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BOLETIM APP-INDEPENDENTE Nº 1

AGOSTO

2015

Democrática e de luta

OS ERROS COMETIDOS NA CONDUÇÃO DA GREVE UMA ANÁLISE DO PROFESSOR LUIZ CARLOS PAIXÃO, DO GRUPO APP-INDEPENDENTE SOBRE A GREVE DOS EDUCADORES(AS) DO PARANÁ.

1. O medo de uma greve prolongada!

A direção estadual da APP subestimou a disposição de luta da categoria Durante as duas greves, a direção estadual da APP defendia explicitamente ou nos bastidores o encerramento da greve. Em três assembleias estaduais, a diretoria estadual da APP teve que se render a vontade da maioria da categoria e assumir a defesa da greve. Nos dias que antecediam estas assembleias, dirigentes estaduais da APP agiam nos bastidores conclamando ao encerramento da greve. Exemplo disto, antes da categoria negar a primeira proposta do governo - pós tomada da Assembleia Legislativa, em fevereiro - uma dirigente estadual fazia dentro do acampamento em frente ao Palácio Iguaçu um grande esforço de convencimento. Segundo a mesma a categoria “deveria aceitar a proposta e encerrar a greve”. Dizia textualmente: “Licença especial e adiamento do PDE vai atingir só uma pequena parte da categoria. O mais importante já foi conquistado, a retirada dos projetos de Lei.” Neste, e em outros momentos de vacilo da direção estadual, a posição da OPOSIÇÃO SINDICAL, foi decisiva para a manutenção do movimento. O discurso era de que a oposição queria uma greve prolongada para desgastar a categoria. Ledo engano.

apresentou a proposta de realizarmos três ou quatro dias de paralisação durante a votação do projeto. A proposta da APP Independente era de retomada da greve pela previdência e pela reposição salarial. Foi um debate caloroso. Ao final a direção mudou de opinião e acatou a proposta de greve, mas apenas para os os dias de votação do projeto do governo da PRprevidência. A questão salarial seria alvo de uma outra mobilização. Era nítido o medo da direção da APP de iniciar uma nova greve. Mas depois do dia 29 de abril, era impossível outro cenário que não fosse a greve. Nos bastidores circularam informações de que havia expectativa da direção da APP, de que os 145 milhões que seriam aliviados do caixa do estado para pagamento de aposentadorias

seriam utilizados para o pagamento da reposição da data-base. O líder do governo na Assembleia Legislativa repetiu isto por diversas vezes.

3. A direção estadual confiou em um acordo com o governo sobre a PRprevidência! Já o governo utiliza força policial para aprovar as mudanças

2. A direção da APP secundarizou a luta pela Previdência!

A prioridade à pauta da previdência foi garantida graças a ação da oposição Um dos temas polêmicos nas reuniões do Comando Estadual de greve foi a luta contras as medidas do governo para a Previdência. Durante a primeira greve, travamos uma verdadeira batalha no Comando de Greve. Enquanto dizíamos que sem saber o que o governo faria na previdência não deveríamos sair da greve, a direção da APP secundarizava o debate. Para tanto, apresentava dois argumentos: o primeiro era de que o tema era muito complexo, e que a categoria não tinha elementos para ter uma compreensão maior dele. O outro argumento utilizado como um mantra, era de que a Previdência não poderia ser alvo de luta apenas da nossa categoria, e sim do conjunto dos servidores. Com isto, abriu mão do protagonismo criado pela própria greve. Na verdade, a direção não apostava que o tema da previdência pudesse ser suficiente para manter a categoria mobilizada. Algumas falas dúbias de dirigentes estaduais da APP chegaram a afirmar de que “estas alterações não eram tão ruins assim”, e que de fato, algumas mudanças deveriam ser feitas. Já a APP Independente defendia que a categoria só poderia sair da greve após a definição da Previdência. Enquanto isto, a direção estadual da APP reivindicava do governo, mais tempo e uma comissão para debater as alterações da PRPrevidência. O governo que já tinha em mãos a sua proposta, acatou a proposta para por fim a greve, e aproveitou o artificio para tentar legitimá-la num simulacro de negociação. Prevendo que isto aconteceria, propusemos na Assembleia que encerrou a primeira greve no Paraná Clube, a seguinte proposta: retomada imediata da greve assim que o projeto do governo da PRPrevidencia entrasse em votação na ALEP. A proposta não foi aprovada. A estadual da APP fez uma defesa contrária a proposta, pois parecia acreditar na tal mesa de negociação sobre o tema entre governo e o Fórum dos Servidores. Com isto, o governo ficou sem a pressão de uma possível greve. Nossas suspeitas se confirmaram. Logo após o final da greve o governo apresentou sua proposta. Seu objetivo era evidente; utilizar o dinheiro da PRPrevidência para sanear as contas do estado. Após a proposta do governo, houve vacilo da Estadual da APP, que não se posicionou firme contra a proposta. Precisou os grupos de oposição chamarem a atenção do caos da proposta. As categorias do Fórum se dividiam entre a necessidade de convocar greve contra as mudanças pretendidas pelo governo e os trabalhadores(as) do ensino superior foram os primeiros a aprovar o indicativo de greve em defesa da Previdência dos servidores(as). Neste contexto, a APP-Sindicato marca uma Assembleia Estadual para Londrina no dia 25 de abril. O projeto do governo iria para a Assembleia Legislativa na semana seguinte. Na reunião do Conselho Estadual da APP, dia anterior à Assembleia, a direção estadual

