de boceta. Ele me come insaciavelmente, de onde estou só consigo ver a sua testa, pois o seu rosto está totalmente entre minhas pernas, cada raspagem dos dentes do Ricardo em meu clitóris me leva à beira do desespero, tento de todo jeito fechar minhas pernas para aliviar meu tesão, porém ele não permite, sua língua desliza por minhas dobras, chupa com força meu botão sugando-o.... — Oh meu Deus! Ri..cardo humm... Ele não tem piedade do meu desespero, me segura só com uma mão enquanto a outra vai direto a meu sexo escorregadio, dois dedos me penetram enquanto sua boca chupa o meu botão rígido, arfei. Arqueio o meu quadril com força e aperto o edredom com minhas mãos. Ricardo me chupa e me morde sem dó, gemidos baixos escapam de sua garganta, ele estava delirando em minha humilde boceta. Na última chupada, não consegui segurar o meu tesão... E o meu prazer veio ferozmente. Ricardo prende a boca em meu sexo, sugando-me, extraindo de mim todo o meu suco, ele não me solta até o meu corpo voltar ao normal, meus espasmos desaparecem e o meu coração volta a bater normalmente. O rosto do meu safado marido está completamente lambuzado dos meus sucos, ele sorri descaradamente. — Você é uma delícia, minha gatinha safada, beberia e comeria você sem intervalos... – Quando pensei que ia me divertir também, meu maravilhoso marido levanta-se e me põe no colo e me leva para o banheiro. Não consigo abrir a boca para reclamar, ele rouba meus lábios em um beijo possessivo. Sou colocada dentro do boxe do banheiro, ele liga a ducha e manda-me ficar quieta, enquanto se despe apressadamente, nossa! Sua tora linda está apontando para cima, à cabeça brilhava de tão lubrificada que está, passo a minha língua em meus lábios, louca para provar aquela tora que é toda minha. Ricardo percebe minha intenção e a segura com uma das mãos, massageando todo o seu eixo rígido. Babei, quero aquilo tudo em minha boca. Ricardo chega perto de mim, não consigo tirar os meus olhos do seu membro... Sabe aqueles cachorrinhos loucos por seu brinquedo, sou eu... — Você quer gatinha? Quer para você, quer ele todinho em sua boquinha linda. – Ele entrelaça os dedos em meus cabelos, puxando-os para trás, forçando-me fixar os meus olhos nos dele, sua voz é exigente, possessiva. — Hein! Responda porra, você o quê? – Ricardo exige,


puxa os meus cabelos com força. — Olhe para mim e me responda porra! – Depois de uma ordem dessas, é claro que disse sim. — De joelhos, de joelhos, Emma, e olhando para mim. – Ele jogou uma toalha ao chão e eu me ajoelhei e em nenhum momento afastei os meus olhos dos dele. — Abra boca e coloque a língua para fora. – Assim eu fiz. Ele deslizou sua tora linda entre os meus lábios lentamente, seu membro escorregou por minha língua até desaparecer da minha visão... Quase engasgo, porém me mantive firme, respirei pelo nariz e relaxei a garganta. — Isso, relaxe a garganta, humm, olhe para mim! – Ai, meu Deus, esse homem quer me matar, sua voz austera e carregada de tesão me deixava louca. — Você só ficará de joelhos diante de mim, só se for para me ter dentro da sua boca, fora isso nunca mais se humilhe, nunca mais, entendeu Emma... Entendeu? – Assenti com a cabeça. — Agora me devore minha mulher, chupe o pau do seu marido com vontade. – Eu fiz, Ricardo me segura o rosto com as duas mãos e começa a mover o quadril para frente e para trás, ele socava o seu membro até bem no fundo da minha garganta, ficando parado por alguns minutos, depois retira o membro só deixando a glande entre meus lábios, socava novamente, o seu entra e sai aumentou, ele rosnava com tesão, Deus meu! Os músculos das suas coxas se contraem e escuto um grunhindo alto, tremores surgem em todo o corpo do meu marido e sua semente é jorrada em minha boca, engulo tudo com satisfação, limpo todo o seu eixo com minha língua e ainda de joelhos sorrio para ele, satisfeita. Ricardo ajuda-me a levantar quando estou de pé, ele fica de joelhos... Deus, minhas pernas estão bambas, não vou aguentar gozar novamente. Ele beija meu monte, passa o nariz sobre ele e sua boca escorrega até o meu ventre. Ricardo começa a beijar minha barriga por toda a parte... — Minha filha linda, papai te ama, te ama muito cuidarei de você da sua mamãe e do seu irmãozinho com todo o amor que tenho dentro de mim, hoje eu sou o homem mais feliz e realizado do mundo. – Ele olha para cima procurando os meus olhos, estou chorando e ele também; de joelhos, ele me diz. — Você é minha razão de viver, minha esposa linda, nunca mais duvide disto. – Ricardo levanta-se, banha-me, banha-se e voltamos para cama. Ricardo não me deixa nem me vestir, ele que me veste; depois se troca e deitamos agarradinhos.


Capítulo Trinta e Cinco “Em certos momentos, os homens são donos dos seus próprios destinos.” (William Shakespeare)

***

...Casa dos Stuart

— Aquele mentiroso dos infernos... Olha aqui, papai, olha a manchete dos jornais, aquele cretino me enganou. — Por que você está tão nervosa, Pietra, hein? Nós vamos ficar milionários, esqueça o Ricardo, filha, ele agora é carta fora do baralho; você é linda e logo uma fila de homens lindos e podres de ricos se formará loucos por você. — Ela está grávida, aquela idiota está grávida... Será que não entendeu papai, além de me roubar meu homem, ela engravidou dele novamente, e o cretino me disse que não podia ter mais filhos... Eu sou uma grande retardada, burra, burra... — Pare Pietra! — Que merda está acontecendo aqui? Escutei os gritos da sua filha lá de fora. Pietra está visivelmente transtornada, seus olhos estão saltados para fora, com certeza essa moça não está bem. Sei que ela nutre pelo meu genro uma paixão obsessiva, e isso não é bom, temo que ela coloque nosso plano a perder por causa dessa ideia fixa de querer reconquistar o Ricardo. Quando entrei na casa, ela estava aos gritos com o Stuart, ela sempre foi obediente ao pai, falava baixo e nem olhar para ele, ela o faz. De uns dias para cá ela mudou, Pietra desafia e peita o pai, sem temor algum, anda fora do controla, quer saber de todas as nossas estratégias para sequestrar a Emma. Fico de pé esperando a resposta. Pietra vira-se, pega a revista das mãos do pai e vem até mim. — Ela está grávida... A imbecil da sua filha engravidou do meu homem. – Ela atira a revista em meu rosto. — Quando vamos sequestrá-la? Quando, porra? Jogo a revista ao chão. — Só faltam alguns detalhes... – Respirei fundo. — Que notícia maravilhosa. — Pietra olha-me com espanto. — Pietra, essa gravidez só irá nos favorecer, agora podemos aumentar o preço do regaste, pense comigo... Ricardo pagará qualquer preço que


pedirmos sem contestar, ele não vai pôr em xeque a vida dos dois, caralho! Ganhei o dia. — Só você mesmo Edgar, para achar essa notícia maravilhosa. – Pietra vem até mim furiosa e dispara toda a sua raiva. — Se depender de mim, essa criança não nasce ou, talvez, quem sabe, nasça órfã de pai, só vai depender do Ricardo. – Ela afasta-se, mas consigo ver suas têmporas pulsarem. Pietra está completamente possuída pelo rancor e mágoa, não a reconheço mais. — Pietra, o que você quer dizer com isso? Não ouse estragar os nossos planos, tem muito dinheiro envolvido, controle o seu ciúme possessivo. – Stuart brada para filha. — Se contenha Pietra Stuart, valorize-se. — Esqueçam-me, tratem logo de agir com o plano do sequestro e podem ficar com todo o dinheiro, não vou precisar dele, só quero o Ricardo, só entrei nessa tramoia toda por causa dele... Façam a sua parte, que farei a minha. E agora Edgar, qual é o plano? Fiquei preocupado com Pietra. Stuart olha-me como se me pedisse ajuda para controlar a filha, dei de ombros. Sentei-me e começo a explicar o que acontecerá de hoje em diante. — Agora, com esta notícia fabulosa, pois serei avô novamente, precisamos manter a calma e sermos astutos. Já coloquei duas pessoas de inteira confiança minha na escola do menino Dylan, pois é lá que vamos pegar a Emma; porém, sem pressa tudo tem que ser medido com responsabilidade. O quarto do hotel já foi alugado, fica na periferia da cidade, é bem discreto e confortável. O motorista e segurança da Emma já foi investigado por mim, ele tem um filho que mora com a mãe, e é este filho que vamos usar para afastá-lo da Emma. Sem pressa, ninguém pode perceber que estamos envolvidos neste sequestro, pegaremos o dinheiro, devolvemos minha filha sã e salva e damos o fora do país. Ninguém é preso, ninguém é morto, ninguém se machuca certo? Certo, Pietra? — Quanto tempo para isso acontecer? Vai demorar muito? – Pietra mostra-se muito impaciente, levanto-me vou até a porta que leva ao jardim e lhe digo. — O tempo que for necessário, levei anos para dar o desfalque na empresa na qual trabalhava, foram longos anos, porém arranquei todo o dinheiro deles e nunca fui pego, nem minha família nunca desconfiou de mim, não será agora que falharei. – Volto-me em direção de Pietra. — Preste atenção, Pietra... Você não vai fazer nenhuma besteira, é muito dinheiro envolvido, acalme-se... – Aproximo-me e a seguro pelos ombros, falo fixando os meus olhos nos dela. — Sem machucar ninguém, entendeu Pietra, principalmente minha filha. – Solto-a e saio da sala, vou direto para o meu quarto, estou hospedado aqui desde o dia que entrei nesta casa e fizemos o pacto para sequestrar a Emma. Pietra me segue, porém para direção oposta, ela vai direto para a porta de saída, Stuart fica no gabinete, ele não faz outra coisa na vida a não ser jogar pôquer online, é um viciado extremo, esquece-se de tudo, passa horas na frente do computador jogando. Subo as escadas com pressa e alguém me espera em meu quarto. Tenho certeza de que ela está completamente nua e molhada, louca para ser fodida gostosamente por um homem de


verdade... Louise, minha anfitriã e amante. Louise é uma mulher muito bonita e tem um fogo do cão. Adora sexo, aquele jeito de mulher recatada me deixa louco de tesão, foi muito fácil seduzi-la, ela está na seca há um bom tempo, já que o Stuart só pensa em jogar pôquer.

...Meses depois... Hoje o Otávio e Simone chegam de Portugal, resolvi fazer uma festinha em comemoração ao seu regresso. Ricardo ainda não vê Otávio com bons olhos, ainda sente ciúmes, apesar de saber que nunca existiram sentimentos entre mim e ele, porém Ricardo me confessou que não suporta os pensamentos que chegam em sua mente, ele vê Otávio me tocando em todo o meu corpo e isso lhe deixa muito louco, Se ele pudesse, deletaria essa parte da minha vida e o único homem que me tocou seria só ele. Meu marido é um homem extremamente possessivo e ciumento, não conhecia esse lado do Ricardo, até que gosto, nunca me senti tão desejada e amada assim. Já estou com mais de oito meses de gestação, minha barriga está enorme, Ricardo não me larga por um minuto, quando estamos em nosso quarto, ele tira toda a minha roupa só para ficar me olhando e me acariciando, não posso fazer amor desde que completei seis meses por medida de precaução, foram muitas idas e vindas ao hospital, três tentativas de aborto, e uma parada cardiorrespiratória; minha gestação exigiu muito do meu coração, precisei parar com alguns medicamentos e isso não ajudou muito. Todos ficam de olho em mim a cada respiração profunda que dou. Dylan está em uma felicidade que não tem tamanho, sua recuperação foi extraordinária e já voltou às suas atividades normais, mas sua diversão favorita é conversar com a sua irmãzinha, e ela responde a todas as suas perguntas, toda vez que ele lhe diz algo, ela mexe em minha barriga. Dylan enlouquece com isso, diz que sua irmã já conhece a sua voz. Ricardo foi buscar Otávio e a Simone no aeroporto e Dylan foi junto. Preparamos um almoço para recebê-los, mamãe que comandou tudo, não posso andar muito, canso-me rápido. As 11h40min eles chegaram, Dylan não parava de gritar. — Mamãe, mamãe, o papa trouxe um monte de presente para eu, uma mala cheia, ele disse que achou o rex grandão, desse tamanhão. – Ele abre os bracinhos para me mostrar o tamanho do rex. — Trouxe presente também para as duas princesas. – Otávio fala todo sorridente olhando para mim, aproxima-se e me beija a testa, afasta-se e me avalia de cima abaixo. — Nossa! Você está linda, lembro-me de quando o Dylan estava aqui dentro. – Ele toca em minha barriga. — Lembra-se? Quando eu a tocava, ele fazia a maior festa... – Ricardo limpa a garganta, olhei para ele e percebi que não gostou do Otávio tocando em mim. Afastei-me discretamente indo em direção a Simone, que nesse momento nos observava. — Simone, você deu mechas nos cabelos, nossa! Ficou linda essa cor. – Ela deu algumas mechas na cor cobre, realmente ficou maravilhoso, ela sorri me abraçando e beijando o meu rosto.


