Page 1

Março / Abril de 2012

Página 1

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Niterói, março / abril de 2012 - ANO VIII - Edição 102

CLEPTOMANIA. DOENÇA OU DESVIO DE CARÁTER?

Página 13

AUTISMO, DIVERSIDADE E INCLUSÃO

MAÇONARIA EM AÇÃO Os Mestres da GLMERJ, Luiz Henrique, Cilênio de Souza e Reinaldo de Almeida, ladeando o sereníssimo Grão Mestre Waldemar Zveiter.

“Descomplicando o descomplicado”

UM MUNDO FELIZ SEM IMPOSTOS

Página 15

memória? O que são as lembranças? Página 5

Página 14

MAL DE ALZHEIMER – O vilão da idade O que é a

Página 4

Os grandes avanços científicos e tecnológicos são devidos, em grande parte à civilização ocidental.

Página 13


Março / Abril de 2012

Página 2

Editorial

-

D

estaque para a matéria relacionada ao autismo. Realmente os grandes avanços científicos e tecnológicos são devidos, em grande parte à civilização ocidental.

Inúmeras conquistas foram alcançadas e vocês poderão veri-

ficar algumas, através da coluna do dr. Geraldo Nogueira. (Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/RJ).

Basta ser advogado, acadêmico de direito, bacharel ou servidor da justiça do Estado do Rio de Janeiro, comparecer à sede do CAN e preencher a proposta de associado.

Venha Conferir • • •

Fundado em 28/07/2003, funciona na sede do CAN. Av. Ernani do Amaral Peixoto,507- 5º andar, Centro, Niterói, RJ CEP: 24.020-072 / Telefax: 2717-1062 / 2719-1801 www.clubedosadvogados-rj.org.br/can E-mail: can@clubedosadvogados-rj.org.br • Diretor Presidente: Reinaldo José de Almeida. • Diretor Responsável: Erasbe Barcellos (MT.24.670) • Redação: Reinaldo José de Almeida • Prog. Visual: Carlos Augusto (cel.: 8723-1024 - www.carlosaugusto.info) • Diretor Fotográfico: Roberto Carneiro - (Reg. Mtb 18.590) • Revisor: Alessandro Pinto de Almeida. Colaboradores: Homero Vianna Jr., Alessandro Pinto de Almeida, Soraya Taveira Gaya, Antonio Laért Vieira Jr., Vilmar Berna, Rosângela Moraes, Nylza Bellas, Márcia Silva, Álvaro Maia, Marcia Albernaz, José Marinho e José Alves. - Toda conteúdo é de responsabilidade de seus autores. Fotolito e Impressão: Gráfica Lance Tiragem desta edição: 10 mil exemplares Distribuição: Gratuita aos advogados, serventuários da justiça, orgãos do poder judiciário, entidades associativas e clubes filiados à ACAERJ.

• • • • •

Academia de Ginástica do CAN com Ergometria e Ginástica localizada, com profissionais de alto nível. MASSOTERAPIA: LUIZ PANTERA - Atendimento c/hora marcada, pelos telefones 3601-6968 ou 9284-8140. Massagens estética, terapêutica, desportiva e Relaxante, c/pedras quente e reflexologia. CANTINA - Encontra-se em funcionamento a Cantina dos Advogados, direção de Jorge e Erli, com o Buffet Sabor da Família Tels. 2629-4650 / 2620-5583 / 9182-6195, oferecendo almoço realmente caseiro e lanches, de segunda a sexta feira. Venha experimentar e comprovar a qualidade do atendimento. SALA DE EMBELEZAMENTO UNISSEX: SOB A DIREÇÃO DE WELL, com cabeleireiros e manicures de alto nível. TEL. 2620-4532. SALA DE EMBELEZAMENTO E ESTÉTICA: Agende agora. A avaliação é gratuita. ESTÉTICA: Depilação indolor; Maquilagem de todos os tipos; Eletroterapia; Rejuvenescimento com ácidos. SRA. ALBALENE TAMANDARÉ (Tels. 9527-5637 / 8600-0843) SHIATSU: Shiatsu com os pés descalços; Reflexologia podal; Facial. SR. IPÓLITO (Tel. 8757-5165) CONVÊNIOS – Estamos firmando diversos convênios com empresas, com intuito de alcançarmos algumas regalias para sócios do CAN e para os advogados inscritos na OAB/RJ. EXCURSÃO: Já estamos realizando excursões, viagens e turismo através do CAN. Informações pelo telefone 2717-1062.

CLUBE DOS ADVOGADOS DE NITERÓI » Fundado em 14 de Maio de 1984

Conselho Diretor: » Presidente: Dr. Reinaldo José de Almeida » Vice-Presidente: Cesar Augusto Valentim Meira » Tesoureiro: Dr Alencastro Araujo de Macedo » Secretário: Dr. Nicolas Archilia Daniel

Diretoria de Departamento: » Feminino: Dra. Celia Regina de Vasconcellos Soares; » Campestre: Dr. Julio Braga

Silva; » Comunicação: Dr. Erasbe Barcellos; » Cultural: Dr. Edson Gaudio Rangel; » Patrimônio: Dr. Paulo Cesar da Rocha Azeredo; » Social: Dra. Sandra da Silva Barbosa; » Jurídico: Dr. Marcos Werneck Salgueirinho;

Conselho Deliberativo e Fiscal: » Presidente: Gilmar Francis-

co de Almeida » Vice-Presidente: Alessandro Pinto de Almeida; » Secretário: Dr. Raimundo Afonso Martins Feitosa

Membros do Conselho: Clélio Ramos de Faria; Dilene Alves C. dos Santos; Nelson Fonseca; Francisco Paulino Campelo; Henrique Tostes Padilha Filho; Shubert Ribeiro da Silva; Wombeles Matosinho Curis;


Março / Abril de 2012

ACAERJ

Página 3

Dr Reinaldo de Almeida Presidente da ACAERJ

Associação de Clubes dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro www.clubedosadvogados-rj.org.br

ACAERJ – A LUTA CONTINUA. CARISSIMOS COLEGAS.

N

o dia 14 de maio estaremos comemorando o 28º aniversário de fundação do Clube dos Advogados de Niterói. As comemorações terão início no plenário da OAB/ Niterói, às 19:00h, oportunidade

em que estaremos homenageando alguns colegas que se destacaram como notáveis juristas no ano de 2011. Aproveitamos para lembrar que continuamos a receber inscrições para a prática de ginástica na academia do CAN.

