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Jornal DA APRS Nº 6 | Junho de 2017

XIII Congresso Gaúcho de Psiquiatria Bento Gonçalves sediará em agosto evento cientificamente de excelência, socialmente inclusivo e ambientalmente sustentável Páginas 3 a 8

E mais: Suicídio na adolescência | Mil sócios Simpósio NUPE | Ciclo de Avanços


Expediente do Jornal - JA

Jornal DA APRS

Esta é uma publicação da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul Av. Ipiranga, 5311/ 202 CEP 90610-001 | Porto Alegre | RS | Brasil Telefones (51) 3024.4846 | 98193.7387 www.aprs.org.br – aprs@aprs.org.br

DIRETORIA Gestão 2016/2018 PRESIDENTE

Flávio Shansis VICE-PRESIDENTE

Matias Strassburger DIRETORA DE NORMAS

Andréia Sandri

DIRETORA SECRETÁRIA ADJUNTA DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL

Ana Cristina Tietzmann DIRETORA TESOUREIRA

Anahy Fagundes Dias Fonseca DIRETORA TESOUREIRA ADJUNTA

Fernanda Lia de Paula Ramos DIRETOR CIENTÍFICO

Luciano Rassier Isolan DIRETOR DE DIVULGAÇÃO

Eduardo Trachtenberg CONSELHO FISCAL – TITULARES

Eugenio Horacio Grevet Jair Escobar Neusa Knijnik Lucion

CONSELHO FISCAL – SUPLENTES

Cláudio Laks Eizerik Fernando Schneider Gisele Gus Manfro

CONSELHO EDITORIAL DO JORNAL 6ª edição | Junho 2017 EDITOR

Mário Tregnago Barcellos CORPO EDITORIAL

Elisa Lima Boéssio Martina Cezar Kopittke Mateus Reche DIRETOR DE DIVULGAÇÃO

Eduardo Trachtenberg JORNALISTA RESPONSÁVEL

Anahi Fros | MTE 9420 PROJETO GRÁFICO E EDITORAÇÃO

Marta Castilhos FOTOS

Anahi Fros e Banco de Imagens ILUSTRAÇÃO DE CAPA (ARTE DO LOGO DO CONGRESSO)

Laura Castilhos TIRAGEM:

1.000 exemplares

SECRETARIA DA APRS Coordenadora administrativo-financeira

Ana Paula Sarmento Cruz administrativo@aprs.org.br Secretária sênior

Sandra Maria Schmaedecke - RP 1464 aprs@aprs.org.br

EDITORIAL

Mário Barcellos*

N

os tempos líquidos em que vivemos, onde a notícia de hoje já cai no esquecimento amanhã, uma de nossas responsabilidades essenciais como psiquiatras é tornar perene o interesse da população pela saúde mental. Frente à profusão de divulgação na mídia e canais digitais de temas psiquiátricos – com destaque para a depressão e o suicídio na adolescência –, houve grande procura por parte da imprensa e da comunidade e imediato envolvimento da APRS na busca de ferramentas de conscientização, esclarecimento e difusão de conhecimento sobre os assuntos em questão. Vale ressaltar, contudo, que, enquanto séries televisivas e jogos online vêm e vão, os problemas de saúde mental os antecedem e persistem. Em outras palavras: o estopim muda, mas a depressão, a autoagressão, o suicídio e os demais transtornos psiquiátricos perduram e continuam num crescente. É para poder lidar com esse desafio constante que precisamos cada vez mais procurar qualificação e consistência. Encontros científicos são ótimas oportunidades para isso. Esperamos, portanto, um grande número de associados no XIII Congresso Gaúcho de Psiquiatria, que ocorrerá de 16 a 20 de agosto, em Bento Gonçalves. Nesta edição do Jornal da APRS, além das seções já tradicionais, apresentamos o local, o tema e os convidados especiais. Cada detalhe do encontro está sendo há tempos pensado e planejado, tendo como objetivo realizar um evento agradável e cientificamente útil e interessante. Antes de terminar, uma ótima notícia: graças ao trabalho da Diretoria e ao estímulo permanente dos sócios, alcançamos, pela primeira vez na história, mais de mil associados. Parabéns a todos nós. E que sigamos unidos em nossa trajetória em prol da saúde mental! *Médico psiquiatra, editor do Jornal da APRS

Sumário

XIII Congresso Gaúcho de Psiquiatria . . . . . . . . . . . . . 3 a

8 Mil sócios e sócia número mil | APRS Digital . . . . . . . . . . . 9 Painel suicídio na infância e adolescência . . . . . 10 e 11 Curso de Psiquiatria Clínica | 30º Ciclo de Avanços . . 12 Simpósio de Espiritualidade na Prática Clínica . . . . . . . . 13 Linha do Tempo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 e 15 Recepção aos residentes de Psiquiatria . . . . . . . . . . . . . . 16 Projeto Openmind APRS | Revista Trends . . . . . . . . . . . . 17 Palavra de quem ensina | Palavra de quem aprende . . . 18 Cursos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Seccionais da APRS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Instituições Psiquiátricas Gaúchas: HUSM . . . . . . . . . . . 21 Drops . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 e 23 Síndromes Psiquiátricas Raras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 Talento além da ciência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 Associativismo: quem faz a APRS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Projeto Discriminação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27


INSTITUCIONAL

Psicopatologia ao longo do ciclo vital pauta Congresso Gaúcho de Psiquiatria Convidados internacionais e programação variada terão como pano de fundo a bucólica Serra gaúcha, local do evento

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mais importante evento científico com foco em saúde mental do Rio Grande do Sul cresceu e se transformou no XIII Congresso Gaúcho de Psiquiatria. Da regionalidade de uma jornada, como era chamado até 2015, o encontro ampliou a programação, se apoderou de sua importância e dimensão em termos de organização e mudou a nomenclatura, indo assim ao encontro de sua correta definição, que prevê um caráter abrangente e com múltiplas atividades. Agendados para ocorrer entre os dias 16 e 20 de agosto, no Centro de Eventos do Hotel Dall’Onder, em Bento Gonçalves, os colóquios terão como tema central a psicopatologia ao longo do ciclo vital e os desafios na contemporaneidade. Psicanalistas, psiquiatras clínicos e neurocientistas de renome nacional e internacional estarão no Estado a convite da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS) para versar sobre o assunto sob todos os seus aspectos. “As atividades científicas se centrarão predominantemente em três grandes áreas temáticas: Psicoterapias, Psiquiatria Clínica e Neurociências e Pesquisa”, explica o presidente do evento e diretor científico da APRS, Luciano Isolan. Em sua essência, a programação continuará a servir como espaço para partilhar informações e conhecimento entre médicos psiquiatras, pesquisadores, especialistas e acadêmicos das áreas da Saúde, além de gerar encontros que raras vezes são vivenciados por conta das apertadas agendas e ritmo acelerado de trabalho. O Congresso terá ainda simpósios, mesas redondas, conferências, sessões interativas, fóruns, cursos e hot topics. Confira nas próximas páginas o que a APRS está preparando para os dias de evento.

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Conferencistas internacionais

Alejandro Arias Vasquez

Carl Leukefeld (EUA)

(Holanda) Professor assistente do Centro Médico da Universidade de Radboud (Holanda), é PhD em Epidemiologia Genética, sendo doutor e mestre na mesma área, além de graduado em Biologia pela Pontificia Universidad Javeriana (Bogotá, Colômbia). Estuda influência genética, da dieta e do estilo de vida no TDAH, no autismo e em comportamentos compulsivos, assim como a associação entre genoma e alterações neuroanatômicas.

Psiquiatra, é professor e chair do Department of Behavioral Science da Faculdade de Medicina da University of Kentucky, também preside o Bell Alcohol and Addictions Endowed Chair. Soma mais de 350 publicações. Tem como principais focos a dependência química e transtornos de conduta em adolescentes, entre outros.

Acesse a programação completa pelo link ou via código QR Code https://goo. gl/06MA1V

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Elizabeth León Mayer

Jorge Oscar Folino

(Chile)

(Argentina)

Psicóloga forense, é doutora em Ciências da Saúde – Universidade Nacional de La Plata – e mestre em Psicologia Social na área de Psicologia Jurídica. Membro fundador da Society for the Scientific Study of Psychopathy (SSSP), é conferencista internacional sobre Psicopatia. Soma 20 publicações, entre autora e coautora de artigos científicos e capítulos de livros, sobre psicopatia e aplicações da PCL-R.

Referência em Psiquiatria Forense, é professor Titular de Psiquiatria da Universidade Nacional de La Plata, com Doutorado em Ciências da Saúde (UNLP). É conselheiro do Expertise Center for Forensic Psychiatry of Holland, membro do Mental Health, Law and Policy Institute, Simon Fraser University (Vancouver, Canadá). Ex-presidente da Rede Iberolatinoamericana de Investigação e Docência em Saúde Mental Aplicada ao Forense e da International Academy of Law and Mental Health, o médico psiquiatra é autor de sete livros, 24 capítulos em livros de autoria compartilhada e 140 artigos em publicações científicas.


Confira a trajetória científica resumida dos especialistas que estarão no Congresso

Frederico Duarte Garcia

Norberto Carlos Marucco

Vicent Balanzá Martinez

(Alemanha)

(Argentina)

(Espanha)

Médica psicanalista, estuda a situação dos refugiados sírios na Alemanha e o tratamento psicanalítico a longo prazo das depressões refratárias, bem como prevenção precoce, em particular para famílias de imigrantes, em cooperação com o Instituto Anna Freud. O Instituto SigmundFreud, em Frankfurt, do qual é diretora executiva, contribuiu para levar a psicanálise de volta ao país após o regime nazista, estudando o trauma e perseguição das vítimas. Responsável por vários grandes projetos de investigação na área da psicoterapia psicanalítica, prevenção precoce e adolescência.

Psicanalista didata, é membro titular da Associação Psicanalítica Argentina (APA), da Associação Psicanalítica Internacional (IPA), da Federação Psicanalítica da América Latina (FEPAL) e do Comitê International New Group (ING). Estuda questões da técnica e da teoria psicanalítica contemporânea. Autor de livro sobre transferência, além de contribuição em diversas outras publicações.

