Page 1

APUFPR-SSIND

SSind

JUNHO DE 2018

168

O EVENTO MOBILIZOU DOCENTES, ESTUDANTES E TÉCNICOS NAS DISCUSSÕES PERTINENTES À CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO EDUCACIONAL DEMOCRÁTICO.

EDIÇÃO Nº

DESESTRU TURAÇÃO

Pág. 4 Ajuste fiscal que sufoca direitos se manifesta de diversas formas na universidade

Pág. 5 APUFPR-SSind realizou debate sobre carreira e precarização do trabalho docente

Pág. 7

REPRESEN TANTES

APUFPR

ETAPA ESTADUAL DO III ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DISCUTE INCLUSÃO E CAMINHOS PARA O ENSINO PÚBLICO

PRECARI ZAÇÃO

INFORMATIVO

Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná Seção Sindical do ANDES-SN Rua Dr. Alcides Vieira Arcoverde, 1193 | Jardim das Américas, Curitiba-PR | CEP: 81520-260

CRAPUFPR se reuniu para discutir o financiamento de universidades federais


2

EDIÇÃO N° 168

INFORMATIVO APUFPR-SSIND

PARA LISA ÇÃO #MOBILIZAÇÃO

JUNHO DE 2018

DIA 7 DE JUNHO É MARCADO POR PARALISAÇÃO DA COMUNIDADE ACADÊMICA

O debate também passou pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que fragmenta e empobrece a formação dos brasileiros durante o ciclo básico de educação. A docente aposentada Milena Maria Costa Martinez, que compôs a mesa da aula pública, explicou que a paralisação nasceu da necessidade de barrar o avanço do projeto de precarização e mercantilização da educação e dos serviços públicos em geral, que se acentuou nos últimos tempos. “Essa é uma luta muito grande que vamos enfrentando,

No dia 7 de junho de 2018, docentes,

que não é de hoje. Mas no Governo Temer,

discentes e servidores técnico-administrativos

essas ações se intensificaram muito”,

da Universidade Federal do Paraná (UFPR) se

comentou.

uniram em uma paralisação contra os ataques

Após a aula pública, a comunidade

à classe trabalhadora e à educação pública

acadêmica participou de mais uma aula

brasileira.

do curso de extensão O Golpe de 2016: a

A mobilização foi marcada por uma aula pública, realizada no Prédio Histórico da

Destruição dos Direitos Sociais, que vem sendo realizado na UFPR desde março.

universidade, na Praça Santos Andrade, que debateu os retrocessos impostos ao sistema educacional pelo governo Michel Temer, especialmente a Emenda Constitucional (EC) 95/2016, que congela os investimentos em áreas sociais prioritárias, incluindo a educação, por 20 anos. Em um comparativo entre o Projeto da Lei

E

PARALISAÇÃO A paralisação dos docentes foi deliberada em Assembleia Geral Extraordinária realizada pela APUFPR-SSind no dia 4 de junho, e

Orçamentária Anual dos anos 2017 e 2018, o

discutida com os outros segmentos da

Ministério da Educação sofreu um corte de

comunidade acadêmica em Assembleia

37% nos repasses, que caíram de R$ 5 bilhões

Comunitária realizada na mesma data

para R$ 3,2 bilhões de um ciclo fiscal para o

para articulação dos pontos de pauta e

outro.

programação do ato do dia 7.

XPEDIENTE INFORMATIVO APUFPR-SSIND DIRETORIA – GESTÃO 2017/2019 PRESIDENTE: Herrmann Vinícius de Oliveira Muller VICE-PRESIDENTE: Raimundo Alberto Tostes SECRETÁRIA-GERAL: Sandra Mara Alessi PRIMEIRA-SECRETÁRIA: Marcia Marzagão Ribeiro TESOUREIRO GERAL: Claudir José Daltoé DIRETOR ADMINISTRATIVO: João Francisco Ricardo Kastner Negrão DIRETORA DE CULTURA: Celina Lacerda Ferreira DIRETOR DE ESPORTES: Eduardo Chemas Hindi DIRETOR DE IMPRENSA: Cássio Alves DIRETOR JURÍDICO: Juarez Cirino dos Santos DIRETORA SOCIAL: Maria Suely Soares