EDITAL DE CONVOCAÇÃO 01 Clube dos Advogados de Niterói Assembléia Geral Ficam convocados estatutariamente, de acordo com as letras A e B e parágrafo único do artigo 8º, os sócios do CAN, que estejam em gozo dos direitos sociais, a se reunirem no dia 03 de maio de 2012, (5ª.feira), na sede administrativa, situada na Av. Ernani do Amaral Peixoto 507, 5º andar, Centro, Niterói, RJ, às 18:30h em primeira convocação com 1/3 do quadro social, e às 19:00h, e em segunda convocação com qualquer número, na forma do art. 20, letra A e Parágrafo 1º do Estatuto Social, visando a apreciação do balanço do exercício anterior e previsão orçamentária para o exercício seguinte. Niterói, 02 de Abril de 2012 Reinaldo Jose de Almeida ( Presidente do CAN )

EDITAL DE CONVOCAÇÃO 02 Clube dos Advogados de Niterói Assembléia Geral Ficam convocados estatutariamente, de acordo com as letras A e B e parágrafo único do artigo 8º, os sócios do CAN, que estejam em gozo dos direitos sociais, a se reunirem no dia 04 de maio (6ª feira), na sede administrativa, situada na Av. Ernani do Amaral Peixoto 507, 5º andar, Centro, Niterói, RJ, às 18:30h em primeira convocação com /3 do quadro social, e às 19:00h em segunda convocação com qualquer número, na forma do art. 20, letra B e Parágrafos 1º, 2º e 3º, do Estatuto Social, visando a eleição de (11) onze membros para compor o CONSELHO DELIBERATIVO e FISCAL, para o biênio 2012/2014. Os associados que desejarem participar do referido Conselho, deverão observar o Regulamento Eleitoral, expedido igualmente nesta data, e disponível na Secretaria do Clube. Niterói, 02 de Abril de 2012 Reinaldo Jose de Almeida ( Presidente do CAN )

Tribuna Livre

Antônio Laert Vieira Junior - Advogado laert@avlar.com.br

FRAGMENTOS DE CONVERSAS SOLO VI REITERAÇÕES DE UM RETIRO - “Se o corpo chamasse a alma a um severo tribunal de justiça, ele facilmente a convenceria de má administração”. Diógenes - “Não é muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear as coisas internamente”. Inácio de Loyola

H

oje senti um aperto no peito; uma amargura. Como sair da engrenagem do mundo para retirar-me a um lugar de silêncio, onde, há tempos estou marcado estar? As garras do mundo, os compromissos, as pendências, o black-berry, os e-mails, o celular, nada disso deixa-me realizar o propósito de, por apenas alguns dias, ficar isolado na alma; estar longe de tudo; afundar no buraco do silêncio à minha frente. A vida até parece estar fora de lugar. Preciso me desmobilizar de mim. Esquecer minhas engrenagens. Olhar-me no espelho. Entregar-me a essa experiência. Saborear essa pausa. Calar e repousar meus desejos. A sineta toca às seis e trinta e é tão sonora. Os pássaros piam e a cigarra faz ecoar seu canto forte. Tudo é harmonia e agora em mim um silêncio já se faz. A vida parece estar voltando pro lugar. Recolhemo-nos à cela às vinte e uma horas. Outra experiência de silêncio; de convivência com o nada e o tudo. Deus está aqui. Minha engrenagem tem agora outra rotação. A vida parece ter voltado ao seu lugar. Estou fora do mundo para a ele retornar bem mas forte, inteiro,

consistente, depois dessa imersão no silêncio. O dia corre rápido e lento. Estou agora no giro certo e sei que é no lento e na calma que as coisas ocorrem e acontecem. Um começo de saciedade toma conta de mim. Estou cem por cento aqui. Entregue interiormente à essa reflexão para saber mais de mim. Suprir e preencher as lacunas e os buracos de minha formação, é o que tenho procurado fazer. Encanta saber que tenho ainda tanto a descobrir e conhecer. O azul da borboleta se destaca sobre a franja verde que recobre a encosta. De longe, pode-se ver a harmonia desse sobrevôo. Nada muda ao redor. O silêncio permanece. A luz do sol aquece e ilumina, dando cor ao choque harmonioso do azul sobre o verde. Ficar em silêncio é, ao mesmo tempo: prazer e pânico; fertilidade e aridez; doce e amargo; luz e trevas; música e ruído; harmonia e desencontro. Enternece e excita; amedronta e abate. Ninguém é sublime as vinte e quatro horas do dia, nem totalmente divinizado. Vivemos nessa precariedade entre o que somos e o que desejamos ser.

As horas correm. Na cela vejo a mim próprio. Aguento a mim mesmo. Tudo isso, nesse silêncio propício para conhecer-me melhor e contemplar aquele tanto que me falta. Estou em paz, descansado, apaziguado e consolado pelo silêncio: “meu ser está tranqüilo no teu regaço Senhor”. Levanto da cama e tudo em torno a mim é silêncio. Um silêncio sonoro. Ouve-se apenas um barulho bom: o canto de cigarras e pássaros que compõem e integram essa harmonia do silêncio. Tudo é restaurador. Caminhamos para o fim. Daqui a pouco descerei a montanha e voltarei à vida real. O silêncio produziu seus frutos e retornarei melhor, mais equilibrado, refeito e preparado para os embates que virão. De vez em quando é necessário retirar-se; fazer essa experiência. Da mesma forma que os cegos e poetas vêem na escuridão; no silêncio ouve-se sons, manifestações e uma presença que não está no burburinho das coisas, no barulho da vida. Abrir espaço para essa presença do nada em nós é tudo. E o que se encontra quando se cala é um Tudo que fala mais que a palavra dita.


Março / Abril de 2012

Página 4

Observatório

Sidnei Nunes - Advogado - OAB/RJ 64.266 - ssadvogados2@gmail.com / (24) 2255-2127 / 2255-2135 / 8818-8245 / 8808-1556

“Descomplicando o descomplicado”

C

aros leitores, o mês de fevereiro não trouxe ao povo brasileiro somente o carnaval, a folia, como insistem em dizer uns poucos, que afirmam que durante o período momesco nada mais de importante acontece no país. Pregam, outros, que “o Brasil é o país do futebol e do carnaval”, vendendo a pueril idéia de que só essas duas grandes instituições representativas da “legítima alma brasileira” por aqui têm importância. Isso é um tremendo engano. O fevereiro de 2012 trouxe para nós cidadãos, que almejamos viver em um Brasil mais justo, onde impere a ética na administração pública, a esperança de que uma lei concebida no âmago de manifestação popular de descontentamento com os rumos da política, enfim servirá para depurar grande parte das casas legislativas e gabinetes executivos, infestados de agentes desonestos, verdadeiras pragas que corroem importantes alicerces da democracia. Graças ao Supremo Tribunal Federal - STF, que em decisão emblemática sobre a validade e imediata aplicação da “Lei da Ficha Limpa” - Lei Complementar 135/2010, em pleno período carnavalesco, no dia 16 de fevereiro passado, podemos orgulhosamente afirmar que o nosso país, que com o carnaval ajuda a tornar o brasileiro o povo mais feliz do mundo (segundo recente pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas), tem sim futebol, carnaval e um sistema legal que garantirá o seu ingresso, em curto espaço de tempo, no rol dos grandes e respeitados países, onde impera a ética no trato com a coisa pública. Se é otimismo demais isso afirmar, não sabemos, mas sabemos que efetivamente deu-se um grande passo para que a morali-

