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Foto: Eduardo Braz - BS Smith

LUCAS XAPARRAL | PRO SKATEBOARDER


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INTRO

NESSA EDIÇÃO

ÁU!

AOTEAROA Rosi e Norba mostram que a felicidade pode estar em um carro velho, uma barraca e alguns Kms de praias desertas.

Enquanto a gripe suína e a morte do Rei do Pop tomam conta dos noticiários, chegamos a mais uma edição recheada de informações sem utilidade aparente, mas que talvez ajudem a deixar sua vida um pouco mais divertida. Agora, se você realmente acha que vai bater as botas por causa dessa gripe, fique sabendo que recebemos a notícia de que MJ está vivinho e mocado, preparando um disco de bossa nova junto com Elvis, Tupac e Teixerinha. E vai ser altamente contagioso.

FARINÁCEOS Beat Barea abre a caixa preta do hard rock brasileiro dos anos 90 e revela que por dentro ela é branca.

MAUDITO Segundo Fábio Zimbres, “Você tem que ser responsável pelas coisas que junta.” Veja como ele está sendo.

CAPA(S)

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FOTO DA CAPA: NORBERTO RITTER E ROSARIO LÁZARO


EXPEDIENTE

PONTOS DE DISTRIBUIÇÃO

Direção: Gabriel Rezende Marco Arioli Pedro Hemb Rodrigo Santanna Vicente Perrone

PORTO ALEGRE

Editores: Denise Rosa e Pedro Damasio Repórteres: Felipe de Souza, Piero Barcellos e Gabriela M.O. Revisora: Maria Edith Pacheco Projeto gráfico e Diagramação: Lucas Corrêa e Rafael Chaves @ Lava www.lavastudio.com.br Fotografia: Maurício Capellari Waldomiro Aita Administrativo/Financeiro: Vanessa Lindenau

Amistad - Padre Chagas, 276 Apolinário - José do Patrocínio, 527 Azul Cobalto - Lima e Silva, 744 Barber Shop - Independência, 747 Budha Khe Rhi - Protásio Alves, 2005 Café Cantante - Fernandes Vieira, 615 Callohã - Shopping Lindóia Colcci - Shopping Iguatemi Colcci - Shopping Praia de Belas Convexo - Shopping Iguatemi Convexo - Shopping Praia de Belas Diadora - Padre Chagas, 306 ESADE - General Vitorino, 25 Escola Tecnica Irmão Pedro - Félix da Cunha, 515 Espm - Bar Prédio 2 Espm - Bar Prédio 3 Galeria Adesivo - João Pessoa, 203 Lancheria do Parque - Osvaldo Aranha, 1086 Hangar - Padre Chagas, 276 Live Sport Pub - Dr. Barcellos, 435 Matriz Skate Shop - Shopping Total Nike Store - Barra Shopping Sul Nike Store - Shopping Iguatemi Ossip - República, 677 Ocidente - Osvaldo Aranha, 960 Perestroika - Furriel L. A. V., 250/1302 Pó de Estrela - Alberto Torres, 228 Puc - Administração Puc - Direito, Xerox Puc - Famecos, CAAP Rouparia - Fernandes Vieira, 656

Sexton - Barão de Sto Ângelo,152 Spirito Santo - 24 de Outubro, 513 Stb - Anita Garibaldi, 1515 Stb - Quintino Bocaiúva, 267 Thippos - Miguel Tostes,125 Tmaki - 24 de Outubro 636 / Lj 01 Tow In - 24 de Outubro, 484 Tow In - BarraShopping Sul Trópico - Moinhos Shopping Trópico - Shopping Praia De Belas Trópico - Shopping Iguatemi Trópico - Bourbon Shopping Trópico - BarraShopping Sul Ufrgs - Arquitetura Ufrgs - Reitoria, Bar Antônio Ufrgs - Fabico Uniritter - Orfanatrófio, 555 Vulgo - Padre Chagas, 318

SÃO PAULO Billabong - Oscar Freire, 909 Gal. Choque Cultural - João Moura, 997 Ideal Shop - Rua Marechal Deodoro 1641 Cj23 King 55 - Harmonia, 452 Maze Skateshop - Augusta, 2500 Neu Club - Rua Dona Germaine Burchard, 421 WavE Boys - Augusta, 2690, Loja 313 Z Carniceria – Rua Augusta, 934. Volt – Rua Haddock Lobo, 40

BELO HORIZONTE Desvio - Rua Tomé de Souza, 815. Blunt - Montes Claros,173 Café com Letras - Antônio de Albuquerque, 781 Mini Galeria - Rua Carolina Figueiredo, 30

INTERIOR RS Hip - Caxias Do Sul Stb - Caxias Do Sul Swell Skatepark - Viamão

CURITIBA Airlab - Al. Pudente de Moraes, 1668 Café Lucca - Av. Presidente Taunay, 40 Kitinete - Duque de Caxias, 175 Lolitas Salon De Coiffure - Trajano Reis, 115

RIO DE JANEIRO La Cucaracha - Rua Teixeira de Mello 31, loja H Junkz – Rua Francisco de Sá, 95 Junkz – Rua Dagmar da Fonseca, 33 Junkz – Rua Uruguiana, quadra d, box 357/358 , centro Ultraeco – R. Francisco Otaviano 67, Loja 50 Home Grown – Rua Maria Quitéria, n° 68

Comercial: João Francisco Hein Produção: Bruna Szewczyk Jurídico: Galvão & Petter Advogados office@galvaoepetter.com.br

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A REVISTA VOID É UMA PUBLICAÇÃO MENSAL COM DISTRIBUIÇÃO GRATUITA E TIRAGEM DE 12 MIL EXEMPLARES


COLABORADORES CORROBORE! “My Life is my Own Religion” é o motto de Leandro Vignoli, radialista da Unisinos FM e nosso expert em música e adjacências. Ele é residente nas seções “Na Caixa” e “1001 Discos” . www.lastfm.com.br/user/vignoli

Autodenominado Chocoprilho, Fabrízio Baron é Hardcore Gamer e vive em um envolvente mundo de fantasia aonde TUDO é possível. Nas horas vagas trabalha com carteira assinada. Para encontrar o Baron, siga o robô. www.robopop.org/disc-o-nexo/

Lise Bing NÃO É uma garota quietinha. É novidadeira de plantão e dona da lista de e-mails mais bem frequentada da web. Gadgets e bizarrices internéticas são o recheio da sua coluna “Bing Bang!”. liseanebing@qg.com.br

Tobias Sklar é editor da Vista e

Lucas Pexão trabalha como

curador independente, representa artistas via noz.art e está prestes a abrir uma nova galeria de arte em Porto Alegre. Na Void ele escreve sobre arte e faz a curadoria da seção Magma. www.noz.art.br/pexao

Ana Ferraz faz um MONTÃO de

coisas ligadas à projetos de arte, joga Animal Crossing City Folk todos os dias e é viciada em mandar e receber coisas pelo correio. Na Void ela escreve sobre arte e faz a curadoria da seção Magma. www.flickr.com/iwannagoaway / noz.art.br / ana@noz.art.br

colabora para a Void. tobias@vista.art.br

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COLABORARAM TAMBÉM NESSA EDIÇÃO... Norberto é produtor

audiovisual e um dos diretores da Maloca Estúdio. Rosario é jornalista, tradutora free-lance e escritora. Nesta edição eles falam sobre uma viagem bastante roots e incrível pela Nova Zelândia. www.maloca.net www.rosilazaro. blogspot.com

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CORREIO VOID@AVOID.COM.BR // PETER CALYPSO RESPONDE

VOID#48 Em um sábado de muito frio em São Paulo, porra nenhuma pra fazer, fui até a loja WaveBoys na Galeria Ouro Fino, Rua Augusta e após alguns minutos de idéia sobre skate old school, com a tiazinha (muito gente fina) que trampa na loja, ela me ofereceu um exemplar da Void #48. Joguei ela na mochila mas chegando em casa sentei e comecei a folhear. Só na folheada ja vi que ali dentro tinha alguma coisa de ia me fazer dichavar a revista inteira. Dito e feito! Me identifiquei com quase tudo! Todos os sites indicados eu acessei pra ver. Alguns me deram raiva, tipo aquele com um monte de tattoo escrota. Teve muita coisa que realmente vale a pena ler, tipo a entrevista com o Mozine do Mukeka di Rato. Eu curto o mukeka já tem uns dez anos. Uma vez eu tava querendo promover um show de punk e hardcore na cidede de Extrema MG, onde morei durante um tempo. Aí mandei uma carta convidando o Mukeka. Os cara são mó sangue bom, responderam de imediato que iriam e cobravam merreca, só a gasolina da van e uma moeda pra comer. Infelizmente não rolou o show, mas ficou ainda mais forte a minha identidade com o 16

Mukeka. E foi muito bom ver a banda na Void. Outra coisa que me chamou bastante a atenção foi a matéria sobre tiro. Depois de ler, fui la perguntar ao meu avô se ele ainda tinha aquele 32 enferrujado mas ele doou na campanha de desarmamento. Enfim, curti muito! Valeu! Todo mundo ae ta de parabéns!

R: Tá querendo dizer que é pra eu ficar esperto, é isso? Ou quer vender alguma coisa? Na real não entendi porra nenhuma...

Bruno C.

Boa tarde, é o primeiro contato que faço com revistas na minha vida, no entanto não pude deixar de reparar o fino trato com que a revista é levada, acho que estou envelhecendo e ficando ranzinza, pois esta muito difícil gostar das coisas.. achar surpreendente, novo (não a idéia, mas a realização) e principalmente a ousadia, que não soa barata nem pueril. Conheci a revista através de amigos que tem um salão aqui (LOLITAS) e desde então venho acompanhando com expectativa cada edição, eu sou músico, produtor musical e Modelo, estou na fase de finalizaçao de meu primeiro single.. e gostaria muito de ter meu trabalho vinculado na revista nem que seja no rodapé (sic).. segue uma das faixas para dar um norte sobre meu trabalho... Abraços. Obs. Viva o Sul do país, que acontece sem a sigla SP.

R: Ufa, agradeça ao seu avô por nós e pelo restante dos seres vivos.

COINCIDÊNCIA...? Coincidencia ..? Abra teus olhos querido(a) Mateus 10:21 E o irmao entregara a morte o irmao, e o pai o filho; e os filhos se levantarao contra os pais, e os matarao... Querido(a) Deus tem avisado desde a criacao... Renuncie ao mundo vem pra Jesus . Leia a biblia todos os dias.

FINO TRATO

http://issuu.com/deluxe/docs/011 Marcos N. R: Um senhor tão distinto com opiniões relevantes e esse primor de vocabulário merece algo muito melhor do que um rodapé, meu amigo. Que tal uma resposta simpática, sem críticas e numa posição de destaque dentro da seção Correio? Só que pra isso, achei melhor não escutar sua música. Não dá pra arriscar.


Bosko


NA PRIVADA

MENTIU PRO TIO Virou notícia na televisão, nos jornais e principalmente na internet a patricinha adolescente Kimberley Vlaminck, holandesa de 18 anos que tatuou o rosto com diversas estrelinhas. Até aí tudo bem, cada um faz o que bem quer, não fosse ela alegar para o pai e para a mídia que a tattoo fora feita sem o seu consentimento. Ou seja, a mina supostamente dormiu durante uma sessão de tatuagem e acordou com metade do rosto marcada com 56 estrelas até no nariz. Uma constelação! Supermico para todo mundo e uma verdadeira saia justa pro responsável, que teve sua foto ilustrando matérias de revistas em todos os idiomas. Foi então que Kimberley resolveu contar a verdade. Ela queria mesmo as estrelas, mas como a família lhe deu uma bronca ao ver o resultado, por que não mentir e dizer que foi tudo feito contra sua vontade? Com tudo esclarecido, ao menos rolou um final feliz para o tatuador esquisitão Rouslan Tounamiantz, que não precisou ajudar financeiramente com o processo de remoção dos desenhos e ainda ganhou publicidade.

POR Felipe de Souza, Gabriela M.O. e Piero Barcellos

BESOURO, O FILME

Não sabemos se é a crise internacional que afetou Hollywood, mas de uma hora para outra surgiram muitos itens à venda na internet que fizeram parte de produções que marcaram a nossa infância. Dia desses uma corretora de imóveis gringa estava colocando à venda uma das casas que serviu de cenário para o filme Curtindo a Vida Adoidado. E agora foi a vez da máquina do tempo de Doc Brown, do De Volta Para o Futuro! O carro que possibilitou Martin McFly a ajudar o namoro de seus pais nos anos 50 e a resolver algumas tretas com o Biff num futuro de skates flutuantes foi parar no eBay, com todos os acessórios originais da trilogia (exceto o plutônio). O leilão foi rápido, e o DeLorean vai para a casa de um provável nerd rico, que gastou 60 mil verdinhas americanas para tê-lo na sua garagem. É o tipo de coisa que coloca esperança no coração dos fanáticos por Star Wars, que ainda sonham em ter um exemplar da Millenium Falcon em escala 1:1 em casa!

Info: www.besouroofilme.com.br

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© CC - DAVE NAKAYAMA

dia 30 de outubro, quando estréia Besouro nos cinemas. O filme se passa no início do século 20, e conta a história do lendário capoeirista Besouro Mangangá, que lutava contra a opressão dos negros no recôncavo baiano. Para a produção, o diretor João Daniel Tikhomiroff trouxe o coreógrafo chinês Hiuen Chiu Ku, que atuou em nada mais, nada menos que Kill Bill, Matrix e O Tigre e o Dragão. Orçamento de filme grande ele já tem (R$ 10 milhões), agora resta saber se vai rolar o mesmo nível de porrada das películas chinesas e americanas!