PUBLICAÇÃO QUINZENAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA E DIRIGIDA FALE CONOSCO Endereço: Rua Dr. Alcides Vieira Arcoverde, 1193, Jardim das Américas | CEP: 81520-260 | Curitiba-PR Tel.: (41) 3151-9100 www.apufpr.org.br PRODUÇÃO Abridor de Latas – Comunicação Sindical www.abridordelatas.com.br Jornalista responsável: Guilherme Mikami SRTE 9458-PR


JUNHO DE 2018

EDIÇÃO N° 168

INFORMATIVO APUFPR-SSIND

INFORME DA DIRETORIA SOBRE REAJUSTE DO PLANO DE SAÚDE UNIMED PARA 2018 No mês de maio, realizamos as negociações para definir o reajuste anual do plano de saúde da APUFPR-SSind com a Unimed Curitiba. Em geral, para o cálculo do reajuste dos valores do plano, dois parâmetros são usados: cáculos atuariais, sendo um índice técnico cuja referência adotada na prática é a chamada sinistralidade (S), calculada da seguinte forma: S = (Despesa assistencial x 100%) / Receita e ou IGP-M dos últimos 12 meses. A negociação deste ano foi realizada entre a representação da Unimed e a Diretoria da APUFPR-Ssind, assessorada pela Comissão dos Planos de Saúde (composta por delegados eleitos no CRAPUFPR – Conselho de Representantes da APUFPR) e o advogado Gabriel Schulman, do escritório Trindade & Arzeno. Como é usual, a APUFPR-SSind sempre atua de modo a reduzir, zerar ou minimizar os índices de reajustes anuais e a negociação é sempre realizada considerando-se aspectos qualitativos, quantitativos e jurídicos. Assim, apresentamos aos usuários a estratégia argumentativa empregada, que obteve êxito, e aproveitamos para informar, brevemente, sobre o uso do plano de saúde. A Unimed, inicialmente, apresentou a necessidade de aumento de 26,73%, baseandose principalmente no cálculo atuarial, de acordo com cláusula contratual. Usou também como justificativa o valor da inflação médica, que chegou em 20,40% (VCMH / IESS/2016), e o alto valor do Índice de Sinistralidade, que alcançou em 12 meses, 85,89%. Como esse valor impacta sobre o resultado financeiro da Unimed, ela reivindicava o controle em um ponto de equilíbrio do Índice de Sinistralidade em 70%. Da mesma forma, apresentou dados sobre o uso do plano, e essas informações chamaram muita atenção da APUFPR e da Comissão, porque revelaram o aumento de doenças possivelmente vinculadas ao trabalho, como índice acima da média em consultas/exames na especialidade de Ortopedia e Psiquiatria. A Unimed apontou que é provável que exista um uso equivocado do atendimento em Pronto Socorro, que têm uso restrito a emergências e, para o caso de atendimento não emergencial, aconselhou que os usuários passem a buscar, preferencialmente, atendimento em clínicas especializadas. Assim, com base em um amplo conjunto de dados e após um intenso e produtivo debate, a Diretoria da APUFPR, a Comissão e o advogado Schulman responderam à Unimed com a proposta de reajuste de 14,52% que, embora contestado¹ pela Unimed em um primeiro momento, foi aceito a posteriori. Assim, apresentamos abaixo a justificativa usada para contestar o valor de 26,73% proposto pela Unimed.

