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ANO 06 / 2010 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

#057 LEITURA NÃO RECOMENDADA PARA MENORES DE 18 ANOS.

O T I E J U S U A M


MORFOLOGIA REGRAS DO BOTÃO O futebol de botão surgiu em 1930, pelas mãos do paulista Geraldo Décourt. Recebeu esse nome por causa das peças usadas para jogar. O cara começou usando botões de cuecas para jogar (conseguem imaginar uma cueca de botões relativamente grandes?). Em seguida passou a usar botões de uniformes escolares e casacos (mais higiênico, ao menos). Na falta de roupas para convocar jogadores para o time, vidros de relógios antigos eram usados. Logo quando surgiu, o esporte era conhecido como celotex, nome do material com que era fabricada a mesa. A data de nascimento de Décourt, 14 de fevereiro, é celebrada em São Paulo como o Dia do Botonista. (Depois deste momento cultural, será que conseguimos uma ajuda de custo da Lei Rouanet?) Atualmente os botões são feitos de acrílico ou galalite, um material plástico derivado do leite. Possuem duas camadas e têm uma aparência boleada (que vem a ser aquele desenho arredondado que facilita o deslizar da palheta para fazer o impulso). A bainha (caimento lateral) é determinante para saber se ele é atacante, consegue encobrir o goleiro com facilidade ou se é um defensor. Quanto mais aberta a bainha, maior é o ângulo de inclinação para a palhetada, e geralmente ele joga no ataque. Os de bainha fechada são melhores passadores e a inclinação é bem menor. Em alguns beques, são zagueiros que chegam a ter quase um ângulo de 90 graus de bainha.

Caso o leitor tenha nascido com um controle de PlayStation na mão, e nunca teve a oportunidade de se divertir com um jogo de verdade fora do ambiente virtual, saiba que o futebol de mesa possui muitas peculiaridades na forma de jogar. Para ter ideia, existem várias maneiras de realizar uma partida, e cada estado tem a sua – a regra paulista, a regra carioca e a regra baiana são as mais conhecidas. Se você quer conhecer a fundo todas as leis do esporte, visite o site da Federação de Futebol de Mesa do Rio de Janeiro (www.fefumerj.com.br).

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HEREDITARIEDADE Tavares disse que não sofre com a concorrência nesta área, já que boa parte dos botões em circulação são dele, até mesmo pelo tamanho do acervo que possui. Fora que conta com a vantagem de que as peças vendidas acabam retornando para ele uma hora. “Teve uma vez que eu vendi um botão por R$400. Quatro anos depois, acabei comprando o mesmo botão por R$40, e vendi de novo para outra pessoa, mas por R$800”, explica. Segundo ele, a comunidade de colecionadores costuma ser bem unida. Só ele conhece pessoalmente cerca de 200 apaixonados pelas peças de galalite no Brasil – colecionadores “fodões”, como define aqueles que possuem

um acervo com mais de mil botões. Relata ainda a existência de “guetos” de amigos, que juntaram suas peças para formar uma única coleção. Para ter noção de até que ponto chega a paixão dessas figuras, existe um “acordo de cavalheiros” entre os colecionadores mais próximos, em caso de morte. Se por acaso alguém resolver jogar uma partida de botão com a Dona Morte e perder, a coleção do finado é distribuída entre quem está vivo. Isso evita que os botões fiquem esquecidos dentro de uma gaveta qualquer para todo o sempre. Felizmente, até o momento, não há relato de homicídios. Por enquanto.

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O “Vans Combi Bowl”, recriação do original e casa da infame Pro-Tec Pool Party.


Muitas vezes imitado. Nunca duplicado. Vans para a vida.


Criado por Alva e Peralta em Dogtown, continua arrebentando atĂŠ hoje.


STUDIO KING55

Custom Shop POA: R. Dona laura, 78 - 90430-090 - Rio Branco - Porto Alegre - RS - BR +55 51 3391-0080 Custom Shop SP: R. Harmonia, 452 - 05435-000 - Vila Madalena - S達o Paulo - SP - BR +55 11 3032-1838


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apoio:

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*BackLine com um amplificador de guitarra, amplificador de contrabaixo, uma guitarra, um contrabaixo e uma bateria completa.


TIREM OS FILHOTES da sala POR GABRIELA M.O.

FOTOS MAURÍCIO CAPELLARI

O AMOR É CEGO. O CORAÇÃO NÃO ESCOLHE COR, CREDO, RAÇA, REINO, FILO, CLASSE, ORDEM, FAMÍLIA, GÊNERO NEM ESPÉCIE PARA SE APAIXONAR. POIS NÃO ESTAMOS TENTANDO FAZER VOCÊ LEMBRAR DAS AULAS DE BIOLOGIA DO PRIMEIRO GRAU, E SIM QUERENDO DIZER QUE EXISTE AMOR ENTRE CRIATURAS GENETICAMENTE DISTINTAS, ENTRE SERES HUMANOS E ÉGUAS, PORCOS, OVELHAS, GALINHAS, PATOS E POR AÍ VAI. E ESSE AMOR AOS ANIMAIS MUITAS VEZES É TÃO FORTE E RECÍPROCO QUE PODE RENDER AO HOMO SAPIENS UMA BOA BIMBADA COM OUTRAS ESPÉCIES. E VICE-VERSA. 34


