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ANO 05 / 2009 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

#0 055 55 LEITURA NÃO RECOMENDADA PARA MENORES DE 18 ANOS.

I A V A R AGO


INTRO

NESSA EDIÇÃO

AO PESTO

SEM CRISE DE MEIA-IDADE O Faith No More tocou igual uns moleques chegando à zona pela primeira vez. E gozou muito.

Nesse Natal, enquanto você estiver pronto para garfar um filé ao molho bechamel, nós estaremos saboreando alguma iguaria que combine soja e beringela. Trocamos também a costela 12 horas do ano novo por alguma iguaria cruelty free. Não foi nem pilha do chef Alan Chaves, que trilhou o Brasil na Veg Tour 2009. Foi a visão apocalítpica do mundo acabando em um imenso e fedorento cogumelo produzido pelo pum coletivo e simultâneo de 1,140 bilhão de ruminantes. Essa nem os maias previram.

HOMEM DE LATA A ficção científica sempre advertiu que chegaríamos a uma era em que a vida seria comandada por humanoides.

VERSÃO BRASILEIRA O Senhor Miyagi versão pt-BR é baiano, mora numa boca brabíssima e fala português com sotaque nipônico.

CAPA(S)

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FOTO DA CAPA: MAURICIO CAPELLARI COMPOSIÇÃO: RAFAEL CHAVES


EXPEDIENTE

PONTOS DE DISTRIBUIÇÃO

Direção: Gabriel Rezende Marco Arioli Pedro Hemb Rodrigo Santanna Vicente Perrone

BELO HORIZONTE

Editores: Denise Rosa e Pedro Damasio Repórteres: Felipe de Souza, Piero Barcellos e Gabriela M.O. Revisora: Maria Edith Pacheco Projeto gráfico e Diagramação: Lucas Corrêa e Rafael Chaves @ Lava www.lavastudio.com.br Diagramação: Guilherme Rex Fotografia: Maurício Capellari Waldomiro Aita Administrativo/Financeiro: Vanessa Lindenau Comercial: João Francisco Hein

Billabong – Av. Presidente Carlos Luz, 3001 Black Boots – R. Fernandes Tourinho, 182 Blunt – Montes Claros, 173 Brechó Brilhantina – R. Tomé de Souza, 821, Lj.3 Café com Letras – Ant. de Albuquerque, 781 De Rua Skateshop – R. Paraíba, 1061 Desvio – R. Tomé de Souza, 815 Fumec FCH – Rua Cobre, 200 Hard Core – Av. Contorno, 6.000, sl. 201 La Tosqueria – R. Claudio Manoel, 329 Mini Galeria – R. Carolina Figueiredo, 30 Obar – Rua Cláudio Manoel, 296 Pieta Tatoo – Rua Paraíba, 1441, lj. 1 Quina – R. da Bahia, 1148, sobrelj. 06 Social – R. Ceará, 1580 Una – Rua da Bahia, 1764 CURITIBA Airlab – Al. Prudente de Moraes, 1668 Arad – Rua Vicente Machado, 664 Brique - Rua Duque de Caxias, 380 Café Lucca – Av. Presidente Taunay, 40 Café Novo Louvre – R. Trajano Reis, 36 Desmobilia – Av. Vicente Machado, 878 Fran’s Café – R. Dr. Carlos de Carvalho, 1262 Galeria Lúdica – R. Inácio Lustosa, 367 Grindhouse – R. Ângelo Sampaio, 2069 Kitinete – Duque de Caxias, 175 Lamb – R. Vicente Machado, 674 Lolitas Salon de Coiffure – R. Trajano Reis, 115 Piola – Al. Dom Pedro II, 105 Quintana – Av. Batel, 1440 Teix Tatoo – Av. Vicente Machado, 666 Tienda Design – R. Fernando Simas, 27 FLORIPA Hi Adventure – R. Sotero José Faria, 610 Players – Floripa Shopping Star Point – Shopping Iguatemi Sul Nativo – Shopping Beira Mar Porto Alegre

Produção: Gabrieli Frizzo Jurídico: Galvão & Petter Advogados office@galvaoepetter.com.br

Amistad – Padre Chagas, 276 Azul Cobalto – Lima e Silva, 744 Billabong – Barra Shopping Sul Callohã – Shopping Lindóia Convexo – Shopping Iguatemi Convexo – Shopping Praia de Belas Diadora – Padre Chagas, 306 ESPM – Bar Prédio 2 / Bar Prédio 3

Fita Tape – Praça Garibaldi, 46 King 55 – Dona Laura, 78 Lancheria do Parque – Osvaldo Aranha, 1086 Matriz Skate Shop – Shopping Total Nike Store – Barra Shopping Sul Nike Store – Shopping Iguatemi Oakley – Barra Shopping Sul Ocidente – Osvaldo Aranha, 960 Ossip – República, 677 Perestroika – Furriel L. A. V., 250/1302 Pó de Estrela – Alberto Torres, 228 PUC - Administração / Famecos Puma – Barra Shopping Sul Rouparia – Fernandes Vieira, 656 STB – Anita Garibaldi, 1515 STB – Quitino Bocaiúva, 267 Thippos – Miguel Tostes, 125 Tow In – 24 de Outubro, 484 Tow In – Barra Shopping Sul Ufrgs – Arquitetura / Reitoria / Fabico Uniritter – Orfanatrófio, 555 Vulgo – Padre Chagas, 318

El Cabriton y Amigos - Rua Augusta, 2008 Endossa – R. Augusta, 1360 Forever Skate – Galeria do Rock Gal. Choque Cultural – R. João Mora, 997 Galeria Polinesia – R. Pedro Taques, 110 Grapixo – Galeria do Rock Hotel Tee’s – R. Augusta, 2203 – Lj. 10 Hotel Tee’s – R. Augusta 2633 – Lj. 20 HQ Mix - Praça Franklin Roosevelt, 142 Johnny B Good – R. 24 de Maio, 116 – Ljs. 14 e 19 King 55 – Harmonia, 452 Matilha Cultural – R. Rego Freitas, 542 Maze Skateshop – R. Augusta, 2500 Mission Store – Galeria do Rock Nike Sportwear – Praça dos Omaguás, 100 Plastik – R. Dr. Melo Alves, 459 Poderosa Ísis – R. Augusta, 2202 Star Point Moema – Av. Iraí, 224 Ultra Skate – Av. Moací, 537 Visionaire – Galeria Ouro Fino Volt – R. Haddock Lobo, 40 Wave Boys – Galeria Ouro Fino Z Carniceria – R. Augusta, 934

RIO DE JANEIRO OUTRAS 021 Multimarcas – Av. das Américas, 500 – Bloco 20 – Lj. 120 Addict – Shopping Leblon Addict – R. Aristides Espínola, 64 Baratos do Ribeiro – R. Barata do Ribeiro, 354 – Lj. D Billabong – Barra Shopping Billabong – Shopping Rio Design Barra Boards Co – Galeria River Circo Voador – Rua dos Arcos Home Grown – R. Maria Quitéria, 68 Hospedaria – R. Visconde de Pirajá, 303, Lj. B Junkz – R. Francisco de Sá, 95 La Cucaracha – R. Teixeira de Mello, 31, Lj. H Plano B – R. Francisco Muratori, 2A Redley – R. Maria Quitéria, 99 Redley – Shopping Leblon Redley – Shopping da Gávea Street Force – Galeria River Ultraeco – Galeria River Viva Retro – R. Francisco Sá, 95 – Lj. H Wall Colors – R. Lopes de Souza, nº8 SÃO PAULO AMP – R. Augusta, 2729 B.Luxo – R. Augusta, 2633 Lj. 18 Billabong – Oscar Freire, 909 Billabong – Morumbi Shopping DCK – R. Augusta, 2716 Eastpak – R. Augusta, 2685

Alucinado – Novo Hamburgo / RS Hangar – Santa Maria / RS Hip – Caxias do Sul / RS Ideal Shop – São Bernardo do Campo / SP Nollie – Contagem / MG Roques – Niterói / RJ Star Point Pitangueiras – Guarujá / SP Stb – Caxias do Sul / RS Swell Skatepark – Viamão / RS


COLABORADORES Leandro Vignoli é radialista

da Unisinos FM e nosso expert em música e adjacências. Ele é residente nas seções “Na Caixa” e “1001 Discos”.

Lise Bing NÃO É uma garota quietinha. Gadgets e bizarrices internéticas são o recheio da sua coluna Bing Bang! http://lisebing.tumblr.com

Lairton Rezende, também conhecido como Jacaré do Mar, é artista visual e pai do HomemBanana, o herói da dúvida. lairtonrezende@gmail.com

Vini De La Rocha é jornalista, noiado e morador de São Paulo... Ainda quer ser roteirista, também noiado, e morar um tempo na Espanha. vinidelarocha@gmail. com

Lucas Pexão é dono da Galeria

Fita Tape e representa artistas via noz.art. Na Void ele escreve sobre arte e faz a curadoria da seção Magma. www.noz.art.br/ pexao Ana Ferraz faz um monte de

coisas ligadas a projetos de street art e divide com Pexão a responsa na Galeria Fita Tape, e na seção Magma da Void. www.flickr.com/iwannagoaway / noz.art.br / ana@noz.art.br Fabrízio Baron vive em um mundo envolvente onde tudo é possível. Nas horas vagas, trabalha com carteira assinada. É dele a coluna “I Shot Macunaíma”.

Tobias Sklar é editor da Vista

CORROBORE! VOCÊ TAMBÉM TEM ALGO A DIZER, MOSTRAR, SOCAR NA FERIDA OU ARREMESSAR NO VENTILADOR? MANDE UM EMAIL PARA VOID@AVOID.COM.BR E CORRA O RISCO DE ENTRAR PARA ESSA LISTA DE NOBRES IMORTAIS PENSADORES.

COLABORARAM TAMBÉM NESSA EDIÇÃO...

v Guilherme Rex é diretor de arte e pessoa de muito bom gosto. É dele a concepção do editorial de moda dessa edição.

Rua Felipe Neri, 148/303 Porto Alegre - RS - 90440-150 Fone: (51) 3023-7662 Email: void@avoid.com.br

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e colabora para a Void na seção Na Base. A REVISTA VOID É UMA PUBLICAÇÃO MENSAL COM DISTRIBUIÇÃO GRATUITA E TIRAGEM DE 15 MIL EXEMPLARES


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DJS, COLUNISTAS E APRESENTADORES QUE NÃO FALAM SÓ UMA LÍNGUA. OI FM. MÚSICA NO PLURAL. PROGRAMAÇÃO IDEM.

Confira alguns programas que estão rolando na Oi FM: Moby@Oi FM - 5ª-feira, das 22h às 23h. Um dos maiores nomes da cena eletrônica mundial faz uma seleção com suas preferências e apostas musicais especialmente para os ouvintes da Oi FM. Rádio Café, com Tomás Bello - 2ª a 6ª-feira, das 8h às 11h. Pra acordar ligado em tudo o que acontece no mundo. Um programa ao vivo, com muita música contemporânea, análise das principais notícias do dia e colunistas de todo o Brasil. Back to Black, com Sergio Scarpelli - 4ª-feira, das 22h às 24h/sábado, das 20h às 22h. As raízes da música negra se misturam com as novas caras do gênero, em 2 horas de puro balanço, com o melhor do disco, disco funk, soul, R&B e suas vertentes.

SIMPLES ASSIM


CORREIO VOID@AVOID.COM.BR //

PETER CALYPSO Nテグ RESPONDE. MELHOR Nテグ.

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NA PRIVADA SOVACO DE DAMA A história está aí para nos mostrar o quanto já foi importante ter um corpo peludo e forte para conquistar o sexo oposto. Mas só na época das cavernas ser meio urso, meio humano significava o mesmo que ser forte, viril e bravo. Tony Ramos que não se ofenda, mas mulher nenhuma gosta de ter seu sabonete tomado por tufos, seja lá de onde eles vierem. Para agradar a elas e ainda manter o cecê bem longe, além de aparar a barba dia sim, dia não, virou parte do ritual de beleza masculino deixar o sovaco lisinho e livre de mau cheiro. A marca de cremes depilatórios Depi Roll investe em uma linha de produtos apenas para eles e mostra que tirar pelo do sovaco está bem longe de ser coisa de mulherzinha. A não ser que você coloque cera quente nas suas partes íntimas. Neste caso, há risco de você perder de vez o que te faz macho de verdade. 20

© CRÉDITO CC_AALAN TURKUS

POR FELIPE DE SOUZA, GABRIELA M.O. E PIERO BARCELLOS

FEAR OF THE MICE Muito mais que as baratas, os ratos causam pânico por onde passam. Se você é um marmanjo que solta gritinhos toda vez que vê um primo do Mickey pela casa e não suporta mais passar vergonha, um tal de Reid Wilson, professor de psiquiatria do corpo docente da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, deu umas dicas legais na revista Esquire. Segundo ele, a cura para a fobia passa por três estágios: frequência, intensidade e duração. Ou seja, o primeiro passo é o sujeito se expor o maior número de vezes possível em lugares onde a rataiada faz a festa. Buscar fotos desses bichos no Creative Commons, imprimir e pendurar pela casa também pode ajudar. Para Wilson, num estágio mais avançado é recomendável que o cagão visite uma pet shop e se aproxime da gaiola dos camundongos e, quem sabe, até deixar os pestilentos caminharem por seus braços (aí nego tá curado).


© TAKEITOUTSIDE.COM

© CHANNEL4.COM

© CC_EDDY VAN 3000

FUNCIONário do mês

Conhece alguém que merece esta homenagem? void@avoid.com.br

HOT DOG

SHOW DE REALIDADE ORGASM (MESMO) CAMP

Fernando Silveira tem 59 anos e há quase 30 encarna o bom velhinho durante o mês de dezembro. Batemos um papo com ele em um shopping no centrão.

Alguns povos de olhos puxados do Oriente são detentores de uma culinária exótica, que varia de grilos fritos até carne de cachorro. Agora engana-se quem pensa que a degustação de filé de totó fica restrita à fronteira dos países. Recentemente, um casal foi preso na cidade de Suzano, interior de São Paulo, acusado de manter um abatedouro de cães e comercializar a carne para as comunidades orientais da região. Segundo a polícia, a dupla recolhia os lulus das ruas e os mantinha presos para engorda. Dependendo do porte do bichinho, o preço cobrado ficava entre R$ 180 e R$ 220. Ao ler esta notícia, você pode ter duas reações: a primeira delas é indignar-se completamente com a crueldade humana que sacrifica cachorros de rua em prol da ganância. A segunda é começar a se preocupar com aquele jantar no restaurante chinês em que as almôndegas estavam com um gosto esquisito...

Nesta época do ano, a TV aberta é inundada pelos reality shows – uma alternativa lucrativa para suprir a programação de verão. Porém, a fórmula é sempre a mesma: caras sarados e mulheres über-gostosas em situação de confinamento, que vão se degradando moralmente até que o mais necessitado seja eleito pelo público como vencedor. O Channel 4, da Inglaterra, percebeu que estava na hora de mudar a receita e lançou o Cast Offs, programa que irá reunir seis pessoas diferentes em uma ilha britânica lutando pela sobrevivência. A diferença é que cada um dos participantes tem uma deficiência física – um paraplégico, um cego, uma mulher surda, outra anã, uma com querubismo (anomalia genética que ocasiona crescimento anormal dos ossos da face), e um homem com malformação dos braços.

Void: Como são os preparativos de um Papai Noel nesse mês? Fernando: Lá por novembro eu começo a cultivar a barba e passo um produto para clarear os pêlos.

Acampar nem sempre é um programa divertido. Pense no trabalho que é para montar uma barraca, cozinhar, tomar banho... Pior é quando você vai para o campo sem estar preparado para as oscilações climáticas. Isso fora o trabalho que é convencer sua mina a encarar este programa de índio. Porém, nos Estados Unidos, existe uma espécie de “acampamento” que anda atraindo muitas mulheres que estão em busca de outras sensações além do contato com a natureza. O Pussy Willow Ranch recebe mulheres que querem atingir o orgasmo. Para isso, uma equipe de profissionais as recebe com palestras e realiza seções de masturbação – os especialistas usam luvas para estimular as garotas a gozarem através do toque. O intuito é fazer com que elas conheçam o próprio corpo, e aumentem a prática do D.I.Y. Então, meninas, vocês aceitariam ser masturbadas por um estranho de luvas assépticas com a finalidade de sentir prazer?