A direção da APP para suspender a primeira greve apostou na criação de uma reunião entre o Fórum das Entidades Sindicais de Servidores Públicos do Paraná e o governo para discutir alterações na PRprevidência. Conforme prevíamos, o governo tinha uma proposta, que manteve depois de uma reunião com o Fórum. A comissão defendida pela direção estadual da APP só criou uma falsa expectativa na categoria, e deu fôlego para o governo fazer as mudanças que queria na PRprevidência. Lamentável! Estudos mostraram que mais de 70% do ajuste fiscal realizado pelo governo, viria das mudanças na PRprevidência. Quando a direção estadual se deu conta da gravidade do momento, já era tarde. Só nos restava uma única alternativa a resistência em frente à Assembleia Legislativa nos dias 28 e 29 de abril. Para aprovar sua proposta, o governo, que nunca teve dúvida do que queria fazer com a nossa previdência, patrocinou um dos maiores massacres ocorridos no país contra uma categoria de trabalhadores (as) em educação. A determinação era tanta que montou uma operação de guerra em frente ao Palácio Iguaçu.

4. A direção estadual da APP limitou a pauta da segunda greve Temas como dobra de padrão, saúde, PDE, licenças e Piso Salarial do professor

ficam fora da negociação.


PARTE 2

A estratégia da direção estadual da APP, de limitar a negociação da previdência aos limites do Fórum dos Servidores, foi um dos principais erros da greve. Com isto, pautas importantes da categoria ficaram praticamente fora da mesa de negociação. Na segunda greve, a negociação da pauta da educação ficou reduzida às reuniões entre governo e Fórum. Ou seja, em sua maioria não foi debatida. As reuniões, que contavam com cerca de 20 entidades debatiam especificamente previdência e data-base. Não havia espaço para reivindicações específicas das categorias. Os (as) professores (as) e funcionários (as), uma das poucas categorias em greve, só tinham um ou dois representantes na mesa de negociação. O presidente da APP deixou de ser o porta voz destas negociações para a sociedade. Ficou subsumido em meio à coordenação do Fórum. Em todas as greves da APP, sempre havia rodadas de negociação entre o governo e o sindicato sobre a pauta definida pela Assembleia da categoria. Nesta segunda greve isto não aconteceu. Assim, temas como Piso Nacional, PDE, Licença-Especial, dobra de padrão, pagamento de avanços, saúde, concurso público, contratos PSSs, enquadramento dos aposentados, eleições de diretores ficaram sem debate. Uma verdadeira tragédia!

a categoria logo rejeitou a proposta! Porém, a direção da APP não o fez oficialmente. Inclusive no Conselho Estadual da Entidade, um dos diretores estaduais afirmou que se a proposta fosse recusada oficialmente pelo sindicato, o governo poderia retirá-la e aí a