Psiquiatra, professor da Universidade de Valência, pesquisa o funcionamento cognitivo em transtorno bipolar e esquizofrenia, estadiamento em transtorno bipolar e intervenções nutricionais em psiquiatria. Faz parte do comitê executivo da International Society for Nutritional Psychiatry Research (ISNPR), da Sociedad Española de Patologia Dual (SEPD) e do taskforce sobre estadiamento da International Society for Bipolar Disorders (ISBD).

Humberto Corrêa Professor titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFMG, é doutor em Ciências Biológicas: Fisiologia e Farmacologia-pela UFMG, pós-doutor em Genética Molecular pela UFMG (2002) e pela Université ParisDecartes-Hopital Sainte Anne (França). Mestrado em Pharmacologie et Pharmacochimie pela Université Louis Pasteur (França). É referência mundial em Suicidologia. Tem cerca de 130 trabalhos publicados em periódicos nacionais e internacionais. É vicepresidente da Associação Mineira de Psiquiatria.

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Convidados nacionais

Marianne LeuzingerBohleber

Professor do Departamento de Saúde Mental e Coordenador do Centro de Referência em Drogas da Universidade Federal de Minas Gerais. Doutor em Medicina Molecular pela Universidade de Rouen, França, e laureado com o prêmio de pesquisa da World Federation of Societies of Biological Psychiatry.


Cursos pré-congresso

As atividades do XIII Congresso Gaúcho de Psiquiatria terão início com a realização de cinco cursos sobre temas de interesse da saúde mental. As aulas ocorrem das 8h30min às 12h e as inscrições podem ser feitas com desconto até o dia 5 de agosto. O evento terá ainda simpósios, mesas redondas, conferências, sessões interativas, fóruns, cursos, hot topics e encontros por área de interesse, com caráter cientificamente de excelência, socialmente inclusivo, culturalmente atrativo e ambientalmente sustentável.

Curso

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Atualização no diagnóstico, evolução e tratamento do transtorno de personalidade borderline Coordenação: Sidnei Schestatsky Local: Sala Malbec A Objetivos:

Apresentar e discutir os consensos e divergências atuais sobre aspectos descritivos e psicodinâmicos do diagnóstico do TPB; Examinar os principais modelos etiológicos implicados na gênese destes transtornos; Compreender a importância dos novos estudos de seguimento sobre sua evolução; Avaliar o estado atual dos seus tratamentos, tanto psicoterapêuticos quanto farmacológicos.

Curso

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Drogadição na adolescência: abordagens preventivas e terapêuticas baseadas em evidências Coordenação: Carl Leukefeld e Félix Kessler Local: Malbec B Objetivos: Apresentação teórica de alguns conceitos relacionados à Prevenção e Tratamento, incluindo as mais recentes evidências sobre “O que funciona”, “O que é promissor” e “O que não funciona”; Discussão com os participantes sobre o que pode ser aplicado para adolescentes usuários de substâncias psicoativas, no contexto brasileiro; Apresentação de sugestões sobre as melhores práticas e como podem ser acessadas; Estímulo a perguntas sobre prevenção, motivação e tratamento, a fim de tornar o curso mais prático e interativo.

Curso 3 | A clínica psicoterápica do adolescente na contemporaneidade Coordenação: Ruggero Levy Local: Malbec C Objetivos:

Abordar algumas características de adolescentes da contemporaneidade, severamente comprometidos, com prejuízos na construção de sua subjetividade em função de danos em suas funções simbólicas; Apresentar as vicissitudes do processo psicoterápico destes adolescentes e variações técnicas para dar conta destas dificuldades do processo psicoterápico.

Curso 4 | Documentos Psi-

quiátrico-Legais: alcance e implicações ético-legais ao longo do ciclo vital - Uma visão teórico-prática Coordenação: Paulo Oscar Teitelbaum, Silzá Tramontina e Cristiane Damacarena Martins Local: Sala A Objetivos Abordar a nomenclatura dos documentos para fins legais: atestados, pareceres, laudos, declarações, relatórios médicos; Tratar da legislação e responsabilidade ética, civil e criminal do psiquiatra: Vedação, suspeição e impedimento. Médico Assistente X Médico Perito X Assistente Técnico: diferentes funções, diferentes responsabilidades e limitações; Esclarecer sobre quem pode solicitar e quem pode determinar a emissão de um documento pelo psiquiatra; Tratar das especificidades da avaliação clínico-psiquiátrica X avaliação para fins legais;

Valores:

Para acadêmicos, residentes, cursistas e associados APRS Até 5 de agosto: R$ 70,00 | No local: R$ 100,00 Demais profissionais: Até 5 de agosto: R$ 100,00 | No local: R$ 140,00

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Abordar a redação de documentos para fins legais: o que se pode avaliar; o que se pode concluir; o que se deve e o que se pode responder; o que não se deve dizer; Tratar de situações específicas: disputa de decisões parentais em questões de guarda; afastamento da escola; benefícios previdenciários; notificação legal compulsória etc; Apresentar e discutir dois casos clínicos envolvendo a ação do psiquiatra em situações legais. Inscreva-se pelo link ou acesse o QR Code http://congressoaprs. com.br/?page_id=23

Curso 5 | Intervenções ba-

seadas em Mindfulness: do desenvolvimento à clínica Coordenação: Leandro Timm Pizutti e Lucianne Valdívia Local: Sala B Objetivos:

Apresentar as principais intervenções baseadas em mindfulness, desde a promoção de saúde ao tratamento de transtornos mentais, em população de crianças, adolescentes e adultos Abordar os principais programas e psicoterapias baseadas em mindfulness, suas indicações, as técnicas mais utilizadas e as evidências existentes na literatura, de forma teórico-prática.


A programação inclui ainda a realização de eventos paralelos sobre temas de relevância dentro dos estudos e práticas em saúde mental, com novidades de cada eixo temático.

Programação paralela

Confira: I Encontro Gaúcho de Pesquisa em Psicoterapia 18 e 19 de agosto, das 8h30min às 12h

II Encontro Brasil/Argentina de Psiquiatria Forense 18 e 19 de agosto, das 13h30min às 16h30min

II Encontro Gaúcho de Psiquiatria da Infância e Adolescência 18 e 19 de agosto, das 8h30min às 12h

II Encontro Estadual das Ligas Acadêmicas de Psiquiatria 17 de agosto, das 15h às 16h30min

IV Fórum da APRS sobre Maldade, Ética e Corrupção no Cotidiano 19 de agosto, das 13h30min às 16h30min

VI Simpósio Brasileiro de Saúde Mental da Mulher 17 e 18 de agosto, das 13h30min às 16h30min

Atividade do Núcleo de Psiquiatras em Formação 17 de agosto, das 13h30min às 15h

Pôsteres

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ssim como artigos científicos submetidos às revistas para publicação são a melhor maneira de divulgar os resultados de uma pesquisa, a submissão de resumos em um Congresso de visibilidade como o da APRS é útil na disseminação dos primeiros resultados de um novo trabalho. O evento terá um espaço reservado para os pôsteres contendo os trabalhos. Envie seu resumo impreterivelmente até às 23h59min (horário de Brasília) do dia 30 de junho através do site oficial do evento, por meio de preenchimento de formulário on-line. Além de receber avaliações, essa é uma oportunidade de receber sugestões para lapidar a metodologia e os resultados, proporcionando a interação entre pesquisadores. Os congressistas terão acesso a contribuições científicas inéditas, originais e enquadradas no escopo do evento. o enviadas por profissionais que estarão participando do Congresso.

Organize seu grupo e ganhe uma inscrição gratuita. Acesse o link ou código QR Code e garanta a inscrição: https://goo. gl/ay5DXi

Caráter inclusivo e inserido na comunidade

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ara além das atividades científicas, culturais e turísticas, o Congresso Gaúcho de Psiquiatria terá caráter inclusivo, sustentável e inserido na comunidade. O evento inicia no dia 16 de agosto com um debate entre psiquiatras da infância e professores da rede local, uma parceria entre a Secretaria Municipal da Educação e a APRS. As atividades continuam na quinta-feira (17), com sessão de cinema, apresentações de artistas locais e incentivo à arte realizada por crianças carentes da região, tendo como palco a Fundação Casa das Artes. A rica cultura de Bento Gonçalves terá destaque através de atividades e apresentações de artistas locais e incentivo à arte realizada por crianças carentes da região. Ainda está prevista a realização de uma oficina de culinária cultural, que será oferecida no Valle Rústico Restaurante, localizado no Vale dos Vinhedos, englobando conceitos de ecogastronomia, literatura e música local.

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Crianças ganham Congressinho Rústica entre as atividades

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evento de 2017 irá resgatar o Congressinho Gaúcho de Psiquiatria. Está sendo preparado um ambiente harmonioso e interativo, proporcionando atividades recreativas, culturais, científicas e de turismo aos filhos dos congressistas, todas com caráter lúdico e paralelas à programação adulta.

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s atividades do Congresso unirão lazer e saúde, através de atividades esportivas. No dia 20 de agosto, ocorrem circuitos de rústica intitulados “Psiquiatra também corre”, em meio às belas estradas vicinais da região dos vinhedos.

Pegada ecológica da APRS: impactos mitigados e retorno ao planeta

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APRS vai medir a pegada de carbono (carbon footprint) do Congresso e compensar a quantidade de gases de efeito estufa que serão emitidos durante os dias de programação por meio do plantio de árvores. Quanto maior o número de participantes, mais árvores deverão ser plantadas para captar CO2 e armazená-lo em forma de biomassa, mitigando os efeitos humanos na atmosfera. “Queremos tornar o Congresso um evento neutro em carbono, por meio de uma compensação ambiental na mesma proporção do impacto que iremos gerar no entorno, respeitando as características naturais da Serra e demonstrando assim a responsabilidade da APRS com o planeta”, justifica o presidente da Associação, Flavio Shansis.

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Segundo estimativas da da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 250 milhões de pessoas, chamadas de refugiados climáticos, serão obrigadas a se deslocar ainda neste século em razão das condições meteorológicas extremas, da diminuição das reservas de água e da degradação das terras agrícolas, eventos esses resultantes do aquecimento global. Ainda dentro da ideia de conscientizar e sensibilizar os participantes envolvidos sobre a necessidade de adotar ações sustentáveis no cotidiano, o evento abrirá espaço para uma Feira Orgânica de Agricultores Familiares da região, que oferecerão produtos in natura e processados sem a aplicação de pesticidas, herbicidas ou fungicidas químicos.


