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Movimento +Engenharia Escolhemos o girassol como símbolo desta primeira edição. Representa o ambiente, e a orientação que descreve na procura do sol como fonte de energia. Mais E

Esser Silva

2014 2


Movimento +Engenharia 2014

EDITORIAL

perante o desafiante futuro que se nos apresenta. Pretende-se que seja um espaço aberto, dinâmico, mas também de reflexão, em que a matriz seja trazer valor acrescentado para a nossa classe profissional. Serve este número zero para apresentar o projeto que esperamos e desejamos atinja o maior número de colegas. O retorno, dar-nosá uma noção da realidade, bem como a perceção dos efeitos diretos e indiretos da nossa ação. Optamos por uma estrutura editorial livre onde a se aceitam sugestões e ideias para outras temáticas nas próximas edições. Apelamos deste modo à vossa participação neste Magazine, sendo que para tal podem enviar-nos conteúdos que considerem de interesse para o endereço de email infra. maisengenharia@gmail.com

Estaremos ao vosso dispor para qualquer esclarecimento ou ajuda.

Caros Colegas, Se há um ditado popular que nunca perderá validade é que a “união faz a força” e a força cria sinergias, as sinergias constroem ideias e as ideias dão lugar às ações. Este projeto é movido por uma causa; criar um espaço de opinião e divulgação das temáticas do

movimento

dignificação

da

Engenharia nossa

classe

(+E),

pela

profissional 3


Índice Estratégia Nacional para o Mar 20132020 em Debate 7 Revalidação de diplomas– Brasil Engenharia Geográfica - Uma engenharia que dá mundos ao mundo Uma Ordem dos Engenheiros com Mais Energia Impacto das alterações climáticas nos sistemas de abastecimento de água Energia e sustentabilidade: o papel do engenheiro Segurança na cloud Alterações previstas referentes a Instalações Elétricas de Serviço Particular Classificados

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Movimento +Engenharia 2014

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Óscar N. F. Mota Engº naval e mecânico oscarnfmota@netcabo.pt

Economia Azul – Que Rumo? Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020 em Debate PORQUÊ INDÚSTRIA NAVAL? Anexo 1 ao e.mail de 18 mar. 2013 Face ao relativo silêncio da Estratégia Nacional para o Mar (ENM), pareceume necessário começar por minimamente explicar o que é a indústria naval Consideremos os seguintes ramos: (1) Reparação – Atividade em que o valor acrescentado do estaleiro naval facilmente atinge os 85 ou 90%. A Lisnave teve um renascimento que é um case study a nível mundial e os ENVC tiveram durante anos sucessivos muito bons resultados nas reparações (mas mais de dois decénios de prejuízos nas construções). O VAB/capita na Lisnave em 2011 foi de k€ 81,4, contra 25,8 da indústria naval em geral (ver tabela A1 dos indicadores socioeconómicos da ENM) e 37,0 para a economia do mar

globalmente (o que se pode deduzir da exposição do Diretor Geral da Política do mar). Mas o caso da Lisnave é uma exceção por várias razões (2) Construção - Tem preços muitíssimo dependentes dos fretes pagos aos armadores, que têm variações exponenciais com os altos e baixos da economia mundial; presentemente estamos numa cava. A ENM aponta para a necessidade de reestruturação; pensamos que se devem estudar os exemplos espanhóis (Navantia) e franceses (DCN) de associação com os construtores de navios militares. Entre nós, a solução Empordef não resultou. O VAB das construções não excede os 40% (3) Indústrias auxiliares – Fabricantes de materiais e equipamentos navais, que numa nova construção atingem 50% ou 60% do seu custo. Apesar da pequenez do nosso mercado existem alguns casos de grande sucesso: a Fundilusa (Vª Nova de Cerveira) que fabrica hélices de grandes dimensões para todo o mundo e a Euronavy, fabricante de tintas cujo sucesso se espalha também por vários continentes. (4) Serviços intangíveis – sociedades de classificação, projetistas, produtores de software variado, etc.; constituirão 10 a 15% do custo; são a parcela de maior valor acrescentado. Podemos incluir aqui a EDI e a EDISOFT (fabricantes de equipamento eletrónico e software), a Rinave (sociedade de classificação notável para a 6


