Issuu on Google+

cicL

www.revistacicloambiental.com.br

Revista Ciclo Ambiental

Informação, reflexão e prática

Ano 1

Número zero

a m b i e n t a l

É a hora da sustentabilidade 1


seja um

parceiro dessa

ideia

realização

Revista

cicL a m b i e n t a l www.revistacicloambiental.com.br

2

3


editorial

Um Flash

H

oje na mídia nacional e internacional, as notícias ambientais entram em pauta quando desastres naturais fazem milhares de desabrigados, e quebram a economia dos municípios atingidos, ou quando morrem animais por asfixia ao comerem sacolas descartáveis, entre

outros impactos ambientais negativos, que realmente chocam e atraem nossa atenção. O fato é que tudo isso entra no foco jornalístico somente no ápice do ocorrido, até o ponto em que há audiência. E foi na busca por notícias e iniciativas que nos levem a acreditar em um novo conceito de comunicação, que hoje trazemos um jornalismo de imersão, onde retrataremos temas variados de responsabilidades socioambientais. A idéia é contribuir com a sociedade inserindo essas informações na agenda da comunidade e do cidadão, só assim, com essa proximidade, ficará mais fácil alcançar o desenvolvimento sustentável. Depois de 3 anos de planejamento, apresentamos a Ciclo Ambiental, uma mídia 100% sustentável. Somos a mídia pioneira em adquirir o selo Carbon Free, onde os gases GEE emitidos durante nossas atividades, serão totalmente neutralizados através do plantio de árvores em larga escala, anulando assim nossa contribuição negativa na atmosfera. Contratamos profissionais de municípios próximos, para estimular a geração de renda. Os articulistas vivem e conhecem a nossa região, contribuindo na qualidade do conteúdo transmitido. Senhoras e senhores, nós estamos em emergência planetária, o mundo precisa de ação imediata. Nossa semente está plantada, e colheremos os frutos dessa árvore, quando formos referência em bancos acadêmicos, capaz de elevar o debate de idéias sobre a relação do homem com seu habitat. Se a comunidade não estiver bem informada sobre os projetos sustentáveis e seus avanços, como poderão apoiar e contribuir? Foi pensando na resposta para essa questão que idealizei a Ciclo Ambiental, para informar, causar reflexão e impulsionar a prática sustentável. Começa agora o ciclo da informação, é a hora da sustentabilidade! Henrique Vilela Publisher: editorial@revistacicloambiental.com.br

4


NESTE MÊS Rosana Aragon

ÍNDICE

09 CULTURA VERDE Tudo está conectado 10 SOCIALMENTE JUSTO É tão difícil copiar?

Fernando Papa

11 ECOLOGICAMENTE CORRETO Mapa Verde como ferramenta de intervenção Social

Maria Oliveira

12 ECONOMICAMENTE VIÁVEL (matéria especial) O meio ambiente chegou ao mercado Amyra El Khalili

18 FICA A DICA Sustentabilidade nas organizações. Gabriela Prado

19 EM SUA CIDADE Projetos municipais de Barueri, Jandira, Itapevi e Santana de Parnaíba

Itapevi

Lilian Zaboto

20 VIVER BEM Bem estar no verão 21 PAISAGISMO EM FOCO A história do paisagismo

Bidú

Gabriel Baeta

22 ATITUDE CONCEITO Perfil do Biólogo Bidú, Secretário de Meio Ambiente de Barueri. 5


2012: Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos

M

ais de 1,4 bilhão de pessoas de todo o mundo não possuem acesso à eletricidade e cerca de um bilhão tem acesso intermitente, ou seja, não contínuo, o que acarreta em problemas de saúde, déficit educacional, destruição ambiental e, até mesmo, atraso econômico.

A ONU proclamou 2012 como o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos. O anúncio faz parte de uma iniciativa maior – também batizada de Energia Sustentável para Todos (Sustainable Energy for All, em inglês), comandada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que até o ano de 2030 pretende alcançar três grandes objetivos. São eles: 4 assegurar que todos tenham acesso a serviços modernos de energia; 4 reduzir em 40% a intensidade energética global e; 4 aumentar em 30% o uso de energias renováveis em todo o mundo. Para isso, a iniciativa espera receber apoio dos governos, empresas do setor privado, ONGs e da própria sociedade civil, que pode acessar o site do Sustainable Energy for All e participar, ou mesmo, propor ações que garantam a universalização da energia sustentável. www.sustainableenergyforall.org

6


Se prepare. Calibre seus pneus!

Em breve, o primeiro passeio ciclístico sustentável realização

Revista

cicL ambiental

www.revistacicloambiental.com.br

7


cultura

verde

TUDO ESTÁ CONECTADO

F

ui convidada para colaborar com esta revista, escrevendo

uma coluna sobre

indicações de leitura, programas culturais, campanhas com enfoque sustentável. Fiquei pensando em como começar. Em primeiro lugar, acho importante que vocês

conheçam as minhas convicções. Há cerca de quatro anos, quando através da Viva S/A - publicação mensal da Projeto Editora, da qual sou diretora de redação; organizei um evento em Alphaville. Durante o planejamento, pesquisei respeito e percebi que a sustentabilidade nunca esteve ligada somente ao meio ambiente e em manter florestas em pé. Embora isso seja o mote de tudo, percebi que tudo que está realmente conectado. Por que manter as florestas em pé? Para que o ar possa ser mais puro e que elas possam transformar o gás carbônico em oxigênio novamente. Você sabia que as chuvas que caem nos Estados Unidos podem ter sido formadas pela evaporação de água da Floresta Amazônica e que essas nuvens carregadas são chamadas de rios voadores? Que a castanha do Pará que hoje é extraída por populações ribeirinhas do Rio Amazonas, é comprada por exemplo pelo WallMart? Fico pensando em que histórias nossos filhos irão contar para seus filhos, já hoje não guardamos memórias da nossa vida. Onde está o folclore de hoje em dia? As brincadeiras de rua? Não acho que temos que deixar a evolução de lado, mas acredito que sempre devemos nos lembrar das nossas raízes. De onde viemos e onde queremos chegar. Na minha concepção, sustentabilidade começa em casa, com nossos familiares. Se não conseguirmos tratar nossos pais, filhos com educação e respeito, como podemos ensiná-lo a apagar a luz ao sair do quarto, ou tomar banho em apenas 10 minutos? A sustentabilidade começa dentro de nós e se expande em todas as áreas que atuamos no nosso modo de olhar e perceber o mundo. Nessa coluna, pretendo pensar com vocês como fazer com que a sustentabilidade desperte dentro de nós, faça um sentido e nos traga significado. Só assim iremos mudar o mundo, através de uma mudança interna e individual que se propagará para o inconsciente coletivo. Nunca se esqueça de pensar coletivamente, pois tudo está conectado!

