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APUFPR-SSIND

INFORMATIVO

APUFPR

Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná Seção Sindical do ANDES-SN

R. Dr. Alcides Vieira Arcoverde, 1193 • Jardim das Américas • Curitiba-PR • CEP: 81520-260

Edição nº 154 • Agosto de 2017

UFPR

CONAD

Universidade

Educação

Reforma

Nota de repúdio ao ataque à liberdade universitária

APUFPR-SSind participa do 62° Conad

A verdade sobre os ataques da velha mídia à universidade pública

Investimento em educação transforma a sociedade

Reforma Trabalhista retira direitos dos trabalhadores

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EMENDA QUER RETIRAR PALOTINA E TOLEDO DA UFPR E DESCONFIGURAR A UNILA

CAPA Medida pretende acabar com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e amputar parte da UFPR.

#NotaDeCapa PREJUÍZOS PARA A COMUNIDADE ACADÊMICA

O projeto quer transformar a instituição em Universidade Federal do Oeste do Paraná (UFOPR), beneficiando somente as empresas diretamente ligadas ao agronegócio.


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UFPR

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PETIÇÃO PÚBLICA

FORTALECIMENTO DA CATEGORIA

Na matéria publicada pela APUFPRSSind sobre a emenda, é possível acessar a petição pública contra a medida do deputado federal.

O abaixo-assinado online foi criado para fortalecer a luta em defesa da UNILA. A meta é defender a instituição e sua identidade original.

NOTA DE REPÚDIO AO ATAQUE À LIBERDADE UNIVERSITÁRIA A diretoria da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPRSSind), Seção Sindical do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), manifesta o seu repúdio ao ataque à liberdade e autonomia universitária, contida na proposta de emenda aditiva à medida provisória 785, de 6 de julho de 2017 elaborada pelo deputado federal Sergio Souza. Nesta emenda aditiva (EA) é proposta a criação da UFOPR (Universidade Federal do Oeste do Paraná) a partir de mudanças das características e da identidade que fundaram a UNILA e é proposta a incorporação do Setor Palotina e do campus de Toledo, ambos da UFPR, à UFOPR. Esclarecemos que essa proposta de EA não passou por nenhuma instância da comunidade

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acadêmica da UFPR e nem das comunidades atendidas por ambas as universidades. De modo externo e completamente alheio ao amplo debate acadêmico, científico e social o deputado federal Sergio Souza quer impor às duas universidades seus caprichos ou interesses escusos. A UNILA e a UFPR são instituições sólidas e sérias, com histórias próprias, realizam uma enorme diversidade de funções acadêmicas, sociais e administrativas que não merecem ter sua história e futuro comprometidos por interesses políticos que pouco ou nada tem a ver com o interesse público. Este é mais um ataque às universidades públicas – que pode ser somado ao ataque que as universidades estaduais do Paraná vêm sofrendo. A partir da implantação do sistema da meta

4 (sistema que pretende realizar a gerência de recursos humanos independente das universidades), o governo do Paraná quer realizar ingerências de modo a interferir na autonomia política e administrativa dessas universidades. Somando tudo isso, temos o ataque dos grandes veículos de impressa, que estão realizando uma intensa campanha difamatória das universidades públicas. Professoras e professores, técnicas e técnicos administrativos, estudantes e comunidade em geral: vamos todos nos unir contra essas atitudes autocráticas, em defesa de nossas universidades livres,

públicas, laicas e autônomas a qualquer governo e instituição! Não vamos admitir retrocessos e agressões!

Expediente Publicação quinzenal - Distribuição gratuita e dirigida

Informativo APUFPR-SSind

Diretoria - Gestão 2017/2019

Presidente: Herrmann Vinícius de Oliveira Muller Vice-presidente: Raimundo Alberto Tostes Secretária-geral: Sandra Mara Alessi Primeira-secretária: Marcia Marzagão Ribeiro Tesoureira-geral: Raquel Rangel de Meireles Guimaraes Primeira-tesoureira: Valeria Floriano Machado

Diretor administrativo: Claudir Jose Daltoé Diretora cultural: Joanez Aparecida Aires Diretor de esportes: Eduardo Chemas Hindi Diretor de imprensa: Cássio Alves Diretor jurídico: Juarez Cirino dos Santos Diretora social: Maria Suely Soares

