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Para último o que é mais derradeiro. Afora a tautologia presente na frase que introduz – ou termina, como quem olha as coisas com curiosidades aguçadas e pormenores a descobrir – esta nota introdutória, é preciso inferir a realidade da premissa: realmente, para o fim o que é o fim; e por isso, isto é um início que fenece. Depois disto, apenas será a exposição clara d’O Mortuário, sem artífices ou grandes dissertações acerca dela, somente o expor alheio de outras almas que não a minha, que de tal terminal doença não padeço, sem grande controlo ou critério. Não sou realmente o Diretor ou o Editor desta revista; mais não sou que a matéria, o principio. E desse, caros leitores, ainda estamos por conversar. //


Crespo acordar, jovial melodia.

Duas notas de um piano resinoso pelos anos com o dístico da inutilidade e desafino em si. -Era com essa tónica que acordava e os dias começavam sempre com o franzir aceso das dobras do rosto. Se não fosse realmente bela, o tempo ter-lhe-ia pregado partidas… - Banha-me o corpo de branco detergente, deixa a água escoar-me as impurezas pelo ralo e que a espuma me cubra os sulcos e as vergonhas – diziam, enquanto os tecidos rotos de pijama a empurravam pela cama de pó por onde deambulava, as chávenas e os cristais de copo partido. Ponderava ser o corpo a dizer-lhe, mas Penélope, sumida de preconceitos, tinha em si mais impurezas que a própria humanidade ponderaria limpar. Penélope lia muito. Penélope, emagrecendo gorduras, dedilhava contos eróticos sem anos de solidão. Só de si dependia. Esse egoísmo assertivo que lhe avolumava os seios ou lhe expunha o sorriso puteal de quem fala a incerteza da conta do gás mais um dia e eu expludo se o fósforo acende ou a canalização ainda lá estiver ao homem do correio assine aqui, por favor. E aqui. E não se esqueça de assinar o contrato que recebe. Assine aqui que o assinará enquanto ponteia os dedos na madeira da porta esta merda precisa de óleo era um passaporte para a comunidade onde se inseria. Penélope odiava pianos. Penélope acordava todos os dias com o vizinho de cima, crispando sedosos cabelos, a dedilhar canções de livre desassossego.


Penélope odiava pianos. Penélope acordava todos os dias com o vizinho de cima, crispando sedosos cabelos, a dedilhar canções de livre desassossego.

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12.

Assi’suprimido, o corpo brando à cama deitado. Que eu, enquanto dormes, te entranhe pelos dentes e a boca, Espreitando por entre as vísceras – teu corpo danado Que esquece ser meu. Inteiro meu que me ama! Amas-Me, tu! Desliz’escorrega que te é a língua. Falas-me por entre os lábios E quase no sono profundo – o soluço – empurra-me pela laringe e o estômago. Trémulo revigorar de fomes, sinto-te a soltar gemidos E, oscilando os órgãos para fora de ti, só eu sobro. Sobro-Te, eu! Entr’antro e clausura, a contração dos músculos respira-me. As ruelas estanques, estreitas, engolem-me n’A viagem Que é o teu corpo. Conheço-te dentro e inspiras-me As entranhas n’As entranhas. Entranha-mo-Nos, nós! Um corpo n’outro corpo – Duas almas n’um Interior que é carne e alma perdidos em sangue. Um mister para o bem comum – Ah, o Meu bem comum! E o resto a sucumbir-se, em interior colosso acidente. Acidenta-Se, quem?! Servindo-me’nti em todas as formas: feitíos simulam-se E expandem-se em consciências similares. Sinto-te perto d’A Viagem Ciente. Mas se Esse teu corpo, meu, que estou dentro, colapsa, não me amas. Amas-Me? ninguém. //


14.

Janel’aberta, o frio expulsa a pele do corpo. As saliências dos poros confundem-se com o meu vulto A expulsar-se da derme. Sou o teu resto e o sopro A imaginar como te é morrer. Colapsas – Eu reanimo. A’ganas a vida num espasmo próximo ao último. A vida compensa-te e tu, endividado, abraças-me por dentro. (nem que tu queiras. Meu amor, sou-te Sepulcro). A dominar-te és o Homem.

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19.