INSTITUCIONAL

APRS tem crescimento de 59% no número de sócios Associação supera os mil profissionais ligados à entidade e reforça representatividade

JANEIRO

2016

A

APRS registrou um crescimento em número de sócios na ordem de 59% nos últimos 14 meses, saltando de 662 para 1052 especialistas ligados à entidade, aumentando a representatividade da associação. Segundo seu presidente, Flávio Shansis, o foco no cumprimento da função científica da APRS tem motivado resultados positivos.

662

associados

“Em pleno período de crise política e econômica no país, a força do associativismo ainda pode falar mais alto quando uma associação realiza ati-

EAD despertou interesse da sócia número mil

A

médica psiquiatra Aline Machado de Abreu é a milésima associada da APRS. Natural de São Luiz Gonzaga, a profissional atua em Ijuí há cerca de cinco anos. Entre os motivos que a fizeram decidir pela associação, está a recente possibilidade de participação em eventos promovidos pela APRS sem precisar se distanciar fisicamente do município onde reside e trabalha. Novidade implantada pela Gestão 2016-2018, há 10 meses as atividades científicas realizadas pela APRS passaram a contar com a opção em Ensino à Distância (EAD). “Resido no interior e nem sempre é possível o deslocamento para a Capital. Essa facilidade pesou para que eu me associasse”, relata.

MARÇO

2017

vidades científicas sérias e em sintonia com as necessidades de seus sócios”, aponta. Ele destaca que, em 2016, foi realizada uma atividade científica a cada três dias. “Totalizamos dois meses e meio ininterruptos de ações focadas no ensino, pesquisa e prática clínica”, ressalta. Do total de associados, 18% são residentes. “Um percentual excelente e muito bom para nós, pois representa a força jovem da associação”, pontua o presidente.

1.052 associados

Virtualidade aproxima APRS de sócios e comunidade

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ocada na missão de reverter a lógica do isolamento gerado pela comodidade virtual e usando a tecnologia a favor de aproximações reais, a Gestão 20162018 da APRS continua investindo nas ferramentas da rede mundial de computadores. Cada dia mais atenta às possibilidades de conexão e troca geradas pela hipermídia, a Associação acaba de chegar ao Instagram. A plataforma social de imagens reúne 700 milhões de usuários mensais ativos no mundo. E é através dela que a APRS também passa a divulgar suas ações, aumentando a interação com seus sócios e comunidade. Já o perfil do Facebook superou os 4 mil likes. A entidade saltou de 3.861 curtidas na fanpage em outubro de 2016 para 4.714 em maio de 2017, ou seja, 853 novos likes, isso sem a necessidade de qualquer investimento em anúncios pagos na rede social digital. A média de 15 mil pessoas alcançadas por semana no perfil até 2016 saltou para mais de 55 mil internautas acessando semanalmente as informações da página somente no primeiro trimestre deste ano. Já em 31 de março, foi criado o APRS Conexões, boletim quinzenal de notícias voltado ao mailing da Associação.

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INSTITUCIONAL

Painel sobre suicídio na infância e adolescência lota Teatro da Amrigs Iniciativa da APRS foi ao encontro da urgência do tema, que repercutiu fortemente em redes digitais e pautou a imprensa nacional

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painel “Comportamentos de risco e suicídio na infância e adolescência: o papel das redes sociais, causas e medidas protetoras”, ocorrido na manhã de 29 de abril e promovido em tempo recorde pela APRS com o apoio da Amrigs, foi um sucesso de público em pleno feriado. A atividade, coordenada pela Dra. Silzá Tramontina, diretora do Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da APRS e organizada e divulgada em pouco mais de uma semana, foi motivada pela repercussão do seriado 13 Reasons Why (Os 13 Porquês, em exibição do Netflix) e do jogo cibernético Baleia Azul, disseminado via redes e plataformas digitais e que atenta contra a vida. Mais de 500 pessoas, entre profissionais da saúde, professores, mães, pais e gestores públicos, acompanharam as falas dos três especialis-

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tas convidados: Berenice Rheinheimer, médica psiquiatra da infância e adolescência e membro do Comitê de Prevenção do Suicídio da APRS, Christian Kieling, sócio da APRS e coordenador do Grupo de Pesquisa Programa de Depressão na Infância e Adolescência do HCPA/ UFRGS (ProDIA), e Rafael Moreno Ferro Araújo, coordenador do Comitê de Prevenção do Suicídio da APRS. Nas falas, foram repassados dados sobre casos no mundo, Brasil e Rio Grande do Sul, programas e atendimentos voltados à saúde mental, bem como quais os critérios utilizados pelos profissionais para indicar o diagnóstico e depressão e risco de suicídio, tratamentos disponíveis, piscofármacos com maior e menor eficácia, abordagem correta ao identificar comportamentos de risco, entre outras informações.


Assista a gravação do painel no perfil da APRS no YouTube. Confira no link https://goo.gl/ ZKSvvu ou acesse o QR Code

APRS doa pacotes de fraldas arrecadados

O Evento enriquecedor

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rientadora educacional do tradicional colégio La Salle Dores, a psicopedagoga Cristine Borba dos Santos foi uma das profissionais a prestigiar o painel. Ao saber da realização da atividade via Facebook, e sabedora da qualidade das ações desenvolvidas pela APRS – ela foi aluna do curso A Psiquiatria e a Escola em 2015 –, fez questão de se inscrever. “Foi muito esclarecedor e enriquecedor porque tive acesso a dados que desconhecia, além de ouvir relatos de experiências de outras pessoas. Tudo foi exposto com conhecimento de causa e uma fala próxima à diversidade do público presente”. Localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, a escola soma 900 alunos, sendo cerca de 500 deles adolescentes. A partir do painel, Cristine desenvolveu entre a equipe pedagógica e os estudantes.

painel também teve caráter beneficente. O ingresso para o evento foi a doação de fraldas descartáveis. No dia 6 de maio, as centenas de pacotes arrecadados foram entregues à Associação Grupo Ação Voluntária Francisco de Assis pelas mãos da Dra Anahy Fagundes Dias Fonseca, diretora tesoureira da APRS, à administradora do espaço, Matilde Morem Gomes. Criada há 16 anos, a organização sem fins lucrativos atende crianças e adolescentes em situação de miserabilidade. A sede da associação fica na Avenida Dr. Alberto Vianna Rosa, 246, Morro Santana, Zona Leste de Porto Alegre.

Nota oficial e orientações esclarecem a comunidade

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aralelo ao evento, a APRS desenvolveu uma série de orientações para a comunidade, no formato “mito” ou “verdade”, sobre suicídio na adolescência. Para acessar a íntegra dos materiais, acesse os links ou os códigos QR Code abaixo via aparelho de celular. Além disso, profissionais ligados à Associação foram fonte de inúmeras entrevistas na mídia impressa e eletrônica. 13 Orientações da APRS sobre o suicídio na adolescência http://aprs.org.br/13orientacoes-suicidioadolescencia/

Suicídio entre adolescentes: Nota Oficial da APRS http://aprs.org.br/ suicidio-adolescentesnota-oficial-da-aprs/

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CONHECIMENTO

Ciclo de Avanços chega à sua 30ª edição

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30º Ciclo de Avanços em Clínica Psiquiátrica ocorreu nos dias 2 e 3 de junho, no Centro de Eventos do Hotel Laghetto Viverone, em Porto Alegre.

Os Grupos de Estudo se reuniram no decorrer do primeiro semestre e desenvolveram os trabalhos, apresentados ao grande grupo. Foram abordadas 17 diferentes temáticas. Aderiram aos grupos associados e convidados por um sócio, entre eles profissionais de outras especialidades. O Ciclo demonstrou mais uma vez ser um evento consolidado, atingindo o objetivo de discutir os avanços na prática clínica e debater assuntos de real interesse da Psiquiatria, além de servir como espaço de confraternização e troca de ideias. A edição esteve sob a coordenação dos médicos psiquiatras Alexei Gil, Stefania Pigatto Teche e Paulo Henrique Gomes de Seixa

Curso de Atualização em Psiquiatria Clínica soma mais de 100 inscritos

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o dia 22 de março, ocorreu a primeira aula do Curso de Atualização em Psiquiatria Clínica: Avaliação e Diagnóstico na Era dos Novos Sistemas Classificatórios.

Em sua primeira edição, reúne 142 alunos, entre presenciais e Educação a Distância (EAD) – permitindo assim a participação de profissionais que moram fora de Porto Alegre –, um sucesso que repete a experiência já vivida em 2016, durante o 1º Curso de Psicofarmacologia Clínica da APRS. A exemplo do ano passado, os encontros são quinzenais, com encerramento em 29 de novembro de 2017. O objetivo geral da programação é o aperfeiçoamento da prática clínica dos participantes. A comissão organizadora do curso busca oferecer aulas com profissionais detentores de notável domínio e experiência dentro de suas áreas de interesse. O resultado foi a reunião de um corpo docente qualificado, formado por sócios da APRS, que somam ao currículo conhecimentos teóricos, larga experiência clínica e capacidade didática diversificada. “A ideia do curso partiu da necessidade de oportunizar aos colegas sócios da APRS, e demais interessados, aulas que possam ser úteis em sua prática diária, uma vez que o conhecimento aprofundado das patologias psiquiátricas e sua apresentação constituem os pilares do diagnóstico preciso e planejamento correto do tratamento”, explica a coordenadora da Comissão APRS Cursos, Andrea Poyastro Pinheiro.