Fale Conosco Endereço: Rua Dr. Alcides Vieira Arcoverde, 1193 – Jardim das Américas – CEP: 81520-260 – Curitiba-PR Tel.: (41) 3151-9100 www.apufpr.org.br Produção: Abridor de Latas – Comunicação Sindical www.abridordelatas.com.br Jornalista Responsável: Larissa Amorim SRTE 9459-PR


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Conad

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NOVA EDIÇÃO

MATERIAL DE CAMPANHA

A nova edição da cartilha da campanha contra o assédio sexual pode ser acessada no site da APUFPR-SSind.

Além da cartilha, os cartazes que compõem a campanha contra o assédio sexual também podem ser acessados no site da entidade.

CAMPANHA VAI COMBATER O ASSÉDIO SEXUAL Durante as atividades, o ANDES-SN lançou uma campanha contra o assédio sexual – com cartazes, adesivos e vídeos –, e apresentou a nova edição da cartilha Contra Todas as Formas de Assédio, em Defesa dos Direitos das Mulheres, das/os Indígenas, das/os Negros, das/dos LGBTs.

Questões étnico-raciais, de gênero e diversidade sexual foram debatidas no terceiro dia de evento. Durante as discussões, foi aprovada a criação da Comissão Permanente de Enfrentamento ao Assédio, que será incorporada ao estatuto do Sindicato Nacional durante o 37° Congresso do ANDES-SN, em Salvador (BA).

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LUTA DOS TRABALHADORES

NOVA GREVE GERAL

Para a primeira-tesoureira da APUFPR-SSind, Valeria Floriano Machado, essa edição do Conad foi importante para a atualização da pauta de lutas da classe trabalhadora. “Estabelecemos as novas ações da categoria nesse movimento de luta e apoio à realização de novas eleições e contra as Reformas do governo Temer.”

De acordo com a diretora social da APUFPR-SSind, Maria Suely Soares, os debates contribuíram para a definição das próximas mobilizações da categoria. “Agora, o objetivo é realizar uma nova greve geral no país. A participação de todos será importante para enfrentarmos a retirada de direitos.”

62° CONAD DEFINE LUTAS DA CATEGORIA CONTRA RETROCESSOS DO GOVERNO De 13 a 16 de julho, a APUFPR-SSind participou do 62° Conad do ANDES-SN, realizado em Niterói, Rio de Janeiro. O evento foi sediado pela Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense (Aduff-SSind). De 13 a 16 de julho, a APUFPR-SSind participou do 62° Conad do ANDES-SN, realizado em Niterói, Rio de Janeiro. O evento foi sediado pela Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense (Aduff-SSind). O presidente da APUFPRSSind, Herrmann Vinícius de Oliveira Muller, participou do evento representando a entidade como delegado. Maria Suely Soares, Eduardo Chemas Hindi, Valéria Floriano Machado, Sandra Mara Alessi e Vitor Atsushi Nozaki Yano participaram como observadores. O tema central das atividades foi Avançar na unidade e

reorganização da classe trabalhadora: em defesa da educação pública e nenhum direito a menos. A plenária de abertura ficou marcada por discursos que reafirmaram a necessidade de união da categoria na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores. De acordo com Herrmann, o 62° Conad trouxe discussões importantes sobre a atual conjuntura política e social do país. “O Brasil vive um momento de ataque aos direitos trabalhistas e à democracia. Precisamos continuar lutando por nossas conquistas, pela valorização do professor e em defesa da educação pública de qualidade”, ressaltou o presidente.

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posicionamento nele expresso do que pelo conteúdo que possui”, ressalta. Para isso, a Gazeta do Povo renovou seu quadro de funcionários e está dando destaque para colunistas que sustentam esse pensamento retrógrado. Ao priorizar a produção de conteúdos opinativos, o veículo vai se transformando cada vez mais em uma espécie de blog conservador e se afastando dos conceitos tradicionais de jornalismo. Para o diretor de imprensa da APUFPR-SSind, Cássio Alves, as reportagens tentam desconstruir as universidades públicas questionando a liberdade de pensamento e pesquisa acadêmica, afirmando que a universidade precisa dar lucro e produzir mercadoria, excluindo o papel social dessa instituição.

