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Ano LXVII nº 258

ESPECIAL MEGATRANS

Confira flashes da ação em alguns pontos do país

HISTÓRIA DE MISSÕES

Transtotal quando tudo começou há 38 anos


PALAVRA DO DIRETOR

Missões, Uma Chama que nunca se apaga. N

esta edição expressamos nossa gratidão a Deus pela vida da querida missionária Margarida Lemos Gonçalves que faleceu em junho passado. Também homenageamos in memoriam alguém que dedicou mais de 60 anos de sua vida ao trabalho missionário no Brasil. A missionária Guida, como era carinhosamente chamada pelos mais íntimos, viveu para servir ao Senhor e ao próximo. Nunca buscou seus próprios interesses. Sua vida foi vivida com exclusividade para cumprir o ministério que recebeu do Senhor Jesus e testemunhar, com alegria e paixão, do amor de Deus revelado na cruz do calvário. Sua fé era contagiante e inspirava a todos. Seu exemplo de compromisso com a causa do Mestre e com a chamada missionária servirá para inspirar e despertar vocações nesta e nas próximas gerações. Neste período que nos dedicamos aos 100 dias de oração e à evangelização em todo o país com a megatrans, somos desafiados pelo testemunho dessa querida missionária, que foi exemplo de oração e evangelização em todo o seu ministério, a perseverar e a manter o foco no “ide e pregai” da Grande Comissão. Seu testemunho de vida nos encoraja e anima a continuarmos orando sem cessar e aproveitando todas as oportunidades para falar de Jesus como ela sempre fez, mesmo no leito do hospital onde viveu seus últimos dias. As novas gerações precisarão conhecer a história de bravura e coragem de uma jovem que deixou o Rio de Janeiro para embrenhar-se nos sertões do Brasil, quando os recursos e acessibilidades eram mínimos, para tão somente proclamar e abençoar vidas com o Evangelho de Cristo Jesus. Uma serva do Senhor que deixa muitas saudades, mas temos o consolo e a alegria de que um dia estaremos todos juntos na glória celestial. Até lá.

Campanha: Seja Luz! Desejamos também agradecer a todos os irmãos e irmãs pelo envolvimento com a campanha dos 100 dias de oração que impactarão o Brasil. Louvamos a Deus por todas as igrejas que se comprometeram em orar sem cessar durante todo o período da campanha, formando uma grande muralha de oração. Agora, quando estamos em plena mobilização com a TRANS, oramos para que milhares sejam alcançados com a Palavra de salvação. É tempo de avançar! Recuar, jamais! Pr. Fernando Brandão Diretor Executivo 1


ÍNDICE Cartas e e-mails.............................................................. 3 Gente que faz Missões Americanos fazem evangelismo em Porto de Galinhas............... 4 Saúde para os ribeirinhos........................................................... 6

Testemunho Vale a pena semear..................................................................... 8

Sempre Orando Agenda de oração de Agosto de 2012................................... 10

Radical Brasil Mais Radicais são formados...................................................... 12

Clubinho Missionário MEGATRANS.............................................................................. 14

Matéria de Capa Margarida completou a carreira............................................... 16

Uma publicação da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira Ano LXVII nº 258 Tiragem: 40.000 Julho/2012 Direção Executiva Pr. Fernando Brandão Gerência Executiva de Soluções Estratégicas Pr. Jeremias Nunes Redação Jornalista Responsável Marize Gomes Garcia – DRT 25.994/RJ Ana Luiza Menezes Tiago Pinheiro Monteiro Revisão Adalberto Alves de Sousa Arte Oliverartelucas

Especial Megatrans Em todo o Brasil, batistas estão levando a luz de Cristo aos que estão em trevas................................................................. 22

Panorama Missionário Notícias do campo................................................................... 24

Entrevista Cumprindo a vontade de Deus................................................. 26

História de Missões Trans: Uma experiência válida para toda a vida........................ 28

A Grande Comissão Ontem, hoje... E amanhã........................................................... 31 2

Nossa Missão: Conquistar a Pátria para Cristo. Nossa Visão: Ser uma agência missionária dinâmica e criativa, com excelência na gestão missionária, voltada para servir às igrejas da CBB no cumprimento da sua missão. Endereço da Sede: Rua Gonzaga Bastos, 300 Vila Isabel - 20541-015 Rio de Janeiro – RJ Telefax: (21) 2107-1818


EDITORIAL Sejamos luz, assim como ela foi A matéria de capa desta edição é uma pequena homenagem à missionária Margarida Lemos Gonçalves, falecida no dia 13 de junho. Registramos um pouco do muito que Deus fez através da vida desta amada irmã, com algumas fotos de diferentes momentos vividos por esta serva fiel. Também na Grande Comissão, publicamos um artigo inédito de sua autoria. Tudo é pouco diante deste grande ícone da obra missionária nacional, que cumpriu sua carreira, guardando a fé até o fim e que deixou incontáveis frutos. Por falar em frutos, estamos em plena semeadura dos campos em todo o Brasil com a megatrans e nesta edição temos relatos de pessoas que já participaram desta mobilização evangelística. Em História de Missões (página 28), pastor Neto relembra sua participação na primeira Trans realizada por Missões Nacionais. No congresso SIM, todos somos vocacionados, realizado no mês de junho, três jovens que tinham participado da Trans em Porto Alegre se encontraram e compartilharam suas experiências, confira na seção dos Testemunhos (Página 08). Criamos também a seção Especial Megatrans (Página 22) com alguns flashes do que está acontecendo em diferentes pontos de nosso Brasil. É o povo de Deus que está refletindo a luz de Cristo por todos os estados de nossa Pátria. Na seção Gente que faz missões (Página 04) você vai ver exemplos de vidas que tomaram a decisão de ser luz em diferentes locais. Enquanto uma equipe de irmãos americanos realizou um impacto evangelístico em Porto de Galinhas, PE, um grupo de irmãos da região de Campinas, SP, levou saúde aos ribeirinhos da região de Cachoeira do Ararí, PA. Conheça nesta matéria como você pode ser luz para as comunidades ribeirinhas. Margarida Lemos Gonçalves certamente é um bom exemplo de alguém que decidiu ser luz em todos os momentos de sua vida, até que o Senhor a chamasse a ouvir: Vinde, bendita de meu Pai. Mas pela graça de Deus, muitas outras vidas estão refletindo a luz de Cristo no envolvimento com a obra missionária em toda a nossa nação. Há lugar para cada um dos filhos de Deus nesta grande obra de levar luz a um Brasil em trevas. Sejamos, cada um de nós, multiplicadores desta maravilhosa luz a iluminar nossa Pátria amada. Marize Gomes Garcia Gerente de Jornalismo Institucional

CARTAS E E-MAILS Neste espaço, publicamos opiniões, sugestões e comentários deixados em nossas redes sociais ou recebidos por cartas ou e-mails. Participe você também, enviando sua colaboração. “Aproveito para parabenizá-los pela campanha “Seja Luz”, que já está sendo uma bênção na vida da minha igreja. Deus continue abençoando a todos!” Pr. Wladimir Lins 1ª IB de Banco de Areia - Mesquita – RJ Por e-mail

“Esse programa representa um novo passo para conquistar a Pátria para Cristo. Eu apoio essa iniciativa. Nosso desejo é que venhamos a fazer diferente de outros movimentos que têm usado a TV para simplesmente buscar vantagens financeiras... Que ilumine nossa liderança.” Miriam No Youtube

“Sempre orei pelos missionários do nosso país. Missões é feita pelos pés que partem, joelhos que se dobram e mãos que ajudam.” Rosenilda Andrade Sobre campanha Seja Luz No Facebook

“Estamos juntos na mesma missão, agindo e orando. Parabéns a todos!” Rich Curtis R. Dias Pelo Twitter

“Queremos o SIM todo ano! Muito bom. Parabéns!” Andrea Espírito Santo Sobre o Congresso SIM – Todos Somos Vocacionados Pelo Twitter


GENTE QUE FAZ MISSร•ES

Americanos fazem evangelismo em Porto de Galinhas

Crianรงas e professores foram evangelizados

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A P r im e ira Ig r e j a Ba tis t a e m Po r t o d e Galin h a s ( P E ) , l i d e r a d a p e lo s m is si o n á r i o s P r. S ila s e Pa t r í c i a Pe r e ir a , r ec e b e u a visi t a d e d u a s e q u i p e s n or te - a m e r i c a n a s

Culto e momento cívico na faculdade local

q u e im p a c t a r a m v id a s e n q u a n t o e s tiv e r a m e m u m d o s de s t in os t u r í s t i c o s m a is p r oc u r a d o s d o B r a s il. A o i n v é s de aproveitar a p r a ia , o p r o p ó s i t o d a s e q u i p e s fo i evangelizar e co m p a r tilh a r o a m o r d e C r is t o c o m t o d o s q u e e n c o n t r a r a m. Durante uma semana, treze membros da Wynnbrook Baptist Church, do estado americano da Geórgia, promoveram cultos, testemunhos, visitas aos lares e palestras educativas em duas escolas. Cinco professoras se converteram. Eles também pregaram e fizeram palestra na Faculdade FAJOLCA, onde também participaram de um momento cívico. Mostrando animação e criatividade para levar a Palavra, o grupo também realizou um culto ao ar livre na quadra de skate de Porto de Galinhas.