dade exigida como de observância rígida pela Constituição da República se observe doravante, como reflexo das próximas eleições, das quais estarão ausentes da concorrência, agentes políticos de diferentes matizes ideológicos, manchados pela verossimilhança (quase certeza) de que malversaram a coisa pública, ou não são dignos de ocupar cargos públicos por conta de desvios pessoais criminosos, declarada por órgãos colegiados do Poder Judiciário. E porque titulamos de “descomplicar o descomplicado” esta matéria? É porque sempre se vendeu a idéia de que mexer em princípios que garantem direitos individuais constitucionalmente elencados, como o “princípio de presunção de inocência”, é complicado, quando na verdade de complicado não tem nada, bastando que isso seja o reflexo

do que quer o povo brasileiro, do qual a Carta Política de 1988 se deriva e veio para servir, como é o caso da “Lei da Ficha Limpa”, que nasceu a partir de mais de 1,5 milhão de assinaturas dando apoio a sua aprovação, assinaturas essas que representam o pensamento da esmagadora maioria dos cidadãos honestos e ordeiros do país. Até que o STF se pronunciasse sobre afastar a presunção de inocência que socorria os interesses de políticos que concorrem a cargos públicos em eleições populares, mesmo tendo contra si declaração desabonadora emanada de algum órgão colegiado do Poder Judiciário, pairava sobre a nova Lei a desconfiança de que ela estava a relativizar tão importante princípio constitucional, “dando vasão a anseios populares” (como destacou o Min. Gilmar Mendes

em seu voto que declarava a inconstitucionalidade da lei), todavia, os sete votos favoráveis à íntegra do texto legal e à sua imediata aplicabilidade, afastaram tal desconfiança, valendo destacar, fazendo justiça ao brilhantismo do seu autor, partes do voto do Min. Ayres Britto - Vice-Presidente do STF, afirmando que “o seu consentimento à lei nasceu justamente da comparação da norma com sua matriz constitucional”, pois veio atender ao que dispõe o parágrafo 9º, do artigo 14 da Constituição que prevê que “Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade...”. Ayres Britto advertiu que a “nossa tradição política não é boa, mas péssima em matéria de respeito ao erário”. Mencionou que a origem etimológica da palavra ‘candidato’ guarda relação com ‘cândido’ e que ‘candida-

tura’ tem semelhança semântica com ‘pureza’, deixando aí transparecer a sua veia poética. O resultado final do julgamento acerca da constitucionalidade da “Lei da Ficha Limpa”, revelando um placar folgado a seu favor (7 X 4), demonstrou o que é muito simples, claro e descomplicado em nossa sociedade que é regida por uma Constituição democrática: que a idéia de se garantir direitos individuais não pode se sobrepor à idéia de se preservar direitos coletivos. E, se é verdade que construir uma sociedade livre, justa e solidária é um dos objetivos fundamentais de nossa República, barrar a candidatura a cargos públicos, de pessoas cuja conduta na vida privada ou pública já sofreu reprimenda judicial, é zelar pelo bem coletivo, servindo de bom caminho para se atingir tal objetivo.


Março / Abril de 2012

Página 5

Direito Tributário

José Marinho dos Santos

Advogado e Especializado em Direito Tributário

josemarinhosantos@ig.com.br / (21) 2621-0864 - (21) 9161-4723

UM MUNDO FELIZ SEM IMPOSTOS

O

mundo sem impostos e obrigações acessórias tributárias que estou me referindo é o mundo dos índios que outrora donos da terra chamada Brasil foram excluídos e hoje são tutelados ou coisa jurídica que o homem, dito civilizado, possa lhe atribuir. A Constituição de 1988, art. 232 assim dispõe: “Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo”. O referido artigo garante aos índios, entre outros, a possibilidade de recorrer diretamente à Justiça para defender seus direitos e interesses, porém com a intervenção do Ministério Publico em todos os atos do processo. Assim, ele torna sem efeito a mediação tutelar exercida pela FUNAI a partir de 1967. Por outro lado, ele remete em causa, o conceito de capacidade relativa dos índios que norteia o Código Civil e o Estatuto do Índio. Lendo o livro A História das Lutas do Povo Brasileiro de José Barboza Mello, fico constrangido em saber que à época do desembarque dos portugueses em nossas praias, existiam 76 tribos, divididas em cinco grandes grupos, que falavam 100 idiomas e dialetos. Esses índios viviam felizes com suas vidas simples e primitivas, ignoravam a miséria dos seus descobridores e exploradores. O belga Jean de Lery recebia do índio a seguinte resposta quando tentava convencê-lo das vantagens do comércio e da exploração de produtos naturais da selva e da lavoura: “Bem vejo que vós sois uns loucos; atravessais o mar com imenso risco de vida e grande incômodo e labu-

tais tanto com o único objetivo de juntar riquezas a fim de deixá-las para os filhos e parentes! Para que tanta preocupação? A terra que vos alimentou não será capaz de nutrir os vossos filhos e parentes? Nós também temos filhos e parentes, e amamos tanto quanto vós, mas temos a certeza de que,depois de falecermos, a terra, que nos forneceu o essencial para a vida, os alimentará também, ficamos perfeitamente descansados, sem a menor preocupação.” A vida dos índios era simples, mas existia a dignidade, a honra, eles não ambicionavam o que era dos outros. Já o naturalista alemão Von Martius baseado em seus estudos, garante que as tribos somavam-se mais de 250 e ele dividia em oito grupos de índios: tupis, jês, goitacás, kreus, cocos, parecis, guaicurus e arauaks. Por onde andam essas nações? Roubaram a bela, natural e pura cidadania indígena, sob a alegação da catequização falida e de uma inclusão social limitada e discriminatória, afastando o índio daquela felicidade natural e sólida que havia na sociedade indigina. No livro Ideologia e Política no Pensamento de José Bonifácio de Andrada e Silva, escrito por Vicente Barreto – Editores Zahar-1977, pág. 71, verifica-se na tradição política do século XVIII a idéia muito nítida da distinção entre homens. Essa constatação tem suas raízes na cultura ocidental, onde se transmitiu a idéia de que a escravidão “encarnava a irracionalidade e o caos do universo material” (David Brion Davis, the Problemof Slavery in the Age of Revolution 1770-1823, Ithaca, 1975, pag. 39). A desigualdade, por outro

lado, era entendida como consequência da própria natureza, não lhe sendo atribuída uma causa histórica. Aristóteles reconhecia que alguns homens eram marcados desde o nascimento para serem escravos de outros. (Aristóteles, Política, 1255 a.C.). Já na página 143 do mesmo livro, José Bonifácio compreendia que a corrupção e o luxo no Brasil tinham suas raízes na escravidão. Isto porque o dono de escravo contava com o tra-

balho gratuito e mantenedor de um nível produtivo, que lhe garantia a vida indolente e pouco criativa. Demonstrando assim, o argumento deque a preguiça do Brasil é que obriga a existência do trabalho escravo. Em conclusão indaga-se: Será que com essa carga tributária beirando ao confisco torna o povo brasileiro feliz ou feliz são os poucos abastados que centralizam toda riqueza nacional em suas mãos? Na realidade o res-

to da população é excluído. Em suma, os valores arrecadados dos tributos e sua aplicação não estão fazendo a maioria da população viver num paraíso. Daí surgiu a carência e consequentemente a violência. Essa tal felicidade existia nas nações indígenas antes dos colonizadores e exploradores invadirem o Paraíso dos índios. Faz-se necessário refletir sobre o que é civilização e para onde vão os recursos públicos arrecadados.