Primeiramente, o IGP-M acumulado entre 03/2017 e 03/2018, atingiu o ínfimo percentual de 0,21%. Segundo, o IGP-M no período entre 03/2009 a 03/2018 foi de 62,51%, e o índice de reajuste efetivamente aplicado pela Unimed, no mesmo período, foi de 90,45%, ou seja, há uma folga da correção paga em 27,94%. Terceiro, a inflação médica do período já está incorporada na Despesa Assistencial eis que está incorporada aos preços pagos e, portanto, refletida na Sinistralidade. Quarto, se realizada a média anual de Sinistralidade, para o período de 03/2009 a 03/2018, obtêm-se uma média de Sinistralidade de 84,13% com variação de 15,55% para mais ou para menos, ou seja, a Sinistralidade fica entre 68,58% e 99,68%. Quinto, ainda que em contexto negocial sejam admitidos os parâmetros propostos pela Unimed, a análise do desempenho do plano é feita utilizando as informações da operadora e também o ponto de equilíbrio de 75% da sinistralidade e, dessa forma, a correção do plano para manter a taxa de sinistralidade no patamar de 75% seria de 14,52%. Do ponto de vista qualitativo, também foi destacado em comunicação que, devido à crise do orçamento da União e à instabilidade política vivenciada pelo Governo Federal, existe ainda muita incerteza em relação a reajuste salarial para a categoria nos próximos 12 meses. Desse modo, a categoria docente não teria condição de absorver reajustes mais altos. Assim, a diretoria da APUFPR-SSind novamente agradece a participação de todos os envolvidos nesta conquista da minimização do reajuste proposto e acredita que a continuidade da comissão eleita no CRAPUFPR trará benefícios a todos os usuários. Além disso, a própria comissão já se colocou a disposição para continuar os trabalhos e discussões sobre os planos de saúde

TABELA DE PREÇOS PLANOS DE SAÚDE UNIMED

¹ A Unimed contestou que, para contratos com a sinistralidade equilibrada em 70%, a aplicação de reajuste ficou em cerca de 16%.

administrados pela APUFPR. Ao final de todo esse longo e intenso processo de negociação, o entendimento geral foi de que a conquista da minimização do reajuste para 14,52% reforçou a precisão e a qualidade do trabalho disponibilizado pelos envolvidos. Por último, o entendimento da Diretoria da APUFPR é que, mesmo que as/os docentes sejam atendidos por um plano complementar e privado, ele é parcial e excludente e só se mantém enquanto houverem lucros para a Empresa Unimed e seus prestadores. Considera ainda, que a adesão ao plano é motivada pelas precárias condições nas quais o SUS se encontra e, portanto, reafirma que, mesmo sendo atendidos por esse ou outros planos, temos a responsabilidade de defender um Sistema Único de Saúde, Público, Universal e de Qualidade, baseado não somente no tratamento de sintomas, mas na compreensão da manutenção e promoção da qualidade de vida. Apresentamos uma consideração final, sobre todo o processo, como informe aos usuários. Esclarecemos que este plano está em vigor desde 1988 e que, por conta desta longevidade e do número de usuários, sempre crescente, garante um bom custo benefício. Esse fato inviabiliza a realização do fracionamento dos usuários em planos específicos para os campi das cidades do interior e Litoral do Paraná. Além disso, tal fracionamento acarretaria em maiores custos atrelados à redução de benefícios, nos novos planos. Estamos à disposição de V.Sa. para outros esclarecimentos que se façam necessários. APUFPR-SSind

3


4

INFORMATIVO APUFPR-SSIND

EDIÇÃO N° 168

JUNHO DE 2018

DESESTRUTURAÇÃO DE CARREIRA E SALÁRIOS ABRE CAMINHO PARA LÓGICA PRIVADA NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS O ajuste fiscal que sufoca os direitos sociais e trabalhistas no Brasil se manifesta de diversas maneiras dentro da universidade pública. Além das consequências nefastas da aprovação da Emenda Constitucional 95/2016, que congelou investimentos sociais por 20 anos no país, medidas de achatamento da carreira e da remuneração dos docentes avançam em consonância com o projeto de desmonte do Estado. As medidas neoliberais que mais afetam a carreira e os salários dos docentes se expressam mais especificamente na Lei 13.325/2016, assinada em uma espécie de acordo entre o Governo Federal e a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes), assinada mesmo contra a vontade da imensa maioria da categoria no pais. As regras atuais são nefastas: elas aceleram o processo de precarização laboral nas universidades, desmantelam a carreira dos docentes e estimulam o fim do Regime de Dedicação Exclusiva (DE).

DESORGANIZAÇÃO DA CARREIRA A Lei 13.325/2016 instituiu, em 2016, a previsão de quatro ajustes regressivos anuais nos vencimentos básicos dos docentes. Dois deles – os de 2016 e de 2017 – já foram realizados. O ponto de chegada da lei é 2019, cujo cenário é profundamente prejudicial para a categoria. Em termos práticos, um professor em Regime de DE receberá, no ano que vem, um salário equivalente ao que um docente em Regime de 40 horas recebia no Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos (PUCRCE), extinto pela Lei 12.772/2012.