Vamos falar de zoofilia. Mas calma aí, antes de considerar o tópico um absurdo, saiba que essa manifestação de afago pode ser muito mais casta do que algumas que você faz no seu quarto, já que ela pressupõe total respeito e reciprocidade para ser prazerosa para ambas as partes. Em grego, zoo significa animais, e filia pode ser traduzido como amor ou como amizade. A zoofilia, então, nada mais é do que a simples manifestação de ternura aos animais. Desde o cafuné que você dá ao gato na casa de sua avó até a bronha que a porn star Monica Mattos bateu para um cavalo em um de seus vídeos, tudo são puras declarações de zoofilia. Já dizia o filósofo australiano Peter Alber David Singer no texto Deares Pet: On Bestiality que a relação entre humanos e outras espécies não tem nada de criminoso, desde que seja mutuamente gratificante – e isso inclui o sexo com animais. Nós temos certeza de que tanto o felino quanto o cavalo ficaram satisfeitos com o carinho que receberam, mas não espere o mesmo nível de compreensão vindo de um guarda que te apanhar com as calças arriadas atrás de uma mula. Ele não deve conhecer as obras de Singer e provavelmente não leu essa matéria. Agora, se mesmo assim você estiver pensando que é loucura se apaixonar por um bicho, e se a ideia de zoofilia não estiver descendo legal, nós damos um empurrãozinho. Imagine um par perfeito para uma mulher: loiro, de olhos meigos, fiel, companheiro, adora levá-la para passeios, está sempre contente com a sua presença, não inventa mentiras, não reclama da vida e ainda por cima não aplica desculpas esfarrapadas para sair sozinho e meter uns chifres nela. Visualizou a criatura? Junte a essas qualidades um rabo, pelos, focinho e pronto, a moça estará amando um pastor alemão. Isso que você ainda não tem noção do prazer imenso que ele pode proporcionar a uma mulher...


NA METRÓPOLE

Apesar de mais frequente no interior, devido à variedade de bichos e à escassez de mulheres, digamos, mais liberais, a zoofilia não é praticada somente nas cidades interioranas. Moradores de condomínios também podem aproveitar o instinto sexual de seus animais domésticos. Sabe aquela vizinha gostosa que sai todo dia para dar uma banda com um são bernardo, a viúva que vive sozinha com o Rex ou aquele amigo de infância que trata de uma maneira especial seu dog alemão? Pois vai saber o que acontece na casa deles quando o sol se põe... Nas cidades, os bichos mais próximos são geralmente os cães, que para a alegria dos donos estão sempre dispostos para o sexo. Raças gigantes são as mais procuradas para esse tipo de atividade. Um pênis de um cachorro desse porte, quando está duro, atinge mais de 20cm, o que, para os padrões humanos, é um dote e tanto. Lendo isso você olhou diferente para o totó aí do seu lado, certo? Pois então lembre que o coitado pode morrer virgem por culpa sua! Se você possui um cão de raça grande, ama ele e ainda não ofereceu o seu corpitcho, pense nisso. Eles não podem alcançar o orgasmo sozinhos, e nada pode ser mais frustrante na vida de alguém, qualquer que seja a sua raça, do que não poder se masturbar. Você deve saber muito bem disso, então alivie seu cão de vez em quando – fica a dica. Mas antes de se posicionar de quatro e ficar à altura do seu amigo, tenha certeza 36

de que o cão também está a fim de você. Se ele não estiver, não insista se não quiser ser acusado de estupro! E caso não seja possível interpretar as vontades dele, vale jogar um chamego para deixálo a fim. Temos algumas sugestões de como conquistar o seu cãozinho, mas ele tem que ser um labrador ou maior: • Fique peladinha(o) do lado dele para ele sentir o seu cheiro. • Se você é mulher, espere estar no período da menstruação para exalar mais odores sexuais. • Passe sangue de frango nas suas partes para torná-las mais atraentes. Ou patê. Escolha o que o seu cachorro gostar mais. • Masturbe-o. É isso mesmo que você leu: masturbe o seu cachorro. • Cães adoram lamber. Eles têm línguas muito suaves, são cuidadosos e gentis. Aprecie! • Cães adoram ser lambidos. Você estará negando ao seu cachorro um grande prazer se não lhe fizer isso. • Deitada(o), bata levemente nos seus ombros e convide o cachorro a pôr as patas lá em cima. • Curve-se e deixe ele subir em você na posição cachorrinho. Vale mesmo que ele seja um cachorrão. • Levante sua bunda, convidando-o a montar. (Essa dica vale para qualquer espécie, inclusive a humana.) Foi? Então ele é todo seu. Prepare o guarda-chuvas, pois o bicho jorra tipo uns 200ml. Ou abra bem a boca – opção sua. As cadelas são um pouco mais recatadas. Só entram no cio de 20 em 20 dias e precisam ser realmente grandes para suportar uma relação com homens. Sem contar que, durante o cio, elas sangram e ficam inchadas. Então melhor deixar elas quietas.

Na chácara

Se entre quatro paredes tudo é possível, imagine numa região descampada com milhares de hectares. Pois é geralmente nas grandes fazendas que acontecem as transas mais selvagens. Os animais rurais são muito procurados pelos homens no início de suas vidas sexuais. Celebridades como Maguila perderam sua virgindade assim. Quem sabe até o seu pai, ou aquele parente proprietário de umas terrinhas afastadas, também já tiveram essa experiência inesquecível. Os casos são mais comuns do que você pensa, e pode ter certeza: 100% dos humanos que transam com quadrúpedes confirmam que o prazer é mútuo. Segundo eles, as vaquinhas e eguinhas também têm sentimentos e, se você for um Don Juan, pode até acontecer uma linda história de amor. Mas como saber se eles curtiram você de verdade? Bom, no caso de um macho, você não terá essa dúvida quando ele ejacular. Periga até você se afogar. Mas como a fêmea demonstra prazer? Não será muito difícil de descobrir, elas são quase iguais às humanas: vão se apaixonar de imediato se a transa for boa. Então capriche! Conversamos com especialistas e descobrimos do que as fêmeas gostam, mais especificamente aquelas que residem no seu sítio. Suínas – Uma porca é só um exemplo do que pode ser a primeira namorada de alguém. E apesar de os suínos machos terem um orgasmo de até 20 minutos, é

