Issuu on Google+

# 071

ANO 07 / 2011 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA LEITURA NÃO RECOMENDADA PARA MENORES DE 18 ANOS.

#071

SEMPRE SEMPRE


Materiais nobres encontram os modelos clåssicos na coleção Vans California.


Š 2011 Vans, Inc. www.vansbr.com


A ÚLTIMA QUE MORRE

NESSA EDIÇÃO

Pelo menos dois integrantes da nossa equipe já flertaram com o movimento escotista quando eram pequenos pimpolhos. E olha só onde eles foram parar... A cura pra essa bundamolice toda que anda rolando por aí pode estar nos lugares menos prováveis, vamos seguir acreditando nisso.

ESCORREGADA

Nem o poderoso Metallica conseguiu escapar da lista dos 1001 Discos para Ouvir Depois de Morrer. Mas vamos combinar que foi um clássico caso de PEDIU, LEVOU.

BAREA

Aparecer nas páginas da Void pode lhe proporcionar momentos emocionantes como, por exemplo, ser aplaudido de pé em uma loja de conveniência. recordar

COLETA SELETIVA

Seu Fernando é um colecionador de histórias. Partindo-se do princípio que todo e qualquer objeto existente na face da Terra tem uma pra ser contada.

é morrer

TEXTO E FOTOS

GABRIELA MO

SEU FERNAN É UM HOMEM C APOSENTADO, PAI CRESCIDAS E UM BO NÃO FOSSE POR UM VÍC A OBSESSÃO POR H

Correspondências já amareladas pelo efeito do te amigos e cartões de ex-namoradas da juventude. A lembranças da própria vida, Fernando Antônio Sá lembranças do mundo inteiro. Fotografias origina exemplo? Ele tem e sabe quem tirou, quando tiro estadistas mais famosos do Brasil desde o descobr e emoldurado em um canto ainda esperando para e de personalidades? Claro que sim, ficam sobre um caminho. É um andar inteiro da casa cheio de livros, E no meio de tanto material, também tem réplica Guerra Mundial, do tamanho de uma Barbie, com bicicletas e até animais, como ca

O COLECIONADOR POR FELIPE SOUZA

68

FOTOS MAURICIO CAPELLARI

69

60

CAPA(S)

VOID # 063 EM PELO

VOID # 061 NÓIS QUE VOA VOID # 070 POIS FOI

VOID # 062 MOCADO

VOID # 060 NADAAVER

VOID # 058 EU ACREDITO VOID # 067 FOTOS

VOID # 069 MEIA NOVE

VOID # 057 MAU SUJEITO VOID # 066 FEZES

VOID # 059 BABY BOOM

VOID # 056 FOTOS VOID # 065 BAZINGA!

VOID # 068 NA LINHA

VOID # 055 AGORA VAI VOID # 064 CORPO SINTÉTICO

FOTO DA CAPA: MAURICIO CAPELLARI

O museu particular do Seu Fernando tem de o funcionário dos correios ainda não ve construído ao longo dos anos, enquan trabalhava como advogado. Agora, chuteiras penduradas, tem ainda adquirir coisas, organizar e essa mania.


EXPEDIENTE

PONTOS DE DISTRIBUIÇÃO BELO HORIZONTE

Direção: Gabriel Rezende Marco Arioli Pedro Hemb Rodrigo Santanna Vicente Perrone Editor: Pedro Damasio Repórteres: Felipe de Souza, Piero Barcellos e Gabriela Mo Projeto gráfico e Diagramação: Lucas Corrêa @Lava www.lavastudio.com.br Diagramação: Claudio Sudhaus www.sudhouse.com.br Fotografia: Maurício Capellari Gabriela Mo Planejamento: João Francisco Hein Jurídico: Galvão & Petter Advogados office@galvaoepetter.com.br

Black Boots – Rua Fernandes Tourinho, 182 www.blackboots.com.br Blunt – Montes Claros, 189 www.blunt.com.br Brechó Brilhantina – Rua Tomé de Souza, 821 www.brechobrilhantina.com.br Café com Letras – Rua Antônio de Albuquerque, 781 www.cafecomletras.com.br De Rua Skateshop – Rua Paraíba, 1061 Estabelecimento – Rua Monte Alegre, 160 www.barestabelecimento.com La Tosqueria – Rua Claudio Manoel, 329 www.latosqueria.com.br Mini Galeria – Av. Cristóvão Colombo 550 sl.27 – Savassi www.minigaleria.com Tribe – Shopping Del Rey Uzina – Rua Grão Mogol, 908 www.uzinarestaurante.com.br

CURITIBA Airlab – Al. Prudente de Moraes, 1668 www.airlabels.blogspot.com Brique – Rua Duque de Caxias, 380 www.lojabrique.com.br Café Skate Bar – Praça do Redentor, 23 De Outros Carnavais - Rua Duque de Caxias, 378 São Francisco Galeria Lúdica – Rua Inácio Lustosa, 367 www.galerialudica.com.br Kitinete – Duque de Caxias, 175 Lamb – Vicente Machado, 674 www.lojalamb.com.br Lolitas Salon de Coiffure – Trajano Reis, 115 www.lolitassalondecoiffure.blogspot.com Nayp - Shopping Omar www.nayp.com.br Teix Tatoo – Av. Vicente Machado, 666 www.estudioteix.blogspot.com

PORTO ALEGRE BANX - Alameda Major Francisco Barcelos, 127 www.banx.com.br Callohã – Shopping Lindóia www.calloha.com.br Casa Azul Hostel – Lima e Silva, 912 www.casaazulhostel.com.br Convexo – Shopping Iguatemi Convexo – Shopping Praia de Belas www.convexo.com.br Fita Tape – José Bonifácio, 485 www.fitatape.art.br Matriz Skate Shop – Shopping Total www.matrizskate.com Ocidente – Osvaldo Aranha, 960 Odessa – Rua João Telles, 542 OI FM – Padre Chagas, 347 www.oifm.com.br/portoalegre Ossip – República, 677 Panda&Mônio – 5ª Avenida Center www.pandaemonioblog.com Perestroika – Furriel L. A. V., 250/1302 www.perestroika.com.br

Pandorga – Miguel Tostes, 897 www.lojapandorga.com.br Sexton –Barão de Sto Ângelo, 152 www.sexton.com.br Swell Skatepark – Viamão www.swellskate.com.br Tow In – 24 de Outubro, 484 Tow In – Barra Shopping Sul www.towin.com.br Vulgo – Padre Chagas, 318 www.vulgo.com.br W House - Rua Santo Inácio, 164

RIO DE JANEIRO Addict – Shopping Leblon Addict – Rua Aristides Espínola, 64 www.verdadeiraidentidadeaddict.com.br Baratos do Ribeiro – R. Barata do Ribeiro, 354 – Lj. D www.baratosdoribeiro.com.br Boards Co – Galeria River www.boardsco.com.br Home Grown – Rua Maria Quitéria, 168 www.homegrownrio.blogspot.com La Cucaracha – R. Teixeira de Mello, 31, Lj. H www.cucaracha.com.br Plano B – R. Francisco Muratori, 2ª Redley – R. Maria Quitéria, 99 www.redley.com.br Roques – Niterói Street Force – Galeria River

Nike Sportwear – Praça dos Omaguás, 100 www.nike.com Polaco Tatoo – Rua 24 de Maio, 225 - 1º andar www.polacotattoo.com.br Rip Curl - Rua da Consolação, 4544 www.ripcurl.com.br Super Cool Market - Rua Purpurina, 219 www.supercoolmarket.com.br Terraço Major – Rua Major Maragliano, 421 www.terracomajor.wordpress.com Visionaire – Galeria Ouro Fino www.visionairestore.com.br Volt – R. Haddock Lobo, 40 www.barvolt.com.br Wave Boys – Galeria Ouro Fino www.waveboys.com.br Z Carniceria – R. Augusta, 934 www.zcarniceria.com.br

UNIVERSIDADES BELO HORIZONTE Fumec FCH – Rua Cobre, 200 www.fch.fumec.br Una – Rua da Bahia, 1764 www.una.br

CURITIBA PUC – DCE www.pucpr.br

SÃO PAULO

PORTO ALEGRE

American Apparel - Rua Oscar Freire, 433 www.americanapparel.net B.Luxo – R. Augusta, 2633 Lj. 18 www.brecholuxo.blogspot.com Bacuri - Rua Alagoas, 852 www.bacurisucos.com.br DCK – R. Augusta, 2716 www.dckstore.com.br Eastpak – R. Augusta, 2685 www.eastpak.com.br El Cabriton y Amigos - Rua Augusta, 2008 www.elcabriton.com Forever Skate – Galeria do Rock www.foreverskate.blogspot.com Galeria Choque Cultural – João Mora, 997 www.choquecultural.com.br Hotel Tee’s – R. Augusta, 2633 – Lj. 20 www.hoteloja.blogspot.com Haters and Skills – Rua Augusta, 1371 - Loja 209 www.hatersandskills.com Japonique - Rua Girassol, 175 www.japonique.blogspot.com Kebabel – Rua Fernando de Albuquerque, 22 Kebabel – Rua João Moura, 871 www.kebabel.com.br Matilha Cultural – R. Rego Freitas, 542 www.matilhacultural.com.br Maze Skateshop – R. Augusta, 2500 www.mazeskateshop.com.br Me Gusta – Rua Augusta, 2046 Mercearia São Pedro - Rua Rodésia, 34

ESPM – Bar Prédio 2 ESPM – Bar Prédio 3 www.espm.br PUC – Administração PUC – FAMECOS www.pucrs.br UFRGS – Arquitetura www.ufrgs.br/arquitetura/ UFRGS – Fabico www.ufrgs.br/fabico/ Uniritter – Orfanatrófio, 555 www.uniritter.com.br

RIO DE JANEIRO ESPM – Rua do Rosário, 90 www.espm.br PUC – CACOS PUC – CRAA www.puc-rio.br

SÃO PAULO Belas Artes – DvCM www.belasartes.br ESPM – CA4D www.espm.br FAAP – CA de Arte www.faap.br Mackenzie – DA de Comunicação e Artes www.mackenzie.br


COLABORADORES Leandro Vignoli é radialista da

Lairton Rezende, também conhecido como Jacaré do Mar, é artista visual e pai do HomemBanana, o herói da dúvida. lairtonrezende@gmail.com

Lise Bing NÃO É uma garota quietinha. Gadgets e bizarrices internéticas são o recheio da sua coluna Bing Bang! lisebing.tumblr.com

Vini De La Rocha é jornalista, noiado e morador de São Paulo... Ainda quer ser roteirista, também noiado, e morar um tempo na Espanha. vinidelarocha@gmail. com

Lucas Pexão é dono da Galeria

Fita Tape e representa artistas via noz.art. Na Void ele escreve sobre arte e faz a curadoria da seção Magma. www.noz.art.br/pexao

Fabrizio Baron vive em um mundo envolvente onde tudo é possível. Nas horas vagas, trabalha com carteira assinada. É dele a coluna I Shot Macunaíma.

Ana Ferraz faz um monte de

Denise Rosa não canta

Oi FM e nosso expert em música e adjacências. Ele é residente nas seções “Na Caixa” e “1001 Discos”.

coisas ligadas a projetos de arte e divide com Pexão a responsa na Galeria Fita Tape, e na seção Magma da Void.

Mr Lexuz é um cara

que vai no intestino grosso da televisão mundial transmitida a baixo custo, sempre a bordo do seu inseparável controle remoto.

Tobias Sklar é editor da

Vista e colabora para a Void na seção Na Base.

mais as bolinhas do bingo, mas ajuda a organizar o galeto da paróquia. denise@avoid.com.br

CORROBORE! VOCÊ TAMBÉM TEM ALGO A DIZER, MOSTRAR, SOCAR NA FERIDA OU ARREMESSAR NO VENTILADOR? MANDE UM EMAIL PARA VOID@AVOID.COM.BR E CORRA O RISCO DE ENTRAR PARA ESSA LISTA DE NOBRES IMORTAIS PENSADORES. A REVISTA VOID É UMA PUBLICAÇÃO MENSAL COM DISTRIBUIÇÃO GRATUITA E TIRAGEM DE 20 MIL EXEMPLARES

v Rua Felipe Neri, 148/303 Porto Alegre - RS - 90440-150 Fone: (51) 3023-7662 Email: void@avoid.com.br

www.avoid.com.br A VOID não se responsabiliza por opiniões emitidas em artigos assinados que não refletem, necessariamente, a opinião da revista. Os trabalhos identificados pelo ícone da licença Creative Commons têm sua publicação permitida nas seguintes condições: Distribuição e adaptação livre sem fins comerciais mediante o crédito do autor. Info: http://creativecommons.org/international/br


na privada

POR FELIPE DE SOUZA, GABRIELA MO E PIERO BARCELLOS

Já dizia o sábio: gosto é que nem cu, cada um tem o seu. Isso se aplica à cerveja: há quem prefira as mais amargas tipo pilsen, outros mais suaves como a ale, uma mais doce como a Malzbier... Outros já dão preferência pelo país de origem: Uruguai, Argentina, Alemanha, Inglaterra... E há quem goste daquelas marcas mais populares com gosto de mijo, já que o importante é estar bem gelada.

Crédito: ultradownloads.Com.br

Pois agora os degustadores do fermentado de cevada têm a oportunidade de mostrar que são muito mais do que meros beberrões e que também podem fazer o seu próprio néctar do lúpulo. Uma cervejaria dinamarquesa lançou a Free Beer, bebida que leva na embalagem a receita para que as pessoas possam fabricar a sua própria cerveja no recanto do seu lar. A fórmula é distribuída sobre a licença Creative Commons – que permite produzir, comercializar e modificar conteúdos da internet livremente, desde que citada a fonte original. Se você leu isso aqui, e decidiu partir para uma solução alternativa e caseira, mande umas ampolas do nobre líquido para a redação. Degustaremos com prazer. Info: freebeer.org

14

Crédito: reprodução

BEER D.I.Y. Já cuRtIu o conDE chIquInho ScaRpa?

pLantÃo poLIcIaL

Pessoas, revistas, empresas, causas... O Facebook virou abrigo para toda a sorte de manifestação humana e é com o coração cheio de júbilo que informamos que na categoria Figura Pública do site de relacionamentos está ninguém menos que o übber socialite Chiquinho Scarpa, ou melhor, Conde Francisco Scarpa Filho. As más línguas dizem que de conde ele só tem a pompa, mas o perfil do cara é cabuloso e, antes de tirar onda com o tiozinho nos comentários da página, atente para o fato que ele é faixa preta de Aikido, formado pela Aikikai Foundation de Tóquio.

Um crime hediondo está agitando a cidade de Curitiba nos últimos dias. Um grupo de hippies que estava pregando o amor universal sofreu um ataque violento por parte de extremistas que enxergam o mundo com os pés no chão. Os hippies estavam em uma casa, no centro da capital, gravando um clipe para a internet, quando tudo aconteceu. O delegado Antônio Padilha, da 12ª DP relata que encontraram os integrantes da banda que foi considerada a mais bonita da cidade, trancafiados em uma sala pequena no porão, amarrados. A ação, segundo ele, foi causada pela criação de um refrão grudento de rima pobre. Para ele, resolver este crime não é tão simples quanto pensa, pois nele cabe o que não cabe na despensa. Cabe o meu amor, cabe três vidas inteiraaaas, cabe uma penteadeira, cabe nós dois. Cabe até o meu amor, esta é a última oração pra salvar seu coração. Coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na despensa, cabe o meu amor, cabe três vidas inteiras, cabe uma penteadeira, cabe nós dois. Cabe até o meu amor...