Rosana Aragon é a editora-chefe da revista Viva S/A. Idealizadora da Rua de Lazer e Cultura, o maior evento do gênero na região, que esse ano completa sete edições, ela é também membro da Câmara do Comércio de Barueri e apresentadora do programa Agenda Viva, transmitido durante as noites de quinta e sexta-feira na TV Alphaville.

8


Cartoon

Zeca Vilela

9


socialmente

justo

É TÃO DIFÍCIL COPIAR?

A

Federação das Indústrias do Estado do Rio de

corrida para ser - ou pelo menos (a) parecer - eficientes,

Janeiro divulgou o Índice Firjan de Desenvolvimento

obras amplamente divulgadas apresentam vulnerabilidades.

Municipal (IFDM) baseado em três pilares: Emprego

Neste caso, o munícipe é o principal prejudicado além de pagar a conta.

& Renda, Educação e Saúde. Barueri foi a campeã em desenvolvimento no Brasil. Para conhecer um pouco mais

Sinto isso aqui em Itapevi onde administro, junto

sobre a cidade, busquei informações aprofundadas no

com o grupo, a ONG Projeto Semente. Com quatro anos

anuário Finanças dos Municípios Paulistas, que é referência

e meio de atuação, continuamos sendo a única entidade

para a compreensão do efeito “gestão empresarial no

ambientalista a tratar das questões socioambientais e

executivo”.

sequer conseguimos ser atendidos pela prefeita. Por essa

Barueri se destaca por praticamente dobrar a

falta de diálogo que crescemos e nos destacamos fora da

receita total no período de 2004 a 2009 e por concentrar

cidade e hoje somos reconhecidos pela ousadia e pelas

uma elevada taxa de investimento na composição da

ações de impacto que realizamos.

despesa. Em 2009, no último levantamento, o índice de

Durante o II Fórum Econômico de Barueri, evento

investimento foi de 29,1%. Cidades vizinhas como Itapevi

promovido pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais),

investem apenas 10,7%, Carapicuíba 5,7% e Jandira é a

o prefeito Furlan destacou que quando tentou incorporar

campeã com 4,2%, a pior média dos municípios entre 100

com alguns municípios um Eixo Regional Oeste foi mal

e 300 mil habitantes. Já o gasto com pessoal foi de 49,4%,

compreendido e neste caso os interesses individuais dos

53,5% e 43,5%, respectivamente, enquanto em Barueri

municípios sobressaíram sobre o coletivo. Agora, temos o exemplo de sucesso, talvez esteja

esse mesmo índice chega a 34,1%.

na hora de compor esse eixo para que a região cresça por

Um bom gestor público busca por meio de políticas

um todo.

antecipatórias, preventivas e de incentivo fiscal, trazer o cidadão como cliente na esfera macro, qualificando-o para que seu atrativo industrial não seja somente “mão-de-obra”

Fernando Papa é diretor da ONG Projeto Semente - considerada

para a construção civil. Temos na Região Oeste um paradoxo

pelo 3º ano consecutivo uma das ONG mais atuantes do Brasil

entre as cidades mais desenvolvidas (parâmetro para outros

segundo o Anuário Análise Gestão Ambiental.

municípios do Brasil seguirem) e as menos desenvolvidas

fernandopapa@projetosemente.org.br

que “floreiam” no marketing para mostrar o que não são. Na

www.projetosemente.org.br

10


Ecologicamente

Correto

MAPA VERDE COMO FERRAMENTA DE INTERVENÇÃO sOCIAL

O

sistema de Mapas Verdes foi fundado em 1995 nos

Cidade São Pedro e da Avemare, cooperativa responsável

Estados Unidos e desde então sua metodologia foi

pela coleta seletiva no município, foi construído um projeto

aplicada em mais de 600 cidades, vilas e aldeias, em

para implantação da coleta seletiva no bairro. Os parceiros

55 países. Trata-se de uma uma ferramenta de mapeamento

definiram que a melhor estratégia seria a implantação de

social que promove a participação da comunidade no

Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e estes foram construídos,

desenvolvimento sustentável, por meio da cartografia “em e

pintados e implantados em sistema de mutirão. A comunidade

para” todo o mundo. Conheço o lugar onde moro? Qual meu

também recebeu um curso de capacitação de Agentes

espaço preferido? Onde estão localizadas as áreas de lazer e

Ambientais para realizar o trabalho de sensibilização porta-

espaços culturais? Que lugar gostaria de transformar? Como

porta e mobilizar a população do bairro para participação da

estão nossas nascentes? E nossas áreas verdes? O nosso

coleta seletiva. O bairro tem destinado mais de 3 toneladas

lixo está sendo destinado de forma adequada? Estas são só

de materiais recicláveis por mês para a cooperativa e é visível

algumas das perguntas que os envolvidos respondem ao longo

uma maior limpeza das ruas e terrenos onde os PEVs foram

do processo de mapeamento dos aspectos sociais, ambientais

implantados. Novas lideranças do bairro têm solicitado a

e culturais da localidade. As respostas destas perguntas são

instalação de PEV’s em novos pontos e estima-se que a coleta

inseridas no mapa através de ícones que as representam e

de recicláveis atinja 5 toneladas por mês com esta ampliação.

vão construindo uma espécie de retrato da realidade. O Mapa

A leitura contínua do Mapa Verde do bairro irá indicar

Verde irá revelar então como uma comunidade vê seu espaço

muitos outros pontos a serem trabalhados pela comunidade

e suas relações para envolvê-la em ações e projetos voltados

e pelo poder público, tais como a proteção de algumas

a melhoria de seu ambiente e qualidade de vida.