Segundo o pastor Silas, a experiência transcultural foi uma iniciativa do pastor Ney Ladeia, da Igreja Batista da Capunga, de Recife (PE), que também foi abençoada pela presença dos irmãos norte-americanos. Além da igreja da Geórgia, o trabalho missionário em Porto de Galinhas recebeu cinco pessoas da Shades Mountain Baptist Church, do Alabama. Este segundo grupo, durante uma semana, concentrou seu trabalho nas assistências médica e odontológica dentro das escolas públicas da região de Serrambi, atendendo cerca de 500 crianças. Um micro-ônibus com gabinete odontológico serviu como consultório para outros atendimentos e procedimentos mais sérios. Os irmãos do Alabama também estiveram na faculdade local, onde estudaram a Bíblia com os alunos. “Este trabalho realmente impactou a região e, com certeza, abriu as portas para nós”, disse o pastor Silas. Os grupos da Geórgia e Alabama foram para Porto de Galinhas a fim de

cooperar na plantação de novas igrejas. “Todo o trabalho e as atividades de assistência social foram voltados para atingir este alvo”, explicou o missionário local. E o alvo de implantar um trabalho em Serrambi foi alcançado, uma vez que um irmão da IB da Capunga, que esteve presente durante a visita dos americanos, ofereceu sua casa na área da praia de Serrambi para que seja iniciado mais um núcleo de estudos bíblicos. “Louvamos a Deus pela colheita”, celebrou o pastor Silas, que também contou que os irmãos norte-americanos demonstraram interesse de manter periodicamente este tipo de intercâmbio. Porto de Galinhas representa um grande desafio missionário, por abrigar muitos turistas e pessoas cuja passagem pelo local é temporária. Com as orações e ações do povo de Deus, uma nova realidade está sendo estabelecida nesse lugar. Para aqueles que residem na região há uma igreja séria e comprometida em oferecer ajuda e a palavra da Verdade.

“Este trabalho realmente impactou a região e, com certeza, abriu as portas para nós” 5


Saúde para os ribeirinhos No dia 29 de junho, um gr upo de 20 voluntários, for mado por enfer meiros, médicos, dentistas, psicólogos, podólogos, cabeleireiros, pastores e outros da região de Campinas (SP), par tiu em viagem missionária para a região de Cachoeira do Arari, Pará, liderado pelo missionário voluntário, Dr. Sílvio Ser vin, para atender cerca de 15 comunidades ribeirinhas da região. A viagem - realizada em parceria com a Sociedade Bíblica do Brasil, que cedeu o barco Luz da Amazônia III - foi a primeira organizada pelo Dr. Sílvio, como missionário de Missões Nacionais. Em seu planejamento está a meta de mobilizar profissionais voluntários da área de saúde em todo o país para 6

Última reunião do grupo antes da viagem

que possam organizar novos grupos para atender a grande demanda das comunidades ribeirinhas de nossa Pátria. “O desejo é organizar o maior número possível de viagens”, declarou Dr. Silvio durante a última reunião antes do projeto. O grupo foi formado por membros de seis igrejas da região de Campinas – IBC de Paulínia; IB Nova Jerusalém; IB Memorial de Campinas; 1ª IB Campinas; 1ª IB Jaguariúna; IP Jardim Conceição e duas pessoas não crentes, todos desejosos de amenizar a carência entre os ribeirinhos. A expectativa é de que o grupo realize uma média de 2.500 atendimentos médicos e cerca de 500 procedimentos odontológicos. O gru-

po levou ainda doações de medicamentos, produtos de higiene, roupas, alimentos não perecíveis arrecadados entre parentes, amigos e igrejas. “Reforçando a ideia de par ticipação de todos, quem foi, foi ajudado por alguém que não pôde ir; no futuro, o quadro pode ser inver tido e, além disso, todos puderam par ticipar com as doações”, explicou Hilda, esposa do Dr. Sílvio. Se você é um profissional da área de saúde ou mesmo de outra área, mas que deseje se apresentar para levar o evangelho integral do Senhor Jesus aos ribeirinhos, faça contato com silvio.servin@missoesnacionais.org.br e Seja Luz para os ribeirinhos.


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TESTEMUNHO

Vale a pena semear Esthefany, Mirian e Mayco durante o congresso SIM - Todos Somos Vocacionados

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Durante o Congresso SIM – Todos Somos Vocacionados, três jovens que se conheceram durante a Trans puderam se reencontrar e conversar sobre suas experiências durante a mobilização. Dois deles foram voluntários em Porto Alegre (RS) e impactaram várias vidas, entre elas estava Mirian que antes resistia ao Evangelho. O relato de cada um, você acompanha a seguir.


O

voluntário que ganhou experiência

Fui para a Trans por meio do convite de um amigo que me desafiou a ir para Porto Alegre (RS) e passar quinze dias de janeiro para desenvolver um projeto missionário. Eu tinha um pouco de receio por não saber se seria capacitado e se teria condições de realizar o trabalho porque nunca tinha participado e não tinha experiência. Chegando a Porto Alegre, os grupos foram divididos e o meu era bem jovem. No treinamento, pudemos aprender várias técnicas e saber o que fazer. Fomos orientados pelo missionário local sobre como deveríamos nos portar, como seria o projeto e fazer o planejamento de todos os dias. Foi bem legal porque já no primeiro dia a gente pôde vencer a barreira do medo e ter mais confiança para desenvolver um bom trabalho. Meu grupo ficou alojado na Missão Batista Bom Jesus onde fizemos muitos discipulados com jovens e adolescentes que já estavam na igreja e também evangelizamos e fizemos estudos bíblicos com pessoas que ainda não conheciam o Evangelho. Pudemos apresentar um Jesus que realmente transforma e mostramos como ele mudou as nossas vidas. Tive experiências muito marcantes. Chegar à missão, conhecer o pessoal, ouvir uma mãe que tinha orado pela filha que rejeitava o evangelho e acompanhar o drama dela, orando junto e, por fim, ter a oportunidade de vê-la indo à frente na hora do apelo nos encheu de alegria. E depois de já estar de volta, em casa, receber a notícia de que ela foi batizada e ver as fotos, faz com que vejamos que não foi em vão, o trabalho deu certo. O Espírito Santo deu o crescimento. Mayco de Souza, PIB de Petrópolis (RJ)

A

voluntária que discipulou

Para mim, essa participação foi um divisor de águas. Na Trans de Porto Alegre a gente viu uma realidade diferente. Todo mundo tem aquela visão de que gaúcho é duro de coração, mas nós tivemos a oportunidade de estar em lugares onde vimos a presença de Deus. Levamos Jesus, mas também o voluntário é transformado de uma maneira que só quem vai, entende. Entender o amor de Deus e expressá-lo, acredito ser a melhor forma de demonstrar nossa devoção e amor a Ele, e tudo isso através de ação. Participar da Trans tornou-se um compromisso que fiz com Deus. São apenas alguns dias em que podemos fazer a diferença na vida de muitas pessoas. Encontrei a Mirian, uma jovem como eu, cheia de dúvidas e questionamentos. Tive o privilégio de poder discipular, conversar, orar, rir e chorar. Passamos muito tempo conversando e ela pôde ver que uma jovem igual a ela pode viver uma vida em Cristo, que é possível e que não há nada que possa pagar esse estilo de vida em Deus. Ficamos amigas nos últimos dias de Trans. Lembro que ela estava super resistente ao grupo, mas como nossa equipe foi caracterizada por jovens, abordamos e conversamos com ela, e com o tempo ela foi se entrosando. Sinceramente, não tive muita dificuldade em discipulá-la, já que sua mãe é a principal intercessora e referencial de vida cristã. E é muito bom poder acompanhar esse crescimento, ver um fruto da Trans hoje em parceria com a obra missionária e com o chamado vocacional. Amizade feita em Deus é selada e guiada por Ele. Temos contato sempre, uma acompanhando a vida da outra em oração. Esthefany Guimarães Uchôa, PIB de Campo Grande (MS)