Março / Abril de 2012

Página 6

EU TE CONHEÇO? Num julgamento em Lins , o Promotor de Justiça chama sua primeira testemunha, uma velhinha de idade bem avançada. Para começar a construir uma linha de argumentação, o Promotor pergunta ‘a velhinha: -Dona Genoveva, a senhora me conhece, sabe quem sou eu e o que faço? - Claro que eu o conheço! Eu o conheci bebê. Só chorava, e francamente, você me decepcionou... Você mente, você trai sua mulher, você manipula as pessoas, você espalha boatos e adora fofocas. Você acha que é influente e respeitado na cidade, quando na realidade você é apenas um coitado. Nem sabe que a filha esta grávida, e pelo que sei, nem ela sabe quem é o pai. Ah, se eu o conheço! Claro que conheço! O Promotor fica petrificado, incapaz de acreditar no que estava ouvindo. Ele fica mudo, olhando para o Juiz e para os jurados. Sem saber o que fazer, ele aponta para o advogado de defesa e pergunta à velhinha: - E o advogado de defesa, a senhora o conhece? A velhinha responde imediatamente: - O Robertinho? É claro que eu o conheço! Desde criancinha eu cuidava dele para a Marina, a mãe dele, pois sempre que o pai dele saia, a mãe ia pra algum outro compromisso. E ele também me decepcionou. É preguiçoso, puritano, alcoólatra e sempre quer dar lição de moral nos outros sem ter nenhuma para ele. Ele não tem nenhum amigo e ainda conseguiu perder quase todos os 4 processos em que atuou. Além de ser traído pela mulher com o mecânico... com o mecânico!!! Neste momento, o Juiz pede que a senhora fique em silêncio. Chama o Promotor e o Advogado perto dele, se debruça na bancada e fala baixinho aos dois: - Se algum de vocês perguntar a esta velha se ela me conhece, sai desta sala PRESO!!!. . . Fui claro???

VIVER Viver é vivenciar todas as emoções da vida. Do ódio ao amor Da tristeza à alegria Do sono ao despertar Do sonho à realidade Do viver intenso à morte serena Do mortal sono eterno À uma nova vida No ato mágico de ressuscitar

Nara Vasconcellos

CONCLUSÃO ERRADA Professor emérito em técnicas de venda e de estratégias mercadológicas, Mauro Braga era sempre solicitado para dar cursos pelo Brasil afora. Comunicativo e piadista, não tinha dificuldade para estabelecer um clima de camaradagem com os alunos, que logo ficavam à vontade para lhe formular as mais diversas perguntas. Mesmo as mais impertinentes e sem cabimento ele respondia com paciência e cordialidade. Como é portador de um pequeno estrabismo, adquiriu, para compensá-lo, o hábito de inclinar ligeiramente a cabeça. Dava suas aulas assim,

com a cabeça um pouco tombada sobre o ombro esquerdo. Esse detalhe, aparentemente banal, pode ser tomado como desimportante, entrando nessa história como mero ornamento. Mas, lá na frente, ver-se-á que não. É que, certa vez, quando ia em meio a aula de um curso que ministrava no Instituto de Educação Clélia Nanci, em São Gonçalo, um dos alunos levanta o dedo indicador, sinal característico dos perguntadores. Mauro Braga interrompe o que dizia para atendê-lo: - pois não, meu jovem, o que quer saber?

- O senhor é músico? – pergunta o rapaz. Como a música era realmente uma de suas paixões, já tendo até tocado como profissional, o mestre, envaidecido com o fato de o aluno saber disso, tomba a cabeça para vê-lo melhor e responde sorrindo: - Sou sim. Toco violão, por que? Dando-se por satisfeito com a resposta recebida, o aluno encerra o diálogo: - por nada não. É que eu pensei que o senhor tocasse violino.

(Extraído do Livro “A Piranha do Peró e outras histórias”)

TIRA O TEU SORRISO DO CAMINHO Conta a lenda (ou a história), que em sua última noite de vida na prisão de Quarentaro, no México, condenado o Imperador Maximiliano pediu que um grupo de “mariachis” cantasse ao pé de sua janela a música “La Paloma”. É interessante notar como a música está ligada a grandes momentos, independentes do aspecto emocional. “A Marcha Fúnebre”, feita por Frederic Chopin não foi feita em homenagem a uma pessoa, e sim, em sinal de pesar pela invasão da Polônia. A “Marselhesa”, feita inicialmente por Roger de Liste como hino do Exército do

Reno, foi adotada pelo povo mas em delírio libertário. Os generais de Hitler tinham verdadeira devoção pela música de Wagner, um incentivo às suas índoles guerreiras. O mesmo não acontecia cm Hitler, que por falta de escolaridade e cultura, não era nada chegado às belas artes. Sob o aspecto pessoal certas músicas são de uma pungência enorme parecendo nos trazer lamentos de outras épocas, de outras vidas, de dramáticas separações, como retrata a letra de “La Golondrina”. É bom frisar que essas músicas não são as mesmas que retratam a famosa D.D.C. (dor-de-

-cotovelo). A música espelho da dor passional ou emotiva, como “Hey”, tão badalada pelo Júlio Iglésias, conta uma dor pessoal ao nível de posse e perda física. As outras não: aquelas são reflexos de angústias existenciais, de esperanças perdidas, de horizontes inalcançados. Aliás, falar em Iglésias é um Lucho Gatica dos anos cinqüenta e sessenta. E para um fim de semana bem contemplativo, uma pérola de Guilhermes de Brito: “tira o teu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor”.


Março / Abril de 2012

Página 7

Dicas Torta de legumes 2 xícara(s) (chá) de açúcar Cobertura 1/2 lata(s) de leite 1 lata(s) de leite condensado 1 colher(es) (sopa) de margarina Qualy 4 colher(es) (sopa) de chocolate em pó Modo de Preparo Ingredientes

02 cenouras picadinhas(cozidas) 02 pimentoes picadinhos 1 lata de milho 4 tomates maduro picadinhos Cheiro verde 1 cebola picadinha 1/2 lata de ervilha 15 azeitonas picadas 1 pirex de queijo ralado ½ xícara (chá) de óleo 3 ovos batidos Sal a gosto 2 ovos cozidos e picadinhos 10 colheres (sopa) de farinha de trigo 1 colher (sopa) de fermento em pó

Preparo

Misturar todos os ingredientes numa vasilha Assar em forma untada Cortar meio fria Ingredientes Massa 3 unidade(s) de ovo 1 xícara(s) (chá) de leite 1/2 xícara(s) (chá) de óleo de milho 2 colher(es) (sopa) de margarina Qualy 1/2 xícara(s) (chá) de chocolate em pó 1 colher(es) (sopa) de fermento químico em pó 3 xícara(s) (chá) de farinha de trigo

Massa

No liqüidificador , coloque todos os ingredientes da massa, exceto a farinha e o fermento em pó. Bata bem. Sem bater, incorpore a farinha e o fermento até a massa ficar homogênea. Despeje a massa em uma assadeira untada e enfarinhada. Asse no forno pré-aquecido, em temperatura média, por 40 minutos. Cobertura

Misture todos os ingredientes na panela e leve ao fogo mexendo, até ferver. Depois do bolo assado, fure-o e cubra com a cobertura.