Void: Qual foi até agora o ponto alto na carreira? Fernando: Fiz várias vezes o evento Chegada do Papai Noel, em grandes estádios. Fazia com a Xuxa e Os Trapalhões, na época do Mussum e do Zacarias. Depois que a Sasha nasceu, não fizeram mais. Quer acompanhar o mês mais glorioso do Velho Batuta na web? Acesse www.cantinhodopapainoel.blogspot.com

FISGAMOS “CHEGUEI NA LOJA DE CDS E O VENDEDOR NÃO CONHECIA BOY GEORGE. PÔ, BOY GEORGE É O QUE HÁ!” Pedreiro que reforma o prédio da Void curte um Karma Chameleon.

Fisgou alguma? void@avoid.com.br

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NA PRIVADA

SIM, NÃO

© REPRODUÇÃO

© CC_PASCAL

© CC_THECHAIRMAN8

SUMINDO DO MAPA Dezembro está aí, e o coração das pessoas se enche de candura com a proximidade do Natal e com o fim de mais um ciclo anual. Todos com aquela falsa benevolência no olhar, mais dementes que um Teletubbie chapado. A única salvação consiste em fugir para as colinas, ou para qualquer lugar onde não se ouça o CD da Simone.

O OLHO BIÓNICO

TERROR EM FOXHILL

EL PLACER EN NUESTRAS MANOS

O inglês Ged Galvin sofreu um acidente de carro que deixou a região do baixo ventre totalmente danificada – e isso incluía seu olho cego. Galvin estava impossibilitado de fazer aquela reflexão matinal na privada como qualquer ser humano, sendo obrigado a conviver com um saco de colostomia ao seu lado. Mas, se a ciência conseguiu tantos feitos na medicina, será que conseguiria mais um? Os médicos britânicos toparam a parada! Usando um músculo da perna, eles reconstituíram o esfíncter de Ged Galvin, que agora funciona com a ajuda de eletrodos ligados aos nervos. Agora, quando a natureza chama, ele senta no vaso e puxa um controle remoto do bolso para “ligar” seu brioco automatizado. Com isso, a indústria de próteses dá um novo horizonte àqueles que, de uma maneira ou outra, andaram arrebentando as pregas por aí.

É sabido que os ingleses têm um senso de humor bem peculiar. Mas mês passado eles exageraram. Direção e professores da escola Foxhill Primary, que dá aula para moleques entre 5 e 10 anos de idade, armaram uma pegadinha foda para os infantes. Numa bela manhã, quando chegaram para as aulas do dia, os alunos encontraram a escola isolada por policiais e uma das professoras sentada ao chão, ao lado de uma poça d’água, com a cabeça enfaixada em gaze. Humor negro? Sacanagem explícita? CandidCamera? Nada disso. Segundo a direção, a intenção era analisar a reação dos alunos e incitálos a virarem “mini-Sherlocks”. Metade deles só voltou para as salas de aula dias depois, quando a brincadeira foi esclarecida. Se fizessem isso por aqui, como seria? Talvez dessem cabo da professora já combalida, pra não ter dúvida de que naquele dia não teriam prova de matemática.

Há quatro edições, nosso repórter Piero Barcellos assinou a excelente matéria “Fale com a minha mão”. No texto, ricamente ilustrado, Piero traçou um timeline da punheta, desde os tempos bíblicos até hoje em dia, quando o onanismo encontra respaldo em brinquedinhos bem tecnológicos. Pois Barcellos deve ter inspirado as Secretarias de Educação e Juventude da província de Extremadura, na Espanha. Por lá, as autoridades instituíram um curso que se chama El placer esta en tus manos. As aulas, que são facultativas, destinam-se a alunos do segundo grau e começaram no mês passado. É claro que a iniciativa causou furor nos mais conservadores. Mas o curso não trata só do 5x1. Hábitos saudáveis, autoestima, afetividade, identidade de gênero e DSTs também estão no currículo. Seria bom ter isso por aqui.

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SIM Pense nas benevolências da solidão. Será um momento só seu, quiçá de mais alguém. O silêncio do campo só será rompido pelo barulho de fogos ao longe, e olhe lá. Em meio a tanta paz, você poderá pensar nos planos para o próximo ano com mais clareza. Se der vontade de dormir antes da meia-noite, durma sem culpa. E o que é melhor: nada de parentes com sorrisos falsos, amigos-secretos e comilança desenfreada – afinal, o verão está aí, não é? Se vacilar, você nem vai se importar de receber presentes na data, diante de tanta liberdade e tranquilidade. Desligue o celular e seja feliz! NÃO Se você vai ficar na capital, prepare-se para o inferno capitalista na Terra. Ao menos uma lembrancinha para os pais você será obrigado a comprar. E para isso, terá que enfrentar filas, disputar espaços nas ruas na base da cotovelada, e o que é pior, gastar mais do que tem. Na hora da ceia, sempre aparece um tio bêbado para incomodar todo mundo com piadas idiotas do livro do Ary Toledo, e uma tia que faz você passar vergonha contando as histórias de quando era uma infante. Se você quiser curtir a virada com os amigos, a família toda irá lançar um olhar de reprovação, afinal, “a família é mais importante”. E se cochilar antes da virada, pode acordar com a cara toda pintada por um primo espírito de porco. Mas lembre: sempre há tempo de comprar uma passagem de última hora para qualquer lugar ermo. Passar o Natal e o Ano Novo num aeroporto pode ser mais agradável do que você imagina!


NA PRIVADA

A MORTA

© REPRODUÇÃO

ENGANANDO NAS ARTES MARCIAIS VAMOS SUPOR QUE VOCÊ ESTEJA NUMA SITUAÇÃO EM QUE TERÁ DE ENFRENTAR DE MÃOS LIMPAS UM ADVERSÁRIO DESARMADO (OU ATÉ MAIS DE UM, DEPENDENDO DA TRETA QUE VOCÊ ARRUMOU). SÓ HÁ UMA MANEIRA DE IMPEDIR O COMBATE, E CORRER NÃO ESTÁ ENTRE ELAS. A SOLUÇÃO É FINGIR QUE VOCÊ É UM MESTRE EM ARTES MARCIAIS.

A PULSEIRA DO SEXO Mais uma polêmica vinda lá da terra da Rainha. E mais uma vez o cerne da questão envolve jovens (bem jovens) e escolas públicas. Pois a bola da vez nos recreios ingleses é a tal das Shag Bands (pulseiras do sexo). As meninas metem várias delas no braço, todas de cores diferentes, e todas relacionadas a algum ato sexual. Se a rapariga se descuida e algum rapaz consegue arrebentar a pulseira, cada uma vale uma “prenda”. A laranja vale uma mordidinha safada, a azul vale uma chupetinha e a vermelha uma lap dance (aquelas danças de stripper, manja?). Agora, se o cara arrancar uma pulseira preta, lá se foi um hímen em pleno pátio escolar.

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A POSE DO BICHO DOIDO Algumas artes marciais se inspiram no movimento dos animais para inspirar seus golpes, como o Kung Fu, por exemplo. Pense num bicho estranho do oriente e faça gestos expansivos imitando suas características. Babuíno, louva-a-deus, panda e tigre são os mais comuns. Encare seu adversário nos olhos e berre feito o animal escolhido. No caso do louva-a-deus, reze.

ALICE FREAKS O clássico do século passado Alice no País das Maravilhas tem tudo para se tornar um fenômeno a partir de 2010. No início do ano, estreia nos cinemas o Tim Burton’s Alice in Wonderland, uma mistura de live-action com 3D – e com Jonny Depp no elenco, é claro. A versão do diretor excêntrico se passa 10 anos depois da história original e conta uma revisita desesperada de Alice ao País das Maravilhas depois de ter sido pedida em casamento. E em 2011, quem ainda não se der por vencido vai poder jogar no PC, no Play 3 ou no XBox 360 um game sombrio e macabro. É a continuação do violento American McGee’s Alice, um jogo dark proibido para menores que transformou Alice em louca e colocou a personagem em um manicômio após ela ter se sentido culpada pelo incêndio que matou seus pais. Mas doido mesmo vai ser assistir a ninguém menos que Marilyn Manson dirigir e atuar em um longa que conta a vida de Lewis Carroll, autor do conto do coelho atrasado. Phantasmagoria - The Visions of Lewis Carroll terá Manson na trilha sonora e no papel de Carroll. É Alice até cansar.

BARBIE PRA MARMANJO Nada de princesas de contos de fadas ou de personagens românticas dos desenhos animados da Disney. Os brinquedos que a Mattel lança neste fim de ano são inspirados nas divas da tríade sexo, drogas e rock n’ roll. A marca está colocando no mercado versões da Barbie inspiradas em roqueiras dos anos 80. No time, está a loiríssima e diva punk dos anos 80, Debbie Harry, a camaleoa que só quer se divertir Cyndi Lauper e a rainha da guitarra e da má reputação Joan Jett – que, por sinal, terá a história de sua banda de garotas The Runaways contada de forma cinematográfica logo, logo. Por US$55,79 dá para ter na prateleira da sala de casa uma dessas hot chicks da música. Em contrapartida, a Mattel deu bola fora no novo Ken. O namorado da Barbie chega em look tenebroso: cabelo platinado, calça branca e ainda carrega um minicão à la Paris Hilton – é o Barbie Palm Beach Sugar Daddy Ken Doll.

GAME STYLE Outra hipótese é imitar a pose de personagens dos games, como o sisudo Ryu do Street Fighter, ou o gélido Sub-Zero de Mortal Kombat. Na hora do desespero, dá até pra tentar dar uns golpes parecidos com os deles. Só não seja imbecil o suficiente para tentar soltar um “hadouken” no adversário – prefira apanhar a ter que pagar mico de nerd demente na frente dos outros. COMO NO CINEMA Lembre-se que grandes lutadores não apanham. Van Damme, Steven Seagal, Chuck Norris e afins terminam suas brigas sem um corte sequer, no máximo uma ou duas gotas de suor. Olhe para o seu adversário com olhar superior, posicione-se para o ataque, e dê um grito em diversas tonalidades, algo como oOOoOouIiIIiIAAaAaAA! Não tem erro! TÁTICA POWER RANGER Ótima para aplicar tanto sozinho quanto em grupo. No primeiro caso, é só dar cambalhotas de um lado para outro até deixar o inimigo tonto, além de apontar na sua direção e ameaçá-lo várias vezes com os golpes que você fará. Se tiver com mais um amigo, é só transformar a briga num espetáculo do Cirque du Soleil, com saltos ornamentais e coreografias. Se estiverem usando roupas de cores diferentes, e se você for o vermelho, é uma vitória quase certa. Ou não.


NA PRIVADA

O LADO B DE BILLY

© WALDOMIRO AITA

Billy Argel é uma sintaxe da cultura urbana: foi um dos primeiros artistas a valorizar o skate em terras brasílis, assumiu a guitarra na banda Lobotomia, e hoje é considerado um expoente da street art.

BOA

Tirou uma? void@avoid.com.br

RESSACA DO DEBUT

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Foto enviada por Mauricio Capellari mau@capellari.com.br

VOID: Você é tido como precussor e consolidador da cultura do skate no Brasil nos anos 80. Como você vê o rumo que esta cultura tomou no país? Billy Argel: No final dos anos 70 o skate não era nem underground. Nos 80, o skate passou por uma transformação de “brinquedo” para algo melhorado, algo mais profissional. Nos 90 teve a peneira, em que as empresas que visavam lucro sumiram, outras surgiram e se foram como um sonho, e algumas estão aí até hoje. Assisti a essas transformações, e vejo que hoje a abundância de bens de consumo e a velocidade com que rola a informação fizeram com que a maioria das coisas ficasse sem alma. Hoje é tudo muito raso, falta formação. Mas o skate é uma realidade, e hoje é uma poderosa ferramenta de inclusão social. É inegável que a indústria e patrocinadores têm seu papel positivo nisso. VOID: Qual é a diferença entre fazer a arte pela grana, e a arte por tesão? Billy Argel: Para responder isso, teríamos que saber o que é arte atualmente. Desenho de beira de caderno e muro de colégio é arte? Conheço desenhistas que estão mais pra Ziraldo que para Picasso, e tão aí no mainstream como artistas, e ganhando grana. Para fazer grana tem de ser simpático e bom de papo; para fazer arte tem de ser obsessivo, compulsivo e ter talento. Artista fica milionário, depois que morre, e são raras as exceções. Tem

mais artistas de verdade no Embú do que nas galerias. Dependendo do lugar onde você vê a arte, ela vira artesanato ou obra-prima. O conceito de arte está muito banalizado ultimamente. Artista muitas vezes sofre pra caralho, pois o que importa pra ele é a arte. No meu caso, me adapto entre o comercial e o artístico, aí é por lazer. VOID: Quais são as suas principais influências, e quais nomes você citaria hoje como artistas que se destacam na cultura do skate? Por quê? Billy Argel: Walter Lantz, Walt Disney, Negreiros, Crumb, e a maioria dos artistas da contracultura. Pintores como Van Gogh e Bosch. Falar do skate hoje é complicado, tá uma lambança dos diabos. Skate virou bola, manja? Faz parte do kit de final de semana, entende? Tem arte em bola e bicicleta? No skate tem de Basquiat a vetores, uma salada pra atender o mercado. Mas se for falar de arte tem muito artista bom. Seria injusto citar uns e me esquecer de outros. São muitos, muitos mesmo.

VOID: Qual foi o trabalho mais louco, com mais repercussão, ou o que foi mais difícil que tu fez? Billy Argel: O mais louco foi largar os pincéis lá na agência e aceitar o incerto como meta, desenhar para skate nos anos 80, fazer o que quisesse e ainda ganhar grana com isso. O de maior repercussão foi a Transfer, entrar como anônimo no Santander Cultural, em Porto Alegre, e ver tudo aquilo acontecendo.



BING, BANG POR LISE BING

TRALHAS

YOOOOOOO OOOOOOO Esse chapéu foi feito para você, mano nerd. Tem fones de ouvidos dentro e um cabo para você plugar seu iPod, mp3 ou até mesmo seu boombox se você fizer mais o estilo retrô. No site www. curiosite.com por £19,85.

WEB

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DE VOLTA AO PASSADO

GUERREIRO NA CAMA

ADEGA HIGH-TECH

Finalmente uma maneira simples de transformar aqueles velhos negativos em fotos digitais. O Slide Converter escaneia facilmente os negativos (ou slides), transformando-os em imagens digitais de 5 mega que vão direto para um pendrive ou para seu computador via um cabo USB. Certeza que você não vê a hora de mostrar para os seus amigos as roupas ridículas que sua mãe insistia em pôr em você. Por US$130 no site www. hammacher.com.

Se você precisa aumentar sua “autoestima” na cama com a gata, por que não tentar uma dessas cuecas e se sentir o verdadeiro samurai? Ok, talvez não dê certo e ela caia na gargalhada fazendo você brochar de vez, mas não custa tentar, custa? Ok, custa, e muito: US$152 no site www.japantrendshop. com.

Opale da Sand & Birch é uma adega de 2m de altura que tem capacidade para 100 garrafas de vinho. Potentes LEDs garantem que se enxergue as garrafas através da porta de vidro, que tem abertura automática: seja por toque, seja por controle remoto. Eu não faço a menor ideia do preço, mas garanto: não é para o seu bico, com certeza. www. sandbirch.com

MINI-ME

BIZARRICES

No site www.eloole.com você manda uma foto sua e eles confeccionam um boneco com a sua cara, ou de quem você quer sacanear, digo, presentear.

Várias listas das coisas mais esquisitas, bizarras e estranhas do mundo você encontra aqui: www.oddee.com

DA PAREDE PARA A TELA Vale a pena fuçar muito neste site. Grafites e mais grafites e tudo o que rola em torno deles: flying-fortress.blogspot. com

I TRUST O nome do site diz tudo: www. innewmusicwetrust. com.br. Só delicinhas novas para descobrir e escutar.