Temáticas debatidas Pacientes Psicossomáticos – Como abordar o não representado? | Coordenadores: Dionela Pinto Toniolo e Maristela Prioto Wenzel Mapeando as Internações Psiquiátricas no RS: onde estão e como funcionam? | Coordenadores: Lucas Spanemberg, Flávio Milman Shansis e Giovanni Salum Neurociência da Motivação na Era da Psiquiatria Positiva | Coordenadores: Felix Kessler e Thiago Pianca Eu sinto você? Reflexões sobre a comunicação humana | Coordenador: Cláudio Laks Eizirik A tríade “dark” e a corrupção: maquiavelismo, narcisismo e psicopatia | Coordenadores: Fernando Lejderman e Carlos Augusto Ferrari Filho Eutanásia | Coordenador: Carlos Alberto Iglesias Salgado Perimenopausa: o que mais podemos fazer | Coordenadores: Jeronimo Mendes Ribeiro e Sheila Vardanega Psicoterapia: 15 anos vivendo paradoxos | Coordenador: Idel Mondrzak Que quer o transexual? | Coordenador: Sérgio Silveira Leite Religiosidade e espiritualidade em crianças: a espiritualidade é inata ou cultural? | Coordenadores: Leandro Timm Pizutti e Marianna Costa Neutralidade e abstinência no atendimento de pacientes com transtornos graves de personalidade – Limites entre o desejável e o possível | Coordenadores Adriana Denise Dal Pizol e Cristina Plentz Pessi Atualizações em neuroestimulação na psiquiatria | Coordenadores: Elisa Fasolin Mello e Eduardo Martini Concentração do lítio na água potável, incidência de suicídio e de outros desfechos na saúde humana | Coordenador: Rafael Moreno Ferro Araújo A interface entre humanidades médicas e psicopatologia: leituras possíveis | Coordenadores: Aletéia Crestani, Betina Mariante Cardoso e Mariana Paim Santos A sedução e o Psicoterapeuta | Coordenador: Marco Antônio Pacheco Alzheimer: o paciente deve saber? E nós, devemos informar? | Coordenadores: Eduardo Sabbi, Francisco Pascoal Ribeiro Júnior e Bruno Guidolin Violência no ciclo vital da mulher | Coordenadores: Vivian Peres Day e Lisieux Elaine de Borba Telles

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EVENTO

Simpósio de Espiritualidade na Prática Clínica reuniu centenas na Capital

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Organizado pelo NUPE/APRS, workshop com Lionel Corbett foi um dos momentos mais concorridos do evento

orto Alegre foi sede, nos dias 24 e 25 de março de 2017, do II Simpósio Internacional de Espiritualidade na Prática Clínica. Organizado pela APRS, por meio do Núcleo de Psiquiatria e Espiritualidade (NUPE), o encontro trouxe à Capital do Estado pesquisadores de renome nacionais e internacionais que debateram a ligação entre espiritualidade e psiquiatria, tendo como foco estudos sobre sofrimento, cuidados paliativos e terminalidade. O workshop “A Função Religiosa da Psique”, com Lionel Corbett, da Pacifica Graduate Institute (Estados Unidos), marcou a abertura do evento, na manhã de sexta-feira (24). lotando a Sala 21 do Teatro da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), onde ocorreu o evento. O restante das atividades teve como palco o teatro da associação, reunindo centenas de participantes. O assunto voltou à pauta em um momento especial para os pesquisadores da área. Diferentemente da primeira edição, ocorrida em abril de 2014, também em Porto Alegre, onde ainda pairava uma maior incredulidade sobre o tema, desta vez o evento contou com a tarimba oficial da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA), que divulgou, em novembro de 2015, uma declaração formal da importância de se incluir a espiritualidade no ensino, pesquisa e prática clínica em psiquiatria, ou seja, oficialmente passível de investigação científica.

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“A espiritualidade é um elemento fundamental da experiência humana. Ela engloba a procura do indivíduo pelo sentido e propósito de vida, também englobando a experiência de transcender. O cuidado espiritual pode ser um domínio essencial em cuidados paliativos, que inclui o sofrimento psíquico, social, espiritual e a dor física. Essa fonte de força espiritual pode ajudar os pacientes a lidar com o sofrimento, a encontrar a esperança, a buscar a alegria, a encontrar a capacidade de ser grato”, comentou o Dr. Flávio Shansis, presidente da APRS, durante a abertura do evento. Coordenadora do NUPE, a médica psiquiatra Anahy Fagundes Dias Fonseca, que também é membro da “Section on Religion, Spirituality and Psychiatry” da WPA, indicou que espiritualidade e religião se complementam, mas apresentam diferentes definições: “A primeira existe desde que o ser humano surgiu, ligada a uma experiência humana relacionada com o transcendente, o sagrado, representando um conceito mais amplo. Já as religiões são mais recentes, reunindo um sistema de crenças e práticas relacionadas com o sagrado ou divino, organizadas por uma comunidade ou grupo social”. Shansis pontuou que, independentemente de diferenças, mesmo em um meio tradicionalmente ateu ou agnóstico, é preciso elevar a existência em busca daquilo que o mundo mais necessita: tolerância.

Proteção que cura

studos empíricos destacam o papel protetor da espiritualidade na prevenção de depressão, transtornos de ansiedade, uso de substâncias, diminuição do risco de suicídio, promoção de bem-estar e qualidade de vida, além de resiliência em situações de adversidade, traumas e estresse agudo ou crônico. Ao mesmo tempo, ambientes sociais e religiões com normas rígidas, inflexíveis e condenatórias também podem gerar novos traumas e sofrimentos. Pesquisa publicada no Handbook of Religion and Health, do professor de psiquiatria da Duke University, Harold Koening, traz uma revisão literária quantitativa de 1872 a 2010 em publicações em inglês, constatando que a espiritualidade ou religiosidade contribuíram para a cura em 86% dos casos de consumo de álcool, 84% dos casos de dependência em drogas, 75% dos casos de tendência ao suicídio e 61% dos casos de depressão.

Palestrantes Adivanio Cardoso Américo / Alexander Moreira-Almeida / Alexandre Annes Henriques / Emílio Moriguchi / Everton Maraldi / Helena M.T. Barros / João Bernardes da Rocha Filho / Joel Giglio / José Roberto Goldim / Julio Peres / Lama Rinchen Khyenrab / Lionel Corbett (EUA) / Luciana Dezorzi / Lucianne Valdivia / Neusa Sica da Rocha / Pastor Daniel Annuseck Hoepfner / Patrícia Miranda do Lago / Rabino Guershon Kwasniewski / Vânia Latuada

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INSTITUCIONAL

Residentes têm contato com dimensão da representatividade da APRS Do total de associados da entidade, 18%

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são residentes

tradicional Recepção aos Novos Residentes de Psiquiatria, organizada pelo Núcleo de Psiquiatras em Formação da APRS, deu aos profissionais que estão em início de carreira a dimensão da representatividade da associação.

Durante o evento, ocorrido na noite de quarta-feira (12), na Amrigs, 25 graduados que estão se especializando em Psiquiatria foram recepcionados pelo Dr.

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Do total de associados, 18% são residentes. “Um percentual excelente e muito bom para nós, pois representa a força jovem da associação”, comentou o presidente da entidade, Flavio Shansis.

Núcleo de Psiquiatras em Formação vai à Lituânia

médica psiquiatra Mariana Paim, atual vice-coordenadora do Núcleo de Psiquiatras em Formação da APRS, viajou 6479 milhas – ou 10428 km – no papel de integrante da Comissão Organizadora Internacional de Jovens Psiquiatras do WPA Inter Zonal Congress, sediado na Lituânia, o mais meridional dos países bálticos, localizado ao nordeste da Europa. Ocorrido entre 3 e 6 de maio, na capital da república, Vilnius, o congresso se debruçou sobre o tema Changing Society, Changing Psychiatry and Changing Self. O evento internacional se dedicou a explorar, por meio de cursos, palestras e simpósios, conceitos, controvérsias e consequências da responsabilidade da psiquiatria com a sociedade e seu escopo e qual o papel social da especialidade. O encontro reuniu psiquiatras e outros profissionais de saúde mental de todo o mundo. Durante o evento, apresentou o trabalho de sua conclusão de curso como exigência parcial para a conclusão do Curso de Especialização em Psiquiatria da Fundação Universitária Mario Martins, intitulado Sintomas Psicóticos Relacionados à Doença de Alzheimer “Me sinto extremamente grata por ter integrado o evento, muito bem organizado e com importantes palestrantes. Tenho orgulho de representar nossa psiquiatria gaúcha e nossa Associação internacionalmente na Early Career Psychiatrists Section”, afirma Mariana.

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Flávio Shansis, presidente da APRS, e Dr. Felipe Almeida Picon. Eles abordaram desde a história do Núcleo até o papel da unidade dentro da entidade, bem como a missão da associação.

Dr. Felipe Picon, atual secretário da Early Career Psychiatrists Section e sócio da APRS, afirma que a participação contribui para, nas palavras do presidente da associação, Flávio Shansis, internacionalizar a APRS. A World Psychiatric Association (WPA) está inserida em 118 países por meio de suas federadas, representando mais de 200 mil psiquiatras. A APRS soma 50 anos como membro filiado à WPA.

Grécia no traçado Em outubro do ano passado, Mariana já havia representado o Núcleo, desta vez durante o Congress of Early Career Psychiatrists, ocorrido em Vouliagmeni, cidade litorânea localizada a cerca de 20 quilômetros de Atenas, na Grécia. A APRS foi uma das instituições co-organizadoras do evento. Durante a programação, ela apresentou os trabalhos “A História dos Psicofármacos e Psicopatologia Psiquiátrica: achados e especulações sobre a natureza dos transtornos mentais” e “Uso de Crack e seu Impacto na Violência no Brasil”. O fato de conhecer o funcionamento de outros Núcleos de Psiquiatras em Formação, saber como é a residência de Psiquiatria em outros países e manter contato com outras culturas e como elas influenciam na psicopatologia de cada região foram determinantes para a avaliação positiva de Mariana sobre os dois eventos.


INSTITUCIONAL

Projeto Openmind vai gerar rede de pesquisa colaborativa Parceria entre APRS e pesquisadores da UFRGS, PUCRS e Unisinos quer estabelecer rede de avaliação psicopatológica

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ma parceria entre a academia e a APRS vai resultar no desenvolvimento de uma rede de pesquisa colaborativa entre as unidades de internação psiquiátrica no Rio Grande do Sul. É o Openmind, sigla para Open Psychiatry Evaluation Network, Measuring Individual Dimensions. O projeto envolve a Associação e pesquisadores vinculados à UFRGS, PUCRS e Unisinos. Seu objetivo geral é estabelecer uma rede de avaliação psicopatológica em múltiplos níveis, com feedback de utilidade clínica automático e baseado em evidências, durante as avaliações de pacientes internados em unidades de internação psiquiátrica no Estado.

pacientes psiquiátricos internados no estado do RS, fornecer ferramentas de pesquisa de utilidade clínica e capacitar o psiquiatra clínico ao uso delas em sua prática diária. Também prevê a formação de uma rede permanente colaborativa entre as unidades psiquiátricas, com um fluxo de levantamento de dados bem estabelecido e contínuo para possíveis estudos futuros, como Ensaios Clínicos Randomizados. No momento, o projeto está em fase de desenvolvimento. O grupo apresentou a iniciativa à comunidade científica no 30º Ciclo de Avanços em Clínica Psiquiátrica e também levará a novidade ao XIII Congresso Gaúcho de Psiquiatria.

