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Marcelo Cerqueira Silva

Princípios de Administração Financeira


Apresentação É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Princípios de Administração Financeira, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina. A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidisciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail. Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação. Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suplemento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal. A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar! Unisa Digital


SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 5 1 PAPEL E ATIVIDADE DE FINANÇAS............................................................................................ 7 1.1 A Importância da Administração Financeira .........................................................................................................8 1.2 A Relação entre a Administração Financeira e as demais Ciências �����������������������������������������������������������10 1.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................13 1.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................13

2 O PAPEL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO NAS EMPRESAS........................... 15 2.1 Funções do Administrador Financeiro..................................................................................................................15 2.2 Meta do Administrador Financeiro.........................................................................................................................17 2.3 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................18 2.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................19

3 TIPOS DE EMPRESAS.......................................................................................................................... 21

3.1 Modalidades de Organização de Empresas........................................................................................................21 3.2 Fusões de Empresas ....................................................................................................................................................23 3.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................25 3.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................25

4 NOÇÕES DE RISCO E RETORNO................................................................................................. 27 4.1 Rentabilidade, Liquidez e Risco...............................................................................................................................28 4.2 Gestão de Riscos ...........................................................................................................................................................29 4.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................31 4.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................31

5 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL........................................................................................... 33 5.1 Participantes do Sfn....................................................................................................................................................33 5.2 Mercados Financeiros..................................................................................................................................................35 5.3 Introdução ao Mercado de Capitais.......................................................................................................................38 5.4 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................40 5.5 Atividades Propostas....................................................................................................................................................40

6 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS............................................................................................ 41 6.1 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................46 6.2 Atividades Propostas....................................................................................................................................................47

7 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ��������������������������������������������������������� 49 7.1 Índices Financeiros e Econômicos .........................................................................................................................51 7.2 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................55 7.3 Atividades Propostas....................................................................................................................................................55

8 FLUXO DE CAIXA.................................................................................................................................. 57


8.1 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................62 8.2 Atividades Propostas....................................................................................................................................................63

9 PROJEÇÕES FINANCEIRAS............................................................................................................. 65 9.1 Regime de Competência e de Caixa......................................................................................................................69 9.2 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................69 9.3 Atividades Propostas....................................................................................................................................................70

10 ANÁLISE DE INVESTIMENTO..................................................................................................... 71 10.1 Operações Financeiras com Juros Simples e Compostos............................................................................71 10.2 Métodos de Avaliação de Investimentos...........................................................................................................75 10.3 Resumo do Capítulo..................................................................................................................................................78 10.4 Atividades Propostas.................................................................................................................................................79

RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS ������������������������������������� 81 REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 87


INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), O objetivo geral do curso é oferecer-lhe subsídios para um estudo sobre o funcionamento da Administração Financeira nas Empresas, analisando os principais participantes do Sistema Financeiro Nacional, entre eles, o Banco Central do Brasil (BACEN), a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho Monetário Nacional (CMN) e as Bolsas de Valores. Esta apostila e a disciplina, como um todo, buscam apresentar a definição e a aplicação dos conceitos fundamentais presentes na administração financeira nacional e internacional. Além disso, apresentamos informações sobre os principais tipos de riscos. Dentro dessa perspectiva, o conteúdo está organizado de forma a promover sempre o seu aprendizado, através da fundamentação de conceitos com os mais renomados autores. Dessa forma, analisaremos a importância da administração financeira para as empresas, as principais demonstrações financeiras e os principais índices financeiros para verificação das condições financeiras das empresas. Posteriormente, discutiremos o conceito e o valor do dinheiro no tempo; as diferentes formas de cálculo de juros, simples e compostos; a dinâmica de um fluxo de caixa; e a integração dos conceitos contábeis e financeiros. Finalizando, buscamos a avaliação do seu aprendizado, propondo a resolução de alguns exercícios. Será um prazer acompanhá-lo(la) ao longo deste trajeto. Marcelo Cerqueira Silva

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PAPEL E ATIVIDADE DE FINANÇAS

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, discutiremos a importância da administração financeira para a Economia, as razões para se estudar administração financeira e as três principais áreas da administração financeira. Trataremos ainda dos avanços da administração financeira a partir dos anos 1990 e do processo de globalização das empresas. Vamos iniciar a discussão?

mais barato, na matrícula em um curso, no parcelamento de alguma dívida, na negociação salarial, na escolha de um fundo de aposentadoria mais adequado e assim por diante. Assim, precisamos entender de assuntos financeiros e tomar as decisões financeiras corretas. Figura 1 – Principais relações entre as finanças e os diversos agentes da sociedade.

O(A) aluno(a) típico(a) não terá cursado anteriormente matérias de Finanças e, presumidamente, não terá o conhecimento prévio do assunto. Contudo, este material é parte de um programa introdutório da Administração Financeira, que se destina a alunos de Finanças e de outras áreas de formação. O Dicionário Aurélio define o termo “Finanças” como a “ciência e a profissão do manejo do dinheiro, particularmente do dinheiro do Estado.” De forma mais ampla, dizemos que ele trata do processo, instituições, mercados e instrumentos envolvidos na transferência de fundos entre pessoas, empresas e governos. Praticamente todos os indivíduos e organizações obtêm receitas ou levantam fundos, gastam ou investem. Atenção Em última análise, as Finanças são a arte e a ciência de administrar fundos (GITMAN, 1997).

Na Figura 1, temos uma demonstração da interação constante entre os diversos agentes da sociedade, com os quais as empresas se relacionam. Entre eles, estão as relações com os consumidores, que adquirem os produtos ou a realização da prestação de serviços; os funcionários, que trabalham na produção ou na execução da prestação de serviços; os investidores, que acreditam na prosperidade do negócio para obtenção futura de lucro; os financiadores, que disponibilizam recursos para a aquisição dos bens de capital; e o governo, que concede licenças para abertura do negócio e arrecada impostos com a sua existência.

Analisando o conceito, parece ser alguma coisa um pouco distante do nosso dia a dia, mas diariamente temos envolvimento com as finanças. Tomamos decisões financeiras a todo o momento, na escolha pelo produto mais caro ou Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br

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1.1 A Importância da Administração Financeira

As Finanças consistem em três áreas inter-relacionadas: (1) mercados monetários e de capitais, que trabalham com os mercados de títulos e as instituições financeiras; (2) investimentos, que focalizam as decisões tomadas, tanto pelos investidores individuais quanto pelos institucionais, à medida que escolhem títulos para suas carteiras de investimento; (3) administração financeira ou “finanças de empresas”, que envolve decisões dentro das empresas. As oportunidades de carreira dentro de cada uma dessas áreas são muitas e variadas, porém os administradores financeiros devem ter o conhecimento das três áreas, caso queiram ser bem-sucedidos em seu trabalho. A administração financeira A administração financeira é a mais ampla das três áreas e a que contém o maior número de oportunidades de trabalho. Essa área é importante para os tipos de negócios, inclusive para bancos e outras instituições financeiras, assim como para empresas industriais e comerciais. A área financeira também é importante para operações governamentais de escolas, hospitais e até departamentos de rodovias. Os administradores financeiros têm também a responsabilidade de determinar os termos de crédito sob os quais os clientes poderão fazer suas compras, o montante de estoque que a empresa deve manter, quanto de caixa manter disponível, se deve ou não comprar outras empresas (análise de fusões) e a quantidade de lucros que a empresa deve reinvestir versus a quantidade que deve ser distribuída na forma de dividendos (GITMAN, 1997). Suponha, porém, que você não tenha intenção de formar-se em Finanças. O assunto ainda é importante para você? Com certeza; por duas razões: (1) você precisa de conhecimento em finanças para tomar muitas decisões pessoais, desde investir para sua aposentadoria até a decisão de

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alugar ou comprar um carro; (2) virtualmente, todas as decisões importantes de um negócio têm implicações financeiras e, por isso, elas, em geral, são tomadas por equipes dos departamentos de contabilidade, finanças, jurídico, marketing, recursos humanos e produção. Portanto, se você quer ter sucesso na arena dos negócios, deve ser altamente competente em sua própria área, digamos, em marketing, mas deve ter também familiaridade com as outras disciplinas de Administração, incluindo Finanças. Uma vez que há implicações financeiras virtualmente em todas as decisões de negócios, os executivos não financeiros simplesmente devem conhecer o suficiente de finanças a fim de trabalhar essas implicações em suas próprias análises especializadas. “Por essa razão, todo estudante de administração, independentemente de sua área de especialização, deve preocupar-se com a administração financeira.” (ROSS; WESTERFIELD, 2000, p. 321). Quando a Administração Financeira surgiu como um campo de estudo separado, no início de 1900, a ênfase era sobre os aspectos legais de fusões, a formação de novas empresas e os vários tipos de títulos que as empresas poderiam emitir para levantar capital. Durante a depressão dos anos 1930, a ênfase voltou-se para concordatas e reorganização, liquidez das empresas e para a regulamentação dos mercados de títulos. Durante as décadas de 1940 e 1950, as Finanças continuaram a ser ensinadas como uma matéria descritiva e institucional, entendida mais do ponto de vista de alguém de fora do que do ponto de vista de um gestor. No entanto, um movimento em direção à análise teórica iniciou-se no final da década de 1950 e o foco mudou para decisões administrativas em relação à escolha de ativos e passivos, com o objetivo de maximizar o valor da empresa. O enfoque sobre a maximização de valor tem recebido ênfase cada vez maior durante a

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década de 1990, à medida que mais empresas estão implementando planos de remuneração que ligam bônus dos gestores e empregados à geração de valor. O ativismo dos acionistas também cresceu, à medida que “os gestores de carteiras de fundos de pensão e fundos mútuos estão comprando grandes quantidades de ações de empresas e pressionando-as a tomar medidas que beneficiem os acionistas.” (GITMAN, 1997, p. 223). Além do foco na maximização do valor para o acionista, duas outras tendências têm-se tornado crescentemente importantes nos anos recentes: (1) a globalização das empresas; e (2) o crescente uso de tecnologia da informação. Essas tendências certamente continuarão nos próximos anos. Atualmente, muitas empresas dependem amplamente de operações em outros países. Quatro fatores têm levado à crescente globalização das empresas: 1. Melhorias nos transportes e comunicações, o que diminuiu os custos da remessa de mercadorias e tornou o comércio internacional mais viável; 2. O aumento do poder político dos consumidores, que desejam produtos de baixo custo e de alta qualidade, tem ajudado a reduzir as barreiras comerciais designadas para proteger produtores domésticos que têm altos custos e são ineficientes; 3. À medida que a tecnologia avança, o custo de desenvolvimento de novos produtos tem aumentado. Esse aumento de custos tem levado a acordos comerciais entre companhias, como a General Motors e a Toyota, e a operações globais para muitas empresas, à medida que elas procuram expandir seus mercados e ratear o custo do desenvolvimento por um maior volume de vendas;

4. Em um mundo povoado por empresas multinacionais capazes de deslocar a produção para onde os custos forem mais baixos, uma empresa cujas operações industriais estejam restritas a um país não pode competir, a menos que os custos em seu país de origem sejam bem baixos, condição que não existe necessariamente para muitas empresas norte-americanas. Como resultado desses quatro fatores, a sobrevivência requer que a maior parte das indústrias produza e venda globalmente. Portanto, ao menos um pouco de conhecimento sobre as condições econômicas globais é necessário para praticamente todo mundo e não apenas para aqueles envolvidos com negócios que operam internacionalmente. O século 21 verá avanços contínuos nos computadores e na tecnologia de comunicações e isso continuará a revolucionar a maneira pela qual as decisões financeiras são tomadas. As companhias estão ligando suas redes de computadores pessoais umas às outras, aos computadores centrais da companhia, à internet, ao World Wide Web e aos computadores de seus clientes e fornecedores. Conforme Hoji (2007), os administradores financeiros são capazes de compartilhar informações e ter “reuniões” com colegas do outro lado do mundo por meio de videoconferências. A habilidade de acessar e analisar informações em tempo real também significa que a análise quantitativa está tornando-se mais importante e a “intuitividade” não é mais suficiente para a tomada de decisões de negócios. Como resultado, a próxima geração de gestores financeiros necessitará de maior habilidade quantitativa e com computadores do que a que era exigida no passado.

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1.2 A Relação entre a Administração Financeira e as demais Ciências

Quem precisa conhecer finanças? Em uma só palavra: você. De fato, existem muitas razões pelas quais você precisa ter conhecimento de finanças, mesmo que não planeje seguir carreira nessa área. Seja qual for a área na qual você esteja se especializando – Gestão da Qualidade, Gestão Ambiental, Logística, Gestão de Pessoas, Gestão Pública, entre outras –, haverá a necessidade de possuir tais conhecimentos, para que torne seus projetos ou decisões viáveis. Talvez a razão mais importante para conhecer finanças é a de que você terá que tomar decisões financeiras que serão muito importantes em termos pessoais. Hoje, por exemplo, quando você for trabalhar, em praticamente qualquer tipo de empresa, será questionado sobre como prefere que seu fundo de pensão privado seja investido. Seu sonho é começar seu próprio negócio? Precisará contar com boa sorte e, caso não tenha conhecimentos básicos de finanças, você acabará aprendendo pelo caminho mais árduo. Quer saber qual será o tamanho de seu crédito educativo antes de sua dívida assumir? Talvez não, mas mostraremos como calculá-lo de qualquer maneira. Essas são apenas algumas maneiras pelas quais as finanças lhe afetarão pessoal e profissionalmente. Queira ou não, você terá que examinar e entender assuntos financeiros e precisará tomar decisões financeiras. A partir de agora, exploraremos outras áreas que justificam o seu aprendizado em nossa disciplina. Se você estiver interessado em marketing, precisará conhecer finanças, porque, por exemplo, profissionais de marketing constantemente trabalham com orçamentos e precisam entender como obter o maior benefício das despesas e dos programas de marketing. Analisar custos e benefícios de diversos tipos de projetos é um dos aspectos mais importantes em finanças, assim como as ferramentas que você aprende em finanças são vitais em pesquisas de mercado, projetos de mercado e canais de distribuição, precificação de produtos, apenas para citar algumas poucas áreas.

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Os analistas financeiros apoiam-se bastante nos analistas de mercado e, geralmente, os dois trabalham juntos para avaliar a lucratividade de projetos e produtos propostos. As projeções de vendas são dados essenciais para praticamente todos os tipos de análise de novos produtos e tais projeções normalmente são desenvolvidas conjuntamente por marketing e finanças. Além disso, a indústria financeira emprega profissionais de marketing para auxiliar a venda de produtos financeiros, tais como contas bancárias, apólices de seguros e fundos mútuos. O marketing de serviços financeiros é um dos segmentos de marketing que vem crescendo mais rapidamente e profissionais de marketing especializados em serviços financeiros são muito bem recompensados. Para trabalhar nessa área, você, obviamente, precisa conhecer produtos financeiros. Uma das áreas mais importantes da administração é a estratégia. Pensar sobre a estratégia empresarial sem pensar, ao mesmo tempo, sobre estratégia financeira é receita excelente para o desastre. Consequentemente, os estrategistas precisam ter clara compreensão das implicações financeiras de seus planos estratégicos. Em termos gerais, espera-se que todos os tipos de administradores tenham grande entendimento de como seus negócios afetam a lucratividade e que sejam capazes de aumentar a lucratividade de suas áreas. Isso é precisamente o que o estudo de finanças lhe ensina: quais são as características das atividades que criam valor? A Administração Financeira está estreitamente ligada à Economia e Contabilidade. A Administração Financeira pode ser vista como uma forma de economia aplicada, que se baseia amplamente em conceitos econômicos. A Administração Financeira também aproveita certos dados da Contabilidade, outra área da Economia aplicada. Nesta seção, discutiremos a relação entre a Administração Financeira e a Economia, bem

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como entre a primeira e a Contabilidade. Embora essas disciplinas estejam relacionadas, há diferenças marcantes entre elas. Dicionário Economia: é a ciência que estuda a forma como as sociedades utilizam os recursos escassos para produzir bens com valor e como os distribuem entre os vários indivíduos (SAMUELSON, 1967).

A importância da Economia para o desenvolvimento do ambiente financeiro e da teoria financeira pode ser melhor descrita em função de suas duas área mais amplas: Macroeconomia e Microeconomia. De acordo com Brigham (2001), a macroeconomia estuda o ambiente global, institucional e internacional em que a empresa precisa operar. Estuda ainda a estrutura institucional do sistema bancário, intermediários financeiros, o Tesouro Nacional e as políticas econômicas de que o Governo Federal dispõe para controlar satisfatoriamente o nível de atividade econômica dentro da economia. Deve ficar claro, de acordo com Pinheiro (2007), que a teoria e a política macroeconômicas não conhecem limites geográficos; antes, elas visam a estabelecer uma estrutura internacional, segundo a qual os recursos fluam livremente entre instituições e nações, a atividade econômica seja estabilizada e o desemprego possa ser controlado. Uma vez que a empresa deve operar no âmbito macroeconômico, é importante que o Administrador Financeiro esteja ciente de sua estrutura institucional. Precisa também estar alerta para as consequências de diferentes níveis de atividade econômica e mudanças na política econômica que afetam seu próprio ambiente de decisão. Sem compreender o funcionamento do amplo ambiente econômico, o Administrador Financeiro não pode esperar obter sucesso financeiro para a empresa. Deve, ainda, perceber as consequências de uma política monetária mais restritiva sobre a capacidade de a empresa obter recursos e gerar receitas, além de conhecer as várias instituições financeiras e saber como estas operam, para poder avaliar os canais potenciais de investimento e financiamento.

A Microeconomia trata da determinação de estratégias operacionais ótimas para empresas e indivíduos. As teorias microeconômicas fornecem a base para a operação eficiente da empresa e visam a definir as ações que permitirão à empresa obter sucesso. Os conceitos envolvidos nas relações de oferta e demanda e as estratégias de maximização do lucro são extraídos da teoria Microeconômica. Questões relativas à composição de fatores produtivos, níveis “ótimos” de vendas e estratégias e determinação de preço do produto são todas afetadas por teorias do nível Microeconômico. A mensuração de preferências, através dos conceitos de utilidade, risco e determinação de valor, está fundamentada na teoria Microeconômica. As razões para depreciar ativos também derivam desta área da Economia. A análise marginal é o princípio básico que se aplica em Administração Financeira; a predominância desse princípio sugere que apenas se deve tomar decisões e adotar medidas quando as receitas marginais excederem os custos marginais. Quando se verificar essa condição, é de se esperar que uma dada decisão ou ação resulte num aumento nos lucros da empresa. (GITMAN, 1997).

A importância da análise marginal na tomada de decisões financeiras se tornará evidente nos capítulos subsequentes. Muitos consideram a função financeira e a contábil dentro de uma empresa virtualmente a mesma. Embora haja uma relação íntima entre essas funções, exatamente como há um vínculo estreito entre a Administração Financeira e a Economia, a função contábil é mais bem visualizada como um insumo necessário à função financeira, isto é, como uma subfunção da Administração Financeira. Essa visão está de acordo com “a organização tradicional das atividades de uma empresa em três áreas básicas – produção, finanças e mercadologia.” (GITMAN, 1997). Em geral, considera-se que a função contábil deve ser controlada pelo vice-presidente financeiro. Contudo, há duas diferenças básicas de

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perspectiva entre a Administração Financeira e a Contabilidade: uma se refere ao tratamento de fundos e a outra, à tomada de decisão. O Contador, cuja função básica é desenvolver e fornecer dados para avaliar o desempenho da empresa, apurar sua situação financeira e pagar impostos, difere do Administrador Financeiro pela maneira como vê os fundos da empresa. O Contador, usando certos princípios padronizados e geralmente aceitos, prepara as demonstrações financeiras com base na premissa de que as receitas devem ser reconhecidas por ocasião das vendas e as despesas, quando incorridas. Esse método contábil é geralmente chamado Regime de Competência dos exercícios contábeis. A receita oriunda da venda de mercadorias a crédito, pela qual não se tenha recebido ainda o pagamento efetivo de caixa, aparece nas demonstrações financeiras da empresa como contas a receber, um ativo temporário. As despesas são tratadas de modo semelhante, isto é, “certos passivos são criados para representar bens ou serviços que foram recebidos, mas ainda devem ser pagos. Esses itens são normalmente listados no Balanço como contas a pagar.” (HOJI, 2007). O Administrador financeiro está, segundo Brigham (2001), mais preocupado em manter a solvência da empresa, proporcionando os fluxos de caixa necessários para honrar as suas obrigações e adquirir e financiar os ativos circulantes e fixos, necessários para atingir as metas da empresa. Ao invés de reconhecer receitas no ponto de venda e despesas quando incorridas, reconhece receitas e despesas somente com respeito às entradas e saídas de caixa. Uma analogia simples ajudará a esclarecer as diferenças básicas de perspectiva entre o Contador e o Administrador Financeiro. Se considerássemos o corpo humano uma empresa e cada pulsação do coração representasse uma nova venda, o Contador iria ocupar-se de cada uma dessas pulsações e daria entrada nessas vendas como receitas.

atingido as células certas, conservando os vários órgãos do corpo em funcionamento. É possível que o coração seja forte e, no entanto, pare de funcionar, devido ao desenvolvimento de obstruções e coágulos no sistema circulatório. Da mesma forma, uma empresa pode conservar os níveis de vendas crescentes, mas falir por causa de entradas insuficientes de caixa para saldar suas obrigações no vencimento. O Administrador Financeiro usa esses dados, seja em sua forma bruta, seja depois de fazer certos ajustes e análises, como um importante insumo ao processo de tomada de decisão financeira. Obviamente, isto não quer dizer que os Contadores jamais tomem decisões e que os Administradores Financeiros jamais coletem dados; a ênfase básica da Contabilidade e Administração Financeira é sobre as funções que indicamos. (HOJI, 2000, p. 127).