Magma © GAL OPPIDO

TEXTOS E CURADORIA POR ANA FERRAZ E PEXÃO

BIENAL (SKATÁVEL) DO MERCOSUL

Já que em nossa sociedade doentia arte é cada vez mais business e viceversa, Andy Warhol segue subindo. Não por acaso o artista tem sido o mais comprado dos últimos anos e, agora, um de seus Elvis armados replicados foi vendido por 100 milhões de dólares. Esse fato coloca Warhol dentro do seleto grupo de cinco artistas que já chegaram nesse nível de valorização: Pablo Picasso, Jackson Pollock, Willem de Kooning e Gustav Klimt. Uma superexposição de Warhol, intitulada “Mr. America”, está em cartaz atualmente no MALBA (Buenos Aires) e em março de 2010 chega ao Brasil, na Pinacoteca de São Paulo. Se você está jogando dinheiro pro alto porque ganhou uma herança ou algo do tipo, a aposta do Magma para investimento em arte nos próximos anos é Keith Haring, um dos “filhos” de Warhol mais visionários que tem a ver com muita coisa que está explodindo agora, como a mistura de arte com produto, arte urbana, tribalismo cosmopolita, etc. Aceitamos remuneração pela dica.

Acontece até o dia 5 de fevereiro, no porão do MASP, em São Paulo, a exposição “De dentro pra fora - De fora pra dentro”, com curadoria da galeria Choque Cultural. A mostra coloca a arte de rua num espaço expositivo nobre, o que a essas alturas não é novidade, mas está sendo o centro das discussões na imprensa paulistana. Chamar de grafiteiros Stephan Doitschinoff e Carlos Dias, dois dos artistas presentes que mais impressionaram pela qualidade das pinturas e instalações, é uma generalização sensacionalista e desnecessária. Eles fizeram intervenções urbanas sim, mas têm uma trajetória muito mais ligada à produção independente e ao rock/hardcore, por exemplo, do que ao grafite. Também presentes, ocupando os 1.500m2 de espaço expositivo, estão Titi Freak, Zezão, Daniel Melin e Ramon Martins. Ou seja, o resultado é uma exposição rica em referências e propostas, perfeita para discutir a relação da arte com música alternativa, fanatismo religioso, cultura gráfica japonesa e até o bom e velho grafite. Então evite a baboseira do “grafite no museu” e vá ao MASP (na terça, que é de graça) ver uma grande exposição de arte.

Info: www.warholfoundation.org

Info: juliolira.wordpress.com

Info: www.choquecultural.com.br

WARHOL VALE 100 MILHÕES

QUADRINHOS PRA QUEM GOSTA DE BANANA Em meio à horda de novas revistas independentes de HQ, uma mais demente que a outra, surge um macaco. Primeiro título da Monstro Comics, uma subdivisão da corporação de rock garageiro Monstro Discos, de Goiânia, a revista Macaco começa a circular com a edição número zero. As 36 páginas de quadrinhos e arte são de Guazzelli, Lauro Roberto, MZK, Caballero e Márcio Jr, ou seja, parte considerável dos melhores desenhistas mauditos (com U mesmo) dos anos 90. A capa é do infame carioca Alberto Monteiro, que também é o artista convidado desse Magma, como você pode apreciar virando a página.

CHOQUE NO MASP

Julio Lira, de Fortaleza, foi um dos artistas residentes da 7ª Bienal do Mercosul, que aconteceu em Porto Alegre. Seu projeto de arte foi organizar percursos de ônibus pela cidade, tipo “city tours” não turísticas, relacionadas à Bienal, criadas e guiadas em conjunto com convidados, como, por exemplo, nosso amigo curador/jornalista Lucas Pexão (o aproveitador do Magma). Pexão chamou os skatistas Alex Vieira, Marcelo Boneco, Eduardo Bocão, Alisson Lopez e Guedes para mostrar aos inscritos no passeio a arte de andar de skate na cidade. O ônibus da Bienal passou por lugares clássicos do skate, como a Câmara dos Vereadores, sem autorização, onde foi possível analisar com o dedo no queixo um smith grind, entre outras manobras e muitos tombos medonhos. Também foi a oportunidade perfeita pra andar de skate pela primeira vez no pátio do Museu do Trabalho e, pra terminar, no pavilhão da Bienal. Melhor que isso, a session rolou sobre a obra do artista peruano José Carlos Martinat que, sem querer, é uma excelente escultura skatável. Os skatistas se consideram mesmo artistas ou estão enganando todo mundo pra andar onde não pode? O certo é que essa dúvida é a melhor parte da coisa toda. (Na foto, Bocão quebra paradigmas contemporâneos com um boneless.)

Info: www.monstrodiscos.com.br

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MAGMA

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CONVIDADO: ALBERTO MONTEIRO INFO: anti-usual.fotoblog.uol.com.br

Merece essa pรกgina? void@avoid.com.br


Cursos no exterior Interc창mbio cultural Interc창mbios de trabalho Viagens


Sem Lactose POR FELIPE DE SOUZA

FOTOS MAURICIO CAPELLARI

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EM UM PEDAÇO DE TERRA EM QUE O REBANHO BOVINO É DE 170 MILHÕES DE UNIDADES (MAIS BOI QUE GENTE) E O CHURRASCO DE DOMINGO É TÃO TRADICIONAL COMO A TROCA DA GUARDA NO PALÁCIO DE BUCKINGHAM, COMO EXPLICAR PRA GERAL QUE O VEGANISMO PODE SER UMA BOA? AQUELE VELHO PAPO DE QUE O PUM DA VACA VAI ABRIR UM ROMBO NA CAMADA DE OZÔNIO E FRITAR A NEGADA AQUI EMBAIXO PARECE NÃO DAR MUITO RESULTADO. O ARGUMENTO DE QUE MAIS DA METADE DOS CEREAIS PRODUZIDOS NO MUNDO (O QUE DARIA PARA ACABAR COM A FOME NO PLANETA) É USADO PARA ALIMENTAR BOIS DESTINADOS AO ABATE TAMBÉM NÃO COLA. NEGO NÃO TROCA UMA BOA MAMINHA PELA PAZ DE CONSCIÊNCIA, NEM A PAU!


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hotel bacana e passagem aérea.” No entanto, antes de seguir viagem, o cara embestou que tinha que voltar para casa e voou mais de 1.000km até Porto Alegre. Motivo? Cozinhar para a trupe da banda Ratos de Porão, que tocaria numa cidade vizinha à capital gaúcha. “Eu tinha convidado os caras, como é que eu não ia estar? Peguei a grana que ganhei e comprei passagem de ida e volta, só pra cozinhar pra eles.”

Então eis que aparece um sujeito com uma faca em cada mão, receitas aprendidas em anos de veganismo (filosofia de vida que exclui qualquer forma de exploração e crueldade com os animais) e disposição para correr o país inteiro dando dicas de como comer legal sem precisar foder com o próprio habitat. O segredo? Não falar em veganismo. Simplesmente cozinhar, ensinar, conversar. Sejam quais forem os alunos (veganos ou não), seja qual for a cidade (da “europeia” Gramado, na serra gaúcha, à calorenta Natal, no Rio Grande do Norte). Essa foi a peripécia de Alan Chaves, cozinheiro vegetariano ou, como prefere, ativista gastronômico, sujeito que meteu o pé na estrada em sua primeira Vegan Tour. A ideia começou depois que Alan se formou no curso técnico de gastronomia. Como já tinha contatos no meio do punk e do hardcore (há anos pilota a bateria da banda XamorX), teve uma ajuda para marcar as primeiras datas. “Toda a tour foi ajudada por pessoas do hardcore. Se não era a galera do hardcore, eram roqueiros. Em várias cidades eu descia do busão e não sabia quem iria me receber. Aí vinham uns caras com tattoo, com camiseta de banda de HC e eu já ficava mais aliviado. Foi legal porque eu conheci várias cenas que são bem 36

pequenas, mas com um pessoal muito ativo e organizado.” Na estrada, a pilha foi ensinar molhos e fazer uma ação chamada Salvando seu Pão com Soja. “Na real esse quadro do pão com soja é mais pra ajudar quem tá começando no vegetarianismo, porque nego não sabe o que fazer e fica só comendo pão com soja dentro. Alguns desistem do negócio por causa disso”, explica Alan. A estreia de Alan foi tensa. Na cidade de Guarapuava (PR), ele testaria sua didática sem lactose para uma plateia formada por incautas estudantes de Nutrição, em uma semana acadêmica. “Mano, nesses eventos ninguém quer assistir aula, né? E eu não gosto muito desse ambiente acadêmico, fiquei nervoso pra caralho e desembestei a falar. Falei sobre decoração de pratos e, aos poucos, fui conquistando a turma. Depois me senti confiante e acho que meio que choquei a galera ao contar que morava em squat e aproveitava alimentos do resto da feira (risos)”, lembra. Fora o choque das universitárias por saber que o professor já tinha vivido numa ocupação, a estreia em Guarapuava foi perfeita. “Me pagaram

Após encher a pança do pessoal do RDP com o melhor de seu veganismo, Alan tomou o primeiro voo de volta a Curitiba. Depois do cagaço de ter que debutar a tour num ambiente acadêmico, soltou os cachorros, improvisando uma cozinha no meio de um show de hardcore. “Cara, como tinha só 15 minutos para apresentar e ir pegar o avião pra próxima cidade, dei uma porrada com as duas mãos na mesa e perguntei: ‘Qual o princípio do punk? É o faça-você-mesmo, né? Mas como é que vocês vão protestar e ter controle sobre a vida que levam se não sabem o que estão colocando pra dentro do próprio corpo? Se não têm autonomia para fazer a própria comida?” Aí eu abria o pão, colocava a proteína de soja dentro e falava: “Pão com soja? Puta que pariu! Não dá!” Foi nessa toada nada ortodoxa que o cara conseguiu prender a atenção do rapeizo que, até então, só se preocupava em descansar para assistir à próxima banda do evento. Foi num ambiente desses que nosso cozinheiro e ativista gastronômico conseguiu que amantes da música rápida aprendessem a fazer molho pesto. Dá pra acreditar? “Depois do show o cara que organizou tudo veio me contar que era a primeira vez que ele via a galera parar para ouvir alguém falando.” Segundo ele, o que contou ponto para prender a audiência foi a simpatia, o humor, coisa rara de se ver em ativistas e militantes

(seja de que causa for). “Não dá pra eu querer cozinhar pra galera e antes de servir mostrar um documentário com um monte de animal morto e desossado, né?” Alan aproveita para lembrar que a tour, além de não ter a intenção de embrulhar o estômago de ninguém, também não tinha a pretensão de converter o Brasil inteiro ao não consumo de carne. “O que eu quero é que as pessoas tenham mais autonomia dentro da cozinha, sendo vegetarianas ou não.” Fazer com que neófitos dessem conta de grandes pratos também não estava entre as preocupações do chef. Flambar, meter fogo em caçarolas? Nada disso. “Eu até falava que tenho livros que me ensinaram a fazer pratos que voam e brilham no escuro, mas eles não me adiantam de nada porque eu não queria fazer aquelas coisas em casa (risos). Às vezes eu achava que tava queimando meu filme como cozinheiro quando dizia isso, mas no final sempre dava certo. Aliás, o lema dessa tour foi Relaxa que no fim sempre dá certo!” Depois de cozinhar entre o suor e os altos decibéis do HC curitibano, Alan foi ministrar palestra no extremo oposto, em um tranquilo restaurante indiano da capital paranaense. “Esse também foi muito legal, porque o dono era um cara meio Professor Pardal. Com peças de bicicleta, ele inventou uma máquina para afinar massa. Com cano de PVC, inventou outra para fazer os hambúrgueres de soja.” Foi o mesmo Professor Pardal que deu jeito no liquidificador de Alan. Comprado em um saldão, o eletrodoméstico saiu baratinho, mas veio sem a tampa. O senhor Pardal fuçou no baú e arranjou uma peça para que os molhos não fossem degustados pelos azulejos do pico.


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© GABRIEL SOARES

VEGANISMO NA BAIXADA FLUMINENSE Marinheiro de primeira viagem no lance das tours culinárias, Alan adotou a logística estilo asterisco, saca? Do Paraná, pulou uma faixa considerável de terreno (chamada Estado de São Paulo) e desembarcou no Rio. Sem um puto no bolso. “O pessoal que tinha me contratado em Guarapuava ainda não tinha depositado a grana.” Mesmo duro, aceitou o desafio de ir cozinhar (na faixa) em um almoço para o vocalista da banda XConfrontoX. “Ele queria me contratar, mas tava sem grana e a mulher dele tinha acabado de perder o trampo. Porra, era o cara do XConfrontoX, uma banda bacana, fiz de graça!” Detalhe: O local do rango seria em São João do Meriti, Baixada Fluminense. Outro detalhe que ainda não foi contado é que, para essa primeira trip, Alan decidiu comprar umas malas vintage bem estilosas, mas percebeu que as lindas valises eram mais pesadas que carma ruim e praga de madrinha, e necessitavam 38

ser permanentemente transportadas naqueles carrinhos de rodoviária. Aliás, só percebeu a carga pesada em São João de Meriti. “Desci do busão na Baixada Fluminense com 60kg de mala pra carregar. Cara, foi impressionante, as escadas rolantes estavam estragadas e ninguém me ajudou. Teve até um filho da puta que parou pra ficar me olhando, mas não deu nem a mão. Nunca mais uso essas porra dessas malas (risos)”. A mala realmente vai ser aposentada. Alan comprou uma mesa de som por R$250 só pra aproveitar o case que vinha junto. Apesar da bagagem pesada e da pouca solidariedade do povo que circulava pela rodoviária do local, Alan chegou na casa de Felipe Ribeiro, vocalista da XconfrontoX, e descarregou a raiva fazendo o que curte: alimentando o povo presente e vendo o riso largo na cara da galera. Um dia depois, já na capital fluminense, foi Leonardo Panço, da banda Jason, que experimentou as

iguarias cruelty free do rapaz. “Ele curtiu muito, mas me deu um esporro. Me perguntou como é que eu ia ficar tanto tempo na estrada sem datas marcadas para minhas apresentações.” Apesar de ter conquistado os estômagos da Baixada e da galera do Rio, Alan continuava no estilo franciscano de viver: com bolso vazio. “No almoço com o pessoal do XConfrontoX e no churrasco vegano que o Panço foi eu não ganhei nada e ainda precisava gastar R$9 pra mandar passar meu uniforme para a apresentação no Festival Vegano Internacional.” Pois é, o evento internacional voltado ao veganismo era a principal data de Alan, mas, por culpa de um amigo carioca que insistiu que ele esperasse por uma carona, ele chegou atrasado e faltou à própria aula. “Cara, deu vontade de sentar e chorar.” Como o lema da tour era No fim sempre dá certo, Alan chorou as pitangas para

a coordenadoria do evento e conseguiu horário para o dia seguinte, com um porém: seu estilo junkie food vegana teria que dividir espaço com os crudíveros, aquele povo zen, de fala mansa que só cozinha legumes e verduras até a temperatura de 45º. “É uma vertente a que eu não pertenço, sou cozinheiro vegano trash que quer conquistar o público pelo sabor mesmo. Falo alto, grito, às vezes falo palavrões.” Mas enfim, apesar de ter que ser removido para o horário dos que comem cru, ter que aturar umas tias pentelhas fazendo mil perguntas e ainda se adaptar a um fogão todo modernoso do festival, Alan deu show de caçarolas no Rio. “Fiz molho funghi, molho de tomate e uma maionese. Todo mundo adorou, comeram tudo! As tiazinhas vieram me perguntar se eu fazia jantares, ficaram loucas. Isso reforça o lema de que no final tudo dá certo.”