Bom dia, lânguido corpo minimal. Boa’mostra de servidão velada; um doce néctar Na troca da renda vertida no chão. Um detalhe do que nos É o sexo, Bom espírito de ajuste aos meus fazeres: ‘q’eno almoço com os cristais a beber -Bom Porto, seguro és nos Meus braços que t’amam. Nunca te esqueças da dívida de sangue ou outro fluido que te embaraça, Bom és na Minha cama, na Minha alma, na Minha calma que te manda. Nunca Me sussurres, a medo, aquilo que sabes que quero. São os Meus impulsos que t’ordenam. Bom ampelídeo amplo d’álcool que nos desorienta. O riso esparge E estendidos nos lençóis à janela encostados, vemos o bairro turvo da casa. Bom disperso impulso: empurras-me, bebido, com o rosto em conclave E revoltas-te na cama, de costas para Mim a resolver a raiva. Mau impuls’o teu! Puxo-te para o Meu regaço despido E tu, com o púrpura ébrio tentas expulsar-Me do teu corpo. Má investida! Nunca Mo podes – eu sou o teu limite estendido Ao sexo que te ofereço, à imensidão dos contornos lascivos que te deixo usufruir. Má’rtir Sou Eu: a quem deves! Nunca te indignes a colocar-Me de parte, Que Eu, à porta aberta que é esta janela agora dispersa, Sou capaz de te colocar em Maus lençóis – inexistentes – com a minha voluptuosidade A consumir-te de ciúme; afora ao estado ébrio e afora ao que sentes: se te [quero, és Meu. //


101.

Estou solo’corpo; Assolo o esforço, mas come-Me, nulo. (Quem me pode deixar no estado mínimo?!) Estou Eu, sozinho colosso, a mergulhar no decréscimo imenso, Porque tu. Sim, tu! Fazes questão de não te fazeres suplantar! (Mas deves; para ti, deves.) Quererás tu, maior prémio do que Me curares as mazelas? Sim, eu concedo-te o privilégio.

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142.

As vontades são como um bater de coração combalido. Se te prendo para não estares, anuis como se te fossem morrendo intuitos: Às vezes prezo-te e, nessas alturas, deixo-te pensar que tens motivos Maiores do que os de Me respirares: engano-te, pois, quando já não te sentes vencido. Não Me julgues vil, ou mesmo alguém que és impossível de amar. Todos nós amamos tantas coisas que, não sabendo, damos coração aos diabos. Não desiludas essa chama que te fulmina quando é o teu peito a bater, Controla-a, somente, e deixa esse fulgor ser a paixão com que nos damos. Percebe-te a víveres feliz Comigo: as casas têm mobílias belas Com as quais concordaste. Desde os vasos de barro que se estilhaçam Com os impulsos da fuga, até aos talheres que nos mataram pensantes, Enquanto as divisões nos separavam e Eu, vestindo a nudez com um fio, lembrei-te-As magnas instâncias com que te premeio: as janelas são, para nós Que as temos de persiana corrida, uma entrada de frio e nada mais. Apenas a possibilidade de não olhar e a de não deixar ver o sexo que os Nossos corpos, enquanto confluem numa só massa, tornam a mostrar: A hierarquia. //


Nota

I. Determina-se, por força das engrenagens há já muito enferrujadas de óleo d'A Máquina (segundo Aquele, nesta circunstância casual e segundo a vertente carnal, material e física d'O Mundo, segundo aquele...), o seguinte: - Temporalmente, a ação existe desconexa. Ela, só por si, compreende valor e a sua intensidade está subjacente à perceção do objeto e do ator, e nunca do seu espaço ou tempo. É assim percetível a desarticulação das horas face às necessidades do individuo, que ele, ainda que existindo por força do tempo, dele se desapega e apaga: dessa condição só lhe sobra o nascimento – do qual não se recorda -, e a morte – da qual não se lembrará. /&/ É por isso que te amo – ou amei como o tempo não morre, ou te amarei como o tempo já nasceu – e procuro: como navios de papel moleskine partem guerras rumo a África nossa, nós questionamos confissões de gato como gritos de leoa. O que nos é tão maior é tão nosso; e o trono em que cabemos é dos dois e de um outro: três que são dois e dois que são um.

Uma Alva como Aquelas de Praia Grande e Mar Garrido. As ondas são contornos de corpo madrugais e o que nos resta é um hálito de manhã que nos fala juntos. Quero-te como é enorme este oceano e pequeno este separar de mãos. A nossa distância é um engano do universo. De ti penso quimeras como intempéries fizeram e penso minimalistas traços de qualquer calendário.