áreas verdes e das nascentes, a ampliação das áreas de

Santana de Parnaíba ingressou na rede mundial de

lazer, dentre outros. Esta experiência revela o quanto as

Mapas Verdes em 2010 a partir de uma experiência piloto

metodologias de diagnóstico e planejamento participativo,

realizada pelo Instituto Brookfield com o apoio de parceiros

com os conhecimentos e recursos disponíveis na própria

no bairro Cidade São Pedro. O Mapa Verde do bairro foi

localidade, podem mobilizar a população para cuidar do

construído com a participação das escolas municipais e

ambiente onde vivem e consequentemente melhorar sua

comunidade e hoje é um documento que contribui com o

qualidade de vida.

planejamento de ações para o bairro rumo a sustentabilidade

Maria Oliveira é fundadora da Práxis Consultoria Socioambiental,

já que identifica os pontos fortes e os desafios socioambientais

empresa que assessora o Instituto Brookfield na implantação do

a serem enfrentados. Um dos exemplos de transformação

projeto do Mapa Verde. A Práxis é uma empresa dedicada ao

fomentados a partir do Mapa Verde no bairro foi a disposição

desenvolvimento de processos e projetos sustentáveis a partir de

inadequada do lixo, um dos pontos identificados pelos grupos.

metodologias participativas.

A partir do envolvimento da União dos Moradores do Bairro

maria.oliveira@praxisambiental.com.br

11


economicamente

viável

O MEIO AMBIENTE CHEGOU AO MERCADO Amyra El Khalili

R

esumo: Quando lidamos com meio ambiente não

“Ao longo prazo estaremos todos mortos!” — esta

podemos tratar deste direito fundamental como se

frase de Keynes tornou-se um mantra entre os operadores de

fosse um produto negociado com base em contratos

commodities e derivativos nos mercados de capitais.

e regras determinados a portas fechadas. Pelo contrário, tais

Durante anos treinamos os garotos para que seus

negociações devem acontecer com o coletivo da sociedade.

negócios fossem rápidos, com resultados de curtíssimo prazo

Se a sociedade não aderir, não há projeto socioambiental que

já que, a longo prazo estaríamos todos mortos. Agora projete

possa ser concretizado. Analisar o desenho mercadológico e

esta frase no imaginário destes brokers para operações

criticar acordos internacionais em sua estrutura operacional,

que envolvem 30, 40 até mesmo 200 anos, pois mitigar não

o da execução financeira, não significa condenar as lutas

acontece da noite para o dia.

dos movimentos ambientalistas e dos direitos humanos ao

Meio ambiente tem outra lógica. Afinal, precisamos

fracasso, mas apontar suas possíveis falhas. Poucos são os

preservar para presentes, e principalmente para as futuras

que podem criticar esse mecanismo porque, em geral, quem

gerações. No entanto, esta lógica não bate com a matemática

conhece engenharia de projetos não conhece o mercado

de um sistema que convencionou comprar de manhã e vender

financeiro, e quem conhece o mercado financeiro, sequer

à tarde. Tudo é muito rápido. E o mundo das finanças gira

sabe ainda o que é gestão ambiental. Para construir uma

zilhões que sequer têm tempo de compensar seus cheques.

economia socioambiental, respeitando-se as diferenças

Acontece que “sustentabilidade” há infinitas variáveis

culturais, multirraciais e religiosas, é preciso uma nova

que vão, desde as mudanças climáticas, até os interesses

consciência para o mercado que tenha como base o tripé

políticos e financeiros para troca de energias, matrizes

educação, informação e comunicação.

fabris e critérios de certificação e classificação de produtos

Lidando diretamente com as grandes especulações

agropecuários e industriais. Transformações de posturas

internacionais e conhecendo a fundo esse jogo em que

e comportamentos por parte da sociedade que envolve

tanto se ganha quanto se perde em milhões num mesmo

um profundo debate sobre consumo proativo, consciência

dia, passamos a estudar a relação direta entre as guerras e

ecológica e social, que aliados a discussão em políticas

o mercado financeiro: observe a cada vez que as cotações

públicas exigem reformas tributárias e fiscais consideráveis,

do ouro, petróleo e moedas oscilam bruscamente, estoura

bem como uma rigorosa regulamentação do sistema

uma guerra em algum lugar. Quando alguns poucos estão

financeiro que se adapte a todas estas condições.

ganhando muito dinheiro de um lado, proporcionalmente estão

Na América Latino-caribenha encontramos a maior

morrendo milhares do outro. São questões que envolvem o

biodiversidade do planeta. Temos, ainda, água abundante e

ambiente político-econômico e o desenvolvimento sustentável.

terras férteis, que os outros continentes já não têm. Contudo,

Portanto, sustentabilidade representa novos desafios, dentre

as mesmas preocupações que os árabes têm com as guerras

eles o de fazer valer a ética nas macrorelações econômicas,

no Oriente Médio, poderão ser as nossas daqui a alguns

fator determinante entre guerra e paz.

anos, justamente por conta da escassez da água.