© WWW.BESOUROOFILME.COM.BR

Havia uma época em que cinema brasileiro era sinônimo de pornochanchada e putaria gratuita. Com o avanço tecnológico e a evolução de enredo e produção, hoje os blockbusters produzidos aqui possuem diversas categorias: favela, sertão nordestino, comédia romântica, seriado da Globo e produções com Selton Mello no elenco. E ainda tem gente que reclama quando o Brasil não é indicado ao Oscar... No intuito de ganhar uma premiação estrangeira, ou de ser reconhecido por fazer um filme cabeça, nossos cineastas não inovam e não empolgam quem deveria, que é o público brasileiro. Mas isso está para mudar no

COMPRE JÁ SEU DELOREAN


FUNCIONário do mês

PERDEU, RUBINHO!

Dado irrelevante: Fizeram uma pesquisa para saber quem mais conquistou o segundo lugar na Fórmula 1. O resultado apontou o piloto italiano Ricardo Patrese. Agora, adivinhem que está na segunda colocação desta lista? Pois é...

© KAPPAKSTUR.IS

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) determinou um limite orçamentário para as equipes gastarem ao longo do ano. O problema é que as montadoras Ferrari, McLaren, Renault, BMW Sauber, Toyota, Brawn GP, RBR e STR querem mesmo é torrar grana e optaram por abandonar o campeonato e montar uma competição paralela. A pressão foi grande, e o chefão por trás de todos os boxes, Max Mosley, teve que recuar em algumas decisões para garantir a permanência das grandes estrelas do esporte. A parte ruim é que o Rubinho não vai mais ser o vice de duas categorias distintas.

INFELIZES PARA SEMPRE

Info: www.dinagoldstein.com 19

A clientela é bem variada? - Eu tenho muito cliente juiz, promotor, políticos e famosos. Já engraxei pro Maguila, pro Jamelão, pro Assis... Cheguei até a ir na casa de um advogado pra engraxar mais de 50 pares de calçado pra ele.

Conhece alguém que merece esta homenagem? void@avoid.com.br

FISGAMOS – AÊ! MERRRRRMÃO... ASXX VERBAXXXX FORAM PRA CASA DO CARALHO! © DINA GOLDSTEIN

Em que situação as lindas princesas dos contos de fadas estariam se vivessem nos dias de hoje? A fotógrafa canadense Dina Goldstein deu um palpite um pouco menos previsível do que as histórias da Disney, e um tanto quanto pessimista. Ela resolveu clicar as personagens mais famosas da fantasia em cenários reais e modernos, e não tão felizes como dizem. Todas, claro, sempre com muito encanto: Jasmine, do Aladdin, aparece armada até os dentes em um conflito no Oriente Médio; Chapeuzinho Vermelho ganhou uns quilinhos a mais comendo doces na floresta e Rapunzel perdeu literalmente os cabelos em uma provável quimioterapia em um hospital. Pois é, reality bites! Ser princesa atualmente? Nem por um dia.

Francisco Carlos Machado da Silva há 20 anos deixa o sapato do povo num brilho só.

Desabafo escutado da mesa ao lado, numa reunião com uma agência no Rio de Janeiro. Fisgado por Xande Marten

Fisgou alguma? void@avoid.com.br


NA PRIVADA

CHUCA-TE Para não correr o risco de sujar a mão de merda na hora de limpar a bunda, ou, mais precisamente, para facilitar a chuca (limpeza do reto, clister, enema...), os chineses estão investindo em um assento de privada ultramoderno. É o Lotus Smart Toilet Seat. Com design arrojado, a tampa do vaso sanitário é mais que inovadora: é higiênica e estimuladora anal. Ao comando de um simples apertar de um botão, ela jorra água no ânus de seu usuário com uma pressão de proporção inimaginável. Mas é preciso se segurar, já que a força é absurda, o que faz uma verdadeira limpeza intestinal. Pelo menos é isso que mostra o instrutivo vídeo lançado na web. O filme de pouco mais de cinco minutos não tem legendas, mas as suas imagens são bastante esclarecedoras: desenhos em 3D ilustram com excelência os benefícios do artefato, do princípio ao fim. Info: www.lotusseats.com

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© REPRODUÇÃO COED MAGAZINE.COM

Japoneses têm fixação por trens e chá verde (na real eles têm fixação por uma pá de bagulho, mas pegamos essas duas como exemplo por agora). Para unir as duas coisas, a Mokku, indústria de brinquedos que se aventura agora no ramo de bebidas, colocou no mercado o Yamanote Green Tea, com o nome homenageando uma das linhas de metrô mais usadas em Tóquio. A garrafa custa US$3,50, caro até para japoneses, que costumam pagar um terço desse preço em produtos similares. Pela foto, pode-se notar que a grana vale pela garrafa, que vem no formato de vagão.

© REPRODUÇÃO SHIBUYA246.COM

CHÁ DE METRÔ

NO PEITO, NA BUNDA E NA RAÇA Depois de ver seu national team levar três bagas no confronto contra o Brasil, na Copa das Confederações, os americanos da COED Magazine decidiram colocar no ar um novo confronto para servir como revanche. No embate, de um lado estariam modelos americanas e de outro, as beldades brazucas. Gisele Bündchen, Fernanda Tavares, Daniella Sarahyba, Jessica Canizales, Jeisa Chiminazzo, Adriana Lima, Cintia Dicker, Ana Beatriz Barros, Izabel Goulart, Isabeli Fontana, Ana Paula Araujo, Fabiana Tambosi, Alessandra Ambrosio, Daniela Cicarelli, Danielle Nogueira, Ana Hickmann e as gêmeas Bia e Bianca Feres formaram o escrete canarinho. No lado americano, Megan Fox, January Jones, Broke Burke e Eva Mendes eram os destaques. Pois a COED colocou em seu site as duas equipes enfileiradas e abriu a votação para o público. Resultado: perderam de novo. O placar foi tão apertado quanto os 3x2 impostos pela equipe de Dunga na final do torneio mas, mesmo assim, 56% dos internautas escolheram as minas verde-amarelo. Brasil, com nosso futebol e nossas bundas, ninguém pode.

SIM, NÃO O RETORNO DO HARD ROCK AC/DC, VAN HALEN, BLACK SABBATH, GUNS N’ ROSES, METALLICA, ROSA TATTOOADA… ESSAS BANDAS ESTÃO SE MOVIMENTANDO EM DIVERSAS ÁREAS SORRATEIRAMENTE. DOS NOVOS LANÇAMENTOS MUSICAIS À CRIAÇÃO DE GAMES COMO GUITAR HERO E ROCK BAND, ESTAMOS PRESENCIANDO O RETORNO DO HARD ROCK. E ISSO É BOM PARA OS NOSSOS OUVIDOS? SIM Até os menos entusiastas dirão que qualquer bosta é melhor do que a modorrenta Mallu Magalhães, a escandalosa Joelma do Calypso ou a estapafúrdia Lady Gaga. Música de verdade se faz com solos intermináveis de guitarra, gritos guturais e muito bate-cabeça! Chega de bandinhas emo e anéis de castidade, o bom e velho rock n’ roll está voltando! Yeah! NÃO Vai dizer que não dá uma raiva quando um roqueiro metido a “mau” quebra uma guitarra foda que custa milhões num show, enquanto você, iniciante pé-rapado, está recém na segunda parcela de um instrumento vagabundo? Pior que isso é pensar que, junto com a sonoridade, vêm os modismos adolescentes, como roupas esfarrapadas, calças de lycra, cabelos compridos, bandana na cabeça e comportamento delinqüente. A diferença é que, uma vez dentro do estilo hard rock, você nunca mais sai dele. Vide Supla, que mesmo com 43 anos ainda se veste como um adolescente de 16 nos anos 80.


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NA PRIVADA

A MORTA LUGARES INÓSPITOS QUE VOCÊ NÃO CONHECE

Usar aquelas trancinhas no cabelo já é meio batido. Ser preso enquanto o cabeleireiro as monta em sua cabeça deve ser bem pior. Foi o que aconteceu com o cara da foto. O nome dele é Marcus T. Bailey e foi detido por policiais da cidade de Evansville, nos Estados Unidos, enquanto dava um trato no cabelo. A acusação? Tráfico de crack, a pedra maldita. E os meganhas foram bem cruéis com Bailey, não deixando o barbeiro acabar o trampo e forçando o cara a ser levado pra cadeia com o penteado que lembra um Bozo assimétrico. É muito esculacho.

© REPRODUÇÃO COURIERPRESS.COM

TEJE PRESO!

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REPÚBLICA DE Y. A República de Y. possui uma língua tão peculiar que o idioma não é ensinado nas escolas, e sim transmitido de pai para filho, o que resulta numa grande variação de pronúncias graças ao número de surdos, fanhos e gagos no país. Uma frase como “Me alcance o açúcar, por favor” pode demorar de 3 a 5 minutos para ser pronunciada, tempo suficiente para seu café esfriar. Em 1973, o nome do país foi abreviado para Y. depois de um incidente diplomático, em que, durante um discurso, o embaixador da Bortuália tentou pronunciar o nome por extenso sem pausas para respirar, e acabou descarrilando a mandíbula. TJUNQUISTÃO O Tjunquistão recebeu da OND (Organização das Nações Desconhecidas) o título de população mais perdida do mundo. O sheik Don Keyk Ong, mandatário absoluto, ficou viciado em jogos de Atari depois que ganhou um videogame em 1987, fato que influenciou a construção de muros por toda a cidade simulando o labirinto do Pac-Man. Como resultado, mais de 60% dos tjunquistaneses sai para trabalhar diariamente, mas não encontra o caminho de volta e fica perambulando pelas ruas. Aos turistas é recomendado entrar no país somente portando GPS.

© WWW.LORENCAMERON.COM

TÁ FALTANDO ALGO AÍ... Não é de admirar que existam muitos casos de homens que, ao andar pelas ruas em busca de sexo fácil a preços módicos e sem compromisso, acabam se assustando quando a moça exibe um mastruço no meio das pernas, onde deveria haver uma prochaska. Como você não é um certo gordo que joga futebol, desculpas como “estava escuro e não vi direito” ou “tinha bebido umas e outras” não colam. Enquanto isso, as mulheres riem da desgraça alheia e acham que isso nunca aconteceria com elas. Isso é porque não conheceram a Loren ainda. Se dependesse do seu biótipo másculo, a fotógrafa Loren Cameron, 50 anos, passaria tranqüilamente por integrante do Hell’s Angels. Porém, os seus documentos e os seus genitais comprovam que ela é uma mulher. Quando estava na adolescência, Loren decidiu que não queria ter um corpo feminino, e se submeteu a tratamentos hormonais, mastectomia e musculação para virar “homem”. É um caso parecido com o do ator pornô Buck Angel, que usa seus novos atributos físicos como ator pornô em filmes com homens e mulheres. E aí, menininha que curte um cara peludo, malhado e mal-encarado: vai dizer que você não pegaria fácil fácil?

É MUITO FÁCIL FAZER INTERCÂMBIO E IR MORAR NUM PAÍS DE PRIMEIRO MUNDO. DIFÍCIL É PENSAR FORA DA MANADA E ESCOLHER UM LOCAL A ESMO DE QUE NUNCA SE OUVIU FALAR ANTES, QUE SEQUER SE FAZ PRESENTE NOS LIVROS DE GEOGRAFIA:

FABERLÂNDIA A Faberlândia é uma nação que sofre com um mal alado: pombos. O Governo adotou práticas ecológicas para resolver o problema, soltando lagartos pelo país. Os lagartos se proliferaram pela nação, e comeram não só todos os pombos, mas também as lavouras de alimentos. Para combater a praga dos lagartos, soltaram cobras em pontos estratégicos. As cobras deram conta do serviço, e também de 15% da população. A questão ambiental do país só ficou normalizada com o uso de elefantes, que, tirando o tamanho do estrume, matam menos que as cobras.


VOSSA EXCELÊNCIA QUEIRA CALAR A BOCA! Parlamentares brasileiros só calam a boca quando acusados de alguma mutreta. Dentro das casas legislativas, os sujeitos vivem matraqueando, mesmo quando votações importantes estão na pauta. Pois no último mês, na Câmara de Porto Alegre, quem se irritou foi o lutador de muay thai Dida Diafat. Onze vezes campeão mundial, o atleta franco-argelino foi falar sobre a importância do esporte na educação de crianças. Tentou. Depois de ser interrompido pelo burburinho constante, reclamou dos parlamentares e saiu bem jururu do local. “Tive a sensação de que os políticos não se importam com as crianças brasileiras”, declarou Diafat. Não satisfeito em ser mal educado, o vereador João Dib também foi preconceituoso, dizendo não ser obrigado a ouvir um sujeito que não estava trajado “convenientemente”.

BOA

Tirou uma? void@avoid.com.br

MAMA CAVALO!

