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APTS Associação Paulista dos Técnicos de Seguro

notícias

Ano XXIX - Nº 128 / 2017

TRANSFORMAÇÃO

DIGITAL Por que os corretores de seguros precisam repensar a atividade

ASSOCIAÇÃO PAULISTA DOS TÉCNICOS DE SEGURO


PALAVRA DO PRESIDENTE

Resiliência na profissão e na vida Há muito tempo ouço que a profissão de corretor de seguros será extinta. Ultimamente, com o avanço da tecnologia e dos canais digitais, esse temor ganhou força e passou a dominar os debates. Com mais de 55 anos de carreira no setor, posso dizer, com certeza, que a atividade não acabará. Mas, passará por mudanças. E esta foi a principal mensagem do 20º Congresso Brasileiro de Corretores de Seguros, realizado pela Fenacor, em outubro, que teve como enfoque as transformações da corretagem de seguros na era digital.

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Osmar Bertacini Presidente

Inovar, criar e ousar foram as orientações dos especialistas aos corretores que desejam não apenas permanecer na profissão, como também evoluir. Em vez de ameaça, a era digital deve ser vista como oportunidade para melhorar a atividade de corretagem e agregar valor ao cliente. Para tanto, será preciso estudar, conhecer as tecnologias, até porque os nossos clientes já são digitais. Outro tema importante, que acompanho com especial interesse, é a longevidade. Viver mais e com qualidade de vida é o desejo de todos. Mas, o que fazer e como para atingir a velhice saudável e de bem com vida? Há 12 anos, o Fórum da Longevidade nos ajuda com essas respostas. Nesta edição do evento, os especialistas foram unânimes em indicar a resiliência – a condição que nos faz retomar a vida normal após as adversidades – como a chave para uma vida longa. Portanto, a resiliência na profissão e na vida é importante para superarmos os obstáculos e seguirmos adiante. Boa leitura!

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ÍNDICE

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regiStrO

eSPeCiaL Lei de Contrato de Seguro supera polêmicas em busca de consenso no setor

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em FOCO Nova diretoria assume com planos para revitalizar a entidade

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CaPa Mudanças provocadas pela era digital na atividade de corretagem de seguros levam categoria a refletir sobre o atual momento de disrupção e a necessidade de inovar

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deStaQueS •Fórum da FenaSaúde discute soluções para melhorar a saúde suplementar •Swiss Re e Bradesco formam joint venture para atuar em ramos corporativos •Especialistas analisam a situação atual e as perspectivas para o seguro garantia •Fenacor e Sincor-SP esclarecem dúvidas de corretores de seguros sobre a plataforma Zim

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aNÁLiSe Fórum da Longevidade aborda a resiliência como caminho para viver mais e melhor

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geraL • Revista APTS Notícias conquista classificação no Prêmio Fenacor de Jornalismo • Aniversariantes

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REGISTRO

Seguro Consciência

A Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro (SBCS) promoveu o evento no dia 22 de novembro para debater temas fundamentais e recorrentes na rotina dos profissionais do segmento, como estratégias de gestão, regulamentação e comercialização. O presidente da APTS, Osmar Bertacini, que também é diretor da SBCS, marcou presença no evento.

aniversário da valor-ação

A assessoria de seguros Valor-Ação comemorou 20 anos no mercado de seguros, dia 30 de outubro. A APTS prestigiou o evento.

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evento do Cvg-SP

Prêmio Cobertura

O presidente da APTS prestigiou o XX Prêmio Cobertura Performance, promovido pela Revista Cobertura, dia 9 de novembro, no Buffet França. Na foto ele está acompanhado do presidente do CVG-RJ, Carlos Ivo, e do ex-diretor da Companhia Internacional de Seguros, Rodolfo da Rocha Miranda

Osmar Bertacini compôs a mesa de autoridades do almoço promovido pelo CVG-SP, dia 26 de outubro, com a presença da diretora de Ensino Técnico da Escola Nacional de Seguros, Maria Helena Monteiro, e do diretor de Ensino Superior, Mario Pinto. Bertacini lembrou que personalidades do setor, como o superintendente da Susep, Joaquim Mendanha, e o presidente da Fenacor, Armando Vergílio, já foram seus alunos.

aniversário da aconseg-SP

Em jantar de confraternização, realizado na noite de 7 de novembro, a Aconseg-SP comemorou 14 anos de atuação no mercado, com a presença dos representantes das assessorias parceiras e apresentou estudo sobre a atuação das assessorias no setor. Bertacini e o diretor Evaldir Barboza de Paula representaram a APTS no evento.

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Homenagem ao CCS-SP

O presidente da APTS prestigiou a sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo, realizada no dia 5 de outubro, em homenagem aos 45 anos do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo. Durante o evento, o CCS-SP recebeu a Salva de Prata. Na foto, ele está ao lado do mentor Adevaldo Calegari.

Fórum da Longevidade

Bertacini participou do XII Fórum da Longevidade, promovido Grupo Bradesco Seguros, dia 18 de outubro, em São Paulo. Com o tema “Construindo a Qualidade da Vida Longeva”, a programação do evento se baseou nos quatro pilares essenciais para governos, empresas e cidadãos se unirem em favor de projetos de qualidade de vida ativa: saúde, social, conhecimento e finanças.

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Oscar do Seguro

A tradicional premiação Destaques do Ano do Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ) foi realizada no dia 27 de setembro, no Rio de Janeiro (RJ), com a presença do presidente da APTS. Na foto, ele está ao lado do presidente do CVG-RJ, Carlos Ivo Gonçalves.

Prêmio Seg News

A APTS marcou presença na cerimônia de entrega do Prêmio Seg News 2017 e do prêmio Corretora Premium Best, promovidos pela Agência Seg News, dia 15 de setembro, no Braston Hotel. O secretário Evaldir Barboza de Paula fez a entrega de troféus.

Congresso dos Corretores

Bertacini e Evaldir representaram a APTS no 20º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, realizado no Centro de Convenções de Goiânia (GO) entre os dias 12 e 14 de outubro. revista APTS • edicão 128


EM FOCO

Diretoria eleita tem planos para impulsionar a APTS Presidida por Osmar Bertacini, a nova gestão anuncia ações para fortalecer a entidade e valorizar o técnico de seguro

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Eleita por aclamação na Assembleia Geral Ordinária realizada no dia 25 de outubro, a nova diretoria da Associação Paulista dos Técnicos de Seguro (APTS) tem planos para revitalizar a entidade, que completou 34 anos de existência em abril. Reeleito presidente da APTS, Osmar Bertacini cumprirá a gestão 2017/2019 ao lado do novo secretário Luiz Macoto Sakamoto e do tesoureiro Evadir Barboza de Paula, que na diretoria anterior ocupou o cargo de secretário.

ele, a publicação, que já completou 28 anos de existência, se destaca por seu conteúdo técnico e relevante. “Pretendemos investir na captação de novos anunciantes, bem como atingir um número expressivo de leitores em nível nacional”.