A

jovem alcançada

Tive contato com o Evangelho desde os meus 15 anos, quando minha mãe se converteu. Ela teve uma história de câncer e cura, mas nem isso me motivou a aceitar Jesus. Eu tinha medo da rejeição, de perder meus amigos, o que de fato aconteceu após a minha conversão, e tinha medo do que a minha família ia falar. Quando minha mãe falou que estava tendo evento na igreja, eu comecei a inventar um monte de desculpas, mas surgiu uma situação e eu tive que levar algumas roupas. Sou meio tímida e quando vi todo aquele povo percebi que teria que entrar. A Esthefany logo me viu e veio falar comigo, dizendo que fazia faculdade e perguntando o que eu fazia. Quando percebi, eu já estava contando toda a minha vida para ela. Eu estava com um grande vazio e não sabia explicar. Eu tinha tudo para ser feliz (amigos, família, faculdade, emprego), mas mesmo assim às vezes passava noites chorando, com medo de morrer. Mas a Esthefany falou tudo o que eu precisava ouvir e Deus a usou muito para a minha vida. Eu fiz dois estudos bíblicos antes de fazer o discipulado com a Esthefany, mas no final eu sempre dizia “não”, que não estava preparada. No último culto da Trans eu resolvi ir. Antes eu fugia e na hora das músicas eu não queria nem me levantar. Na Trans eu me converti e pensei: “O que faço agora?”. Então, comecei a estudar a Palavra com o Pr. Ubirajara e tive a ideia de não ficar no banco. Aprendi a tocar violão e agora estou atuando. Se eu não tivesse me convertido numa Trans, provavelmente hoje eu não estaria aqui no congresso SIM, querendo ir para o campo e até mesmo fazendo evangelismo na minha cidade, que é um grande campo missionário. Mirian Marques, MB Bom Jesus em Porto Alegre (RS) 9


SEMPRE ORANDO - AGOSTO

Queremos agradecer a Deus pelas maravilhas que tem operado durante os “100 Dias que Impactarão o Brasil”. Muitos batistas ORANDO! Muitas igrejas realizando TRANS! Muitos voluntários EVANGELIZANDO! Muitas vidas se CONVERTENDO ao Senhor Jesus!

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome...” O povo de Deus CLAMOU, e o Senhor ouviu, e grandes coisas aconteceram no nosso Brasil!

A DEUS TODA A HONRA E TODA A GLÓRIA! PARA INTERCEDER 1 - Pelo povo batista do Brasil; para que continuem, com o mesmo estímulo dos “100 DIAS”, sendo LUZ por intermédio da oração e da evangelização. 2 - Pelas vidas que se converteram ao Senhor Jesus nas TRANS realizadas na região norte do Brasil (AC, RR, AM, RO, AP, PA; TO); para que permaneçam firmes nos caminhos do Senhor. 10

3 - Pela conversão dos familiares de todos os novos convertidos nas TRANS realizadas na região norte do Brasil. 4 - Pelas igrejas e os projetos missionários da JMN que realizaram TRANS na região norte do Brasil; para que sua liderança e membros deem continuidade ao discipulado com os novos convertidos.

5 - Pelos voluntários que participaram das TRANS na região norte do Brasil; para que Deus confirme a vocação missionária. 6 - Pelos pastores, líderes e seminaristas que participaram das TRANS na região norte do Brasil; para que firmem o propósito de continuar evangelizando essa região.


7 - Pelas vidas que se converteram ao Senhor Jesus nas TRANS realizadas na região nordeste do Brasil (PI, MA, CE, RN, PE, PB; AL; SE; BA); para que permaneçam firmes nos caminhos do Senhor. 8 - Pela conversão dos familiares de todos os novos convertidos nas TRANS realizadas na região nordeste do Brasil. 9 - Pelas igrejas e projetos missionários da JMN que realizaram TRANS na região nordeste do Brasil; para que sua liderança e membros deem continuidade ao discipulado com os novos convertidos. 10 - Pelos voluntários que participaram das TRANS na região nordeste do Brasil; para que Deus confirme a vocação missionária. 11 - Pelos pastores, líderes e seminaristas que participaram das TRANS na região nordeste do Brasil; para que firmem o propósito de continuar evangelizando essa região. 12 - Pelas vidas que se converteram ao Senhor Jesus nas TRANS realizadas na região centro-oeste do Brasil (MT, MS, GO, DF); para que permaneçam firmes nos caminhos do Senhor. 13 - Pela conversão dos familiares de todos os novos convertidos nas TRANS realizadas na região centro-oeste do Brasil. 14 - Pelas igrejas e projetos missionários da JMN que realizaram TRANS na região centro-oeste do Brasil; para que sua liderança e membros deem continuidade ao discipulado com os novos convertidos. 15 - Pelos voluntários que participaram das TRANS na região cen-

tro-oeste do Brasil; para que Deus confirme a vocação missionária. 16 - Pelos pastores, líderes e seminaristas que participaram das TRANS na região centro-oeste do Brasil; para que firmem o propósito de continuar evangelizando essa região. 17 - Pelas vidas que se converteram ao Senhor Jesus nas TRANS realizadas na região sudeste do Brasil (ES, MG, RJ, SP); para que permaneçam firmes nos caminhos do Senhor. 18 - Pela conversão dos familiares de todos os novos convertidos nas TRANS realizadas na região sudeste do Brasil. 19 - Pelas igrejas e projetos missionários da JMN que realizaram TRANS na região sudeste do Brasil; para que sua liderança e membros deem continuidade ao discipulado com os novos convertidos. 20 - Pelos voluntários que participaram das TRANS na região sudeste do Brasil; para que Deus confirme a vocação missionária. 21 - Pelos pastores, líderes e seminaristas que participaram das TRANS na região sudeste do Brasil; para que firmem o propósito de continuar evangelizando essa região. 22 - Pelas vidas que se converteram ao Senhor Jesus nas TRANS realizadas na região sul do Brasil (PR, SC, RS); para que permaneçam firmes nos caminhos do Senhor. 23 - Pela conversão dos familiares de todos os novos convertidos nas TRANS realizadas na região sul do Brasil.

24 - Pelas igrejas e projetos missionários da JMN que realizaram TRANS na região sul do Brasil; para que sua liderança e membros deem continuidade ao discipulado com os novos convertidos. 25 - Pelos voluntários que participaram das TRANS na região sul do Brasil; para que Deus confirme a vocação missionária. 26 - Pelos pastores, líderes e seminaristas que participaram das TRANS na região sul do Brasil; para que firmem o propósito de continuar evangelizando essa região. 27 - Pelas cracolândias do nosso Brasil que foram evangelizadas nas TRANS; para que Deus continue transformando-as em Cristolândias. 28 - Pelas vidas que se converteram ao Senhor Jesus nas TRANS realizadas nas cracolândias (RJ, SP, PE, DF, MG, ES); para que permaneçam firmes nos caminhos do Senhor. 29 - Pelos surdos que se converteram ao Senhor Jesus nas TRANS Alcance Surdos; para que permaneçam firmes nos caminhos do Senhor. 30 - Pelas igrejas batistas que ainda irão realizar TRANS no decorrer do ano de 2012; que muitas vidas conheçam e recebam o Senhor Jesus como seu Salvador e Senhor. 31 - Para que o Projeto de Evangelização Jesus Transforma (TRANS) faça parte do calendário de atividades de todas as igrejas batistas do Brasil para o ano de 2013!

PARTICIPE TAMBÉM DO PROJETO DE EVANGELIZAÇÃO “JESUS TRANSFORMA” – MEGATRANS EM SUA REGIÃO, LEVANDO A LUZ DE JESUS ÀQUELES QUE AINDA VIVEM EM TREVAS. JUNTE-SE A NÓS E SEJA LUZ!

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Radical Brasil

Mais Radicais são formados Com a expansão do ministério da Missão Batista Cristolândia, presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais e Distrito Federal, 46 Radicais participaram da cerimônia de formatura na Primeira Igreja Batista de Madureira (RJ), no dia 24 de junho. Durante todo o culto, os novos Radicais deixaram transparecer a alegria de estarem diplomados e preparados para resgatar vidas ainda sem esperança, perdidas nas drogas. Além dos membros da igreja, familiares dos Radicais, parceiros, funcionários de Missões Nacionais e do Centro Integrado de Educação e Missões (CIEM) participaram da formatura. Dois dos formandos deram testemunho. Paulo César Gonçalves testemunhou e agradeceu aos batistas brasileiros por

Pr. Fernando e os novos radicais durante a formatura na PIB de Madureira

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investirem neste trabalho que resgatou sua vida das ruas da cracolândia paulista: “A droga, quando entra na vida de uma pessoa, vem para destruir. Eu morri, mas Deus levantou um povo, o povo batista, apaixonado por missões, um povo que é apaixonado por vidas. E naquela cracolândia, após 17 dias sem banho, morando num buraco, vi os amarelinhos: a família que tenho hoje. Eles me convidaram até a Missão para tomar banho e café, e me convidaram para mudar de vida. Eu não pensei duas vezes e fui enviado para uma casa de recuperação. Hoje, literalmente, eu vivo porque vivo no poder de Deus”. Com uma vida transformada, hoje ele se emociona ao contar suas experiências de evangelismo e discipulado das vidas que agora ajuda a resgatar.

