Page 1

vol02,nº 24 d e z. / 2 0 0 6

ISSN 1806-4779 ISSN 1806-4779

As s o c ia ç ã o d o s E n g e n h e ir o s d a S a b e s p

AU TOMA Ç ÃO

de olho no futuro

PONTO DE VISTA

Constantino Seixas Filho Marco Coghi


AR TI G O TÉ C N I C O

Sistem a d e m onitoram ento d e nív eis d e reserv ató rios d os m u nicíp ios d e H ortolâ nd ia, Itatib a, Cam p o L im p o P au lista e V á rz ea P au lista C a rlos A lb erto M ira nda da S ilv a 1, A ntonio C a rlos T eix eira , F la v io H enriq ue G om es , S erg io D om ing os F erreira , T ony Y ous s if T . D a rido

“T

he future belongs to people who see possibilities before they become obvious” (BBC Motion Gallery). Assim começa o livro “2015 como viveremos”, de Ethevaldo Siqueira, jornalista especializado em novas tecnologias e colunista do jornal O Estado de São Paulo. E comenta, ainda no prólogo desse mesmo livro: Pelé explicou certa vez o segredo de seu futebol. “Eu corro para onde a bola vai estar”. Era um gênio. Por analogia, essa mesma estratégia pode ser adotada quando queremos antecipar ou conhecer as tendências do futuro próximo. Mas como saber onde a bola vai estar? No informativo de julho de 2.005, da Associação dos Engenheiros da SABESP, foi apresentada uma entrevista com o responsável pelo Departamento de Proteção à Saúde da OMS, em Genebra, o ex-sabespiano José Augusto Hueb. Quando perguntado sobre quais seriam suas sugestões pessoais para dirimir a gravidade dos efeitos que a falta de saneamento poderia causar a saúde do planeta, ele respondeu: “existem várias grandes áreas de ênfase, começando pelo tão propalado compromisso político, passando por temas fundamentais como legislação e regulação, melhorando capacidades a todos os níveis, mobilizando

recursos, resolvendo problemas de equidade e gênero, assumindo responsabilidade pelo meio ambiente e culminando com os tão necessários sistemas de monitoramento e controle e sistemas adequados de informação.” Nos dois casos fizemos alusão ao papel que a tecnologia exerce neste contexto e principalmente a maneira como ela impacta nossas vidas profissionais e pessoais. Podemos dizer sem medo de errar que as tecnologias de comunicação e informação constituem hoje as maiores forças de transformação da vida humana. Elas mudam o mundo, embora não sejam as únicas a fazê-lo. Elas possibilitam o acesso à informação de maneira mais ágil e confiável. Isto é essencial para quem pretende medir e controlar, de forma eficaz e eficiente, os seus processos produtivos, administrativos e econômicos, ou seja, fazer gestão dos seus processos. Neste contexto, a Sabesp vem presenciando: 1. A evolução da automação de seus processos operacionais, 2. A constante preocupação com a modernização da manutenção, não somente no que diz respeito à aplicação de técnicas modernas, mas também com a sua gestão. – o SGM (Sistema de Gestão da

Manutenção) é uma realidade; 3. Assim como a avidez por informação desde o chão de fábrica (campo) até os mais variados níveis gerenciais. Isso pôde ser claramente constatado na implantação do sistema PIMS (Plant Information Management System) na utilização do CEL (Sistema de Gestão de Energia Elétrica) e agora com a implementação do Sistema de Monitoramento de Níveis de Reservatório do RJJ. Toda empresa de produção se resume a um processo principal que se divide em um conjunto de subprocessos, não só de manufatura como também de serviços. Este conceito de divisibilidade permite monitorar sistematicamente um dos subprocessos separadamente, o que conduz a um controle mais eficaz sobre o processo como um todo. Aqui, o termo monitorar implica em realizar uma análise de processo e tomar decisões baseadas nesta análise. Normalmente, quando ocorre um problema procurase qual foi a causa que provocou o resultado indesejável. Concluída a análise de processo e localizada a causa fundamental determina-se as ações necessárias para correção do problema.