No Conselho Administrativo, a APTS conta com novos colaboradores, como Alexandre Del Fiori e José Luis Schneedorf Ferreira da Silva. Hélio Opípari Junior, que na diretoria anterior atuou como tesoureiro, agora é membro do Conselho. Na suplência do Conselho Administrativo estão personalidades reconhecidas por seu trabalho no setor, como Cesar Bertacini, Octávio José Milliet e Alexandre Camillo. De acordo com o tesoureiro Evaldir Barboza de Paula, uma missão relevante da nova diretoria será o resgate de associados da entidade e a conquista de novos. Também já estão traçados inúmeros planos para incrementar a área de eventos e de comunicação. Evaldir adianta que a revista APTS Notícias é uma das prioridades na nova gestão. Para Osmar Bertacini (presidente); Luiz Macoto Sakamoto (secretário); Evaldir Barboza de Paula (tesoureiro). Conselho Administrativo (efetivos): Alexandre Del Fiori, Hélio Opípari Jr. e José Luis Schneedorf Ferreira da Silva. (suplentes): Cesar Bertacini, Octávio José Milliet e Alexandre Camillo

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Outras importantes ações da nova gestão serão a constituição dos Conselhos Editorial (para a revista APTS Notícias) e Técnico que, tradicionalmente, incorpora especialistas consagrados do setor, em suas respectivas áreas de atuação. A ideia é que esse corpo técnico participe não apenas com sugestões e pareceres técnicos sobre temas específicos, como também organize fóruns de discussão abertos ao mercado e coordene debates. Já na área de eventos, coube ao reconhecido profissional do setor Luiz Macoto Sakamoto a responsabilidade de cuidar da programação. “Vamos priorizar temas técnicos e inéditos nos eventos da APTS”, diz. Associado antigo da APTS, ele avalia que a entidade deve manter o foco em sua missão original de fundação, que é a defesa e a valorização do técnico de seguro. “Quando a APTS foi fundada, em 1983, período de inflação e juros altos, o resultado técnico era preterido em função do resultado financeiro. Hoje,

quase dez anos depois da abertura do resseguro, a expectativa é que a situação financeira do país se estabilize e os juros atinjam patamares próximos ao de economias desenvolvidas. Com isso, a prática técnica conquistará mais valor”, prevê. Em fase final de conclusão, um dos projetos para a entidade envolverá diversas ações e a participação de muitos profissionais. “Por enquanto, podemos adiantar apenas que é algo inédito e que repercutirá muito positivamente para a APTS”, diz o tesoureiro. Depois da posse, ocorrida em 1º de novembro, a nova diretoria da APTS deverá apresentar o seu plano de gestão. Osmar Bertacini, que na década de 90 cumpriu duas gestões na presidência da entidade e que, agora, se prepara para mais um mandato, está confiante. “A APTS é uma entidade tradicional e bastante respeitada por sua atuação na disseminação do conhecimento técnico. A partir dessa diretriz, nossa missão é incrementar as ações e incorporar novidades”, diz.

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ESPECIAL Ernesto Tzirulnik, Carlos Harten e Fabio Ulhoa

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PL de Contrato de Seguro está mais próximo do consenso Depois de treze anos de tramitação, presidente do IBDS acredita que projeto atingiu a maturação Desde que foi apresentado na Câmara dos Deputados, em 2004, pelo então deputado José Eduardo Cardozo, o Projeto de Lei 3.555, mais conhecido como o Projeto de Lei de Contrato de Seguro, vem sofrendo críticas de alguns setores do mercado de seguros. Com inúmeros pontos polêmicos, a proposta já rendeu muitos estudos e discussões e nesse meio tempo avançou no Congresso Nacional. Hoje, depois de alguns ajustes, o projeto está em discussão no Sena-

do Federal, sob o número 29/2017, e, provavelmente, mais próximo de sua jornada final até a aprovação. Para o advogado Ernesto Tzirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS), entidade que elaborou a proposta da Lei de Contrato de Seguro, as críticas são resultado da falta de entendimento do projeto. Ele considera que os treze anos de tramitação trouxeram maturidade ao projeto. “Era

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concorrência com os novos meios de distribuição. “Até hoje, muitos conflitos entre segurados e segurados não chegam ao Judiciário. Mas a tendência é que em determinado momento isso exploda. Então, será necessário existir o regramento”.

preciso chegar a um final, até porque o Brasil é um dos últimos países a ter uma Lei de Contrato de Seguro. Então, houve, enfim, ajustes, com pesos e contrapesos, mas mantendo a estrutura original, sem prejuízos para consumidores, segurados e nem para as seguradoras”, diz.

Mas, apesar dos ajustes, a Lei de Dentre todos os pontos polêmiContrato de Seguro não voltou atrás Ernesto Tzirulnik, presidente do IBDS cos do projeto, dois, especificamente, em relação às mudanças na arbitrasofriam maior rejeição. Do lado das gem em seguros. Contrariando a conseguradoras, por exemplo, não havia consenso em venção nessa área, a proposta defende que a arbitrarelação ao prazo de prescrição superior a um ano. Se- gem seja realizada em território nacional, seguindo gundo Tzirulnik, a proposta original previa a conta- as leis brasileiras. “Não é justo que um país como o gem do prazo a partir da data do sinistro, que pode- Brasil tenha de submeter os seus segurados a arbitraria ser de um, dois ou até três anos antes da negativa gens no exterior. Ainda que digam que o seguro foi da seguradora. Para chegar ao consenso, ele conta contratado livremente, ninguém contrata livremente que foi necessário retroceder ao prazo de prescrição uma arbitragem”. de um ano, em sua avaliação, o menor do mundo. Considerando que o sinistro pode gerar efeitos “Mas, ao mesmo tempo, demos um termo inicial tanto para grandes segurados, como para cosseguraque passa a ser somente a partir da negativa da segu- dos que estão nas apólices ou até para terceiros vitiradora ao segurado. Ou seja, a prescrição tem um iní- mados, Tzirulnik entende que a arbitragem de seguro cio diferido no tempo variável, mas sempre mais favo- no exterior é uma questão de relevância para a sorável ao consumidor e ao beneficiário do contrato de ciedade. “Como (a arbitragem) pode ser levada para seguro. Diria até que é mais favorável que a prescrição fora? É caríssimo”, diz. O projeto também prevê a quede dois anos estanque”. bra da confidencialidade na arbitragem, defendendo a divulgação dos resultados. Para o advogado, seria A proposta original da Lei de Contrato de Seguro importante transmitir essas informações aos julgadotambém conflitava em alguns pontos com a correta- res para que tenham ideia de como está se formando gem de seguros. Por isso, da mesma forma que a CN- a experiência jurídica. seg, entidade representativa das seguradoras, se sentou à mesa com o IBDS para alterar alguns pontos do O diretor da APTS, Evaldir Barboza de Paula, que projeto, a Fenacor, que representa os tem acompanhado e estudado o procorretores de seguros, também negojeto ao longo dos anos, lembra que a ciou mudanças. “No caso dos corretoproposta está, atualmente, nas mãos res, as mudanças foram maiores, pordo senador Armando Monteiro (PTB/ que muitas regras que diziam respeito PE), que dará o seu parecer conclusià intermediação ficaram de fora com a vo. “A princípio, o PLC poderá ter sua promessa de que haverá um projeto de aprovação mais fácil nesta casa, salvo lei para regular essa atividade”, diz. se houver um debate mais profundo com o envolvimento de mais duas coO advogado entende que a regumissões permanentes, o que poderá lação é necessária para a corretagem, provocar a criação de comissão espeprincipalmente, para proteger e valocial temporária e consequentemente rizar o corretor de seguros em meio à Evaldir Barboza de Paula, diretor da APTS um caminho mais longo”, diz. revista APTS • edicão 128

