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EDITORIAL “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.” (Mc 8.35) Caros leitores,

IDENTIDADE • Visão Missionária é uma publicação trimestral produzida desde 1999 pelo SEMAP – Serviço de Missões aos Povos, órgão oficial das Assembleias de Deus Missão aos Povos, em Uberlândia – MG. A motivação é a expansão do Reino de Deus entre as Nações, trazendo informação, orientação e mobilizando a Igreja de língua portuguesa para o cumprimento da sublime tarefa de fazer Cristo conhecido “até o último da terra” (At 1.8).

Nesta edição Editorial

Palavra do Pastor Cartas e e-mails

Crônicas Missionárias Ronaldo Lidório

03 04 06 08

Opinião Missionária Russel Shedd

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Matéria da Capa O Clamor dos marginalizados e excluídos em Burkina Faso

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Coluna Missionária Novo tempo para a igreja árabe iraquiana

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Confraternização Agentes Semap-Semapinho

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Treinamento Missionário EMAD • Escola de Missões das Assembleias de Deus

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Perfil Missionário Lucien Naré

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Igreja Missionária Onde estão?

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Semapinho

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É com muita alegria que lhes entregamos, neste início de 2014, o exemplar número 50 da nossa revista Visão Missionária SEMAP. Meia centena de edições! Um marco para nós que nos propusemos a encaminhar para sua casa de três em três meses um exemplar - Missão na Rússia; Evangelho: Ameaça ou socorro para os índios; Malásia, o Reino de Deus ao Reino dos Tigres; Bósnia: o Evangelho ousa o impossível; Mulher: A face oculta da obra missionária; Usbequistão: Testemunho da história de uma igreja que nasce; Brasil: Celeiro de Missões? O Amor de Cristo para o Irã e além; Síria, uma oportunidade entre a guerra. Estas foram algumas entre nossas 50 capas. Hoje, que iniciamos nosso 16º ano de existência, entregamos a você uma revista sobre Burkina Faso, onde abnegados missionários levam a Luz de Jesus às crianças cegas, e a uma população sofrida pela pobreza e sob a forte influência do islamismo e animismo. No Perfil Missionário você conhecerá a vida de um pastor que, cego por acidente, dedicou sua vida a cuidar e a educar, nos princípios cristãos, crianças e adolescentes também com problemas de visão, as quais são abandonadas por seu povo que as julgam ser amaldiçoadas por apresentar esta limitação física. É neste cenário que Ricardo e Lilian – missionários SEMAP - auxiliam o Pr. Lucien a oferecer aos burkinenses várias atividades de integração social como futebol, aulas de violão, desenvolvimento do projeto “pés solidários” (Edição 44), etc. Comunicamos também aos nossos leitores que poderão ter acesso à leitura de muitos de nossos antigos exemplares através de nosso site- www. semap.com.br, totalmente reformado neste início de 2014. Não poderia deixar de agradecer aqui, a importante colaboração de nossa missionária e jornalista Graciela Faria, que gentilmente nos ofertou seu período de descanso, entre estadas no campo do Piauí, para contribuir efetivamente com esta edição. Que Deus a proteja e também a família dela, e abençoe o ministério deles que está só começando. Para você, caro leitor, que nos acompanha nesta intenção de propagar um maior número de estratégias para a realização da obra missionária, nossa gratidão e receptividade para que escrevam nos sugerindo temas para nossas próximas 50 matérias de capa. Boa leitura!

EXPEDIENTE Presidente: Pr. Álvaro Alén Sanches Direção: Ev. Saulo Gregório de Lima Editora: Ely Paschoalick Cronista: Rev. Ronaldo Lidório

Ely Paschoalick Fotos: Equipe SEMAP Sites diversos Revisão de Textos: Ericka Souza Nogueira Publicidade: Saulo Gregório de Lima

Colunista: Dr. Russel Shedd

Projeto Gráfico: André Mesquita

Jornalista Responsável: Ivan Marcos Gonzaga RPMG 048733JP

Equipe de Redação: Missionários SEMAP

www.elypaschoalickeosprofessores.blogspot.com.br

REALIZAÇÃO: SEMAP Escritório: Av. Rondon Pacheco, 4094 • Bairro Saraiva CEP: 38 408-404 • Uberlândia/MG • 34 3256 1700 • 3210 0693 Qualquer oferta missionária: Banco Bradesco • Ag.1901 • C/C: 35612-3 E-mail: semap@semap.com.br Acesse rádio Dimensão • On-line: www.radiodimensao.com.br Assinaturas: www.semap.com.br Caro leitor, registre-se no site SEMAP para receber seu login e ter acesso aos complementos de nossas matérias: www.semap.com.br

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palavra do pastor

pregação e missões

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cristão saindo com fagulhas espalhado-as

Cristão, oração,

Missão é o

até os ‘confins da terra’

(At 1.8)


1º)Cristão Uma pessoa que crê e anuncia Jesus é um seguidor de Cristo (At 11.19,26). O escritor e missionário Ronaldo Lidório escreveu em um dos seus livros que a primeira ação de um cristão não é evangelizar, mais morrer para o mundo. E concordo com as palavras dele, pois o próprio Jesus diz que a semente que cai na terra, se não morrer fica só, porém morrendo produz muitos frutos (Jo 12.24). Paulo deixa isto muito claro quando diz “estou crucificado com Cristo” (Gl 2.20). A igreja primitiva era composta de cristãos que nos deixaram provas disso, ou seja, morreram para o mundo e abraçaram sem reserva um cristianismo autêntico e cheio do Espírito Santo (At 2.41), e que se tornou uma fonte missionária (At 9.31). O mundo clama por sal e luz (Mt 5.13,16), pelo cristão que faz a diferença, que seja como farol que aponta o Cristo que transforma. Cristão este que segue a Cristo, imita Cristo, prega o Cristo e vive Cristo (Gl 2.20).

2º) Oração (At 6.4) É impossível desassociar missão da oração ou vice versa. O próprio Jesus nos ensinou este caminho (Lc 24.48,49). Jesus diz para ficar em Jerusalém e buscar o poder do Espírito Santo, e então ser testemunha dele até os confins da terra (At 1.8). A oração todos nós sabemos do seu efeito, mas poucos a usam. Como uma das mais poderosas ferramentas para a evangelização do mundo, temos testemunhos vibrantes em At 9.11,17,19; 10.9 e 13.1,4. A oração é indiscutivelmente o meio da ação do Espírito Santo operar na obra missionária (At 16.25). O espaço é pequeno para descrever tantos exemplos bíblicos e relatar testemunhos de oração na história da igreja. Deixo como exemplo de oração o relato do missionário David Bralnerd, que diz: “À tarde Deus estava comigo de verdade. Certamente foi um encontro abençoador. Deus levou-me a agonizar tanto em oração que fiquei todo molhado de suor, apesar do vento e de estar à sombra de frondosas árvores. Minha alma foi atraída de forma muito intensa, eu estava ávido por multidões de almas, porém estou mais interessado pelos pecadores do que pelos salvos filhos de Deus. Contudo, me sinto capaz de dedicar toda minha vida clamando em favor de ambos. Desfrutei com grande prazer a comunhão com meu querido Salvador, creio que jamais em minha vida senti o tamanho do desinteresse pelo mundo e tamanha dedicação e rendição à vontade de Deus”.

David Bralnerd terminou escrevendo: “Deus, que eu possa viver para Jesus, sempre em oração”. É possível isto hoje? Tem entrega? Como está? Sim, apesar de raro, que Deus levante intercessor que clame pelo mundo (Sl 2.8).