Também a DE, regime de trabalho fundamental para a manutenção do caráter público da universidade e da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, está sob ameaça. Se até 2012 o vencimento básico em Regime de DE era cerca de 3,1 vezes maior que o do regime de 20 horas, essa proporção chegará até dois em 2019, aprofundando ainda mais a desvalorização da categoria. Além disso, a desvalorização do vencimento básico carrega consigo outros prejuízos ao funcionamento da universidade pública, como a definição de índices de reajuste diferenciados para determinadas classes e retribuições por titulação distintas entre os regimes de 20 e 40 horas. Essa distribuição aprofunda a lógica privada e acirra a competitividade entre docentes. A secretária-geral da APUFPR-SSind, Sandra Mara Alessi, ressalta que a mobilização dos docentes é fundamental para impedir que mais retrocessos sejam implementados. “A atual legislação prevê reajustes regressivos até 2019, mas nada garante que a política de achatamento salarial seja encerrada depois disso. Precisamos ficar atentos e mobilizados”, alerta.

OS RETROCESSOS DA MP 805/2017 Outro projeto de desvalorização dos servidores públicos federais estava representado pela Medida Provisória (MP) 805/2017. A proposta previa o aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14% sobre a parcela do salário superior ao teto do INSS do Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Com a resistência do movimento sindical, a MP 805/2017 perdeu a validade no mês passado, já que o Congresso Nacional não votou o texto no prazo máximo de 120 dias. Essa derrota do governo, no entanto, não impede que algum projeto semelhante seja proposto nos próximos meses.


JUNHO DE 2018

EDIÇÃO N° 168

INFORMATIVO APUFPR-SSIND

APUFPR-SSIND PROMOVE DEBATE SOBRE CARREIRA E PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE Durante um debate sobre carreira e precarização do trabalho docente realizado pela APUFPR-SSind no dia 28 de maio, no anf. 100 do Setor de Educação, o ex-presidente do ANDES-SN Luiz Henrique Schuch, atual 3º tesoureiro da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pelotas (ADUFPel), abordou a relação entre as condições adequadas para que um professor realize seu trabalho e as possibilidades de dedicação exclusiva a atividades de longo prazo oferecidas pelo Estado. Para Schuch, o debate sobre a valorização do exercício da docência está atrelado a uma reflexão sobre a aplicação e os esforços exigidos pela carreira, que não costumam ser considerados em diálogos estabelecidos pelo poder público e até mesmo pela comunidade em geral. “Quando se discute o trabalho docente, é preciso conversar sobre o sistema lattes, pós-graduação, financiamento de pesquisa e atividades a longo prazo, considerando que um país como o Brasil, além da questão intelectual, precisa justamente do desenvolvimento de projetos que estabeleçam uma relação com a sociedade”, explicou. Durante o encontro, também foram debatidas questões relativas aos planos e ações do atual Governo Federal para a educação que contribuem para precarizar o trabalho docente em todo o país e a deturpar o papel social da universidade pública quanto à construção coletiva do conhecimento. O diretor de imprensa da APUFPR-SSind, Cássio Alves, que participou da atividade, enfatizou que a valorização social e salarial da categoria é uma pauta prioritária da seção sindical e do ANDES-SN. “O objetivo da realização desse tipo de atividade é justamente conversar com os docentes sobre medidas para combater a precarização e reconhecer o trabalho e a formação dos professores. A questão de priorizar o debate sobre a dedicação exclusiva é um ponto crucial nas nossas demandas por uma educação pública de qualidade”, salientou.

5

PRECARI ZAÇÃO #CARREIRA

Para Schuch, o debate sobre a valorização do exercício da docência está atrelado a uma reflexão sobre a aplicação e os esforços exigidos pela carreira. Assista ao vídeo

FORAM DEBATIDAS QUESTÕES RELATIVAS AOS PLANOS E AÇÕES DO ATUAL GOVERNO FEDERAL PARA A EDUCAÇÃO QUE CONTRIBUEM PARA PRECARIZAR O TRABALHO DOCENTE.