Foto de Clóvis Abraão Pahr clopahr@gmail.com

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NA PRIVADA DIEGO CASAS:

HC NO PEITO E NA RAÇA Por Felipe de Souza

O ARGENTINO DIEGO CASAS (A.K.A. DIEGUIS) TOCA NOS PROJETOS DE HARDCORE JERSEY KILLER E VENICE. AS TOURS QUE O CARA FAZ SÃO NO PEITO E NA RAÇA. NA MAIORIA DAS VEZES O SUJEITO VEM SEM A GRANA DA PASSAGEM DE VOLTA PRA CASA. PELO MENOS FOI ASSIM QUE FUNCIONOU EM AMBAS AS GIRAS QUE TEVE PELO BRASIL. Agora o Venice é um projeto multinacional. Você veio pra cá e chamou o Juliano Knela e o Luiz pra tocarem na banda... DIEGUIS: Esta é a tour póstuma da banda, porque o Venice morreu e nasceu o Jersey Killer. Vim mês passado tocar aqui com o Jersey, e muita gente ficava me perguntando do Venice, que na real é um projeto que tocamos somente quando há uma festa ou uma ocasião especial, algo entre amigos. E eu acho que o hardcore se tornou uma moda na Argentina. Todos os moleques usam as roupas, os tênis, mas nada de novas idéias. Então nos cansamos de tocar para esse pessoal. Agora temos uma formação estável, que conta comigo mais os caras do Inadaptadosss, mas tocamos apenas em festas fechadas, para amigos mesmo.

Bem, acabo de ter a notícia de que o Venice morreu. Quando ele nasceu? DIEGUIS: Começamos em 2002... Nessa época todas as bandas da cena soavam como Youth Crew. A gente tava de saco cheio de ir aos shows de hardcore. Era tudo muito monótono, com toda aquela gente moderna. Nós queríamos tocar o caos. Sabe aquelas bandas que escutávamos quando éramos mais jovens? Como Black Flag, Suicidal Tendencies... Então fomos atrás desses discos, escutar bastante tudo isso e começar a tocar igual. E por que Venice? DIEGUIS: Por causa da Califórnia, Dogtown, etc. Mas não fomos nós que criamos o nome. Tinha o Augustin, que era um skatista de Buenos Aires, que queria montar uma banda que se chamasse Venice, pirava nisso, mas não tocava nada. Um dia, falei pra ele: “Você é um bom skatista e isso já é legal. Nós precisamos de um nome para nossa banda, temos músicas e queremos gravar um disco”. Ele não tocava, nem cantava, mas era mais um integrante. Depois sumiu e hoje acho que é psicólogo.

*Leia a entrevista completa com Dieguis no www.avoid.com.br. 24


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BING, BANG

Por Lise Bing

TRALHAS

DE MICRO PARA MICRO Para os workaholicks de plantão ou para os gordinhos que querem um snack enquanto falam numa sala de bate-papo com o nick de “sarado25”: o menor microondas do mundo que tem entrada USB. Ainda é um protótipo, mas está sendo desenvolvido pelo pessoal da Heinz (a do ketchup) e da GAMA Microwave Technology. Mais informações aqui: http://newslite.tv

WEB

SITE DE IDÉIAS Um site em que o criador expõe o projeto e quem se interessar pode patrocinar: www.kickstarter.com

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VENHA PARA A LUZ, NERD

GUARDANAPO PARA GÊNIO

TE REBELA, GATA

Chega de incomodar os outros que querem dormir no avião enquanto você fica com aquela luz se fazendo de importante enquanto joga Paciência. Agora, com esta lanterna USB de LED que tem a haste megaflexível, você pode virar a luz para onde realmente interessa - e não, isso não inclui o decote da sua vizinha de poltrona. Bom, ou inclui, fica na sua consciência. Por US$9 no site www.biggerandbrighter.com.

Esse guardanapo é perfeito pra hora da fumaceira (ou bebedeira): você sempre acha que teve uma idéia que vai revolucionar o mundo e precisa pôr no papel. Custa £3,50 o pacote com 12. www.colinodowd.com

Se você, patricinha, quiser extrapolar numa noite, mas pôr pra fora toda sua revolta com o mundo mesmo, pode usar uma dessas meias-calças que imitam tatuagens. Criadas por Gabby e Tal, de Tel Aviv, cada meia custa de US$13 a 18 no www.etsy.com. Mas vá com calma, Pati. Imagina se depois você quiser fazer uma de henna! Bafo!

BLOG ENJOEI (E TÔ VENDENDO)

EVERYBODY LOVES KISS

O blog é ideal para quem enjoou de alguma peça e quer vendê-la. E também para quem quer comprar roupas e acessórios descolados a preços acessíveis: www.enjoei.com.br

Quem não gosta de beijo? Aff. Uma foto mais deliciosa que a outra. Beijos, beijos e mais beijos: www. everybodyloveskiss.com

VIU ESSA? As 101 (+41) coisas que você deveria ter visto na internet brasileira: www. vocedeveriatervisto.com


Magma TEXTOS E CURADORIA: Ana Ferraz e Pexão

PRINT LIBERATION

MOCCA MoCCA é a sigla para Museum of Comic and Cartoon Art, um museu em Nova York inteiramente dedicado ao tema. O espaço foi criado buscando promover o conhecimento e a apreciação das histórias em quadrinhos e desenhos em geral, de animações a ilustrações editoriais. Anualmente rola o MoCCA Art Festival, uma feira que junta grandes nomes das histórias em quadrinhos e que esse ano contou com Adrian Tomine e Gary Panter, além de artistas gráficos de outras áreas, como a Tara McPherson e seus pôsteres de rock serigrafados. O festival também abre espaço para estudantes, como aconteceu na última edição, em que rolou uma parceria com a faculdade de ilustração Parsons (NY). Entre a galera da Parsons estava Katie Turner, nossa convidada desta edição para ilustrar o Magma. Ela estava vendendo sua última criação: Feel Flows, um fanzine inteiramente serigrafado em três cores que, aberto, vira um pôster. O zine (na imagem acima) é baseado na música de mesmo nome dos Beach Boys.

Info: www.moccany.org 28

Já que estamos falando de serigrafia, esse é um livro dedicado a essa arte e à maneira independente de imprimir, lançado pelo estúdio criativo americano também chamado Print Liberation, dos designers Jamie Dillon e Nick Paparone, em uma parceria com Lauren Jenison, mestre na impressão de tecidos. Em vez de um manual técnico e chato, Print Liberation é bonito, usando o melhor da estética “falhada” desse meio, e busca a solução mais fácil para cada superfície de impressão, sejam camisetas, pôsteres, caixas ou até paredes, principalmente usando apetrechos que todos temos em casa. A publicação traz também belas imagens de cartazes serigrafados, alguns fotolitos para começar a bagunça, e traça um breve histórico sobre a serigrafia, iniciando em 1500 a.C, quando os homens das cavernas usavam folhas de bananeiras recortadas para imprimir. Infelizmente o livro não foi publicado no Brasil, mas como ele é repleto de fotografias no estilo passo a passo, fica facinho entender. Visite o site dos caras para mais informações. Info: printliberation.com

9LI NO CONSÓRCIO

COMENDO SERIGRAFIA

A serigrafia tratada como gravura é uma das opções mais acessíveis para quem quer começar a colecionar arte sem se arriscar em grandes investimentos. São tiragens limitadas e numeradas, em papel de primeira, que hoje em dia são feitas por todo tipo de artista. Em Porto Alegre, é do Museu do Trabalho que sai boa parte das melhores serigrafias de arte, além de gravuras em diversas outras técnicas, assinadas inclusive por mestres da arte underground, como Fabio Zimbres e Jaca (essas já ficaram difíceis de conseguir e caras). Quem consegue elas primeiro e pelo menor preço (R$60) são os sócios do Consórcio de Gravuras, que nesse ano vão levar pra casa trabalhos de artistas como o subterrâneo Antônio Augusto Bueno, o cartunista Gilmar Fraga e Bruno 9li, estrela da arte urbana brasileira. Normalmente para ter uma obra original de 9li você teria que desembolsar algo em torno de R$20.000, então essa é uma oportunidade rara. E se o que você quer é aprender serigrafia, para fazer você mesmo suas prints, o Museu do Trabalho também é o lugar certo, oferecendo oficinas com o mestre Fernando Sefrin.

Elshopo é um coletivo fundado em 2001, em Grenoble, na França, mas que atualmente tem bases em Paris, Berlim e Tóquio. Misturando arte, design e negócio, o grupo leva a serigrafia para uma nova dimensão. Eles são conhecidos pelas serigrafias comestíveis, feitas em performances em que o mascote Chienpo (um cachorro estilo embalagem de salgadinho barato) imprime em crepes, usando danete como tinta, para o público degustar. Outros experimentos do coletivo incluem serigrafias em fatias de presunto e mortadela e... serigrafia em bundas. Com isso o Elshopo se diverte divulgando sua arte e o processo da serigrafia, mostrando como se faz ao vivo, inclusive em situações complicadas. Uma vez, serigrafaram cartazes no meio de uma manifestação em Bruxelas, distribuindo-os na hora . Dois exemplos de produtos que eles criam e vendem são as máquinas serigráficas, que vão de estilosas mesinhas-impressoras compactas até um violão que se transforma em impressora de CDs. Tudo está registrado no Elshopo Cabinet, o primeiro livro do coletivo que acaba de ser lançado, com capa serigrafada ao vivo em performances bizarras usando um híbrido de vaso sanitário com mesa serigráfica. Info: www.elshopo.com

Info: www.museudotrabalho.org


MAGMA

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CONVIDADO: KATIE TURNER INFO: katieturner.net

Merece essa pรกgina? void@avoid.com.br


InglĂŞs sem limites.

Você sabe que o inglês jå faz parte do seu dia a dia. Ainda mais para você que vive conectado na web. Por isso, a Cultura Inglesa oferece um curso que fala a sua língua. Aqui você utiliza as ferramentas mais modernas como o Projeto E-Board, um quadro interativo com atividades multimídia, presente em todas as salas. AlÊm disso, a possibilidade de intercâmbio faz com que qualquer aluno experimente novas culturas e desenvolva o seu inglês. Aqui as aulas são divertidas, interativas e diferentes de todas as outras. Venha para a Cultura Inglesa. Matricule-se jå.

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DOIS MESES DE FÉRIAS. FÉRIAS É UM CARRO DE TREZENTOS DÓLARES. Ó UMA BARRACA PEQUENA. Q UM COLCHONETE DE DOIS CENTÍMETROS Í DE ESPESSURA. UM FOGÃO Ã A GÁS, Á , DUAS PANELAS E UM KIT DE TEMPEROS TEMPEROS. UM BRASILEIRO E UMA BODYBOARDER URUGUAIA. PRANCHAS,, ROUPAS DE BORRACHA E VONTADE DE DIRIGIR,, MUITA. CINCO MIL QUILÔMETROS Q Ô PERCORRIDOS DE SALDO,, E UM MAPA ABSOLUTAMENTE MARCADO COMO TESTEMUNHA. TESTEMUNHA KIA ORA AOTEAROA,, BEM-VINDOS À ALUCINANTE NOVA ZELÂNDIA ZELÂNDIA. Â Por Rosi Lazaro e Norberto Ritter 33


RAGLAN,, WAIKATO 37°48’57.20”S 174°50’32.22”E

A maré esteve bastante seca hoje à tarde, e as rochas apareciam para fora d’água nos costões de Wainui Beach. Além de me acostumar a dirigir pela esquerda, e a deixar de lado a paranóia de roubo e violência do Brasil, estou sabendo que aqui a mudança de maré é de uns quatro metros. Impressionante. Muda tudo, incluindo, é claro, o surf, que parece um esporte de múltiplas variáveis (vento, maré, swell, bancadas e muito mais), ou um bingo. Hoje foi bingo de manhã, com maré média em Indicators, primeira seção da famosa esquerda de Raglan, com algumas ondas encaixando bem na bancada de rocha. Surfamos até os braços não agüentarem mais e a onda começar a ficar lotada. Também me acostumei que, salvando alguns moleques metidos a pro, todo mundo se cumprimenta na água. A Rosi pôs no fogo na panela, onde diz que fará os mexilhões que tiramos das rochas hoje à tarde. De uma cor verde esmeralda, eles são realmente enormes. Lá fora, o sol está se escondendo entre as montanhas e as ovelhas já se encostam à cerca para dormir. Soberba visual aqui das janelas da casa que alugamos nestes primeiros dias. Segundo uma receita à moda kiwi que ela acredita que vai funcionar, o molho leva vinho branco, alecrim, creme de leite, um pouco de pasta de tomate e limão. Tenho muita fome, multiplicada pelo esforço de escalar o Karioi esta mesma tarde. É o vulcão que faz sombra na cidade nos finais de tarde e o responsável direto pela formação da bancada de Raglan. Ele tem a forma de uma mulher deitada, e parece que há um monte de histórias malucas a seu respeito. Foram quatro horas de caminhada no meio do mato até alcançar o topo. A volta durou um pouco menos por ser descida, e não rendeu nenhuma história além de cãibras em locais que eu nem lembrava ter. Chego perto da panela e experimento o molho. Fácil vai ser me acostumar também ao fato de que os kiwis sabem como cozinhar mexilhões e fazer um bom Sauvignon Blanc. 34