1 calberto@sabesp.com.br – profissionais do Departamento Distrital Capivari/Jundiaí - RJJ

3 6 – Saneas / dezembro 2006


A rtig os T é c nic os

Portanto, manter sob controle é saber localizar o problema, analisar o processo e agir de tal forma que o problema não volte a ocorrer. Cada processo pode ter um ou mais resultados (efeitos, fins). Para que se possa gerenciar de fato cada processo é necessário medir os seus efeitos. Se você não mede, o processo sobre o qual você tem autoridade está à deriva. Para que se possa medir, avaliar um processo é necessário que se tenham dados confiáveis disponíveis. Desta maneira, serão geradas informações úteis e consistentes. Isto tudo só é possível se a base de dados for confiável, de fácil acesso, de manipulação amigável e com garantia de resposta em tempo de tomada de decisão. A tecnologia que será apresentada neste trabalho tem tudo a ver com os conceitos supracitados, pois se trata de uma ferramenta com grande capacidade para armazenamento de dados, com possibilidades reais de democratizar informações e dar respostas em tempo de tomada de decisão podendo apoiar os vários níveis hierárquicos da organização na gestão de processos e neste caso especificamente, processos operacionais. O B J E T IV O S O objetivo desse trabalho é apresentar e conceituar o sistema de monitoramento de níveis de reservatórios dos municípios de Hortolândia, Itatiba, Campo Limpo Paulista e V árzea Paulista, tendo como ferramenta principal o sistema PIMS (Plant Information Management Systems), atuando como integrador de dados e informações dos processos operacionais e a utilização de sistemas de comunicação sem fio, via celular – GPRS. Assim como destacar os usos e benefícios da aplicação destes sistemas no setor de saneamento básico. O trabalho utilizará como base a implantação do Projeto Sapucaia na U nidade de Negócio do V ale do Paraíba da

SABESP mostrando que, com a concentração dos dados de processo operacionais oriundos das ilhas de automação existentes hoje na companhia em um banco de dados temporal, é possível democratizar e facilitar o acesso aos mesmos, agilizando tarefas de manutenção, análise e otimização dos processos.

ERP

Su p erv isã o CCO

Controle CL P

Instru m entaç ã o

Figura 1 – Pirâmide da automação H IST Ó R ICO D O P R O JE T O Na década de 90 a Sabesp inves- ção de problemas sem que o clientiu fortemente no Plano de Direcio- te viesse a senti-lo ou percebê-lo e namento Estratégico de Informa- permitindo a realocação da mão de ção - PDEI que tinha como objeti- obra disponibilizada pela automavo principal especificar e implan- ção dos processos operacionais em tar um sistema de gestão corpora- tarefas mais nobres. Porém, algumas dificuldades que tiva (ERP) de maneira a uniformizar procedimentos, integrar os vá- já haviam sido identificadas pela rios sistemas corporativos existen- antiga Superintendência de Tecnotes, consolidar relatórios de gestão, logia da Informação, nos idos de 1998, tornaram-se mais evidentes e entre outros. A integração entre o futuro sis- alguma solução deveria ser encamitema a ser implantado e os sistemas nhada. U m dos problemas era a não inde supervisão e controle espalhados pelas U nidades de Negócios da em- tegração entre o futuro ERP, nível 4 presa, tanto na capital quanto no in- da Figura 1, e os sistemas de chãoterior do estado e no litoral, não era de-fábrica, níveis 0, 1 e 2. U m segundo problema é o fato objeto de estudo deste plano e, porde não haver ferramentas adequatanto não foi realizado. Por outro lado, a partir de 1995 a das na companhia para tratamento Sabesp tem direciondo um volume da grande massa de dados que são cada vez maior de recursos para au- enviados a cada minuto aos CCOs. Conhecendo estas dificuldades, tomação de seus processos operacionais, através da adequação, subs- realizou-se uma prospecção a fim tituição ou instalação de instru- de identificar as possíveis soluções mentação de processo. Também fo- disponíveis no mercado que pudesram re-introduzidos os controlado- sem preencher esta “lacuna sistêmires programáveis (CLP) em substi- ca”. O resultado dessa pesquisa retuição aos painéis eletromecânicos velou a existência de ferramentas para automação e controle de pro- que atuam claramente entre os sistemas de supervisão e controle e o cessos. Estes investimentos possibilita- ERP, no nível 3 (Figura 1). Estes são ram à companhia ganhos extraordi- s sistemas MES/PIMS . Assim, no segundo semestre de nários, alterando a maneira como as instalações eram operadas e manti- 2004 iniciou-se a implantação de das, melhorando a imagem da em- um projeto piloto de PIMS na Sapresa devido à antecipação ou solu- besp. Este projeto posteriormente Saneas / dezembro 2006 – 3 7