Emocionado, o radical Paulo dá seu testemunho de transformação

Thaiz Nascimento, que deixou emprego e o conforto de seu lar para cumprir seu chamado missionário, falou sobre a importância dos cristãos despertarem para a obra e também agradeceu ao apoio dado pela PIB de Madureira: “Após ouvir uma mensagem do pr. Fernando aqui na PIB de Madureira, eu tive a convicção do meu chamado. Daqui vem a maior parte do meu sustento, dos meus intercessores e estão grandes amigos. Eu não deixaria de ser Radical porque é lindo ver pessoas sendo transformadas”. Antes de ser Radical, ela se apresentou como voluntária na Cristolândia de São Paulo. Pretendia ficar por uma semana, mas acabou ficando um mês. Ao voltar para o Rio, entendeu que este seria seu ministério. Uma nova turma terá início em agosto e todos os maiores de 18 anos podem se inscrever. O treinamento de Radicais tem a duração de três meses e os interessados podem entrar em contato pelo e-mail: radicalbrasil@missoesnacionais.org.br.


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MATÉRIA DE CAPA

Margarida completou a carreira

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A

pós 64 anos de ministério, a missionária Margarida Lemos Gonçalves faleceu, aos 85 anos de idade, em Palmas (TO), onde passou seus últimos dias, em função das sessões de hemodiálise às quais chegou a ser submetida. Conhecida por seu trabalho incansável em prol da salvação de vidas nos lugares mais distantes de sua tão amada nação brasileira, ela mostrou bravura até mesmo durante os últimos problemas de saúde que enfrentou. Tendo sido luz enquanto viveu, Margarida permaneceu no campo missionário até o fim. Ela sempre dizia que sua aposentadoria só viria no dia em que Deus a chamasse para os céus. Certamente, após ter combatido o bom combate e completado a carreira, como disse o apóstolo Paulo, agora, a serva fiel experimenta o descanso prometido pelo seu Senhor. Em sua memória, foi realizado um culto na Primeira Igreja Batista de Palmas, antes que houvesse o sepultamento em Tocantínia (TO), cidade em que a missionária atuou na maior parte de seu ministério e exerceu grande influência principalmente na área da educação. Margarida era a missionária de Missões Nacionais que estava a mais tempo no campo e por sua dedicação ela será sempre lembrada como um exemplo a ser seguido.

As homenagens e o reconhecimento de seu trabalho não se deram apenas por parte das igrejas do estado do Tocantins. O prefeito de Tocantínia, que foi seu aluno nos anos 70 no colégio Batista de Tocantins, decretou luto de três dias pelo falecimento da missionária que, em ata, teve seus feitos publicados. Segundo o documento, Margarida, cidadã honorária de Tocantínia, desempenhou ao longo de sua vida um importante papel social em relação ao município e ao estado. Também a declaração de luto oficial em todo o estado, decretado pelo governador, foi publicada no Diário Oficial. De fato, Margarida foi a responsável pela educação de muitas vidas naquela região. Por 32 anos ela foi diretora do Colégio Batista de Tocantínia. Ela também exerceu o cargo de membro e presidente do conselho Estadual de Educação do Tocantins, foi membro fundadora da Academia Tocantinense de Letras e membro da Academia Palmense de Letras. No decreto emitido pela prefeitura de Tocantínia, sua morte foi considerada “uma perda irreparável para toda a sociedade do Estado do Tocantins”. Apesar da ausência da missionária, os frutos permanecem. Cabe aos herdeiros da obra que ela iniciou a continuidade do ser-

“O que nos emocionou foram as inúmeras manifestações de apreço, carinho, homenagem, admiração e mesmo de reverência, que unanimemente recebíamos de todas as par tes...”. Almir dos Santos Gonçalves Júnior – ir mão da missionária


Margarida em 1949

“...As pessoas choravam, pediam lembranças dela, queriam fazer algo que demonstrasse e evidenciasse o quanto ela fora impor tante e marcante em algum momento de suas vidas ou de seus queridos”. Almir dos Santos Gonçalves Júnior – ir mão da missionária viço de expandir o evangelho e compartilhar a boa semente com as novas gerações. Para todas as faixas etárias, ela representa um exemplo, uma vez que ainda criança ela se dispôs a ir aos campos. Na juventude ela iniciou seu ministério, aos 21 anos de idade, ao qual se dedicou até os últimos dias, empenhando todas as suas forças para o reino do Senhor, enfrentando as barreiras impostas pelo declínio da saúde tão comum com o passar dos anos. 18

Tocantins não foi o único estado beneficiado pela presença de Margarida. Nascida no Espírito Santo, ela também passou pelo Rio de Janeiro, onde estudou e se preparou para a obra missionária, tendo inclusive feito contribuições como redatora no Departamento de Escolas Dominicais, entre novembro de 1946 a setembro de 1948, e também em algumas edições do Jornal Batista. No fim de 1948, ela foi para Carolina (MA), seu primeiro campo, onde lecionou durante dois anos no Instituto Teológico Batista de


Em 2009, recebeu o título de cidadã tocantinense

Carolina. Em 1987 também dirigiu uma escola em Santarém, PA. Ao longo de todos esses anos, ela esteve em várias cidades brasileiras, em todas as regiões do país, para congressos e assembleias da Convenção Batista Brasileira. Na 92ª Assembleia, em Foz do Iguaçu (PR), gravou um depoimento para o vídeo “É Tempo de Avançar”, no qual afirmou: “Esta é realmente a faceta mais importante do trabalho missionário: apresentar a mensagem de Cristo de tal sorte que as pessoas o aceitem e vivam uma vida diferente neste mundo e na eternidade tenham morada com Deus”. Por onde passou, Margarida foi um canal de bênçãos. Impactou vidas, plantou igrejas, conseguiu terrenos para a construção de templos e ajudou a erguê-los, pregou a Palavra para todos quantos encontrou, enfim, cumpriu o seu chamado com excelência. E agora, os frutos de seu trabalho permanecem e as declarações daqueles que a conheceram evidenciam o quanto o amor de Deus foi visto por meio de seus atos. Em sua mensagem de condolência pela morte da missionária, o pastor Guy Key, representante

da International Mission Board (IMB) no Brasil, declarou: “Sabemos que ela está nos braços do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e que ela combateu o bom combate. A família missionária da IMB está louvando a Deus pela vida de lutas incansáveis e de tantas vitórias desta querida irmã”. Sim, Margarida já está sendo recompensada na glória. A fé que ela pregava não morreu e existem ainda muitas vidas necessitadas, aguardando que mais servos se inspirem com o seu exemplo de coragem para ir até os confins de nossa terra para levar esperança e salvação. Margarida por ela mesma Em vídeo da campanha anual de 2006 da JMN, Margarida compartilhou com a esposa de um pastor conhecido da família que já com 5 anos de idade ela dizia que um dia seria missionária, mas foi aos 14, depois de ouvir Beatriz Silva falar do sertão do Brasil, que tomou a decisão de ir aos campos. Preparou-se e com 21 anos deixou a família para ir trabalhar com aquela que a havia inspirado a tomar tal decisão. Confessa que depois de mais de 50 anos nos campos, em 19