dos homens que as fêmeas gostam mais. Depois da cópula, elas se isolam e não querem mais saber dos companheiros de espécie. Elas só pensam em você, só querem você e, se não estiverem bem trancadas no chiqueiro, podem até vir atrás de você – alguma semelhança com a sua ex? A diferença é que, se bem lubrificadas, aceitam tranquilamente o sexo anal. Mas vá com calma para ela não sair correndo. Equinas – As éguas também não são muito diferentes. Tenha uma relação sexual com elas que elas deixam de procriar com os cavalos e passam a segui-lo para sempre. Não servem para corridas nem para nada, apenas para lhe dar prazer. O único problema é que são imprevisíveis, podem morder e dar coices a qualquer momento para tentar lhe agradar, principalmente se não o conhecerem muito bem. Se você é chegado em um fist fucking, saiba que a querida delas é tão grande que dá até para meter um braço, só não esqueça de caprichar no KY. Bovinas – As vacas são as mais escandalosas. Gritam, berram, gemem e mugem durante o cio. Ficam um pouco ariscas, mas logo se acalmam e se tornam mais amáveis com os parceiros. Dizem que são a melhor das espécies da fazenda. Caso você queira levar a sua amada mulher para um ménage alternativo, largamos a morta: Até que nos provem o contrário, não precisamos nem comparar o tamanho de um pênis humano com o de um cavalo. Sem contar que eles exalam um perfume de pêssego quando excitados para atrair as fêmeas. Então reflita antes de ir com a sua garota para passar o fim de semana na casa de campo, talvez você saia de lá solteirinho.


No mar Sim, fodas em baixo d’água são sensacionais de qualquer maneira, mas podem ser ainda mais surpreendentes quando o seu parceiro for um ser do oceano, como os golfinhos. Eles são inteligentes e sensíveis, adoram estar perto de humanos e desenvolvem uma relação de laços fortes com os seus donos. Pode acontecer de eles quererem demonstrar todo o sentimento que possuem por você, e eles gostam de fazer isso através do sexo. Para se ter uma ideia, no fim do ano passado, um golfinho tentou estuprar um nadador de 28 anos enquanto ele mergulhava na costa sul da Noruega. O ato só não foi consumado pois o homem usava roupas específicas para o mergulho. Não é à toa que treinadores geralmente recomendam que você utilize macacões ao nadar com golfinhos em vez de vestir apenas roupas de banho. Os golfinhos são tarados, muito mais do que você, pode ter certeza. E não se importam se você é homem, mulher, gay, lésbica, bissexual ou simpatizante. Além disso, são uns dos poucos animais que utilizam o sexo também como troca de afetos, o que pode acontecer até entre mãe e filho, irmã e irmão, golfinho e criador... Se você estiver interessado em conhecer um, os aquários são uma má opção: muito públicos, os animais estão fora de seu habitat, etc. Tente as praias que eles frequentam, vá lá algumas vezes, deixe que lhe conheçam, desenvolva uma relação. Em três dias eles já estarão acostumados com a sua presença. Os golfinhos não estão muito presentes no nosso dia a dia, mas é bom saber 38

como eles são antes de se deparar com um. Aí, quando houver um encontro, você parecerá superexperiente. E o ideal é investir nas fêmeas, pois não dá para ser penetrado por um golfinho macho. Além de ele ter um membro enorme que pode destruir seus órgãos internos, a pressão de sua ejaculação é tão intensa que é comparada a um tiro de canhão. Um pênis de golfinho é uma verdadeira arma letal – somente as golfinhas os suportam! Conheça o comportamento sexual desses seres do oceano em três níveis, desde a troca de olhares até a troca de carícias e de fluidos. Troca de olhares – Se o macho estiver com vontade do bem-bom, ele vai nadar na sua volta com uma ereção de 25 a 35cm. Impossível não reparar. O pinto deles tem formato de S e pode envolver o seu pulso. Deixe ele vir roçá-lo nas suas mãos. No caso das fêmeas, como em qualquer espécie de animais, é um pouco mais complicado saber o que ela está querendo. A maneira mais usual é conferir se a sua barriga está rosada e a vagina inchada e proeminente. Se você estiver fora da água, elas nadam de barriga para cima se exibindo e fazendo uma dança esquisita. Sob a água, fazem pressão corporal em você e mordicam seus dedos. Troca de carícias – Quando o golfinho macho estiver se engracinhando para você, aproveite a oportunidade e comece a masturbá-lo fazendo massagens na base do pênis, o lugar preferido deles. Não se assuste se a ejaculação for rapidíssima, o tempo de um golfinho vai de 40 segundos a um minuto. Tome cuidado com a velocidade e a pressão do jorro, tire seu rosto da linha de fogo. Já as fêmeas podem ser masturbadas com estimulações clitorianas. O “botãozinho” fica na base da genitália, proeminente e ereto, e você pode usar as mãos ou a boca para acariciá-lo. As fêmeas são

quentes por dentro, cheias de músculos que se contraem e brincam com seus dedos, é tanta força nessa região que você pode acabar viciado. Troca de fluidos – Pode parecer complicado, mas a dificuldade é compensadora. Prefira uma região da água com uma profundidade confortável para levar uma fêmea. Gire a golfinha para que fique de barriga para você até se posicionarem barriga-com-barriga. Segure-a suavemente com o braço e coloque sua benga na genitália dela. Interessada, ela vai se curvar contra você e guiar o seu pênis. Então começam com uma série de contrações musculares vaginais de deixar qualquer mulher com inveja. O ato deve demorar de um a dois minutos, e o interessante é que, quando você goza, elas estremecem junto. É importantíssimo que você passe um tempo com o seu golfinho depois da relação. Eles precisam dessa atenção por serem muito sensíveis e apegados. Cuide-o, esfregue-o e demonstre afeto, eles são ultrassensíveis e precisam desse contato para fortalecer vínculos. Não os deixe pensando que são só mais uma espécie na sua coleção de relações, e não esqueça de que você não deve forçar a barra nunca. Se um golfinho não estiver com vontade, não insista. Além de isso ser um atentado, ele pode lhe causar lesões. A melhor maneira de conquistá-lo é mesmo com amor verdadeiro.