A rtig os T é c nic os

recebeu o codinome de Projeto Sapucaia1 e os principais detalhes de sua implementação serão mostrados no item 5. É interessante notar através dessa breve retrospectiva a inter-relação existente, no tocante às tecnologias envolvidas, entre o projeto Sapucaia e o Sistema de Monitoramento a ser implantado no Departamento Destrital Capivari/Jundiaí – RJJ. Em meados de 2006 foi concebido o Sistema de Monitoramento de Níveis de Reservatórios dos Municípios de Hortolândia, Itatiba, Campo Limpo Paulista e V árzea Paulista, pertencentes ao Departamento Distrital Capivari/Jundiaí – RJJ, assim como foram viabilizados os recursos necessários para sua implantação. O sistema está previsto para iniciar monitorando os níveis de 53 reservatórios. As principais premissas que orientaram essa concepção foram: o sistema a ser implantado deveria permitir um avanço significativo à automação de processos do RJJ; deveria se privilegiado a “internalização digital” dos dados operacionais aos escritórios do RJJ; deveria exis1 A Sapucaia é uma árvore frondosa, exótica e ornamental de até 30 metros de altura e tronco que pode atingir um metro de diâmetro. Ela propaga-se por sementes. Em sua maioria, as sapucaias caracterizam-se pela peculiaridade de seus frutos. Na forma de urnas, de casca dura e de aparência lenhosa, estes encerram uma boa quantidade de amêndoas comestíveis e muito apreciadas, que se espalham pelo mato quando, um a um, os frutos amadurecem e, espontaneamente, seus opérculos se desprendem. Também, são levados por animais como os morcegos e macacos que muito apreciam sua polpa macia. Porém, nem todos os frutos colhidos são por eles consumidos, deixando escapar um ou outro de vez em quando. Desta maneira, a semente acaba se reproduzindo em locais muito distantes de seu local de sua origem. Estas características inspiraram os envolvidos no projeto a adotar Sapucaia como seu codinome, pois sendo este um projeto piloto, é desejável que se multiplique e não somente em São José dos Campos, mas também pelas outras U nidades de Negócio da Cia. Assim como, possa existir futuramente um sistema corporativo capaz de “sustentar” todos os outros sistemas já implantados, como se fosse uma grande árvore da informação e do conhecimento. 3 8 – Saneas / dezembro 2006

tir uma ferramenta capaz de tratar grandes quantidades de dados em tempo de tomada de decisão e armazenar históricos de longos períodos; Essa mesma ferramenta deveria permitir acesso a esses dados através da W EB; os dados deveriam ser obtidos diretamente do ponto onde foram gerados, ou seja, do campo; a infra-estrutura e a tecnologia adotadas deveriam permitir a liberdade de escolha dos pontos a serem coletados sem dependências físicas que pudessem dificultar ou impedir a inclusão de determinados locais ao sistema; deveria ser utilizada a infra-estrutura e o sistema PIMS já instalado na U nidade de Negócio do V ale do Paraíba - RV e a capacidade instalada do novo sistema deveria ser tal que, permitisse a ampliação do sistema de monitoramento, quanto ao número de pontos e a sua própria complexidade de controle operacional e monitoramento em tempo real. Desta maneira, na arquitetura proposta para o projeto não seria incluído os já tradicionais sistemas de supervisão e controle como intermediários entre os dados operacionais e os sistemas de gestão PIMS. Entendemos que, para o momento a melhor solução seria obter os dados diretamente das unidades remotas (CLP, U TR, etc) e enviá-los ao PIMS, por meio de comunicação sem fio, via celular - GPRS. Esta concepção, apesar de inédita na empresa e no setor de saneamento, não carrega em si riscos maiores do que os normalmente enfrentados nos projetos já amplamente implantados na companhia, pois se trata de técnicas e tecnologias muito bem dominadas, pelo mercado fornecedor e por algumas áreas da empresa. No entanto, os maiores riscos estão na interdependência das várias áreas envolvidas e seus cronogramas, às vezes incompatíveis entre si, como fornecedoras de partes distintas do sistema. A característica mais marcante e que atribui ao sistema esse ineditismo