Margarida com seu pai, Pr. Almir no sertão do Tocantins

uma reunião de família, ao perceber que, mesmo os amando tanto, não tinha tanta ligação com os familiares, como os outros tinham, se perguntou se teria valido a pena. Teria valido a pena ficar distante da família, não ter constituído um lar para ela, ao abrir mão do amor de sua vida por não haver compatibilidade dos planos de futuro? E afirma: valeu a pena, devido à multidão de pessoas que chegaram a aceitar Jesus e o número imenso de pessoas que ainda não o aceitaram definitivamente, mas que buscam pautar sua vida pelos princípios bíblicos. Além disso, estava certa de que seus familiares se rejubilavam com sua vida. “Valeu a pena, se tivesse que repetir, faria do mesmo jeito, talvez pedindo a Deus que me desse mais sabedoria para não ter falhas e erros como sem dúvida tive nestes anos no campo missionário”. Ainda segundo Margarida, o que alegra mais o coração do missionário é ver um a um, dos frutos 20

que vão surgindo, dizer que aceitou Jesus. Certamente em seus 64 anos de campo missionário, Margarida teve muitas alegrias, pois foram incontáveis os frutos de seu longo ministério. Em outra parte de sua biografia, destacou: “Quando pensamos em missões, nos momentos alegres, nós temos que pensar que para haver sempre momentos alegres o povo de Deus tem que estar firmado no Espírito Santo de Deus, buscando a santidade de vida para que ninguém venha a desprestigiar o nome de Jesus, responsabilizando-se pela ida de muitos para a eternidade sem salvação”. No convívio com a equipe da sede de Missões Nacionais, Margarida deixou também suas marcas. A voz sempre doce e calma, a vitalidade invejável, o bom humor, a alegria de servir a Deus em todo o tempo, a vida simples de quem estava neste mundo de passagem, e por isso não valia a pena

juntar riquezas, mas empenhar-se em juntar tesouros para a eternidade, como fez a cada dia de sua longa jornada. A humildade de não desejar nunca estar no foco. Ao ler a matéria para a edição de janeiro/2012, na seção História de Missões, comentou: “Acho que apareci muito”, e na própria matéria dizia não se ver como exemplo de dedicação e serviço. “Há muitos obreiros que fizeram bem mais do que eu... A diferença é que continuo no campo, nesta terra que abracei como minha, vivendo com este povo que chamo de meu”. E foi junto a este povo que completou sua carreira e nesta terra seu corpo foi recolhido, ao lado da grande amiga Beatriz Silva. Obrigada, Margarida, por exalar o bom perfume de Cristo em todo o tempo. Obrigada, Senhor, por nos conceder o privilégio da convivência com esta filha amada e fiel.


Homenagem à Linda Flor Plantada em Terra Tocantinense E ela morreu? Não. Quem se reparte em milhares de vidas não morre jamais. Será imortal nos corações daqueles com quem repartiu amor, conhecimento e fé. Ela morreu? Não. Quem escreve vida em corações fadados à morte, não morre jamais. Continuará presente em cada vitória, em cada conquista dos resgatados. Ela morreu? Não. Podemos contemplá-la olhando além das montanhas, do conforto do seu lar, da vida tranquila na casa onde nasceu. Podemos vê-la abrindo mão de si, deixando a parentela, a casa de seu pai, reagindo e agindo sob a égide do amor ao Outro. Quem ama tanto assim, não morre jamais. Ela morreu? Não. O amor semeado não morre jamais; segue gerando vida, gerando mais graça, gerando mais desejo de mudança, mais vontade de servir e de imitar o desafio de quem soube amar com atitude. Ela morreu? Não. Quem entende que educar é ser exemplo primeiro, é ter compromisso com o amanhã, não morre jamais. Quem entende que o futuro se escreve hoje não morre, segue na memória daqueles que lançou como flechas que partem da mão do valente, como um pai lança seus filhos para a conquista da vitória certa. Ela morreu? Não. Ficará indelevelmente inscrita no Estado que amou, onde investiu seus dias e onde escolheu descansar dos seus trabalhos e fadiga. Quem constrói, deixa sua marca naquilo que criou. Quem faz da vida um palco de trabalho, luta e suor, ao invés de um lugar pra ser estrela, não morre jamais; vai se juntar à constelação dos heróis que se entregaram, que não amaram a própria vida. Ela morreu? Não. Foi para a terra que vislumbrou de longe e que conquistou seu coração há muito. Quem passou os dias olhando além, buscando as coisas que são do alto, não morre jamais; vai ao encontro da coroa conquistada. Para a família construída no calor da lida, a Guida não morrerá jamais. Porque ela jamais morrerá em meu coração, não estarei presente para a despedida solitária. A mão

que acenava, o braço que rodeava com amor ao carente de carinho, agora descansa inerte – o descanso merecido. Ela será plantada hoje na terra que amou, no lugar em que escolheu. Será plantada sob aplausos dos heróis que construiu, sob o olhar molhado dos companheiros de luta, mas a linda Margarida, a doce flor do cerrado, não morrerá jamais. A ausência do seu corpo dará lugar ao exemplo a ser seguido, ao desafio da continuidade. Quem se habilitará? Obrigada, Senhor, por tê-la trazido até nós. Ensina-nos como viver também os nossos dias da forma como ela viveu, na tua dependência, demonstrando teu amor e servindo como seu Mestre o fez. Por Ester Borges de Lima Dias (Filha do Pr. Raimundo Gonçalves de Lima, então obreiro de Missões Nacionais. Na década de 70, a família hospedava Margarida quando saía de Tocantínia para ir até Guaraí. Naquela época, ainda criança, Esther passou a admirar Margarida.) 21


Especial megatrans

Em todo o Brasil, batistas estĂŁo levando

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a luz de Cristo aos que est達o em trevas

Veja a galeria de imagens da Trans em facebook.com/missoesnacionais . Curta, compartilhe e marque os amigos.


PANORAMA MISSIONÁRIO

Batismos em cidade mineira

no último ano, foram 66 batismos tanto em bairros de Santarém (PA) como em comunidades ribeirinhas. Recentemente, foram batizados mais 50 novos crentes alcançados pelos missionários Pr. Hélio e Lucineide Inácio. Entre eles estava um casal que antes vivia escravizado pelo vício. “Eu e meu marido bebíamos cachaça na garrafa e fumávamos duas carteiras de cigarro por dia”, contou Luzia Maia que agora vive, assim como seu marido, Dálisson Maia, uma nova vida em Cristo. Segundo os missionários, esse casal mora em uma área rural onde está sendo plantada uma igreja multiplicadora. Eles testemunham que Deus tem feito maravilhas apesar dos desafios e convocam cada parceiro a continuar orando e apoiando esse projeto.

Mais um grupo de batizados comprova avanço da obra

Balé do Projeto Novos Sonhos

N

a Primeira Igreja Batista em João Pinheiro (MG), mais seis novos convertidos foram batizados, e todos eles já estão participando ativamente dos trabalhos da igreja, para a alegria dos missionários que lideram a obra, Pr. José Carlos e Erenita de Almeida. No grupo dos que foram batizados, estava um casal que, antes do encontro com Cristo, estava enfrentando problemas familiares por causa das drogas e bebidas. Porém, agora essa família se encontra firme na fé cristã e abriu as portas de casa para que sejam realizados cultos semanais. Além disso, seus parentes estão sendo evangelizados e sendo levados para a igreja. “Creio que Deus vai trabalhar muito ainda nessa vida”, disse o pastor, referindo-se ao chefe da família, que experimenta agora uma nova vida, graças ao encontro que teve com Cristo. Estando em João Pinheiro há três meses, os missionários relataram que a igreja já está com 35 membros, e apesar de a cidade ter tradição católica, o povo tem se mostrado bastante receptivo em relação ao evangelho. Por isso, o trabalho apresenta boas possibilidades de crescimento.

Avanço na Amazônia

Com roupas novas, as meninas estão prontas para avançar nas aulas

T

endo sempre sido incentivadas a orar a Deus e confiar em sua provisão, as alunas da turma de balé do projeto Novos Sonhos testemunharam a benção de terem recebido uma doação de uniformes novos, além de um par de tênis para cada uma delas. As responsáveis pela doação foram as professoras, outras alunas e as donas do Estúdio Ana Esmeralda, onde são realizadas as aulas. “Foi muito emocionante. Fiquei feliz em ver a alegria das meninas recebendo os presentes. Algumas até choraram por ver os milagres que Deus tem feito”, contaram as Radicais Joana Machado e Fernanda Manzoni. Após receberem as doações, elas oraram pelas vidas que abençoaram as alunas e também agradeceram a Deus por ter atendido às suas orações.

Grupo de batizados em Santarém

O

trabalho de Missões Nacionais é alcançar as pessoas nos mais distantes lugares do Brasil. Na região da Amazônia, muitas vitórias têm sido alcançadas. Só

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O Projeto Novos Sonhos é realizado em São Paulo (SP) e tem o objetivo principal de apresentar Cristo às crianças atendidas. Muitas delas vivem em ambientes onde é comum o uso de drogas, a gravidez na adolescência, violência, exploração, entre outros problemas. Além do balé, são oferecidas outras aulas como vôlei, basquete, natação, futebol, música e capoeira.