— Otávio não gostou muito, mas não posso fazer mais nada. – Ela se afasta e toca em sua barriga. — Não poderei usar tintura por um longo período. – Levei as mãos à boca surpresa. Puxei-a para mim e tentei lhe dar um abraço apertado, minha barriga não permitiu. — É sério, vocês estão grávidos? – Ela assentiu com a cabeça. — Deus seja louvado! Ai, Jesus, logo essa casa estará cheia de crianças correndo e gritando... — Pois é, senhor Ricardo, também serei papai. – Otávio fala todo orgulhoso, Ricardo desmancha a carranca e abraça o compadre com força, parabenizando-o. — Papa, o que o seu filho será meu? – Dylan puxa a camisa do Otávio perguntando cheio de curiosidade. Otávio agacha-se e lhe diz cheio de atenção. — Podemos dizer amigão, que ele será o seu irmão ou irmã do coração, já que sou o seu papai do coração, certo? Concorda comigo? – Dylan balança a cabeça, afirmando e se jogando nos braços do Otávio, beijando-o por todo o rosto. — Eu te amo muito papa muitão! Agora, eu quero ver o rex grandão e todos os outros meus presentes. – Otávio coloca-o no colo. — Ah, papa você sabia que eu tenho três primos... Kael, Beatriz e Sarah, eles vão vir me conhecer; ah, eu também tenho uma tia com nome de Anjo e um tio com nome de... – Ele encosta a boca na orelha do Otávio e diz o nome do Daimon, só que diferente... — Não é louco isso papa. Angel e Daimon. Otávio não consegue conter a gargalhada. — É sim, filho, é muito louco isso. O almoço foi uma maravilha, Dylan não parava de falar, fazia perguntas sobre Portugal e se realmente Otávio o levaria para conhecer o lugar, ele confirmou a promessa. Ricardo precisou chamar a atenção do Dylan, pois ele não deixava ninguém conversar... Ele encheu a bochecha de ar em contrariedade dizendo que não falaria nunca mais... Empacou na cadeira, nem comer ele queria, mamãe pegou Dylan e o levou para ir buscar sobremesa, só assim ele esqueceu a promessa de nunca mais voltar a falar e desandou novamente na falação. Otávio e Simone foram embora assim que Dylan dormiu, ele não queria que o papa dele fosse embora de jeito nenhum, fez até chantagem emocional dizendo que só faltava um pouquinho para ele morrer de saudade do Otávio, disse isso com os olhos lacrimejados, como não acatar a vontade dele? Otávio trancou-se com Dylan no quarto e ficaram lá no maior papo, só escutávamos as gargalhadas dos dois. Graças a Deus, Ricardo melhorou em aceitar Otávio perto do Dylan, concordou desde que o Otávio mantivesse as mãos bem distantes de mim. Espero que estes ciúmes bobos acabem, pois não tenho nenhum interesse que não seja só a nossa amizade, arrependo-me muito em ter incentivado Otávio a se envolver comigo, foi o maior erro da minha vida, confundir amizade com paixão, disso eu me arrependo muito; hoje, fico um pouco constrangida em encarar o meu amigo Otávio, fomos íntimos mais do que devíamos; mas é isso mesmo, é errando que aprendemos, a vida segue.


...Três dias depois. Dia um... — Alô! Sim, é Emma Willian... O quê! Como assim, Dylan sofreu um acidente, por favor, só me digam que ele está bem, ok, já estou a caminho, não, não façam nada, já estou indo. Meu coração acelera de medo... “Deus, por favor, faça com que nada de ruim tenha acontecido ao meu filho”, faço uma prece em silêncio. Tento ligar para o Ricardo, mas seu celular cai na caixa postal, logo agora essa merda fica sem sinal... Só poderia ser o sinal da operadora, pois Ricardo não deixa os celulares desligados nem por um segundo, ele só foi à empresa hoje porque precisava resolver alguns problemas urgentíssimos. Liguei para mamãe e para o meu azar ela esqueceu o celular em casa, foi com Afonso à floricultura receber um novo carregamento de plantas ornamentais; mamãe parece que acordou para a vida, ela agora é quem cuida da floricultura. Aviso a nossa empregada que preciso ir com urgência à escola do Dylan e lhe peço para avisar ao Ricardo, caso ele ligue para casa. Pego minha bolsa e o meu celular e corro já chamando o motorista. Peço-lhe para ir o mais depressa possível para a escola do Dylan. O motorista me olha com preocupação, ele sabe do meu problema de saúde e sabe também que se algo me acontecer, sua cabeça será servida em uma bandeja aos seus familiares. Digo-lhe que estou bem, mas terei uma síncope se ele continuar me olhando e não agir o mais depressa possível. Entro no carro, coloco o cinto de segurança e só assim o motorista dá a partida. Chegamos à escola do Dylan à velocidade da luz, uma moça já me esperava na entrada da escola, ela é funcionária nova, pois nunca a vi por lá... Ela me pede para segui-la, uma vez que é melhor as crianças não me verem entrar, já que elas ficaram muito assustadas com os gritos do Dylan, fomos pelos fundos da escola, passamos por um micro-ônibus. Ela para diante mim... Segura em meus dois braços, não entendi o porquê do gesto, foi então que senti alguém por trás de mim, um braço me segurou pela cintura e uma mão com uma toalha molhada em algo doce foi forçada em meu rosto; não conseguia respirar e tudo ficou muito escuro, muito escuro...


Capítulo Trinta e Seis “Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo”. (José Saramago)

***

Acordei meio zonza e com um gosto amargo, meio adocicado na boca, minha cabeça doía um pouco, tentei me levantar, não deu. Deus! Assustei-me... Minhas pernas estavam amarradas uma na outra, estou recostada em vários travesseiros, bateu o desespero. Onde estou? Olhei a minha volta, estava em um quarto, só que não era o meu e nem era de um hospital. — Socorro! Socorro! – Desesperada, começo a pedir ajuda. Só que ninguém vem em meu socorro. Grito mais um pouco, minha garganta fica seca e começa a arder, não queria chorar; no entanto, começo a ficar com medo. Será que o Ricardo já notou o meu sumiço... Não sei que horas são só sei que quando fui ao socorro do Dylan ainda era manhã, umas 10h, ainda está dia, não deve ser muito tarde. — Alguém está aí? Ei, por favor, estou grávida, preciso de ajuda! – Grito o mais alto que eu posso. Acho que adiantou os meus gritos, ouço passos. A porta abre-se. Um senhor de meia idade entra e vem em minha direção. — Boa tarde, senhora! Meu nome é Arthur, sou médico e obstetra, estou aqui para examiná-la. Porém, antes preciso lhe fazer algumas perguntas... – Eu o interrompo. — Onde estou? Por que estou amarrada? Tenho um médico, não preciso de outro, e não estou nada bem... O senhor já viu o tamanho da minha barriga, estou com mais de oito meses, tenho um problema sério no coração e se o senhor não me ajudar a sair daqui, meu marido vai lhe caçar como a um animal...,; portanto, aconselho a me soltar e me levar embora daqui. – Quase fico sem ar, só parei de falar por causa disto. O médico nem se mexe, fica me olhando com cara de poste. Quando termino, ele volta a me examinar. Verifica minha pulsação, meu coração e pede para me deitar. — Mas de jeito nenhum o senhor vai tocar em mim, nem sei se é médico de verdade. Pode parar, nem pense em me tocar. – Ele coloca as luvas e solta as minhas pernas. Entrei em desespero. — Juro por Deus, eu lhe chuto a cara se o senhor pensar em tocar em mim. – Olhei para ele seriamente, não estava brincando. Ele vai até a porta, fala com alguém. Dois homens enormes entram no quarto, um me segura os braços e outro me segura pelas pernas.


Foi a coisa mais humilhante que já passei em minha vida, sinto minhas pernas serem puxadas e espalhadas, dedos começam a me tocar, arqueava o meu quadril com força e xingava a mãe de todos eles de todos os palavrões possíveis. Agora, as lágrimas escorrem por minha face, penso em Ricardo, em meu filho, em minha querida mãe. O tormento acaba o suposto médico retira as luvas e as joga fora. — A senhora está bem e o seu bebê também, agora preciso saber qual é o seu problema em seu coração. Ele me olhava seriamente, de certa forma se este homem é um médico, preciso lhe dizer a verdade. — Insuficiência cardíaca. – Disse. Ele vai até minha bolsa e começa a fuçá-la, reclamei com ele, dizendo que ele não tinha o direito de mexer em minhas coisas. Enfim, ele encontra o que procurava... O meu relatório médico onde informava sobre minha doença, fui aconselhada pelo meu médico a andar com este papel para onde fosse. Ele lê, volta a verificar dentro de minha bolsa, encontra meus dois frascos de remédios, abre cada frasco retirando um comprimido de cada um deles, volta até mim com um copo com água e me entrega. — Beba! – Ele ordena. Engulo os comprimidos, bebendo a água em seguida, o suposto médico vira-se para os dois brutamontes, chamandolhes a atenção. — Ela precisa seguir o horário desses remédios, portanto fiquem atentos, vou deixar os horários anotados... – Ele escreve em um caderno, entrega para o homem mais alto. — Outra coisa, não amarrem os tornozelos dela, pois eles já estavam ficando roxos. Ela não precisa ser imobilizada; afinal, não conseguirá sair daqui mesmo. O médico vai embora. Fico só com os dois homens, eles nem se quer me olham o rosto;, um senta-se em um sofá e o outro sai do quarto, mas não se demora e volta com um celular, senta-se na cama e pede para que eu preste atenção. Ele coloca o telefone sobre o lençol, uma voz masculina que não reconheço começa a falar comigo. — Olá, Emma Willian, você já deve ter percebido que foi sequestrada, pois bem... Não é nossa intenção machucá-la e nem tão pouco fazer mal ao seu bebê; em breve, entraremos em contato com o seu marido e pediremos o resgate, assim que recebermos o dinheiro nós a libertaremos, fique tranquila, tudo foi planejado para lhe deixar o mais confortável possível. O médico já deve tê-la examinado, os seguranças foram treinados para lhe ajudar caso ocorra um imprevisto, eles estão aí para a sua segurança; não tente fugir, pois você não irá conseguir. E caso tente, quero alertá-la que estamos de olho em seu filho Dylan, ele irá substitui-la caso isso aconteça; portanto, aconselho-a a ficar tranquila; logo estará em casa ao lado dos seus, fique calma, pois nada de ruim lhe acontecerá. Tranquila... Calma! Fiquei apavorada, afinal que porra de brincadeira é essa, quem são essas pessoas, como conseguiu driblar toda a segurança armada por Ricardo? Eu tinha segurança em toda minha volta, mal conseguia respirar, e lá estava um dos seguranças do Ricardo me vigiando. Como fui sequestrada sem ninguém perceber? Meu corpo começa a


tremer e os meus batimentos cardíacos aceleram, um dos homens percebem meu nervosismo e vem em meu socorro. Ele coloca um grande travesseiro em minhas costas, oferecendo-me um copo com água. Começo a respirar com mais calma e meus pensamentos vão até Ricardo.