Claro que o álbum de fotos é uma atração á parte, com direito a imagens dele com figuras como Claudia Schiffer e Anthony Hopkins, além de retratos dele no extinto Programa do Chacrinha (!). Um conde em uma terra onde a monarquia acabou há séculos, e ainda por cima com perfil no Facebook... Isso é Brasil! Vai lá e curte muito! Info: www.facebook.com/ChiquinhoScarpa


BOA

Tirou uma? void@avoid.com.br

CRISTO VS. DESMORTOS Você leu aqui na edição anterior que um grupo evangélico dos EUA anunciou que o dia 21 de maio era a data do Juízo Final, quando haveria o arrebatamento dos cristãos de coração. Como na Terra só tem filho da puta, ninguém ascendeu aos céus e continua tudo a mesma merda de sempre. Mas podia ser pior. Na cabeça do escritor americano Stephen Lindsay, o apocalipse vem em forma de zumbis. E Deus, num ato de piedade, manda seu filho mais ilustre para a Terra a fim de chutar algumas bundas em decomposição e salvar a humanidade.

FUTURAMA

Enviado por Gabriela Mo Gabriela@avoid.com.br

Este é o mote da HQ indie Jesus Hate Zombies. Além do nazareno, outros personagens aparecem na história para ajudar na erradicação dos mortos-vivos, como Elvis Presley, Madre Tereza, e Abraham Lincoln. A novidade é que esta bizarrice vai parar no cinema, e já está em produção, com provável lançamento em 2012 – ano do fim do mundo, segundo os maias. Já dá até pra imaginar o mimimi religioso daqueles que acham isso uma heresia e que, para nosso azar, não foram arrebatados para bem longe daqui.

FISGAMOS

Fisgou alguma? void@avoid.com.br

“pois é. o pessoal não pira muito na alFaCe”

“Fio terra é inClusão digital.”

“Cara! Carquei a broCa do pré-sal na mina!”

De um adepto ao veganismo, reconhecendo as limitações de sua filosofia alimentar.

De um distinto doutor em língua portuguesa, explicando práticas sexuais heterodoxas. Fisgado por Pati Salvadori

De um amigo contando as novidades do feriado. Fisgado por Guilherme Barana

15


VOCÊ CRESCEU, ELES TAMBÉM Por PIEro BArCELLoS

Ah, A infânciA... ÉpocA em que suAs únicAs preocupAções se resumiAm em não tirAr o quebrA-cAbeçAs no Kinder ovo e não perder o horário dos desenhos e sÉries preferidAs nA tv. isso AtÉ A horA em que os hormônios explodem, e você pAssA A ver sexo AtÉ no simples Ato de pAssAr mAnteigA no pão (mAnteigA? hummm...). e isso se AplicA tAmbÉm Aos seus progrAmAs infAntis fAvoritos: eles sAírAm dAquele Ambiente fAntástico de trAços toscos e AgorA estão de cArne e osso, mAndAndo ferro nA xurAnhA.

JUSTICE LEAGUE OF PORNSTAR HEROES única película que foge à regra de nomes com “xxx” e “parody” no título. o filme faz uma singela homenagem ao antigo desenho da liga da Justiça. como história e coerência não são o forte destas megaproduções, a equipe de super heróis precisa descobrir onde está escondida uma bomba que explodirá com a cidade. Óbvio que antes disso muitos orifícios foram arregaçados. A cena final (sim, são spoilers) termina com a trupe comemorando o sucesso da ação, com a mulher maravilha dando um trato nas bengas heroicas dos seus colegas. o Aquaman, apesar de aparecer neste filme, não participa de nenhuma cena de foda. Afinal, que tipo de mulher fornicaria loucamente com um cara que conversa com peixes? foge, mulher maravilha!

16 / na PRIVADA

SUPERMAN XXX A PORN PARODY nesta pérola do cinema putanhesco, superman precisa lidar com a queda de um avião, a ameaça do lex luthor e a invasão do general Zod e seus asseclas, e ainda assim comparecer com sua giromba kriptoniania na lois lane.

BATMAN XXX A PORN PARODY diferente do imaginário popular, neste filme o menino prodígio não agasalha o croquete do cruzado encapuzado. pelo contrário: a dupla dinâmica precisa enfrentar charada e coringa no seu plano malévolo, que pouco importa qual seja num filme pornô. nesta obra prima, um coringa oriundo do seriado dos anos 60 come duas mulheres ao mesmo tempo, e a pergunta que não quer calar é: alguma mina daria pra um cara vestido de palhaço?

SCOOBY-DOO XXX A PORN PARODY os nomes dos filmes não variam, pois são feitos pelos mesmos pervertidos de sempre. mas neste caso, uma curiosidade: o cachorro que dá nome ao filme sequer ApArece! em compensação, fred, daphne, Welma e salsicha (rá) revezam-se na arte do “tome-lhe, tome-lhe” frenético. quem acreditava no potencial de gostosice da gordinha nerd do seriado que levante a mão peluda, pois ela aqui traça até a ruivinha tapada.

THE FLINTSTONES A XXX PARODY este filme é a maior prova de que gordo só se fode (ou melhor, não fode). fred flintstone é um homem de adiposidade extrema que sonha com sua esposa e sua vizinha colando velcro loucamente, desconfia que Wilma o está traindo com um amigo de infância, acredita que pedrita ainda é virgem (só se for na orelha) e que ninguém gosta dele. dois terços das fodas do filme são as fantasias do fred, que não pega nem gripe. o resto é a metelança da clave na caverna que todo mundo já conhece.

SIMPSONS: THE XXX PARODY para satisfazer todos aqueles que possuem um tesão na voz esganiçada da marge é que existe esta paródia onanista. o filme começa com um suposto homer (suposto, pois está disfarçado), trocando a sextape dele e da esposa por uma rosquinha. Além deles, moe atocha a piromba numa tetéia genérica e há uma foda com aquele personagem-paródia do Arnold schwazzeneger. fica a dúvida em como conseguiram deixar os atores amarelos: se foi efeito especial proporcionado pela maravilhosa edição, ou se pintaram todos com caneta marca-texto. e acreditem, alguém dublA o ator que faz o homer, propiciando uma foda literalmente gozada!


A MORTA

VOCÊ NÃO É NERD É inadmissível conceber que com todo este bullying maroto pegando lá fora, tenha gente que estufe o peito (depois de usar a bombinha de ar) para dizer que é nerd. Todos sabem que estes seres míticos foram extintos em 1994, quando foi lançado o último filme da série “Vingança dos Nerds”. O que há hoje é popularmente conhecido como MODINHA. E como toda modinha merece ser achincalhada, aí vai:

BISCOITOS DO AZAR Alguém já levou a sério as mensagens dos biscoitos da sorte chineses? Não, né? Quem nunca recebeu a mensagem “Você viajará em breve” e nunca teve oportunidade de ir nem para São José do Buraquinho? A fim de renovar as mensagens de sorte e torná-las um pouco mais realistas, criamos sugestões alternativas para serem adotadas pelos restaurantes chineses e afins.

ME VISTO COMO PERSONAGEM DE STAR WARS. SOU NERD? Não. No máximo você é alguém com um leve retardo mental que se apega num universo paralelo para se esquecer da sua vida de “gente grande”. única exceção se aplica às gostosas que usam o biquíni de metal da Princesa Leia.

Quem come sempre a sobremesa, se torn

ará obeso.

Contas a pagar chegarão em breve. Mais ganha um puxa-sacos do Nossa cozinha tem baratas.

que um competente no trabalho

O molho agridoce lhe causará diar

A conta do restaurante é maior do que seu

.

réia.

limite bancário.

Em um ambiente com 10 pessoas, uma tem HPV. Um Tic Tac tem mais do que duas calorias.

Se você nunca foi traído, um dia será. O Pólo Norte pode desaparecer até 2020.

COLECIONO QUADRINHOS. SOU NERD?

Amigo, se você tem mais de 14 anos, e a sua pilha de gibis da Turma da Mônica supera a da Playboy, você não é nerd, só tem probleminha. Ter um encadernado do Watchmen ou do Cavaleiro das Trevas não te faz um especialista no assunto também, só prova que você tem grana para gastar num gibi gigante cuja história você está se esforçando pra entender até agora.

TENHO SEMPRE AS ÚLTIMAS NOVIDADE DA APPLE. SOU NERD?

De forma alguma. O fato de você ser um

macfag diz muita coisa a seu respeito. A principal delas é que você é só mais um coxinha que não entende porra nenhuma de nada, mas quer ganhar status na rodinha hipster de publicitários, DJs e designers.

FICO 24H CONECTADO NA INTERNET. SOU NERD?

Crianças, não digam para si mesmas que são nerds apenas para justificar o fracasso das suas vidas sociais. Vocês ficam este tempo todo conectados porque são feios como um rascunho do capeta e cuja única emoção na vida se resume a encontrar alguém brincando de pintocóptero no ChatRoulette e reclamar de quem faz check-in no Foursquare (já que estes estão fazendo coisas que você não faz, como sair, beber e trepar).

17


18 / na PRIVADA

Na segunda posição das letras mais confundidas está Purple Haze, do Jimi Hendrix. Há uma parte da música que diz “Excuse-me while I Kiss the sky” e muita gente compreende como “Excuse me while I Kiss this guy”. Para completar o pódio, vem Dude Looks Like a Lady, do Aerosmith. O trecho que embaralha a audição da rapaziada inglesa é exatamente o nome da canção, que é confundida como Do Just like a lady.

Essa obra prima da pesquisa científica foi feita para conscientizar a população dos malefícios do acúmulo de cerume nos ouvidos (blergs!). No Brasil, o desafio poderia ser decifrar o que cantam os seguintes artistas: 1 – João Bosco – Papel Machê 2 - Raimundos (com vocal do Rodolfo) – Baile Funky 3 - Ratos de Porão – La Crocodila

Crédito: diVulgação

Crédito: diVulgação

PoR FELIPE DE SouzA

Um fabricante britânico de medicamentos decidiu fazer uma pesquisa no mínimo curiosa. A companhia quer saber qual a letra de música que os ingleses mais erram ao tentar cantar. E a música campeã de escorregadas foi Sidewinter Sleeps Tonite, lançada em 1993 pelo REM. Segundo os sérios pesquisadores, quando o vocalista canta o trecho que diz “Call me when you try do wake her”, geral entende “Calling Jamaica”. Vai saber...

Crédito: diVulgação

MÚSICAS PARA COMBATER O CERUME


Crédito: CC_HelloFoto

BEBER, DORMIR E GANHAR DINHEIRO Se você é a personificação na Terra da tríade Comer, Beber, Dormir, saiba que um futuro promissor pode estar lhe esperando. A Inbev, cervejaria que cuida da fabricação da famosa Budweiser em território britânico está recrutando um jovem com o seu talento para ganhar grana entornando as garrafas da marca. O trampo é mais que simples: o escolhido para a missão vai ter que observar o aroma, o sabor e a temperatura da breja antes de ela ser servida para músicos e DJs durante os festivais de verão na Grã-Bretanha. A remuneração por seis dias de trabalho é no mínimo polpuda: 10 mil libras. A cervejaria se junta a outros empreendimentos que lançaram mão desse truque de “Emprego dos Sonhos” para atrair para si a atenção de consumidores, candidatos a bon vivant e desocupados em geral. Dá uma olhada em outras oportunidades que passearam pelos classificados nos últimos tempos. Zelador de ilha paradisíaca: Em 2009, as autoridades do estado australiano de Queensland quiseram dar um upgrade no turismo

do local e lançaram um concurso para escolher o zelador de uma fantástica ilha da região. O trampo consistia em contar as belezas do local em um blog diário, além de alimentar tartarugas, observar baleias e limpar piscinas. De lambuja, uma casa de três quartos e um bugue. Salário: US$ 150 mil por seis meses de labuta. Testador de praias: Em abril deste ano a revista sueca Amelia convocou o público, através de um anúncio em uma de suas edições, para o recrutamento de uma pessoa que “testaria” praias paradisíacas. Eram exigidas habilidades como nadar, ser capaz de experimentar drinks diversos e simplesmente ter a manha de fazer absolutamente nada por longos períodos. O felizardo escolhido teria que trabalhar em picos como Córsega, Cidade do Cabo e algumas praias asiáticas. Ah, saber falar e escrever no idioma sueco é imprescindível. Você acha que se encaixa no perfil?

IMITE UMA PRANCHA E SE FODA Você trabalha com mídias sociais e crê na internet como uma ferramenta de trabalho que propicia a integração de pessoas? Ou é um entusiasta que defende a grande rede como uma fonte infinita de conhecimento e aprendizado? Esqueça. Sejamos realistas, a web só serve para duas coisas: facilitar o acesso à pornografia e unir idiotas em idiotices comuns. A prova da primeira está no histórico do seu navegador. A segunda aqui: a mais nova brincadeira do Facebook, depois das fazendinhas, é o planking, em que pessoas postam fotos deitadas, com o corpo esticado em forma de prancha, em lugares inusitados. A ideia, que surgiu na Austrália, é sempre superar os demais no quesito “perigo”. Tanto que uma figura já morreu ao cair do sétimo andar de um prédio quando tentou imitar uma tábua, e oito funcionários de um supermercado receberam bilhete azul depois de “pranchearem” durante o serviço em cima de gôndolas e equipamentos da firma. Depois disso, aquelas fotos de mulheres fazendo bico de pato na frente do espelho não parecem tão imbecis assim...

19


A ONDA DO MOMENTO É SER NAZISTINHA PoR FELIPE DE SouzA

Dos golpes de lâmpada fluorescente na Avenida Paulista às manifestações de Bolsonaro em Brasília, passando pelo Leste Europeu ou pelo mundo da moda na França, parece que a onda do momento é ser intolerante e simpático às causas da extrema-direita, para não dizer ao nazismo puro e simples. Ah, e o mundo das celebridades não ficou de fora, sendo, aliás, lançador de tendência. A primeira figura pública a manifestar apreço pelas ideias de Adolph Hitler nesses últimos tempos foi o estilista John Galliano que, depois de tomar uns gorós em um café parisiense, ofendeu um grupo de pessoas que estava sentado próximo a ele dizendo que “judeus deveriam morrer com gás”. A Dior, grife que empregava o figura, agiu rápido e o demitiu imediatamente. Para ter uma prova cabal da boçalidade de Galliano, basta ir até o site do The Sun (www.thesun.co.uk) e digitar o nome do estilista no campo de busca para assistir ao vídeo do piti que o cara deu.

20 / na PRIVADA

Mais recentemente foi a vez do cineasta dinamarquês Lars Von Trier, em um momento de diarréia mental, declarar seu amor ao Führer. Durante a entrevista coletiva de apresentação do seu novo filme, Melancholia, ele disse que Hitler “não é o que chamaríamos de um bom homem, mas simpatizo um pouco com ele”. Depois da cagada ele tentou remendar, dizendo que durante muito tempo pensou ser judeu e feliz, mas descobriu que na realidade era um nazista. “Na realidade percebi que era um nazista, porque minha família era alemã, o que também me agradava”, mandou Trier. Para fechar, veio de terras nipônicas outra manifestação de simpatia ao Reich. Em uma apresentação para a MTV, a banda de J-Pop Kishidan resolveu inovar no figurino e seus integrantes apareceram na telinha vestidos como agentes da SS. Coube à gravadora do conjunto, a Sony, meter a cara e mandar um pedido de desculpas declarando que a banda “nunca mais irá usar estes uniformes, que serão imediatamente jogados fora”. Qual será o próximo artista a aderir ao estilo 88? Aguardemos...


SABOR TÓXICO A VOID É AMADA e ODIADA. NãO PODeMOS eVITAR. Já ReCeBeMOS AqUI NA ReDAçãO, eNTRe BRINDeS e PReSeNTeS CARINhOSOS, AMeAçAS De MORTe e ATÉ COCô eM CAIxAS De SeDex (VIDe VOID #066). ReCeNTeMeNTe, UM De NOSSOS qUeRIDOS PONTOS De DISTRIBUIçãO eNVIOU à ReDAçãO PeTISCOS JAPAS: BAlAS, BOlAChAS, CháS, gUlOSeIMAS... TUDO COM O RóTUlO eM JAPONêS. COM UMA MãO NA FReNTe e OUTRA ATRáS, PROVAMOS CADA UM DOS ITeNS. eM TeMPOS ONDe ATÉ COMeR PePINO PODe DAR MeRDA, NãO CUSTA TeR PReCAUçãO AO INgeRIR COMIDA MADe IN JAPãO.