Movimento +Engenharia 2014 dimensão nacional), a TecnoVeritas (recente vencedora de um prémio internacional de prestígio). Temos um excelente conjunto de técnicos, sobretudo engenheiros navais (helas, algumas dezenas a trabalhar desde a Noruega e a Alemanha, até Singapura e à China); assim eles tenham a oportunidade de se afirmar e de inovar. Respondamos então à pergunta: porquê as construções? • Antes de mais, temos os navios militares, de que precisamos por razões de segurança (safety e security): o Navios não combatentes, digamos que com funções de guarda-costeira (incluindo patrulha oceânica), que podem e devem ser projetados e construídos em Portugal o Navios de combate, isto é, fragatas e submarinos - de cada conjunto o primeiro deveria ser construído no estrangeiro e os restantes em Portugal; são falaciosas as razões apontadas para justificar as oportunidades perdidas nos últimos 50 anos. • Também por razões de segurança deveriam ser reservadas para a indústria nacional as

embarcações destinadas às ilhas adjacentes. •

O desenvolvimento inevitável do offshore (só não sabemos quando) obrigará a projetar e a construir navios de pesquisa e de exploração, além de uma miríade de navios de apoio a plataformas (construção e manutenção); se assim não fizermos, veremos os outros a ocupar as nossas posições e será impossível controlá-los.

Passando à pergunta sobre o que falta na Estratégia Nacional para o Mar. A resposta será dada por uma associação personalidades diversas com a Associação das Indústrias Navais, a Ordem dos Engenheiros (Colégio Naval) e a Fundação Empresarial para a Economia do Mar Podemos desde já apresentar algumas ideias: (1) Necessidade de legislação adequada – Não temos legalmente navegação interior (ao contrário, por exemplo, da Irlanda) o que não nos permite beneficiar de derrogações em relação à regulamentação europeia; as concessões do domínio público marítimo para a edificação dos estaleiros são feitas em condições frequentemente danosas para a indústria; a profissão de engenheiro 7


naval está ainda por regular (ao contrário do que sucede há muito largos anos em Espanha, França ou Itália, para ir apenas para países com semelhanças legislativas)

estratégico - como garante da nossa independência económica e até política -, que largamente excede o valor económico direto 15 março 2013

(2) Simplificação administrativa – A falta de legislação adequada e uma prática anquilosada, originam decisões ad hoc, atrasos, incoerência (3) Financiamento – Um obstáculo seriíssimo ao financiamento de construções e à obtenção de apoios QREN, reside na descapitalização dos estaleiros navais. Para além da reestruturação já citada, dever-se-ia procurar uma solução talvez do tipo da espanhola (Pymar) (4) Reformulação da capacidade de construção – Uma parte da solução consiste na busca de uma harmonização com a Marinha de Guerra, já acenada. Recordamos que para a zona económica e para a plataforma continental precisaremos de navios patrulha costeiros e oceânicos (safety e security), navios de investigação, plataformas offshore e deep offshore, embarcações de instalação e manutenção de parques, etc. Extra A indústria naval tem importância por si mesma e ainda porque possui um valor 8


Movimento +Engenharia 2014 2006 demorou 10 meses! E estamos a falar da Europa!

Alexandre Jerónimo Eng Civil ajaj@sapo.pt

Revalidação de diplomas– Brasil Um dos temas muito falados neste ambiente de crise na construção em Portugal e na Europa tem sido a revalidação de diplomas no Brasil, ou melhor as dificuldades que existem! Depois de trabalhar em Portugal e em Espanha decidi em 2013 abraçar novos projectos no Brasil, mas para tal tive que revalidar o meu diploma que demorou 3 semanas e depois o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) equivalente à Ordem dos Engenheiros que demorou 3 meses, aqui dizem que foi o melhor tempo conseguido! Eu também acho, pois nesse tempo nem é possível em Portugal, entre estágios, cursos, …, seguramente demora mais de 3-4 meses. Para terem ideia a minha revalidação do diploma em Espanha em

