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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO CEARÁ GERÊNCIA DE ARTES E TURISMO CURSO SUPERIOR TECNOLOGIA EM HOTELARIA

A TERCEIRA IDADE COMO POTENCIAL CLIENTELA PARA A HOTELARIA DE FORTALEZA

ÉRIKA ARAÚJO DA SILVA


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FORTALEZA – CE / 2010 ÉRIKA ARAÚJO DA SILVA

A TERCEIRA IDADE COMO POTENCIAL CLIENTELA PARA A HOTELARIA DE FORTALEZA

Monografia apresentada ao Curso Tecnologia em Hotelaria, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, como requisito parcial para obtenção do título de tecnólogo. Orientador: Rúbia Valério Pinheiro

FORTALEZA – CE 2010


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A TERCEIRA IDADE COMO POTENCIAL CLIENTELA PARA A HOTELARIA DE FORTALEZA

Monografia apresentada pela aluna Érika Araújo da Silva ao curso Superior de Tecnologia em Hotelaria, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, como requisito para a obtenção do Título de Tecnólogo em Hotelaria, que após análise e avaliação da Banca Examinadora foi considerada ______________, para todos os efeitos legais.

Data da Defesa: COMISSÃO EXAMINADORA

_________________________________ Profª. Ms. Rúbia Valério Pinheiro - Orientadora Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará

_________________________________ Profª. Ms. Ângela Quesado- 1ª Examinadora Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará

_______________________________ Profª. Ms. Francisca Margareth Gomes de Araújo - 2ª Examinadora Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará

Fortaleza-Ce,

de

2010


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DEDICATÓRIA Dedico esta monografia aos meus pais: Expedito e Luzineide. Agradeço-os imensamente pela minha existência, pela fé e confiança demonstradas e pelo apoio incondicional. Amo muito vocês. Muito obrigada por tudo. Aos meus irmãos: Jean e Priscila, que me apoiaram nos momentos mais difíceis. A Deus por ter me dado força para enfrentar todas as dificuldades até aqui. Aos amigos que muito colaboraram para o resultado desse trabalho: Aline, Katiuce e Rachel. E à professora Rúbia por toda a paciência em orientar meu trabalho.


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“Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?” Confúcio


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RESUMO A presente monografia analisa a oferta hoteleira da cidade de Fortaleza e aponta a Terceira Idade como potencial clientela dos empreendimentos hoteleiros da capital cearense. Para viabilização deste estudo, duas pesquisas foram realizadas: inicialmente uma pesquisa bibliográfica envolvendo os conceitos associados à temática em questão de forma a proporcionar o embasamento teórico-científico e um levantamento de dados através de pesquisa de campo, a qual foi aplicada nos estabelecimentos da população do trabalho com o auxílio de um formulário respondido mediante entrevista pessoal. Dentre os resultados encontrados, constatou-se que a maioria do público idoso desconhece os programas proporcionados pelo governo brasileiro e não busca por pacotes exclusivos, entretanto apontou-se o turismo de sol e praia como preferência quanto ao lazer. Entretanto, a hotelaria de Fortaleza apresentou-se com pouca infraestrutura para o receptivo de idosos. O objetivo da pesquisa foi mostrar que a Terceira Idade pode vir a ser um importante aliado dos hotéis durante os períodos de baixa estação, pois é um cliente em potencial dos serviços hoteleiros. Palavras-chave: Hotelaria, Terceira Idade, Potencial Clientela.


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ABSTRACT This study analyses the hotel offer in the Fortaleza city and points to the Third Age as a hotel potential clientele to Fortaleza. To make feasible this study two surveys were conducted: initially by a concepts literature review associated with the topic in question in order to provide the theoretical and scientific and survey data through field research, which was applied in the work population establishments with form answered aid through a personal interview. Among the findings, it was found the senior public did not know the programs offered by the Brazilian government and not searches for exclusive packages, however pointed to the sun and beach tourism as a preference as to leisure. However, hotel Fortaleza presented with little infrastructure for the receptive elderly. The purpose of this research was to show that the Third Age might be an important ally of the hotels during periods of low season, it is a hotel service prospect. Keywords: Hospitality, Third Age, Potential Clients.


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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01: Projeção da população no ano de 1980 .............................................................. 21 Figura 02: Projeção da população no ano de 2050 .............................................................. 21 Figura 03: Quadro comparativo lazer e turismo .................................................................. 25 Figura 04: Piscina adaptada para o receptivo de cadeirantes ............................................... 33 Figura 05: Concentração dos participantes do Programa Saúde, Bombeiros e Sociedade ... 37 Figura 06: Acomodação do Gran Marquise Hotel ............................................................... 38 Figura 07: Acomodação do Hotel Seara ............................................................................... 38 Figura 08: Acomodação do Hotel Sonata ............................................................................. 39 Figura 09: Acomodação do Hotel Holiday Inn ..................................................................... 39 Figura10: Acomodação do Hotel Blue Tree .......................................................................... 40


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LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS

TABELA 01: Faixa Etária ................................................................................................41 TABELA 02: Estado Civil .............................................................................................. 42 TABELA 03: Nível de escolaridade ............................................................................... 42 TABELA 04: Renda Mensal ........................................................................................... 43 TABELA 05 – Preferência quanto ao lazer .................................................................... 43 TABELA 06: Frequência das viagens ............................................................................. 44 TABELA 07: Preferência quanto ao tipo de turismo ....................................................... 44 TABELA 08: Preferência quanto a viajar acompanhado ................................................. 45 TABELA 09: Motivação para viajar ................................................................................ 45 TABELA 10: Conhecimento do Programa Viaja Mais Melhor Idade .............................. 46 TABELA 11: Busca por pacotes exclusivos ................................................................... 46 TABELA 12: Costume adquirido de viajar ..................................................................... 47 TABELA 13: Utilização da Hospedagem em hotéis ........................................................ 47 TABELA 14: Fator decisivo para a escolha do Hotel ...................................................... 48 TABELA 15: Disponibilidade de quartos adaptados para pessoas com acessibilidade reduzida ........................................................................................................................................ . 49 TABELA 16: Participação do Programa “Viaja Mais Melhor Idade” ............................... 49 TABELA 17: Existência de tarifa promocional para o público da Terceira Idade ........... 50 TABELA 18: Período do ano com maior índice receptivo de idosos nos hotéis .............. 50 TABELA 19: Solicitações exclusivas dos idosos durante sua estadia .............................. 51


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SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO...................................................................................................... 11 2. A TERCEIRA IDADE .......................................................................................... 14 2.1 Conceitos ........................................................................................................ 14 2.2 Características ................................................................................................. 16 2.3 Mudanças na pirâmide etária brasileira ........................................................... 20 3. O TURISMO, HOTELARIA E TERCEIRA IDADE ........................................... 23 3.1 Turismo e Qualidade de Vida na Terceira Idade ............................................. 23 3.2 Políticas e Programas para a Terceira Idade .................................................... 26 3.3 O idoso como cliente dos hotéis ...................................................................... 31 4. METODOLOGIA DA PESQUISA ....................................................................... 35 4.1 Sujeitos da Pesquisa ........................................................................................ 36 4.2 Instrumento de Coleta de dados ...................................................................... 40 5. A HOTELARIA E A TERCEIRA IDADE ........................................................... 41 5.1 O idoso e sua relação com a Hotelaria............................................................. 41 5.2 O perfil da Hotelaria em Fortaleza para o receptivo de idosos........................ 48 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................. 52 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................... 55 APÊNDICE ........................................................................................................... 58 Apêndice 1 – Questionário Idosos ........................................................................ 58 Apêndice 2 – Questionário Hotéis ........................................................................ 61 LISTA DE ANEXOS ........................................................................................... 62 Anexo 1 – Critérios para participar do programa “Viaja Mais Melhor Idade Hospedagem” .............................................................................................................................. 62


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INTRODUÇÃO

O desenvolvimento econômico do Brasil é notado mundialmente. Atrelado a esse fato, a urbanização e os avanços da Medicina surgem como agentes causadores da diminuição dos índices de fecundidade que, juntamente com a redução dos índices de mortalidade, configuram a realidade demográfica do País. Como consequência disso, os números que indicam o aumento da expectativa de vida do brasileiro crescem vertiginosamente. Entretanto, o envelhecimento populacional é visto com bons olhos pelos profissionais e economistas do País, levando em consideração essa característica como predominante dos países desenvolvidos. Atualmente, o uso dos termos que se referem à idade mais avançada do ser humano está difundido como terceira idade ou melhor idade. A Organização Mundial de Saúde, por exemplo, adota a definição de terceira idade para pessoas que possuem ou já ultrapassaram os sessenta anos cronológicos. A população idosa brasileira apresenta características que devem se tornar de grande relevância à sociedade. Seja quanto à implantação de políticas públicas, seja quanto à garantia dos direitos dos idosos no Brasil. O envelhecimento populacional passou a chamar a atenção em todos os aspectos, sejam eles econômicos, sociais e culturais. É justificada, portanto, a preocupação com a criação de políticas públicas voltadas para esse segmento da população brasileira. Diante desse cenário, criou-se a perspectiva de existência de milhares de consumidores de serviços turísticos em todo o País. O turista da terceira idade busca a fuga da rotina, benefícios à saúde, entretenimento, conhecer novas pessoas, lugares e culturas. A Hotelaria em muito tem a se beneficiar com essa projeção de consumidores que em sua maioria têm disponibilidade de tempo para viajar o ano todo, podendo suprir, se bem estruturado e planejado, as necessidades do setor diante da sazonalidade turística. Considerando a realidade dessas pessoas como, por exemplo, a baixa renda proveniente da aposentadoria, foram criadas leis no Brasil que as beneficiam, além de


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descontos e pacotes especiais, embora sejam ações de pouco conhecimento da maioria da população. Pode-se afirmar que uma renda considerada ociosa e elevada atrelada ao atual perfil da terceira idade, mais exigente e formador de opinião, são fortes elementos impulsionadores do desenvolvimento de atividades turísticas e que movimentam o setor hoteleiro de Fortaleza. Por vezes associado ao lazer e ao descanso, o turismo se apresenta como um grande aliado econômico para a região receptora, atuando como gerador de divisas e fonte de renda. Além de gerar receita e empregabilidade, ele impulsiona o combate a problemas sociais, buscando, assim, o desenvolvimento da localidade. Os efeitos da sazonalidade turística atingem a diversos segmentos turísticos. Surge então a perspectiva de que atividades para a terceira idade supram as necessidades da Hotelaria durante esse período. O motivo dessa imparcialidade aos problemas causados pela baixa estação é a disponibilidade de tempo para viagens e demais atividades, ou seja, podem ser realizadas em qualquer período do ano sem que seu sucesso seja um fator dependente. Por outro lado, os empreendimentos hoteleiros dependem da boa taxa de ocupação para que se tornem bem-sucedidos. Diante disso, a parceria da hotelaria com esse mercado da melhor idade pode ser viabilizada através de programas e pacotes com preços e características exclusivas, atraindo esse segmento de mercado durante os períodos de baixa estação e diminuindo os efeitos negativos causados pela sazonalidade turística na cidade de Fortaleza. Portanto, a parceria da Terceira Idade com a Hotelaria de Fortaleza visa ao desenvolvimento e sustentabilidade da cadeia hoteleira da cidade durante a baixa estação. A presente pesquisa tem como objetivo analisar de que forma os meios de hospedagem da cidade de Fortaleza podem vir a se beneficiar com o público da Terceira Idade durante os períodos de baixa estação. Como objetivos específicos a pesquisa identificará as características que definem a Terceira Idade como consumidores em potencial dos meios hoteleiros e verificará o mercado de ofertas hoteleiras para a Terceira Idade na cidade de Fortaleza. A pesquisa é composta por quatro capítulos a contar da introdução. O primeiro capítulo abordará a Terceira Idade no tocante aos seus conceitos e características, além de apresentar de que forma os idosos configuram a atual realidade demográfica do Brasil.