SupeR leMOn A embalagem pop art esconde uma explosão ácida. Faz os mais durões chorarem e os fracos desistirem à primeira chupada. Redondinha e em um tom verde claro, a bala parece uma mistura do limão mais azedo com sal. É como beber tequila sem a tequila propriamente dita. Provavelmente contém alto teor de toxidade.

BOlAChAS vICIAnTeS Ao menos dois pós brancos estão presentes na receita desse biscoito de nome indecifrável: sal e açúcar. Aguça os sentidos, dá energia e vicia. É impossível se contentar com apenas um pacotinho. Todos querem um pouco. Na embalagem, a moça de chapéu equilibra o sabor enigmático em uma imagem inocente.

MARShMAllOw ReCheAdO O doce de consistência mais esquisita do mundo em sua versão recheada. Marshmallows embalados individualmente combinados com chocolate ou pudim. Bom demais para ser inofensivo.

BATATAS fRITAS COM SABOR de Mel

eRvA AnSIOlíTICA

Como se não bastasse Doritos sabor macarronada e Babalu de brigadeiro, essas batatas fritas com sabor de mel são para matar qualquer um do coração. Se todos os salgadinhos fossem de agrião, não haveria criança gorda no mundo. Isso pode explicar o baixo índice de obesidade infantil no Japão. Talvez lá os hambúrgueres sejam de brócolis com melão.

Tudo indica ser um chá. De cara, boa coisa não é. Devido às más experiências da redação associadas à iguaria, preferimos não experimentar. Conseguimos traduzir algumas recomendações de uso e descobrimos que o produto diminui a ansiedade, a tensão e a exaustão, além de ser calmante.

Obs.: Depois de 20 dias, nenhum dos nossos funcionários que experimentou os alimentos passou mal, teve dor de barriga ou apresentou qualquer sintoma de doenças. Aliás, rolou até briga para ver quem ficava com a última bala ou a última bolacha do pacote. Um agradecimento especial à loja Japonique, que nos presenteou com deliciosos quitutes livres de toxidades.

21


MR. LexuS ExTRA ExTRA! O VELHO MINISTRO ANTôNIO PALOCCI É A PRIMEIRA CARTA DO BARALHO A CAIR NO GOVERNO DA TIA DILMA. DEU NA TV ABERTA QUE O NOSSO NOBRE MINISTRO LEVANTOU UMA GRANA PRETA, NA CASA DOS 20 MILHõES DE REAIS, PRESTANDO CONSULTORIAS PARA EMPRESAS “DE VáRIOS SEGMENTOS DO MERCADO”. ESTRANHO, NÃO?

Vamos nos respeitar, né, ô seu Palocci?! Quando o cara junta mais dinheiro que um Messi ou Cristiano Ronaldo da vida e não sabe ou não pode explicar muito bem como, tem mais é que pegar o chapéu e dar o fora. Bom, mas isso é TV aberta e dessa praga eu pouco me valho. Vamos ao que interessa, ao motivo que te faz ler essas valiosas linhas: programação de TV fechada! Abrindo a minha caixinha preta de surpresas, aproveitando que a grana tá chegando alto e forte na minha conta e que o dia dos namorados se aproxima, fui direto num programinha “safado” que rola na madrugada, o Festival Italiano! Que diabos pode ser isso? Sem maiores mistérios eu te falo, venda de jóias na televisão parcelada em 6 vezes. Você pode escolher em qual canal quer ver, AxN, Entertainment ou Sony Spin! Isso mesmo, o bicho é transmitido simultaneamente em 3 canais, o que me faz crer que o poder da banca é grande. O programa vale muito a pena, principalmente se você

22 / na PRIVADA

tiver alguma tara por mãos bem feitas. O tempo todo fica no quadro uma mão sexy forrada de jóias que entram e saem de cena. O apresentador, que é uma voz oculta, fala muita besteira e entre o anúncio de um anel “chuveirinho” e de uma pulseira “rabo de rato” com 21 centímetros, solta pérolas intermináveis emulando voz de MC de circo: “olha o chuveirinho da mamãe!”, “por supuesto” e “olha que ri-que-za!”?. E eu lá, olhando e consultando a minha conta no banco (com meu moderno tablet) pra saber se uma berloqueira caberia no meu bolso e poderia sair do Festival Italiano diretamente para o pulso da minha nega. Mas aí surge a melhor: “Você que me mandar uma declaração de amor por mensagem terá 7% de desconto na parcela!” Opa, tá pra mim, fui logo pensando, e o cara já saiu emendando

a primeira mensagem dos telespectadores, “O amor é um dom dado por Deus e por isso ele é maravilhoso”, e sem respirar veio a segunda “meu fofucho, você é tudo de bom que eu tenho na vida”. Com a trilha de velório que adorna sonoramente a venda de jóias ao fundo, nosso apresentador se regozija com o teor das mensagens. O preço da berloqueira está lá estampado, ela sai por 6x de R$ 159,00. Digitei a mensagem do que eu imagino ser o amor no meu celular: “Quem gosta de homem é viado, mulher gosta é de dinheiro”. Nesse momento, o extrato da minha conta pinta de vermelho a tela do meu tablet e sou obrigado a decidir que no Dia dos Namorados, o que vai rolar mesmo é uma bijuteria transada pra nega aqui em casa. Que rabo de rato, que chuveirinho, que nada. É biju na cabeça, amore mio!


Š2011 Luxottica group. All rights reserved.

SAC 4003-8225


TAL PAI TAL FILHO ENTREVISTA COM SAMuEL BOuRDIN POR GABRIELA MO

NO MêS quE PASSOu, O BRASIL RECEBEu EXPOSIçãO DO FOTóGRAFO FRANCêS Guy BOuRDIN, quE DEuS O TENHA. uM DOS NOMES MAIS CORAJOSOS DA FOTOGRAFIA DuRANTE O SÉCuLO XX MISTuRAVA O FASHION COM O OuSADO E COM TODAS AS TONALIDADES DO ARCO-íRIS. uM HOMEM à FRENTE DO SEu TEMPO. EFEITOS, MONTAGENS, CORES, PERNAS E BuNDAS EM IMAGENS POLêMICAS DE MEADOS DOS ANOS 70, quANDO O PHOTOSHOP AINDA ERA ALIENíGENA.

24 / na PRIVADA

Por aqui, na abertura da mostra, ao som de um saxofonista barulhento e de mil conversinhas paralelas, entrevistamos o filho único do cara, Samuel Bourdin, natural francês, morador de Xangai, amante das artes e organizador oficial da obra do pai. Não menos polêmico e com duas Void na mão, Samuel falou com a gente.

Você recebe o trabalho de outros fotógrafos? Claro! Mas se eu não gosto, não podem ficar chateados comigo. E se eu gostar, por que não expor o trabalho também? Na Tailândia eu fui a uma exposição de fotógrafos japoneses. Entre eles, vi o trabalho de um cara que gostei bastante. É bom juntar a produção de pessoas famosas com não famosas. É divertido. Por que não?

Que tipo de fotografia você gosta? Fotos como essa (apontando para a capa da Void #068). Eu fui a uma exposição recentemente do Dave LaChapelle. Há uns anos atrás, entrei no site dele e não gostei das fotos, achei demais para mim, mas hoje eu o respeito, pois sei que dá duro no que faz, coloca a alma e bastante paixão no negócio. É ele quem está exposto nas fotografias, na verdade. Mas, sinceramente, eu gosto mais do que é espontâneo, improvisado e bruto. Por exemplo, eu acho o Terry Richardson ótimo, melhor que o LaChapelle, mas é uma coisa minha. Gosto do Juergen Teller. Mas, repito, isso sou eu. Se você gosta de usar jaquetas de couro e pintar as unhas de azul, eu não vou ficar perguntando por quê. Isso quer dizer que você não gosta de vermelho? (Risos)

E as tendências na fotografia? As pessoas podem fazer o que elas quiserem para expressar os sentimentos. Se quiserem voltar a fotografar com Polaroid, ótimo, eu adoro Polaroid. Acho que todos deveriam ser livres para fazer o que querem, o resultado pode ficar bom ou não. Se é bom, é bom, não importa a técnica. Olha, não dá pra ficar procurando definição para as coisas. Algumas pessoas são gays, outras são heterossexuais, outras são gordas, outras são vegetarianas, outras gostam de pintar as unhas de azul... O que as fizer feliz está bom.

Você não acha que a pós-produção está tornando tudo muito fake? Não. É diferente. Só é muita pós-produção. Não há uma importância se a modelo é alta ou gorda, se a luz está ruim, tudo é recriado na pós. A imagem é criada no computador. Mas não é fake. Quando a imagem é gerada depois, então não deixa de ser fotografia? Acho que ainda é fotografia, só que com um propósito diferente. Se você quer que esteja tudo perfeito, por exemplo, está valendo. Antes se esperava pelo momento certo. Tem uma foto do meu pai que a equipe ficou esperando o avião passar no lugar exato para fazer o clique. Havia uma tensão e atenção muito grandes e era preciso aproveitar cada segundo, se não já era. Então hoje em dia não precisa mais “esperar o avião” para deixar a fotografia perfeita? É sempre mais divertido quando é real. E sem a pós e o retoque digital as pessoas ficam mais cuidadosas também. O que não significa que a fotografia digital seja ruim, depende muito de qual câmera se está usando. Eu também fotografo, e toda vez que compro uma câmera nova preciso reaprender a usar o equipamento. Mas a gente se acostuma.

Que tipo de fotografia precisa fazer para sobreviver no mercado? Bom, em primeiro lugar, tem que se mudar para outra cidade. Esse é o conselho número 1. Eu conheço um fotografo francês que se mudou para trabalhar em São Paulo, conheceu uma brasileira e está bem aqui. Conheci ele em Xangai. Se você sai de uma cidade como Porto Alegre e vai para Nova york, você chega lá morto, é onde todo mundo está. Ninguém te conhece, existe muita competição e se você falhar, você está fora. Mas se você está na índia, ninguém se importa e ninguém te julga, porque eles não te conhecem. Você pode fazer o que quiser. O negócio é não desistir nunca do que te faz feliz. Então quer dizer que se a reputação está ruim em um lugar, é só se mudar? Entrem no site www.imagefap.com e me digam se conhecem alguém. Não conhecem. São bilhares de fotos, totalmente desconhecidas. Nesse site tem mais de 6 milhões de mulheres. Elas pode estar em um site desses na índia e ir para São Paulo. É possível fracassar em uma cidade e recomeçar tudo novamente em outra. Mesmo procurando o nome da pessoa no Google? Ninguém vai fazer isso. Eu tinha medo antes, ficava nervoso, agora não tenho medo de fazer as coisas que me fazem feliz. Você conhece fotógrafos do Brasil? Conheci o J.R. Duran, em uma visita minha a São Paulo. Ele é um fotógrafo comercial e bem sucedido. O que para mim já está ótimo, é difícil se destacar e ser bom em alguma coisa na vida.


Patrocinador Master

ro

setemb 0 3 , 5 2 , 23, 24 tubro 1 e 2 ou

h Years r b e r > > D im > ia n o > > 1 5 t e >> Guy Ge c u ib L V > J > D o Ja n ei r o > e > > iz i ys No e Aok o v M em ê > > Le B e > t > > S > > to > ia at l n r g o e Gui B ny Tena ry Corst > > In g r id ef lo o r > > yond >> Dan f a ir > > F e r f moção n th e D a n c A o o r e Pr v le > o > il L K o & > Ze Above & Be ow & ules a b er > J D R i. K > > Fl ic o le M o u d iv it > > H e r c Pe n n a > > D a Lo o p > > N o is by ig r e Danny Kr fe d o Li R e > r >> w n Li v P. A s e l l> e Claus

Media Partners

Patrocinadores Institucionais

Patrocinadores

at o R at ie a la ya B r o v es > > R en Drama >> N el in Tw e ss o Th B > > > er > D J H a r v ey M a r y Za n d

P a r is > > Jo

rockinrio.com.br

C l a s s i f i c a ç ã o i n d i c at i va : l i v r e

n ic a ic a e l e t r ô s ú m a , ã h da man ão_ n o it e à s 4 o n f ir a a p r o g r a m a ç a d 0 1 s a e a t, d ck. C n o , B r e a k b n t e d a C id a d e d o R o c e T , e s u o a T r a n c e , H o e s p a ç o m a is v ib r a n ç o is K oul com: Fr S & y d o v a i s a c u d ir B f o it r i f r o m


BING, BANG

POR LISE BING

TRALHAS

SHAkE-N-WAkE, MULHER!

FUçANDO COM A FUçA

A amiga trabalha, estuda, tem uma vida centrada. O namorado coça o saco, joga PS3 o dia todo e enche a cara até tarde com os amigos. De manhã é um problema: você acorda cedo e ele baba no travesseiro até o meio-dia. Folgado? Imagina. Se você for uma idiota, você compra este despertador de pulso que treme e vibra, fazendo só você acordar e não estragar o soninho do querido. Se você for uma mulher que se dá ao respeito, além de jogar o despertador – SONORO - na cabeça dele, vai mandar longe esse babaca, vagabundo, filhadap... Ok, parei. E ae? Qual vai ser?

Vou confessar: ao ver este produto, eu pensei “como tem merda na internet!” (pensando bem, basta olhar minha coluna pra ver isso), mas depois lembrei de cenas ridículas na qual eu era a protagonista: cheia de sacolas do mercado, bolsas, revistas, mala com um morto dentro e apertando os botões do elevador com o nariz. Existe o vídeo da câmera do elevador para confirmar. Foi pensando nisso – nas mãos ocupadas – que o designer Dominic Wilcox criou o Finger-Nose, um extensor de nariz que permite fuçar no smartphone somente com uma mão. Agora, não sei o que é pior: eu com a cara no elevador ou ele com um strap-on na fuça.

Eu realmente acho que não é legal beber no ambiente de trabalho – imagina se alguém pede um gole e você tem que dividir sua birita, aff. Com o Graffiti Cocktail Shaker, uma coqueteleira disfarçada de lata de spray, você não vai ter este problema. Saia com ela abastecida de casa e quando tiver na seca, basta levá-la para o banheiro para se hidratar. Se alguém perguntar algo, responda seriamente: “Eu leio embalagens de shampoos, bula de remédios, frascos de desodorante e rótulos de spray no banheiro. E você que lê a Void?”. Sem mais.

Nada mais delicinha do que ficar “empernadinha” com seu amado em casa enquanto rola uma chuvinha lá fora. Mas, e se vocês quiserem continuar juntinhos nesse clima romântico num restaurante, no cinema, numa casa de swing? Vão precisar encarar a chuva lá fora. Não seria tudo ter o Dualbrella, esse guarda-chuva para casais? NOT!!! E tá respondido.

STATUS: STALkER

NU ARTíSTICO

BOBAGENS E MAIS BOBAGENS

NA MESMA BATIDA

Aplicativo pra monitorar aquelas pessoas que você curte no Facebook. Quando alguma delas mudar o estado para “Solteiro” você será informado por email, daí o resto é contigo, amigão. http://www. breakupnotifier.com/

Corpos lindos e fotografias a altura clicadas por Klaus Kampert. Se a chata da sua namorada reclamar, diga que ela não entende nada de arte e manda ela continuar vendo a novela. http://www.klauskampert. com/

HAPPY-HOUR NO BANHEIRO

AHHH, O AMOR...