***

— Como assim, minha esposa sumiu? – Esbravejo com o motorista e segurança de Emma. — Sumiu de onde e como? – Ele me conta o que aconteceu. — E onde está o Dylan, ele está bem? – O motorista diz que Dylan está bem, que ele não sofreu acidente nenhum e que ninguém da escola do Dylan ligou para Emma, ele completa dizendo que a moça que acompanhou Emma até o interior da escola não trabalha lá. Esmurro minha mesa com força, começo a gritar com o segurança, dizendo-lhe que já estou a caminho da escola do Dylan, e se a Emma não estiver com ele sã e salva, ele é um homem morto. Saio do escritório sem olhar para ninguém, estou cego de raiva e de preocupação, rebanho de incompetentes, como puderam falhar desse jeito; se algo acontecer a Emma, cabeças vão rolar... Emma está na fase final da gravidez e é a mais perigosa... “Deus! Por favor, proteja minha mulher e minha filha”. Clamo a Deus em silêncio. No caminho, ligo para Márcio, o chefe dos seguranças, ele tinha me prometido cuidar pessoalmente da Emma. Quando ele atende, já cuspo minha insatisfação. Ele argumenta que recebeu uma ligação particular da escola do seu filho, dizendo que o menino sofreu uma queda torcendo o tornozelo. Como não encontraram a mãe, ligaram para ele, Dylan só iria sair da escola às 11h45min. Então, ele foi ao socorro do filho. Quando chegou à escola do garoto foi que ele descobriu que foi tudo um mal entendido. Seu filho estava bem, e minutos depois ele recebeu uma ligação do motorista da Emma avisando-lhe que a mesma havia desaparecido. Ele tomou para si toda a responsabilidade e já estava tomando as devidas providências para descobrir o que aconteceu, inclusive já estava com as fitas de vigilância externas e internas da escola. Pediu-me para encontrá-lo em minha casa, pois ele já estava a caminho. Desviei a rota do meu carro e fui direto para casa. Chego em casa e já encontro Mirela em prantos. Afonso tenta acalmá-la, porém em vão, ela não para de perguntar o que aconteceu como a Emma desaparece assim sem ninguém notar. Eu também gostaria de saber. Peço para que ela se acalme, pois o Dylan está vindo da escola e ele não sabe o que aconteceu. Se ele perguntar, é para dizer que sua mãe foi ao médico. Mirela concorda. Dylan chega, Mirela leva-o para o quarto de brinquedos, e dizemos a ele que a Emma foi ao médico, pois não estava se sentindo bem. As horas voam e nada de notícias sobre a mulher da minha vida.

...Casa dos Stuart.


— Quando vamos ligar para o Ricardo? A moça já está sob nossa custódia, Edgar. O que você está esperando? Agora é só pedir o resgate e pronto. Stuart fala com ar de arrogância, quando ele vai entender que, quem manda aqui sou eu. Quando penso em responder, a destemperada da Pietra se mete na conversa. — O papai tem razão, não tem porque ficarmos marcando passos... A hora é agora. Quanto a Emma, deixe-a comigo, tenho uma surpresa para ela, vocês cuidam do dinheiro e eu cuido de soltá-la. E não me olhe assim, Edgar, ou será do meu jeito ou eu entrego vocês ao Ricardo. Eu sabia que essa Pietra tinha algum plano, ela ficou quieta demais, aceitou tudo com muita facilidade... Merda! Preciso me livrar dessa maluca. — Pietra, a Emma não é responsabilidade sua, é minha. Portanto, você vai com os seus pais pegar o dinheiro e de lá mesmo vocês dão um fora. Não posso deixar essa doida tocar em minha filha. — Está com medo que machuque a sua filhinha, Edgar? Não se preocupe, ela nem vai me ver, só quero olhar para ela, ver como ela ficou depois de tanta apreensão. Só isso. Confie em mim, só quero ter o prazer de vê-la se borrando de medo. Não confio em Pietra, mas ficarei de olho nela. — Por enquanto, vamos deixar o Ricardo louco. – Mudei de assunto. — Uma noite sem dormir vai lhe fazer bem. Assim, amanhã, ao meio-dia daremos o golpe de misericórdia, e ele não vai pensar duas vezes antes de acatar nossas exigências. Minha intenção era deixar Ricardo bem preocupado, quanto mais ficar com medo, mais rápido ele cederá. Afinal, são cinquenta milhões de dólares, ninguém abre a torneira do banco assim, sem pestanejar. Amanhã será o grande dia. Ele, concordando em pagar, mando-o dividir o dinheiro em partes iguais, as entregas serão em lugares diferentes, quando estiver com o dinheiro nas mãos um dos meus homens ligará para o Ricardo e lhe dirá onde Emma está. Ninguém morre, ninguém é preso, todo mundo satisfeito.

...Dia dois Não consegui fechar os olhos, passei a madrugada toda em desespero, Emma está desaparecida há quase 24 horas, falta pouco mais de uma hora para isso. John e Jaime mandaram investigadores para a mansão, minha casa está parecendo um centro de operações do FBI, são fios, câmeras, telefones e homens para todos os lados. Eles conseguiram chegar até a última ligação que foi feita para Emma, e já descobriram quem foi à pessoa que ligou, falta pouco para chegarem até ela. Meu celular toca, a ligação vem do celular de Emma, ligamos o GPS espião. Atendo. Uma voz disfarçada começa a falar.


— Ricardo, sua mulher está bem e não adianta rastrear essa ligação, você não vai chegar até ela, Emma está muito bem guardada, anote estes endereços. – Peço papel e caneta, começo a anotar o endereço. — Minha exigência é... Cinquenta milhões de dólares, divididos em duas sacolas, ambas têm que ser entregue no mesmo horário. Assim que a encomenda for entregue e estiver em segurança, mando o endereço de onde a Emma está... – Ele faz uma pausa. — Não adianta questionar, você terá que confiar em mim, ou será da minha maneira ou você nunca mais verá a sua mulher. Alguma dúvida? — Como posso ter certeza de que minha mulher está bem? Preciso de uma prova... Confiança se conquista. – Já estava puto, se eu pegasse quem está por trás disto, mataria com minhas próprias mãos. — Já sabia que você pediria isso, aguarde dez minutos, e você terá a prova que deseja, farei minha parte, faça a sua e a noite você estará com sua esposa e filha em casa. – Ele desliga. Dez minutos depois, meu celular toca, e eu atendo. — Alô! – O silêncio atordoado me deixa louco. — Alô! Emma! Emma, meu amor! — Ricardo! – Ela começa a chorar. — Ri-Ricardo, como está o Dylan ele está bem, ele está muito machucado, eles disseram que se tentar fugir eles pegam o Dylan, vigie o nosso filho, RiRi-Ricar...doo! – A sua voz some; ao longe, escuto o seu grito, entro em desespero, começo a chamar por seu nome... — Senhor! Ela está bem, não se preocupe, agora cumpra a sua parte que logo ela estará ao seu lado. – Ele desliga. — Senhor Ricardo, conseguimos localizar o endereço. – O investigador de Jaime vem correndo me avisar. — Agora vamos colocar o dinheiro em malas separadas com os sinalizadores, pegaremos todos de uma só vez. – Ele me diz. Saímos todos às pressas.


Capítulo Trinta e Sete “Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem acidentes. Não tenha medo da vida, tenha medo de não a viver intensamente.” (Augusto Cury)

***

...Pietra Esperei por meses esse dia, agora ninguém vai me impedir de acabar de vez com esse romance. Emma não tinha nada que se meter em meu caminho, ela poderia ter se fingindo de morta, ficar na porra da cidade dela com a porra do homem dela. Mas não, tinha que ressurgir das cinzas e, de quebra, ainda dar dois filhos para o Ricardo, sem contar que o último poderia ter sido meu. Mas isso não vai me impedir de ficar com ele, posso muito bem criá-lo como meu. Ricardo vai concordar em fazê-lo, acreditar que sou a mãe dele de verdade, seremos uma família feliz... Ah, se seremos. Enganei meu pai e o Edgar dizendo que iria ao salão de beleza, pois precisava ficar divina para viajarmos para o Caribe, foi à escolha do meu pai, fazer um cruzeiro primeiro, e só depois irmos para a Suíça. Até parece que vou viajar com eles, tenho outros planos, não me importo com essa merreca de dinheiro, serei a dona das empresas Willian, o que são vinte e cinco milhões de dólares perto do patrimônio do Ricardo. Sigo direto para o hotel onde Emma está detida, estou ansiosa para ver a cara que ela fará quando olhar para mim. Cheguei ao subúrbio onde fica o hotel... É um hotel de beira de estrada, desses que os casais sem recursos utilizam para fazer sexo, digno de meia estrela. Edgar alugou o prédio inteiro, colocou recepcionista e seguranças no saguão; no terceiro andar há dois seguranças no corredor, e mais dois no quarto onde a Emma está. Todos já me conhecem, então não foi difícil ter acesso. Pego o elevador, aperto o botão do andar... Os dois brutamontes estão em seus postos, um perto do elevador e o outro perto da porta do quarto de Emma. Entro no quarto, Emma dorme, dispenso os dois seguranças, peço para que eles esperem no lado fora do quarto, eles saem sem reclamar... Sento-me na cama. Ela realmente é linda, e grávida tem um ar angelical, isso me dá mais ódio, sinto vontade de sufocá-la com o travesseiro. Começo a alisar o seu rosto e cabelos com as pontas dos dedos, ela mexe-se e aos poucos vai abrindo os olhos. Pisca várias vezes antes de fixá-los em mim... Com surpresa, ela fala. — Pietra! – Emma senta-se se sustentando pelos cotovelos. — O que faz aqui? Sorri languidamente para ela, aliás, foi um riso de pouco caso. Idiota, pensei.


— Não advinha? – Perguntei com sarcasmo. — Não, Emma, eu não vim salvá-la... Eu vim acabar com você e tomar o que é meu de volta. Emma olha para mim com os olhos saltados em espanto, e engole a saliva. Gostei da sua expressão pavorosa, eu estava no comando, ela é a minha presa e será fácil livrar-me dessa inútil, dessa usurpadora.

...Não muito distante dali. Eu e os investigadores do Jaime e do John, chegamos ao bairro onde foi localizada a ligação feita pelos sequestradores de Emma. Estávamos defronte de um hotel de quinta categoria, percebemos que havia dois homens na entrada, um casal de investigadores entrou no hotel, disfarçados de clientes, mas logo retornam e falam através da escuta que a recepção lhes disse que não havia vaga. Estávamos dentro de uma Van e o chefe dos investigadores de elite começa a manejar um aparelho. É um sensor de movimento e temperatura. Ele direciona a antena para o hotel. Após uma longa análise ele me diz que a quantidade de pessoas que a no hotel. Cinco pessoas no térreo, dois na entrada, dois ao lado do elevador e a recepcionista, no terceiro andar são seis pessoas, quatro no corredor e duas no quarto do canto esquerdo do prédio, provavelmente Emma e um dos bandidos. Eles cercaram o prédio, não tinha como nenhum deles fugir, pelo menos vivo. Ficamos atentos às ordens do comando geral dos investigadores.

...O Resgate No quarto do hotel... — Pietra, você está por trás do meu sequestro? Por que fez isso? Nunca lhe fiz mal nenhum. Ela devia ter ficado calada, o que Emma disse me deu nos nervos, inclinei-me sobre o seu corpo, entrelacei meus dedos em seus cabelos e os puxei com força, sua cabeça inclinou-se para trás, cuspo minha raiva em seu rosto. — Cínica! – Esbravejei. — Como ousa dizer isso, você roubou o meu homem e o meu filho. – Seguro em seu ventre com força. — Essa criança é minha e do Ricardo, você a roubou de mim, sua filha de uma cadela. — Enlouqueceu Pietra, solte-me sua vaca dos infernos. Não permiti que ela dissesse mais nenhuma palavra, e lhe esbofeteei o rosto com toda a força do meu braço. Seu rosto virou violentamente; mesmo retida pelos cabelos, o baque foi


medonho. Um fio de sangue desceu pelo canto da sua boca, e os meus dedos ficaram marcados em sua face. — Filha da puta, vou matar você, Pietra. Ninguém bate em meu rosto, sua doente dos infernos... – Ela tenta soltar-se das minhas mãos, porém estou em vantagem, não estou com aquele barrigão e inchada feito um elefante. — Solte-me sua doida e me encare de mulher para mulher, cadela rancorosa. Ricardo nunca foi seu, ele sempre me amou, quando ele transava com você era em mim que ele pensava. Dei-lhe outra tapa no rosto, ela grita de dor... Levanto-me, pego minha bolsa e de dentro dela retiro a arma que trouxe. Emma fica estática, o medo está escrito em seus olhos, ela olha para mim e para a arma. Com as mãos firmes, aponto-lhe o revólver. — Você acha que eu não sabia que era você o grande o amor do Ricardo? Descobri isso quando fomos à Grécia. Acha que não percebi os olhares furtivos de vocês dois? Você só faltou me fuzilar com os olhos, seu ciúme estava estampado no seu rosto, e o Ricardo não conseguia desviar o olhar de você. Só faltava babar. Minha certeza foi confirmada quando eu o segui até o farol, e vi vocês dois transando, escutei tudo, inclusive quando ele lhe disse que ia terminar comigo para se casar com você. Fiquei arrasada, porém você o mandou embora, e ele voltou para mim como um cachorrinho abandonado. Dias depois você liga procurando por ele, certamente se arrependeu. Despachei você imediatamente. Emma senta-se na cama, e me interrompe. — Dissimulada e doente, então você sabia o tempo todo que Ricardo não a amava e mesmo assim queria ficar com ele? Você não tem amor próprio? Que tipo de mulher é você? — O tipo de mulher que faz qualquer coisa para ter o homem que ama ao seu lado, inclusive acabar com a minha rival... Vou lhe matar, só preciso de um tiro, depois faço o seu parto e salvo o bebê, espero alguns minutos até você morrer e chamo a emergência e a polícia. Quando eles chegarem, digo que tentei salvar a sua vida, culpo os sequestradores pelo tiro, Ricardo ficará grato e voltará para mim, nos casaremos e seremos uma família perfeita. — Você está louca, só pode. Acha mesmo que o Ricardo vai voltar para você? — Salvarei a vida do bebê dele. Ricardo verá o quanto eu amo está criança, pois arrisquei a minha vida para salvá-la. Ele voltará para mim, irei criar o Dylan como meu filho e esse bebê que está em seu ventre será registrado com o meu sobrenome, serei a mãe dele; afinal, essa criança era para ser minha, se você não tivesse se metido entre o Ricardo e eu; a esta hora, seria eu com essa barriga e não você... — Maluca! – Ela grita. — Eu, o Ricardo e as crianças seremos muitos felizes.