Uma coisa é certa, um reconhecimento directo (que eu também não concordo, mas isso é outra questão…), duvido que exista nos próximos tempos, não porque sejam os Engenheiros Brasileiros que não queiram, mas sim pela cultura e geografia do Brasil. Mas continuando a falar da revalidação, no Brasil existem um conjunto de regras e leis que têm que ser cumpridas por todos. Podemos comparar o Brasil à Europa e cada país é um Estado Federal com Leis próprias- podem reparar que não é fácil. Primeiro de tudo só consegue revalidar o diploma que tem residência no Brasil, isto é, par ter residência tem de ter a nacionalidade Brasileira ou ter visto de trabalho, portanto o primeiro passo é esse: nacionalidade ou visto de trabalho! Em segundo lugar, a revalidação só pode ser feita n uma Universidade Federal do Estado onde reside, logo terá que se deslocar a essa Universidade Federal e verificar toda a documentação necessária, atenção que essa documentação tem de vir de Portugal consularizada (é uma autenticação dos documentos por parte do consulado Brasileiro em Portugal), 9


portanto terá que planear bem antes de viajar para o Brasil todos os tempos para conseguir os documentos e obter toda a sua validação no Consulado Brasileiro. Finalmente terá que entregar a documentação, pagar as taxas exigidas nessa Universidade (varia de universidade para universidade). E esperar.. O maior problema que eu vejo aqui por terras de Vera Cruz é que muitas empresas e muitos Engenheiros querem trabalhar no Brasil à distância, isso, na minha opinião é completamente impossível. O mais importante é estudar a cultura Brasileira e depois decidir se quer mesmo vir, e se sim, pode vir que esse é um dos menores problemas para resolver. Existem também diversas empresas e profissionais que tratam ou dão assessoria a esses tipos de procedimentos, se encontrar a pessoa certa seguramente que o valor que eles cobram (que são preços elevados – mas idênticos aos praticados na Europa) é facilmente recuperado, pela redução dos tempos de aprovações como pela eliminação de diversos problemas que irá encontrar numa cultura muito diferente da Portuguesa e Europeia.

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Movimento +Engenharia 2014

Mário Fernandes Eng. Geógrafo (OE 66206) Pós-Graduado em Gestão de Centros Urbanos Auditor Coordenador IRCA - ISO 9001

Engenharia Geográfica Uma engenharia que dá mundos ao mundo. Foi-me lançado, pelos responsáveis do Boletim/Jornal do Movimento Mais Engenharia, o repto para falar da especialidade de Engenharia Geográfica. De pronto aceitei pela empatia que tenho pelo movimento e em especial pelo carinho e a paixão que tenho por esta disciplina de engenharia. Trata-se uma especialidade repleta de temas para abordar, que desde sempre acompanhou a evolução da espécie humana, que durante os Descobrimentos ajudou os portugueses a “darem mundos ao mundo”, que nos tem ajudado a conhecer a morfologia do nosso planeta e que acima de tudo é

a base para toda a intervenção (que se deseja conscienciosa) que possamos ter nessa mesma morfologia. Pela amplitude de temas que esta disciplina abarca optei por nesta fase fazer uma breve e simples apresentação, compreensível até para os mais afastados desta área, que lhes dê uma ligeira indicação da importância que a Engenharia Geográfica possui nas nossas vidas. O aprofundamento e o explorar de outros temas, inclusive a um nível mais cientifico, fica para próximas colaborações que aguardo entusiasticamente. Para já vamos à Apresentação. Apresentação Desde a pré-história, e mesmo antes da invenção da escrita, já o Homem estabelecia formas de se orientar, de “mapear” o seu espaço ou o seu domínio, formas Engenheiro Geógrafo executando um de nortear as suas buscas de alimento, e até formas de timonar as descobertas de novos espaços. Todas estas formas eram extremamente rudimentares e ao longo dos tempos foram evoluindo. Das efémeras marcas no solo, dos montes de pedra com 11