PIHAMA,, TARANAKI 39°30’48.66” 173°54’39.89”E

Abro os olhos quando o sol já está queimando as pálpebras. O Norba ainda dorme sobre a grama, se cobrindo com o saco de dormir. Nem barraca armamos ontem, pois faz mais calor há algumas semanas, e então dormimos olhando para as estrelas. Viemos com o swell e a previsão de pouco vento, que prometia bom surf nas praias mais expostas de Taranaki. Lá embaixo, as ondas quebram contra o penhasco, maiores que ontem. Olho para o carro, e começo rir: a mulher de Singapura dos subúrbios de Auckland que nos vendeu nunca imaginou que chegaríamos até aqui. O nome da mulher era Leslie, de onde veio o nome do carro: Golden Leslie, em alusão também à cor dourada horrível que tem. Agora está num lugar um pouco mais alto, para o caso de ter que pegar no tranco, como vem acontecendo nos últimos dias. Faz alguns minutos, se escutou a caminhonete do fazendeiro, e logo depois os irrigadores do pasto começaram a funcionar. Tambos e mais tambos, vacas e mais vacas. E sempre o vulcão Taranaki, coberto de nuvens ou bem nítido como hoje. Às vezes aparecem algumas campervans na praia, toda uma instituição nacional nos verões dos kiwis. “Você é um carro sapeca”, digo baixinho para a Leslie, e só quero que ela pegue e que consigamos surfar à esquerda de Mangahumi, uns poucos minutos mais para o norte. Aí, bem na saída de um rio e com o visual incrível do vulcão na frente, pode ser que hoje esteja bem melhor que ontem. 35


38°3’0.65”S 178°22’10.63”E

Tenho que levantar o pé para o calo parar de doer. Bati-o contra a prancha no primeiro banho e vi estrelinhas. Esqueci de tomar o antibiótico hoje de manhã, e agora nem penso em tomar essa pílula louca que me faz enjoar, ter dor de barriga e me fez levantar ontem no meio da noite na barraca dizendo para a Rosi aos gritos “Alguém me envenenou, alguém me envenenou.” Ela riu, perguntando com seu espanhol dorminhoco “Pero quién te va a querer envenenar a vos, terraja!!”, e voltou a dormir enquanto eu saía para vomitar. O calo está no dedão, e tomara que a dor passe logo porque as ondas continuam boas. De manhã funcionou uma direita bem aqui na frente, e enquanto a maré baixa estamos nos dando conta de como vai melhorando e ganhando forma uma outra direita uns cinqüenta metros abaixo, com tubos em cima das rochas. O povoadinho lá longe é de casas baixas e tem uma igreja polinésia. Não existe água encanada em nenhuma casa na baía inteira, só na estrada, no meio dos pinheiros e das flores amarelas. Aqui embaixo da árvore, esperamos a maré dar as horas. Só um maori está lá fora. A família dele espera na praia, recolhendo mariscos e tomando banho de mar de roupa. Corpos amplos, sorrisos fáceis e olhos enormes. No caminho, quando perguntamos a uma mulher o que fazia com que ela mais gostasse de morar aqui, ela não hesitou em afirmar que eram os peixes e os mariscos da costa leste, e começou a falar de receitas maravilhosas, cobrindo às vezes a boca na qual lhe faltavam vários dentes. Com cuidado, boto mais silvertape no dedão e nos preparamos para entrar na água. As séries parecem entrar mais agora, ou talvez seja a rápida mudança de maré que nos dá essa impressão. Bingo.

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© BRIAN HERLIHY

WAIPIRO BAY,, EAST CAPE


GOUGH´S BAY,, CANTERBURY 43°48’31.58”S 173°4’57.37”E

Um gato branco e preto, muito pequeno, lança com precisão suas garras contra nossos tornozelos. Uncle Bob abre mais uma garrafa de vinho e continua a história de como a sua família, os Masefield, chegaram à península de Akaroa em 1863. Fala de um pai inglês, alcoólatra e louco, que enviou os seus filhos o mais longe possível para não ouvir mais falar deles. “A Nova Zelândia parece ser o mais longe que o seu tataravô conseguiu os afastar”, diz Marilyn, a esposa de Bob, que explode numa gargalhada. Os dois têm o rosto cheio de rugas do vento constante deste lugar e vermelho pelo bom vinho que começamos a beber pouco depois das seis da tarde. No meio da mesa, há um prato enorme com cordeiro assado, vegetais grelhados e salada da própria horta. Estamos aqui por pura casualidade, quando antes de abrir uma porteira para chegar às ondas decidimos que era melhor perguntar se podíamos ou não passar. Saiu então o Bob de um galpão, rindo dos “perdidos” e dizendo que aqui não era a Hickory Bay que procurávamos, e sim Gough’s Bay, propriedade da sua família. “Se quiserem, podem ficar em casa e jantar com a gente”, ofereceu depois de uma breve conversa em que ficou muito interessado no Brasil, perguntando pelas mulheres cariocas e pelo futebol. Ontem então surfamos nessa praia: zero crowd, só as ovelhas de sentinela nas encostas, e invadindo o espaço de uns lobos marinhos que olhavam das rochas. Quando saímos, o vento gelado e a perspectiva de ter que montar acampamento nos fez aceitar o convite. Enquanto Bob serve o vinho, falo para Marilyn que, se ela fosse esposa de fazendeiro no Uruguai, estaria na cidade jogando cartas e não aqui trabalhando. Ela ri de novo e me pergunta de que forma então iriam viver. Hoje fizemos parte da tosquia, o acontecimento anual chave da fazenda. Junto com os Masefield, três tosquiadores profissionais e mais um casal de holandeses que estava lá no mesmo esquema que a gente, viajando e trabalhando por cama e comida, demos conta da lã de umas quatrocentas ovelhas. Meu Deus, aquele cheiro de merda no ar e a gordura da lã nas mãos. O Norba se saiu bem levando as ovelhas até o galpão para os tosquiadores, e adorou mesmo quando mataram uma para a janta. Com a camiseta cheia de sangue, me contou o assunto com fascinação. Agora Bob propõe um brinde ao Brasil, e todos levantam as taças. 37


44°57’34.51”S 168°50’16.71”E

O avião é diminuto e as montanhas parecem ainda maiores quando as sobrevoamos. O velho Roger dirige o avião com segurança pelo meio das fendas entre a cordilheira neozelandesa enquanto Jessica, a copiloto, assinala o caminho a seguir. Vamos de Arrowtown, povoado emblema da febre do ouro na Ilha Sul da Nova Zelândia, até Big Bay, pico de ondas aparentemente legendárias aonde só se chega de barco, a pé ou de avião. Faz três dias que esperamos que as condições estejam boas para o vôo, acampados perto de Queenstown. O pequeno avião encontramos com dificuldade num potreiro perto de Arrowtown. Agora, Norba tira fotos, deslumbrado com a beleza dos picos nevados e as cores incríveis das montanhas. No meu colo, uma caixa com pequenos bolos decorados que serão presente para o Warrick, o surfista amigo que tem uma casa em Big Bay. Principal motivador desta aventura, ele insistiu até nos convencer a contatar Roger e voar para a região mais remota da Nova Zelândia. De repente, enquanto o Norba tira mais fotos, o avião que já enfrentava turbulência há algum tempo dá um salto no ar, e a caixa dos bolinhos se estatela contra o teto do aparelho. Bato com a cabeça e a câmera que estava na mão do Norba some. Roger não diz nada, e continua pilotando a avioneta que parece que vai se desmanchar. Só nesse momento me dou conta do medo, que tento afastar como se fosse uma mosca molesta. Pouco a pouco, começa a aparecer o mar entre as montanhas. Minutos depois, quando aterrissamos nas areias de Big Bay, após passar as ondas como se fossem uma maquete, a alma volta ao corpo. De trás das dunas, aparecem o Warrick e o Steve dirigindo um triciclo. Roger não desliga o motor. Baixamos as malas e as provisões bem rápido, e o aparelho acelera levantando areia, subindo e se perdendo de novo rumo às montanhas verdes.

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© WARRICK MITCHELL

ARROWTOWN,, OTAGO


MILFORD SOUND, SOUND, SOUTHLAND

© WARRICK MITCHELL

44°20’12.95”S 167°59’56.09”E

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Entramos no mar com o bote zodiac, junto com a correnteza do rio, deixando para trás as ondas que quebravam na foz de areia e pequenas rochas de degelo que vêm da montanha na primavera. É início de fevereiro e faz frio de inverno, e estamos todos abrigados com roupas de borracha, botinhas, luvas, capuzes, calças e jaquetas contra a água. Não quero nem imaginar o que deve ser isto em pleno julho. Há histórias de big riders kiwis que organizam expedições nessa época, desafiando o frio e a fúria do mar da Tasmânia para descer umas morras monumentais. O zodiac acelera e avançamos em paralelo ao istmo de areia que forma a desembocadura do outro rio onde surfamos. Faz frio e o vento sopra de sul, como sempre. Ficam lá do outro lado os golfinhos de água salgada que se acercaram curiosos do barco, e os milhões de pássaros que passaram por cima das nossas cabeças. No lado interno dos olhos, lembranças de tubos escuros e profundos de poucas horas atrás. As latas de feijão e massa foram fundamentais para lutar contra o frio e encarar a aventura de navegar três horas em direção ao sul, em alto mar e num bote inflável, para entrar no fiorde de Milford Sound pelo oceano para buscar gasolina no povoado mais próximo. Um pontinho no mar, e lá vamos! Chegamos à ponta do fiorde, e o que se abre na frente dos nossos olhos é uma sucessão infinita de costões rochosos, escarpas, quedas d’água e montanhas enormes e verdes caindo no mar turquesa. Por enquanto, os pelicanos vigiam o ar. De dentro de um luxuoso navio de turismo eu tenho certeza de que algumas pessoas nos vêem. Quantas delas trocariam o conforto daquele momento pela aventura que acabamos de viver a bordo do barquinho?


TE ANAU,, SOUTHLAND 45°25’37.56”S 167°43’31.15”E

Depois de dois dias caminhado pelo matagal mais fechado para voltar de Big Bay (dessa vez com itinerário terrestre), atravessando montanhas e alguns rios, o corpo só pede descanso. Estamos parados na estrada, perto de Te Anau. Mais calos nos pés, fome de alguma coisa que seja fresca e não enlatada, e milhões de picadas de sandflies (as moscas demônio da costa oeste) em todo o corpo. Os carros passam e ninguém se compadece deste casal com duas mochilas enormes e pranchas no meio do nada. É um cruzamento de caminhos ao melhor estilo filme americano, e a lembrança da última noite no refúgio da trilha me faz ter saudades de uma cama e vontade de pegar o nosso carro já mesmo. De repente, na nossa frente, pára um tremendo Chevrolet anos 60, vermelhão, que parece também saído de um filme. Dentro, cinco adolescentes “dando um rolé” de domingão. “Wanna a ride?”, pergunta a motorista, única que bebe refrigerante num carro lotado de garrafas de cerveja. A Rosi vai na frente, e eu vou atrás com os dois estudantes de engenharia e o açougueiro da cidadezinha, que se diverte jogando garrafas vazias contra as placas da estrada. É o jeito deles de serem malvados e rebeldes. Começa a tocar AC/DC no último volume, e quando me dou conta já bebi umas quantas garrafas daquela cerveja escura do sul. A motorista continua com a lata de coca-cola e dirige feito um ás do volante no meio daquelas montanhas. Lembro de tudo o que estes olhos viram, e tanta velocidade dá um pouco de vertigem. Rosi tira uma foto e o açougueiro faz cara de vilão.

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NA ESTICA Por Denise Rosa e Gabriela M.O.

PARA O INFINITO E ALÉM

PENNY LANE IS IN MY EARS Além da famosa canção dos Beatles, ela dá nome a uma loja paulistana. A marca Penny Lane é dedicada às mulheres apaixonadas por bolsas, calçados e acessórios. Ou seja, praticamente todo o público feminino mundial é cliente em potencial, já que a marca oferece produtos para todos os estilos, do punk ao pop, do clássico ao alternativo. Suas coleções são desenvolvidas com base nas tendências internacionais destinadas à diversidade de gostos da mulher con46

temporânea, dando opções de produtos em tecidos ecológicos e politicamente corretos. A inovação é que a Penny Lane assegura às suas clientes a aquisição de peças praticamente exclusivas. E a estrutura das lojas, localizadas em São Paulo, é aconchegante e delicada. Mas como também tinha que ser, a marca vende online pelo site. Lá, disponibiliza bijuterias, mochilas, nécessaires e moda praia. Info: www.pennylane.com.br

A contagem regressiva da campanha Jorney Beyond, assinatura que a luxuosa Louis Vuitton vem utilizando há um ano, acaba no dia 2 de julho, data em que promete lançar o projeto. Não espere atrizes famosas nem modelos magérrimas vestindo os itens da grife francesa. O interessante do projeto é que os rostos em destaque são de personalidades universais. Entre elas, a primeira mulher no espaço, Sally Ride, o segundo homem a deixar sua marca na lua, Buzz Aldrin, e Jim Loveel, comandante da Apollo 13. Todos astronautas. Com uma direção de fotografia elegante coordenada pela americana Annie Leibovitz, o último vídeo carregado na internet para promover a LV homenageia o aniversário de 40 anos da missão Apollo 11, quando, em 20 de julho de 1969, a imagem de Neil Armstrong pisando na lua mudou a história da humanidade. A agência por trás do projeto é Ogilvy Interactive Paris. Mas o vídeo é só o que vem pela frente. Info: www.louisvuittonjourneys.com


FASHION LINKS

AMY WINEHOUSE NA PPQ

OS ACESSÓRIOS DA OLIVIA

OVERDOSE & OVERSIZED

Ainda sem previsão de lançamento, as vendas serão feitas somente online no site da PPQ, marca entre as favoritas de Adele e Lily Allen.