Poder da oração

bém têm sido motivo de gratidão a Deus por parte dos missionários. Eles destacam o envolvimento de quatro crianças, que já são responsáveis pelo ministério de louvor e coreografia do culto infantil, realizado toda sexta-feira na congregação que eles também lideram em um bairro carente de Barra da Estiva, chamado São Félix. O grupo de jovens conta com 12 pessoas que fazem parte do Ministério Jovem Multiplicador. Recentemente, eles participaram de uma clínica de música, na qual puderam se preparar ainda mais para oferecer o melhor para o Senhor.

Grupo de crianças na clínica de música

O

s efeitos dos 100 Dias de Oração já estão sendo vistos em Barra da Estiva (BA), onde atuam os missionários Renato e Juliana Fagundes. Os últimos dias têm sido marcados por treinamentos, cultos nos lares e conversões que contribuem para o crescimento e bom desenvolvimento do ministério na cidade. O comprometimento dos membros e a participação dos irmãos de variadas faixas etárias tam-

Os missionários também compartilharam a conversão de mais três pessoas; uma delas já sente desejo de abrir as portas de sua casa para a realização de cultos. A ocorrência de conversão na cidade de Barra da Estiva sempre foi algo difícil, mas após a campanha de oração barreiras estão sendo derrubadas. “Deus tem comprovado que as orações do seu povo têm chegado aos céus. Não que não orássemos pelo bairro, mas a diferença está na união dos irmãos em um só propósito”, declararam. Deus tem ouvido as orações de seu povo em prol da conversão de vidas não apenas neste campo missionário, mas em todo o Brasil. Não deixe de interceder pelo avanço do evangelho e por cada envolvido na pregação da Palavra.

MISSÃO BATISTA ASSAHY ア サ イ バ チスタ教会

F

omos enviados para Assaí (PR), que significa Sol Nascente, onde vivem cerca de 17 mil habitantes, dos quais quase 40% são descendentes de japoneses. Quando chegamos aqui, em maio de 2010, não conhecíamos ninguém e o que tínhamos era somente a fé e a alegria de poder entregar nossas vidas ao Senhor, que nos chamara. Deus tem nos proporcionado grandes experiências de fé, o que chamamos de “as aventuras da fé”. Temos realizado estudos bíblicos nos lares e muitas outras estratégias. Tivemos uma grande vitória quando veio à nossa casa um grande amigo, do Japão, Fukuda Takeshi. Ele participou dos estudos conosco e Deus abriu seu coração. Fukuda acabou confessando Jesus como seu Salvador e Senhor e testemunhou sua fé para muitos japoneses da cidade de Assaí, e isso foi impactante. Ele voltou ao Japão e deseja o batismo. Ficamos maravilhados com sua conversão a Cristo. Atualmente, estamos mantendo contato com Fukuda via Internet. No Japão, ele trabalha como professor da língua japonesa para estrangeiros.

Missionários Alexandre Takao Katayama e Alecia Nomura Estamos em Assaí, evangelizando esse povo a fim de que, no futuro, obreiros que forem discipulados por esta obra possam retornar um dia ao Japão como evangelistas ou missionários. Este é nosso grande sonho e desafio.

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ENTREVISTA

Cumprindo a

vontade de

Deus

Filho da missionária Maria das Graças Cunha, de Patu (RN), o jovem Fellipy Emmanuel Cunha Muniz, de 18 anos, sentiu a necessidade de um envolvimento maior com a obra de Deus. Durante o treinamento do Radical Cristolândia, ele experimentou uma realidade bastante diferente da qual estava acostumado. Recém formado na turma do primeiro semestre de 2012, Fellipy agora irá encarar o desafio de resgatar as vidas que estão na cracolândia paulista. Descontraído e empolgado com a nova etapa de sua vida, ele conta como deu esse passo de fé e o que espera para o futuro. 26

O que te motivou a participar desse projeto? Eu já estava no campo, trabalhando e realizando um trabalho junto com a minha mãe. Mas, um dia, eu entrei no site de Missões Nacionais e vi o Projeto Radical. Perguntei para a minha mãe o que era e ela me explicou um pouco. Eu pesquisei ainda mais e vi que é um projeto na cracolândia, com abordagens para retirar pessoas que estão no lixo, na sarjeta, e aquilo me motivou. Pedi a Deus uma orientação e vi que o que eu estava fazendo era pouco e precisava fazer mais. Eu me formei no ensino médio e tinha passado para duas universidades federais, na Paraíba e no Rio Grande do Norte, para Engenharia de Produção e História. Ia me matricular e cursar uma dessas duas, provavelmente, Engenharia. Mas Deus me “pegou” e disse: meu filho, você nasceu para ser meu servo e seguir minha vontade. Não desista da vontade de Deus porque Ele supre as nossas necessidades.

Como foi a convivência com o grupo, durante o treinamento? É um aprendizado enorme que você tem com os professores e com a convivência com os colegas. Você molda o caráter. A base de tudo é ter amor. Na convivência com radicais que foram tirados da cracolândia eu, que sempre fui criado na igreja, pude entender que nenhuma condenação há para aqueles que amam a Deus. Eu pude me relacionar com as pessoas e abrir os meus olhos para entender porque as pessoas chegam a usar drogas. Algumas já haviam sido de igreja e se envolveram com drogas


e entendi o vazio que elas sentiam antes. Tomei esse exemplo para a minha vida, pois eu preciso estar na presença de Deus, seguindo a Sua vontade e não deixar que o mundo me influencie. As experiências que vivi foram uma benção, pois assim como pude ajudar, as pessoas também me ajudaram. Os radicais que saíram da cracolândia me ensinaram a como abordar uma pessoa que está no vício, sem ser enganado. Aprendi a ter união: um por todos e todos por um. Deus me moldou para que eu pudesse ser transformado. Eu nunca usei drogas, mas percebi que poderia estar preso em banco de igreja.

Qual é a maior mudança que essa experiência traz? O caráter muda muito. Você acaba retirando algumas coisas de sua vida que desagradam às pessoas, a você mesmo e a Deus, principalmente. No lado espiritual, há um crescimento. Então, só vai quem “guenta”. Foi uma aprendizagem intensa, acordando cedo, mas se eu tivesse que me inscrever um milhão de vezes, eu me inscreveria. Eu aprendi que não preciso ter muito para ser feliz com Cristo, eu preciso fazer a vontade de Deus.

O que representa o Radical Cristolândia para você? Radical é aquele que morreu para si e quem vive no corpo aqui é Cristo. Eu não me sinto um privilegiado, mas sim com uma grande responsabilidade. Porque para aquelas pessoas que estão sofrendo por causa da dependência a gente se torna um pai porque a gente precisa cuidar delas. Elas vão ver em nós, radicais, o exemplo então temos que ter responsabilidade com nosso testemunho, vida espiritual, com o contato, nossas palavras e com nossa postura.

Logomarca do projeto desenhada por Fellipy

O fato de estar com pessoas resgatadas da dependência química se preparando como você, te dá mais confiança nos resultados desse trabalho?

e sempre acompanhei a minha mãe. Sei que não é fácil, mas a gente não vê a questão da terra e sim do céu, pois estamos saqueando o inferno e povoando o céu. Os brasileiros que me aguardem porque eu vou chegar com tudo.

Sim, e não só por ver as pessoas que estudaram comigo, mas também o exemplo do Gilvan Cunha, que já passou pelo radical e hoje está uma benção no Rio de Janeiro. Então, eu acredito sim que o trabalho que vamos fazer vai salvar vidas. E mesmo que fosse uma vida, já valeria a pena porque é um trabalho que nasceu no coração de Deus.

Deixe uma mensagem para quem ainda não aceitou esse desafio de ser um radical.

Ajudar o Brasil em meio a essa doença que está também pelo mundo afora. Na cidade de onde eu vim, também tinha colegas que se envolveram com drogas e eu dizia para eles terem cuidado, mas na verdade não sabia como abordar. Quando eu puder ir ao campo novamente, eu vou saber como falar com essas pessoas. Não devemos apenas passar e dizer que eles têm que mudar de vida, mas dar a mão e ajudar porque uma vida vale mais que o mundo inteiro.