» Ambulância – 192 » Bombeiros – 193 » Defesa Civil – 199 » Polícia Militar – 190 » OAB – 2719-8470 » Procon – 2721-0794/1512 » Codecon – 2620-043 » CAN – 2717-1062 » Clin – 2620 - 2175 » Águas de Niterói – 26134545 » Barcas SA – 2532-6101 » Ponte – 2620-8588/9333 » ANDEF– 2711-9912 » AA – 2717-8556 » Rodov. Niterói – 2620-8847

» APAE – 2717-7152 » APADA – 2621-2080 » Disque-Ponte – 2620-9333 » Dir. Humanos – 2719-8470 » Prerrogativas OAB 78113299 / ESA – 2719-8470 R.215 » Correios – 2721-1054/1053 » Serviço Funerário – 27172073 » Disque Denúncia – 26221999 (Central) 2719-1656 (Niterói) » Custas Judiciais TJ/J (dúvidas) 2588-2156

O Clube dos Advogados de Niterói, através de sua diretoria, congratula-se com os associados e amigos, pela passagem de mais uma primavera. Muitas felicidades, saúde, paz, lealdade e, acima de tudo, muito amor, somado à certeza de que para o CAN, vocês são realmente especiais. ANIVERSARIANTES DO MÊS DE MARÇO: Edson Gáudio Rangel

-Pau)

Carlos Augusto Mattos Santos

Marcos de Lima Trindade

Cristiane Souza Marques

Maria Aparecida Vieira

Décio Luis Gomes Diógenes Carvalho dos Santos Geraldo Miguel Fador Sampaio Jaldo Moraes Ferreira

Manoel Paulino Márcia Saldanha Maria Emília R. P. de Almeida Paulo Maurício Regent

Jadir Domingos Bruno José Vicente da Fonseca (Pica-

ANIVERSARIANTES DO MÊS DE ABRIL: ADILSON VASCONCELOS

MARIA DA GRAÇA RUFINO GUIDO

CARLOS ANTONIO SPITZ BRITO

MARIA MARTA JESUS DA S. DE AL-

CELÇO MENDONÇA

MEIDA

CLAUDETE BARCELLOS

NOÉ DOS SANTOS

EDGARD FERREIRA DE SOUZA

PAOLA ROSA MEIRA

FÁTIMA FERNANDES CHRISTO

ROSE SAYÃO

LUAN

SOUZA

PINTO

DE

RODRIGO CRUZ OLIVEIRA

ALMEIDA(NETO REINALDO)

ROBERTO CARNEIRO

MÁRCIA DA SILVA V. E SILVA

RENATO( BATATAS CRAC)


Março / Abril de 2012

Página 8

» Dr. Reinaldo de Almeida e convidados, comemorando o 8º aniversário do Programa.

» Aproveitando a comemoração, foi homenageado o casal Dr. Jorge Rosenberg e esposa Sra. Vânia, pelos 30 anos de casados.

» Desembargador José Eduardo Carreira Alvim, sendo homenageado, com muitíssimo merecimento, com o Diploma da Amizade da ACAERJ – Associação de Clube dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro, pelo presidente Dr. Reinaldo de Almeida.

» Cel Abílio, Dr. Édmo Muniz, Dr. Orquinézio de Oliveira e Dr. Francisco Campelo.

» Sr. Jurivan Oliveira, Sra. Vera Drumond e Sr. Jadir Zanardi.

» Dra. Alcilene F. de Mesquita e seu sócio, Dr. Marcos Sampaio.

» O casal Dr. Abenor Natividade e sua esposa Sra. Nilda Costa, Bruno Marinho, Kellen Rosenberg, e o casal Sra. Vânia e seu esposo Dr. Jorge Rosenberg.

» Os cantores João Mossoró e Valdeci Alamino (Relações Pública do CAN).

» Pedro Rangel e sua namorada Isabela B. de Lima e Sr. Pedro do Amaral.


Março / Abril de 2012

Página 9

» Dra. Fátima Fernandes Christo, ilustre cardiologista e Geriatra, na noite, mediadora do Programa.

» Desembargador Carreira Alvin e sua filha e genro Luciana Carreira Alvin e Silvério Luiz Nery Cabral Junior.

» Não poderia deixar de acontecer, a apresentação de uma atração. E o felizardo da noite, para regozijo de todos os convidados e telespectadores, foi o Cantor João Mossoró, cantando em homenagem aos 100 anos do saudoso Luiz Gonzaga.

» Também não poderia deixar de acontecer as homenagens com flores, principalmente pelo Dia Internacional da Mulher. E as felizardas foram Luciana Carreira Alvim e Sra. Vânia Rosenberg (que também comemorou os 30 anos de casada com o Dr. Jorge Rosenberg).

» Alguns dos convidados saboreando aquele delicioso cafezinho Carreteiro.

» Exposição do Livro OPERAÇÃO HURRICANE, de autoria do Desembargador, para aqueles que quisessem adquiri-lo. Sucesso Total.

» Momento de descontração: Dr. Reinaldo de Almeida e o Desembargador Carreira Alvim.

» Dra. Odilza Vital (Médica) , sendo homenageando com o Diploma da Amizade do CAN- Clube dos advogados de Niterói, pelo Presidente Dr. Reinaldo de Almeida.


Março / Abril de 2012

Página 10

» Dr. Afonso Feitosa (Presidente do Rotary Clube) e Dr. Reinaldo de Almeida, durante entrevista.

» Dra. Odilza Vital, Sra. Vera Lucia Morett e Sra. Maria Lucia Silva.

» Sra. Regina Veiga, Dr. Francisco José Falcão, a cantora Gina Teixeira e o cantor Valdeci Alamino (Diretor de Relações Públicas do CAN.

» Dr. Afonso Feitosa, Sra. Alexandra Miranda e Nilva Brandão.

» O fotógrafo Sr. Adhemir Rebelo, Cel. Abílio Medeiros e Dr. Jorge de Souza.

» A mediadora da noite, Dra. Fátima Fernandes Christo.

» Sra. Rosa Gielkop, Sra. Laura Gielkop, Sra. Fanny Grand e seu esposo Sr. Carlos Grand.

» A cantora Gina Teixeira, durante brilhante apresentação.