WeB

26

Gifs, vídeos, imagens e links só de besteiras que rolam na internet. Cansou de fazer powerpoints e planilhas no Excel? Divirta-se neste site: http:// www.youtoba.tv/

Sendo direta: TasteBuds é uma ferramenta pra você achar uma namorada com o mesmo gosto musical que você. É só se cadastrar, adicionar suas bandas preferidas e começar a interagir. Aguentar axé e sertanejo por causa de uma pegada? NUNCA MAIS!!! (Ok, talvez mais algumas vezes se ela for muito gostosa) http://tastebuds.fm/


I SHOT MACUNAíMA POR FABRIZIO BARON

FACEkUT Impressiona a quantidade de gente ainda acreditando em algum tipo de apocalipse bíblico. Fruto da distribuição de renda sem educação, tal crença é inversamente proporcional à abundância de informação que se vive hoje. Existe até uma regra pra definir este novo tipo de alarmista, agora azucrinando nas redes sociais: quanto mais próximos forem os problemas reais e imediatos, mais distante parece ficar a atenção. Podem faltar leitos no pronto socorro ou punição pra assassinos reincidentes ou ainda perpetuar a rotina de governos sugando nossa grana sem entregar o que nos devem. Pode tudo isto e muito, mas muito mais. Só que parece que quanto mais longe estiverem os problemas, MAIOR SERá O FOCO. Explosões solares emitindo radiação (ui que medo), florestas ardendo na Califórnia, desastres naturais que se repetem desde que a Terra surgiu ou ainda as poucas guerras que restam e que matam cada vez menos em comparação a todas as eras da história humana, sem falar no escapismo do aquecimento global e a putinha de luxo da vez, a tal da “sustentabilidade”. Segundo estudo realizado pelo próprio reitor da Universidade de Roraima, Dr. Australopitecus Pimentão, a alienação do homem, da mulher e do travesti vem se intensificando. Em casos de loucura coletiva, como durante o nazismo numa Alemanha quebrada e sem banda larga, Hitler transferia o foco da opinião pública pra além dos verdadeiros problemas nacionais, transformando judeus em monstros e metendo o resto da culpa na Europa. O mesmo rolou durante a Guerra Fria, com americanos e comunistas se demonizando e sobrando até pra nós, com aquela minoria burguesa que sonhava com a “revolução” socialista. Igualmente, transferia-se o foco dos problemas reais para “inimigos” externos, como a guitarra elétrica e a globalização. Hoje assisitimos a raras passeatas “contra a violência”, que são o típico exemplo da falta de informação, quando deveria se exigir patrulhamento ostensivo e um sistema penintenciário de verdade.

28

IPAD 2, O VIDEOGAME DA HORA

“Mas é com a incuzão digital que a sociedade brasileira aprofunda sua alienante divisão de classes”, salienta aos gritos Pimentão. Filho de aborígenes ianomâmis e descendente direto de Maria Bonita (Ugly Bitch), Pitequinho (como é chamado no meio intelectual) viveu na carne a recente onda de movimentação social, paga pela antiga classe média (hoje classe C). Nascido na classe M (mato boliviano), cresceu como classe D até a posse de Molusco, quando pôde finalmente entrar na faculdade graças ao milagre das cotas raciais, mesmo não sendo negro (é mameluco albino). Formado em antropologia com ênfase em Cedilha (estuda as origens do cocô pendurado no cu do ‘C’), é hoje o único professor e também reitor da região norte a pertencer a classe B+. Porém, ainda sofrendo bullying da população ribeirinha e invejosa, não guarda rancores. Sabe que para as massas emburrecidas, sua imagem de self-made man é mais um dos tantos diversionismos a tirar o foco de atenção de problemas reais e sérios, como a construção de estádios e carros alegóricos.

Em ‘82, quando o Atari 2600 maravilhava o mundo levando o fliperama pra dentro de casa, era no revolucionário Apple II Plus, o primeiro PC colorido doméstico, que os programadores inventariam os games típicos de computadores, lançando gêneros como RPG, simuladores e estratégia. Agora no iPad 2, com um chip gráfico que é quase um PS2 e a fissura do touch screen, vem rolando uma enxurrada de excelentes jogos. O diferente é que não são apenas indie games como o já clássico World of Goo, mas jogões do calibre de GTA, Dead Space e Infinity Blade. Se continuar assim, a Apple pode bater de frente até mesmo com portáteis criados só pra gaming, como PSP da Sony e Nintendo DS. Aliás, justo pela façanha de ser muitas coisas em uma é que a longo prazo o iPad leva vantagem. E melhor, tudo por download a preços justos entre 1 e 10 dólares. O lixo disso tudo é que pra variar a Apple Store brasileira não vende nada que preste. Até a store argentina tem games à venda. Confere alguns top games no link abaixo. Info: multiplayerblog. mtv.com/2011/03/22/ipad-2-games

DO IT YOURSELF DO AGRESTE Digita ‘o maior baterista do brasil’ no Youtube... Info: www.youtube.com/ watch?v=7xmdJ5g_tAQ

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K


ENJOY THE POSSIBILITIES

FOTO: GUSTAVO FARACO

www.ogrosurfboards.com


Magma

TExTOS E CURADORIA POR ANA FERRAZ E PExÃO

DRAWINGS FROM BEGINNERS

LE CERCLE Em 2009, o skatista e artista Mark Gonzales reviveu sua insana obra/performance “circle board”, uma sequência de nove skate conectados de ponta a ponta, completando um loop. O fotógrafo visionário Benjamin Deberdt clicou Gonz andando de skate com sua criação em frente a Torre Eiffel, durante um belo amanhecer parisiense. Segundo declaração de Benjamin para o Magma, “é impossível andar de skate com aquela coisa, só ele mesmo”. As fotos foram então enviadas para Nova York e receberam intervenções de Mark Gonzales, que riscou diretamente sobre o papel fotográfico, escrevendo e desenhando com seu estilo solto, elegante e nonsense. Agora o material pode ser apreciado em um zine de arte limitado que acaba de ser lançado na Austrália pela excelente Izrock Pressings, misturando diferentes técnicas de impressão. A Izrock já lançou um monte de zines matadores como esse, incluindo produções de French (o mal está mesmo por tudo), Kill Pixie e Darcel. Info: izrock.com

30

Mike Mills é um artista multimídia que tem suas criações espalhadas por aí, em lugares especiais. É dele o macaco sexy boy do Air, a foto usada no Washing Machine do Sonic Youth e algumas capas e posters clássicos dos Beastie Boys, por exemplo. Ele também é artista da exposição Beautiful Losers, dirigiu diversos clipes e um filme genial chamado Thumbsucker, além de ser baixista do REM (mentira, esse é o outro Mike Mills). Pois então, Mills acaba de lançar seu segundo longa metragem de ficção, chamado Beginners. Em conjunto com o filme, foi também lançado o livro contendo os desenhos que ele fez para serem usados como se fossem de Oliver, o personagem principal encarnado por Ewan McGregor. Mais que meras ilustrações, o livro aproxima o filme de uma experiência de vida pessoal do diretor, envolvendo um cachorro, a saída do armário de um pai, arte e design gráfico. Você encontra o livro no site artbook.com, já o filme, só esperando pra ver se será lançado por aqui. Info: mikemillsweb.com

FAkE SUNSET

BISAR

Todo mundo já viu aquela imagem batida de um pôr do sol falso, em degradé, com silhuetas de palmeiras, simbolizando o estado e o espírito da Califórnia. Essa imagem aparece nas placas de carros e cartões postais de lá e viajou o mundo em todo tipo de produtos, como camisetas, adesivos e até jogos de vídeo game (lembra do California Games?). A terceira edição do evento MCD LAB sampleia esse ícone para apresentar Fake Sunset, um projeto envolvendo sete artistas brasileiros que têm a Califórnia como forte influencia nos seus trabalhos, juntamente com três artistas de lá, todos com a missão de produzirem gravuras especiais para o projeto. Essas obras percorrerão cinco capitais no Brasil, em exposições em galerias de arte. O lançamento do MCD LAB #3: Fake Sunset em São Paulo contará ainda com a presença dos artistas gringos e performances musicais. Um dos convidados é o curitibano Anthony Nathan, de quem você confere um trabalho inédito na próxima página. Fique ligado no site para saber mais sobre datas, locais e quem são os outros nove artistas.

Um “programa de residência de artista”, geralmente promovido por uma fundação ou um museu de arte, funciona mais ou menos assim: artistas são convidados a morar e trabalhar nas proximidades ou no próprio espaço expositivo durante um período pré-determinado, com essa experiência e produção de obras resultando em exposições. Programas de residência de artista são sempre diferentes uns dos outros, mas nunca aconteceu nada parecido com a proposta do Berlin International Skateboard Artists Residence (Bisar), da Oxylane Art Foundation. Desde Janeiro, um grupo de artistas/skatistas americanos e europeus está morando e produzindo coletivamente, são eles: Brad Downey, Jacques Floret, Matthias Leinke, Mischa Wermkauf, Dave The Chimp e Andrea Belfi. Na programação, além de exposições e performances, também estão rolando palestras com nomes conhecidos do skate e arte, como Natas Kaupas, Scott Bourne e French. As nuvens se abrem e nos aproximamos cada vez mais do dia em que os skatistas não vão precisar participar de campeonatos para agradar os patrocinadores. Amém.

Info: mcdbrasil.net/mcdlab

Info: bisar.tumblr.com


Convidado: Anthony Nathan info: www.flickr.com/anthony_nathan

Merece essa pรกgina? void@avoid.com.br

31


A resistência escotista POR FELIPE SOUZA FOTOS MAURICIO CAPELLARI

Levante a cabeça, olhe para os lados e observe bem os jovens que estão ao seu redor. Mire todos eles, essas jujubas fantasiadas em cores flúor com seus moicaninhos de puta louca e sneakers que custam mais que um salário mínimo. Entre eles pode haver familiares, primos, irmãos ou até mesmo filhos seus. Mas diga a verdade: dá pra levar fé nessa cambada de retardados? Há neles alguma esperança de transmissão dos mínimos valores de civilidade, companheirismo e solidariedade? A resposta é fácil: não!

33


Desculpem os leitores se o primeiro parágrafo parece amargo. É que nessa edição decidimos ir atrás de uma galera que talvez não saiba (nem queira saber) qual é a última tendência do dancefloor, muito menos preocupados em qual é a nova droga do pedaço. Eles fazem parte do Movimento Escoteiro e, aparentemente, passam batidos por certas influências nefastas. Escrevo isso de cadeira pois, na minha tenra idade, eu estava lá: enfileirado entre eles, hasteando bandeiras, o coração pulsando forte sob a insígnia do Cruzeiro do Sul 1 e passando tardes em bosques verdejantes, sempre em busca da próxima aventura, de um novo passo a ser dado. Ok, isso foi antes dos Ramones, do LP Arise do Sepultura, da maconha e das intermináveis bebedeiras da adolescência. Mas como diz o lema: Uma vez escoteiro, sempre escoteiro! Abundantes nas tardes de sábado durante os anos 80 e 90, notamos que se vêem cada vez menos jovens uniformizados em cores cáqui pelas ruas, por isso decidimos dar um confere e saber como é ser Lobinho, Escoteiro, Sênior ou Pioneiro (ver box) em dias em que a tal da Geração Y toma conta do cenário. E a primeira parada em busca de respostas e lembranças de um passado distante se deu no Grupo Escoteiro Charruas. Lá, fomos recepcionados por Rosa Neumann, a Tia Rosa, figura agradabilíssima que nos recebeu como se fôssemos praticantes de uma boa ação por dia (o que não somos). Ela é o que se chama de camelo, ou seja, pau pra toda obra dentro do grupo. Ajuda na cozinha, nos acampamentos, nas atividades em geral. “Estou há vinte anos aqui e trouxe minha filha depois que ela tentou ballet, natação e outras atividades”, recorda. Apesar de tamanha dedicação, os perrengues de se manter um grupo escoteiro não são poucos. O Charruas tem 91 anos de

34

tradição e durante 60 deles ocupou uma área muito propícia ao escotismo: um lugar cheio de mata nativa. Mas interesses escusos empurraram a tropa para o despejo. Lamentável. Depois do baque, a reestruturação que só a disciplina e o caráter escotista são capazes de desempenhar. Hoje as atividades foram retomadas em uma instalação cedida por uma grande empresa imobiliária. É apertado, improvisado, mas o espírito desbravador está intacto. Tia Rosa se adianta e informa que o Movimento Escoteiro evoluiu e não blinda os jovens dos assuntos atuais: drogas, sexo, gravidez na adolescência... “Temos conversas periódicas sobre sexualidade, sobre drogas, religião...” Apesar do diálogo aberto, Rosa faz questão de frisar que hierarquia é hierarquia, respeito é respeito e quem não seguir a filosofia vai sofrer o pênalti, pois o intuito maior dessa parada toda é e sempre foi “formar cidadãos”. Para provar que não é papo furado, pelo Charruas passaram moleques que hoje são doutores em arqueologia, atuários com título de MBA nas costas, empresários, engenheiros de todas as áreas, biólogos... Djs? Designers? Grafiteiros? Não! Dali só saiu gente com trampos de verdade, pessoas que realmente vão contribuir para essa porra de mundo se tornar um lugar menos abjeto. “Pode ser que o movimento tenha um cunho positivista e até de direita, mas até agora tem dado certo. Quando a pessoa sai daqui, sai pronta para encarar a sociedade”, ressalta Tia Rosa. Ela não deixa de ter razão e reforça seus argumentos com o exemplo do finado José de Alencar, vice-presidente da gestão de Lula, que também era um escoteiro. Diz a lenda que uma das últimas frases de Alencar, em sua árdua batalha contra o câncer foi: “O escoteiro é alegre na adversidade”.

Sem marShmallow, Sem papinho furado Falando em adversidade, o dia de nossa visita ao Charruas foi um daqueles sábados que geral opta por ficar em casa. Mas como disse Alencar, o rapeize escotista está aí para superar contratempos e a chuva fina que caía naquela tarde não foi empecilho para as atividades do grupo. Em um dos cantos do terreno, entre ruínas e lama, elementos da tropa Sênior montavam uma ponte pênsil. E uma das responsáveis pelo engenho foi Bianca Rodrigues, 15 anos e estudante do segundo ano colegial. Ela quer prestar vestibular para Direito e diz que às vezes tem que aguentar o preconceito da galera que se diz descolada no colégio. “Eles ficam zoando. Dizem: ‘aí escoteirinha, vai assar uns marshmallows?’. Mas não dou bola, se eles vierem aqui vão ver o que realmente fazemos”. Além das peripécias em terreno e clima hostis, a cultura do escotismo também exige união dentro e fora do grupo. Reuniões na casa dos colegas são constantes e isso conta ponto. “Quando não tem acampamento a gente faz reuniões de patrulha. Uma das provas que temos na tropa sênior é fazer uma reunião na casa de uma pessoa e fazer um jantar”. E marshmallow é o cacete, Bianca mandou ver um fricassê e apavorou no desempenho.