Quais são os seus planos para o futuro? Dar o meu melhor quando for para São Paulo e colocar em prática o que aprendi no CIEM. Depois, Deus é quem vai determinar o rumo. Eu pretendo fazer seminário não só pela questão do estudo, mas para o mundo. Eu penso em ser missionário

Eu costumo brincar, usando uma frase que diz que eu estava preso num banco de igreja, “viciado em chiclete”, mas Jesus me libertou. E eu pude entender que a obra de Deus é além do que a gente pode imaginar indo apenas um domingo à igreja, participando de algum grupo de jovens. Jesus ficava o tempo todo na rua, indo até as pessoas que precisavam realmente dele. Nós somos enviados a ir até as pessoas e tirar o fardo delas. Aqueles que querem ter essa transformação de vida, venham participar, se inscrevam lá no Radical Brasil porque essa obra do Senhor é a plena vontade dele. Se você quer fazer a vontade dele, expandir seus horizontes, então pode se inscrever que é uma benção. Eu não sabia o que era e fiquei muito temeroso, mas pelo amor de Deus eu pude entender que não existe coisa melhor do que estar na presença de Deus. Quando recebi meu certificado, senti uma felicidade imensa por te conseguido. Com certeza, vale a pena passar por tudo isso. 27


História de Missões

Trans:

Uma experiência válida para toda a vida Du r an te a 92ª Asse mbleia da Co n v ençã o Ba ti sta Brasileira, o pas t or Se b a sti ã o C ustódio de Oliv eir a Neto, da Pri meira Igreja B at is t a e m Sã o C a etano do Sul ( S P) , surp re e ndeu-se ao ver s u a f ot o num ca r ta z que exibia imag ens d a p ri m ei ra Trans de 1 9 7 4 , que l e vou pa ra o nor te do país vá ri os sem i naristas, com o in t u ito di vul ga r a Palavra nos lu gar es m a i s d i sta ntes, per mitindo maior a va nço do e vangelho. 28

Ele estava no primeiro ano do Seminário Teológico Betel, no Rio de Janeiro (RJ), quando, em culto realizado na capela do seminário, o pastor Samuel Mitt, secretário executivo de Missões Nacionais à época, fez o “convite-desafio” aos seminaristas das igrejas batistas para que participassem da primeira grande mobilização missionária a ser realizada em dezembro daquele ano, indo para a Transamazônica. “A mobilização era denominada Transtotal. Inscrevi-me e, para minha surpresa, fui aceito. Na época, eu tinha 17 anos, mas completaria 18, antes do evento, e creio que tenha sido um dos mais novos a participar”, contou. Estudantes do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, do IBER (hoje CIEM), do Seminário Teológico Batista Fluminense, e do seminário onde Sebastião estudava, todos do Rio de Janeiro, além dos alunos do Instituto Tecnológico A. B. Deter, de Curitiba (PR), viajaram no mesmo ônibus com destino a Brasília. “Éramos


Em frente ao cartaz no qual ele aparece na foto da Primeira Trans, em 1974

aproximadamente quarenta pessoas, entre moças e rapazes, incluindo o então presidente de Missões Nacionais, pastor Henrique Marinho Nunes. Os seis ou sete passageiros não evangélicos do ônibus foram os primeiros a ouvir a mensagem de Jesus Cristo. Para mim, a Trans começava ali. Após 18 horas de orações, pregações, canções, alguns cochilos e também muitos bate-papos, chegamos a Brasília”, relatou o pastor Sebastião, que após um dia de descanso com seu grupo na capital federal, seguiu para Araguaína (TO), onde participou de cultos nas igrejas e congregações. “Cantamos, pregamos, demos testemunhos e muitas orações

foram feitas a favor dos que participariam da ‘grande aventura missionária’. No dia seguinte chegamos a Marabá, cidade-base da operação missionária, já às margens da Transamazônica. Lá, nos encontramos com outros seminaristas, missionários, pastores e evangelistas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Éramos, aproximadamente, 110 irmãos e irmãs desejosos de anunciar o evangelho aos milhares de brasileiros que vinham para a Transamazônica, cheios de sonhos, pois ali ganhavam terras do governo e promessas de que em breve a estrada seria asfaltada e a produção agrícola da região ‘abasteceria o mundo’. As promessas dos governantes não se cumpriram, mas a mensa-

gem do evangelho daria aos que nela cressem verdadeiramente uma nova vida”, lembra o pastor. Na cidade de Marabá, todos foram divididos em equipes de 6 a 8 componentes e, após o treinamento coordenado pelo pastor Nilton Antônio de Souza, que trabalhava na sede de Missões Nacionais no Rio de Janeiro, foram enviados para seus respectivos trechos da estrada Transamazônica. As famílias receberam terras ao longo da Transamazônica, mas em alguns lugares havia pequenas comunidades chamadas “Agrovilas”. Cada equipe tinha como tarefa evangelizar os moradores ao longo de aproximadamente 50 km da estrada, entre Marabá (PA) e Alta29


mira (PA) e apesar de ser época de chuvas os objetivos foram alcançados. O grupo de Sebastião era liderado pelo pastor Isaías Próspero Duarte, e também fazia parte de sua equipe a missionária Irtes Dias Delgado, que hoje, mesmo aposentada como missionária, vive naquela região. “Ficamos 10 dias visitando famílias nos sítios à beira da estrada. Durante o dia era feito censo religioso, e quando havia concordância apresentávamos, na mesma visita, a mensagem do evangelho e intercedíamos a Deus pelas famílias. À noite realizávamos cultos nos sítios, pequenos comércios ou escolas. Muitas pessoas receberam Jesus Cristo como senhor e salvador de suas vidas e ainda outras, mesmo não tomando uma decisão naquele momento, aceitaram fazer estudos bíblicos em seus lares”. Com seu jipe, com tração nas quatro rodas, o pastor Isaías conseguia deslocar seu grupo ao longo daquela estrada de terra e muito barro. Eles ficaram hospedados em três diferentes casas durante dez dias, com famílias cristãs que tinham sido contactadas com antecedência. “Pela primeira vez dormi em rede e experimentei bacaba, cupuaçu, açaí e farinha puba. Também ouvi o ronco dos bugios e ‘miados’ de jaguatiricas. Andávamos bastante durante o dia (nos subdividimos em dois grupos) e apesar do cansaço físico sentíamos uma grande alegria e nossa disposição era constantemente renovada”, recorda. No retorno à Marabá houve um culto em ação de graças por todas as bênçãos alcançadas naqueles dias. Estavam presentes, entre tantos outros, o missionário Jonas Bidart Lopes, pastor da Igreja local, as missionárias Sônia Maria dos Anjos Santos, Lúcia Margarida e a mensageira da noite foi a irmã Marcolina Magalhães. Tendo chorado durante toda a mensagem, Sebastião foi até a frente, consagrando sua vida enquanto 30

“Ali pude entender com clareza que o ministério não era meu e sim de Deus, para que eu o cumprisse”. era entoado o hino 298 do Cantor Cristão. “Senti em todo aquele culto, uma manifestação especial do Espírito Santo. Durante toda aquela experiência, do início do choro até o atendimento do apelo, fui perguntando a Deus o que Ele queria de mim. O que deduzi no fim daquela noite foi que Deus queria com aquele quebrantamento levar-me a viver com sinceridade a letra do hino de que aprendera a gostar: ‘Nem sempre será pro lugar que eu quiser que o Mestre me tem de mandar’. Pois em relação ao ministério as posições estavam invertidas: eu queria determinar como ele deveria se desenvolver. Ali pude entender com clareza que o ministério não era meu e sim de Deus, para que eu o cumprisse”. Como consequência da sua participação na primeira Trans, Sebastião recebeu um convite para um trabalho de férias no interior de Goiás, para onde foi em janeiro do ano seguinte. De dezembro de 1975 até o fim de janeiro de 1976, ele participou da segunda Trans, a convite de Missões Nacionais, e auxiliou na coordenação da equipe que trabalharia na região de Sinop e Colíder (único grupo que atuou fora da Transamazônica). A maioria dos integrantes de sua equipe era da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, estando entre eles a atual missionária Analzira Pereira do Nascimento, que mais tarde foi para Angola e hoje coordena a JMM Jovem.

Retornando da “Trans Total 2”, Sebastião e seu grupo passaram na cidade de Campo Grande (MS), onde tiveram contato com o pastor Jonatan de Oliveira, que fez o convite a Sebastião para que realizasse um trabalho de férias na frente missionária de São Félix do Araguaia (MT), em frente à Ilha do Bananal. Tendo aceitado o convite, ele ainda retornou no início de 1977. Em função do contado com a PIB de Campo Grande, no fim do curso, em dezembro do mesmo ano, ele foi convidado para ser ordenado ao ministério pastoral e para servir como missionário da Igreja em Canarana – colonização gaúcha, no Cerrado Mato-grossense. Aquele jovem, que no início do seu ministério já achava que tinha tudo definido, foi profundamente transformado pelo primeiro grande impacto missionário dos batistas brasileiros. Aquela primeira Trans foi o início da formação da visão ministerial dele, que está há 35 anos no exercício do pastorado, já o tendo exercido em Cuiabá, Campo Grande, Jundiaí e está há 21 anos na PIB de São Caetano do Sul, uma igreja que apoia diretamente 33 projetos missionários no Brasil e no mundo. Com todas as experiências que obteve, pastor Sebastião nunca perde a oportunidade de incentivar participações na Trans, afinal ele garante: “Além de participar de um impacto transformador em uma região de nosso imenso país, você também será profundamente impactado pelo Espírito Santo do Senhor”.