» Dr. Reinaldo de Almeida, homenageada com flores a Sra. Vera Lucia Morett.


Março / Abril de 2012

Página 11

» A Dra. Dilza Vital sendo homenageada pelo Dr. Reinaldo de Almeida.

» Alguns dos convidados saboreando um delicioso café carreteiro.

» Srs. Marcelo Melo, Alexandre Oliveira e Rodrigues.

» Deputado Hélcio Ângelo, sendo homenageado com o Diploma da Amizade do CAN – Clube dos Advogados de Niterói, pelo presidente Reinaldo de Almeida.

» O lutadores e organizadores das lutas de M.M.A. em Maricá, Claudio Renato e Jorge Valente.

» Srs. Sergio Reimol e Marco Guimarães.

» Deputado Hélcio Ângelo, Dr. João Pedro Monteiro e Dr. Antonio Moreno.


Março / Abril de 2012

Página 12

» Alguns convidados em momento de descontração, saboreando o delicioso café Carreteiro.

» A jovem Fernanda Pereira Rosa e seu pai o cantor Nando Rosa e o também cantor Valdeci Alamino.

» Sr. Mauricio Chaves e o casal Mariana Martins e Alexandre Vieira.

» Deputado Estadual Hélcio Ângelo e Dr. Reinaldo de Almeida, em pose descontraída para foto.

» O cantor Nando Rosa e sua filha a jovem Fernanda Pereira Rosa, em pose para foto.

» O cantor Nando Rosa e sua filha, a jovem Fernanda Pereira Rosa em belíssima apresentação.

» Dr. Reinaldo de Almeida homenageando com flores, a Sra. Mariana Martins.


Março / Abril de 2012

Página 13

Psicologia

Dr. Marcos Calmon - Psicólogo Clínico Especialista em Gestalt-Terapia, Hipnose e Acupuntura 3026-8460 / 2721-6784 / 9387-9345 / 8675-4720 www.drmarcoscalmon.com.br

MAL DE ALZHEIMER – O vilão da idade

O

que é a memória? O que são as lembranças? Como você se sente ao recordar da sua infância naquele ambiente familiar, da velha escola, dos primeiros amigos, da primeira namorada... Enfim, você poderá estar sendo envolvido neste exato momento por um sentimento de nostalgia muito bom ou ruim, pois cada pessoa tem as suas memórias mais positiva ou negativa, dependendo da história pessoal. Boas ou não, as memórias nos identificam como sujeitos, através de arquivos mentais. Agora, imagine que ao invés de poder lembrar de tudo isto, você experimentasse uma perda completa de qualquer reminiscência. Uma espécie de blackout mental e, tudo que lhe restasse, fosse uma espécie de branco ou vazio relacionado ao passado. Imaginou? Pois é... Agora acrescente mais

Fiscal da Lei

algumas perdas das suas habi-lidades motoras neste pacote, como as perdas do seu pensamento lógico, as perdas no seu raciocínio, as perdas na memorização de fatos novos que poderiam aumentar ou diminuir de intensidade. Como você mesmo poderá concluir, não é um simples branco ou um esquecimento trivial, como ao nos lembrar onde deixamos as chaves do carro. Não! É uma perda real e significativa da memória anterógrada, que é um tipo de memória que deveria nos dar a capacidade de armazenar novas informações a partir de eventos recentes. Neste caso específico, temos uma total incapacidade de evocar ou recuperar estas mesmas informações. O que nos levaria a crer que estamos diante de uma doença incurável do cérebro (em nossos dias), um tipo de demência muito conhecida no mundo todo

como mal de Alzheimer. Talvez seja a patologia do século XXI, uma vez que degenera as células especializadas do cérebro, chamadas de neurônios, onde ocorre um atrofismo lento e progressivo, expondo-as diante de placas de proteínas, chamadas de beta-amilóde, que se agrupam entre os neurônios. Uma característica deste processo é uma perda contínua do tecido cerebral, ocasionando na redução física do cérebro. Geralmente isto poderá ocorrer após os 65 anos de idade. Mas já temos relatos de casos ocorridos com indivíduos mais jovens, acima dos 40 anos, apesar de ser muito mais rara a sua ocorrência neste período. Outras características observadas nestes pacientes são as freqüentes alterações de humor, transtornos de personalidade,

agitação, alterações de percepção, sono e apetite. Existem três fases: Na fase 1 (inicial ou leve) existe uma boa independência do paciente, com perdas de memória grave, onde ele não se recorda do fato de forma alguma. Na fase 2.1 (intermediária leve - moderada) começa uma necessidade de haver um “cuidador” próximo dele, havendo o esquecimento de antigas rotinas. Na fase 2.2 (intermediária grave – moderada) os cuidados se intensificam com o doente, que perde a capacidade de socialização. Na fase 3 (terminal - crônica) a dependência é completa em relação ao “cuidador” para poder se alimentar, higienizar, comunicar, etc. É importante saber que o mal de Alzheimer não mata diretamente, mas abre as portas para outras complicações indiretas como o diabetes, hipertensão, câncer, etc. No mundo todo existem muitas

pesquisas, em busca da cura para este flagelo da mente humana. Sabemos que há uma predisposição genética, mas a sua incidência poderá ocorrer em famílias que não tem histórico algum da doença. Atualmente, acreditamos que o cérebro necessita ser estimulado constantemente, tal como os músculos. Por isto, movimentar a sua mente com exercícios neuróbicos, palavras cruzadas, jogos de xadrez, etc. Poderá ser uma importante forma de prevenção desta doença, assim como uma dieta saudável, exercícios físicos e um trabalho de autoconhecimento com psicoterapia. Tudo isto poderá lhe ajudar a encontrar uma estrada mais saudável e distante desta síndrome do esquecimento crônico ou como se fala no mundo todo: Mal de Alzheimer – o vilão da idade.

temente que nem toda pessoa que furta é portadora de cleptomania, muito pelo contrário, trata-se de delito que tem origem na família, pois está comprovado que pessoas que furtam não foram reprimidas por seus pais quando chegavam a casa com objetos alheios. A aquiescência da família acaba gerando um criminoso, nada é mais eficiente para formar uma personalidade do que o exemplo dos Pais. Uma criança ou adolescente que chega a casa com objeto subtraído – seja de quem for – e tal fato é ignorado pelos Pais, tem grandes chances de ser tornar autor de crime contra o patrimônio. A diferença do cleptomaníaco para o la-

rápio comum está em que no primeiro existe o arrependimento enquanto que no segundo não; o valor dos objetos subtraídos em geral de pequeno valor para o cleptomaníaco, já no caso do furto pelo gatuno comum existe a busca por objetos cada vez mais valiosos, a reiteração de atos do primeiro demonstra a patologia, enquanto que no segundo um estilo de vida voltado para o ilícito. Assim, não é patológico o furto de objetos da casa de amigos, de lojas, de clubes, de restaurantes, de repartições públicas e etc., essas hipóteses compreendem efetivamente desvio de caráter punido pelo Código Penal.