— Não conte com isso. Escuto uma voz grave por trás de mim, viro-me. Meus olhos piscam. Ricardo está de pé com os punhos cerrados. — Ricardo! O que faz aqui? – Ele permanece imóvel, sua mandíbula está tensa. Acho que sua intenção é avançar em mim e apertar o meu pescoço até o ar sumir dos meus pulmões. Ele move-se. — Nem mais um passo. – Eu digo. Ver minha mulher sendo ameaçada por uma louca me deixou louco de raiva. Minha intenção era voar em Pietra, e socar a sua cara. — Você está bem, meu amor? – Pergunto com voz firme a Emma, precisava lhe passar tranquilidade. Ela me responde que sim. Emma tenta se levantar, mas a louca da Pietra é mais rápida. — Parada aí, Emma, ou eu atiro no Ricardo. Pietra está trêmula, isso não é bom... Preocupo-me com o estado de Emma. — Pietra, deixe-me tirar a Emma daqui e prometo que não darei queixa de você, deixo-a livre, por favor, só quero a minha mulher e minha filha, sãs e salvas. — NOSSA FILHA! Ela não sai daqui viva, Ricardo, é a única maneira de você voltar para mim. Emma tem que morrer. A raiva tomou conta de todo o meu ser, juro que vou matar essa louca. Encho o meu peito de ar e grito a todo pulmão. — Não volto para você nem morto, Pietra; eu não a amo, nunca amei e nunca amarei sua doida dos infernos, sua desequilibrada. — Pare, pare Ricardo, eu amo você e se você não me quer, não ficará com ninguém mais. Escutei o clique do gatilho da arma, sabia que ela ia atirar em mim, mas minha preocupação era com a Emma; se algo me acontecesse, Emma ficaria à mercê da doida da Pietra, os investigadores estavam ocupados com os outros bandidos e até que eles chegassem, seria tarde demais. Pietra está em minha frente e, por um momento, procuro por Emma, ela não está mais na cama. Então sou vejo o corpo da Pietra despencar ao chão. — Vaca! – Emma grita sua raiva, ela acertou a cabeça da Pietra com um grande jarro de vidro. — Nunca mais ameace o meu homem, sua vaca louca, agora venha me bater sua estúpida. – Emma começa a chutar o corpo inerte da Pietra, ela está completamente fora do controle. — Vaca, vaca... — Emma! Emma! Chega, meu amor, ela está inconsciente. – Gritei. Emma para. Vou ao seu encontro e a abraço com força, beijando todo o seu rosto e, por último, os seus


lábios, percebo que eles estão machucados, me sobe uma revolta e uma vontade louca de esganar Pietra. Emma me diz que está bem. Os investigadores entram perguntando se estamos bem, assenti com a cabeça, eles erguem a Pietra, levando-a para fora do quarto; eu os acompanho até a porta. Quando me viro para Emma, ela me fala com desespero. — Amor, a bolsa... — Bolsa, que bolsa, Emma? — A minha bolsa! – Eu começo a procurá-la, e a encontro. Emma grita. — Não é essa bolsa, é essa aqui, ela estourou... Olho para onde o dedo de Emma aponta, então vejo uma poça de água um pouco avermelhada, parecia sangue, sob os seus pés. — Emma, não é o que estou pensando? – Agora tremi nas bases. — É sim, amor, a bolsa estourou e a nossa filha vai nascer. Corri até ela, coloco-a em meus braços e a levo até a cama. Bem, eu não estava nervoso... Eu estava apavorado. — Emma, fique calma, pelo que li, após o rompimento da bolsa, o bebê pode levar horas para nascer; portanto, nada de pânico, daqui a pouco a ambulância com o socorro médico chega e vamos para a maternidade. – Olho para ela e para a sua barriga, aproximo minha boca e falo carinhosamente. — Filhinha, segura às pontas aí, não mate o seu pai de nervoso, não é hora de pressa. Por dentro, eu estava uma geleia, e fiquei pior quando Emma me fala desesperadamente. — Amor, amor... Tire minha calcinha. — O quê? – Disse. Meus olhos saltaram de espanto, ela espalha as pernas, então vejo um volume... — Pode parar, coloca nossa filha de volta, não sei fazer parto. — Acho melhor você aprender rápido. Respire fundo e arranque minha calcinha, você não quer que nossa menina se sufoque com ela. – Sem pensar direito, arranco a calcinha em um puxão, foi então que vi a cabeleira negra. A cabecinha da minha filha já estava saindo. — Ri...Ricardo, segura ela... Ai, meu Deus! Isso dói muito. – Emma faz força, e quando menos percebo minha filha escorrega seu corpinho inteiro para fora do corpo da mãe. Seu chorinho é lindo. Deus! Será que sei segurá-la? Ela é tão pequenininha, tão molinha... Oh! Senhor, eu vou quebrá-la. Ela não parava de chorar, então, seguro-a meio sem jeito, morrendo de medo de machucar aquele pedacinho de mim. Assim que a coloco em meus braços, ela se cala.


— Olá minha metade, sou seu papai. Aquele chato que conversava com você todos os dias. – Volto os meus olhos para mulher que mais amo no mundo, a mulher que me deu de presente minhas duas metades. Emma respirava com dificuldade. Grito a todo pulmão por socorro, um dos investigadores entra e me diz que os socorristas já estão na entrada do hotel. Emma me chama, sua voz é quase um murmuro. — Ricardo, eu amo você, consegui dar a você o prazer de ver a sua filha nascer. Estou perdoada? – Ela espera minha resposta. — Há muito tempo perdoei você, meu amor... Emma, não fale, respire meu amor, respire devagar, shh! – Ela olha-me com carinho e em seguida olha a nossa filha. — Cuide dos nossos filhos. – Ela puxa o ar com dificuldade. — Você será um excelente pai. Meu amor... Seja feliz! – Coloco nossa filha por cima dela. Emma beija sua cabecinha ainda suja com o resto do parto, e ela fala languidamente. — Cuide do seu pai, meu anjinho. – Emma volta a me olhar. — Diga ao Dylan que o amo muiitão. – Ela me oferece um meio sorriso. — Adeus meu amor. Ela fecha os olhos e seus braços vão caindo lentamente ao lado do seu corpo, entro em desespero, começo a gritar por seu nome, nossa filha começa a chorar. Não acredito Deus só pode estar brincando comigo, ele me dá uma vida e me tira outra. As lágrimas me cegam, engulo meu choro e grito olhando para o alto. — O senhor só pode estar de sacanagem, não, não faça isso comigo. Os socorristas entram nesse instante no quarto, eles me tiram de perto das duas mulheres da minha vida, rapidamente eles começam a socorrê-la, uma moça corta o cordão umbilical, desligando minha filha da mãe, ela a embrulha e sai com ela, alguém me puxa para fora do quarto, uma maca entra com um desfibrilador e outros equipamentos. Emma é levada na maca e um socorrista está por cima dela fazendo-lhe massagem cardíaca, minhas pernas cedem e caio ao chão, um agente me ergue guiando-me para fora do hotel. Sou colocado no carro, ouço uma sirene, não sei para onde estão me levando, só sei que minha vida acabou ali...


Capítulo Final “A vida segue seu caminho com passagem só de ida. Encontros, desencontros, decepções, conquistas, tristezas, alegrias, mentiras e verdades. Tudo isso faz parte. Cabe, a cada um, saber discernir e viver o que for melhor para si. É de cada um, ter um jeito próprio, uma identidade. Não é fácil construir uma história onde tudo seja só festa. Vez ou outra, o vazio e o silêncio tomam conta dos nossos dias. E nos alerta que devemos cultuar nossa memória para que, lá na frente, possamos lembrar o que não valeu a pena e evitar repetir. Sem raiva, sem rancor, sem sentimentos ruins. E, também, lembrar do que foi e é bom, e fazer de tudo para manter por perto. E isso, sendo com a família, amizades, profissional, amor e onde for. Devemos, sim, encerrar ciclos; renovar, caso mereça; e até mesmo deixar novas possibilidades acontecerem. Eis a arte de ser indiferente com o desnecessário e de ser recíproco com o que nos completa.” (Valmir Mizio)

***

Sou acordada com cânticos de pássaros, uma brisa com cheiro de flores chega até as minhas narinas. Levanto-me sobre os meus cotovelos e observo o lugar. Estou em um quarto, seguramente não é aquele quarto onde estava quando fui sequestrada, hospital também não é... Onde será que estou? Levanto-me, percebo que estou vestida com um vestido florido, não me recordo dele, minhas mãos passam por meu ventre. Engraçado, nem parece que acabei de dar à luz, não sinto nenhum desconforto, e minha barriga está perfeita. Lembro-me de quando o Dylan nasceu tudo bem, foi parto cesárea e normalmente é mais complicado, porém minha barriga demorou meses para voltar ao normal. Onde está minha filha? Sigo então até a janela, enxergo um campo florido repleto de pequenas flores cor-de-rosa, devia vir de lá o perfume gostoso, escuto uma voz feminina muito doce cantando uma canção, parece uma cantiga de ninar, será que ela está ninando a minha filha? Decido ir à procura da voz. Ando até a porta, saio do quarto. Há um longo corredor, ando por ele, chego a uma sala com uma decoração simples, porém muito aconchegante. Abro a porta... A visão que tenho é ainda muito mais bonita do que a que tive da janela do quarto onde estava. O campo florido é muito maior do que eu imaginava e a brisa é muito acolhedora. A voz doce e suave encanta os meus ouvidos. Agora consigo identificar a canção... “Se algum dia na vida lá, lá, ia, você de mim precisar, lá, lá, ia. Saiba que sou seu amigo lá, lá, ia, pode comigo contar. O mundo dá tantas voltas lá, lá, ia, a gente vai se encontrar lá, lá, ia. Quero nas voltas da vida lá, lá, ia. A sua mão apertar.” Aquela canção me encheu o coração de alegria, fui caminhando em direção à voz. Uma mulher de cabelos negros e muito compridos estava sentada na calçada da varanda, está de costas para mim, o vento brinca com suas madeixas negras e sua voz me deixa inebriada. Aproximo-me lentamente. Então, ela interrompe a canção e sem olhar para mim, fala brandamente.