determinados alinhamentos, das pinturas rupestres, passando pelas placas de argila dos sumérios e pelos papiros dos egípcios até chegar mapas em papel ou digitais dos dias de hoje, foi uma longa evolução. Uma evolução devidamente apoiada nas ciências que á sua volta geravam conhecimento como sejam a Matemática, a Física, a Geodesia, a Mecânica Racional, a Astronomia, a Fotogrametria, e a Cartografia, etc., tendo integrado mais recentemente, as tecnologias eletrónicas de Posicionamento e os Sistemas de Informação. A Engenharia Geográfica é o ramo da engenharia responsável pela aquisição e manipulação da informação georreferenciada, nomeadamente no que se relaciona com as técnicas de referenciação espacial e da representação cartográfica. A Engenharia Geográfica é a engenharia do Posicionamento, é a engenharia que para além de nos dizer onde estamos e para onde vamos, nos explica a cada momento por onde temos que ir. Este é o concretizar do mais velho dos sonhos do Homem. A Engenharia Geográfica tem por objetivo o estudo, medição e representação da superfície terrestre, quer na sua forma tradicional (através de representações cartográficas, temáticas ou não, em suporte de papel) quer na sua forma mais actual (através

de representações de informação digital e virtual). Este ramo da engenharia estuda e aplica as técnicas de observação e medição da Terra por forma a sua representação o mais precisa quanto possível, englobando toda a informação posicional e qualitativa que tenha ao seu dispor. Para tal faz uso de métodos de aquisição de dados por via terrestre ou espacial, Antena GPS instalada no topo de Marco Geodésico

nomeadamente de satélites preparados para recolher informação acerca do nosso Planeta, quer através da “simples” observação da Terra, quer pelo Posicionamento e pela Navegação. Assim tornou-se ao longo dos anos uma ciência de suporte às mais diversas áreas de estudo, nomeadamente em âmbito ambiental e no que se refere ao planeamento e ordenamento do território. O Engenheiro Geográfico trabalha, direta ou indiretamente, em áreas como a Topografia, o Cadastro e o Ordenamento, a Geodesia, a Hidrografia, a Fotogrametria e a Aerofotogrametria, os Sistemas de Informação Grupo de Estudante instalando uma antena GPS

Geográfica, a Cartografia, a Deteção Remota, a Astronomia, o 12


Movimento +Engenharia 2014 Posicionamento e Navegação, e a Geodinâmica, entre outros. A sua ampla e diversificada formação académica, complementada com uma formação prática adequada, fornece ao

Para além da produção da informação georreferenciada acima referida, é missão do Engenheiro Geógrafo quer apoiar as entidades governativas através do apoio à gestão de recursos e ordenamento do território, nomeadamente nas áreas da agricultura, das florestas e ambiente e da geologia; quer apoiar as restantes especialidades da engenharia nomeadamente através do controlo de deformação de obras, do apoio à indústria mineira, do apoio à construção de grandes obras como pontes, barragens, autoestradas e linhas férreas.

Engenheiro Geógrafo as ferramentas adequadas à compreensão de todo e qualquer elementos relacionados com a aquisição e o tratamento da informação geográfica, seja qual for o seu âmbito. A formação extremamente alargada e bastante abrangente de um Engenheiro Geógrafo visa dar-lhe conhecimentos profundos, e suficientes, para este adquira um espirito crítico que o faça ter a capacidade de condução e de decisão, de forma autónoma, que lhe permita ser mais do que um simples operador nos mais diversos trabalhos abrangidos pela sua área de intervenção. 13


É função do Engenheiro Geógrafo planejar, organizar, especificar a metodologia, projetar, dirigir e fiscalizar a execução de levantamentos topográficos, levantamentos geodésicos, levantamentos batimétricos, levantamentos gravimétricos, levantamentos fotogramétricos, interpretações de imagens para elaboração de cartografia e a preparação do material para a impressão com símbolos, legendas, formatos e cores. De forma genérica a Engenharia Geográfica, visto ser uma disciplina que obtém, trata e analisa informação geográfica, que é essencial na navegação e análise espacial, intervém áreas como o Cadastro, a gestão do Património Municipal, a Proteção Civil, o Ordenamento do Território, o Ambiente, a gestão dos Equipamentos Urbanos, a Educação, os Transportes, o Turismo e o Geomarketing, entre outros. Assim, profissionalmente os Engenheiros Geógrafos tem variadas opções. Nomeadamente: em organismos públicos ou privados onde existam serviços de Topografia, Informação Geográfica, Cartografia e Cadastro (Câmaras Municipais, serviços municipalizados e empresas de telecomunicações, eletricidade e gás); Em empresas ligadas à construção e apoio de grandes obras de engenharia