Na internet Se você quer experimentar a zoofilia, mas tem medo de sair da frente do computador, temos uma solução. Você não precisa ir para o interior, para a praia, nem tentar manter um cachorro dentro do seu JK para isso. A rede mundial de computadores tem um infinito acervo de produções do gênero. São vídeos, textos, fóruns, comunidades, galerias, fotologs e blogs que abordam a zoofilia. “Então quer dizer que isso tudo sempre esteve ao meu alcance e eu não sabia?” Sim, a internet é um belo meio para se perder a virgindade ou para se conhecer a vida selvagem. Basta juntar meia-dúzia de palavras-chave no Google ou colocar algum destes sites nos seus favoritos:

No cinema Zootube365.com – É bem isso que você está pensando. Depois do Porntube e do Youporn, nada mais justo do que um portal de vídeos de zoofilia. Zoofiliaquente.com – Tudo junto misturado. Um portal que indica outros portais especializados no assunto. Contosonline.com.br – Contos eróticos de diversos tipos, inclusive, claro, sobre sexo animal. Zoofiliabrasil.com – Vídeos, fotos e relatos totalmente brasileiros.

Quer ver antes para créu depois? A locadora de vídeos que você frequentou desde criança pode ter uma sala escondida que abriga fitas safadas, incluindo as que retratam zoofilia. Produtoras como Brasileirinhas e Introduction, entre outras mais B-side ou home made, disponibilizam títulos como Cavalo Ardente e Boneca Valente.


POR VINI DE LA ROCHA

FOTOS LITA ALMEIDA

Imagine um filme com o seguinte roteiro: um diretor de cinema resolve ir com um colega de trabalho ao Mercado Público de São Paulo, ali atrás da rua 25 de Março, pertinho da Cracolândia, no Centro da capital paulista. Conversa vai, conversa vem e, durante a caminhada, entre alhos, cebolas e o famoso pão com mortadela, vê um homem levando um belo cachorro da raça pastor alemão na coleira. Nesse momento, uma ideia lhe vem à cabeça. “Tá aí, encontramos o personagem do meu próximo longametragem.” Afinal de contas, seu amigo estava pensando em produzir um filme, e a situação financeira de ambos não estava lá essas coisas naquela época, pelos idos dos anos 80... Mas você deve estar se perguntando: “E quem seria o personagem? O homem com o dog na coleira? O cachorro? Apenas o homem? Só a coleira?” É, acertou quem pensou somente no cão. O diretor foi lá, negociou um cachê com o dono do bicho e bateu o martelo. O pastor viraria um artista de cinema. Será que até este ponto o filme prenderia a atenção do público? Bom, supomos então que o cachorro – que se chama Jack – vire o personagem principal de um filme pornô. Muito bizarro? E adivinhe só... Na tela, o cão se mostra um verdadeiro amante sexual, fazendo coisas que poucos homens fariam na cama com uma mulher. Com direito até às preliminares... Tá, agora fique sabendo de mais uma informação: o dono do cachorro é português – piada pronta? – e fica apavorado com o desempenho 40

sexual do seu tão adorado bichinho de estimação durante as filmagens. “Como pode um cachorro transar desse jeito?” Até parece comédia, né? Enfim... Eis que o portuga – cujo nome aqui não interessa – descobre que o querido Jack é uma verdadeira fera na cama, praticamente um amante latino, porque é viciado na coisa. E o detalhe importante: ele fica sabendo que a culpa é da sua esposa. Sim, a sua amada esposa deixou o pobre animal viciado em sexo. É isso mesmo, meu caro... A Maria, ou Antônia, ou Joaquina, também não vem ao caso aqui, transava em casa – escondida do maridão, é claro – com o insaciável Jack. Foi só ligar a câmera, gritar “valendo” e deixar o Long Dong Silver canino entrar em ação naturalmente, exigindo pouco – ou quase nenhum – esforço do diretor da película. É, mas você acha que no fim do filme o portuga deixaria essa história barata? O Joaquim – ou Manuel, também não importa – mata o próprio cachorro com veneno. Vixi... Pesado esse final, né? Ah, e tem mais: a atriz que encena com Jack acaba expulsa do prédio e do bairro onde mora, é abandonada por todos os seus amigos e familiares, muda de cidade, raspa o cabelo para não ser reconhecida, nunca mais consegue nenhum papel no cinema e decide então comprar um carrinho para vender pipoca na rua e ganhar o seu sustento. Muito foda? Mas e se te contássemos que esse roteiro não é bem um roteiro, e sim a história verdadeira de como José Mojica Marins, o famoso Zé do Caixão, encontrou o personagem do primeiro filme com cenas de zoofilia produzido no Brasil, e que este realmente foi o trágico fim do iniciante ator canino e da então atriz pornô? Pois foi exatamente assim que começou e terminou a produção de 24 Horas de Sexo Explícito, de 1985. Até o