Como pode uma categoria em uma greve tão forte abrir mão do seu poder de negociação? Por inabilidade ou confusão da diretoria estadual, isto aconteceu literalmente na segunda greve. Desta forma, os dois representantes da oposição não puderam participar do andamento das negociações. Aliás, em algumas reuniões nem o próprio presidente da APP participou. A representante da APP no Fórum, Profª. Marlei era a voz da direção nestas reuniões.

categoria ficaria sem nada. Na Assembleia que pôs fim a greve, a direção da APP não colocou a proposta do governo em apreciação da categoria. Ao definir pelo encerramento da greve , indiretamente votou-se pelo acatamento da proposta ridícula do governo. É evidente que havia um sentimento muito forte na categoria para o encerramento da greve, especialmente nas cidades do interior onde os ataques e o assédio moral realizados pelos partidários do governo estavam muito fortes sobre nossa categoria.Porém, os termos de encerramento da greve foram insatisfatórios. A posição da direção da APP foi tão esquisita, que quando o projeto de Lei dos 3,45% foi para a aprovação na Assemblea Legislativa, a direção da APP não organizou uma ação para a aprovação da emenda dos 8,17%. De início, deputados receberam orientação para não apresentar emendas aos 3,45%. Mesmo com o apelo inicial de dirigentes estaduais da APP, deputados de oposição resolveram apresentar as emendas.

5. Atraso de lançamento da campanha salarial!

Com a data-base em maio, direção estadual da APP lança campanha salarial só no dia 25 de abril

Se não fosse a inciativa dos Núcleos da APP Curitiba Norte e Metrosul, não teríamos campanha organizada para a aprovação da emenda dos 8,17% e de questionamento do absurdo dos 3,45% em outubro.

Como sabemos a data-base do funcionalismo do Paraná é em maio. No entanto, a direção estadual da APP lançou a campanha salarial somente no dia 25 de abril, em Londrina. Nós da APP-Independente, já alertávamos sobre a demora do lançamento da campanha. Já devíamos estar cobrando do governo o reajuste do Piso Nacional (11,01%) anunciado em janeiro pelo MEC, e os 8,5% da data-base nos meses anteriores. Fora isto, ficou evidente que diretoria estadual da APP não pretendia colocar a questão salarial como centro da segunda greve. A argumentação era de que a luta salarial poderia ser feita no final de maio. A defesa da direção era de que a segunda greve terminasse logo após os dias de votação da Prprevidência ( 28 e 29 de maio). Nós defendemos a greve por tempo indeterminado, com uma Assembleia para avaliação no dia 05 de maio. Nossa proposta de data não foi aprovada, visto o desejo da direção de convocar a assembleia logo após a votação da PRprevidência, e assim finalizar o movimento. A conjuntura fez com que de fato a assembleia acontecesse no dia 05 de maio e aprovasse a continuidade da greve conforme defendiam os grupos de oposição à direção da APP. Nesta assembleia, a APP-Independente defendeu a inclusão da luta salarial como pauta da greve. A direção estadual fez defesa contra. Para ela, não era o momento de jogar força na campanha salarial. Assim, a segunda greve seria simplesmente para o tema da Previdência. Só na Assembleia Estadual do dia 05 de maio que conseguimos colocar a reivindicação salarial como uma das pautas centrais da greve.

6. A direção da APP não queria greve para a questão previdenciária e nem para a data-base. Embora nem sempre se manifestassem m publicamente, dirigentes da APP faziam a defesa de trocar a greve por um calendário de mobilizações.

A primeira reunião entre o Fórum (não era mais com a APP) e o governo sobre a data-base, aconteceu no dia 28 de manhã. O que se viu foi um governo sem proposta. O tema não estava na agenda do governo, e há pouco tempo havia entrado na agenda do sindicato. Os resultados já sabemos. Reuniões e nada de proposta. Isto só deu combustível a greve. Em assembleia ocorrida logo após o massacre, novamente dirigentes da APP atuavam para finalizar a greve. Em reunião, o governo apresentou a proposta de 5% de reposição da inflação. Para não ser atropelada pela categoria, a direção não teve outra escolha a não ser a fazer a defesa pública da continuidade da greve.