No caso das empresas brasileiras, a primeira constatação que se faz é de que a cultura dos empresários dificulta a transparência das informações e o tratamento adequado aos acionistas minoritários (governança corporativa). Curiosidade A Contabilidade existe desde os primórdios da civilização. Ela surgiu da preocupação do Homem com suas posses (animais, peles etc.). A contabilidade do Homem primitivo era a contabilidade empírica, praticada de forma rudimentar, utilizando desenhos e gravações em pedras. No passado, os sumérios e os babilônicos, assim como os assírios, faziam seus registros em peças de argila, de diferentes formatos, combinado o figurativo com o numérico. Na argila, era gravada a figura do animal e a quantidade era de acordo com o formato da pedra. Em relação ao formato, a forma de disco representava a quantidade 100, o quadrado, 20. As peças eram guardadas em uma urna que, posteriormente, era lacrada (http://www.exatagestaocontabil.com.br/).

De acordo com Ross e Westerfield (2000), o Administrador Financeiro iria verificar se o fluxo resultante de sangue através das artérias teria

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Os deveres do executivo financeiro diferem dos do Contador, pois este se dedica, basicamente, à coleta e apresentação de dados financeiros. O executivo financeiro avalia as demonstrações do Contador, desenvolve dados adicionais e toma decisões

com base em análises subsequentes. O papel do Contador é prover dados que sejam desenvolvidos e interpretados com facilidade, sobre operações passadas, presentes e futuras da empresa.

1.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos que é necessário possuir conhecimentos em Administração Financeira e que essa ciência está subdividida em três grandes áreas, acompanhamos a ordem cronológica de desenvolvimento da Administração financeira até os dias atuais e verificamos a relação entre a Administração Financeira e outras áreas de conhecimento, tais como Marketing, Contabilidade, Administração e Economia. Para se entender o ambiente financeiro e as teorias de decisão que constituem a base da Administração Financeira contemporânea, faz-se necessário possuir também conhecimentos em Economia. A Economia possui duas grandes áreas de destaque, que são a Macroeconomia e a Microeconomia. A Macroeconomia fornece ao Administrador Financeiro uma visão clara das políticas do Governo e instituições privadas, através das quais a atividade econômica é controlada. Operando no “campo econômico” criado por tais instituições, o Administrador Financeiro vale-se das teorias Microeconômicas de operação da firma e maximização do lucro para desenvolver um plano que seja bem-sucedido. Precisa enfrentar não só outros concorrentes em seu setor, mas também as condições econômicas vigentes. Espero que tenha compreendido. Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

1.4 Atividades Propostas

1. Cite e explique as três principais áreas das finanças. 2. Explique a relação entre a administração financeira e a economia? 3. Explique a diferença entre o Contador e o Administrador Financeiro.

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O PAPEL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO NAS EMPRESAS

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, trataremos das três principais funções do administrador financeiro, de suas principais metas e dos processos de maximização do lucro e de maximização da riqueza. Vamos iniciar a discussão? Nossa discussão inicia-se ressaltando que a extensão e a importância da função financeira dependem, em grande parte, do tamanho da empresa. Em empresas pequenas, a função financeira é geralmente realizada pelo departamento de Contabilidade.

Pinheiro (2007) menciona que, à medida que a empresa cresce, a importância da função financeira leva à criação de um Departamento Financeiro separado – uma unidade organizacional autônoma, ligada diretamente ao Presidente da companhia, através de um Vice-Presidente de Finanças. A Figura 2 mostra um organograma, destacando a estrutura da atividade financeira dentro da empresa.

Atenção A classificação do porte de empresas por faturamento, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é a seguinte: • Microempresa: menor ou igual a R$ 2,4 milhões; • Pequena empresa: maior que R$ 2,4 milhões e menor ou igual a R$ 16 milhões; • Média empresa: maior que R$ 16 milhões e menor ou igual a R$ 90 milhões; • Média-grande empresa: maior que R$ 90 milhões e menor ou igual a R$ 300 milhões; • Grande empresa: maior que R$ 300 milhões (http://www.bndes.gov.br).

2.1 Funções do Administrador Financeiro

De acordo com o estudo realizado por Gitman (1997), as funções do Administrador Financeiro dentro da empresa podem ser avaliadas em relação às demonstrações financeiras básicas da

empresa. Suas três funções primordiais são: (1) análise e planejamento financeiro; (2) administração da estrutura de ativo da empresa; e (3) administração de sua estrutura financeira.

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Figura 2 – Estrutura do departamento financeiro nas empresas.

ƒƒ Análise e planejamento financeiro: esta função envolve a transformação dos dados financeiros em uma forma que possa ser usada para orientar a posição financeira da empresa, avaliar a necessidade de aumento da capacidade produtiva e determinar que tipo de financiamento adicional deve ser feito; ƒƒ Administração da estrutura de ativo da empresa: o Administrador Financeiro determina a composição e os tipos de ativos encontrados no balanço da empresa. A composição refere-se ao valor dos ativos circulantes e fixos. Depois que a composição estiver fixada, o Administrador Financeiro precisa determinar certos níveis “ótimos” de cada tipo de ativo circulante e tentar mantê-los. Deve também detectar quais são os melhores ativos fixos a serem adquiridos e saber quando os ativos fixos existentes se tornarão obsoletos e precisarão ser modificados ou substituídos. A determinação da melhor estrutura de ativo para a empresa não é um processo simples; requer o conhecimento das operações passadas e futuras da empresa e a compreensão dos objetivos que deverão ser alcançados em longo prazo;

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ƒƒ Administração da Estrutura Financeira da Empresa: trata-se de um processo amplamente complexo, que requer o conhecimento das operações passadas e futuras da empresa e a compreensão dos objetivos que deverão ser alcançados em longo prazo. Esta função é relacionada com o lado direito do balanço da empresa. Em primeiro lugar, a composição mais adequada de financiamento em curto e longo prazo precisa ser determinada. Esta é uma decisão importante, pois afeta tanto a lucratividade da empresa quanto sua liquidez global. Um segundo problema igualmente importante é saber quais as melhores fontes de financiamento em curto ou longo prazo para a empresa, num dado momento. Muitas dessas decisões são impostas por necessidade, mas algumas exigem uma análise profunda das alternativas disponíveis, de seus custos e de suas implicações em longo prazo. Saiba mais Ao administrar a estrutura de ativo da empresa, na realidade, ele está determinando a formação do lado esquerdo de seu Balanço. Ao administrar sua estrutura financeira, está elaborando o lado direito do Balanço da empresa (GITMAN, 1997).

As três funções do Administrador Financeiro descritas são claramente refletidas no balanço, que mostra a posição financeira da empresa num dado instante. A avaliação dos dados do balanço pelo Administrador Financeiro reflete a posição financeira global da empresa. Ao fazer tal avaliação, ele precisa inspecionar as operações da empresa, procurando áreas que mostrem problemas e áreas que podem ser melhoradas.

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2.2 Meta do Administrador Financeiro

Ao administrar sua estrutura financeira, está elaborando o lado direito do Balanço da empresa. O Administrador Financeiro deve visar a atingir os objetivos dos proprietários da empresa. No caso de sociedades anônimas, os proprietários da empresa normalmente não são os administradores. A função destes não é realizar seus próprios objetivos (que podem incluir o aumento de seus ordenados, a obtenção de prestígio ou a manutenção de sua posição). De acordo com Gitman (1997), antes, é maximizar a satisfação dos proprietários (acionistas). Presumivelmente, se forem bem-sucedidos nessa tarefa, também atingirão seus objetivos pessoais. Alguns acreditam que o objetivo dos proprietários é sempre a maximização do lucro; outros creem que é a maximização da riqueza. A maximização da riqueza é a abordagem preferida, por cinco razões básicas: 1. Retorno realizável do proprietário: o proprietário de uma ação possivelmente espera receber seu retorno sob a forma de pagamentos periódicos de dividendos ou através de valorizações no preço da ação ou ambos. O preço de mercado de uma ação reflete um valor de dividendos futuros esperados, bem como de dividendos correntes; a riqueza do acionista (proprietário) na empresa, em qualquer instante, é medida pelo preço de mercado de suas ações. Se um acionista numa empresa desejar liquidar sua participação, irá vender a ação ao preço vigente no mercado ou bem próximo a este. Uma vez que o preço de mercado da ação, e não os lucros, é que reflete a riqueza do proprietário numa empresa, num dado momento, a meta do Administrador Financeiro deve ser maximizar essa riqueza;

2. Uma perspectiva de longo prazo: a maximização do lucro é uma abordagem de curto prazo; a maximização da riqueza considera o longo prazo. Do exemplo anterior, deve-se depreender que o maior preço da ação da Companhia alfa resultou do fato de que suas decisões de curto prazo relacionadas com o desenvolvimento de novo produto, embora baixando os lucros em curto prazo, produzem maiores retornos futuros. Uma empresa que deseja maximizar lucros poderia comprar maquinaria de baixa qualidade e usar materiais de baixa qualidade, ao mesmo tempo que faria um tremendo esforço de venda para vender seus produtos por um preço que rendesse um elevado lucro por unidade; 3. Época de ocorrência dos retornos: a abordagem de maximização do lucro não consegue refletir diferenças na época de ocorrência de retornos, ao passo que a maximização da riqueza tende a considerar tais diferenças. O objetivo de maximização do lucro dá maior importância a um investimento que ofereça os maiores retornos totais, enquanto a abordagem da maximização da riqueza considera explicitamente a época de ocorrência dos retornos e seu impacto no preço da ação; 4. Análise dos riscos: a maximização do lucro desconsidera não apenas o fluxo de caixa, mas também o risco – a possibilidade de que os resultados realizados possam ser diferentes daqueles esperados. Uma premissa básica em Administração financeira é que há um confronto entre o retorno (fluxo de caixa) e o risco. De maneira geral, os acionistas têm aversão ao risco, ou seja, querem evitá-lo;

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5. Distribuição dos retornos: o objetivo de maximização do lucro dá maior importância a um investimento que ofereça os maiores retornos totais, enquanto a abordagem da maximização da riqueza considera explicitamente a época de ocorrência dos retornos e seu impacto no preço da ação. O uso do objetivo da maximização do lucro, conforme Brigham (2001), não permite considerar que os acionistas possam desejar receber uma parte dos retornos da empresa sob a forma de dividendos periódicos. Na ausência de qualquer preferência por dividendos, a empresa poderia maximizar lucros de um período a outro, reinvestindo todos os lucros e usando-os para adquirir novos ativos, que elevarão os lucros futuros.

A estratégia da maximização da riqueza leva em conta o fato de que muitos proprietários apreciam receber o dividendo regular, independente do seu montante. Os Administradores financeiros devem reconhecer que a política de dividendos da empresa afeta a atratividade de sua ação para tipos particulares de investidores. Porém, segundo Hoji (2007), os acionistas certamente prefeririam um aumento na sua riqueza, em longo prazo, do que a geração de um fluxo crescente de lucros, sem se preocupar com o valor de mercado de suas ações. Muitas vezes, os dois objetivos podem ser perseguidos simultaneamente, porém não se deve nunca permitir que a maximização dos lucros obscureça o objetivo mais amplo da maximização da riqueza.

Multimídia Assista ao filme Wall Street – Poder e Cobiça. O filme aborda uma série de situações presentes no mercado de ações, que ajudará no seu aprendizado. A história se passa em Nova Iorque, em 1985, onde Bud Fox é um jovem e ambicioso corretor que trabalha no mercado de ações. O personagem Gordon Gekko é um inescrupuloso bilionário proprietário de uma corretora de valores, que não mede esforços para obter informações privilegiadas, que lhe proporcionam vantagem na tomada de decisão sobre a compra e venda de ações. Atores: Daryl Hannah, Michael Douglas, Charlie Sheen. Ano de lançamento: 1987.

2.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos as principais funções do administrador financeiro, análise e planejamento financeiro, administração da estrutura de ativo da empresa e administração da estrutura financeira da empresa, função que está relacionada com o lado direito do balanço da empresa. Entendemos ainda sobre a importância de saber quais as melhores fontes de financiamento em curto ou longo prazo para a empresa, num dado momento, e também que muitas dessas decisões são impostas por necessidade, mas algumas exigem uma análise profunda das alternativas disponíveis, de seus custos e de suas implicações em longo prazo. Espero que tenha compreendido. Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

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2.4 Atividades Propostas

1. Cite e explique as principais metas do administrador financeiro. 2. Explique a diferença entre maximização do lucro e maximização da riqueza. 3. Explique o seu entendimento sobre retorno realizável ao proprietário e análise dos riscos.

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TIPOS DE EMPRESAS

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, apresentaremos os principais tipos de empresas, com destaque para a firma individual, as sociedades por cotas e sociedades anônimas. Observaremos ainda as principais responsabilidades dos sócios, as vantagens e desvantagens de cada um dos tipos de empresas apresentados. Por fim, entenderemos o conceito de fusão, holding e cisão de empresas. Vamos iniciar a discussão? Van Horne (1993, p. 3) inicia seu trabalho de forma objetiva, quando diz: “O objetivo de uma companhia deve ser a criação de valor para seus acionistas.” O valor é representado pelo preço de mercado da ação ordinária da companhia, o qual, por outro lado, é uma função das decisões de investimento, financiamento e dividendos da empresa. A maioria dos livros sobre finanças tem origem nos Estados Unidos, onde as sociedades anônimas de capital aberto são extremamente representativas, razão por que o foco de finanças tem sido os acionistas. A realidade brasileira é diferente, pois a quantidade e o valor patrimonial das sociedades anônimas não têm a mesma representatividade e a maior parte das empresas brasileiras com fins lucrativos constitui-se societariamente como limitada. Nesse caso, a figura é o sócio, dono das cotas.

De qualquer forma, a palavra “acionista” deve representar, além destes, os sócios e os donos das empresas individuais. Em outras palavras, o objetivo maior de finanças é criar valor para seus proprietários, sejam eles quais forem. O objetivo de uma empresa deve ser a criação de valor para seus acionistas ou proprietários (PINHEIRO, 2007). As finanças das entidades sem fins lucrativos devem interpretar o objetivo de criação de valor de forma similar. Assim, a geração ou criação de um resultado econômico e financeiro positivo, que permita o desenvolvimento normal de suas operações e as necessidades gerais de investimentos, de modo a garantir sua continuidade e cumprir a missão a que se destinam, representa a mesma coisa que o conceito de criação de valor. Nesse caso, de acordo com Ross e Westerfield (2000), a criação de valor é para a entidade e não para os proprietários, uma vez que essas entidades não se caracterizam como propriedades de alguém. Como a palavra “valor” se presta a muitas interpretações, convém ressaltar que o conceito a que se refere o objetivo de finanças é valor econômico, ou seja, a representação do valor da empresa medido em unidades monetárias. Portanto, criação de valor, em finanças, é um conceito objetivo, mensurável em moeda.

3.1 Modalidades de Organização de Empresas

Nos Estados Unidos, as grandes empresas, como, por exemplo, IBM e Exxon, quase sempre são sociedades por ações, assim como, no Brasil,

temos a Sadia, o Pão de Açúcar, a Votorantin, entre outras. Examinaremos as três diferentes modalidades legais de organização de empresas – firma

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individual, sociedade por cotas e sociedade por ações –, para que se entenda por que isso acontece (GITMAN, 1997). A Firma individual é a empresa que pertence a uma única pessoa. É a maneira mais simples de se começar uma empresa e é a menos regulamentada das modalidades de empresas. Por essa razão, há mais firmas individuais do que qualquer outra modalidade de empresa e muitos negócios que, posteriormente, se transformam em grandes sociedades por ações começam como firmas individuais. O proprietário de firma individual tem direito a todo o lucro da empresa. Essa é a notícia boa. A notícia ruim é que o proprietário tem responsabilidade ilimitada pelas dívidas da empresa. Isso significa que os credores podem recorrer aos bens pessoais do proprietário para pagamento de seus direitos. De maneira análoga, não há distinção entre rendimentos da pessoa física e da pessoa jurídica e, portanto, todo o lucro da empresa é tributado como rendimento de pessoa física. A vida da firma individual é limitada à vida do proprietário e, o que é mais importante, o montante do patrimônio líquido que pode ser obtido está limitado à riqueza pessoal do proprietário. Essa limitação geralmente significa que a empresa é incapaz de explorar novas oportunidades, em vista da insuficiência de capital. É difícil transferir a propriedade de uma firma individual, pois isso implica a venda de toda a empresa a novo dono (PADOVEZE, 2005). Uma sociedade por cotas é semelhante a uma firma individual, exceto pelo fato de que existem dois ou mais donos (sócios). Numa sociedade geral, todos os sócios dividem lucros e prejuízos e possuem responsabilidade ilimitada por todas as dívidas da empresa, não apenas por uma proporção delas. A maneira pela qual lucros (e prejuízos) são divididos é descrita no contrato da sociedade. Esse contrato pode ser um acordo verbal informal, como em “vamos montar um negócio para cortar grama?”, ou um longo documento formal, por escrito. Numa sociedade limitada, um ou mais sócios gerais serão responsáveis pela gestão da

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empresa e terão responsabilidade ilimitada, e outros não terão participação ativa no negócio. A responsabilidade de um sócio limitado por dívidas da empresa é restrita ao montante que tenha contribuído para o capital da sociedade. Essa forma de organização é comum em empreendimentos imobiliários, por exemplo. As vantagens e desvantagens da sociedade por cotas, de acordo com Brigham e Weston (2000), são basicamente as mesmas de uma firma individual. As sociedades com base em contratos relativamente informais podem ser constituídas facilmente e a baixo custo. Sócios gerais possuem responsabilidade ilimitada nas dívidas da empresa e a sociedade acaba quando um sócio geral mostra o desejo de vender ou morre. Todo o lucro é tributado como rendimento da pessoa física dos sócios e o montante do patrimônio líquido que pode ser obtido é limitado à riqueza agregada dos sócios. Brigham e Weston (2000) menciona ainda que a participação de um sócio geral não pode ser transferida com facilidade, pois é necessário que se forme uma nova sociedade. A participação de um sócio com responsabilidade limitada pode ser vendida sem que a sociedade seja desfeita, mas encontrar um comprador pode ser difícil. Como um sócio de uma sociedade geral pode ser responsável por todas as dívidas da empresa, a existência de um contrato por escrito é muito importante. Se os direitos e as obrigações dos sócios não forem explicitados, frequentemente ocorrerão desentendimentos futuros. Além disso, se você for um sócio com responsabilidade limitada, não se envolverá muito com as decisões da empresa, a menos que pretenda assumir as obrigações de um sócio geral. O motivo é que, se as coisas forem mal, você poderá ser tratado como um sócio geral, mesmo que diga que é um sócio com responsabilidade limitada. Com base na proposta de Padoveze (2005), as principais desvantagens da firma individual e da sociedade de cotas como modalidades de organização de empresas são: (1) responsabilidade ilimitada dos proprietários em relação às dívidas da empresa; (2) vida limitada da empresa; e (3) dificuldade de transferência de propriedade. Essas três desvantagens resumem-se a um único problema crucial: a capacidade de crescimento de tais empresas pode

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ficar seriamente prejudicada pela impossibilidade de levantar recursos para investimento. A Sociedade por Ações é a modalidade mais importante (em termos de tamanho) de organização das empresas em geral. A sociedade por ações consiste em uma entidade legal separada e distinta de seus proprietários e possui muitos dos direitos, obrigações e privilégios de uma pessoa de verdade. Sociedades por ações podem tomar dinheiro emprestado e possuir imóveis, podem processar e ser processadas e podem firmar contratos. A sociedade por ações pode até mesmo ser um sócio geral ou sócio com responsabilidade limitada em outra sociedade e pode possuir ações de outras sociedades por ações. Não é surpreendente o fato de que começar uma sociedade por ações é muito mais complicado do que começar outras modalidades de organização de empresas. A formação de uma sociedade por ações envolve a preparação de um documento de incorporação e um estatuto. O documento de incorporação precisa conter diversos itens, entre eles, o nome da sociedade, sua duração (que pode ser indeterminada), sua finalidade e o número de ações que podem ser emitidas. Geralmente, essas informações precisam ser fornecidas ao Estado no qual a empresa será incorporada. Para a maior parte dos objetivos legais, a sociedade por ações é “residente” desse Estado. O estatuto consiste em regras que descrevem como a empresa norteia sua existência. Por exemplo, o estatuto descreve como a diretoria será eleita. O estatuto pode ser emendado ou ampliado de tempos em tempos pelos acionistas. Em grandes sociedades por ações, os acionistas e administradores geralmente são grupos distintos. Os acionistas elegem o conselho de administração, que, por sua vez, seleciona os administradores.