6

EDIÇÃO N° 168

INFORMATIVO APUFPR-SSIND

IN CLU SÃO

JUNHO DE 2018

#ENCONTRONACIONAL

A ETAPA ESTADUAL DO III ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (ENE) MOBILIZOU DOCENTES, ESTUDANTES E TÉCNICOS EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO EDUCACIONAL DEMOCRÁTICO NO BRASIL.

ETAPA ESTADUAL DO III ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DISCUTE INCLUSÃO E CAMINHOS PARA O ENSINO PÚBLICO Nos dias 18 e 19 de maio, foi realizada a etapa estadual do III Encontro Nacional de Educação (ENE). O evento mobilizou docentes, estudantes, técnicos e comunidade em prol das discussões pertinentes à construção de um projeto educacional democrático no Brasil. A palestra de abertura do evento, intitulada Educação no Paraná – Lutas em Defesa da Educação Pública, aconteceu no auditório central da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), na noite de sexta-feira (18). Já o anfiteatro 100 do prédio D. Pedro I, que fica no campus Reitoria da UFPR, recebeu mesas que abordaram três eixos: financiamento da educação pública; acesso e permanência; e gênero, sexualidade e questões étnico-raciais, todas realizadas ao longo do sábado (19). As mesas contaram com docentes especialistas nas respectivas temáticas do debate e também com a presença de representantes do movimento estudantil, promovendo uma abordagem horizontal das questões discutidas.

TEMAS Os debates desenvolvidos durante

etapa regional do ENE é importante por ser um espaço de debate que reúne membros de diversas instituições de ensino do estado:

os dois dias de evento englobaram

“Discutimos políticas de inclusão, tanto no

principalmente as lutas contra os

ensino básico quanto no superior, e foi muito

retrocessos promovidos pelo Governo

proveitoso para o debate sobre um projeto

Temer na área de educação, como a

educacional classista para o Brasil”, contou.

Reforma do Ensino Médio, a Residência Pedagógica e a Emenda Constitucional 95/2016, que congela por vinte anos os investimentos em áreas essenciais como a saúde e educação. Também foram encaminhadas possíveis

PRÓXIMOS PASSOS O debate deverá ser ampliado para o

soluções para a grave perspectiva de futuro

restante do estado por meio da realização

da educação. Entre elas, a destinação

de encontros regionais em municípios

de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do

como Cascavel, Foz do Iguaçu e Palotina.

país para a educação e a ampliação da

Em seguida, no segundo semestre, as

distribuição de bolsas-permanência em

conclusões desses encontros serão

todos os níveis de ensino, levando em

discutidas e compiladas em uma plenária

consideração a situação socioeconômica

final.

dos estudantes. Segundo a secretária-geral da APUFPR-

Os resultados dos eventos estaduais serão convertidos em um projeto único que

SSind, Sandra Mara Alessi, que participou

será apresentado no III ENE, previsto para

ativamente da organização do evento, a

acontecer no ínício de 2019, em Brasília.


EDIÇÃO N° 168

CRAPUFPR DEBATE RELAÇÃO ENTRE DÍVIDA PÚBLICA E FINANCIAMENTO DAS UNIVERSIDADES No dia 23 de maio, os membros do Conselho de Representantes da APUFPRSSind (CRAPUFPR) se reuniram no auditório da sede da seção sindical para discutir soluções e caminhos para rever a dívida pública e o financiamento de universidades federais no Brasil. O ponto de partida para o debate ficou sob a responsabilidade do professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) Luiz Fernando Reis, doutor em Políticas Públicas e Formação Humana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Reis é autor do artigo Dívida Pública, Política Econômica e o Financiamento das Universidades Federais e da Ciência e Tecnologia no Brasil: 2003-2017. A correlação entre o financiamento de serviços públicos básicos e políticas sociais e a dívida pública se estabelece na divisão dos recursos orçamentários da União. Analisando os dados de 2003 a 2017, em média, uma fatia muito maior do orçamento do país foi destinada a juros e amortizações da dívida do que a áreas prioritárias para o desenvolvimento do Brasil. Nesse intervalo de 14 anos, a porcentagem média de recursos destinada à Educação foi de 2,91%; à Ciência e Tecnologia, 0,34%.