7. Negociação da data-base: uma catástrofe de 5% para 3,45% Diretoria da APP recebe proposta do governo para por fim a greve.

Para dar fim a greve, por intermédio de deputados estaduais, o governo apresentou uma nova proposta para os servidores, que foi apresentada em ritmo de festa com direito até a foto polêmica com deputados e integrantes do Fórum dos Servidores (entre estes dois dirigentes da APP). Com a proposta, que previa 3,45% para outubro, e a inflação de 2015, em janeiro de 2016 prevista para 8,50%, já havia termos para o encerramento da greve. Desconfiada

O descontentamento da categoria aumentou quando viu que para os servidores do Poder Judiciário, os deputados aprovaram, a pedido do governo os 8,17%. E pior, agora temos que escutar o governador dizer em todos os lugares que a crise financeira do estado está equacionada. Que o ajuste fiscal feito no início do ano equilibrou as contas. Ou seja, mais uma vez os problemas criados pelo governo são resolvidos à custa do sacrifício dos trabalhadores. E na categoria muitos perguntam: O que fez o sindicato negar os 5% - que o governo anunciou em seu site oficial no dia (19/05) - e aceitar os 3,45%?

8. Fazer um discurso para o governo e outro para a categoria O fato da direção estadual da APP se comprometer com o governo, com um possível encerramento da greve em determinados momentos da negociação, e não conseguir dar consequência a isto nas assembleias estaduais da categoria, fez com que a direção perdesse credibilidade no processo de negociação. O próprio secretário da Casa Civil do governo Richa, afirmou em entrevista que a primeira greve não havia terminado, porque a direção estadual da APP não tinha o controle do movimento. Havia outros grupos que estavam dificultando um acordo. Em nota pública o governo dizia: “O Governo do Estado lamenta profundamente o fato de o comando de greve dos professores não ter honrado o que foi acordado na última reunião de negociação realizada na quarta-feira, 25 de fevereiro. (...) A percepção é de que existe uma divisão entre grupos dentro do comando grevista... “ ( em 2/03/2015). Isto ficou nítido nas greves. Nas vésperas das assembleias quando dirigentes faziam a defesa do encerramento da greve, e na assembleia mudavam de opinião.


9. Indecisão da direção estadual deixou greve em um vazio 12. Faltou segurança jurídica durante a greve organizativo Apesar de ter contratado um bom escritório jurídico para acompanhar as ações da greve, a Após assembleia do dia 05 de maio, a greve ficou por quase dez dias sem ações organizativas em nível estadual.

Após o massacre do dia 29 a categoria realizou um grande ato público em Curitiba e uma Assembleia Estadual no dia 05 de maio. A direção estadual se organizava para o encerramento da greve nesta data. Uma audiência ocorreria com o governo. A expectativa era de que o governo apresentasse o pagamento da data-base ou integral ou em parcelas. No entanto, a direção foi surpreendida pela proposta do governo de 5% para a data-base. Momentos antes da Assembleia, percebeu que não tinha mais clima para suspender a greve. Mas como não se preparou para o cenário de continuidade da greve, a direção estadual não tinha propostas de fortalecer o movimento. Coube a APP-Independente propor a constituição de acampamentos em todo o estado, e a continuidade do acampamento, batizado de “formigueiro” em frente ao Palácio Iguaçu. A

direção estadual da APP concordou com ações regionais, mas defendeu contra a manutenção do acampamento no Centro Cívico. Ganhou a votação na Assembleia. Diante disto, já na assembleia, o NS Curitiba Norte anunciou que, como havia sido aprovado acampamentos regionais, o acampamento do Curitiba Norte seria em frente ao Palácio Iguaçu. A direção estadual ficou contrariada com a decisão do NS Curitiba Norte. Nos dias que se passaram, pouca importância deu ao acampamento em frente ao Palácio organizado pelo Curitiba Norte. O acampamento era um ponto de encontro e um símbolo de resistência da categoria e não haviam ações estaduais e orientações de ação nos grupos e os núcleos sindicais utilizaram a criatividade para manter a greve forte. Este vazio organizativo só terminou com a realização de uma reunião do Comando Estadual de Greve, que definiu pela realização de ocupação dos Núcleos de Educação e da Secretaria da Fazenda. Era a última cartada para o encerramento da greve.