3º) Pregação (Rm 10.13,17) Pregar é o que mais se vê e se ouve hoje em dia. Quem sou eu para julgar alguém? Porém, os abusos do uso da bíblia são tão grandes que incomodam e ferem os ouvidos, mas sei que a palavra de Deus não volta vazia (Is 55.11). Paulo preocupou-se ao pregar aos outros e ser reprovado (I Co 9.27). Muito pior que pregar sem curso teológico é não ter testemunho e comportamento de um pregador salvo. É triste querer ser um arauto do Rei e não fazer parte do reino, isto é uma lástima (II Co 2.17; 4.2). Porém, isto não diminui a Glória de Deus, nem a força do reino e muito menos o poder da palavra (Rm 1.16,17). Em I Tm 1.15 diz que um missionário deve pregar crendo na palavra e não se esquecer de que é digna de aceitação, pois pregamos a pessoa de Jesus e não uma filosofia ou um sistema religioso. Paulo evidencia um ponto importante - a palavra salva, sou prova disto. Eu sou um dos principais pecadores e fui salvo por esta. Pregue a palavra e creia, pois não voltará vazia e nem quem a prega (Sl 126.1,6).

4º) Missão (Mc 16.15,16) Missão é uma tarefa nobre da igreja de ontem, hoje e até quando do arrebatamento desta. Missão só é aceitável aos olhos de Deus quando é feita por um cristão autêntico movido pelo Espírito Santo, que tenha uma vida de oração e que resulta em pregação original e simples, como a de Pedro no dia do Pentecostes, no qual resultou em milhares de vidas salvas (At 2.14,4). Missão é um conjunto de cristão autêntico com um coração apaixonado que intercede a favor dos perdidos, para que estes sejam alcançados pela pregação da palavra de Deus. Missão é a causa da vinda de Jesus vencendo o império da morte e do diabo. Missão é a repetição do eterno quadro sobre a vinda do Espírito Santo não só sobre Maria e Simeão (Lc 2.25,27), mas sobre toda carne (Jl 2.28; At 2.1,8). Missão é o cristão saindo com fagulhas e espalhado-as até os confins da terra (At 1.8). Deus vos abençoe. Amém! Pastor Presidente • Álvaro Alén Sanches

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cartas e emails

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo

para todo propósito debaixo do céu.

Itália

(Ec 3.1)

igreja e possam também atuar no ministério de ensino teológico e formação de novos líderes. Um casal para Cesena e o outro para Rimini. URGENTE: Por voluntários para o

Projeto semeando esperança viva em San Donà

curso de inglês 2014! Dio vi benedica! Arrivederci e Dio vi benedica! OREM POR NÓS!

Pr. Fabiano e Anne Nicodemo Missionários da JMM em Cesena - Itália

Burkina Faso Motivos de Oração: 1) Por forças, saúde, sabedoria e recursos financeiros para testemunharmos de Cristo aqui em San Donà. Estamos circundados de pessoas que nunca ouviram a verdade sobre a salvação, e que precisam de ajuda prática para sobreviver nesse tempo de grande desemprego. 2) Pela distribuição de folhetos e por oportunidade para falar de Jesus. 3) Pelo projeto que temos de distribuir calendários evangelísticos para nossos vizinhos como presente de natal.

O número de mulheres vestindo burca tem aumentado. Oremos por Burkina Faso. Lucileuda Marques

4) Para que o Senhor nos ajude a conhecer mais pessoas aqui na nossa cidade.

Egito

5) Por um emprego para Paolo Caputo, pois a situação da sua família é muito difícil. 6) Pela nossa saúde física, emocional e espiritual. 7) Por pessoas que sintam o chamado de Deus para vir até aqui nos ajudar, mesmo que seja por poucos dias.

Rolando e Maria Macedo

Por favor, orem ao Senhor: Para que a Igreja continue

firme na evangelização em Cesena e em Valconca. Para que Deus levante duas famílias missionárias do Brasil para vir fazer parte da obra aqui na Itália como obreiros efetivos. Estamos pedindo ao Senhor um casal que seja plantador de

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Ore pelos cristãos que vivem nas aldeias e pequenas cidades que foram atacadas por rebeldes em agosto. Centenas deles perderam casas, lojas, carros e, acima de tudo, a sensação de segurança. Muitos não sabem como vão continuar a viver em suas aldeias e cidades após o acontecido. Suplique por esperança renovada, amor celestial e perdão. Nazaré Sarmanho Frade

Guiné Bissau

É maravilhoso saber que não estamos sozinhos, temos vocês e o nosso amado Pai e Rei Jesus juntos conosco. A Igreja está indo muito bem. Muitos têm


sido salvos. Já somos mais de 100 pessoas. Antes fazíamos os cultos na sala de nossa casa, agora construímos uma barraca de 10x7m, porém já está pequena. O próximo desafio é a construção de um templo. A Obra da escola aqui em Bubaque está a mil, já iniciamos a cobertura, queríamos ter terminado, pois gostaríamos de ter iniciado as aulas em novembro, mas não foi possível.

há entre eles assassinos. Peçam a Deus que transforme o mal em bem, o impossível em possível, e que pela Graça todo o processo transcorra em paz. É um momento decisivo para o trabalho missionário entre mais de 300 crianças e idosos carentes de necessidades materiais, mas principalmente de conhecerem a Graça do nosso Senhor Jesus Cristo. Contamos com você.”

Guine Bissau está passando por tantas dificuldades na área de educação, que o governo deve os professores quase dois anos, e esse mês pagaram dois meses e as escolas saíram da greve e iniciaram as aulas, mas os professores não têm nenhuma motivação. O país está nas mãos dos militares, que assumiram através de um golpe, e assim muitos países que ajudavam financeiramente pararam de ajudar. O povo está sofrendo. Estão programadas eleições para março, porém não sabemos o que pode acontecer, pois os militares não querem sair do poder. O trabalho na ilha de caravelas esta indo bem. Temos 136 alunos do pré ao 6° ano e 05 professores. Graças a Deus, está tudo bem. Em dezembro comemoramos o natal. No mais, só queremos agradecer por todo apoio e pelas orações, e que nosso amado Pai possa recompensá-los. Abraços.”

Missionária Ana Maria Sarkar - Calcutá-Índia

Pr. Jorge, Missionária Socorro e Gaby

Índia Ore e mobilize tantos quanto puder, jejue e interceda a nosso favor. A reunião em que será decidido quais são, afinal, os limites do nosso terreno, acontecerá na quinta-feira (05/12/2013). E desta vez os vizi-

nhos não poderão simplesmente não comparecer, uma vez que a data foi marcada pelo líder político de Raynagar, são pessoas perigosas, envolvidas com magia negra e afins, já nos ameaçaram de morte, e

Japão

Notícias da Terra do sol nascente Como fazedor de tenda, as experiências em servir a Deus passam desde a universidade onde tenho orado e também através de várias outras oportunidades que surgem para evangelismo. Com a Cruzada Estudantil para Cristo de Osaka tivemos o acampamento de estudantes e fui convidado para ensinar sobre oração. Na Igr eja Evangélica de Minoh, o grupo de discipulado tem recebido novos membros, e estamos a abordar o módulo “intercessão” com destaque para a realidade espiritual do Japão em particular e da Janela 10/40, temos orado pelos cristãos que sofrem perseguição em vários países e até no próprio Japão. Junte-se a nós em oração agradecendo a Deus pela sua fidelidade durante o ano 2013; pela minha família em Angola, especialmente pela saúde dos meus pais que desde a morte do meu irmão (há 6 meses)n não estão muito bem; pela oportunidade de evangelismo na estação de Minoh; pela jovem Yu, uma recém convertida que está no discipulado; pelo Japão contra idolatria e suicídios; pela rede de oração entre pastores e líderes. Em Cristo estou muito grato pelas suas orações, amizade e encorajamento. Que o Eterno o abençoe. Muito obrigado!”