Entre outros objetivos, a iniciativa propõe uniformizar, padronizar e otimizar as medidas de avaliação em

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onfira a primeira edição do Volume 39 de 2017 da Revista Trends in Psychiatry and Psychotherapy. A publicação reúne os artigos originais e revisões da publicação científica oficial da APRS, produzidos por autores e instituições nacionais e internacionais. A Trends visa a publicar trabalhos nas áreas de Psiquiatria, Processos Psicológicos e Comportamentais, Neuropsicologia, Psicofarmacologia, Neurociência Clínica, Psicoterapia e outras áreas de relevância para um ou mais aspectos da psicopatologia e psiquiatria. Acesse o link ou o código QR Code http://bit.ly/2pDBeus

Revista Trends lança Volume

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ATUALIZAÇÃO

Palavra de quem ensina José Caetano Dell’Aglio Júnior

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édico psiquiatra, mestre em Farmacologia e doutor em Psicologia, José Caetano Dell’Aglio Júnior integrou o time de professores dos cursos de Psicofarmacologia Clínica e de Atualização em Psiquiatria Clínica, ambos em sua primeira edição e um sucesso em termos de inscritos. O primeiro ocorreu em 2016 e o segundo está em andamento. Para ele, ambas as experiências foram gratificantes, fundamentalmente, diz, pela troca de conhecimentos com colegas de diferentes idades e formação dentro da Psiquiatria. Responsável pela aula Transtorno do Humor Bipolar I, ocorrida no dia 3 de maio, o profissional enfocou as novidades e diferenças no diagnóstico do THB a partir do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), oficialmente publicado em 18 de maio de 2013

e a mais nova edição assinada pela American Psychiatric Association. O manual é o resultado de um processo de 12 anos de estudos, revisões e pesquisas de campo realizados por centenas de profissionais divididos em diferentes grupos de trabalho. Juntamente com o Dr. Flávio Shansis, José Caetano abriu espaço ao final da aula para uma conversa crítica, fazendo com que alunos favoráveis e não favoráveis às mudanças opinassem, exercício que evidenciou o interesse dos presentes nos contrastes apresentados. “Penso que tais cursos oferecidos pela APRS representam uma ótima oportunidade para colegas refletirem sobre temas do dia-a-dia do psiquiatra, bem como uma oportunidade para refletirem sobre as perspectivas futuras da profissão”, avalia.

Palavra de quem aprende

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m 30 anos desde que foi lançado, mais de 4 mil alunos passaram pelo curso “A Psiquiatria e a Escola”, organizado pelo Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da APRS. De detentores da lousa e do giz, professores das redes pública e privada mudaam de lado e ocupam as cadeiras e mesas, tornando-se alunos, a fim de aprofundar temas e abordagens presentes em seu cotidiano. Entre eles, inclusão, Transtornos de Humor, Transtornos de Aprendizado, bullying, violência e traumas na infância, somente para citar alguns. Graduada em Pedagogia e especialista em Supervisão e Orientação Escolar, Alice Beatriz Ritter passou a integrar neste ano o time de profissionais capacitados pelo “Curso dos Professores”, como é conhecido popularmente. Orientadora Escolar na EMEF Arthur Oscar Jochims, localizada no bairro Estância Velha, em Canoas, diz ter se interessado pela programação por atender sua constante busca em aperfeiçoar a prática pedagógica. “Busco embasamentos para atuar na educação inclusiva, cada vez mais presente nas escolas públicas. A atualização

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Alice Beatriz Ritter sobre este tema garante qualidade na educação, objetivo primeiro de qualquer instituição de ensino”, defende. Trabalhando com educação popular calcada na teoria sócio-interacionista de Piaget e Vygotsky – apoiadas na ideia de interação entre o indivíduo e o meio no tocante às relações de construção do conhecimento –, ela participa pela primeira vez de uma atividade promovida pela APRS. Alice afirma que o curso tem fornecido muitos subsídios para sua prática diária, dada a necessidade de atualização constante nas questões de educação inclusiva. A indicação de uma colega em uma rede social despertou seu interesse na inscrição. Entre as abordagens que mais geraram seu interesse até agora, cita as relativas às síndromes e transtornos, por fazerem parte de seu dia a dia. “Os professores abordam o assunto com muita clareza, oferecendo dados atuais e sugestões de bibliografia muito pertinentes”, comenta. “Certamente indicaria a capacitação a outros colegas. A formação é objetiva e fornece muitos esclarecimentos sobre o tema”, pontua.


CURSOS

Curso Psiquiatria e a Escola chega à sua 30ª edição

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Curso “A Psiquiatria e a Escola: Aproximações – Uma Parceria Necessária” chega à sua 30ª edição comemorando mais uma vez o sucesso de uma trajetória iniciada em 1987. As aulas iniciaram no dia 1º de abril e se estendem até 24 de junho, tendo mais uma vez como público-alvo professores da rede pública e privada do Estado e profissionais das áreas de Educação e Saúde. Atualmente com periodicidade bianual, a média de presença é de 80

participantes, com turmas que ultrapassam uma centena de alunos. Os inscritos, além de terem acesso a uma programação rica em temas atuais relacionados a transtornos presentes na infância e adolescência, recebem consultoria em situações do cotidiano, levando para a sala de aula, por exemplo, experiências vivenciadas na escola para análise, debate e busca de encaminhamentos. O curso é organizado pelo Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência, coordenado pela Dra. Silzá Tramontina.

Aula Inaugural do

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Ano Científico CELG-APRS

om o tema “Como avança a Ciência? O que Freud tem a ver com Darwin e Copérnico?”, o Centro de Estudos Luís Guedes (CELG) e a APRS realizaram a Aula Inaugural do Ano Científico das entidades parceiras. O convidado foi João Carlos Setúbal, professor titular e pesquisador do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). Também é professor colaborador do Biocomplexity Institute (EUA) e PhD em Ciência da Computação pela University of Washington. Tendo como área de atuação a bioinformática – campo interdisciplinar que corresponde a aplicação das técnicas da informática, combina ainda estatística, matemática, biologia e engenharia para analisar e interpretar dados biológicos –, ele discutiu ciência e psicanálise na perspectiva de seu campo de estudo. O evento ocorreu no dia 23 de março, no auditório da Amrigs.

Acesse as aulas

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e você tem interesse em algum tema dos cursos já iniciados pela APRS, mas perdeu encontros anteriores, pode ter acesso às aulas já realizadas, que são disponibilizadas via EAD mediante inscrição. Entre em contato pelo telefone (51) 3024.4846 ou e-mail aprs@aprs.org.br, das 14h às 22h.

Formas de violência em foco no Curso Novas Configurações Familiares

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s novas configurações familiares e suas repercussões na prática clínica são tema de curso promovido pela APRS, através do Departamento de Psicoterapia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre (SBPdePA). Os encontros iniciaram no dia 29 de março. Cada vez mais multifacetada, a família tem passado por diversas mudanças estruturais, atingindo toda a sociedade e desafiando os profissionais da área da saúde a saberem como lidar com as repercussões desses novos arranjos. Hoje, é possível deparar com diferentes configurações familiares, incluindo, além da família nuclear, uniões homoafetivas, paternidade ou maternidade socioafetivas, famílias polinucleares, entre outros. As aulas se estendem até junho, na Amrigs, somando sete encontros, sempre às quartas-feiras, das 20h às 21h30min.

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SECCIONAIS

Dependência tecnológica pautou jornada em Santa Maria

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II Jornada da Seccional Centro-Oeste da APRS, ocorrida no dia 18 de março, no Itaimbé Palace Hotel, em Santa Maria, teve como fio condutor dos debates a dependência da tecnologia.

Coordenado pelos médicos psiquiatras Alba do Prado Veppo Prolla, Francisco Grendene Botti, Adriana Ban Jacobsen e Ana Emília Segato Silveira, o evento contou com a participação de estudantes de Medicina, Psicologia, residentes de Psiquiatria e médicos psiquiatras. Psiquiatra da Infância e de Adolescência, mestre em Psiquiatria pela UFRGS e fundador e coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (Geat), de Porto Alegre, o convidado Daniel Spritzer palestrou sobre “Dependência de tecnologia: passado, presente e futuro”. O tema “Dependências de redes sociais e smartphones: reconhecendo características e impacto” foi abordado pelo coordenador do Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade (ProDAH) da UFRGS e membro do Geat, o médico psiquiatra Vitor Breda, que falou, entre outros, sobre a nomofobia – medo de ficar longe do celular.

Vales do Taquari e Rio Pardo realizam segunda Jornada

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endo como tema central “Nós podemos prevenir suicídio”, a seccional da APRS nos Vales do Taquari e Rio Pardo realizou nos dias 19 e 20 de maio a II Jornada de Psiquiatria da região. O evento teve como palco o Auditório do Curso de Medicina da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e contou com a presença de vários convidados, que se dividiram entre conferências, mesas redondas e exposições. Na plateia, estavam profissionais da área da Saúde, estudantes e interessados no tema. Segundo o coordenador da seccional, Dr. Rafael Moreno Ferro de Araújo, as atividades contribuíram fortemente para o crescimento da Unisc, instituição comunitária que oferece cursos na área de Ciências da Saúde, entre eles Medicina, Enfermagem e Psicologia. A Unisc, além da cidade sede, possui outros quatro campi, nas cidades de Capão da Canoa, Sobradinho, Venâncio Aires e Montenegro. Atualmente, conta com 49 cursos de graduação, 36 de especialização, oito de mestrado e dois cursos de doutorado.