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ESPECIAL

Especialistas comentam o projeto A Lei de Contrato de Seguro foi o tema central do VII Fórum de Direito do Seguro “José Sollero Filho”, promovido pelo IBDS, no dia 18 de outubro, em São Paulo (SP). Os especialistas convidados fizeram considerações sobre vários pontos do projeto de lei. Carlos Harten, advogado e presidente da Comissão Especial de Direito Securitário do Conselho Federal da OAB. Suicídio: “Há uma evolução na jurisprudência do suicídio, porque reduz o prazo de carência e exclui da garantia securitária as situações em que o ato de contratação de seguro foi uma etapa do ato extremo do suicídio”.

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Aceitação da proposta: “Sobre o regramento de troca de informação entre segurado e segurador, que consiste num ponto de litigio, o projeto moderniza e atualiza, porque trata a declaração de risco como uma declaração de resposta, ou seja, a seguradora deve emitir ao segurado um questionário para tarifar o prêmio ou aceitar sua proposta. Parece-me inovador, a seguradora precisa justificar as razões de sua não aceitação”. Acesso ao processo de regulação: “Também há a previsão no contrato de que, uma vez realizado o sinistro e ocorrendo a resposta da seguradora, então o segurado possa, mediante requerimento, ter acesso a todo o processo de liquidação e regulação de sinistro e, assim, poder emitir o pedido de reconsideração”. Fábio Ulhoa Coelho, advogado e professor titular de Direito Comercial da PUC-SP. Adiantamento de indenização: “Na medida em que avançam as investigações da regulação do sinistro, havendo a

definição da liquidez, da certeza do crédito do segurado, deve-se proceder ao pagamento”. Remuneração do especialista: “Visto como obrigação da seguradora, uma das consequências importantes da regulação de sinistros é a escolha do especialista, que deve atender a três requisitos: ter conhecimento; estar aparelhado a fazer a investigação; ser imparcial e independente, mesmo sendo empregado da seguradora. Se não atender a esses requisitos, a seguradora inadimpliu e poderá responder em juízo. O projeto reforça essa independência (art. 81), proibindo que a remuneração desse especialista tenha como base a redução do valor do crédito. A seguradora deve ser submeter às conclusões da regulação de sinistros. E se não forem compatíveis com seus interesses, não poderá trocar o regulador ou rejeitar a conclusão dele”. José María Muñoz Paredes, advogado e professor Catedrático de Direito Mercantil da Universidade de Oviedo, Espanha. Ruptura da indivisibilidade do prêmio: O artigo 11 do projeto traz a redução proporcional do prêmio. O prêmio que não foi consumido não se perde, será devolvido ao segurado. Informação prévia à assinatura do contrato: O artigo 47 traz o dever de informação, que está em consonância com os princípios europeus (França, Alemanha, Espanha). A garantia será perdida se houver o descumprimento doloso do dever de informação. Mora no pagamento do prêmio: O artigo 22 do projeto distingue o primeiro prêmio e os prêmios subsequentes. O primeiro prêmio em mora ou prestação única resolve o contrato. Nos prêmios subsequentes, a seguradora deve notificar o segurado em prazo não inferior a 15 dias, para a purgação da mora, sem suspender a cobertura.

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CAPA

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A corretagem de seguros em momento de disrupção Congresso debate as transformações da atividade na era digital e faz corretores refletirem sobre a necessidade de inovar e ousar A tecnologia não será capaz de substituir o serviço prestado pelos corretores de seguros. No entanto, a categoria deve refletir sobre a necessidade de ousar e inovar. Este foi o recado de Armando Vergílio dos Santos, presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), durante o 20º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, promovido pela entidade nos dias 12, 13 e 14 de outubro, em Goiânia (GO). Com o tema central “O Setor de Seguros na Era Digital”, o evento reuniu mais de 2 mil pessoas para debater o futuro da categoria frente às transformações tecnológicas. “Faltam soluções arrojadas. Há uma crise de criatividade”, afirmou Armando Vergílio. Nessa mesma linha, o professor e webativista Gil Giardelli

destacou que a integração à era da inovação requer não apenas a mudança de paradigmas, como também uma nova mentalidade. “Com as transformações provocadas pelas plataformas digitais, quem não estudar e der chance à criatividade, abrindo-se ao novo, poderá perder lugar no mercado”, disse. Segundo o especialista, o avanço da tecnologia permitirá o uso em escala da automação robótica em diversas áreas produtivas e não apenas na indústria automobilística. Ele forneceu uma pequena amostra desse futuro com a apresentação de um robô humanoide, que interagiu com a plateia.

Armando Vergílio

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A expansão da conectividade está abrindo um universo de novas oportunidades para o uso de dados. Segundo Ronaldo Lemos, comentarista da Glo-


boNews e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), na área de saúde, por exemplo, já existem aplicativos que remuneram pessoas saudáveis. “Dados mudam a forma de se gerenciar riscos e esta é uma grande oportunidade para o mercado de seguros”, disse. Lemos Gil Giardelli afirmou, ainda, que a análise de dados poderá ser uma exigência para os corretores que quiserem empreender na era digital. “Todo corretor tem a possibilidade de conhecer melhor o seu cliente, seus hábitos e necessidades”, disse. A profissão de corretor de seguros vai desaparecer? “Não acredito, porque atividades não desaparecem, mas apenas se modificam”, disse Thiago Camargo Lopes, secretário de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Sua avaliação é que o mercado segurador, mais do que outros setores, tem todas as condições para fazer o melhor uso de dados. “As seguradoras sabem onde ocorrem mais roubos e furtos e também conhecem o estado de saúde de seus segurados. Estas informações poderiam servir para a criação de políticas públicas, ou para definir, por exemplo, a melhor disposição regional de delegacias, bem como para o desenvolvimento de programas de prevenção à saúde, já que as seguradoras querem seus segurados saudáveis”, disse.