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O segundo capítulo fundamentou-se na relação do Turismo com a Terceira Idade, apresentou-se a relação do turismo no tocante a qualidade de vida da terceira idade, além das políticas públicas e programas voltados a esse segmento da população, e ao fim foi apresentada a relação do idoso com a Hotelaria. O terceiro capítulo trata-se da descrição da metodologia da presente pesquisa que se configura no quarto capítulo, em que os objetivos da pesquisa foram atingidos e explorados, através do diagnóstico da oferta hoteleira de Fortaleza para o idoso e de que forma o idoso enxerga o turismo e, conseqüentemente, o hotel como meio de hospedagem.


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2. A TERCEIRA IDADE

2.1 Conceitos

Há muito tempo o termo que determina a última fase da vida do ser humano passa por mudanças constantes. Embora o termo velhice pareça ser o mais citado dentre os autores e estudiosos da área, dificilmente tal definição é encontrada em livros ou artigos. Sendo assim, para fundamentar a mudança de utilização de tal vocábulo para terceira idade ou melhor idade, a pesquisa utilizará da definição etimológica. O que é velhice? O Minidicionário Melhoramentos associa velhice à “idade avançada”. Denota ainda a velho os adjetivos: idoso, antigo, ancião, gasto pelo uso, antiquado e desusado. E os substantivos masculinos: homem idoso, ancião, o pai. Além disso, existem termos que fazem referência a velhice como, por exemplo: senil, idoso, ancião, decrépito e senescente. Todos esses com suas peculiaridades quanto à definição, porém apresentando um ponto em comum: a velhice. Sene (1998), diante dos inúmeros vocábulos relacionados ao assunto em questão ou envolvendo a pessoa envelhecida, decidiu definir envelhecimento e velhice, além de estabelecer diferenças entre ancião, decrépito e senil. Envelhecimento para ele significa um curso natural da vida de todo indivíduo. Partindo do nascimento até a morte. Já velhice é apresentada como o resultado do envelhecimento. Além de definir como ancião aquele com idade cronológica superior a 90 anos. E decrépitos e senis aqueles que apresentam algum distúrbio psicopatológico devido à idade avançada. No Brasil, a pessoa envelhecida era tratada como “velha”. Somente após a década de 60, diante dos reflexos europeus na cultura e na política brasileira, esse termo foi substituído por “idoso”. Segundo Peixoto (2006), velho durante esse período figurava uma conotação pejorativa e idoso uma forma de tratamento mais respeitosa.


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Para muitos, velhice é sinônimo de perdas e limitações. Segundo Silva (2002), a velhice é marcada por mortes concretas e simbólicas que acarretam a obrigatoriedade do luto. São perdas que fazem parte dessa fase da vida. Contudo, Sene (1998) aponta como mito o fato da velhice ser associada à deficiência física e mental causada por perdas e limitações tal como foi supracitado. Pelo contrário, identifica o “triunfo da sobrevivência” como o fenômeno que acometeu a população idosa do País, conceituando como o grupo etário que mais cresce e que vive cada vez mais tempo. Segundo Lenoir (1996), atualmente, há uma tendência para o uso difundido dos termos como terceira idade, o jovem de ontem e melhor idade; entendidos como maneiras de transformar a velhice em mais jovem, atendendo a certos interesses capitalistas como o de vender serviços de lazer e criar mercado para certos produtos específicos. Partindo desse pressuposto, a velhice deu lugar ao termo terceira idade. Segundo Debert (1992), terceira idade é um termo típico das sociedades contemporâneas. Seria uma forma de fugir do sofrimento, da solidão e da marginalização que caracteriza essa nova etapa de vida. Ainda segundo Debert (2006), do ponto de vista antropológico, pode-se afirmar que existem: a idade cronológica, a idade geracional e os estágios de maturidade. A idade cronológica é apontada por ele como independente das relações biológicas e das fases de maturidade, mostrando que a idade cronológica não está relacionada à maturidade ou às condições físicas e mentais, mas sim à exigência da lei perante os direitos e deveres do cidadão. Afirmando ainda que o fato da idade cronológica não está associada aos níveis de maturidade denota flexibilidade quanto à criação de novas fases e novos códigos de leis. Dessa forma, apresenta a idade cronológica como elemento meramente simbólico e maleável, podendo agregar características que não têm relação alguma com a ordem de nascimento, maturidade ou geração. A idade geracional é apontada por ele como importante apenas para estabelecer o grau de parentesco entre os membros de uma mesma família. Também independente da idade cronológica e do nível de maturidade. Segundo Fortes, a idade geracional tem como referência a família e a idade cronológica, a política e a justiça.


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Segundo Goldman (2000), o termo terceira idade foi criado pelo gerontologista francês Huet, cujo princípio cronológico coincide com a aposentadoria, na faixa dos 60 aos 65 anos, embora as mudanças características já tenham começado a tornarem-se evidentes mais cedo expressando novos padrões de comportamento de uma geração que se aposenta e envelhece ativamente. Para Peixoto (2006), terceira idade é sinônimo de independência e envelhecimento ativo. Tornando-se assim um símbolo de prática de novas atividades durante o tempo ocioso apontando como a fase da vida entre a aposentadoria e a velhice. Dessa forma, o termo não veio simplesmente substituir a palavra “velhice”, pois uma atenção maior às questões físicas, psicológicas e sociais foi dada àqueles que pretendem tornar um período da vida antes marginalizado em autonomia e capacidade intelectual. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a terceira idade, ou melhor idade tem início entre os 60 e 65 anos. Mas, esta é uma idade instituída para efeito de pesquisa, já que o processo de envelhecimento depende de três fatores principais: biológico, psíquico e social. São estes fatores que aceleram ou retardam as doenças e os sintomas da idade madura. A Organização das Nações Unidas (ONU), entretanto, divide os idosos em três grupos: os pré-idosos (entre 55 e 64 anos), idosos jovens (entre 65 e 79 anos ou 60 e 69 para quem vive na Ásia e na região do pacífico) e os idosos de idade avançada (com mais de 75 ou 80 anos). Pode-se concluir, portanto, que, embora todos os vários adjetivos se refiram à pessoa envelhecida, cada um remete a características individuais de um determinado grupo. Muitas dessas definições existem para melhor satisfazer o que a sociedade precisa. Seja por interesses socioeconômicos ou políticos. É a partir desse pressuposto que a pesquisa utilizará do termo Terceira Idade para se referir a esse grupo de pessoas. 2.2 Características

Muitas são as características citadas por inúmeros autores. Em sua grande maioria identificam semelhanças no tocante a aspectos físicos e emocionais.


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De acordo com Roberto (2004), a perda da vitalidade que acompanha o processo natural de envelhecimento tende a ser vista como um processo exclusivo de perdas. Envelhecer tornou-se um período de receio por parte da grande maioria da população brasileira por representar uma etapa de declínio, em que tudo que se teve será perdido. Roberto (2004) apresenta ainda como perdas em virtude do declínio biológico: a perda do poder, da independência, da capacidade de adaptar-se a situações e circunstâncias, dos atrativos físicos, dos amigos, dos filhos, da profissão, da potência sexual no homem e da capacidade de procriar da mulher, dos mecanismos de defesas eficazes, do sentimento de produtividade, da consideração e respeito pelos outros e do engajamento social. Além disso, aponta os aspectos psicológicos negativos como: frustração, negação, diminuição da autoestima, sentimento de desvalia, solidão, insegurança e dependência. Indicando ainda a aposentadoria como exemplo de contribuinte para essa visão negativa de perdas. Podendo fazer surgir conflitos antes mascarados pelas atividades desempenhadas e reativando antigos sentimentos e ansiedades. Sene (1998), por sua vez, enumera características comuns ao público da terceira idade: aposentadoria, viuvez, medo da morte, isolamento, desinteresse, angústia, apatia, solidão, autodesvalorização, hipocondria, culpas, rispidez, irritabilidade, dentre tantos outros. Ainda assim, não está bem esclarecido para os estudiosos como realmente o corpo humano envelhece. O processo de envelhecimento difere, portanto, de pessoa para pessoa. Levando tal fato em consideração, Kruel (2001) estabelece seis fatores que influenciam o processo de envelhecimento: tempo, hereditariedade, meio ambiente, dieta, estilo de vida e nível de atividade física. De acordo com a American Geriatrics Society, o nível de atividade do idoso pode ser classificado em seis níveis: I.

Fisicamente incapaz: Não realiza nenhuma atividade diária e tem total dependência dos outros;

II.

Fisicamente dependente: Realiza alguma atividade diária: caminha pouco, banha-se, veste-se, alimenta-se, transfere-se de um lugar para outro, porém necessita de cuidados de terceiros;


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III.

Fisicamente frágil: Faz tarefas domésticas leves: prepara comida, faz compras leves e pode realizar apenas algumas atividades diárias;

IV.

