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EM | Março / Abril | 2026
Armazenamento de energia
Brasil busca modelo para integrar baterias à matriz elétrica Jucele Reis e Mauro Crestani, da Redação de EM
O
armazenamento de energia ocupa posição central no debate setorial. Mas embora especialistas, reguladores e investidores discutam o tema há meses, a forma de inserção em larga escala da tecnologia na matriz brasileira permanece indefinida. Entre os principais entraves estão a ausência de regras claras, como a inexistência de um modelo regulatório específico e de remuneração definida e limitações da estrutura tarifária. Outra lacuna relaciona-se com a falta de integração das baterias às estratégias de expansão e operação do setor elétrico. A tecnologia desponta como elemento fundamental para assegurar a flexibilidade do sistema elétrico em um cenário de redução de parcela da potência total
O armazenamento de energia consolida-se como peça-chave para garantir segurança e flexibilidade ao sistema elétrico em um contexto de expansão das renováveis, redução da capacidade despachável e saturação de redes. Enquanto vários outros países, como África do Sul e Egito, avançam com modelos claros de contratação e remuneração, o Brasil ainda esbarra na indefinição regulatória, travando a conversão do potencial em projetos efetivos.
despachável de forma centralizada pelo ONS - Operador Nacional do Sistema. Projeções da EPE - Empresa de Pesquisa Energética indicam que, ao longo da próxima década, o déficit de potência no horário de ponta pode ultrapassar 30 GW. O vale prolongado de carga durante o dia, impulsionado pela geração solar, seguido de uma rampa acentuada no início da noite, quando o sol se põe e a demanda no sistema cresce rapidamente, reduzem a previsibilidade e o controle operacional, configurando um risco de natureza estrutural à segurança do sistema elétrico brasileiro. Nesse contexto, o armazenamento de energia se configura como instrumento de gestão, viabilizando o deslocamento temporal da energia Scatec/Divulgação
e mitigando desequilíbrios entre oferta e demanda. Em escala global, o BESS tem apresentado crescimento exponencial, impulsionado pela redução de quase 90% no custo das baterias de íon-lítio, que passaram de cerca de 1.200 dólares por kWh para aproximadamente 120 dólares por kWh entre 2010 e 2024. De acordo com um estudo da BNEF, publicado em outubro de 2025, foram adicionados à capacidade instalada mundial 220 GWh em 2025, e as projeções indicam um avanço para mais de 320 GWh em 2026, o que representa crescimento anual de mais de 45%. No longo prazo, a expansão é ainda mais expressiva: a capacidade acumulada deve atingir 7250 GWh em 2035.
Scatec/Divulgação
BESS colocalizado com a usina hidrelétrica de Magat, nas Filipinas
Projeto Kenhardt, na África do Sul, integra 540 MWp de energia solar com 1140 MWh de armazenamento em baterias