Há pouco mais de dois anos, a parceria entre Mônica Moura e Maria Alejandre Ferres rendeu um ateliê de experimentação, em que as amigas criam acessórios como colares, faixas, bolsas e chapéus, além de uma variedade de “presentinhos” originais feitos pela Galeria de Criações. Os produtos fizeram tanto sucesso que nasceu a marca Olivia de objetos e artigos superfofos . Cada exemplar é exclusivo, e os modelos têm quantidades limitadas. A produção é artesanal, delicada e criada em pequena escala. A marca também produz peças personalizadas sob encomenda, como handbags, lembrancinhas e brindes para eventos. Para adquirir, só pela internet, em um novo conceito de venda, o “Merché Olivia”.

Info: www.ppqclothing.com

Info: www.oliviaacessorios.com.br

A etiqueta Cassette Playa, da estilista extravagante Carri Mundane, já fez fama vestindo a cantora M.I.A. no início de sua carreira, montando looks para a artista nos clipes das músicas Galang, Bird Flu e Boyz. Carri uniu-se numa parceria de sucesso à Nike em 2008 no desenvolvimento da edição especial e limitada do Blazer, e repetiu a dose na edição premium do conhecidíssimo Dunk Hi, em abril de 2009. Popularizou sua marca registrada de cores intensas e estampas gigantes que mistura psicodelia com new rave. Com o nome feito, a estilista da grife que estreou na London Fashion Week em fevereiro de 2006 manteve-se fiel às características que lhe deram status e glória na sua nova coleção. São desenhos coloridos e brilhantes em camisetas oversized com uma pitada da década de 90.

A cantora que reafirmou o blues e o soul no mundo está concentrada em uma segunda carreira. Depois de brigar contra as drogas e a mídia, Amy Winehouse aproveita o tempo fora dos palcos e empresta seu nome para uma grife de roupas. Enquanto ela tentava manter a sobriedade e o penteado intacto, foi considerada ícone fashion pelos entendidos no assunto e convidada pela dupla Amy Molyneaux e Percy Parker, por trás da PPQ, para realizar uma parceria. O estilo retrô de vestidos coloridos e cintura marcada será referência para a linha que pretende contar com a participação atuante de Amy Winehouse. A também polêmica Peaches Geldof já havia desenhado peças para a grife.

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Voltado ao público masculino, o site Homens Modernos, desenvolvido por uma mulher, a personal stylist e consultora de imagem Diandra Fernandes, dá dicas de como eles devem ou não se vestir em determinadas situações. Mas o blog para metrossexuais ou para homens que querem fazer mais sucesso com as mulheres não pára por aí. A própria autora concorda que a imagem vai além da produção de um look e auxilia em doses homeopáticas na mudança de estilo de vida. Em posts divertidos, Diandra passa informações úteis sobre etiqueta, cuidados com a aparência, cultura em geral e até sobre como sobreviver a situações embaraçosas em que os homens se metem. Outra dica interessante na web para ficar antenado ao mundo fashion serve tanto para eles quanto para elas. Críticas de moda, novidades, música, cinema e artes, o My Cool ajuda ainda os internautas a manterem-se informados em primeira mão com uma linguagem bem humorada e irônica. Um coletivo independente de jovens do mundo inteiro, com colaboradores e info hunters baseados em Londres, Nova York, São Paulo, Porto Alegre, Hong Kong, Mumbai e Milão. O conteúdo está disponível em inglês e português. Info: http://homensmodernos.wordpress. com/ e http://mycool.com.br/


NA ESTICa

DANCIN' SHOES Se você conhece um pouco a noite diskorock já deve conhecer o DJ Schutz, produtor e residente da festa I Love Diskorock, uma das baladas que mais junta povo na cidade de Porto Alegre. Pois agora Schutz também é dublê de estilista de calçados. Foi ele que, junto com o pessoal da Diadora, criou a série especial e limitadíssima do tênis I Love Diskorock.Quer botar o pé num deles? Acesse o MySpace do cara: www.myspace.com/schutzdj

I LOVE YOU, NATURE!

BACK TO THE FUTURE Nada de pochetes ou balonês. O item da estação são as ombreiras, vindas direto do passado. Neste inverno, elas estão em casacos, jaquetas, blusinhas e até acopladas no sutiã. E quem saturou do acessório nos anos 80 pode ficar tranqüilo, pois a versão moderna é uma releitura das ombreiras tradicionais e está mais ligada à elegância e austeridade da moda dos anos 40 do que ao estilo over à la Miami Vice dos anos 80. Hoje, ela vem mais estruturada para deixar a mulher poderosa e com uma cintura afinadíssima.

Naturalmente rocker! Os lançamentos da King55 para as estações frias de 2009 mostram bem a cara da estilista Carol Caliman: vegan e roqueira. Carol é adepta do grupo que curte skinny, punk e hardcore, é baterista e mantém a marca junto com o pai, Amauri. O DNA também é fashion! “I Love You” é o nome da nova coleção da King55, resultado da soma entre nostalgia, romantismo e consciência ecológica com a mesma essência musical já característica da grife. O tempero do mix é a utilização de materiais alternativos na fabricação de camisetas e calças. Tanto as tees sustentáveis quanto os jeans de cós alto e a saruel masculina, prováveis hits da moda outono/inverno, são feitos a partir de uma preocupação ambiental. A consciência ecológica vai desde a produção manual sem a utilização de tecido animal à lavagem das peças, reaproveitando a água da chuva.

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CONVEXO NO PRAIA Tem novidade das ruas chegando ao Praia de Belas Shopping. A loja Convexo, uma das lojas mais bacanas de Porto Alegre para quem curte streetwear, acaba de abrir loja no shopping mais central da cidade. É uma versão redux da loja, mas com muitos acessórios bacanas Converse, Melissa e New Era. Passa lá para conferir. A loja fica no segundo andar, perto da Praça de Alimentação. Info: www.convexo.com.br

A Iódice é uma das marcas que aposta nos volumes estratégicos: peças de alfaiataria, tops e corselets, cintura marcada, silhueta slim e, claro, ombreiras. A inspiração vem das heroínas futuristas do filme Blade Runner, de Ridley Scott, numa mistura de tecidos clássicos, como gorgurão de seda e lã 120, jeans, couro e cashmere em muito preto. Blazers, jeans rasgados, neon e ombros mais volumosos são temmdemmsia!


NA ESTICa 1

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POR Denise Rosa e Gabriela M.O. FOTOS 1 Gabriela M.O. 2 Waldomiro Aita 3 Lucas Cunha

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VESTIDO PRETO AS MODISTAS VESTIDO BARBARA BELA PARA TWIN SET


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VESTIDO, CAMISA E JAQUETA COLCCI, SAPATO LOULOUX BLAZER, CALÇA E SAPATO ACERVO


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VESTIDO MARCELO QUADROS PARA TWIN SET E SAPATO LOULOUX BLUSA COLCCI, REGATA PAETÊ CONTE FREIRE, COLAR DE TECIDO AMANDA PY, CALÇA, SUSPENSÓRIO, CINTO E SAPATO ACERVO


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VESTIDO DE RENDA CONTE FREIRE, TRENCH COAT FAFA OLIVEIRA PARA CONTE FREIRE, SAPATO LOULOUX VESTIDO SANTA EPHIGÊNIA PARA TWIN SET, TÊNIS MISBELLA E BOLSA ACERVO


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SHORT COLCCI, BLAZER E SAPATO ACERVO BLUSA RENDA CONTE FREIRE, SAPATO LOULOUX, CALÇA E BLAZER ACERVO


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SHORT COLCCI, BLAZER E SAPATO ACERVO BLUSA RENDA CONTE FREIRE, SAPATO LOULOUX, CALÇA E BLAZER ACERVO


Mulheres peitudas, limousines brancas, botas de bico fino e calça fuseau (em homens), laquê no cabelo e maquiagem pesada (também em homens), Jack Daniels, cocaína e grana. Todos os elementos que montam um videoclipe de hard rock típico e folclórico fizeram parte da vida de Gilberto Barea, 39 anos, baterista da Rosa Tattooada. A banda, criada no fim dos anos 80, foi alavancada à fama depois da gravação do primeiro disco independente, que vendeu mais de 30 mil cópias só no Rio Grande do Sul, gerou tours que ultrapassavam fácil a marca de 100 shows por ano, isso só nos estados da ponta de baixo do Brasil, além de uma legendária sessão de autógrafos em um shopping da capital gaúcha, onde centenas de adolescentes entraram em frenesi. Resultado: dinheiro, mulher e farinha.

Pra vitaminar um pouco mais a sacanagem, a banda foi contratada por uma gravadora major, o que elevou ao cubo o estilo de vida rocker do sujeito. Porém, não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe, e Barea caiu das nuvens pouco tempo depois. De adolescente convidado a abrir a tour do Guns n’Roses para logo depois ser chutado da gravadora para dar lugar a Daniela Mercury, o baterista contou tudo pra gente, abrindo a caixa preta do hard rock. Se sua cabeça já estiver doendo agora, toma um analgésico que a ressaca aqui é bruta.


Void_ Como foi o início da Rosa Tattooada? Barea_ Eu era roadie dos Cascavelettes e um dia o Flavio Basso , que era o vocalista, falou para eu e o Jaques, que era o outro roadie, montarmos uma banda para fazer um show de abertura deles. Era uma época que a gente frequentava o Ocidente. Void_ Vocês eram todos moleques na época... Barea_ Sim, e a gente começou a ganhar grana muito rápido. Eu era roadie dos Cascaveletes e corria com os caras pra todo lado, operava um pouco, fazia luz... Fazia mais de cem shows por ano fácil, fácil. Tinha muita droga, muita cocaína. Muita grana, muita loucura... A gente tinha muito pouco compromisso. Porra, eu comia gente a rodo. O grande barato no lance do hardrock e no rock anos 80 de modo geral era que todo mundo tinha uma atitude muito extrema e ninguém era roqueiro de fim de semana, ninguém era mais ou menos. Todo mundo era drogado o tempo todo, de terça-feira a domingo. Void: Era o sonho de todo moleque... Barea_ Imagina, pra gente que era um bando de maconheiro, de repente começar a ir pra São Paulo, que tinha um circuito underground muito louco. O rock de lá era diferente, era tecnicamente mais raso e tinha outra retórica. Bandas como Ratos de Porão, Inocentes, Não Religião... Era uma coisa meio Dead Kennedys... Void_ Foi nessa época que o Rosa Tattoada começou a explodir também... Barea_ Isso! E a gente sempre teve influência direta do hard rock californiano.

Void_ Antes de ir pra São Paulo vocês fizeram um disco independente no Rio Grande do Sul, não? Barea_ Sim, gravamos esse disco e vendeu 30 mil copias muito rápido, era outra época. Gravamos em 1988 e o lançamento foi em 1989. E uma coisa legal é que quando a Rosa Tattooada foi criada, eu nem sei se o Guns n’ Roses já existia, pois a gente não teve eles como influência. O som das duas bandas era muito parecido pelo fato de a gente ter ouvido as mesmas coisas, tipo Motley Crüe, Kiss, AC/DC. Eram os sons que traziam muita adrenalina, muita euforia, de induzir a fazer o que era o maior prazer... Sair, se embebedar, comer alguém... Porra, fizemos orgias absurdas pelo estado inteiro, em São Paulo também. Não tinha risco, naquela época era muito tranquilo. Sexo era algo muito fácil, pra qualquer artista que está no palco é algo muito acessível. Naquela época então, muito mais. Void_ Como foi depois de gravar o primeiro disco? Barea_ Assinamos com a Sony e o trabalho vendeu pra caralho. Que eu me lembre, lançamos o disco independente em 1989, assinamos com a Sony em 1990. Eles nos levaram para gravar no estúdio Nas Nuvens e o trabalho saiu em 1991. Se não é isso, é perto disso, não consegui registrar muito as datas em que as coisas aconteceram (risos). Void_ Vocês já chegaram como a menina dos olhos da gravadora? Barea_ Sim, chegamos como a grande promessa. Até porque o grande lance de vendas que estava rolando naquela época era o rock, o Guns n’Roses... O Aerosmith teve um reborn fodido também. O que a gente conseguiu no Rio Grande do Sul não foi brincadeira. Fizemos uma sessão de autógrafos no Shopping Praia de Belas pra muita gente, talvez perto de mil pessoas. 63


Void_ Foi nessa época que veio o convite pra abrir a tour do Guns no Brasil? Barea_ Isso, durante a gravação do disco, em 1991. O Guns tinha como exigência que tivesse sempre uma banda local abrindo os shows. Eles requisitaram, através da produtora da época, um material de cinco bandas que tocassem mais ou menos no mesmo estilo deles. Foram listados nós, o Viper, Yankee, e outras que não lembro. Void_ Mas o Viper era metal... Barea_ Sim, com uma temática musical totalmente diferente da nossa. Nos éramos muito californianos. Essas bandas que muita gente acha muito bagaceira, e que realmente são, têm um talento absurdo pra fazer essa dinâmica nos sons, pra música ter um crescendo constante. AC/DC que gerou isso. Os posers daquela época eram todos assim. Quiet Riot, L.A. Guns... Esses caras eram todos muito bregas, por serem toscos, essa coisa de rímel nos olhos, batom... Essa galera da Califórnia, por mais que tivesse postura glitter de cabelos com laquê e calça fuseau cor de rosa, comiam todo mundo. Nenhum deles era viado. O rock tinha o fundamento da diversão absoluta. Void_ Parece um lance meio ingênuo, de festa sem fim. Barea_ Sai, toma tua cerveja, pega umas minas, se diverte e só cuida pra não bater o carro na volta, porque provavelmente amanhã você vai fazer tudo de novo. Era como a gente vivia, e o mais legal era que no outro dia eu não precisava pegar uma mochila e ir pro colégio.