é o fato de não existir o tradicional centro de supervisão e controle fazendo com que os dados sejam obtidos diretamente do campo, através da instalação de instrumentos adequados e enviados, via CLP ou U nidades Terminais Remotas, para o sistema PIMS. O CO N CE IT O D E P IMS PIMS (Plant Information Management Systems) são sistemas de aquisição de dados capazes de visualizar tanto os dados de tempo real como históricos do processo, eliminando as ilhas de informação e concentrando em uma única base de dados informação sobre todas as áreas de uma planta. Tal base de dados tem características que não são encontradas nos bancos de dados convencionais, como uma grande capacidade de compactação dos dados e alta velocidade de resposta à consulta em sua base histórica. Devido a isto é possível armazenar um grande volume de informação com recursos mínimos se comparado às soluções convencionais. Através do PIMS pode-se montar tabelas, gráficos de tendência, telas sinópticas e relatórios dinâmicos, concentrando a informação e possibilitando uma visão unificada de todo o processo produtivo. A implantação de um sistema PIMS serve ainda como base à implantação de outros módulos como reconciliador de dados, sistemas especialistas, MES e Supply Chain Management e facilita a integração de sistemas ERP com o chão de fábrica. Sua capacidade de gerar outros dados através de cálculos e de armazená-los por longo período de tempo sem ter que enviá-los a um mainframe constitui um grande ganho para a análise do processo à medida que não existe mais a preocupação quanto à origem dos dados, seja ela um CLP, um sistema SCADA ou SDCD. A Figura 2 mostra um exemplo de arquitetura para o sistema


A rtig os T é c nic os

PIMS onde podem ser destacados o servidor principal e as diversas fontes de dados com as quais ele se comunica. O P IMS N O SA N E A ME N T O B Á SICO A seguir apresentaremos as principais funcionalidades do sistema de monitoramento a ser implantado. Pela proximidade e semelhança entre os dois sistemas utilizaremos os exemplos e as descrições do projeto Sapucaia. Nos próximos itens serão discutidas as particularidades do Projeto Sapucaia, ou seja, como o Sistema PIMS, com todas as características apresentadas anteriormente, atendeu às necessidades da empresa e como ele pode contribuir para uma melhor gestão do processo de saneamento básico em geral. Tudo isso será mostrado através de exemplos práticos utilizando alguns dos desenvolvimentos realizados durante o projeto. Foco d e u tiliz aç ã o d o sistem a Em termos gerais, os principais focos de utilização do PIMS no saneamento básico se confundem com os de outros setores. São eles: • realizar o acompanhamento contínuo do processo como um todo; • promover uma visão integrada das informações das diversas áreas do processo (captação, tratamento, reservação, distribuição e manutenção); • responder de forma simples, questões que antes dependiam de muito esforço para serem respondidas. Entretanto, entrando em maiores detalhes, um termo que ganhou força no projeto desde a chegada do PIMS é o termo “Engenharia de Operação”. Isso nada mais é do que o ato de planejar ações e procedimentos que, se entendidos e seguidos à risca, garantem a excelência operacional, que no caso do sane-

Serv id or P IMS

F ig u ra 2 – E x e m p lo d e A rq u ite tu ra d o s Sis te m a s P IM S

amento básico significa distribuição contínua de água com o mínimo consumo energético e de produtos químicos, e com qualidade aprovada. Por exemplo, grande parte dos operadores de Centro de Controle (controla a reservação e a distribuição de água para os subsistemas e bairros) age por instinto, ou seja, abre/fecha válvulas, liga/desliga motores de acordo com a demanda naquele determinado instante. É sabido que o perfil de consumo de água durante o dia tem padrão definido, ou seja, dependendo das características sazonais e etc, o perfil será o mesmo em dias equivalentes. Essa homogeneidade permite que se faça um planejamento operacional de forma a orientar o operador de CCO a realizar ações que, por exemplo, ao mesmo tempo em que garantam distribuição contínua, garantam também menor tempo de equipamentos ligados e por conseqüência, menor consumo energético e menor gasto. Neste caso, o PIMS entraria como a ferramenta capaz de fornecer os perfis de consumo para que o En-

genheiro de Operação os transforme em receitas para as ações do operador do CCO. A rq u itetu ra d o sistem a – Arquitetura do projeto Sapucaia A Figura 3 ilustra a arquitetura do sistema PIMS implantado no Projeto Sapucaia. Como pode ser visto, tal arquitetura segue o padrão do exemplo mostrado na Figura 2. Além disso, a divisão da figura em “antes” e “depois” permite verificar a eliminação da ilha de informação existente no processo, uma vez que, se antes as informações só alcançavam a estação de supervisão, agora, com a presença do PIMS, as informações passaram a trafegar livremente na rede corporativa podendo ser acessadas facilmente pelos usuários do sistema. – Arquitetura do Sistema de Monitoramento dos Reservatórios A Figura 3A ilustra a arquitetura do sistema de monitoramento dos reservatórios em implantação no RJJ. Como pode ser visto a diferença, principal, entre as duas arquiteturas é a inexistênSaneas / dezembro 2006 – 3 9