“A Jornada proporcionou aos participantes como um todo um espaço qualificado de aprendizado e discussão sobre assuntos relacionados à saúde mental e, principalmente, o suicídio, problema de longa data desta região”, afirma Rafael. Ele afirma ainda que, em função da preocupação atual com o jogo cibernético Baleia Azul e com o seriado 13 Reasons Why, a conferência de abertura abordou sobre o tratamento de adolescentes em risco de suicídio, tema abordado pelo psiquiatra infantil Jader Piccin. Entre os temas tratados durante o encontro ainda estiveram Bioética em Psiquiatria, Puerpério e Transtorno do Humor Bipolar, Transtorno do Humor Bipolar – tratamento farmacológico na refratariedade e comorbidades, Psiquiatria Forense e INSS e Supervisão em Psicoterapia de Orientação Analítica. A primeira edição da Jornada ocorreu nos dias 12 e 13 de agosto de 2016, tendo como tema “Assistência Psiquiátrica Contemporânea: desafios e atualidades”, no Centro Universitário Univates, em Lajeado.

Sobre as seccionais da APRS

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gestão 2016-2018 da Associação inaugurou cinco novas seccionais entre o final de 2015 e o primeiro semestre de 2016. Ao todo, são seis seções, localizadas no Vale do Taquari e Rio Pardo, Centro-Oeste, Serra, Sul, Norte e Vale dos Sinos. As seccionais acabam por aproximar ainda mais a entidade de 140 municípios, soma das cidades englobadas por cada núcleo. A descentralização ainda permite que um número cada vez maior de associados tenha acesso às informações e atividades científicas desenvolvidas. Um dos exemplos é a possiblidade de participação dos cursos promovidos via EAD, sem a necessidade de sair da cidade onde atuam. As jornadas científicas em cada uma das seccionais atende e respeita as particularidades e demandas de cada região, reunindo profissionais de diversos municípios em torno do debate de temas ligados à saúde mental.

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INSTITUIÇÕES PSIQUIÁTRICAS GAÚCHAS

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A Psiquiatria do HUSM: uma visão transgeracional

Unidade Psiquiatria do Hospital Universitário de Santa Maria teve sua origem com os jovens médicos Milton Shansis e Pedro Martinez, que se especializaram na Clínica Pinel, em Porto Alegre. Lá, alicerçaram seus conhecimentos na dimensão psicodinâmica da psiquiatria e vivenciaram a clínica dessa especialidade através de uma abordagem embasada na visão de comunidade terapêutica. Ao retornarem para Santa Maria, fundaram a Clínica Paulo Guedes, que disponibilizou internação psiquiátrica no interior do Estado, com o apoio administrativo de Luiz Antônio Pereira e na enfermagem de Mariza Teixeira, também oriundos da Clínica Pinel. Como Santa Maria se tornou uma Cidade Universitária e os médicos passaram a também atender como professores, a clínica migrou para a universidade e tornou-se o Serviço de Internação Psiquiátrica Paulo Guedes, do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), instituição fundada em 1970 e ligada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A estrutura funcional estava calcada em três unidades de internação para pacientes em quadros agudos, uma feminina, uma masculina e outra mista, voltada para convênios e pacientes privados, perfazendo um total de 85 leitos, além de um ambulatório para atendimentos eletivos e de urgências. Com o crescimento do serviço, vieram acrescer o corpo clínico os professores Cyrillo Zadra, Luiz Guilherme do Prado Veppo e Carlos Biavasch, especializados no Instituto Philippe Pinel, no Rio de Janeiro, possibilitando a criação, na década de 70, da Residência Médica em Psiquiatria. O fato deu novo sentido ao serviço, o de formar novos profissionais.

Anos 80 Nos anos 80, chega ao serviço a professora Cátia Domingues Goi, formada em psiquiatria na Divisão Melanie Klein, da UFRGS, com o aporte da visão psicodinâmica sublinhada. Ao mesmo tempo, novos desafios se estabelecem. Era momento de enfrentar as ideias do movimento antimanicomial e o crescimento científico da psiquiatria biológica, através de muitos estudos e longas discussões, enriquecidas pelas vindas de Valentim Gentil Filho e de Otto Kernberg nas Jornadas de Canela e Gramado, além de outros eventos realizados em Santa Maria, em parceria com a então Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. Foi um período frutífero, que incrementou a integração de conhecimentos e de estratégias de abordagens terapêuticas e a restruturação do serviço. Assim, foi fechada a unidade de convênios, a ala feminina se tornou mista e a masculina abriu espaço para a de dependência química, resultando em diminuição de leitos e desenvolvimento do serviço de emergência e de ambulatório. Esses se organizaram por especificidades, com abordagens de teor multidisciplinar, com olhares para a ressocialização de pacientes e para o apoio a familiares. Outras clínicas do HUSM se transferiram do centro da cidade para o Campus Universitário, resultando em crescimen-

to do hospital geral e do setor psiquiátrico, trazendo novos profissionais, dentre eles, Mirian Haubold Barbosa, Ângelo Batista da Cunha e Hilda Gonçalves. Novos desafios internos se apresentaram, como o da integração com as outras especialidades, a inserção em um novo modelo estrutural, somado aos desafios constantes de evolução científica e acadêmica e o de manter o equilíbrio entre o pilar assistencial e o formativo. As principais mudanças que ocorreram foram a diminuição de leitos, a criação de um serviço de interconsultas, o incremento da residência médica e a busca de crescimento acadêmico, através de mestrados, doutorados e estímulos a pesquisas. Novos acontecimentos afetam mais uma vez o serviço: a reforma curricular na graduação médica, a criação de uma residência multiprofissional, a adesão à EBSER e a tragédia da Boate Kiss, esta última ocorrida em janeiro de 2013. Somados, os fatos resultaram na absorção de novos psiquiatras para o exercício de atividades médicas e formativas, na transferência da emergência para o Pronto Atendimento do HUSM e na criação de um ambulatório de trauma.

Tempos atuais A equipe do Departamento de Neuropsiquiatria é acrescida pelos professores Maurício Martinho, Gabriela Costa, Vitor Calegaro e Maurício Hoffmann. Já a equipe do HUSM, pelos psiquiatras e preceptores Márcia Vieira, Ana Emilia Silveira, Anderson Marks, Anderson Mendes, Adriana Jacobsen, Eduardo Silveira, Francisco Botti e Fabian Abaid. Esses profissionais buscam constantemente evoluir as metas da origem do serviço, centradas na integração das diversas vertentes da psiquiatria, mantendo o equilíbrio entre as demandas assistenciais e as necessidades formativas dos 13 médicos residentes da especialidade e preservando as históricas e profícuas ligações com instituições de Porto Alegre. Esta contínua busca está ancorada em uma estrutura pertencente ao HUSM, que comporta 400 leitos, sendo 30 na Unidade de Psiquiatria, destinados ao SUS, e disponibiliza cerca de mil atendimentos ambulatoriais específicos da psiquiatria, sendo referência para 32 municípios da Região Central do Estado.

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DROPS

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Seleção de artigos científicos recentes 1

Prevalence of Depression, Depressive Symptoms, and Suicidal Ideation Among Medical Students: A Systematic Review and Meta-Analysis.

Jama - Dezembro/2016 – Rotenstein LS et al. Revisão sistemática que avaliou prevalência de depressão, sintomas depressivos e ideação suicida entre estudantes de medicina. Entre mais de 120 mil estudantes pesquisados em 47 países, a prevalência de depressão ou sintomas depressivos foi de 27,2%. Já 11,1% apresentaram ideação suicida. Alguns estudos avaliaram a taxa de busca de tratamento psiquiátrico entre indivíduos que tiveram screening positivo para depressão: apenas 15% desses estudantes procuraram auxílio.

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Effect of Psychotherapy for Depression on Quality of Life: Meta-analysis.

British Journal of Psychiatry - Dezembro/2016 – Kolovos S et al. Metanálise que investigou a efetividade de tratamentos psicoterápicos para depressão sobre a qualidade de vida global e sobre os componentes de saúde mental e saúde física de qualidade de vida. Foram encontrados efeitos de pequenos a moderados para qualidade de vida global, efeitos moderados para o componente de saúde mental e efeitos pequenos mas estatisticamente significativos para o componente de saúde física. Outras análises realizadas pelos autores mostraram que o tamanho da melhora dos sintomas depressivos esteve relacionado ao tamanho da melhora do componente de saúde mental, mas que o efeito sobre o componente de saúde física e de qualidade de vida global não poderia ser explicado integralmente pela melhora da depressão. Assim, em pacientes deprimidos, fica sugerido um efeito mais amplo para as psicoterapias do que unicamente a melhora dos sintomas depressivos.

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Relationship Between Childhood Adversity and Bipolar Affective Disorder: Systematic Review and Meta-analysis.

British Journal of Psychiatry - Dezembro/2016 – Palmier-Claus JE et al. Revisão sistemática que analisou a relação entre adversidades na infância (de múltiplos tipos) e transtorno bipolar. Foi encontrada uma chance 2,63 vezes maior de terem ocorrido adversidades na infância em indivíduos com transtorno bipolar em comparação com controles não clínicos. Entre os subtipos de trauma pesquisados, houve relação estatisticamente significativa para abuso físico, abuso sexual, abuso emocional, negligência física e negligência emocional. A única adversidade na infância que não demonstrou relação foi a perda parental. O efeito do abuso emocional foi particularmente impactante. Os autores concluem que adversidades na infância parecem estar associadas ao desenvolvimento de transtorno bipolar e que a avaliação de experiências adversas no passado deve sempre fazer parte da avaliação realizada por profissionais de saúde mental.

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Mother-child Bed-sharing Trajectories and Psychiatric Disorders at the Age of 6 Years.

Journal of Affective Disorders - Janeiro/2017 – Santos IS et al. Coorte conduzida em Pelotas com 4.231 crianças – as quais foram avaliadas ao nascimento, com 3 meses, 1 ano, 2 anos, 4 anos e 6 anos – para estudar o efeito do compartilhamento de cama com a mãe sobre a saúde mental da criança. Foi considerado como compartilhamento de cama o compartilhamento habitual de cama entre a mãe e a criança para dormir parte da noite ou a noite inteira. As trajetórias de compartilhamento foram avaliadas entre os 3 meses e os 6 anos e a saúde mental foi analisada aos 6 anos de idade.