A VERDADE SOBRE OS ATAQUES DA VELHA MÍDIA À UNIVERSIDADE PÚBLICA O que leva um dos maiores veículos de comunicação do Paraná – até pouco tempo atrás o maior jornal impresso do estado – a se dedicar tão metodicamente à desmoralização da universidade pública no Brasil? Desde o final de 2016, a Gazeta do Povo tem se dedicado quase que semanalmente ao ataque às instituições públicas de ensino superior. “Seis cenas peculiares que aconteceram em universidades públicas brasileiras” (09/06) e “Dez monografias incomuns bancadas com o dinheiro público” (13/06), são apenas alguns dos artigos com esse enfoque. Qual seria a verdadeira motivação para um jornalismo

pouco plural e tendencioso? Está cada vez mais claro que a Gazeta do Povo definiu que seu público-alvo serão pessoas ultraconservadoras e neoliberalistas, que buscam matérias com o mesmo viés políticoideológico para convencer os outros de que estão certas.

Posicionamento Essa busca constante por títulos chamativos e a substituição de matérias tradicionais por listas – processo conhecido como “buzzfeedização” –, indicam o fator que incentiva o veículo a se posicionar politicamente: o econômico. Portais que utilizam esses recursos para aumentar o número de

acessos já provaram que a técnica funciona. Portanto, o veículo paranaense segue essa vertente, tentando driblar a crise que abalou o formato do jornal. O que traz renda para esses sites são as visualizações e os cliques – nova forma de monetização utilizada pelos anunciantes, que deixa difícil para os usuários diferenciarem o que é material próprio e o que são posts patrocinados –, e o que gera esses dois fatores são títulos chamativos e matérias rebaixadas. Com isso, o público consome textos parciais e com valor meramente comercial. Para o professor do Departamento de Comunicação Social da UFPR Mário Messagi Júnior, a Gazeta do Povo está utilizando uma estratégia agressiva para aumentar seus índices de visualização e se tornar um grande portal nacional. “O objetivo é alcançar um público conservador e que busca materiais muito mais pelo

“Se quer a todo custo privatizar e transformar a universidade pública em uma mercadoria lucrativa. O grande discurso é este: ela precisa ser viável financeiramente, e para isso acontecer é preciso rebaixar a qualidade de ensino, pesquisa e extensão, de forma a transformar todas as produções acadêmicas em materiais rentáveis para o mercado, e como numa grande empresa, é preciso aumentar a força de exploração sobre as/os trabalhadoras/es da universidade, somando isso ao rebaixamento dos salários. Nesta visão, a universidade deve multiplicar o dinheiro, o conhecimento passa a ser secundário, porque só é importante se produzir mercadoria, se for fonte de lucro”, enfatiza. Nesses ataques às instituições públicas de ensino, percebe-se a tentativa de formatar o pensamento da população para criar uma aversão a tudo que possui caráter público e social.


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Democratização não é censura

AS 4 FAMÍLIAS DA mídia paranaense 1.CUNHA PEREIRA (GRPCOM)

2.MASSA (REDE MASSA)

TELEVISÃO:

TELEVISÃO:

RPC TV e 8 emissoras filiadas à Rede Globo

5 emissoras

INTERNET: Sites da Gazeta do Povo, RPC TV e Tribuna

RÁDIO: 98FM, Mundo Livre FM

RÁDIO:

Massa FM

IMPRESSO: Gazeta do Povo (em extinção), Tribuna; Jornal de Londrina e Gazeta Maringá (extintos)

4.PETRELLI (RIC RECORD)

3.J. MALUCELLI (TV BANDEIRANTES)

TELEVISÃO: 11 emissoras

IMPRESSO:

TELEVISÃO:

RÁDIO: BandNews FM, CBN Curitiba

RÁDIO:

o que esse controle significa? Que

fatores que contribuem para que a

apenas quatro pensamentos – que

Gazeta do Povo e outros veículos se

podem se diferenciar ou se igualar

sintam tão à vontade para disseminar

sobre uma temática ou outra –

ataques contra as universidades

comandam a imprensa paranaense

públicas.