Fisicamente independente: É capaz de realizar todas as atividades diárias. Realiza trabalhos físicos leves; é capaz de cuidar da casa e ter “hobbies” e atividades que demandam baixo consumo de energia. Aqui estão incluídos idosos que vão desde os que mantêm um estilo de vida que demanda muito pouco da condição física até aqueles muito ativos, mas sedentários;

V.

Fisicamente apto/ativo: Realiza trabalho físico moderado, esportes de resistência e jogos. É capaz de fazer todas as atividades diárias e a maioria dos hobbies. Tem aparência física mais jovem que seus pares da mesma idade;

VI.

Atleta: Realiza atividades competitivas, podendo competir em nível internacional e praticar esportes de alto risco.

Segundo Medeiros (2003), o idoso pode sofrer algumas mudanças no sistema muscular acarretando consequências à saúde, justificando dessa forma a fragilidade do indivíduo da terceira idade. Torna-se frequente o contato com os médicos durante a terceira idade devido à fragilidade e instabilidade que o corpo envelhecido adquire ao longo do tempo. Também é comum o acúmulo de doenças crônicas e os acidentes. Queimaduras, acidentes de trânsito, fraturas, glaucoma, catarata, fraqueza, cansaço, edema nos pés, feridas crônicas nos membros inferiores, diabete melitus, tuberculose da pele, sífilis, dificuldades de urinar, tosse crônica, artrite reumática, problemas cardíacos, derrame, surdez, insônia, cirrose hepática, vesícula e impotência sexual são apontados por Medeiros (2003). Segundo Zacharias, as dificuldades físicas são caracterizadas por algumas perdas nos aspectos sensoriais e por algumas doenças não obrigatoriamente decorrentes da idade, mas em consequência de abusos ou ausência de prevenção e hábitos mais saudáveis durante toda a vida. Dificilmente o idoso aceita a condição de envelhecimento e tudo o que vem acompanhado a essa condição. Medeiros (2003) apresenta, portanto, algumas peculiaridades


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semelhantes àqueles que se adaptaram ao envelhecimento e àqueles que não aceitaram muito bem a chegada da velhice. Sendo assim, aqueles que se adaptaram à velhice estão subdivididos em três grupos por Medeiros (2003): I.

Construtivo: respeitado e que aproveita o que a vida proporciona;

II.

Dependente: é passivo, aproveita a velhice para descansar;

III.

Defensivo: ativo e disciplinado. Realiza diversas atividades para não ficar parado.

E aqueles que não se adaptaram à chegada da velhice: I.

Colérico: é descontente com o mundo. Culpa a tudo e a todos pela condição em que se encontra;

II.

Pessimista: é deprimido, isolado e se autovitima.

A melhor maneira de continuar ativo e feliz ao chegar à terceira idade é continuar, ou iniciar, um programa regular de atividades físicas, mentais e sociais, que não permitam ao idoso ficar isolado do mundo que o cerca. Segundo Granato, em meados do século XX ao chegar aos 40 anos, um brasileiro tinha a probabilidade de viver, no máximo, mais oito anos. Estava quase no fim da vida, portanto, sem tempo para estudar, comprar bens duráveis ou fazer novos planos. Hoje, aos 40 anos, um brasileiro está apenas na metade da vida. Estatisticamente, vai viver pelo menos mais 30 anos. Sendo assim, diante de tais argumentos, tornou-se fácil entender o motivo pelo qual a pessoa envelhecida sofre com a chegada dos sintomas da velhice, pois significa a proximidade do fim. Porém, surge uma nova concepção de velhice: ao invés da espera pelo fim, significa o começo de uma nova etapa da vida, sem stress, apenas lazer e diversão.


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2.3 Mudanças na pirâmide etária brasileira

A idade, ao lado do sexo, cor e classe social, é um elemento fundamental para estabelecer o perfil socioeconômico das sociedades, além de ser um dos mais importantes fatores de diferenciação social. De acordo com projeções das Nações Unidas, a população idosa aumentará de 3,1% em 1970 para 19% em 2050. A mudança na distribuição etária da população brasileira traz oportunidades e desafios que podem levar a sérios problemas se não forem tratados com seriedade e responsabilidade pelas autoridades. Segundo Nasri (2008), o Brasil presenciou um declínio da mortalidade entre os anos 1940 e 1960, mantendo assim os altos índices de fecundidade e desencadeando o atual cenário brasileiro: de uma população predominantemente jovem e com rápido crescimento. O processo de transição da estrutura etária iniciou-se nos anos 60 quando houve a redução da fecundidade. Em 34 anos, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população brasileira praticamente dobrou em relação aos 90 milhões de habitantes da década de 1980 e, entre 2000 e 2004, aumentou em 10 milhões de pessoas. Seremos 259,8 milhões de brasileiros, em 2050, e nossa expectativa de vida será de 81,3 anos, a mesma dos japoneses, hoje. Entretanto o envelhecimento da população se destaca: em 2000, o grupo de 0 a 14 anos representava 30% da população brasileira, enquanto os maiores de 65 anos eram apenas 5%; em 2050, os dois grupos se igualarão em 18%. Além disso, pela Revisão 2004 da Projeção de População do IBGE, em 2062, o número de brasileiros vai parar de aumentar. De acordo com a revisão do IBGE 2008, o envelhecimento da população brasileira estará consolidado já na década de 2030 quando a população iniciará uma trajetória de declínio. Todas as atenções devem estar voltadas, até lá, para as devidas adequações nas políticas sociais específicas para a população idosa. Ainda de acordo com as projeções do IBGE 2008, as proporções entre a população masculina e feminina diminuem no Brasil. Em 1980, havia 98,7 homens para cada cem mulheres, conforme é possível visualizar na figura 01.


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Figura 01: Projeção da população no ano de 1980 Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas. Revisão 2008.

Em números, o excedente feminino, que era de 2,5 milhões em 2000, chegará a seis milhões em 2050, conforme figura 02. Já a diferença entre a esperança de vida de homens e mulheres atingiu 7,6 anos em 2000 – sendo a masculina de 66,71 anos e a feminina de 74,29 anos.

Figura 02: Projeção da população no ano de 2050. Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas. Revisão 2008.

Ainda assim, as transformações no perfil demográfico do Brasil rumo a uma população envelhecida devem ser acompanhadas por medidas que proporcionem melhores condições de vida para tal população. A queda das taxas de fecundidade e mortalidade ocasionou uma mudança na estrutura etária brasileira, obtendo a diminuição da população mais jovem e o aumento proporcional dos idosos. Em 1980, a população brasileira dividia-se entre os que tinham acima ou abaixo de 20,2 anos. Em 2050, essa idade mediana será de exatos 40 anos. Conforme projeções do IBGE 2008, há outra comparação importante: em 2000, 30% dos brasileiros tinham de zero a 14 anos, e os maiores de 65 representavam 5% da população.


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Em 2050, esses dois grupos etários se igualarão. Tais números revelam a importância cada vez maior das políticas públicas relativas à previdência, diante do crescente número de indivíduos aposentados, em relação àqueles em atividade. Também se tornam cada vez mais importantes as políticas de Saúde voltadas para a Terceira Idade: se em 2000 o Brasil tinha 1,8 milhão de pessoas com 80 anos ou mais, em 2050 esse contingente poderá ser de 13,7 milhões. Para tanto, diante deste novo cenário, a sociedade deverá vivenciar mudanças urbanas, seja em edificações públicas, seja nos meios de transporte, além de mudanças no mercado de trabalho, sistemas de saúde públicos e privados, previdência e assistência social, além de passar por reestruturações de inclusão familiar e social.

3. O TURISMO E A TERCEIRA IDADE


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Diante da adoção do termo Terceira Idade em substituição à velhice, pode-se perceber a aposentadoria, que antes fazia referência ao descanso e ao recolhimento, com outra concepção: sinônimo de um período de lazer e atividades que busquem o divertimento e o bom proveito do tempo livre. Além de atentar-se aos problemas socioeconômicos dos idosos, é notada a necessidade de cuidados especiais culturais e psicológicos que visem à integração desse grupo à sociedade, até então acostumada a tê-lo como marginalizado. 3.1 Turismo e qualidade de vida na Terceira Idade

É noticiado em jornais e apresentado em revistas e demais meios de comunicação que o lazer desponta como uma das atividades relacionadas à qualidade de vida mais procurada pelos idosos de todo o País. Entretanto, não é possível afirmar tal informação com precisão, levando em consideração pesquisas realizadas na Europa e no Brasil que apontam os idosos como o grupo que menos busca o lazer e equipamentos de diversão. De acordo com Marcelino (2006), no Brasil, é compreensível tal característica, em virtude de aspectos sociais como a baixa aposentadoria que acarreta baixo poder aquisitivo e redução do padrão de vida. Justificando a busca por outras atividades que necessitem de menor investimento que no turismo. Ainda segundo Marcelino (2006), existem idosos que, embora tenham condições socioeconômicas favoráveis, não encaram o tempo ocioso com bons olhos. Principalmente aqueles que sempre trabalharam muito e encaram o tempo bom e saudável como aquele que é produtivo e que o torna útil. Além daqueles que apresentam debilidade física ou que não se encontram em condições favoráveis para a realização das atividades de lazer. Entretanto, diante de significativas mudanças no contexto brasileiro como, por exemplo, a criação de políticas que incentivem a prática de viagens de lazer para a terceira idade, cada vez mais os idosos buscam mudanças e fuga do isolamento, deixando de lado o sedentarismo e proporcionando a si mesmo melhorias na qualidade de vida. O lazer, de acordo com Gutierrez (2001), é um resultado histórico e fruto da Revolução Industrial, em que onde se define lazer ao tempo que não é trabalhado, ou seja, a busca de prazer e diversão no tempo livre.