12


Em Cochabamba, já houve convulsão social por

disponibilizada para que todos possam acompanhar estas

causa da água. Já no Uruguai foi necessária uma reforma

alterações econômico-financeiras. Deve-se compreender

legislativa para que ela voltasse às mãos do governo e da

que aquilo que se deseja eliminar — os gases do efeito

sociedade, pois estava sendo privatizada e, no Espírito

estufa — não pode gerar um mercado exponencial que seja

Santo, aqui no Brasil, foi registrado um caso de morte por

competitivo para estimular a produção de mais poluição.

disputá-la. Ora, a água é um recurso natural de uso público

Analisar o desenho mercadológico e criticar acordos

chamado bem difuso; pertence, pois, a todos e à Nação. A

internacionais, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

iniciativa privada não pode simplesmente cercar uma bacia

em sua estrutura operacional, o da execução financeira, não

hidrográfica e dizer-se dona dela. Antes de tudo, deve-se

significa condenar o Protocolo de Quioto ao fracasso, mas

prover água suficiente para a população, para os animais e

apontar suas possíveis falhas. Poucos são os que podem

agricultura. Somente seu excedente poderia, em hipótese, ser

criticar esse mecanismo porque, em geral, quem conhece

comercializado.

engenharia de projetos não conhece o mercado financeiro, e quem conhece o mercado financeiro, sequer sabe ainda o

Outro problema a ser tratado é o de nossa cultura de

que é gestão ambiental.

servidão ao sistema financeiro internacional, essa aceitação passiva de uma subserviência que nos torna sempre vítimas

Quando lidamos com meio ambiente não podemos

da usura do capital estrangeiro, que só faz fomentar a

tratar deste direito fundamental como se fosse um produto

corrupção endêmica que infelizmente nos assola.

empresarial, uma mercadoria, negociado com base em

Não se resume, portanto, no interesse financeiro de

contratos e regras determinados a portas fechadas em

alguns investidores estrangeiros em aplicar seus recursos

reuniões entre pares. Pelo contrário, tais negociações devem

num instrumento econômico que venha a lhes compensar,

acontecer com o coletivo da sociedade. Se a sociedade

por exemplo, a emissão de dióxido de carbono na atmosfera

não aderir, não há projeto socioambiental que possa ser

com a compra e venda de créditos (emission trading). Passa

concretizado. Quando exportamos soja, vendemos também solo,

por uma ampla adaptação do conhecimento e informação

13


economicamente

viável

água, energia, biodiversidade, sangue e suor dos que produzem e sofrem com o sol inclemente na imensidão das lavouras. O estudo da ONG WWF, mostra o Brasil como líder do ranking dos países importadores de “água virtual” agrícola: exporta 91 bilhões de metros cúbicos por ano, mas importa 199 bilhões. O saldo é uma importação líquida anual de 108 bilhões. Por outro lado o WWF afirma que o Brasil gasta 5,7 bilhões de metros cúbicos anuais de água na produção de mercadorias que serão consumidas na Alemanha, principalmente café, soja e carne. Esse requisito não é considerado como dado formal no processo produtivo padronizado para a compra e venda de commodity, exemplificando, cada tonelada de soja vendida implica o uso

metas que forem estabelecidas. Este é um dos pontos de

de 2 mil toneladas de água.

divergência com os países em desenvolvimento, que não

A rica diversidade dos nossos vários ecossistemas é

querem uma parcela significativa dos recursos vindo do

o lastro de um novo modelo econômico para América Latina

mercado que, por natureza, é volátil e instável, como a última

e o Caribe. Para isso, faz-se necessário que atuemos junto

crise financeira demonstrou.

às bases, com pessoas que não têm acesso à internet, que

Segundo agente da Interpol, Peter Younger à Reuters,

não recebem fácil informação, posto que moram em áreas

durante uma 13ª Conferência das Partes das Nações

afastadas, ou em locais onde há exclusão social. Nosso

Unidas – Bali 2007 (CoP-13), possíveis fraudes incluiriam

trabalho consiste, ainda, em conscientizar essas populações

a reivindicação de créditos por florestas inexistentes ou

para que não sejam tolas presas nas mãos dos especuladores,

desprotegidas.

que as levam a assinar contratos absurdos de modo a melhor Se você vai comercializar qualquer ‘commodity’

explorar suas riquezas e matéria-prima.

no mercado aberto, está criando uma situação de lucro e

Crimes ou créditos ambientais?

prejuízo. Haverá um comércio fraudulento de créditos de

O mecanismo de compensação fundamentado no

carbono. No futuro, se você está administrando uma fábrica e

princípio poluidor-pagador, rediscutido na 15ª Conferência

precisa desesperadamente de créditos para compensar suas

das Partes das Nações Unidas – Copenhagen 2009 (CoP-

emissões, haverá alguém que poderá fazer isso acontecer para

15), conhecido pela sigla REDD, estabeleceria, a princípio, a

você. Absolutamente, o crime organizado estará envolvido...

regulamentação de um mercado para os créditos relativos à

Começa com suborno e intimidação de autoridades que

preservação e recuperação florestal, já que as matas absorvem

podem impedir seu negócio. Aí, se houver nativos envolvidos,

gases do efeito estufa quando estão em pé, e liberam carbono

há ameaças e violência contra essas pessoas. Há documentos

quando são derrubadas. A CoP-15 não conseguiu chegar a

forjados. (Peter Younger, especialista em crimes ambientais

um acordo sobre as metas de emissões, resultando apenas

da Interpol – Polícia Internacional).

em polêmica “Carta de intenções”que delineou a formação

Uma reportagem da Associated Press da Australia

de um fundo de US$100 bilhões proposto pelos EUA, a

(AAP) viajou pelo interior da Papua Nova Guiné e descobriu

ser baseado em recursos públicos e privados, ecoando a

que mais de 500 camponeses compraram certificados

posição dos países desenvolvidos de que estes mecanismos

falsificados com a promessa de grande retorno financeiro.

de mercado devem ser considerados no financiamento das

Outros foram convencidos a venderem seus direitos de

14


de vários milhões de dólares no comércio de autorizações para emissão de carbono. A fraude carrossel, também conhecida como o esquema do corretor desaparecido, explora o comércio, isento de alguns impostos, entre países. Estelionatários importam bens isentos, vendem-nos, com o imposto embutido no preço, à outra companhia que, então, os reexporta. Em vez de repassar o imposto recolhido ao governo, os vendedores embolsam o valor e desaparecem. As prisões confirmaram temores de que estelionatários — operando nos pregões da Europa e nas florestas tropicais — estão sendo atraídos para um mercado que já movimenta mais de US$100 bilhões. Quando a União Europeia (EU) lançou seu esquema

exploração de créditos de carbono florestais. Os escândalos envolvendo REDD no país tiveram

de comércio de emissões para combater as mudanças

início meses atrás, quando o sobrinho do primeiro-ministro

climáticas, o bloco provavelmente não considerou a hipótese

Michael Somare foi acusado de forçar pequenos proprietários

de que poderia eventualmente fornecer um incentivo para

de terras a vender seus direitos sobre as matas.