DESANDOU A MAIONESE Depois das veganices no Estado do Rio de Janeiro, nosso ativista gastronômico desembarcou na terra da garoa, sob torrencial chuva. Foi fazer uma ponta em uma grande feira de produtos naturais que teve a ilustre presença do Sr. Excelentíssimo Presidente da República. No dia, nunca antes na história desse país choveu tanto em Sampa. Alan chegou lá vestindo uma empapada camiseta de metaleiro e tattoos à mostra. “Tava todo ensopado, numa inhaca e com um crachá de palestrante. Fiquei nervoso, uma galera parou para ver. E na hora de fazer a maionese não é que aquela porra desanda? (risos)” Seguindo um estilo de concentração muito próprio e entoando o mantra No fim sempre dá certo, nosso herói respirou, sorriu e mandou essa: “Bom, gente, o ponto da maionese é vocês que escolhem. Porque pode usar como molho pra salada...” O caô deu certo e o velhario presente se refestelou com o manjar sendo servido como

COZINHA ESTILO MOTEL canapés. “Foi muito foda ver as tiazinhas devorando tudo e ficando com o beiço sujo de óleo. (risos)” Depois de lambuzar lábios alheios, Alan fez jantares e demonstrações pelo universo do hardcore, cozinhou para os caras do Dance of Days e para Rodrigo, vocalista do Dead Fish. Apesar de se divertir muito (mesmo tendo que carregar 60kg de mala por todo lado, inclusive no metrô de São Paulo), Alan deixou a cidade mais duro do que chegou. Pra completar, por conta de uma pane no sistema da CPTM, a empresa que controla os trens em Sampa, perdeu o busão para Vitória, seu próximo destino. “Eu já não tinha mais dinheiro, os caras não iam me reembolsar. Fui no caixa eletrônico e tirei tudo o que podia do limite da minha conta universitária, R$200. Comprei a passagem e cheguei em Vitória com R$9 no bolso.”

Vitória, capital do Espírito Santo, a 1.536km de casa e quase sem dinheiro. O território capixaba seria a prova dos nove para a Veg Tour. Se ali não rolasse grana, o negócio era meter as receitas no bolso, as panelas na mala, o rabo entre as pernas, dar meia volta e cancelar tudo. Mas, como já foi dito, o mantra era No fim sempre dá certo, e Alan fechou um pacote bacana para ensinar a galera de lá a se virar na cozinha sem produtos de origem animal. “O pessoal que organizou lá conseguiu uma estrutura no Sesi. Mano, tudo muito profissional, a cozinha tinha até espelho no teto. Fiquei a aula inteira querendo fazer uma piada que aquilo parecia um motel, mas como tinha uma senhora de idade na turma, preferi deixar quieto.” A etapa capixaba foi sold out. No total, 40 alunos presentes e outros 10 olhando tudo pelo lado de fora. Com as finanças em dia e fiel ao estilo asterisco de

logística, o desafio agora era encarar 24 horas de estrada até Aracaju. Chegar em uma cidade nunca antes visitada, ter que ensinar pessoas a cozinhar sem matar bichos e sequer saber quem é o contratante foi rotina. “Mas, em Aracaju, desci do busão e já vi um cara tatuado, outro com camiseta de hardcore e a mina com alargador na orelha e óculos Wayfarer. Eles tinham uma banda, o Renegades of Punk, que eram os mesmos integrantes do Triste Fim de Rosilene, porra, banda muito foda!” Além de se sentir mais confortável ao lado dos roqueiros sergipanos, a Veg Tour encheu o cofre por aquelas bandas. “Deu 40 alunos na sala e o acordo era que a grana das inscrições vinha toda pra mim. Aí fiquei rico. Foi a primeira vez que segurei uma nota de R$100 na mão. Tirei até foto com aquele dinheiro azul, com o desenho de um bicho que eu nem sei qual é. (risos)” 39


ALAGOAS, ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

O detalhe encagaçante de fazer a rota Aracaju/Recife via rodoviária é ter que atravessar Alagoas. Há muitas lendas sobre ônibus interceptados por bandidos e levados até os canaviais da região. Como a féria sergipana tinha sido gorda, Alan decidiu viajar sem grana mais uma vez. “Peguei o busão das 23h e cheguei lá ao meio-dia. Fiquei meio apavorado. Foi o pior busão que eu peguei. Você olha pela janela e é canavial de um lado, canavial do outro. Aí nego começou a me apavorar, dizendo que os bandidos jogavam umas toras de madeira no meio da estrada, levavam o ônibus pra dentro do Canavial e aí já era. Busão velho, ar-condicionado desligado, janela lacrada. Tentava dormir mas o joelho incomodava. E tinha aquele banco de vinil que fica grudando na perna...” Apesar do medo, a viagem até Recife foi tranquila. A capital pernambucana foi a primeira em que o pessoal do hardcore não esteve envolvido no rolê sem lactose. “Lá quem armou a parada foi um pessoal mais ativista mesmo. Fiquei na casa de uma famíla bacana. Cheguei meio envergonhado, todo tatuado, com as malas gigantes e mochila com um 40

patch do Doom. Mas foi muito legal, a mãe da menina que me hospedou ficava cozinhando pra mim, pra saber minha opinião.” Uma das coisas que mais marcou o paladar de Alan foi o maxixe, que é tipo uma mamona. “Me ensinaram a fazer maxixada com leite de coco. Muito Bom! Maxixe no feijão também fica bom pra caralho! No fim das contas a mãe da menina queria que eu ficasse lá mais uma semana. (risos)” Alan declinou o convite da matriarca pernambucana. Sete dias é muito tempo para quem está em uma missão dessas. Já era hora de atingir o mais longínquo ponto da Veg Tour 2009: Natal, 4.066km do ponto de partida. Lá quem recebeu o guerrilheiro dos molhos veganos foi o pessoal da banda Kalistoga. “Na realidade quem tinha agendado era um cara do movimento hare krishna, mas como ele cancelou, o pessoal da banda me chamou pra fazer um jantar na casa deles. Deu umas 15 pessoas, foi bem legal.” Além do jantar para os músicos potiguares, a passagem por Natal não rendeu outras apresentações. “O pessoal que tinha me chamado foi adiando, adiando, e no fim não rolou mais.” Mas foi na capital do Rio Grande do Norte que Alan imprimiu na derme a lembrança de toda a peregrinação pelo País. “Fiquei umas 12 horas dentro de um estúdio de tatuagem com os caras do Kalistoga. Eles estavam se tatuando e eu decidi fazer uma também, pra marcar o momento, a tour 2009.” O indelével desenho foi colocado na coxa direita, logo acima do joelho.

TCC SOBRE CENA HC EM PB Engana-se quem pensa que, depois de rodar mais de quatro mil quilômetros, Alan tenha entrado num estado de esgotamento físico e mental. Como em Vitória ele tinha conhecido um paraibano que se interessou por seus conhecimentos, lá foi ele para João Pessoa. A essa altura as malas já pesavam mais de 70kg, e o carrinho que as carregava já tinha sido consumido pela artrose. Mesmo assim, em solo paraibano a missão era dar a clássica aula e também participar de uma palestra sobre o faça-você-mesmo. “A aula foi bem louca, fizeram em um lugar que não tinha muita estrutura. Foi escurecendo e não tinha energia, aí foram acendendo uns bicos de luz no lugar. (risos)” Já a palestra sobre do-it-yourself não o pegou tão animado. “Eu já estava em outra pilha, apaixonado por esse lance de ser cozinheiro em tour e cada vez menos na pilha do rock. Porra, eu não sabia que uma tour vegana poderia dar tão certo, ser tão gratificante. Mas fui lá, sentamos, tinha umas oito pessoas nos olhando e o resto do povo lá fora,

© GABRIEL SOARES

Alan ficou vidrado pelo Nordeste. Não só por causa do lucro financeiro que teve dando suas aulas veganas por lá, mas pela satisfação em conhecer pessoas novas e até notar as diferenças nos ingredientes. “Lá pra cima o pessoal usa muito coentro, mano. Em várias receitas tive que substituir o manjericão pelo coentro. E deu certo!” Deixando um pouco de lado o estilo porra-louca de se locomover pelo país, depois de Aracaju o cara continuou em desabalada carreira rumo ao norte, com a próxima escala em Recife.

tomando uns goró.” Na hora, Alan resgatou o lado HC/punk mais ranzinza e mandou a martelada: “’Negócio é o seguinte, o que tá acontecendo aqui é o que acontece no hardcore. As pessoas não estão interessadas em informação, só querem ficar consumindo uma estética. Não existe cena, existem pessoas que fazem e, no final das contas, é isso o que interessa.’ Deu aquele silêncio, um cara que tinha feito o TCC dele sobre a cena HC começou a reclamar. Ah, eu avisei que não queria fazer esse negócio de palestra HC (risos). Fui meio inconveniente. Mas o legal é que os organizadores, de certa forma, também achavam o mesmo.” Apesar de a cena hardcore de vários estados nordestinos ter mais ou menos as mesmas características das do sul do País, o choque cultural foi inevitável durante a passagem por lá. “Uma vez eu tava passando na frente de uma balada mais humilde, saca? Aí tinha umas minas conversando na frente... Uma delas simplesmente se agachou e começou a mijar ali mesmo, na rua. Tentei disfarçar, mas a galera que tava comigo percebeu que eu fiquei chocado.”


PELOURINHO VEGAN. A R$1. Viajando tanto tempo pelo Nordeste, uma hora seria inevitável. Em dado momento, Alan Chaves desembarcou na Bahia de Todos os Santos. E curtiu. Pra ele, por incrível que pareça, ser vegan por lá pode ser mais simples e barato. “Cara, em Salvador o Acarajé sem camarão é vegano, e nos bairros eles vendem a R$1. Tem outro lance muito bom também que é o abará, uma massa de mandioca. Tem o bolinho de estudante, que é de mandioca doce com canela. Cara, é gostoso demais. A riqueza dos mercados públicos é impressionante. Acho até que, no sentido de variedade, é muito mais fácil ser vegano no Nordeste do que em outros lugares. Em São Paulo é óbvio que tem um monte de opção, mas é bem mais caro.” Ministrando suas aulas por lá, entre uma apresentação e outra dava tempo de correr para visitar os mercados públicos e feiras da região. Aí o negócio não ficava tão cruelty free assim. “Tinha uma banca no mercado que vendia olho de boi, cara. Era um monte de olho de boi sobre a mesa do cara. Dava vontade de chegar e perguntar: ‘Que porra é essa, meu?!’. Em outro lugar tinha um corredor só de tripas. Parecia um clipe do Canibal Corpse.” Porcos sendo vendidos vivos, carne pendurada,

frangos sendo oferecidos em sacos plásticos já estufados sob um sol a pino, tudo isso com muito gato em volta, porque, sabe como é... Gato serve pra comer rato. “Mas eu gostava desses lugares. Todo mundo no Nordeste queria me levar pra tirar foto na praia, conhecer praia. Mas eu pedia sempre pra me levarem nas feiras, nos mercados públicos. Sempre pedia pra me levarem nos mais sujos mesmo, nos mais nojentos. Eles não acreditavam. Não pisei na areia da praia.” Se o negócio era se manter longe da areia e do mar, o próximo destino seria perfeito: Belo Horizonte. Por lá, Alan ministrou seu show vegetariano seguindo o improviso. A aula rolou em um consultório místico, algo próximo ao reiki, segundo ele. “Tinha uma boca de fogão que era para ser ligada num liquinho, mas o bagulho foi conectado num botijão grande, o que é até perigoso. O fogo ficava alto e fazendo um barulho do cacete, e eu tinha que ficar gritando pra dar aula. Foi cômico.” Em BH, Alan indica uma visita ao Espaço Estilingue. “Esse lugar é louco, cara. Tem um mural com um espaço onde as pessoas escrevem o que precisam e outro espaço para escrever o que podem dar em troca.”

ALIMENTANDO OS URSOS De volta ao Sudeste, depois de Minas Gerais Alan montou novamente acampamento em São Paulo. O destaque da segunda passagem pela cidade ficou na intervenção Salvando seu Pão com Soja, dada no Espaço Impróprio, durante o show da banda Massacre em Alphaville. “Essa banda eu destaco. É do caralho. O lugar é muito bacana também, é uma casa com cara de squat, onde os shows rolam no porão.” Depois de alimentar e instruir os jovens do Espaço Impróprio, o cozinheiro itinerante foi para, como ele mesmo definiu, o evento mais divertido da turnê. “Fiz um jantar na casa de um amigo meu que é do HC e é gay, ele é gay urso, saca? Aqueles gordinhos peludos. Apareceram vários amigos dele e um deles tinha até uma pata de urso tatuada nas costas. Sabe quando dá dor no estômago de tanto rir? Era uma galera muito divertida, muito pra cima.”

Mais que grana pra seguir viajando, o jantar pros bears rendeu para Alan alguns conselhos bem úteis. “Os caras me deram uma aula de como convencer uma mina a fazer sexo anal. Eles ficavam dizendo pra ir devagarinho, mas que eu tinha que meter a boca, sem nojo. O cara me deu uma palestra sobre brincadeiras anais, lubrificantes. Disse que se a mina sentisse muita dor era pra passar uma xilocaína. Ele me garantiu que se fizer com carinho elas sempre vão dar. Pô, o cara tem autoridade no bagulho, né?”

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Depois de sair são e salvo da jaula dos ursos, Alan Chaves imbicou rumo ao sul. Em Blumenau, voltou ao ambiente acadêmico e deu aula para alunos de uma faculdade de Nutrição da cidade. A estrutura era de ponta, e mais uma vez a cozinha tinha espelhos no teto. Só depois de fechada a matéria é que descobrimos o porquê do teto espelhado (para ver o que o mestre faz lá na frente da sala, meter a cabeça pra cima faz você ter a visão do que tá rolando dentro da panela do professor. Bingo!). Na cidade em que as loiras deslizam pelas calçadas impecáveis, Alan não alimentou ninguém, só mandou fazer. Como não é muito chegado nesse negócio de sala de cátedra, já chegou zoando e promoveu a estreia do Louro José (sim, o papagaio da Ana Maria Braga), boneco que tinha sido comprado dias atrás, na estrada, e disparava frases ao receber uma pressão no bico. “Não gosto de silêncio na minha aula. Quem se sentir entediado vem aqui e aperta a boca do Louro, ok?”, avisou à classe. Foi esse o jeito que o cara cruzou o País: cozinhando, conquistando as pessoas 42

pelo humor e pelo estômago. Tudo sem ingredientes de origem animal, é bom ressaltar. Depois de tanto tempo na estrada, finalmente chegou o momento de meter a chave no portão de casa, se livrar de mais de 70kg de malas, usar o próprio banheiro e dormir na própria cama. Porto Alegre, cidade onde reside, serviria como intervalo para as duas últimas apresentações da tour: Rio Grande e Gramado. Mas não! Querendo sossego e mais nada, viu seu lar sendo invadido por Diego Casas, argentino vocalista da banda Jersey Killer e mundialmente conhecido pela sua verborragia. “Caralho, mano, eu acho que àquela altura do campeonato eu merecia um dia de descanso na minha casa, não? (risos)” Sem folga, o negócio foi subir a serra gaúcha, rumo a “europeia” Gramado. A mãe de Alan fez questão de ir junto, pra assistir à aula do filho, e acabou que toda a família foi junto, de carro. O local da apresentação era um condomínio luxuoso, para gente de fino garbo. “O legal foi isso: nessa tour fui de squat a condomínio de luxo.

© GABRIEL SOARES

EM CASO DE TÉDIO, APERTE A BOCA DO LOURO Lá em Gramado o lugar tinha piscina aquecida, e cada prédio tinha uma saída envidraçada até o deck pra ninguém tomar choque térmico. Tinha sauna, cinema... Os caras eram muito gente fina. O foda lá é que tive que mandar minha mãe calar a boca na aula. Ela não parava de falar. (risos)” Depois de chegar quase ao Oiapoque, Alan terminou a tour quase no Chuí. Foi na cidade de Rio Grande que ele encerrou o extenso rolê vegano. Ironicamente, em uma classe composta, na maioria, por gente que come carne. Frustante? Nem pensar. “Uma das pessoas que coordenou a oficina se lamentou por não ter muitos vegetarianos na aula. Eu achei legal, os vegetarianos já sabem as opções, gosto de ter contato com esse pessoal que ainda não sabe nem o que é vegetarianismo.” E foi isso. Alan Chaves foi do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte cozinhando, ensinando, aprendendo e, na moita, sem estardalhaço nem discurso panfletário, talvez tenha

conseguido que muito onívoro, enfim, abandone o boi na brasa de domingo. O que ele quer mais? “Eu quero tudo, né? Quero fazer minha segunda tour no próximo ano, quero fazer a faculdade de gastronomia, quero aprender mais... No fim, tudo dá certo.”

VAI LÁ NO WWW.AVOID.COM. BR E CONFERE O VÍDEO DE UM BATE-PAPO COM ALAN CHAVES. HARDCORE, VEGANISMO E ESPAGUETE AO PESTO.


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NA ESTICA POR DENISE ROSA E GABRIELA M.O.