“Quando a

pessoa sai daqui, sai pronta para encarar a sociedade”

1 Grau máximo do Lobismo.

35


“é Escotismo união, é ter

deveres com Deus, a pátria e o próximo. Não é coisa só pra vir no sábado. Não é modinha.” 36


CategoriaS de baSe No mesmo terreno, porém abrigados das intempéries do tempo por um telhado de zinco, estão os Lobinhos do grupo. Eles são uma espécie de categoria de base do movimento e tem entre sete e 11 anos de idade. A primeira a nos chamar atenção no meio da petizada foi Analli Militão, uma lobinha de 10 anos e altamente graduada. “Meu primo fazia escotismo, um dia ele me convidou e eu vim pensando que era só brincadeira. Ai gostei e fiquei. O meu primo nem está aqui mais, mas eu segui”, recorda. No uniforme azul escuro, se destacam as várias especialidades da menina: Babá (“Cuidei dos meus irmãos de cinco e quatro anos”), Artes Cênicas, Música, Patinadora, Colecionadora (“Coleciono cartões telefônicos. Tenho mais de mil”), Sobrevivência (“Precisa se cuidar na cidade, na selva urbana”), Acampador (“Tem que saber armar barraca e consertar furos na lona”) e Confeitaria (“Fiz brigadeiro. Tive que enfeitar a bandeja e servir para os colegas”). Agora fica a pergunta: você fazia tudo isso aos 10 anos de idade? Se quer melhorar a raça e ver seu filho ser mais útil e não só um consumidor de oxigênio em um planeta saturado, mete o moleque dentro de um grupo escoteiro assim que ele se alfabetizar. Para reforçar a ideia de uma infância sadia, ao lado de Analli está o também Lobinho Bernardo Castañeda, de 10 anos. A exemplo da colega, ostenta várias insígnias no uniforme e está no movimento desde os seis anos de idade. “Gosto muito do estilo de vida que a gente leva aqui. O escotismo mudou minha forma de vida. Depois que entrei aqui passei a olhar as coisas de um outro jeito. Mentia muito para minha mãe. Fazia coisas erradas e colocava a culpa no meu irmão. Agora não faço mais isso”, garante Bernardo.

autoControle e reSpeito ao lenço Visitar um grupo escoteiro e conversar com seus integrantes é um exercício para perceber que sua vida mundana é torta e, aqui fora, não fazemos porra nenhuma da maneira correta. Somos todos imbecis perdidos em noites sujas e botecos decrépitos, sempre atrás de sexo fácil e minas escrotas. Essa impressão ganhou força depois de conversar com Jeanluca Serrano. O cara tem 15 anos e há seis não perde um sábado de atividade escoteira. “Tive vontade de sair na época que trocamos de sede. Nosso antigo local era bem maior e dava pra fazer muita coisa. Mas agora não tenho mais vontade de abandonar porque tenho outra visão do que é o escotismo. E tem o compromisso com o chefe e os companheiros de tropa também”, explica. A adolescência é um período conturbado em qualquer esfera, seja o sujeito escoteiro, punk, evangélico ou Testemunha de Jeová. Mas a vantagem do escotismo é que parece que o movimento dá uma blindagem para a molecada, inclusive no que tange às tentações carnais (muitos padres católicos não tem esse controle). A paquera até rola dentro dos acampamentos, mas Jeanluca garante que não acontece nada além disso. “Já fui para o Uruguai e lá uma menina me pediu o MSN. Aí tudo bem, dá para trocar telefone, Orkut e se falar depois. Mas com uniforme não rola nada. Tem que ter autocontrole e respeito ao lenço do grupo”. O orgulho de ser escoteiro é tamanho que o rapaz já planeja sua primeira tatuagem: vai riscar a Flor de Lis, símbolo do movimento, no braço. E vai além: “Eu quero deixar meu testemunho para aqueles que acham que o escotismo é só jogos e brincadeiras. Não é. Escotismo é união, é ter deveres com Deus, a pátria e o próximo. Não é coisa só pra vir no sábado. Não é modinha. O movimento tem mais de 100 anos. Todo mundo que faz a promessa sabe o valor do distintivo, o valor do lenço do grupo”.

37


fogo amigo Nossa incursão pelo mundo do escotismo foi tão bem recebida que fomos convidados para o Fogo de Conselho do Charruas, uma espécie de festa de aniversário da agremiação, que contaria com a presença de pais e de integrantes de outros grupos. Em mais um sábado de tempo instável, lá fomos nós para o campo. O clima familiar nos contagiou, junto é claro com o cheiro de cachorro quente que pairava no ar. A atmosfera era de amizade e companheirismo, diferente do que paira geralmente em outras pautas em que nos metemos nos últimos anos. Aproveitamos o rolê para conversar com as mães da molecada e conferir se essa parada realmente muda a conduta dos figuras. A primeira a atestar a eficácia do movimento é Marjorie Gomes, mãe de um escoteiro de 11 anos. “Dá um conforto em saber que ele não está grudado em um videogame, nem pendurado o dia inteiro na internet. Ele é filho único e não teria com quem interagir. Aqui eles passaram o dia de hoje inteiro trabalhando, contando histórias, ensaiando teatro e depois vão dormir como anjos (risos)”. Marjorie, além de mãe coruja estilo Gelol, propagandeia aos quatro ventos as vantagens de se ter um pimpolho uniformizado e com lenço no pescoço. “Eles tem uma ótica diferente das outras crianças. Eles fazem banco de alimentos, vêem a importância do trabalho voluntário. O jovem de hoje não está nem aí para isso, está egocentrado e quer que o mundo se exploda”, completa. No terreno do evento, um portal foi armado com toras de madeira, o pessoal começou a chegar e formar um círculo ao redor da fogueira. Depois de um sinal sonoro, abriram-se as portas e tochas foram carregadas até o centro do pico. A partir daí, o fogo crepitava e a cantoria rolava solta. Foi uma deixa para vazarmos e preservar aqueles momentos aos puros de coração. Ali, além de intrometidos, éramos também inadaptados. Deu inveja branca daquela molecada cheia de vida e que esbanjava disposição mesmo com vento frio e mosquitos fustigando a derme. Nós, pobres carcaças infelizes, batemos em retirada e fomos filosofar sobre tudo o que vimos no primeiro bar que encontramos.

38

É preCiSo Ser alegre e diSCiplinado Em mais um sábado de tempo incerto (a garoa foi uma constante em nossa viagem ao universo do escotismo) decidimos ir até as dependências do Grupo Escoteiro Leo Borges Fortes, ou Lebefê como é conhecido. O grupo está completando 50 anos e sua trajetória é cheia de mudanças de sede, diminuição de contingente e esforço para manter os valores do movimento. Quem nos recebe lá é Francisco Ferreira, 48 anos e desde 1972 na função. Quando peço para irmos a um lugar coberto para nos proteger da chuva, ele lança a pérola: “Ok, mas lembre-se que o escoteiro é superior ao tempo”. Hoje Ferreira exerce uma função de chefia junto à diretoria do grupo e é ele quem explica como manter vivo, mesmo em tempos de degenerescência, o tripé Deus, Pátria e Família, base do movimento escoteiro. “Apesar de ser secular e de ser a maior ONG do mundo, o escotismo não é estático, estamos em constante mudança e usamos as ferramentas atuais para passar o conhecimento aos mais jovens”. Para Francisco, o escoteiro precisa de duas qualidades: ser alegre e disciplinado. “A lei é uma só, mas o movimento escoteiro é para todos, sem distinção de cor ou credo e sem ver dinheiro no bolso nem etnia”, completa. Outro que atesta que o barato do escotismo continua vivo nos corações de muitos jovens, é José Carlos Petró, também decano do Lebefê. Ele confirma que a chefia deve estar atenta aos novos ares. “Um pouco antes de Baden Powell (ver box A origem) morrer, foram pedir conselhos para ele de como o escotismo devia seguir. Ele apenas disse: ‘Perguntem aos rapazes’”, conta Petró. E o chefe também diz que a molecada de hoje não dá tanto trabalho. “Aqui o pessoal vem porque gosta, então a tendência é o sujeito se adaptar às regras. É uma escolha, um estilo de vida”.


“Mentia

muito para minha mãe. Fazia coisas erradas e colocava a culpa no meu irmão. Agora não faço mais isso”

39


“lEMBRE-

SE que o escoteiro é superior ao tempo” 80 40


woodStoCk de Calça Curta Para celebrar esse estilo de vida de maneira globalizada, a cada quatro anos rola o Jamboree Escoteiro Mundial, sempre num canto diferente do globo. Em 2011 o mega acampamento que reúne escotistas de todo o planeta acontece entre 27 de julho e 07 de agosto na cidade de Kristianstad, na Suécia. A delegação brazuca nesse ano deve atingir os 100 participantes. “Comecei os preparativos há cinco meses. Estou economizando, pagando passagem. Estão previstos cerca de quinze mil escoteiros nesse evento e o Brasil está indo com contingente bem grande”, conta Evelise Rodrigues, membro da Tropa Pioneira do Charruas. Lara Stelmach, 14 anos, é uma das mais jovens da delegação canarinho. Integrante do Lebefê, ela e mais cinco colegas da mesma idade embarcam para a primeira trip européia de suas vidas, tendo como responsável apenas um pobre adulto. “Não vai ter problema algum. Os escoteiros são disciplinados, somos muito comportados”, garante a menina. Outro que está de malas prontas é o pioneiro Gabriel Assis, de 18 anos. “Deixei de fazer muita festa e comprar muita roupa para poder ir nessa viagem. Vamos fazer turismo por outros países também, como Alemanha e Suíça”. E a Holanda, Gabriel, vão passar por lá também? “Holanda graças a Deus, não!”, responde de bate pronto o rapaz. É isso aí Gabriel, mantenha-se longe de Amsterdã e daquelas vitrines que convidam ao pecado e à drogadição.

As fAses do escotismo lobinho Idade: de 07 a 10 anos Atividades: Primeiros ensinamentos para a vida no campo, convivência em equipe e formação de liderança. Lema: Melhor Possível! eSCoteiro Idade: 11 a 14 anos Atividades: Na Tropa Escoteira os jovens são divididos em patrulhas e recebem ensinamentos para a preservação da natureza e debatem temas sobre a adolescência e o mundo em geral. Lema: Sempre Alerta! Sênior Idade: 15 aos 18 anos Atividades: A intenção do programa educativo para a Tropa Sênior é fazer com que o jovem aprenda novas habilidades para superar os obstáculos da vida Lema: Sempre Alerta! pioneiro Atividades: Serviços à comunidade e exercício da cidadania com base nos valores da Promessa e da Lei Escoteira. Lema: Servir!

A origem O Escotismo foi criado em 1907 pelo britânico Robert Stephenson Smyth Baden Powell, que era militar de alta patente do exército inglês. O cara defendeu a Coroa em batalhas na Índia e na África. Quando retornou a Grã Bretanha, era considerado um herói de guerra. Foi aí que teve a ideia de criar um conjunto de ensinamentos para os jovens que se dispusessem a uma vida ao ar livre, explorando e respeitando a natureza. Assim surgiu o escotismo, que completa 104 anos de existência

os 10 mAndAmentos Gostou do que leu e quer se aventurar nesse ramo de acampamentos e boas ações? Então é bom ir se familiarizando com as leis escoteiras. Dá um confere: 1 - O escoteiro tem uma só palavra; sua honra vale mais que a própria vida 2 - O escoteiro é leal 3 - O escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente uma boa ação 4 - O escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros 5 - O escoteiro é cortês 6 - O escoteiro é bom para os animais e as plantas 7 - O escoteiro é obediente e disciplinado 8 - O escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades 9 - O escoteiro é econômico e respeita o bem alheio 10 - O escoteiro é limpo de corpo e alma

81 41


TIPO EXPORTAçÃO O inverno pede ou não pede um tricozinho? A grife gaúcha Ambicione é especialista nisso, e é uma das 5 maiores da América Latina, exportando peças pra Bolívia e até pra China! Mas se você não está nem na Bolívia nem na China, pode encontrar blusões de lã e peças tricotadas na recém inaugurada loja Cafofo Chique, na capital paulista. Recheada de produtos fofinhos e quentinhos a la casa da vovó, é na Cafofo Chique que estão as peças da Ambicione. A última coleção tem inspirações na moda nova iorquina dos anos 70 misturando elementos clássicos e rústicos da época entrelaçados à modernidade e à ousadia atuais. Caretinha ou não, é a cara do inverno 2011.

42

Crédito: lost art

POR GABRIELA MO

Crédito: estúdio burti

NA ESTICA

SOCIAL ANIMAL

É PUNk

Homem versus animais na nova campanha da MCD, que traz, mais uma vez, um tema instigante em sua campanha. A coleção Social Animal aborda o muitas vezes questionável comportamento humano e o tratamento dado aos animais – frequentemente tratados como pessoas.

A Evoke chamou ninguém menos do que Marky Ramone para assinar um novo modelo da marca. Uma releitura do clássico aviador ganhou revestimento em couro e o nome do ícone punk. São só mil exemplares comercializados em Paris, Oslo e Tóquio. No Brasil, o modelo chega às lojas no fim de julho.

Agora, 21 profissionais de diferentes estilos foram convidados para estrelar as fotos da Social Animal. André Meyer (Body piercer), Renata Simões (Apresentadora), Marisa Bucoff (Bailarina do Ballet da Cidade), Cássio Sanchez, Fernando Fanta e James Santos (Atletas) são algumas das figuras estampadas nas imagens que ilustram a coleção de inverno 2011 da MCD.

A festa de lançamento por aqui, que rolou no último dia de maio, não poderia ter sido mais marcante. O evento contou com o lendário baterista dos Ramones discotecando para os convidados, além da presença de Glen Matlock, do Sex Pistols, e Michale Graves, vocalista do Misfits, responsável por um show acústico exclusivo para 250 sortudos. As meninas do De Polainas fecharam a noite em grande estilo. Foi punk!

Nas peças femininas, formas, cores e texturas com influência da década de 1980. A ala masculina também é cheia de detalhes, entre bordados, silk, tingimento ecológico, apliques, tachinhas e camurça.


DAS ARáBIAS

MINI NOVIDADE Que bolsas over, o que! Ou carterias de couro pretas ou de tecidos escuros. Deu para ti, baixo astral. A Dumond lançou uma linha de clutches para colocar um fim em acessórios darks e sombrios. As clutches coloridas da marca dão mais cor à vida, alegria para o look e personalidade ao visual. Para fazer uma produção anos 90, por exemplo, basta investir no monocromático, escolher outras peças do mesmo tom e pimba, você está de volta para o passado! Mas se o seu negócio mesmo são os anos 80, então o jeito é não combinar nem a bolsa com o sapato em um resultado muito louco de verão. Para um visual mais sofisticado e moderninho, aí fica ao seu critério. Os anos 2011 não têm regra. As minibolsas são de couro e alça de metal e custam nada mais, nada menos do que R$ 500.

PHYNO E MODERNINHO Se além de rico você também é descolado, a Lacoste Legends foi feita para você. A Lacoste cansou de agradar somente aos playbas de visual clássico e lançou essa linha criada em parceria com 12 nomes do mundo da música, design, mídia e varejo. São 12 peças reinterpretadas que refletem a personalidade diferenciada de cada um dos colaboradores. Na lingueta de algodão dos calçados, uma estampa petit piqué que traz a etiqueta Lacoste bordada acima de um botão de madrepérola. Para ter uma ideia do resultado, te liga nos nomes envolvidos: Jazzie B, Sebastien Tellier, Stones Throw, ato, Christophe lemaire, Tim Hamilton, Sneaker Freaker, i-D, Shoes Master, Bodega, D-Mop e a hypada loja parisiense Colette. Grande estilo, crocodilo!

Mulheres muçulmanas não podem mostrar o cabelo! Assim como Sansão, há crenças de que é na peruca que está o poder da mulher, capaz de enlouquecer qualquer homem. E é por isso que a cabeça feminina fica bem escondida para aqueles lados do mundo, e a burca (ou a hejab, dependendo da religião) é o tapa-sexo deles. Entrou no período fértil? Por lá é assim, além de absorvente para a querida, lenço para a cuca. Mas esconder as madeixas todos os dias não significa sair por aí vestida de irmã franciscana. Atualmente, por incrível que pareça, as burcas são mais bonitinhas, coloridas, estampadas, com tecidos mais finos e agradáveis, deixando até católicas e protestantes com inveja. E existem até marcas específicas que transformaram o véu em um item fashion, que pode ser usado por qualquer pessoa em qualquer canto. Aqui no Brasil, a Fay.Z, assinada pela modista Falastin Zarruk, oferece uma variedade de hejab diferentes para atender às muçulmanas consumidoras de moda. Além de modelos novos, o blog da grife ensina ideias e formas alternativas de uso. A Fay.Z vende pela internet e o acessório custa entre R$ 16 e R$ 25. Info: www.fayhejab.blogspot.com

43


TRIO MARAVILHA

Ponto para o ser central na imagem, que conseguiu reunir tudo o que já foi criado de pior na indústria têxtil em apenas uma produção. Destaque também para o abrigo de Tactel do indivíduo da direita e para a camiseta Hard Rock Jerusalém, quase um must have hype.

Crédito: gabriela mo

Crédito: gabriela mo

Crédito: gabriela mo

TODO DIA UM LOUCO

Quando o não combinar é proposta, pode tudo. Sempre ligado nos acontecimentos do planeta, o TDUL promete colocar o desleixo, o bagaceiro e o brega nas passarelas e pretende se tornar mais um portal de referencia de estilo. Ou não.

44 / na estica

Crédito: gabriela mo

Três nerds desocupados colocaram seus guarda-roupas abaixo e criaram o blog Todo Dia Um Look, aproveitando e reaproveitando o que têm no armário. O trio @moskito, @chinisalada e @matiaslucena não se preocupa muito com tendência e tira um sarrinho dos sites de moda mundo afora.