A GRANDE COMISSÃO

ONTEM, HOJE... E AMANHÃ Margarida Lemos Gonçalves

Leio o evangelho de Lucas, no capítulo 24, versos 36 a 48 e começo a divagar. Se eu fosse pintora, gostaria de colocar na tela o semblante daqueles homens tão perturbados que sem dúvida pensavam: aquele que estava diante deles era aquele mesmo que viram crucificado? Aquele sobre o qual as mulheres disseram não mais estar no túmulo? Aquele que apareceu no caminho de Emaús aos discípulos que acabaram de narrar o encontro? E, à proporção que eles conferiam em seus corações a amargura daquelas horas quando se sentiram sem esperança, e quando abandonando o Mestre se esconderam para juntos chorarem a solidão (pois pensavam que o grande castelo de sonhos messiânicos se desmoronara), ao embalo de tais pensamentos os corações se encheram de muito temor a ponto de julgarem que ali à frente estava um fantasma!

P

e n se m n a e xpre ssã o de c ada u m : Pe dro (qu e o h a v i a n egado trê s v e z e s), J o ã o (qu e re ce bera o a b e n ço a do e n ca rgo de cu i d ar de su a pre ci o sa m ã e ), T i a go , André, F i l i pe , Ba r to l o m e u , To mé , M at eus, T i a go (fi l h o de Al fe u ), Ta de u e Simã o , to do s o s o n z e de o l h o s posto s e m J e su s, co m pl e ta m e n te emude ci do s, mã o s tre me n te s, quem sa b e o l h o s m a re ja do s de l á gr imas? Nã o se ri a u m qu a dro tre mendame n te e xpre ssi v o ? Po i s e sse s rosto s fo ra m se e n ch e n do de gozo, de pa z e de fi r m e z a a o o u v i rem a a u l a de re fo rço qu e o M e stre dos me stre s l h e s de u :

– “São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco...” e passou a rememorar os eventos sagrados, encerrando com a determinação: E VÓS SOIS TESTEMUNHAS DESTAS COISAS”! Testemunhas das profecias que emolduraram o Messias na história do povo de Deus desde Gênesis 3.15 passando pelos profetas, chegando a Simeão e Ana nos átrios do Templo ao contemplarem o garoto nos braços de seus pais terrenos... Eles tinham estado ao seu lado nas travessias do mar da Galileia, nos momentos de ensino, presenciaram curas e demonstrações de autoridade. Acompanharam de longe o Senhor levando sobre seus ombros a cruz, na qual depois foi le31


vantado contra o céu de Jerusalém, sofreram a cada pancada do martelo sobre os pregos que atravessaram as mãos santas do Senhor, testemunharam de longe a dor sentida pelo baque da cruz descendo ao fundo da cova preparada pelos soldados! Parece, porém, que não se lembraram muito da promessa da ressurreição, pois descreram das mulheres que trouxeram as boas-novas do túmulo vazio e punham em uma certa dúvida o que lhes havia sido relatado pelos que o viram no caminho de Emaús...Tudo isto foi relembrado pelo reforço didático do Mestre dos mestres Daria um grande quadro, não? Mesmo porque, se houvesse uma legenda, eu a colocaria assim: “Vós sois testemunhas destas coisas e eis que vos envio a promessa de meu Pai...”Isto porque, quando penso neste texto (Lucas 24.48 e 49), encontro aí uma perfeita Agenda Missionária. Vejam só: 1. Começa com um convite ao testemunho. Não é contar adiante um fato que foi presenciado. É mais que isto. É mostrando que para levar legitimamente adiante o Evangelho do Reino, seria preciso ter tido uma experiência com o Senhor da Mensagem. Seria necessário inicialmente uma conversão de vida. Uma Testemunha do Reino não pode ser comissionada se ela não está disposta a dizer como o Apóstolo das Gentes:...”porque eu estou pronto não somente a ser ligado (preso), mas ainda a morrer... pelo nome do Senhor.” Estar pronto a viver ou a morrer pela Causa de Cristo faz de nosso testemunho algo revelador da Presença do Mestre em nossa vida. 2. Além da vida entregue, é preciso ter-se conhecimento dos motivos que nos devem levar à seara. Não é por comoções acontecidas ao ouvir um bom pregador falar sobre a seara estar branca para a ceifa... Não é por acenos da solidariedade da ação social, do sofrimento daqueles que jazem nas drogas e nas permissividades do pecado... É muito mais que isto: é estar no centro da Vontade de Deus. É saber que, haja 32

o que houver eu vou para onde Ele me levar. Não vou ao campo experimentar se dá certo ou não, porque eu sei, haja dificuldades ou não, eu estarei sempre bem! Por causa disto eu preciso conhecer muito bem tudo aquilo que diz respeito ao meu Mestre. Não posso deixar que tirem ideias erradas acerca do CAMINHO, da VERDADE e da VIDA quando tento pregar a Sua Palavra! 3. A magnitude do desafio – tudo vai continuar se vocês forem fiéis – é a perspectiva mais bela que existe, pois além de mostrar a amplitude do projeto, especifica a realidade dele: aqui perto (Jerusalém), um pouco mais adiante (Judeia) e bem longe (no estrangeiro). Se não formos – como alguém que conheço e sonhava com o campo missionário ao qual não compareceu – há nisso também a presença de Deus, e onde ficarmos ele nos vai usar plenamente. O hino diz: “Nem sempre será pro lugar que eu quiser que o Mestre me tem de mandar...”. Muitos têm ficado, por instrumentalidade Divina, e se tornam bênçãos para si mesmos e para a igreja local onde permanecem. Portanto, somos desafiados, diletos irmãos, não apenas aqui onde nossa igreja é uma bênção para muitos, não somente nos programas de missões estaduais ou regionais, e mesmo nacionais, mas também desse grande mundo extra-fronteiras, onde há tanta tristeza e tanta dor! Se não somos chamados para ir aos campos, somos convocados a fazer missões em casa, na vizinhança, onde estamos. E tudo isto dentro da Vontade do Senhor de Missões. 4. Mas, ainda há algo a dizer sobre isto. Após IMPACTAR com o imperativo do testemunho sobre nossa vida, vem a sua promessa: “Sereis cheios de poder”. É aí que nossa Agenda Missionária se completa: Ouvimos e aceitamos a Grande Comissão; temos prazer no estudo e no fortalecimento doutrinário e espiritual de nossas almas e mentes, estamos convictos de que o local da seara Ele nos vai esclarecer, e então O PODER nos vai energizar para a

tarefa... No princípio o Senhor mandou que eles ficassem em Jerusalém até estarem prontos. Depois dali, o estar cheio de poder depende de nossa entrega, de nossa capacidade de buscar no silêncio ou no meio das multidões, o companheirismo com o Santo Espírito! Por isso afirmamos que metodologias novas e estratégias diversificadas são necessárias para este tempo, mas a Grande Comissão, ou seja, o IDE de Jesus continua de pé, indo até ao amanhã com a sua beleza, a enriquecer a experiência das igrejas de Cristo, dando sustância às suas atividades no contexto de um mundo triste e sem esperança. O ensino da Palavra com propriedade leva vidas a aceitarem Jesus: as pregações missionárias continuam levantando vocacionados: as entidades organizadas para operacionalizar isto, estão em campo, realizando a obra do Senhor; o poder prometido pelo Mestre continua ao nosso dispor. No Novo Testamento eram poucos os obreiros? Sim, mas o certo é que quando eles desapareceram do cenário, levados para “o seio de Abraão”, todo o mundo conhecido naquele tempo tinha ouvido, de alguma forma, sobre Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador Único e Bastante de nossas almas. Hoje pensamos em milhares. 100 mil voluntários para sair pelos caminhos e valados, só aqui no Brasil, pregando o Evangelho que salva o homem de seus pecados hoje e o leva a um amanhã na eternidade com Deus, pelo Poder da Cruz de Cristo. Que bom que chegamos ao tempo quando isto é possível! Vamos viver este imperativo como viveram nossos primeiros irmãos na fé, em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins do mundo: com responsabilidade, em amor, em santidade, numa pregação simples e ao mesmo tempo profunda, mostrando, aonde quer que cheguemos, o caráter de Cristo! Eu sinto que é isto que Jesus quer que façamos hoje.



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