— Você está bem, Emma? – Deus do céu ela sabe o meu nome. — Sim Emma, sei o seu nome. – Ela me olha sobre o seu ombro, então a reconheço. É a enfermeira do hospital que me ajudou quando descobri que estava grávida. A linda senhora sorri para mim e o seu riso lembra-me o de Ricardo. — Sente-se aqui, minha querida, não temos muito tempo para falarmos. – Ela me indica um lugar bem próximo a ela com a mão. Ando em sua direção e me sento. A linda senhora me abraça os ombros, beijando-me a testa, senti uma paz profunda. Ainda inebriada com o calor do momento, pergunto. — Você estava em meu quarto no hospital no dia em que descobri que estava grávida? — Sim, meu amor, eu e mais alguns amigos, fomos mandados até lá para ajudá-la. – Ela me abraça novamente. — Emma, o perdão foi concedido, todas as peças foram colocadas no lugar, os maus tiveram o que lhes pertenciam e os bons, suas recompensas. Agora está na hora de você se perdoar, acabou meu amor, tudo voltou ao seu eixo, não precisa mais se sentir culpada, perdoe-se e volte para os seus, uma vez que você ainda tem muito a construir junto com o seu amor, o meu Ricardo. Sufoquei nesta frase, ela falou “meu Ricardo”, então fui juntando as semelhanças, ela se parecia muito com Ricardo, não é possível. Não, não pode ser eu... Eu... Eu morri... — NÃO! – Gritei. — Não, Emma, você não morreu, você está dormindo profundamente, a sua culpa não a deixa acordar. Acabou minha filha, é tempo de novo plantio e futuras colheitas, agora você e o Ricardo só colherão frutos bons. — A senhora é mãe do Ricardo? — Sim, meu amor, sou a Esther, a mãe do Ricardo em muitas vidas, nossos laços são muito fortes. — Esther...! Ele a ama muito, sabia? Como faço para voltar? — Sim, meu amor, eu sei que o meu filho me ama, nunca o deixei sozinho em nenhum momento. – Ela me beija o rosto. — Pronta para voltar? – Assenti, mas antes lhe faço uma pergunta. — Eu vou lembrar que estive aqui? — Você terá uma vaga lembrança, contudo não conseguirá lembrar-se por completo e esquecerá em alguns dias. – Emma – ela me chama, e com carinho Esther puxa minha cabeça para o seu ombro, eu aceito. — Seja feliz, meu amor, agora feche os olhos, respire lentamente. Adeus, meu amor, fique em paz! – Cerrei meus olhos. Acordei com as mãos do Ricardo coladas às minhas, sua cabeça estava descansando no colchão da cama, ele parecia dormir... Puxei minha mão lentamente. Ricardo assusta-se... E me olha espantado. Os seus olhos estavam vermelhos e inchados, a barba por fazer lhe deu uma aparência envelhecida, o aparelho que estava ligado a mim dispara, eu me assusto. Ricardo


grita chamando o médico. — Emma, meu amor, você voltou para mim, para a nossa filha e o nosso filho, meu amor, meu amor... – Ricardo beija todo o meu rosto, sua alegria se transforma em lágrimas... — Nunca mais, Emma Willian, me dê outro susto deste, você está proibida de ter chiliques, entendeu? Entendeu senhora Willian? – Assenti com a cabeça. Ele me beija a boca com força. O médico entra no quarto, limpa a garganta chamando a atenção do Ricardo, meu marido se afasta. Sou examinada minuciosamente. Quando o médico fica satisfeito, diz ao Ricardo que serei liberada para o quarto particular. Sinto uma dor imensa em meu seio, então reclamo. Quando olho para minha camisola hospitalar, está completamente molhada. — Humm, acho que alguém percebeu que sua mãe acordou e já está pronta para alimentála, assim que a senhora estiver acomodada em seu leito, mandarei levar a sua filha, ok? O médico fala com um riso nos lábios. A felicidade me consome nesse momento, então pergunto ao Ricardo quantas horas fiquei desacordada. Ele me olha com carinho e diz. — Foram os cinco dias mais longos da minha vida. — Jesus, meu amor! E o Dylan, a mamãe, como eles estão. E a nossa filha? Como ela está? — Sua mãe está muito bem amparada pelo Afonso, Dylan está pensando que chegou a hora da irmãzinha dele nascer, e nós dissemos a ele que crianças não podem visitar os bebês. Nossa filha é o bebê mais lindo do berçário e muito chorona, não sei a quem ela puxou; ela está bem, meu amor e eu estou morto de saudade de você... – Ricardo me presenteia com um lindo sorriso e um longo beijo, somos flagrados por duas enfermeiras, elas vieram me buscar, e assim sou levada para o quarto particular. Confesso que estava ansiosa para pegar nos braços minha pequena princesa, não lembro muito bem do rostinho dela. Quando o Ricardo a colocou em meus braços logo quando ela nasceu, foi tudo muito rápido até os meus olhos se fecharem. Chego ao meu quarto e sou colocada na cama, as enfermeiras me observam, verificam meus sinais vitais e todo o resto. Minha ansiedade está estampada em minha face, uma delas olha para mim e sorri dizendo alegremente. — Sua filha já está a caminho. – Ela olha para o Ricardo e pisca um olho. — Vamos aproveitar e limpar o seu seio, pois a menina é muito esfomeada, não sei como ela consegue soltar as mãozinhas e enfia-las na boca. – A enfermeira começa a me contar as peraltices da minha pequena princesa. Escuto um choro vindo em direção à porta do quarto. Ricardo me observa. Uma enfermeira entra com meu bebê nos braços, ela está toda embrulhadinha em uma manta rosa, e o seu choro é muito alto. Não consegui segurar minhas lágrimas, a emoção bateu forte em meu peito, Ricardo vem até mim e me beija a testa.


— Ei, minha moça teimosa! O que é isso? Que lágrimas são essas? Quer concorrer com nossa filha quem derrama mais lágrimas! – Ele segura meu queixo beijando a ponta do meu nariz. Ricardo vai até a enfermeira e pega nossa filha trazendo-a para mim. — Minha chorona, número um, apresento-lhe sua mamãe, a minha chorona número dois. – Ricardo me entrega nossa menina, ela está inquieta e chorando sem parar, seguro-a com cuidado e fico admirando a sua beleza. É a menininha mais linda do mundo, puxo a sua toquinha. Ela tem uma cabeleira negra, nunca vi tanto cabelo em um bebê recém-nascido. — Shhh! Shhh! Oi meu amor, sou sua mamãe... Ela abre os olhinhos, ela tem os olhos do Ricardo. Fica quietinha, parece que escuta minha voz. — Oi Esther, como vai? Você sentiu a falta da sua mamãe? Ricardo limpa a garganta, ele está bem próximo a nós duas e escutou o nome pelo qual chamei a nossa filha. — Emma... Emma, do que você chamou nossa filha? – Ricardo olha para mim emocionado; seus olhos brilham com as lágrimas que teimam em cair. — Esther! Chamei-a de Esther, ela não poderia ter outro nome mais bonito que este você não acha? Ricardo nada disse só me beijou a boca e depois beijou a cabecinha da nossa filha; a emoção estava estampada em seus olhos. Ele encosta a boca ao meu ouvido e sussurra. — Obrigada! Eu amo você, minha vida. Agradeci com um sorriso. Nossa Esther começa a chorar, a enfermeira vem até a mim, ajudame com a camisola, meu seio é oferecido a minha gulosa filha, ela suga imediatamente, mama até não ter mais leite, passo para o outro seio e ela continua firme, mamando feito um bezerrinho faminto. Ricardo não sai de perto de nós duas. Esther adormece e a entrego ao Ricardo; estava cansada e sonolenta, ele me olha preocupado. — Você está bem, meu amor, quer que eu chame o médico? – Ele coloca Esther para arrotar. — Não meu amor, só estou cansada, preciso dormir um pouco, só um pouquinho. – Fechei os meus olhos e não consegui lutar contra o sono súbito.

***

Coloquei minha filha no bercinho e corri para o posto de enfermagem, meu coração estava na boca, Emma não me parecia bem, estava muito pálida, toquei-a e ela estava muito fria.


Gritei por socorro. Duas enfermeiras me acompanharam de volta ao quarto e a outra foi buscar o médico. Emma não acorda com os chamados da enfermeira, ela sai apressadamente do quarto. Sentome ao seu lado na cama e seguro em uma das suas mãos; fecho os meus olhos e clamo por Deus pedindo para que ele não deixe nada de ruim acontecer à minha mulher. Não sei explicar, mas senti uma energia forte em torno de mim e de Emma, uma força que me fazia manter os olhos fechados, e por alguns minutos escutei a voz da minha mãe. — Meu filho querido, ela está bem, vai ficar tudo bem, confie em Deus, ele tudo vê e tudo pode; amo você, meu filho, seja feliz e até breve... A voz foi sumindo aos poucos, senti o calor de um toque de uma mão em meu ombro. Sorri levemente e agradeci em pensamento; a mão de Emma move-se na minha e eu escuto o som da sua voz. — Meu amor, onde está a Esther? Ela está bem? – Emma pisca os olhos várias vezes, olhando-me depois com curiosidade. Abro os meus olhos e respondo sorrindo. — Dormindo, nossa filha dorme como um bebê saciado. – Beijei sua testa, o médico entra no quarto já com uma porção de aparelhos. Emma olha para mim e para ele assustada. — Onde é o incêndio, ou, quem está morrendo? O médico, sem entender, pede desculpas dizendo que entrou no quarto errado, vira-se e sai junto com as enfermeiras. Dylan, Mirela, Otávio, Simone e Afonso vieram nos visitar no outro dia. Dylan queria o colo da mãe, acho que ele ficou com um pouco de ciúmes do bebê, pois, toda vez que Emma segurava a Esther para amamentá-la, Dylan dizia que também queria colo. Fez birra quando disse que Emma não podia segurá-lo, pois, ele é muito pesado. Dois dias depois fomos para casa, Esther está muito bem de saúde, é uma menina de 3.200kg e 59 cm. Emma precisa continuar o seu tratamento, pois o seu coração ainda não está recuperado, mas com fé em Deus, logo minha linda mulher ficará completamente curada, e poderemos planejar mais alguns bebês.

...Alguns dias depois... Emma está descansando em nossa cama, ela não faz outra coisa a não ser dormir e dar de mamar. Diz que virou a vaca leiteira da Esther; nossa filha só quer saber de peito, acho que teremos sérios problemas num futuro próximo, pois Esther vai ter que aprender a dividir, também quero peito, não vejo a hora dos benditos 45 dias passarem, estou louco para


expulsar o senhor Dylan e a senhorita Esther do meu quarto e ficar sozinho com minha mulher, o coitado do senhor meu pau já perdeu a prática de uso de tão enferrujado que está. Brincar de cinco contra um, não tem graça, preciso urgentemente da minha gatinha safada. Emma percebe que a observo. — Qual é o problema, Ricardo? – Sua voz divertida aquece o meu pau. — Estou pensando em sacanagens. Muitas sacanagens. – Aproximo-me da cama, ela me sorri zombeteiramente. — Quer me explicar que tipo de sacanagens? — Humm! Aquilo na mão, a mão naquilo, a boca naquilo, aquilo na boca, aquilo naquilo etc. etc. – Falo isso e começo a beijar todo o seu rosto, nossas bocas se encontram e nossas línguas se chocam. — Hum! Oh, meu Deus! Coisa louca, você está querendo que eu saia do resguardo. É isso? – Eu assenti com a cabeça, continuo explorando sua boca, mordendo os seus lábios e língua. Emma segura em meu membro através da bermuda, ele já estava pronto para uso, ela começa a massageá-lo freneticamente, aquilo me tirou da orbita. — Humm! Cristo! Mulher, você vai ter que baixar isso aí. – Ela sorri e começa a me beijar todo o meu rosto e, por fim, o meu queixo, mordendo-o. Emma desce a boca pelo meu pescoço, belisca os meus mamilos, vai beijando meu peito por cima da camisa, meu abdômen, até chegar a minha virilha. Ergue a cabeça só um pouco, só o suficiente para abrir o meu zíper e puxar o meu membro para fora da boxer. Ela me leva todo na boca. Silvei loucamente. — Jesus Cristo! Estou fodido... Hum, hum... Assim, assim, amor, isso, isso, hum, morde hum, hum... Caralho, hum, hum... me morde a-assim, caralho... Oh, hum, chupa gostoso assim minha gatinha safada, chupa com força, engole ele todo, quero sentir a sua garganta profundamente... A-a-assim, oh, Cristo! Que boca quente dos infernos... Emma me devora, engole todo o meu membro em sua boca maravilhosa, começo a entrar e sair com velocidade, minha mulher sabe me comer, literalmente. Nossa! Só em olhar os movimentos de vai e vem da sua cabeça em minha virilha, fico na beira, entro em combustão. Seguro sua cabeça com minhas duas mãos e faço os movimentos mais suaves, ela tange minhas mãos para longe, não era só eu que estava faminto, ela também estava cheia de fome. Emma me morde e me chupa, brinca com minhas bolas, não suportei a pressão dos seus movimentos. Prendo sua cabeça abaixo, sentindo a cabeça do meu membro no fundo da sua garganta, conservo-a quieta e jorro toda minha semente. Sinto-a engolindo tudo, Emma tenta se soltar, solto, ela começa a me lamber e a me chupar novamente, já estava ficando duro novamente, porém o nosso despertador nos acorda para a realidade. Esther começa a chorar, e quando Emma se levanta, saindo do meio das minhas coxas, a sua blusa está completamente