(Por hora esperar-se-á a incoerência não assumida, mas perceber-se-á que dos opostos nascem flores e nós somos, in extremis, extremis in!) Afinal que nos relata é o tempo, aquilo que abnegamos como se de um outro Origami se tratasse. Para que tudo se explique só por si, perceba-se que não é vontade nossa construir qualquer figura das cartas que são nossas, nossas, intransmissíveis como toda a alma que se engole dos halos e são, pelo sumário espaço do dia, tomadas como um Monte de coisas desinspiradas e pouco refletidas. É sim, ensejo nosso, desconstruir as imagens que existem do que é de nós e para nós, apenas com o intuito em expirar qualquer possível limite. /&/ O Universo é expansivo e explícito de toda a teoria. Afora isso, Vivo a amachucar calendários como se fossem corações de papel. contar os dias, na matéria remexida de pressa, como se dela grisalhos corpos se temperassem; inusitar os pareceres relojoeiros com aquilo que nos compele e adornar os eventos céleres com Aqueles pormenores que nos completam! Percutimos, derrogados do avançar temporal, com os sulcos imperfeitos da nossa pressa necessária. Assim o tempo, rugoso, caleja-nos a face e todo o corpo. O amanhã é uma carne gorda de hoje.

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Estimado senhor-Álvaro, resigne-se, qu'a-mais não temos. Só, nós.

Irra-escreva memorandos! Escreva, escreva, escreva... Tantos reencaminhamentos, carimbo pr'áqui-pr'áli, papéis voam-e-se voam não são de menos... Não... Queria-o-tempo ter tanto dele-pr'a me dar! Puxa pr'áqui, puxa pr'áli. Ando de-estilhaços-de-membranas nos ferros dos ponteiros-de-horas. Soubesse, eu, que-haveria tanto vagar nos fatos cintados... também-teria comprado uma toilette de snob-porco e restelo. Teria-gama-de-topo no topo de gama! Vidros de eletricidade, com-mordomia pr'áqui, mordomia pr'áli. Ventania-d'aqui-d'ali, limoso-acre e cinema-de-entendimento acerca de-toda-a-merda que você lê! Seja bem-vindo colarinho branco! Só, agora, é que se vê... O-maçon na massa-a-sono! A-sua cama não tem fardo! Sabe-lá você o que lhe pedem... Isso, são coisas de quem trabalha, porra! Pim-pim-pim-pim! Caia, d-ouro-adoro-te! É o que lhe sobra!

Tan,to suooor nesse-metro-quadrado, queria-o-seu-fato a perfumar-se! Talvezse-fingisse! Os semáforos são-vermelhos pr'ó povooo! 'ssa-gente não tem regras! Quemquer do mexilhão que você come-se-é o mexilhão que o trabalha?! Fina-flor de caule-duro-decavalgadura, cabála-açucar na reinvenção-fotográfica do tribunal da-boa-hora... Acalme-se um'inuto


Tan,to suooor nesse-metro-quadrado, queria-o-seu-fato a perfumar-se! Talvez se-fingisse! Os semáforos são-vermelhos pr'ó povooo! 'ssa-gente não tem regras! Quem quer do mexilhão que você come-se-é o mexilhão que o trabalha?! Fina-flor de caule-duro-de cavalgadura, cabála-açucar na reinvenção-fotográfica do tribunal da-boa-hora... Acalme-se um'inuto sarnento de-metal-copo nas unhas sujas! Não me-estrague o-fato, tem tempooo! tem tempooo! temtempooo! foda-se!

pim-pim-pim-pim! pim-pim-p,im-p.im...PIM!

Caia desse seu fascículo-de-homem! Os Homens não são assim! Ramelasbagaço-maria-a-passo é manhã! Saberia-a-aço mas-o-dia nasce e não há ninguém! A-fábrica-abre amaria-ouquase mas isso-é-mais ontem! Camões-é-um-chato Lusíadas no-braço país-hipotecado a cultura não é na escola! Cruz no costado, bolas forcado e sobra o Fado! Património-desenlace est'ano lembra-se com-classe! Pr'ó-ano há mais algarve-imorais agrave-e-moradas, até a praia é'de-alugar! A-crise é '13 '14, depois '15-se-tal houver entendimento-entre-o-caviar! Ninguém-dá'mais-dá'menos, china-e-capital angola... santos, santos, santos! Cruzes! Até-cristo-rei se cruza de braços!

avé-avé-avé-avé! mé-mé-mé... MÉ!