KOROVA Quer ir a Florianópolis e voltar de lá com mais do que uma camiseta com imagens de peixes e da ponte Hercílio Luz? Pois na Garagem Korova você consegue. Lá, eles vendem roupas e acessórios da marca própria, além de peças gringas e acessórios de marcas parceiras, como a Hotel Tees e a Ohdear. Há cinco anos, uma iniciativa despretensiosa visava produzir itens descolados para vestir com atitude os universitários locais e acabar com a mesmice nas faculdades. Hoje, o Korova virou coletivo de labels e reúne um time de profissionais das áreas de publicidade, arte, moda e design gráfico. E nesse grupo tem até DJ! Mais do que uma loja, os caras prestam assessoria para marcas e organizam as festas Topa? e a Crew’o’lina. Eles também assumem a direção artística de uma casa noturna, chamada 1007. O bom é que gente de qualquer estado do Brasil pode adquirir as peças da Korova, basta acessar o site da marca. Mas, para frequentar o 1007, tem que ser nativo ou estar de visita pela cidade. Info: www.garagemkorova.com.br

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EXPERIÊNCIA A Cavalera chamou grafiteiros, ilustradores e fotógrafos para produzirem em conjunto os desenhos que estão na sua nova coleção de camisetas. Speto, Pato, Flávio Samelo e os coletivos SHN e Base-V compõem a primeira edição da Experiência Cavalera, projeto da marca que deu total liberdade aos artistas no processo de elaboração, do corte à estampa e à escolha das cores das peças. Com essa iniciativa, a marca de Alberto Hiar pretende divulgar novos artistas e grupos de criação. Foi desenvolvida uma série de estampas exclusivas, inspiradas em temas urbanos e com a pegada streetwear da Cavalera. Cada camiseta possui um tag especial com informações sobre o trabalho de cada artista. Foram produzidas limitadíssimas 300 unidades de cada modelo, à venda nas lojas da marca.


VIRA O DISCO Desde 2005, as estilistas e sócias Helen Negrão e Priscila Elias reinventam ícones clássicos da música, do cinema e da cultura pop e os transformam em peças do vestuário. As proprietárias da marca curitibana Vira o Disco criam moletons, calças, camisetas e acessórios inspirados nas diversas formas de arte. A criatividade é tanta que eles até já fizeram parceria com bandas como Pato Fu e desenvolveram artigos exclusivos para o grupo mineiro. Agora elas vêm trabalhando junto com a Mixtape. A Vira o Disco também traz para mais perto roupas antes vistas somente no cinema, como uma versão da jaqueta amarela que Uma Thurman usou em Kill Bill. E a exclusividade é característica por lá. Depois que uma peça se esgota, ela não volta a ser produzida! Além do mais, a marca ajudou a promover o flashmob No Pants no Paraná, uma “intervenção humana” que estimula as pessoas a andarem sem calças na rua durante um dia inteiro. A Vira o Disco não possui espaço físico, mas existem lojas que vendem seus produtos nas cidades de Curitiba, Cascavel e Fortaleza. Em outras regiões as compras podem ser feitas via internet. Info: www.viraodisco.com.br

TÊNIS DE AQUILES CRYSTAL LAKE FASHION WEEK Já é tarde para o Dia das Bruxas, mas não para você colocar para fora toda a sua psicopatia. Você já viu uma pessoa vestindo jeans e camiseta branca se destacar na cidade grande? Quem não for um pouco excêntrico no visual não está com nada nos dias de hoje. Pois a marca norte-americana Ecko acabou de colocar no mercado um casaco cheio de bolsos e falsas manchas de sangue que chama muita atenção nas ruas. A linha de vestuário do empresário Mark Ecko trouxe o terror de Crystal Lake para um hoodie do Jason, da série de filmes Sexta-Feira 13. Com o zíper fechado até o topo, até parece que você encarnou o serial killer. Mas só no visual, por favor! Além do look Jason, a Ecko também lançou outras roupas que parecem mais com fantasias de Halloween, como os casacos do Batman e imitando o vilão do filme Jogos Mortais.

Toda nova estação traz uma novidade no mundo dos sneakers, seja nas cores ou no tamanho. Dessa vez, a Nike decidiu inventar novos recortes e fazer uma versão diferente da sandália gladiador. A marca acaba de lançar o Gladiator Mid, um modelo de tênis cheio de aberturas próprio para o clima quente inspirado nos calçados romanos. A criação é de autoria da estudante de arte Nancy Wu, e foi realizada durante um estágio dela na gigante dos esportes. A empresa gostou tanto que investiu alto na ideia. E andar por aí usando o irreverente lançamento da Nike mostra que você tem estilo e dinheiro no bolso. Porque foram fabricados pares limitados, à venda apenas em lojas selecionadíssimas. Na Doc Dog, quem for rápido pode encontrar o Gladiador Mid em prata; na Surface to Air, a preta; e a branca ganha as prateleiras da Maze Skateshop, somente em São Paulo. Fora do Brasil, os pontos de venda também são exclusivos. Por aqui, a aquisição custa R$269,90 – e somente 12 pares estão disponíveis.

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NA ESTICa

CUSTOMIZAÇÃO NATURAL

CONVERSE MINIMAL Os calçados da Converse são os mais versáteis que se pode imaginar. E a mudança constante não para na iniciativa 1HUND(RED) Artist Series, que conta com cem artistas criando modelos limitados em favor da RED, instituição humanitária de Bono Vox. O designer canadense Terence Koh propõe um modelo totalmente clean, que serve como base para qualquer criação artística, como uma folha em branco ou um um model de toy art em 3D. “Quis manter intacto o DNA do modelo Chuck Taylor, reduzindo as costuras e deixando a sua superfície a mais suave possível”, disse o designer no lançamento do produto em novembro passado, nos Estados Unidos. O modelo está disponível na Opening Ceremony em Nova York e Los Angeles, e em outros pontos de venda selecionadíssimos ao redor do globo.

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É fato que qualquer jeans desbota, alarga, rasga... Mas a Levi’s acaba de fazer disso um atributo do seu mais recente lançamento. Uma calça jeans que se molda às pernas do dono, e fica com uma cara de usado rapidamente. A tecnologia inovadora Imprint controla o processo de desbotamento conforme o uso, permitindo que a calça fique com uma cara de jeans surrado. O movimento corporal imprime características únicas no jeans e dá a ele uma marca completamente individual. A recomendação da Levi’s é que a peça seja usada com frequência nos primeiros dias e que não seja muito lavada. O processo pode ser acelerado se lavado em água quente, ou retardado quando lavado em água fria.

MODA MULTIFUNCIONAL Fabia Bercsek faz parte de uma nova geração de estilistas brasileiros que já possui destaque internacional. Ela faz uma combinação que parece impossível, juntando o urban wear com alta costura a preço acessível e acabamento elevado. A estilista recém inaugurou uma nova loja em São Paulo (Bela Cintra, 1677) que funciona como ponto de venda e também como ateliê, show room, galeria para exposições e oferece serviços de tatuagem e de salão de beleza. Nas primeiras semanas desse local multifuncional, a própria artista expôs suas telas, na mostra “Sete”. No mesmo lugar, desenhos exclusivos podem se transformar em tattoos. Ilustrações, moda, beleza, misticismo e arte em um universo peculiar e com um serviço diferenciado. Info: www.fabiabercsek.com.br

BEATLEMANIA À PORTER De uma forma ou de outra, a música e a moda sempre estiveram ligadas. A última é que a Comme des Garçons fechou uma parceria com a empresa Apple Corps para utilizar referências dos Beatles na sua próxima coleção de bolsas, camisas e camisetas. As peças da designer Rei Kawakubo são puro design e trazem estampas de poás e maçãs verdes. Nenhuma bolsa utiliza couro, todas foram feitas de poliuretano e PVC. Seria um pedido do vegetariano Sir Paul McCartney? Os produtos terão lançamento mundial na virada do ano, mas desde novembro já é possível adquiri-los nas lojas do Japão e de Londres a preços que vão de US$115 a US$860.


NA ESTICa 2

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POR Denise Rosa

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FOTOS 1 Gabriela M.O. 2 Waldomiro Aita 3 Rafael Avancini


HXC FOTOGRAFIA: RAUL KREBS / ESTÚDIO MUTANTE Styling: Elene Abrahão / Make e hair: Aline Matias

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ACESSE O SITE WWW.AVOID.COM.BR E VEJA FOTOS DO MAKING-OF CLICADO POR WALDOMIRO AITA.

56 Modelos: Nathalia Gomes Pedro Bertoletti Cláuder Marros

Casting: Yago Warren Direção de Arte: Guilherme Rex Produção: Denise Rosa

Agradecimentos: Minor House e banda XamorX


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POR LEANDRO VIGNOLI

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2010 ME TENDER

2010 CH CH CH CHERRY BOMB

2010 ELSE MATTERS

8 de janeiro marca o aniversário de 75 anos de Elvis “The Pelvis” Presley, que de fato não morreu no quesito ganhar dinheiro. A data é lembrada com o lançamento da caixa Elvis 75: Good Rockin’ Tonight, a primeira que compila a trajetória inteira do rei, desde o primeiro balançar pélvico até a decadência banhuda. São quatro CDs com 100 músicas no total, mais livro de 80 páginas, com comentários do jornalista Billy Altman (da Rolling Stone gringa e The New Yorker). Além do box, já à venda por aí, em 5 de janeiro sai uma edição mais modesta, a Elvis 75, coletânea com os melhores momentos da carreira (ok, chega do trocadilho infame). Se bem que, eternamente eleito pela revista Forbes como a celebridade morta que mais rende dinheiro no mundo, não duvidaria que The Pelvis esteja mesmo vivo, solto na vida, torrando essa grana toda numa farinhada nas Ilhas Cayman.

Em fase final de produção, o filme sobre rock pra ficar ligado ano que vem é The Runaways. Ele conta a história da banda punk de mesmo nome, a primeira somente com meninas a realmente importar. Baseado na autobiografia da vocalista Cherie Currie, Neon Angel, de 89, The Runaways terá a estreia da ítalo-canadense Floria Sigismondi como roteirista e diretora (ela é famosa por videoclipes de Bowie, Sigur Rós e outros). A dupla central da banda será interpretada pela super-mega-hypada Kristen Stewart (de Crepúsculo, Lua Nova, etc.) como Currie, e Dakota Fanning (a garotinha de I Am Sam, lembra?) no papel da guitarrista Joan Jett. O filme pretende narrar a ascensão meteórica das Runaways como uma das principais bandas punk, o subsequente clichê das drogas, e a inimaginável saída de Currie bem no ápice do grupo. Previsão óbvia: horda de sapatas na sessão de estreia.

Guampinhas em riste, cabelos em movimento: o Metallica vem aí. As apresentações estão marcadas para os dias 28 de janeiro em Porto Alegre (Estádio do São José) e 30, em São Paulo (Estádio Morumbi). O valor dos ingressos varia entre cada cidade (120 paus o mais barato em POA e 250 em Sampa) e, além dos pontos físicos, pode-se comprar no site da Ticketmaster (boa sorte, se ainda conseguir algum). Os quarentões vêm ao Brasílis com a World Magnetic Tour, divulgando o disco de 2008 que deu nova vida à banda e que bomba ainda hoje entre nerds adoradores do videogame Rock Band. É a quarta apresentação do Metallica no país: antes tocaram em 89, 91 (durante a turnê do mais-do-que-clássico Álbum Preto) e a última passagem em 99 – curiosamente todos eles numa finalêra de tour, exatamente como os próximos shows. Camisas pretas, verão no auge, adolescentes bêbados. Mal posso esperar.


Esse foi o disco de pegada mais “melancólica” de vocês? Putz, com certeza, melancolia vinda da nostalgia e da saudade; do “awereness” da minha volta ao Brasil fazendo-me construir cenários nas canções com imagens cheias de passado e também indagações de como será o futuro de volta àquele lugar onde todos me entendem e a que pertenço.

NOSTALGIA CONTRA A CORRENTE

O que mudou no Wry após tanto tempo fora? Mudou bastante, mergulhamos muito mais no shoegaze e nas influências novas, como A Place to Bury Strangers, e a nossa mais antiga, o My Bloody Valentine. Também cantamos músicas em português, com leve influência da Legião Urbana dos anos 80 e 90.

tão simples assim, que o Brasil não fala inglês. Mas o fato de também cantarmos em português foi uma mistura de influências, livros que comecei a ler, Legião Urbana que comecei a gostar muito de novo e pedidos de amigos para musicar os textos non-fiction que escrevia em português num blog que mantive durante 4 anos.

APÓS SETE ANOS EM LONDRES, O WRY VOLTOU ESTE ANO AO PAÍS COM SHE-SCIENCE NA BAGAGEM, UM DOS MELHORES ÁLBUNS NACIONAIS DE 2009. CHEIO DE NOVAS INFLUÊNCIAS, EXPERIÊNCIAS E REMINISCÊNCIAS, O VOCALISTA MARIO BROSS FALOU SOBRE TUDO ISSO.

Se cantar em inglês é uma forma de ser entendido por mais pessoas no mundo, em português você é mais entendido no Brasil. A coerência é uma armadilha? Pode-se dizer que sim. Eu senti essa falta de ser entendido aqui numa turnê que fizemos em 2005. Era a época de músicas nossas que tinham pessoas na gringa que adoravam pela letra. Senti falta disso e, ironicamente, vi que não era

No shoegazer a caralhada de guitarras e distorções não é mais a mensagem do que as próprias letras? No puro sim, mas o Wry não é 100% shoegazer, temos outras influências e adoro falar, falo pra caramba, isso acaba caindo no som da banda, quero que escutem o que estou cantando, seja em inglês ou em português. But you’re right.

Como rolou a turnê do álbum? Foi legal, apesar da gripe suína, da lei antifumo e da crise econômica. Deu pra sentir que nossa música atinge pessoas bem jovens e cativa os que nos conhecem de anos atrás. Lógico que alguns shows tiveram um sotaque “baile da saudade”, criando uma expectativa que não era a verdade, pois tocamos músicas novas com nossa linguagem de agora, que diria ser moderna. Sou nostálgico, mas adoro ser novidade e nadar contra a corrente. Pra 2010, o que rola? Estamos abrindo um bar – casa de shows e balada –, chamado Asteroid, e estaremos nos dedicando ao bar até o carnaval e depois voltaremos a fazer mais shows. Em janeiro será lançado o CD que gravamos de covers de bandas nacionais que gostamos dos anos 90 e 00, que vai se chamar National Indie Hits, pela Monstro Discos, e alguns singles online pela Sinewave. Mas, depois do carnaval, queremos novidades. O tempo não para. Info: www.myspace.com/wrymusic www.asteroid.art.br 61


NA CAIXA

1001 DISCOS PARA OUVIR DEPOIS dE MORRER Human Clay Creed

Tudo começou errado desde o nome. Você monta uma banda de rock, um modelo de música com história de estética transgressora, para alguns rebelde, para os mais carolas algo até satânico. Ok, não estou aqui para fiscalizar a fé religiosa de ninguém, nem mesmo perpetuar clichês (“rock, aquele lance da guampinha com a mão, uhú”), mas convenhamos que há uma enorme diferença entre a sua banda se chamar “Assassino” (Slayer) e “Crença” (Creed). Isso é quase como se uma banda de forró se chamasse Reza Forte em vez de Calcinha Preta. Daí em diante a tarefa de escolher qual disco do Creed ouvir foi bem intensa. Não sabia se optava pelo de capa mais feia, o de nome mais terrível, o que rendeu videoclipes mais cafonas (todos parecem o mesmo, remetendo à banda num abismo, onde ela podia se jogar, inclusive), ou, musicalmente, o que mais emulava Pearl Jam. Resolvi optar pelo

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que mais vendeu cópias para efeitos de análise semiótica, pois isso é revelador da idade média dos consumidores de discos na última década: 12 anos. Mesmo que o fato em questão seja a idade mental dessa gente toda, entre setembro de 1999 e anteontem, Human Clay vendeu 11 milhões e meio de cópias. Está entre os 50 álbuns mais vendidos na história dos EUA (é como se todo cidadão de SP e RJ tivessem uma cópia dessa merda em casa). E nem a semiótica explica as razões. Ouvi mesmo o disco, acreditem, e dificilmente alguma música tem menos de cinco minutos, o que é algo raro para bandas de pop-rock pasteurizado (a gravadora paga pra tocar no rádio, na MTV e etc., e tempo é dinheiro). O grunge que eles emulam, aquele estilo manjado da música começar calminha e explodir num refrão meloso-zangado, era algo que já tinha morrido uns bons quatro anos antes. As letras, embora

meio bobas, são todas quilométricas (algumas até com analogias cristãs), e adolescente não curte decorar. A voz de Scott Stapp remete a um Eddie Vedder com um tufo de pentelho na boca. E até a persona do vocalista não condiz com nada agradável: regatas forçadas de ex-gordinho que fez academia, cabelo comprido pra disfarçar a iminente careca, o queixo capaz de furar um iceberg no Atlântico. Ou seja, embora ruim, não era algo de tão fácil assimilação para ser o fenômeno pop que foi. Mesmo assim as pessoas se deram ao trabalho de ouvir, e é nessa hora que um curso de psiquiatria me faz falta. Então, sem obter respostas, vamos a outra analogia, esta com o nome do disco (preparem-se, mocinhas, que é meio escatológico). “Barro Humano” pode ser encarado exatamente como aquilo que você larga na privada após uma churrascada furiosa de domingo. E faz todo sentido associar Creed a cocô.