dono do coitado do cachorro era português mesmo. Ou será que o coitado da história é o português? “Já no caminho para o set de filmagens, ainda no carro, o cachorro foi com tudo para cima da atriz. Chegando à fazenda onde fizemos o filme, foi só ligar a câmera e deixar rolar”, destaca Mojica. “Eu falei para Vânia, a atriz, que ela sairia em capas de jornais, revistas e que ganharia uma boa grana, mas que a promoção dela também seria a sua desgraça. A sua carreira iria acabar ali”, conta. Segundo o cineasta, 24 Horas de Sexo Explícito foi o primeiro pornô que quebrou as regras no Brasil. “Ele rodou todo o país, ficou mais de 1 ano em cartaz, saiu na Folha de SP, no Estadão, até o Fantástico fez matéria sobre o filme e o cachorro”, diz, para depois explicar um dos motivos para tanto sucesso. “As empregadas iam assistir e contavam para as patroas, que lotavam as salas de cinema. E ele só não ficou mais tempo em cartaz porque a censura proibiu que eu colocasse imagens do cachorro nos cartazes e nos jornais. O Jack passou a ser perseguido pela censura”, lamenta Mojica. O produtor e roteirista do filme, Mario Lima, afirma que temeu até pela sua liberdade. “Eu pensei: ‘ou eu saio daqui preso ou vou preso amanhã ou depois. Eu não quis assistir nada, fiquei longe, não vi nenhuma cena. Achei que o animal ia rasgar a mulher, mas foi impressionante, tudo o que um amante faz o Jack fez’”, diz. “Todo mundo que viu o filme gostou. A gente ia fazer uma continuação, mas o cara foi lá e matou o cão. Daríamos qualquer grana para usar o cachorro de novo, mas infelizmente não deu tempo”, completa um inconsolado Mojica. O interessante é que, mesmo sem o garanhão Jack, personagem principal da trama, a dupla resolveu dar sequência ao

© REPRODUÇÃO

E O CACHORRO COMEU A ESPOSA DO PORTUGUÊS, É MOLE?

filme e, em 1986, ficou pronto 48 Horas de Sexo Alucinante. Só que, em vez do cachorro, o produtor resolveu filmar com uma... vaca mecânica (?!). Bom, dá pra imaginar que a película foi um fracasso nas bilheterias, né? “Tudo o que ganhamos com o cachorro perdemos com a vaca...”, finaliza Mojica, o Zé do Caixão.


CUIDADOS Se para fazer o tradicional papai e mamãe com a patroa já lhe aconselham mil precauções, imagine então na hora do sexo com um animal em meio à natureza. Pior do que pegar qualquer pereba que você nunca ouviu falar, levar relinchadas, mordidas e arranhões é aparecer no prontosocorro com um bicho entalado no seu rabo. Então é bom seguir algumas regras básicas: - Ao fazer sexo com uma vaca, tire os calçados, deixe suas roupas bem longe e faça isso perto de uma ducha ou de um riacho, de preferência. Ela pode defecar em meio ao ato e você vai dizer o que quando chegar em casa coberto de estrume? - Os cães são amantes apaixonados e, quando montam em você, podem arranhar sua pele. Para evitar machucados, vista meias grossas nas patinhas deles e apare suas unhas esporadicamente. - Nunca ceda seu ânus para os golfinhos. O mesmo vale para cavalos e animais de grande porte. O motivo é óbvio, ninguém quer ter uma hemorragia interna. Mesmo que seja masoquista, lembre que você pode morrer. - Durante o sexo, o pênis do cachorro de grande porte incha até atingir o tamanho de uma bola de tênis. Se você não estiver preparado pode não aguentar, por isso é bom treinar antes com consolos king size que podem ser encontrados em qualquer sex shop. Depois que o pênis incha dentro de você, é preciso esperar cerca de meia hora até que ele diminua. Se vocês ficarem engatados, não há o que fazer. Relaxe, goze e aguarde. - Você pode transmitir e pegar gripe de golfinhos. Não espirre próximo a eles, não tenha contato sexual se estiver doente nem se achar que eles estão. - Pode ter certeza de que aquela piriguete que você conheceu na noite tem mais doenças do que a Mimosa. Mas isso não quer dizer que você não deva usar camisinha, pois os animais podem transmitir zoonoses. A brucelose, por exemplo, pode ser pega dos bichos da fazenda e causar artrite, hepatite, meningite e outras ites. Então, cuide-se.


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I’M... TOUR Burn no show da Beyoncé Salvador 2010 / Patrocínio Burn


Burn no show da

Beyoncé Salvador 2010 / Patrocínio Burn

Depois de passar por Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro, Beyoncé Knowles subiu ao palco do Parque de Exposições de Salvador com todo o gás, cantando o hit Crazy in Love e levando à loucura os 45 mil fãs que compareceram no show. Burn esquentou ainda mais a apresentação, com uma estrutura onde reuniu várias figuras carimbadas do circuito brasileiro.

Vestindo a já conhecida roupa dourada colada ao corpo perfeito, Beyoncé metralhou grandes sucessos já de cara. Depois de Crazy in Love, engatou uma sequência com Naughty Girl, Freakum Dress e Get Me Bodied. Pra acalmar os ânimos, mandou ver as baladas Smash Into You, Ave Maria e Broken Hearted Girl. Noite memorável para o povo da Bahia de todos os santos jamais esquecer.

www.burn.com.br


PUBLIEDITORIAL


FOTOGRAFIA MAURÍCIO CAPELLARI Info: www.guitargarage.com.br

O BLUESEIRO SOLON FISHBONE ABRIU AS PORTAS DA GUITAR GARAGE PARA O NOSSO FOTÓGRAFO MAURÍCIO CAPELLARI. SE VOCÊ É UM AMANTE DAS GUITARRAS VINTAGE, COLOQUE O B.B. KING PRA ROLAR E SEPARE O LENCINHO.

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PLAY LIFE


ROCKA BILLY TÓXICO POR GABRIELA M.O. // FOTOS GABRIELA M.O. (RETRATOS) E LUCAS CUNHA (SHOW)

“Faço um moicano ou um topete em 15 minutos todos os dias de manhã.” Grazi Madella Kranz


Aperte o play do melhor do rockabilly norte-americano dos anos 50 e tome um ácido. Essa é a sensação de participar do maior evento de psychobilly do Brasil, o Psycho Carnival, de Curitiba. Nesta 11ª edição, em cinco dias de comemoração vieram holandeses, chilenos, americanos, ingleses e franceses apreciar o outro lado do carnaval brasileiro, que deixa para trás o samba e coloca para tocar sons mais pesados a todo volume. Entre os dias 12 e 16 de fevereiro, o festival trouxe de fora Frenzy, com 26 anos de estrada, Phantom Rockers, Voodoo Zombie, entre outros. São fãs de Elvis Presley depois de mergulhados no lixo tóxico e contaminados com a rebeldia do início dos anos 80! Os topetes cresceram, as cores fluoresceram, o ritmo acelerou e eles compuseram o gênero psychobilly, surgido há três décadas. Um investimento na qualidade musical e na estrutura do visual. No País, a cena cresce cada vez mais na capital paranaense, em Londrina e em São Paulo.