Crédito: gabriela mo

Camiseta promocional de posto de gasolina, mocassim herdado de parente que morreu e agasalho de Tactel. Sobreponha o look com um colete jeans desfiado, sem esquecer de combinar com aquela bermuda made in 1995, quando bolsos eram o último grito. Visualizou a produção?

Se você tem e usa uma camiseta do Che Guevara, ou estuda Geografia na Federal e fuma maconha. E em tempos em que usar a droga já é banal, vale a brincadeira. www.tododiaumlook.com


1

1

• Boyish

• Rasgação 1

• Nem me viu...

• Você fala português?

1

• Você, você, você, você...

• do onça 2

2

• Carteirão

• Autumm leaves 2

2

• Nonchalance 1

1

• Rockaway

1

2

2

1

• Xadrezinha

• Stoned 2

2

• bootie

2

POR Denise Rosa FOTOS 1 Gabriela Mo 2 Henrique Fortes • ufa, pensei que era à vera

• muah-ha-há

• boina preta

• Droogs

45


ENTRA LUA, SAI LUA, AMANHECE E ANOITECE E PARECE QUE BROTAM FOTÓGRAFOS NA BALADA. MESMO QUANDO O CLUBE ESTá VAZIO, Lá ESTÃO ELES: UM, DOIS, TRêS JOVENS COM SEUS EQUIPAMENTOS NO PESCOçO SÓ ESPERANDO A CASA LOTAR E A GALERA SE EMBRIAGAR PARA COMEçAR A CLICAR. MAS VOLTA E MEIA APARECE UM FOTÓGRAFO DIFERENTE, UM QUE NÃO BUSCA PELO BIZARRO E SIM PELA POESIA, AQUELE QUE CONSEGUE ENTRAR NOS CANTINHOS ONDE NINGUÉM ENTRA OU É CAPAZ ENxERGAR AS CENAS QUE NINGUÉM Vê, CAPTANDO MOMENTOS NEM SEMPRE SÓRDIDOS. FoToGRAFIA RENATA ChEBEL ENTREVISTA PoR GABRIELA Mo


47


Um bom exemplo disso é Renata Chebel, uma mineira de 28 anos com cara de criança, que há uma década embarcou sozinha para São Paulo estudar jornalismo e acabou caindo no mundo underground. Muitas madrugadas agitadas depois, foi reconhecida pelo seu talento e pela coragem de mergulhar de corpo, alma, coração e com a câmera na mão nas melhores festas da cidade. Além de jornalista e fotógrafa, Chebel também é videomaker. Seu experimento myGirls, uma colagem de fotos dela mesma, de amigas e das ruas de Buenos Aires fez tanto sucesso que Chebel não parou por aí. De pouco tempo para cá, esteve por trás de um comercial e de dois videoclipes de Thiago Petit. Hoje, ela é representada por uma das maiores produtoras do Brasil, a Paranoid, que aposta em novos nomes para dar um rumo alternativo à publicidade no país. Como é a vida em São Paulo? Cheia de trânsito e barulho e uma obra interminável debaixo da minha janela. A gente ama e odeia, né? Ama as possibilidades, odeia o preço a se pagar por elas. E a carreira começou quando? O interesse pela fotografia surgiu quando ganhei uma snapshot do meu pai em 2003. A carreira de fotógrafa começou na noite, fazendo festa, por puro gosto, sem grana. Então o site do SPFW em 2007 me chamou pra cobrir eventos, fazer fashion week, essas coisas. A partir daí foi rolando. Por quanto tempo mais ainda vai registrar a vida noturna? Ela foi meu projeto de TCC, um experimento antropológico, uma fase pessoal, um pouco de tudo. O TCC passou, as fases vão e vêm. E o experimento continua sempre. Ando fotografando bem menos. Quando, e se, eu ver algo de novo que valha a pena ser registrado na noite, provavelmente voltarei a fotografar mais. Te incomoda os outros fotógrafos na balada? Não, imagina. A noite é uma escola pra aprender a fotografar, é ótimo. É bom ver que outras pessoas de certa forma dão continuidade a esse trabalho. Sempre existiram fotógrafos na balada. Acho que desde quando balada ainda era discoteca! Você ainda imerge na festa também? Se eu não estiver curtindo a festa, esquece. Nenhuma foto vai prestar.

48


49


50


os flashes captam cenas obscuras que os olhos não vêem? Os flashes, ao menos os meus, só captam o que meus olhos viram antes. E no backstage dos desfiles de moda? Se todo mundo pudesse entrar no backstage, acho que ia ser metade do drama, as pessoas iam ver que não é nada de outro mundo, que tá todo mundo só trabalhando. Tem alguma diferença ser fotógrafa mulher? Sim. Mulher ainda é subestimada nesse meio. Ainda mais se tiver cara de criança que nem eu. Sinto isso. Não te levam muito a sério. A maioria dos trampos vão sempre parar na mão de homens. Mas por outro lado, mulher tem um diferencial. Acho que existe um pouco disso de olhar feminino que tende a ser mais atento a detalhes, mais delicado. Infelizmente o mercado publicitário no Brasil ainda é, além de machista, muito careta. Eu sinto (e espero) que isso esteja mudando. Jornalista, fotógrafa ou diretora? Putz. Acho que fotógrafa e videomaker. O jornalismo passou a ser mais um ponto de vista sobre as coisas e não uma profissão. Moda e comportamento ou publicidade? Moda e comportamento. Retrato. Fotojornalismo. Foto publicitária nunca fiz. Não é a minha estética. Se uma agência um dia me chamar pra fazer publicidade porque curtiu o meu estilo, vou achar o máximo. Mas não vou adotar a estética publicitária só por grana. Não é pra mim. E o vídeo para a campanha da Chili Beans? Foi uma escola. Nunca tinha feito publicidade antes, então foi uma oportunidade pra aprender muito, trabalhar com uma equipe grande, só profissional incrível. E ainda por cima trabalhar ao lado do Heitor Dhalia! Já deu para ficar rica? Não, hahaha. Ainda estou começando. Por enquanto apenas co-dirigi a campanha com o Heitor Dhalia. Ainda não fiz nada pelo Paranoid Lab. A relação é boa com diretores mais antigos? Convivo pouco com eles e tento aproveitar cada segundo. Há muito para aprender com cada um. Quando eles estão por perto eu só tento fechar a boca e abrir bem os ouvidos pra não perder nada.

51


Você já fez exposição de fotos clicadas com o Instagram, aplicativo do iPhone. Não rola um preconceito? Não sei se há de fato esse preconceito entre fotógrafos. Talvez os mais velhos, aqueles que ainda torcem nariz pra câmeras digitais. Mas o preconceito maior mesmo são dos editores de revista, dos criativos de agência. Talvez eu esteja exagerando, mas aqui no Brasil é assim: toda vez que você vai fazer uma foto ou filmar uma campanha, você tem que armar um circo. Aluga um estúdio gigante, enche de gente correndo pra lá e pra cá, chacoalha umas lentes imensas, tripés e flashes na cara dos clientes e pronto. Daí o editor da Vogue Itália coloca o Steven Meisel pra fazer um editorial todo em twitpic, com foto de webcam, e uau, todo mundo paga pau. Terry Richardson costumava fotografar com uma Contax compacta. Apostaram nele. E olha o cara aí. Mas aqui ninguém tem culhão pra bancar. Se você aparece pra fotografar um editorial de moda com um iPhone, dão risada da sua cara. E a direção de clipes, como pintou? Amor por música, amor por imagem. Acho que foi o caminho natural das coisas. Qual a tua relação com o Thiago Petit? Ele me procurou por causa de um vídeo meu, o myGirls. queria que eu dirigisse um clipe pra ele. Quando ele me mostrou a música, Mapa-Múndi, fiquei encantada. Topei na hora. Acabamos virando amigos. Por que myGirls? Vai rolar o myBoys também? Boa ideia. Quais os projetos em andamento? Vou viajar e ficar umas semanas na Europa. Quero fazer algumas séries de fotos lá, talvez algum curta documentário também. Você acaba sendo uma inspiração para a nova geração de meninas que querem virar fotógrafas também. Você é um bom exemplo? Inspiração, eu? Que lisonja! Não escrevo mais pra Capricho, mas quando o fazia, não queria ser um exemplo, só queria fazer um bom trabalho. Ser um exemplo é muita responsabilidade.

52


53


54


Quais conselhos você daria? Aprendam as regras para saber quebrá-las. Quem faz a foto é o fotógrafo e não a câmera. Fotografem muito, constantemente. Busquem inspiração fora da fotografia. E de onde tira referência para trabalhar? De tudo. Do que vejo na rua, de filmes, de livros, das milhões de coisas que vemos na internet, dos amigos, de música, de pintura, de conversas. Tudo é remix, né. Qual a importância do trabalho autoral? Satisfação pessoal. Já que tudo é um remix, dá para ser original mesmo nos projetos pessoais? Acho que a originalidade está na maneira com a qual se combina os elementos pra fazer esse remix, nas referências diversas colocadas de forma inesperada.

51 55


na CAIXA POR LEANDRO VIGNOLI

GAGUISMO No intervalo de cinco dias, no site de uma importante revista de cultura pop editada no Brasil, filial de uma gigante americana: “Lady Gaga está no topo da Celebrity 100, da Forbes”; “Ouça ‘Hair’, o novo single de Lady Gaga”; “Lady Gaga lançará músicas no FarmVille”; “Born This Way, de Lady Gaga, poderá ser ouvido de graça no Sonora”; “Lady Gaga se declara Bibliotecária da Cultura Glam”; “Nova faixa de Lady Gaga foi inspirada na morte do avô da cantora”. Imagino que todas essas notícias sejam reais, embora eu não faça idéia que merda é “Farmville”. Mas além de monotemático, impressiona a desimportância das informações. Não faria a menor diferença se as manchetes fossem algo como “Lady Gaga peida em festa: confira o som no remix” ou “Música nova de Lady Gaga é sobre verrugas”, porque nesse novo mundo criado chamado “gaguismo”, parece que as pessoas têm uma placenta no lugar do cérebro.

56

O CRIADOR

NOVOS ADULTOS

Apresento pra vocês aqui o novo rapper polêmico da hora – desculpem se não for mais ele, a cada 20 dias surge um novo rapper polêmico da hora. Tyler, The Creator, a mente pensante por trás do Odd Future, acaba de lançar o segundo disco solo, Goblin. Basicamente, as letras aí do camaradinha falam sobre estupro, sexo com gente morta e homofobia, embora o som seja de alta qualidade, um “rap moderno” com tempero soul, batidões orgânicos e eletronices chapacoco. Com apenas 20 anos, Tyler é produtor dele mesmo, responsável pelo merchandise e ainda dirige os vídeos. Em “Yonkers”, ele aparece comendo e depois vomitando uma barata. Na letra, ele diz que “vai esfaquear o esôfago do Bruno Mars sem parar até a chegada da polícia”. Nada que Gabriel O Pensador não tenha feito há muito mais tempo e melhor, na clássica “Hoje eu to feliz, matei um presidente”. Essa juventudinha revoltada. Que falta faz um marmelo, já diria meu avô.

Não sei mais qual o mundo onde estamos, mas é bem estranho o Arctic Monkeys ser uma das bandas “veteranas” da geração. Porque a Internet, na mesma medida que transforma abóboras em hypes numa questão de horas, também faz os ex-hypes parecerem “last season” rapidamente. Os inglesotes, que há não muito eram revelados ao mundo com gravações demos enviadas via Myspace, lançaram faz dias o já seu quarto álbum, Suck It and See. Isso já é mais discos do que o Nirvana lançou, a mesma quantidade dos Smiths. No total são doze faixas, uma delas com o backing vocal de Josh Homme do Queens of the Stone Age. A faixa “Piledriver Waltz” foi lançada primeiro como trilha-sonora do filme teenager Submarine, e creditada solo a Alex Turner. Aliás, todas as seis faixas da trilha são de composição do vocalista e o filme não tem previsão alguma de estreia no Brasil. Aproveite a Internet e baixe. Daqui alguns meses já vai ser algo ultrapassado.


BODAS DE FLANELA Compilação Sub Pop 100 Primeiro registro do selo, o melhor momento aparece num enlouquecido Sonic Youth, em sua única aparição no cast da gravadora independente.

Mudhoney Superfuzz Bigmuff Um genuíno clássico do período. Sujeira + guitarra + pedal de distorção e um bando de loucão com a missão única de fazer riffs barulhentos.

1986 Green River Dry as Bone Uma confusão estética de punk, psicodelia e hard-rock. Os caras não faziam a menor ideia do que estavam sabendo e isso é o que é mais foda na coisa toda. Indispensável, com dois futuros integrantes do Pearl Jam e outros dois do Mudhoney.

ETERNAMENTE CHAMADO DE “BERçO DO GRUNGE”, O SELO SUB POP RECORDS FOI FUNDADO EM 86 POR DOIS CARINHAS EM SEATTLE. A IDÉIA ERA DISSEMINAR UM SOM AUTêNTICO, ROCK DE GARAGEM, COM AS VíSCERAS DOS ENVOLVIDOS E QUE “DESTRUíSSE A MORAL DE UMA GERAçÃO” (ESSA FRASE FOI DE FATO USADA PARA PROMOVER UM DOS áLBUNS). COM UMA BASE REGIONAL CONSTITUíDA, O CHAMADO “SEATTLE SOUND” FOI CRIADO COM A AJUDA DO PRODUTOR JACK ENDINO, QUE TRABALHO EM NADA MENOS QUE 75 LANçAMENTOS DO SELO DE 87 A 89. ENTRE ESTES AS ESTREIAS DE SOUNDGARDEN, MUDHONEY E CLARO, NIRVANA. HOJE EM DIA, A METADE DAS AçõES DA SUB POP PERTENCEM A MULTINACIONAL WARNER. MAS FOI Lá, Há 25 ANOS ATRáS, NA LOUCURAGEM, QUE ELES FIZERAM NASCER O TERMO: GRUNGE. CONFERE NA TIMELINE.

Nirvana – Bleach Pra muita gente o disco que mais captou a grosseria, anarquismo e escrotidão da banda. Toda a negatividade das letras como nunca mais reproduziram. Clássico.

1987 Soundgarden Screaming Life Nesse primeiro EP a banda era toscona, bem diferente da que viria a atingir o sucesso. Uma destruição de dissonâncias, guitarra suja e um vocal semiamador de Chris Cornel.

Screaming Trees Change Has Come Mais “veterena” da cena, a banda já tinha 4 discos quando lançaram o seu único no selo, esse EP de cinco músicas. Histórico, com Kurt Cobain se esguelando na faixa-título.

1988 Tad – God’s Balls A mais pesada em todos os sentidos. O gorduchão Tad Doyle esgaçava num vocal quase gutural sobre um timbre de metal bem incomum ao gênero. Seminal registro.

1989 Afghan Wigs – Up In It Meio esquecida, a banda pôs uma dose de melodia ao caos guitarrístico. Dos vocalistas mais fodas da geração, Greg Dulli é mais lembrado a frente do Backbeat Band.

The Dwarves Blood Guts & Pussy Reunindo o mais baixão calão e putaria, a banda reproduz um avassalador garage-punk anárquico, cru e, sobretudo rápido: doze músicas em treze minutos.

1990 L7 – Smell the Magic Nessa época, o grunge e o selo expandiam sua geografia até bandas da Califórnia e começava a arrefecer um pouco os melhores momentos do gênero.