Tony Rene

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crônica missionária

Os que semeiam em lágrimas, com cânticos de júbilo segarão. Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos. (Sl 126.5-6)

Para quem sai andando e chorando... Uma palavra para os semeadores de hoje Lendo a parábola do semeador e o Salmo 126 lembrei-me de muitos amigos e vários missionários. Veio forte a cena dos semeadores de hoje. Aqueles que falam de Jesus, dos que visitam de casa em casa, servem o caído, cuidam do enfermo e enfrentam seus medos. Alguns andam a vida toda, aprendem línguas diferentes, estudam culturas distantes, escrevem projetos, sempre mais um lugar a chegar. O Salmo 126 nos fala sobre a relação entre a caminhada e o choro. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará para casa com alegria trazendo seus feixes, o fruto do trabalho. Para cumprirmos o ministério que Jesus nos confiou é necessário andar e chorar. E é certo que muitos fazem ambas as coisas. Tantas idas e vindas, caminhos incertos, a impressão é que há sempre mais um passo a dar, uma pessoa a evangelizar. E as lágrimas que descem abundantes com a saudade, a enfermidade que aparece, o abraço que não chega, o fruto que não é visível, o coração que amanhece apertado, o caminho que é longo demais... Creio que temos andado e chorado.

Mas voltaremos um dia, trazendo os frutos para apresentar ao Cordeiro e dar glória a Deus! Poderá ser amanhã, ou em algum momento ainda distante. Mas ainda não é hora de voltar. É hora de seguir, andando e chorando, com alegria no coração e sabendo que não trocaríamos esta viagem por nenhuma outra na vida. O grande consolo e motivação é que não andamos sós. Ele está conosco. E maior é Aquele que está em nós. Portanto, não podemos desistir, temos que olhar sempre para o horizonte a nossa frente e trazer à memória o que pode nos dar esperança. Guarde seu coração enquanto anda e chora. Não perca a alegria de viver e caminhar, nem a mansidão, nem a oração, ou o humor, ou o amor. Não deixe de semear mesmo quando está difícil. Lance a semente em todas as terras. Uma há de germinar e talvez a mais improvável. A que menos promete. Não dê ouvido aquele que diz que não vai acontecer porque a terra é árida, o sol é forte e o vento está chegando. Lance a semente. Abrace o que também anda e chora que está ao seu lado. Ele talvez se sinta só e pense que é o único que chora enquanto caminha. Andar e chorar são parte da missão. Se você tem feito isto, louve a Deus por esta oportunidade. É um grande privilégio. Um dia você voltará...

Pr. Ronaldo Lidório é missionário e tradutor bíblico. Casado com Rossana e pai de dois filhos, atuou como missionário na África durante 10 anos entre as tribos Konkomba e Chakali. Atualmente lidera uma equipe que trabalha para alcançar grupos indígenas na Amazônia Brasileira. É tradutor do Novo Testamento para a língua Limonkpeln, de Gana e consultor cultural para projetos pioneiros entre povos animistas em diversos campos. Doutor em Antropologia Cultural escreveu diversos livros, dentre eles “Missões, o desafio continua” e “Konkombas”. É ligado à Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) e à Missão AMEM

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opinião missionária

A esperança

segundo a BÍBLIA Russel Shedd

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. (Jo 14.1)

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A Bíblia inspira esperança. De Gênesis até o Apocalipse corre uma corrente animadora de antecipação. A catástrofe no Jardim do Éden provocou a ira de Deus contra os culpados e contra a terra que os sustentaria, mas não falta a nota cristalina de esperança. O Proto-evangelho (Gn 3.15) anuncia a boa nova de um futuro bem melhor, Deus não abandonou o pecador à sua própria miséria. Noé construiu a arca porque Deus inculcou esperança no coração dele. A raça não foi aniquilada porque Deus revelou uma visão de um futuro melhor. O chamado de Abraão para deixar sua terra e parentela foi alicerçado em esperança. “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Quatrocentos anos de escravatura no Egito não conseguiram apagar totalmente essa chama de esperança. Deus confirmou com braço forte a promessa de liberdade e independência sob o comando do soberano Senhor. Os profetas foram enviados com mensagens de juízo e de condenação. Mas no meio de lutas, invasões, apostasia e adultério espirituais, os portavozes de Deus não deixaram de descrever quadros de vitória e salvação nos horizontes futuros. Isaías escreveu assim 200 anos antes do Exílio: “Consolai, consolai, o meu povo, diz o vosso Deus... a glória do Senhor se manifestará e toda a carne a verá... Eis que o Senhor Deus virá com poder e o Seu braço dominará; eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (Is 40.1-10). Não era para Israel cair no poço fundo da depressão e desespero, porque Deus promete voltar a mostrar os Seus cuidados amorosos especiais. Esperança na Bíblia é assim. Em meio de terríveis aflições e sofrimentos provocados pela rebeldia e pecado do povo, Deus promete uma mudança radical que alegraria o coração mais desesperado. Assim o pessimismo se anula nas promessas de bênçãos de Deus quando a disciplina alcança o seu efeito desejado.

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opinião missionária

Paulo vai ainda mais longe. Declara que a fé e o amor dos Colossenses existiu “por causa da esperança que vos está preservada no céus” (Cl 1.5). No Antigo Testamento a esperança na restauração do Povo Eleito. No Novo Testamento, crer na promessa de Deus da provisão da vida eterna na gloriosa presença de Deus, produz fé no Senhor Jesus e amor fraternal. “Na esperança (ou ‘pela’), fomos salvos” (Rm 8.24), sugere que a fé é gerada pela esperança nas promessas de Deus. Devemos notar dois sentidos neste vocábulo. Primeiro aquele que comunicamos quando dizemos “Espero que este remédio me faça bem”, ou “Espero que Roberto volte para casa antes da meia-noite”. Quer dizer, temos certa confiança que possivelmente um evento há de se concretizar. Desejamos que aconteça, mas carecemos de certeza. A esperança “viva” (1 Pe 1.3) comunica a mais completa segurança, uma vez que é acompanhada pela garantia de Deus. Aguardamos a “bendita esperança” da vinda de Cristo, não com dúvidas, mas com inteira certeza. Se mantivermos firme a esperança que desde o princípio ganhamos, não deve haver dúvidas acerca da conversão genuína (Hb 3.14). A insegurança surge justamente no momento em que essa confiança for abalada. Quando diminui a certeza sobre o futuro que as Escrituras denominam de “vida eterna”, apaga-se a luz da esperança.

Se já fomos justificados mediante a fé e também experimentamos a paz com Deus, entramos diretamente na porta aberta pela fé para nos firmarmos na graça. Tudo isto, Paulo assevera, nos proporciona exultar na esperança da glória vindoura (Rm 5.1,2). Significa que a segurança e paz que a graça de Deus produz por meio do perdão total e contínuo de Deus (justificação), também mantém a alegria que antecipa a manifestação futura da glória de Deus. Nem a tribulação que Deus nos manda para produzir a perseverança e desenvolver o caráter de Cristo (“experiência”) deve abalar a esperança cristã. Pelo contrário, aqueles que, como Paulo, mais aflições passam, são os que mais esperança possuem (Rm 5.3,4). O desespero e pessimismo se afastam diante do brilho celeste do futuro prometido por Deus. Essa esperança, garante Paulo, não confunde, porque está unida ao amor que o Espírito Santo derrama nos corações daqueles que põe sua confiança plenamente na fidelidade de Deus (Rm 5.5). Conclusão A esperança bíblica precisa de raízes bem firmes nas promessas de Deus. A graça que o Senhor despejou sobre nós pecadores, pagando o altíssimo preço da nossa culpa, é a graça que nos assegura que temos plenos direitos de ocupar nosso lugar na casa do Pai (Jo 14.1).

Russel Shedd formou-se em 1949 bacharel no Wheaton College. Ainda em Wheaton completou o mestrado em estudos do Novo Testamento, e em 1953 o mestrado em teologia no Faith Seminary, em Filadélfia. Aos 25 anos formou-se doutor (PhD) na Universidade de Edimburgo. Casou-se com Patrícia em 1957. Possuem cinco filhos. São missionários no Brasil desde 1962. Além de ser autor de inúmeros livros, é também o autor das notas explicativas da Bíblia Vida Nova.