A administração é responsável pela conduta das atividades, de acordo com os interesses dos acionistas. Em princípio, os acionistas controlam a empresa, pois são eles que elegem o conselho de administração. Como consequência da separação entre propriedade e administração, a sociedade por ações é uma modalidade que traz diversas vantagens. A propriedade (representada pelas ações da companhia) pode ser prontamente transferida e a vida da empresa, portanto, é ilimitada. A sociedade por ações toma dinheiro emprestado em seu próprio nome. Consequentemente, os acionistas da empresa têm responsabilidade limitada pelas dívidas da empresa. O máximo que podem perder está limitado a seu investimento. A facilidade relativa de transferência da propriedade, a responsabilidade limitada pelas dívidas da empresa e a vida ilimitada da empresa são as razões pelas quais a modalidade de sociedade por ações é uma alternativa superior às demais no que se refere a levantar capital. Se a empresa necessitar aumentar o capital próprio, poderá vender novas ações, atraindo novos investidores. O número de donos pode ser enorme; as maiores sociedades por ações possuem milhares e, até mesmo, milhões de acionistas. Essa modalidade possui uma desvantagem significativa. Como a sociedade por ações é uma entidade legal, precisa recolher impostos. Além disso, o dinheiro pago aos acionistas sob a forma de dividendos é tributado novamente como rendimento desses acionistas. Isso é dupla tributação, significando que os lucros da empresa são tributados duplamente: na pessoa jurídica, ao ser gerado lucro, e na pessoa física, quando esse lucro é distribuído.

3.2 Fusões de Empresas

Muitas razões têm sido apresentadas pelos administradores financeiros e teóricos para justificar o grande nível de atividades de fusão de empresas. O conceito e os principais motivos por trás das fusões você acompanha neste capítulo.

Atividades envolvendo expansão ou contração das operações de uma empresa ou, ainda, mudança em seus ativos ou estrutura financeira (dívida em curto e longo prazo e patrimônio). De acordo com Hoji (2007), a fusão é a operação pela

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qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações (Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, art. 228; Código Civil – Lei nº 10.406, de 2002, art. 1119). Com a fusão, desaparecem todas as sociedades anteriores, para dar lugar a uma só, na qual todas elas se fundem, extinguindo-se todas as pessoas jurídicas existentes e surgindo outra em seus lugares. A sociedade que surge assumirá todas as obrigações ativas e passivas das sociedades fusionadas. Na combinação de duas ou mais empresas, a empresa resultante mantém a identidade de uma das empresas, geralmente a maior.

Beta então fecham uma parceria para distribuir seus produtos no país. Uma maneira de formalizar o acordo seria a criação da AB Importadora e Distribuidora Ltda. Acme criaria a Acme Holding, que seria dona de 100% do capital da antiga empresa Acme Sapatos e de 51% do capital da AB. Beta seria dona dos outros 49% do capital da AB (HOJI, 2007). Curiosidade Existem duas modalidades de Holding: (1) a pura, quando no seu objetivo social consta somente a participação no capital de outras sociedades; e (2) a mista, quando, além da participação, ela serve à exploração de alguma atividade empresarial (HOJI, 2007).

Atenção A Fusão é resultante da combinação de duas ou mais empresas para formar uma sociedade anônima completamente nova (PINHEIRO, 2007).

Uma holding ou sociedade gestora de participações sociais é uma forma de oligopólio, na qual é criada uma empresa para administrar um grupo delas (conglomerado) que se uniu com o intuito de promover o domínio de determinada oferta de produtos e/ou serviços. Na holding, essa empresa criada para administrar possui a maioria das ações ou cotas das empresas componentes de determinado grupo. Essa forma de administração é “muito praticada pelas grandes corporações. Em outras palavras é monopólio em blindagem.” (HOJI, 2007, p. 234). Essa forma de sociedade é muito utilizada por médias e grandes corporações e, normalmente, visa a melhorar a estrutura de capital da empresa ou como parte de alguma parceria com outras empresas.

A cisão é a operação pela qual a sociedade transfere todo ou somente uma parcela do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a sociedade cindida – se houver versão de todo o seu patrimônio – ou dividindo-se o seu capital – se parcial a versão (Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, art. 229, com as alterações da Lei nº 9.457, de 1997). Efetivada a cisão com extinção da empresa cindida, caberá aos administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento e publicação dos atos da operação (HOJI, 2007). Na cisão com versão parcial do patrimônio, essa obrigação caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio (Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, art. 229, § 4º).

Um exemplo prático de como uma holding pode ser utilizada: a empresa Acme fabrica e vende sapatos no Brasil. Ela acha que pode ganhar dinheiro se vender tênis também, mas não tem nenhuma experiência na fabricação de tênis. A empresa alemã Beta faz ótimos tênis e gostaria de vender seus produtos no Brasil, mas não tem uma rede de varejistas para distribuí-los. Acme e

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3.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos que, nos Estados Unidos e no Brasil, as grandes empresas quase sempre são sociedades por ações. Observamos, ainda, que uma Firma individual é a maneira mais simples de se começar uma empresa; que uma sociedade por cotas é semelhante a uma firma individual, exceto pelo fato de que existem dois ou mais donos (sócios); que as vantagens e desvantagens da sociedade por cotas são basicamente as mesmas de uma firma individual; que a participação de um sócio com responsabilidade limitada pode ser vendida sem que a sociedade seja desfeita, mas encontrar um comprador pode ser difícil; e que a Sociedade por Ações é a modalidade mais importante de organização das empresas em geral. Espero que tenha compreendido. Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

3.4 Atividades Propostas

1. O que você entende por sociedade por ações? 2. Quais são as vantagens e desvantagens de uma sociedade por cotas? 3. O que você entende por fusão e holding?

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NOÇÕES DE RISCO E RETORNO

Financeira. A maximização do lucro como medida de eficiência na gestão financeira da empresa é baseada na crença de que a busca do maior lucro que possa ser proporcionado por um ativo conduz a uma eficiente alocação dos recursos.

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, discutiremos a relação entre risco, retorno e liquidez. Veremos, ainda, o conceito de risco e os principais tipos de risco, com destaque para os riscos operacionais, de crédito e mercado, e apresentaremos a atuação do administrador na função de minimizador da intensidade do risco existente nas empresas. Vamos iniciar a discussão?

A política de maximização de lucros, de acordo com Hoji (2007), poderá trazer consequências graves, se a busca de um resultado de curto prazo sacrificar a segurança de retorno do capital investido, podendo até inviabilizar a empresa no longo prazo. Por outro lado, cautela excessiva e segurança em demasia na alocação dos ativos podem reduzir a rentabilidade, porque ativos seguros tendem a oferecer menor remuneração, por não necessitarem compensar o risco.

Gitman (1997) afirma que a função administrativa que tem como objetivo a adequação das fontes e das aplicações dos recursos de uma empresa objetivando o lucro é chamada Gestão

Figura 3 – Tripé da análise de risco e retorno.

Rentabilidade

Investimento

LiquidezR isco

$ Risco

As opções existentes para qualquer tipo de investimento devem ser decompostas nos seus três fatores fundamentais: rentabilidade, liquidez e risco. Esse tripé sustenta os investimentos e devem ser sempre avaliados. Em condições normais, percebe-se que, quanto maior a rentabilidade, menor a liquidez; quanto maior a liquidez, maior o risco; quanto maior o risco, maior a rentabilidade e assim por diante.

Atenção Risco é um conceito “multidimensional”, que cobre quatro grandes grupos: risco de mercado, risco operacional, risco de crédito e risco legal (MARKOWITZ, 1959).

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4.1 Rentabilidade, Liquidez e Risco

Entendemos como rentabilidade o aumento da capacidade de consumo pelo seu adiamento, ou seja, é o grau de rendimento proporcionado por um investimento. A Liquidez é a capacidade de consumir o mais rápido possível, ou seja, é a capacidade de transformar um investimento em dinheiro. Segurança é a certeza de poder consumir no futuro o retorno que se espera daquele investimento, ou seja, é a certeza de retorno do dinheiro aplicado. O aumento da capacidade de consumo, que é a rentabilidade, se dá “pela apreciação do capital ao longo do tempo, ou seja, ao final do horizonte de investimento.” (ROSS; WESTERFIELD, 2000, p. 67). Existem dois momentos distintos no cálculo da rentabilidade. A rentabilidade calculada antes de realizado o investimento é a que o investidor espera que ocorra. A outra é a calculada depois de realizado o investimento e é a que realmente aconteceu ou está acontecendo. A rentabilidade calculada antes também é conhecida como rentabilidade esperada ou retorno esperado do investimento. A rentabilidade calculada depois do vencimento da aplicação ou da realização do ativo é conhecida como rentabilidade observada. Se a rentabilidade anterior fosse sempre igual à posterior, o mundo financeiro seria muito simples, porém, em geral, a esperada é diferente da observada. Segurança é justamente o quão próxima está a rentabilidade posterior da anterior. De acordo com Padoveze (2005), a melhor forma de entender a segurança é através da análise do seu contrário, que é o risco. Dicionário Risco: está sempre presente na atividade humana. Quando os médicos realizam cirurgias ou diagnósticos, engenheiros projetam novas construções, pessoas iniciam negócios, o risco é um parceiro inevitável.

Atravessar a rua pode ter como resultado um acidente. Tudo o que fazemos ou dizemos pode gerar uma consequência diferente daquela que imaginamos.

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Embora lidemos diariamente com as mais variadas formas de risco, sua conceituação não é fácil. Isto pode estar relacionado com a dificuldade de estabelecermos a aversão ao risco, pois a atitude frente ao risco é diferente para cada pessoa. Situações de alto risco para um pode ser de risco aceitável para outros. As diferentes perspectivas, geradas por diferentes conjuntos de informações, é que estabelecerão o nível de risco para um evento. (BRIGHAM, 2001, p. 274).

Explica-se, assim, o fato de uma pessoa aplicar suas economias em bolsas de valores, enquanto outra prefere a segurança de uma caderneta de poupança. A variedade de posturas individuais em relação ao risco é que permite, muitas vezes, a realização de um grande volume de negócios. Saiba mais Existe uma distinção entre os conceitos de risco e incerteza, não podendo ser confundidos. Em Finanças, podemos dizer que o Risco existe quando o tomador da decisão pode embasar-se em probabilidade para estimar diferentes resultados e que há ocorrência da incerteza quando o tomador não dispõe de dados históricos acerca de um fato, o que exigirá a tomada de decisão apenas pela intuição (GITMAN, 1997).

A atuação do Administrador Financeiro deve procurar eliminar sempre a incerteza, ou seja, estimar a probabilidade de ocorrência do evento, saindo do conceito de incerteza e chegando ao conceito de risco. Como não há possibilidade de extinção do risco, cabe ao profissional de finanças aprender como administrá-lo. Em toda e qualquer atividade em que a empresa atue, existe um componente de risco, que será maior ou menor dependendo de duas variáveis: primeiro, o impacto quantitativo que pode causar sobre os resultados ou receitas da empresa, e, segundo, a probabilidade estatística de que esse fato ou impacto aconteça (PINHEIRO, 2007).

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4.2 Gestão de Riscos

É tomar providências hoje, para garantir a sobrevivência do empreendimento no futuro, caso ocorra um cenário improvável, porém possível. Para saber qual providência deve ser tomada, é necessário mensurar o risco. De um modo geral, o risco total de um ativo é subdividido em uma parcela causada por eventos controláveis pela empresa e uma parcela causada por eventos não controláveis pela empresa, denominados riscos sistemáticos ou sistêmicos e riscos próprios (ROSS; WESTERFIELD, 2000). Os riscos estão divididos em categorias. Sendo assim, temos os chamados riscos sistemáticos, que são provenientes de mudanças no cenário macroeconômico, ou seja, aqueles que os sistemas econômico, político e social impõem em geral a todos os ativos e, naturalmente, à sua taxa de retorno. Nessa categoria, estão aqueles riscos que nenhum administrador ou investidor pode controlar ou evitar. Temos ainda os riscos chamados não sistemáticos, que consistem em riscos intrínsecos ao ativo e são gerados por fatores que atingem diretamente o ativo em estudo ou, no máximo, um pequeno número de ativos, não atingindo os demais. Esse tipo de risco é evitável, uma vez que a determinante é a escolha ou não dessa classe de investimento (HOJI, 2007). Incertezas sobre condições econômicas gerais, como Produto Interno Bruto (PIB), taxa de juros ou inflação, são exemplos de riscos sistêmicos, pois afetam praticamente todas as empresas em algum nível. O anúncio da descoberta de um novo remédio para determinada doença por uma empresa afetará principalmente aquela empresa e seus competidores, não envolvendo outras; é, portanto, um evento não sistêmico.

As perdas aqui estão relacionadas aos recursos que não mais serão recebidos ou aos seus recebimentos fora do prazo ou das condições pactuadas. De maneira geral, o mercado tende a associar tamanho da instituição com sua capacidade de pagamento. Risco de crédito pode ser dividido em três grupos: o Risco da Falta de Pagamento ou de Inadimplência, decorrente da impossibilidade de uma das partes em um contrato honrar seus compromissos assumidos; o Risco de Concentração de Crédito, proveniente da possibilidade de perdas em função da não diversificação do crédito concedido a clientes; e o Risco Soberano ou Risco do País, proveniente da existência de restrições ao fluxo livre de capitais entre países, as quais podem ser originárias de golpes militares, novas políticas econômicas, resultados de novas eleições etc. ou como no caso das moratórias de países latino-americanos (HOJI, 2007). Multimídia Assista ao filme Um Bom Ano. Tópicos explorados: mercados de capitais e análise técnica. A passagem inicial do filme retrata a associação entre os movimentos dos agentes no mercado financeiro e o comportamento dos preços dos ativos financeiros. Aos 11 anos, Max Skinner é cuidadosamente educado na arte de saborear vinhos por seu tio Henry. Adulto, Max torna-se um bem-sucedido homem de negócios e a trama segue. Ator principal: Russell Crowe. Ano de lançamento: 2006.

Temos ainda outras classificações de riscos. Entre elas, destacam-se os riscos de crédito, que estão relacionados a possíveis perdas quando um dos contratantes não honra seus compromissos.

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Outra modalidade de risco importante para ser compreendida é a do Risco de mercado. Esse tipo de risco depende do comportamento do preço do ativo diante das condições de mercado. Para entender e medir possíveis perdas devido às flutuações do mercado, é importante identificar e quantificar o mais corretamente possível as volatilidades e correlações dos fatores que impactam a dinâmica do preço do ativo. O risco de mercado pode ser dividido em quatro grandes áreas: risco do mercado acionário, decorrente da possibilidade de perdas decorrentes de mudanças adversas nos preços de ações ou em seus derivativos; o risco do mercado de câmbio, proveniente da possibilidade de perdas devido a mudanças adversas na taxa de câmbio ou em seus derivativos; o risco do mercado de juros, proveniente da possibilidade de perdas, no valor de mercado de uma carteira, decorrentes de mudanças adversas nas taxas de juros ou seus derivativos; e o risco do mercado de commodities, referente à possibilidade de perdas decorrentes de mudanças adversas nos preços de commodities e/ ou em seus derivativos (HOJI, 2007). O risco operacional está relacionado a possíveis perdas como resultado de sistemas e/ou controles inadequados, falhas de processos internos, gerenciamento e erros humanos. O risco operacional pode ser dividido em três grandes áreas: o Risco Organizacional, que está relacionado com uma organização ineficiente, administração inconsistente e sem objetivos de longo prazo bem definidos, fluxo de informações internas e externas deficiente, responsabilidades mal definidas e acesso a informações internas por parte de concorrentes; o Risco de Operações, que pode ser relacionado com problemas tecnológicos, equipamentos (telefonia, elétrico, computacional etc.), processamento e armazenamento de dados e fluxo operacional inadequado; e o Risco de Pessoal, que pode estar relacionado com falhas humanas, como empregados não qualificados, por exemplo, ou fraudes, do tipo adulteração de documentos, vazamento de informações privilegiadas, desvio de valores, entre outros (PADOVEZE, 2005).

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Por fim, temos o chamado Risco Legal, que pode estar associado a perdas oriundas de falta da definição técnica legal ou organização jurídica em alguma operação realizada; pode ser com respeito à ausência de técnica jurídica na elaboração de contratos, expondo a organização excessivamente a uma contraparte ou levando ao fechamento de contratos sem garantias suficientes de execução; ou pode estar relacionado ainda à inexistência de verificação sobre a legitimidade de contrapartes ou autenticidade de documentos apresentados; e o Risco de Imagem, que está relacionado a perdas decorrentes de causas imateriais, gerando a possibilidade de perdas decorrentes de desgastes com a imagem da instituição junto ao mercado ou autoridades, em razão de publicidade negativa, de ações particulares ilegais ou irresponsáveis, que podem ser verdadeiras ou não (HOJI, 2007). Existem diversas metodologias de avaliação de risco, porém não existe muita uniformidade no cálculo do risco de instituições financeiras e de empresas. Em comum, as metodologias para estimação do risco requerem conhecimentos sobre a mecânica dos mercados de interesse, alguma sofisticação matemática e sistemas computacionais e de informações confiáveis. No caso de risco operacional e risco legal, o problema de medir risco deve ser tratado em uma abordagem caso por caso. Em outros estudos realizados por Brigham (1997), para o risco de mercado e para o risco de crédito, algumas metodologias já se encontram em uso; podem ser medidos das seguintes formas: Risco de Mercado Relativo, que é uma medida do “descolamento” dos rendimentos de uma carteira de investimentos em relação a um índice utilizado como benchmark (desvio padrão); e Risco de Mercado Absoluto, que mede as perdas de uma carteira de investimentos sem qualquer relação a índices de mercado. São utilizadas outras medidas estatísticas de avaliação do risco, como: Medida de posição (média, mediana, moda); Medida de dispersão (Desvio padrão, variância, amplitude total, dispersão absoluta); probabilidade (Estudo do risco); Regressão Linear Simples, Linear Múltipla, Logística e Análise Discriminante. As técnicas não lineares mais utilizadas são as Redes Neurais e Algoritmos Genéticos (GITMAN, 1997).

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Princípios de Administração Financeira

4.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos o conceito de risco, retorno e liquidez. Observamos que, de um modo geral, o risco total de um ativo é subdividido em duas parcelas, denominadas riscos sistemáticos ou sistêmicos e riscos próprios. Os riscos estão divididos em categorias. Temos ainda outras classificações de riscos. Entre elas, destacam-se os riscos de crédito, ocasionados pela falta de pagamento; concentração de crédito, proveniente da possibilidade de perdas em função da não diversificação do crédito concedido a clientes; e o risco país, decorrente da existência de restrições ao fluxo livre de capitais entre países, que podem ser originárias de golpes militares, novas políticas econômicas, resultados de novas eleições etc. Por fim, estudamos algumas formas de realizar a gestão de riscos. Espero que tenha compreendido. Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

4.4 Atividades Propostas

1. Explique o seu entendimento sobre risco sistemático e não sistemático. 2. Explique o seu entendimento sobre risco operacional. 3. O que você entende por gestão de riscos? Exemplifique.

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SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

Caro(a) aluno(a),

Saiba mais

Neste capítulo, trataremos do processo de abertura de capital de uma empresa. Vamos iniciar a discussão? O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é formado por instituições que têm como finalidade intermediar o fluxo de recursos entre poupadores, investidores e os tomadores de recursos, em condições satisfatórias do mercado. Atenção O Mercado Financeiro é regulamentado e fiscalizado principalmente pelo Banco Central do Brasil (BCB ou BACEN) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que estão subordinados ao Conselho Monetário Nacional (CMN) (BRITO, 2005).

O CMN é o órgão mais importante do SFN. É um órgão normativo sem funções executivas, responsável pela fixação de diretrizes das políticas monetária, creditícia e cambial. É presidido pelo Ministro da Fazenda (HOJI, 2007).

O principal papel da autoridade monetária é o de regular e fiscalizar o mercado. As características das principais autoridades monetárias são comentadas a seguir (HOJI, 2007).

Instituições financeiras e mercados são importantes elementos do ambiente operacional de uma empresa. Por que o administrador financeiro deve interagir com instituições financeiras, fornecedores e clientes? Como você pensa em fazê-lo? Antes de prosseguir a leitura, reflita alguns instantes sobre essas questões. Empresas que necessitam de fundos de fontes externas podem obtê-los através de duas formas principais. Uma é através de instituições financeiras que captam poupanças e as transferem para aqueles que precisam de fundos. Outra é através de mercados financeiros organizados, em que fornecedores e tomadores de vários tipos de fundos podem realizar transações.

5.1 Participantes do Sfn

O BACEN é o órgão executivo central do SFN, responsável pela fiscalização e cumprimento das disposições que regulam o funcionamento do SFN, de acordo com as normas expedidas pelo CMN. A missão institucional é a de zelar pela estabilidade do poder de compra da moeda e pela solidez do sistema financeiro (BRITO, 2005).

De acordo com Pinheiro (2007), as principais atribuições do BACEN são: emitir normas; autorizar o funcionamento das instituições financeiras; fiscalizar e fazer intervenções; receber depósitos compulsórios e voluntários; fazer operações de redesconto; emitir, comprar e vender títulos públicos federais; emitir papel-moeda; controlar e sanear o meio circulante; administrar a dívida pública interna e externa; e gerir as reservas internacionais.

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A CVM é o órgão normativo responsável pelo desenvolvimento, disciplina e fiscalização do mercado de ações e debêntures. A principal atribuição da CVM é a fiscalização da emissão e negociação de títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital aberto, para que as bolsas de valores funcionem adequadamente. A seguir, são apresentadas, conforme Brito (2005), as principais instituições que atuam também como agentes auxiliares de normatização e fiscalização do SFN. O Banco do Brasil (BB) é um banco múltiplo, que opera também como agente financeiro do Governo Federal, principalmente, na execução da política oficial de crédito rural. É responsável pela gestão da câmara de compensação de cheques e outros papéis. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é uma instituição responsável pela política de investimentos de longo prazo do Governo Federal e principal instituição financeira de fomento do país, através de fundos e programas especiais de fomento direcionados à compra de máquinas e equipamentos e exportação. A Caixa Econômica Federal (CEF) atua também como banco múltiplo, mas é uma instituição financeira pública com função social; é a principal agente do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). A CEF é detentora dos direitos de administração dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e das loterias federais. A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) é o órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro. Autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. A Secretaria de Previdência Complementar é um órgão do Ministério da Previdência Social e tem as atribuições de supervisionar, coordenar, orientar e controlar as atividades relacionadas com a previdência complementar fechada e a fiscalização das atividades das entidades fechadas de previdência privada, quanto ao cumprimento da legislação e normas em vigor, e aplicar as penalidades cabíveis.