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Porém, Gutierrez (2001) também acredita que o lazer o pode ser realizado baseado em alguns conceitos e dois deles valem ser frisados: liberdade de escolha e atividade desinteressada. Liberdade de escolha é a atividade que é praticada por opção. Pode-se dizer a partir disso que o Turismo se aplica a esse conceito. Já a atividade desinteressada é quando o lazer é praticado de forma lucrativa, ou seja, atividades como o artesanato que rendam financeiramente. É o exercício de liberdade e criatividade que, em situações de coletividade, promovem a integração. O tempo livre, segundo Paiva (1995), foi associado ao que o trabalhador recebe de salário, à jornada de trabalho, às férias e à aposentadoria, ao tempo ocioso que se preencheu com atividades. Além de contrapor o turismo como mercadoria a ser vendida, contextualizando o tempo livre como aproveitamento e enriquecimento pessoal, pautando-se futuramente no desenvolvimento sustentável e no respeito ao meio ambiente. Para Camargo (2000), há uma definição exata do lazer turístico que consiste na forma de lazer mais praticada e mais rica, pois atrelada ao divertimento e aos demais tipos de lazer, proporciona o conhecimento de novas culturas, novos ambientes e de novas pessoas. Contudo, assim como Marcelino (2006), Camargo (2000) defende que o turismo não é a atividade mais procurada pelos idosos como forma de lazer, a maioria deles opta pelo divertimento em casa ou na própria cidade. Mas, Camargo (2000) também defende a prática da atividade turística como a de maior movimentação econômica e de maior representatividade política. Destacando o setor turístico perante o lazer e a recreação, ao afirmar que o lazer difere do turismo. Porém, apesar de representar uma pequena parcela do lazer, apresenta grande potencial quantitativamente e qualitativamente, tornando-se pilar fundamental para a economia de uma determinada região receptora do turismo. Camargo (2000) ainda apresenta uma relação do lazer com o turismo, conforme figura 03, onde mostra que o turismo não se resume ao lazer, mas que outro segmento turístico como, por exemplo, o de negócios, não impede de praticar o lazer em algum momento de ociosidade. Segmentos Turísticos Turismo de negócios Turismo familiar Turismo religioso

Motivações de Lazer Suplementares ou inexistentes Suplementares ou inexistentes Suplementares ou inexistentes

Motivações Utilitárias Prioritárias Prioritárias Prioritárias


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Turismo de saúde Turismo cultural Turismo esportivo Turismo ecológico Turismo de 3ª idade Turismo de lazer

Suplementares ou inexistentes Prioritárias Prioritárias Prioritárias Prioritárias Prioritárias

Prioritárias Suplementares ou inexistentes Suplementares ou inexistentes Suplementares ou inexistentes Suplementares ou inexistentes Suplementares ou inexistentes

Figura 03: Quadro comparativo lazer e turismo. Fonte: CAMARGO, 2000.

Segundo Balanzá (2003), graças à tecnologia e ao desenvolvimento da medicina, é possível desfrutar de boa qualidade de vida que proporcione boas condições para realizar viagens e praticar o turismo. O Turismo possui um papel importantíssimo para o idoso, não somente pela prática do lazer, mas pelo conhecimento de novos lugares, culturas, além de proporcionar aprendizado e integração social. A utilização do tempo livre contínuo em viagens organizadas especificamente para as pessoas da terceira idade poderá servir de estímulo para o relacionamento com novos grupos, aumentando, conseqüentemente, o círculo de amizades. Proporciona assim uma abertura no universo cognitivo, novas vivências com outros modos de comportamentos, ou seja, uma ampla visão sobre os lugares distintos do seu cotidiano e, como conseqüência, maior repertório de informações que facilita a sua própria comunicabilidade. (BACAL, 2003, p.79)

Portanto, através da prática do Turismo, o idoso pode fugir da rotina de ociosidade, aproveitar do tempo livre para conhecer lugares nunca visitados, aprender novas línguas, vivenciando novas culturas e proporcionando melhorias na qualidade de vida desse segmento da população que mais tem crescido nos últimos anos. De acordo com Sant’anna (2007), o turismo para a terceira idade cresce a cada ano, principalmente pela conscientização dos benefícios que viajar traz para esse segmento da população, seja pela atividade física, seja pelo lazer, tornando a inatividade e o sedentarismo representantes de prejuízo para quem deseja viver com mais saúde. Os idosos que viajam são estimulados ao movimento, ao contato com a natureza, o que resulta em uma re-inclusão do idoso na sociedade e o redescobrimento de motivações e novas possibilidades para a vida depois dos 60.


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Sendo assim, há a garantia de que viajar diminui a incidência de estados depressivos, bem como a apatia diante da família e da sociedade. O grupo idoso que viaja torna-se mais confiante e passa a lidar melhor com as situações de conflito que existem nessa etapa da vida. 3.2 Políticas e Programas para a Terceira Idade

As políticas públicas desempenham um papel de fundamental importância na sociedade atual e podem ser vistas como um conjunto de ações exclusivas do Estado dirigidas a atender às necessidades de toda sociedade a fim de um bem comum. De acordo com Carvalho (2003), as políticas públicas são criadas como resposta do Estado às solicitações e anseios da sociedade, justificado, portanto, como um conjunto de ações coletivas que garantem perante a lei os direitos referentes a bens e/ou serviços sociais. Já Souza (2006), diz que as políticas públicas estão ligadas ao Estado e que determina como os recursos serão utilizados para o beneficio de seus cidadãos, fazendo uma síntese dos principais teóricos que trabalham o tema das políticas públicas relacionadas às instituições que dão a última ordem, de como o dinheiro sob forma de impostos deve ser acumulado e de como este deve ser investido, e ao final estabelecer a prestação de contas públicas do dinheiro gasto em prol da sociedade. Na citação a seguir, Meksenas (2002) mostra que não é a favor da definição de políticas públicas atrelada aos fins sociais. É preciso, portanto, não compartimentalizar o saber produzido acerca das políticas públicas como fins sociais para percebemos os seus contornos com os contextos da sociedade brasileira. “Assim, o estudo das políticas públicas como fins é o estudo das relações de poder, como também de estrutura e conjuntura da vida social, dos padrões de sociabilidade e da dinâmica da cultura”. (MEKSENAS, 2002 p.106)

Para tanto, pode-se dizer que no Brasil, diante da colonização portuguesa, não foram criadas e adotadas políticas que preservassem e fossem de cunho social, levando em consideração que o interesse português era estritamente econômico. Tornando um tanto quanto assertiva a citação de Meksenas.


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Diante da Constituição de 1988, as desigualdades sociais quanto aos idosos tornaramse mais visíveis, pois, em sua grande maioria, tiveram pouco acesso à educação formal e hoje não têm obrigatoriedade quanto ao voto. Segundo Bredemeire (2003), até o ano de 1994 não existia no Brasil uma política nacional para os idosos. Havia apenas um conjunto de iniciativas privadas e antigas, além de algumas medidas públicas contidas em programas que eram destinados a idosos carentes. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em 1993 foi regulamentado pela Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS, Lei nº 8.742 o BPC (Benefício de Prestação Continuada) que se trata de um direito constitucional que assegura as pessoas acima de 65 anos, como um de seus beneficiários, o repasse de um salário mínimo mensal proporcionando a inclusão social e a abrangência dos benefícios, embora um salário mínimo não satisfaça as necessidades da grande maioria idosa brasileira que se encontra abaixo da linha da pobreza. Em 1994, foi sancionada a Política Nacional do Idoso, Lei 8842/94, que assegura os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade. De acordo com Costa (1996), tal política se sustenta em cinco pilares: I.

A família, a sociedade e o Estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida;

II.

O processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser objetivo de conhecimento e informação para todos;

III.

O idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza;

IV.

O idoso deve ser o principal agente e o destinatário das transformações a serem efetivadas através dessa política;

V.

As diferenças econômicas, sociais, regionais e, principalmente, as contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser observadas pelos poderes públicos e pela sociedade em geral na aplicação dessa lei.


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Entretanto, é importante destacar que somente após o ocorrido na Clínica Santa Genoveva (clínica privada no Rio de Janeiro), que resultou na morte de quase uma centena de idosos por maus tratos no ano de 1996, as autoridades governamentais brasileiras intensificaram seu papel diante de políticas específicas para os idosos. O Estatuto do Idoso foi aprovado em setembro de 2003, após sete anos tramitando no Congresso, e sancionado pelo presidente da República no mês seguinte, ampliando os direitos dos cidadãos com idade acima de 60 anos. O estatuto é mais abrangente que a Política Nacional do Idoso, lei de 1994 que dava garantias à terceira idade, pois implica em severas penas para quem desrespeitar ou abandonar cidadãos da terceira idade e está fundamentado principalmente nos seguintes aspectos: I.

Saúde: O idoso tem atendimento preferencial no Sistema Único de Saúde (SUS). A distribuição de remédios aos idosos, principalmente os de uso continuado (hipertensão, diabetes etc.), deve ser gratuita, assim como a de próteses e órteses. Além disso, os planos de saúde não podem reajustar as mensalidades de acordo com o critério da idade e o idoso internado ou em observação em qualquer unidade de saúde tem direito a acompanhante, pelo tempo determinado pelo profissional de saúde que o atende.

II. Transportes Coletivos: Os maiores de 65 anos têm direito ao transporte coletivo público gratuito. Antes do estatuto, apenas algumas cidades garantiam esse benefício aos idosos. A carteira de identidade é o comprovante exigido. É obrigatória a reserva de 10% dos assentos para os idosos, com aviso legível e, nos transportes coletivos interestaduais, o estatuto garante a reserva de duas vagas gratuitas em cada veículo para idosos com renda igual ou inferior a dois salários mínimos. Se o número de idosos exceder o previsto, eles devem ter 50% de desconto no valor da passagem, considerando-se sua renda. III. Violência e abandono: Nenhum idoso poderá ser objeto de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão. Quem discriminar o idoso, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte ou a qualquer outro meio de exercer sua cidadania pode ser condenado e a pena varia de seis meses a um ano de reclusão, além de multa. Para os casos de


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idosos submetidos a condições desumanas, privados da alimentação e de cuidados indispensáveis, a pena para os responsáveis é de dois meses a um ano de prisão, além de multa. Se houver a morte do idoso, a punição será de 4 a 12 anos de reclusão. IV. Entidades de atendimento ao idoso: O dirigente de instituição de atendimento ao idoso responde civil e criminalmente pelos atos praticados contra o idoso. A punição em caso de mau atendimento aos idosos vai de advertência e multa até a interdição da unidade e a proibição do atendimento aos idosos. V. Lazer, cultura e esporte: Todo idoso tem direito a 50% de desconto em atividades de cultura, esporte e lazer. VI. Trabalho: É proibida a discriminação por idade e a fixação de limite máximo de idade na contratação de empregados, sendo passível de punição quem o fizer. O primeiro critério de desempate em concurso público é o da idade, com preferência para os concorrentes com idade mais avançada. VII. Habitação: É obrigatória a reserva de 3% das unidades residenciais para os idosos nos programas habitacionais públicos ou subsidiados por recursos públicos. Em relação ao turismo, a principal função que as políticas públicas assumem é democratizar a prática desta atividade, permitindo que o maior número possível de pessoas idosas possa viajar. No Brasil, existe o programa “Viaja Mais Melhor Idade” que é uma iniciativa do Ministério do Turismo e que facilita e estimula brasileiros acima de 60 anos a viajar pelo País na baixa ocupação. Pacotes especiais e descontos exclusivos em meios de hospedagem fazem parte do programa. Além de promover a inclusão social dos idosos, o “Viaja Mais Melhor Idade” fortalece o turismo interno e gera benefícios por todo o País. Através da organização de pacotes customizados para a melhor idade e descontos especiais em meios de hospedagens, o programa representa também um importante vetor de expansão do turismo interno. De acordo com o Ministério do Turismo, o programa inclui dois produtos:


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I.