(portos, pontes, barragens, rodovias e ferrovias); Na indústria nas áreas de Metrologia e Controlo da Qualidade; no apoio à gestão de recursos naturais e ordenamento do território utilizando técnicas de Deteção Remota em Constelação de satélites GPS

imagens obtidas por satélites artificiais; Em Observatórios Astronómicos e Geofísicos e outras instituições ligadas à Astronomia e Geodesia; No Ensino Superior e no Secundário e em investigação nas áreas da Astronomia, Ciências de Informação Geográfica, Fotogrametria, Detecção Remota e Geodesia; A Engenharia Geográfica é uma das Especialidades de Engenharia da Ordem dos Engenheiros, e é-o desde 1956 fruto do processo de extinção do Sindicato Nacional de Engenheiros 14


Movimento +Engenharia 2014 Geógrafos (que havia sindo oficialmente fundado em 1939). É também uma das profissões regulamentadas e que consta da Base de Dados do IEFP e da Base de Dados Europeia de Profissões Regulamentadas. Atualmente a formação em Engenharia Geográfica, devidamente reconhecida, pode ser obtida em três entidades no Pais: na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (sob o nome de Ciências da Engenharia – Perfil de Engenharia Geográfica) e na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

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afirmação

dos

amplamente

seus

profissionais,

representativa

da

engenharia, mais interventiva em todos os

processos

profissão reconhecida

e

regulamentadores na como

mais entidade para a

sociedade, uma

Engº Paulo Bispo

preocupada

Uma Ordem dos Engenheiros com Mais Energia

Pretendemos colaborar na construção uma profissão baseada em exigentes qualidades académicas, contextualizada na contínua e permanente formação acessível a todos, promotora, na prática, de uma engenharia criativa, inovadora e empreendedora. A OE, a nossa Ordem, deverá ser o catalisador de uma rede alargada da profissão. Estabelecendo com organismos profissionais representativos de países de língua portuguesa, parcerias, mais protocolos e acordos com vista à internacionalização da engenharia portuguesa, historicamente reconhecida em vários pontos do mundo. Queremos trabalhar mais orientados para o bem comum, fincados na promoção dos valores que sempre afirmaram a profissão de engenheiro como a mais responsável alavanca do progresso. Exigiremos de nós o esforço, a abnegação e o talento para encimar a profissão de engenheiro no topo do reconhecimento social. Assim é nossa motivação, enquanto observadores atentos da vida dos profissionais de Engenharia, apoiar,

“movimento mais engenharia”, nada mas

soluções

profissão e para o mundo.

Do “movimento engenheiros à rasca” ao mudou

com

da

a

evolução

prevista

aconteceu: da frase choque, panfletária, à frase motivadora e indispensável. Tudo nasceu da iniciativa de vários engenheiros, provenientes das mais diversas especialidades, que espontaneamente se organizaram num movimento cívico, apostados em contribuir para a Valorização do exercício da nossa profissão. Engenheiros de todas as idades onde os jovens imperam. Estamos perante uma desvalorização evidente da profissão de Engenheiro e da Engenharia, quer a nível publico quer a nível privado, os engenheiros têm que voltar a ser uma das reservas morais do país, é urgente inverter a situação. Queremos ajudar a construir uma Ordem dos Engenheiros seja a Ordem de

todos os Engenheiros, inspiradora para os seus associados, mais ativa na

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Movimento +Engenharia 2014 acarinhar e dar surgimento a esta iniciativa.

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Helder da Costa Engº Civil

Impacto das alterações climáticas nos sistemas de abastecimento de água Instituições

científicas

de

maior

relevância têm referido que as alterações climáticas estão a alterar o clima das regiões, principalmente o clima de regiões

