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Thiago Augusto de Oliveira

g


Instante

No chão desfez- se a lág rima

qu e cortara m eu silên cio.

Olh os fixos, pensos...

lág rima densa, tur va...

Magnetizam- se,

confu ndem- se.

Transbordam veia, artér ia, sangu e...

Nathacia Marins Lucena

t


Ouvira ainda as três batidas na porta. Inertes, os raios de Sol, flertavam calmamente com as pequeninas partículas espalhadas pela atmosfera. Um fio alaranjado e denso serpenteava, invadindo obliquamente o pequeno furo na cortina. Renunciou levantar, impossível: era o mundo lhe convidando a bailar. O rapaz se reprimiu. Completara dezoito anos e o ardil dos dias o pegara. O pai não insistiu, voltou-se para a cozinha e ajeitou o mal ajambrado café que preparava. Eram, assim, desde que a mãe se fora, os dias dividido com aquele homem de olhar pequeno e perdido. Arrumou a cama, colocou a mala nas costas, sorvendo sem saborear o café. O cheiro da Âdonis o nostalgiou: era mesmo preciso ir? Olhou de soslaio o velho sem vontades, tirava do bolso uma maçaroca de notas, jogou-as sobre a mesa. Foi à porta fumar e olhar a pequena fazenda. O rapaz meteu tudo no bolso. A Cidade logo absorveria aqueles miúdos papeis. Deu ainda um abraço no pai que o observava indiferente. - Eu escrevo. A única resposta foi um longo e fito olhar. Rumou estrada a fora, de ônibus em ônibus achara a Cidade, metera-se numa pousada, fez se amigo de alguns e empregado de outros. Era estada rápida. Logo retornava para a Âdonis. Empacotador em um supermercado, arrumara-se num casebre de periferia. Lembrava-se ainda todos os dias da fazenda, em breve voltaria pensava. Ajuntou dinheiro o bastante, foi Natal e voltou para casa, viu o homem, indiferente, abraçou-o, em respeito comprou um cabrito, o deu ao pai. Um sorriso tímido e envergonhado se armou. Antes de voltar depositou ainda sobre a mesa uma nova maçaroca de dinheiro. Chegara outro natal e o velho ainda lá estava. Mais outro viera e o tempo parecia não passar. Surpreendera-se com a força do homem, nada lhe abatia, mas a indiferença com o mundo aumentava. Apenas pôde dizer: - Pai, como é incrível o mundo… um olhar se esvaiu - Não sei, mas parece que o mundo… Há silêncios que são feitos, apenas, para serem ouvidos O rapaz se deliciara. A Cidade tinha muito a lhe oferecer: as casas belas, os cinemas, confeitarias, o dinheiro, os passeios de sábados e uma moça de rosto alegre com a qual se divertia. Veio mais um ano e neste um bilhete o serviu bem. O velho nada respondeu. Mais outro e a Âdonis era já distante. Assim foi: veio o verdureiro vizinho vender na feira perto de casa: - E meu pai? - Anda lá. Mandara cartas e cartas sucessivas, as quais o vizinho fazia favor de entregar. A moça se persuadira: os olhos calmos e modos pueris a ele agora pertenciam, era já eletricista, casaram-se num sábado de Maio, chovia. Vieram os filhos rechonchudos. O carro de trinta e seis prestações, a casa na travessa da grande avenida. Passara-se doze anos: era tempo de voltar. Foram filhos e casal. O pai os recebera com um sorriso tímido, se orgulhava do filho e família. Houve naquele dia um novo suspiro de vida. No quarto as cartas fechadas repousavam na mesa do

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homem. Um frio de horror e tristeza cortou o espírito do filho: inútil era querer o amor do velho. Assim se sucedeu: - E meu pai? - Anda lá. Foi o tempo: Dezoitos anos se passaram, desde quando fugiu da Âdonis, pensou em tudo que tinha e tivera, um arrepio frio o perseguiu, um aperto lento, num compasso manco começara palpitar o coração; como pode? Abandonou o velho sem ao menos tentar. Deixou assim o homem e o passado sem saber onde iria dar. Arrependeu-se por abandonar o pai. A perda da mãe o chocara sem dúvidas, nem mesmo teve essa sensibilidade. A indiferença o tomara de assalto. Um aperto ainda mais agudo lhe atrapalhava o trabalho, fatigava-o, a noite já não dormia, nada mais o alegrava, tornara-se taciturno: era necessário voltar à Âdonis. Não pouparia esforços quando viessem as férias. Pensava dia após dia no dito. Já quase não se ocupava em dormir. Os meses se arrastaram. Chegara julho. Pensava na viagem. Num Domingo frio um dia antes de partir o aperto tornou-se mais forte, não dormiu naquela noite, o frio e tudo o mais o pesava, olhou o repouso da esposa invejou-lhe a calma. Bateu portas, acendeu luzes, viu os filhos, uns raios frios de sol já forçavam passagem janela a dentro, deviam ser seis horas da manhã e a sala vazia o fez refletir, o pulso se entrecortara, uma lágrima procurou espaços. Não pode. Logo se recostou na poltrona, lembrou do pai e de suas atitudes, estava já parecido demais com ele para renegá-lo daquele modo. Fechou os olhos. Assim os sentimentos se faziam, ao menos, menos intenso. Lembrou do tumultuado silêncio da partida. Os ouvidos atentos seguiram a perplexidade do olhar na porta da frente: três toques o convidando para novamente bailar.

Marcus Martins

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William Cassemiro

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Bru na Polach ini

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Século XX - Vinicius Cássio Barqu eiro

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Áporo #1  

Revista dos Estudantes da Letras USP

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