molhada de leite. Ajudo-a a se limpar, recomponho-me e vou buscar nossa bezerrinha chorona. Emma segura a nossa filha no colo e começa a amamentá-la, sei quando minha moça teimosa que me falar algo. — Desembucha logo, Emma, o que quer me falar? Anda! — Eu quero saber sobre Pietra, foi ela mesma quem planejou o meu sequestro? Estava demorando em Emma me fazer essas perguntas. Bem, ela não precisava saber de tudo. — Foi ela e o senhor Stuart, porém não se preocupe ambos estão presos e não sairão nunca mais da prisão. Pietra está trancada em um sanatório judiciário e o senhor Stuart em uma penitenciária de segurança máxima. Mais alguma pergunta? Posso tomar um banho e depois colocar minha princesinha para arrotar? — Foi só curiosidade. Fico feliz em não precisar mais me preocupar com essa dupla de bandidos, vá, vá tomar o seu banho, pois também quero tomar o meu, estou toda melecada de leite materno. Fui para o banho. Falei a verdade para Emma sobre o Stuart e Pietra, o que não disse foi que o seu pai também foi para prisão, ele está na penitenciária estadual de Florence. Infelizmente, ele conseguiu provar à justiça que foi usado pelo Stuart por ser o pai da Emma, alegou que Stuart forçou-o a ir pegar o dinheiro, sob ameaça de fazer mal ao Dylan, caso ele se recusasse a obedecê-lo, como eu tinha provas nas quais ele foi me subornar em meu escritório, exigindo 20 milhões de dólares para ficar longe da filha e da Mirela, Edgar pegou 40 anos de prisão por ser cúmplice de sequestro e suborno. Emma não pode nem sonhar que o Edgar ressurgiu das cinzas. Escuto a voz do Dylan chamando por mim. — Papai, posso tomar banho com você? A mamãe só fica agora com minha irmãzinha, ela não ama mais o Dylan. Quase me afogo no chuveiro, engasguei-me com o desabafo do meu filho, abri o box e o mandei se despir, assim ele fez e veio até mim. Comecei a lhe banhar. — Filho, a mamãe lhe ama muito, ela só está sobrecarregada com a sua irmãzinha. Esther é muito pequena, não é do tamanho do Dylan... Precisa ser carregada, alimentada, pois sua irmã não sabe fazer nada sozinha, precisa da ajuda de todo mundo, inclusive da sua. Por isso, sua mamãe fica com ela o tempo todo, entendeu? Desse dia em diante, deixamos o Dylan nos ajudar com a Esther, ele pegava fraldas, roupinhas, ficava olhando se ela estava dormindo direitinho, e nunca mais reclamou por atenção, ficou todo feliz em ser o ajudante da mamãe dele.


...Semanas depois... — Ricardo, Ricardo! Droga, amor, onde você está? Cacete, o pessoal vai nos matar se chegarmos atrasados ao restaurante. Ricardo! — Não se vire. – Ordenei. Emma assusta-se com o tom da minha voz. — Continue andando até a cama. — Amor, pare de brincadeiras, mamãe está com a Esther e quando ela fica com fome abre o maior berreiro, você sabe disso. — Cale-se, Emma, e me obedeça. Não estava brincando, já fazia 48 dias após o parto, isso quer dizer adeus resguardo. — Dispa-se, Emma, eu a quero nua. – Minha voz soou com autoridade quente. — Ricardo, pare de brincadeira, o pessoal vai ficar preocupado. O barulho da lapeada do meu cinto no piso do quarto fez Emma sacudir o corpo. — Obedeça-me, porra! Nua, agora! – Larguei outra lapeada, mas desta vez bem próxima a ela, Emma estremeceu o corpo. — Ok! Você me paga, Ricardo Willian. — Agora, gatinha safada, eu a quero completamente nua. Emma despiu-se lentamente; aos poucos, vi o seu corpo sem nenhum tecido. A gravidez lhe fez um bem danado, ficou mais cheia de carne nos devidos lugares, sua bunda ficou arredonda, os quadris alargaram, e o meu membro vibrou de satisfação. — Vire-se para mim... – Ela virou-se e parou no espanto. — Cacete! Você já está armado, oh Deus! Você vai me arrombar com essa tora. – Ela engole a saliva. — Senhor coisa louca esqueceu que agora eu sou quase virgem? A minha pobre boceta está sem uso há meses. — Pare de reclamar e deite-se. – Ela tenta argumentar, mando calar-se com autoridade. Ela deita-se. — Abra as pernas. – Ordeno. Ela espalha-se, sem desviar os olhos dos meus. Sigo para cama e levo comigo quatro cintos, Emma morde o lábio inferior, ela não tem noção do que pretendo. Prendo sua perna direita com um dos cintos e a fixo cama; sua perna esquerda é a próxima e fiz o mesmo com os seus pulsos. Emma ficou esparramada igual a uma estrela, é assim que eu a quero hoje, totalmente à minha mercê. Subo na cama, ajoelhando-me ao seu lado, inclino-me sobre o seu lindo corpo, toco o seu monte. — Caralho, gatinha safada, você é puro líquido, seu mel já está encharcando o lençol da cama.


— Ri-Ricardo, o que pretende fazer comigo? E a nossa filha e filho, e o pessoal que nos espera no restaurante? — Você ainda não entendeu, esse é nosso momento. Expulsei todos de casa, inclusive os nossos filhos, e não se preocupe, a nossa gatinha esfomeada está com a guarnição de leite materno garantido. – Ela me olha com espanto sem entender, então explico. — Roubei dois potes do leite que você doa para o banco de leite, não me olhe assim, foi por uma boa causa. — Ricardo Willian, o senhor é um safado... Como ousa a planejar tudo isso sem me avisar. — Quieta moça teimosa... – Olhei para ela cheio de má intenção. — Hoje mato minha fome de você. – Ela está toda esparramada e o seu suco brilha, lambi os lábios de desejo. Inclinei-me sobre a sua boceta suculenta apertando o meu rosto entre suas pernas. Ela solta um grito. — Merda. Oh, meu Deus! Homem vá devagar... Soltei um grunhido de satisfação e minha língua varre os seus sucos, mordi lentamente o seu botão rígido, o seu gosto está divino. — Caralho! Você é o meu néctar dos deuses, mulher você é mel puro. – Faço círculo em volta do seu botão penetrando seu pequeno buraco com a ponta da língua. — Inferno, oh! Ri-Ricardo não me provoca... Me solta, me solta, seu safado... Emma contorcia-se toda, a cada estocada da minha língua em sua boceta, os pelos do seu corpo se arrepiavam. Minha língua se move habilmente, aplicando força sutil no seu botão vermelho, aumento o ritmo das lambidas e chupadas, enquanto sacio minha fome em sua fenda, brinco com os meus dedos em seus mamilos eretos. Emma grita de prazer. — Maldito! Eu, eu vou gozar seu sacana..., oh, Deus! Chupei forte, ela tenta com desespero fechar as pernas em torno da minha cabeça. — Porra! Me solta, amor... Emma goza desesperadamente... Jesus! Só em sentir o tremor do seu corpo em minha boca, quase gozo também... — Minha delícia, grita meu nome, grita Emma... – Ela nada diz, então mordo o seu monte e a penetro com um dedo. — Olhe para mim... Vamos Emma, olhe para mim. – Ela olha, está ofegante e molhada de suor... Começo a bombear meus dedos em seu interior, agora são dois dedos, e o meu polegar brinca com seu ponto sensível... O seu clitóris. — Não ouvi, vamos Emma! – Ordenei com voz dura. — RICARDO! — Mais alto! – Exigi, ela gritou. — A quem você pertence, Emma Willian, olhe para mim e responda, a quem você pertence? Estoquei meus dedos com mais força, meus dedos sentiam suas paredes internas se fechando em torno deles.


— A você, só você Ricardo, pertenço a você... Oh, Jesus! Hum, hum! Inclinei-me sobre ela me apossando dos seus seios, lambi as auréolas uma por uma, depois abocanho cada seio e os chupo, o leite esguicha, não me importo, começo a saboreá-lo, meu pau estava quase furando minha calça. Desloco-me do seu corpo ficando de pé, Emma ergue a cabeça em minha direção e me observa. Livro-me das minhas roupas. — Gatinha safada, preciso estar dentro de você agora, ou então vou gozar aqui mesmo. – Subo a cama e engatinho para o seu corpo, que está todo tesão. — Eu amo você, moça teimosa, e você pertence a mim, assim como eu pertenço a você, serei seu por toda a vida e também por todas as vidas que Deus assim me permitir... Ela me oferece sua boca e eu a beijo. Foi um beijo devasso, sedutor onde nossas línguas lutaram entre si, medindo força... Mordi com gosto o pedaço de carne macio. Ergui o corpo indo um pouco mais para cima. Ela está a minha mercê e hoje serei o seu carrasco. Fico de joelhos sobre seu corpo, cada perna do lado do seu corpo. — Abra a boca. – Ordenei com voz firme, porém suave ao mesmo tempo, ela abriu. — Me chupe. – Não precisei pedir novamente, Emma abocanhou meu pau com fúria. — Caralho! – Silvei. — Hum! Isso, nossa! Cacete, oh! Oh! Humhum! Isso minha safadinha, assim, assim bem gostoso, morde, oh, Deus! – Balancei meu quadril para frente e para trás, empurrei o meu pau profundamente até sentir o fundo da garganta da minha mulher, ela girava a língua em torno dele. Não suportei... Só foi preciso duas estocadas e minha semente jorrou divinamente. Emma engole com prazer. Beijo sua testa, depois seus lábios ainda com o meu sabor, escorrego sobre o seu corpo trêmulo e começo a me roçar em sua boceta encharcada, a cabeça da seta encontra-se com o seu botão duro a cada escorregada do meu vai e vem entre suas dobras, Emma arfa soltando gemidos e sussurrando o meu nome. Já estou duro novamente e não perco tempo. Posiciono meu membro em sua entrada e começo a introduzi-lo, tenho dificuldade de penetrá-la. — Porra! Você ficou virgem novamente? Está doendo, amor, não quero machucá-la. — Amor, você está me rasgando, caralho! Agora fiquei preocupado. Olhei em seu rosto e ela franzia a testa, gotas de suor escorriam por seu rosto, forcei um pouco mais, senti um desconforto, meu membro ardeu um pouco, fiz pressão. Emma solta um grito, não suportei e a penetrei de vez... Puts! Foi à sensação mais maravilhosa, senti como na primeira vez que fiz amor com ela, foi pleno. Começo a estocá-la lentamente sem tirar os olhos dos dela, beijo sua boca, chupo sua língua, minhas estocadas aumentam e ela arqueia o corpo me dando mais acesso ao seu interior. — Mais forte, meu amor, isso, me possua com mais força, assim, assim, ohoh! Isso é muito bom! – Ela me olha, e o brilho dos seus olhos me dizem o quanto ela me quer. Na quinta estocada gozei, e ela me acompanha, sinto os tremores do seu corpo e os espasmos dos músculos da sua boceta, solto um grunhido furioso, meu corpo treme de prazer,


prendo-me a Emma com força e a beijo com desespero. — Eu te amo te amo com tanta força, Ricardo. Deus! Você é meu motivo de sorrir. Ela me diz estas palavras com lágrimas nos olhos. Beijo cada olho da mulher que amo... Estico o meu braço, solto um cinto do seu braço, depois o outro, beijo cada pulso, ela me abraça entrelaçado os dedos em meus cabelos, nos beijamos... Foi um beijo cúmplice, lento e apaixonado. Solto o seu corpo, levanto-me livrando-a das amarras das suas pernas; coloco a mulher da minha vida em meus braços e a levo para o banho. Amamo-nos novamente debaixo do chuveiro... Estou feliz, estou inteiro, amo e sou amado, tenho uma família linda, toda a dor da minha infância e adolescência desapareceu. Darei a minha mulher e filhos tudo aquilo que o meu pai nunca deu a mim, ao meu irmão e a minha mãe. Terminamos de nos banhar e fomos ao encontro dos nossos filhos, minha sogra e meu futuro sogro.