10. Ataques do governo à categoria não foram respondidos à altura pela direção estadual da APP-Sindicato Em uma estratégia de jogar a população contra a greve, o governo com seus aliados nos municípios, jogou pesado nas redes sociais, fazendo uma grande campanha de desmoralização do movimento, divulgando nominalmente pseudos salários dos professores(as) e funcionários(as) de escolas, para dar a ideia de que a categoria estava “ chorando de barriga cheia”. Em vários munícipios os salários de professores (as) foram expostos em murais. Vereadores contrataram carros de som convocando os estudantes para voltar às aulas. A atitude do governo abalou emocionalmente vários educadores(as) principalmente nos munícipios menores. O movimento começou entrar em uma fase de desgaste. Estava bem mais difícil manter a greve. A direção da APP errou de novo, ao subestimar mais esta ação do governo. Em nenhum momento, por exemplo, foi a mídia fazer a defesa da categoria contra os ataques de Beto Richa. Demorou muito para agir. Poderia, por exemplo, comprar anúncios na TV em rede estadual, para levantar a moral da categoria, do mesmo modo que fez após o final da greve. Mas aí já era tarde.

11. Encerrar a greve sem negociar calendário de reposição e de outros itens da pauta como Piso Nacional, dobra de padrão , saúde e eleições de diretores A forma de encerramento da greve é uma das grandes responsáveis pelo momento que estamos vivendo na educação .

A vontade da direção estadual de terminar a greve era tanta, que encaminhou o encerramento no afogadilho, sem definir um bom termo para o seu encerramento. Se na greve é difícil discutir algo com o governo, imaginemos após a greve. Saímos da greve sem um acordo sobre o calendário de reposição, e sem método e espaço para discutir outros itens da pauta. O informe da direção estadual, tanto na reunião do Conselho Estadual como da Assembleia da APP, era de que os termos de encerramento da greve eram razoáveis. Terminada a greve, vimos uma direção estadual mendigando reuniões com o governo, que até hoje quando acontecem, tem resultados sofríveis. Parece que a estadual tem o papel de ser mero repassador das informações do governo para a categoria, sem ter poder algum de negociação. Ainda sobre a reposição, foi necessária a ação das escolas, do Conselho Estadual de Educação, para que o governo flexibilizasse os calendários de reposição, para assim garantir a autonomia das escolas.

direção estadual da APP deixou a categoria amedrontada e insegura em relação às decisões no judiciário. Em alguns momentos esta insegurança era visível na própria direção da APP. Isto fez com que o Judiciário, aliado do governo pautasse em vários momentos greve da educação. A insegurança da direção provocou insegurança na categoria. Faltaram os argumentos políticos da luta para suplantar os argumentos jurídicos. Vários educadores ficaram receosos de que teriam que retirar dinheiro do bolso para pagar a multa concedida, em primeira instância, a favor do governo e contra a APP-Sindicato. Cada decisão judicial causava uma baixa na categoria. E a direção estadual, ao invés de rapidamente levantar a moral dos educadores(as) parecia sucumbir ao sabor das decisões. Pouco se falou das possibilidades de êxito nas outras instâncias do judiciário. O direito legal da greve se transformou no medo de fazer greve.