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Mark Burke Phantom Rockers

E o que chamou a atenção neste carnaval alternativo não foi o tamanho do popô das mulheres, como na festa de carnaval tradicional, mas sim a altura do penteado dos músicos e do público. Gringos, nativos, novatos, veteranos e penetras ostentaram moicanos, topetes e tudo o que dava para elaborar nos cabelos que tinham na cabeça. Isso sem parar de dançar ao grave dos baixos acústicos ou de se pegar nas rodas punks, tudo ao mesmo tempo. E a megaprodução dos looks não é fantasia, é uniforme. Mais do que um espetáculo de bandas nacionais e internacionais, o Psycho Carnival é um desfile de estilos. Para resumir, se o psychobilly fosse um drink, você teria uma parte de rock, uma de punk e algumas gotas de ska – ou folk. E isso tudo, claro, servido em uma bela taça furta-cor.

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“A cena na Inglaterra já quase não existe mais, e o público europeu está decadente. Os brasileiros são os únicos que detonam na roda punk. Enquanto o psychobilly na Inglaterra morre, no Brasil nasce e cresce.” Frankcy, DJ francês`

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“Estou amando as garotas do Brasil. Mas esses caras da Holanda aqui são todos bichas.” Zteban, The Ghost Storys

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“Como?” Quinte, holandês

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“Eu morri com estilhaços.” Aline, zumbi

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“Eu morri degolada.” Kitia, zumbi.

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Annie Lee

“Gostamos mesmo é de rock puro, mas viemos aqui para nos divertir e rever pessoas!” Fran Kramer e Thiago Tattoo

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Vlad, Sick Sick Sinners

Bruno B., CWBillys e entusiasta

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Baby Rebbel, Diabatz.

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Killer Clau, Diabatz.

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Clau Sweet Zombie, Diabatz

Ortiz.


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“O público é todo nosso amigo. Estamos muito felizes nessa nossa segunda vez aqui no Psycho Carnival.” Katona Katrina, Voodoo Zombie

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SexBasstian Voodoo Zombie

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Lucifer Rocker Voodoo Zombie

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Pelao Psycho Voodoo Zombie

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PHOTO CHRIS ORTIZ


POR GABRIELA M.O. FOTO: RETRATOS GABRIELA M.O. SHOW LUCAS CUNHA

CARTOLAGEM BOTONISTA POR PIERO BARCELLOS // FOTOS MARCELO MIRRELA (RETRATOS) E MAURÍCIO CAPELLARI


Quem poderia imaginar que o futebol de botão, tal qual seu correspondente de carne e osso, consegue movimentar boas cifras nas transições entre os “jogadores”? No reino do galalite existem barões, oportunistas, e até mesmo pactos que perduram após a morte. O MECENAS DOS BOTÕES Quem poderia imaginar que o futebol de botão, tal qual seu correspondente de carne e osso, consegue movimentar boas cifras nas transições entre os “jogadores”? No reino do galalite existem barões, oportunistas, e até mesmo pactos que perduram após a morte.

No bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, se localiza a loja Botão e Palheta, recanto especializado em futebol de mesa. Em meio às paredes camufladas pelos pequenos “jogadores” feitos de plástico, trabalha ou, melhor dizendo, vive Hamilton Tavares, que, no auge dos seus 50 anos, pode ser confundido com um balconista comum. A verdade é que Tavares, apesar da simplicidade, ocupa o topo da pirâmide do mercado de futebol de botão, um verdadeiro mecenas dos campos feitos de compensado. Com mais de 30 mil peças catalogadas em seus domínios, o lojista não apenas é o maior colecionador de botões do mundo, como também se tornou o “barão”, movimentando cifras com alguns zeros antes da vírgula. Não é à toa que ele afirma com a certeza de um cartola

que, “no momento em que eu falo com vocês, tem alguém comprando um botão meu em algum lugar do país”.

Tavares trabalhou por muitos anos no sistema de telefonia do RJ, antes da privatização. Era o responsável por fazer a corretagem das linhas disponíveis. Segundo ele, empresários e advogados eram os típicos abonados que sempre atrasavam com o pagamento. “Já as putas sempre pagavam em dia, ou até antecipavam quando podiam”, disse. Nessa época, pelos idos dos anos 80, usava parte do salário para sustentar o hobby de colecionar botões. Foi também nessa época que a amizade com o português e marceneiro Alberto Pereira Ribeiro mudaria sua vida.

O MECENAS DOS BOTÕES No bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, se localiza a loja Botão e Palheta, recanto especializado em futebol de mesa. Em meio às paredes camufladas pelos pequenos “jogadores” feitos de plástico, trabalha ou, melhor dizendo, vive Hamilton Tavares, que, no auge dos seus 50 anos, pode ser confundido com um balconista comum. A verdade é que Tavares, apesar da simplicidade, ocupa o topo da pirâmide do mercado de futebol de botão, um verdadeiro mecenas dos campos feitos de compensado. Com mais de 30 mil peças catalogadas em seus domínios, o lojista não apenas é o maior colecionador de botões do mundo, como também se tornou o “barão”, movimentando cifras com alguns zeros antes da vírgula. Não é à toa que ele afirma com a certeza de um cartola que, “no momento em que eu falo com vocês, tem alguém comprando um botão meu em algum lugar do país”.