Void_ E como era esse disco que vocês gravaram no Rio? Tinha nome, era só de inéditas... Barea_ Não tinha nome, tinha umas músicas do disco independente e mais algumas inéditas. A música “O inferno vai ter que esperar” acabou sendo regravada. Essa música foi recorde de execução na Rádio Atlântida FM. Ficou durante um ano e cinco meses entre as mais pedidas. Void_ Puta que pariu, lembro que eu tinha uns 12 anos e isso tocava sem parar mesmo. Barea_ Sim! Aí o pessoal do Guns escutou nosso som e a produtora nos chamou. Num primeiro momento dissemos não. O convite rolou dentro do estúdio, numa noite regada a uísque e cocaína. Teve até um executivo da gravadora que saiu de quatro de dentro da sala, literalmente rastejando de tão bêbado. O cara enlouqueceu a ponto de não conseguir mais caminhar. A gente se ligou que não ia ter condições técnicas de fazer. Aí o cara nos deu uma folha de papel e mandou escrever tudo o que precisaríamos pra subir no palco. Void_ O dinheiro que as gravadoras tinham naquela época permitia os caras fazerem de tudo, não? Barea_ Naquela época tinha os esquemas de gravadora. Os volumes de venda eram tão grandes que você chegava num hotel e tinha os acertos. Todo mundo sabia que as bandas não podiam marcar bebida alcoólica no consumo, então tinha uma mutreta de beber pra caralho e marcar como comida. Uma vez fizemos uma janta num hotel de são Paulo e cada garrafa

de ceva era marcada como três sucos de laranja. Quando o cara do departamento financeiro da gravadora viu a nota, veio me falar rindo: “Cara, vocês são nossa banda mais saudável. Tem uma nota fiscal de vocês aqui comigo em que constam três filés a parmegiana e 75 sucos de laranja” (risos). Essas coisas já estavam definidas no orçamento. Void_ Setenta e cinco sucos de laranja podem fazer tão mal quanto farinha, imagina a gastrite. E então veio o lance da abertura do show do Guns n’Roses. Barea_ Foram duas noites, uma no Anhembi, em São Paulo, e outra em Jacarepaguá, no Rio. Os caras foram muito receptivos, a produtora foi de um profissionalismo absurdo, até porque Axl Rose na época era Deus na Terra. Então a gente teve uma receptividade fodida, nos prepararam um palco legal. Imagina, você tem uns vinte e poucos anos e na tua frente tem 60 mil pessoas. É um impacto muito foda. Void_ E não amarelaram? Barea_ Não! A gente já tava num momento bom, tocando para grandes públicos. Subimos no palco muito afim, sem receio algum. Void_ Foi a época do auge, em que a banda estava com tudo em cima? Barea_ Altos hotéis, altas festas, entrevista prá revista Capricho, baladinha, ganhando beijinho da Rosana e da Xuxa... Void_ Caralho! Da Rosana? Barea_ Sim! Ela é muito esquisita, a cara dela parece um totem da Ilha de


Páscoa, é uma cara quadrada. No mais, tomávamos Ballantines na piscina do hotel, a duas quadras do mar, ganhando equipamento a rodo. O pessoal da gravadora chegava com umas guitarras pra gente dar uma olhada, várias vezes vi os caras da banda despachando as guitarras, dizendo que não tinha nada bom ali (risos). Pra abrir a tour do Guns pedimos o mundo. Doze caixas Marshall, etc. Depois começou a chegar guitarra e o escambau pra gente escolher. Rolava uma papagaiada gigantesca, uma mídia foda. Em dois dias nos ligaram avisando do embarque para São Paulo. Iríamos conhecer os caras do Guns, dar entrevistas e fazer os dois primeiros shows. Void_ E vocês ficaram no mesmo hotel da turma do Axl? Tiveram contato direto com os caras? Barea_ Eles ficaram no Maksoud Plaza e nós num flat ao lado. Naquela época fecharam o bairro inteiro pros caras, causaram um transtorno... Não tivemos tanto contato com eles, mas com a produção do negócio todo. Eram umas 200 pessoas. Tinha um centro de imprensa gigantesco. Na época não tinha internet, só fax. Então era aquela porrada de aparelho de fax, aparelho de telefone, barraca de merchandising, heliporto... Enfim, a porra toda. 67


Void_ Você chegou a ter acesso ao camarim deles? Barea_ Meu, tu não acredita. Dentro do camarim dos caras tinha uma fonte d’água, com peixinho saindo água pela boca. Tudo isso parecia folclórico, mas tu chegava lá e tinha uma sala fechada com parede pré-moldada, um pôster do Jimi Hendrix na parede e uma mesa de vidro que nego ligava na tomada, esquentava e metia o pó pra cheirar em cima. Na época o Axl tava casado com a Stephanie Seymour, modelo que aparecia no clipe de “November Rain”. Ela circulava perto da gente, com um vidro de pó numa mão e uma palheta na outra, cheirando que nem uma doida. Void_ A essa altura do campeonato vocês já tinham conhecido os caras... Barea_ Sim, os conhecemos uns dois dias antes disso. Ficamos tomando umas caipirinhas no bar do hotel. Eles tavam vindo da Colômbia e tinham muito pó. Inclusive deu uma merda grande porque a mulher de um deles deixou um vidrinho de cocaína no bolso de uma calça e botou pra lavar. Ai já sabe né, a camareira pegou e deu rolo, fez um barraco. Void_ E como foi a primeira noite? Correu tudo bem ou deu algum rolo nas apresentações? Barea_ Foi foda, Anhembi lotado, umas 70 mil pessoas. E deu rolo, sim! Em um dos shows uma mina jogou uma jaqueta de couro no Axl e ele parou tudo bem no meio de “Paradise City”, mandou tirarem a mina do show, o público jogou pedra no palco... Na outra noite também. Eles terminaram a tour meio queimados com a galera daqui. Mas nesse dia, lá pelas

16h, nos chamaram porque os caras queriam nos conhecer. Era o Gilby Clark, pedindo pra ver nossas guitarras, tocou um pouco, bateu um papo e caiu fora. Durante a tour, em todas as noites, a produção deles mandava uma garrafa de uísque e duas caixas de Heineken. Void_ E pessoalmente, o Axl era temperamental e xaropão? Barea_ Não, na verdade ele era um baita marqueteiro. Ele era muito comum. Atrás dos tapumes ficava tranquilo, de capuz na cabeça. Mas quando via que chegava alguém da imprensa ou qualquer movimentação diferente ao redor, a fisionomia já mudava, ele fazia um teatro. Era o que esperavam dele e ele fazia muito bem. Void_ Vocês chegaram a sair na noite com os caras do Guns? Barea_ Não. Eles eram muito cercados por todo o lado. Quando estavam no backstage, ficavam de boa, batendo papo. Na noite seguinte, São Paulo, a previsão era de chuva e os caras deviam ter se estourado depois do primeiro show. O Axl tava muito mau humorado, ficou puto porque o patrocinador do show colocou um helicóptero com a marca. Foi nessa noite que rolou um lance surreal. No meio de um solo de guitarra, o Axl saiu do palco e foi lá pra trás, onde a gente ficava vendo o show com as esposas deles. Ele chegou na frente da Stephanie Seymour, com aquela bermudinha de lycra, tirou a pica pra fora e a mina bateu uma punheta pro cara ali, na frente de todo mundo! Na frente dos técnicos, das mulheres dos outros caras... Naquela noite ela cheirou todas. Daí os caras compraram essa briga com o helicóptero do patrocinador,

o Axl saiu do palco e um tradutor foi falar com a galera. Um lance ridículo, que hoje em dia seria impensável. Aí olha a cagada que o cara faz: foi e pediu pro tradutor dizer que, graças à imprensa, São Paulo tinha se tornado um dos lugares mais desagradáveis de se estar. Bem, depois disso a galera tocou tudo em cima do palco. A sorte foi que eles tinham tudo duplo, desde o palco até os instrumentos. Void_ E sobrou pra vocês também? Barea_ Jogaram pedras no nosso camarim, foi foda. Mas saímos dali com nossos dois Opalas Comodoro marrom e um pacote de cocaína. Fomos pra outra festa gigantesca. Em são Paulo tinha uma rua que numa esquina tinha um bar chamado Nova York e na outra esquina tinha o bar São Paulo. Aí a rua fechava e ficava só a galera do hard rock, só os cabeludos, um monte de carro estacionado. Tinha uma mina ninfomaníaca que eu e o guitarrista passávamos a noite inteira fodendo, de tudo quanto é jeito e quantas vezes quisesse. Era doido, coisa absurda. Nessa noite comi duas minas no quarto do hotel, fiquei até de manhã com elas e só saí do quarto pra pegar o avião e ir tocar no Rio. Void_ E no Rio as coisas aconteceram nesse ritmo de demência também? Barea_ No Rio, não. Os caras estavam cansados pra caralho e nós também, porque sabíamos que seria nossa última noite naquele conto de fadas e já tava todo mundo acabado de festa e de droga. O pessoal da técnica deles usava camisetas com uma fita tape grudada onde eles escreveram Send

“EU LEMBRO DE UMA OCASIÃO EM QUE EU ESTAVA TÃO LOUCO HÁ TANTO TEMPO QUE EU SIMPLESMENTE ME OLHEI NO ESPELHO E ME DESPEDI DE MIM MESMO.” Me To L.A. Mas o show foi foda! Um pouco antes de entrar no palco, uma amiga minha foi me ver no camarim. A mina me levou pro banheiro com um pacote de cocaína e uma garrafa de Jack Daniels. Porra, aquilo foi uma viagem expressa pro inferno. Em questão de segundos eu já era outro cara. Tocamos muito bem. Tanto que, meses depois, fomos dar uma entrevista para uma radio do Rio e o locutor falou ao vivo que nossa apresentação tinha sido mais competente do que a do Guns n’ Roses. Ouvir isso ao vivo é muito louco, até pensei comigo mesmo: “Se isso é verdade eu to ganhando pouco” (risos). Void_ E a ressaca dessa parada toda já começou logo após o show do Rio? Quanto tempo passou desde o auge ao lado do Guns n’Roses e a rescisão de contrato com a Sony? Barea_ Porra, meses! Talvez um ano. Aí a gente começou a se afundar. Numa gravadora da dimensão da Sony, nego não quer saber nem teu nome. Eles querem saber é quanto de faturamento você pode gerar. E a verdade é que lá dentro o cara tem que ter um padrinho para batalhar pelos seus interesses. Como nosso padrinho foi convidado a 69


trabalhar no exterior, o cara que ficou no lugar dele chegou já com os artistas que ele tinha descoberto, que eram Daniela Mercury, Skank e Gabriel O Pensador. Fomos deletados. Tínhamos inclusive uma música nossa, Virando Dias e Noites, que ia virar trilha de novela, mas aí, com essa mudança, já não rolou mais nada. Void_ Mas vocês foram totalmente inconseqüentes ou chegaram a guardar uma grana? Barea_ Na real a gente conseguiu manter um dinheiro guardado porque pagávamos pouca coisa do próprio bolso. Depois de ser chutado da Sony, onde a regalia rolava solta, fomos para a Paradoxx, onde a mordomia diminuiu bastante, mas mesmo assim ainda rolava. Void_ E foi nesse clima que o disco que vocês gravaram com a Sony foi lançado? Barea_ Cara, na manhã do dia do show

ELE CHEGOU NA FRENTE DA STEPHANIE SEYMOUR, COM AQUELA BERMUDINHA DE LYCRA, TIROU A PICA PRA FORA E A MINA BATEU UMA PUNHETA PRO CARA ALI, NA FRENTE DE TODO MUNDO! 64

de lançamento, que rolou no circo voador, a porteira veio nos entregar uma correspondência. Dentro do envelope estava o termo de rescisão do contrato. Void_ Porra, será que eles não poderia ter escolhido outro momento? Barea_ Eu acho que foi proposital, uma atitude simbólica deles, de acabar com o mal com um golpe só. E um termo de rescisão você tem que assinar, não tem choro, foda-se. E a gente ficou sem gerar grana, sem tocar. E fazendo balada toda noite. Nessa época eu comia uma mina que era tequileira de um bar, a mulher até posou pra revista Vip, era linda. Esse pico que ela trabalhava era doido, o banheiro do lugar era coletivo, homem e mulher junto e tinha um barman fazendo drink pra galera. Eu comi metade da mulherada que frequentava. A outra metade que eu não comi eram as pessoas que cheiravam junto comigo. Void_ Vocês se foderam no Rio e não queriam voltar pro Rio Grande do Sul? Barea_ Não, não queríamos. Até porque nos queimamos aqui no mercado, as pessoas viam que a gente tinha abandonado a cena local. Decidimos ir para São Paulo, onde rolou muita merda. Descolamos um apartamento com duas minas, uma era garota de programa do estilo dominadora. Muito louca, enfiava cocaina pelo cu. Void_ A mina cheirava farinha pelo cu? Barea_ Sim, o cu é mucosa igual ao nariz e a garganta, dá o mesmo efeito. Fomos pra esse apartamento e o dono era traficante, o cara gostou da gente e

nos dava cocaína toda vez que a gente ia lá pagar o aluguel. Ele tinha tele-entrega de coca, era um cara da madrugada, um sujeito muito estranho. Era uma energia, não uma pessoa (risos). Void_ Nessa época vocês devem ter conhecido vários desses personagens da madrugada, uns caras vampirescos... Barea_ Vários. Tinha muita briga, coisa de quebrar um bar inteiro. Eu pegava pó atrás do aeroporto de Congonhas. O fornecimento era rápido e prático. A cocaína vinha dentro de uma embalagem ziploc, um lance muito industrial e muito mais barato. Com dois saquinhos de R$10,00 eu ficava cheirando dois dias. Void_ E você nunca teve problema de saúde sério por conta disso? Barea_ Tive cálculos renais. Imagina, era muita cocaína e muita bebida destilada e quase nenhuma comida. Eu não bebia água, era só ceva e gin. Void_ A diferença de estrutura da Sony para a Paradoxx era muito gritante ? Barea_ Porra, muito! Os dois Opalas Comodoro que nos transportava na Sony era um Fiat 147 da namorada do funcionário na Paradoxx. Decadência. O legal é que lá eles nos descolaram uns programas legais, como Jô Soares e Serginho Groisman. Mas a gente tava naquela merda toda, grana começando a acabar, meu nariz e meu rim destruídos e sem muita perspectiva. Num estalar de dedos o hard rock se tornou a coisa mais brega do mundo. Void_ Sim, até na época teve um