Pacotes de viagem: montados exclusivamente para melhor idade. As viagens são customizadas de níveis turístico, superior e luxo, com transportes aéreo e/ou rodoviário. A duração dos pacotes varia conforme mercado e destino e pode ser de três a oito dias.

II.

Hotéis e pousadas: oferece exclusivamente para a melhor idade, desconto de até 50% na tarifa praticada no Portal de Hospedagem no período de baixa ocupação. Atualmente o Portal de Hospedagem conta com 2 mil meios de hospedagem em 588 destinos do País.

Na cidade de Fortaleza existem cerca de 50 meios de hospedagem que adotam o programa “Viaja Mais Melhor Idade”. A reserva é realizada diretamente com o Meio de Hospedagem, e para demais informações como tarifa, período de disponibilidade, serviços oferecidos, entre outros, deve-se acessar a página do hotel dentro do Portal de Hospedagem. O cliente melhor idade tem direito a 01 (um) acompanhante com mesmo desconto e mesma acomodação. De acordo com as regras do programa, podem viajar idosos, aposentados, pensionistas, além de acompanhantes maiores de 16 anos. Mais detalhes podem ser visualizados no Anexo 1. Portanto, é papel das políticas públicas controlar a qualidade dos bens e serviços oferecidos, prover a utilização sustentável dos atrativos turísticos naturais e culturais, incentivar o estabelecimento de parcerias entre os empresários turísticos e outros comerciantes locais, ampliar as possibilidades de capacitação dos envolvidos além de intervir na realização de obras de infraestrutura que contribuam para o turismo.

3.3 O idoso como cliente dos hotéis

Diante do crescimento e desenvolvimento do Turismo no Brasil e no mundo, significativos investimentos podem ser vistos em todos os setores que envolvem o turismo.


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Desde pequenos empreendimentos hoteleiros que se destacam pelo investimento na qualidade do serviço prestado até a capacitação dos profissionais da área em grandes hotéis, o turismo desponta como uma das áreas que mais cresce economicamente no País. Entretanto, percebe-se que são pontuais os hotéis que adequam o espaço físico para o hóspede idoso ou de acessibilidade reduzida. O que muitos dos empreendimentos hoteleiros podem não ter atentado encontra-se no fato do idoso poder se deslocar durante a baixa estação ocupando espaços ociosos no hotel e, dessa forma, justificando os investimentos a serem realizados nesse tocante. Considerando o fato de o hotel ser utilizado por diversos usuários, é oportuno destacar, que, em virtude de tal diversidade de receptivo, faz-se necessário o oferecimento de alternativas para o cliente, sendo acessível a todos. O termo acessibilidade possui inúmeros aspectos quanto à sua definição e até os dias atuais sofre modificações. Segundo a Norma Brasileira 9050 (2004), acessibilidade corresponde a: “Possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos” (NBR 9050, 2004, p. 2). Entretanto, segundo Oliveira (2006), porém, o conceito é mais amplo, a acessibilidade corresponde à compreensão funcional, organizacional e das relações espaciais que o ambiente estabelece. Além disso, a participação das atividades é através de equipamentos disponíveis com segurança e autonomia. Segundo Dischinger e Bins (2007), quatro são os componentes que identificam e são capazes de avaliar o nível de acessibilidade de um ambiente: I.

Orientação espacial: é a condição de compreensão do espaço permitindo ao usuário orientar-se, ou seja, saber onde se está, o que fazer e para onde ir, a partir de informação arquitetônica e adicional (placas, mapas, letras). É o que permite definir rotas para chegar a um determinado destino.

II.

Deslocamento: possibilidade de deslocar-se de forma independente ao longo dos percursos verticais e horizontais. Os percursos devem ser livres de obstáculos, confortáveis e seguros.


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III.

Uso: condição que permite o uso dos equipamentos e a participação nas atividades sem conhecimento prévio. As atividades e os equipamentos devem permitir o acesso de todos os usuários com conforto e autonomia.

IV.

Comunicação: é a troca de informações entre pessoas ou entre pessoas e equipamentos de tecnologia assistiva (terminais de computador, telefones com mensagem de texto) que permitam o ingresso e o uso de ambientes. A norma técnica brasileira NBR 9050 (2004) aponta que os meios de hospedagem

devem ter no mínimo 01 (um) do total de dormitórios com sanitário devem ser acessíveis os quais não deverão ficar isolados dos demais, em rota acessível. Além disso, 10% dos outros dormitórios devem ser adaptáveis à acessibilidade. Aponta ainda que, as dimensões do mobiliário dos dormitórios acessíveis devem atender às condições de alcance manual e visual, e ser dispostos de forma a não obstruírem uma faixa livre mínima de circulação interna de 0,90 m de largura, prevendo área de manobras para o acesso ao sanitário, camas e armários. Devendo haver pelo menos uma área com diâmetro de no mínimo 1,50 m que possibilite um giro de 360° e a altura das camas deve ser de 0,46 m. De acordo com o “Manual de recepção e acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência a empreendimentos e equipamentos turísticos” elaborado pela EMBRATUR, além de regulamentar os investimentos no setor turístico baseado nas normas técnicas de acessibilidade, torna obrigatória a existência de uma unidade habitacional adaptada (apartamento com banheiro privativo) em meios de hospedagem a partir de 1987 e, os anteriores a esta data, devem ser adaptados mesmo que não sofram reforma estrutural. No Brasil, existem hotéis especializados no receptivo de idosos. Um exemplo de destaque é o Residence Care – Hotelaria Assistida para Idosos localizado na cidade de São Bernardo do Campo, São Paulo. Trata-se de um empreendimento hoteleiro que possui 2.800m² com todas as adaptações necessárias para a segurança e necessidades do idoso, incluindo as NBR 9050 (2004), além de áreas de lazer e piscina. O hotel conta com elevadores e possui rampas ergonômicas que facilitam o acesso, inclusive, de cadeirantes. Dentre os diferenciais dos quartos, pode-se destacar:


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I.

Existência de botões conectados a enfermagem que existe em cada andar;

II.

Criados-mudos presos a parede para evitar acidentes;

III.

Piso totalmente lavável e sem emendas;

IV.

Barras de apoio no box e próximo aos sanitários;

V.

Cadeiras de banho para o auxílio;

Nas áreas de lazer, o hóspede idoso terá acesso a rampas com 10% de inclinação, iluminação adequada, janelas em todos os ambientes, sofás ergonômicos, piscina de 36m², devidamente aquecida, com escada adaptada para receber a todos, inclusive pessoas com pouca mobilidade ou portadores de cadeira de roda, como pode ser visualizado na figura 04.

Figura 04: Piscina adaptada para o receptivo de cadeirantes Fonte: www.residencecare.com.br

Além disso, o hotel possui consultório médico, fisioterapeutas, viveiro de pássaros, salão de beleza, salão de jogos, cafeteria, biblioteca e cozinha industrial. E, para os familiares que preferem acompanhar seus parentes que decidirem ficar hospedados no hotel em full time, é possível assistir a eles 24 horas, sendo acesso restrito aos familiares. Portanto, embora exista uma norma que determina condições adequadas de acessibilidade, nota-se a necessidade de dados mais precisos no tocante à biometria dos idosos brasileiros, considerando-se as características físicas e psicológicas além de outros fatores gerontológicos que influenciam no seu conforto. Boa parte das fontes bibliográficas é fundamentada em pesquisadores europeus, não refletindo, assim, a realidade brasileira. A análise detalhada das necessidades de espaço e dispositivos tecnológicos em áreas de hospedagem num hotel esclarece o que hoje já se mostra necessário e indisponível.


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Justificando assim, a necessidade de preparar o hotel para o receptivo desses potenciais consumidores dos serviços de hospedagem durante a baixa estação.

4. METODOLOGIA DA PESQUISA A metodologia da presente pesquisa pode ser classificada de acordo com a natureza da pesquisa, a abordagem, os objetivos e os métodos. Segundo Fonseca (2002), a metodologia corresponde a uma explicação detalhada de toda ação que será desenvolvida durante o trabalho de pesquisa.


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De acordo com Monayo (2001), a metodologia envolve a escolha do espaço da pesquisa, a escolha do grupo da pesquisa, o estabelecimento dos critérios de amostragem, a construção de estratégias para entrada em campo, a definição de instrumentos e procedimentos para a análise dos dados. Quanto à natureza da pesquisa, a presente monografia corresponde à pesquisa aplicada, levando em consideração que gerará conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. Diz respeito à Terceira Idade como fator de aumento da taxa de ocupação hoteleira na cidade de Fortaleza. Quanto à abordagem, segundo Pereira (2010), a pesquisa é qualitativa, pois reflete na observação de fatos reais e busca uma compreensão profunda do contexto analisado, tratando da Terceira Idade como um mercado consumidor em potencial dos serviços prestados pela hotelaria de Fortaleza. Quanto aos objetivos, trata-se de uma pesquisa descritiva. Para Gil (1991), a pesquisa é descritiva, pois visa a descrever as características de determinada população, ou seja, a Terceira Idade. A metodologia da presente pesquisa assume em geral os seus objetivos baseados na pesquisa bibliográfica; utilizando-se de livros, revistas, artigos e informações a partir da internet; e pesquisa de campo. Segundo Fonseca (2002), os questionários fazem parte do método de pesquisa Survey, ou seja, a obtenção de dados ou informações sobre as características, as ações ou as opiniões de um determinado grupo de pessoas, indicado como representante de um público-alvo utilizando de um instrumento de pesquisa, o mais comum, o questionário, para se chegar a uma conclusão sobre a hipótese da pesquisa. A coleta de dados, através de questionários, fundamentou a pesquisa de campo desenvolvida. A pesquisa foi realizada no dia 06 de junho de 2010, com 20 participantes do Núcleo Super do Povo Passaré que fazem parte do Programa Saúde, Bombeiros e Sociedade, todos os entrevistados com mais de 65 anos de idade. Também foram coletados dados e informações através de entrevista com 05 hotéis de Fortaleza: Gran Marquise Hotel, Hotel


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Seara, Hotel Sonata de Iracema, Hotel Holiday Inn e Hotel Blue Tree no tocante à existência de equipamentos e atrativos para o público idoso. Tais instrumentos de pesquisa foram escolhidos em virtude da praticidade e facilidade de acesso às informações e dados. As etapas da pesquisa foram respectivamente: pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo com a análise dos dados para, assim, apresentar as considerações finais da presente monografia. 4.1 Sujeitos da pesquisa

O universo da pesquisa corresponde aos componentes do Programa Saúde, Bombeiros e Sociedade que hoje conta com quase 230 núcleos espalhados na cidade de Fortaleza e região metropolitana, bem como em alguns municípios do interior do Estado (São Gonçalo do Amarante, Juazeiro, Crato, Crateús, Iguatu, Limoeiro do Norte, Barbalha, Sobral, Hidrolândia, Pindoretama, Guaiúba, Redenção, Canindé, Russas, etc.), atendendo aproximadamente 60 (sessenta) mil pessoas que são beneficiadas com atividades recreativas, orientadas por bombeiros, objetivando ofertar aos participantes, momentos de prazer, conforme figura 5. É um perfeito trabalho de inclusão social e cidadania, bem como o resgate da autoestima dos idosos e demais participantes.