poluir. Um excesso de permissões (créditos de carbono) foi

Uma investigação do Financial Times em 2007

feita e os baixos preços derrotaram o propósito original do

descobriu grandes falhas nestes mecanismos, denunciando

esquema. O resultado disso foi o crescimento das importações

que as organizações estavam pagando por reduções de

de carvão para a Europa, com a Inglaterra chegando a

emissões que não estavam ocorrendo. Enquanto isso, outros

importar volumes recordes em 2007. O preço era é muito mais barato para as usinas

estavam obtendo grandes lucros com o comércio de carbono

queimar carvão e comprar as permissões para poluição, do

de forma suspeita. O Financial Times encontrou: • Muitos casos de pessoas e organizações comprando

que comprar combustíveis mais limpos como o gás natural.

créditos sem valor que não produzem nenhuma redução de

Estimava-se que uma usina poderia comprar carvão €10 por

emissões de carbono.

megawatt/hora mais barato do que o gás. Mas o mecanismo

• Indústrias lucrando apesar de fazerem muito pouco

foi desenvolvido para incentivar as grandes indústrias e usinas

— ou ganhando créditos de carbono com base em ganhos de

de energia a substituir suas fontes de energia altamente

eficiência com os quais já se beneficiaram substancialmente.

poluidoras como o carvão por combustíveis mais limpos, como o gás.

• Corretores fornecendo serviços de valor questionável

Para a geógrafa italiana Teresa Isenburg, professora

ou sem valor. • Uma escassez de auditoria, o que dificulta para os

do Departamento de Estudos Internacionais da Universidade

compradores avaliarem o verdadeiro valor dos créditos de

de Milão, que há décadas se debruça sobre as relações

carbono.

internacionais que envolvem o meio ambiente, o Protocolo de

• Empresas e indivíduos estão arcando com a despesa

Kyoto é inócuo para deter o aquecimento global. Teresa afirma

da compra privada de permissões de carbono da União

que o documento assinado em 1997 na cidade japonesa

Europeia, que despencaram de valor por não resultarem em

acabou atendendo somente os interesses do mercado

redução de emissões.

financeiro, o que pode ser percebido na União Europeia, onde os impactos do tratado deveriam ser mais sentidos.

Agentes alfandegários prenderam recentemente, nove

Há que se compreender que sem um debate aberto

pessoas na região de Londres, sob a suspeita de uma fraude

15


economicamente

viáve l

e participação da sociedade para que ocorram decisões democraticamente “sustentáveis” não é possível implantar mercados e novos modelos de gestão financeira. Se de um lado a COP15 foi considerada um fracasso abjeto, testemunhamos também um sucesso retumbante. Segundo analisa o ativista Rubens Harry Born e equipe organizadora da Campanha TicTacTicTac: Saímos da CoP15 com ânimo redobrado. O ceticismo, o desânimo e o derrotismo não destruirão nosso movimento, que reuniu já mais de 15 milhões de assinaturas e colocou 100.000 pessoas marchando em Copenhague dia 12 de dezembro, representando a esperança dos que, em todo o planeta, compartilharam a bandeira da campanha TicTacTicTac / TckTckTck. Colocar 120 líderes mundiais, reunidos e encurralados pela opinião pública, trabalhando noite adentro para tentar fazer em 2 dias o que deveriam ter feito em 2 anos já foi uma enorme vitória. O mesmo podemos dizer da inédita atenção que o tema teve das empresas, da mídia, dos políticos e do público em geral. Mesmo ainda sem uma boa base para políticas públicas, são conquistas irreversíveis. Quando chegamos nas comunidades e falamos ao indivíduo comum, no sentido de melhor orientá-lo, aos poucos vamos inibindo a ação predatória dos grandes especuladores, oportunistas e estelionatários. A única forma de mudar esse modelo econômico deteriorado e disseminado pelo mundo é com mobilização. Mas para isso é preciso uma nova consciência que tenha como base o tripé educação, informação e comunicação. É preciso torná-la, ainda, didática para que a sociedade possa pensar melhor seus fatos. Para acabar com a autofagia financeira, com a degradação ambiental e injustiças sociais é preciso levar aos cidadãos comuns orientação transparente e isenta, para que cada um saiba melhor se defender e decidir seus caminhos verdadeiramente sustentáveis! Amyra El Khalili, economista. Idealizadora e Fundadora do Projeto BECE (sigla em inglês) Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais, da Aliança RECOs Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras e do Movimento Mulheres pela P@Z! amyra.fwb@terra.com.br

16


marcas

corretas

GREENCO2

E

conomia de baixo carbono - Consciência e a atitude

onde aponta que 89% da população acreditam que as

ambiental corporativa são um forte diferencial com-

empresas

petitivo em todos os segmentos de mercado e o

que possam ser causados ao meio ambiente e que 59%

tenham

obrigação

de

prevenir

problemas

consumidor já agradece e reconhece, preferindo as marcas

compram

ambientalmente corretas.

responsáveis, mesmo que seu custo seja um pouco superior

de

marcas

ambientalmente

conscientes

e

Posicionar as empresas dentro do que chamamos de

às marcas concorrentes sem este posicionamento. Desta

Desenvolvimento Sustentável e que pode ser entendido como

forma, as empresas passaram a buscar pela implantação

uma série de atividades que satisfaçam as necessidades

de Sistemas de Gestão Ambiental, inventariar e compensar

atuais sem comprometer ou inviabilizar a capacidade produtiva

suas emissões de GEE e em muitos casos, implantando a

das futuras gerações já é uma das grandes preocupações

norma ISO da série14000; que possui atuação em fatores

dos executivos, uma vez que a sustentabilidade ambiental é

ambientais.

hoje um dos fatores que definem a opção do consumidor por

“Independente de possuir certificação da série

marcas, produtos e serviços.