e ditam a forma e o conteúdo das

Não há democracia sem uma imprensa livre e independente. Mas como é possível alcançar essa

informações aos quais a população terá acesso. Além disso, em todo o país,

liberdade e independência em um país

estima-se que 70% das concessões de

onde sete famílias controlam direta ou

rádio e TV pertençam a proprietários

indiretamente 70% da mídia?

que ocupam cargos públicos eleitos,

No Paraná, apenas quatro grupos dominam o mercado midiático. E

2 jornais, 2 editoras de revistas

5 emissoras

A CONCENTRAÇÃO MIDIÁTICA IMPEDE O AVANÇO SOCIAL O oligopólio midiático é um dos

3 grandes portais online

IMPRESSO:

Jornal Metro

TV Bandeirantes Curitiba e Maringá

INTERNET:

contrariando o que determina a Constituição Federal. Para isso, usam

parentes ou “laranjas” que se passam por donos desses veículos. No caso das redes de televisão, o mais agravante é o fato de que os quatro veículos locais são obrigados a seguir a linha editorial de suas “emissoras mães” (Globo, Band, Record e SBT). Ou seja, a linha editorial estabelecida nacionalmente será adotada pelos veículos no estado, aumentando o torniquete sobre a informação pública. Para agravar a situação em nosso estado, as duas emissoras FM de perfil jornalístico, especializadas somente em notícias – BandNews FM e CBN Curitiba, teoricamente concorrentes – pertencem ao mesmo grupo econômico.

Nos Estados Unidos a imprensa é regulamentada por legislações que proíbem a propriedade cruzada dos meios de comunicação. Isso ajuda a explicar a existência de mais de 600 jornais de grande circulação (regional ou nacional). Além disso, existem regras que limitam o número de estações de televisão e rádio que uma empresa pode controlar em determinado mercado. O mesmo acontece em diversos países da Europa que possuem legislações para democratizar a comunicação. A regulamentação da mídia no Reino Unido surgiu após os escândalos envolvendo escutas ilegais feitas por tabloides britânicos. Lá, a lei regula as concessões para emissoras de televisão e rádio. O Conselho Superior de Audiovisual (CSA) é o órgão que regulamenta o poder da mídia na França. De acordo com as normas, nenhum grupo pode controlar mais de 30% da imprensa diária. Na Argentina, a democratização dos meios também se tornou uma realidade. Aprovada em 2009, a Lei dos Meios virou referência internacional. Na época, a mídia brasileira tachou a medida como um ato de censura, porém o país apenas seguiu as mudanças que já são aplicadas nas principais democracias do mundo.

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Corte e congelamento de gastos prejudicam o futuro de alunos e professores

Palavra

Propagandeada pelo governo como uma saída para superar a crise econômica, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, aprovada em 2016, congela as despesas do governo federal por até 20 anos. A medida é um freio e um retrocesso no investimento em saúde e educação. De acordo com o presidente da APUFPR-SSind, Herrmann Vinícius Muller, com a PEC 241, é praticamente impossível cumprir as metas do Plano Nacional de Educação (PNE).

POR QUE A LIBERDADE DE PENSAMENTO NA UNIVERSIDADE PÚBLICA INCOMODA TANTO? A ciência e a tecnologia são consideradas motores potentes para o desenvolvimento econômico e social. No Brasil, a ciência e o desenvolvimento tecnológico existem principalmente dentro das universidades. Esse fato, aliado ao nosso atraso na formação econômica, contribui para que as universidades sejam vistas como uma empresa de tecnologia a ser terceirizada pelos empresários, de modo que só teria utilidade se atendesse ao mercado. No sentido contrário, o diretor de imprensa da APUFPR-SSind, Cássio Alves, afirma que devemos lutar contra esse movimento neoconservador que quer transformar as instituições públicas

em objetos que produzam apenas lucro para o mercado. “A universidade tem função social e pensa além do mercado, pensa no seu tempo e além do seu tempo, sem esquecer a sua história, o que significa que ela produz conhecimentos, ciências, artes, literatura e até mesmo tecnologia que, a princípio, podem não ter aplicações ou benefícios imediatos, mas que no futuro podem gerar grandes benefícios à população”, afirma o diretor. Ao se debruçar constantemente sobre questões que afetam a sociedade, as universidades públicas estimulam o desenvolvimento de um pensamento mais crítico, e formam sujeitos capazes de analisar a realidade