A rtig os T é c nic os diversidade de possibilidades trazidas pelo PIMS no que diz respeito à análise do processo e à gestão das suas informações.

Todos os relatórios e telas são automáticos sendo que, na maioria das vezes, cabe ao usuário apenas selecionar o período de consulta dos dados.

F ig u ra 3 – A rq u ite tu ra d o Sis te m a P IM S c o m Su p e rv is ã o e C o n tro le (C C O )

cia de sistema supervisório no projeto do sistema de monitoramento dos reservatórios e a existência de comunicação de dados via GPRS.

D esenv olv im entos realiz ad os Neste item são apresentados exemplos reais de desenvolvimentos extraídos do Projeto Sapucaia porque servi-

rão de base para implantação do nosso sistema. Apesar de inicialmente monitorarmos somente níveis dos reservatórios do RJJ poderemos, rapidamente, agregarmos mais variáveis ao sistema, conforme formos investindo na instrumentação dos nosso processos. Tais desenvolvimentos foram separados por área de atuação de forma a enfatizar a

U s u á r ios

iH is tor ia n

InfoAgent

T CP / IP 1 0 0 Mb p s

Mod em

AT O S

AD AM

C loc k ner M ö eller

F ig u ra 3 A – A rq u ite tu ra d o Sis te m a d e M o n ito ra m e n to d e R e s e rv a tó rio s 4 0 – Saneas / dezembro 2006

– Auxiliando a manutenção e o dimensionamento de ativos A Figura 4 mostra um relatório feito no PIMS que possibilita que sejam levantadas as horas trabalhadas de um equipamento dentro de um período específico que pode ser definido pelo usuário. O funcionamento do relatório é simples: uma vez escolhido o sistema e uma vez definido o período, um mecanismo checa o status de todos os equipamentos daquele sistema dentro daquele período e calcula por quantas horas o equipamento ficou funcionando. O relatório permite que a consulta de horas trabalhadas de equipamentos seja feita sob demanda, sem que o usuário tenha que aguardar o fechamento do mês ou de outro período para ter acesso a essas informações. Além disso, os dados deste relatório podem ser utilizados em conjunto com outros dados para gerar informações de consumo energético e de produção de água. A Figura 5 mostra uma tela de consumo energético que permite acompanhar em tempo real através da W EB como estão se comportando alguns equipamentos do sistema. Ela provê informações como potência despendida pelo equipamento, consumo energético em kwh/m3 e gastos em R$/m3. Além disso, através desta tela pode-se avaliar a tendência de tais variáveis. A tela permite identificar de forma direta se o equipamento está operando super ou subdimensionado, permite comparar a eficiência energética de equipamentos semelhantes e, finalmente, permite avaliar o desempenho do equipamento


A rtig os T é c nic os

ao longo do tempo tirando conclusões sobre a sua vida útil. – Identifi cando e reduzindo as perdas O relatório mostrado na Figura 6 apresenta a arquitetura de um determinado sistema (vazões de entrada, reservatórios e vazões de saída) e realiza o balanço de água deste sistema. O balanço consiste na soma das entradas menos a soma das saídas menos o que ficou acumulado nos reservatórios. O ideal é que o resultado do balanço seja 0. Qualquer valor diferente de zero implica em perdas no sistema ou em mau funcionamento da instrumentação. Sendo assim o relatório pode conduzir a uma busca e eliminação de vazamentos ou perdas, ou a uma política de manutenção e calibração contínua de instrumentos. O Fator de Pesquisa é um indicador chave do saneamento básico. Ele mede o teor de perdas (vazamentos, folgas, etc.) de um determinado sistema. Este índice é calculado a partir da vazão média diária e da vazão mínima noturna. Para um sistema ser considerado imune às perdas, ele deve apresentar um fator de pesquisa menor do que 30% , um valor muito difícil de ser alcançado. O relatório de fator de pesquisa, mostrado na Figura 7 é um relatório mensal que calcula automaticamente o fator de pesquisa diário de alguns sistemas da Sabesp de São José dos Campos. Além do valor algébrico, o relatório oferece também uma tendência do fator de pesquisa ao longo do mês, comparando com os dados do mesmo período no ano anterior. O relatório representa uma alternativa de se acompanhar diariamente o Fator de Pesquisa com um mínimo de esforço por parte do usuário, uma vez que o relatório é todo automático. Além disso, a comparação com dados do ano anterior permite avaliar a evolução do sistema no que diz respeito à redução de perdas.