POR LEANDRO VIGNOLI FOTOS CAROL BITTENCOURT, DERRICK GREEN, BINHO NUNES E MARCOS HERMES AGRADECIMENTO EVOKE EYEWEAR

ANOS 90: DE TRÁS PRA FRENTE: MAQUINÁRIA


“Diggin the Grave” fechou o show num espantoso clímax que parecia já não mais ser possível alcançar. A apresentação de fato foi um grande orgasmo, e aquilo não soava apenas como dignidade intacta através de Viagra®, mas efetivamente ninfomania. Era a última música, eu já estava todo fiodaputa, mas tudo que pude fazer foi entrar num incontrolável pogo com a massa. Não havia nem mais palavras pra descrever aquilo. O Faith No More tocou igual uns piás chegando à zona pela primeira vez. E gozou muito. Um senso de segurança foi o que mais

me chamou a atenção. Em momento algum pareceu que alguém na banda não soubesse o que estava fazendo. Num show recheado de fatores externos, imprevisíveis e bizarrices, isto é sempre um baita mérito. Num bis que passa do tema de “Carruagens de Fogo” pra “ Stripsearch” pra “We Care a Lot”, músicas tão antagônicas, e tocadas com tamanho senso de sincronismo, qualquer transeunte desavisado que por ali passasse não acreditaria no frescor juvenil de tantos senhores, e perguntaria “onde está o rímel nos olhos?”. Não, cara. Nos anos 90 não tinha isso. Durante os anos 90 eu era apenas um guri mijado, e que parou de escutar só heavy metal após surgir uma banda 65


“Estava absorto de pau duro e isso não é uma força de expressão.” 66

como o FNM. Nem sabia exatamente o que significava “Midlife Crisis” e já achava uma das canções mais fodas de sempre. Era até trilha duma novela, se não me engano, e não vem ao caso. Agora, eu sendo um (quase) trintão, a música ganhou uma ressonância monstruosa. Sei o que eles querem dizem com aquilo, sobretudo ENTENDO o que querem dizer com a metáfora do coração menstruado. Toda uma geração que estava ali também sabia e cantou em uníssono aquele refrão quando Mike Patton deixou apenas para que eles cantassem. Antes foi “Epic”, um hit muito maior, e antes foi “Easy”, potencial chamariz de ouvintes de ocasião, mas acontece que o show tinha tudo a ver com “Midlife Crisis”. A deles e (talvez) a minha.

O que a banda fez foi dedicar o seu tempo em cima do palco a quem gosta de fato dela. Houve intenso espaço para músicas que só o fã extreme conheceria (o desavisado transeunte teria dificuldade de compreender boa parte). Quando tudo que eu fazia era ouvir metal, foi a partir de coisas como “Suprise, You’re Dead” e “Caffeine” e “Ricochet” que percebi que ser durão poderia ser uma espécie de catalisador da coisa, e que eu deveria ouvir (ainda que escondido) outras coisas. Eram também das figuras mais sui generis daquela década perdida, todo mundo cabeludo e cara de pivete do centrão. Agora estavam ali, a três metros de mim, Bottum careca, Gould com cavanhaque de pai-de-família, e Bordin gordo com seu dreadlock esbranquiçado. Ainda que toquem muito, escrevi num papel e joguei no palco: surpresa, vocês estão mortos. Claro que logo no começo do show você já percebe por que Mike Patton tem toda uma história de babação de ovo em cima (o que é perigoso, visto ele já ter sido casado com atriz pornô e se declarar fã de estranhos fetiches, que incluem cocô e anões). Provável que inexista, não me lembro agora, um frontman tão frontman de verdade quanto Patton, que conduz todo o espetáculo com a soberania de um Deus, mas sem jamais denotar qualquer sentido de superioridade em relação aos demais. Ele canta feito o Sinatra quando precisa, berra igual um demônio, suínga, e soca o microfone na boca. Também se joga no chão, faz cara de louco, e depois sorri. Uma figura livre de qualquer amarra, que se comunicou o quanto pôde em português (às vezes em italiano, provavelmente confuso com anos de gemedeira quando scopava con la sua porn star). Cantou


pelo menos parte de “Evidence” na nossa língua, igualmente a bossa-novística “Caralho Voador” – o único lugar da turnê onde tocaram foi aqui. E óbvio, sua frase mais emblemática da noite: “porra, caralho”, repetida à exaustão durante 110 minutos. Pouco antes do Faith No More subir ao palco, desabou uma água daquelas poéticas. Nenhum grande arroubo de iluminação ou arte no palco. Tudo era pela música, e quando os caras entraram lá, vestidos de paletó, Roddy Bottum entoando os acordes de “Reunited”, óbvia referência ao status quo atual da banda, tudo prometia ser muito foda. Quando a seguir Patton entrou, de paletó vermelho (os dos outros eram pretos), bengala na mão e guarda-chuva na outra, e abriu a boca pra cantar, nada ficou apenas na promessa. Estava absorto de pau duro e isso não é uma força de expressão. Dançarinas japonesas seminuas enfeitaram com graça e beleza o show dos Jane’s Addiction. Elas se retorciam em poses eróticas pra lá e cá, uma delas filmando tudo, imagens internas no telão, um grande exercício infame de voyeurismo em pleno show de rock. Não havia dúvidas de que tínhamos alguém do mundo pornô no palco. Dave Navarro, man, que bela ideia. Na finaleira fizeram “Jane Says” no formato acústico, talvez mais decepcionante do que o previsto, ela sendo o maior hit da banda, e eles tendo feito um show impecável até ali, de fazer 2009 parecer 1993. Anticlímax completado no bis, um clichezão da banda tocado com a bateria da Nenê de Vila

Matilde, algumas mulatas rebolando lá em cima, e eu perguntando onde raios se meteram aquelas lesbo-japs. Muito mais pessoas interessadas do que previa, a noite caindo, a chapacêra começando a aparecer de uma forma ou de outra, “Been Caught Stealing” jogada estrategicamente no meio do set quando a coisa parecia esmorecer, um surpreendente coro de sex is violent sex is violent sex is violent na belíssima “Ted Just Admit It”, uma arrasadora “Stop” incentivando pogos, as dançarinas japas, “Jane Says”, e escola de samba. Saldo positivo.

Perry Farrel emergiu num macacão roxo luminoso com cabelo todo cheio de gel, e sem anunciar nem nada tascou “Up The Beach”. Ao vivo o Jane’s é muito mais pesado, aquele senso de psicodelia hippie (representado nas viagens do guitarrista) perde espaço pra cozinha funk-metal, os graves socando direto no peito como uma chifrada de touro. Navarro passou a apresentação toda do lado esquerdo do palco, esmerilhando riffs e solos gigantescos em sua personalizada guitarra PRS branca, que ele usaria durante todo o show 67


(exceção para “Jane Says”, em que usou um violão). Prêmio blasé de ouro pra ele, sempre de chapéu, colete, deixando o cigarro queimar por vezes na haste. Farrel, ao contrário, estava pilhadaço. Correu, pulou, gritou e mostrou incrível domínio do que faz com o microfone, contrário senso a sua notável voz de gazela com crise bronquítica. No meião da tarde, os Deftones fizeram outro show na linha do surpreendente. Atolaram todos os seus hits, do Around the Fur e do Adrenaline e do White Pony, um atrás do outro, sem espaço pra pausa, pra respiro, pra ceva, pra nada. Interessante notar que toda vez que Chino Moreno pega numa guitarra é uma balada que sai dali (foram apenas duas vezes, de qualquer modo, e “balada” não é exatamente o termo correto pra “Change”). Em boa parte do show fiquei imerso nos meus 17 anos, balançando a cabeça por osmose como se ali ainda tivesse algum cabelo comprido seboso, como se ali estivesse de camiseta preta, gritando o refrão de “My Own Summer” como se tivesse enchendo o saco dos vizinhos da minha rua. Admirável a maneira da banda não parecer uma caricatura de si mesma, o que seria perfeitamente possível (e normal) com aquele tipo de som mais de 15 anos depois. Admirável que Chino tenha feito um show de calça preta e flanela longa com aquele sol. E quando cheguei lá o Sepultura tocava, e mais anos 90 tudo aquilo parecia, agora juntava o fato de só ouvir metal na época e mais: o Sepultura foi o primeiro show grande que fui. Claro que às vezes soou meio isso-não-é-mais-pra-mim, a tal caricatura, o fato de o metaleiro médio ser um cara durão e ingênuo ao mesmo tempo, que você faz piadas, usa de sarcasmo, e ele nem ao menos tem o discernimento de entender. Quatro horas da tarde, 35 graus. Festival ainda vazio o suficiente para aquela 68

“Em boa parte do show fiquei imerso nos meus 17 anos, balançaNdo a cabeça por osmose...”


horda de fiéis fazer seus moshs, rodas, balançar jubas e fazer guampinha com a mão e levantar uma poeirama do chão do Jóquei. Em algum ponto tudo que se via era só poeira, e ao fundo, o Sepultura tocando “Arise”. Algo que, se não foi exatamente “clássico”, foi extraordinário como máquina do tempo. E não foi à toa cada banda ao longo da noite ter citado o nome do Sepultura em tom de reverência.

Então, meu, outra edição do Maquinária Festival, em São Paulo, 7 de novembro. Apesar do lugar afastado, da dificuldade do transporte e dos tradicionais problemas de estrutura do Brasílis, teria bandas no mínimo com o culhão para sair de lá com a adrenalina em dia. Logo o festival se mostraria pontual nas atrações. Com um som impecável. Esquema de dois palcos, um para as principais atrações, outro para bandas

novas, nenhuma delas vista por mim, dado a sempre boa opção editorial de tomar uma ceva nos intervalos. Separação de público entre VIPs e normais, nesses mistérios da vida assisti a tudo a poucos metros de distância, com as chances de erro serem bem poucas. A menos que eu caísse bêbado. Mas estou aqui.

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ROCK, ARTE E IDÉIAS REVOLUCIONÁRIAS. A LINHA EVK FAST FORWARD É MAIS UM FRUTO DESSA COMBINAÇÃO QUE FAZ PARTE DO DNA DA EVOKE. MANTENDO O MESMO PADRÃO DE QUALIDADE E CONFORTO EVOKE 100% FABRICADO NA ITÁLIA, A LINHA BUSCA UMA RELEITURA ATUAL DE MODELOS VINTAGE COM DIVERSAS COMBINAÇÕES DE CORES E ESTILOS. MAS NÃO SÓ ISSO.


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POR PIERO BARCELLOS FOTOS MAURÍCIO CAPELLARI

O SHURA MONO É UMA VERTENTE DO SECULAR TEATRO JAPONÊS QUE CONSISTE EM REPRESENTAR AS HISTÓRIAS DOS GRANDES GUERREIROS, COMO UMA FORMA DE PRESERVAR SEUS FEITOS E TRANSFORMÁ-LOS EM LENDAS. SE HOUVESSE NASCIDO NO JAPÃO FEUDAL, A SAGA DE SENSEI ADERINO SERVIRIA DE FUNDO PARA UMA HISTÓRIA ÉPICA.

VERDADE PROFUNDA 73


Aderino Gonçalves da Silva é a típica figura que passaria despercebida por qualquer um. Estatura mediana e semblante de quem trabalha por horas a fio no olho do sol. Mas bastam poucos minutos na presença deste cidadão de 46 anos para que ele prove o contrário. Sem aquecimento prévio, ele abre um espacato no chão de dar inveja a qualquer bailarina russa, e aflição a qualquer um que tenha um par de ovos entre as virilhas. Não é à toa que Aderino carrega o título de sensei, graduado no terceiro dan da faixa preta do karatê kyokushin – a saber, uma das vertentes de maior contato (leia-se, porrada para derrubar macho) das artes marciais, e é considerado um dos maiores lutadores brasileiros da modalidade. Para chegar até o nosso “senhor Miyagi” versão pt-BR, nossa equipe teve que cair na estrada num fim de tarde rumo a um recanto ermo de Viamão, município satélite de Porto Alegre. Com ênfase no “ermo”, por favor. Em uma parte do trajeto, passamos por um pico conhecido na região por ser local de “desova” de carros roubados. A estrada de terra era quase um guard-rail de Fórmula 1, com muitos pneus velhos nas laterais, que com certeza não foram colocados ali para a proteção de motoristas sem sorte. Misturado a eles havia um “embrulho” de mais ou menos um metro e meio, com um par de pés à mostra – e há de convir que aquele lugar também não é um ponto em que lojistas jogariam manequins de vitrine fora. Após atravessar o inferno em forma de rua decadente, chegamos até a Academia Impacto, propriedade do sensei, onde treina cerca de 120 alunos 74

na arte do kyokushin, de crianças a idosos, além de abrir espaço para o tradicional puxamento de ferro. O próprio nos recebia com o rosto grudado na janela, como uma criança ansiosa aguardando por uma visita. Mas não era a nós que ele esperava com afinco. Poucas horas antes de chegarmos, a cidade foi acometida por um temporal do cacete, e um raio atingiu em cheio o telhado da academia. Ele nos mostrou os aparelhos que queimaram com a descarga elétrica, dentre eles um “purê” de telefone. “Agora a gente está sem luz, né? Vai ficar difícil pra fotografar a minha cara feia na revista”, brinca o sensei. Enquanto discorria sobre a chuva, era perceptível uma peculiaridade na sua forma de falar: o sotaque nordestino evidente, mas com a finalização firme e rápida das palavras. Grosso modo, seria uma mistura de sotaque baiano com japonês, incluindo aí o tradicional “né” no fim das frases. Antes de iniciar a conversa, um dos alunos que chegava ao recinto nos interrompeu dizendo que o carro da companhia de energia elétrica estava na rua. Num rompante de alegria, ele saiu correndo porta afora. “Graças a Deus a luz chegou! A luz tá voltando!” Prometeram a Aderino que a energia seria restabelecida em poucos minutos, o que não ocorreu. Preocupado com a integridade dos seus bens, o fotógrafo perguntou se, apesar do horário e da falta de iluminação, não haveria problemas de segurança. Como resposta, Aderino saca de trás do balcão de atendimento uma espada japonesa, e diz que “com uma dessas não tem problema”. Se ele diz, quem sou eu pra duvidar? Sem uma luz de vela a nos iluminar,

nosso fotógrafo apelou para a improvisação, e este que vos relata aproveitou o único filete de luz que vinha de um poste na rua para iluminar o bloco de notas e dar início a este bate-papo. Foi quando os trejeitos infantes do sensei deram lugar a uma postura de verdadeiro mestre jedi, falando pausadamente como um detentor do conhecimento secular sobre a vida, o universo e tudo mais. Não almejamos muito, só queremos saber como um grande lutador das artes marciais foi parar num cu de mundo como aquele. Void_ Pelo sotaque, dá para perceber que o senhor não é daqui. Aderino_ Eu nasci na Bahia, né? Depois a família, quando eu tinha aproximadamente 11 anos, se mudou para São Paulo. Viemos eu, meu pai, minha mãe e seis irmãos. Veio todo mundo em busca de melhoria, melhorar conhecimento geral, né? E aí foi quando aconteceram as oportunidades na área esportiva. Void_ Quando ocorreu a sua aproximação com o karatê? Aderino_ Minha aproximação com o esporte foi quando eu tinha 11 ou 12 anos, já na mesma época que cheguei em São Paulo. Sempre gostei do esporte, da arte marcial. E sentia, assim, uma maravilha quando assistia pela televisão aqueles trapezistas de circo, né? Atletismo também, que passava muito na época. Aquilo me empolgava muito. Foi quando eu procurei uma academia. Como eu já tinha uma queda por luta, e meu irmão já praticava a modalidade da capoeira, ele acabou me levando para praticar junto. Eu olhei, não simpatizei muito com o ambiente na época, e acabei não

optando pela capoeira. Casualmente, ao lado da academia havia outra, mas de karatê. Entrei lá como qualquer pessoa, iniciante, no qual eu me surpreendi com o ambiente da arte marcial. E a imagem que eu fiquei era muito boa, inclusive pela organização, disciplina, todo mundo ali uniformizado. Void_ E como foi no início? Aderino_ Na época eu comecei na filial de uma academia, né? E há 20 anos atrás o karatê era muito mais duro. No primeiro dia de aula fui recebido após o treinamento pelo professor, que nem graduado era ainda. Ele me chamou pra luta. Primeira coisa que falei foi que não sabia lutar e que não ia lutar, no qual ouvi: “aqui não se pode falar não. Quando o professor tira pra lutar, tem que encarar a onça e tem que lutar”. Então tá bom, vamos lutar. Quando levantei a perna esquerda para atacar, recebi um golpe com a perna direita contra a cabeça. Com esse chute eu já fiquei tonto. Então perguntei para mim mesmo “o que é que eu vim fazer aqui?”. E isso me gerou uma raiva, mas ao mesmo tempo uma resposta interna de que eu iria conseguir também. Se ele fez aquilo comigo, eu ia treinar duro, porque eu ia descontar aquilo. Eu não podia virar a cabeça e desistir, apesar de ser recebido já com luta, o que, em termos de preparação psicológica, para quem está iniciando, não é o mais adequado. Void_ Porra, então o cara já começou te sacaneando! Aderino_ Entendo que, na arte marcial, uma parte da filosofia é bem rígida, não só na base secular, mas também na preparação física da pessoa, quase que um regime militar, né? Então


“eu me desgastei tanto que não conseguia nem levantar o troféu. Ele deveria ter no máximo uns 20 centímetros de altura.”


