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Sinopse e Press Release


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Sinopse

Tentando corresponder ao conjunto de intenções pedagógicas relacionadas com a obra Felizmente Há Luar! de Luís de Sttau Monteiro, a Companhia DeMente, em articulação com o Instituto Piaget, decidiu produzir em2008 o espectáculo LUAR21. LUAR21

Trata-se vocacionado

dum

espectáculo

fundamentalmente

teatral para

a

apresentação a públicos escolares (Secundário).

Este espectáculo é num exercício de especulação sobre

as

situações

vividas

por

aquele

dramaturgo, apoiadas numa forte investigação junto de colegas, correligionários e amigos seus, durante o processo criativo de Felizmente Há Luar!, tendo como pano de fundo, na sua globalidade, a situação política e social daquela virada dos anos 60 – em Portugal e no Mundo – e, na sua especialidade, o círculo próximo, o microcosmos daquele autor.

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É, portanto, uma viagem, uma visita guiada – se tal é, por acaso, possível... – ao imaginário dum determinado criador, como se, porventura, quiséssemos raspar a camada superior da pintura da Mona Lisa para indagar sobre os esquissos subjacentes experienciados por Leonardo DaVinci.

Contudo,

tentar

prosseguir

objectivos pedagógicos sem prejuízo do recorte artístico requerido nunca se revelou tarefa fácil.

Por tal, a dramaturgia deste espectáculo busca posicionar-se num compromisso entre estes dois requisitos:

Num contexto epocal (Lisboa, 1961), Luís Sttau Monteiro escreve a peça enquanto se debate com vários considerandos sobre a sua feitura; Noutro contexto, três jovens portugueses, em Paris, durante o arrebatado pós-Maio de 68 tentam levar à cena Felizmente Há Luar!.

Esta gramática de encenação potencia uma melhor abordagem dos fenómenos criativos porquanto coloca o Autor em situação de confrontação com a sua obra, apontando os respectivos conflitos éticos e estéticos.

Por outro lado, coloca também os “intérpretes” da mesma no centro de vários debates ideológicos e estéticos a propósito das temáticas emergentes de Felizmente (00 351) 232 910100 Instituto Piaget - Campus Universitário de Viseu – Estrada do Alto do Gaio, Galifonge 3515-776 LORDOSA VISEU


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Há Luar! e a sua correlação com os fenómenos contemporâneos por eles vivenciados (a ditadura, o exílio, a guerra colonial, a censura).

Concomitantemente, estes três intérpretes questionam a todo o tempo as intenções simbológicas do dramaturgo, trazendo para o público uma abordagem das mesmas e estabelecendo assim uma eficaz conexão com os vectores pedagógicos de Felizmente Há Luar!

Mais do que isso – e prosseguindo a caminhada da Companhia sentido

DeMente de

no

promover

experiências de teor sóciocomunitário – potencia a inteligência emocional e o desenvolvimento de autonomias dos elementos envolvidos durante o processo de montagem do Espectáculo (numa dinâmica de partilha desse mesmo processo).

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Press Release

“Médico: “faltam-me peixes! Alguém meteu aqui dentro um peixe assassino! Ou não?” José Cardoso Pires in Corpo de Delito

Não surge irrelevante iniciar este escólio por uma citação do segundo e último texto dramático de Cardoso Pires. De facto, este autor é da mesma geração de Sttau Monteiro e ambos tiveram papel decisivo na renovação

do

teatro

português

contemporâneo, o primeiro em 1960 com Render dos Heróis, e Sttau Monteiro precisamente com o texto que nos ocupa, o seu primeiro dramático, Felizmente Há Luar, de 1961. Curiosa simetria, mas não surpreendente, se nos ativermos, em conjunto, ao contexto sócio-político da época e ao prévio percurso de ambos escritores. Criados e crescidos literariamente na corrente Neo-Realista (mais evidente com Cardoso Pires) de que aproveitaram a semântica protestária de denúncia, enveredam pelo teatro histórico como veículo possível de comunicação articuladora dos pólos de tensão do tecido social e das contradições dialécticas constatáveis ao nível intra e inter político-social. Ou seja, contradições insuperáveis num ambiente de aguda crise política e de enorme pressão social, afinal conjuntura prévia a qualquer revolução iminente. (00 351) 232 910100 Instituto Piaget - Campus Universitário de Viseu – Estrada do Alto do Gaio, Galifonge 3515-776 LORDOSA VISEU


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E aqui o insuperável e inteligente jogo de espelhos, que Luar 21 assumiu com inteligência e transportou para os dias de hoje. Expliquemo-nos: Felizmente Há Luar recria os acontecimentos que eclodiram no enforcamento de Gomes Freire e mais 11 revolucionários. O tempo histórico é aquele posterior às invasões francesas, quando Portugal era formalmente governado por uma regência influenciada pela estratégia política britânica, colada às orientações centralistas do Estado absoluto. Ora, à altura, alguma elite intelectual portuguesa encontrava-se contaminada

pelas

ideias

do

liberalismo

emergente da revolução francesa. Assim, após a primeira invasão quatro elementos da regência são afastados por colaboracionismo, sempre através de manobras inglesas. Lembre-se que a maioria dos autores considera que Portugal estava de iure sobre protectorado Inglês. Beresford assume o controlo da pasta dos assuntos militares, prerrogativa usada de modo cada vez mais despótico. Logo a partir de 1809 várias personalidades de ideias liberalizantes são colocadas sob vigilância. A lógica de traição domina a sociedade portuguesa. O sentimento é de terror e de insegurança generalizados. Tornam-se normais as prisões sem culpa formada. Dentro deste negro panorama, a intenção de Gomes Freire e seus companheiros da sociedade secreta e paramaçónica revolucionária Supremo Conselho regenerador de Portugal, Brasil e Algarves era o de afastar os estrangeiros do controlo militar do País e o de promover “a salvação e independência”. Na sua Proclamação aos Portugueses pediam-lhes que saíssem de “uma criminosa apatia”, através da união e (00 351) 232 910100 Instituto Piaget - Campus Universitário de Viseu – Estrada do Alto do Gaio, Galifonge 3515-776 LORDOSA VISEU


