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A empresa a qual eu retornava não era a mesma que eu deixei. Muita coisa tinha mudado e eu também  mudei muito. Voltava em um cargo de chefia, seria o responsável por uma equipe e uma divisão inteira. A minha providência que tomei ao chegar foi montar a minha equipe. Deveria ser uma equipe de elite, a  melhor já montada. Antes de chegar, de Nova Iorque, já solicitei uma reunião no meu primeiro dia de  trabalho com a empresa que faz o recrutamento e seleção dos funcionários do Banco. Não podia perder  tempo. A   equipe   deveria   ser   composta   por   um   ou   dois   especialistas   em   agribusines,um   ou   dois   advogados  especialistas no mercado financeiro e pelo menos três economistas. Devem ser fluentes em inglês e de  preferência com pós­graduação.Uma equipe pequena, mas poderosa. O meu escritório não seria no mesmo andar do Banco. Com a expansão dos negócios o banco resolveu  alugar o andar de cima.  Devolvi o apartamento, o que eu não consegui despachar, eu vendi. Brasil aí vou eu!!!! A minha recepção não fora tão calorosa quanto à última. Muitas pessoas já tinham matado a saudades. Com o dinheiro que economizei no período em que morei em New York resolvi comprar um flat. Era mais  perto do banco e mais confortável, apesar de solitário. Dei uma boa entrada e financiei o resto. Fiz o mesmo com um carro. Desta forma estava pronto para  recomeçar a vida no Brasil. O volume de trabalho era imenso. Durante as primeiras semanas tive que me desdobrar. Nem percebia o  tempo passar. Também não fora no clubinho que ainda existia no mesmo lugar e funcionava da mesma  forma, apesar de insistentes e tentadores convites da Marisa. A equipe finalmente foi montada. Eram cinco homens e três mulheres, além de uma assistente que serviria  como secretária para o grupo e um estagiário de economia. 10 pessoas, um pequeno exército, um exército  de Brancaleone. A grande dificuldade consistia em desenvolver um modelo que servisse para o país. A nossa proposta era  algo totalmente novo e era necessário convencer os investidores a viabilidade do negócio.


O trabalho foi se desenvolvendo muito bem. A equipe era ótima, mas... Sempre tem um mas. Precisávamos  encontrar   os   clientes.   Tanto   agricultores   que   gostariam   de   securitizar   a   sua   produção,   e   investidores  dispostos a investir no fundo. Teria que ser tudo isto ao mesmo tempo e agora. A comissão de valores imobiliários aprovou a criação do fundo. Fiz reuniões com uma série de bancos de  varejo para distribuir o nosso fundo. Ninguém se mostrou interessado. Lembro­me de uma reunião no  maior banco nacional, fora  em uma sala hipocritamente  espartana.  Meus interlocutores  faziam  cara  de  paisagem enquanto apresentava a nossa operação, quanto mais que eu me esforçava menos eles prestavam  atenção. O nosso banco não tinha uma rede de agências próprias, nem terá e se este banco aceitasse tornaria  a minha vida muito mais fácil. No fim sai com um “Vamos pensar”, um sinônimo para “não deu”, “não  temos interesse”. Afinal são coisas que acontecem e toquei para o próximo. As respostas negativas foram  se sucedendo, independente do tamanho e perfil do banco. Nas indústrias não foi diferente. Falamos com empresas de todos os perfis: Grande, pequena, nacional,  multinacional. O que mais ouvia era que o nosso país era muito inconstante e qualquer projeção para mais  de três meses era um chute. Somente encontramos eco em uma multinacional de laticínios, eles fariam uma  pequena operação em uma região por dois anos como teste. Pelo menos era um começo. Com os proprietários rurais não era diferente, era até pior. Não queriam empenhar sua produção, mesmo  que isto representasse dinheiro no bolso, independente se chovesse ou fizesse sol. Era uma tentação muito  grande a possibilidade de se ter um lucro de última hora. As únicas exceções foram os que participam da  cooperativa que vendia leite para a indústria multinacional, eles forma obrigados pela indústria a aceitar a  operação. Como foram obrigados estávamos sujeito a todo tipo de sabotagem e má vontade. Estes impasses começaram a me inquietar. Não poderia ter esta derrota em meu currículo. Além do mais  era uma idéia genial, desenvolvida com carinho e expertise. Precisava achar um meio de viabilizá­la. Fiz várias viagens pelo país, de morte a sul, de leste a oeste. Nada, ou quase nada. A angústia me tomava,  estava a um passo do desespero. Revi todos os cálculos, projeções, alterei algumas premissas e nada. Foram meses em que eu me sentia um  Dom Quixote lutando contra os moinhos de vento por uma Dulcinéia que ninguém queria.


Resolvi falar com Mr. Habber. Ele sempre fora meu tutor e conselheiro. Ele seria capaz de me indicar um  caminho, uma luz. Afinal de contas o especialista no mercado brasileiro era ele, não eu. A  minha  conversa   com  Mr  Habber   foi   longa.  Ouvi   suas   ponderações   com   a  paciência   de  um  monge  tibetano. Anotei o que pude. No fim venho a pergunta inevitável: -

O que fazer?

A resposta foi longa, mas em resumo era simples. Entraria em contato com as outras áreas do banco para  consultar quais seriam os principais clientes do banco e potenciais investidores na minha operação. Tão  Simples que era praticamente impossível não ter pensado nisto antes.  Voltei para a minha sala. Resignei­me. Pensei. Fiz as alterações sugeridas por Mr Habber. Chamei a equipe  para   uma   reunião   de   avaliação.   Foi   outra   longa   reunião.   Coloquei   fogo,   não   queria   uma   equipe   de  congregados marianos, queria tubarões. Depois de horas de reunião, choro e ranger de dentes por parte de todos os participantes, chegamos  a  poucas conclusões. Resolvi falar com a Marisa para garimpar alguns clientes. A recepção da Marisa foi morna e superficial. Foi só aí que percebi o quão pouco hábil tinha sido. Ela era a  responsável   pela   filial   no   país.   Todas   as   operações   estavam,   pelo   menos   teoricamente,   sob   sua  responsabilidade. Eu chegara. Instalara­me, contratei uma equipe, comecei a trabalhar e não havia dado  uma palavra de satisfação. Ela com certeza se sentira invadida e menosprezada. Uma falha irreparável da  minha parte. Precisava reverter isto. A solução foi usar o meu charme. Comecei a minha conversa com um pedido de desculpas. Disse que estava ali para repara um grande  engano que estava cometendo e que queria fazer isto antes que fosse tarde demais. Desta forma consegui  quebrar o gelo.Com um sorriso nos lábios ela me perguntou o que estava acontecendo. Expliquei a ela que havia chegado como um trator passando por cima de tudo e de todos para implantar o  meu projeto. A minha determinação pelo sucesso me deixara cego e etc, etc, etc Em resumo eu humildemente pedia socorro. Tudo isto dito com muito charme e sedução.


A coisa melhorou quando ela me pediu para descrever em detalhes a minha operação. Descobri que dera  certo quando fui convidado por ela para um jantar com uns investidores conhecidos dela em seu  apartamento. Uau!!! Bingo!!!! Consegui!!!!


Capitulo 10 - Começar de novo  

melhor já montada. Antes de chegar, de Nova Iorque, já solicitei uma reunião no meu primeiro dia de especialistas no mercado financeiro e pe...

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