Figura 05: Concentração dos participantes do Programa Saúde, Bombeiros e Sociedade Fonte: www.bombeiros.ce.gov.br


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Este é um projeto do Centro de Treinamento e Desenvolvimento Humano, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará. Sendo de altíssima relevância para a sociedade cearense, uma vez que salva vidas, tirando da ociosidade cerca de 60.000 pessoas da terceira idade, em todo o Estado. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará percebeu que, através de atividades físicas programadas e de baixo impacto e do estímulo à participação em programas de relevância social, poderia enfrentar o problema de exclusão social e dos preconceitos sofridos pelos idosos, proporcionando-lhes melhoria na qualidade de vida. O trabalho, desenvolvido pelos integrantes da Corporação do Corpo de Bombeiros, oferece, diariamente, recreação, atividades físicas e socioculturais orientadas, além de esclarecimento quanto à saúde e o bem-estar através de palestras abordando temas como diabetes, hipertensão, primeiros-socorros, acidentes domésticos etc. Também foram utilizados como sujeitos de pesquisa 05 hotéis da cidade de Fortaleza: I.

Gran Marquise Hotel: classificado na categoria luxo e localizado na Avenida Beira Mar, possui 214 apartamentos e 16 suítes, conforme figura 06, equipados com ar-condicionado, frigobar, cofre, TV e banheira, entre outras facilidades, incluindo quarto para deficientes bem como andar para não-fumantes. O hotel conta ainda com lobby bar, piscina, health club, business center e centro de convenções.

Figura 06: Acomodação do Gran Marquise Hotel Fonte: www.granmarquise.com.br

II.

Hotel Seara: classificado na categoria luxo e localizado na Avenida Beira Mar, possui 217 apartamentos, conforme figura 07, sendo 01 Suíte Presidencial, 19


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Suítes Júnior, 57 Gran Luxo e 140 Luxo Master equipadas com arcondicionado e tv a cabo com controles individuais, internet banda larga, minibar, cofre eletrônico digital individual e secador de cabelos. Além disso, possui quatro apartamentos equipados e adaptados para pessoas com necessidades especiais.

Figura 07: Acomodação do Hotel Seara Fonte: www.hotelseara.com.br

III.

Hotel Sonata de Iracema: um dos hotéis da FE Hotelaria, possui 117 apartamentos, conforme figura 08, sendo 39 doubles, 64 twins, 13 triplos e um apartamento para portadores de necessidades motoras especiais, todos os quartos com TV tela plana, frigobar, cofre, bancada, telefone com acesso direto e internet.

Figura 08: Acomodação do Hotel Sonata Fonte: www.sonatadeiracema.com.br

IV.

Hotel Holiday Inn: é uma das marcas de hotéis mais reconhecidas e que mais crescem no mundo, pertencentes à rede inglesa IHG (InterContinental Hotels


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Group). Possui 273 Quartos; conforme figura 09; 21 Suítes, 78 Quartos para não-fumantes, 252 Quartos com cama de casal, 21 Quartos com cama king size e 21 Andares.

Figura 09: Acomodação do Hotel Holiday Inn Fonte: www.hinnbrasil.com.br/hotel_for_fortaleza_home.php

V.

Hotel Blue Tree: possui 248 apartamentos; conforme figura 10; com decoração moderna e aconchegante, sendo 90% com vista mar. Todos eles dispõem de: varanda, ar-condicionado central com controle individual, TV a cabo, cofre digital, minibar, secador de cabelos profissional, linha telefônica, internet com banda larga e wi-fi em todos os apartamentos.

Figura10: Acomodação do Hotel Blue Tree Fonte: www.bluetree.com.br

4.2 Instrumento de coleta de dados

Como primeira providência, entrou-se em contato com a coordenadora do Núcleo Super do Povo Passaré do Programa Saúde, Bombeiro e Sociedade para expor os objetivos da


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pesquisa e por consequência solicitar seu apoio e suporte para a concretização da presente monografia. Realizou-se a coleta de dados através do questionário como instrumento, e utilizou-se da técnica padronizada para explicitar os principais aspectos da pesquisa. Foram elaboradas perguntas objetivas visando a fundamentar os objetivos do estudo. Somente com as pessoas acima de 65 anos foram aplicados os questionários. Para a coleta de dados dos hotéis supracitados, entrou-se em contato com o setor de Reservas para a realização da entrevista.

5. A HOTELARIA E A TERCEIRA IDADE

5.1 O idoso e sua relação com a Hotelaria

Dentre as atividades realizadas pelo grupo que compõe o Núcleo Super do Povo Passaré do Programa Saúde, Bombeiro e Sociedade estão as viagens, ou seja, a prática do turismo como forma de lazer. A pesquisa foi realizada no dia 06 de junho de 2010 durante um passeio ao município da Caponga para visitar a praia de Águas Belas. Somente pessoas acima de 65 anos foram entrevistadas, tendo um total de 20 entrevistados. Os resultados obtidos através da aplicação de questionário foram os seguintes:

TABELA 01: Faixa Etária


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De acordo com o grupo amostral, apresentou-se 14 mulheres e 6 homens, o que significa que 70% do público amostral é feminino e os outros 30% masculino. Além disso, verificou-se que 43% do público feminino encontra-se na faixa etária de 65 a 70 anos de idade, 28,5% encontra-se entre 71 e 76 anos e os outros 28,5% acima de 76 anos. Conclui-se que a maioria dos idosos que participam de grupos de lazer é composto pelo público feminino.

TABELA 02: Estado Civil

De acordo com o grupo pesquisado 07 das 14 mulheres são viúvas contrapondo-se com 2 dos 6 homens. Os outros 50% do público feminino encontra-se dividido em 5 casadas e 2 solteiras. No público masculino, 4 são casados e nenhum é solteiro. Sendo assim, o grupo idoso ativo é composto em sua maioria por indivíduos casados.

TABELA 03: Nível de escolaridade


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De acordo com o nível de escolaridade do grupo amostral, apresentou-se que a maioria do público feminino é composta por mulheres que possuem o ensino médio completo contrapondo-se a maioria do público masculino que apresenta sua maioria com ensino fundamental completo. Portanto, nota-se que a prática de atividades de lazer independe do nível de escolaridade do idoso.

TABELA 04: Renda Mensal

Constatou-se que a maioria do público feminino possui uma renda mensal de apenas 1 salário mínimo, contrapondo-se com a maioria do público masculino que possui entre 2 e 5 salários. Isso corresponde à necessidade de pacotes e tarifas especiais para esse público que não dispõe de renda elevada, mas está disposto a investir no lazer, mesmo que não seja muito.

TABELA 05 – Preferência quanto ao lazer


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De acordo com a preferência quanto ao lazer do grupo amostral, apresentou-se que a maioria do público feminino e do público masculino optou por viajar como melhor forma de lazer. O que apresenta que o público idoso tem a realização de viagens como melhor opção diante de tantas outras atividades.

TABELA 06: Frequência das viagens

De acordo com a frequência das viagens, verificou-se que a maioria do público feminino viaja pelo menos 01 (uma) vez por ano e o público masculino a cada 6 (seis) meses. O que corresponde a uma frequência de grande relevância, levando em consideração que o idoso pelo menos uma vez ao ano viajará e conhecerá novos lugares e culturas, e, consequentemente, novos meios empreendimentos hoteleiros.

TABELA 07: Preferência quanto ao tipo de turismo


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De acordo com a preferência quanto ao tipo de turismo tanto homens quanto mulheres optaram, na sua maioria, por viagens de sol e praia. Isso aponta Fortaleza, portanto, como ícone de receptivo de idosos que buscam esse tipo de turismo.

TABELA 08: Preferência quanto a viajar acompanhado

De acordo com a preferência quanto a viajar acompanhado tanto homens quanto mulheres optaram, na sua maioria, por viajar acompanhado. Significa assim que um idoso leva sempre um acompanhante que movimenta ainda mais a economia do mercado turístico.

TABELA 09: Motivação para viajar


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De acordo com a motivação para viajar a maioria do público feminino e masculino optou por viajar como forma de lazer, seguido de convite de amigos e familiares. Consta-se, portanto, que a maior motivação do idoso ao viajar é para praticar o lazer. O que demonstra que o hóspede idoso procurará se divertir na cidade e aproveitar ao máximo do hotel durante sua estadia.

TABELA 10: Conhecimento do Programa Viaja Mais Melhor Idade

De acordo com o conhecimento do programa “Viaja Mais Melhor Idade” 100% do público masculino não tinha ciência da existência do programa e 93% do público feminino também desconhecia o programa até o dia da aplicação do questionário. O que demonstra a ineficiência da veiculação institucional do programa, uma vez que o público-alvo desconhece os benefícios.

TABELA 11: Busca por pacotes exclusivos


46

De acordo com a busca por pacotes turísticos exclusivos, 100% do público feminino não demonstrou interesse por pacotes especiais bem como a maioria do público masculino. Segundo eles, a preferência é por valores reduzidos.

Mais uma vez identificou-se a

necessidade de melhorias quanto aos meios de comunicação utilizados para veiculação das promoções.