Thiago Camargo

O diretor-Geral da Bradesco Seguros, Marco Antônio Gonçalves, também não acredita que o corretor de seguros será substituído por novos canais criados a partir do uso da tecnologia. Mas, frisou que o setor precisa avançar no uso da tecnologia ou em cinco anos será superado pela indústria

automobilística, que já se prepara para produzir veículos com alta conectividade. Já Luciano Snel, presidente da Icatu Seguros, disse que não adianta aceitar uma identidade digitalizada para facilitar a venda, se demorar 20 dias para dar retorno ao cliente de que falta um Ronaldo Lemos documento. “Ser digital não é trocar papel por meio eletrônico, mas fazer o mesmo processo com mais rapidez”, disse. “A era digital não é futuro, é agora”, disse a CEO da Ragaz Assessoria de Treinamentos, Claudia Simplício. Segundo ela, a tecnologia não substituirá o papel do corretor, desde que ele seja reconhecido pelo cliente por seu valor. “Precisamos focar nas necessidades do cliente para que ele seja um lead constante”, disse. Agregar valor é a forma de o corretor se tornar imprescindível para seu cliente, orientou Martha Gabriel, escritora e palestrante internacional nas áreas de Marketing, Inovação e Educação. “Se quiser intermediar tem de dar um serviço consultivo que a pessoa não encontrará tão facilmente”, disse. Na era digital, uma das ameaças ao emprego é a machine learning, sistema que faz a análise de dados e aprende por repetição a realizar tarefas. O alerta foi do jornalista Pedro Doria, editor do Canal Meio. Segundo ele, um estudo da PwC mostra que nos próximos 15 anos, 38% dos empregos nos Estados Unidos serão extintos, incluindo o corretor de seguros. Já o consultor da McKinsey, João Bueno, fez o contraponto ao informar que em países da Europa apenas 20% das vendas Marcio Coriolano

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CAPA são feitas de forma direta. “Se os corretores usarem bem a tecnologia, acredito que vão agregar valor e dar uma nova experiência ao cliente”, disse. O FUTURO DO SEGURO AUTOMÓVEL “Os desafios do seguro de automóvel” foi tema do painel que também discutiu a era digital e o combate à proteção pirata. Para o presidente da HDI Seguros, Murilo Riedel, o declínio do seguro de automóvel, provocado pela queda na venda de veículos, trará aos corretores o desafio de trabalhar com uma carteira de veículos mais velhos. “Nos próximos três anos, nós precisaremos aprender a trabalhar esse mercado, ofertando produtos mais baratos, mais simplificados e mais econômicos”. Para Luiz Pomarole, diretor Geral de Automóvel da Porto Seguro, essa é a oportunidade para deslanchar o seguro auto popular e, ainda, combater o seguro pirata. “Demanda não falta”, segundo ele, já que apenas 30% da frota nacional é segurada.

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O avanço da proteção veicular oferecida irregularmente por associações e cooperativas foi um dos temas recorrentes do evento. A grande indagação em relação ao assunto é se o mercado de seguros pode, indiretamente, ser responsabilizado por esse avanço, por recusar cobertura para alguns tipos de veículos, com base no critério de idade, localização etc. “Há muitas interpretações equivocadas. Não acho que a proteção veicular ocupou o espaço deixado pelo setor de seguros”, disse o presidente da CNseg, Marcio Coriolano. “Eu acredito, firmemente, que o surgimento das cooperativas é resultado da falta de oferta de produtos e serviços pelas seguradoras”, disse o deputado federal Lucas Vergílio (SD-GO). Ele relatou sua dificuldade na defesa do Projeto de Lei 3139/2015, de sua autoria, que criminaliza a atuação irregular de associações e cooperativas. “A interlocução do mercado de seguros com o Congresso Nacional é muito ruim”, disse. Por outro lado, o superintendente da Susep, Joaquim Mendanha, garantiu que a autarquia está trabalhando no comba- Joaquim Mendanha

Octávio Lazari e Lucas Vergílio

te à proteção veicular. Ele contabiliza 180 ações civis públicas e 200 processos administrativos para apurar indícios de irregularidades em diversas áreas. Mendanha mencionou, ainda, a disposição da Susep de agir para viabilizar o seguro auto popular, tanto que estabeleceu um prazo para a divulgação de soluções. RESILIÊNCIA DO SETOR A evolução do mercado seguros em meio à crise foi notada pela jornalista especializada em economia da GloboNews, Denise Barbosa. Para Marcio Coriolano, o setor de seguros tem demonstrado resiliência e ainda será protagonista do crescimento econômico do país. No âmbito regulatório, o superintendente da Susep expôs os avanços da autarquia, como a aprovação do marco regulatório do VGBL e PGBL. “Esses produtos criarão um novo mercado de trabalho para os corretores, o mercado de annuities”, disse. O presidente da Bradesco Seguros, Octavio de Lazari, afirmou que o corretor de seguros é o elo mais forte na corrente que também inclui segurado e seguradora. Em relação às novas tecnologias, ele não duvida que o papel do setor seja o de agente das mudanças, em vez de vítimas. Por fim, o presidente da Fenacor comentou o sucesso do congresso, ressaltando que o melhor resultado foi provocar os corretores a refletirem sobre o atual momento de disruptura e a necessidade de mudanças.

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MERCADO

SulAmérica recebe Troféu Hermes em três categorias A SulAmérica foi destaque na cerimônia de premiação da 5ª edição do Prêmio Seguros em Foco que ocorreu em Curitiba dia 9 de novembro. A companhia recebeu o Troféu Hermes de Seguradora do Ano nas categorias Previdência, Saúde e Automóveis (frota). Representantes da SulAmérica também foram reconhecidos na premiação. A analista de Relacionamento com Prestadores Mariliz Silva e o gestor de vendas Eduardo Olicshevis, ambos da filial Curitiba, receberam os prêmios nas categorias Backoffice de Seguradora (Capital) e Comercial (Account) Seguradora – Auto/RE (Capital), respectivamente.

Sompo inova com app para segurado de saúde

A Sompo Saúde, subsidiária da Sompo Seguros, acaba de lançar um aplicativo, que tem como objetivo trazer mais facilidades e agilidade no atendimento dos seus segurados de saúde. Com uma interface simples e intuitiva, o novo recurso já está disponível para download gratuito na Playstore (http://bit.ly/SompoSaude) e Apple Store (http://bit.ly/SompoSaudeAS) e traz como funcionalidades, a carteirinha virtual, a rede referenciada e um local com notícias. Com a Carteirinha Virtual, o beneficiário passa a contar com os dados de seu convênio no aplicativo, mesmo que não tenha a carteirinha física à mão. Já na fun-

15 cionalidade Rede Referenciada, terá um Guia de Saúde que identifica médicos, clínicas, laboratórios, hospitais e demais estabelecimentos de saúde mais próximos, de acordo com o plano contratado.

