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Revista Hydro Março/Abril 2026

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Hydro • Março/Abril 2026

Especial

Marco do saneamento: balanço e perspectivas 2026 Redação da Hydro

A

O saneamento básico no Brasil entra em 2026 em uma fase decisiva, impulsionado por novos leilões, expansão das PPPs - Parcerias Público-Privadas e aumento dos investimentos das operadoras. O movimento ocorre em um contexto em que o país precisa cumprir as metas do marco legal (atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033), exigindo aceleração significativa da expansão da infraestrutura.

pesar do avanço institucional e do aumento dos investimentos, os indicadores mais recentes mostram que a universalização ainda exige forte aceleração. O Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil, aponta que o país mantém déficits relevantes, especialmente em esgotamento sanitário, evidenciando desigualdades regionais persistentes. Segundo o ranking, com base no SINISA 2024 - Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, Ministério das Cidades, o atendimento total de água no Brasil alcançou 84,1%, enquanto a coleta de esgoto atinge 56,7% e o tratamento chega a 51,8% do esgoto gerado. Nos 100 maiores municípios do país, os indicadores são superiores à média nacional, com atendimento médio de água de 93,5% e coleta de esgoto de 76,9%, o que reforça a desigualdade entre grandes centros urbanos e cidades menores. Se o corte for mais específico, para os 20 melhores municípios, o atendimento total de água chega a 99,05%, enquanto nos 20 piores fica em 83,01%. As disparidades também estão presentes nos demais serviços.

Enquanto os 20 melhores contam com 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores têm apenas 28,06%. No tratamento de esgoto, os 20 melhores registram 77,97%, enquanto os 20 piores alcançam apenas 28,36%. Já as perdas na distribuição ficam em 24,28% nos 20 melhores e 44,78% nos 20 piores. O esgotamento sanitário permanece como o principal desafio estrutural do setor, com pouco mais da metade do esgoto gerado sendo efetivamente tratado, o que limita os ganhos ambientais e sanitários. A cobertura é concentrada nas regiões mais desenvolvidas e os déficits são persistentes no Norte e no Nordeste. Esse desequilíbrio reforça a necessidade de investimentos direcionados à ampliação das redes coletoras e das estações de tratamento, sobretudo em áreas urbanas periféricas e municípios de menor porte. O estudo do Trata Brasil evidencia ainda forte disparidade entre municípios, com casos extremos em que o atendimento de água permanece abaixo de 40% e a coleta de esgoto inferior a 10%, nas regiões Norte e Nordeste. Entre os casos mais críticos estão Porto Velho, RO, com apenas 30,7%


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