VAMOS SEGUIR EM FRENTE, JUNTOS E MAIS FORTES! O Grupo APP-Independente, democrática e de luta, apontou nessa análise alguns erros cometidos na condução da greve pela direção estadual da APP. Acreditamos que o resultado da nossa greve poderia ter sido melhor se estes não tivessem ocorrido. Há tempos temos feito críticas ao modelo de gestão praticado por boa parte das organizações sindicais, e muito presente na nossa APP: um modelo de concepção autoritário, verticalizado e burocrático. Este modelo não dá mais conta de superar os desafios que a classe trabalhadora e os educadores(as) têm pela frente. A alteração deste modelo de gestão é uma das principais críticas que o grupo de oposição APPIndependente, democrática e de luta faz a atual direção estadual da APP-Sindicato. Para nós quanto mais horizontais forem as relações da direção e da categoria, mais forte e preparada nossa categoria estará. Destacamos a nobreza da categoria na participação destas duas greves realizados no primeiro semestre deste ano. Fomos gigantes! Educamos a sociedade. Aproveitamos para realçar aqui a importância de termos grupos de oposição organizados na APP-Sindicato. Não para dividir, mas para discutir e apontar caminhos. Todos nós ganhamos. A pluralidade de opiniões sempre deve deixar nossa categoria mais forte e democrática. Não podemos cobrar democracia na sociedade e negá-la no espaço da luta sindical. Ser oposição não é ser contra o sindicato. Muito pelo contrário. Independente do pensamento de cada um e cada uma, é fundamental termos como horizonte o fortalecimento do sindicato, que é um dos poucos instrumentos que nós trabalhadores e trabalhadoras temos para valorizar a nossa profissão. Um sindicato fraco é sinônimo de uma categoria frágil. É nesta perspectiva que constituímos um grupo de oposição organizado em praticamente todas as regiões do estado do Paraná. Não para simplesmente disputar as próximas eleições sindicais, mas especialmente para discutir ações e propor medidas para alterar a condição de desvalorização que a educação pública enfrenta em nosso estado. Lutamos para que em um breve espaço de tempo, nossa profissão seja uma das mais atrativas para aqueles jovens que ensinamos em nossas salas de aulas. É sempre salutar para qualquer organização de natureza política ter pluralidade de ideias e de grupos de atuação. Durante a greve, nos momentos em que houve algum vacilo da direção estadual, os grupos de oposição, e especialmente, a APPIndependente, democrática e de luta, junto com a categoria, fizeram a diferença. Com erros e acertos deram, por diversas vezes direção ao movimento. Passado a greve é hora de nos prepararmos para os próximos embates com o governo. Nossa luta não para! APP-Independente, democrática e de luta!

APP-INDEPENDENTE, DEMOCRÁTICA E DE LUTA: QUEM SOMOS NÓS? A APP Independente, democrática e de luta é um grupo de Oposição a atual direção estadual da APP-Sindicato. Entendemos que a pluralidade de opiniões sempre deve deixar nossa categoria mais forte e democrática. Ser oposição não é ser contra o sindicato. Muito pelo contrário. Independente do pensamento de cada um e cada uma, é fundamental termos como horizonte o fortalecimento do sindicato, que é um dos poucos instrumentos que nós trabalhadores e trabalhadoras temos para valorizar a nossa profissão. O grupo APP-Independente, democrática e de luta é composto por professores (as), pedagogos (as), funcionários (as) e aposentados (as), atuantes do chão da escola, comprometidos com a luta em defesa da educação pública e dos educadores. O grupo APP-Independente, democrática e de luta está presente em praticamente todas as regiões do Paraná. Somos direção da APP em 12 núcleos sindicais, entre estes os dois maiores do Paraná. Veja quais são os núcleos dirigidos pelo grupo APP-Independente, democrática e de luta: NS Curitiba Norte, NS Londrina, METROSUL - Região Metropolitana Sul, NS Cornélio Procópio, NS Cambará, NS Jacarezinho, NS Ivaiporã, NS Irati, NS Paranaguá, NS União da Vitória, NS Umuarama, NS Mandaguari. Apesar de vários problemas éticos e irregularidades nas últimas eleições da APP recebemos quase 505 dos votos dos sindicalizados da APP. Somos um grupo de oposição não para simplesmente disputar as próximas eleições sindicais, mas especialmente para discutir ações e propor medidas para alterar a condição de desvalorização que a educação pública enfrenta em nosso estado. Lutamos para que em um breve espaço de tempo nossa profissão seja uma das mais atrativas para aqueles jovens que ensinamos em nossas salas de aulas. Temos como norte a construção de um mundo melhor, justo e humano. Por isto, reconhecemos a importância da participação do sindicato nas lutas das demais categorias de trabalhadores(as) organizados(as) em centrais sindicais classistas e na CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Faça parte do grupo APP-Independente, democrática e de luta! Queremos discutir com você ideias e propostas para melhorar o nosso sindicato ,e consequentemente fortalecer as lutas de nossa categoria.