e propor mudanças que, muitas vezes, questionam as estruturas de poder e as origens dos problemas sociais. Segundo o vice-presidente da APUFPR-SSind, Raimundo Alberto Tostes, este é fator que mais incomoda àqueles que atacam a universidade pública. “Querem destruir a autonomia do pensamento crítico, porque no fundo é isso que incomoda tanto esses setores da sociedade. E eles só encontram sua voz nos grandes veículos de comunicação porque a velha mídia é regida por interesses econômicos”, explica. Segundo Raimundo, é por isso que pregam com frequência o fim da estabilidade do servidor público. Desconsideram que isso não é um privilégio, mas uma responsabilidade outorgada pela própria sociedade para que os servidores não se calem, uma garantia de que terão liberdade para lutar por seus direitos e pelo bem da sociedade. “Sem isso, imperaria a lei do silêncio, como ocorre na iniciativa privada. E é justamente isso o que esses setores desejam”, conclui.

Nas universidades públicas, os reflexos dos cortes do governo já são sentidos. “As instituições estão sofrendo o impacto dos cortes e da redução de investimentos. Muitas, que já passavam por situações de extrema dificuldade, agora se esforçam para manter suas portas abertas”, afirma Herrmann. Outro retrocesso foi o corte de 44% no orçamento destinado à realização de pesquisas científicas no Brasil. A medida deixou o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) com o menor orçamento dos últimos tempos, paralisando projetos de pesquisas em curso e o desenvolvimento de novos. Enquanto o governo Temer libera bilhões de reais em emendas para agraciar parlamentares em troca de apoio e votos para barrar o processo de investigação no Congresso contra o próprio presidente, setores essenciais para a sociedade sofrem com a falta de recursos básicos.


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UNIVERSIDADE PÚBLICA E DE QUALIDADE TRANSFORMA A SOCIEDADE

independentemente da condição econômica e social. Lá, o ensino é gratuito desde a pré-escola até a universidade. Outro pilar dessa revolução foi a implementação de uma política radical de valorização do professor.

Diversas potências econômicas, como Itália, Alemanha, França, Dinamarca, por exemplo, investem em educação superior pública para transformar e potencializar a realidade econômica e social. A Polônia, por exemplo, se destaca quando o assunto é educação pública de qualidade. De acordo com as leis do país, cada indivíduo – independentemente de classe social – tem direito à educação gratuita. Isso garante que cada cidadão tenha acesso universal e igualitário à educação. Nesse país, o número de jovens que não frequentam a escola é quase zero. Na Alemanha, além do ensino básico, o ensino superior também é gratuito, inclusive para os estrangeiros. As universidades alemãs

Na Finlândia, país onde a polícia não pratica tiro ao alvo com os docentes, o magistério se transformou em uma carreira nobre. Os finlandeses resolveram pensar diferente do resto do mundo e reduziram a carga horária dos alunos e a quantidade de provas nas escolas. A prioridade é ajudar os estudantes a raciocinar de forma independente, sem incentivar que eles decorem fórmulas apenas para passar em provas. Enquanto isso, no Brasil, movimentos reacionários, como o Escola Sem Partido, pretendem eliminar do ambiente escolar a reflexão, a crítica e o debate político, histórico e econômico sobre questões que afligem toda uma sociedade, restringindo os conteúdos de ensino à conteúdos meramente técnicos.

são reconhecidas mundialmente pela qualidade de ensino e pelas contribuições que as pesquisas trazem para a sociedade.

A educação pública na Finlândia é exemplo mundial O destacado sistema educacional da Finlândia é o resultado de uma política pública que se preocupa com o futuro da população e do país. Na década de 1980, os finlandeses abriram escolas e fizeram uma revolução na educação, que transformou a história do país. Esse processo começou com uma decisão histórica do parlamento finlandês: todas as crianças passaram a ter oportunidades iguais de estudar em escolas públicas de qualidade,