Hollywood Rock que veio o Nirvana, o L7 e outras bandas grunge que estavam estourando. Já era uma pilha totalmente diferente. Barea_ Pois é, eu lembro também. Mas pra nós aquela onda foi uma merda, o hardrock com aquela nossa roupagem virou uma coisa muito brega. Os jovens da primeira geração que a MTV criou no Brasil já estavam em outra. E a gente não ia se travestir de grunge nem a pau, embora aquele nosso disco Devotion tenha alguma pitada desse som. A gente gravou todo em inglês e todas as músicas falavam de droga. Aquele disco era um bode fodido, uma bad trip. Foi a ressaca do que a gente estava vivendo depois de passar anos drogado, anos com todo aquele glamour. Void_ Esse disco de vocês é doido, a temática dele é toda meio deprê. Barea_ Eu lembro de uma ocasião que eu estava tão louco há tanto tempo que eu simplesmente me olhei no espelho e me despedi de mim mesmo. Estava prestes a desmaiar e achava que provavelmente ia morrer. Caí e acordei horas depois, nem sei como. Void_ Esse foi o ápice da deprê? Barea_ Não. Teve outra vez que também passei dias cheirando. Nessa época eu namorava uma mina que era filha de um cara que manipulava jogos de loteria desportiva, uma gente brega pra caralho, mas podre de rica. Eu tinha estourado o carro dela num poste, tinha feito uma cagada gigante e depois de dias voltei para o meu apartamento sem dinheiro, sem pó, sem nada pra comer e não tinha a chave pra entrar. Eu lembro que me deitei no corredor escuro e comecei a chorar pra caralho. Sem ninguém pra


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Flavio Basso – integrante da banda Cascaveletes, que fez sucesso nos anos 80. Hoje atende pela acunha de Júpiter Maçã.

procurar, sem ninguém pra recorrer. Foi ali que decidi ir embora pra Porto Alegre. Void_ Nessa aí a banda foi pro saco? Barea_ Sim, acabou. Eu vim pra cá, outro foi morar em Nova York, enfim, a banda faliu. Então eu casei com uma coelhinha da Playboy. Ela era maravilhosa, ficamos oito anos juntos. Foi nesse tempo que comecei a trabalhar como técnico de som e a me envolver com estúdio. Void_ Trampar em estúdio e largar as tours foi uma maneira de se endireitar? Barea_ Sim, tive umas recaídas, mas foquei nesse lance de estúdio. Em 2003 fui para a Espanha gravar o som de uma banda de metal, como técnico de som. Por lá também fiz uma banda de black metal que era uma merda, uns caras estranhos que tinham um som satânico e excessivamente desgraçado. Era difícil até de conviver com os caras, de tão mórbidos (risos). Fumavam muito haxixe, tomavam muita birita. Void_ O haxixe da Espanha deve ser aquele que vem enfiado em cu de marroquino... Barea_ (risos) Sim! Quando o cara fuma haxixe na Europa, pode ter certeza que aquilo um dia foi vibrador de marroquino (risos). Mas esse trampo foi legal, ganhava uns 30 euros por hora. 72

Void_ E esse seu projeto de musica eletrônica, como surgiu? Barea_ Eu comecei de curioso, os solos de bateria da época da Rosa Tattooada já eram feitos sobre trilhas. Depois comprei um equipamento e fazia umas festas com amigos, umas festas de house e eletrohouse. Comecei a pesquisar uns sons, principalmente umas coisas que vem do Canadá. Depois de um tempo decidi colocar minha bateria do lado e tocar junto, fazendo Live P.A. Cara, quando eu comecei a tocar aquilo foi foda. Na Praia do Rosa foi louco. Em dois segundos tinha um monte câmeras me fotografando e filmando. Eu pensei comigo: “Porra isso vai dar grana!” Void_ E tá dando mesmo? Barea_ Sim, está muito bom. Em fevereiro eu já tinha data marcada pra dezembro. Isso nunca tinha acontecido em toda minha carreira.

_Acesse o www.avoid.com.br, veja mais fotos da época dourada do Rosa Tattooada e conheça o projeto de Live P.A. de Barea.


NA CAIXA POR LEANDRO VIGNOLI

LIGA ESTRAORDINÁRIA

© DIVULGAÇÃO

O bizarro Alan Moore entrou na produção dum audiobook, supostamente com ênfase autobiográfica. O escritor de Watchmen (entre outras pérolas das HQs) gravou duas horas de falação em Northampton, onde mora, e a idéia é que isso seja lançado junto com uma trilha sonora feita por caras como Mike Patton, do Faith No More, e dezenas de outros projetos (como veremos a seguir). Esse livro deve se chamar Unearthing, e deve conter duas histórias narradas por Moore, ilustrações feitas por ele, além da trilha. Todo o processo de gravação foi filmado, o que no fim das contas ainda pode render um grande cataclismamultimídia-nerd. O lançamento fica por conta do descolado selo inglês Lex Records, a casa de nomes como Danger Mouse, e está previsto somente para 2010. Até lá, aguardem muitos boatos e bizarrices via twitter e assemelhados.

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MUTANTES ATÉ DEMAIS

...QUE A FÉ NÃO COSTUMA FAIÁ

A principal banda brasileira da história, Os Mutantes, lança um disco de músicas inéditas no dia 8 de setembro. O álbum, que sai pela gravadora americana Anti (a mesma de Tom Waits), se chama Haih, e é o primeiro do grupo desde 1974. Entre as faixas haverá uma composição de Jorge Ben Jor, além de participações de Tom Zé e – ele de novo – Mike Patton, na música “Dois Mil e Agarraum”. No Brasil o disco não tem nenhuma previsão de lançamento, e o guitarrista Sérgio Dias é o único integrante da formação original, após a saída de Arnaldo Baptista em 2007. Atualmente, a banda conta ainda com o baterista Dinho Leme (que saía em turnê nos anos 60), a vocalista Bia Mendes, e quase uma dezena de músicos desconhecidos. Ou seja, apesar de ser super legal que a banda lance um disco de novo, a formação é tão falhada que certamente não faltarão trocadilhos maldosos com o nome deles.

Mês passado saiu na gringa uma coletânea do Faith No More chamada The Very Best Definitive Ultimate Greatest Hits Collection. Ao todo são 28 músicas, entre algumas raridades e lados B. Isso porque, pra quem está por fora, foi no mês passado também que a banda voltou aos palcos depois de 11 anos, num show no Brixton Academy (isso tem na rede em alta qualidade, moçada). Agora a grande notícia é que a banda está confirmada para tocar no Chile e na Argentina no fim de OUTUBRO (até o fechamento dessa edição, no Brasil tudo não passava de boato e, claro, muita fé). Apesar do aspecto de caminhoneiro pinguço americano, a formação do FNM segue intacta: Mike Patton nos vocais, Billy Gould no baixo, Mike Bordin na bateria, Roddy Bottum nos teclados e Jon Hudson na guitarra (já sem a sua clássica cabeleira). Andar com fé eu vou...


AS CABEÇAS DO METAL CABEÇA Se você curte som pesado, já passou dos 20 anos, não agüenta mais a mesma seqüência de clichês e acha ridículo todo aquele figurino, não desista. Há vida fora disso no metal. Principalmente na esfera de dois selos, que inovam na música, empreendem no mercado, e até articulam uma nova cena. Aaron Turner é o líder da banda Isis. Guitarrista, vocalista, produtor e artista gráfico, fundou a Hydra Head ainda no colégio, em 93. Espécie de raiz do chamado “post-metal”, de músicas longas, riffs densos e vocais urrados, o selo atrai em larga escala a atenção de bandas a fim de criar música diferente, mas, sobretudo, pessoas a fim de ouvir música diferente (o headbanger tradicional nem considera o subgênero como metal, o que é outro ponto a favor).

Stephen O’Malley é um dos cérebros do Sunn O))). Guitarrista, produtor e artista gráfico, em 98 ele fundou a cultuadíssima Southern Lord (ao lado do parceiro de banda, Greg Anderson). Expoentes do drone-metal, o som é ainda mais extremo e experimental, só alteração de ruídos sem qualquer melodia. Ainda assim, o selo é bem mais abrangente no campo do art-metal. Ambos, além de liderarem suas bandas e outras dúzias de projetos, fazem as capas e a arte gráfica de quase todo seu cast. Amigos, e não adversários nessa cena, existe vasta colaboração entre os selos, tudo em prol dum novo metal, mais artístico, menos clichê – e sem guampinha com a mão! Interessado? Então tome nota das principais bandas desse metal cabeça.

Boris: embora não pareçam, esses japoneses são meio que deuses na cena. Vão do experimental ao tradicional e até à ambient-music. Earth: pioneira nos 90s, é a one-manband de Dylan Carlson, conhecido por ser amigaço de Kurt Cobain, e err... vender a arma com que ele se matou. Isis: a melancolia veio do doom, as passagens longas do pós-rock, os vocais urrados do black, e claro, muitos riffs do... metal. É o pós-metal puro. Sunn O))): inaudível na estética, é preciso algo além pra sacar a intenção por trás da música (ou do experimento). Monoliths & Dimensions acaba de sair. Pelican: apesar de o som lembrar o pósrock do Mogwai e o visual uma banda de HC melódico, a banda é realmente fodona. Harvey Milk: agressivo, culhudo e macho pra caralho. Bem irônico, não? Jesu: metal com shoegazer, o que era lento e pesado ficou parado e imóvel. Wolves in the Throne Room: doom, black, drone e post-metal. Ou: demência. Khanate: o projeto paralelo de O’Malley usa down-tempos intermináveis e claustrofóbicos. Bastante assustador. Xasthur: black metal calcado só em climas e imersão. Pra escutar só de dia. 75


NA CAIXA

1001 DISCOS PARA OUVIR DEPOIS dE MORRER After the Rain Nelson

Claro que a pomposidade do rock de outrora proporcionava farinhadas em backstages, groupies mostrando tetas na platéia e muita grana. No entanto, proporcionava também coisas como os irmãos gêmeos Nelson. Olha a capa. Vista de relance, ela parece na verdade alguma campanha publicitária de xampu, condicionador e, CLARO, água oxigenada. Porém, olhada mais a fundo, o que ela lembra mesmo é a foto extraída de uma telenovela HOMOSSEXUAL, com o instigante título “Depois da Chuva”. E quando você ultrapassar a barreira da capa, o choque visual é substituído pelo auditivo. Além de milhões de pessoas poderem, sim, estar completamente erradas, elas estavam fora de si ou até ABDUZIDAS quando compraram esse disco em 91. Claro que todo o contexto da época favorecia. Aquela imagem bad-boy dos Guns, Skid Row e Bon Jovi associada à sua (vamos admitir) boa música, tudo

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aquilo fazia com que o inconsciente direcionasse sua atenção para todas as farofagens emuladoras, que não eram badboys e nem faziam boa música. Existiram milhares delas, mas os Nelson eram sem dúvida os piores. Principalmente porque pouco do que faziam lembrava rock. Pra começar, quase tudo no álbum eram baladas, ou, se preferir, “power-ballads”, que é como o pessoal do hard-rock disfarça de rock n’ roll uma baita merda sertanejística. Mas, entre a pior dessas piores coisas do álbum são as malditas harmonias vocais feitas pelos irmãos (por que raios alguém um dia inventou que gêmeos têm de fazer tudo do mesmo jeito?), que SEMPRE remetem ao ROUPA NOVA (com a desvantagem de nada parecido com a clássica “Whiskey a Go-Go”). Ou lembram algo ainda pior. Uma introdução como a de “More Than Never” tem um parentesco umbilical com qualquer arranjo de boy-band, e se

a música fosse do New Kids on the Block obviamente ninguém notaria a diferença. “(Can’t Live Without Your) Love and Affection”, o grande hit do álbum, é daqueles casos da pessoa olhar pra trás no tempo e perguntar: POR QUÊ?. Tudo bem, músicas ruins e clichês existem aos montes. Mas, por Deus, quantas delas têm um nome como esse? Dentro dum disco com uma capa dessa? Não faz o menor sentido pro ROCK como rebeldia estética. Agora o pior MESMO nem é o fato de a dupla ainda existir, mas o de a família Nelson estar no Guiness Book como única a alcançar o Nº1 das paradas em três gerações. Primeiro com os avós, Ozzie & Harriet Nelson, depois o paizão Ricky, e finalmente os oxigenados ali da fotografia. Ou seja, a menos que uma CARABINA faça o serviço nos filhos, o futuro é extremamente assustador.