57


1001 DISCOS PARA OUVIR DEPOIS dE MORRER METALLICA ST. ANGER A única crítica possível dos metaleiros a um disco ruim é a tal “perda de peso”, o que mais parece um slogan para hóspedes de spa. Porém, os problemas de St. Anger são muito piores que desagradar esse fetiche headbanger. Porque todo álbum é um terrível malentendido. Caso a tentativa fosse a de soar nu-metal, a banda errou a ponto de não igualar a sonoridade nem de lixos tóxicos como Limp Bizkit. Caso a ideia fosse resgatar a crueza, sujeira e agressividade dos anos 80, a única explicação possível é o crack. Cada música do disco é longa até doer as bolas, e ao contrário de canções elaboradas, cheias de possibilidades e conduções meio improváveis, aqui a impressão é de que em cada música fizeram um copiar/colar duas ou três vezes. Um efeito igual ao cachorro correndo atrás do rabo, algo como se ‘a banda do Saturday Night Live estivesse tocando as músicas do Metallica’ – a definição perfeita de Chuck Billy, líder

58 / na caixa

do Testament. A produção pastel do disco também é outro erro passível de cadeia, e obviamente no lugar da bateria eles usaram um latão de solvente. Nas guitarras, Kirk Hammet é privado de qualquer solo, quase uma marionete com a cordinha amarrada no braço toda vez que tenta. Em todas as dez faixas do disco, pra aqueles que conseguem ouvir, as músicas iniciam com um patético efeito mono – quando se ouve os instrumentos em apenas um dos fone/caixas. Isso é a pura pasteurização. Uma banda veterana descobrindo um efeito novo e o usando como se fosse a última moda do verão. Para os leitores mais punheteiros, todas as músicas foram afinadas em dó sustenido, de bandas adolescentes como Linkin Park. E ainda tem o vocalista de gorrinho nos vídeos, um desespero estético de tiozão como o Homer Simpson. Não foi à toa que no DVD Some Kind of Monster, em que mostra os bastidores da gravação do

disco, a banda precisa de psicólogos. Aliás, até o DVD é melhor do que o disco. Mas, se em algum momento outra pessoa resolver fazer um filme de ficção sobre a gravação de St. Anger, aqui vai a minha sugestão de roteiro: James Hetfield, após algumas crises de cirrose hepática, é encontrado morto na porta dum boteco de motoqueiros em Oakland, vomitado e com uma garrafa de Jack Daniels na mão; Kirk Hammet vira diretor de filmes pornôs gay onde, de vez em quando, faz algumas participações como ator; Lars Ulrich é vítima de bullying público, ao passear inadvertidamente com seu cachorro poodle por uma passeata em benefício do software livre; Robert Trujillo ganha na justiça o direito sobre o nome Metallica, e todos os royalties. A banda assina contrato com o Napster. Porque com um álbum desse na discografia, nenhum absurdo será mais nefasto.


O COLECIONADOR 60


TEXTO E FOTOS GABRIELA MO

SEU FERNANDO É UM HOMEM COMUM, APOSENTADO, PAI DE FILHAS CRESCIDAS E UM BOM MARIDO. NÃO FOSSE POR UM VÍCIO PECULIAR: A OBSESSÃO POR HISTÓRIA. Correspondências já amareladas pelo efeito do tempo, bilhetes da escola, cartas de amigos e cartões de ex-namoradas da juventude. Além do hábito normal de arquivar lembranças da própria vida, Fernando Antônio Sá de Azambuja também guarda as lembranças do mundo inteiro. Fotografias originais de mais de um século atrás, por exemplo? Ele tem e sabe quem tirou, quando tirou e porque tirou. A assinatura dos estadistas mais famosos do Brasil desde o descobrimento? Também tem, envidraçado e emoldurado em um canto ainda esperando para enfeitar a parede. Máscaras e bustos de personalidades? Claro que sim, ficam sobre uma enorme biblioteca empilhada pelo caminho. É um andar inteiro da casa cheio de livros, revistas, CDs, DVDs e jornais velhos. E no meio de tanto material, também tem réplicas exatas de soldados da Segunda Guerra Mundial, do tamanho de uma Barbie, com seus acessórios perfeitos, tanques, bicicletas e até animais, como cavalos e pássaros.

QUEM É Nome: Fernando Antônio Sá de Azambuja, Profissão: Advogado, aposentado há menos de seis meses Idade: 64 anos Coleciona: CD, DVD e Blueray de documentários, filmes, clipes e shows, quadros e obras de arte, bonecos, carrinhos, autógrafos e réplicas de guerra, revistas, jornais, livros, folders, cartazes e flyers políticos. Entre outros.

O museu particular do Seu Fernando tem de tudo, e, se não tem, é porque o funcionário dos correios ainda não veio entregar. O acervo foi construído ao longo dos anos, enquanto Seu Fernando ainda trabalhava como advogado. Agora, há poucos meses de chuteiras penduradas, tem ainda mais tempo para adquirir coisas, organizar e se dedicar a essa mania.

61


bonEQUinhos dE Posto O ano é 1960. Seu Fernando é Fernandinho, um garoto cuja curiosidade lhe brota na cabeça como lhe nascem espinhas na cara. E foi nessa ânsia adolescente por conhecimento que o jovem iniciou sua coleção. Em uma revista da época, a propaganda de um posto de gasolina francês anunciava promoção aos seus clientes. Quem abastecesse ali, ganhava miniatura de bustos de personagens históricos. Notícia mais do que intrigante para Fernandinho. “Também quero”, pensou. Não muito depois, mandou uma carta para a revista, que encaminhou a carta para a coordenação de marketing do posto de gasolina, que enviou a coleção completa para Fernandinho, que vivia no interior do Brasil. A facilidade com que obteve os brindes foi a válvula de escape que atiçou a curiosidade cada vez maior de Seu Fernando.

REgistRo abERto Seu Fernando tem cinco filhas: Claudia, Roberta, Andrea, Fernanda e Mariana. O nascimento de todas foi registrado com foto, vídeo e gravador. As mais velhas têm seus primeiros minutos de vida filmados em Super 8! Agora está tudo em DVD. Por falar em registro, qualquer foto clicada por Fernando é anotada, marcando os nomes completos dos sujeitos em ordem, data e local exatos para que, depois de revelada e impressa, possa ter suas informações escritas no verso. O complexo de manter a organização existe desde que se fotografava com filme e continua até os dias atuais, com digital. Hoje em dia, ele ainda imprime imagens em laboratório e anota tudo atrás. As cinco herdeiras só aproveitaram a biblioteca na adolescência, ao precisarem de fonte de pesquisa para trabalhos escolares. Mas quando qualquer revista faltava na prateleira, lá ia ele gritar na escada pelo nome e sobrenome da filha. Não se admite atrasos na devolução. Seu Fernando guarda publicações da Veja, IstoÉ e Época desde suas primeiras edições. Deixamos um exemplar da Void ali por perto para ver se ele não se interessa pela gente também.

62


QUE bRinQUEdo, o QUê! Nesse museu cada vez maior, existem réplicas perfeitas de tanques, carrinhos com portas móveis, banquinhos que saem e janelas que abrem, bonecos equipados com uniforme e acessórios exatamente iguais aos usados por soldados da Segunda Guerra Mundial, carruagens européias do século XIX em miniatura... Ou seja, um paraíso para qualquer criança. Mas não, no terceiro andar da casa, menor de idade só sobe acompanhado e supervisionado. Não pode tocar nem espirrar perto, todos os itens estão ali para serem vistos – com os olhos. Os bonecos de guerra poderiam ser muito bem namorados da Barbie, porém mais robustos e bem equipados que o Ken. A cada novo item que recebe, Seu Fernando manda pintar o uniforme de acordo com determinada batalha. O favorito ainda não chegou, é um membro da resistência francesa, que vem com sua bicicletinha e tudo mais.

Políticos no aRMáRio Como a história também é feita por políticos, sobram cartazes, pôsteres e flyers de propaganda eleitoral. De dentro do armário, sai até foto de José Serra. O acervo tem impressos desde de Getúlio Vargas. Em época de campanha, Seu Fernando vai de comitê em comitê pegar material. Dos mais antigos, guarda autógrafo. Comprou assinaturas de D. Pedro I e II, Princesa Isabel, General Osório, Gaspar Martins... Preciosidades prontas para serem emolduradas.

63


as fontEs Quase que diariamente, o carteiro bate à porta com uma encomenda. É coisa comprada na internet. Mas nada que impeça a tradicional ida às compras. Uma vez ao mês, Fernando vai catar raridades em antiquários, e sempre que pode, visita museus de outros estados e de outros países atrás de fontes e de informação. O último destino visitado por ele junto com a esposa, uma semana antes de nos receber para a reportagem, tinha sido São Carlos, onde fica o Museu da TAM. Um éden para os cliques fotográficos do nosso personagem , que registrou – e anotou – cada momento da viagem. Segundo ele, os melhores museus brasileiros são o da República e o de História Nacional no Rio de Janeiro.

64


as MUlhEREs Seu Fernando Viveu grande parte da sua vida na casa das nove mulheres: a mãe, a esposa, Ioiô (que ajudava na casa junto com sua filha), além de sua prole de cinco meninas. Meninas, aliás, que também contribuíram com a coleção, doando os cadernos escolares para o pai. Pouco antes do fechamento dessa edição, Seu Fernando recebeu uma ótima notícia: vai ser avô! Será mais uma menina para sua coleção?

À basE do cotonEtE

Quando questionado se leu todos os livros que tem, revistas e materiais que possui, parafraseia Carlos Lacerda, que possuía um enorme acervo bibliográfico dentro de casa: “Alguns eu compro, leio e releio. Outros eu compro na esperança de um dia poder ler. Outros compro porque a lombada é bonita”. Charles Esnavir já dizia: “Se não leu, percorreu”. Nossos “leitores” entendem perfeitamente. Se é difícil de encontrar um bom museu da história política do Brasil, na casa do Seu Fernando é Fácil. Mas história boa mesmo é a dele.

Hastes flexíveis não são feitas apenas para assear o ouvido. Quem cuida da limpeza dos objetos é o próprio Fernando, equipado de cotonete e pano seco. Não há faxineira no mundo que possa entrar e tirar a poeira dos livros empilhados. Desde o início da coleção, nenhum objeto foi quebrado ou estragado graças ao cuidado de Fernando. Isso até a presença da nossa equipe que, com um jeitinho delicado, conseguiu desmontar uma cópia fiel da bateria do Ringo Star. Mas não quebrou.

65


360° O skatista Allan Mesquita é um dos nomes mais importantes da cena de “bowl riders” do mundo. Com mais de 15 anos de experiência, ele está lançando o projeto 360°, um documentário dividido em 6 episódios que retratam o skate em bowl, modalidade que nos transporta para a raiz do skateboarding. Em parceria com Henry Saltz, coordenaor do departamento de skate da Zeppelin Filmes, e com direção de Rodrigo Pesavento e Daniel Bacchieri, Allan apresenta as pistas mais marcantes do continente europeu (Marselha, País Basco, Brixlegg, Praga e Amsterdam) e do Brasil (São Paulo, São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre). Um giro de 31 dias por 17 pistas em 11 cidades de 6 países, que mescla esporte e cultura, transmitindo a identidade e o estilo de cada lugar. Para assistir o teaser acesse o link. Info: allan360.com

66

Crédito: reprodução

POR FELIPE DE SOUZA E TOBIAS SKLAR Crédito: reprodução

na BASE

FOCAL POINT

A MENSAGEM DELAS

Quem curte e anda de BMx sente a falta de publicações voltadas para o gênero no Brasil. Trazer revistas da gringa pode custar bem caro e é por isso que a dica desta edição é conferir a australiana Focal Point. A publicação é trimestral e todos os números podem ser baixados em PDF, de grátis. Na edição mais recente, os caras entrevistaram Nick Harris, um rider que vive em uma comunidade isolada do interior da Austrália e apavora por lá. Tem também uma entrevista com o fotógrafo Doug Taylor e uma matéria bacana contando o perfil de ilustres anônimos que povoam as pistas do país dos cangurus. Vale a pena a visita.

Leave a Message é o nome do filme produzido pela Nike para divulgar o lançamento do model 6.0 da marca. A diferença entre outros tantos filmes de surfe é que esse foca no desempenho dentro e fora d’água de seis surfistas mulheres, todas gatas pra cacete, óbvio. Malia Manuel, local de Wailua, Kauai; a californiana Lakey Peterson; Monica Byrne-Wickey, de Maui; Carissa Moore, de Honolulu; a havaiana Coco Ho, de Sunset Beach; e a australiana Laura Enever formam o sexteto que estrela o documentário. Além da perfomance das garotas em cima da prancha, as imagens mostram o lifestyle de meninas que estão mudando os paradigmas do esporte.

Info: focalpointbmx.com

Info: www.vimeo.com/21603768 nike6.com/leaveamessage


Crédito: pablo Vaz

MR. BEAN TURBINADO

GO SkATE DAY

HOLLYWOOD

A Ogio e a marca de carros Mini se juntaram para uma ação bacana durante o Mini Challenger, prova que rolou no circuito de Interlagos. Como sempre tirando ideias da cartola, a marca de mochilas convocou o artista Pedro Driin para pintar o teto do safety car da corrida. A ação foi batizada The Painer e teve como tema o rock inglês. Driin, que é de Floripa e além de artista plático também atua como tatuador, não se conteve só com o teto do carrinho e também cobriu de tinta os retrovisores do bólido. A Ogio planeja outras ações do mesmo naipe nas etapas do Mini Challenger no Rio de Janeiro e Paraná. As fotos de Pablo Vaz dão uma boa ideia do resultado do trampo de Driin. Se quiser conferir o vídeo que mostra todo o processo, digite Mini e Ogio fazem arte em Interlagos no campo de busca do Youtube. Corre lá.

E chegamos a mais um mês de junho, onde tradicionalmente se comemora o Go Skate Day em todo o mundo. E como diz aquele pensamento manjado “todo dia é dia de skate, para os skatistas”, tem muita gente se mobilizando Brasil afora para criar melhores condições para se andar. Exemplo disso foi a ação para reformar o spot do Mercantil, em Belo Horizonte, que ilustra essa nota. Os skatistas locais trocaram de ferramenta, o skate pelas pás e picaretas, para revitalizar um espaço vital para a cidade. E para o bem de todos, isso vem acontecendo nos mais diversos lugares. Esse é o espírito, descubra o que está rolando na sua cidade, chame seus amigos e saia para rua, ande de skate e faça a diferença. Na próxima edição, traremos registros das skateadas comemorativas que levarão milhares de skatistas para as ruas das nossas cidades.

No dia 4 de junho, Los Angeles assistiu o consagrado documentário Vida Sobre Rodas, de Daniel Baccaro. Segundo o diretor: “representar parte da cultura brasileira através da exibição do Vida Sobre Rodas na Califórnia é uma oportunidade única, principalmente por ser o berço do skate e o centro do cinema mundial”. Como já falamos aqui na Void, o filme conta a trajetória dos Ultra Boys Bob Burnquist, Cristiano Mateus, Lincoln Ueda e Sandro Dias. Ele foi exibido na mostra competitiva do Hollywood Brazilian Film Festival (HBRFEST). Vale destacar que o festival aconteceu no clássico Chinese Theatre, cinema conhecido por sediar grandes premiéres mundiais, cerimônias de entrega do Oscar e por ser dono da calçada com as pegadas mais famosas do mundo. É o Brasil skatando todos os lugares.

JONAS GREGORY BEVACQUA Jonas Bevacqua era co-fundador da LRG, uma das marcas mais inspiradoras do universo do skate, arte e música. Mês passado esse visionário empresário faleceu, aos 34 anos, deixando um legado de criatividade. O fato foi notícia no mundo todo e, obviamente, trending topic no Twitter. Nada mais natural para alguém que passou a vida criando tendências. Costuma se associar o início do sucesso de Jonas com a sua amizade com artistas como Kanye West e Lupe Fiasco, mas independente de qualquer coisa, não se pode negar que chegou ao fim da sua vida como verdadeiro ícone do streetwear.