HDI lança o Cota Fácil, nova ferramenta de cotação A HDI Seguros lançou o Cota Fácil para facilitar o processo de cotação para os corretores e dar mais autonomia ao cliente na contratação do seguro. Com a nova ferramenta, o sistema foi simplificado. Agora, quando o corretor recebe o contato de um dos seus clientes, deverá preencher o sistema apenas com quatro informações: nome, CPF, e-mail e telefone. Feito isso, o segurado receberá um formulário no e-mail cadastrado e preencherá com as informações importantes para o contrato. Uma vez preenchido, o corretor receberá todos os dados completos para cotar o seguro solicitado.A novidade está disponível para os corretores dentro do HDI Digital, ambiente virtual da seguradora. revista APTS • edicão 128


DESTAQUE

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Saúde suplementar discute mudanças Especialistas reunidos em fórum apontam soluções para corrigir o sistema. Um retrato dos principais problemas que afetam a saú- FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, ressaltou de privada no país foi apresentado no 3º Fórum da Saúde a necessidade urgente de criar legislação antifraude no Suplementar, realizado pela Federação Nacional de Saúde país e de investir em centros de investigação. Suplementar (FenaSaúde), nos dias 5 e 6 de outubro, em Para o presidente da NHCAA, Associação AntifrauSão Paulo. Entre as principais soluções discutidas estão um de dos Estados Unidos, Rick Munson, é importante que novo modelo de remuneração médica, maior controle de a troca de informações seja tratada como dados. “Em fraudes com a criminalização dos envolse tratando de fraudes não há concorvidos e transparência de dados. rentes, há parcerias”, afirmou. Em 2013, Em alguns casos, a judicialização a justiça americana determinou que as está relacionada à fraude. “Investigamos informações de valores cobrados por as solicitações que chegam da Justiça e médico e por procedimento fossem diencontramos diversas fraudes, princivulgadas apesar do direito de privacidapalmente na compra de medicamende do médico. tos de alto valor. Em um único esqueAo mesmo tempo, a Lei Sunshine dema, a fraude chegava a R$ 40 milhões. terminou que a indústria farmacêutica e O mesmo acontece na saúde supleos fabricantes de equipamentos médimentar”, disse o secretário de Atenção à cos apresentassem todos os benefícios Saúde do Ministério da Saúde, Francis- Solange Beatriz Palheiro Mendes, e presentes dados aos médicos. “Isso deu co de Assis Figueiredo. A presidente da presidente da FenaSaúde mais transparência ao setor”, reconheceu revista APTS • edicão 128


o presidente do Instituto Norte-Americano de Custos da Saúde Suplementar (HCCI), Niall Brennan. “Processadas na justiça, as indústrias reconheceram que estavam influenciando médicos a usarem determinados remédios e procedimentos”, explicou. A incorporação de novos produtos aumenta os custos, mas nem sempre melhora os desempenhos. Segundo a oncologista e especialista em auditoria médica, Stephen Stefani, a prescrição de exames e procedimentos sem necessidades acarreta desperdício enorme no setor. “Mas só haverá realmente uma mudança se alterarmos o modelo de remuneração. O pagamento por fee for service só estimula o desperdício e a sobreutilização”, disse. “A mudança do modelo de remuneração é urgente”, disse a presidente da FenaSaúde. Outra mudança importante, segundo ela, é a incorporação do médico de família, da segunda opinião médica e a flexibilização dos modelos de contratação de planos para as empresas. “A sociedade exige melhores tomadas de decisão com o olhar no beneficiário”, finalizou.

Plano de saúde faz diferença para idosos Durante o fórum, a FenaSaúde divulgou pesquisa realizada pelo Datafolha com 1.110 entrevistados a partir dos 60 anos – com e sem plano de saúde – nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. O levantamento conclui que 64% dos idosos detentores de planos de saúde têm percepção de estado de saúde ‘bom ou ótimo’. Esse índice cai para 53% para os que não dispõem do serviço. Segundo o Datafolha, 51% acima dos 60 anos na amostra faz, pelo menos, um exame a cada seis meses. Esse número cai para 39% para os idosos que não têm plano. Dos 34% de idosos que fizeram planejamento financeiro, 46% possuem plano de saúde. Já os 66% que não se planejaram, 73% não têm o benefício. Atualmente, há 6,2 milhões de beneficiários acima dos 60 anos – grupo que mais cresce nos planos de saúde. Nos últimos doze meses até julho, aumentou em 2,3% o número de idosos detentores de planos, enquanto as faixas etárias mais jovens apresentaram quedas significativas de beneficiários.

Swiss Re e Bradesco celebram união Joint venture cria a terceira maior seguradora de ramos corporativos no país A Swiss Re Corporate Solutions, que atua, principalmente, em seguro rural e garantia, e a Bradesco Seguros, que concentra suas operações em ramos elementares, se associaram para criar a terceira maior seguradora de ramos corporativos no país. A joint venture, iniciada dois anos atrás e finalizada há pouco mais de três meses, foi celebrada em evento no dia 30 de novembro, em São Paulo. Na ocasião, os presidentes de ambas as empresas explicaram como funcionará a nova empresa. “Será uma plataforma única, com uma estrutura unificada nas áreas de subscrição de riscos e sinistros”, disse Luciano Calheiros, presidente da Swiss Re Corporate Solutions no Brasil. Segundo ele, as áreas de Underwriting, Sinistros, Engenharia de Riscos e Operações darão suporte diretos nas negociações e atendimento, tanto em São Paulo, quanto no Rio de Janeiro, onde acaba de ser inaugurado o novo escritório

Luciano Calheiros

Octavio de Lazari Junior

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da seguradora na região da Candelária. Além disso, novas linhas de negócios fazem parte da estratégia da companhia, como Aeronáuticos, Responsabilidade Civil, Riscos de Engenharia, Cascos e D&O. Octavio de Lazari Junior, presidente do Grupo Bradesco Seguros e vice-presidente do Banco Bradesco, destacou que a associação combina a presença nacional e força de distribuição da Bradesco Seguros, que é composta por mais de 40 mil corretores cadastrados, 5.300 agências e 140 sucursais, com a expertise internacional da Swiss Re Corporate Solutions. “Nossa participação relevante nessa associação reforça, ainda, a nossa convicção de que o seguro de grandes riscos é um negócio promissor no Brasil e que certamente capturará as oportunidades que virão com a retomada do crescimento do país, principalmente no que tange às demandas de infraestrutura”, disse.