DEMISSÕES POLÍTICAS MANCHAM TRADIÇÃO DEMOCRÁTICA DA APP-SINDICATO!

Companheiros José Carlos e Augusto, que estão entre os demitidos da APP-Sindicato.

Funcionários da APP vem sofrendo perseguições políticas e demissões unicamente porque nas eleições passadas demonstraram simpatia pelaC hapa 2, APP Independente, democrática e de luta. Repudiamos veementemente esta postura, própria dos tempos da Ditadura Militar, onde pensar diferente era crime. Agem como se o dinheiro da APP fosse deles. Alguns desses demitidos tinham mais de 20 anos de casa. Demitem sem nenhuma preocupação com a sobrevivência e o futuro dos demitidos. Agem como patrões para quem o trabalhador é apenas um número. Agem de forma pior que a de Beto Richa e assim, perdem a moral para combatê- lo. Que não venham com a desculpa esfarrapada de medida de economia porque sabemos muito bem quanto a APP arrecada e onde vai o dinheiro dos sindicalizados. Em outras organizações onde esses (as) dirigentes militam, gritam contra as injustiças. Dentro da APP são os promotores delas. Quanta incoerência! A APP-Independente, democrática e luta, pede a imediata as revisão dessas medidas injustas e o fim dessas perseguições. Elas não cabem numa entidade com a trajetória da APP-Sindicato, que sempre pautou sua existência na luta pelos direitos dos trabalhadores. Emprestamos aqui toda a nossa solidariedade aos funcionários (as) demitidos (as), e aos que nesse momento, vivem um clima de terror pelos corredores da entidade, com medo de serem “os próximos”. Que nesse momento de dificuldades, todos(as) possam ter a serenidade para seguir no bom caminho, sem nunca abrir mão de seus direitos e prosseguir firmes na luta contra as injustiças, venham elas de onde vierem.

REPUDIAMOS O DESMONTE DA EQUIPE QUE DURANTE QUINZE ANOS, TRABALHOU JUNTO AOS MUNICIPAIS! A APP-Sindicato é representante de todas as Redes Municipais de Ensino, onde não há sindicatos próprios que representem os profissionais da Educação. A entidade vem se destacando durante 15(quinze) anos, devido aos avanços e conquistas obtidas em favor dos educadores (as) de dezenas de municípios do Paraná. Tais avanços permitiram crescimento na conscientização, fiscalização, composição e desempenho das funções dos Conselhos de Fiscalização do FUNDEB e dos Conselhos Municipais de Educação. Outro ponto que merece ser destacado, é a construção e aprovação de carreiras para professores (as), e o início das discussões para construir as carreiras para os funcionários (as) das escolas municipais. Destaca-se também a assessoria para a construção de Leis para realização de eleições de diretores(as) nas escolas municipais, avaliação de desempenho, prestação de contas dos recursos da educação, Lei de Responsabilidade Fiscal , dentre tantos outros serviços de apoio aos sindicalizados, além da formação continuada. Devido a atuação da Secretaria de Assuntos Municipais da APP-Sindicato, a base sindicalizada no seguimento de redes municipais, saltou de 200(duzentos), para 10.000 (dez mil) sindicalizados, enquanto o número de municípios que integram essa base, saltou de (9 (nove), para 200 (duzentos). Ocorre que durante os 15 (quinze) anos de trabalho, a estrutura humana e física da Secretaria de Assuntos Municipais da APP-Sindicato ficou pequena para