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obediência de todos, para aniquilar um “jugo insuportável”. Os membros da organização foram denunciados e presos em Maio de 1817, sendo o General Gomes Freire considerado o principal mentor da conspiração. Seria sumariamente julgado, com mais 11 detidos de Maio a Outubro de 1817. A condenação à morte ocorreria a 18 de Outubro do mesmo ano. Este episódio seria imortalizado na obra de Raúl Brandão, 1817 - A Conspiração de Gomes Freire, profunda investigação onde se pode palpar uma escrita de notório efeito dramático. Pensemos agora na óbvia articulação factual entre aqueles trágicos acontecimentos e a situação que Portugal vivia no início da década de 60 do Século passado. Já

Cardoso

Pires,

com

Render dos Heróis, assinalara a confluência ao retratar o episódio de Maria da Fonte, no sentido da necessidade de libertação de um jugo sobre-humano indigno da natureza humana. Sttau Monteiro transfere por sua vez, à imagem do seu camarada de letras, para o Portugal oprimido por Salazar todas aquelas tensões sociais, toda aquela brutalidade irracional das razões da máquina do Estado que abespinham o indivíduo que emergem do episódio Gomes Freire. Em suma, implicitamente faz compreender o absurdo dos regimes autoritários totalitarizantes fora de qualquer época específica: aquilo que surge da nervatura do drama humano específico daqueles acontecimentos particulares é, afinal, monstruoso quer nesse tempo da estória dramática, quer no passado histórico, ou já no futuro histórico quaisquer que sejam. Sublinha-se a ignomínia, a fortiori, da máquina (00 351) 232 910100 Instituto Piaget - Campus Universitário de Viseu – Estrada do Alto do Gaio, Galifonge 3515-776 LORDOSA VISEU


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repressiva do Estado Novo e apela-se à união de todos os portugueses para a salvação nacional, conforme à declaração do grupo de Gomes Freire. A mensagem é clara. Tão clara que o regime logo censurou e proibiu a obra, logo em 1961. Está pois a chave deste texto essencial da dramaturgia portuguesa no movimento criador que enforma e interpreta o movimento explicador da sua explosiva mensagem. E foi este cerne que o autor e encenador de Luar 21, com mestria pedagógica explorou, num movimento espácio/temporal tempos:

no

a

três

primeiro,

simultâneo com o segundo quanto à dimensão cénica, o autor Sttau Monteiro nervosamente entretece a peça na sua mesa de trabalho; no segundo, o ensaio de Felizmente Há Luar por um grupo de jovens, provenientes de diversos contextos sociais, na explosiva Paris de 68; e finalmente o terceiro movimento, num espaço social dos nossos dias. Releva assim a tal intemporalidade, que acima foquei, da mensagem fulcral do texto, mas também, e tão ou mais importante, a possibilidade de abertura à reflexão acerca das pulsões sociais em épocas de crise. Devo, por fim, salientar a finalidade propedêutica desta articulação triangular: A encenação do texto de Sttau Monteiro é notável pela sua sobriedade e despojamento, em uma nudez técnica a fazer lembrar o vórtice de um dos acontecimentos mais monstruosos da intolerância humana, metaforicamente iluminando o descarnado osso de um povo. (00 351) 232 910100 Instituto Piaget - Campus Universitário de Viseu – Estrada do Alto do Gaio, Galifonge 3515-776 LORDOSA VISEU


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Ora, em reflexo sintomático, a encenação de Luar21 ainda roeu mais a carne. O despojamento é aqui quase total e incide assim todos os focos sobre este terrível aviso, multiplicando-o para apelar ao sentido mais humano de cada um de nós. Saibamos aproveitar enquanto nos divertimos. Hélio Teixeira Na Sala dos Espelhos (texto escrito para a Folha de Sala de LUAR21) LUAR

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Ficha Técnica e Artística

Encenação Carlos Clara Gomes Dramaturgia Carlos Clara Gomes Luís Melo, Liliana Cardoso, André Rodrigues e Hugo Actores González Cenografia Mario Benavides Figurinos Alda Pires Desenho de Luz Carlo Schetinni Multimédia Dardo Arismonte Música e Audio Design Carlos Clara Gomes Direcção Técnica Paulo Brites Sonorização e operação Carlos Clara Gomes de multimédia Iluminação Paulo Brites Produção Companhia DeMente e Instituto Piaget Produtora e Designer de Sandra Ramírez Produção Frente de Sala Ana Laura Aunchayna Fotos de Cena e Cartaz Luís Belo Tipo Espectáculo Teatral Duração Aproximada 75 minutos Classificação Para todos

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Ao Luar  

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