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DESTAQUE

Os caminhos para o seguro garantia 18

Mesmo com a paralisação de grandes obras no país, especialistas apontam novas oportunidades para o ramo O bom desempenho do seguro garantia nos últimos transferir essa responsabilidade ao mercado de seguros”, anos atraiu a atenção de novos players e ajudou a diver- acrescentou. Mas, ele também enxerga muitas oportunidades nas sificar a oferta de produtos. Mas, hoje, os desafios para a expansão do mercado são grandes, segundo Rogério dos concessões e Parcerias Público-Privadas (PPP), no aumenSantos Gonçalves, diretor de Garantia da Axa Brasil Segu- to da demanda em projetos de obras e serviços de engeros. Ele e outros especialistas participaram do seminário nharia e nas mudanças na legislação de licitações. Em sua “Atualidades sobre as Linhas Financeiras e Responsabilida- opinião, o seguro garantia poderia se beneficiar de novos de Civil”, promovido pelo Haüptli Advogados & Associa- mecanismos de financiamento, como os fundos de pendos, escritório especializado em Direito Securitário, no dia são, e com a oferta para empresas de menor porte. “No passado, apenas as grande empreiteiras ganhavam as lici17 de outubro, em São Paulo. Rogério Gonçalves citou, ainda, outros desafios para o tações, mas, hoje, as pequenas e médias também já estão entrando”, disse. seguro, como a falta de projetos de engenharia de qualidade, a carência de infraesUm estudo da CNseg, realizado em trutura urbana e social e a crise fiscal que 2012, concluiu que o mercado seguraimpõe limitações orçamentárias ao godor teria condições de absorver garanverno. A dificuldade para a obtenção de tias até 45% do valor do contrato da linhas de financiamento é outra agravanobra. Mas, Rogério Gonçalves analisa te no atual cenário de obras paradas no que a garantia de execução da obra país, sem contar aquelas que apresentam deve estar vinculada ao sobrecusto para preços muito acima do licitado. “O estáa substituição da parte inadimplente. “O dio do Maracanã, por exemplo, foi licitado que se discute, hoje, é um novo modepor R$ 500 milhões, mas acabou consulo de seguro garantia que não produza mindo R$ 1 bilhão. É o retrato da nossa efeitos colaterais indesejados. Se, por realidade”, disse. “E ainda estão querendo Rogério dos Santos Gonçalves, da Axa exemplo, a seguradora tiver de terminar revista APTS • edicão 128


a obra, então não seria bom abrir um novo processo licitatório”, analisou.

ção de publicações etc. As coberturas são para custos de defesa, acordos, indenizações, despesas operacionais, lucros cessantes e até demandas de extorsão. Para Galrão, também existe demanda para seguros com coberturas blend (combinadas), mas ainda não há produtos disponíveis. “Precisamos inovar nesse sentido”, afirma.

O seguro de RC na construção civil A construção civil está sujeita a inúmeros riscos, como o contratual, de engenharia, ambiental, financeiro e outros, além de riscos de potenciais reclamantes, que incluem clientes, empregados, empreiteiros, credores etc. Os riscos da A crise no mercado de própria obra também são muitos e abrangarantia gem desde o erro de projeto e acidentes Gustavo Galrão, da Argo A Lava Jato e depois a crise econômido trabalho até a entrega fora do prazo e ca afetaram o segmento de construção os lucros cessantes. Diante de tantos riscos, as opções são civil e, consequentemente, o seguro garantia. No cenário eliminá-los, mitigá-los, aceitá-los ou transferi-los. É nesta atual, as grandes empresas consumidoras de seguros esúltima opção que se encaixa o seguro de Responsabilitão impossibilitadas de participar dos leilões. “Não temos dade Civil. mais as grandes obras. O mercado parou”, afirmou José De acordo com Luiz Gustavo Ferreira Galrão, supeMarcelino Risden, presidente da Berkley International do rintendente de Linhas Financeiras e RC da Argo Group Brasil Seguros. Ele observa que o seguro garantia judicial Seguros, a contratação do seguro é uma das ferramentem suprido esse vácuo de negócios na carteira, mas alertas de gestão de riscos, além do mapeamento e monita que essa concentração é perigosa. “Ainda não começatoramento, das medidas de seguranças, compliance etc. mos a ter os efeitos das soluções dos processos judiciais, Nesse ponto, ele listou as modalidades de RC que podem e isso pode se tornar uma bomba relógio. É um risco terser contratadas pela construção civil, como as de obras e rível que estamos correndo”, disse. de prestação de serviços, às vezes exigida pelo construtor Para Risden, esse quadro revela o quanto o mercado para indenizar problemas causados por prestadores. de seguro garantia é dependente de contratos públiAlém de produtos, o RC também pode ser contratacos. “O segurado privado está desprezado. Não trabado nas modalidades profissional (E&O), com o foco, por lhamos da forma como deveríamos”. Ele entende que exemplo, no engenheiro para cobrir erros de projetos, e o mercado de seguros deveria trabalhar para mostrar administradores (D&O), que garante a indenização para aos segurados quais são os seus riscos. Também seria os custos de defesa judicial dos gestores, como tem necessário, a seu ver, melhorar a forma de se comuniocorrido, por exemplo, com os envolvidos na Lava Jato. car com as empresas. “Temos um linguajar nosso que Já em relação à modalidade práticas trabalhistas (EPL), é diferente do que as empresas praticam e isso faz com Galrão observou que o interesse voltou a aumentar, mas que, muitas vezes, as empresas demandem garantia de mesmo assim o mercado ainda não passou de R$ 10 miuma forma errada”, disse. Risden citou o caso de um banco e lhões em prêmios. Também podem ser contratados pela de uma empresa da área de energia que construção civil os seguros ambiental e compraram garantias inadequadas, mas cibernético, que, segundo Galrão, estão descobriram o erro apenas no momenem alta no momento. “O mundo está to do sinistro. “Daí o mercado disse que indo para o digital. Mas até que ponto os a garantia pedida não era compatível. seguros atuais podem dar a devida resMas, a culpa não é do segurado; é nossa posta para essa nova forma de se fazer culpa, porque deveríamos ter dito durante a licitação que a garantia não era negócio?”. Atualmente, o RC cibernético é acionado para a responsabilização do aquela”. Em sua opinião, a solução é a segurado (third party) ou para as perdas parceria entre seguradoras e corretores. (first party) decorrentes de vazamento de “Felizmente, aumentou o número de dados, comprometimento de rede, violacorretores especialistas”, disse. José Marcelino Risden, da Berkley revista APTS • edicão 128