Tavares trabalhou por muitos anos no sistema de telefonia do RJ, antes da privatização. Era o responsável por fazer a corretagem das linhas disponíveis. Segundo ele, empresários e advogados eram os típicos abonados que sempre atrasavam com o pagamento. “Já as putas sempre pagavam em dia, ou até antecipavam quando podiam”, disse. Nessa época, pelos idos dos anos 80, usava parte do salário para sustentar o hobby de colecionar botões. Foi também nessa época que a amizade com o português e marceneiro Alberto Pereira Ribeiro mudaria sua vida.

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DE HOBBY A PROFISSÃO Agora Hamilton Tavares vende e também produz botões, utilizando como matéria-prima folhas de galalite e acrílico, e fichas de pôquer usadas em cassinos. Além da sua loja, onde também comercializa brinquedos antigos, revende seu acervo de 30 mil botões para mais de 20 estabelecimentos e expõe em feiras. Os botões novos são vendidos a R$9 cada, fazendo com que um “time” de 11 jogadores saia por cerca de R$100 – tecnicamente, com o salário médio de um estagiário, você consegue comprar uns três times bem completos, com reserva e tudo.

DOIS CARROS POR BOTÕES Ribeiro fazia móveis e figas de madeira em uma marcenaria. Após ouvir conselhos de pessoas ligadas ao esporte de mesa, começou a produzir botões durante o tempo livre. Foi um sucesso instantâneo, fazendo a alegria dos moleques fissurados em punheta e futebol. Acabou deixando os amuletos de lado e montou a sua própria fábrica de minijogadores, a Bertisa. Porém, o fato de ter colaborado para a boa sorte de muitos incautos com suas figas não o eximiu das tradicionais características do DNA lusitano. De uma hora para outra, a qualidade do material fornecido para a fabricação dos botões caiu drasticamente. Os botonistas fissurados perceberam e começaram a investir seu dinheiro em outras fontes. Para agravar a situação, na mesma época, desembarcava no Brasil o Atari, que, nas palavras do Hamilton Tavares, “matou os botões”. 82

A época não era propícia para se investir no ramo. Mesmo assim, o marceneiro decidiu arriscar e vendeu seus dois carros para usar o dinheiro na compra de material de boa qualidade e dar seguimento ao negócio. E como um típico português, depois que fez a cagada, entrou em desespero por não saber como iria vender a produção e obter lucro. Foi aí que Tavares entrou no jogo, com a promessa de comercializar tudo, pagando pelos botões em 16 vezes. “Fiz essa loucura porque gostava muito de botão. Se eu não conseguisse vender, azar! Ficava com todos!”, disse. Só que ele conseguiu. Através de um minucioso esquema de distribuição e venda nas melhores casas do ramo, os botões da Bertisa se tornaram muito conhecidos, até os tempos atuais.

Porém, diferente da realidade humana, em que os jogadores de futebol mal aprendem a falar e já viram mercadoria, no universo dos botonistas, quanto mais raro e mais velho for um botão, mais valorizado ele fica. Pense que um pedaço de acrílico arredondado, com pouco mais de três centímetros de diâmetro, pode custar em média R$150 ou mais. Tudo começou quando os jogadores de futebol de mesa procuravam sua loja e, em vez de se interessarem pelos novos craques, eram os antigos que lhes atraíam. Dividido entre o lado comerciante e o lado colecionador, Hamilton passou a colocar preços altos nos botões que não queria vender. A partir daí é que foi se estabelecendo a média de valores no comércio de pequenos jogadores pelo Brasil afora, tendo como medidas reguladoras quesitos como raridade, procedência, material e apego sentimental do dono.

O problema (ou solução, dependendo do ponto de vista) é que tem gente capaz de torrar a grana que tem para saciar o hobby. Até mesmo gastar R$6 mil EM UM ÚNICO BOTÃO. “Foi a peça mais cara que já vendi. Os botões mais caros a gente acaba vendendo para o mesmo grupo de pessoas, que já são conhecidas por serem do meio. Isso facilita o comércio.” Quando os preços por uma única peça são extremamente altos, há a possibilidade de parcelar o valor, numa espécie de “acordo entre cavalheiros” – ou, no caso, botonistas – em que a palavra de um colecionador vale mais do que um papel escrito. “Eu parcelei o botão de R$6 mil para o comprador, só porque eu conhecia ele. Tem que ser amigo pra fazer isso”, afirma. Desde 1993 no ramo, ele conta que já viu gente tão aficcionada que era capaz de trocar os próprios pertences por UM botão – celular, geladeira e até moto. A roda das transições também ocorre pela internet. No profile da loja do Hamilton no Orkut, basta a publicação da foto de um botão novo para atiçar os interessados, que já perguntam quanto custa, ou tecem elogios dos mais variados para aquela “joia rara”. Outros profiles também se dedicam a compra e venda dos jogadores, a maioria numa faixa de preço entre R$100 e R$500. No site do Mercado Livre também é possível encontrar botões à venda, dos preços módicos aos mais caros, das réplicas aos botões originais.


OS CRAQUES EM TRANSAçÃO Não pense que é barato ter um bom jogador no seu time. Acontece nos grandes clubes europeus, brasileiros, e também de galalite.

Cruzeiro Invertido Fabricação Bertisa 1970/71 Preço de R$ 250 a R$400

A SAGA DO CRUZEIRO INVERTIDO Em um universo em que as minúcias de fabricação são importantes, um detalhe pode fazer a diferença. Até mesmo entregar um filho da puta que tenta ganhar dinheiro por meio da boa-fé dos outros. Segundo o jornalista e botonista Jefferson Gomes, o caso mais polêmico envolve os botões que representam o time do Cruzeiro, fabricados na década de 70 na Bertisa. Diferentemente do modelo tradicional, o Cruzeiro feito pelo Alberto é composto de uma faixa azul-celeste, ladeadas por lindas faixas em branco perolado, característica que lhe atribuiu nome e beleza únicas. Poucos possuem este botão em suas coleções, e dificilmente alguém colocaria para negócio. Exceto um

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usuário no Orkut conhecido como “Seis Dedos” na rodinha dos colecionadores (o apelido não era à toa). Após negociar com o vendedor, o novo proprietário decidiu compartilhar com os amigos do Orkut a aquisição esperada. Dois dias depois, recebeu o comentário de que aquele era um botão falso, uma réplica que só errou em um detalhe: ter as cinco estrelas tradicionais da constelação. Sabese lá por que diabos, o português incluiu mais uma estrela no escudo, totalizando seis. O espertinho acabou sumindo do mapa, e é bem provável que o motivo não tenha sido a descoberta da sua fraude, mas o fato de ter caído no easter-egg que o portuga implantou há 30 anos.