Os índices também foram ínfimos em outros segmentos, como Saúde, que ficou com 3,9% do orçamento, e Assistência Social, com 2,52%. Em comparação, os juros, amortizações e refinanciamentos da dívida pública consumiram 46,56% do orçamento. Reis defendeu que, enquanto essa equação não for equilibrada, não há como esperar melhoras significativas para o financiamento da educação pública, ciência e tecnologia. “Esse é um tema fundamental porque todos os ajustes que têm sido feitos nesses últimos anos, inclusive o congelamento por 20 anos de investimentos em áreas sociais, deverá piorar muito a situação da saúde e da educação”, alertou, referindo-se à Emenda Constitucional 95/2016, que estabeleceu um teto de gastos fixo a diversos setores pelas próximas duas décadas. O diretor de imprensa da APUFPR-SSind, Cássio Alves, lembrou que a universidade pública tem sentido a crise com a retirada de recursos e, por isso, discutir a dívida pública é essencial. “Precisamos continuar lutando e pressionando o governo pela auditoria da dívida, porque é a principal forma de rever essa política absurda e destinar recursos para áreas que realmente deveriam ser prioritárias para o desenvolvimento social e econômico do país”, afirmou.

INFORMATIVO APUFPR-SSIND

#CONSELHO

DEBATE SOBRE SOLUÇÕES E CAMINHOS PARA REVER A DÍVIDA PÚBLICA LUIZ FERNANDO REIS É AUTOR DO ARTIGO DÍVIDA “PÚBLICA, POLÍTICA ECONÔMICA E O FINANCIAMENTO DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS E DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO BRASIL: 2003-2017”.

7

REPRESE TANTE

JUNHO DE 2018


JUNHO DE 2018

EDIÇÃO N° 168

INFORMATIVO APUFPR-SSIND

8

REUNIÃO DE APOSENTADOS TEM PALESTRAS SOBRE QUALIDADE DE VIDA NA APOSENTADORIA No encontro de docentes aposentados

se aposentar nos próximos anos é lutar

realizado pela APUFPR-SSind no dia 29 de

não apenas contra agentes externos, mas

maio, os professores puderam participar de

contra fatores e diretrizes que deturpam os

dois debates e desfrutar de um delicioso

propósitos da universidade.

almoço. Inicialmente marcada para a chácara da entidade, a atividade foi transferida para a sede em Curitiba devido às dificuldades de transporte decorrentes da paralisação dos caminhoneiros. O primeiro bate-papo da tarde, conduzido pelo vice-presidente da APUFPR-SSind, Raimundo Alberto Tostes, abordou o tema A Velhice no Cinema e na Literatura. A apresentação fez um apanhado da representação romantizada da juventude na cultura ocidental, mitificada pela eternização por meio da morte — que acontece no caso de artistas que faleceram muito cedo, como Cazuza e Kurt Cobain — o que contribui para a construção de estereótipos negativos da terceira idade na ficção. A conversa também englobou a

PREVI DÊNCIA #UNIVERSIDADE

constituição de enredos, personagens e ambientações da velhice na literatura, abordando obras de autores como Clarice Lispector, Honoré de Balzac e até mesmo a Bíblia. A palestra do professor Raimundo foi excepcional e bastante elogiada pela forma delicada e realista com a qual valorizou a fase da velhice, em especial para quem trilhou a carreira da docência. O segundo debate da reunião ficou a cargo do ex-presidente do ANDES-SN Luiz Henrique Schuch, atual 3º tesoureiro da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pelotas (ADUFPel), e abordou o tema Os Reflexos da Carreira na Aposentadoria. A discussão passou pelo papel social dos aposentados e como a Previdência tem sido vista, em escala global, diante de um modelo econômico em crise baseado no individualismo. Segundo Schuch, um desafio para os docentes aposentados e para os que irão

A DISCUSSÃO PASSOU PELO PAPEL SOCIAL DOS APOSENTADOS E COMO A PREVIDÊNCIA TEM SIDO GLOBALMENTE VISTA DIANTE DE UM MODELO ECONÔMICO EM CRISE BASEADO NO INDIVIDUALISMO.

Informativo APUFPR-SSIND - Edição 168  

Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná - Seção Sindical ANDES-SN. Realizado por Abridor de Latas Comunicação Sindical

Informativo APUFPR-SSIND - Edição 168  

Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná - Seção Sindical ANDES-SN. Realizado por Abridor de Latas Comunicação Sindical

Advertisement