...Alguns dias depois. Sábado à tarde estávamos todos reunidos em nossa casa, meu celular toca, atendo. — Tito! — Kael! Meu amor, como você está? – Escutar a voz do meu afilhado, é como estar ouvindo o meu irmão querido. — Que surpresa boa, cadê a Angel e o Daimon? — Papai e mamãe estão aqui. Tito! – Ele faz uma pausa. — Eu tô com saudade do senhor, quando o senhor vem me ver? — Assim que a Esther puder viajar, nós vamos aí. Kael! – Sei que ele estava chateado comigo, prometi fazer a sua festa de aniversário aqui em casa, mas não deu. — Filho, sei que estou lhe devendo um aniversário, não se preocupe, no próximo será aqui, você gostou do presente? — Adorei, e a Beatriz também gostou do dela. Tito, eu te amo muito, diz a minha dinda que eu a amo também; mamãe e papai que falar com você. Tchau! — Tchau, meu amor, nós também lhe amamos muito. Liguei o viva voz do celular e chamei Emma. Daimon e Angel ficaram um tempão conversando conosco, ela prometeu vir passar uns dias aqui em Florence, ficamos animados e felizes com a notícia. Estamos com saudades dos nossos amigos e irmãos. Os dois despedem-se nos desejando muita paz e amor em nosso lar, desejamos o mesmo. Emma começa a chorar. Fico logo preocupado, ela ainda não está completamente recuperada, seu tratamento é longo e requer paciência e bastante cuidado, preciso manter minha mulher longe de fortes emoções, mas sei que ela ficará boa, e logo, logo, poderemos planejar mais um filho. Voltamos a dar atenção aos nossos convidados... Simone está com um barrigão lindo, é uma


menina e o seu nome será Letícia; Otávio não aguenta de tanta felicidade, parece uma criança, realmente Deus é um cara hiper mega fantástico. Dylan vive dizendo que a Letícia será sua namorada quando a menina crescer, pois será tão linda quanto a sua dinda Simone. Afonso e Mirela não se largam, embora neguem, eu e Emma temos certeza de que esses dois estão se namorando e logo sairá casamento entre eles. O telefone fixo toca... Emma levanta-se e vai atender. — Alô...! — É da residência dos Willian? — Sim, sim é da casa dos Willian... — Poderia falar com a senhora Emma Lancaster Willian — Sim, sim sou eu quem fala... Emma Lancaster Willian... — Aqui é da penitenciária Estadual de Florence, o prisioneiro Edgar Guedes gostaria de lhe falar. — Quem?... Edgar Guedes... Não, não, meu senhor, não conheço nenhum Edgar Guedes, provavelmente há um engano, ninguém nesta residência conhece nenhum Edgar Guedes. — Sim, Edgar Guedes, ele diz ser o seu pai, posso passar a ligação? — Senhor, deve estar havendo um grande engano. O meu pai morreu quando eu tinha 14 anos de idade, isso já faz muito tempo; com certeza esse senhor se enganou e para ele não se iludir mais, diga-lhe que o meu pai está morto e enterrado, sem chances de ressuscitar. — Eu sinto muito senhora, peço desculpas pelo incomodo. Emma retorna com o maior sorriso nos lábios... Então eu lhe pergunto quem era ao telefone. Ela me responde tranquilamente. — Ninguém. – Ela sorri satisfeita. — Foi engano. Emma me beija a boca, pega a nossa filha no colo, respira profundamente como se tivesse tirado um grande peso das costas e da alma. “Enfim, nem todos sempre são perdoados, apenas são esquecidos; deixados em sua plena insignificância.” Edgar Guedes morreu na cadeia cinco anos depois. Contraiu câncer na garganta, morreu calado e sozinho, sofreu bastante as dores da sua doença. Mesmo na cadeia assistiu a felicidade da sua filha, netos e sua ex-mulher, percebeu que todo o mal que fez aos que o amavam voltaram em dobro para ele. Edgar Guedes aprendeu pela dor e da pior forma possível, talvez tenha se arrependido, só que, o arrependimento nesta vida, chegou tarde


demais...

FIM


Epílogo Hoje é um dia mais que especial para mim, já passaram seis meses do nascimento da minha princesa Esther, ela está muito bem... É uma menina esperta e já está se sentando, precisamos ficar atentos as suas peraltices, pois minha princesinha já está arrastando o bumbum, sim... Ela não aprendeu a engatinhar, mas aprendeu a se arrastar e quando menos esperamos lá está dona Esther à beira da cama, ou perto de algo que lhe proporciona perigo. Ricardo ficará velho mais cedo, pois ele vive tomando sustos com as traquinagens de Esther. Mas como eu estava dizendo, hoje é um dia muito especial. Hoje é o meu casamento no religioso... Fui pedida em casamento novamente pelo meu lindo marido. Nunca vou me esquecer deste dia...

...Trinta dias antes... — Mamãe, mamãe, o papai pediu para a senhora usar isso. – Dylan entra em meu quarto todo eufórico, em suas mãos há uma venda de cetim preta, mamãe vem logo atrás do meu filho, e o seu riso farto avisa-me que Ricardo está aprontando alguma. Olho para minha adorável mãe e tento de forma indulgente arrancar-lhe algo. —Mamãe! O que o Ricardo pretende, ande, fale para mim... A senhora sabe que ainda não estou curada do meu problema cardíaco. – Tento chantageá-la. Ela sorri, e me diz com tom autoritário. — Ande, Emma, faça o que o seu filho pediu, coloque a venda nos olhos, pode deixar que seguro a Esther. Entrego minha filha à minha mãe e coloco a bendita venda em meus olhos. Dylan me segura à mão e sou guiada por ele. Desço as escadas com cuidado, o silêncio me faz ficar muito mais nervosa e curiosa. Desço todos os degraus. Dylan me solta a mão, sinto que ele se afasta. — Ricardo! Ricardo! Não se finja de morto, ei que está aqui, sinto o seu cheiro, mas que droga homem, vou ter um treco desse jeito... Ricardo! – Grito. Alguém volta a segurar em minha mão... Uma voz grave que tanto conheço, ordena. — Retire a venda, minha linda mulher. Levo minha mão ao meu rosto e retiro a venda lentamente... Não acredito no que vejo. Ricardo está de joelhos diante de mim, vestido de smoking, com uma rosa vermelha na mão. Ao meu redor, estão todos que moram em meu coração; Otávio, Simone, a pequena Letícia, Afonso, mamãe, Esther, Dylan e todos os nossos funcionários. Ele sorri, fiquei com vontade matá-lo. Com uma voz cheia de emoção e a mão tremula, ele


diz pausadamente: — Emma Lancaster Wllian, você aceita se casar novamente comigo, e agora do jeito que sempre desejei, vestindo um lindo vestido de noiva branco, com direito a véu, grinalda, buquê, arroz, pétalas de rosas, padre e o escambau? Ricardo chorava, meu lindo marido estava carregado de emoção... Não suportei a sua emoção e desabei também. Entre lágrimas, respondo. — Sim! Com a mão trêmula, Ricardo pega no bolso do smoking uma caixa de veludo preta, e a abre. Para meu espanto, o que havia dentro da caixa não era uma aliança ou um anel de brilhante... Havia duas pulseiras de ouro branco, uma com diamantes cercando a pequena placa onde estava escrito: Emma, para sempre minha e a outra Ricardo, para sempre meu. Ele colocou minha pulseira em meu pulso esquerdo e eu coloquei a sua pulseira em seu pulso esquerdo. Ricardo levanta-se e me toma em seus braços, nos beijamos como se não existisse ninguém a nossa volta; logo escutamos os aplausos e o choro da nossa princesa que se assustou com as palmas e assovios.

***

Pois bem, hoje é o dia, mamãe disse que a igreja está lotada, estou dentro da limusine, esperando o comando do mestre de cerimônia. Ricardo entrou com a nossa filha nos braços, ela está representando sua mãe. Serei levada até o altar por meu filho Dylan, ele me entregará ao seu pai... Meu filho parece um homenzinho vestido de fraque, sua vestimenta é igual ao do Ricardo. Meu vestido é digno de uma princesa, todo em renda francesa rebordado com pontos de luz em strass, véu de espanhola, grinalda de flores naturais e um buquê de rosas vermelhas, brancas e amarelas, Ricardo nem se importou com o que mamãe dizia, foi ele quem escolheu o meu vestido e todos os detalhes, e por mais que mamãe dissesse que dá azar o noivo ver a noiva antes do casamento, ele nem se importava. Daimon, Angel, Kael, Beatriz, a pequena Sarah, John, Anabele, Jaime e Yasmine já estavam na igreja. Escolhi Otavio e Simone como meus padrinhos de casamento, Daimon e a Angel são os padrinhos do Ricardo. Foi uma cerimônia linda de viver. Ricardo não conseguia conter as lágrimas, chegou certo momento em que pensei que ele teria uma síncope. Nossa filha não parava de rir, às vezes, tenho a impressão de que ela está brincando com alguém, pois chega a gargalhar e fixa os olhinhos em um ponto como se estivesse prestando atenção em alguma coisa. Hoje não foi diferente, ela sorria com alegria, acho que há algum anjinho brincando com ela. Após a cerimônia, fomos para a festa realizada em um clube privado. Quando cheguei ao


local, não acreditei no que vi, pois a quantidade de convidados era imensa, não tenho nem quinze amigos, foram mais de 500 convidados. Ricardo não se cabia de tanta felicidade, mais parecia uma criança em sua festa de aniversário. Às três da manhã, já estava exausta, não conseguia me manter sentada... Meu lindo e maravilhoso marido carregou-me no colo e fomos nos trocar para viajarmos para o Egito, foi o local escolhido por ele para nossa lua de mel. A propósito! Sabe quem pegou o buquê novamente? Dona Mirela. É, acho que desta vez não tem jeito. Afonso vai ter que casar... E se casou. A cerimônia do casamento dos dois foi muito simples, mas linda de viver. Mamãe estava linda e toda sorriso. Afonso nem se fala, não conseguia esconder a emoção, chorou feito uma criança, quando viu mamãe descer as escadas da nossa casa. Ele a esperava no último degrau. Sinceramente, pensei que ele cairia duro aos pés de mamãe, de tão trêmulo que estava. Mamãe não mora mais conosco, tem a sua própria casa, fica em Suzano. Foi escolha dela, pois resolveu assumir a floricultura. Por isso passei tudo para o seu nome. Dona Mirela está feliz, nunca vi minha mãe tão feliz e realizada como agora. Nem mesmo quando era casada com o meu pai, quando vivíamos aquela falsa família feliz. E por falar em meu pai... Ricardo pensa que não sei que foi ele o mandante do meu sequestro. Sim, eu sei. Uma noite eu estava dormindo e quando acordei o Ricardo não estava na cama; então resolvi levantar-me e procurá-lo, foi então que escutei toda conversa entre ele e o Daimon. O viva voz estava acionado... — Eles já foram julgados, Daimon; os investigadores do John e do Jaime fizeram um excelente trabalho... A Pietra não está em seu juízo perfeito, foi direto para um manicômio judiciário e o Stuart para uma prisão em outro estado, espero que joguem as chaves fora. Só fiquei com dó da Louise, ela sempre foi uma boa pessoa, por isso resolvi lhe ajudar, estou lhe pagando uma pensão mensal vitalícia. É claro que não é nenhuma fortuna, mas dá para viver dignamente. — E o Edgar? O que vai acontecer com ele, você contou para Emma sobre este fato Ricardo. — Deus me livre, Emma não pode nem sonhar que o seu pai foi o cabeça de todo o seu sequestro, Daimon. Você já pensou se ela descobre, não sei se o seu coração irá aguentar tamanha maldade... Não, mas de jeito nenhum contarei isso, nem para ela nem para Mirela, as duas já sofreram por demais com este maldito. — Para onde eles o mandaram, ele certamente pegou prisão perpetua igual ao Stuart? — Até nisso o cara é sortudo, só pegou 40 anos de prisão, foi mandado para prisão estadual de Florence. Jaime tem contatos lá e estão cuidando direito dele, tenho certeza disto, ele se arrependerá amargamente de todas as maldades que fez a Emma e a Mirela. — O Jaime é bom nisso. Ricardo tem certeza que é melhor não contar para Emma sobre o