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A seguir, são apresentadas algumas instituições financeiras e suas principais características. Os Bancos Comerciais, por suas múltiplas funções, constituem a base do sistema monetário. São intermediários financeiros que têm o objetivo de conseguir os recursos necessários para financiar, em curto e médio prazo, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços e as pessoas físicas. As principais fontes de recursos dos bancos comerciais são os depósitos à vista e a prazo fixo. Repassam recursos oficiais e externos, prestam serviços de natureza financeira (cobrança de títulos, recebimento de tributos etc.) e fazem operações de câmbio. Por meio de crédito seletivo, repassam os recursos aos tomadores, fazendo descontos de títulos e operações de abertura de crédito simples ou em conta-corrente (BRITO, 2005). As caixas econômicas integram o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo e o SFH. São as instituições com objetivos sociais que concedem empréstimos e financiamentos a programas e projetos nas áreas da habitação, assistência social, saúde, educação, trabalho, transportes urbanos e esporte. Equiparam-se aos Bancos comerciais em alguns aspectos, pois podem captar depósitos à vista e a prazo e realizar operações ativas. Têm a competência de vender bilhetes de loterias. Entre os Bancos de Desenvolvimento, o BNDES destaca-se como principal agente do Governo Federal para financiamentos de médio e longo prazo. As instituições de fomento regionais são: o Banco do Nordeste do Brasil e o Banco da Amazônia. A principal função dos Bancos de Investimento é intermediar recursos de médio e longo prazo para financiamento de capital fixo ou de giro das empresas. Esses bancos não podem captar por meio de depósitos à vista. Captam recursos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e Recibos de Depósito Bancário (RDBs), repasses de origem interna ou externa ou pela venda de cotas de fundos de investimento. São Instituições especializadas em underwriting (subscrição pública de ações) e estruturação de financiamentos de projeto.

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As Sociedades de Arrendamento Mercantil são mais conhecidas como empresas de leasing. Essas empresas captam recursos por meio de emissão de debêntures e empréstimos de médio e longo prazo e financiam a compra de bens, como máquinas, equipamentos e veículos. Os Bancos Múltiplos foram criados por meio da Resolução nº 1.524/88 do BACEN, com a finalidade de racionalizar a administração das instituições financeiras. Várias instituições financeiras do mesmo grupo econômico constituem uma única instituição financeira, com personalidade jurídica própria e a consequente redução de custos operacionais. Um Banco Múltiplo pode ter as seguintes carteiras: Comercial, de Investimento, de Crédito Imobiliário, de Desenvolvimento e de Arrendamento Mercantil (BRITO, 2005). As Bolsas de Valores, de mercadorias e de futuros são instituições civis sem fins lucrativos, constituídas pelas corretoras de valores para fornecer a infraestrutura do mercado de ações, mercadorias e futuros. A principal função das bolsas é manter o local adequado para as negociações de compra e venda de ações, mercadorias e índices.

Esse local chama-se pregão. As operações feitas fora das bolsas são chamadas operações de balcão. Existem outras instituições que, apesar de não serem consideradas instituições financeiras, exercem papel importante no mercado financeiro. Podemos citar algumas delas. As empresas de Factoring (fomento comercial) não são consideradas instituições financeiras e, portanto, não estão sujeitas às normas do BACEN. Financiam as atividades industriais e comerciais por meio de compra de direitos creditórios (duplicatas). As empresas administradoras de cartões de crédito são empresas que prestam serviços de intermediação entre o consumidor e o varejista. O consumidor titular do cartão de crédito paga anuidade à administradora e o lojista paga comissão sobre os valores vendidos por meio do cartão de crédito. Na prática, a administradora financia a compra do consumidor e o lojista recebe num prazo médio semelhante ao que o consumidor quita os débitos.

5.2 Mercados Financeiros

A palavra “mercado” remonta a períodos anteriores à existência da moeda e o seu significado original designa o local onde as pessoas se encontram para comprar, vender ou trocar mercadorias. Com o passar do tempo, o termo “mercado” foi evoluindo para um conceito de conjunto de elementos envolvidos no comércio de determinado produto: produtores, consumidores, intermediários, regulamentos, preços etc. Hoje, quando falamos no mercado do pêssego, estamos nos referindo ao conjunto de pessoas que produzem, apreciam (consumidores finais), aos atravessadores, aos doceiros, aos preços praticados etc. Brito (2005) afirma que o Mercado Financeiro também tem o seu produto. Ele é o uso do dinheiro no tempo, que significa a transferência temporária, entre agentes econômicos, da capacidade de

consumo, ou seja, do poder de compra que a posse do dinheiro proporciona. O Mercado Financeiro, portanto, é o conjunto de mecanismos voltados para a transferência de recursos entre os agentes econômicos. Seu papel essencial é viabilizar e operacionalizar os fluxos de financiamentos na economia. Como qualquer mercado, o Financeiro também tem suas figuras básicas, que são os compradores (tomadores de empréstimos), vendedores (poupadores) e os intermediários (instituições financeiras). Ao pouparem, as pessoas deixam de utilizar a capacidade de consumo do dinheiro no momento, acreditando que essa atual capacidade de consumo trará maiores benefícios no futuro, seja frente a algum imprevisto, para economizar dinheiro e

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comprar algo de maior valor, ou simplesmente para sustentar a família na aposentadoria. Quando os poupadores optam por “vender” suas mercadorias, se transformam em investidores. No sentido econômico, investir significa a aplicação de capital para produzir bens e serviços; num sentido mais amplo, significa direcionar recursos para a obtenção de juros ou lucros. Os “poupadores”, portanto, são os agentes econômicos superavitários dispostos a transformar suas disponibilidades monetárias em ativos financeiros, através da oferta de recursos, sujeitando-se aos riscos de mercado, com a finalidade de obter retornos reais positivos. São os criadores de fundos para o financiamento do crescimento econômico. Os “tomadores”, aqueles que adquirem o produto comercializado no Mercado Financeiro, são os industriais, comerciantes, pessoas físicas etc. que, necessitando de dinheiro para utilizar o seu poder de compra, dispõem-se a pagar por essa utilização. São os agentes econômicos deficitários, que demandam recursos e estão dispostos a financiar seu déficit a custo de mercado. Cabe aos “intermediários financeiros” efetuar a ponte entre os dois segmentos. Ao concentrar os recursos dos agentes superavitários, os

intermediários financeiros viabilizam a ampliação das escalas de produção, financiando investimentos de maior vulto. Quando o mercado financeiro é eficiente, a produção e o consumo de mercadorias são estimulados e as empresas têm acesso a recursos mais baratos, podendo investir mais na produção e, consequentemente, gerar mais lucros, que serão reinvestidos, dando continuidade a um círculo virtuoso que ocasiona a geração de mais riqueza, maior oferta de empregos e melhores salários. As pessoas têm acesso a financiamentos que possibilitam a aquisição de mais bens, aumentando o consumo. Quando a sociedade não consegue gerar um excedente de produção ou este não é reinvestido, obstruindo a transformação da poupança em investimentos, segundo Brito (2005), a geração de bens e serviços é reduzida e o bem-estar material das pessoas diminui. A circulação do dinheiro tem a capacidade de aumentar ou diminuir a produção de bens e serviços, aumentando ou diminuindo o bem-estar material das pessoas; por esse motivo, o mercado financeiro recebe uma atenção especial do governo, que, através da atuação das autoridades financeiras, interfere na economia.

Quadro 1 – Segmentação do mercado financeiro.

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Mercado

Prazos

Objetivos

Monetário

Curto/curtíssimo

Controle de liquidez da economia Suprimento de capital monetário

Crédito

Curto/médio

Financiamento do consumo Capital de giro das empresas

Capitais

Curto/médio/ indeterminado

Financiamento de capital fixo Financiamentos especiais

Derivativos

Curto/médio

Hedge Especulação

Cambial

À vista/curto

Conversão de moeda Comércio internacional

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O Quadro 1 demonstra a divisão do mercado Financeiro nacional, sendo este subdividido em 5 segmentos. Um sistema financeiro eficiente é aquele que tem capacidade de viabilizar a realização de financiamentos de curto, médio e longo prazo, sob condições de minimização de risco e atendendo aos desejos e necessidades dos agentes superavitários, que determinam a oferta de recursos, e dos agentes deficitários, que materializam a demanda por recursos. Os meios de pagamentos são a força motriz do mercado financeiro. Um dos aspectos importantes da moeda é que, sendo um ativo, uma forma de aplicação dos recursos dos indivíduos, é um bem que possui o seu próprio mercado, oferta, demanda e preço. Seu uso generalizado gerou consenso a respeito das funções que a moeda deve exercer: como intermediária de trocas, unidade de conta ou medida de valor e como reserva de valor. A função de intermediária de trocas permite a superação da economia de escambo e a passagem para a economia monetária. Essa característica dá à moeda a condição de funcionar como intermediária prática para as transações econômicas, facilitando a aquisição de bens entre os agentes (PINHEIRO, 2007). A terceira função exercida pela moeda é a que decorre da particularidade de servir como reserva de valor, desde o momento em que é recebida até o instante em que é gasta por seu detentor. O indivíduo recebe a moeda por uma transação e não precisa gastá-la, pode guardá-la para uso posterior; isso significa que ela serve como reserva de valor. A teoria tradicional considera meios de pagamento na economia o papel-moeda em poder do público e os depósitos à vista nos bancos comerciais, aquele dinheiro que os depositantes sacam a qualquer momento. A soma nos dá o conceito de M1 (M1 = papel-moeda em poder do público + depósitos à vista). Hoje, denominamos Meios de Pagamento Restritos. O BACEN reformulou conceitual e metodologicamente os Meios de Pagamento Ampliados oficiais do Brasil, tendo por base o Padrão Especial de Disseminação de Dados (PEDD) e as tendências internacionais na área. A metodologia foi implantada a partir do levantamento dos saldos nacionais de

julho de 2001. Os novos conceitos de meios de pagamentos ampliados representam mudança de critério de ordenamento de seus componentes, que deixaram de seguir o grau de liquidez, passando a definir os agregados por seus sistemas emissores (BRITO, 2005). Nesse sentido, o M1 é gerado pelas instituições emissoras de haveres estritamente monetários e o M2 corresponde ao M1 e às demais emissões de alta liquidez realizadas primariamente no mercado interno por instituições depositárias (as que realizam a multiplicação do crédito). O M3, por sua vez, é composto pelo M2 e captações internas por intermédio dos fundos de renda fixa e das carteiras de títulos registrados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). O M4 engloba o M3 e os títulos públicos de alta liquidez. Conceitos Atuais de Meios de Pagamento: ƒƒ Meios de pagamento restritos: •• M1 = papel-moeda em poder do público + depósitos à vista; ƒƒ Meios de pagamento ampliados: •• M2 = M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos emitidos por instituições depositárias; •• M3 = M2 + cotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas registradas no SELIC ƒƒ Poupança Financeira: •• M4 = M3 + títulos públicos de alta liquidez. Da mesma maneira que o credor da dívida contratual, o credor da dívida securitizada pode ter o seu dinheiro de volta de duas maneiras: vendendo a obrigação a outro investidor ou esperando o resgate pelo devedor, mas, como o título de crédito representa uma dívida líquida e certa com circulação desvinculada do negócio que o originou, é muito mais fácil vender esse tipo de obrigação do que a anterior. Nos dois tipos, é possível, só que, no de dívida contratual, quase não acontece, pois é muito complicado e incerto. No de dívida securitizada, basta a negociação do título de crédito. É muito mais simples e fácil de precificar.

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5.3 Introdução ao Mercado de Capitais

A função primordial dos mercados financeiros é aproximar os dois agentes econômicos normalmente separados no mercado, o superavitário e o deficitário. Ao permitir que recursos sejam transferidos de pessoas que não têm oportunidades produtivas para investir para aquelas que as têm, esses mercados possibilitam um aproveitamento das oportunidades em toda a economia (PINHEIRO, 2007). O mercado de capitais e, especificamente, o mercado acionário permitem a diluição do risco de novos investimentos, chamados underwriting, e promovem uma democratização e socialização do capital. Permitem também a pulverização da participação na propriedade das empresas para os pequenos poupadores, seja diretamente, seja através de fundos mútuos ou, de maneira crescente nas economias mais modernas, através de fundos de previdência. Dicionário Underwriting: compreende o lançamento de novas ações no mercado, com aporte de recursos à companhia (PINHEIRO, 2007).

Além dos efeitos macroeconômicos na alocação de recursos, o mercado de capitais proporciona um aumento da eficiência microeconômica nas empresas. Quando uma empresa assume compromissos de longo prazo com terceiros, seja na forma de emissão de títulos de dívidas ou da abertura de capital, ela passa a partilhar seus riscos com um grande número de investidores. Necessariamente, ela se obriga a fornecer informações mais detalhadas sobre seu desempenho ao mercado. Os investidores passam a acompanhar os resultados, buscando identificar falhas, premiar acertos e, não raramente, oferecer ideias para melhorar o desempenho da empresa (HOJI, 2007).

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A gestão da empresa será premiada ou reprovada em função dos bons ou maus resultados. A empresa obriga-se a procurar alternativas que proporcionem os melhores retornos para os detentores de seu capital. Se isso não ocorre, o capital irá buscar outras alternativas, em outras empresas, com melhor retorno. O objetivo passa a ser o melhor resultado econômico e não interesses específicos de seus donos, de facções políticas ou de grupos específicos. Quanto maior a participação de empresas de capital aberto na economia e quanto mais desenvolvido o mercado de capitais, maior será a quantidade de empresas buscando a maior eficiência possível para seu capital. Já as empresas ineficientes serão punidas, perdendo investidores e capital. Mesmo as empresas que não participem do mercado de capitais serão obrigadas a melhorar sua eficiência pelo efeito da concorrência das demais. Quanto mais desenvolvida é uma economia, mais ativo é o seu mercado de capitais, o que se traduz em mais oportunidades para as pessoas, empresas e instituições aplicarem suas poupanças. Ao abrir seu capital, uma empresa busca uma fonte de captação de recursos financeiros permanente. A plena abertura de capital acontece quando a empresa lança suas ações ao público, ou seja, emite ações e as negocia nas bolsas de valores. O adquirente da ação passa a ser também sócio da empresa, um acionista (PINHEIRO, 2007). O Mercado de Ações é o segmento do Mercado de Capitais no qual ocorre a compra e venda de participações no capital das sociedades anônimas. Sua função básica é proporcionar liquidez aos títulos emitidos por companhias abertas e pode ser dividido nos seguintes tipos: Mercado primário, no qual ocorre a primeira colocação pública dos títulos de uma sociedade anônima. Uma vez ocorrendo o lançamento inicial ao mercado, as ações passam a ser negociadas no Mercado

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Secundário, sendo este, então, o local onde são negociadas as ações das sociedades anônimas de capital aberto que foram adquiridas pelo público no mercado primário. Apesar da semelhança com o mercado primário, os recursos captados vão para o acionista vendedor (e não para a companhia), determinando, portanto, uma distribuição no Mercado Secundário. Compreende mercados de bolsas de valores, de balcão e de balcão organizados. As Bolsas de valores são associações civis sem fins lucrativos. Seu patrimônio é representado por títulos que pertencem às sociedades corretoras membros. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa, atuam como auxiliares da CVM na fiscalização do mercado, em especial de seus membros, as Sociedades Corretoras, e estão sujeitas à supervisão dessa Comissão. Bolsa de Valores é o local onde se compram e se vendem as ações das companhias (PINHEIRO, 2007). São os mais importantes centros de negociação das ações, devido ao expressivo volume e maior transparência das operações. Seus objetivos e atividades, entre outros, são: manter local adequado à realização, entre corretores, de transações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre, organizado e fiscalizado pelos próprios membros, pela autoridade monetária e pela CVM; estabelecer sistema de negociação que propicie e assegure a continuidade das cotações e a plena liquidez do mercado; dar ampla e rápida divulgação às operações efetuadas em seu pregão; e assegurar aos investidores completa garantia pelos títulos e valores negociados. As Corretoras de Valores são instituições financeiras membros das bolsas de valores, credenciadas pelo Banco Central, pela CVM e pelas próprias bolsas, e estão habilitadas, entre outras atividades nos mercados financeiro e de capitais, a negociar valores mobiliários com exclusividade no pregão físico (viva-voz) ou eletrônico das bolsas. Corretora de Valores é a instituição que compra e vende ações, os investidores são os clientes das Corretoras. (PINHEIRO, 2007, p. 52).

As principais formas de negociações de ações são através das Corretoras de Valores e Eletrônica, via computador, conhecida como Home Broker, que é um canal de relacionamento entre investidores, corretoras e o sistema de pregão eletrônico da Bovespa. Nesse sistema, qualquer pessoa pode acompanhar a cotação do papel e fazer a oferta de compra ou venda, fechando, assim, o negócio sem a necessidade de um operador; o investidor é o próprio operador. Todas as ações listadas na Bovespa são negociadas pelo sistema eletrônico e a tendência é de que, no mercado, só fique essa modalidade de pregão. O pregão eletrônico funciona em sessão contínua, das 10h às 17h, para todas as empresas listadas nos mercados à vista. Das 9h45 às 10h, acontece o leilão de pré-abertura, quando é dada a entrada das ofertas para formação do preço teórico de abertura. Das 16h55 às 17h, o sistema eletrônico realiza o chamado Call de Fechamento para todas as empresas negociadas no mercado à vista, no pregão viva-voz e também para os papéis que fazem parte da carteira teórica do Ibovespa (PINHEIRO, 2007). Existe ainda o sistema denominado After market, que acontece diariamente após o fechamento do mercado. No after market, só podem ser feitas operações no mercado à vista. Outra modalidade de operação em bolsa recebe o nome Day Trade. Fazer um day trade significa comprar e vender as ações no mesmo dia. Por exemplo, você compra certa quantidade de ações por um preço, acompanha a variação do preço ao longo do dia e, dependendo da valorização da ação, você decide vendê-la no mesmo dia. Portanto, você lucra a diferença do preço de compra para o preço de venda multiplicado pela quantidade das ações, descontando as taxas da operação.

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5.4 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos a composição do SFN e seus diferentes participantes e que as Instituições financeiras e mercados são importantes elementos do ambiente operacional de uma empresa. Observamos ainda que o Mercado Financeiro é o conjunto de mecanismos voltados para a transferência de recursos entre os agentes econômicos e que seu papel essencial é viabilizar e operacionalizar os fluxos de financiamentos na economia, sendo que suas figuras básicas são os compradores (tomadores de empréstimos), vendedores (poupadores) e os intermediários (instituições financeiras). Espero que tenha compreendido. Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

5.5 Atividades Propostas

1. Quais são as principais atribuições do BACEN? 2. Quais são as principais funções dos bancos de investimentos? 3. Explique o seu entendimento sobre as corretoras de valores.

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DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, trataremos da composição e aplicação das principais demonstrações financeiras utilizadas pelas empresas. Vamos conhecer ainda os principais índices financeiros e econômicos utilizados no processo de avaliação de uma empresa. Entre eles, destacamos os índices de endividamento, rentabilidade e liquidez. Vamos iniciar a discussão? De acordo com a Lei nº 6.404, de 15/12/1976, conhecida também como Lei das Sociedades Ações, é obrigatória a publicação pelas companhias, ao final de cada exercício social com duração de 1 ano, das seguintes demonstrações financeiras: a) Balanço Patrimonial; b) Demonstração do Resultado do Exercício; c) Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados ou demonstrações das mutações do patrimônio líquido; d) Demonstrações das origens e aplicações dos recursos. Atenção É de extrema importância para o contador e o administrador entender as demonstrações financeiras, para que possam administrar um negócio e saber como ele opera. As demonstrações financeiras possibilitam uma visão da situação econômica e financeira da empresa, constituindo um ponto de partida para análises econômicas e financeiras, bem como apoio para a realização do planejamento estratégico e operacional (GITMAN, 1997).

Conforme Hoji (2007), o Balanço Patrimonial demonstra a situação estática da empresa em determinado momento. Cada empresa pode determinar a data de encerramento do balanço conforme as suas conveniências, mas a maioria das empresas brasileiras encerra o balanço em 31 de dezembro de cada ano, coincidindo com o encerramento do ano civil. Dicionário Balanço patrimonial: tem a principal função de fazer a provisão de um quadro preciso da situação financeira de uma empresa, que geralmente é feito no período de um ano. Deve ser feito de maneira precisa e rigorosa; o balanço patrimonial é essencial para qualquer empresa, por isso deve ser eficiente (http://www.cpcon.eng.br).

No Balanço Patrimonial, as contas representativas do ativo e do passivo devem ser agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia e apresentadas em ordem decrescente de grau de liquidez para o ativo e de exigibilidade para o passivo. Resumidamente, o Ativo representa os recursos aplicados em bens e direitos e o Passivo e o Patrimônio Líquido representam as fontes de recursos fornecidos por terceiros e acionistas, respectivamente.