67


recordar ĂŠ morrer

68


POR FELIPE SOUZA

FOTOS MAURICIO CAPELLARI

69


recordar é morrer

Em 2009, em nossa qüinquagésima edição, fizemos uma das entrevistas mais estupefacientes da história da Void. Em três sessões de conversa, que duraram mais de três horas cada uma, trocamos ideia com Gilberto Barea, baterista da banda Rosa Tattooada. Farinha, mulheres e hard rock foram a tônica da pauta. Dia desses, convidamos o cara para um bate-papo revival no estúdio do fotógrafo Mauricio Capellari. Void: E como foi a repercussão daquela matéria que fizemos? Deu um retorno bacana? Barea: Até hoje todo mundo fala daquela entrevista. Não só o pessoal da música, mas nego de tudo quanto é lugar. Todo mundo ficou sabendo. Um dia entrei em uma loja de conveniência onde as bandas se encontram para sair, tinha umas cinco bandas dentro da lojinha, quando entrei os caras me aplaudiram de pé. Teve um jornalista que me mandou um e-mail dizendo que ele tinha 25 anos de estudo sério na história do rock e que nesse tempo todo ele nunca tinha lido uma matéria tão absurda e louca como aquela. Void: E ainda está tocando com aquele projeto eletrônico? Barea: Muito raramente. O problema é que quando você quer fazer uma grande quantidade de festa, você começa a se submeter a qualquer estrutura. Tinha noites que eu tava fazendo meu set embaixo de uma árvore, com frutas caindo na minha cabeça... Esses tempos fui fazer uma porra de uma festa eletrônica em Sobradinho (!!!) e eu gosto de house e gosto de tocar bateria junto, mas a estrutura era um lixo. A quantidade de droga que estava rolando por lá era absurda. Tanto que às cinco da manhã eu pedi pra me levarem embora porque achava que alguém ia morrer ali. Void: E na família, ninguém chiou ou ficou chocado? Barea: Na minha família não, porque eu não tenho família. Meus pais já são falecidos e meu irmão foi como um professor para mim nesse mundo, foi o cara que deu meu primeiro baseado e meu primeiro tiro. Ele só aplaudiu e riu pra caralho (risos).

70

Void: Mas hoje você está mais calmo. Ou não? Barea: Olha, depois que a matéria saiu eu tive umas recaídas. Peguei um livro de uma jornalista australiana que fala sobre a carreira do AC/ DC 1 e comecei a fazer umas celebrações à obra (risos). Chegava do trampo lá pelas 2h da manhã e já pegava uma garrafa de conhaque no posto de gasolina e passava a noite bebendo, cheirando e lendo. Mas acredito que eu só revivi isso e consigo conviver com isso há tanto tempo porque a conexão disso tudo é a música. Eu não estava usando droga e ficando totalmente desocupado, eu conseguia incorporar isso com meus compromissos com a banda. Void: E como foi aquela abertura para o Guns N’Roses, em Porto Alegre, no ano passado? Barea: Foi um lixo. A Defesa Civil do Rio de Janeiro tinha prendido os equipamentos dos caras por causa do desabamento que rolou pela chuva que caiu por lá. Aí naquele dia a aparelhagem deles foi chegar na cidade às 19h. Nosso horário para tocar era às 20h. Foi uma bizarrice. Três dias antes do show a gente estava dando mil entrevistas em tudo quanto era lugar. A gente subiu no palco no meio daquela bagunça do caralho e um roadie nosso tinha montado um amplificador mal posicionado e quando o nosso vocalista entrou no palco ele chutou o fio que estava ligando. Aí a guitarra ficava falhando, a gente super atrasado e o público com pouquíssima paciência. No meio da quarta música abandonamos o palco. Void: E a agenda da Rosa Tattooada, como está? Barea: Ela estava muito bem quando eu voltei do meu projeto de música eletrônica. Montei um microescritório na minha casa e comecei a vender os shows, comecei a catar velhos contatos. O resultado foram mais de trinta apresentações em seis meses, o que não tínhamos feito nos últimos quatro anos. Só que o mercado fica muito difícil se você não tiver alguém com uma caixa de dinheiro distribuindo para as rádios. 1 Let There Be Rock – A história da banda AC/DC


“UM JORNALISTA ME MANDOU UM E-MAIL DIZENDO QUE ELE TINHA 25 ANOS DE ROCK E NUNCA TINHA LIDO UMA MATÉRIA TÃO LOUCA”

71


recordar é morrer

Confere agora alguns trechos da conversa que tivemos com Barea há dois anos. Vai separando o Engov e o Rivotril.

1 Flavio Basso – integrante da banda Cascavelletes, que fez sucesso nos anos 80. Hoje atende pela alcunha de Júpiter Maçã.

72


Mulheres peitudas, limusines brancas, botas de bico fino e calças fuseau (em homens), laquê no cabelo e maquiagem pesada (também em homens), Jack Daniels, cocaína e grana. Todos os elementos que montam um videoclipe de hard rock típico e folclórico fizeram parte da vida de Gilberto Barea, 39 anos, baterista da Rosa Tattooada. A banda, criada no fim dos anos 80, foi alavancada à fama depois da gravação do primeiro disco independente, que vendeu mais de 30 mil cópias só no Rio Grande do Sul, gerou tours que ultrapassavam fácil a marca de 100 shows por ano, isso só nos estados da ponta de baixo do Brasil, além de uma legendária sessão de autógrafos em um shopping da capital gaúcha, onde centenas de adolescentes entraram em frenesi. Resultado: dinheiro, mulher e farinha. Pra vitaminar um pouco mais a sacanagem, a banda foi contratada por uma gravadora major, o que elevou ao cubo o estilo de vida rocker do sujeito. Porém, não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe, e Barea caiu das nuvens pouco tempo depois. De adolescente convidado a abrir a tour do Guns n’ Roses para logo depois ser chutado da gravadora para dar lugar a Daniela Mercury, o baterista contou tudo pra gente, abrindo a caixa preta do hard rock. Se sua cabeça já estiver doendo agora, toma um analgésico que a ressaca aqui é bruta. Como foi o início da Rosa Tattooada? Eu era roadie dos Cascavelletes, e um dia o Flávio Basso 1, que era o vocalista, falou para eu e o Jaques, que era o outro roadie, montarmos uma banda para fazer um show de abertura

deles. Era uma época em que a gente freqüentava o Ocidente. Vocês eram todos moleques na época... Sim, e a gente começou a ganhar grana muito rápido. Eu era roadie dos Cascavelletes e corria com os caras pra todo lado, operava um pouco, fazia luz... Fazia mais de cem shows por ano fácil, fácil. Tinha muita droga, muita cocaína. Muita grana, muita loucura... A gente tinha muito pouco compromisso. Porra, eu comia gente a rodo. O grande barato no lance do hard rock e no rock anos 80 de modo geral era que todo mundo tinha uma atitude muito extrema e ninguém era roqueiro de fim de semana, ninguém era mais ou menos. Todo mundo era drogado o tempo todo, de terça-feira a domingo. Era o sonho de todo moleque... Imagina, pra gente que era um bando de maconheiro, de repente começar a ir pra São Paulo, que tinha um circuito underground muito louco. O rock de lá era diferente, era tecnicamente mais raso e tinha outra retórica. Bandas como Ratos de Porão, Inocentes, Não Religião... Era uma coisa meio Dead Kennedys... Foi nessa época que o Rosa Tattooada começou a explodir também... Isso! E a gente sempre teve influência direta do hard rock californiano. Antes de ir pra São Paulo vocês fizeram um disco independente no Rio Grande do Sul, não? Sim, gravamos esse disco e vendeu 30 mil copias muito rápido, era outra época. Gravamos em 1988 e o lançamento foi em 1989. E uma coisa

legal é que, quando a Rosa Tattooada foi criada, eu nem sei se o Guns n’ Roses já existia, pois a gente não teve eles como influência. O som das duas bandas era muito parecido pelo fato de a gente ter ouvido as mesmas coisas, tipo Mötley Crüe, Kiss, AC/DC. Eram os sons que traziam muita adrenalina, muita euforia, de induzir a fazer o que era o maior prazer... Sair, se embebedar, comer alguém... Porra, fizemos orgias absurdas pelo estado inteiro, em São Paulo também. Não tinha risco, naquela época era muito tranqüilo. Sexo era algo muito fácil, pra qualquer artista que está no palco é algo muito acessível. Naquela época, então, muito mais. Como foi depois de gravar o primeiro disco? Assinamos com a Sony e o trabalho vendeu pra caralho. Que eu me lembre, lançamos o disco independente em 1989, assinamos com a Sony em 1990. Eles nos levaram para gravar no estúdio Nas Nuvens e o trabalho saiu em 1991. Se não é isso, é perto disso, não consegui registrar muito as datas em que as coisas aconteceram (risos). Vocês já chegaram como a menina dos olhos da gravadora? Sim, chegamos como a grande promessa. Até porque o grande lance de vendas que estava rolando naquela época era o rock, o Guns n’ Roses... O Aerosmith teve um reborn fodido também. O que a gente conseguiu no Rio Grande do Sul não foi brincadeira. Fizemos uma sessão de autógrafos no Shopping Praia de Belas pra muita gente, talvez perto de mil pessoas. Foi nessa época que veio o convite pra abrir a tour do Guns no Brasil?

Isso, durante a gravação do disco, em 1991. O Guns tinha como exigência que tivesse sempre uma banda local abrindo os shows. Eles requisitaram, através da produtora da época, um material de cinco bandas que tocassem mais ou menos no mesmo estilo deles. Foram listados nós, o Viper, Yankee, e outras que não lembro. Mas o Viper era metal... Sim, com uma temática musical totalmente diferente da nossa. Nos éramos muito californianos. Essas bandas que muita gente acha muito bagaceira, e que realmente são, têm um talento absurdo pra fazer essa dinâmica nos sons, pra música ter um crescendo constante. AC/DC que gerou isso. Os posers daquela época eram todos assim. Quiet Riot, L.A. Guns... Esses caras eram todos muito bregas, por serem toscos, essa coisa de rímel nos olhos, batom... Essa galera da Califórnia, por mais que tivesse postura glitter de cabelos com laquê e calça fuseau cor de rosa, comia todo mundo. Nenhum deles era viado. O rock tinha o fundamento da diversão absoluta. Parece um lance meio ingênuo, de festa sem fim. Sai, toma tua cerveja, pega umas minas, se diverte e só cuida pra não bater o carro na volta, porque provavelmente amanhã você vai fazer tudo de novo. Era como a gente vivia, e o mais legal era que no outro dia eu não precisava pegar uma mochila e ir pro colégio. Tem muito mais de onde veio isso. Acesse o link http://revistavoid.com. br/2010/09/hard-rock-rollercoaster/ e confira na íntegra a trajetória de ascensão, queda e poeira de Barea.

73


ATÉ MORRER A devoção pelo velho esporte bretão já levou você a tomar atitudes extremas como estampar o símbolo do seu time na epiderme? Então mande uma foto do seu glorioso carimbo pra void@avoid.com.br. Você vai mostrar pro mundo todo com quantas agulhadas se faz um torcedor de verdade, e ainda pode ganhar uma camiseta oficial da sua esquadra. O desenho que mais chamar a nossa atenção, seja lá por qual motivo for, fatura.

140 CARACTERES Sim estamos no Twitter. Nos siga no www.twitter.com/revistavoid e acompanhe tudo o que a gente consegue comunicar em 140 caracteres. Ou nada.

74

VOID EM CASA Que tal receber isso que a gente chama de revista no conforto da sua residência pagando somente o valor do envio? Mande um email pra void@avoid. com.br informando em qual dos planos abaixo você se enquadra. Porto Alegre e São Paulo (Capital): 6 meses: R$ 36,00 11 meses:  R$ 69,00  

outras localidades (Brasil): 6 meses:  R$ 48,00 11 meses:  R$ 78,00

REVISTAVOID Assim mesmo, tudo grudado, é o que você precisa digitar na busca do Facebook pra descobrir e curtir nossa página. O que você ganha com isso? Informações irrelevantes e a chance de participar de algumas promoções bem boas. Ou seja, tá valendo.


PUBLIEDITORIAL FOTOS POR LEO NEVES, RENÉ JR. E PARTYBUSTERS.ORG

76


QUEM ACHAVA QUE O BOÊMIO BAIRRO DA

CONFIRA AGORA UM POUCO DESSE

LAPA, NO RIO DE JANEIRO, FICAVA DESERTO

EVENTO QUE JÁ DEIXOU SAUDADE

AOS DOMINGOS, MUDOU DE IDÉIA NO DIA 29

NAS RUAS CARIOCAS. PRA VER MAIS,

DE MAIO. FOI QUANDO A CONVERSE BLOCK

ACESSE CONVERSEBLOCKPARTY.COM.BR

PARTY ATERRISSOU POR LÁ, ATRAINDO

E A PÁGINA DA CONVERSE BRASIL NO

MAIS DE SETE MIL PESSOAS À PRAÇA DOS

FACEBOOK.

ARCOS E AO CIRCO VOADOR PRA CONFERIR O QUE AS RUAS DO RIO DE JANEIRO TÊM DE MAIS VERDADEIRO. JUNTANDO MUITA MÚSICA COM SKATE, ARTE, BASQUETE DE RUA, FEIRA AO AR LIVRE, RANGO DE CALÇADA E GENTE VINDA DE TODOS OS LADOS DA CIDADE, A VERSÃO BRASILEIRA DESSE EVENTO MUNDIAL DA CONVERSE FOI UMA CELEBRAÇÃO DA CULTURA URBANA COMO NUNCA SE VIU POR AQUI. ALGO QUE O RIO DE JANEIRO MERECIA HÁ MUITO TEMPO, CONFORME OS DEPOIMENTOS DE QUEM PASSOU PELA LAPA. COMO NAS CLÁSSICAS BLOCK PARTIES QUE ACONTECEM NOS ESTADOS UNIDOS DESDE OS ANOS 70, ERA SÓ CHEGAR E ACOMPANHAR AS ATIVIDADES QUE ROLARAM DURANTE TODA A TARDE ATÉ O COMEÇO DA NOITE. TEVE COMPETIÇÃO DE SKATE PROFISSIONAL EM MINIRAMPA, BEST TRICK NO CLÁSSICO GAP DA LAPA, TORNEIO DE BASQUETE DE RUA E CAMPEONATO DE ENTERRADAS. O PÚBLICO TAMBÉM PÔDE PARTICIPAR DE JOGOS E BRINCADEIRAS, GANHAR BRINDES, FAZER CUSTOMIZAÇÕES, DESCOLAR ARTIGOS EXCLUSIVOS E APROVEITAR UMA ÁREA DE STREET MONTADA ESPECIALMENTE PARA OS SKATISTAS PRESENTES. OS SHOWS FICARAM POR CONTA DE START, DJ PACHU, ELETROBASE DJS, MC MARECHAL, CONECREWDIRETORIA, ZEGON + BNEGÃO E, PRA FECHAR, A ATRAÇÃO GRINGA DJ VADIM E THE ELECTRIC.

77


78


PUBLIEDITORIAL

79


80


81


REVELAÇÃO Temp.04 Ep.04 Por: PDR e MAU

AQUI VAMOS ESTAR PROTEGIDOS...

SALGAN DE MI CAVERNA INMEDIATAMENTE, COÑOS! O VOY LANZAR MI BACTERIAS MORTALES SOBRE USTEDES!!!

OK, OK... A CAVERNA É SUA E NÓS RESPEITAREMOS ISSO... VAMOS EMBORA PESSOAL!

AHHH, VAMOS SIM... NADA MAIS SEGURO DO QUE UMA CAVERNA FRIA E ESCURA NO MEIO DE SELVA...

MANGO, TEM ALGUMA COISA SE MOVENDO ATRÁS DE VOCÊ!!

YO ESTOY ALERTANDO! SALGAN AHORA SI NO QUIEREN MORIR!!

IHHHH... ESSE PAPO NÃO COLA MAIS, Ô... PEPINO PARAGUAIO. TÁ TODO MUNDO SABENDO QUE O CULPADO É O BROTO.

VAN Y QUE NO VUELVAN JAMÁS, COÑOS DE MIERDA!!

BANANA, ESSA SUA MOLENGUICE TÁ CADA VEZ PIOR...

NÃO GOSTEI DO JEITO QUE ELE FALA...

continua...

82

© HB É UM PERSONAGEM ORIGINAL DA LAIRTON REZENDE COMICS. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS, NÃO VAI QUE É FRIA.


converseallstar.com.br/linhapremium


VOID #071 - SEMPRE