F ig u ra 4 – R e la tó rio d e h o ra s tra b a lh a d a s d e e q u ip a m e n to s

F ig u ra 5 – T e la d e c o n s u m o e n e rg é tic o d e e q u ip a m e n to s

F ig u ra 6 – R e la tó rio d e b a la n ç o d e á g u a Saneas / dezembro 2006 – 4 1


A rtig os T é c nic os

– Integrando dados de laboratório As análises laboratoriais que geram parâmetros de qualidade também podem ser historiadas pelo sistema PIMS para poderem ser estudadas posteriormente. A Figura 8 mostra um boletim de controle utilizado para registrar de hora em hora o resultado das amostras realizadas pelo laboratório da ETA. Antes da implantação do PIMS era gerado um boletim por mês e, ao final de cada mês, este boletim era gravado em um disco removível para backup. Com o PIMS optou-se por desenvolver um mecanismo de importação dos dados, eliminando a necessidade de armazenamento de boletins anteriores. Resultado: a estrutura do boletim foi mantida porém, agora existe um botão que deve ser acionado pelo analista de laboratório em todo final de dia para que os dados daquele dia sejam importados para o PIMS. O boletim contém dados de vazão de água, consumo de produtos químicos, parâmetros de qualidade da água bruta e parâmetros de qualidade da água tratada. Já o relatório da Figura 9 é uma espécie de resumo mensal das informações registradas no boletim de controle apresentado na figura anterior. Enquanto o boletim apresenta informações tomadas de hora em hora, este relatório agrega tais informações em dias, fornecendo uma visão mais geral da operação da ETA. Ao final do mês o relatório está preenchido e totalizações e médias mensais são apresentadas. O relatório é todo automático, bastando que o usuário selecione o mês que deseja consultar. Além dos dados, o relatório disponibiliza também gráficos de tendência que permitem acompanhar a evolução das características ao longo do mês. – Acompanhando a produção O relatório mostrado na Figura 10 permite correlacionar, no mês definido pelo usuário, a produção 4 2 – Saneas / dezembro 2006

F ig u ra 7 – R e la tó rio d e F a to r d e P e s q u is a

F ig u ra 8 – R e la tó rio d e a n á lis e s la b o ra to ria is

de água de cada sistema com o seu respectivo consumo de produtos químicos. Além dos valores brutos de consumo de cloro, consumo de flúor e produção de água, o relatório apresenta ainda uma coluna contendo o fator consumo/produção e ainda uma coluna contendo o montante gasto com os insumos (não leva em consideração o consumo energético). Para que o relatório esteja sempre atualizado em relação aos preços praticados, foram disponibilizadas células de entrada onde o usuário pode inserir os valores mais recentes de cada produto.

Atenção especial foi dada à ETA uma vez que esta consome uma variedade maior de produtos químicos. Dessa forma existe uma região do relatório exclusiva para os dados de consumo da ETA. – B uscando a excelência operacional U ma das formas de se buscar a excelência operacional utilizando o PIMS é através de telas de acompanhamento operacional. Estas são telas disponibilizadas via W EB contendo dois ou mais gráficos de tendência (Figura 11). Cada gráfico