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Tabela 1 – Balanço patrimonial. Saldos em 31-12-X8

Saldos em 31-12-X7

PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Saldos em 31-12-X8

Saldos em 31-12-X7

1.301.111

1.106.743

PASSIVO CIRCULANTE

757.141

474.351

45.685

35.883

Empréstimos e financiamentos

198.948

10.850

Aplicações de liquidez imediata

128.942

190.925

Fornecedores

232.338

189.110

Títulos e Valores mobiliários

144.190

104.009

Salários e encargos sociais

86.018

68.112

419.128

381.006

Obrigações Fiscais

151.535

54.055

(115.751)

(57.157)

Adiantamentos de clientes

10.684

15.098

ATIVO ATIVO CIRCULANTE Caixas e Bancos

Duplicatas a Receber (-) Duplicatas descontadas Saques de exportação

30.000

0

Dividendos propostos

25.454

(-) Saques descontados

(10.000)

0

Provisão p/ férias e 13º salário

33.506

18.911

Outras contas a pagar

18.658

28.215

PASSIVO EXIGÍVEL EM LONGO PRAZO

416.135

526.882

Financiamentos bancários

(-) Provisão p/ devedores duvidosos Impostos a recuperar Estoques

(9.201) 0

(5.641) 15.006

620.412

408.171

24.890

25.877

416.135

526.882

6.932

4.649

RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS

5.926

7.524

Encargos financeiros a apropriar

15.884

4.015

Receitas de exercícios futuros

9.876

9.874

ATIVO RLP

289.128

254.022

(-) Custos e despesas

(3.950)

(2.350)

Depósitos judiciais

254.294

189.825

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

1.353.942

1.232.293

Capital social

1.057.353

833.749

70.196

251.713

Outras contas a receber Prêmios de seguros a apropriar

Empresas coligadas e controladas

34.834

64.197

ATIVO PERMANENTE

942.905

880.285

Reservas de capital

Investimentos

157.852

198.629

Reservas de reavaliação do ativo

Imobilizado

736.818

659.115

Reservas de lucros

48.235

22.541

2.533.144

2.241.050

Diferido

TOTAL DO ATIVO

A Demonstração de Resultado do Exercício é uma demonstração financeira que apresenta o fluxo de receitas e despesas, que resulta em aumento ou redução do patrimônio líquido entre duas datas. Ela deve ser apresentada de forma de-

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0

Lucros (prejuízos) acumulados

TOTAL DO PASSIVO E PL

28.490

56.980

141.266

135.845

56.637

(45.994)

2.533.144

2.241.050

dutiva, isto é, inicia-se com a Receita Operacional Bruta e dela deduzem-se custos e despesas, para apurar o lucro líquido, conforme o modelo apresentado na Tabela 2.

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Tabela 2 – Demonstração do resultado do exercício. Exercício encerrado em 31-12-X8

Exercício encerrado em 31-12-X7

RECEITA BRUTA DE VENDAS E SERVIÇOS Vendas de produtos

2.116.938

Prestação de serviços SOMA

1.824.264

112.088

95.453

2.229.025

1.919.717

(-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA Devoluções e abatimentos Impostos incidentes sobre vendas Impostos incidentes sobre serviços

(42.339)

(27.364)

(469.113)

(460.627)

(5.604)

(4.773)

1.711.970

1.426.953

Custo dos produtos vendidos

(815.868)

(737.185)

Custos dos serviços prestados

(39.926)

(32.721)

(=) LUCRO BRUTO

856.176

657.047

Despesas com vendas

(430.259)

(395.237)

Despesas gerais e administrativas

(124.980)

(114.581)

Despesas financeiras líquidas

(148.648)

(8.954)

25.096

1.988

177.385

140.263

(=) RECEITA LÍQUIDA (-) CUSTO DOS PRODUTOS E SERVIÇOS

(-) DESPESAS OPERACIONAIS

Outras receitas e despesas operacionais (=) LUCRO OPERACIONAL RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS

2.822

0

(=) LUCROS ANTES DO IR E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

180.207

140.263

(-) PROVISÃO P/ IR E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

(59.468)

(28.866)

(=) LUCRO APÓS IR E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

120.739

111.397

(-) PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES Empregados Administradores (=) LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO DO EXERCÍCIO LUCRO POR AÇÃO (EM $)

A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) evidencia os fluxos que impactaram os saldos das contas do Patrimônio Líquido. Para fins de publicação, por ser mais

(4.856)

(5.570)

(10.867)

(11.140)

105.016

94.687

95,47

94,69

abrangente, a DMPL substitui a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), esta sim obrigatória, de acordo com a legislação (HOJI, 2007).

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43


Marcelo Cerqueira Silva

Tabela 3 – Demonstração das mutações do patrimônio líquido. Reservas de Lucro Movimentações

Capital Social

Reserva de Capital

Reserva realização

Legal

Estatutária

Para contingência

Lucros realizar

Lucros ou acumulado

Total

Saldo em 31-12-X7

833.749

251.713

56.980

56.455

30.982

16.005

32.403

(45.994)

1.232.293

Ajustes de exercícios

0

Aumento de capital: Subscrição pública

42.087

Com reservas

181.517

42.087 (181.517)

Reversões de reservas

0 (28.490)

(15.663)

Lucro líquido do exercício

44.153

0

105.016

105.016

(5.251)

0

(5.465)

0

(10.368)

0

(25.454)

(25.454)

56.637

1.353.942

Proposta de destinação do lucro líquido: Reserva legal

5.251

Reservas para contingências

5.465

Lucros a realizar

10.368

Dividendos

Saldos em 31-12-X8

1.057.353

70.196

28.490

61.706

A Demonstração das Origens e Aplicações dos Recursos (DOAR) identifica os fluxos financeiros que aumentaram ou reduziram o Capital

44

30.982

21.470

27.108

Circulante Líquido (CCL), de um exercício a outro, evidenciando a origem dos recursos e onde eles foram aplicados (HOJI, 2007).

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Tabela 4 – Demonstração das origens e aplicações dos recursos. Exercício encerrado em 31-12-X8

Exercício encerrado em 31-12-X7

105.016

94.687

Depreciação, amortização e exaustão

153.193

126.334

Variações monetárias das dívidas de longo prazo

49.898

86.749

ORIGENS Das operações Lucro (prejuízo) do exercício Mais:

Menos: Resultado de equivalência patrimonial

10.074

1.204

Redução nos Resultados de exercícios futuros

1.598

0

Lucro na venda do imobilizado

2.822

0

42.087

0

Captação de empréstimos e financiamentos de longo prazo

124.006

241.954

Valor de venda de imobilizado

15.678

0

Valor de venda de investimentos permanentes

50.851

0

Total das origens

526.235

548.520

Aplicações de direitos do imobilizado

222.482

52.086

Adições ao custo do Ativo Diferido

46.964

0

0

105.658

Dos acionistas Integralização de capital De terceiros

APLICAÇÕES

Aplicações em investimentos permanentes Aumento do Realizável em longo prazo

35.106

10.891

Transferência de dívidas de longo prazo para curto prazo

284.651

116.096

Dividendos propostos

25.454

0

Total das aplicações

614.657

284.731

Aumento (Redução) do Capital Circulante Líquido

(88.422)

263.789

CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO Saldo no fim do período

543.970

632.392

Saldo no início do período

632.392

368.603

Variação

(88.422)

263.789

De maneira simplista, o ativo representa bens e direitos, ou seja, a parte que pertence à empresa, e o passivo representa as obrigações da empresa, ou seja, as dívidas da empresa. A parte que pertence efetivamente à empresa é a sobra

após pagar as dívidas. Essa parte líquida, de curto prazo, chama-se CCL ou capital de giro líquido. Tecnicamente, o CCL é a diferença entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante (HOJI, 2007).

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45


Marcelo Cerqueira Silva

Tabela 5 – Capital circulante líquido. Ativo circulante

31-12-19X8

31-12-19X7

Variação

1.301.111

1.106.743

194.368

Passivo circulante

757.141

474.351

282.790

CCL

543.970

632.392

(88.422)

Portanto, a DOAR demonstra como ocorreu essa variação no CCL. Temos ainda outros documentos complementares aos demonstrativos financeiros apresentados pelas empresas. São eles: o Relatório da Administração, as Notas Explicativas e o Parecer da Auditoria Independente. Conforme Hoji (2007), as notas explicativas devem complementar as demonstrações financeiras, juntamente aos quadros analíticos ou outras demonstrações financeiras e contábeis necessárias para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. De acordo com a Lei nº 6.404/76, pelo menos as seguintes notas explicativas devem ser publicadas: ƒƒ Os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais e práticas contábeis adotados; ƒƒ Os investimentos relevantes em outras empresas; ƒƒ Os ônus reais sobre ativos, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; ƒƒ Os detalhamentos das dívidas de longo prazo e do capital social;

ƒƒ As opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; ƒƒ Os ajustes dos exercícios anteriores; ƒƒ Os eventos subsequentes relevantes ocorridos após a data de encerramento do balanço. A publicação do Parecer da Auditoria Independente, em conjunto com as demonstrações financeiras, é obrigatória para diversos tipos de empresas, tais como companhias de capital aberto, seguradoras, instituições financeiras etc. Grande parte das companhias de capital fechado, mesmo que não seja obrigada por lei, publica esse parecer, para reforçar a fidedignidade das informações divulgadas pela empresa (PADOVEZE, 2005). O relatório da Administração evidencia os negócios sociais e os principais fatos administrativos ocorridos no exercício, os investimentos em outras sociedades, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, a política de distribuição de dividendos, a política de recursos humanos, a política da qualidade, a política de relacionamento com os fornecedores e clientes, análise do setor etc.

6.1 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos os principais demonstrativos financeiros. Entre eles, destacamos: o Balanço Patrimonial, que demonstra a situação estática da empresa em determinado momento; a Demonstração de Resultado do Exercício, que apresenta o fluxo de receitas e despesas, que resulta em aumento ou redução do patrimônio líquido entre duas datas; e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), que evidencia os fluxos que impactaram os saldos das contas do Patrimônio Líquido. Espero que tenha compreendido. Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

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6.2 Atividades Propostas

1. Qual é a importância do Balanço Patrimonial para as empresas? 2. Cite as principais informações que devem constar nas notas explicativas. 3. Explique o seu entendimento sobre capital circulante líquido.

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47


7

ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, discutiremos sobre a importância das análises financeiras e econômicas e suas respectivas equações para a obtenção de resultados. Apresentaremos os índices de liquidez, que mostram a capacidade de a empresa honrar seus compromissos. Vamos iniciar a discussão? As análises apresentadas nesta seção são referentes às Tabelas 1 e 2, apresentadas na seção anterior. A análise vertical facilita a avaliação da estrutura do Ativo e do Passivo, bem como a participação de cada item da Demonstração de Resultado na formação do lucro ou prejuízo (HOJI, 2007). Atenção A avaliação econômica de empresas e projetos é uma atividade de grande complexidade. Seu sucesso está ligado ao desafio de conquistar informações, organizar e empreender pesquisas e projeções. A qualidade dos dados contábeis também é fundamental nessa atividade (http://www. analisefinanceira.com.br).

O cálculo do percentual de participação relativa dos itens do Ativo e do Passivo é feito dividindo-se o valor de cada item pelo valor total do Ativo ou do Passivo. O cálculo do percentual de participação relativa dos itens da Demonstração de resultado é feito dividindo-se cada item pelo valor da Receita líquida, que é considerada base. Saiba mais Análise vertical, também denominada análise estrutural, é a comparação entre uma série de dados com outro valor base e tem a função de disponibilizar conhecimento das demonstrações financeiras, que, às vezes, podem não ser entendidas através de índices. Análise horizontal é a comparação de uma determinada série de dados em relação à mesma série de dados em outro período, levando em consideração valores percentuais das demonstrações financeiras (http://www.investeducar.com.br/).

Como exemplo, pode-se verificar que, conforme a Tabela 6 (coluna AV [%]), houve pequenos aumentos do percentual do grupo do Ativo Circulante em 31-12-X7 e em 31-12-X8, mas o percentual do item “Duplicatas a receber” apresentou aumento significativo nessas datas em relação a 31-12-X6.

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Marcelo Cerqueira Silva

Tabela 6 – Análise vertical e horizontal. BALANÇO ENCERRADO EM ATIVO

31-12-X6

31-12-X7

Valores

AV (%)

AH

Valores

AV (%)

AH

Valores

AV (%)

AH

ATIVO CIRCULANTE

978.263

47,3%

100

1.163.900

50,6%

119,0

1.462.862

53,7%

145,9

OPERACIONAL

505.882

24,4%

100

803.191

34,9%

158,8

1.067.271

40,1%

211,0

Duplicatas a receber

161.183

7,8%

100

381.006

16,6%

236,4

419.128

15,8%

260,0

Saques de exportação

15.325

0,7%

100

0

0,0%

0,0

30.000

1,1%

195,8

(-) Provisão p/ devedores duvidosos

(4.377)

-0,2%

100

(5.641)

-0,2%

128,9

(9.201)

-0,3%

210,2

Impostos a recuperar

0

0,0%

100

15.006

0,7%

#DIV/0!

0

0,0%

#DIV/0

Estoques

326.892

15,8%

100

408.171

17,8%

124,9

620.412

23,3%

189,8

Prêmio de seguros a apropriar

6.859

0,3%

100

4.649

0,2%

67,8

6.932

0,3%

101,1

NÃO OPERACIONAL

472.381

22,8%

100

360.709

15,7%

76,4

359.591

13,5%

76,1

Caixa e Bancos

25.883

1,3%

100

35.883

1,6%

138,6

45.685

1,7%

176,5

Aplicações de liquidez imediata

280.928

13,6%

100

190.925

8,3%

68,0

128.942

4,8%

45,9

Títulos e valores mobiliários

150.659

7,3%

100

104.009

4,5%

69,0

144.190

5,4%

95,7

Outras contas a receber

12.005

0,6%

100

25.877

1,1%

215.6

24.890

0,9%

207,3

Encargos financeiros a apropriar

2.906

0,1%

100

4.015

0,2%

138,2

15.884

0,6%

546,6

ATIVO REALIZÁVEL EM LONGO PRAZO

243.131

11,8%

100

254.022

11,1%

104,5

289.128

10,9%

118,9

Depósitos judiciais

25.980

1,3%

100

189.825

8,3%

730,7

254.294

9,6%

978,8

Empresas coligadas e controladas

217.151

10,5%

100

64.197

2,8%

29,6

34.834

1,3%

16,0

ATIVO PERMANENTE

847.671

41,0%

100

880.285

38,3%

103,8

942.905

35,5%

111,2

Investimentos

91.767

4,4%

100

198.629

8,3%

216,4

157.852

5,9%

172,0

Imobilizado

666.342

32,2%

100

659.115

28,7%

98,9

736.818

27,7%

110,6

Diferido

89.562

4,3%

100

22.541

1,0%

25,2

48.235

1,8%

53,9

TOTAL DO ATIVO

2.069.065

100,0%

100

2.298.207

100,0%

111,1

2.658.895

100,0%

128,5

Na Tabela 6, pode-se verificar que houve melhora do Lucro bruto em 19X7 (46,0%) e 19X8 (50,0%), em relação a 19X6. Outras constatações podem ser extraídas, mas a utilidade aumenta sensivelmente se a análise vertical for utilizada conjuntamente com a análise horizontal (HOJI, 2007). A análise horizontal tem a finalidade de evidenciar a evolução dos itens das demonstrações contábeis, por períodos. Calculam-se os números índices, estabelecendo o exercício mais antigo como índice base 100. Podem ser calculados,

50

31-12-X8

também, aumentos anuais. Os números índices dos exercícios encerrados em 31-12-X7 e em 3112-X8 foram calculados em relação a dados do exercício encerrado em 31-12-X6. Tomando-se como exemplo o saldo do Ativo Circulante, em 31-12-X7, o aumento da participação desse grupo no total do Ativo foi relativamente pequeno (de 47,3 para 50,6%), mas houve um crescimento de 19,0% em valores absolutos. Análises semelhantes podem ser feitas com outros valores, descendo para níveis mais detalhados, se for o caso. No caso de Lucro bruto, os “pequenos aumentos” anuais de participação relativa desse

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item (4,9, em 19X7, e 4,0%, em 19X8) significaram “aumentos excelentes” em 19X7 (61,1%) e 19X8 (109,9%), ambos em relação ao exercício base de 19X6. As técnicas utilizadas em análise horizontal apresentam algumas limitações: a) Quando o valor do item correspondente no exercício base é nulo, o número índice não pode ser calculado pela forma proposta, pois os números não são

divisíveis por zero. Nesses casos, podem ser analisadas variações em valores absolutos; b) Quando o exercício base apresenta um número negativo e, no exercício seguinte, o número fica positivo (e vice-versa), matematicamente, é calculável, mas o resultado deve ser tratado com bastante cuidado, para não ocorrerem interpretações equivocadas da evolução.

7.1 Índices Financeiros e Econômicos

De acordo com Hoji (2007), a técnica de análise por meio de índices consiste em relacionar contas e grupos de contas para extrair conclusões sobre tendências e situação econômico-financeira da empresa. Os índices e quocientes mais utilizados pelos analistas de balanços são apresentados a seguir. O analista pode trabalhar com índices ou percentual:

Os índices de estrutura de capital são bastante úteis em análise da estrutura de capital. Os índices são calculados relacionando as fontes de capitais entre si e com o Ativo Permanente. Indicam o grau de dependência da empresa com relação a capital de terceiros e o nível de imobilização do capital. Quanto menor o índice, melhor.

Por exemplo: 0,42 equivale a 42%, pois 0,42 x 100 = 42%.

Saiba mais Podem-se classificar os índices da empresa como ótimos, bons, satisfatórios ou deficientes, ao compará-los com os índices de outras empresas do mesmo ramo e porte ou com os índices do setor, publicados pelas revistas especializadas (HOJI, 2007).

Geralmente, as fórmulas apresentadas em livros de análise de balanços utilizam o prazo médio simples, baseado no ano comercial de 360 dias (ou mês comercial de 30 dias), mas utilizaremos o prazo de 365 dias, para se referir ao período de um ano (PADOVEZE, 2005).

Participação de Capitais de Terceiros sobre os recursos totais (PCT) Este índice, calculado com os dados de 19X8, relaciona os capitais de terceiros ou Exigível total (Passivo circulante + Exigível em longo prazo) com os recursos totais obtidos para financiamento do Ativo. O índice 0,49 significa que, para cada $1,00 de recursos totais, o capital de terceiros participa com $0,49. Em outras palavras, o capital de terceiros financia 49% do Ativo. PCT =

Exigível Total Exigível Total + Patrimônio Líquido

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Composição do Endividamento (CE) O índice CE indica quanto da dívida total vence no curto prazo. De acordo com o índice, 68% da dívida da empresa vence no curto prazo.

CE = Passivo Circulante Exigível Total Imobilização do Capital Próprio (ICP) Este índice indica a parcela dos recursos próprios investida no Ativo Permanente. O índice calculado indica que 69% dos recursos próprios estão investidos no Ativo Permanente e, portanto, os restantes 31% dos recursos próprios estão sendo investidos em ativos realizáveis (HOJI, 2007).

ICP = Ativo Permanente Patrimônio Líquido

Imobilização dos Recursos Não Correntes (IRNC) Este índice informa quanto dos recursos permanentes e de longo prazo está investido no Ativo Permanente. O cálculo indica que 53% dos recursos permanentes e de longo prazo estão “imobilizados” e, portanto, 47% desses recursos estão sendo utilizados por ativos realizáveis. Ativo Permanente IRNC = Patrimônio Líquido + Exigível em Longo Prazo Os índices de liquidez mostram a situação financeira da empresa. Como os valores se referem a vencimentos de diferentes datas, um valor com vencimento no primeiro dia de um ano pode estar sendo comparado em igualdade de condições com outro valor que vence no último dia do mesmo ano. Os valores traduzidos a valores presentes minimizam esse tipo de problema (HOJI, 2007).

52

Quanto maior o índice, melhor. Um aspecto importante que deve ser considerado é que a empresa precisa “repor” os ativos circulantes que converte em dinheiro, para não interromper sua atividade operacional. Nessas condições, os ativos circulantes passam a ter características permanentes. Portanto, os índices de liquidez são válidos para as hipóteses em que a empresa é “liquidada”. Liquidez Geral (LG) Este índice indica a capacidade de pagamento de dívida no longo prazo. O índice 1,32 que a empresa apresenta significa que ela possui bens e direitos suficientes para liquidar os compromissos financeiros no longo prazo, pois, para cada $1,00 de dívida, possui $1,32 de bens e direitos. Mas, se a empresa apresentar problema financeiro no curto prazo, o índice “bom” do longo prazo será válido. O principal problema deste índice é que os diversos valores correntes de diferentes datas se misturam. LG =

Ativo Circulante + Realizável em Longo Prazo Passivo Circulante + Exigível em Longo Prazo

Liquidez Corrente (LC) Na maioria dos casos, este índice é considerado o melhor indicador da capacidade de pagamento da empresa. O resultado do cálculo indica que a empresa tem $1,62 de ativos conversíveis em dinheiro no curto prazo para liquidar cada $1,00 de dívida de curto prazo. Mas este índice também é resultante de diversos valores correntes de diferentes datas.

LC =

Ativo Circulante Passivo Circulante

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Liquidez Seca (LS)

Índices de Rotação

Pode-se verificar que, com exceção dos Estoques e Despesas do exercício seguinte, todos os outros itens do Ativo Circulante, como Aplicações de liquidez imediata, Títulos e valores mobiliários, Outras contas a receber, Duplicatas a receber, Saques de exportação e Impostos a recuperar, podem ser convertidos em dinheiro com relativa facilidade antes do prazo normal de realização, se for necessário. Nesses casos, podem existir deságios, o que reduz o valor desses ativos (HOJI, 2007).