A prevalência do compartilhamento de cama foi alta (cerca de 45% até os 48 meses das crianças, com queda para 27% aos 6 anos). Os resultados indicaram um aumento da chance de apresentar diagnósticos psiquiátricos entre os compartilhadores persistentes (que compartilharam a cama desde os 3 meses até os 6 anos) e entre os compartilhadores precoces (aqueles que compartilharam a cama até os 24 meses e que foram reduzindo a prática até os 6 anos). O resultado se manteve após ajuste para inúmeras covariáveis, como nível socioeconômico familiar e saúde mental da mãe.

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Sponsorship bias in the comparative efficacy of psychotherapy and pharmacotherapy for adult depression: meta-analysis.

British Journal of Psychiatry - Janeiro/2017 – Cristea IA et al. Através de metanálise, os autores investigaram a possibilidade de viés de patrocínio (sponsorship bias), ou seja, financiamento da indústria farmacêutica e conflitos de interesse financeiros dos autores em ensaios clínicos randomizados de comparação direta entre psicoterapia e farmacoterapia para depressão. Ao final, 45 estudos foram incluídos. Entre os ensaios clínicos financiados pela indústria, a farmacoterapia se mostrou superior à psicoterapia. Já entre os ensaios clínicos não financiados pela indústria, não houve diferenças entre as modalidades terapêuticas. Entre os ensaios clínicos em que pelo menos um dos autores declarou ter recebido benefícios financeiros da indústria farmacêutica, a diferença entre farmacoterapia e psicoterapia (favorecendo a farmacoterapia), aproximou-se bastante da significância estatística. Já entre os ensaios clínicos em que nenhum conflito de interesse financeiro foi relatado, não houve diferença entre farmacoterapia e psicoterapia.

uma preocupação quanto aos canabinoides sintéticos (drogas mais recentes), os quais interagem com receptores canabinoides mais intensamente que o THC e já se mostraram teratogênicos em estudos com animais.

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British Journal of Psychiatry - Março/2017 – Joas E et al. A partir de dados de mais de 35 mil indivíduos, os autores estimaram a efetividade de medicamentos usados para o tratamento de manutenção do transtorno bipolar, tendo como desfecho principal o número de internações psiquiátricas. A efetividade variou de acordo com a polaridade do episódio de humor. A lamotrigina esteve associada apenas à redução de episódios depressivos, enquanto a carbamazepina esteve associada somente à redução de episódios maníacos. Já o lítio, o ácido valproico, a quetiapina e a olanzapina estiveram associados a taxas mais baixas tanto de episódios depressivos como de episódios maníacos. O lítio e o ácido valproico foram os únicos que estiveram associados a taxas reduzidas de episódios maníacos, depressivos e mistos. Além disso, o lítio mostrou efeito benéfico maior que todos os demais fármacos pesquisados. Os autores ressaltam que os dados encontrados nesse estudo “de mundo real” confirmam os achados de ensaios clínicos randomizados já realizados. No entanto, os efeitos da olanzapina e da quetiapina foram mais modestos do que aqueles encontrados nos estudos prévios.

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The Risks of Marijuana Use During Pregnancy.

JAMA - Janeiro/2017 – Volkow N et al. Artigo de revisão e ponto de vista em que, frente a recentes sugestões de que a maconha pode ser utilizada por gestantes para tratar a hiperêmese gravídica, explica os efeitos deletérios da droga no período gestacional. Dados epidemiológicos têm mostrado aumento no uso da maconha entre gestantes, especialmente aquelas com queixas de náuseas. Estudos recentes, entretanto, demonstraram que filhos de mulheres que usaram maconha durante a gestação apresentaram maior probabilidade de ter anemia, baixo peso ao nascer e necessidade de internação em UTI. Outros estudos encontraram associação entre exposição pré-natal a maconha e prejuízo em controle de impulsos, memória visual e atenção durante os anos escolares. Há ainda

Pharmacological Treatment and Risk of Psychiatric Hospital Admission in Bipolar Disorder.

Efficacy of psychotherapies for borderline personality disorder – A systematic review and meta-analysis.

JAMA Psychiatry – Abril/2017 – Cristea IA et al. Investigação sobre a eficácia de diferentes modalidades psicoterápicas específicas para o tratamento do transtorno da personalidade borderline (majoritariamente terapia dialética-comportamental, terapias psicodinâmicas e terapia cognitivo-comportamental). Foram incluídos na análise 33 ensaios clínicos randomizados, totalizando mais de 2 mil indivíduos. Para os desfechos combinados considerados relevantes na população borderline (sintomas gerais, autoagressão e suicídio), as psicoterapias estudadas foram moderadamente mais efetivas do que as intervenções controle. Quando consideradas individualmente, a terapia dialética-comportamental e as terapias psicodinâmicas mostraram superioridade em relação às intervenções controle; já para a terapia cognitivo-comportamental, não houve diferença na comparação.

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SÍNDROMES PSIQUIATRICAS RARAS

Síndrome de Pisa

Conjunto de sintomas decorre do uso prolongado ou de altas doses de neurolépticos

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brio entre o excesso de estímulos colinérgicos e a diminuição de estímulos dopaminérgicos.

A síndrome foi inicialmente descrita em 1972, advinda do uso de butirofenonas. Mais recentemente, apesar de ainda ser mais comum com o uso de antipsicóticos típicos, seu aparecimento foi relatado também com neurolépticos atípicos como risperidona e olanzapina, bem como com inibidores da colinesterase (principalmente donepezila), antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da receptação da serotonina, lítio e benzodiazepínicos.

Não há critérios diagnósticos universalmente aceitos, mas sugere-se como parâmetro a presença de flexão lateral do tronco de mais de 10 a 15 graus, com piora durante a deambulação e melhora com a posição supina e/ou com a mobilização passiva.

síndrome de Pisa, também conhecida como pleurototonus, é classicamente decorrente do uso prolongado ou de altas doses de neurolépticos. Apresenta-se como uma reação adversa (aguda ou tardia) ao tratamento e caracteriza-se pela manifestação de uma distonia seletiva do tronco, sem que haja comprometimento de outras partes do corpo. Essa distonia gera uma lateralização do tronco com leve rotação do eixo axial para trás, lembrando a inclinação da Torre de Pisa, o que resultou na denominação do quadro.

Há relatos de casos também em pacientes com Alzheimer, demência com corpos de Lewy, doença de Huntington, hidrocefalia de pressão normal e hematoma subdural. A hipótese etiológica principal é a desregulação do equilíbrio entre neurotransmissores dopaminérgicos e colinérgicos. O fato de encontrarmos incidência maior de Síndrome de Pisa em pacientes com doenças degenerativas (em uso ou não de neurolépticos) reforça a hipótese de um desequilí-

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A prevalência da síndrome ainda é pouco conhecida. Em estudos diversos, ela varia entre 0,04% (em estudo multicêntrico com 45.000 pacientes psiquiátricos) e 8,3% (em pesquisa avaliando pacientes psicogeriátricos ao longo de cinco anos), sendo sempre maior a ocorrência em pacientes femininos. Os fatores de risco associados ao surgimento da Síndrome de Pisa incluem o uso de neurolépticos, o tratamento com múltiplas drogas, a idade avançada, o sexo feminino e a presença de alteração cerebral orgânica.

O tratamento de primeira linha proposto é preferencialmente a suspensão do fármaco supostamente desencadeante (seja um neuroléptico ou outro qualquer). Na maioria dos casos, tanto em manifestações agudas quanto tardia, observa-se a remissão dos sintomas com a retirada da medicação causadora. Essa boa resposta é um dos fatores que diferencia a Síndrome de Pisa das manifestações de Distonia Tardia, que pouco melhora com a suspensão dos fármacos precipitantes. A segunda linha de tratamento é a associação de altas doses de drogas anticolinérgicas ou ainda o uso de clozapina.


TALENTO ALÉM DA CIÊNCIA

Melodia afinada em sintonia com ritmo profissional

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Ana Lúcia Monteiro Oliveira tem no canto um fio condutor de equilíbrio cotidiando

canção Começar de Novo, escrita por Ivan Lins e Vítor Martins especialmente para o seriado Malu Mulher, exibido em 1979 pela Rede Globo, é apenas uma das trilhas que ajuda a contar a trajetória de Ana Lúcia Monteiro Oliveira. Na versão da médica psiquiatra, apenas um pequeno detalhe muda, com um dos verbos adaptados aos novos caminhos que trilhou? “Começar de novo / E “cantar” comigo / Vai valer a pena / Ter amanhecido” É que, após 20 anos trabalhando com anestesiologia, em 2000 ela deu uma guinada e iniciou sua formação em Psiquiatria, seguida pela especialização em Psicoterapia Psicanalítica. Atualmente, Ana Lúcia está no segundo ano da Formação Psicanalítica da SPPA. Entrevistada pelo Jornal da APRS, ela conta, bem humorada: “A velha e boa amiga música me acompanha em qualquer dos rumos que tome em minha vida. Difícil será não me estender demais, mas vou tentar. Afinal, é uma carreira já mais do que cinquentenária. Contam que, aos dois anos, eu pedia ao meu avô que soltasse as cortinas de um arco que dividia duas salas da casa, me anunciasse e eu, aplaudida pelos meus fãs, surgia no palco imaginário e cantava. Claro, bons avós costumam saborear tudo que os netinhos fazem, então talvez eu deva agradecer ao seu paciencioso incentivo o fato de desfrutar deste prazer até hoje”. Entre as realizações cantantes de Ana Lúcia estão festivais de coros com o Orfeão Artístico Araújo Vianna no ginásio, cantorias nas escadarias do Colégio Anchieta – “no científico inesquecível”, como ela define –, Festival Anchietano da Canção (FIAC), shows na Assembleia Legislativa

e no Araújo Vianna como integrante da banda “Grupo Ensaio”; apresentações dos Anestesistas Cantantes em vários eventos sociais da SARGS, apresentações dos Talentos do GHC – Grupo Hospitalar Conceição; Grupo Vocal Sem Contraindicação e Show Bossa e Cia visita Lupicínio Rodrigues. “Talvez não esteja lembrando de tudo mas não importa; afinal, são tantos anos”, comenta. O cantar se faz presente nas mais diversas etapas da vida de Ana Lúcia, segundo ela, com múltiplas funções: cantar de alegria, cantar de tristeza, de saudade, para sentir, para entorpecer, para celebrar o amor, a amizade, para ninar ou brincar com os filhos e assim pro diante.