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&

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matéria de capa

E guiarei os cegos por um caminho que não conhecem; fá-los-ei caminhar por veredas que não têm conhecido; tornarei as trevas em luz perante eles, e aplanados os caminhos escabrosos. Estas coisas lhes farei; e não os desampararei. (Is 42.16)

O Clamor

dos marginalizados e excluídos em

Burkina Faso 14


O país Situado no Sahel Africano, com população de 16.468.714 habitantes, Burkina Faso é hoje o sétimo país mais pobre do mundo. Foi colônia francesa por mais de 40 anos e se tornou independente em 05 de Agosto de 1960. Sua língua oficial é o francês, mas possui muitos dialetos e línguas faladas. É uma nação de jovens, pois 45% de seus habitantes têm até 15 anos de idade. A expectativa de vida é baixa, varia entre 45 a 55 anos. Burkina faz fronteira com seis nações: Mali, Níger, Benin, Togo, Gana e Costa do Marfim. As principais cidades são a capital Ouagadougou, Bobo-Diolasso e a terceira Koudougou. Um país considerado laico, ou seja, sem definição de uma religião nacional, mas na prática é Islâmico, pois tem seu maior percentual de muçulmanos, mas há também religiões tradicionais e animistas, e apenas 4 % de evangélicos e outros grupos. As etnias maiores são os Moussis e os Dioulas.

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matéria de capa

Burkina se tornou um campo de refugiados A nação abriga hoje mais de 45 mil refugiados vindos do Mali e do Níger em busca de pão e paz. Isso sobrecarregou o país que já tem seus próprios problemas e carências. A Guerra no Mali mudou a atmosfera política, social e econômica. O conflito teve início em janeiro de 2012, e de acordo com a Organização das Nações Unidas – ONU, cerca de 170 mil malianos deixaram o país em busca de refúgio nos países vizinhos: Burkina Faso, Mauritânia e Argélia. Os radicais islâmicos e diversos grupos tomaram conta do norte do Mali. A violência, as tragédias e a morte inundaram a região com uma grande sombra de desespero e destruição. Cerca de 200 mil deslocados de guerra abandonaram Gao, Tomboctu e Kidal, para se instalarem no sul, principalmente na capital Bamako. Uns

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foram recolhidos por familiares e amigos, outros foram para os campos. Uma refugiada dá voz à vontade do povo: “se houver estabilidade queremos regressar. Com um novo presidente e com paz, queremos voltar ao Mali que está em nosso coração”. Os refugiados malianos sonham apenas com o regresso ao país, e com a possibilidade de que um novo presidente pudesse dar fim com a brutalidade deste último ano. O Sahel africano enfrenta uma terrível crise: conflitos, fome, seca e disseminação de muitas doenças nos acampamentos de refugiados legalizados e clandestinos. Várias entidades internacionais têm ajudado bastante, mas ainda é pouco diante das tragédias coletivas e individuais, onde o choro e o grito são mais um a ecoar nos ares do deserto. Oremos pela África saheliana.


Testemunho de Fati Fati (nome fictício) é uma menina de apenas 16 anos, mas as cicatrizes do conflito marcaram-na para sempre: “A minha mãe tinha ido ao mercado e eu limpava a casa. Ouvi tiros e corri para juntar todos os meus irmãos dentro de casa. Os atacantes saltaram pelo portão e entraram para o pátio de casa. Bateram-nos, violaram-nos. Enquanto um grupo nos violava, outro grupo ficava de guarda. Trouxeram-nos animais para comer. A carne estava mal cozida. Durou uma semana. Depois, atiraramnos para a rua e partiram”.

Educação Segundo o último levantamento, a taxa de analfabetismo é de 86%, mas na realidade ela é muito maior se formos contar também as mulheres. A maioria não consegue chegar nem ao quarto ano. Em Burkina Faso, a proporção de pessoas que completam a educação primária é uma das mais baixas da África. As mais afetadas são as meninas. Segundo o Ministério da Educação,

Ela foi fechada com outras 15 jovens violadas. Teve um filho, Moussa, agora com quatro meses. O pai de Fati encarou o estupro como uma maldição para a família, e a abandonou pouco tempo depois. Apesar de seu filho ser fruto da violência, a vontade de Fati é que ele cresça num país pacífico e que a família possa encontrar uma casa para viver.

pouco menos de 42% dos estudantes que ingressam no primeiro grau terminam os estudos. Para as meninas, essa porcentagem cai para 37%. Na região do Sahel, norte do país, onde o ministério centra suas atividades nesse sentido, apenas 18% das meninas acabam os estudos.


matéria de capa

Porque as mulheres africanas são as mais prejudicadas nos estudos? • Preconceito e falta de orientação dos pais. Como os pais são analfabetos, essa herança passa de geração a geração.

mento vem uma maratona de filhos, em média oito por mulheres. Então acaba-se a esperança de estudar e mudar de vida.

• Exigências culturais. As mulheres precisam ser boas donas de casa e suas mães as obrigam a fazer tudo e a cuidar dos irmãos, não sobra tempo para fazer a lição.

• Falta de recursos dos pais. A pobreza é extrema.

• Casamentos precoces e forçados. As meninas casam muito cedo, e após o casa-

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• Machismo. Alguns pais acham que o papel da mulher é servir ao marido, aos filhos e à casa.


Isso justifica o fato das mulheres estarem fora do mercado de trabalho. Sem conseguir terminar os estudos, muitas ainda analfabetas, elas continuam em desvantagem. Aquelas que não têm opção (não tem um marido, ou ele não pode trabalhar) acabam em trabalhos braçais, com uma remuneração insuficiente. É comum ver nas ruas, nos faróis e cruzamentos da cidade mulheres perambulando com muitas crianças pedindo pão, num calor escaldante de mais de 40 graus. Outra razão para a baixa escolarização das mulheres são os casamentos precoces, e isso é ainda pior na zona rural onde existem casamentos forçados e muitas meninas são entregues pelos pais com 12 ou 13 anos de idade. O dote é um estimulo a isso, apesar de ser um costume cultural, alguns o usam pra lucrar, e o casamento parece mais um negócio do que um ato legal e livre entre duas pessoas que se amam e querem formar uma família. Entre o povo Fulani, essa pratica é ainda mais forte. Algumas entidades e organizações têm trabalhado muito para melhorar a qualidade de vida e a dignidade das crianças e mulheres africanas.

Saúde A saúde se concentra em serviços de atendimento primário e não há prática de vacinação para prevenção de doenças. A grande vilã é a malária que mata milhares por ano, seguida de doenças como diarreias e infecções diversas ligadas à falta de qualidade de vida, moradias precárias e falta de saneamento básico. Não existe serviço de saúde gratuito a população, tudo é pago. A taxa de mortalidade infantil é altíssima e grande parte das crianças não chega aos cinco anos de idade. A falta de uma alimentação balanceada, condições de moradia,

saneamento básico tem feito muitas vítimas. A má alimentação da mãe durante a gestação e a falta de um pré-natal de qualidade tem feito inúmeros bebês nascerem condenados a uma série de doenças. Os hospitais são superlotados, com péssimo atendimento, funcionários insuficientes e sem equipamentos para atender às necessidades do povo. É comum a morte de crianças e adultos que se esparramam em esteiras pelo chão dos corredores, passando dias em péssimas condições de higiene e até de forma desumana. Os melhores hospitais e clínicas são inacessíveis à maioria da população.