áridas

ocorrência

e

de

Prespectiva-se

mais secas

que

sensíveis

à

hidrológicas. as

alterações

climáticas venham a ter forte impacto sobre

os

sistemas

hidrológicos,

provocando a tendência de stress hídrico que consequentemente vão alterar o ciclo urbano da água. Com o clima em alteração, espera-se efeitos no uso da água por parte das populações. O aumento da procura de água e a consequente disponibilidade das fontes de captação no futuro são a preocupação do presente. Neste sentido, discute-se se as entidades gestoras de abastecimento de água estão preparadas e munidas de ferramentas

que lhes permita analisar, identificar e adaptar aos impactos das alterações climáticas nos consumos de água. Além de alguns estudos já efectuados, a política da gestão da água, sob condições de eventos extremos e alterações do clima, tem sido fundamentada de forma casuística e sem base científica pela maioria das entidades responsáveis pelo abastecimento em Portugal. Se as previsões apontadas sobre o clima se registarem, as consequências na captação e na distribuição de água no futuro são preocupantes. Como a maioria das entidades gestoras de abastecimento não avaliou e planeou o impacto das alterações climáticas, e enquanto não considerarem este problema como fundamental, o fornecimento de água às populações poderá estar em causa no futuro. Para dar resposta a este problema, procurou-se elaborar um estudo na região em que se espera que os impactos das alterações climáticas sejam mais significativos. Desenvolveu-se então uma investigação para a região do Algarve, que se focou numa análise estatística aos dados adquiridos no Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água do Algarve (SMAAA) e aos dados referentes às variáveis climáticas que caracterizam a região. Foi desenvolvido modelos matemáticos de projeção de consumos de água referentes a um conjunto de 18


Movimento +Engenharia 2014 municípios considerados representativos de toda a região. Depois de um estudo aprofundado dos relatórios e artigos publicados pelas principais instituições científicas, como o IPCC e a Agencia Europeia do Ambiente, elaborou-se 3 cenários climáticos para aplicação nos modelos de projeção de consumos de água (MPCA). Os resultados das estimativas preconizados pelos MPCA, apontam para aumentos substanciais nos consumos de água nos prazos estabelecidos em todos os municípios. Em termos gerais há um crescimento nítido em todos os cenários projetados para a região do Algarve devido às alterações climáticas. Do cenário 1 (ano 2021), resulta um aumento de 5,5% nos volumes diários solicitados pelo sistema de abastecimento. Para o cenário 2 (ano 2041) as projeções de consumos água diários apresentam 11,9% de aumento e para o cenário 3 (ano 2061) resultam de aumento de solicitações de água de 17,9% no SMAAA. Este estudo foi realizado para compreender melhor os impactos das mudanças climáticas no SMAAA. Ele inovou na modelagem dos consumos de água sob os impactos das mudanças climáticas ao nível regional e mostrou a importância de melhorar a confiança

face à incerteza associada das projecções das mudanças climáticas. Não é possível desenvolver projeções absolutamente precisas de futuras alterações climáticas. No entanto, ao adoptar uma abordagem flexível e adaptável ainda podemos planear o futuro do abastecimento de água. Espera-se com estes resultados, dar um contributo para as possíveis mudanças na política de gestão e adaptação, que passa pela capacidade de resposta dos sistemas de água face às alterações climáticas. Fica aberta a possibilidade de potenciar medidas que as entidades gestoras de abastecimento têm pela frente, incorporando este conhecimento em estratégias futuras.

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Rui Abreu Instituto Politécnico do Cávado e do Ave

Energia e sustentabilidade: papel do engenheiro

o

A energia é desde sempre a pedra de toque da natureza e da sociedade. Vivemos um período de crescimento sem precedentes na história da humanidade. Desde meados do século XIX, com a revolução industrial que se verificam crescimentos populacionais, económicos e energéticos extremamente elevados, “alimentados” em grande parte pela abundância do carvão, petróleo e gás natural. Contudo um conjunto de fatores levou a uma tomada de consciência global relativamente à problemática da energia. Os dilemas da energia As decisões a tomar quanto à política energética a seguir não são fáceis e vários dilemas se colocam perante os decisores e a sociedade em geral.