pai, você conhece a mulher que tem aquela lá tem um gênio do cão, pense meu irmão! Mas seja qual for a sua decisão, nós o apoiaremos. — Emma jamais saberá que o Edgar ressurgiu das cinzas, eu a protegerei daquele verme maldito... Agora vamos falar de coisas agradáveis... Filhos e esposas... Eles ficaram conversando por um bom tempo, subi de volta para o meu quarto, fiquei atordoada com tudo que acabei de escutar. Eu já sabia que o meu pai era um canalha, mas não tão canalha, ele nem pensou no neto e na neta, não pensou que algo de grave poderia me acontecer... Deus! O meu pai é um monstro, ele não tem coração, como uma pessoa pode ser tão ardilosa, cruel... Tranquei-me no banheiro e chorei, chorei muito. Chorei todas as lágrimas que não tinha chorando no passado, lavei minha alma, limpei o meu coração, expurguei Edgar Guedes de vez da minha vida, nunca mais este homem habitaria minha mente e o meu coração... Depois tomei um longo banho e fui dormir. Dias depois sem o Ricardo desconfiar, fui até a prisão estadual. É claro que pedi ajuda a Angel, ela pediu ao Jaime que mantivesse segredo sobre o assunto, ele me ajudou. Consegui ver o meu pai no pátio da prisão, ele estava muito abatido, ficava separado dos outros presos, parecia que conversava sozinho, gesticulava com as mãos como se estivesse discutindo com alguém, foi horrível vê-lo daquele jeito... Lembrei-me do tempo que brincávamos de esconde-esconde, meu pai sempre se escondia em um lugar fácil para que pudesse lhe encontrar rápido... E os presentes que ele levava todas as noites para mim e mamãe, ele nunca se esquecia... Lembrei-me dos seus beijos doces, das suas palavras carinhosas e dos seus carinhos ternos... Nunca em minha vida iria desconfiar que este homem tão gentil e amável poderia fazer com sua filha e esposa algo tão medonho. Será que algum dia, ele nos amou? Será que este homem sem coração alguma vez na vida sentiu o nosso amor, a nossa devoção? Será que algum dia ele sentirá falta de nós duas? Será, meu Deus? Fiquei em um canto observando-o por um longo tempo. Não chorei, não senti nenhuma emoção, nem raiva nem desprezo nem rancor nem mágoa... Nem amor. Fui embora logo depois e nunca mais voltei para vê-lo, virei à página. Talvez tenha feito a coisa errada, talvez devesse perdoá-lo e tentar ajudá-lo, não sei... Fiz o que o meu coração pediu. Tempos depois recebi uma ligação da prisão estadual. Edgar Guedes queria falar com sua filha Emma Willian... Respondi para o carcereiro que o meu pai havia morrido quando tinha 14 anos de idade, desligando de vez qualquer possibilidade de um novo contato, foi o fim da minha história com um homem chamado Edgar Guedes, pelo menos nesta vida.


Meses depois fui informada por Angel que o Edgar estava muito doente e sua doença era terminal, ela me disse o que se passava com ele... Não sou Edgar Guedes, então pedi a Angel que, às escondidas, pedisse ao Jaime que cuidasse do Edgar com tudo que fosse necessário, pelo menos que aliviasse as dores da doença, e que seus últimos dias fossem um pouco menos dolorosos. Assim foi feito. Ele morreu anos depois, fiz uma oração por seu espírito assim que soube da sua morte. A vida continua e os nossos deveres e obrigações também; agradeço a Deus todos os dias pelas benções que me foram dadas. Tenho um marido e companheiro maravilhoso, filhos lindos e saudáveis, tenho irmãos que não são de sangue, mas nosso vínculo é bem mais forte, pois somos irmãos de espírito, minha mamãe está feliz, eu estou feliz... Meu coração está se recuperando aos poucos e logo posso planejar outro filho, a vida segue o seu caminho e a felicidade está ao alcance de todos, é só aceitar o que é lhe dado e fazer dos limões, limonadas doces e refrescantes, pois se não aprendemos pelo amor, aprenderemos pela dor; a escolha é nossa... De um jeito ou de outro, você seguirá a rota que lhe foi destinada, não adiante tentar se desvencilhar do caminho, pois ele sempre será apontado para você... Aprenda a ler nas entrelinhas, Deus não escolhe nada para você, apenas lhe aponta a direção. Siga-a.

...Onze anos depois. — Escute aqui Letícia, vou para Universidade de Oxford, porém volto assim que concluir os estudos, e sempre que puder estarei aqui... Porra! Não vou morrer, vou estudar, não é só por meu pai, é por mim também e por você, quero te dar o melhor de mim... Merda, Letícia, pare de chorar... — Dylan, você prometeu nunca se separar de mim, desde crianças sempre fizemos tudo juntos... Eu... Pensei que você iria cursar uma universidade mais perto, nunca imaginei que fosse para tão longe... Poxa, Inglaterra! É muito longe... E quando penso você tão lindo, dando sopa para aquelas inglesas... Estou morrendo de medo de perder você, Dylan! Pronto falei. — Por quem me tomas Letícia Toledo, futura Willian... Hein! Não me compare a um cafajeste, sou homem, não um Don Juan; oriente-se Letícia, quantas vezes já lhe disse que sou um homem de uma mulher só. Escolhi você para ser minha ainda na barriga da minha dinda Simone. Meu coração pertence a você e só a você... Nunca mais repita essa besteira... — Posso me sentir insegura, senhor Dylan... Seu idiota, presunçoso. Não quero que vá, quero que fique aqui... Letícia sai do meu quarto batendo a porta com força atrás de si... Fui atrás dela bufando de raiva... — Volte aqui, Letícia, volte aqui sua garota malcriada dos infernos. – Alcanço-a no corredor e a trago de volta para o meu quarto. — Preste atenção, não vou para Inglaterra atrás de romance, vou estudar, e sempre que puder virei encontrá-la, prometo a você que não me envolverei com nenhuma moça e você vai me esperar. Promete?


— Sou sua, Dylan, sempre serei... Promete não me esquecer, promete? Vou esperá-lo quanto tempo for necessário... Agora me faça um favor, você faz? Lá vem pedrada, Letícia quando fala dessa forma, é confusão na certa. — Vai, manda a bomba, dona Letícia. — Não caia nas armações do Kael, ele é um descarado mulherengo, passou dois meses aqui em Florence e colecionou uma porção de namoradas; pegou todas as meninas do segundo ano do nosso colégio... Você sabe que estou falando a verdade. — Não sou o Kael, é só o que tenho para lhe dizer, você vai ter que confiar em mim, ok? Eu a seguro pelo queixo e pisco um olho, beijo-lhe a testa carinhosamente, depois a puxo para mim abraçando-a demoradamente. Sou apaixonado por Letícia desde que ela estava na barriga da minha dinda Simone, não sei explicar como isso aconteceu, mas aconteceu e sou correspondido; há um ano namoramos escondidos dos nossos pais, eles dizem que Letícia é uma criança e não tem idade para namoros; meus pais e meus padrinhos sabem do meu amor por Letícia e vivem pegando em meu pé por causa disso, eles têm medo de que eu faça uma besteira, já que sou cinco anos mais velho do que ela. Acho que foi por isso que o meu pai insistiu tanto para que eu vá estudar na Inglaterra, já que ano que vem faço 17 anos e Letícia 12 anos. O que eles não sabem é que ela e eu já estamos namorando e ninguém vai nos separar. — Certo você confia em mim, minha menina ciumenta? – Ela sorri, meu peito se enche de alegria. — Vamos para piscina, antes que os nossos pais venham nos procurar. Seguro em sua mão e puxo para fora do meu quarto. Já tive outras namoradas, mas foi só para adquirir experiência para quando Letícia estivesse pronta para mim e eu para ela... O Kael vive me chamando de trouxa e otário, pois a mulherada vive dando em cima de mim; no entanto, depois que comecei a namorar a Letícia, não me interesso por outra menina, só minha menina ciumenta me completa. —Você vai viajar quando? – Leticia me chama de volta à Terra. — Em três dias, o Kael chega hoje. E por falar nisso, já ia me esquecendo... Paro no meio das escadas, levo a mão no bolso da calça e puxo uma caixa de veludo; abro-a e retiro de dentro dela um anel de esmeralda. Letícia olha para a joia com admiração e mostro o que está escrito na parte interna do anel: “Minha”. Seguro sua mão direita e coloco assim o anel em seu dedo. —Você me pertence, nunca se esqueça disto. – Beijo os seus lábios com carinho.

...No outro dia.


— Eu não acredito você é um otário mesmo? Caralho velho! Você fez isso mesmo? Kael falava com espanto e não parava de rir. — Qual é o problema Kael, não vou deixá-la sem uma marca minha, fiz mesmo, coloquei um anel em seu dedo, comprometi-me e a marquei como minha... — Otário. Porra, Dylan! O que vai ter de mulher nos dando mole na Inglaterra, e você preocupado com uma criança... A Letícia é uma criança, velho, ela só tem onze anos, você enlouqueceu? Com tanta boceta dando mole, você fica sonhando com uma que aposto que nem pelos têm. — Pode parar Kael, respeite a Letícia... Sim, ela é uma menina, mas não será para sempre, e aquela criança é minha ok? Quando voltar da Inglaterra, ela será uma mulher e só minha. — Ok! Não se preocupe, eu como todas as bocetas que você dispensar; afinal, vai sobrar mais mulher para mim, já que você é fiel. Quer dizer, um otário. — Um dia, Kael, verei você apaixonado, caído de quatro por uma mulher, você ficará tão doido por ela, que fará qualquer loucura só para tê-la, aí eu terei o prazer de chamá-lo de otário. Ele começa a gargalhar. — Essa praga não pega em mim, pois nunca vou me apaixonar, para que eu quero uma mulher, se posso ter todas que quiser... Kael pertence a todas as gostosas... — Vá rindo Kael Walker vá rindo, o que é seu está guardado, a dona da sua vida deve estar por aí só te esperando. Kael levanta-se todo nervoso, quer deixá-lo bravo é dizer que alguém vai conquistá-lo. Kael nunca se apegou a nenhuma menina, quase todo dia está com uma diferente; meu tio Daimon vive lhe dando bronca, pois os pais das meninas vivem ameaçando o Kael com uma boa surra... Às vezes, acho que o coração do Kael é de pedra... Tantas moças bonitas já passaram por suas mãos e ele nem lembra os seus nomes. Ele pega, beija, com algumas transa e depois dispensa como se não valessem nada. — Se ela existe, ficarei bem longe dela, não nasci para ficar preso a ninguém, sou livre e gosto disso... Faça bom proveito das amarras. Divirta-se, seu otário. – Fala com raiva nas palavras. — Sou paciente primo, cedo ou tarde a sua mulher vai surgir bem à sua frente como por encanto... Assim... – Estalei os dedos em frente ao seu rosto. Kael afasta minha mão. Solto uma sonora gargalhada. — Vá sonhando Dylan... – Juro que a atropelo se isso acontecer.


— Kael, será você o atropelado, pode ficar atento a isso. Embarcamos no dia seguinte para Inglaterra, levo na mala meu futuro como substituto do meu pai nas empresas Willian e o meu amor por Letícia. Quanto a Kael, esse eu tenho certeza de que o futuro lhe reserva surpresas extraordinárias... Alguém em algum lugar o espera.


Próxima história (Quem leu Recomeço, conheceu Guilherme o ex-marido de Malu, um homem possessivo, ciumento, arrogante e muito controlador. Esta será a sua história, vamos saber o que aconteceu com ele após a sua trágica separação.) Depois de Tudo, VOCÊ.

As coisas boas se vão para que outras coisas melhores possam vir. Após o seu conturbado divórcio Guilherme Gusmão é assombrado por seu passado, pois o seu lado sombrio o fez perder a mulher que mais amou na vida. Hoje ele vive a sombra desse amor, o medo de machucar e ser machucado afasta qualquer possibilidade de se envolver com outra mulher. Os seus únicos amores são suas filhas, elas são a razão do seu sorriso aberto. Namoros, paixões nem pensar, quanto mais um novo amor, relacionamento só com as profissionais do sexo, pois quando ele quer sexo ele compra. Será que Guilherme conseguirá esquecer o seu passado, esquecer o amor doentio que ainda nutre por sua ex-mulher? Será que existe alguém esperando por Guilherme em algum lugar do universo, e esse alguém conseguirá ensinar e mostrar para ele que é possível sentir prazer sem precisar machucar. LaraSmithe Página do facebook: https://www.facebook.com/groups/315187578671114/


2 - Lara Smithe - Emma  
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