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matéria de capa

Ministério Coração Missionário Levando luz aos não alcançados pelo evangelho em Burkina Faso A Família Missionária Rodrigues - Ricardo, Lilian e as filhas Jamila e Luana - foram enviados pela Igreja Assembleia de Deus Missões aos Povos de Uberlândia-MG, presidida pelo Pr. Álvaro Alen Sanches. Eles estão morando em Burkina Faso desde 2011 e tem desenvolvido seu ministério de forma marcante entre os mais carentes. O foco do ministério tem sido evangelismo e ação social, que tem alguns projetos em andamento: evangelismo pelo esporte, evangelismo entre os cegos, Jesus ao som do violão, e pés solidários. Confira abaixo, um pouco de cada projeto.

Jesus

ao som do

Violão Projeto de evangelismo através da música. Uma iniciativa para alcançar jovens através de um curso básico de violão. Já ocorreram duas edições do curso.

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Ação Social Pés Solidários projeto que tem distribuído calçados às crianças. Já foram feitas algumas entregas nas quais a recompensa foi ver a alegria e sorriso das crianças recebendo um par de calçados!

Projeto Esportivo

Koamba

Projeto Esportivo Koamba – este projeto tem em torno de 100 crianças e adolescentes. Meninos e meninas da periferia, de vida extremamente pobre, que são alcançadas através do esporte. O projeto tem seu lado educativo, instrutivo e recreativo, mas seu objetivo é evangelístico, ou seja, levar o Evangelho da Graça e deixar nos corações destes pequenos a boa semente do evangelho que a seu tempo dará fruto. Koamba significa criança na língua Morê. Além de ter o lado recreativo, essa iniciativa traz saúde emocional e inclusão social, pois trabalhamos com duas etnias que são diferentes e não se misturam, mas no esporte as diferenças ficam de lado com a alegria e a diversão de ser criança sem preconceitos.

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matéria de capa

Inclusão social para as meninas A inclusão de meninas pobres em programas e projetos sociais visam melhorar a qualidade de vida delas, dar orientações de saúde, promover o lazer numa atividade esportiva e desenvolver técnicas de artesanatos e pequenos conhecimentos que farão muita diferença no futuro.

garota africana souber costurar bem, bordar, fazer bijuterias ou algum trabalho manual, já tem o seu ganha pão. É comum o abandono de mulheres pelos maridos, então se a mulher souber fazer algo significativo poderá gerar alguma renda e converter em alimento para as crianças, e assim manter-se com dignidade.

A infância para as meninas em Burkina é muito curta, a partir dos 12 anos, após a primeira menstruação, a menina é obrigada a parar os estudos, e em alguns povos como na etnia fulane, as meninas são obrigadas a se casar ainda crianças. Há muitos casos de complicações em gestações e partos, pois essas meninas ainda não desenvolveram com maturidade o aparelho reprodutivo, e acabam morrendo. As mães colaboram para isso, pois obrigam as meninas a ajudarem nas tarefas domésticas e não deixam suas filhas pegarem num livro em casa sob a alegação de trabalhar duro. Isso pode mudar. Algumas entidades, missões e associações tentar melhorar isso. Se uma

Ministério entre os cegos na Escola Siloé Este projeto tem sido desenvolvido na Escola Siloé, uma escola de crianças e adolescentes cegos de 05 a 20 anos. A escola é dirigida por um Burkinabe, Sr. Narê Lucien, que perdeu a visão aos 28 anos após um acidente de moto. Foi ao fundo do poço, pois na medicina não encontrou cura e ficou cego definitivamente. Deus entrou nas trevas da depressão e desespero desse homem, já casado e pai de duas meninas na época, e o chamou para cuidar de seus cordeirinhos deficientes visuais. A história tem vários capítulos, mas vale destacar que o Senhor transformou maldição em bênção, o caos

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em esperança, pois ali nascia o primeiro ministério de evangelização entre os cegos em Burkina Faso. O Sr. Narê Lucien fundou a Escola Siloé, que atualmente tem 45 crianças, todas com deficiência visual, total ou parcial. Hoje aos 53 anos, com 4 filhas e 1 neto, ele continua a luta, ao lado de sua esposa, para melhorar a vida dos deficientes visuais nessa nação. Ele é a parábola viva de Deus em busca das ovelhinhas sem a visão física e espiritual (Leia a história dele no perfil missionário).


Como é a vida de um deficiente visual? Ser deficiente visual é sinônimo de preconceito, vergonha e maldição. As religiões na África tem seu forte traço místico e são cheias de fetiches e rituais animistas. O cego é visto como um ser que veio fruto de alguma maldição lançada. Ao saber do nascimento de uma criança cega, alguns pais abandonam o lar e deixam a esposa, que às vezes já tem outros filhos, à mercê da vida. Abandonada e sem proteção, amparo e cuidados, a vida dessa mãe e dessa infeliz criança terá muitos dias amargos pela frente. Existem organizações que tem feito alguns trabalhos voltados aos cegos, mas sem o vínculo do evangelho. A criança ou o adulto cego tem ainda muitas barreiras a serem ultrapassadas - a qualificação profissional e o campo de guerra chamado mercado de trabalho. Ninguém dá emprego para uma pessoa deficiente visual. O cego é rejeitado pela família, pela sociedade. É um povo não alcançado, mal tratado e esquecido. Na família sua palavra não vale, ele é o último a comer e sempre as sobras. As pessoas por ignorância e falta de amor pensam que o deficiente visual é uma pessoa inválida em tudo. O índice de violência sexual entre as meninas cegas é notável, e quando isto resulta em uma gravidez indesejada o caos é ainda maior. Pois nenhum homem assumirá a paternidade de uma criança de mãe cega, o que piora a situação é que na grande maioria os casos acontecem dentro da própria família. E essa mãe será uma vergonha por ser deficiente e ainda por ser mãe solteira.

Mundial da Saúde – OMS, 246 milhões de pessoas sofrem de perda moderada ou severa da visão, 90% dessas pessoas vivem em países em desenvolvimento. Calcula-se que 19 milhões de crianças com menos de 15 anos tenham problemas visuais. Desse total, 12 milhões sofrem de condições que poderiam ser facilmente diagnosticadas e corrigidas. Os dados são ainda mais graves: 1,5 milhão de menores têm o que é chamado de cegueira irreversível e nunca mais voltarão a enxergar. A OMS diz que dois terços dessas crianças morrem até dois anos depois de ter perdido a visão. As causas de cegueira total ou parcial: • A desnutrição, combinada com doenças infecciosas, impede que milhares de bebês recebam vitamina A. A falta do nutriente representa a maior causa de perda irreversível da visão.

Oremos pelas crianças deficientes visuais de toda a África e de Burkina também.

• As catástrofes alimentares na África.

Qual a razão do alto índice de cegueira na África? Dia 10 de outubro é comemorado o dia internacional da visão, e de acordo com as últimas pesquisas da Organização

• A falta de água potável e a fome são os piores agravantes para a cegueira. Os piores e mais altos índices estão na

• As guerras acarretam uma onda de cegueira. A guerra é mãe da fome e da miséria!

África.

DESAFIOS DE ORAÇÃO

1 Que os cristãos africanos se comprometam com a evangelização de povos minoritários e grupos na marginalização.

4 Melhoria no sistema de saúde, pois se os hospitais atendessem com mais qualidade, muitas mortes poderiam ser evitadas.

Colaboraram nesta matéria

2 Que a Igreja africana aprenda a exercer misericórdia e atender pelo menos as necessidades internas, pois é grande o número de viúvas, órfãos e enfermos.

5 Pela libertação espiritual, quebra das cadeias das tradições religiosas que há séculos amarram e aprisionam as pessoas, deixando-as inertes e cegas espiritualmente.

com Graciela Faria.

3 Políticas sociais que atendam os miseráveis e beneficiem os mais pobres.

6 Por todos os missionários que atuam em Burkina Faso.

rico_meta@yahoo.com.br

os missionários SEMAP: Lilian e Ricardo Rodrigues

Contato: Miss. Ricardo Rodrigues

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coluna missionária

Mas recebereis a virtude do Espírito que há de vir sobre vós, e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda Judéia e Samaria e até aos confins da terra. (At 1.8)

Novo tempo para a igreja árabe iraquiana

A missão é servir!