ISO 14000 ou Sistema de Gestão Ambiental, as empresas

Nesta última década, um determinado segmento

podem realizar a compensação das emissões dos GEE ou

da sociedade assumiu uma postura consciente e ativa

mesmo atribuir sua marca, produto ou serviço a atividades

sobre causas ambientais e vem apresentando uma série

ambientais através do plantio voluntário de árvores, como

de resultados positivos, apontando para uma realidade

por exemplo; a cada produto ou serviço vendido, ter uma

até então inesperada, onde é possível fazer e proteger ao

árvore designada plantada na Amazônia, o que além

mesmo tempo. Estamos falando do segmento empresarial,

de proporcionar atividades ambientais para a empresa,

onde inicialmente algumas empresas européias perceberam

possibilita eficientes ações de relacionamento com o mercado

que seus clientes estavam optando por marcas que tinham

nacional ou internacional, já que uma árvore leva no mínimo

alguma atividade sócio ambiental aplicada e que por sua

10 anos para crescer e pode ser certificada tanto em nome

vez, estas empresas começaram a se destacar no mercado.

da empresa como no de seu cliente e este vínculo ambiental

A certificação CARBON FREE conquistada por uma

com o consumidor poderá durar todo este período.”, Explica

organização não significa que a empresa abriu mão de seus

Fernando Fernandes, diretor de marketing e novos negócios

lucros, mas que possui ferramentas de consciência ambiental

da empresa Green CO2 Projetos Ambientais

e também de um eficiente posicionamento mercadológico,

Já é fato que os consumidores tenham mais simpatia,

o que a promoverá perante seu mercado consumidor. Uma

reconhecimento e confiança nas organizações que possuem

empresa não é algo separado do meio ambiente. O modo

atividades ambientais distintas e assim, mais uma vez o

que ela faz negócio e se posiciona ambientalmente reflete

mercado define as ações e ditam as tendências e prioridades

no que acredita e valoriza e por conseqüência, será vista no

pelas quais as empresas devem se orientar para manter seu

mercado desta forma.

espaço atual e garantir sua presença futura. E você, já optou

Em recente pesquisa, o IBOPE apresentou estudo

por estas empresas? www.greenco2.net

17


fica a

dica

SUSTENTABILIDADE NAS ORGANIZAÇÕES

A

fortunadamente e para o bem do mundo coorporativo, pode-se notar um movimento cada vez maior por parte destes empreendedores, para transformar suas empresas em exemplos de sustentabilidade. Cabe aqui salientar que este movimento ainda é muito precoce. Infelizmente, trazemos, já desde o início do trabalho assalariado, uma cultura coorporativa que nunca deu a real

importância aos seus “instrumentos”, ou seja, àqueles que de fato promovem seu objetivo principal: o lucro. E nisso, incluímos os funcionários que trabalham nestas organizações, o meio ambiente no qual estão inseridas e o meio cultural e social do qual fazem parte. Portanto, para que a organização consiga atingir seu objetivo principal, mantendo, assim, impactos sempre positivos para todos aqueles que participam direta ou indiretamente de suas atividades, ela terá a capacidade de se sustentar em longo prazo, ou seja, será uma organização focada na sustentabilidade. Desta forma, os executivos destas organizações precisam pensar na realização de trabalhos e programas internos, inicialmente, que visem esse objetivo e ter em mente que a sustentabilidade abrange, basicamente, quatro aspectos: o meio ambiente, o social, o cultural e o econômico. A sustentabilidade ambiental se preocupa claro, com o meio ambiente, em pontos como a reciclagem do lixo, o reaproveitamento dos resíduos e o apoio a iniciativas ecológicas dentro da comunidade. A sustentabilidade social se refere à preocupação direta com os funcionários da organização: se são respeitados como profissionais, dentro de suas atuações; se recebem salários justos; se existem segurança e condições de trabalho adequadas e se a organização se preocupa com o apoio a programas sociais dentro da comunidade. A sustentabilidade cultural diz respeito à adequação da organização dentro da comunidade na qual está inserida, ou seja, se ela se encaixa no perfil desta comunidade, se apóia programas culturais, se a atividade que a organização exerce está de acordo com a região na qual está e, o mais difícil de ser ajustado, se os valores cultuais dos funcionários da organização estão de acordo com os do empreendedor. A sustentabilidade econômica refere-se diretamente ao objetivo principal, que é a geração de lucro. Neste caso, deve existir a preocupação com os seguintes pontos: a geração deste lucro de forma legal; a justiça nas negociações com os fornecedores; a não utilização de falsa propaganda, que caracterizaria um ganho desleal sobre o suposto desconhecimento por parte do cliente e a presença da ética na relação com os concorrentes. Cabe aos empreendedores e empresários refletir sobre estes diversos pontos que realmente fazem a diferença, para que possam, não só vivenciar o crescimento da organização, como também, sentir o prazer dos impactos positivos dentro da comunidade. Gabriela Prado, psicóloga, fundadora e responsável pelo CEDOP - Centro de Desenvolvimento Organizacional e Pessoal. Especialista em psicologia clínica, atua como psicóloga e “coach” organizacional/executivo e pessoal. cedop@cedop.net www.cedop.net

18


Projetos

SUA CIDADE BARUERI - Cooperativa Unindo Forças As cinzas caiam do céu e sujavam as roupas da lavadeira Jordânia, incomodada com o prejuízo que tinha, foi saber quem era o responsável pelo fogo. Surgiu assim, o primeiro encontro com os palletes. A lavadeira começou então seu trabalho de reutilização, onde palletes descartados começaram a se transformar em lindos produtos para comercialização. Hoje aos 44 anos, a baiana Jordânia que sempre teve o sonho de ser assistente social, é diretora da Cooperativa Unindo Forças, que atende clientes do porte de TokStok e Brazilianscients. Dentro do galpão, as produções não param, é muito amor e dedicação, mas a meta da diretora além de gerar renda, é garantir a qualidade de vida dos cooperados. www.unindoforcas.com.br