Al'mandá-merda,pá! Cancros-de-cajado no pelouro! A gravata chicoteia mais que-o-corvo! Antes de-morto que-a-morto! Que-é, morto?! Qu'é mudo! Sei! Sabe falar, meu-caro-povo? O dedo galopante a-furar-o-olho, gosta... povo?! povo-povo-povo-povo-povo... Emigre-se! Je le vous pour le france! Avec-avec-avec-avec! Je suis le emigrante de portugale... r-r-r-r! Cuspe-se. que-de-si se cuspiu o país! Global, é-global então englobe-se! Englube-se engula-se! Internet-a-proxy-marse humanos! qwerty-virus-warez-firewall... firewall! Dispare-se! Dispare-se! Disperse! Balas-abocanhadas! Fale-se em fogos-decensura! Não se pense, não se pense! Não-sei, pense! pense, pense... mas pense. por si! Hoje o espaço é 3000, amanhã-o-espaço é 2012... 2012 a gente a morre e a gente mata-se! No fundo, o que interessa é pum-pum-pum! O-rufar dos tambores de-metal-quente e metal-frio: [a sua filha não endireita os dentes porque não tem seguro de saúde! o seu filho espeta-a-faca no professor porque não tem seguro de saúde! a sua mulher atropela-se com um carrinho de compras porque não tem segurooo de saúde! Agora morre e não tem seguro de saúde! agora morre-e-não tem família! Fala francês-e-não tem família! É português-mas-em agosto! É português mas-não tem dinheiro para as scuts! É português e tem sucesso! Então fique-por-ai! fique-por-aí! Este país nem o merece! É como a sua família, 'tá-a-ver?! A-gente pare e a-gente fode-se! a-gente para e agente, foda-se! Este mês é enlatados-e-comida racionada! 800-ouros logo a pronto! pronto-pronto-pronto... Nunca-me perguntaram se estava pronto! Eu não estava pronto! Eu era licenciado-mestrado-quase doutor e agora soldador! Ferro-a-fogo, ferro-e-fogo, ferro-e-fodo-me! Isto agora é-só global! Abrevio-me em palavrões! Agosto-avec-algarve, gasto-as-poupanças para ir ter com a família, a família desaparece e não-sou-pai! Tenho o nome, mas não sou pai! Skype, telemovel... Allô-allô...


Adieu-adieu-adieu! Agora-é-carro e a-gente estagna! Agora-é-caro e a-gente mata-se! O médio-émediano! O mau é mau e o pobre é pobre, até ai todo o mundo sabe! O rico é rico e a herança é herança, até ai todo o mundo sabe! Agora o médio não pode ser médio, quem fica no meio é que se lixa! que se lixa... Talvez trabalhe o suficiente para o revólver e se revolva...

PUM! Gasolina-aumenta-4 cênt./litro.

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Jardins montes em casas de traseiras

Na colheita de rosas negras para colocar pétalas vermelhas nos lençóis. Parte deste pólen que se entranha nos meus pelos do nariz é força motriz de alucínios em arco-íris. Pauta-me cor iris negra gasta de mil sois! Sou vil a arrancar as raízes. Adeus vida pretérita! Façam feliz este casal sem casa num beijo que partidos se concertam. Amor a risco de abelhas. Nem todo o jardim é belo como num poema. E snifo o que mel porvira mas não me cheira a doce. Atritos enrolados na relva, minha querida! A natureza está em amar a terra. Perdoa-me desconhecer o meu ponto de partida. Sou nómada de sapato descalço, homem deslavado n'alma que por imaculado se trata. Esta plantação romântica que na memória me guarda a tua imagem, é só isso. Boa memória de me lembrar de ti. Mas há mais coisas que me palpitam mas sou pobre e agarrado a coisa nenhuma: Lamento só despir! Estou a nu. Quando nem no espaço estou por inteiro. Os meus olhos dissociam-se da minha mente. Cheiro... Mais flores, não estou. Desapareçam dores de barriga! Estômago de amores que me emplastram borboletas. Num dia arroto e voo com asas delas. Bafo solto um, envolto na iminência do ar.