Brasil todo perolado de ficha Fabricação desconhecida Preço de R$ 100 a R$250


Botafogo de uma camada Fab. desconhecida anos 60 Preço de R$50 a R$80

América Invertido Fabricação Bertisa anos 70 Preço de R$ 100 a R$200

CBD Ouro Fabricação Bertisa anos 70 Preço de R$ 120 a R$200

Palestra Itália Fabricação Bertisa anos 70 Preço de R$ 80 a R$150


MORFOLOGIA REGRAS DO BOTÃO O futebol de botão surgiu em 1930, pelas mãos do paulista Geraldo Décourt. Recebeu esse nome por causa das peças usadas para jogar. O cara começou usando botões de cuecas para jogar (conseguem imaginar uma cueca de botões relativamente grandes?). Em seguida passou a usar botões de uniformes escolares e casacos (mais higiênico, ao menos). Na falta de roupas para convocar jogadores para o time, vidros de relógios antigos eram usados. Logo quando surgiu, o esporte era conhecido como celotex, nome do material com que era fabricada a mesa. A data de nascimento de Décourt, 14 de fevereiro, é celebrada em São Paulo como o Dia do Botonista. (Depois deste momento cultural, será que conseguimos uma ajuda de custo da Lei Rouanet?) Atualmente os botões são feitos de acrílico ou galalite, um material plástico derivado do leite. Possuem duas camadas e têm uma aparência boleada (que vem a ser aquele desenho arredondado que facilita o deslizar da palheta para fazer o impulso). A bainha (caimento lateral) é determinante para saber se ele é atacante, consegue encobrir o goleiro com facilidade ou se é um defensor. Quanto mais aberta a bainha, maior é o ângulo de inclinação para a palhetada, e geralmente ele joga no ataque. Os de bainha fechada são melhores passadores e a inclinação é bem menor. Em alguns beques, são zagueiros que chegam a ter quase um ângulo de 90 graus de bainha.

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Caso o leitor tenha nascido com um controle de PlayStation na mão, e nunca teve a oportunidade de se divertir com um jogo de verdade fora do ambiente virtual, saiba que o futebol de mesa possui muitas peculiaridades na forma de jogar. Para ter ideia, existem várias maneiras de realizar uma partida, e cada estado tem a sua – a regra paulista, a regra carioca e a regra baiana são as mais conhecidas. Se você quer conhecer a fundo todas as leis do esporte, visite o site da Federação de Futebol de Mesa do Rio de Janeiro (www.fefumerj.com.br).

HEREDITARIEDADE Tavares disse que não sofre com a concorrência nesta área, já que boa parte dos botões em circulação são dele, até mesmo pelo tamanho do acervo que possui. Fora que conta com a vantagem de que as peças vendidas acabam retornando para ele uma hora. “Teve uma vez que eu vendi um botão por R$400. Quatro anos depois, acabei comprando o mesmo botão por R$40, e vendi de novo para outra pessoa, mas por R$800”, explica. Segundo ele, a comunidade de colecionadores costuma ser bem unida. Só ele conhece pessoalmente cerca de 200 apaixonados pelas peças de galalite no Brasil – colecionadores “fodões”, como define aqueles que possuem

um acervo com mais de mil botões. Relata ainda a existência de “guetos” de amigos, que juntaram suas peças para formar uma única coleção. Para ter noção de até que ponto chega a paixão dessas figuras, existe um “acordo de cavalheiros” entre os colecionadores mais próximos, em caso de morte. Se por acaso alguém resolver jogar uma partida de botão com a Dona Morte e perder, a coleção do finado é distribuída entre quem está vivo. Isso evita que os botões fiquem esquecidos dentro de uma gaveta qualquer para todo o sempre. Felizmente, até o momento, não há relato de homicídios. Por enquanto.


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FREEZE#057 Backstage Redley Fashion Rio inverno 2010 / 12.01.2010 Créditos: Paula Baiana/Divulgação


PERMANência Temp.03 EP.01 Por: PDR e MAU

PENA QUE O XAROPE PREFERIU FICAR COM AS FÊMEAS...

PÊXE!!!

É BOM TER VOCÊS DOIS POR PERTO DE NOVO, MANGO... ESTAVA TÃO SOZINHO...

PÊXE...

MELHOR A GENTE VOLTAR, AMIGÃO...

ALGUÉM VIU NOSSO AMIGO XAROPE POR AÍ?

ONDE SERÁ QUE O XAROPE FOI? TÁ VENDO ELE EM ALGUM LUGAR, MANGO??

PÊXE???

BUNDA...

BUNDA...

MALA...

EU NÃO...

QUAERENTI PROPERE DANDA EST RESPONSIO LENTA...

VERITATIS SIMPLEX ORATIO... VERITAS ODIUM PARIT...

AMICUS CERTUS IN RE INCERTA CERNITUR... INIMICI SUI AMICUM NEMO IN AMICITIA SUMIT... ALEA JACTA EST!

DE ONDE VEIO ISSO??

BUN...

JÁ FOI TARDE...

??

? continua...

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© HB É UM PERSONAGEM ORIGINAL DA LAÍRTON REZENDE COMICS. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS, NÃO VAI QUE É FRIA.


VOID #057 - MAU SUJEITO  

Revista Void. Edição #057

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