TABELA 12: Costume adquirido de viajar

De acordo com o costume adquirido de viajar, a maioria feminina sempre gostou de viajar e a maioria masculina passou a viajar mais depois da aposentadoria. Sendo assim, o hóspede idoso considera viajar como algo que sempre foi prazeroso. E que após a aposentadoria, o tempo disponível e a necessidade de atividades de lazer fizeram do turismo uma atividade de grande procura, embora não tenham conhecimento de pacotes diferenciados.

TABELA 13: Utilização da Hospedagem em hotéis


47

De acordo com a maioria do público feminino e masculino já se hospedaram em hotel, ou seja, tem conhecimento do equipamento hoteleiro. O que corresponde que a maioria dos entrevistados utiliza dos hotéis como meio de hospedagem durante suas viagens.

TABELA 14: Fator decisivo para a escolha do Hotel

De acordo com a pesquisa, o fator decisivo para a escolha do Hotel, tanto para a maioria do público feminino e quanto para a do masculino optou-se por tarifas reduzidas, seguidos pelo conforto. Conclui-se, portanto, que o idoso procura por tarifas reduzidas e conforto, mas, como o mesmo não tem conhecimento dos pacotes exclusivos, o número de viagens no decorrer do ano é diminuído. 5.2 O perfil da Hotelaria em Fortaleza para o receptivo de idosos


48

Fortaleza é a capital do Estado do Ceará. Conhecida mundialmente por suas belezas naturais é tida como importante pólo turístico, movimentando significativas parcelas da economia cearense, desde os restaurantes aos grandes hotéis. Os empreendimentos hoteleiros de Fortaleza, bem como os demais do País, são afetados negativamente com os efeitos da baixa estação, justificando assim a aplicação da pesquisa. A pesquisa foi realizada no dia 14 de junho com os seguintes hotéis: Gran Marquise Hotel, Hotel Seara, Hotel Sonata de Iracema, Hotel Holiday Inn e Hotel Blue Tree e teve como objetivo analisar o mercado de ofertas hoteleiras para a Terceira Idade na cidade de Fortaleza. Os resultados obtidos através da aplicação de questionário foram os seguintes:

TABELA 15: Disponibilidade de quartos adaptados para pessoas com acessibilidade reduzida

De acordo com a disponibilidade de quartos adaptados para pessoas com acessibilidade reduzida, o Hotel Seara desponta como melhor receptivo para idosos na cidade de Fortaleza, levando em consideração que tem um equipamento melhor estruturado para receber grupos de idosos, seguido do Hotel Blue Tree. O Hotel Holiday Inn não obedece à Norma Técnica Brasileira de Acessibilidade ― NBR 905, não apresentando nenhum dormitório adequado para a acessibilidade. O Gran Marquise Hotel e o Hotel Sonata de


49

Iracema obedecem à NBR 905, mas não ultrapassam o número de 3 uh’s. O que corresponde a um equipamento hoteleiro pouco atraente para os idosos que buscam conforto.

TABELA 16: Participação do Programa “Viaja Mais Melhor Idade”

De acordo com os hotéis entrevistados, 80% deles participam do Programa Viaja Mais Melhor Idade, e apenas 20% não participam, o que demonstra que nem todos os empreendimentos hoteleiros da cidade se mostram interessados quanto ao receptivo do público idoso.

TABELA 17: Existência de tarifa promocional para o público da Terceira Idade

De acordo com a existência de tarifas promocionais para o idoso, 60% dos hotéis entrevistados apresentaram descontos que chegam a 50% da tarifa balcão e 40% dos hotéis não apresentam nenhuma promoção específica. Confirmando assim o desinteresse dos hotéis


50

quanto à essa parcela da população. O que leva a crer que não há o conhecimento dos hotéis sobre o público idoso como grande aliado nos períodos de baixa estação.

TABELA 18: Período do ano com maior índice receptivo de idosos nos hotéis

De acordo com os hotéis entrevistados, 100% apontaram a baixa estação como período do ano com maior índice receptivo de idosos em hotéis. O que é justificado pela busca de valores reduzidos e tranquilidade durante esse período. Portanto, o público idoso mostra-se mais receptivo a viagens durante os períodos de baixa estação que correspondem aos períodos de grande ociosidade na cadeia hoteleira da cidade. TABELA 19: Solicitações exclusivas dos idosos durante sua estadia

De acordo com as solicitações exclusivas dos idosos durante sua estadia no hotel, os pedidos por andar baixo e tranquilidade despontam como os mais solicitados. Seguidos de


51

banheiros sem banheira e piso frio. O que se pode concluir que não são feitas grandes exigências nem necessárias grandes mudanças na estrutura do equipamento hoteleiro. Fazendo necessários apenas algumas adaptações nas unidades habitacionais e maior atenção na hospedagem desse público.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS No Brasil e no mundo, nota-se o desenvolvimento do turismo. Seja no verão ou no inverno, o mundo todo recebe visitantes de todos os sexos, de diversas culturas e de todas as idades. Atrelados a esse crescimento surgiram os meios de hospedagem a fim de abrigar os visitantes estrangeiros durante a sua estadia em determinada localidade. Com o crescimento demográfico, observou-se que o País tem uma nova configuração etária. Se nos anos 80 apresentava-se como um país jovem, hoje e em projeções futuras aponta-se que os brasileiros estão vivendo e viverão mais, consequentemente o nível de consumo se desenvolverá em todos os setores da economia. É justamente nesse contexto que terceira idade, atual conceito para velhice, se depara com o turismo e juntos se projetam como parceria de grande sucesso. O termo terceira idade, por exemplo, surgiu com a necessidade de atingir interesses econômicos, inclusive do turismo, mostrou-se para os idosos que velhice pode ser sinônimo de diversão e lazer, ao invés de inatividade e isolamento.


52

O Governo Brasileiro lançou o Programa “Viaja Mais Melhor Idade” como incentivo aos idosos para utilizar das viagens como opção de lazer, movimentando assim diversos setores da economia, ajudando inclusive, os meios de hospedagem a deixá-los sempre mais cheios durante os períodos de baixa estação que tanto desequilibra o setor turístico. Em 2007, o Programa ganhou uma adesão no tocante à hospedagem, intensificando ainda mais o objetivo de suprir as necessidades do setor hoteleiro durante a baixa estação. Dentre as especificações da adesão estão os descontos de até 50% (cinquenta por cento) da tarifa

publicada

no

site

do

PORTAL

DE

HOSPEDAGEM

(www.portaldehospedagem.com.br) para o público idoso em hotéis cadastrados no programa, nos períodos de baixa ocupação, respeitando as especificidades de cada região do país (exceto julho e feriados) e em períodos disponíveis pelos meios de hospedagem. A cidade de Fortaleza, com seu apelo turístico justificado por suas belas praias e sol na maior parte do ano, posiciona-se como um dos mais importantes pólos turísticos do Brasil. Tanto na demanda turística quanto na demanda hoteleira, Fortaleza desponta com significativos índices de crescimento. Dessa forma, sendo destaque no cenário nacional, Fortaleza apresenta-se como promissora no receptivo de idosos de todo o País. Muitos idosos possuem nível de renda considerável e estável, têm disponibilidade de tempo para viajar em qualquer época do ano e podem encontrar no turismo a melhor opção de lazer. Partindo desse pressuposto, a presente pesquisa analisou o perfil dos idosos de um determinado grupo de Fortaleza e o apontou como representante da Terceira Idade. E como representantes da hotelaria de Fortaleza foram escolhidos 5 dos hotéis mais procurados pelos turistas na cidade. De acordo com a pesquisa, a maioria do público idoso que busca atividades de lazer é feminina, viúva, possui ensino médio completo, tem renda mensal mínima de 01 salário, prefere viajar como preferência de lazer no mínimo 01 vez por ano. Além disso, prefere viajar para destinos focados em sol e praia e viajam acompanhados. Quanto à escolha do meio de hospedagem, busca por tarifas reduzidas e a maioria do grupo entrevistado já se hospedou em hotel. Entretanto, não buscam por pacotes exclusivos para a terceira idade uma vez que quase 100% do público amostral representante desconhece o “Programa Viaja Mais Melhor


53

Idade”, justificando, portanto, a necessidade de uma divulgação massiva e abrangente que posicione o idoso ciente dos descontos que o governo brasileiro o proporciona. Já no cenário hoteleiro, a cidade se mostra precária quanto à existência de equipamentos específicos que atendam às necessidades do público idoso. Diferentemente do que é possível observar em outros estados que possuem hotéis exclusivos para a Terceira Idade. Fortaleza possui poucos hotéis que possuam mais de 03 unidades habitacionais destinadas ao público de acessibilidade reduzida. Cerca de 60% dos hotéis entrevistados investem no público idoso através de promoções diante da tarifa balcão que chegam a 50% de desconto. Todos os hotéis alegaram ser a baixa estação o período que mais recebe o público idoso. O que demonstra que o público idoso pode vir a ser um importante aliado durante os períodos de ociosidade hoteleira da capital cearense. Pode-se concluir, portanto, que, promoções, divulgação eficiente, melhorias no equipamento hoteleiro, incluindo, melhor acessibilidade apresentam-se como fatores indispensáveis para o receptivo do público idoso que despontou nos últimos anos como potenciais clientes do turismo, e consequentemente da hotelaria que em muito tem a se beneficiar diante das quedas de ocupação que durante os períodos de baixa estação desequilibra a economia hoteleira. Configura-se, assim, atingindo aos objetivos da pesquisa, a Terceira Idade como potencial clientela dos hotéis da capital cearense.