prestar atendimento qualificado à toda essa imensa base, obrigando a equipe a se desdobrar, com os profissionaios e dirigentes chegando muitas vezes bem próximos da exaustão. Várias foram as tentativas e pedidos apresentados à Direção Estadual da APP, para aumentar a estrutura. Porém o Secretário da pasta não obteve sucesso, já que a corrente majoritária na direção da APP, argumentava que a Secretaria “já possuía uma estrutura muito grande”. A surpresa foi que após as eleições de 10 de setembro de 2014, a diretoria estadual eleita (Chapa 1), abandonou o atendimento às redes municipais, provocando inúmeras reclamações, revolta e consequentes desfiliações. Ao mesmo tempo em que as redes muncipais foram abandonadas e causando muita estranheza, foram contratados novos (as) funcionários (as) de modo a quase dobrar a estrutura existente, sem o devido retorno aos sindicalizados(as). Diante de todo o quadro de desrespeito e falta de esperança, denunciamos e repudiamos mais essa atitude da atual Direção Estadual, no que se refere a política desempenhada para o atendimento às redes municipais. Repudiamos ainda a demissão da equipe de assessoria que por 15 (quinze) anos construiu o projeto de atuação da APP nos municípios. Os profissionais foram simplesmente descartados, devido a posicionamento político que assumiram no processo eleitoral, e que é plenamente garantido no Estatuto da APP-Sindicato.

29 DE ABRIL DE 2015 E 30 DE AGOSTO DE 1998, DIAS MARCADOS PELA VIOLÊNCIA CONTRA EDUCADORES(AS) Nenhum(a) educador(a) paranaense, jamais poderia imaginar que a história ocorrida em 30 de agosto de 1988 tornasse a acontecer no Paraná. O pesadelo daquele dia já estava marcado para sempre, como um dia de vergonha para os governantes da época, em especial para o ex-governador e hoje senador, Álvaro Dias. Mas a história se repetiu duas vezes, em menos de 24 horas. No dia 28 de abril de 2015, vários trabalhadores (as) da educação e servidores(as) já tinham sido vítimas da truculenta polícia de Richa, comandada por Francischini, o Heinrich

1 MILHÃO DE REAIS GASTOS NA OPERAÇÃO! 213 FERIDOS PELAS BALAS E BOMBAS 2.516 POLICIAIS USADOS

Himmler da Araucárias. Em nome de Hitler, Himmler criou o Einsatzgruppen e construiu os campos de extermínio. Foi no que a Praça Nossa Senhora de Salete foi transformada no dia 29 de abril de 2015. Se não houve mortes físicas como nos campos de concentração nazistas, morreu nesse dia a dignidade e a honra do Governo Richa, que entra para história como um dos grandes facínoras desse país. Dezenas de professores (as) e servidores (as) foram transformados em alvos e atingidos no rosto por balas de borracha, numa operação que custou perto de um milhão de reais aos cofres públicos, contablizados aí as diárias dos policiais e o material“bélico”utilizado na guerra contra pessoas desarmadas. Do Palácio Iguaçu, assessores filmaram a “operação”, comemorando cada vez que um professor (a) ou servidor (a) era atingido pela bombas de gás ou pelos jatos d´água do “camburão da vergonha”. Depois do fato consumado para justificar sua covardia, o Governo mentiu tentando transformar as pessoas que estavam na frente do Centro Cívico em “black-blocks”. Uma patética tentativa de justificar o “injustificável”. O vinagre dos estudantes da UEL virou “coquetel molotov”, as pamonhas de um vendedor de comida, “bombas caseiras” e por aí afora. Que vergonha desse Governo! Beto Richa e seus aliados pagarão nas urnas e na justiça o que fizeram nesse dia. O líder do Governo na Assembleia Legislativa Estadual, Ademar Traiano, enquanto a PM massacrava os trabalhadores(as), conduzia a Sessão normalmente, dizendo que o que acontecia lá fora, “não era responsabilidade dele”. Quanta indifrença e quanto desprezo pela vida dos cidadão do Estado dele, seres humanos que naquele momento estavam sendo tratados (as) como animais. Isso não passará jamais. Aqueles que pensam que esses dois dias serão varridos para baixo do tapete da história, estão enganados. Os que pensam que em trinta dias “tudo será esquecido”, estão enganados. Os educadores(as) do Paraná jamais vão permitir que isso aconteça. NÃO ESQUECEREMOS JAMAIS!


Boletim APP Independente - Agosto