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DESTAQUE

Fenacor e Sincor-SP explicam a plataforma Zim Com a participação da Wiz, empresa que criou a ferramenta, as lideranças esclareceram dúvidas dos corretores

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Os corretores de seguros paulistas tiveram a oportunidade de esclarecer suas dúvidas sobre a plataforma Zim no encontro promovido pelo Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP), dia 7 de novembro. A ferramenta, lançada pela Fenacor, federação nacional da categoria, como opção para inserir o corretor de seguros na era digital, tem enfrentando resistências pelo fato de a Caixa Econômica Federal deter 25% de participação societária na Wiz, empresa que criou o Zim. Para Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP, sindicato estadual, houve politização e até alguma passionalidade na abordagem do Zim, que no final das contas não foi imposto à categoria. “A adesão depende do arbítrio de cada um”, disse. Ele também esclareceu que o Zim não tem a condição de exclusividade, cabendo a esta conquistar os corretores por sua eficiência. Em sua visão, a tecnologia está provocando o empoderamento do consumidor e o corretor precisa entender essa mudança. “Não devemos ser ‘donos’ do cliente, mas sim das suas escolhas, das suas decisões de compra”, disse. O presidente da Fenacor, Armando Vergílio dos Santos, concorda que a tecnologia é inexorável e que, portanto, a categoria não deve lutar contra. “Estão todos falando que o espaço do corretor vai diminuir cada vez mais e que algumas empresas estão desenvolvendo plataformas para a venda direta. Por isso, a Fenacor teve de agir, tomando para si o peso da decisão de lançar a

nova ferramenta”, disse. Para ele, é natural haver críticas – “o novo sempre causa desconforto”, disse -, porém, não concorda com o rumo político do debate. Armando Vergílio tratou de esclarecer dois pontos: 1 – A Caixa Econômica não tem participação na gestão da Wiz. 2 – Os dados das carteiras dos corretores estão protegidos durante e depois do uso do Zim (caso o corretor decida sair) por meio de um contrato que garante a inviolabilidade. “O senhor é o tempo da razão. Uma mentira contada mil vezes não se tornará verdade”, afirmou.

Alexandre Camillo

João Silveira

Armando Vergílio dos Santos

FuNCiONaLidadeS dO Zim De acordo com João Silveira, presidente da Wiz, a empresa tem 44 anos, aumentou seu lucro líquido para R$ 200 milhões, em 2017, e já acumula 12,5 milhões de clientes únicos, que também são clientes da Caixa Econômica Federal. “Temos seriedade, estrutura e governança para levar essa parceria adiante”, disse. Heverton Peixoto, diretor da Wiz, explicou que, por enquanto, a ferramenta não dispõe de multicálculo para cotações de seguro automóvel, mas oferece outras vantagens. Uma delas é o recebimento de leads, além da possibilidade de fazer cross sell e CRM. Outras são o envio e recebimento de propostas e a conexão com o cliente, que também passa a dispor de alguns recursos da ferramenta. “O Zim ajuda o corretor a se relacionar com a sua carteira”, disse.

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Heverton Peixoto


ANÁLISE

Resiliência para uma vida longeva Evento discute esta e outras condições essenciais para ter qualidade de vida na velhice Saúde, conhecimento, social e financeiro. Estes quatro pilares compõem a fórmula da qualidade da vida longeva, que pode ser resumida em uma única palavra: resiliência. “É preciso construir a nossa capacidade de recuperar a normalidade após enfrentar as adversidades. Além de cuidar dos nossos capitais fundamentais — a saúde, o social, o conhecimento e as finanças — precisamos de um propósito na vida. Temos de acordar no dia seguinte com mil coisas para fazer, e não reclamando da velhice”, disse Alexandre Kalache, conselheiro sênior sobre Envelhecimento Global da Academia de Medicina de Nova York (The New York Academy of Medicine) e ex-coordenador de programas de envelhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Kalache e outros especialistas participaram do XII Fórum da Longevidade, promovido pelo Grupo Bradesco Seguros, dia 18 de outubro, em São Paulo, com o tema “Construindo a Qualidade da Vida Longeva”. Segundo o presidente do Grupo Bradesco Seguros, Octavio de Lazari Jr., viver mais e com qualidade de vida se transformou uma causa para o grupo, que decidiu se tornar agente desse processo, estimulando as pessoas à reflexão. “Se não podemos parar o tempo, podemos, ao menos, escrever com nossas próprias mãos o livro de nossa história de vida. Por isso, promovemos esse encontro há 12 anos”, disse. Atualmente, no Brasil, 24 milhões de pessoas têm mais de 60 anos, o que representa quase 13% da população, segundo o IBGE. Estimativas da Organização Mundial de Saúde apontam que, em 2050, esse número chegará a 64 milhões, o que significa que, de cada dez brasileiros, três serão idosos. “Hoje no Brasil temos mais de 30 mil pessoas com 100 anos ou mais. É uma turma cada vez mais saudável, que mostra o aumento da expectativa de vida no país. O dado mostra a necessidade da rediscussão de vários temas pela sociedade, para Alexandre Kalache

“Se o envelhecimento é inexorável, então é preciso encontrar um caminho para seguir adiante, com a certeza de que viver mais é o melhor que pode nos acontecer”

(Kalache)

atender esses idosos”, disse Jorge Nasser, diretor Geral da Bradesco Vida e Previdência. “Se vamos viver mais, devemos nos planejar financeiramente para ter um envelhecimento ativo e saudável”, disse Alexandre Nogueira, diretor. NUNCA É TARDE PARA MUDAR O arquiteto alemão Matthias Hollfich, autor dos mais renomados projetos arquitetônicos mundiais que contemplam áreas sociais, destacou a importância de viver a longevidade em grupo. “Vivemos juntos e, de repente, nos colocam fora da sociedade, mas nós queremos fazer parte dela. A ideia da New Aging é mudar essa lógica. O que propomos é uma revolução de costumes e comportamento. E essa revolução começa em nossas próprias vidas. Em vez de combater o envelhecimento, algo que faz parte da vida de quem avança em idade, devemos procurar vivê-lo de maneira sustentável e com qualidade, integrando os mais jovens e os mais velhos em ambientes que estimulem as trocas e não o isolamento”.

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Kalache debateu acerca dos caminhos para prolongar a vida saudável. Segundo ele, precisamos do Wake-up call, ou seja, o chamado individual e diário diante do espelho para que você reflita se seu comportamento, atitudes e escolhas são favoráveis ao seu envelhecimento com qualidade. É o comece agora, pois “quanto mais cedo melhor, mas nunca é tarde demais”,

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ANÁLISE destacou. Para a médica e docente do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, Marilia Louivision, todo mundo já tem mais ou menos a ideia do que é preciso ser feito. Mas isso envolve escolhas diárias. “O importante não é tanto saber o que vai acontecer com a gente, mas o que fazemos com as coisas que nos acontecem”, acrescentou.