“Você vai usar todos os meios possíveis para não agredir alguém. Mas, quando você realmente percebe que os limites passaram, tem que mostrar para o outro o limite dele.”

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a mensagem que eu peguei foi a de treinar para chegar até onde ele chegou. Este episódio, ao invés de me deixar para baixo, me motivou mais. Me animou. Disse a mim mesmo: “eu vou reagir, não vou me abater”. Então eu comecei a criar expectativa, e após dois meses de academia, tive a oportunidade de ser convidado para participar do campeonato paulista de karatê. Eu não queria, porque achava muito difícil, e estava começando há pouco. Foi quando o professor me deu toda a preparação psicológica para competir. Fiquei preocupado quanto eu tinha que pagar pela inscrição, porque não tinha recursos, mas felizmente só precisei preencher uma ficha, né? Eram 64 iniciantes na competição. Contei com a sorte, e consegui ser o primeiro colocado. Eu nunca apanhei tanto em minha vida quanto neste torneio! Eu não sabia mais o que estava se passando. (risos) Muito disso foi em função da falta de experiência, como também pelo número de concorrentes. Era uma época em que a organização do esporte estava ainda em desenvolvimento. Void_ Quantos torneios você chegou a ganhar? Aderino_ Aqui no Brasil eu ganhei o campeonato brasileiro de 1989, fui vicecampeão no campeonato secular BrasilJapão em Manaus, vice-colocado no sul-americano de 1989... Void_ E teve um torneio recente do qual o sensei participou, não? Aderino_ Ah, sim! Na categoria que o mundo moderno usa hoje, na categoria Master. Foi no campeonato paulista do ano passado.

Void_ Foi neste campeonato que rolou uma treta por conta da categoria em que você ia lutar? Aderino_ Ah, isso eu nem esperava! (risos) Fui convidado através do presidente da Confederação Brasileira de Kyokushin, mas eu não queria participar porque eu não estava treinando. Mas ele me motivou, dizendo que o campeonato paulista é para a promoção do esporte, e que se eu participasse seria bom, ia trazer uma energia boa para o pessoal. Então eu aceitei, mas para uma participação sem compromisso, né? Então eu preenchi a ficha de inscrição, na categoria Master, e enviei. O que aconteceu foi que alguns atletas descobriram que eu ia participar, e começaram a desistir da competição naquela categoria. Procuraram a comissão organizadora pra dizer que estavam saíndo porque o Aderino iria participar... Chegaram a fazer fila. (risos) Aí o chefe da organização sul-americana falou com o presidente da federação do karatê daqui, para me comunicar este fato, e sugerir que eu competisse em uma categoria mais jovem. Como a ficha já estava pronta, aceitei, já que estava mais pela divulgação do esporte do que como competidor. Aí eu acho que dei sorte, pois terminei em quarto colocado. Isso mais pela experiência, e nem tanto pelo condicionamento físico. Void_ Se sem treinar “pra valer” o sensei já fez esse estrago, o que aconteceria se fosse uma participação para competição mesmo? Aderino_ Hoje na área de competição, de torneio, eu não participo mais. A última vez foi em 1997. E de lá pra cá, a última vez que eu lutei foi essa em 2008, para promover uma categoria na qual acabei não participando. (risos)

Void_ O senhor chegou a conviver com os mestres do kyokushin no Brasil? Aderino: Até a faixa marrom, eu treinei em uma academia que era filial da principal academia da federação do karatê. Em 1985 eu fui chamado pela matriz sul-americana, para poder ajudar a dar aula, transmitir o conhecimento. Lá eu convivi com grandes mestres, até 1989, quando fui designado pela matriz para vir até o Rio Grande do Sul e ajudar na divulgação do esporte.

muito amador. A organização ou o clube não tem recurso de enviar o seu esportista com antecedência para os locais de torneio. Então o atleta chega num torneio desse aí com o fuso horário alterado, praticamente um dia antes da competição. Um dia para poder descansar. Então o corpo sente muito o cansaço físico, né? E isso aí reflete na hora da luta, no desempenho da luta. Cansaço, má alimentação... Então você rende menos. E favorece o atleta que mora mais próximo.

Void_ O sensei chegou a participar de dois campeonatos mundiais no Japão. Como foi a sua participação? Parece que andou rolando alguns problemas lá, não? Aderino_ Para participar de torneio internacional, o atleta precisa fazer currículo, para depois poder participar da seletiva. A primeira delas aconteceu aqui no Brasil, em 1987, em São Paulo. Cheguei ao ponto de ficar em quarto colocado na disputa brasileira. E eram quatro vagas. E foi bom pela questão de experiência, né? Fui em função de fazer parte da equipe, não era tido como favorito. Aí depois veio outra seletiva, que rolou no sul-americano, na Bolívia. Aí sim foi difícil, por causa da altitude. Eu fui o único da equipe que saiu de lá com classificação. No primeiro mundial fiquei em 26º lugar. No segundo, em 1991, eu já tinha mais experiência, né? Aí foi mais tranquilo, e fiquei em 16º. Fiz o nocaute mais rápido de todos os campeonatos, com 15 segundos. Assim, lutar mesmo, no oriente ou no exterior, é muito difícil para o atleta, independente qual seja a arte esportiva. O fuso horário contribui muito para o desenvolvimento. E é um esporte

Void_ Qual foi a luta mais difícil para o sensei nestes anos todos de competição? Aderino_ Olha... Eu vou ser bem sincero... Toda luta é um desafio. Eu já lutei com atletas que eram favoritos e tive um bom desempenho. Mas em função da não-experiência mesmo, as lutas mais difíceis para mim foram no meu início, na primeira competição. Nesta eu me desgastei tanto que não conseguia nem levantar o troféu. Ele deveria ter no máximo uns 20 centímetros de altura. (risos) Esta foi a luta mais difícil, que eu não conseguia mais raciocinar onde é que eu estava, o que estava acontecendo. E dali pra frente, as outras todas foram acontecendo. Void_ E qual foi a mais fácil? Aquela em que o sensei conseguiu “desmontar” o cara? Aderino_ (risos) Ah, rapaz... Na época como atleta foram várias lutas boas para mim, é claro. E ruins para o adversário. Então sempre busquei a lógica do karatê que diz que, quanto menos tempo a gente ficar contra o adversário, melhor. Um bom lutador das artes marciais busca o quê? Quanto menos

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tempo ele ficar lutando, melhor. Então acontece muito nocaute em menos de um minuto. É o tempo de subir lá (no tatame), começar a luta e terminar, para não perder tempo. Não lembro quantos nocautes foram aplicados, mas o que ficou para a história foi esse que aconteceu no mundial, que durou no máximo 15 segundos. Void_ Como foi essa luta? Aderino: Esse aí foi no mundial de 1991, no Japão, onde eu fiquei como 16º colocado na categoria geral. Foram dois golpes aplicados em toda a luta. Ele deu o primeiro, que ele não venceu sei lá por que, se foi por medo dele ou experiência minha, porque eu fui nocauteado em pé. Só o subconsciente funcionava. Passou um filme na minha cabeça na hora, e eu não podia perder aquela oportunidade, tive que respirar e me manter de pé. Então eu pensei “bom, o cara vai chutar de novo. Então quando ele chutar eu entro”. Questão de segundos, milésimos. Eu saí com o pé um pouquinho antes do que ele. E consegui encaixar o chute nas costelas. E foi um chute bem dado! Bem dado que quebrou as costelas dele! Então o subconsciente manteve esse equilíbrio, e eu consegui obter a vitória. Void_ Depois de participar de dois mundiais, treinar na matriz da academia sul-americana do kyokushin em São Paulo, como o sensei veio parar neste recanto exótico do mundo conhecido como Viamão? Aderino: Hummm... Esta é uma outra história boa. Eu vim para Porto Alegre em 1998, a pedido da fundação do karatê, porque faltava diretor técnico aqui. Pediram para vir ajudar os alunos 78

a se formarem faixas pretas, e disseram que, se eu gostasse, poderia ficar. E eu gostei daqui, tem muita gente boa. E com isso criei raízes aqui, não só por causa do kyokushin. Constituí família também. Em 1999 foi fundada a academia na cidade, né? E deste ano até 2005 eu estava trabalhando em Porto Alegre com a academia. Tive problemas particulares, administrativos, né? Então houve a necessidade de mudança de endereço. Neste meio tempo estava também desenvolvendo alguns projetos que ainda estão no papel... Void_ E que projetos são estes? Aderino_ São projetos na área esportiva, criar uma ONG, e trabalhar mais na área social. Estes projetos tiveram início em Porto Alegre em 2003, através de uma cooperativa, e entendemos que, para desenvolver este projeto em uma área social, um município seria mais adequado, em função da dificuldade e do desenvolvimento da região. Então eu me mudei para Viamão, para fazer um trabalho com crianças e dar a oportunidade para pessoas que moram mais longe para que possam cuidar do seu corpo, praticar um esporte. E acredito muito nisso. Futuramente esperamos que este projeto saia do papel para a realidade.

pessoa começou a procurar confusão com a gente. Estávamos num grupo de cinco pessoas, três atletas. Tivemos que sair do local, descer, fazer o caminho a pé. E aí a pessoa desceu junto com a gente. Eu busquei saídas para fugir do confronto. Então na minha mente eu pensei: “Bom, correr eu não vou porque eu não fiz nada. Não matei nem roubei, não fiz nada. Então o que acontece? Ele vai apanhar”. A gente tem um código, que é o da não-agressão. Você vai usar todos os meios possíveis para não agredir alguém. Mas, quando você realmente percebe que os limites passaram, tem que mostrar para o outro o limite dele. Foi o que aconteceu. Tinha que mostrar para ele que estava entrando numa área totalmente desfavorável. No primeiro gesto de agressão na tentativa de me empurrar, ele recebeu um golpe simples, não foi nem um golpe que causasse corte, lesão ou sangramento. Foi uma coisa lúcida. Foi um golpe no abdômen, outro na coxa e acabou. O primeiro te deixa sem fôlego, e o segundo elimina a base de sustentação totalmente. Foram dois golpes, PÁ, PÁ, e desceu. O final de tudo isso, o que eu ganhei com isso, foi particularmente nada. Não vale a pena. Não tem graça. Este era o limite dele. Então tomou dois golpes e foi a nocaute.

Void_ Alguma vez o sensei chegou a reagir na rua diante de uma ameaça, ou de alguém que queria brigar? Aderino_ Infelizmente isso aconteceu quando eu estava ainda em São Paulo. Na época faltavam 15 dias para a competição regional, e a gente fez de tudo para evitar o confronto. Eu estava num transporte coletivo quando uma

Void_ Então no caso de uma tentativa de assalto o sensei reagiria, ou não? Aderino_ Infelizmente isso já aconteceu comigo! E foi um espetáculo! A sensação foi um espetáculo! Sabe aquele tipo de coisa que só acontece com os vizinhos e nunca acontece contigo? Estava voltando para casa, no coletivo. Foi quando subiram três suspeitos. Um deles disse

“É um assalto, encosta o ônibus, motora”. Enquanto dois estavam recolhendo as coisas no ônibus, o outro estava com a arma na cabeça do motorista, e ficava cada vez mais nervoso. Dizia “eu vou te queimar, cara!”. Então eu disse comigo mesmo: “Merda, é um assalto mesmo”. Discretamente, a primeira coisa que fiz foi pegar minha carteira e colocar embaixo do banco. Nem pensei em reagir. Nessas horas, tenho que pensar que, nesta situação, eu não tenho o direito de fazer uma coisa tão estúpida, e arriscar a vida das outras pessoas, fora que ele estava armado, e ainda havia mais dois no coletivo. Então, tranquilamente, quando o assaltante chegou, eu dei para ele um cheque de um pagamento da academia que tinha voltado, e mais um real em cima e disse que era o que eu tinha. Nem olhei na cara dele, até porque nem se pode olhar hoje em dia, né? O cara está com uma arma na mão e eu vou ficar encarando? Aí eu vou apanhar de graça, né? No fim achei engraçado. Teve uns que levaram tênis, bolsa... No fim foi todo mundo para a delegacia prestar depoimento, gente descalça, gente só de cueca... Achei engraçado. Void_ A arte marcial foi muito popularizada no cinema, por astros como Chuck Norris, Steven Seagal, Van Damme, dentre outros. O que o senhor acha dessas figuras? Aderino_ Nos anos 1980 que foi aquela febre dos lutadores, né? Dos artistas que representavam a arte marcial. Então isso aí despertou em uma boa fatia de pessoas o gosto pela luta. O principal nome nesta época era o do Bruce Lee. E depois vieram os outros lutadores, os outros filmes, que ajudaram a popularizar as artes...


“O cinema é uma fantasia, é uma arte. A realidade de um lutador é muito diferente.” 79


A ARTE DO KYOKUSHIN O japonês Masutatsu Oyama foi o criador dos fundamentos do karatê kyokushin no início dos anos 50. Após passar pelo treinamento de diversas artes marciais, Oyama entrou num exílio de 18 meses, em que pôde aperfeiçoar suas técnicas treinando sob as águas do monte Kiyosumi, movendo pedras e árvores com seus golpes. Para mostrar o quão superior era a sua doutrina, enfrentava touros apenas usando as mãos – chegou a matar alguns deles com um golpe, enquanto outros tiveram os chifres arrancados. Não satisfeito, fez a prova dos cem combates, que consiste em alcançar o mesmo número de vitórias consecutivas em um dia. Oyama fez isso por três dias seguidos. Em 1954, fundou o Oyama-Dojo, primeiro centro de treinamento da modalidade. O karatê kyokushin (cujo nome significa “aprofundamento da verdade”) tem como objetivo a neutralização do oponente com o mínimo de tempo e golpes. É considerado o karatê mais organizado e forte do mundo. Estima-se que existam mais de três milhões de praticantes.