O principal blogueiro da Gazeta do Povo chegou a publicar recentemente – em um esforço vigoroso de extrapolação digna do macarthismo dos anos 1950 nos Estados Unidos – que os republicanos norte-americanos consideram que as universidades têm efeito negativo para o país porque “estão dominadas por esquerdistas” e que isso “explica a importância do movimento Escola Sem Partido”. Enquanto esses setores procuram criar na sociedade uma nova onda de histeria paranoica, tentando fazer a sociedade brasileira regredir culturalmente mais de seis décadas, a realidade histórica e econômica demonstra que o ensino superior público, laico e gratuito foi o caminho trilhado por muitos países para o desenvolvimento. A realidade é muito mais dura para os 43 milhões de norte-americanos que possuem dívidas de crédito estudantil – que somam mais de 1,3 trilhões de dólares, o equivalente a 70% do PIB brasileiro. E o pior, parte considerável dos endividados são estudantes de instituições públicas, já que as universidades públicas norteamericanas não são gratuitas. E é este tipo de resultado social que os blogueiros da velha mídia e os setores mais retrógrados querem importar para o Brasil.

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Mudanças que inspiraram Temer não funcionaram na Espanha

APROVAÇÃO DA REFORMA TRABALHISTA FRAGILIZA DIREITOS TRABALHISTAS A Reforma é um grande retrocesso e retira direitos conquistados historicamente pela classe trabalhadora brasileira, atendendo somente aos interesses dos empresários e deixando de lado os interesses dos trabalhadores do país. Mesmo com as mobilizações realizadas pela classe trabalhadora brasileira desde o início de 2017, o Senado aprovou a Reforma Trabalhista, durante seção realizada em 11 de julho. A medida traz alterações em mais de cem pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e retira direitos conquistados historicamente pelos trabalhadores. Apesar do terremoto político que abalou o governo federal, a medida recebeu 50 votos a favor, 26 votos contra e 1 abstenção, e foi sancionada por Michel Temer, em 13 de julho, sem alterações. Denunciado por corrupção, e presidente com menor apoio da população desde José Sarney, Temer buscou, com a aprovação, sua salvação.

Mesmo que grande parte da imprensa brasileira não aborde os impactos negativos das mudanças, inúmeros especialistas apontam diversos prejuízos presentes nas mudanças. De acordo com o presidente da APUFPR-SSind, Herrmann Vinícius de Oliveira Muller, a Reforma Trabalhista traz vantagens apenas para os empresários, deixando de lado os interesses dos trabalhadores do país. “A medida representa um grande retrocesso para o Brasil. Vários direitos adquiridos com muita luta estão sendo retirados. Com a possibilidade de negociação entre a empresa e o funcionário, a classe trabalhadora estará ainda mais nas mãos dos patrões”, afirma.

Uma das mais graves alterações é a prevalência do negociado sobre o legislado. Na prática, a mudança significa que os acordos definidos entre o empregador e o empregado irão se sobrepor às leis trabalhistas definidas na CLT, permitindo, por exemplo, o parcelamento das férias em até três vezes e a jornada de trabalho de 12 horas diárias.

Inconstitucionalidades Diversas entidades brasileiras, entre elas o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (Abrat) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), divulgaram uma nota pública que aponta uma série de inconstitucionalidades no texto da Reforma Trabalhista. De acordo com as entidades, a prevalência do negociado sobre o legislado, a limitação dos recursos das indenizações por danos morais, a aplicação do regime de prorrogação da jornada de trabalho por acordo individual e a admissão do trabalho da empregada gestante e lactante em ambiente insalubre são alguns dos pontos que ferem a Constituição Federal.

O governo da Espanha, cuja Reforma Trabalhista serviu de inspiração para Temer, se arrependeu da mudança. Com as alterações, os empregos criados no país perderam a qualidade – em sua maioria, são apenas temporários – e possuem péssima remuneração. Após 5 anos da implementação da medida, agora o discurso do governo é outro: todas as empresas devem priorizar a efetivação de seus funcionários e aumentar seus salários. Com essa atitude, o governo espanhol pretende reverter os danos causados pelas mudanças da Reforma.

ANDES-SN solicita audiência com o MEC Em 27 de julho, o ANDESSN protocolou uma carta no Ministério da Educação (MEC) solicitando uma audiência com o ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho. A reunião visa discutir a Portaria Interministerial 109/2017, o preenchimento de vagas docentes nas Instituições Federais de Ensino (IFE) e os impactos dos cortes de verbas na educação. O documento está disponível no site da APUFPR-SSind.

Informativo APUFPR-SSind 154  
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