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Para Marília, a chave para lidar com as adversidades da vida longeva é a resiliência. “Para viver com menos stress, precisamos reagir de forma diferente. Temos de nos adaptar ao que está acontecendo, senão a vida ficará frustrante”, disse. Hoje, a medicina já estuda a “reserva cognitiva”, que, segundo a médica, é o acumulo de informações e experiências que impedirá a progressão de doenças degenerativas, como o Alzheimer. “Nas pessoas que fizeram a reserva cognitiva, a doença se manifestará tardiamente”, disse. Segundo Marília, os órgãos declinam sua função ao longo do tempo, mas o problema é quando a doença se instala. Por isso, além de vacinas, ela indica novos métodos que utilizam a tecnologia para auxiliar no diagnóstico precoce de doenças.

Astrid Fontenelle, Alexandre Kalache, Claudia Burlá e Marilia Louivision

No âmbito da demografia, a diretora do Instituto de Gerontologia, Departamento de Ciências Sociais, Saúde e Medicina da King’s College London, Karen Glaser, mostrou algumas estatísticas que deram uma ideia do tamanho do desafio enfrentado pelo Brasil. Se a França levou 115 anos para ver o percentual da população de idosos crescer 14%, os brasileiros levaram apenas 21 anos para atingir a marca. “Nesse cenário, não se pode pensar em se aposentar aos 53 anos, tendo uma expectativa de vida de 75 anos. Isso não é sustentável”, afirmou Glaser.

A CHAVE PARA UMA VIDA MELHOR No pilar social, a fundadora e diretora do Centro de Bem-Estar e Resiliência da Austrália, Gabrielle Kelly, apresentou as estratégias para ampliar e fortalecer as relações humanas, ratificando a ideia de que nunca é tarde para começar. “Cada conhecimento que adquirimos pode nos levar a mudar hábitos e padrões de comportamento. O que precisamos é ensinar as pessoas a fazer isso, dar a elas a consciência de que o aprendizado é a chave para uma vida melhor”.

O pilar financeiro foi abordado pelo economista Paulo Tafner, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e pela jornalista Mara Luquet, que falaram sobre o desafio de equilibrar as contas numa vida longeva. O economista alertou para o fato de o Brasil estar envelhecendo muito rapidamente e mostrou como a pirâmide mudou. “O maior problema disso é que houve uma explosão de gastos com a previdência, sem a geração de receita correspondente. Nossa taxa de envelhecimento foi de 86%, enquanto a dos gastos chegou a 256% entre 1988 e 2015”.

Mara Luquet e Paulo Tafner

Sobre o pilar do conhecimento, o pesquisador do Laboratório de Neurociência Clinicas (LinC) da escola Paulista de Medicina da UNIFEST, Pedro Calabrez, falou sobre os processos de aprendizagem para manter a mente ativa. Ele criticou o imediatismo de nossa sociedade, observando que é preciso promover a consistência, deixando de lado a preguiça para se adquirir conhecimento. “Fazer nosso cérebro construir novas estradas, como aprender outro idioma ou música, por exemplo, pode atrasar em até cinco anos a manifestação do Alzheimer”. revista APTS • edicão 128


GERAL

Revista APTS Notícias é finalista no Prêmio Fenacor de Jornalismo Pela segunda vez, revista foi classificada no concurso. No ano passado, publicação também venceu o Prêmio Allianz de Jornalismo A Revista APTS Notícias, editada pela Associação Paulista dos Técnicos de Seguro, é novamente finalista no Prêmio Nacional de Jornalismo em Seguros, promovido pela Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor). Nesta segunda edição do prêmio, a matéria “Seguro automóvel perde mercado”, capa da última edição da revista (nº 127) foi selecionada na categoria “Imprensa especializada”. A matéria aborda o declínio do seguro automóvel, que não voltará a crescer no mesmo patamar de quatro anos atrás, quando a venda de veículos bateu recorde. O seguro auto po-

pular, que foi de tema de evento da APTS, é discutido na matéria sob o enfoque de grande aposta do setor. Concebido pela Fenacor, em parceria com a Escola Nacional de Seguros e CNseg, apoio do IRB Brasil Re e patrocínio especial da Generali e Porto Seguro, a edição 2017 do Prêmio de Jornalismo selecionou 60 finalistas em seis categorias. A cerimônia de anúncio dos vencedores e de premiação será realizada no dia 29 de novembro, no Museu do Amanhã (Rio de Janeiro).

A n i v e rs a r i a n t e s

ASSOCIAÇÃO PAULISTA DOS TÉCNICOS DE SEGURO

DIRETORIA EXECUTIVA Presidente: Osmar Bertacini Secretário: Luiz Macoto Sakamoto Tesoureiro: Evaldir Barboza de Paula Conselho Administrativo Efetivos: Alexandre Del Fiori, Hélio Opipari Junior e José Luis Schneedorf Ferreira da Silva Suplentes: Cesar Bertacini, Octavio José Milliet e Alexandre Milanese Camillo

Órgão oficial da ASSOCIAÇÃO PAULISTA DOS TÉCNICOS DE SEGURO Redação e Publicidade: Largo do Paissandu, 72 - 17º andar - Conj. 1704 - São Paulo - SP - CEP 01034901 - Fones: (11) 3227 4217 – www.apts.org.br – e-mail: apts@apts.org.br Edição e Assessoria de Comunicação: Prisma Comunicação Integrada Jornalista Responsável: Márcia Alves (Mtb 20.338) madlis@uol.com.br Design gráfico: Anilton

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A APTS deseja a todos Feliz Aniversário! dezembro 02 Domiciano de Freitas Jr. 19 Mario K. Sambuichi 19 Ariovaldo Bracco 24 Claudio Cambraia da Silveira 24 Marilu Dionísio da Silva 24 Miguel Roberto Soares Silva 27 Edson Marques Nobrega 28 Antonio Carlos Stefano Janeiro 4 Jair Mota 06 Arlindo da Conceição Simões Filho

09 Dimas de Camargo Maia Filho 11 Marcos Colantonio 14 Geraldo Antunes Pinto Junior 15 Robert Hufnagel 19 Heney Fernandez 22 Hélio Opípari Junior 22 Gustavo de Medeiros Melo 24 Sérgio Elói dos Aflitos 27 José Luis Schneedorf Ferreira da Silva 30 Alberto Dabus 30 Josafá Ferreira Primo

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Processo Susep: 15414.001197/2004-41. O registro deste plano na Susep não implica, por parte da autarquia, incentivo ou recomendação à sua comercialização.

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Revista APTS Notícias (ed. 128)  

Edição destaca a transformação digital da corretagem de seguros. A revista é uma publicação oficial da Associação Paulista dos Técnicos de S...

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