Por um lado, continuamos a depender fortemente dos combustíveis fósseis, tal como petróleo e hoje em dia cerca de 33% da energia a nível global é derivada do petróleo. As reservas estão concentradas em regiões politicamente instáveis, tal como o médio oriente. Os conflitos são muito frequentes e as várias crises petrolíferas que o mundo já viveu demonstraram que a demasiada dependência desta fonte energética pode ser extremamente problemática. Por outro lado, já são visíveis os efeitos preocupantes das alterações climatéricas, causadas em grande parte pelas emissões de carbono para a atmosfera, resultantes da massiva utilização de combustíveis fósseis. Cerca de 66% do consumo de energia elétrica a nível global é ainda resultado da utilização de combustíveis fósseis para a sua produção. Ao mesmo tempo que estes dilemas se colocam relativamente à produção energética, o mundo continua o seu desenvolvimento, por vezes de forma frenética, e necessita de mais energia para dar resposta às necessidades básicas de milhões de pessoas no planeta. A China duplica em cada década a energia utilizada. Vários países estão em desenvolvimento acelerado, e consequentemente as necessidades energéticas aumentam por vezes de forma exponencial. Os dilemas do engenheiro 20


Movimento +Engenharia 2014 Perante este cenário, os engenheiros são confrontados com um vasto conjunto de situações dilemáticas, que nem sempre são fáceis de gerir. Portanto importa refletir um pouco sobre o que deve nortear os nossos profissionais nesta matéria. Antes de mais importa realçar a importância primordial de uma conduta pautada pela ética e deontologia, capaz de aguentar as pressões, os “lobbies” e os interesses cruzados que se atravessam constantemente na atividade profissional do engenheiro, de uma forma muito vincada quando se entra na área da energia. Na área energética considero ainda de extrema importância que o engenheiro tenha uma atuação que poderia ser designada como “engenharia verde”. Significa isto que, em todos os quadrantes e especialidades, um conjunto de princípios de atuação deverão ser tomados em linha de conta quando se realizam atos de engenharia. Numa fase de conceção e projeto, é importante fazer um esforço para que, de uma forma geral todas as conversões energéticas tenham a menor agressividade possível para o ambiente. Ao mesmo tempo ter em mente que é

muito melhor prevenir a emissão de resíduos perigosos do que fazer a sua remoção ou tratamento no futuro. Quando pensamos em fontes de energia alternativas, estes princípios assumem primordial importância, nomeadamente nas opções da energia nuclear, na conceção das redes elétricas do futuro ou na mobilidade, para citar alguns exemplos. Outro aspeto basilar será a eficiência, não somente energética (fruto de muita preocupação atualmente, embora nem sempre da melhor forma e pelas melhores razões), mas de uma forma abrangente, onde se pensam ao nível dos produtos, dos processos e dos sistemas, procurando a maximização da eficiência da massa, da energia, do espaço e do tempo de forma sistemática. Se um determinado sistema é concebido, usado ou aplicado abaixo da sua máxima eficiência, significa que recursos estão a ser desperdiçados. Finalmente uma palavra para o ensino e a formação profissional. Este novo paradigma energético necessita que os profissionais da engenharia adquiram uma consciência tecnológica e ambiental e a transmitam à sociedade. Considero que os engenheiros podem assumir esse papel de veículos transmissores de 21


conhecimento e simultaneamente agentes de mudança, de modo a atrair juventude com talento para esta área disciplinar tão fundamental para a humanidade. Estou confiante que uma Ordem dos Engenheiros proactiva e com mais visibilidade na sociedade dará um contributo decisivo para, em última instância, tornar o nosso planeta mais sustentável.

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Movimento +Engenharia 2014

Sergio Silva Engº Informático

Segurança na cloud Como já nos devemos ter deparado nos últimos tempos, existe uma crescente oferta de serviços em Cloud, sendo que, no contexto económico pelo qual não só atravessa o nosso pais como também outros, onde as empresas cada dia precisam de minimizar os seus custos operacionais para também poderem oferecer preços mais competitivos aos seus clientes. Realmente é muito “caricato” ver como este conceito de Cloud tem invadido o nosso dia-a-dia mas quase ninguém sabe que a sua origem remonta a tempos do inicio da net, quando por exemplo, no momento de fazer um gráfico de ligações remotas, sempre que se queria representar a net, esta representação era feita com uma nuvem, dai o conceito de cloud que agora esta muito em boga e que derivou o Cloud Computing.