ITAPEVI - Urbanização do Areião As obras de urbanização do bairro Areião na Cohab serão finalizadas ainda este ano. Representantes da Prefeitura e da Sabesb, visitaram o bairro em fevereiro deste ano, para vistoriar o andamento das obras. Já foram implantados mais de 300 registros hidráulicos, que aguardam a ligação da água devido a finalização de serviços em alguns pontos, como drenagem e preparo das ruas para pavimento, bem como o ligamento da rede de esgoto. As obras estão sendo realizadas com recursos do PAC 2 (Plano de Aceleração do Crescimento), de uma parceria entre a Prefeitura, o Governo Federal e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, sendo destinados recursos no valor aproximado de R$ 16 milhões. www.itapevi.sp.gov.br

JANDIRA - Cursinho Popular Criado em 2003 numa iniciativa da Prefeitura Municipal de Jandira, no intuito de oferecer melhores condições aos jovens e adultos de ingressarem em uma Universidade pública de boa qualidade. Os Professores do CPJ são estudantes de 3º e 4º ano da USP, que trabalham devido a convênio firmado entre a Prefeitura e a Universidade de São Paulo- USP. A unidade conta com corpo docente de professores graduados pela USP. É oferecido gratuitamente o material pedagógico com apostilas do sistema POLI de ensino, biblioteca, plantões de dúvidas todos os dias das 13h00 às 19h00, aulas de concurso público aos sábados, passeios pedagógicos e também atividades sociais aos alunos. Tel. (11) 4707-7669 cursinhopj.adm@gmail.com

A região vem aumentando muito o fluxo de veículos, principalmente no bairro de Alphaville. A Prefeitura de Santana de Parnaíba decidiu criar uma faixa adicional na Avenida Yojiro Takaoka, na altura da Praça da Paz - trecho onde o tráfego é intenso nos horários de pico. As obras foram executadas por meio da Coordenadoria Municipal de Transporte e Trânsito. A faixa adicional implantada está localizada na pista sentido Barueri. Ela tem, aproximadamente, 200 metros de extensão. A intervenção irá melhorar muito o fluxo de carros no local. Os motoristas já passaram a respeitar a nova s inalização. Com isso, percebemos uma melhora significativa do conge stionamento no local. Onde antes trafegavam somente dois veículos ao mesmo tempo, agora são três, permitindo um melhor trafego na via. www.santanadeparnaiba.sp.gov.br

19

Fotos divulgação

STNA DE PARNAÍBA. Faixa Adicional


Viver

bem

BEM ESTAR NO VERÃO

O

Foto Ana hurpia

verão chegou e as férias pedem descanso e viagem.

ingestão de água e alimentos contaminados pelas fezes de

Para que não haja nenhuma surpresa, antes de

alguém doente. As vezes a pessoa só vai ter contato com

viajar, devemos nos proteger contra as doenças mais

o vírus da Hepatite A, a partir

da adolescência, quando a

doença se apresenta de forma mais grave.

comuns de cada estação. Para aproveitar as férias de verão com saúde,

Febre Amarela - A febre amarela é causada por um vírus

devemos nos preocupar em estar com a carteira de

transmitido pela picada de um mosquito. De cada cem

vacinação em dia. Doenças como meningite, sarampo,

pessoas infectadas, apenas 15 apresentam os sintomas

coqueluche, febre amarela, e hepatite A certamente são

clássicos da doença, das quais metade chega a óbito.

lembranças que ninguém quer trazer para casa depois de

Os sintomas são febre alta, mal-estar e dor de cabeça.

um período de descanso. Também precisamos pensar no

Posteriormente, o doente apresenta pele e olhos amarelados,

carnaval, época em que aumenta o número de casos de

sangramento e diminuição da urina.

doenças sexualmente transmissíveis.

Poliomielite - quem vai viajar para o Exterior precisa ter

Saiba que algumas delas já podem ser prevenidas

atenção especial ao país que vai visitar. Após 17 anos longe

por vacinas, como as causadas pelo vírus do HPV e a

da poliomielite, a China confirmou em setembro 10 casos

hepatite B. Além destas doenças, inconvenientes como

da doença. Em 2010 houve 561 casos de poliomielite, dos

queimaduras do sol e desidratação também podem

quais 489 em países não endêmicos.

estragar uma viagem. Não deixe de usar protetor solar,

“A vacina quádrupla contra difteria, tétano, coqueluche e

chapéu e abusar da ingestão de água. Os horários de

poliomielite para uso em adolescentes e adultos confere

exposição ao sol devem ser respeitados, evitando-se o

proteção rápida. É especialmente indicada para todas as

período das 10 às 16hs.

gestantes e também para adolescentes e adultos que se dirigem aos países da África, Ásia e, agora, também China,

Proteger-se antes de viajar significa não deixar que uma doença estrague as férias ou obrigue a pessoa a fazer

onde a pólio não foi eliminada.

um tratamento ao voltar para a casa.

Sarampo - Considerado sob controle no Brasil, o sarampo continua provocando surtos em vários países, inclusive

Saiba um pouco sobre estas doenças:

desenvolvidos. Em 2011, a Europa registrou 26 mil casos em

Coqueluche - esta doença tem uma incidência dis-

36 países. A doença pode ter conseqüências graves como

cretamente maior no verão e é causada por uma bactéria. Os

pneumonia, insuficiência respiratória e até morte.

sintomas são tosse intensa e acessos, conhecida como “tosse

Curta o verão com saúde e garanta o seu Bem Estar.

em guincho”. Nos adultos, os sintomas são mais brandos. Já nas crianças, as consequências da doença podem ser graves

Lilian Zaboto é médica pediatra, CRM 90973, diretora da Clinica de

e os bebês têm mais chances de desenvolver complicações,

Vacinas Vacinville, membro da Sociedade Brasileira de Imunologia-

como pneumonia e insuficiência respiratória.