Os índices de rotação (giros) são calculados relacionando os elementos patrimoniais com os itens da demonstração de resultados e evidenciam o prazo de renovação dos elementos patrimoniais dentro de determinado período. A análise do giro dos ativos fornece informações sobre aspectos de gestão da empresa, tais como as políticas de estocagem, financiamento de compras e financiamento de clientes (HOJI, 2007).

Levando em conta que, para continuar operando, a empresa precisa ter pelo menos os estoques e estes são mais difíceis de serem transformados em dinheiro imediatamente, ela consegue obter recursos para liquidar 89% das dívidas de curto prazo. LS =

O analista interno pode obter saldos médios calculados com base em dados diários ou mensais, o que gera análise de melhor qualidade. O analista externo, se não tiver acesso a saldos intermediários, pode calcular o saldo médio dos elementos patrimoniais somando o saldo atual com o saldo anterior e dividindo a soma por dois. O analista deve estar ciente das possíveis distorções que essa forma de cálculo pode causar.

Ativo Circulante - Estoques Passivo Circulante

Liquidez Imediata (LI) Este índice indica quanto a empresa possui de recursos imediatamente disponíveis para liquidar compromissos de curto prazo. As disponibilidades são recursos imediatamente disponíveis, mas as obrigações de curto prazo podem estar compostas por dívidas que vencem em 15, 30 ou até 365 dias. A empresa possui $0,20 de Disponibilidades para cada $1,00 de Passivo Circulante. O analista interno pode obter dados mais detalhados e utilizar este índice com base em relatórios de dívidas separadas por vencimentos. Deve-se avaliar a composição dos Títulos e valores mobiliários, pois, em alguns casos, são praticamente disponíveis. LI =

Giro dos Estoques (GE) e Prazo Médio de Estocagem (PME) A empresa apresenta o GE de 1,59 vezes e PME de 230 dias, em 19X8. O PME pode ser calculado dividindo o número de dias do período (ano, em nosso exemplo) pelo giro ocorrido nesse período. Assim, o PME = 365 dias ÷ 1,59 = 230 dias, o que significa que os estoques completam o giro a cada 230 dias (desde a compra até a venda). As empresas procuram aumentar o giro dos estoques, pois, quanto mais rápido venderem o produto, mais o lucro aumentará. Esse raciocínio é válido desde que a margem de contribuição seja positiva e o aumento do giro não implique “custos extras” em volume superior ao ganho obtido pelo aumento do giro. PME =

ESTOQUES CPV

X 360

Disponível Passivo Circulante

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Marcelo Cerqueira Silva

Giro das Contas a Receber (GCR) e Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV)

das vendas são geralmente maiores do que os valores das compras.

O PMRV pode ser calculado diretamente, dividindo 365 dias pelo GCR. A empresa apresenta um giro de 5,36, em 19X8, o que significa que as duplicatas e saques de exportação (deduzidos das provisões para devedores duvidosos) são recebidos, em média, a cada 68 dias (365 dias ÷ 5,36 = 68 dias). A alteração do giro do período atual em relação ao período anterior pode ser causada por diversos fatores: alteração na política de financiamento de clientes, aumento (ou dedução) da eficiência de cobrança etc. (HOJI, 2007).

Índices de Rentabilidade

PMRV =

SD Médio Contas Receber Vendas

Conforme Hoji (2007), os índices de rentabilidade medem quanto estão rendendo os capitais investidos. São indicadores muito importantes, pois evidenciam o sucesso (ou o insucesso) empresarial. Os índices de rentabilidade são calculados, geralmente, sobre as Receitas líquidas (alguns índices podem já ter sido calculados em análise vertical), mas, em alguns casos, pode ser interessante calcular sobre as Receitas brutas deduzidas somente das Vendas canceladas e Abatimentos.

X 360 Margem Bruta (MB)

Prazo Médio de Pagamento de Fornecedores (PMPF) O valor das Compras brutas deve ser extraído de registros internos, pois não está evidente em demonstrações contábeis de publicação obrigatória, em casos de indústria. O valor das Compras pode ser calculado pela clássica fórmula: Estoque final = Estoque Inicial + Compras – Custo das mercadorias vendidas, em casos de empresas do ramo de comércio. Porém, em balanços de empresas industriais, o Custo de produção inclui Mão de obra direta e Custo indireto de fabricação, além dos custos de materiais. Estimando que o custo dos materiais corresponda a 65% do Custo de produção (62% em ano anterior), pode-se efetuar o seguinte cálculo:

Este índice indica quanto a empresa obtém de Lucro bruto para cada $1,00 de Receita líquida. Com 50% de Lucro bruto, a empresa precisa cobrir outras despesas e ainda gerar lucro. O conceito de “margem” utilizado nessa fórmula difere do conceito utilizado para analisar a relação custo-volume-lucro. Este índice indica qual foi o Lucro líquido em relação à Receita operacional líquida. O índice calculado mostra que, em 19X8, após descontados todos os custos e despesas, sobraram 6% das vendas líquidas da empresa. MB =

Lucro Bruto Receita Operacional Líquida

Margem Líquida (ML) PMPF =

FORNECEDORES COMPRAS

X 360

Frequentemente, o prazo médio de pagamento de fornecedores é comparado com o prazo médio das contas a receber. A empresa compra com prazo de 113 dias e vende com prazo de 68 dias. Deve-se levar em consideração que os valores

54

Este índice indica qual foi o Lucro Líquido em relação à receita operacional líquida. O índice calculado mostra que, em 19x8, após descontados todos os custos e despesas, sobraram 6% das vendas líquidas da empresa. ML =

Lucro Líquido Receita Operacional Líquida

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Princípios de Administração Financeira

Rentabilidade do Capital Próprio (RCP) RCP =

Este índice informa quanto rende o capital aplicado na empresa pelos proprietários. Em 19X8, a empresa gerou lucro líquido de $105.016, ou seja, 8% sobre o capital médio investido pelos acionistas ou sócios.

Lucro Líquido SD Médio do Patrimônio Líquido

7.2 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos os índices de liquidez nos quais, quando os valores se referem a vencimentos de diferentes datas, um valor com vencimento no primeiro dia de um ano pode estar sendo comparado em igualdade de condições com outro valor que vence no último dia do mesmo ano. Os valores traduzidos a valores presentes minimizam esse tipo de problema. Espero que tenha compreendido. Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

7.3 Atividades Propostas 1. O que representam os índices de liquidez? 2. O que representam os índices de rentabilidade? 3. O que representam os índices de rotação?

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55


8

FLUXO DE CAIXA

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, abordaremos como uma empresa deve tomar a decisão de investir. Veremos ainda que os investimentos das empresas normalmente são em ativos fixos e capital de giro e que toda decisão de investimento é acompanhada da decisão de financiamento, pois, para investir, é necessária a obtenção de fundos. Vamos verificar ainda que o fluxo de investimentos compreende os gastos que a empresa faz para a aquisição de seus ativos fixos, correspondendo, então, às saídas de caixa. Vamos iniciar a discussão? De acordo com Gitman (1997), considerando a empresa em continuidade, dentro de uma visão de longo prazo, todos os lucros devem se transformar em caixa. Contudo, no mundo real, o momento da geração de lucro não coincide com o momento da geração de caixa. Só há coincidência desses momentos quando todas as operações são realizadas à vista, o que é improvável em uma empresa em condições normais de operação. De um modo geral, a geração de caixa é um evento que acontece em um momento posterior à geração do lucro. Uma empresa começa com a decisão de investir. Os investimentos são em ativos fixos e capital de giro. Os ativos fixos recebem essa denominação porque são elementos patrimoniais que a empresa adquire com a intenção de não revender. São representados classicamente pelos ativos imobilizados (terrenos, prédios, máquinas, equipamentos, móveis e veículos). O capital de giro é representado pela “necessidade da empresa ter estoques à mão para produção e vendas, e também pela necessidade de a empresa dar um prazo para o recebimento das vendas. O capital de giro representa a operação da empresa.” (HOJI, 2007, p. 208).

Toda decisão de investimento é acompanhada da decisão de financiamento, pois, para investir, é necessária a obtenção de fundos. Esses fundos podem vir tanto dos proprietários do negócio, que tomaram a iniciativa de investir, quanto de terceiros, via financiamentos ou empréstimos bancários. O fluxo de caixa pode, então, ser segmentado em três grandes áreas: 1. Fluxo de investimentos: compreende os gastos que a empresa faz para a aquisição de seus ativos fixos, correspondendo, então, às saídas de caixa; e o valor recebido pelas desimobilizações, ou seja, o valor obtido pela venda de ativos fixos (imóveis, equipamentos etc.) que não são mais necessários para as operações ou que serão repostos, correspondendo às entradas de caixa; Atenção O fluxo de caixa é um instrumento que relaciona os ingressos e saídas (desembolsos) de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo (ASSAF NETO, 1997).

2. Fluxo de financiamentos: compreende a entrada de dinheiro na empresa a título de entrada de capital, mais os seus incrementos. De acordo com Hoji (2007, p. 193), essas entradas são denominadas de capital próprio, pois a fonte desses recursos são os donos da empresa (sócios, adquirindo cotas da empresa, ou acionistas adquirindo

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57


Marcelo Cerqueira Silva

a saída de caixa para a distribuição de lucros aos sócios ou acionistas, devolução do capital social aos sócios ou acionistas (HOJI, 2007);

ações). Essa é na realidade, em termos conceituais, a primeira entrada de caixa da empresa, pois é o evento que faz dar origem. A característica básica dessa entrada de caixa é que fundamentalmente esse valor não será devolvido aos donos até o encerramento das atividades da empresa.

Também compreende a entrada de dinheiro de terceiros, por meio da obtenção de empréstimos e financiamentos na rede bancária ou nos mercados financeiros, fontes de recursos que são denominadas fontes de capital de terceiros; a saída de caixa para o pagamento de encargos financeiros do capital de terceiros, normalmente denominados despesas financeiras (juros, comissões, spread, variações cambiais ou monetárias); a saída de caixa para o pagamento de principal dos empréstimos e financiamentos obtidos, nos respectivos vencimentos contratados, denominado amortização da dívida; e

3. Fluxo operacional: é o caminho para a obtenção do lucro desejado pela empresa. É, portanto, o mais importante, devendo ser analisado de acordo com suas funções básicas. O fluxo de operações tem uma lógica básica, que é o processo de comprar, produzir, vender e receber, retornando em seguida ao mesmo processo, o que dá a ideia de um movimento circular, repetitivo, contínuo, de forma a gerar lucros ininterruptamente. O Fluxo de caixa pode ser entendido ainda como um esquema que representa as entradas e saídas de caixa ao longo do tempo. Deve existir pelo menos uma saída e pelo menos uma entrada.

Figura 4 – Fontes de recursos financeiros.

58

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Princípios de Administração Financeira

Em uma operação financeira, ocorrem entradas e saídas de dinheiro. Um empréstimo implica receber o dinheiro (entrada de caixa) em uma data e devolvê-lo posteriormente, acrescido de juros (saída de caixa); uma aplicação financeira implica desembolsar um valor (saída de caixa), para recebê-lo (entrada de caixa) após algum tempo, acrescido de juros. Essas operações podem ser representadas pelo fluxo de caixa.

Exemplo: um investidor fez um investimento no valor de $15.000 no instante zero e teve os seguintes retornos: $5.000 no mês 2, $6.000 no mês 3, $8.000 no mês 6. Porém ele teve que desembolsar mais $1.000 no mês 3 e $2.150 no mês 5. O fluxo de caixa que representa o enunciado pode ser apresentado de forma analítica ou gráfica:

(1) colunas separadas Meses 0 1 2 3 4 5 6

Entradas

4.000 5.000

(2) coluna única

Saídas 11.000

Entradas/Saídas - 11.000

1.000

+ 4.000 + 4.000

2.144

- 2.144 + 6.000

6.000

Para convenção, a flecha no sentido para baixo representa uma saída de caixa e, no sentido para cima, representa uma entrada de caixa.

O fluxo de caixa apresentado é conhecido como fluxo de caixa não convencional, pois existem várias entradas e várias saídas de caixa (HOJI, 2007).

Representação Gráfica (Diagrama de Fluxo de Caixa)

Um fluxo de caixa convencional é formado por uma única entrada e várias saídas ou uma saída e várias entradas. O Método do Fluxo de Caixa Direto é a forma de apresentação formal, que resgata exatamente os valores movimentados no controle do caixa (das disponibilidades). Esse método pode ser elaborado de duas maneiras:

ƒƒ Pelo somatório de todos os eventos financeiros ocorridos na movimentação de caixa, dentro de um padrão de classificação dos desembolsos e entradas adotados pela empresa; ƒƒ Pela movimentação das contas do balanço patrimonial e da demonstração de resultados de seus elementos que se inter-relacionam.

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59


Marcelo Cerqueira Silva

A primeira alternativa é mais trabalhosa, pois implica obter cada entrada e cada saída de caixa, para o processo de resumo e classificação. A outra alternativa é mais simples e parte dos saldos finais e iniciais dos elementos patrimoniais de cada período, em que os dados já estão resumidos. Essa segunda alternativa, contudo, só é possível se o sistema de informações estiver adequadamente estruturado.

O Método do Fluxo de Caixa Indireto, segundo Hoji (2007), não se preocupa em obter as informações de entradas e desembolsos no período, mas sim a movimentação de fundos que dão origem ao saldo final de caixa. Assemelha-se bastante com a DOAR.

Tabela 7 – Demonstração do resultado do período. Receita Operacional Bruta

33.800

(-) Impostos sobre Vendas

(6.760)

Receita Operacional Líquida

27.040

(-) Custos das Mercadorias Vendidas

(16.224)

Lucro Bruto

10.816

Despesas Operacionais: Adm. e Com. Salários e encargos sociais

(4.500)

Despesas gerais

(2.900)

Depreciações

(1.050)

Lucro Operacional

2.366

Receitas Financeiras

30

Despesas Financeiras

(600)

Equivalência Patrimonial

320

Lucro antes dos impostos

2.116

Imposto sobre o lucro

(741)

Lucro líquido

1.375

Tabela 8 – Balanço patrimonial (inicial e final). Ativo

Inicial $

Final $

CIRCULANTE

Passivo

Final $

1.070

930

190

580

Caixa/Bancos/Apl. Financeiras

1.440

230

Dupls. a pagar – fornecedores

Dupls. Receber – clientes

3.550

2.950

Salários a pagar

Estoque de mercadorias

2.100

3.845

Contas a pagar

80

120

Soma

7.090

7.025

Impostos s/ mercadorias

590

440

1.930

2.070

5.600

5.180

7.000

7.800

Soma REALIZÁVEL LONGO PRAZO Depósitos Judiciais

EXIGÍVEL LONGO PRAZO 100

120

PERMANENTE Investimentos em controladas

Financiamentos PAT. LÍQUIDO

2.500

2.820

Capital social

Imobilizado bruto

9.000

10.500

Reservas

590

590

(-) Depreciações acumuladas

(3.400)

(4.450)

Lucros acumulados

170

375

8.100

8.870

Soma

15.290

16.015

Soma ATIVO TOTAL

60

Inicial $

P. CIRCULANTE

PASSIVO TOTAL

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7.760

8.765

15.290

16.015


Princípios de Administração Financeira

No método indireto, não são efetivadas financeiramente depreciações (equivalência patrimonial). Depois, identificam-se as variações ocor-

ridas no capital de giro e, em seguida, as variações financeiras de financiamentos e investimentos, conforme demonstrado na Tabela 9.

Tabela 9 – Fluxo de caixa – Método indireto. DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS

$ 1.375

Lucro Líquido do período (+/-) Receitas e Despesas não efetivadas financeiramente Depreciações

1.050

(-) Equivalência patrimonial

(320)

= Lucro gerado pelas operações

2.105

(+/-) Ajustes por mudança no Capital de giro 600

(+) Diminuição de duplicatas a receber

(1.745)

(-) Aumento dos estoques

(140)

(-) Diminuição de duplicatas a pagar (+) Aumento de salários a pagar

390

(+) Aumento de contas a pagar

40

(-) Diminuição de impostos a recolher

(150)

Saldo

1.100

DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO Redução dos financiamentos de longo prazo

(420)

Variação dos financiamentos de curto prazo

0 800

Aumento de capital em dinheiro

(1.170)

Distribuição de lucros e dividendos Saldo

790

DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO 1.500

Aquisição de imobilizados Investimentos e diferido

0

Realizável em longo prazo

20 (1.520)

Saldo SALDO TOTAL

(1.210) 1.440

(+) Saldo inicial de caixa = Saldo final de caixa

Tomemos como exemplo a variação de duplicatas a receber. Nesse fluxo, é uma redução, mas poderia ser um aumento, assim com as demais contas. As principais características desse método são: toda movimentação é feita tendo como foco os saldos iniciais e finais de caixa; evidencia claramente a inter-relação existente entre a demonstração do resultado, o balanço patrimonial e o fluxo de caixa; não mensura, contudo, o

230

fluxo financeiro efetivo das receitas e gastos, uma vez que já parte do lucro líquido; pessoas não familiarizadas com o modelo têm dificuldade de entender a movimentação financeira apenas pelas variações das contas de capital de giro; as variações do capital de giro, pelas suas naturais oscilações, trazem dificuldades para a extrapolação de seus dados para os períodos futuros.

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Tabela 10 – Fluxo de caixa – Método direto. OPERACIONAL

$

Recebimentos das vendas

34.400

(-) Pagamentos fornecedores

21.309

Salários e encargos

4.110

Despesas gerais

2.860

Impostos sobre vendas

3.710 741

Impostos sobre o lucro Soma

32.730

SALDO OPERACIONAL DE INVESTIMENTOS

1.670

Aquisição de imobilizados

1.500

Investimentos e Diferido

0

Realizável em Longo Prazo

20

SALDO DE INVESTIMENTOS DE FINANCIAMENTOS

1.520 800

Aumento de Capital

1.000

Novos Empréstimos (-) Amortizações e Juros

(2.020)

Lucros Distribuídos

(1.170)

SALDO DE FINANCIAMENTOS

(1.390)

SALDO TOTAL

(1.240)

+ Receitas Financeiras

30

+ Saldo Inicial de Caixa

1.440

= Saldo Final de Caixa

230

O método direto tem como premissa básica reproduzir fielmente a movimentação financeira refletida nos resultados e no balanço patrimonial. Nesse sentido, é mais facilmente assimilável por qual-

quer usuário, mesmo que não seja especialista em finanças. Além disso, suas movimentações refletem os eventos econômicos normais da empresa, permitindo um processo mais adequado para a extrapolação dos dados em períodos futuros (HOJI, 2007).

8.1 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos que o fluxo operacional é o caminho para a obtenção do lucro desejado pela empresa. O fluxo de operações tem uma lógica básica, que é o processo de comprar, produzir, vender e receber, retornando em seguida ao mesmo processo, o que dá a ideia de um movimento circular, repetitivo, contínuo. Observamos ainda que o fluxo de caixa pode ser entendido como um esquema que representa as entradas e saídas de caixa ao longo do tempo, devendo existir pelo menos uma saída e pelo menos uma entrada. Existem dois métodos de elaboração de fluxo de caixa. O Método do Fluxo de Caixa Direto é a forma de apresentação formal, que resgata exatamente os valores movimentados no controle do caixa (das disponibilidades). O Método do Fluxo de Caixa Indireto não se preocupa em obter as informações de entradas e desembolsos no período, mas sim a movimentação de fundos que dão origem ao saldo final de caixa. Espero que tenha compreendido. Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

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8.2 Atividades Propostas

1. O que você entende por fluxo de caixa? 2. Explique o funcionamento do fluxo de caixa direto. 3. Explique o funcionamento do fluxo de caixa indireto.

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63


9

PROJEÇÕES FINANCEIRAS

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, trataremos sobre os diferentes ciclos existentes. Em destaque, teremos o ciclo operacional, o ciclo financeiro e o ciclo econômico. Veremos ainda a diferença entre o regime de competência e o regime de caixa. Vamos iniciar a discussão? Segundo Hoji (2007), o ciclo operacional de uma empresa industrial inicia-se com a compra de matéria-prima e encerra-se com o recebimento da venda. Durante esse período, ocorrem vários outros eventos que caracterizam o ciclo econômico e o ciclo financeiro, conforme a Figura 5. O ciclo operacional é a soma do prazo de rotação dos estoques e do prazo de recebimento da venda. Atenção A elaboração do Ciclo Operacional auxilia o Administrador Financeiro a gerenciar de forma mais confiável as entradas e recursos financeiros (http://www.sebrae.com.br).

O Ciclo Econômico inicia-se com a compra de matéria-prima e encerra-se com a venda do produto fabricado. Caso ocorram desembolsos

ou gastos antes da compra da matéria-prima, é nesse momento que se inicia o ciclo econômico. Da mesma forma, caso a empresa incorra em custos e despesas relacionados com as operações após o recebimento da venda, o ciclo econômico se encerra após a ocorrência desses eventos. O Ciclo Financeiro tem início com o primeiro desembolso e termina, geralmente, com o recebimento da venda. Caso haja pagamento de custos ou despesas após o recebimento da venda, é nesse momento que se encerra o ciclo financeiro. Se ocorrem gastos ou pagamentos de outros custos e despesas (ou adiantamento para compras) antes da compra de matéria-prima, é num desses momentos que se inicia o ciclo operacional. PRE = PF + FEPA CE = PRE CO = PRE + PRV CO = do início do CE até o final do CF CF = do primeiro desembolso até o final do PRV A rentabilidade é a medida do resultado econômico (lucro ou prejuízo) gerado por capital investido.