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Void_ Na verdade eu lhe perguntei isso porque soube que, quando um dos seus alunos faz um chute errado, o sensei diz que “está chutando que nem o Chuck Norris”... Aderino_ (risos) O cinema é uma fantasia, é uma arte. A realidade de um lutador é muito diferente. O mais difícil não é fazer um filme. O mais difícil é você manter uma rotina para se preparar para chegar a fazer um filme. Quem tem recurso faz de tudo. A questão está em se identificar com aquilo que se faz. Dar um chute, dar um soco é muito fácil. Dar voadora, tem muito artista que hoje faz isso. Mas no trabalho mesmo, na realidade, no confronto direto, no combate em si é totalmente diferente. Em termos técnicos, artista é artista, praticante é praticante, professor é professor. Void_ O que representa o karatê para o sensei? Aderino_ O karatê representa qualidade de vida. E é também o meu sustento. Eu não me arrependo de nada do que eu fiz. Os benefícios são imensos, principalmente para a harmonia do corpo e da mente. Ele dá o equilíbrio para enfrentar os problemas do dia a dia.

ěũ%1"#!(,#-3.2ũ.ũ"41".ũ Falkenbach, que foi nosso guia até a inóspita bocada viamonense. ěũ22(23ũ.ũ-.!43#ũ,(2ũ1;/(".ũ".ũ torneio internacional de karatê (realizado pelo sensei Aderino) e nosso repórter tomando uma coça em www.avoid.com.br.


© RAMIRO FURQUIM

© REPRODUÇÃO STEVE ROBERTSON

POR FELIPE DE SOUZA E TOBIAS SKLAR

JADSON ANDRÉ

Tom O’Boyle, Niki Croft, The Count, Shaun Hadlington, Chicken, e Mark Le-Hair são alguns dos nomes do BMX que participam do vídeo Raining Dogs. O filme é resultado de quase dois anos de rolês pelos Estados Unidos, Europa e Ásia. Entra lá no Vimeo e digita o nome do filme no campo de busca. O começo é meio freak show, com tons de filme de terror, mas depois as bikes tomam conta.

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© REPRODUÇÃO

CHOVENDO CÃES

O mundo do surf já vai fazendo suas especulações para 2010. Para os brasileiros que acompanham o Circuito Mundial, não resta dúvida de que para Jadson André o próximo ano tem tudo para ser muito bom. O cara anda quebrando muito no WQS, venceu a etapa seis estrelas de Durban, na África do Sul, e está em terceiro no ranking geral da divisão de acesso. Jadson tá com a faca e o queijo na mão pra incomodar os tops do WCT no ano que vem. O blog Surfreaks até separou um vídeo em que o moleque consegue fazer milagre com as merrecas da Praia de Ponta Negra, no Rio Grande do Norte, onde é local. Pra ver o potencial do cara, vai lá no Surfreaks.tumblr.com e digita Freaking Grommet no campo de busca.

RECICLANDO O skatista Paulo Galera acabou de lançar seu modelo de tênis. Para celebrar isso, ele, que é presença constante em vídeos de skate, jogou no YouTube um teaser chamado “Reciclando boas ideias”. Os quase 3 minutos são muito bem editados pra transparecer o jeito atirado, e até arriscado, do PG andar de skate. Vale a pena assistir pra dar aquela empolgada. Info: digite “Pro Model PG_reciclando boas ideias...” no YouTube


HO! Por Tobias Sklar

Nessa última coluna do ano, resolvi fazer como meu filho e escrever uma cartinha ao Papai Noel. Espero ter me comportado bem esse ano, transmitindo algumas notícias sobre o mundo do skate aqui pela Void, por isso vou ser humilde na quantidade de presentes pedidos, porém, absurdamente pretensioso na qualidade dos mesmos. Se alguém se opõe, levante a mão agora. Ou isso é outra liturgia? Eu nunca acerto, isso que dá matar a catequese pra ficar na rua. Eis os 3 pedidos (tô achando que isso também é mistura de outro ritual): 1 – Assinatura de todas as revistas de skate e afins do mundo. Pode começar pelo básico: Thrasher, Transworld, SkateboardMAG, Kingpin...

STRANGE NATURE ERA UMA VEZ Neste momento, se você não quer errar ao falar de alguém que está bombando, você deve falar sobre Spike Jonze. Assim como toda boa história de conto de fadas, esta começa com “era uma vez”. A analogia era até desnecessária, mas estava picando. A real é que está disponível na internet o curta We Were Once a Fairytale, dirigido por Jonze e que tem Kanye West como protagonista, além da participação especial dos skatistas Eric Koston, Mike Carroll e Jeron Wilson. O enredo traz um Kanye podre de bêbado e surtando numa festa. Alguém ainda lembra da maldade que ele fez com a sertaneja norte-americana na festa da MTV? Bom, a vida imita a arte, que imita a vida, e assim por diante. Chega de frases feitas, né? Procura lá no YouTube e comenta.

O artista, designer e lenda viva do skate Evan Hecox retrata a essência da cidade. Suas obras mostram cenas do nosso cotidiano com sua visão fantástica. Nesse final de ano, Hecox está expondo seu trabalho em Paris, inspirado por suas muitas viagens em toda a América e Ásia, onde fica evidente seu fascínio pela complexidade das paisagens urbanas. Como uma fotografia, sua arte capta o cotidiano. Seu estilo é baseado nos princípios de amplificação e decomposição, removendo uns elementos e enfatizando outros. Evan é diretor artístico da marca de skate Chocolate há mais de 15 anos, fez parte da histórica exposição coletiva Beautiful Losers e já expôs ao redor do mundo, de Los Angeles a Sydney, Londres, Tóquio e Nova York. Info: www.evanhecox.com www.thelazydog.fr

TONY HAWK´S SHOW Nos dias 20 e 21 de novembro, o magnífico Grand Palais de Paris foi palco do Tony Hawk’s Show, megaevento que reuniu exposição de arte urbana, bandas, DJs, além de, obviamente, skate de altíssimo nível. Pra quem gosta de números, o tiozinho Tony mandou seu 900 para homenagear as centenas de espectadores presentes. Tudo de acordo com a dimensão do dono da festa. A empolgação foi tanta que teve até fato pra entrar pra história do skate: Lyn-Z Adams acertou um mc twist perfeito e se tornou a primeira mulher a realizar esta manobra. Outros nomes, como o local Sebastien Salabanzi, alegraram a galera andando numa área que reproduzia o Big Four, spot clássico de Barcelona que foi demolido recentemente.

2 – Como também acredito nesse lance de skate arte, gostaria de ter algumas pessoas morando na minha rua como o Pontus Alv e exposições como a Beautiful Losers ali no centro. 3 – Se não rolar nada disso, pode ser só saúde mesmo pra continuarmos indo no ritmo que está, porque estamos sempre fazendo a mesma coisa, mas cada vez melhor e mais felizes. Info: www.thrashermagazine.com skateboarding.transworld.net/skate www.theskateboardmag.com kingpinskateboarding.com emericaskate.com/team/pontus-alv www.beautifullosers.com

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POR FELIPE DE SOUZA // FOTOS MAURÍCIO CAPELLARI

E AGORA, AZIMOV? NUMA DESSAS CIDADES CORTADAS PELA BR116, ENCONTRAMOS UM GALPÃO ONDE SÃO CRIADAS MÁQUINAS DE FORMA HUMANOIDE. A FICÇÃO CIENTÍFICA SEMPRE ADVERTIU QUE PODERÍAMOS CHEGAR A UMA ERA EM QUE A VIDA SERIA COMANDADA POR ELAS. ENTÃO TRATE DE SABER O QUE PENSAM OS CIENTISTAS RESPONSÁVEIS POR ESSE NASCEDOURO DE SERES DE FIO E LATA VERSÃO BRASILIS. 85


“NÓS CRIAMOS INICIALMENTE ISSO, MAS TEMOS PROPÓSITOS MUITO MAIORES EM RELAÇÃO À ROBÓTICA.”

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“AS PESSOAS SUBSTITUÍDAS POR ROBÔS SERÃO DESLOCADAS PARA TAREFAS MAIS NOBRES.”

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“CONDIÇÕES NÓS TEMOS, SÓ FALTA O INCENTIVO.”

Relato completo em www.avoid.com.br Info: www.bobetech.com.br

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VOIDEANDO VOID FOTO 2010. IT’S NOW OU NUNCA Para total deleite do pessoal da redação, que finalmente vai poder colocar os pés pra cima e arejar as frieiras, vem aí a edição fotográfica da Void no verão de 2010. Como de costume, você está convidado a agraciar nossas páginas com o talento divino ou a tosquice suprema que Deus (ou algo do gênero) lhe deu. Mande suas fotos em tamanho reduzido para o email voidfotos@ gmail.com até 31 de dezembro de 2009. As imagens selecionadas serão solicitadas posteriormente em alta resolução. Não faz idéia do que estamos falando? Acesse www.avoid.com.br e baixe o PDF da última Void Foto.

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140 CARACTERES Só agora lembramos de avisar que estamos no Twitter. Nos siga no www.twitter.com/revistavoid e acompanhe tudo o que a gente conseguir comunicar em 140 caracteres.

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Que tal receber isso que a gente chama de revista no conforto da sua residência pagando somente o valor do envio? Mande um email pra void@avoid.com.br informando em qual dos planos abaixo você se enquadra.

Porto Alegre e São Paulo (Capital): 6 meses: R$ 36,00 11 meses:  R$ 69,00   Outras localidades (Brasil): 6 meses:  R$ 48,00 11 meses:  R$ 78,00

PROMOÇÃO DISC-O-NEXO Quem tem o _______ de residir em Porto Alegre, tá ligado e provavelmente já chacoalhou as entranhas na Disc-o-Nexo, festerézio que há um bom tempo renova as esperanças na noite da cidade. Pois a nova empreitada dos DJs e designers Chaves e Landosytem foi se juntar à Sound & Vision pra produzir

uma linha de camisetas estampadas com as clássicas ilustrações de divulgação da festa. Gostou do robô maroto aí da foto? Então acesse www. avoid.com.br e veja como levar ele pro armário. Info: blog.robopop.org www.soundandvision.com.br

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I SHOT MACUNAíMA

ESTÍMULO MENTAL

POR FABRIZIO BARON

FOLKBULLSHIT DOS INFERNO Curupira (crazy ass) conheceu Boitatá (okidokey bull) numa caçada quando perseguiam Padre Anchieta (judas priest), que fugia dum forró ladeira abaixo torrando em chamas. O protetor das matas, que tinha os pés invertidos, pediu backup pra Cuca (lazarotten cookie) e pra Mula-Sem-Cabeça (beheaded mule). A primeira tava na ronda com um indiozinho já mastigado na boca, a outra foi se batendo nos galhos. A mãe da Mula, Maria Bonita (ugly neckless bitch), era virgem quando sofreu coito forçado num gangbang jesuíta. Em parto mal feito por Sinhozinho (little sire) e seus pupilos Boto (ricelli) e Caipora (dropdead), teve a cabeça de Mulinha mastigada pela xereca rancorosa e peludona. Antes de tacar mais fogo no padre, Curupira amoleceu compaixoso, desabando em remorso. Juntou uma tevezinha do meio da macumba (macintosh classic) e fugiu pra Manaus (man’s asshole), onde tinha ‘lúiz’ e transmitia o sinal do Chacrinha (little cup o’ tea). Morreria frito horas depois. No assentamento, Saci-Pererê (pear’s seesaw) espantava os cavalos e queimava a comida, pois, além de manco e vândalo, mascava um cachimbo. Pleta Gil (black gilbert) – que adorava enganar Cebolinha (little onion) e demais globais no Canecão (big shitty mug) – ligou pra seu pai, Negrinho do Pastoreio (little shepherd’s blackjack) que, mesmo contrariado, mandou coletar o que sobrou do padreco. Na manhã seguinte, Carlos Minc (charles monk) canonizou todo mundo no Fórum Social Mundial (guevara’s amusement park for stupid young adults).

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Lendo um Cordel (coreldraw), Saci tentava soltar um barro encantado. Após um grito horrendo, aquela pequena, seca e dura bosta passaria a sustentar um turismo sem infra e seria até mesmo protegida por lei. 500 anos depois, Lampião (severino’s lantern), o sociopata com o pior design de chapéu da história, fundaria a Liga de Repúdio às Coisas Além-Mato (national congress), junto a Sarney (sir ney) e Tom Zé (useless joe). De lá pra cá o sinal digital passou a transmitir doenças infecciosas, sendo a mais agressiva delas a dublagem. Apontado por muitos curadores como “rico e variado”, o folclore tupiniquim (too-peenee-kim) influenciou chatices corta-pulso como A Moreninha (a complete guide to dislike literature since childhood) e culminaria séculos mais tarde em ‘Viver a Vida’ (life sucks but suckers R us), Orkut (mot-o-boy’s social tron), Cagalhão do Huck (hulk’s horseshit) e Aldo Rebelo (saci’s gepetto). Crendice e superstição, indianismo, molenguismo, positivismo, caixinha de fósforo, banquinho e viólão, meu córação, a saudade, poesia no ônibus, politicagem, malandragem, racismo velado, esmolismo e impunidade. Reflexos de um life style baseado num folclore alienígena nonsense e que jamais transcende. Num mundo pós-globalizado enciclopédico que produz Fringe, District 9, FlashForward, Lost, Inglorious Basterds, entre milhares de coisas criativas, ainda tem gente fritando 16 milhões em asneiras que nem a propaganda soviética ousou fazer – Lula: Filho do Brasil (squid: gollum’s nightmare).

O ano vai terminando e mais uma vez o entretenimento digital fica cada vez mais épico, artístico e imersivo. E o melhor: quase tudo multiplataforma, o que significa que tem pra todo mundo, seja Xbox, Playstation ou PC. Só o Wii segue um caminho exclusivo (mas nem por isso deixando de ser preza!). Então, já que escolher o jogo do ano é impossível, quem sabe os dez melhores? Call of Duty: Modern Warfare 2 (épico de guerra, ação frenética, multiplayer viciante e até mesmo guerra em favela do Rio), Dragon Age: Origins (já andam dizendo “melhor RPG da década”!), Assassin’s Creed II (agora na Florença renascentista, trailer com música do Justice e novo protagonista, Ezio), Batman: Arkham Asylum (o melhor game do gênero já produzido), Left for Dead 2 (de volta mais realista com mais zombies, gore e variedade absurda de armas), Empire: Total War (real time strategy ultracaprichado, histórico e detalhista), Dirt 2 (Codemasters dominando quando o assunto é off road), Street Fighter IV (o clássico old school reinventado, pela primeira vez em 3D), Resident Evil 5 (se a história ficou mais brega, a ação e os gráficos superaram todos os anteriores) e Borderlands (uma espécie de Fallout 3 meets Mad Max, focado no multiplayer e na evolução de armas e skills).

8-BIT EROTIC MADNESSS Clipe doidão da música “Trucker’s Delight”, do Flairs: www.vimeo.com/7670880


RETORNO Temp.2 EP.10 Por: PDR e MAU

BLÉ...

GRRRANDE FÉSHHTA CAMARRRÁDA BANÁNA!!! GRRRANDE FÉSHHTA!!!

BLÁ...

DE QUE VALE O NATAL SEM AMIGOS... ONDE ESTARÃO??

BLÁ... BLÁ...

BLÁ... BLÁ...

BLÁ...

PESSOAL, LICENÇA QUE EU VOU ALI RETOCAR O PÓ...

QUEM SERÁ? PROVAVELMENTE MAIS ALGUM DESCONHECIDO...

XAROPE! MANGO!! MEUS AMIGOS!!!

DIM, DOM... UI, PERVERSA!

TREMENDA BOCA LIVRE E NEM PRA CONVIDAR, HEIN, BANANA...

BA...

VOCÊS SUMIRAM! ACHEI QUE NUNCA MAIS... ENTREM!

JUNTOS OUTRA VEZ... COMO NOS VELHOS TEMPOS!! SINTO O POTÁSSIO NOVAMENTE... ESTOU DE VOLTA!!!

HO...

EI, MANGO, TIVE UMA IDÉIA...

FIM DA SEGUNDA TEMPORADA.

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© HB É UM PERSONAGEM ORIGINAL DA LAÍRTON REZENDE COMICS. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS, NÃO VAI QUE É FRIA.


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VOID #055 - AGORA VAI  

Revista Void. Edição #055

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