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POR: LUCAS PEXÃO FOTOS: MAURICIO CAPELLARI

O R T I A L UD A M Fabio Zimbres mora em um apartamento que também é seu ateliê e biblioteca. É o lugar onde ele preserva e aproveita suas inúmeras coleções, e também onde cria uma coleção difícil de colecionar: o conjunto de sua obra em histórias em quadrinhos, ilustração, design gráfico, animação e arte. Sobre o que tem no seu ap, no geral estamos falando de papel, muito papel. Folhas soltas ou encadernadas de todas as maneiras possíveis, cheias de desenhos geniais dele e dos outros melhores desenhistas do mundo. Os desenhos vão das folhas para fanzines, revistas e livros, ou entram em envelopes que viajam o mundo, etc. Isso sem contar a função do computador, uma espécie de liquidificador gráfico nas mãos do artista, e de onde sai a trilha sonora perfeita para um lugar desses. Conhecer o lar de Zimbres ajuda a entender um pouco melhor como surgem suas idéias e traços atípicos, além de revelar pistas preciosas para entrar no universo da arte gráfica underground. Um mundo de papel onde ele reina supremo, bondoso e mocado.

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DIA M U R A G DE CHE GUARDAR O P E U Q I “SE DÊ PRA AS NÃO O Ã N E U EM Q VRO, M , PORQUE I L O T N A MAIS T R FORA IXAR A G O J M PENSO E RECIDO COM DE . VOCÊ SERIA PA ORRO NO LIXÃO L PELAS UM CACHSER RESPONSÁVE TEM QUE UE JUNTA.” COISAS Q 82


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COM TREVISTA N E A A CONFIR .COM.BR W.AVOID W W O N FZ 87


POR FELIPE DE SOUZA E TOBIAS SKLAR

CEGO É O CARAMBA Danilo Cerezini e Filipe Ortiz são os astros do recém-lançado nos EUA The Blind Video, produção da marca Blind. Além dos brasileiros, o vídeo tem partes com os skatistas norte-americanos Ronnie Creager, James Craig, Grant Patterson, Morgan Smith, o finlandês Jani Laitiala e os australianos Jake Brown e Jake Duncombe. O conteúdo das partes dos gringos está sendo bem discutida, mas o menino emo prodígio Filipe Ortiz não deixou dúvidas sobre por que está sendo tão bem falado no mundo. Você não pode piscar que perde alguma das dezenas de manobras metralhadas pelo curitibano, mesmo que o próprio tenha desdenhado um pouco da parte (principalmente por não ser o som que ele havia escolhido). Sendo assim, tire suas conclusões. Info: www.blindskateboards.com/ theblindvideo/ 90

© DIVULGAÇÃO

HURLEY JOEY RAMONE Essa é para o pessoal que surfa e anda de skate embalado pela trilha sonora de uma das maiores bandas da história do rock n’ roll. O que você faria para ter um produto Hurley-Joey Ramone? É a pergunta que a marca Hurley quer que você responda lá no site deles. Colocando a cabeça pra pensar e formulando alguma frase bacana, você se arrisca a ganhar um kit da coleção, com camiseta, moletom e adesivos. Mas se agiliza que as respostas devem ser enviadas pelo site até 25/7. Os ganhadores serão anunciados no dia 30. Info: www.hurley.com.br/giveaway.asp

COPA DO MUNDO E para quem estava com saudade – os europeus provavelmente não –, os brasileiros estão de volta ao pódio no Circuito Mundial de Skate. No TimTribu na Itália a festa foi grande, com a novidade de incluirmos uma menina entre o pessoal que levou os cheques da premiação. Daniel Vieira e Carlos de Andrade “Piolho” como de costume no Street. No vertical, Marcelo Kosake ficou em segundo. A paulista Alessandra Vieira foi campeã do street feminino e subiu ao pódio por mais três vezes: dois terceiros lugares no bowl e vertical, e segundo no overall.


SHIN SHIKUMA

RAMIRO FURQUIM

CC NICK NEWELL

COM QUE CÂMERA EU VOU?

GO SKATE BRASIL

AS 10 MELHORES ESSA É DELE DOS EUA

A data mais aguardada pelos skatistas no hemisfério Norte tem ganhado mais adeptos a cada ano aqui no Brasil. Pela diferença de estações (dia 21 de junho é o início do verão na parte de cima do planeta, portanto primeiro dia oficial do inverno aqui nas bandas do Sul), ainda tem muita gente que não está sintonizada com o evento. Mas, aproveitando o ensejo, muitos skatistas têm aproveitado o Go Skateboarding Day para botar a boca no mundo e reclamar melhorias em relação à prática do skate nas cidades. Por exemplo, no Rio e em Curitiba a skateada serviu pra chamar a atenção contra a destruição de pistas públicas. Em Porto Alegre, pela manutenção das atuais e pela pronta construção da nova pista, com dinheiro público já aprovado. Além disso, é claro, o dia serviu também para confraternização entre as pessoas que gostam de sair por aí embalando seus skates.

Para quem tem a possibilidade de dar uma viajada para os Estados Unidos durante as férias de inverno no Brasil, uma boa idéia é conferir a matéria “Ten Best Surf Towns in América”, publicada na edição de julho da Surfer. Os quesitos para ranquear os melhores lugares foram a qualidade das ondas (lógico), a cultura local e a qualidade de vida. No topo da lista está a californiana Santa Cruz, com seus 55 mil habitantes e picos como Steamer Lane (foto), Wadell Creek e Pleasure Point.. A havaiana Haleiwa ficou na segunda colocação, com seus swells nascendo em setembro e indo até maio. Um fator que pesou para o local ser considerado um dos melhores é o fato de o surf ser o life style de todos que vivem por lá, até mesmo daqueles que não surfam. O foda é que o site da Surfer não entrega todo o conteúdo, e você vai ter que morrer em uns R$45 por um exemplar na banca mais próxima. Info: www.surfermag.com

O skatista Laurence Reali é o novo dono da mesa de piquenique (obstáculo mais que clássico do skate street) oferecida no champ profissional “Essa Mesa é Minha”, realizado em São Paulo agora em junho. Pois bem, os paulistas tiveram a oportunidade de ver em ação grandes skatistas, como Diego Oliveira, Leo Giacon, Marcelo Formiguinha, Rafael Gomes e Rodrigo Maizena, no aprazível cenário do parque do Ibirapuera. Trinta skatistas foram responsáveis por combos e combos em um tipo de evento que já estava quase esquecido no Brasil. Afinal, o Circuito Brasileiro Profissional de Skate Street tem tido pouquíssimas etapas e quase exclusivamente no Nordeste. Resultado 1º - Laurence Reali 2º - Diego Oliveira 3º - Marcelo Formiguinha 4º - Rafael Gomes 5º - Leo Giacon 6º - Rodrigo Maizena

Por Tobias Sklar

Luiz Paulo Aladin é representante da nova escola do skate. Ele anda muito, procura inovação e evolução constantes. Para isso ele sabe da importância do registro das suas manobras. Há algum tempo ele vem adquirindo equipamentos de vídeo e fotografia. Numa conversa recente, resolvi pedir algumas dicas de equipamentos. Luz, câmera, ação... VX mil: A melhor câmera que já usei com certeza. Tem uma cor diferente das outras câmeras e é perfeita para filmar de dia. VX 2mil: Tem uma qualidade muito boa em ambientes com pouca luz, é excelente para filmar à noite. Canon HV30: A melhor e mais acessível câmera semiprofissional com qualidade HD. Canon 518 SV: Uma câmera Super-8 que filma num formato bem perto do que vemos no cinema. Nikon D300: Uma câmera bem rápida para fazer fotosseqüências. Para ver o LP Aladin em vídeo e foto, basta procurar nos links: www.capitalskateboard.com.br www.ous.com www.ciscoskate.com.br www.capitalskateboard.blogspot.com www.skateweb.com.br

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VOIDEANDO NEM TUDO PODE SER PIOR NOVO WWW. AVOID.COM.BR Você que achava o nosso website antigo uma bosta, você que nunca conseguiu pegar uma VOID na rua porque chegou tarde demais, você que mora nos cafundós da casa do caralho a quatro onde judas perdeu as ceroulas, você que não sai da frente do computador nem pra dar umazinha, você que adora aquele papo politicamente correto de que revista em papel é anti-ecológico, enfim, você, você, você e todos os outros vocês que tão sempre inventando uma desculpa pra não nos ler... RENDAM-SE!

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I SHOT MACUNAíMA Por Fabrizio Baron

“WINNERS DON’T GO TO WAR” Ia pro centro após as aulas. Os videogames que se tinha em casa naqueles anos eram, na melhor hipótese, uma vaga lembrança de um “fliper”. Era pivete fumando qualquer cigarro do chão, tudo doido de loló. Tinha uma tela enquanto as máquinas esperavam pelas fichas. Sobre o imponente selo do FBI, o slogan “Winners Don’t Use Drugs”. De uniforme do colégio e cercado pelos menores abandonados, que só tinham olhos pra carteira emborrachada e pro movimento daquela mão franzina de unhas cortadas, onde um Space Invaders completo “morava” dentro de um Casio. O walkman rodando A-Ha completava aquele quadro mal feito, incompleto e irreal. Voltava correndo a tempo do lanche da tarde: croissants recheados e Nescau. Era impossível não se sentir mal. Não culpa, mas questionamento: como um universo paralelo e invertido poderia coexistir a poucas quadras daquela moradia repleta de amor, cartuchos de Atari e peças de Lego? Com o tempo, o quadro ganharia mais drama. De pivetes a quadrilheiros, fliperamas transformados primeiro em lan houses – depois bingos. Pra piorar, os resultados daquela brincadeira de mau gosto que o pessoalzinho da redemocratização fez com a Constituição começavam a aparecer. Infinitos habeas corpus, sistema prisional já em franca decadência, grades e mais grades (pra humanos honestos), segurança privada, analfabetização 96

crescente, e claro: 100% de impunidade. E o serviço militar obrigatório, assim como o maldito voto também ainda obrigatório. Já cabeludo e desiludido, como escaparia do exército? Lembro de alguém lá dentro perguntar se eu gostaria de “servir meu país”, e ao responder todo sério que tinha outros planos pra vida ainda lembro do recalcado suspirando: “que filhinho de papai”. Depois, no dia do “juramento à bandeira”, liberado por “excesso de contingente”, em vez de cantar o hino, vociferava febril todo tipo de desgraça apocalíptica possível sobre aquela realidade doentia, antipatriótica e autoritária. Daquele dia em diante, jamais cantei hinos ou participei de folclores nonsense como “atirei o pau no gato” (que letra idiota) ou acreditei no ufanismo do “país do futuro”. É estranho, mas viver no Brasil significa viver em duas realidades que jamais se completam. São sempre dois passos pra frente e três (no mínimo) pra trás. Infelizmente a desilusão nunca passou, e neste instante só consigo adoecer, consumido pelo dark side ao saber que furúnculos como José Ribamar Ferreira de Araújo Costa Sir Ney ainda fedem absolutos na terra dos 80% de otários que aprovam muitos outros otários iguais ou piores, todos crias de pais vagabundos que, como naquele filme das Havaianas, ensinam o parvaredo: “ih, peraí, não é comigo, então que se dane!”. Holy fuck, e depois a culpa é do crack... por favor.

ELECTRONIC ENTERTAINMENT EXPO 2009 Foi de 2 a 4 de junho uma das maiores edições da maior feira do mundo dos games. Recorde de público e lançamentos, apenas alguns destaques do que rolou. Ringo e Paul apresentando o novo Rock Band: Beatles, da Harmonix, com direito a um Abbey Road completo no show floor. O guru Peter Molyneux surtando a audiência com um demo do que vai ser o Project Natal da Microsoft: sensores de movimento e interação cognitiva como reconhecimento facial e de voz. A Sony com o novo PSP Go, todo remodelado e com 16GB (mas preço maior), e o protótipo do motion control do PS3, embora ainda distante de um release comercial. Outros destaques de games: DJ Hero, Mass Effect 2, Scribblenauts, Left 4 Dead 2, Uncharted 2 e Star Wars: Old Republic, entre muitos, mas muitos outros.

ADEUS AIATOLÁS, VOLTEM PRO INFERNO Mulher baleada morre durante os protestos por liberdade no país dividido entre aquele filho do Hitler e um reformista moderado. É a internet furando o bloqueio da mídia estatal possuída pelo Alcorão. http://www.youtube.com/watch?v=bbdEf0QRsLM


RETORNO Temp.2 EP.5 Por: PDR e MAU

ELA TEM... MAMAS...

É AQUI... NOSSO POMAR DE AMOR...

HMMM... JÁ VI QUE VOCÊS PRECISAM DE UM QUARTO...

QUE TAL UM EMBALINHO ANTES??

TIRA O OLHO! VIEMOS DE MOTO...

AHHH...

AINDA NÃO SEI O SEU NOME...

BOLINA, MAS CHEGA DE PAPO... UHHHH!

É DOCE... GLUP...

POR QUE?

NOSSA QUE TALENTO, VOCÊ PODIA GANHAR DINHEIRO COM ISSO...

O QUE EU FAÇO AGORA?

USA O QUE A NATUREZA TE DEU... AAHHHH...

QUE OLHOS BONITOS...

BEM ASSIMMMM...

CONTINUA...

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© HB É UM PERSONAGEM ORIGINAL DA LAÍRTON REZENDE COMICS. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS, NÃO VAI QUE É FRIA.


VOID #050 - LÉGUAS DAQUI  

Revista Void. Edição #050