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Marcelo Cerqueira Silva

Figura 5 – Representação do ciclo operacional de uma indústria. Mês

0

1

2

3

Compra de matéria-prima (a )

Pagamento de outros custos (b )

Venda (c )

Pagamento da matéria-prima (a’ )

Início de fabricação

Término de fabricação

Despesa de comissão (d )

Pagamento da comissão (d’ )

4

Recebimento da venda (c’ )

Prazo de Prazo de

estocagem dos

fabricação (PF )

Produtos acabados (PEPA )

Prazo de rotação dos estoques (PRE ) Prazo de recebimento da venda (PRV ) Prazo de pagamento da compra (PPC )

CICLO ECONÔMICO (CE ) CICLO FINANCEIRO (CF ) CICLO OPERACIONAL (CO )

A Contabilidade adota o regime de competência para apurar o resultado econômico e medir a rentabilidade das operações. Basicamente, por esse regime, as receitas são reconhecidas no momento da venda e as despesas, quando incorridas. O regime de competência coincide com o ciclo econômico.

moderno compreende a importância do regime de competência, pois esses dois conceitos não são conflitantes. Na realidade, eles são interdependentes e complementam-se.

A Liquidez é a capacidade de pagar compromissos financeiros no curto prazo. Em sentido amplo, a liquidez é relacionada com as disponibilidades, mais direitos e bens realizáveis no curto prazo. Em sentido restrito, a liquidez é relacionada somente com as disponibilidades (BRIGHAM, 1997).

O exemplo a ser desenvolvido considera um ambiente de inflação zero ou com os valores expressos em moeda forte. Suponha-se que os valores em cada evento sejam os seguintes:

A Administração Financeira adota o regime de caixa para planejar e controlar as necessidades e sobras de caixa e apurar o resultado financeiro (superávit ou déficit de caixa). Basicamente, pelo regime de caixa, as receitas são reconhecidas no momento do efetivo recebimento e as despesas, no momento do efetivo pagamento. Ross e Westerfield (2000) afirma que o Controller moderno tem consciência da importância do regime de caixa e, por sua vez, o tesoureiro

66

A diferença (ou semelhança) entre os dois conceitos é demonstrada por meio de um exemplo prático, utilizando os eventos da Figura 4.

a) Compra de matéria-prima no mês 0, com prazo de três meses para pagamento, no valor de $1.000; b) Pagamento de outros custos, no mês 1, no valor de $200; c) Venda total do estoque de produtos acabados, no mês 2, com prazo de recebimento de dois meses, no valor de $1.600; d) Apropriação de despesa de comissão, no mês 2, no valor de $80, que é paga no mês seguinte;

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Princípios de Administração Financeira

e) A eventual insuficiência de caixa é coberta com empréstimo bancário, até esse valor;

f) Os juros são calculados com taxa de 4% ao mês sobre o valor dos empréstimos e dos juros a pagar, são apropriados mensalmente e pagos ao final do ciclo operacional.

Tabela 11 – Balanço patrimonial da Companhia ABC. Mês

0

1

2

3

4

Caixa e Bancos

0

0 (b)

0

0 (a”, d”)

252 (c”, d”)

Contas a Receber

0

0

1.600 ( c)

1.600

0 (c”)

1000 (a)

1.200 (b)

0

0

0

1000

1.200

1.600

1.600

252

Fornecedores

1000 (a”)

1.000

1.000

0 (a”)

0

Empréstimos

0

200 (e 1)

200

1.280 (e 2)

0 (e”)

Juros a pagar

0

0

8 (f 1)

16 (f 2)

0 (f”)

Contas a pagar

0

0

80 (d)

0 (d”)

Patrimônio Líquido

0

0

312

304

252

1.000

1.200

1.600

1.600

252

ATIVO

Estoques Total PASSIVO

Total

Resumo dos fatos Econômicos e Financeiros:

ƒƒ c = $1.600 = c”; ƒƒ d = $80 = d”;

ƒƒ a = $1.000 = a”;

ƒƒ e 1 + e 2 + = $200 + $1.080 = $ 1.280 = e”;

ƒƒ b = $200;

ƒƒ f 1 + + f 2 + f 3 = $ 8 + $ 8 + $ 52 = $ 68 = f”.

Tabela 12 – Demonstração de resultado da Companhia ABC. Mês

0

1

Vendas

2

3

4

0

0

1.600 (c)

Custo do Prod. Vendido Matéria-prima

(1.000) (a)

Outros Custos

(200) (b)

Despesa de comissão Lucro antes dos juros

(80) (c) 0

0

Juros

320 8 (f 1)

Lucro (prejuízo) do mês

0

0

312

(8)

(52)

Lucro ou Prejuízo

0

0

312

304

252

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67


Marcelo Cerqueira Silva

Tabela 13 – Demonstração do fluxo de caixa da Companhia ABC. Mês

0

1

2

3

Recebimentos

4 1.600 (c”)

Pagamentos Matérias-primas Outros custos

(200) (b)

(1.000) (a”)

Comissão Superávit (déficit) das operações

(80) (d”) 0

(200)

0

(1.080)

Juros Superávit (déficit) após os juros

(68) (f”) 0

Empréstimos

(200)

0

200 (e 1)

(1.080)

1.532

1.080 (e 2)

(1.280) (e”)

Saldo final

0

0

0

0

252

Superávit (déficit) total acumulado

0

(200)

(200)

(1.280)

252

Comparando a Demonstração do Resultado (DR) e a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) da Companhia ABC, mês a mês, percebem-se claramente as diferenças entre as duas demonstrações. No momento inicial (mês 0), os resultados das duas demonstrações “coincidem”, pois não ocorreram eventos financeiros nem vendas. Contudo, como foi feita compra a prazo no valor de $1.000 (a), esse valor está contabilizado como Estoque, tendo como contrapartida a conta de Fornecedores. No mês 1, a DR da Companhia ABC apresenta o resultado nulo, pois ainda não ocorreu receita (venda), enquanto já ocorreu desembolso de $200 (b), conforme a DFC. Como não existia saldo anterior de caixa, a empresa tomou um empréstimo nesse valor (e1). No mês 2, não ocorreu nenhum evento financeiro, mas ocorreu venda (c) e, portanto, os custos mantidos no ativo circulante são baixados (a, b) e as despesas de comissão (d) são apropriadas, gerando um lucro antes dos juros de $320 e um lucro após os juros de $312, em consequência da apropriação de juros (f1) sobre o saldo dos empréstimos existentes no mês anterior. No mês 3, de acordo com a DR, são apropriados os juros no valor de $8 (f2), calculados sobre os Empréstimos e Juros a pagar, no valor total

68

1.600

de $208. De acordo com a DFC, houve desembolso no valor total de $1.080 (a”, d”), o que obrigou a empresa a tomar mais um empréstimo no valor correspondente ao do déficit de caixa (e2) do mês, aumentando o saldo de Empréstimos para $1.280. No mês 4, de acordo com a DR, foram apropriados juros no valor de $52 (f3), calculados sobre os Empréstimos e Juros a pagar, no valor total de $1.296. De acordo com a DFC, houve recebimento das vendas no valor de $1.600 (c”) e foram amortizados os empréstimos, no valor total de $1.280 (e”), e pagos os juros acumulados, no valor de $68 (f”). No exemplo desenvolvido, ao final do ciclo operacional, no mês 4, foi apurado lucro líquido acumulado de $252 e superávit de caixa acumulado no mesmo valor. Portanto, podemos verificar que o regime de competência e o regime de caixa produzem o mesmo resultado ao final do ciclo operacional. Caso não fosse possível amortizar integralmente os empréstimos no final do ciclo operacional, significaria que as operações da empresa não estariam gerando caixa em nível suficiente, o que implicaria descapitalização ao longo do tempo, pois a empresa precisaria captar mais empréstimos e pagar mais juros a cada ciclo operacional (PADOVEZE, 2007).

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Princípios de Administração Financeira

A DFC nada mais é do que a demonstração da Conta Caixa. O Regime de Caixa mostra qual o volume de recursos financeiros necessário para financiar as operações da empresa, porém

somente será conhecido esse valor no final do ciclo financeiro (que coincide com o final do ciclo operacional) (GITMAN, 1997).

9.1 Regime de Competência e de Caixa O Regime de Competência mostra com antecedência o provável resultado financeiro da operação. No mês 2, com base na DR, já podemos conhecer o superávit de caixa operacional antes dos juros, no valor de $320, que será gerado no final do ciclo operacional. Alguns críticos do regime de competência dizem que de nada adianta conhecer o lucro, se não tiver certeza de que as vendas serão recebidas, pois as empresas quebram por falta de caixa, visto que não se podem pagar compromissos financeiros com o lucro. É certo, porém, que um contador consciente, por meio das técnicas estatísticas e obedecendo aos princípios contábeis, irá provisionar o valor do provável “não recebimento” das vendas, de forma que a Contabilidade reflita, por antecipação, a provável situação financeira de uma data futura (HOJI, 2007).

O Regime de Competência, por antecipar em determinada data o que provavelmente acontecerá em datas futuras, fornece importantes subsídios para administração financeira. Para um analista externo, os dados fornecidos pela DR podem não ser conclusivos, mas o administrador financeiro pode ter acesso a detalhes dos dados e informações fornecidos pelos relatórios financeiros. (HOJI, 2007, p. 163).

Cabe a ele utilizar as duas demonstrações financeiras (a DR e a DFC) para planejar adequadamente o volume de recursos necessário para financiar as atividades da empresa.

Saiba mais O regime de competência é um princípio contábil, que deve ser, na prática, estendido a qualquer alteração patrimonial, independentemente de sua natureza e origem (http://www.portaldecontabilidade.com.br).

9.2 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos que o ciclo econômico inicia-se com a compra de matéria-prima e encerra-se com a venda do produto fabricado e que o ciclo financeiro tem início com o primeiro desembolso e termina, geralmente, com o recebimento da venda. Observamos ainda que o regime de competência e o regime de caixa tratam dos mesmos valores, diferenciando-se somente no aspecto temporal. A análise dos ciclos operacional, econômico e financeiro fornece importantes subsídios para tomadas de decisões financeiras. Espero que tenha compreendido. Vamos avaliar a aprendizagem. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br

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9.3 Atividades Propostas

1. Explique o seu entendimento sobre os ciclos operacional, financeiro e econômico. 2. Explique o seu entendimento sobre regime de caixa. 3. Explique o seu entendimento sobre regime de competência.

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ANÁLISE DE INVESTIMENTO

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, trataremos a respeito dos juros e suas modalidades de cobrança: Juros Simples e Compostos. Veremos, ainda, as principais ferramentas de análise de investimentos utilizadas pela administração financeira (Payback, Valor Presente Líquido – VPL e a Taxa Interna de Retorno – TIR). Vamos iniciar a discussão? O surgimento da moeda como padrão de troca de mercadorias e serviços provocou, como consequência imediata, o surgimento do juro como remuneração pelo uso em empréstimo dessa mercadoria e a possibilidade de inflação pela alta generalizada e contínua dos preços medidos em moeda (HOJI, 2007). O fundamento para a existência do juro é, de acordo com Gitman (1997), a possibilidade de alguma pessoa antecipar ou não o consumo de bens e serviços. Esse deslocamento de tempo pode ser considerado um serviço, razão por que o pagamento de juros também é denominado pagamento do serviço da dívida, ou seja, a dívida presta um serviço a quem toma emprestado. Como todo serviço tem um preço, o juro é o preço pelo uso da moeda de outrem. Outra visão similar é a de que o juro é uma

compensação pela espera, ou seja, uma compensação pelo fato de o dono do capital deixar de dispor desse dinheiro. Outra explicação é que o juro é um prêmio pela renúncia temporária da liquidez de seu proprietário, provavelmente uma cobrança para fazer face à escassez dessa mercadoria em determinados momentos e mercados (SANDRONI, 2001). Isso posto, fica claro que o valor do dinheiro no tempo decorre do seu custo (para quem paga) e da renda (para quem recebe). Atenção A taxa de juros é o elemento que liga e ajusta as decisões intertemporais de consumo (SANDRONI, 2001).

Assim, o dinheiro (uma unidade monetária) vale hoje mais do que uma unidade monetária disponível no futuro, uma vez que o dinheiro disponível agora pode ser investido e começar a render juros imediatamente. Além disso, o dinheiro disponível hoje está seguro. O dinheiro emprestado, com o cedente abdicando da liquidez, incorpora o risco de ele não ser devolvido. Portanto, dinheiro hoje vale mais do que um dinheiro com risco no futuro.

10.1 Operações Financeiras com Juros Simples e Compostos

Em países com economia estável, é comum a utilização de juros simples em operações com prazo de seis meses ou um ano, pois a inflação, além de ser relativamente baixa, é relativamente previsível e as regras do mercado financeiro

não são abruptamente alteradas. O mesmo não ocorre em países com alto nível de inflação, pois qualquer desvio na taxa de juros esperada pode produzir diferenças significativas sobre o resultado final da operação (BRIGHAM, 1997).

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No Brasil, os juros simples são comumente utilizados em operações financeiras de curtíssimo e curto prazos (de um dia a um mês), descontos de duplicatas e títulos, e cobranças de juros de mora. As operações financeiras indexadas em dólar são também calculadas com taxa de juros simples. Quando o juro é calculado sobre o capital inicial, proporcionalmente ao número de capitalização, o regime de capitalização é o dos Juros Simples. As taxas de juros são expressas em unidade de tempo, mas os juros não são pagos, necessariamente, ao final de cada período em que é expressa a taxa de juro. Por exemplo, os juros de um empréstimo feito pelo prazo de seis meses, à taxa de 2% a.m., podem ser pagos mensalmente, trimestralmente ou com qualquer outra periodicidade, dependendo de como foi contratado. A taxa de juros simples é conhecida também como taxa linear. A equação básica dos juros simples é: J=C.i.n

Em que: ƒƒ J = juros; ƒƒ C = capital inicial (ou principal); ƒƒ i = taxa de juros; ƒƒ n = número de capitalização durante o prazo da operação financeira. Exemplo: Calcule o juro produzido por um capital de $100.000, aplicado durante seis meses, à taxa de juros simples de 2% a.m. J = $100.000 x 0,02 x 6 J = $12.000 A soma do Capital e dos Juros chama-se Montante (M), que é calculado mediante a seguinte equação:

Essa equação pode ser deduzida para a seguinte expressão matemática: M = C (1 + i . n) Exemplo: Calcule o Montante de um capital de $100.000, aplicado durante seis meses, à taxa de juros simples de 2% a.m. M = $100.000 x (1 + 0,02 x 6) M = $112.000 As taxas proporcionais são típicas do sistema de capitalização linear (juros simples). As taxas são proporcionais se duas ou mais taxas de juros expressas em unidades de tempo diferentes produzem uma mesma taxa, quando calculadas para um mesmo período. Pode-se afirmar que a taxa de 1% a.m. é proporcional às taxas de 3% a.t., 6% a.s. e 12% a.a., pois quando calculadas para os prazos de três, seis ou doze meses, todas produzem a mesma taxa. No regime de juros compostos, os juros produzidos em um período de capitalização e não pagos são integrados ao capital constituído no início do período seguinte, para produzir novos juros, ou seja, incidem os juros sobre o capital inicial e sobre os próprios juros (ROSS; WESTERFIELD, 2000). Esse raciocínio parte da premissa de que a taxa de juros é expressa na unidade de tempo correspondente ao período de capitalização, ao final do qual os juros são pagos. Por exemplo, se a taxa de juros é expressa em período mensal, os juros são pagos mensalmente; se é expressa em período anual, os juros são pagos anualmente e assim por diante. Caso os juros não sejam pagos, eles são incorporados ao capital existente no início do novo período de capitalização. No regime de juros compostos, é indiferente que os juros sejam pagos a cada período de capitalização ou no final do prazo da operação ou, ainda, que ocorram resgates intermediários.

M=C+J

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Princípios de Administração Financeira

A equação básica dos juros compostos é: J = C [(1 + i)ⁿ - 1] Sabendo que M = C + J, a fórmula do Montante deduzida da fórmula básica dos juros compostos é:

Período (n) = _log (M / C)__ log (1 +i) taxa (i) = [(M / C)¹/ⁿ] – 1

M = C (1 + i)ⁿ Exemplo: Calcule o montante de um capital de $100.000,00, aplicado durante seis meses, à taxa de juros compostos de 2% a.m. M = $100.000 x (1 + 0,02)6 = $112.616,24 Podem-se deduzir outras equações a partir das equações dadas:

Capital (C) = ___M_____ (1 + i)ⁿ

Observa-se que a taxa acumulada nos dois regimes de capitalização é idêntica ao final de um ano, quando a taxa é expressa em período anual, mas, até completar um ano, o regime de capitalização simples apresenta, mensalmente, taxa acumulada maior, invertendo a situação após um ano (HOJI, 2007). Quando a taxa é dada em período mensal, ocorre o inverso, ou seja, o regime de capitalização composto apresenta sempre a taxa acumulada maior, com exceção do primeiro mês. Ao final de um ano, no regime de capitalização composto, a taxa acumulada coincide com as taxas acumuladas do primeiro caso, enquanto a taxa acumulada pelo regime de capitalização simples não atinge 80%.

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Tabela 14 – Capitalização simples e capitalização composta. Mês

Taxa de juros: 80% a.a.

Taxa de juros: 5,0202% a.m.

Simples

Simples

Composta

Composta

0

0,00%

0,00%

0,00%

0,00%

1

6,67%

5,02%

5,02%

5,02%

2

13,33%

10,29%

10,04%

10,29%

3

20,00%

15,83%

15,06%

15,83%

4

26,67%

21,64%

20,08%

21,64%

5

33,33%

27,75%

25,10%

27,75%

6

40,00%

34,16%

30,12%

34,16%

7

46,67%

40,90%

35,14%

40,90%

8

53,33%

47,97%

40,16%

47,97%

9

60,00%

55,40%

45,18%

55,40%

10

66,67%

63,20%

50,20%

63,20%

11

73,33%

71,40%

55,22%

71,40%

12

80,00%

80,00%

60,24%

80,00%

13

86,67%

89,04%

65,26%

89,04%

14

93,33%

98,53%

70,28%

15

100,00%

108,49%

75,30

108,49%

16

106,67%

118,96%

80,32%

118,96%

17

113,33%

129,95%

85,34%

129,95%

18

120,00%

141,50%

90,36%

141,50%

98,53%

Gráfico 1 – Comportamento dos juros. 160,00% Capitalização simples com taxa anual

140,00%

Capitalização composta com taxa anual

Taxa acumulada do período (%)

Capitalização simples com taxa mensal equivalente Capitalização composta com taxa mensal equivalente

120,00%

100,00%

80,00%

60,00%

40,00%

20,00%

0,00% 0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10 11 12 13 14 15 16 17 18

Tempo (meses)

As calculadoras financeiras estão programadas para fornecer as respostas procuradas, com a inserção de pelo menos três variáveis. As calculadoras financeiras utilizam o conceito de fluxo de caixa e, portanto, se o valor presente for um valor

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positivo, o valor futuro (ou prestações em valor uniforme) será, necessariamente, um valor negativo (e vice-versa). As funções básicas de uma calculadora financeira são:

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VP ou PV = Valor Presente (capital); VF ou FV = Valor Futuro (montante); n = número de capitalização da taxa i; i = taxa de juros; PMT = Prestações em Valor uniforme.

Exemplo: Rafael faz um investimento junto ao banco no valor de $100.000 por 4 meses, a uma taxa de juros mensal de 2% a.m. Quanto Rafael resgatará depois de 4 meses?

Quando os valores das prestações não forem uniformes, deve ser utilizada a função de fluxo de caixa. Pode-se definir o VP como o capital a valor de hoje. Com o passar do tempo, a esse valor são acrescidos juros, o que resulta em montante. O montante é um valor produzido no futuro, portanto, pode-se chamá-lo VF.

10.2 Métodos de Avaliação de Investimentos

O orçamento de Capital é um programa de aplicação de capital de longo prazo, vinculado ao plano estratégico e, portanto, trata de investimentos permanentes. As decisões relacionadas ao orçamento de capital devem ser tomadas somente após profundo estudo, pois, uma vez iniciado o processo de dispêndio de capital, sua interrupção ou reversão não será fácil (HOJI, 2007). Um investimento envolve grande volume de recursos em capital humano, intelectual, material e financeiro. A engenharia econômica apresenta a melhor alternativa de investimento entre as várias existentes, por meio de comparações. Exemplos: substituição de uma máquina velha por uma nova, instalação de fábrica nova ou aumento da capacidade da fábrica atual, gastos com pesquisas e desenvolvimento de produtos ou compra de tecnologia (HOJI, 2007). Segundo Gitman (1997), os modelos para decisão de investimentos e para mensuração do valor da empresa compreendem fundamentalmente as mesmas variáveis. Todos consideram o valor a ser investido, os fluxos futuros de benefícios, a quantidade de tempo em que esses fluxos futuros ocorrerão e o custo do dinheiro no tempo.