A rtig os T é c nic os

contém duas curvas, uma em vermelho e outra em azul. A curva em vermelho, construída pelo Eng. de Operação depois de um estudo detalhado do comportamento do sistema, é a curva de referência da variável que está sendo operada. E a curva em azul é o valor real, ou seja, o resultado imediato das ações do operador. A comparação entre as curvas permite orientar o operador de como ele deve atuar nas variáveis do processo de forma a atingir o comportamento ideal do sistema, ou verificar a discrepância entre a atuação do operador e uma atuação dita ideal. Como cada dia da semana, dependendo do clima, possui um perfil diferente, a tela possui mecanismos que ajustam as curvas de acordo com o dia atual. Além das telas de acompanhamento operacional, uma forma eficiente de se analisar a operação do processo é através das telas de processo (Figura 12) e das telas de operação (Figura 13) que podem ser visualizadas em tempo real ou histórico, via W EB. As telas de processo são telas sinóticas com recursos sofisticados que permitem a visualização dos dados de processo sobre um ponto de vista mais analítico. Nestas telas estão presentes, além dos gráficos de tendência das variáveis de um determinado sistema, histogramas que ilustram a variabilidade do sistema, gráficos de pizza que apontam qual bairro está demandando mais água em um determinado instante, gráficos de correlação que permitem estabelecer modelos entre variáveis (p/ ex. vazão em função da abertura de uma válvula), além dos valores médio, máximo ou mínimo de uma variável dentro de um determinado período. Já as telas de operação são telas sinóticas em sua concepção. Ou seja, representam fielmente a arquitetura do sistema e mostram os seus dados em tempo real. Através des-

F ig u ra 9 – R e la tó rio d e c o n s o lid a ç ã o m e n s a l d a s a n á lis e s la b o ra to ria is

F ig u ra 10 – R e la tó rio d e C o n tro le d e P ro d u to s Q u ím ic o s v s . P ro d u ç ã o d e Á g u a

F ig u ra 11 – T e la d e a c o m p a n h a m e n to o p e ra c io n a l Saneas / dezembro 2006 – 4 3


A rtig os T é c nic os

sas telas é possível saber exatamente como está o sistema no instante atual ou como estava o sistema em instantes anteriores. CO N CL U SÃ O No momento o projeto está começando a tornar-se realidade, pois já contratamos o sistema e estamos na etapa de levantamento da infraestrutura, ou seja, o projeto começou a ser implantado. Nossa previsão é que teremos 18 pontos sendo monitorados até o final de novembro de 2006. Nossa expectativa é que num futuro muito próximo tenhamos mais variáveis agregadas ao sistema e que os exemplos de telas apresentados, como as implantadas no projeto Sapucaia, farão parte do sistema de monitoramento de dados operacionais do RJJ. Estaremos utilizando as informações fornecidas pelo sistema para iniciarmos uma nova etapa na gestão dos processos operacionais do RJJ, pois utilizaremos essa poderosa ferramenta para revolucionar a maneira de gerir nossos processos operacionais e ao mesmo tempo exercitar a tão sonhada implantação da engenharia da operação. Até mesmo as informações ainda não fornecidas pelo sistema nos serão úteis no direcionamento de novos investimentos quando poderemos identificar com maior precisão e urgência qual o tipo de variável ou grandeza tem maior prioridade para sua obtenção automática, considerando os recursos disponíveis para automação. Por fim, apresentamos nesse trabalho uma coletânea de telas implementadas no projeto Sapucaia que servirão de base para novos incrementos ao novo sistema de monitoramento o que comprova mais uma vez a possibilidade de expansão imediata do sistema em implantação a baixo custo e com mão de obra própria. O horizonte que se apresenta a nossa frente é bastante desafiador, 4 4 – Saneas / dezembro 2006

F ig u ra 12 – T e la d e p ro c e s s o

F ig u ra 13 – T e la d e o p e ra ç ã o

como também promissor basta nos prepararmos e saber aproveitá-lo. B IB L IO G R A FIA Siqueira, Ethevaldo 2015: Como viveremos / Ethevaldo Siqueira – São Paulo : Saraiva, 2004. Hueb, José Augusto, entrevista ao Informativo AESABESP, 2005, Julho. CARVALHO, F. B. et. al. (2003). Sistemas PIMS – Conceituação, U sos e Benefícios, V II Seminário de Automação de Processos da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais

– ABM, Santos/SP, Outubro. CORRÊA, E. J. M. et. al., (2003). U tilização de sistema PIMS para apoio às atividades da Manutenção e Metalurgia na CST, V II Seminário de Automação de Processos da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais – ABM, Santos/SP, Outubro. CAMPOS, V. F., 1940 – TQC – Controle da Qualidade Total (no estilo japonês), MG: Editora de Desenvolvimento Gerencial, 1999. www.pims.com.br ■

Artigo Sabesp Saneas  

artigo sabesp saneas

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you