A doar vísceras para cobrir os céus. Arranho em dezenas palavras que te conto, cubro-me na léria sem demora. Sentir-te é tão bonito se to digo. Assunto afasta-me de boa hora. Noites de picnic para almoços de dias escolhidos. Forrado em meu peito de dinamite. Ah porque me vou explodindo?! Apressa-te a chegar. Mas não tenhas pressa, na cama, há sementes por plantar. Não conhecer as raízes não implica deixar de lado a possibilidade de criar ramificações. //


Papel de parede nesta casa de boca

Forra-me os dentes, a língua, o céu-da-boca e os lábios com papel de parede, lembra-te, tenho agora ouvidos num beijo dessa tua loucura, suave demência. Embarga-me o cupido a sanidade, num púlpito te entrego. A ouvir a tua voz. Infeta-me doença saudosista! dá-me seringas de combate, catanas de lagrimas que me esfaqueiam as bochechas ao escorrer. Não é algo poético, eu sei. Meu amor, capita sou de uma áfia vontade de exterminar a distância. Só em ti me vejo a engolir estes pedaços de terra que flutuam num mar poluído. O mundo é apenas um espelho. Ah que sou tão feio! Aparte feito, sou aparte de ti partejo órfão desta casa inóspita que existe no peito. Vou decifrando defeitos, barros e ferros coleciono para entregarmo-nos a moldes. Os corações são somente bombas sanguíneas, sem intento grita em mim a tua ausência. Ter-te longe não é opção, apenas te quero sã. A suspirar rosários, a minha fé são pétalas de malmequeres. Os jardins há já muito estão plantados, por hora da rega, eu vou encher o solo de promessas. Sussurro o bem, por onde não me quer. Fica-me com a eterna, jovem lembrança da minha cara outrora, n'outr'hora em que o tempo não me tatuava a solidão. Num aspeto altruísta vida torna-se filantropia d'uma herança. Dou-te a minha visão distorcida da tua personalidade para que, defunto, ainda me seja permitida a capacidade de te inflacionar o ego com balelas pitorescas.


Oh quanto és linda, pessoa que só existe na minha mão. Compreende por agora a erva espezinhada, juntos, em que te suava os dedos. transpirei tanto da tua imagem. Fui contigo leviano, sereno dreno que te amparava a má-língua com a fictícia dou-te razão. na parede-bochecha desta casa onde me regavas com saliva falei de tudo o quanto não era pequeno. Para nos autobajular, porque a escada da nossa realização pessoal é concebida através de pessoas a quem distribuímos umas larachas. Piadética forma de te comportares pessoa normal que me julga estranho, que eu faço com que tenha essa ideia de mim para, de forma dissimulada, eu poder criticar todo esse vazio de ideia em que te emaranhas. Tu, coisa, nem fazes ideia do quanto sou idiota! Não no termo pejorativo, é claro. Ainda que seja um ridículo, um pateta, um poli-ingrato homem (De diversos olhos, de mim, olho esta conceção do real que se me entranha na massa encefálica). Liberta-me sangue derramado! (Momento do desespero, característica romântica que não tenho mas que, ainda assim, preciso de exprimir). Escolhe um papel de parede bonito, [para que, às palavras que te digo ou disse lhes seja conferida beleza.

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Matizado regresso ao nostálgico lago

Pedras: Lâminas suaves dilaceram as fábricas dos peixes. No regresso ao contexto pretérito estou, com os pés d'outro homem no espaço ontem em que esperei o desflorar d'alguém. Era um beijo acre em que essa minha parte se deitava. Com a flor da idade na cara a mostrar o peso estético. O reflexo decrépito da lívida tez na planície maltês do pladur. Com um jarro sujo a flores plantar no discurso. A saliva pegajosa na margem do ensaio, com a esperança nas silvas, leitosas, deitada a reinventar as posições do desejo. Um feixe de luz sou, com o tempo impresso nas grandes férias. A memória tropeça no que poder não sou. Uma flecha de alvenaria na metrópole que me rasurou. Ou outro homem. Confusão folga-me o corpo no limiar sádico do desvairo. Sou lanterna d'um homem deitado em cartão molhado, com o arco iris pautado no sol dado. Reflexos passados no acesso nostálgico. A redundância basilar do corpo trocado. A junção dos espaços. As pétalas açucaradas no azedo vinho das noites falsas. [A estória trava-me o travo. Um dependente do pendente da mão-amarro. Com um gargalo no ramo amargo da saudade manietada pela memória-difusão do cérebro. //



O mortuário última edição (5 de 5)