Os principais métodos de avaliação de alternativas econômicas são: a) Método do Prazo de Retorno: consiste na apuração do tempo necessário para que a soma dos fluxos de caixa líquidos periódicos seja igual ao valor do fluxo de caixa líquido do instante inicial. Este método não considera os fluxos de caixa gerados durante a vida útil do investimento após o período de payback; b) Método da Taxa Interna de Retorno: a taxa de juros que anula o VPL é a Taxa Interna de Retorno (TIR). Este método assume implicitamente que os fluxos de caixa líquidos periódicos são reinvestidos à própria TIR calculada para todo investimento. O investimento será economicamente viável se a TIR for maior do que a taxa de atratividade; c) Método do valor presente líquido: consiste em determinar o valor no instante inicial, descontando o fluxo de caixa líquido de cada período futuro (fluxo de caixa líquido periódico) gerado durante a vida útil do investimento,

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que a vida útil dos projetos seja de quatro anos, nos quais os investimentos não gerarão caixa, isto é, terão valor igual a zero. Para facilitar os cálculos, os fluxos de caixa estão divididos em dois grupos: investimento inicial, que ocorre no momento zero, e fluxo de caixas líquido, que compreende os caixas líquidos gerados no futuro, conforme o modelo apresentado no quadro a seguir:

com a taxa mínima de atratividade, e adicionando o somatório dos valores descontados ao fluxo de caixa líquido do instante inicial. O investimento será economicamente viável se o VPL for positivo. Suponha a existência de dois projetos de investimentos, nas seguintes condições: presume-se

Fluxo de caixa em Valores Correntes Projetos A B

Investimento Inicial (100.000) (100.000)

Ano 1 52.000 35.000

Ano 2 15.000 35.000

Ano 3 32.000 35.000

Ano 4 41.000 35.000

Soma 140.000 140.000

Se a taxa mínima de atratividade for de 15% a.a., os valores correntes do fluxo de caixa do exemplo anterior seriam descontados a essa taxa, apresentando os seguintes dados em valor presente:

Se a taxa mínima de atratividade for de 15% a.a., o projeto A poderá ser implementado, pois a TIR desse projeto é maior do que a taxa mínima de atratividade, mas o projeto B não deverá ser implementado, pois a TIR é menor do que a taxa mínima de atratividade.

Fluxos de caixa líquidos descontados Projetos

Investimento Inicial

Ano 1

Ano 2

Ano 3

Ano 4

Soma

A

(100.000)

45.217,39

11.342,16

21.040,52

23.441,88

101.041,95

B

(100.000)

30.434,78

26.465,03

23.013,07

20.011,37

99.924,25

Brigham (1997) menciona que se podem utilizar diversos métodos para avaliar os dois projetos de investimento. O critério do payback, aplicado ao conceito VPL, indica em quantos períodos (normalmente, anos) haverá retorno do investimento inicial. É uma informação complementar ao processo decisório, uma vez que não considera o valor do dinheiro no tempo. É eventualmente

importante quando, além do retorno do investimento, o tempo de recuperação é importante. Mesmo que os fluxos de caixa estejam descontados para valor presente, esse método apresenta limitações, pois não considera os fluxos de caixa gerados durante o resto de vida útil do investimento (que poderão ser positivos ou negativos).

PAYBACK do Projeto A Fluxos de caixa líquidos descontados correntes

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Fluxo de Caixa

Investimento Inicial

Ano 1

Ano 2

Ano 3

Ano 4

Soma

Do ano

(100.000)

45.217,39

11.342,16

21.040,52

23.441,88

101.041,95

acumulado

(100.000)

(54.782,61)

(43.440,45)

(20.087,12)

1.041,95

********

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Princípios de Administração Financeira

O payback do projeto A ocorre entre o ano 3 e o ano 4. Para calcular a fração do período necessário para zerar o investimento inicial durante o ano 4, divide-se o saldo do ano 3 pelo fluxo de caixa do ano 4.

Assim, temos $22.399,93 ÷ 23.399,93 = 0,9556. Portanto, o investimento inicial do Projeto A será recuperado em 3,9956 anos (3 anos, 11 meses e 14 dias)

PAYBACK do Projeto B Fluxos de caixa líquidos descontados correntes Fluxo de Caixa

Investimento Inicial

Ano 1

Ano 2

Ano 3

Ano 4

Soma

Do ano

(100.000)

30.434,78

26.465,03

23.013,07

20.011,37

99.924,25

Acumulado

(100.000)

(69.565,22)

(43.100,19)

(20.087,12)

(75,75)

********

O investimento inicial do Projeto B não será recuperado durante sua vida útil, pois o saldo acumulado no último ano continua negativo.

existência dos juros como pagamentos pelo serviço prestado ao investidor pelo ato de emprestar dinheiro para um terceiro (HOJI, 2007).

O fundamento do VPL é o custo do dinheiro no tempo. O critério de VPL é o modelo clássico para a decisão de investimentos e compreende as seguintes variáveis:

A rentabilidade dos demais investimentos determina qual será a rentabilidade que o investidor desejará do investimento sob o processo de decisão. Ele pode desejar a rentabilidade média dos demais investimentos, como pode desejar rentabilidades superiores. Dificilmente ele admitirá rentabilidades inferiores à média, se bem que, em teoria, isso seria possível. Na calculadora financeira, temos:

a) O valor do investimento; b) O valor dos fluxos futuros de benefícios; c) A quantidade de períodos em que haverá os fluxos futuros; d) A taxa de juros desejada pelo investidor. Esse método também leva à conclusão de que deve ser implementado somente o projeto A, pois o VPL é a diferença entre o investimento inicial e os benefícios líquidos de caixa gerados pelo projeto. VPL do projeto A $101.041,95 - $100.000 = $1.041,95 VPL do projeto B

$99.924,25 - $100.000 = ($75,75)

Um investimento é feito no pressuposto de gerar um resultado que supere o valor investido, para compensar o risco de trocar um valor presente certo por um valor futuro com risco em sua recuperação. Esse resultado excedente é a rentabilidade do investimento e é o prêmio por investir. Esse prêmio é o conceito que fundamenta a

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O modelo de decisão baseado na TIR é uma variação do critério do VPL. Nesse modelo, em vez de se buscar o VPL do fluxo futuro, busca-se a taxa de juros que iguala o total dos fluxos futuros descontados a essa taxa de juros, com o valor do investimento inicial. A fórmula é a seguinte:

Se a taxa mínima de atratividade for 15% a.a., o projeto A poderá ser implementado, pois a TIR desse projeto é maior do que a taxa mínima de atratividade, mas o projeto B não poderá ser implementado, pois a TIR é menor do que a taxa mínima de atratividade. Na calculadora financeira, temos:

Em que: ƒƒ I (0) = Investimento inicial no período 0; ƒƒ FF = Fluxos Futuros dos períodos 1 a n; ƒƒ I = Taxa de juros que iguala a equação. As TIRs dos projetos são: TIR do projeto A

15,53%

TIR do projeto B

14,96%

10.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), Neste capítulo, estudamos que o modelo de decisão baseado na TIR é uma variação do critério do VPL. Nesse modelo, em vez de se buscar o VPL do fluxo futuro, busca-se a taxa de juros que iguala o total dos fluxos futuros descontados a essa taxa de juros, com o valor do investimento inicial. Estudamos ainda que o critério do payback, aplicado ao conceito de VPL, indica em quantos períodos (normalmente, anos) haverá retorno do investimento inicial. Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

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Princípios de Administração Financeira

Multimídia Assista ao filme A Fraude, com o qual terá a oportunidade de compreender melhor alguns conceitos apresentados sobre o Mercado de Futuros. Nick é um dos muitos empregados ambiciosos do Barings Bank. Ele se casa e vai para Singapura, quando o banco oferece a ele um emprego de corretor da bolsa para montar as opções de operação em mercado futuro. Seu primeiro ano de negócios é um grande sucesso. Assista ao filme e você descobrirá o que acontecerá com Nick. Ator principal: Ewan McGregor. Ano de lançamento: 1998.

10.4 Atividades Propostas

1. Explique o seu entendimento sobre operações com juros simples e juros compostos. 2. Explique o seu entendimento sobre os métodos de investimentos TIR e VPL. 3. O que você entende por juros?

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RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS

CAPÍTULO 1 1. Finanças consistem em três áreas inter-relacionadas: (1) mercados monetários e de capitais, que trabalham com os mercados de títulos e as instituições financeiras; (2) investimentos, que focalizam as decisões tomadas tanto pelos investidores individuais quanto pelos institucionais, à medida que escolhem títulos para suas carteiras de investimentos; (3) administração financeira ou “finanças de empresas”, que envolve decisões dentro das empresas. As oportunidades de carreiras dentro de cada uma dessas áreas são muitas e variadas, porém os administradores financeiros devem ter o conhecimento das três áreas, caso queiram ser bem-sucedidos em seu trabalho. 2. A Administração Financeira está estreitamente ligada à Economia e Contabilidade. A Administração Financeira pode ser vista como uma forma de economia aplicada, que se baseia amplamente em conceitos econômicos. A importância da Economia para o desenvolvimento do ambiente financeiro e da teoria financeira pode ser melhor descrita em função de suas duas áreas mais amplas: Macroeconomia e Microeconomia. 3. O Contador, cujas funções básicas são desenvolver e fornecer dados para avaliar o desempenho da empresa, apurar sua situação financeira e pagar impostos, difere do Administrador Financeiro da maneira como vê os fundos da empresa. O Contador, usando certos princípios padronizados e geralmente aceitos, prepara as demonstrações financeiras com base na premissa de que as receitas devem ser reconhecidas por ocasião das vendas e as despesas, quando incorridas. O Administrador financeiro está mais preocupado em manter a solvência da empresa, proporcionando os fluxos de caixa necessários para honrar as suas obrigações, adquirir e financiar os ativos circulantes e fixos, necessários para atingir as metas da empresa. Uma analogia simples ajudará a esclarecer as diferenças básicas de perspectiva entre o Contador e o Administrador Financeiro. Se considerássemos o corpo humano uma empresa e cada pulsação do coração representasse uma nova venda, o Contador iria ocupar-se de cada uma dessas pulsações e daria entrada nessas vendas como receitas. O Administrador Financeiro iria verificar se o fluxo resultante de sangue através das artérias teria atingido as células certas, conservando os vários órgãos do corpo em funcionamento. É possível que o coração seja forte e, no entanto, pare de funcionar, devido ao desenvolvimento de obstruções e coágulos no sistema circulatório.

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CAPÍTULO 2 1. Ao administrar sua estrutura financeira, está elaborando o lado direito do Balanço da empresa. O Administrador Financeiro deve visar a atingir os objetivos dos proprietários da empresa. No caso de sociedades anônimas, os proprietários da empresa normalmente não são os administradores. A função destes não é realizar seus próprios objetivos (que podem incluir o aumento de seus ordenados, a obtenção de prestígio ou a manutenção de sua posição), mas maximizar a satisfação dos proprietários (acionistas). Presumivelmente, se forem bem-sucedidos nessa tarefa, também atingirão seus objetivos pessoais. Alguns acreditam que o objetivo dos proprietários é sempre a maximização do lucro; outros creem que é a maximização da riqueza. 2. A maximização do lucro reúne objetivos de curto prazo; entre eles, destaca-se a obtenção de lucro no exercício vigente. A maximização da riqueza preocupa-se com a perspectiva da organização no longo prazo, em elevar a valorização das ações da companhia. É ainda a abordagem preferida por cinco razões básicas: (1) retorno realizável do proprietário; (2) uma perspectiva em longo prazo; (3) época de ocorrência dos retornos; (4) análise dos riscos; e (5) distribuição dos retornos. 3. Retorno realizável do proprietário: o proprietário de uma ação possivelmente espera receber seu retorno sob a forma de pagamentos periódicos de dividendos ou através de valorizações no preço da ação, ou ambos. Análise dos riscos: a maximização do lucro desconsidera não apenas o fluxo de caixa, mas também o risco – a possibilidade de que os resultados realizados possam ser diferentes daqueles esperados. Uma premissa básica em Administração financeira é que há um confronto entre o retorno (fluxo de caixa) e o risco. De maneira geral, os acionistas tem aversão ao risco, ou seja, querem evitá-lo. CAPÍTULO 3 1. A Sociedade por Ações é a modalidade mais importante (em termos de tamanho) de organização das empresas em geral. A sociedade por ações consiste em uma entidade legal, separada e distinta de seus proprietários, que possui muitos dos direitos, obrigações e privilégios de uma pessoa de verdade. Pode tomar dinheiro emprestado e possuir imóveis; pode processar e ser processada; e pode firmar contratos. A sociedade por ações pode até mesmo ser um sócio geral ou sócio com responsabilidade limitada em outra sociedade e pode possuir ações de outras sociedades por ações. 2. As vantagens e desvantagens da sociedade por cotas são: contratos relativamente informais, que podem ser constituídos facilmente e a baixo custo; os Sócios gerais possuem responsabilidade ilimitada nas dívidas da empresa; a sociedade acaba quando um sócio geral mostra o desejo de vender ou morre; todo o lucro é tributado como rendimento da pessoa física dos sócios; e o montante do patrimônio líquido que pode ser obtido é limitado à riqueza agregada dos sócios.

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Princípios de Administração Financeira

3. Uma operação de Fusão é resultante da combinação de duas ou mais empresas para formar uma sociedade anônima completamente nova. CAPÍTULO 4 1. Os chamados riscos sistemáticos são aqueles provenientes de mudanças no cenário macroeconômico, aqueles que os sistemas econômico, político e social impõem em geral a todos os ativos e, naturalmente, à sua taxa de retorno. Nessa categoria, estão aqueles riscos que nenhum administrador ou investidor pode controlar ou evitar. Temos ainda os riscos chamados não sistemáticos, que consistem em riscos intrínsecos ao ativo e são gerados por fatores que atingem diretamente o ativo em estudo ou, no máximo, um pequeno número de ativos, não atingindo os demais. Esse tipo de risco é evitável, uma vez que a determinante é a escolha ou não dessa classe de investimento. 2. Está relacionado a possíveis perdas como resultado de sistemas e/ou controles inadequados, falhas de processos internos, gerenciamento e erros humanos. O risco operacional pode ser dividido em três grandes áreas: o Risco Organizacional, que está relacionado com uma organização ineficiente, administração inconsistente e sem objetivos de longo prazo bem definidos, fluxo de informações internas e externas deficiente, responsabilidades mal definidas e acesso a informações internas por parte de concorrentes; o Risco de Operações, que pode ser relacionado com problemas tecnológicos, equipamentos (telefonia, elétrico, computacional etc.), processamento e armazenamento de dados, e fluxo operacional inadequado; e o Risco de Pessoal, que pode estar relacionado com falhas humanas, como empregados não qualificados, por exemplo, ou fraudes, do tipo adulteração de documentos, vazamento de informações privilegiadas, desvio de valores, entre outras. 3. É tomar providências hoje, para garantir a sobrevivência do empreendimento no futuro, caso ocorra um cenário improvável, porém possível. Para saber qual providência deve ser tomada, é necessário mensurar o risco. CAPÍTULO 5 1. Emitir normas; autorizar o funcionamento das instituições financeiras; fiscalizar e fazer intervenções; receber depósitos compulsórios e voluntários; fazer operações de redesconto; emitir, comprar e vender títulos públicos federais; emitir papel-moeda; controlar e sanear o meio circulante; administrar a dívida pública interna e externa; e gerir as reservas internacionais. 2. A principal função dos Bancos de Investimento é intermediar recursos de médio e longo prazo para financiamento de capital fixo ou de giro das empresas. Esses bancos não podem captar por meio de depósitos à vista, captando recursos por meio da emissão de CDBs e RDBs, repasses de origem interna ou externa ou pela venda de cotas de fundos de investimento. São Instituições especializadas em underwriting (subscrição pública de ações) e estruturação de financiamentos de projeto.

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3. As Corretoras de Valores são instituições financeiras membros das bolsas de valores, credenciadas pelo BACEN, pela CVM e pelas próprias bolsas, e estão habilitadas, entre outras atividades no mercado financeiro e de capitais, a negociar valores mobiliários com exclusividade no pregão físico (viva-voz) ou eletrônico das bolsas. Corretora de Valores é a instituição que compra e vende ações; os investidores são os clientes das Corretoras. CAPÍTULO 6 1. O Balanço Patrimonial demonstra a situação estática da empresa em determinado momento. Cada empresa pode determinar a data de encerramento do balanço conforme as suas conveniências, mas a maioria das empresas brasileiras encerra o balanço em 31 de dezembro de cada ano, coincidindo com o encerramento do ano civil. 2. De acordo com a Lei nº 6.404/76, pelo menos as seguintes notas explicativas devem ser publicadas: os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais e práticas contábeis adotados; os investimentos relevantes em outras empresas; os ônus reais sobre ativos; as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; os detalhamentos das dívidas de longo prazo e do capital social; as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; os ajustes dos exercícios anteriores; e os eventos subsequentes relevantes ocorridos após a data de encerramento do balanço. 3. De maneira simplista, o ativo representa bens e direitos, ou seja, a parte que pertence à empresa, e o passivo representa as obrigações da empresa, ou seja, as dívidas da empresa. A parte que pertence efetivamente à empresa é a sobra após pagar as dívidas. Essa parte líquida, de curto prazo, chama-se CCL ou capital de giro líquido. Tecnicamente, o CCL é a diferença entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante. CAPÍTULO 7 1. Os índices de liquidez representam a capacidade de a empresa honrar seus compromissos com a sociedade. 2. Os índices de rentabilidade medem quanto estão rendendo os capitais investidos. São indicadores muito importantes, pois evidenciam o sucesso (ou o insucesso) empresarial. Os índices de rentabilidade são calculados, geralmente, sobre as Receitas líquidas (alguns índices podem já ter sido calculados em análise vertical), mas, em alguns casos, pode ser interessante calcular sobre as Receitas brutas deduzidas somente das Vendas canceladas e Abatimentos. 3. Os índices de rotação (giros) são calculados relacionando os elementos patrimoniais com os itens da demonstração de resultados e evidenciam o prazo de renovação dos elementos patrimoniais dentro de determinado período. A análise do giro dos ativos fornece informações sobre aspectos de gestão da empresa, tais como as políticas de estocagem, financiamento de compras e financiamento de clientes.

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CAPÍTULO 8 1. O fluxo de caixa é um instrumento que relaciona os ingressos e as saídas (desembolsos) de recursos monetários no âmbito de uma empresa, em determinado intervalo de tempo. 2. É a forma de apresentação formal, que resgata exatamente os valores movimentados no controle do caixa (das disponibilidades). Esse método pode ser elaborado de duas maneiras: pelo somatório de todos os eventos financeiros ocorridos na movimentação de caixa, dentro de um padrão de classificação dos desembolsos e entradas adotados pela empresa; e pela movimentação das contas do balanço patrimonial e da demonstração de resultados de seus elementos que se inter-relacionam. 3. Esse método não se preocupa em obter as informações de entradas e desembolsos no período, mas sim a movimentação de fundos que dão origem ao saldo final de caixa. Assemelha-se bastante com a DOAR. CAPÍTULO 9 1. O ciclo operacional de uma empresa industrial inicia-se com a compra de matéria-prima e encerra-se com o recebimento da venda. O Ciclo Econômico inicia-se com a compra de matéria-prima e encerra-se com a venda do produto fabricado. O Ciclo Financeiro tem início com o primeiro desembolso e termina, geralmente, com o recebimento da venda. 2. Basicamente, pelo regime de caixa, as receitas são reconhecidas no momento do efetivo recebimento e as despesas, no momento do efetivo pagamento. Esse regime mostra qual o volume de recursos financeiros necessário para financiar as operações da empresa, porém somente será conhecido esse valor no final do ciclo financeiro (que coincide com o final do ciclo operacional). 3. O Regime de Competência mostra com antecedência o provável resultado financeiro da operação. CAPÍTULO 10 1. Em países com economia estável, é comum a utilização de juros simples em operações com prazo de seis meses ou um ano. No Brasil, os juros simples são comumente utilizados em operações financeiras de curtíssimo e curto prazo (de um dia a um mês), descontos de duplicatas e títulos, e cobranças de juros de mora. As taxas proporcionais são típicas do sistema de capitalização linear (juros simples). No regime de juros compostos, os juros produzidos em um período de capitalização e não pagos são integrados ao capital constituído no início do período seguinte, para produzir novos juros, ou seja, incidem os juros sobre o capital inicial e sobre os próprios juros.

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2. O mercado de opções é uma modalidade operacional em que não se negociam ações objeto, mas direitos sobre elas. Opções são, assim, direitos de uma parte comprar ou vender a outra, até determinada data, certa quantidade de ações objeto a um preço preestabelecido. Dessa forma, no mercado de opções, não ocorre a negociação da ação, mas dos direitos sobre ela. 3. Juro é uma compensação pela espera, ou seja, uma compensação pelo fato de o dono do capital deixar de dispor desse dinheiro. Outra explicação é que o juro é um prêmio pela renúncia temporária da liquidez de seu proprietário, provavelmente uma cobrança para fazer face à escassez dessa mercadoria em determinados momentos e mercados.

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REFERÊNCIAS

ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. São Paulo: Atlas, 2007. BRIGHAM, E. F.; WESTON, F. Fundamentos da administração financeira. São Paulo: Makron Books, 2000. BRITO, O. Mercado financeiro. São Paulo: Saraiva, 2005. GITMAN, L. J.; JOEHNK, M. Princípios de investimentos. São Paulo: Pearson, 2005. HOJI, M. Administração financeira e orçamentária. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007. PADOVEZE, C. L. Introdução ao mercado financeiro. São Paulo: Thomson, 2005. PINHEIRO, J. L. Mercado de capitais. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. Princípios de administração financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. SECURATO, J. R. Decisões financeiras em condições de risco. São Paulo: Atlas, 1993.

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