SBIM, mebro da Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP, Oficial

Hepatite a - Quem pretende passar as férias na praia,

Médica R2 da Força Aérea Brasileira e coordenadora do Departamento

deve ficar atento à hepatite A, cuja transmissão ocorre pela

de Obesidade Infantil da ABESO.

20


Aprendendo

paisagismo

HISTÓRIA DO PAISAGISMO

E

xistem registros nas antigas civilizações da Pérsia, Egito

paisagista Frederick Law Olmstead é contratado para projetar

e Roma de planos de jardins ornamentais, e grandes

um ambiente, capaz de proporcionar tranqüilidade em meio

projetos de irrigação destinados à agricultura. Mas é

ao agitado cotidiano nova-iorquino. Ele cria um jardim no

a partir do séc.XVII, que o paisagismo passa a ter grande

centro da ilha de Manhattan, com aproximadamente 3,5km².

importância na ornamentação de palácios e monumentos. Na

O parque é composto de sinuosas vias, cercadas por grandes

França, destacamos o trabalho do arquiteto Andre Le Notre.

árvores, canteiros floridos, lagos e pontes. Tornou-se famoso

Paisagista que projetou o magnífico jardim do Palácio de

mundialmente, recebendo cerca de 25 milhões de visitantes

Versalhes. O jardim possui escala monumental, com traçado

todos os anos. No Brasil, nosso maior expoente é o arquiteto e

geométrico e forte simetria, formando alamedas ladeadas por

paisagista Roberto Burle Marx. Aos 19 anos vai à Alemanha

topiárias, espelhos d’água e esculturas. No séc.XVIII, o paisagista William Chambers traz

estudar arte. É no jardim botânico da cidade de Dhalen que

da China novas influências, que marcariam o estilo inglês.

ele se encanta com as espécies tropicais. De volta ao Brasil,

Esses jardins buscavam reproduzir o ambiente natural, com

encontra no Rio de Janeiro o local perfeito para suas mais

desenhos orgânicos, formando pequenos bosques, clareiras

belas criações. Em conjunto com os arquitetos Lúcio Costa e

e lagos. Essa idéia de criar um ambiente bucólico junto à

Oscar Niemeyer projeta grandes jardins em áreas públicas,

atmosfera das grandes cidades, deu origem a projetos de

como o Largo da Carioca, a orla do Leme, o calçadão de

grandes jardins urbanos como o Central

Copacabana, os jardins suspensos do Outeiro da Glória e um de seus projetos preferidos: o Aterro do Flamengo.

Park de Nova Iorque. Com o vertiginoso

Gabriel Baeta, arquiteto, cresceu ouvindo histórias sobre plantas

crescimento da cidade

e jardins com sua mãe. Dirigiu por mais de 5 anos uma empresa

americana, o

de jardinagem em Alphaville. Atualmente desenvolve projetos de Paisagismo e Arquitetura. contato@baetaarquitetura.com.br

Foto divulgação

Jardim botânico do Rio de Janeiro

21


Atitude

Conceito

N

Foto divulgação

Secretário Verde o pleito de 2000, Marco Antônio foi eleito para sua 1ª legislatura com

Marco Antônio de Oliveira (Bidú)

1645 votos, quando ocupou o cargo de Relator da Comissão de

45 anos, Vereador e Secretário de Meio Am-

Justiça e Redação. Iniciou o curso de Engenharia Elétrica na PUC e

biente do Município de Barueri.

Ciências Contábeis na Faculdade Campos Sales, porém não concluídos. Fora dos cursos superiores, Bidú, como é conhecido formou-se em cursos Técnicos como Ajustagem Mecânica e Ferramenteiro, ambos no SENAI se qualificando para exercer essas profissões, além de sua ocupação como comerciante na área automotiva. No ano de 2003, esse vereador retorna ao meio acadêmico, e se forma em Biologia no Centro Universitário UNIFIEO. Em 2003, foi eleito Presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente e em 2004, presidente da Comissão de Segurança Publica, cargos esses em que foi reeleito em sua 2ª legislatura para o biênio 20052006, além de ser eleito para o cargo de Relator da Comissão de Finanças. Nas eleições de 2004, Bidú obteve o reconhecimento dos baruerienses, sendo eleito com 2.297 votos, para a sua 2ª legislatura. O Vereador do meio ambiente criou vários projetos em suas legislaturas como a Semana da Água, a Proibição do uso de Cerol no município de Barueri, o PEMA – Programa de Educação e Monitoramento Ambiental, A Semana de Orientação e Prevenção da Gravidez na Adolescência, o Selo Ambiental, selo que visa premiar as Pessoas Físicas e as Pessoas Jurídicas que são amigas do meio ambiente e da Qualidade de Vida no Município. Atualmente estão em desenvolvimento, novos e ousados programas ambientais em Barueri, onde se destaca a municipalização do Parque Ecológico do Tiête, e a criação de uma universidade do meio ambiente, para que a população tenha formação técnica, e contribua para a preservação e conservação de Barueri. O secretário também tem como meta, a criação de uma usina de reciclagem na Aldeia da Serra, bairro escolhido como piloto para projetos sustentáveis. Bidú acredita que com as iniciativas sócio-educativas, Barueri e toda região terão mais qualidade de vida para nós hoje e para as próximas gerações.

22


fotografia

João e seu alimento. Santana de Parnaíba. Fotógrafo Henrique Vilela Publique sua foto sobre meio ambiente. Envie para editorial@revistacicloambiental.com.br

EXPEDIENTE Publisher: Henrique Vilela

Web: Rogério Alencar

Redação: Guilhermina Ludovico

Pesquisa: Gilberto Vilela

Projeto Gráfico: Hurpia Comunicação

Logística: Miguel Pampa

Diagramação e tratamento de imagem: Ana Hurpia

Colaboradores: Amyra El Khalili, Fernando Papa, Gabriel Baeta, Gabriela

Administração: Júlia Chávez

Prado, Lilian Zaboto, Maria Oliveira e Rosana Aragon.

Financeiro: Tamira Daniela

Impressão: Cidade Gráfica

Cartoon: Zeca Vilela

www.revistacicloambiental.com.br

23


24


Revista Ciclo Ambiental