Soraya Taveira Gaya - Procuradora de Justiça

CLEPTOMANIA. DOENÇA OU DESVIO DE CARÁTER?

A

cleptomania se caracteriza pelo furto repetitivo e incontrolável de objetos que são de pequena utilidade para o agente da subtração, ele furta movido pelo desejo insaciável de fazê-lo. Ele não sai disposto ao crime, mas acaba cometendo pelo prazer daquele sentimento momentâneo que, posteriormente, se transforma em culpa e vergonha. Apesar da cleptomania poder atingir qualquer pessoa, ela é mais comum em indivíduos de melhor poder aquisitivo. A literatura médica considera a cleptomania como um transtorno de controle dos impulsos que surge, geralmente, no fim da adolescência se desenvolvendo na

fase adulta, sendo mais comum nas mulheres e de cura improvável. Não existem dados que apontem para a hereditariedade do mal, porém sabe-se que pais cleptomaníacos costumam ter filhos iguais. Fala-se em tratamento com terapias aliado a medicamentos com o intuito de conter o impulso. Enfim, a pessoa é vista como doente necessitando de cuidados, até porque sua conduta tem reflexos legais, sociais, familiares e profissionais. Não se tem ainda um estudo mais profundo a respeito do tema, mas cientistas concluíram que a cleptomania ocorre em 05 a 10% dos pacientes psiquiátricos, sendo raro os que procuram ajuda, o que

dificulta não só os dados estatísticos como também um melhor estudo a respeito. Não se definiu as causas da cleptomania, mas cogita-se que tenha fincas em ambiente familiar conflituoso. No entanto, é preciso saber identificar o “doente” propriamente dito daquele sujeito que pratica os furtos instigado pelo desvio de caráter e pela ocasião. Pela nossa lei penal o furto é punido com pena de reclusão de um a quatro anos além da multa. E quando a pessoa furta objetos valendo-se do abuso de confiança, com emprego de chave falsa, com destruição de obstáculo a pena sofre um aumento chegando a até oito anos de reclusão. Eviden-


Março / Abril de 2012

Página 14

Injustiça Social

Geraldo Nogueira - Advogado

Presidente da COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA DA OAB-RJ

e-mail:genogue@terra.com.br - Tel. (21) 2524.3924. - Fax:(21) 7887.8030

AUTISMO, DIVERSIDADE E INCLUSÃO

O

s grandes avanços científicos e tecnológicos são devidos, em grande parte à civilização ocidental. Suas inúmeras conquistas foram colocadas a serviço do bem-estar, através de instituições reguladoras da convivência social e possibilitaram enriquecer e ampliar o próprio conceito de cidadania. Foi na civilização ocidental que também se idealizou e instalaram-se importantes organizações internacionais, como a ONU, UNESCO, OIT, OMS, dentre outras. No entanto, não obstante a todo avanço científico e tecnológico, alcançados por realizações da inteligência racional, não se verifica o mesmo desenvolvimento moral, pois foi exatamente por aqui, entre a civilização ocidental, que iniciaram-se as guerras mais sangrentas e letais. Igualmente impôs-se a escravidão às comunidades materialmente mais atrasadas, com alto grau de desumanização e desculturação e, com muitos povos, foi adotada a prática do genocídio das minorias étnicas e religiosas. Essas práticas levaram ao enfraquecimento das consciências e dos valores comunitários de convivência social, dando lugar a um acentuado e perigoso individualismo. Prática esta que ainda hoje se manifesta de forma coletiva para excluir grupos minoritários. Por isso, ao longo da história estes grupos fragilizados têm-se organizado para reivindicar direitos e espaço social. As pessoas com transtornos do espectro autista, por exemplo, têm sido deixadas à margem da instituição de políticas públicas, isto por que, para este segmento social, falta uma definição que

proponha a distinção entre “neurodiversidade ” e “deficiências neurológicas”, bem como o reconhecimento de que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CDPD, ao adotar em seu artigo primeiro a expressão “impedimentos de natureza mental e intelectual”, quis determinar que o primeiro impedimento faz parte do quadro da saúde mental, ou seja, pessoas com deficiência psicossocial (transtornos mentais), como vem sendo usado por estudiosos destas áreas; enquanto o segundo se refere tão somente ao déficit cognitivo, principal gerador da deficiência intelectual, querendo a norma internacional estender sua proteção a ambos segmentos. Entendemos que o termo autista esteja subjacente a expressão “impedimentos de natureza mental”, grafada na CDPD. O reconhecimento da abrangência da norma e da discriminação entre “neurodiversidade” e “deficiências neurológicas”, permitiria desenhar políticas públicas para possibilitar acesso a tratamento àqueles que desejassem e garantiria aos que dispensam o tratamento o direito de fazê-lo, pois para alguns o autismo é um elemento fundamental da identidade, no qual não se quer que o Estado interfira sem necessidade. O desafio seria distinguir entre os dois elementos, apoiando simultaneamente a ambos, ou seja, estabelecer uma fronteira definida entre um e outro que fosse aceita por ambos os movimentos, visto que o autismo é deficiência para uns e exemplo da diversidade do cérebro humano, para outros. Acreditamos que o tema deva ser incorporado pe-

los movimentos das pessoas com deficiência, pois as definições de “deficiências neurológicas” e de “neurodiversidade” estão no âmbito das discussões sobre os direitos sociais deste segmento. Dois de abril é reconhecido pela ONU como o dia mundial da conscientização do autismo, sendo uma tendência à qual precisamos nos unir, pois quando

um grupo é estigmatizado pela sociedade, a sua autodeclaração de identidade constitui um processo de resgate. A afirmação “sou deficiente” (surdo, cego, autista, dentre outras) constitui uma autocategorização, um processo de formação da identidade pessoal. Esta afirmação permite o deslocamento do discurso dominante da dependência e da

anormalidade para a celebração da diferença e do orgulho de ter uma identidade. Trata-se tanto de um compromisso coletivo e político de protesto contra as barreiras sociais que colocam cidadãos em desvantagem, como de uma transformação da identidade pessoal vivenciada com orgulho pelos indivíduos com alguma diferença.