A igreja árabe iraquiana de Arbil no Curdistão vivenciou no ano de 2013 alguns marcos que ocasionaram mudanças profundas no ministério. Foram eles: a vinda do pastor da igreja ao Brasil, o 10º aniversario da igreja e a inauguração do templo. Durante sua viagem ao Brasil, Pr. Ghassan assimilou o conceito de missões como ato por fé.

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Fé porque não significa que a igreja missionária tenha dinheiro sobrando no caixa, mas sim que obedece ao Senhor compartilhando com as vidas sobre o plano redentivo de Jesus. Ao retornar para sua cidade de origem, o pastor fez o convite para que o missionário Cleiton Marcacine atuasse na coordenação do trabalho missionário da Igreja.


Primeiros trabalhos da Secretaria de Missões A primeira atuação da Secretaria de Missões foi com os refugiados da Síria, conforme registrado na edição 49 da revista Visão Missionária – SEMAP. O trabalho com os refugiados sírios envolveu dezenas de pessoas como voluntárias. Vários irmãos de diferentes denominações e nações ofertaram para esse ministério, possibilitando que aproximadamente 2200 crianças tivessem a oportunidade de serem tocadas pela igreja do Senhor.

Missionária Irinéa ministrando aula no curso de missões no Curdistão

Após este trabalho, ocorreu a organização do Curso de Conscientização Missionária que, a convite do missionário Cleiton Marcacine, contou com a participação da missionária Irinéa Matos, do Brasil, no auxilio da implantação do mesmo.

Curso de Missões no Curdistão A realização deste foi no mês de novembro, e atuou nas seguintes vertentes: disciplinas em missiologia, treinamento na área de trabalho em equipe (outdoor training nas montanhas), relacionamento com líderes do campo de refugiados e voluntários muçulmanos que auxiliaram no trabalho com as crianças. O corpo docente formado esteve representado pelas seguintes nações: Brasil, Finlândia, Suíça e México. Foi uma rica experiência transcultural ter esses obreiros no curso.

Outdoor training: metodologia escolhida para desenvolver a liderança nos alunos

O texto de Atos 1.8 tem a proposta de quebra de paradigmas, desafio de fronteiras (culturais) e o capacitar do Espírito Santo. Falar desse assunto na igreja local não foi fácil, pois a maioria dos cristãos (que tem seus antepassados cristãos) não evangelizam muçulmanos, nem os curdos moradores na mesma cidade. A mescla de nações é perceptível. Vários povos vivem ali, entre eles, assírios, árabes, caldeus, medos (curdos) e persas (iranianos). Devido a essas diferenças culturais, a evangelização se torna um desafio. E somente na renuncia do eu (Mt 16.24), que a real adaptação e transposição de culturas se tornam possíveis. O desafio para os alunos foi aprender com Jesus, assumir o discipulado do Mestre, e considerar o outro superior a si (Fp 2.3), digno também da salvação e da atitude da igreja no compartilhar do evangelho. Num ambiente de rejeição e perseguição, somente a compreensão da palavra e o mover do Espírito Santo tornam possíveis o testificar para os necessitados, e a salvação redentora de Cristo.

Alunos e professores em outdoor training no Iraque

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coluna missionária

Tempo de agradecimento aos Curdos Outro momento marcante do evento foi o de agradecimento. Os irmãos do curso, alunos e professores, liderança da igreja, reuniram-se com os voluntários e líderes do campo de refugiados e tiveram um tempo bem informal, mas muito especial, em que foi oferecido um “Piquenique versão curda”, e não faltou é claro a pregação do evangelho.

Significante foi esse tempo de proporcionar a igreja iraquiana o primeiro curso missionário no país. Um privilégio para a igreja brasileira, que através de seus missionários pôde tocar nesta nação e deixar frutos para eternidade.

A idéia era oferecer um ambiente diferenciado para os voluntários que ajudaram nas atividades com as crianças fora do ambiente em que residem (campo de refugiados), apresentar a igreja e fazer os agradecimentos (pelo pastor da igreja). Além disso, para quem quisesse, foi disponibilizado materiais cristãos (bíblias e livros) de graça na igreja, e a maioria dos sírios se mostrou interessada. Receber essa equipe de 50 pessoas, com toda certeza, foi uma grande satisfação - ver aquelas mulheres sírias com suas roupas muçulmanas e véu, e também os homens sírios, todos em sua primeira vez a entrar em uma igreja evangélica, ouvir a palavra e receber oração. E os missionários quão emocionados ficaram por verem essa linda cena... não foram poucos os que choraram. Realmente, “o Senhor tem o seu caminho na tormenta”, quem sabe se não fosse a situação de guerra, essas vidas jamais teriam essa oportunidade.

Piquenique de confraternização e agradecimento entre alunos, professores, e líderes dos campos de refugiados sírios e ministério da igreja no Curdistão

Finalizando o momento com a equipe auxiliadora, houve o piquenique no parque. Os irmãos prepararam uma boa alimentação e levaram conforme o costume local, e tiveram ali o almoço. Depois serviram frutas e chá. No centro do parque tem uma caixa de som ligada com músicas com ritmos próprios, e todos pegam nas mãos e em círculos dançam levantando e abaixando os ombros. Um momento bem divertido em que muçulmanos curdos da Síria e os cristãos da igreja árabe tiveram um bom tempo de relacionamento.

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Confraternização no parque


c o n f r a t e r n i z a ç ã o

Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.

(Sl 133)

Agentes SEMAP-SEMAPINHO Agentes SEMAP-SEMAPINHO são representantes dos programas desenvolvidos pela secretaria de Serviço de Missões aos Povos, com o objetivo de se fazer presente em cada congregação que compõe o campo de Uberlândia, o qual é presidido pelo Pr. Álvaro Alén Sanches. Cada pastor dirigente de uma congregação nomeia duas pessoas para serem os Agentes SEMAP e duas para serem os Agentes SEMAPINHO. Estes irmãos tem o objetivo de levar a congregação a praticar os 04 pilares missionários: ir, contribuir, orar e estudar sobre a obra missionária. Trimestralmente o SEMAP oferece uma apostila com as principais intenções de oração que cada um de seus mais de 70 missionários solicita, assim como relatórios para que cada congregação possa acompanhar o trabalho realizado por estes missionários nos 04 continentes onde atuam. Uma vez por mês os agentes SEMAP organizam um culto missionário, e o SEMAP disponibiliza para eles bandeiras, roupas típicas e filmes, e também os agentes mirins (crianças e adolescentes do movimento SEMAPINHO) apresentam coreografias ou peças com temas missionários.

A presidência da igreja sempre prestigia os eventos SEMAP

Irmão Dalvo e sua esposa Naíma – voluntários SEMAP há 25 anos

Irmã Naíma

Além disso, o SEMAP oferece para capacitação dos agentes o CAAM - Curso de Aperfeiçoamento para Agentes Missionários, reuniões e visitas periódicas, assim como workshops e orientações. Ao final de cada ano há uma grande confraternização para os agentes, momento este em que compartilham suas experiências uns com os outros e reafirmamos nosso senso de parceria, compromisso e confiança. E há 25 anos contamos com a colaboração dos irmãos Dalvo e Naíma que preparam a todos os participantes um delicioso churrasco.

Momentos de recreação

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treinamento missionário

Missões é o pulsar do coração de Deus em favor dos perdidos. (Turma 2013, Pr. Joel Holder)

EMAD • Escola de Missões das Assembleias de Deus

www.emad.org.br

A Escola de Missões das Assembleias de Deus (EMAD) mantém, em sua sede na cidade de Campo Limpo Paulista – SP, o curso de missiologia em regime de internato com a duração de dez meses.