“Como toda parceria fiel, mesmo ficando de lado por longos períodos, a música está sempre ali. Ou aqui? É, aqui: em mim. Pedaço de mim”, define. Para ela, as melodias auxiliam na constante busca de sintonia com os pacientes, na tentativa de acompanhar seus ritmos, na composição da musicalidade do trabalho médico. “Cantar pelos bares da vida segue sendo meu lazer favorito. De improviso. Uma boa bossa nova, impossível não cantar! Cantem comigo: Um cantinho, um violão / Este amor uma canção / Pra fazer feliz a quem se ama / Muita calma pra pensar / E ter tempo pra sonhar”, cantarola, encerrando a entrevista ao ritmo de Corcovado, composição de Tom Jobim.

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ASSOCIATIVISMO

Estrutura organizacional da APRS soma 35 subdivisões Organograma vai além de ordenar e distribuir responsabilidades e limites

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Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS) está próxima de completar 80 anos. A então Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia, fundada em novembro de 1938, cresceu em estrutura, número de sócios e representatividade, o que levou a entidade a organizar um organograma que desse conta dos novos desafios que foram surgindo.

A gestão 2016-2018, que tem como presidente Flávio Shansis, incluiu à estrutura existente o Núcleo de Saúde Mental da Mulher e os Comitês de Prevenção do Suicídio, Prevenção de Maus Tratos na Infância e de Internação Psiquiátrica.

Com o passar dos anos, essa estrutura cresceu progressivamente até que, em 2008, durante a gestão de Laís Knijnik, houve uma reformulação geral nos Departamentos, nas Seccionais e nas Comissões.

A partir desta edição do Jornal da APRS, apresentaremos um breve histórico de cada uma dessas estruturas, seus objetivos e ações. Iniciaremos a nova seção apresentado o núcleo jovem da APRS, voltado e composto por psiquiatras em formação. Confira.

Quem faz a APRS?

Na década de 90, a fim de abarcar a expansão das atividades científicas da Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul – assim denominada em abril de 1974 –, foram criados os primeiros departamentos da organização: Psicoterapia e Psiquiatria Biológica. Também surgiu o Núcleo de Psiquiatria da Infância e Adolescência, hoje departamento.

Atualmente, a estrutura organizacional soma 35 subdivisões, sendo sete departamentos, seis núcleos, seis seccionais, 13 comissões e três comitês. O organograma da APRS vai muito além de ordenar e distribuir as responsabilidades e os limites de cada uma delas, apontando para um sistema qualificado e atento às demandas relativas à saúde mental no Estado, além de gerar um nível de comunicação e interdependência entre cada um. Também aponta a transparência e união de esforços de um grupo de médicos que atua de forma voluntária para atender essas demandas.

Núcleo de Psiquiatras em Formação

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ra o ano de 1988. O país vivia um período de redemocratização. Passados apenas três anos do fim da Ditadura Militar, havia uma necessidade latente entre as pessoas de participar de atividades e reunir ideias. Foi nesse contexto que tudo iniciou. Os então residentes de Psiquiatria Dinarte Ballester, Miriam Teitelbaum, Lisieux de Borba Telles e Mario Francisco Juruena, respectivamente da UFCSPA, Hospital de Clínicas, PUCRS, e Hospital São Pedro, conheceram-se no Congresso Uruguaio de Psiquiatria, em uma atividade voltada aos psiquiatras em formação do Cone Sul. Já em Porto Alegre, começaram a organizar a criação do que viria a ser o Núcleo de Psiquiatras em Formação. Apresentaram a ideia à diretoria da então Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (SPRS), que recebeu bem a ideia de servir como um espaço para sócios aspirantes da APRS em residência médica ou curso de especialização. Dado o aval, foi redigido um estatuto e iniciadas as ações. São 29 anos voltados ao desenvolvimento, sob vários aspectos, de novos especialistas em Psiquiatria, além do preparo dos colegas para a vida associativa e a formação de sua identidade profissional. O espaço também tem servido como incremento à formação, não só do ponto de vista técnico, mas também ético e social, com uma intensa programação de atividades científicas, troca de experiências e formações complementares

Os nomes por trás das ações Coordenador do Núcleo: André Luiz Schuh Teixeira da Rosa Vice-coordenadora: Mariana Paim Santos Vice-coordenador: Alexandre Kielich da Silva Integrantes:

Alexandre Kieslich da Silva / André Luiz Schuh Teixeira da Rosa/ Augusto Martins Lucas Bittencourt / Betina Lejderman / Clarissa Albuquerque /Cristiane dos Santos Machado / Daniel Heidemann de Moura / Diana Kuhn / Everton Franco Silva / Gabriely Isidro Guerra / Heloísa Queiroz Manella / Isadora Veronese Basso / José Bernardo Ramos Boeira Júnior / Júlia Frozi / Larissa Pacheco Garcia

Conheça o organograma da APRS acessando o link ou o código QR Code http://aprs.org.br/ departamentos/


ESPAÇO DO SÓCIO

Condutas Discriminatórias são foco de projeto om início no dia 11 de agosto de 2016, o Projeto Discriminação-APRS (PD-APRS) vem objetivando a apropriação do estudo, pela Psiquiatria, da Conduta Discriminatória (CD), cuja origem é basicamente psicológica e que produz sofrimento mental e/ou físico no discriminado. Em casos extremos, a situação pode chegar ao suicídio. A ideia é fazer com que a ciência psiquiátrica defina/diagnostique para servir como prevenção O projeto é coordenado pelo médico psiquiatra Telmo Kiguel, que afirma: “A psiquiatria ainda não definiu/diagnosticou as Condutas Discriminatórias. E que a definição seja compatível com o crime. A necessidade do diagnóstico deve-se também ao fato de que essa é uma conduta que faz o outro sofrer. Em Saúde Pública, para fins de prevenção, é necessário definir o agente causador do sofrimento humano, seja ele um vírus ou uma outra pessoa”. Psiquiatra e psicoterapeuta de orientação psicanalítica, o profissional tem interesse pelo tema desde o final da década de 60, quando se especializou em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

apropriação do estudo da CD com o objetivo de uma definição/diagnóstico compatível com a definição da Justiça. Telmo lembra que os avanços com a participação da ciência só ocorreram pela iniciativa dos grupos discriminados. Homossexuais pressionaram a American Psychiatric Association (APA) e a homossexualidade deixou de ser considerada doença. No Brasil, a Ciência Jurídica foi acionada para que a Conduta Discriminatória Racista e a Conduta Discriminatória Machista passassem a ser consideradas criminosas. Homossexuais ainda tentam conseguir que a Conduta Discriminatória contra eles também seja considerada crime.

Uma Conduta considerada criminosa requer um definição/diagnóstico pela Psiquiatria

Questionado sobre qual a importância de se definir a Conduta Discriminatória, ele aponta: “Em medicina e saúde pública, o melhor caminho para diminuir a ocorrência de um sofrimento e/ou de uma doença é a sua prevenção. E o primeiro passo para isso é definir/diagnosticar o agente causador do sofrimento. No caso poderia ser, por exemplo, um sintoma, um síndrome ou uma doença”. Ele explica que a origem da hipótese de que o discriminador poderia ser um doente está na antiga definição de doente mental: é aquele que faz mal para si ou para outros. “Por que alguém que faz tanto mal a outro deve seguir com uma denominação simples como discriminador racista, machista etc, se o mesmo já tem uma definição de conduta criminosa pela Ciência Jurídica? Uma Conduta considerada criminosa requer um  definição/diagnóstico pela Psiquiatria. O que estou propondo é que a ciência seja acionada, como já foi em outras situações, para definir as Condutas Discriminatórias”, defende Telmo. Hoje, na sociedade, assinala o psiquiatra, há somente duas instâncias que auxiliam a inibir as condutas discriminatórias: a ação organizada dos grupos discriminados e de seus apoiadores e o Direito, que já tipifica como criminosas determinadas condutas. Como o psiquismo está presente no decorrer de todo processo discriminatório isto indica a necessidade à

foto: Guilherme Santos Sul /21

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Objetivo é fazer com que a Psiquiatria defina, diagnostique e previna

“Infelizmente, até o momento, os grupos discriminados e seus apoiadores – lideres políticos, ativistas, organizações governamentais, ONGs, etc. – não tiveram interesse em acionar a ciência para prevenção das Condutas Discriminatórias, mesmo sabendo de seu eventual crescimento de ocorrências ao lado de outros avanços e conquistas , diz.

Atualmente conhecemos duas manifestações públicas e leigas neste mesmo sentido. A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, em seu premiado livro Americanah, aponta: “Alguém tem de ter a função de decidir quem é racista e quem não é. Ou talvez esteja na hora de esquecer a palavra “racista”. Encontrar uma nova. Como Síndrome do Distúrbio Racial. E podemos ter categorias diferentes para quem sofre dessa síndrome: leve, mediana e aguda”. António Guterres, Secretário-Geral da ONU, na sessão de abertura da 34ª, defende que as discriminações e o desrespeito aos direitos humanos devem ser prevenidos e definidos como doença.

Princípios que regem o projeto Quando uma conduta causa sofrimento/doença em si ou em outros e tem uma comprovação/definição científica ela começa a ser usada para prevenção. Um exemplo: todos sabem o que ocorre pelo excesso de velocidade no trânsito. E, por isso, a maioria respeita/previne as consequências. Outro exemplo: há dúvida se uma pessoa está com a temperatura elevada, recorre-se à ciência por meio de um termômetro e logo se esclarece. E, por fim, uma hipótese resumida para começar a compreender o discriminador: é uma pessoa que, por imaturidade, não aceita ideias pessoas que sejam diferentes sob aspecto étnico, cultural, sexual, de crenças religiosas e outras. 

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Jornal da APRS | 6ª Edição | Junho 2017  

Confira o Jornal da APRS, edição especial com destaque para o Congresso Gaúcho de Psiquiatria, que ocorre em agosto, em Bento Gonçalves (RS)...

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