Março / Abril de 2012

Página 15

Crônicas e Letras Du Regent

Paulo Regent - pmregent@gmail.com

JANELAS DA ALMA

T

em certas coisas que nos deixam pra baixo, como por exemplo o olhar de uma pessoa que sofre, que está passando por algum problema sério, de saúde, financeiro ou um outro problema qualquer. Problema é problema e quando é de difícil solução, dói muito e faz sofrer. Tem gente que não liga não, são do tipo daquelas pessoas que pensam “se não me atinge, nem ligo...”.  Hoje é domingo, e a maioria das pessoas está com seus familiares, com seus filhos, com sua amada, batendo um papo com algum amigo, esperando o futebol na TV ou aquele filmezinho que vai passar e que a gente pre-

para a pipoca e assiste juntos. É, mas o mundo não é só isso não, tem o outro lado também, e a gente nem lembra que nesse nosso mundo perfeitinho tem gente que não tem onde dormir, o que comer, que sofre, que tem que pedir e passa por humilhações por isso, porque nem todos acreditam, porque não olham em seus olhos e não enxergam a verdade do que dizem, não veem que a alma sofre porque a única solução naquele momento é pedir ajuda. Hoje de manhã, eu e minha esposa estávamos lá na praça e ela estava dentro da padaria sendo atendida quando fui abordado por uma mulher de uns

26 anos mais ou menos, que me pediu que lhe comprasse uma lata de leite em pó, no super-mercado o preço está por volta dos R$ 8,50, e aqui na padaria chegou perto dos Dez Reais. Quando ela se aproximou percebi que já não tomava banho há algum tempo, as suas unhas estavam sujas, mas as roupas aparentemente limpas, não havia nenhum hálito alcoólico e se expressava bem, isso tudo porque a nossa primeira reação é desconfiar, não sei bem de que, afinal o que ela faria com uma lata de leite em pó se estivesse mentindo? Foi então que olhei para os seus olhos... “As janelas da alma”... E eles me disseram tudo

o que eu queria saber, me mostraram seu sofrimento, sua humilhação, toda sua verdade, os sinais de sua história estavam presentes ali, ela nem precisava contar... tristeza... abandono... solidão... Olhei ao redor e percebi que ninguém prestava a atenção, ela simplesmente era invisível, seu sofrimento era invisível a todos. Eu lhe entreguei o leite em pó, ela agradeceu, disse-me “é difícil encontrar quem ajude, ainda mais quando o pedido custa Dez Reais. Muito obrigada, fique com Deus” e seguiu seu caminho, levando consigo uma pequena sacola com um pouco de arroz cru e agora a lata de leite em pó. 

Aquela mulher se foi, e conosco ficou a decepção de nossa incapacidade de poder ajudar mais, a certeza de que o pouco que fizermos foi pouco, muito menos do que ela realmente necessitava, carinho, afeto, aconchego, família, amor fraterno, sentimentos que perdemos em nossa caminhada egoísta rumo a conquista de nossos desejos. E esquecemos que “compartilhar é preciso”. “Mas quando derdes esmolas, que não saiba a vossa mão esquerda o que faz a direita. Para que a esmola fique escondida, e vosso Pai que vê o que o que vós fazeis em secreto, vos pagará” (MATEUS)

onde as paralelas se encontram, e é pra lá que caminhamos. Ser Maçom é um caminho sem volta, não se anda pra trás, é crescimento eterno, retilíneo, já dizia Albert Einstein “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original”. Por mais que se diga o contrário, é fácil re-

conhecer um Maçom, não pelas roupas que ele usa, ou por um pingente que possa estar espetado em sua lapela, ou mesmo por um anel que possa usar. Não! Um Maçom se reconhece pelas suas atitudes, pelo seu comportamento, pelas suas ações. Maçom é sinônimo de bom pai, bom filho, bom marido,

bom amigo e bom vizinho. Sua palavra vale mais do que qualquer contrato assinado, a caridade que sua mão esquerda faz a sua mão direita jamais saberá. Este é o Maçom! Um homem comum, que só se faz diferente, pelos seus elevados ideais de moral e justiça.

MAÇONARIA EM AÇÃo SOU MAÇOM, SIM SENHOR! Fui iniciado na Maçonaria em 09 de Junho de 2006 e, desde então, através dos ensinamentos obtidos, tenho tentado ser uma pessoa melhor, um ser humano melhor. Afinal, o que é ser Maçom? Ser Maçom é viver a constante pro-

cura da verdade, ou das verdades, de nossa verdade. Procurar acordar aquilo que há de melhor em nós, descobrir-nos, conhecer-nos, decifrar-nos. A eterna busca pela perfeição, mesmo com a certeza de que nunca a encontraremos, um caminho cujo objetivo encontra-se no infinito, pois a perfeição está lá,

O Mestre Grande Orador da GLMERJ Francisco Campelo e o Assessor do Grão Mestrado Reinaldo de Almeida, durante a grande Convenção Maçônica, que aconteceu recentemente no Clube Português em Niterói.

Paulo Regent

Os Mestres da GLMERJ, Luiz Henrique, Cilênio de Souza e Reinaldo de Almeida, ladeando o sereníssimo Grão Mestre Waldemar Zveiter.


Março / Abril de 2012

Página 16

BARÃO II NOTICIAS

DÚVIDAS NO IMPOSTO DE RENDA

O Conselho Nacional de Justiça, assegurou livre vista aos advogados nos autos processuais. Inclusive para obtenção de cópias, mesmo sem procuração. A decisão foi tomada recentemente, anulando as portarias do Tribunal Regional Federal da 2ª. Região (TRF-2), que obrigavam os advogados que não tivessem procuração nos autos e caso desejassem obter cópias deveriam peticionar ao relator requerendo permissão e que os documentos somente poderiam ser retirados para cópias do cartório, após deferimento do pedido.

A OAB-NITERÓI, disponibilizou para os colegas advogados, através da Comissão Especial de Assuntos Tributários, um

plantão permanente para tirar dúvidas sobre o imposto de renda. Basta agendar pelo telefone 3716.8922.

INFORMAÇAO IMPORTANTÍSSIMA Foi editada recentemente pelo TRT da 1ª Região (RJ) a SÚMULA Nº 19, com a seguinte redação: “TRABALHADOR DOMÉSTICO. DIARISTA. PRESTAÇÃO LABORAL DESCONTÍNUA. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO.”

Encontre as Cinco Diferenças no Programa SOS VERDADE

Dr Reinaldo de Almeida e o casal Dr. Jorge Rosenberg e esposa Sra. Vânia

CÂMARA MUNICIPAL DE NITERÓI FAZ SESSÃO SOLENE EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO Como acontece desde 2006, o holocausto durantea Segunda Guerra Mundial será lembrado pela Câmara dos Vereadores. Sessão solene, marcada para 16 de abril, às18h30, no Plenário Brígido Tinoco, terá a participação de diversas entidades judaicas e de movimentos pela paz. Uma exposição de trabalhos, feitos por alunos da Rede Municipal de Ensino, ficará aberta a visitação pública no Legislativo.

VACINA CONTRA CÂNCER DE PELE E RINS Já existe vacina anti-câncer (pele e rins). Foi desenvolvida por cientistas médicos brasileiros, uma vacina para estes dois tipos de câncer, que se mostrou eficaz, tanto no estágio inicial como em fase mais avançada. A vacina é fabricada em laboratório utilizando um pequeno pedaço do tumor do próprio paciente. Em 30 dias está pronta, e é remetida para o médico oncologista do paciente. Nome do médico que desenvolveu a vacina: José Alexandre Barbuto Hospital Sírio Libanês - Grupo Genoma. Telefone do Laboratório: 08007737327 - (falar com Dra. Ana Carolina ou Dra.. Karyn, para maiores detalhes) www.vacinacontraocancer.com.

Arauto dos Advogados- Ed. 102 - Mar-Abr de 2012  

Arauto dos Advogados- Edição 102 Março e Abril de 2012

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you