Resende, de Várzea Paulista; Levy Ferreira de Limeira; José Cláudio da Silva, de Tucuruí-Pará, e de

Ao mesmo tempo em que abre as matrículas para o ano de 2014, a EMAD comemora, com alunos e familiares da 22ª turma, mais uma formatura. A festa que aconteceu nos jardins da Escola de Missões reuniu familiares dos formandos, pastores, professores e convidados. A cerimônia foi prestigiada com a presença dos pastores Selmo Batista, de Mendoza-Argentina; Manoel Domingos, da Bahia; Edelcio, de Sergipe; Israel Braga e Joel Ferminiano, de Osasco; Alberto

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Pr. Álvaro Alén Sanches faz pronunciamento na formatura da 22ª turma EMAD


Pr.Joel Holder, patrono da turma de 2013

uma caravana de Ananindeua-Pará, liderada pelos pastores Nerias Pinheiro da Costa e José Monteiro. Para compor a mesa de trabalho estiveram presentes os pastores Isaías Lemos Coimbra, representando o pastor José Wellington Bezerra da Costa - presidente da CGADB; Edgar Santos Amorim, representando o pastor Anísio do Nascimento, secretário executivo da SENAMI; Jefferson de Freitas, representando o pastor Ronaldo Rodrigues - diretor da CPAD; Alvaro Alen Sanches - 1º tesoureiro da CGADB; Elizeu Garcia Martins - diretor executivo da Escola de Missões; Edivaldo Bueno - vice-diretor da Escola de Missões, e o patrono da turma 2013 – Pr. Joel Holder.

Formandos EMAD 2013

De Ananindeua, Pará: Alex Malheiros do Patrocínio, Andreza Raquel Vilela do Patrocínio e Raquel Pinheiro da Silva. Também do Pará, da cidade de Tucuruí: Ezequiel Sousa Silveira, e Jonatas da Silva Wanzeler. De Rondônia, das cidades de Porto Velho e Colorado: Antonio Adailson Pereira, e Selma Souza dos Passos. Das cidades Aracajú e Riacheulo, Sergipe: Gidalte Siqueira Fontes, Gilziane Santos Araújo Fontes, e Lídia de Oliveira Matos. De Camaçari, Bahia: Lorielson Ferreira Cortes Silva. Do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Felipe Costa Sobreira. De São Paulo, das cidades de Paulínia e de Guarulhos: Daiany Fernanda Bueno, e Mauricio de Lima Oliveira. Das

cidades de Mendoza, San Juan e Ezeiza, na Argentina: Daniel Andres Macias, Daniel Brian Segundo Toro, Katherine Carrizo, Lorena Vanessa Morales e Rafaela Gladys Gómez. E para os que desejam ter seus nomes na lista de formandos, ainda dá tempo de fazer parte da turma 2014! Fale com seu pastor local e peça para ele entrar em contato com a EMAD – Escola de Missões das Assembleias de Deus. Fone: 11 4039 1034 • Caixa Postal 222 Cep 13230-970 • Campo Limpo Paulista/SP Email: emad@emad.org.br

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perfil missionário

Eu me chamo Lucien Narê, tenho 53, minha esposa chama-se Rosalie Narê, temos quatro filhas: Edwige, Valery, Josette e Helene. Congrego na Igreja Assembleia de Deus da zona I, em Ouaga, Burkina Faso, África.

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Lucien Narê

... e se abrires a tua alma ao faminto, e fartares o aflito; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia. (Is 58.10)

Eu me converti aos 20 anos, em 1980, através de um amigo não cristão que me deu um questionário de um curso bíblico por correspondência, que ele havia ganhado de um evangelista. Cheguei ao nível máximo desse curso. O conhecimento da palavra me tocou profundamente e eu me entreguei a Cristo.


Acidente e perda da visão Sofri um acidente no mesmo ano. Era época de natal, e eu havia saído com meu cunhado para visitar alguns familiares. No caminho, a moto onde eu estava colidiu com outra moto e caiu. Eu tive traumatismo craniano e a partir daí minha visão ficou turbada. Fui perdendo a visão gradativamente, sete anos mais tarde não havia mais jeito, fique cego definitivamente. Tive uma depressão muito forte, era como se eu tivesse ido ao inferno, sem luz, perdi o sentido da vida. O pior de tudo foi o abandono dos amigos, parentes que me evitavam, pois sentiam vergonha de minha situação. No meu país, ficar cego é como uma punição, uma maldição que atinge a toda família. Ninguém quer ter um parente cego, traz má sorte e é uma vergonha para a família de quem perde a visão. No caos de minhas trevas, recebi o apoio de um diácono de nossa igreja que me indicou um curso de braile e outros cursos específicos para deficientes visuais. Fiz todos os cursos desse pacote e tive excelente aproveitamento. Como aprendi a ler e a escrever em braile, resolvi escrever para a Missão Braille na Suíça. Eles me enviaram uma bíblia em braile e em três meses eu li a bíblia inteira.

Apesar do acidente, da perda de visão e dos anos em depressão, minha esposa e filhas nunca me abandonaram. Na época do acidente eu já era casado e tinha duas meninas de 04 e 02 anos, pouco tempo depois vieram as duas caçulas e todas elas são comprometidas com a obra de Deus. Sem esse apoio, eu não teria chegado aqui em vitória. Minha esposa Rosalie sofreu muita pressão dos parentes, amigos e da sociedade para que ela me abandonasse. Imagine a visão distorcida, preconceituosa e supersticiosa que as pessoas tinham de uma pessoa deficiente naquela época, mas Deus foi mais forte e seu amor e fidelidade tem nos mantido juntos até hoje.

Cegos em Burkina As dificuldades de uma pessoa cega em Burkina é a falta de inclusão social e profissional. Por esta razão, a grande maioria dos cegos vive a mendigar pelas ruas e sofre todo tipo de violência, principalmente as mulheres. No meu país, o cego é visto como um peso financeiro, uma pessoa incapaz e amaldiçoada. A família sente vergonha de seu deficiente. Há uma superstição de que se ao amanhecer a primeira pessoa que você vir for um cego, você terá todo o dia atrapalhado e amaldiçoado, tudo dará errado. Essa é a triste realidade vivida pelos cegos em nossa nação.

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perfil missionário

Criação da Escola Siloé Em 1993, após um período de oração e jejum, Deus colocou em meu coração o desejo de procurar o diretor da “Liga para a leitura bíblica”. Fui conduzido por minha filha até o escritório, e após esse encontro fui informado de que a Missão Braille da Suíça procurava alguém, há quase dez anos, para fundar um trabalho entre os cegos no meu país. Meu desejo era fundar uma estrutura educacional cristã para alfabetizar e evangelizar os deficientes visuais como eu. Assim foi criada a Associação para Portadores de Deficiência Visual, que em francês tem

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a sigla ASHVB, e pela graça divina eu sou o responsável por essa associação em Burkina Faso, África. Deus contou comigo para escrever o Novo testamento em Braille-Morê, para alfabetizar crianças e adolescentes deficientes visuais e os conduzir ao conhecimento de Cristo. Em 2007 foi criada a Escola Siloé, onde os missionários Ricardo e Lilian têm servido ao Senhor na evangelização e edificação espiritual de vidas para Cristo. A escola caminha devagar por meio de doações, ofertas de irmãos e apoio de fora, mas ainda temos muito a conquistar. Há muita di-


ficuldade no trabalho porque não temos máquina de escrever, nem impressora em braile, falta também material didático e escolar para as crianças. Precisamos melhorar a estrutura para atender às crianças. Construir uma sala para servir de enfermaria, finalizar a construção do refeitório, além de construir cozinha e banheiros. Esse desafio tem sido coordenado pelo miss. Ricardo Rodrigues e família. Além disso, precisamos de um veículo para atender as necessidades da escola.