54

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BACAL, Sarah. Lazer e universo dos possíveis. São Paulo: Aleph, 2003. BALANZÁ, Isabel Meio e NADAL, Mônica Cabo. Marketing e Comercialização de Produtos Turísticos. São Paulo: Thomson Learning, 2003. BORBA, V.R. O envelhecimento da humanidade. In: SEMINÁRIO UNESP-UNATI, 3.2001, Rio Claro, Anais. Rio Claro: UNESP, 2001. BARROS, Myriam Moraes Lins de. Velhice ou Terceira Idade. Rio de Janeiro: FGV, 2006. BREDEMEIRE, S.M.L. Conselho do idoso como espaço público. Revista Serviço Social e Sociedade, ano XXIV, n.75, p.84-102, 2003. CAMARGO, Luiz Octávio de Lima. Sociologia do lazer. São Paulo: Senac, 2000. CARVALHO, Alysson. Políticas Públicas. Belo Horizonte: UFMG, 2003. COSTA, Elisabeth Maria Sene. Gerontodrama: a velhice em cena: estudos clínicos e psicodramáticos sobre o envelhecimento e a terceira idade. São Paulo: Ágora, 1998. COSTA, L.V.A. Política Nacional do Idoso: perspectiva governamental. In: Anais do I Seminário Internacional – Envelhecimento Populacional: uma agenda para o final do século. Brasília: MPAS, SAS, 1996. DEBERT, G.G. Família, classe social e etnicidade: um balanço da bibliografia sobre experiência de envelhecimento. BIB – Anpoes, 1992. DISCHINGER, Marta; BINS ELY, Vera H. M. Promovendo acessibilidade nos edifícios públicos: guia de avaliação e implementação de normas técnicas. Santa Catarina: Ministério Público do Estado, 2007. EMBRATUR . Manual de recepção e acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência a empreendimentos e equipamentos turísticos. BRASÍLIA: 1999.


55

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56

NORMA

Brasileira

9050.

Acessibilidade

a

edificações,

mobiliário,

espaços

e

equipamentos urbanos. ABNT,2004. OLIVEIRA, A. S. D. A. de. Acessibilidade espacial em centro cultural: estudo de casos. Florianópolis, 2006. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) PAIVA, Maria das Graças de Menezes V. Sociologia do Turismo. São Paulo: Papirus,1995. PEIXOTO, Clarisse. In: Velhice ou terceira idade. Rio de Janeiro: FGV, 2006. PEREIRA, Marco Antonio. Metodologia de Pesquisa. Universidade de São Paulo: 2010. ROBERTO, Gelson Luis. Aquém e além do tempo: uma análise psicológica e espírita das etapas da vida. Porto Alegre: AGE, 2004. SANT’ANNA, Adriano Lins. Renovando sempre. Artigo - 2007 SANTOS, B.D. 3ª idade: os novos consumidores do Turismo. Artigo. – Revista Turismo. 2003. SILVA, Janaína Corazza Barreto. Desenvolvimento Humano na Velhice: um estudo sobre as perdas e o luto entre mulheres. Trabalho apresentado no III Congresso Ibero-americano de Psicogerontologia. São Paulo, 2002. SOUZA, Celina. Políticas Públicas: uma revisão da literatura. IN Sociologias nº 16. Junho/dezembro 2006, p. 20-45. Pesquisa infográfica ZACHARIAS, Silvia Teresa. Refletindo sobre a Terceira Idade. Pesquisa realizada na internet, no site http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/3idade/refletindo_idade.html, no dia 25 de abril de 2010. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Pesquisa realizada na internet, no

site

http://www.mds.gov.br/servicos/fale-conosco/assistencia-social/gestor-tecnico-

municipal/bpc-beneficio-de-prestacao-continuada, no dia 05 de junho de 2010.


57

APÊNDICES APÊNDICE 1 – QUESTIONÁRIO IDOSOS Prezado (a) Senhor (a), Esta pesquisa tem o objetivo de analisar a prática do turismo realizada pelas pessoas maiores de 65 anos da cidade de Fortaleza. Em virtude das atividades de turismo e lazer realizadas por essa parcela da população, utilizarei deste questionário para obter informações de relevância para a pesquisa. Os dados colhidos serão analisados de forma global e sigilosa. Desde já, agradeço pela sua colaboração. 1. Sexo (

) Masculino

(

) Feminino

2. Idade (

) 65 a 70

(

) 71 a 76

(

) Acima de 77

3. Estado Civil (

) Solteiro (a)

(

) Casado (a)

(

) Viúvo (a)

4. Escolaridade (

) Ensino Fundamental

(

) Ensino Médio

(

) Superior Completo

5. Nível de renda (

) 01 salário mínimo

(

) Entre 02 e 05 salários mínimos

(

) Acima de 05 salários mínimos


58

6. Qual forma de lazer é de sua preferência? (

) Viajar

(

) Festas

(

) Cinema

(

) Atividade Física

7. Qual a freqüência de suas viagens? (

) A cada 3 meses

(

) A cada 6 meses

(

) 1 (uma) vez por ano

(

) Mais de 01 (uma) vez por ano

8. Qual o tipo de turismo lhe parece mais atrativo? (

) Religioso

(

) Sol e Praia

(

) Cultural

(

) Serra e Sertão

9. Quando viaja em grupo prefere ir? (

) Acompanho

(

) Sozinho

10.Qual a sua motivação em uma possível viagem? (

) Integração

(

) Lazer

(

) Convite dos amigos ou familiares

(

) Preencher o tempo livre

11.Tem conhecimento do programa Viaja Mais Melhor Idade? (

) Sim

(

) Não

12.Busca pacotes de viagem especiais para a Terceira Idade?


59

(

) Sim

(

) Não

13.Desde quando adquiriu o costume de viajar por lazer? (

) Aposentadoria

(

) Viuvez

(

) Sempre gostou de viajar

14.Já se hospedou em hotel? (

) Sim

(

) Não

15. O que é mais importante na escolha do hotel? (

) Localização

(

) Conforto

(

) Tarifas Especiais

Pesquisadora responsável: Érika Araújo da Silva (Concludente do Curso Tecnologia em Hotelaria-Turismo e Hospitalidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará) Fortaleza, 2010.

APÊNDICE 2 – QUESTIONÁRIO HOTÉIS


60

Prezado (a) Senhor (a), Esta pesquisa tem o objetivo de analisar a prática do turismo realizada pelos idosos da cidade de Fortaleza e sua relação com os meios hoteleiros da cidade. Em virtude das atividades de turismo e lazer realizadas por essa parcela da população, utilizarei deste questionário para obter informações de relevância para a pesquisa. Agradeço desde já por sua colaboração. 1.

O Hotel dispõe de quartos adaptados para pessoas com acessibilidade reduzida?

2.

Quantos quartos adaptados o hotel possui?

3.

O Hotel faz parte do Programa Viaja Mais Melhor Idade?

4.

Existe alguma tarifa promocional para o público da Terceira Idade? Qual?

5.

Em que período do ano o Hotel recebe o maior número de hóspedes da Terceira Idade?

6.

O que o hóspede idoso mais solicita durante sua estadia que difere dos demais

hóspedes?

Pesquisadora responsável: Érika Araújo da Silva (Concludente do Curso Tecnologia em Hotelaria-Turismo e Hospitalidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará) Fortaleza, 2010.

ANEXOS


61

ANEXO 1 - CRITÉRIOS PARA PARTICIPAR DO PROGRAMA “VIAJA MAIS MELHOR IDADE HOSPEDAGEM”

Conforme “Termo de Adesão ao Programa Viaja Mais Melhor Idade”, firmado na data de 26/11/2007, entre o Ministério do Turismo, a Federação Nacional de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, o Instituto Marca Brasil, a Confederação Nacional do Comércio, o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, a Associação Brasileira de Resorts e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, ficou estabelecido que as instituições hoteleiras participantes do programa estão obrigadas a cumprir as seguintes normas e condições em relação ao cliente final

(publico

da

melhor

idade)

na

prestação

do

serviço

de

hospedagem:

1.1 - Desconto de até 50% (cinqüenta por cento) da tarifa publicada no site do PORTAL DE HOSPEDAGEM (www.portaldehospedagem.com.br) para público Melhor Idade em hotéis cadastrados no programa, nos períodos de baixa ocupação, respeitando as especificidades de cada macro-região do país (exceto julho e feriados) e/ou em períodos disponíveis pelos meios de hospedagem; 1.2 - Como forma de comprovação da tarifa publicada no site do PORTAL DE HOSPEDAGEM deverá ser impressa a tela onde consta o valor da tarifa, que refere-se ao preço final, sobre o qual não poderão incidir outros acréscimos, a qualquer título; 1.3 - O desconto valerá também para 01(um) acompanhante no mesmo apto/acomodação; 1.4 - A comprovação do público Melhor Idade para participação no programa se dará mediante apresentação do documento de identidade, antecipadamente, por correio eletrônico ou fax-símile, ou no ato do registro do hóspede no estabelecimento hoteleiro; 1.5 - Somente serão aceitas reservas com um período de 07 (sete) dias de antecedência; 1.6 - O cliente Portal de Hospedagem – Viaja Mais Melhor Idade deverá ser recebido e hospedado com a costumeira atenção e o mesmo tratamento disponibilizado aos demais hóspedes. 1.7 - O cliente Portal de Hospedagem – Viaja Mais Melhor Idade poderá solicitar apartamento com características fora do padrão estabelecido no programa. Nesse caso as diferenças tarifárias serão negociadas entre o meio de hospedagem e o cliente final da melhor idade; 1.8 - O meio de hospedagem poderá oferecer, a seu critério, acomodações e serviços


62

superiores ao contratado, desde que sem custos adicionais para o cliente final; 1.9 - O meio de hospedagem não poderá cancelar ou transferir a outros hotéis, a não ser com a expressa anuência do consumidor final, as reservas de hospedagem efetuadas através do Programa

Portal

de

Hospedagem

Viaja

Mais

Melhor

Idade;

1.10 - O cliente da melhor idade terá direito ao “early check-in”, ingresso antecipado do hóspede anterior às 12h00min horas e “late check-out”, desocupação da unidade habitacional após o horário das 12h00min horas, conciliando com os horários de vôos das companhias aéreas e/ou transporte rodoviário; 1.11 - No caso de “no-show” (hóspede não se apresentar no período das primeiras 24 horas do período reservado e não comunicar o cancelamento das reservas no prazo previsto neste Termo de Critérios), aplicar-se-ão as disposições da lei que rege a matéria. Todavia, a unidade habitacional deverá ficar reservada por 24 (vinte e quatro) horas, ou seja, correspondente a 01 (uma) diária; 1.12 - O Portal de Hospedagem é uma ferramenta que faz intenções de reserva requerendo, assim, que o cliente faça o contato com o meio de hospedagem através de e-mail e espere o retorno deste para confirmação da reserva; 1.13 - O pagamento das diárias de hospedagem será efetuado pelo cliente final; 1.14 - O meio de hospedagem está, por força do Termo de Adesão já referido no preâmbulo deste instrumento, compelido a cumprir e obedecer todas as normas acima referidas. Assim, qualquer descumprimento ou inadequação dos serviços sujeitará às penalidades definidas no Código de Defesa do Consumidor.

monografia erika  

tec em hotelaria 2010

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