Agora bem, se isto tem grandes vantagens como suprarreferido não só para as empresas como para os clientes/utilizadores, devemos ter em atenção que nem tudo é cor-de-rosa, pois pelo facto de termos os dados na “Cloud” devemos ter algumas considerações pertinentes para assegurar minimamente a integridade dos dados, em tal sentido, há um ano a CSA (Cloud Security Alliance) disponibilizou um interessante estudo (https://cloudsecurityalliance.org/downl oad/the-notorious-nine-cloudcomputing-top-threats-in-2013/) que refere as 9 principais ameaças do Cloud Computing, estes são: 1 – Violação de Dados (Data Breaches) 2 – Perda de Dados (Data Loss) 3 – Ataque/sequestro de contas (Account Hijacking) 4 – APIs Inseguras (Insecure APIs) 5 – Negação de Serviço (DoS – Denial of Service /DDoS – distributed DoS) 6 – Insiders maliciosos (Malicious Insiders) 7 – Abuso dos serviços da Cloud (Abuse of Cloud Services) 8 – Due Diligence insuficiente (Insufficient Due Diligence) 9 – Problemas/vulnerabilidades em tecnologia partilhada (Shared Technology Issues) 23


Estas são as ameaças que os serviços cloud enfrentam não só nos dias de hoje, mas também no futuro. É por isso que é extremamente importante, no momento da escolha de serviços em Cloud, contactar não só empresas que tenham as mais recentes tecnologias para contrarrestar estes nove pontos mencionados, mas também uma ampla bagagem de experiencia e conhecimentos no negócio do tratamento da data em Cloud, para estarmos de certo modo resguardados e confiantes no que diz respeito a integridade dos dados dos nossos clientes que disponibilizamos na net através destas infraestruturas. Sempre devemos recordar que nem sempre o mais económico é o melhor, pois no que diz respeito a Cloud a segurança é uma mais-valia que não só da uma excelente reputação ao produto que disponibilizamos na nuvem, mas também é o nosso melhor cartão-devisita que podemos mostrar, onde no momento de promover o nosso produto/serviço na Cloud, este “certificado” de confiança sobre os dados pode marcar a grande diferença na hora de ponderar a relação custo/segurança.

Rui Sardinha Engº Eletrotecnico

Alterações previstas referentes a Instalações Elétricas de Serviço Particular Caros colegas Engenheiros, Com vista à simplificação e desburocratização dos processos, no âmbito das instalações elétricas de baixa tensão, mais propriamente instalações do tipo C, a DGEG-Direção Geral de Energia e Geologia tem em estudo algumas alterações da legislação, nomeadamente em instalações elétricas de edifícios mistos (com 5 andares, 10 frações habitacionais e dois comércios). Estes edifícios, cuja potência total poderá exceder em muito os 50 KVA deixam de ter a obrigatoriedade de submeter o projeto a aprovação. Anteriormente, a não obrigatoriedade legal da existência de projeto para instalações elétricas de serviço particular do tipo C, apenas abrangia edifícios com potência até 50 kVA. Nesse sentido, alerto para o facto de a obrigatoriedade de existência dos 24


Movimento +Engenharia 2014 projetos de instalações elétricas devidamente certificados ou licenciados, garantir uma maior segurança e fiabilidade das instalações. Estão também previstas alterações ao nível da exploração, com o fim da obrigatoriedade dos técnicos responsáveis de Exploração de Postos de Transformação (deve ser assumido por Engenheiro ou Engenheiro Técnico), com tensão até 30KV e potência inferior ou igual a 250 kVA. Esta atividade de acompanhamento contínuo irá ser substituída por inspeções periódicas a realizar de dois em dois anos pelas Entidade Inspetora (DRE’s), o que implica menos um custo anual para o dono de obra mas praticamente o abandono da manutenção dos Postos de Transformação durante os 2 anos, em que deixa de ser obrigatório a responsabilidade por parte dos TRIE’s. Esta alteração vai degradar ainda mais o estado das instalações elétricas alimentadas em média tensão, sendo os casos mais críticos nos estabelecimentos recebendo público.

Simplex ao nível das instalações elétricas, correndo o risco de sermos afastados de grande parte dos processos de licenciamento das instalações elétricas. Ficamos a aguardar por uma decisão em prol dos Engenheiros, por parte das entidades competentes.

Assim sendo, a atividade dos Engenheiros Eletrotécnicos e mesmo a segurança das instalações elétricas fica prejudicada, com esta tentativa do 25


Classificados

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Magazine +E