Apelo Eu faço um apelo aos irmãos do Brasil: que tenham um olhar cheio de compaixão pelos excluídos da sociedade, que amem os cegos de seu país e nós aqui na áfrica. Que continuem a dar apoio moral, espiritual e financeiro a casais missionários como Ricardo e Lilian, que tem sido grandes amigos e operantes na obra de evangelização de crianças e adolescentes deficientes visuais. Que nos envie mais obreiros, pois a obra é grande demais. Todavia, compensa servir a Jesus!

Contato: Missionário Ricardo Rodrigues • rico_meta@yahoo.com.br

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Igreja Missionária

Onde estão?

A Revista Visão Missionária SEMAP, através do Grupo Desperta-te, publica uma performance para você apresentar em sua igreja e oferecer a todos um desafio para missões! Jovens representando as nações chamam a atenção para a necessidade de evangelização em diferentes países.

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16 personagens: Brasil, China, Comores, Coreia do Norte, Cuba, Índia, Jordânia, Maldivas, Nigéria, Paquistão, Síria, Somália, Tunísia, duas noivas e uma cantora. (Podese optar em usar uma versão cantada). Começa com a música “Ele tem fogo em seus olhos” (Clamor pelas Nações). Entram duas jovens vestidas de noivas e começam a dançar ao som da música. Os jovens, que representam as nações, só vão entrar quando começar a parte musical “... e eu irei contigo Senhor”. Neste momento entram os 13 jovens, cada um com a bandeira de uma nação e vai se posicionando a frente. Entrará por último o jovem com a bandeira do Brasil. Todos só irão falar quando a música terminar por completo. FALAS: [1] COREIA DO NORTE: Quem pode pregar a Palavra de Deus e ajudar a Coreia do Norte? [2] CHINA: E quanto à China, onde estão os pregadores do evangelho da paz? [3] CUBA: Cuba tem sido prisioneira, mas quem se importa? [4] JORDÂNIA: E a Jordânia pergunta: Quem vai me ajudar? [5] COMORES: Quem pode olhar para Comores e não sentir compaixão?

[6] INDIA: A Índia precisa ouvir a voz de Deus. Mas quem se dispõe a ir? [7] PAQUISTÃO: Paquistão está desesperado, mas onde estão aqueles que se dizem ser os escolhidos de Deus? [8] SOMÁLIA: Vocês conseguem ouvir o choro da Somália? [9] SÍRIA: Olhe para Síria, você tem conseguido sentir a dor dos corações dos perdidos? [10] NIGÉRIA: Por favor, ajudem Nigéria! Orem para Deus mandar missionários. [11] MALDIVAS: A Maldivas está morta no lamaçal de pecados, mas será que existe alguém neste mundo que pode nos livrar e nos salvar da podridão dos nossos pecados? [12] TUNÍSIA: Abram seus ouvidos e escutem o grito de desespero da Tunísia, esta nação espera por vocês. [13] BRASIL: Brasil, será que você está preparado?Será que você tem cumprido o seu chamado? Deus tem levantado nestes últimos dias um Brasil compromissado com a obra, voltado para as nações e tomamos como posse! Recordemos a Palavra de Deus em 2 Crônicas 7.14: TODOS: “Se meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, se converter dos seus maus caminhos, perdoarei os seus pecados e sararei sua terra”.

MÚSICA PARA ESTA PEÇA:

Ele tem fogo em seus olhos Composição: Clamor pelas Nações Ele tem fogo em seus olhos E uma espada em suas mãos Ele cavalga em um cavalo branco Ao redor desta nação E Ele chama você e eu Venha cavalgar comigo E nós dizemos sim, sim Senhor Iremos contigo E esse fogo em seus olhos É a paixão por sua noiva Seu coração queima e deseja Que ela esteja ao seu lado E esse fogo em seus olhos É a paixão por sua noiva Que Ele deseja que ela esteja Ao seu lado E nós dizemos sim, sim Senhor Iremos contigo E nós dizemos sim, sim Senhor Iremos nos levantar e lutar... Vestidos de branco E nós dizemos sim, sim Senhor. Iremos contigo... E eu irei contigo Senhor Eu irei contigo Senhor Eu irei contigo


s e m a p i n h o

STCC • Semapinho Tropa para Combates Celestiais

Semapinho: impulsionando crianças a ações globais

Na congregação Renascer, dirigida pelo Pr. Willian e sua esposa Dorcas, os agentes mirins semapinho desde pequenos se envolvem em orações e outras ações globais, conscientes de que missão é para cada um e para todos.

SEMAPINHO: Tropas para combates celestiais

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Um modelo de missionário

SEMAPINHO no Pampulha: Pr. Gerson Marcos e sua esposa Elizângela

Constantemente a equipe Semapinho vai pregar nas igrejas, com o objetivo de impulsionar pessoas à obra missionária. Entre as várias estratégias, encontra-se a “mala-missionária”, que constitui em entrar no púlpito com uma mala e de dentro dela se retirar adornos e complementos para colocar nas pessoas participantes, de modo que estas fiquem caracterizadas e representem os diferentes personagens bíblicos. Na congregação Pampulha, Ely foi com sua mala que conta a história da menina que mesmo tendo sido prejudicada por seu patrão Naamã, que a prendera e levara como escrava, ela plantou no coração deste a semente da esperança (II Reis 5). Na outra noite, tia Graça e sua equipe levaram a mensagem missionária de Noé.

Tia Graça e equipe

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s e m a p i n h o

Teatro no Jardim América

Os agentes mirins semapinho da congregação Jardim América ensaiaram com a irmã Alessandra a peça teatral: A chamada. No roteiro, Rosilda tem a difícil tarefa de levar Sofia, que é muito apegada ao dinheiro e ao que as pessoas possuem, a aceitar a mensagem de Jesus.

Todos os adolescentes e crianças agentes mirins semapinho do jardim América se envolvem semanalmente no universo missionário, seja estudando os diferentes campos ou ensaiando peças missionárias. Ultimamente, eles estão a se preparar para levar o evangelho aos pacientes internados no Hospital de Clínicas. Orem e aguardem!

Jardim Brasília e o Evangelismo de Rua

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As crianças e os adolescentes do Jardim Brasília, liderados pela equipe da irmã Flávia Thaís, no afã de cumprir com o Ide de Jesus programaram uma tarde evangelística e fizeram uma animada carreata de evangelismo pelo bairro onde está localizada esta congregação, que é dirigida pelo Pr. Daniel Rodrigues.

A carreata contou com a organização dos agentes SEMAP. Ao longo do caminho toda a igreja esteve presente, alguns acompanharam a pé, de carro e nas motos ao mesmo tempo em que entoavam hinos de louvor e distribuíam folhetos com convites para os cultos na congregação.


De

Amizade a Zelo,

a Bíblia em sua vida

Como funciona a oração? O que a Bíblia realmente diz sobre o dinheiro? A Bíblia tem algo a dizer sobre amizade?

Nem sempre é fácil ligar os pontos entre as diversas passagens bíblicas sobre um tema em particular, pelo qual você possa estar interessado, independentemente do assunto: dinheiro, sucesso ou como vencer a depressão. Mas agora você encontrará as respostas de modo rápido e prático no Manual da Bíblia de Aplicação Pessoal. Esta obra é o seu guia bíblico, organizado em 645 tópicos, em ordem alfabética, que orientam a maneira como você vive seu dia a dia.

Um recurso indispensável para sua vida

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Em destaque, alguns temas: - Amizade - Atitudes - Contentamento - Dinheiro - Dúvida - Depressão - Encorajamento - Oração - Preocupações - Sexo - Zelo NASLIVRARIAS MELHORES OU LIVRARIAS NAS PELO: 73 0 08 80000 00 22 11 7 3 77 33 w w w. l i v r a r i a c p a d . c o m . b r

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Revista 50 burkina fasso  
Revista 50 burkina fasso  
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